Investidor do Will Bank que já resgatou limite de R$ 250 mil do Master perde direito ao FGC

Will Bank liquidado nesta quarta (21) já estava sob intervenção
Clientes do Will Bank, que teve liquidação decretada pelo Banco Central na manhã desta quarta-feira (21), serão ressarcidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas só se ainda não tiverem atingido o teto de R$ 250 mil por causa da liquidação do Banco Master, que é o limite do Fundo.
O limite se aplica aos dois bancos por eles fazerem parte do mesmo conglomerado.
LEIA MAIS: BC decreta liquidação extrajudicial do Will Bank, que integra conglomerado do banco Master
"Caso o credor já tenha recebido o valor limite da garantia de R$ 250 mil na liquidação das instituições Banco Master, Banco Master de Investimento ou Letsbank, não haverá valores adicionais a receber do FGC, uma vez que todas as instituições pertencem ao mesmo conglomerado financeiro", diz a nota do fundo sobre a liquidação do banco.
A instituição financeira tem cerca de R$ 6 bilhões investidos. A quantia é elegível para o ressarcimento via FGC. Desde terça-feira (20), os clientes que tinham CDBs no Banco Master começaram a receber os pedidos.
O FGC é uma associação privada, sem fins lucrativos, que integra o Sistema Financeiro Nacional e atua na manutenção da estabilidade do sistema, na prevenção de crises bancárias e na proteção de depositantes e investidores.
Na prática, funciona como um fundo privado que atua como um seguro. É ele quem garante que os recursos depositados ou investidos em um banco permaneçam protegidos caso a instituição financeira enfrente alguma crise ou dificuldade.
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Divulgação
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Segundo o FGC, os ressarcimentos do Banco Master começaram nesta segunda-feira (19). Cerca de 600 mil credores já fizeram o pedido, de acordo com o balanço divulgado na noite desta segunda.
Desses, 400 mil concluíram o pedido (fizeram o trâmite completo). O FGC estima que 800 mil credores do Banco Master têm direito ao ressarcimento.
Em nota, o FGC afirmou que os pagamentos serão realizados segundo o Regulamento do FGC, com base nos dados e valores que serão determinados pelo Liquidante, nomeado pelo Banco Central.
A quantidade de clientes e o valor a ser pago serão divulgados após a referida consolidação das informações. Ainda segundo o Fundo, não existe prazo legal para o início dos pagamentos.
Aplicativo do Will Bank
Will Bank/Divulgação
Veja o passo a passo para solicitar o reembolso pelo FGC
Segundo o FGC, o pedido de pagamento da garantia para pessoas físicas deve ser feito pelo aplicativo do fundo, disponível no Google Play e na Apple Store.
"No aplicativo do FGC, você pode conferir as instituições em regime especial decretado pelo Banco Central e se já é possível solicitar o pagamento de garantia, além de receber notificações para acompanhar o seu pedido", informou o fundo.
Veja o passo a passo:
Baixe o aplicativo do FGC e complete o cadastro, informando nome completo, CPF e data de nascimento;
Solicite o pagamento de garantia. Essa etapa só ficará disponível após o envio, pelo liquidante, da lista completa de credores e valores devidos ao fundo.
Depois, basta informar uma conta bancária de sua titularidade para receber os recursos, realizar a validação biométrica e enviar eventuais documentos solicitados.
Clientes do Will Bank não conseguem realizar operações financeiras após liquidação
Reprodução
Para pessoas jurídicas, o FGC informa que o representante legal da empresa deve solicitar a garantia por meio do Portal do Investidor. Após o preenchimento das informações, o fundo envia um e-mail com o passo a passo necessário.
"O pagamento é feito por transferência para uma conta-corrente ou poupança, de mesmo CNPJ, em nome da empresa", informa o FGC.
Nos casos em que o pagamento precisar ser feito a inventariantes ou ao espólio, o FGC tratará diretamente com os beneficiários, não sendo possível fazer a solicitação pelo aplicativo.
⚠️ATENÇÃO: Valores que ultrapassarem o limite de cobertura do FGC, de R$ 250 mil, permanecerão sujeitos ao processo de liquidação do Banco Master. Nessa situação, o credor passa a integrar a massa falida como credor quirografário, sem garantia de recebimento dos valores.
O que aconteceu com o Banco Master?
O Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro do ano passado.
🔎 A liquidação extrajudicial ocorre quando o Banco Central encerra as atividades de um banco que não tem mais condições de operar. Um liquidante assume o controle, fecha as operações, vende os bens e paga os credores na ordem prevista em lei, até extinguir a instituição. Nessa fase, as operações são finalizadas e o banco deixa de integrar o sistema financeiro nacional.
O Banco Master já enfrentava risco de falência devido ao alto custo de captação e a investimentos considerados arriscados. O caso mais conhecido era a emissão títulos de renda fixa, os CDBs, que pagavam até 40% acima da taxa média do mercado. (veja aqui o que acontece com investidores)
O presidente do banco, Daniel Vorcaro, foi preso em uma operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras no Master. Na última semana, a Polícia Federal realizou uma segunda fase da operação, que incluiu buscas em endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono do banco, e parentes dele, incluindo o pai, a irmã e o cunhado dele.
O empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos, também estavam entre os alvos.
Aplicativo e cartão do Will Bank
Will Bank/Divulgação
Segundo as investigações:
O Banco Master emitiu R$ 50 bilhões em certificados de depósito bancário (CDBs) prometendo juros acima das taxas de mercado e sem comprovar que tinha liquidez, ou seja, que conseguiria pagar esses títulos no futuro.
Ao comprar um CDB, o cliente empresta o dinheiro ao banco e recebe juros em troca.
Para reforçar essa impressão de liquidez, o Master aplicou parte desses R$ 50 bilhões em ativos que não existem, comprando créditos de uma empresa chamada Tirreno.
O Master não pagou nada por essa compra, mas logo em seguida vendeu esses mesmos créditos ao BRB — que pagou R$ 12,2 bilhões, sem documentação, para "socorrer" o caixa do Banco Master.
Essas transações aconteceram no mesmo período em que o BRB tentava comprar o próprio Banco Master — e convencer os órgãos de fiscalização de que a transação era viável e não geraria risco aos acionistas do BRB, incluindo o governo do DF.
Além disso, o Master era conhecido por comprar precatórios e investir em empresas em dificuldade.
Para evitar a quebra, foram realizadas tentativas de venda do banco, o que inclui uma proposta do BRB. Todas acabaram canceladas, envoltas em questionamentos, pressões políticas e falta de transparência.
A EFB Regimes Especiais de Empresas foi designada para conduzir a administração especial. Com a liquidação, qualquer negociação de compra em andamento é automaticamente interrompida.
Infográfico - Entenda a polêmica dos CDBs do Banco Master
Arte/g1
Sede do Banco Master
Divulgação/Banco Master
Will Bank: FGC estima R$ 6,3 bilhões em pagamentos

BC decreta liquidação da Will Financeira
O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) informou nesta quarta-feira (21) que estima aproximadamente R$ 6,3 bilhões em pagamentos para clientes da Will Financeira, conhecida como Will Bank. A instituição teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central do Brasil (BC) nesta manhã. Os valores têm base em dados de novembro de 2025.
Os pagamentos serão feitos conforme o regulamento do fundo e terão como base os dados e valores determinados pelo liquidante, nomeado pelo BC.
"A quantidade de clientes e o valor a ser pago serão divulgados após a referida consolidação das informações", afirma o FGC.
O fundo destaca, ainda, que a instituição faz parte do conglomerado do Banco Master. "Isso pode afetar o valor estimado de desembolsos a serem realizados pelo FGC, por conta de alguns beneficiários já terem superado o limite de garantia", diz.
De acordo com o fundo, os clientes que adquiriram produtos elegíveis à garantia do FGC antes da aquisição do Will Bank pelo Master, em 21 de agosto de 2024, terão a garantia preservada. A partir desta data, nos casos em que o cliente possua produtos em ambas as instituições, os valores serão consolidados por CPF ou CNPJ, respeitando o limite de R$ 250 mil.
"Caso o credor já tenha recebido o valor limite da garantia de R$ 250 mil na liquidação das instituições Banco Master, Banco Master de Investimento ou Letsbank, não haverá valores adicionais a receber do FGC, uma vez que todas as instituições pertencem ao mesmo conglomerado financeiro", completa o fundo.
Ainda de acordo com o FGC, não existe prazo legal para o início dos pagamentos. Nas últimas liquidações, o tempo para início do pagamento esteve entre 30 e 60 dias.
Pagamento por PIX no aplicativo do Will Bank
Will Bank/Divulgação
Veja as etapas para o pagamento da garantia pelo FGC
Após o decreto de liquidação extrajudicial, o Banco Central nomeia um liquidante responsável pelo caso, com o apoio do FGC.
Após a nomeação, o liquidante envia ao fundo a relação das pessoas beneficiárias com os valores devidos. A consolidação dessa lista requer um prazo que varia por instituição.
Após o recebimento da base de dados, o FGC informa aos credores que o sistema está disponível para solicitação da garantia.
É importante destacar que o credor precisa manifestar interesse — o pagamento não é automático e constitui cessão de créditos com sub-rogação de direitos ao FGC, ou seja, o cliente recebe o dinheiro garantido e, em troca, o fundo passa a ter o direito de cobrar esse valor do banco liquidado. Assim, quem não manifestar o interesse, não receberá o dinheiro.
Pessoas físicas devem solicitar a garantia pelo aplicativo do FGC, enquanto pessoas jurídicas devem realizar o processo por meio do site do fundo.
Após o cadastro completo, a pessoa física visualiza o valor a receber e assina digitalmente o termo de solicitação. No caso das pessoas jurídicas, o termo é enviado por email após análise documental.
7. Após a assinatura digital e, estando tudo de acordo com os dados bancários, o FGC efetiva o pagamento em até 48h úteis, direto na conta de titularidade do credor.
O valor que exceder o limite de cobertura do FGC, de R$ 250 mil, permanece sujeito ao processo de liquidação do Will Bank. Nesse caso, o credor passa a ser quirografário na massa falida e não tem garantia de recebimento dos valores excedentes.
O fundo destaca que, nesse período inicial, é importante que depositantes e investidores do Will Bank realizem o cadastro básico no aplicativo do FGC e aguardem as notificações sobre as próximas etapas.
"Assim que o liquidante enviar ao FGC a base consolidada de credores, o Fundo divulgará, em seus canais oficiais e em seu site, todas as instruções sobre o início dos pagamentos, incluindo o período para solicitação da garantia", informou o fundo. Todo o processo será realizado de forma digital.
Veja o passo a passo para solicitar o reembolso pelo FGC
Segundo o FGC, o pedido de pagamento da garantia para pessoas físicas deve ser feito pelo aplicativo do fundo, disponível no Google Play e na Apple Store.
"No aplicativo do FGC, você pode conferir as instituições em regime especial decretado pelo Banco Central e se já é possível solicitar o pagamento de garantia, além de receber notificações para acompanhar o seu pedido", informou o fundo.
Veja o passo a passo:
Baixe o aplicativo do FGC e complete o cadastro, informando nome completo, CPF e data de nascimento;
Solicite o pagamento de garantia. Essa etapa só ficará disponível após o envio, pelo liquidante, da lista completa de credores e valores devidos ao fundo.
Depois, basta informar uma conta bancária de sua titularidade para receber os recursos, realizar a validação biométrica e enviar eventuais documentos solicitados.
Para pessoas jurídicas, o FGC informa que o representante legal da empresa deve solicitar a garantia por meio do Portal do Investidor. Após o preenchimento das informações, o fundo envia um e-mail com o passo a passo necessário.
"O pagamento é feito por transferência para uma conta-corrente ou poupança, de mesmo CNPJ, em nome da empresa", informa o FGC.
Nos casos em que o pagamento precisar ser feito a inventariantes ou ao espólio, o FGC tratará diretamente com os beneficiários, não sendo possível fazer a solicitação pelo aplicativo.
App do Will Bank congela operações, mas ainda mostra cobrança de cartão; veja o que fazer se for cliente

Will Bank liquidado nesta quarta (21) já estava sob intervenção
Além da dificuldade para movimentar o dinheiro, correntistas afetados pela liquidação do Will Bank, decretada pelo Banco Central nesta quarta-feira (21), enfrentam outro problema: a cobrança de faturas do cartão de crédito mesmo com as contas bloqueadas.
O aplicativo ainda permite a visualização de saldos, limites e faturas, mas operações como transferências, PIX e pagamentos não estão sendo concluídas.
🔎 Na prática, o sistema permanece ativo, mas “congelado”: os valores aparecem na tela, porém não podem ser utilizados, já que só serão liberados pelo liquidante do banco ao longo do processo. (saiba mais abaixo)
Cassandra Mendes, de 29 anos, foi pega de surpresa. Cliente do banco há dois anos, ela afirma que tem dinheiro disponível na conta, mas não consegue usá-lo para pagar a fatura do cartão. “Hoje de manhã consegui pagar a fatura de dezembro. Agora, a de janeiro segue em aberto.”
Ao acessar o aplicativo, Cassandra se deparou com o seguinte aviso:
“Devido à liquidação determinada pelo Banco Central, as operações estão suspensas. Caso você possua saldo, em breve traremos mais informações sobre como terá acesso aos seus recursos.”
Cassandra Mendes, de 29 anos, afirma que tem dinheiro disponível na conta, mas não consegue usá-lo
Reprodução
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Falhas para realizar movimentações financeiras
Já na noite de terça-feira (20), usuários passaram a relatar instabilidades no aplicativo do Will Bank nas redes sociais. Segundo o Downdetector, cerca de 500 notificações de erro foram registradas por volta das 20h, com novo pico de reclamações na manhã desta quarta, após a liquidação.
Entre os principais problemas estão a recusa de compras no cartão de crédito, a impossibilidade de realizar transferências via PIX e falhas no internet banking. Relatos indicam que, apesar de o aplicativo exibir limite disponível, nenhuma operação é efetivada.
As instabilidades começaram após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Will Bank, controlado pela Will Financeira, do grupo Banco Master. Com a medida, as atividades da instituição são interrompidas, afetando diretamente os serviços digitais para todos os clientes.
Mesmo com a fatura baixa e limite disponível, Rayssa Santos, de 26 anos, relata frustração. Desde terça-feira, antes mesmo do anúncio oficial, ela diz que não consegue usar o cartão de crédito.
“Tem limite, por isso a fatura até está baixa, porque não consigo usar. Tentei fazer compras ontem na Shein, mas não aprovou. Tive que cadastrar outro cartão que eu deixava só para compras online. Cheguei a parcelar, mas não adiantou”, relata.
Segundo o Banco Central, os problemas do Will Bank com a Mastercard estão ligados à paralisação do processamento dos cartões de crédito, fator decisivo para o agravamento da situação financeira da instituição e para a decisão de decretar a liquidação extrajudicial.
O banco digital acumulava cerca de R$ 7 bilhões em passivos e mantinha aproximadamente R$ 8 bilhões em transações correntes vinculadas à bandeira Mastercard.
Quando os clientes terão acesso ao dinheiro?
Com a liquidação, os valores mantidos pelos clientes passam a integrar o processo conduzido por um liquidante nomeado pelo Banco Central, responsável por apurar os saldos e organizar os pagamentos conforme a legislação.
Quem tinha dinheiro em conta ou aplicações elegíveis conta com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre até R$ 250 mil por CPF, considerando o conjunto de depósitos e produtos garantidos na instituição.
O pagamento, no entanto, não é imediato e depende dos trâmites formais da liquidação. O BC não informou um prazo para a liberação dos recursos.
O g1 procurou a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o Banco Central (BC), o Fundo Garantidor de Créditos e o Will Bank para comentar as cobranças e os prazos para acesso ao dinheiro.
Em nota, a Febrabran informou que não comenta assuntos de instituições específicas e que o Will Bank não faz parte do quadro de associados da instituição.
Já o FGC informou que os ressarcimentos aos clientes do banco digital serão feitos conforme o regulamento do fundo, com base nos dados e valores apurados pelo liquidante nomeado pelo Banco Central.
O fundo destaca que, nesse período inicial, é importante que depositantes e investidores do Will Bank realizem o cadastro básico no aplicativo do FGC e aguardem as notificações sobre as próximas etapas. (veja aqui o passo a passo para solicitar o reembolso pelo FGC)
O Will Bank e o Banco Central não se manifestaram até a atualização desta reportagem.
O que muda para quem tinha conta e cartão de crédito
Com a liquidação extrajudicial, contas, cartões e demais serviços deixam de operar normalmente.
A instituição é retirada do sistema financeiro, e os clientes passam a figurar como credores no processo, respeitada a ordem legal de pagamento e as garantias existentes.
A liquidação, porém, não extingue automaticamente as dívidas dos clientes. Valores já lançados na fatura do cartão de crédito continuam sendo devidos e podem ser cobrados, inclusive com aplicação de juros e eventual negativação em caso de inadimplência.
Sou cliente, e agora?
Segundo advogados consultados pelo g1, os clientes que tinham recursos no banco terão os montantes garantidos pelo FGC até o teto de R$ 250 mil por CPF, mas precisarão esperar a disponibilização dos recursos por parte do fundo.
"Mesmo sendo uma conta salário ou alguém que tivesse dinheiro em conta, o acesso a esses recursos vai depender do liquidante [a ser nomeado pelo BC]. Ele é quem vai avaliar a lógica de prioridade para esses pagamentos, mas não é algo que acontece de forma automática, infelizmente", diz Bruno Boris, sócio fundador do Bruno Boris Advogados.
Os especialistas destacam, ainda, que aqueles consumidores que destinavam grande parte dos recursos para o Will Bank precisarão ter outro banco como instituição financeira principal, além de adotar providências essenciais.
"É necessário guardar extratos, comprovantes de saldo e registros das movimentações existentes na data da decretação da liquidação, pois esses documentos servem como prova de crédito", afirma a sócia da Poli Advogados Associados, Daniela Poli Vlavianos.
"Também é importante acompanhar as comunicações oficiais do Banco Central, do liquidante e do Fundo Garantidor de Créditos, que informará quando e como será feito o pagamento dos valores garantidos", completa a advogada.
Ela destaca ainda que não é recomendável tentar movimentações ou transferências após o decreto, pois os atos podem ser bloqueados ou invalidados.
Aplicativo do Will Bank
Will Bank/Divulgação
Parlamento Europeu decide suspender acordo comercial com os EUA

Em Davos, Trump diz que 'ninguém pode defender Groenlândia como os EUA'
O Parlamento Europeu decidiu nesta quarta-feira (21) suspender a análise do acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos. O anúncio foi feito pelo presidente da Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu, Bernd Lange, e confirma um movimento que já havia sido sinalizado na véspera.
A decisão ocorre após declarações reiteradas do presidente americano, Donald Trump, defendendo que os EUA assumam o controle da Groenlândia, território semiautônomo ligado à Dinamarca.
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Segundo Lange, o Parlamento vinha avançando na definição de sua posição sobre duas propostas legislativas de Turnberry, com o objetivo de iniciar negociações com o Conselho Europeu e viabilizar os compromissos previstos no acordo entre UE e EUA.
🔎 O Acordo de Turnberry previa a suspensão de tarifas sobre todos os produtos industriais dos EUA exportados para a UE, além da criação de um sistema de cotas tarifárias para diversos produtos agroalimentares americanos. Esse mecanismo permitiria a entrada de determinados volumes desses itens no mercado europeu com tarifas reduzidas ou zeradas.
Esse processo, porém, foi interrompido após o que ele classificou como uma "quebra do acordo". Trump anunciou que pretende impor uma tarifa de 10% sobre produtos europeus a partir de fevereiro caso a Groenlândia não passe ao controle americano até junho.
“Ao ouvir o discurso dele [Trump] em Davos, não houve qualquer recuo de posição. Ele quer que a Groenlândia faça parte dos EUA, quer sentar à mesa para discutir um preço. O único compromisso assumido foi o de não usar força militar sobre a Groenlândia.”
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Lange afirmou que está totalmente claro que, com esse tipo de pressão, Trump "inaugura um novo tipo de relação”, ao passar a usar tarifas como instrumento de coerção.
Segundo ele, essa avaliação é compartilhada por seus colegas, diante da pressão exercida sobre a UE para que o território semiautônomo da Dinamarca seja vendida aos EUA.
“Vamos manter o andamento de dois processos suspenso até que haja clareza sobre a Groenlândia e sobre essas ameaças”, acrescentou o presidente da Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu.
De acordo com Lange, enquanto esse cenário persistir, “não há possibilidade de compromisso”.
'Chantagem' americana
O governo francês já havia elevado o tom contra a postura dos EUA nas negociações com a UE.
Ontem, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, afirmou que Washington tem recorrido a ameaças tarifárias como forma de pressão política, classificando a estratégia como uma tentativa de impor concessões que considerou injustificáveis.
Para ele, o uso de tarifas caracteriza uma "chantagem".
Barrot também declarou apoio à decisão de suspender o acordo comercial entre a UE e os EUA e ressaltou que a Comissão Europeia dispõe de mecanismos para reagir a eventuais medidas adotadas pelo governo americano.
🔎 O tratado, firmado em julho do ano passado, previa a aplicação de tarifas de 15% pelos EUA sobre a maior parte dos produtos europeus, enquanto a União Europeia se comprometeria a reduzir parte das taxas cobradas sobre importações americanas.
Apesar do acerto político, o acordo ainda dependia de aval formal do Parlamento Europeu e dos governos nacionais, com início de vigência previsto entre março e abril deste ano.
Com a suspensão do processo, o bloco europeu voltou a considerar a adoção de tarifas retaliatórias, que poderiam alcançar 93 bilhões de euros, além da possibilidade de limitar o acesso de empresas americanas ao mercado europeu.
No Fórum Econômico Mundial, em Davos, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reforçou que a soberania da Groenlândia não está em negociação e alertou que a escalada de pressões tarifárias representa um erro estratégico para ambos os lados.
Por que Trump quer adquirir a Groenlândia?
Nas últimas semanas, o presidente americano intensificou as iniciativas para anexar a Groenlândia.
Isso porque, além de a ilha do Ártico ser considerada uma rota marítima estratégica para o comércio global e a exploração de matérias-primas críticas, Trump também a considera crucial para a construção do chamado Domo de Ouro — escudo antimísseis que ele deseja erguer para proteger os EUA.
"Os Estados Unidos precisam da Groenlândia para fins de segurança nacional. Ela é vital para o Domo de Ouro que estamos construindo. A Otan deveria liderar o processo para que a conquistemos. Se não o fizermos, a Rússia ou a China o farão, e isso não vai acontecer!", escreveu o republicano em uma publicação nas suas redes sociais na semana passada.
Em resposta às declarações de Trump, países europeus anunciaram o reforço da segurança na região, incluindo o envio de pequenos contingentes militares à ilha, a pedido do governo da Dinamarca.
Em comunicado conjunto, Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda afirmaram estar comprometidos com a defesa da Groenlândia e com o fortalecimento da segurança do Ártico no âmbito da Otan.
O governo da Groenlândia agradeceu publicamente o apoio europeu.
A crise também provocou protestos populares. Milhares de pessoas foram às ruas da Groenlândia e de Copenhague no sábado para criticar a intenção de Trump de anexar o território.
Pessoas participam do protesto "Tirem as mãos da Groenlândia", realizado após a Casa Branca afirmar que os EUA estavam considerando uma série de opções para adquirir a ilha.
Ritzau Scanpix/Emil Helms via Reuters
Trump diz que não usará força para tomar Groenlândia, mas exige negociação
Trump diz que não usará força para tomar Groenlândia, mas exige negociação Presidente afirmou também que EUA gastaram 'trilhões de dólares' para defesa de países da Otan e da Europa, e quer retribuição. Trump insiste em compra da Groenlândia, ataca Europa e diz que 'ninguém pode defender o território como os EUA'.. Republicando diz que anexação seria uma retribuição da Otan e da Europa pelo investimento na defesa dessas nações.. Ontem, secretário do Tesouro disse que Trump 'transmitirá sua mensagem' sobre as tarifas e sobre a Groenlândia.. Já Ursula von der Leyen usou o Fórum para dizer que as tarifas dos EUA são um ‘erro’ e para defender a soberania da ilha.
Meu INSS fica fora do ar pelo terceiro dia consecutivo e gera reclamações nas redes

Aplicativo "Meu INSS"
Reprodução/TV Globo
Uma falha no aplicativo Meu INSS na manhã desta quarta-feira (21) gerou uma onda de reclamações de usuários nas redes sociais.
Segundo o site Downdetector, que monitora a instabilidade de serviços digitais, ao menos 100 notificações de erro haviam sido registradas até as 10h.
Entre as principais reclamações dos usuários estão erros no aplicativo móvel, no site e no login, com relatos de que as plataformas não abrem.
Vale lembrar que os serviços do Meu INSS (site e aplicativo) e da Central 135 ficarão indisponíveis a partir das 19h do dia 27 até 31 de janeiro. (entenda o motivo abaixo)
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Meu INSS fica fora do ar pelo terceiro dia consecutivo e gera reclamações nas redes
Captura de tela/MEU INSS
Este é o terceiro dia de instabilidade no sistema do governo federal. Na segunda-feira (19), a Dataprev, empresa responsável pelo suporte tecnológico do INSS, informou que os problemas no Meu INSS foram causados por um aumento atípico no volume de acessos.
"O problema já foi resolvido e os sistemas operam normalmente. A sobrecarga ocorreu devido à atualização da margem para empréstimos consignados, ao reajuste de benefícios e à nova alíquota do Imposto de Renda com isenção para quem ganha até R$ 5.000", disse a estatal em nota.
Em um único dia, a Dataprev disse que foram registradas cerca de 8,5 milhões de consultas — alta de 143% em relação à média diária de 3,5 milhões de acessos —, o que comprometeu o tempo de resposta do sistema.
Veja as reclamações dos clientes nas redes sociais:
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INSS antecipa atendimentos antes de manutenção
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) realiza neste fim de semana, entre os dias 24 e 25 de janeiro, uma nova rodada de mutirões em diversas cidades do país.
A iniciativa tem como objetivo antecipar atendimentos agendados entre 28 e 30 de janeiro, período em que as agências estarão fechadas para manutenção dos sistemas.
Segundo o INSS, a suspensão temporária do atendimento presencial e dos canais digitais é necessária para a modernização tecnológica da Dataprev.
O órgão afirma que os mutirões têm sido adotados para reduzir o tempo de espera na análise de benefícios, garantir a continuidade dos serviços e evitar prejuízos aos segurados durante o período de atualização dos sistemas.
É importante lembrar que os serviços do Meu INSS (site e app) e da Central 135 ficarão indisponíveis a partir das 19h do dia 27 até o dia 31 de janeiro.
Quem tem atendimento marcado para os dias 28, 29 ou 30 de janeiro deve consultar a nova data pelo aplicativo Meu INSS ou pelo telefone 135 até a próxima terça-feira (20). O órgão garante o reencaixe para quem preferir ser atendido em dias úteis.
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Simulador do INSS mostra valores e tempo de contribuição pelas novas regras de aposentados
Trump diz que EUA gastaram 'trilhões de dólares' para defesa da Otan e da Europa, e fala em retribuição

Em Davos, Trump diz que 'ninguém pode defender Groenlândia como os EUA'
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (21) que países europeus e integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) poderiam aceitar a anexação da Groenlândia como retribuição ao investimento americano na defesa dessas nações.
Em discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, o republicano disse que os EUA gastaram “trilhões e trilhões de dólares” para garantir a defesa desses países e que, agora, eles “não estão preparados para defender” o lado americano.
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“Eu só estou pedindo um pedaço de terra. Então, eles têm uma escolha. Podem dizer ‘sim’ e nós vamos realmente ficar muito felizes com isso, ou podem dizer ‘não’, e nós vamos nos lembrar”, afirmou Trump.
O momento é de tensão diplomática entre os EUA e líderes europeus, em meio aos planos de Trump para a incorporação da Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca, aos EUA.
O presidente americano anunciou no fim de semana a imposição de uma tarifa de 10% à Dinamarca e a outros sete países da Europa, caso continuem contrários aos seus planos de adquirir a ilha do Ártico.
Em resposta, o Parlamento Europeu congelou nesta quarta-feira o acordo comercial firmado com os EUA no fim do ano passado.
Com a suspensão do acordo, a União Europeia volta a colocar na mesa a possibilidade de impor tarifas retaliatórias aos EUA — que poderiam chegar a 93 bilhões de euros (cerca de R$ 580 bilhões) — e de restringir o acesso de empresas americanas ao bloco.
Na véspera, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que também participou do Fórum Econômico Mundial, em Davos, afirmou que a soberania da Groenlândia é “inegociável” e alertou que eventuais tarifas ou pressões entre EUA e UE seriam um erro estratégico.
Já o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, pediu que os países europeus evitem qualquer tipo de retaliação diante da intenção de Trump de assumir o controle da Groenlândia e solicitou que os aliados “mantenham a mente aberta” sobre o tema.
“Digo a todos: acalmem-se. Respirem fundo. Não revidem. O presidente estará aqui amanhã e transmitirá sua mensagem”, afirmou Bessent em coletiva durante o Fórum Econômico Mundial, na Suíça.
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Acordo comercial entre UE e Mercosul na Justiça: veja repercussão entre líderes europeus

Líderes da União Europeia e do Mercosul celebraram em Assunção a assinatura do acordo de livre comércio que encerra mais de 25 anos de negociações.
REUTERS/Cesar Olmedo
Líderes europeus começaram a se posicionar no X sobre a votação do Parlamento Europeu para paralisar o acordo entre a União Europeia e o Mercosul. A decisão, desta quarta-feira (21), em teoria, impede a entrada em vigor do acordo comercial por vários meses.
Além disso, manda os termos do acordo para o Tribunal de Justiça da União Europeia para revisão de sua legalidade. Saiba mais sobre a votação.
O Friedrich Merz, chefe de governo da Alemanha, por exemplo, escreveu que: "A decisão do Parlamento Europeu sobre o acordo Mercosul é lamentável. Ela avalia mal a situação geopolítica. Estamos convencidos da legalidade do acordo. Chega de atrasos. O acordo deve agora ser aplicado provisoriamente". Veja a publicação mais abaixo.
Já Jean-Noël Barrot, Ministro da Europa e dos Negócios Estrangeiros da França, escreveu que "ao submeter o acordo com o Mercosul ao Tribunal de Justiça da União Europeia, o Parlamento Europeu agiu em consonância com a posição que temos defendido. A França está disposta a dizer não quando necessário, e a história muitas vezes comprova isso. A luta continua para proteger a nossa agricultura e garantir a nossa soberania alimentar".
O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, por sua vez, respondeu à publicação de Barrot que essa foi uma votação importante e que deve ser respeitada.
Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria, compartilhou um post no X da página @patriotaspelaeuropa sobre a decisão. A publicação afirma que, enquanto partidos do “establishment” se curvam a lobistas globalistas, o movimento diz defender agricultores e trabalhadores europeus. O texto também sustenta que os votos do grupo “mudaram o jogo” e que agora a decisão caberá à Justiça.
Os eurodeputados aprovaram a moção com 334 votos a favor, 324 contra e 11 abstenções. Saiba todos os detalhes da votação.
Jean-Noël Barrot, Ministro da Europa e dos Negócios Estrangeiros da França
Reprodução/X
Publicação de Frierich Merz
Reprodução/X
*Essa reportagem está em atualização
Will Bank: clientes relatam falhas para fazer movimentações financeiras

Will Bank: liquidado pelo BC, banco digital cresceu com foco em clientes de baixa renda
Divulgação
Após o Banco Central (BC) decretar a liquidação extrajudicial do Will Bank, diversos clientes da instituição relataram nas redes sociais dificuldades para realizar pagamentos e movimentações financeiras nesta quarta-feira (21).
De acordo com o Downdetector, plataforma que monitora instabilidades em serviços digitais, ao menos 500 notificações de erro foram registradas por clientes já na noite desta terça-feira (20).
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As reclamações se intensificaram na manhã desta quarta, por volta das 7h. Entre os principais problemas apontados estão falhas no cartão de crédito, no internet banking e em transferências.
Os clientes já relatam dificuldades operacionais: embora ainda seja possível acessar o aplicativo e visualizar limites disponíveis, as transações não estão sendo concluídas. Compras, pagamentos e transferências via PIX estão indisponíveis.
Veja nesta reportagem as principais informações aos clientes e investidores do Will Bank.
Abaixo, veja as reclamações dos clientes nas redes sociais.
Usuários do Will Bank reclamam de problemas em compras e movimentações
Reprodução/Downdetector
Clientes do Will Bank ainda conseguem acessar o aplicativo, mas não realizam operações financeiras após a liquidação.
Reprodução
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Com a liquidação extrajudicial, as atividades do Will Bank são interrompidas. Isso significa que contas correntes, contas de pagamento e demais serviços deixam de operar normalmente.
De acordo com as regras do Banco Central, os valores mantidos por clientes passam a integrar o processo de liquidação e serão pagos conforme as garantias existentes e a ordem legal de preferência entre credores.
O liquidante nomeado será o responsável por apurar os valores devidos e conduzir os pagamentos possíveis.
Vale lembrar que quem tem dinheiro em conta corrente ou aplicações simples está protegido, mas dentro dos limites previstos.
O Banco Central informa que, em casos de intervenção ou liquidação de bancos, os depositantes contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre até R$ 250 mil por pessoa, considerando o conjunto de depósitos e produtos elegíveis mantidos na instituição.
Essa garantia se aplica aos clientes do Will Bank que se enquadram nas regras do fundo, respeitado o limite estabelecido. Veja mais sobre na reportagem abaixo:
Liquidação do Will Bank: o que acontece com quem tem conta e CDB?
Will Bank liquidado nesta quarta (21) já estava sob intervenção
Com juros altos, confiança do empresário tem o pior mês de janeiro em dez anos

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) subiu 0,5 ponto em janeiro de 2026, chegando aos 48,5 pontos, informou nesta quarta-feira (21) a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O ICEI vai de 0 a 100 pontos e que valores abaixo de 50 pontos indicam falta de confiança dos empresários industriais.
Mesmo com o aumento, o indicador registrou o pior resultado para o mês em de janeiro em 10 anos, ou seja, desde o mesmo mês de 2016 (durante a recessão econômica).
Veja os vídeos que estão em alta no g1
O indicador é fruto de levantamento com 1.058 empresas, sendo 426 pequenas, 383 médias e 249 grandes, entre os dias 5 e 9 de janeiro deste ano.
"A confiança do empresário vem baixa desde o início do ano passado, respondendo à elevação da taxa Selic, que aconteceu a partir do fim de 2024. À medida em que a taxa de juros aumentou e os efeitos foram mais sentidos na atividade econômica, a falta de confiança se consolidou”, avaliou o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo.
Atualmente, a taxa básica de juros da economia, fixada pelo Banco Central para conter a inflação, está em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. A Selic serve de referência para o mercado financeiro nos empréstimos a pessoas físicas e empresas.
Copom mantém selic em 15% ano ano pela quarta vez seguida
Perspectivas
Ao decompor o ICEI de janeiro, o índice de condições atuais da economia subiu 0,2 ponto, para 44 pontos.
Por estar abaixo de 50 pontos, o resultado mostra que os empresários ainda avaliam que a economia e os próprios negócios seguem piores do que há seis meses.
Já o Índice de Expectativas, outro componente do ICEI, subiu 0,7 ponto, de 50 pontos para 50,7 pontos.
"O movimento indica que os empresários deixaram a neutralidade e voltaram a demonstrar expectativas positivas para os próximos seis meses. O otimismo, no entanto, é puxado pela expectativa positiva para o desempenho das empresas, uma vez que as perspectivas para a economia ficaram mais negativas", avaliou a entidade.
Calculadora; empresa; gastos; dinheiro
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Parlamento Europeu aprova levar acordo entre UE e Mercosul à Justiça

Parlamento Europeu
Yves Herman/Reuters
O Parlamento Europeu votou, nesta quarta-feira (21), para paralisar o acordo entre a União Europeia e o Mercosul. A decisão manda os termos do acordo para o Tribunal de Justiça da União Europeia para revisão de sua legalidade.
Os eurodeputados aprovaram a moção com 334 votos a favor, 324 contra e 11 abstenções. Este encaminhamento ao Tribunal, em teoria, impede a entrada em vigor do acordo comercial por vários meses.
Entretanto, a Comissão Europeia tem a opção de aplicar o tratado de forma provisória, se assim o desejar.
A Corte deve analisar a compatibilidade do texto com os termos europeus e bases jurídicas do acordo. Se verificar incompatibilidade, será necessária uma alteração deste texto. Sem essa alteração, o tratado não pode entrar em vigor. Essas alterações podem atrasar o processo de aprovação final do acordo, em pelo menos 6 meses.
Se a Corte não pontuar incompatibilidades, o processo segue para a votação do Parlamento.
Os dois blocos assinaram no sábado (17) um acordo comercial que cria uma zona de livre comércio entre os eles.
Anfitrião do evento que marcou a assinatura do acordo e presidente pro tempore do Mercosul, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, classificou o tratado como um “feito histórico” e afirmou que o acordo envia uma mensagem clara em favor do comércio internacional, do diálogo e da cooperação entre os países.
"Apostemos em um futuro com mais coragem, audácia e aprofundemos nossa União. Em um mundo complexo, UE e América do Sul devem se unir para mostrar um caminho diferente", destacou o presidente paraguaio.
Com mais de 700 milhões de consumidores, o tratado cria a maior zona de livre comércio do mundo, abrangendo os 27 Estados-membros da UE, além de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Além disso, elimina tarifas sobre mais de 90% do comércio bilateral.
O acordo permitirá que a UE exporte mais veículos, máquinas, vinhos e licores para a América Latina, ao mesmo tempo que facilita a entrada de carne bovina, açúcar, arroz, mel e soja sul-americanos na Europa.
Seus críticos acreditam que o acordo prejudicará a agricultura europeia com produtos importados mais baratos que podem não atender aos padrões fitossanitários do Velho Continente.
O agro do Brasil deve ser um dos grandes beneficiários desse tratado, porque é um dos maiores produtores do mundo e já tem o bloco europeu como seu segundo maior cliente. Veja abaixo a participação do setor nas importações para a Europa.
Veja dados das exportação do Brasil para a UE em 2025
Arte g1
Por que o BC liquidou o Will Bank só agora, dois meses após o Master? Entenda a decisão

Will Bank liquidado nesta quarta (21) já estava sob intervenção
O Banco Central decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira, conhecida como Will Bank — dois meses após a liquidação do Banco Master, controlador do conglomerado.
A decisão levantou a seguinte dúvida: por que o desfecho veio apenas agora, se o Master havia sido liquidado em novembro? A resposta está em uma combinação de fatores.
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Após a liquidação do Master, o Will Bank passou a operar sob gestão do Banco Central, que assumiu temporariamente o controle da instituição para evitar o agravamento da situação e prejuízos maiores aos clientes e ao sistema financeiro.
Segundo o BC, houve uma tentativa de preservar a operação da instituição, visando ao interesse público. (veja a nota abaixo)
De acordo com apurações do blog do Valdo Cruz, o Will Bank ainda não havia sido liquidado para permitir a venda a um novo investidor de origem árabe, que demonstrava interesse na compra. O negócio, porém, não foi concluído.
Somado a isso, a instituição descumpriu a grade de pagamentos com a Mastercard, o que agravou a situação. No dia seguinte, a empresa anunciou a suspensão da aceitação de cartões emitidos pelo Will Bank em razão das dívidas.
Em nota, o BC citou o impasse para justificar a liquidação. No comunicado, o órgão afirma que o cenário comprometeu a “situação econômico-financeira” da instituição e caracterizou sua insolvência.
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BC decreta liquidação extrajudicial do Will Bank, ligado ao Banco Master
O que acontece com contas, cartões e CDBs dos clientes do Will Bank
Liquidado pelo BC, Will Bank cresceu com foco em clientes de baixa renda
Clientes relatam falhas para realizar movimentações após intervenção do BC
Will Bank
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Situação financeira comprometida
O BC destacou ainda que a insolvência do Will estava associada ao “vínculo evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A.”.
Ou seja: embora o Will não tenha sido liquidado junto com o Master, a deterioração do conglomerado e a impossibilidade de separar completamente a gestão e os riscos entre as empresas produziram um efeito retardado, mas inevitável.
Segundo o BC, o quadro financeiro da instituição se deteriorou após a liquidação do Master, há dois meses. O Will acumulava cerca de R$ 7 bilhões em passivos e aproximadamente R$ 8 bilhões em transações correntes com a bandeira Mastercard.
A hipótese de venda, que poderia permitir a continuidade da instituição, também não se concretizou. Com isso, as possibilidades de manter seu funcionamento foram definitivamente afastadas.
Com o controlador Master já liquidado e sem alternativas viáveis, o BC concluiu que a liquidação do Will era inevitável.
Nota do BC
Veja a nota do Banco Central sobre a liquidação na íntegra:
"O Banco Central decretou hoje, 21 de janeiro de 2026, a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, controlada pelo Banco Master Múltiplo S/A, o qual vem operando sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET) no contexto da liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, decretada em 18 de novembro de 2025.
O Conglomerado Master era classificado como de crédito diversificado, porte pequeno e enquadrado no segmento S3 da regulação prudencial, tendo como instituição líder o Banco Master S/A.
O conglomerado detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Na ocasião da decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, entendeu-se adequada e aderente ao interesse público a imposição do RAET ao Master Múltiplo S/A, ante a possibilidade de uma solução que preservasse o funcionamento de sua controlada Will Financeira. Tal solução, contudo, não se mostrou viável, verificando-se no dia 19 de janeiro de 2026 o descumprimento pela Will Financeira da grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard (Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos Ltda.) e o consequente bloqueio de sua participação nesse arranjo.
Assim, tornou-se inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação extrajudicial.
O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição objeto da liquidação decretada."
Caso Banco Master
Segundo a TV Globo apurou, Maurício Antônio Quadrado, ligado ao Will Bank, foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última quarta-feira (14). De acordo com fontes da PF, ele é sócio oculto de Daniel Vorcaro, dono do banco Master.
O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, foi liquidado em 18 de dezembro de 2025 pelo Banco Central. A instituição enfrentava dificuldades financeiras, com alto custo de captação e forte exposição a investimentos considerados arriscados.
Tentativas de venda, como a proposta do BRB, não avançaram diante de questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência e menções ao banco em investigações. O alerta no mercado se intensificou quando o Master passou a oferecer CDBs com rentabilidades muito acima do padrão.
Will Bank: entenda a ligação do banco digital com o Banco Master

Banco Central determina liquidação do Will Financeira
O Banco Central (BC) decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira, nome fantasia do Will Bank. A instituição integra o conglomerado do Banco Master, e a medida também interrompe suas atividades.
A instituição faz parte do conglomerado do Banco Master, liquidado pelo BC em 18 de novembro. Desde então, o Will Bank vinha operando sob Regime Especial de Administração Temporária (Raet) do BC.
🔎 Quando uma instituição está em Raet, o Banco Central assume temporariamente o controle para evitar que a situação piore e cause prejuízos maiores aos clientes e ao sistema financeiro.
Criado com foco em inclusão financeira, o Will Bank era um banco digital voltado principalmente a pessoas com pouco acesso ao sistema financeiro tradicional, especialmente clientes de renda média e baixa.
A fintech surgiu em 2017, no Espírito Santo, a partir do pag!, emissor de cartões de crédito fundado por Felipe Felix — atual CEO — ao lado dos irmãos Giovanni e Walter Piana.
Em 2020, a empresa passou por uma reformulação e adotou a marca Will Bank, ampliando sua atuação para além do cartão de crédito e se consolidando como banco digital.
Ao longo dos anos, a fintech expandiu seu portfólio de produtos, incluindo conta digital remunerada, pagamentos via PIX e boletos, empréstimo pessoal, antecipação do saque-aniversário do FGTS e um marketplace com sistema de cashback.
A comunicação da marca sempre destacou uma linguagem simples e acessível, reforçando o discurso de democratização do crédito.
Em 2021, a instituição recebeu um aporte de R$ 250 milhões do fundo de private equity da XP e da Atmos Capital, que passaram a deter uma participação minoritária de 24,9%.
No ano seguinte, o banco incorporou a equipe e as parcerias da startup de cashback Getmore, acelerando a estratégia de vendas online e de marketplace.
Em 2024, o grupo passou por uma reestruturação societária relevante. Após aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central, o controle da Will Instituição de Pagamentos foi transferido ao Grupo Reag, enquanto a Will Financeira passou para o controle do Grupo Master.
Como parte do processo, ativos e passivos ligados ao arranjo de pagamentos começaram a ser transferidos da instituição de pagamentos para a financeira.
O Will Bank havia registrado melhora em seus resultados recentes. No primeiro semestre de 2024, a companhia reverteu prejuízos acumulados e apurou lucro líquido de R$ 47,4 milhões, segundo dados divulgados pela própria instituição.
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BC decreta liquidação extrajudicial do Will Bank, ligado ao Banco Master
O que acontece com contas, cartões e CDBs dos clientes do Will Bank
Por que a liquidação do Will Bank veio só dois meses após o caso Master
Clientes relatam falhas para realizar movimentações após intervenção do BC
Por que a liquidação foi decretada agora?
A decisão do BC levantou a seguinte dúvida: por que o desfecho veio apenas agora, se o Master havia sido liquidado em novembro? A resposta está em uma combinação de fatores.
Após a liquidação do Master, o Will Bank passou a operar sob gestão do Banco Central, que assumiu temporariamente o controle da instituição para evitar o agravamento da situação e prejuízos maiores aos clientes e ao sistema financeiro.
Segundo o BC, houve uma tentativa de preservar a operação da instituição, visando ao interesse público.
De acordo com apurações do blog do Valdo Cruz, o Will Bank ainda não havia sido liquidado para permitir a venda a um novo investidor de origem árabe, que demonstrava interesse na compra. O negócio, porém, não foi concluído.
Somado a isso, a instituição descumpriu a grade de pagamentos com a Mastercard, o que agravou a situação. No dia seguinte, a empresa anunciou a suspensão da aceitação de cartões emitidos pelo Will Bank em razão das dívidas.
Em nota, o BC citou o impasse para justificar a liquidação. No comunicado, o órgão afirma que o cenário comprometeu a “situação econômico-financeira” da instituição e caracterizou sua insolvência.
Caso Banco Master
Segundo a TV Globo apurou, Maurício Antônio Quadrado, ligado ao Will Bank, foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última quarta-feira (14). De acordo com fontes da PF, ele é sócio oculto de Daniel Vorcaro, dono do banco Master.
O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, foi liquidado em 18 de dezembro de 2025 pelo Banco Central. A instituição enfrentava dificuldades financeiras, com alto custo de captação e forte exposição a investimentos considerados arriscados.
Tentativas de venda, como a proposta do Banco de Brasília (BRB), não avançaram diante de questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência e menções ao banco em investigações. O alerta no mercado se intensificou quando o Master passou a oferecer CDBs com rentabilidades muito acima do padrão.
Aplicativo e cartão do Will Bank
Will Bank/Divulgação
Liquidação do Will Bank: o que acontece com quem tem conta, cartão e CDB?

Will Bank liquidado nesta quarta (21) já estava sob intervenção
A liquidação extrajudicial do Will Bank, decretada pelo Banco Central nesta quarta-feira (21), interrompe o funcionamento da instituição financeira e e gera dúvidas entre correntistas e investidores sobre o destino de seus recursos.
A medida marca o desfecho de um processo iniciado após a liquidação do Banco Master, controlador do banco digital, e segue os procedimentos previstos para a retirada organizada de uma instituição do Sistema Financeiro Nacional.
Os clientes já relatam dificuldades operacionais: embora ainda seja possível acessar o aplicativo e visualizar limites disponíveis, as transações não estão sendo concluídas. Compras, pagamentos e transferências via PIX estão indisponíveis.
A seguir, o g1 explica o que acontece com quem mantinha conta ou aplicações no Will Bank.
O que muda para quem tinha conta no Will Bank?
Quem tinha dinheiro em conta corrente ou aplicações simples está protegido?
É possível movimentar o saldo em conta depois da liquidação?
E quem investiu em CDBs emitidos pelo Will Bank?
Existe diferença entre ser correntista e ser investidor no processo de liquidação?
O que acontece com os cartões de crédito após a liquidação?
E a fatura do cartão que já foi gerada, precisa ser paga?
Posso ser cobrado ou negativado por não pagar a fatura?
O Will Bank já estava sob algum tipo de intervenção antes da liquidação?
O que levou à decisão final pela liquidação?
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O que muda para quem tinha conta no Will Bank?
Com a liquidação extrajudicial, as atividades do Will Bank são interrompidas. Isso significa que contas correntes, contas de pagamento e demais serviços deixam de operar normalmente.
De acordo com as regras do BC, os valores mantidos por clientes passam a integrar o processo de liquidação e serão pagos conforme as garantias existentes e a ordem legal de preferência entre credores.
O liquidante nomeado será o responsável por apurar os valores devidos e conduzir os pagamentos possíveis.
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Quem tinha dinheiro em conta corrente ou aplicações simples está protegido?
Sim, dentro dos limites previstos.
O BC informa que, em casos de intervenção ou liquidação de bancos, os depositantes contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre até R$ 250 mil por pessoa, considerando o conjunto de depósitos e produtos elegíveis mantidos na instituição.
Essa garantia se aplica aos clientes do Will Bank que se enquadram nas regras do fundo, respeitado o limite estabelecido.
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É possível movimentar o saldo em conta depois da liquidação?
Não. Se o cliente mantinha saldo em conta no banco, esse valor fica bloqueado a partir da decretação da liquidação. Nesse período, não é possível movimentar os recursos livremente.
Segundo Lucas Girão, economista e especialista em investimentos com MBA em Finanças pela Faculdade Brasileira de Negócios e Finanças (FBNF), a possibilidade de recuperar esse dinheiro depende do tipo de saldo e das garantias associadas à aplicação.
Ele reforça que depósitos e produtos cobertos pelo FGC têm proteção de até R$ 250 mil por CPF, por instituição.
“Nesses casos, o cliente deve solicitar o ressarcimento diretamente ao FGC, normalmente por meio do aplicativo do fundo. Valores acima do limite garantido entram no processo de liquidação e só poderão ser recuperados, parcial ou totalmente, ao longo do tempo, conforme o rateio entre credores”, afirma Girão.
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E quem investiu em CDBs emitidos pelo Will Bank?
Os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos por bancos também estão entre os produtos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos, dentro do limite de até R$ 250 mil por pessoa.
Assim, investidores do Will Bank que possuíam CDBs elegíveis devem ter seus recursos protegidos até esse teto, conforme as regras gerais do FGC, aplicadas ao caso da instituição liquidada.
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Existe diferença entre ser correntista e ser investidor no processo de liquidação?
Do ponto de vista da proteção oferecida, a principal diferença está no tipo de produto contratado. O Banco Central destaca que a garantia dos recursos depende do tipo de instituição e do produto financeiro.
No caso do Will Bank, por se tratar de uma instituição financeira, tanto depósitos em conta quanto investimentos como CDBs podem contar com a cobertura do FGC, desde que respeitadas as condições.
Valores que excedam o limite garantido entram no processo de liquidação como créditos a serem pagos se houver a disponibilidade de recursos.
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O que acontece com os cartões de crédito após a liquidação?
Quando um banco entra em liquidação extrajudicial, suas atividades são interrompidas e a instituição é retirada do Sistema Financeiro Nacional de forma organizada pelo BC.
Isso inclui a suspensão de serviços operacionais, como a emissão e processamento de cartões de crédito.
Na prática, o cartão deixa de funcionar normalmente após a decretação da liquidação, pois a instituição que o emitia não está mais em operação.
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E a fatura do cartão que já foi gerada, precisa ser paga?
Embora não haja orientação específica do BC para o caso de cartões de crédito em liquidação, a regra geral no sistema financeiro brasileiro é que as obrigações contratuais existentes continuam válidas até que sejam quitadas ou resolvidas por vias legais.
Em situações de liquidação de bancos, não existe qualquer norma que isente automaticamente o cliente do pagamento de sua dívida de cartão de crédito apenas porque o banco foi liquidado.
Segundo Lucas Girão, bandeiras — como Mastercard, Visa e Elo — tendem a suspender a aceitação imediatamente, impedindo novas compras. No entanto, as faturas já geradas e os gastos realizados antes da liquidação continuam válidos e devem ser pagos pelo cliente.
"A liquidação não extingue a dívida.”
Ou seja, se havia saldo devedor na fatura do cartão emitido pela instituição que foi liquidada, a dívida não deixa de existir por causa da liquidação.
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Posso ser cobrado ou negativado por não pagar a fatura?
Mesmo com a liquidação da instituição financeira, as dívidas já assumidas pelos clientes não são automaticamente anuladas. Isso significa que valores em aberto no cartão de crédito continuam existindo e podem ser cobrados normalmente.
"As faturas continuam existindo como obrigação financeira do cliente. O que pode ocorrer é uma dificuldade operacional temporária para acessar boletos, faturas ou o aplicativo", explica Girão.
Por isso, se a fatura não for paga, o cliente pode enfrentar as mesmas consequências de qualquer atraso, como a incidência de juros e a inclusão do nome em cadastros de inadimplentes.
Isso ocorre porque o cartão de crédito funciona como um empréstimo de curto prazo: o banco paga a compra no momento da transação e o cliente se compromete a quitar esse valor depois.
Até o momento, não há regra do Banco Central que determine o cancelamento dessas dívidas apenas porque a instituição foi liquidada. A medida atinge o funcionamento do banco, mas não extingue, por si só, os compromissos financeiros assumidos pelos clientes.
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Clientes do Will Bank ainda conseguem acessar o aplicativo, mas não realizam operações financeiras após a liquidação.
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O Will Bank já estava sob algum tipo de intervenção antes da liquidação?
Sim. Antes da liquidação extrajudicial, o Will Bank operava sob o Regime Especial de Administração Temporária (Raet). Nesse modelo, o Banco Central substitui os dirigentes da instituição por um conselho diretor ou gestor indicado, mas permite a continuidade das atividades normais.
Segundo o próprio BC, o objetivo do Raet é evitar que a situação financeira se deteriore ainda mais e preservar os interesses dos clientes.
No caso do Will Bank, o regime foi adotado após a liquidação do Banco Master e tinha como uma das possibilidades a venda da instituição a um novo investidor, o que acabou não se concretizando.
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O que levou à decisão final pela liquidação?
Segundo o BC, a liquidação foi decretada após a constatação de que a situação econômica do Will Bank estava comprometida e de que a instituição não conseguia mais honrar suas dívidas.
O banco vinha sob administração temporária, mas a tentativa de venda para um novo investidor não avançou.
Além disso, houve acúmulo de obrigações não pagas, o que inviabilizou a continuidade das operações e levou à adoção da medida mais severa prevista nos regimes de resolução.
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Will Bank
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Ibovespa bate os 170 mil pontos pela 1ª vez na história, de olho em Davos e Will Bank; dólar cai

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O Ibovespa bateu os 170 mil pontos pela primeira vez na história nesta quarta-feira (21), impulsionado pela entrada de investidores estrangeiros e pela valorização das ações de grandes empresas brasileiras.
Por volta das 13h, o principal índice da bolsa subia cerca de 2,18%, enquanto o dólar operava em queda de 0,98%, cotado a R$ 5,3282.
“Com a maior aversão ao risco causada pela tensão entre EUA e Europa em torno da Groenlândia, investidores estrangeiros passaram a olhar outros mercados. Parte desse fluxo veio para o Brasil, onde as maiores empresas — as chamadas blue chips, como Itaú, Vale, Bradesco, Eneva e Petrobras — são vistas como mais resilientes”, afirma Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez.
"Um fator que impulsiona a bolsa também é a pesquisa Atlas mostrando Flavio Bolsonaro mais próximo de Lula, trazendo mais otimismo no cenário de alternância de ciclo político."
Com poucos indicadores econômicos, o mercado voltou a atenção para a política. No exterior, investidores acompanharam o discurso de Donald Trump em Davos. No Brasil, pesou a decisão do Banco Central de decretar a liquidação extrajudicial da Will Financeira, controladora do Will Bank.
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▶️ Em uma sessão marcada por agenda econômica esvaziada, os investidores acompanham o discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Fórum Econômico Mundial, em Davos. A participação ocorre em meio a um ambiente de tensões diplomáticas recentes.
Na véspera, Trump elevou o tom ao defender a aquisição da Groenlândia e ameaçar tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses, após Emmanuel Macron rejeitar integrar o “Conselho de Paz” proposto para Gaza.
▶️ Ainda nos EUA, a Suprema Corte realiza ao meio‑dia uma audiência sobre a tentativa de Trump de demitir Lisa Cook da diretoria do Federal Reserve (Fed). O caso pode abrir precedente jurídico e colocar à prova a independência do banco central americano.
▶️ No Brasil, o Banco Central decretou nesta quarta‑feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira, controladora do Will Bank, sediada em São Paulo e integrante do grupo Banco Master.
▶️ Segundo o BC, a medida foi tomada por causa do comprometimento da situação econômica da instituição e da incapacidade de honrar dívidas, em razão do vínculo de interesse e da influência exercida pelo Banco Master, liquidado em novembro.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: +0,14%;
Acumulado do mês: -1,98%;
Acumulado do ano: -1,98%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: +0,90%;
Acumulado do mês: +3,20%;
Acumulado do ano: +3,20%.
Tensão EUA-Europa
A tentativa do presidente dos EUA, Donald Trump, de incorporar a Groenlândia ao território americano abriu uma frente inédita de tensão entre Washington e a União Europeia.
A ilha, localizada no Ártico e pertencente à Dinamarca, tornou-se o centro de um embate político. Países europeus já planejam reações coordenadas, preocupados com possíveis desdobramentos diplomáticos e econômicos.
As tensões chegaram ao ápice após o presidente americano anunciar, no último sábado (17), uma tarifa de 10% sobre oito países europeus contrários ao plano de anexação da ilha pelos EUA.
👉 Com as ameaças feitas por Trump, a União Europeia passou a discutir respostas para diferentes cenários, incluindo medidas de retaliação. Autoridades do bloco classificaram a postura americana como inadequada, sobretudo pelo uso de tarifas comerciais como instrumento de pressão entre aliados.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que esse tipo de estratégia não contribui para resolver disputas dentro de uma aliança e ressaltou que uma guerra tarifária não atende aos interesses de nenhuma das partes.
As críticas se estenderam a outros governos europeus. Ministros das Finanças que participaram de reuniões em Bruxelas falaram em decisões “irresponsáveis” e defenderam uma reação firme e coordenada do bloco.
“A soberania e a integridade territorial da Groenlândia e do Reino da Dinamarca são inegociáveis”, afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante discurso no Fórum Econômico Mundial nesta terça-feira.
"As tarifas propostas são um erro, especialmente entre parceiros de longa data", completou.
A Alemanha, por sua vez, indicou que não aceitará chantagens e lembrou que a União Europeia dispõe de diferentes instrumentos de resposta.
Além disso, o presidente francês, Emmanuel Macron, enviou uma mensagem direta a Trump demonstrando perplexidade com a ofensiva contra a Groenlândia.
"Não entendo o que você está fazendo em relação à Groenlândia", escreveu Macron.
A conversa, tornada pública pelo próprio presidente americano, antecedeu a convocação de uma reunião de emergência dos líderes europeus, marcada para quinta-feira (22), em Bruxelas. Macron também sugeriu um encontro do G7 em Paris, sinalizando a busca por uma saída diplomática para a crise.
Bolsas globais
Em Wall Street, as bolsas dos Estados Unidos operavam em leve alta nesta quarta-feira, depois de um forte dia de queda, o pior dos últimos três meses, segundo informações da Reuters.
Donald Trump tranquilizou o mercado após dizer, em Davos, que não pretende usar a força para tentar assumir o controle da Groenlândia, embora tenha defendido negociações para a compra do território.
Mesmo com essa recuperação, os investidores seguem cautelosos, já que o presidente dos EUA voltou a falar em impor tarifas a países aliados, o que pode reacender tensões comerciais.
No setor corporativo, algumas grandes empresas, como Nvidia e Tesla, se recuperaram após as perdas do dia anterior. Já ações de companhias aéreas subiram com previsões mais otimistas, enquanto papéis de outras empresas caíram por decisões estratégicas ou resultados financeiros.
Além da política, o mercado acompanha a divulgação de dados importantes da economia americana e balanços de grandes empresas, que ajudam a indicar o ritmo do crescimento e da inflação nos EUA.
Na abertura do mercado, S&P 500 subia 0,30%, o Nasdaq avançava 0,21% e o Dow Jones tinha alta de 0,33%.
Notas de dólar.
Luisa Gonzalez/ Reuters
Liquidado pelo BC, Will Bank cresceu com foco em clientes de baixa renda; conheça o banco digital

Banco Central determina liquidação do Will Financeira
O Banco Central (BC) decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira, nome fantasia do Will Bank. A instituição integra o conglomerado do Banco Master, e a medida também interrompe suas atividades.
Criado com foco em inclusão financeira, o Will Bank era um banco digital voltado principalmente a pessoas com pouco acesso ao sistema financeiro tradicional, especialmente clientes de renda média e baixa.
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A instituição construiu uma base concentrada no Nordeste, região que abriga cerca de 60% de seus usuários, muitos deles residentes de cidades de pequeno porte. A empresa afirmava, em seu material promocional, ter alcançado a marca de 12 milhões de clientes.
Segundo o BC, o quadro financeiro da instituição se deteriorou após a liquidação do Banco Master, há dois meses. O Will acumulava cerca de R$ 7 bilhões em passivos e aproximadamente R$ 8 bilhões em transações correntes com a bandeira Mastercard.
Segundo apurou o blog do Valdo Cruz, o Will Bank estava sob regime de administração temporária do Banco Central e ainda não havia sido liquidado para permitir a venda a um novo investidor de origem árabe, que demonstrava interesse na compra. O negócio, porém, não foi fechado.
Na última segunda-feira (19), a Mastercard informou que a Will Financeira não honrou os pagamentos devidos. No dia seguinte, a empresa anunciou a suspensão da aceitação de cartões emitidos pelo Will Bank em razão das dívidas.
O BC, então, constatou que não restaram alternativas viáveis para a reestruturação, tornando inevitável a liquidação do Will Bank.
LEIA MAIS
BC decreta liquidação extrajudicial do Will Bank, ligado ao Banco Master
O que acontece com contas, cartões e CDBs dos clientes do Will Bank
Por que a liquidação do Will Bank veio só dois meses após o caso Master
Clientes relatam falhas para realizar movimentações após intervenção do BC
História do Will Bank
A fintech surgiu em 2017, no Espírito Santo, a partir do pag!, emissor de cartões de crédito fundado por Felipe Felix — atual CEO — ao lado dos irmãos Giovanni e Walter Piana.
Em 2020, a empresa passou por uma reformulação e adotou a marca Will Bank, ampliando sua atuação para além do cartão de crédito e se consolidando como banco digital.
Ao longo dos anos, a fintech expandiu seu portfólio de produtos, incluindo conta digital remunerada, pagamentos via PIX e boletos, empréstimo pessoal, antecipação do saque-aniversário do FGTS e um marketplace com sistema de cashback.
A comunicação da marca sempre destacou uma linguagem simples e acessível, reforçando o discurso de democratização do crédito.
Em 2021, a instituição recebeu um aporte de R$ 250 milhões do fundo de private equity da XP e da Atmos Capital, que passaram a deter uma participação minoritária de 24,9%.
No ano seguinte, o banco incorporou a equipe e as parcerias da startup de cashback Getmore, acelerando a estratégia de vendas online e de marketplace.
Em 2024, o grupo passou por uma reestruturação societária relevante. Após aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central, o controle da Will Instituição de Pagamentos foi transferido ao Grupo Reag, enquanto a Will Financeira passou para o controle do Grupo Master.
Como parte do processo, ativos e passivos ligados ao arranjo de pagamentos começaram a ser transferidos da instituição de pagamentos para a financeira.
O Will Bank havia registrado melhora em seus resultados recentes. No primeiro semestre de 2024, a companhia reverteu prejuízos acumulados e apurou lucro líquido de R$ 47,4 milhões, segundo dados divulgados pela própria instituição.
Aposta em celebridades
O Will Bank apostou em campanhas publicitárias com famosos e influenciadores para ampliar sua visibilidade e reforçar o posicionamento voltado à inclusão financeira.
A estratégia do banco incluiu campanhas nas redes sociais com a participação de nomes conhecidos do grande público, como Whindersson Nunes, Maísa, Pabllo Vittar, Simone, Thelminha e o jogador de futebol Vinícius Jr., com ações voltadas principalmente ao público jovem no TikTok.
O banco também realizou ações de marketing com influenciadores digitais e clientes, usando humor e linguagem acessível para ampliar o alcance da marca nas redes sociais.
Uma das iniciativas mais comentadas foi uma campanha com Whindersson no Dia do Nordestino, em sintonia com o fato de que boa parte dos clientes do banco vive na região.
Também houve ações com foco em diversidade, como a campanha estrelada pela cantora Danny Bond.
Situação financeira comprometida
🔎 A liquidação extrajudicial significa o encerramento das atividades de uma instituição que não tem mais condições de continuar funcionando, realizado sem processo judicial e que prevê o pagamento organizado dos credores.
Na intervenção no Will Bank, o BC ressaltou que a insolvência do banco digital estava ligada ao vínculo com o Banco Master S.A., controlador do conglomerado financeiro.
Após a liquidação do Master, em novembro, o Will Bank passou a operar sob gestão do BC, que assumiu temporariamente o controle da instituição para evitar o agravamento da situação e prejuízos maiores aos clientes e ao sistema financeiro.
Como a venda a um novo investidor não se concretizou e diante do acúmulo de dívidas, o funcionamento da instituição financeira tornou-se inviável, o que levou à decisão pela liquidação extrajudicial.
Veja a nota do Banco Central sobre a liquidação na íntegra:
"O Banco Central decretou hoje, 21 de janeiro de 2026, a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, controlada pelo Banco Master Múltiplo S/A, o qual vem operando sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET) no contexto da liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, decretada em 18 de novembro de 2025.
O Conglomerado Master era classificado como de crédito diversificado, porte pequeno e enquadrado no segmento S3 da regulação prudencial, tendo como instituição líder o Banco Master S/A.
O conglomerado detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Na ocasião da decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, entendeu-se adequada e aderente ao interesse público a imposição do RAET ao Master Múltiplo S/A, ante a possibilidade de uma solução que preservasse o funcionamento de sua controlada Will Financeira. Tal solução, contudo, não se mostrou viável, verificando-se no dia 19 de janeiro de 2026 o descumprimento pela Will Financeira da grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard (Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos Ltda.) e o consequente bloqueio de sua participação nesse arranjo.
Assim, tornou-se inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação extrajudicial.
O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição objeto da liquidação decretada."
Aplicativo e cartão do Will Bank
Will Bank/Divulgação
CEO da Amazon diz que tarifas de Trump começaram a impactar preços para consumidores

Andy Jassy em anúncio do Amazon Web Services em 2016.
Divulgação/Amazon
O CEO da Amazon, Andy Jassy, afirmou nesta terça-feira (20) que as tarifas abrangentes impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já começam a se refletir no preço de alguns produtos vendidos na plataforma. Segundo ele, o impacto aparece à medida que vendedores avaliam como lidar com o aumento de custos.
“Você começa a ver algumas tarifas se infiltrando em alguns preços, em alguns itens”, disse em entrevista ao canal de TV "CNBC", durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos. De acordo com o executivo, parte dos vendedores decidiu repassar os custos adicionais aos consumidores, enquanto outros optaram por absorvê-los para manter a demanda. Há ainda quem adote uma solução intermediária.
Jassy explicou que, embora a Amazon tente manter os preços “mais baixos possíveis”, aumentos podem ser inevitáveis em alguns casos. “O varejo opera com margens pequenas. Se os custos sobem 10%, não há muitos lugares para absorver esse impacto. As opções não são infinitas”, afirmou.
Segundo o CEO, a Amazon e muitos vendedores independentes anteciparam compras e formaram estoques antes da entrada em vigor das tarifas, numa tentativa de segurar os preços. No entanto, esse estoque extra começou a se esgotar no segundo semestre do ano passado no Hemisfério Norte.
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A Amazon funciona majoritariamente como uma plataforma de comércio eletrônico para vendedores terceiros, o que limita o controle da empresa sobre reajustes de preços. No ano passado, Jassy havia dito que, meses após o anúncio das tarifas, a companhia ainda não via aumentos significativos nos valores cobrados ao consumidor, cenário que agora começa a mudar.
As tarifas impostas por Trump incluem uma taxa mínima de 10% sobre quase todas as importações e foram adotadas com base em poderes de emergência presidencial. A legalidade dessas medidas está sendo analisada pela Suprema Corte dos EUA, após ações movidas por pequenas empresas.
Estudos indicam que o custo tem recaído majoritariamente sobre os próprios americanos. Segundo o Instituto Kiel para a Economia Mundial, 96% da nova arrecadação gerada pelas tarifas é paga por consumidores dos EUA, enquanto exportadores estrangeiros arcam com apenas 4% do impacto.
BC decreta liquidação extrajudicial do Will Bank, que integra conglomerado do Banco Master

Banco Central determina liquidação do Will Financeira
O Banco Central (BC) decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida como Will Bank, que faz parte do conglomerado do Banco Master. A medida interrompe as atividades da empresa.
Criado com foco em inclusão financeira, o Will Bank era um banco digital voltado principalmente a pessoas com pouco acesso ao sistema financeiro tradicional, especialmente clientes de renda média e baixa.
Desde a liquidação do Master, o Will Bank vinha operando sob Regime Especial de Administração Temporária (Raet) do BC.
🔎 Quando uma instituição está em Raet, o Banco Central assume temporariamente o controle para evitar que a situação piore e cause prejuízos maiores aos clientes e ao sistema financeiro.
Em nota, o BC informa que a decisão ocorre em razão do "comprometimento da situação econômica" da instituição financeira, e de sua incapacidade de pagar as próprias dívidas por conta do vínculo de interesse, evidenciado pelo exercício de poder do banco Master, liquidado em novembro.
O g1 entrou em contato com o Will Bank, que não se manifestou até a última atualização desta reportagem.
A instituição construiu uma base concentrada no Nordeste, região que abriga cerca de 60% de seus usuários, muitos deles residentes de cidades de pequeno porte. A empresa afirmava, em seu material promocional, ter alcançado a marca de 12 milhões de clientes.
Agora, caberá ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) – uma associação privada, sem fins lucrativos, que integra o Sistema Financeiro Nacional – ressarcir os credores lesados. A previsão é que a nova liquidação custe em torno de R$ 5 bilhões ao fundo.
🔎 O FGC só atua em casos de intervenção ou liquidação de uma instituição financeira. A indenização considera o valor investido somado aos rendimentos acumulados até a data da liquidação, limitado ao teto de R$ 250 mil por credor.
Will Bank liquidado nesta quarta (21) já estava sob intervenção
Por que a liquidação foi decretada agora?
Na intervenção no Will Bank, o BC ressaltou que a insolvência do banco digital estava ligada ao vínculo com o Banco Master S.A., controlador do conglomerado financeiro.
Após a liquidação do Master, em novembro, o Will Bank passou a operar sob gestão do BC, que assumiu temporariamente o controle da instituição para evitar o agravamento da situação e prejuízos maiores aos clientes e ao sistema financeiro.
Segundo apurou o blog, o Will Bank ainda não havia sido liquidado para permitir a venda a um novo investidor de origem árabe, que demonstrava interesse na compra. O negócio, porém, não foi fechado.
Na última segunda-feira (19), a Mastercard informou que a Will Financeira não honrou os pagamentos devidos. No dia seguinte, a empresa anunciou a suspensão da aceitação de cartões emitidos pelo Will Bank em razão das dívidas.
Como a venda a um novo investidor não se concretizou e diante do acúmulo de dívidas, o BC constatou que não restaram alternativas viáveis para a reestruturação, tornando inevitável a liquidação do Will Bank.
🔎 A liquidação extrajudicial significa o encerramento das atividades de uma instituição que não tem mais condições de continuar funcionando, realizado sem processo judicial e que prevê o pagamento organizado dos credores.
Caso Banco Master
Segundo a TV Globo apurou, Maurício Antônio Quadrado, ligado ao Will Bank, foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última quarta-feira (14). De acordo com fontes da PF, ele é sócio oculto de Daniel Vorcaro, dono do banco Master.
O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, foi liquidado em 18 de dezembro de 2025 pelo Banco Central. A instituição enfrentava dificuldades financeiras, com alto custo de captação e forte exposição a investimentos considerados arriscados.
Tentativas de venda, como a proposta do BRB, não avançaram diante de questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência e menções ao banco em investigações. O alerta no mercado se intensificou quando o Master passou a oferecer CDBs com rentabilidades muito acima do padrão.
Aplicativo do Will Bank
Will Bank/Divulgação
O que diz o BC?
Veja a nota do Banco Central sobre a liquidação na íntegra:
"O Banco Central decretou hoje, 21 de janeiro de 2026, a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, controlada pelo Banco Master Múltiplo S/A, o qual vem operando sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET) no contexto da liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, decretada em 18 de novembro de 2025.
O Conglomerado Master era classificado como de crédito diversificado, porte pequeno e enquadrado no segmento S3 da regulação prudencial, tendo como instituição líder o Banco Master S/A.
O conglomerado detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Na ocasião da decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, entendeu-se adequada e aderente ao interesse público a imposição do RAET ao Master Múltiplo S/A, ante a possibilidade de uma solução que preservasse o funcionamento de sua controlada Will Financeira. Tal solução, contudo, não se mostrou viável, verificando-se no dia 19 de janeiro de 2026 o descumprimento pela Will Financeira da grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard (Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos Ltda.) e o consequente bloqueio de sua participação nesse arranjo.
Assim, tornou-se inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação extrajudicial.
O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição objeto da liquidação decretada."
O que diz a Mastercard
Veja a nota:
“Como parte de suas atividades de gestão de risco enquanto arranjo de pagamentos regulado, a Mastercard mantém diferentes tipos de garantias de seus participantes, que podem incluir ativos como ações. Essas garantias têm como finalidade exclusiva assegurar o cumprimento de obrigações de pagamento por parte dos emissores em caso de inadimplemento."
União Europeia votará proposta de contestação judicial sobre acordo com Mercosul

Líderes da União Europeia e do Mercosul celebram em Assunção a assinatura do acordo de livre comércio que encerra mais de 25 anos de negociações.
REUTERS/Cesar Olmedo
Os parlamentares da União Europeia votarão nesta quarta-feira (21) uma proposta para contestar, no tribunal superior do bloco, o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul. A medida pode atrasar a implementação do pacto em até dois anos e até mesmo inviabilizá-lo.
A UE assinou no sábado o maior acordo comercial de sua história com um bloco da América do Sul. O texto ainda precisa ser aprovado para que possa entrar em vigor.
Os opositores do acordo, liderados pela França — maior produtor agrícola da UE — afirmam que o pacto elevará de forma significativa as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos, prejudicando os agricultores locais, que já realizaram uma série de protestos.
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Contestação Judicial
Um grupo de 144 legisladores apresentou uma ação judicial pedindo que o Tribunal de Justiça da UE avalie se o acordo pode ser aplicado antes da ratificação por todos os Estados-membros e se suas cláusulas limitam a capacidade do bloco de definir políticas ambientais e de proteção ao consumidor.
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Normalmente, o tribunal leva cerca de dois anos para emitir esse tipo de parecer.
Caso o processo seja levado ao tribunal, a UE ainda poderá aplicar o acordo de forma provisória, enquanto aguarda a decisão judicial e a aprovação do Parlamento.
No entanto, essa alternativa pode ser politicamente sensível, diante da provável reação negativa, e o Parlamento Europeu continuaria com o poder de anulá-lo posteriormente.
Os defensores do acordo, entre eles Alemanha e Espanha, citam a instabilidade no comércio global provocada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo eles, o acordo é fundamental para compensar as perdas provocadas pelas tarifas impostas pelos EUA e para reduzir a dependência da China, ao garantir acesso a minerais considerados estratégicos.
Eles também alertam que os governos do Mercosul demonstram crescente impaciência com a UE após anos de negociações.
ET de Varginha completa 30 anos: o que uma revelação alienígena faria com a economia global?

30 anos do ET de Varginha: veja a linha do tempo do caso
A cidade de Varginha (MG) entrou para a história como cenário de um dos episódios ufológicos mais conhecidos do mundo.
👽 No dia 20 de janeiro de 1996, a rotina da cidade foi interrompida por relatos de uma criatura estranha, operações militares incomuns e um silêncio oficial que jamais foi totalmente esclarecido. O chamado “ET de Varginha” atravessou gerações como um símbolo do mistério — e da desconfiança em relação às versões oficiais.
Nas últimas semanas, o tema ganhou visibilidade a partir do documentário “A Era da Revelação”, que reúne entrevistas com mais de 30 pessoas ligadas ao governo dos Estados Unidos, incluindo militares e integrantes da comunidade de inteligência.
🛸 O filme apresenta depoimentos de autoridades como o secretário de Estado Marco Rubio, a senadora Kirsten Gillibrand e o ex-diretor de Inteligência Nacional James Clapper, que tratam da atuação do governo americano em relação aos Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAP) ao longo das últimas décadas.
Passados 30 anos, o tema da vida extraterrestre ganha novos contornos e sai do imaginário popular para o debate econômico.
Um relatório elaborado por Helen McCaw, ex-analista sênior de segurança financeira do Banco da Inglaterra, passou a circular nas redes sociais, ampliando a discussão para os possíveis impactos econômicos associados ao tema.
Afinal, o que aconteceria com os mercados, os governos e o sistema financeiro global se uma presença alienígena fosse confirmada na Terra?
Segundo ela, a confirmação de uma presença alienígena teria implicações que vão além da curiosidade científica, exigindo atenção das autoridades para possíveis efeitos sobre a economia.
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ET de Varginha (MG)
Júlia Reis/g1
Choque na confiança
Segundo McCaw, a constatação de que os chamados Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAP, na sigla em inglês) não têm origem humana poderia provocar o que ela define como um “choque ontológico” — uma mudança na forma como pessoas, governos e mercados passam a interpretar a realidade.
“A confirmação de tecnologias além do conhecimento humano atual, como sistemas avançados de propulsão ou novas formas de energia, poderia desestabilizar setores inteiros da economia ao alterar paradigmas hoje consolidados”, diz a economista em relatório.
Ela acrescenta que a possibilidade de uma inteligência não humana tecnologicamente avançada tenderia a elevar a incerteza, levando investidores a rever estratégias, com impactos como fuga de capitais, reavaliação de ativos e maior volatilidade global.
Junto a isso, setores como energia, defesa, transporte e tecnologia estariam entre os primeiros a sentir esses efeitos, diante do risco de que modelos produtivos hoje dominantes se tornem rapidamente ultrapassados.
O papel dos bancos centrais
Nesse contexto, o papel dos bancos centrais iria além do controle da inflação. Considerando o cenário britânico, McCaw defende que o Banco da Inglaterra passe a avaliar formalmente os riscos à estabilidade financeira associados aos UAP e articule respostas em coordenação com organismos internacionais.
A preocupação é que, diante de uma revelação desse tipo, o sistema financeiro global enfrente uma crise de confiança semelhante — ou até superior — às observadas em momentos como a crise de 2008 ou a pandemia de Covid-19.
A diferença é que, desta vez, não haveria precedente histórico para orientar as decisões econômicas.
“A política atual de silêncio precisa ser substituída por planejamento proativo e transparência”, destaca o relatório.
Para McCaw, ignorar o tema não reduz o risco — apenas transfere o problema para um momento em que a reação precisará ser imediata e improvisada.
Ilustração mostra suposta captura do ET de Varginha por militares dos bombeiros
Reprodução TV Globo
Impactos sociais
Além dos efeitos imediatos sobre os mercados, o relatório aponta riscos econômicos e geopolíticos de longo prazo. Países que demorarem a tratar o tema de forma institucional podem perder espaço em uma eventual corrida científica e tecnológica, com reflexos sobre competitividade e crescimento.
Segundo o documento, o incentivo à pesquisa acadêmica sobre o fenômeno poderia resultar em “avanços extraordinários em física, ciência de materiais e exploração espacial”. Esses progressos teriam potencial para impulsionar a inovação, aumentar a produtividade e fortalecer o crescimento econômico ao longo do tempo.
Os impactos, no entanto, não se limitariam ao campo financeiro: a confirmação de uma inteligência não humana também influenciaria o comportamento das pessoas, com efeitos indiretos sobre a economia.
“Mudanças nas decisões de consumo, nas relações de trabalho e nas crenças sociais tenderiam a afetar a dinâmica da atividade econômica”, diz o relatório.
McCaw aponta ainda para uma possível demanda inédita por serviços de saúde mental. Nesse cenário, governos seriam pressionados a ampliar gastos com assistência psicológica, comunicação institucional e gestão de crises — o que poderia alterar orçamentos públicos e prioridades fiscais.
Infográfico 30 anos do Caso ET de Varginha
Arte/g1
Conheça a LaFerrari, carro com IPVA mais caro do Brasil e que foi o 1º híbrido da marca italiana

O IPVA mais caro do Brasil passa de R$ 1 milhão
O carro com o IPVA mais caro do Brasil é uma LaFerrari do DF, avaliada em R$ 35,6 milhões, com imposto de R$ 1.067.933,76. Para quem pensa em comprar uma unidade zero km, vale saber: todas as 499 unidades fabricadas já foram vendidas.
O superesportivo italiano também impressiona por outros números (além do IPVA milionário). Lançada em 2013, ela marcou história por ser o primeiro carro híbrido da Ferrari.
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Graças ao sistema eletrificado, conseguiu ser ao mesmo tempo o modelo mais potente da marca e reduzir o consumo de combustível em 40%.
O motor a combustão é um V12 6.3 aspirado, montado na posição central. Ele entrega até 789 cv, com auxílio do sistema eletrificado, que eleva a potência total para 963 cv.
Ferrari LaFerrari
divulgação/Ferrari
Com esse conjunto, a LaFerrari vai de 0 a 100 km/h em apenas 2,9 segundos e atinge 350 km/h de velocidade máxima.
Para conseguir lidar com tanto poder, os freios são de carbono cerâmica, combinação que garante maior capacidade de lidar com o calor gerado pelas fortes reduções de velocidade.
Ao todo, as 499 unidades da LaFerrari foram fabricadas entre 2013 e 2018. A última delas foi enviada da Itália para o Brasil por uma importadora e registrada em Santa Catarina.
Mesmo sendo um carro praticamente feito à mão, a LaFerrari já teve problemas de fabricação, todos corrigidos por meio de recalls:
Algumas unidades apresentaram problemas no tanque de combustível, com risco de incêndio. A Ferrari substituiu o componente;
Algumas unidades tiveram os assentos substituídos em recall por falha na capacidade do material de absorver energia;
Algumas unidades exibiam informações incorretas nos sensores de pressão dos pneus;
Algumas unidades também tiveram o airbag do passageiro substituído.
Veja abaixo a ficha técnica do superesportivo.
Ferrari LaFerrari
divulgação/Ferrari
Anac quer regras mais específicas para diminuir judicialização no setor aéreo

Passageiro é tirado de voo em Brasília após conflito sobre 'modo avião' de celular
A Agência Nacional de Aviação Civil quer tornar mais específicas as regras sobre os direitos dos passageiros em casos de atraso ou cancelamento de voos provocados por imprevistos fora do controle das companhias aéreas, como mau tempo. A proposta, que ainda será submetida a consulta pública, busca reduzir a judicialização no setor aéreo.
Hoje, o Código Brasileiro de Aeronáutica (CBA) já prevê que, em situações de caso fortuito ou força maior, não há responsabilidade civil das empresas aéreas pelos atrasos ou cancelamentos.
A Anac pretende atualizar a Resolução nº 400, que trata dos direitos e deveres de passageiros e companhias, para dar mais uniformidade e clareza à aplicação dessas regras.
🔎 Pelo CBA, são considerados eventos fortuitos ou de força maior, entre outros:
restrições a voo, pouso ou decolagem por condições meteorológicas adversas;
indisponibilidade da infraestrutura aeroportuária;
determinações da autoridade de aviação civil ou de outros órgãos da administração pública;
decretação de pandemia ou atos governamentais que restrinjam o transporte aéreo.
Mesmo nessas hipóteses, as companhias continuam obrigadas a oferecer assistência material aos passageiros, de forma gratuita, conforme o tempo de espera no aeroporto:
a partir de 1 hora: direito à comunicação (internet, telefone etc.);
a partir de 2 horas: direito à alimentação (voucher, refeição ou lanche);
a partir de 4 horas: direito à hospedagem (em caso de pernoite) e transporte de ida e volta.
No texto em discussão, a Anac propõe retirar a previsão do direito à comunicação, por considerar a medida defasada, mantendo as demais formas de assistência material. A agência ressalta que a mudança não impede que passageiros recorram à Justiça quando considerarem necessário, mas busca deixar mais claros os direitos e deveres de cada parte.
ANAC - Agência Nacional de Aviação Civil do Aeroporto Internacional São Paulo - Cumbica (GRU), em Guarulhos
Celso Tavares/G1
Maioria das ações é no Brasil
Segundo a Anac, o Brasil concentra mais de 90% das ações judiciais contra companhias aéreas no mundo, apesar de responder por cerca de 3% do tráfego aéreo global. “A modernização das regras é uma das medidas para reduzir a judicialização no setor. Nunca vamos retirar direitos do passageiro”, afirmou o diretor-presidente da agência, Tiago Faierstein.
A proposta também prevê que os passageiros recebam informações claras e objetivas sobre os motivos do atraso, o novo horário estimado do voo, as opções de reacomodação e as orientações para acesso à assistência material, com comunicação concentrada em canais acessíveis.
Regulação do trabalho por apps: governo avança com proposta e marca reunião com Motta

Lula sanciona Orçamento de 2026 com vetos em R$ 393 milhões que o Congresso havia reservado para inflar emendas
O grupo de trabalho criado pelo governo para discutir a regulamentação de aplicativos de transporte e entrega deve apresentar, em até 10 dias, um relatório com propostas sobre o tema. O GT é coordenado pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e se reuniu nesta terça-feira (20), no Palácio do Planalto.
Além da Secretaria-Geral e de representantes de entregadores e motoristas de aplicativo, o grupo reúne integrantes dos ministérios do Trabalho e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. O objetivo é consolidar diretrizes que orientem a atuação do Executivo e contribuam para a tramitação de um projeto de lei no Congresso.
Uma das tarefas atribuídas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Boulos, ainda antes de sua posse na pasta, foi intensificar o diálogo com a chamada “nova classe trabalhadora” dos aplicativos e construir alternativas para garantir direitos a esses profissionais. O tema também deve ganhar espaço no debate político com vistas à eleição de 2026.
O relatório do GT deve servir de subsídio ao projeto que tramita na Câmara dos Deputados e é relatado pelo deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), além de indicar iniciativas que poderão ser adotadas diretamente pelo governo federal.
O Executivo tem defendido três eixos centrais na regulamentação: a fixação de uma remuneração mínima por entrega ou corrida, com limite para o percentual apropriado pelas plataformas; a transparência dos algoritmos que definem valores pagos aos trabalhadores; e a garantia de acesso à Previdência Social, com contribuição majoritariamente patronal.
Após a divulgação do relatório, Boulos e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, pretendem se reunir, na primeira semana de fevereiro, com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para alinhar o conteúdo da proposta. O documento do GT será uma das bases levadas pelo governo para a negociação do texto final do projeto.
8 de setembro - Entregadores de aplicativos fazem protesto em frente à Câmara Municipal de São Paulo
Celso Tavares/G1
Acordo UE-Mercosul: raio X das exportações do agro brasileiro para o bloco europeu

O que está em jogo para o agro brasileiro no acordo UE-Mercosul
O Mercosul e a União Europeia assinaram no sábado (17) um acordo comercial que cria uma zona de livre comércio entre os dois blocos.
O agro do Brasil deve ser um dos grandes beneficiários desse tratado, porque é um dos maiores produtores do mundo e já tem o bloco europeu como o seu segundo maior cliente.
Parmesão e gorgonzola: quais alimentos feitos no Brasil poderão seguir com os mesmos nomes após o acordo UE-Mercosul
Veja dados das exportação do Brasil para a UE em 2025
Arte g1
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Entenda a regra pode mudar nomes de alimentos no Brasil
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia prevê uma proteção contra imitações de alguns alimentos que são considerados tradicionais dos países membros dos dois blocos. Essa proteção é a chamada indicação geográfica (IG).
Isso significa que nenhum outro país poderá fabricar e comercializar produtos com o mesmo nome. Mas existem exceções, caso dos queijos parmesão, gorgonzola e do champagne.
Elas valem para casos específicos em que o nome do produto é amplamente usado, sem relação direta com o local de origem do alimento protegido.
O acordo foi assinado no dia 17 de janeiro. Entretanto, o Parlamento Europeu votou, nesta quarta-feira (21), para paralisar o tratado. A decisão manda os termos do acordo para o Tribunal de Justiça da União Europeia para revisão de sua legalidade.
Acordo UE-Mercosul: raio X das exportações do agro brasileiro para o bloco europeu
Permissão para empresas específicas
O nome de alguns alimentos, como os queijos parmesão e gorgonzola, pode continuar a ser usado na embalagem por empresas que já têm a marca registrada e foram listadas no acordo.
Essa lista é formada basicamente por queijos e duas bebidas destiladas: genebra e steinhaeger.
Mas há condições: a embalagem não pode dar a entender que o produto foi feito no país que tornou ele famoso.
Por exemplo, as empresas brasileiras não podem colocar a bandeira da Itália, se o produto não foi feito lá. De mesmo modo, elas não podem colocar fotos ou mencionar a região.
As marcas terão um prazo de 12 meses, após a entrada em vigor do acordo, para se adaptar às novas regras.
O que é permitido com prazo determinado
Outros produtos vão poder continuar tendo seu nome usados no país por um tempo determinado.
Para isso, a embalagem precisa indicar a localização geográfica da fabricação, por exemplo, dizendo que o produto foi feito no Brasil.
Veja quais produtos entram neste caso e os prazos para a adaptação:
5 anos: cerveja Münchener Bier; queijos Pont-l'Évêque, Reblochon ou Rebleusson, Asiago, Taleggio; vinhosTokaj, tokaji ou Tocai e Margot.
7 anos: queijos Feta, Roquefort, Saint-Marcellin; vinho Bordô; Conhaque; Presunto tipo Parma; destilado Grappa ou Grapa.
10 anos: Champagne; Mortadela Bologna ou Mortadela tipo Bologna; vinho Prosecco ou Proseco.
O que vale para o restante?
Para os demais produtos da União Europeia, fica proibida a produção e o nome na embalagem fora do local da indicação geográfica. Alguns exemplos são a bebida destilada Irish Cream, ao queijo fontina, ao azeite de Moura e ao mel dos Açoures.
Cada país membro do acordo precisa fazer a fiscalização para prevenir fraudes.
São considerados produtos enganosos aqueles que não vêm do local de origem, mas usam o mesmo nome e aqueles os fabricados na região que é permitida, mas fora das regras de produção.
Também será proibido usar termos como “tipo”, “estilo”, “imitação” ou “semelhante” nas embalagens.
Quais são os alimentos protegidos?
Cada país que faz parte do acordo tem sua lista de alimentos protegidos. O Brasil, por exemplo, tem 37 itens com indicação geográfica. Entre eles estão a cachaça e o queijo Canastra.
Já os outros países do Mercosul têm diversos vinhos na lista, como o 25 de Mayo da Argentina e o Bella Únion, do Uruguai.
Na relação da União Europeia, entram o champagne e o conhaque, da França, e o prosecco e a mortadela Bologna, da Itália.
O registro é dado por cada país, conforme suas próprias leis, a produtos ou serviços que são característicos de seu local de origem.
Para entrar no acordo, a Estado precisa solicitar o acréscimo do item na lista de proteção.
Esses itens constam na versão final do acordo divulgada pelo governo em dezembro de 2024.
SAIBA MAIS: Por que o acordo União Europeia-Mercosul é alvo de tanta disputa no agro?
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Como funciona a indicação geográfica no Brasil?
Essas proteções são comuns entre países. O Brasil já tem previsto em lei, independente do acordo entre os dois blocos, as suas próprias regras de indicação geográfica.
Na legislação, se trata dos alimentos que apresentam uma qualidade "única" por causa de recursos naturais (como solo, vegetação e clima) e modo de fazer, informa o Ministério da Agricultura.
As indicações geográficas existem de duas formas no Brasil. Veja abaixo.
➡️Indicação de procedência: é o nome geográfico de país, cidade, região ou localidade de seu território, que se tenha tornado conhecido como centro de extração, produção ou fabricação de determinado produto ou de prestação de determinado serviço.
➡️Denominação de origem: é o nome geográfico de país, cidade, região ou localidade de seu território, que determine o produto ou serviço que as características sejam exclusivas ou essencialmente por causa do local, incluídos fatores naturais e humanos.
O Ministério da Agricultura é uma das instâncias para determinar indicação geográfica.
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Arte g1
Suprema Corte ouve nesta quarta argumentos sobre tentativa de Trump de demitir Lisa Cook do Fed

Montagem mostra Lisa Cook e Donald Trump
SAUL LOEB and ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP
A Suprema Corte dos Estados Unidos realiza nesta quarta-feira (21) uma sessão para ouvir argumentos favoráveis e contrários à tentativa do presidente Donald Trump de demitir Lisa Cook do cargo de diretora do Federal Reserve, o banco central dos EUA.
🔎 Na prática, a Suprema Corte analisa se Trump tem poder para remover Lisa Cook do cargo. Embora o republicano tenha anunciado, em agosto de 2025, a demissão da diretora, a Justiça barrou a medida. A Casa Branca recorreu à Suprema Corte, que agora avalia o caso.
Especialistas alertam que a independência do Fed está em jogo. Desde o início de seu segundo mandato, Trump tem buscado formas de pressionar o banco central a cortar os juros para estimular a atividade econômica. O Fed, no entanto, tem adotado cautela em suas decisões.
Segundo o jornal “The New York Times”, o presidente da instituição, Jerome Powell, deve comparecer à audiência em defesa da autonomia do BC americano.
Além de tentar de demitir Cook, Trump vinha insultando e pressionando Powell. Recentemente, ampliou a ofensiva contra o Fed e abriu uma investigação contra o economista por causa das reformas em prédios da instituição.
O banqueiro central nega irregularidades e condenou a atitude da Casa Branca, afirmando que o episódio reforça uma sequência de pressões políticas sem precedentes sobre o Fed para forçar a queda dos juros nos EUA.
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As justificativas de Trump
Lisa Cook, que também estará presente nas sustentações orais nesta quarta-feira, é acusada pela gestão Trump de fraude hipotecária — o que, segundo a Casa Branca, configuraria “justa causa” para sua demissão. (leia mais abaixo)
A gestão Trump afirma que a diretora do Fed cometeu fraude ao declarar duas residências como principais, supostamente para obter melhores condições de financiamento imobiliário. O caso foi encaminhado ao Departamento de Justiça.
A diretora do Fed nega as acusações, baseadas em documentos de empréstimo assinados antes de seu ingresso no Federal Reserve. Em outubro, a Suprema Corte determinou provisoriamente que ela poderia permanecer no cargo enquanto o processo judicial segue em tramitação.
A leitura é de especialistas e do mercado financeira é de que, caso a instância máxima da Justiça americana autorize a demissão de Cook, Trump e futuros presidentes terão brecha para destituir dirigentes do Fed e interferir na independência da instituição. (saiba mais abaixo)
Após a medida do republicano, inédita na história dos EUA, um grupo de 18 ex-diretores do Federal Reserve, ex-secretários do Tesouro e outros altos funcionários que atuaram em diferentes governos pediu que a Suprema Corte rejeite a petição do presidente americano.
Lei busca proteger o Fed de interferência política
Ao criar o Fed, em 1913, o Congresso dos EUA aprovou o Federal Reserve Act, que incluiu medidas para proteger o banco central de interferências políticas.
A lei estabelece que os diretores só podem ser removidos pelo presidente “por justa causa”, embora não defina o termo nem indique o procedimento para a remoção. Até hoje, esse dispositivo nunca havia sido testado em tribunal.
Em 9 de setembro, uma juíza distrital em Washington decidiu que as alegações de Trump de que Cook teria cometido fraude hipotecária não constituíam motivos suficientes para sua destituição.
A diretora do Fed processou Trump em agosto, após o presidente anunciar sua destituição. Ela argumentou que as alegações não lhe conferiam autoridade legal para removê-la e serviam apenas como pretexto em razão de seu posicionamento nas decisões sobre a taxa de juros nos EUA.
O que esperar da decisão
Mesmo que o resultado favoreça Lisa Cook, a decisão poderá servir como um roteiro sobre como um presidente pode remover um membro da direção do banco central, segundo analistas jurídicos consultados pela agência Reuters.
Isso porque, embora a manutenção de Cook no cargo seja considerada o desfecho mais provável, uma decisão contrária poderia evidenciar as falhas na tentativa de demissão.
Dessa forma, o processo indicaria o caminho necessário para caracterizar a "justa causa" exigida para remover um diretor da autoridade monetária, alimentando possíveis futuras estratégias.
"A porta está aberta", disse à Reuters ex-presidente do Fed de Cleveland Loretta Mester, atualmente professora adjunta da Wharton School of Business da Universidade da Pensilvânia.
"A questão é como isso será resolvido de uma forma que não permita que quem quer que esteja no gabinete do presidente simplesmente possa decidir não querer uma pessoa, acusá-la de algo e isso ser o suficiente", acrescentou.
Cadeiras no Fed
No segundo semestre de 2025, Trump passou a se dedicar à indicação de nomes alinhados à sua agenda econômica para a diretoria do Federal Reserve.
O republicano já nomeou Stephen Miran para substituir Adriana Kugler, diretora que antecipou sua saída do cargo, em agosto.
Caso a Justiça confirme a demissão de Lisa Cook, Trump terá garantido ao menos duas indicações para a diretoria do Fed. O cargo de presidente da instituição também está no horizonte, já que o mandato de Powell se encerra em maio.
Em meio às movimentações no Fed, caso Trump alcance maioria de aliados no conselho da instituição — que tem sete membros —, ele terá maior influência sobre a aprovação das nomeações nos 12 bancos regionais. Assim, ampliaria sua interferência sobre as decisões de juros.
Quem é Lisa Cook
Quem é Lisa Cook, diretora do Fed que decidiu enfrentar Trump
Lisa Cook fez história em 2022 ao se tornar a primeira mulher negra indicada para a diretoria do Fed, com mandato até 2038.
Ela foi professora de economia e relações internacionais na Universidade Estadual de Michigan, economista na Universidade de Oxford e doutora pela Universidade da Califórnia, Berkeley.
Como pesquisadora, investigou os impactos da discriminação na economia americana e como as recessões afetam mais os pobres.
Fala cinco idiomas, incluindo russo, e é especialista em desenvolvimento internacional, tendo participado da recuperação de Ruanda após o genocídio de 1994.
Cook foi indicada para o cargo pelo presidente democrata Joe Biden. Ao longo de sua carreira, integrou o Conselho de Assessores Econômicos de Barack Obama e atuou no Departamento do Tesouro dos EUA.
Como uma das sete integrantes da diretoria do Fed, Cook participa diretamente das decisões sobre a taxa de juros nos EUA — o principal instrumento para conter a inflação e estimular a economia.
Nos últimos meses, ela defendeu a manutenção das taxas, adotando postura cautelosa diante das pressões inflacionárias e da busca por estabilidade econômica.
* Com informações da agência de notícias Reuters
Mega-Sena, concurso 2.962: prêmio acumula e vai a R$ 55 milhões

G1 | Loterias - Mega-Sena 2962
O sorteio do concurso 2.962 da Mega-Sena foi realizado na noite desta terça-feira (20), em São Paulo. Nenhuma aposta acertou as seis dezenas, e o prêmio para o próximo sorteio acumulou em R$ 55 milhões.
Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp
Veja os números sorteados: 06 - 29 - 33 - 38 - 53 - 56
5 acertos - 72 apostas ganhadoras: R$ 30.333,06
4 acertos - 3.954 apostas ganhadoras: R$ 910,46
O próximo sorteio da Mega será na quinta-feira (22).
Mega-Sena, concurso 2.962
Reprodução/Caixa
Como funciona a Mega-sena
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Mega-Sena bilhete volante Loterias
Millena Sartori/g1
Argentina de Milei registra superávit comercial de US$ 11,3 bilhões em 2025

Javier Milei reage a 'presente' de Trump: um post feito pelo presidente dos EUA na Truth Social, elogiando o líder argentino.
Reuters
A balança comercial da Argentina registrou superávit de US$ 11,286 bilhões em 2025, marcando o segundo ano consecutivo de saldo positivo, informou nesta terça-feira (20) o Instituto Nacional de Estatísticas (Indec).
O dado foi divulgado após o governo anunciar, na sexta-feira (16), que registrou superávit fiscal em 2025, também pelo segundo ano seguido. (leia mais abaixo)
🔎 O superávit da balança comercial ocorre quando um país exporta mais do que importa. Já o superávit fiscal acontece quando as receitas do governo superam os gastos no mesmo período. Ambos indicam maior equilíbrio nas contas externas e públicas.
"Em 2025, a Argentina exportou bens no valor de US$ 87,077 bilhões e importou US$ 75,791 bilhões", aponta o relatório publicado pelo Indec.
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Apesar de ser o segundo superávit comercial consecutivo, o resultado ficou abaixo do registrado em 2024, que foi o maior da história argentina.
Com saldo positivo de US$ 18,899 bilhões, o recorde foi explicado pela queda das importações e pelo aumento das exportações agropecuárias após um ano de seca.
Em 2025, as exportações cresceram 9,3% na comparação anual, puxadas por produtos primários (+21,2%), manufaturas de origem agropecuária (+2,7%) e manufaturas de origem industrial (+6%).
O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina, com US$ 12,771 bilhões em exportações argentinas e US$ 18,424 bilhões em importações.
Contas públicas
A Argentina encerrou 2025 com superávit nas contas públicas pelo segundo ano consecutivo. O resultado é atribuído à política de “déficit zero”, adotada pelo presidente ultraliberal Javier Milei, informou o governo na última sexta-feira.
Em 2025, o superávit primário alcançou 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o superávit fiscal ficou em 0,2% do PIB, segundo o ministro da Economia, Luis Caputo.
🔎 O superávit primário exclui os juros da dívida e mostra o resultado das receitas e despesas do governo. Já o superávit fiscal inclui os juros e reflete o saldo final das contas públicas.
A Argentina não registrava dois anos consecutivos de resultado positivo em suas contas públicas desde 2008.
O resultado representa um leve recuo em relação a 2024, quando o superávit primário foi de 1,8% e o superávit fiscal alcançou 0,3%.
"A âncora fiscal (déficit zero) é e será uma política de Estado", comemorou Milei em sua conta no X.
O resultado fiscal de 2025 foi sustentado por um forte ajuste nos gastos públicos, que incluiu a redução de subsídios e o congelamento de orçamentos em áreas como educação, saúde, pesquisa científica e obras públicas.
"A ordem nas contas públicas e o crescimento econômico permitirão continuar devolvendo recursos ao setor privado na forma de redução de impostos", prometeu o ministro da Economia.
Apesar da melhora fiscal, a Argentina observou uma intensificação da pobreza no primeiro semestre de 2024, com 52,9% da população nessa situação.
Já no primeiro semestre de 2025, o percentual caiu para 31%. Os dados do segundo semestre ainda serão divulgados.
* Com informações da agência de notícias AFP
É #FAKE que FGC envia mensagem a investidores do banco Master prometendo devolução de dinheiro; trata-se de golpe

Imagem de aplicativo que imita a aparência do FGC
g1
Circulam nas redes sociais mensagens atribuídas ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) prometendo a devolução do dinheiro de investidores do banco Master – além de um aplicativo que mostraria o "ressarcimento em tempo real" dos valores aplicados. É #FAKE.
selo fake
g1
Leia, abaixo, respostas a estas 3 perguntas:
Como são os conteúdos falsos?
Por que se trata de golpe?
Como se proteger?
🛑 Como são os conteúdos falsos?
Desde 12 de janeiro, links para um aplicativo falso e mensagens fraudulentas de golpistas se passando pelo FGC viralizaram redes como o Facebook, Instagram e X.
▶️ O FGC funciona como um fundo privado, mantido por bancos conveniados, que atua como um seguro. Ele garante que os recursos depositados ou investidos permaneçam protegidos, caso a instituição financeira enfrente alguma crise ou dificuldade, como ocorreu ao Master. A garantia oferecida é para investimentos de até R$ 250 mil feitos por pessoa física ou CNPJ.
Em um dos exemplos de fraude, um aplicativo falso chegou a ser disponibilizado na Google Play com o nome "Ressarcimento". As imagens do anúncio, com tons de azul-escuro e texto em branco, procuram imitar a identidade visual do FGC e têm os seguintes dizeres: "Acompanhe seu ressarcimento em tempo real"; e "Não perca nenhuma atualização".
Paralelamente, há também mensagens (SMS) fraudulentas que convidam o credor a ligar para uma central telefônica falsamente integrada ao FGC. Uma delas alega: "FGC: Boa notícia. Os valores investidos no CDB do Banco Master estão liberados para devolução. Ligue agora: [número de telefone]".
Procurada, a assessoria de imprensa do FGC reforçou que as informações sobre o processo de pagamento da garantia referente ao banco Master estão concentradas no site, no aplicativo e nos perfis oficiais da entidade nas redes sociais (leia mais abaixo).
Ao Fato ou Fake, Thiago Bordini, diretor de Cyber Threat Intelligence e Prevenção a Fraudes na Cyber Horizon Group, explica que, ao instalar o aplicativo falso, o usuário baixa um trojan bancário (tipo de vírus desenhado para atacar aplicativos financeiros): "O malware coleta os dados de acesso ao aplicativo da vítima, além de ter a possibilidade de coletar dados do celular da vítima e controlá-lo remotamente. Ele poderia, por exemplo, interferir nas telas de um aplicativo, inserindo dados no lugar da vítima, dentre outros efeitos".
Em meio à instabilidade do aplicativo (verdadeiro), o FGC iniciou, nesta segunda-feira (19), o ressarcimento de 337 mil credores que investiram em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) do banco Master. O valor total a ser pago será de R$ 40,6 bilhões.
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⚠️ Por que se trata de golpe?
A nota enviada pelo FGC por e-mail ao Fato ou Fake diz: "O FGC identificou um aplicativo falso na plataforma Android para recebimento da garantia e solicitamos a sua remoção. Os golpistas e fraudadores também estão utilizando indevidamente do nome do FGC, bem como tentando interferir no regular processo de pagamento. O FGC reforça que não realiza contato com credores por WhatsApp, SMS ou outros aplicativos de mensagens, não cobra qualquer tipo de taxa para o pagamento da garantia, não utiliza intermediários para a realização de pagamentos e não oferece atendimento presencial".
Segundo o órgão, as ações dos golpistas visam a obtenção de informações pessoais e cobranças:
"O objetivo dessas ações é induzir credores a fornecer dados pessoais ou realizar pagamentos antecipados sob a falsa promessa de recebimento da garantia de forma mais rápida. Cabe ressaltar que o processo de pagamentos de garantias não será de qualquer forma facilitado ou agilizado pela intervenção de terceiros".
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📌 Como se proteger?
O FGC compartilhou ainda dicas de segurança:
Não clique em links suspeitos e não forneça informações pessoais em resposta a comunicações não oficiais, nem se você não buscou o suporte do FGC.
Todas as informações sobre o processo de pagamento da garantia devem ser acompanhadas exclusivamente pelos canais oficiais do FGC: o aplicativo, o site www.fgc.org.br e os perfis institucionais da entidade nas redes sociais.
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Imagem de aplicativo que imita a aparência do FGC
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Trump diz que EUA podem ter que devolver bilhões se perderem processo judicial sobre tarifas

Trump exibe foto de pessoa que ele diz ser imigrante preso durante balanço do primeiro ano do segundo mandato, realizada nesta terça (20) na Casa Branca.
Nathan Howard/Reuters
O presidente Donald Trump afirmou nesta terça-feira (20) que não sabe como a Suprema Corte dos Estados Unidos vai decidir sobre a legalidade de suas tarifas globais.
O republicano alertou, no entanto, que Washington pode ter que devolver centenas de bilhões de dólares em tarifas caso perca a ação. O tema está em discussão na Suprema Corte, e uma decisão pode ser anunciada nos próximos dias.
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“Não sei o que a Suprema Corte vai fazer”, disse Trump, acrescentando que acredita que as tarifas foram impostas legalmente e que seria difícil devolver os valores já arrecadados “sem prejudicar muita gente”.
A declaração foi feita durante coletiva de imprensa na Casa Branca, quando Trump fez um balanço de seu governo. Ele completa, nesta terça-feira, um ano desde seu retorno à Presidência dos EUA.
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Em sua fala, o republicano também criticou sua equipe de comunicação, afirmando que seus feitos na economia não estão “chegando ao público” como ele esperava. A inflação foi citada como um dos temas.
“Os números que herdamos estavam muito altos. Agora reduzimos quase todos significativamente”, afirmou. "Talvez eu tenha uma equipe de relações públicas ruim, mas não estamos conseguindo transmitir a mensagem", acrescentou.
Dados oficiais, no entanto, mostram que a inflação americana tem oscilado em torno de 3% neste segundo mandato de Trump e permanece acima da meta de 2% do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA.
Tarifaço na Justiça
A Suprema Corte dos EUA pode anunciar nos próximos dias sua decisão sobre a legalidade do amplo aumento de tarifas imposto por Donald Trump à importação de produtos de diversos países, entre eles o Brasil.
A análise das tarifas de Trump envolve um recurso do Departamento de Justiça contra uma decisão de instância inferior, que concluiu que o republicano extrapolou sua autoridade ao impor a maior parte das taxas globais com base em uma lei federal destinada a situações de emergência. (leia mais abaixo)
Na prática, a esperada decisão sobre o tarifaço deve definir os limites do poder do republicano para agir sem o aval do Congresso americano — e pode afetar medidas aplicadas contra o Brasil. O processo judicial se arrasta desde o meio de 2025.
O caminho da briga judicial
A Suprema Corte dos EUA decidiu em setembro passado analisar a legalidade do tarifaço imposto por Donald Trump, após o governo recorrer da decisão de um tribunal de apelações, que concluiu que a maioria das tarifas não tem respaldo legal.
As ações contra as taxas foram apresentadas por empresas impactadas pelo tarifaço e por 12 estados americanos, a maioria administrada por democratas.
Além dos limites do poder de decisão de Trump, estão em jogo trilhões de dólares em tarifas alfandegárias ao longo da próxima década. O presidente americano já defendeu que as cobranças são um "remédio" necessário para a economia americana.
Em 5 de novembro, durante as sustentações orais do caso, os juízes da Suprema Corte levantaram dúvidas sobre a legalidade das tarifas impostas por Trump. O debate durou mais de 2h30.
O principal ponto das discussões foi avaliar se o presidente havia ultrapassado a competência do Congresso americano ao impor tarifas com base em uma lei de 1977, originalmente prevista para ser aplicada em situações de emergência nacional.
Segundo a agência Reuters, alguns juízes conservadores afirmaram que a Corte estava debatendo o poder "inerente" dos presidentes ao lidar com outros países — na prática, isso indica uma possível divisão sobre o resultado do caso. O tribunal possui maioria conservadora de 6 a 3.
Balanço 2025: efeitos do tarifaço foram menores do que o esperado na economia; bolsa subiu e dólar recuou
Críticas de Trump
Em agosto de 2025, Donald Trump criticou a decisão do tribunal de apelações, que declarou ilegais a maior parte das tarifas impostas por ele.
Na ocasião, o tribunal determinou que as tarifas continuassem em vigor até 14 de outubro, concedendo ao governo Trump a oportunidade de recorrer à Suprema Corte. Ao levar o caso à instância superior, o tarifaço permaneceu em vigor.
O republicano afirmou que o tribunal de apelações — que classificou como “altamente partidário” — errou ao determinar a suspensão das tarifas. Ele acrescentou que, “com a ajuda da Suprema Corte dos EUA”, pretende manter a taxação.
“Se essa decisão fosse mantida, ela literalmente destruiria os Estados Unidos. (...) Todos devemos lembrar que as TARIFAS são a melhor ferramenta para ajudar nossos trabalhadores e apoiar empresas que produzem excelentes produtos FEITOS NOS EUA”, publicou ele na Truth Social.
Na prática, Trump fez das tarifas um eixo de sua política externa no segundo mandato, usando-as para pressionar e renegociar acordos com países exportadores aos EUA. A estratégia permitiu obter concessões econômicas, mas aumentou a instabilidade nos mercados financeiros.
O que acontece se as tarifas forem suspensas?
Se a Suprema Corte declarar as tarifas ilegais, a estratégia comercial de Trump pode ser completamente alterada, incluindo o tarifaço anunciado em abril de 2025.
Além de derrubar as taxas, o governo americano também pode ser obrigado a devolver parte dos bilhões de dólares arrecadados com as tarifas, que funcionam como impostos sobre importações.
PicPay marca data e será a primeira empresa do Brasil a fazer IPO desde 2021

Escritório do PicPay em São Paulo
Rogério Cassimiro/PicPay
O banco digital PicPay será a primeira empresa brasileira a se lançar na bolsa de valores desde 2021. A empresa afirmou nesta terça-feira (20) que fará sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) nos Estados Unidos no próximo dia 29 de janeiro.
🔎 Um IPO (Initial Public Offering) é a primeira oferta pública de ações de uma empresa, quando parte do capital é vendida a investidores. O objetivo é captar recursos para expandir operações, investir em projetos ou reduzir dívidas.
O banco digital será listado na Nasdaq com o código “PICS”. O PicPay pretende levantar até US$ 434,3 milhões, com a oferta de cerca de 22,9 milhões de ações, a preços entre US$ 16 e US$ 19 cada.
A fintech, apoiada pela J&F Investimentos, dos irmãos Wesley e Joesley Batista, realiza sua listagem nos EUA após ter planejado a operação originalmente para 2021.
Em comunicado, o PicPay informou que o Citigroup, o BofA Securities e o RBC Capital Markets atuam como coordenadores globais da oferta pública inicial.
A gestora de capital de crescimento voltada para a América Latina, Bicycle Capital, lidera a oferta pública inicial e pretende adquirir US$ 75 milhões em ações do PicPay.
💵 Como essas intenções não representam compromissos de compra, os investidores podem acabar adquirindo mais, menos ou até nenhuma ação. Da mesma forma, o PicPay e os coordenadores da oferta podem ajustar a quantidade de ações vendidas a esses investidores.
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Segundo pedido de IPO e lucro em alta
O PicPay apresentou, em 5 de janeiro, o pedido para realizar um IPO na Nasdaq. A iniciativa veio após a empresa registrar lucro de R$ 313,8 milhões nos nove meses encerrados em 30 de setembro de 2025, ante R$ 172 milhões no mesmo período do ano anterior.
A receita total atingiu R$ 7,26 bilhões no período, ante R$ 3,78 bilhões no ano anterior. O número de clientes ativos também cresceu, passando de 37,5 milhões para 42,1 milhões em setembro de 2025.
Com o lançamento da oferta pública inicial, o PicPay tenta pela segunda vez abrir capital nos EUA, após ter desistido de um IPO em 2021 devido a condições desfavoráveis de mercado.
O mercado de IPOs nos EUA ganhou impulso em 2025, após quase três anos de atividade reduzida.
No entanto, a expectativa de uma recuperação mais consistente foi limitada pela volatilidade provocada pelo tarifaço do governo de Donald Trump, pela paralisação prolongada do governo dos EUA (shutdown) e pela queda das ações de empresas de inteligência artificial no fim do ano passado.
Analistas projetam que o mercado de IPOs volte a ganhar força em 2026, com mais empresas de criptomoedas e do setor financeiro digital anunciando planos de abertura de capital.
Entre elas estão o banco digital britânico Revolut, a plataforma de ativos digitais Kraken e o aplicativo japonês de pagamentos PayPay.
China encerra embargo e libera importação de carne de frango do RS após mais de um ano

Granja, frangos, gripe aviária
Arquivo/Agência Brasil
O governo da China anunciou o fim do embargo à carne de frango produzida no Rio Grande do Sul. A decisão foi publicada em um comunicado na sexta-feira (16) e revoga a proibição que estava em vigor por conta de um surto da Doença de Newcastle.
O Brasil já havia se declarado livre de gripe aviária bem antes, no dia 18 de junho de 2025, após ficar 28 dias sem registrar novos casos em granjas. Em novembro, a China já havia retirado o embargo para o restante do Brasil, mas o Rio Grande do Sul permaneceu com a restrição.
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A medida foi oficializada pela Administração Geral das Alfândegas e pelo Ministério da Agricultura e dos Assuntos Rurais da China. O texto anula um comunicado anterior, de 2024, que impedia as vendas gaúchas para o país asiático com base nos resultados de uma análise de risco.
China suspende proibição de importações relacionada à gripe aviária no Brasil
O presidente da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos, informou que o setor recebeu a notícia por meio de importadores e exportadores. Ele destacou que ainda aguarda um comunicado oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
A ausência do mercado chinês impactou o volume de carne de frango exportado pelo estado no ano passado, resultando em uma queda de 1%. Em 2024, a China foi o destino de quase 6% das exportações de frango do RS.
Raio X da produção e venda de carne de frango do Brasil
arte g1
VÍDEOS: Tudo sobre o RS
Parlamento Europeu deve congelar acordo comercial com EUA em retaliação às ameaças de Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 14 de janeiro de 2026
REUTERS/Evelyn Hockstein
O Parlamento Europeu deve congelar o acordo comercial firmado entre a União Europeia e os Estados Unidos no ano passado, indicaram líderes parlamentares europeus nesta terça-feira (20).
Segundo a presidente do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu (Grupo S&D), Iratxe García Pérez, os grupos políticos da Casa estão em “consenso” sobre a medida, que seria uma resposta às recentes ameaças do presidente americano, Donald Trump, relacionadas à anexação da Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca.
A expectativa é que a suspensão do tratado seja formalizada na quarta-feira (21).
(CORREÇÃO: O g1 errou ao informar que o Parlamento Europeu congelou o acordo comercial com os EUA. Na verdade, legisladores informaram que houve um acordo na Casa para a realização da votação formal, prevista para esta quarta-feira (21). A informação foi corrigida às 15h20 de 20 de janeiro de 2026.)
Nesta semana, Trump anunciou que pretende aplicar uma tarifa de 10% contra oito países europeus caso se oponham ao plano dos EUA de comprar a ilha.
"A partir de 1º de fevereiro de 2026, todos os países (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) estarão sujeitos a uma tarifa de 10% sobre todas as mercadorias enviadas aos Estados Unidos da América. Em 1º de junho de 2026, a tarifa será aumentada para 25%", disse o presidente em uma publicação no Truth Social.
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Também nesta terça-feira, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, classificou a estratégia americana como “chantagem” e afirmou que ameaças tarifárias estão sendo usadas para forçar “concessões injustificáveis”.
Barrot declarou apoio à suspensão do acordo e disse, ainda, que a Comissão Europeia dispõe de “instrumentos muito poderosos” para responder às ações de Washington.
Pelo tratado firmado em julho do ano passado, os EUA impuseram tarifas de 15% à maioria dos produtos europeus, enquanto a União Europeia concordou em retirar parte de suas taxas sobre importações americanas.
O acordo, no entanto, só começaria a vigorar entre março e abril deste ano, após a aprovação formal do Parlamento Europeu e dos governos do bloco.
Com a suspensão do acordo, a UE volta a colocar na mesa uma possível imposição de tarifas retaliatórias aos EUA — que chegariam ao montante de 93 bilhões de euros (cerca de R$ 580 bilhões) — e uma possível restrição do acesso de empresas americanas ao bloco europeu.
Nesta terça-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou no Fórum Econômico Mundial, em Davos, que a soberania da Groenlândia é “inegociável” e alertou que eventuais tarifas ou pressões entre EUA e UE seriam um erro estratégico.
Por que Trump quer adquirir a Groenlândia?
Nas últimas semanas, o presidente americano intensificou as iniciativas para anexar a Groenlândia.
Isso porque, além de a ilha do Ártico ser considerada uma rota marítima estratégica para o comércio global e a exploração de matérias-primas críticas, Trump também a considera crucial para a construção do chamado Domo de Ouro — escudo antimísseis que ele deseja erguer para proteger os EUA.
"Os Estados Unidos precisam da Groenlândia para fins de segurança nacional. Ela é vital para o Domo de Ouro que estamos construindo. A Otan deveria liderar o processo para que a conquistemos. Se não o fizermos, a Rússia ou a China o farão, e isso não vai acontecer!", escreveu o republicano em uma publicação nas suas redes sociais na semana passada.
Em resposta às declarações de Trump, países europeus anunciaram o reforço da segurança na região, incluindo o envio de pequenos contingentes militares à ilha, a pedido do governo da Dinamarca.
Em comunicado conjunto, Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda afirmaram estar comprometidos com a defesa da Groenlândia e com o fortalecimento da segurança do Ártico no âmbito da Otan.
O governo da Groenlândia agradeceu publicamente o apoio europeu.
A crise também provocou protestos populares. Milhares de pessoas foram às ruas da Groenlândia e de Copenhague no sábado para criticar a intenção de Trump de anexar o território.
Pessoas participam do protesto "Tirem as mãos da Groenlândia", realizado após a Casa Branca afirmar que os EUA estavam considerando uma série de opções para adquirir a ilha.
Ritzau Scanpix/Emil Helms via Reuters
Em Davos, secretário do Tesouro dos EUA pede calma à Europa diante de ameaças sobre a Groenlândia

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, participa da 56ª reunião anual do Fórum Econômico Mundial (WEF) em Davos, Suíça
Reuters
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, pediu nesta terça-feira (20) que os países europeus evitem qualquer tipo de retaliação diante da intenção do presidente Donald Trump de assumir o controle da Groenlândia e solicitou que os aliados “mantenham a mente aberta” sobre o tema.
“Digo a todos: acalmem-se. Respirem fundo. Não revidem. O presidente estará aqui amanhã e transmitirá sua mensagem”, afirmou Bessent em coletiva durante o Fórum Econômico Mundial, na Suíça.
As declarações ocorrem em meio ao aumento das tensões entre Washington e a União Europeia, depois de Trump reiterar que considera a Groenlândia estratégica para a segurança dos EUA e anunciar a aplicação de uma tarifa de 10% a oito países europeus a partir de 1º de fevereiro de 2026.
Apesar da reação imediata de líderes europeus, que reforçaram o apoio à soberania dinamarquesa sobre a ilha, Bessent minimizou o risco de rompimento entre aliados e afirmou que o governo americano permanece comprometido com o diálogo.
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Segundo ele, as tarifas devem ser entendidas como um instrumento de negociação, e não como um ataque direto à Europa. “O uso de tarifas tem sido uma forma eficaz de levar países à mesa de negociação em temas estratégicos”, afirmou o secretário.
Questionado sobre o impacto das tensões na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Bessent afirmou que a aliança segue sólida, mas voltou a criticar os baixos gastos europeus com defesa.
Segundo ele, os EUA vêm arcando, há décadas, com uma parte desproporcional dos custos militares do bloco. “Desde 1980, os EUA gastaram cerca de US$ 22 trilhões (aproximadamente R$ 118 trilhões) a mais em defesa do que todos os demais países da Otan somados. Chegou o momento de os europeus contribuírem mais.”
O secretário também procurou afastar preocupações sobre possíveis impactos financeiros imediatos da disputa em torno da Groenlândia. Segundo ele, os movimentos recentes nos mercados globais refletem fatores locais e não estão diretamente ligados ao discurso do governo americano sobre o território ártico.
Mais cedo, também em Davos, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a soberania da Groenlândia é inegociável e classificou como equivocada a ameaça de tarifas dos EUA.
Trump e os líderes da França, da Alemanha, da Holanda e da Finlândia participarão ainda nesta semana do Fórum Econômico Mundial em Davos.
Caso Lisa Cook e a Suprema Corte
Também nesta terça-feira, Bessent afirmou que o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, não deveria comparecer às audiências da Suprema Corte que tratam da tentativa do presidente Donald Trump de demitir Lisa Cook, uma das diretoras do banco central americano.
“Eu realmente acho que isso é um erro”, disse Bessent à CNBC. “Se a intenção é evitar a politização do Fed, a presença do presidente do banco central ali, tentando influenciar o processo, é um erro grave.”
A Suprema Corte deve analisar amanhã (21) os argumentos sobre a tentativa de Trump de destituir Lisa Cook. Até que a Justiça americana tome uma decisão definitiva, ela permanecerá no cargo.
Em agosto de 2025, Trump determinou a retirada do cargo da diretora do Fed, nomeada pelo ex-presidente Joe Biden. O governo acusou Cook de mentir para obter um financiamento a juros baixos para a compra de uma casa. Ela negou a acusação e recorreu à Justiça para impedir a demissão.
Powell planeja acompanhar pessoalmente os argumentos orais, em um gesto simbólico de suporte ao Fed em meio aos embates recentes com Donald Trump.
Neste mês, Trump voltou a endurecer o discurso contra o Federal Reserve ao ameaçar recorrer à Justiça contra o presidente da instituição. Ele atribui à “má gestão” de Powell nas obras de reforma da sede do banco central, em Washington, o motivo para abertura do processo.
Em resposta, Powell afirmou que a ofensiva representa um aumento das pressões políticas com o objetivo de influenciar a condução da política monetária dos EUA e acelerar cortes na taxa de juros.
A tentativa de afastar Lisa Cook, baseada em supostas inconsistências em documentos de financiamento imobiliário anteriores à sua atuação no Fed, também tem sido criticada como uma estratégia para abrir espaço no conselho de diretores para novas indicações de Trump.
Netflix oferece US$ 82,7 bilhões em dinheiro pela Warner Bros. e recebe aval do conselho

Netflix fecha acordo para compra da Warner; entenda
A Netflix alterou os termos de sua proposta para adquirir os estúdios e os negócios de streaming da Warner Bros. Discovery, passando a oferecer pagamento integral em dinheiro, sem mudar o valor de US$ 82,7 bilhões (R$ 445,7 bilhões). A nova estrutura da oferta recebeu apoio unânime do conselho da controladora da HBO.
A mudança busca dificultar a entrada de concorrentes no negócio, especialmente da Paramount.
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A Netflix passou a oferecer US$ 27,75 (R$ 149,71) por ação da Warner, com pagamento integral em dinheiro. Na proposta anterior, a empresa previa o desembolso de US$ 23,25 (R$ 125,43) em dinheiro e o restante em ações da própria Netflix, avaliadas em US$ 4,50 (R$ 24,28) por papel.
👉 Com a nova estrutura, os acionistas da Warner deixam de receber participação acionária na Netflix e passam a receber um valor fixo por ação. Isso elimina a exposição às oscilações das ações da compradora, já que o pagamento não dependerá do desempenho desses papéis no mercado.
David Zaslav, presidente e CEO da Warner Bros. Discovery, afirmou que “o acordo de fusão aproxima ainda mais a união de duas das maiores empresas de narrativa do mundo”.
“Ao nos unirmos à Netflix, combinaremos as histórias que a Warner Bros. contou e que cativaram a atenção do mundo por mais de um século, garantindo que o público continue a apreciá-las por muitas gerações.”
A Warner Bros. Discovery vai separar suas operações em duas empresas com ações negociadas em bolsa: Warner Bros. e Discovery Global.
No entanto, a conclusão dessa reorganização depende da efetivação da cisão da Discovery Global, da obtenção das aprovações regulatórias necessárias, do aval dos acionistas da WBD e do cumprimento de outras condições usuais para esse tipo de operação.
A expectativa é que o processo seja finalizado em um prazo de seis a nove meses, antecedendo a conclusão da transação proposta entre a Netflix e a Warner Bros.
“O Conselho da WBD continua a apoiar e a recomendar unanimemente a nossa transação, e estamos confiantes de que ela trará o melhor resultado para acionistas, consumidores, criadores e toda a comunidade do entretenimento”, disse Ted Sarandos, co-CEO da Netflix.
Disputa pela Warner
Tanto a Netflix quanto a Paramount cobiçam a Warner Bros. por seus estúdios de cinema e televisão, além de seu extenso catálogo de conteúdo e franquias como “Game of Thrones”, “Harry Potter” e os super-heróis da DC Comics.
A Paramount mantém a “oferta hostil” de US$ 77,9 bilhões pela Warner Bros. como um todo, incluindo os canais a cabo. Além disso, no início deste mês, a empresa anunciou a intenção de iniciar uma disputa por procuração com o objetivo de eleger representantes para o conselho da companhia.
A Warner Bros., no entanto, rejeitou a proposta apresentada pela Paramount, liderada por David Ellison, que revisou os termos da oferta e intensificou sua estratégia para convencer os acionistas de que a transação seria mais vantajosa.
Segundo a Warner, um dos fatores que favoreceram o acordo com a Netflix foi a possibilidade de os acionistas manterem participação na parte da empresa que não seria adquirida pelo serviço de streaming, preservando assim o acesso a eventuais resultados futuros desse negócio.
👉 Agora, a nova estrutura do acordo elimina o chamado “collar knock-in”, mecanismo usado em operações com pagamento em ações para limitar o impacto de variações no preço dos papéis da empresa compradora entre o anúncio do negócio e sua conclusão. Com o pagamento integral em dinheiro, esse tipo de proteção deixa de ser necessário.
Desde o anúncio do acordo com a Warner, as ações da Netflix acumulam queda de aproximadamente 15%. Os papéis, porém, reagiram após a divulgação de que a empresa passou a considerar uma proposta com pagamento integral em dinheiro, com alta de 1,53% no pré-mercado desta terça-feira.
Netflix e Warner Bros.
Reuters
Ibovespa bate recorde e fecha acima de 166 mil pontos pela 1ª vez; dólar sobe

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O Ibovespa subiu 0,87% nesta terça-feira (20) e fechou acima dos 166 mil pontos pela primeira vez na história, aos 166.277 pontos. O dólar encerrou a sessão em alta de 0,30%, cotado a R$ 5,3802.
O aumento das tensões entre os Estados Unidos e a Europa voltou a ficar no centro das atenções. Embora declarações recentes do presidente Donald Trump tenham reforçado a cautela nos mercados por receio de novas retaliações comerciais, analistas avaliam que o atual cenário abre espaço para mercados emergentes — parte do que explica o forte avanço da bolsa nesta terça.
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▶️ As tensões comerciais entre EUA e Europa seguem no radar. No final de semana, Trump anunciou uma tarifa de 10% contra países europeus que são contrários aos planos americanos de anexação da Groenlândia. Líderes da União Europeia, por sua vez, classificaram as taxas como "inaceitáveis" e indicaram que o bloco já avalia possíveis contramedidas.
A França pressiona a União Europeia a acionar seu mecanismo mais duro de retaliação econômica, conhecido como Instrumento Anticoerção.
▶️Em meio à cautela sobre a resposta europeia contra as tarifas de Trump, falas da presidente da UE, Ursula von der Leyen, também ficaram no radar. Durante discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, ela afirmou que a soberania da Groenlândia é “inegociável” e alertou que eventuais tarifas ou pressões entre os EUA e o bloco europeu seriam um erro estratégico.
▶️ O cenário acabou aumentando a aversão ao risco nos mercados globais, fazendo com que investidores reduzissem suas posições em Wall Street e redirecionassem recursos para os mercados emergentes — entre eles o Brasil, o que acabou impulsionando o Ibovespa acima dos 166 mil pontos.
▶️ Sem grandes destaques previsos na agenda doméstica para os próximos dias, investidores continuam atentos ao noticiário internacional. Entre os destaques, o mercado acompanha os painéis do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
Trump deve discursar no fórum amanhã, e afirmou que pretende se reunir com “diversas partes” para defender sua posição sobre a importância estratégica da Groenlândia para os EUA.
▶️ Ainda na agenda, também está prevista a audiência da diretora do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Lisa Cook, na Suprema Corte dos EUA, após uma tentativa de demissão por parte de Trump. O caso é visto como um teste para a independência do banco central americano.
💲Dólar
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Acumulado da semana: +0,14%;
Acumulado do mês: -1,98%;
Acumulado do ano: -1,98%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: +0,90%;
Acumulado do mês: +3,20%;
Acumulado do ano: +3,20%.
Tensão EUA-Europa
A tentativa do presidente dos EUA, Donald Trump, de incorporar a Groenlândia ao território americano abriu uma frente inédita de tensão entre Washington e a União Europeia.
A ilha, localizada no Ártico e pertencente à Dinamarca, tornou-se o centro de um embate político. Países europeus já planejam reações coordenadas, preocupados com possíveis desdobramentos diplomáticos e econômicos.
As tensões chegaram ao ápice após o presidente americano anunciar, no último sábado (17), uma tarifa de 10% sobre oito países europeus contrários ao plano de anexação da ilha pelos EUA.
👉 Com as ameaças feitas por Trump, a União Europeia passou a discutir respostas para diferentes cenários, incluindo medidas de retaliação. Autoridades do bloco classificaram a postura americana como inadequada, sobretudo pelo uso de tarifas comerciais como instrumento de pressão entre aliados.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que esse tipo de estratégia não contribui para resolver disputas dentro de uma aliança e ressaltou que uma guerra tarifária não atende aos interesses de nenhuma das partes.
As críticas se estenderam a outros governos europeus. Ministros das Finanças que participaram de reuniões em Bruxelas falaram em decisões “irresponsáveis” e defenderam uma reação firme e coordenada do bloco.
“A soberania e a integridade territorial da Groenlândia e do Reino da Dinamarca são inegociáveis”, afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante discurso no Fórum Econômico Mundial nesta terça-feira.
"As tarifas propostas são um erro, especialmente entre parceiros de longa data", completou.
A Alemanha, por sua vez, indicou que não aceitará chantagens e lembrou que a União Europeia dispõe de diferentes instrumentos de resposta.
Além disso, o presidente francês, Emmanuel Macron, enviou uma mensagem direta a Trump demonstrando perplexidade com a ofensiva contra a Groenlândia.
"Não entendo o que você está fazendo em relação à Groenlândia", escreveu Macron.
A conversa, tornada pública pelo próprio presidente americano, antecedeu a convocação de uma reunião de emergência dos líderes europeus, marcada para quinta-feira (22), em Bruxelas. Macron também sugeriu um encontro do G7 em Paris, sinalizando a busca por uma saída diplomática para a crise.
Bolsas globais
Os principais índices de Wall Street caíram para uma mínima de quase três semanas nesta terça-feira.
O movimento acontece depois de Donald Trump renovar as ameaças de novas tarifas contra oito países europeus, vinculando o fim das medidas à compra da Groenlândia — proposta rejeitada pelas autoridades da ilha e da Dinamarca.
A aversão ao risco aumentou, levando investidores a buscar proteção no ouro, que avançou 1,88%, cotado a US$ 4.758,93 por onça-troy.
O Dow Jones Industrial Average caiu 1,76%, para 48.488,96 pontos, enquanto o S&P 500 perdeu 2,06%, aos 6.796,94 pontos, e o Nasdaq Composite recuou 2,39%, para 22.954,32 pontos.
Na Europa, os mercados acompanharam o tom negativo vindo do exterior, com as novas ameaças tarifárias dos EUA afetando diretamente o humor dos investidores.
No fechamento, o índice Stoxx 600 recuou 0,72%, aos 602,68 pontos. Em Londres, o FTSE 100 caiu 0,67%, para 10.126,78 pontos. Já o DAX, de Frankfurt, teve baixa de 1,08%, aos 24.689,67 pontos, enquanto o CAC 40, de Paris, cedeu 0,61%, para 8.062,58 pontos.
Na Ásia, os mercados encerraram o dia pressionados por medidas mais firmes das autoridades reguladoras chinesas contra práticas consideradas abusivas.
No fechamento, os principais índices tiveram desempenho variado.
Em Xangai, o SSEC caiu 0,01% para 4.113 pontos, enquanto o CSI300 recuou 0,33% para 4.718 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng caiu 0,29% para 26.487 pontos.
No Japão, o Nikkei perdeu 1,1% para 52.988 pontos. Já o Kospi, da Coreia do Sul, caiu 0,39% para 4.885 pontos. Em Taiwan, o Taiex subiu 0,38% para 31.759 pontos, e em Cingapura, o Straits Times recuou 0,23% para 4.823 pontos.
Dólar
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Em Davos, von der Leyen afirma que tarifas dos EUA são um ‘erro’ e defende a soberania da Groenlândia

Von der Leyen: Soberania da Groenlândia é inegociável
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou nesta terça-feira (20), no Fórum Econômico Mundial, em Davos, que a soberania da Groenlândia é “inegociável” e alertou que eventuais tarifas ou pressões entre Estados Unidos e União Europeia seriam um erro estratégico.
A declaração ocorre em meio ao aumento das tensões no Ártico. No último sábado, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que aplicará uma tarifa de 10% a oito países europeus a partir de 1º de fevereiro de 2026, caso se oponham ao seu plano de comprar a Groenlândia — território que pertence à Dinamarca.
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Segundo von der Leyen, a estabilidade da região depende da cooperação entre aliados históricos, e não de ações unilaterais.
“A soberania e a integridade territorial da Groenlândia e do Reino da Dinamarca são inegociáveis”, afirmou a presidente da Comissão Europeia, ao defender solidariedade total da União Europeia com o território autônomo dinamarquês.
Para ela, a segurança do Ártico “só pode ser alcançada em conjunto”, em referência à atuação coordenada entre Europa, EUA e países da Otan.
Sem citar diretamente o governo americano, von der Leyen criticou a possibilidade de imposição de novas tarifas entre aliados.
“As tarifas propostas são um erro, especialmente entre parceiros de longa data”, disse. “Em política, assim como nos negócios, um acordo é um acordo. E quando amigos apertam as mãos, isso precisa significar algo”, acrescentou.
A presidente ressaltou que a União Europeia e os EUA firmaram um acordo comercial em julho do ano passado e alertou que uma escalada de disputas comerciais só beneficiaria adversários estratégicos comuns.
“Entrar em uma espiral descendente apenas ajudaria aqueles que ambos estamos determinados a manter fora do cenário estratégico”, afirmou.
No último domingo (18), líderes da União Europeia se reuniram para discutir uma resposta conjunta ao agravamento das tensões diplomáticas e militares no Ártico com os EUA.
Convocado em caráter de emergência, o encontro contou com representantes dos 27 países do bloco, em Bruxelas, sob a presidência rotativa da UE exercida pelo Chipre.
Trump afirmou que a Groenlândia é estratégica para a segurança dos EUA, por sua localização e por suas reservas minerais, e não descartou o uso da força, o que aumentou o alerta entre aliados europeus.
Em resposta às declarações do presidente americano, países europeus anunciaram o reforço militar da segurança na região, incluindo o envio de pequenos contingentes militares à ilha, a pedido do governo da Dinamarca.
Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda disseram, em comunicado conjunto, estar comprometidos com a defesa da Groenlândia e com o fortalecimento da segurança do Ártico no âmbito da Otan.
O governo da Groenlândia agradeceu publicamente o apoio europeu.
Acordo UE-Mercosul
Líderes da União Europeia e do Mercosul celebram em Assunção a assinatura do acordo de livre comércio que encerra mais de 25 anos de negociações.
REUTERS/Cesar Olmedo
Durante discurso, von der Leyen afirmou que o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, assinado no último sábado (17), no Paraguai, representa uma mudança estratégica na política comercial do bloco em um cenário global marcado por tensões e disputas tarifárias.
Segundo ela, o tratado, concluído após 25 anos de negociações, cria “a maior zona de livre comércio do mundo”, ao reunir 31 países, mais de 700 milhões de consumidores e cerca de 20% do PIB global.
“Com este acordo, a União Europeia e a América Latina estão escolhendo o comércio justo em vez de tarifas, a parceria em vez do isolamento e a sustentabilidade em vez da exploração”, afirmou.
Von der Leyen destacou que o acordo envia um recado político claro ao mercado internacional ao reforçar a diversificação das cadeias produtivas e reduzir dependências externas. “Estamos falando sério sobre reduzir riscos nas nossas economias e diversificar nossas cadeias de suprimentos”, disse.
A presidente da Comissão Europeia ressaltou ainda que o tratado está alinhado aos compromissos climáticos do bloco. “Este acordo está alinhado ao Acordo de Paris”, afirmou, ao defender que crescimento econômico e sustentabilidade precisam avançar juntos.
Para von der Leyen, o Mercosul ocupa um papel central na estratégia europeia de aproximação com os polos de crescimento do século XXI.
“A Europa quer fazer negócios com os centros de crescimento de hoje e com as potências econômicas deste século, da América Latina ao Indo-Pacífico”, disse. “A Europa sempre escolherá o mundo, e o mundo está pronto para escolher a Europa”, concluiu.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Layen, discursa durante a 56ª reunião anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça
Reuters
Fachin antecipa volta a Brasília e quer conversar com ministros sobre Toffoli no caso Master

Caso Master: Toffoli determina que depoimentos ocorram no STF, e não na PF
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, antecipou a volta a Brasília para o início desta semana, na tentativa de gerenciar os impactos da crise do banco Master na imagem do tribunal.
O blog apurou que, desde segunda-feira (19), Fachin tem procurado os demais ministros para conversar sobre o caso. Ele retornou à capital federal das férias na noite desta segunda, onde teve reuniões e fez ligações telefônicas.
Nesta terça-feira (20), ele segue para São Luís (MA), onde vai se reunir com o ministro Flávio Dino.
O ponto central das discussões é a manutenção do ministro Dias Toffoli à frente do inquérito do Caso Master.
Decisões atípicas do ministro Toffoli causaram reações na Polícia Federal, Procuradoria Geral da República e até entre as defesas dos investigados.
A volta de Fachin antes da data prevista foi decidida após conversas com colegas da Corte. Ele havia passado a presidência ao vice, ministro Alexandre de Moraes, e a previsão inicial era de retorno apenas no final de semana, já que a abertura do ano Judiciário será em 2 de fevereiro.
Cerimônia de posse do Senhor Ministro Edson Fachin e do Senhor Ministro Alexandre de Moraes como Presidente e Vice-Presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça.
Luiz Silveira/STF
Toffoli e banco Master
A atuação de Toffoli no caso do Banco Master começou quando o ministro decidiu levar para o STF todas as decisões relacionadas à investigação.
Com isso, qualquer diligência da PF que dependa de autorização judicial passou a ter de ser submetida diretamente a ele, mesmo em investigações que inicialmente tramitavam na primeira instância.
A decisão foi tomada após pedido das defesas de diretores do banco, que alegaram a existência de possíveis pessoas com foro privilegiado citadas nos autos. A determinação atingiu, inclusive, apurações que não envolviam autoridades com foro especial.
Em seguida, Toffoli decretou sigilo sobre o conteúdo e a tramitação do caso no STF. Com isso, atos processuais, despachos e decisões passaram a não ser acessíveis ao público e, em alguns momentos, nem mesmo visíveis nos sistemas de consulta processual.
Ele também tomou uma decisão incomum a respeito do material apreendido. Inicialmente, Toffoli determinou que todo o material apreendido pela Polícia Federal em novas fases da investigação fosse encaminhado diretamente ao STF.
Após pedido da própria PF e parecer da Procuradoria-Geral da República, o ministro reviu a decisão e determinou que o material ficasse sob guarda da PGR. A Polícia Federal alertou para o risco de prejuízo à análise das provas caso não tivesse acesso direto ao material apreendido.
Decisões 'atípicas'
No último sábado (17), a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) divulgou uma nota pública informando que as decisões de Toffoli sobre o caso do Banco Master mostram um cenário "atípico" e implicam "afronta às prerrogativas".
"No caso em referência, contudo, há notícias de que decisões judiciais vêm determinando a realização de acareações, prazos exíguos para buscas e apreensões, bem como para inquirições, à margem do planejamento investigativo estabelecido pela autoridade policial", afirmou a entidade.
"Ademais, registra-se a existência de determinações judiciais relativas à lacração de objetos apreendidos, ao encaminhamento de materiais para outros órgãos e, ainda, à escolha nominal de peritos para a realização de exames periciais, providências que destoam dos protocolos institucionais da Polícia Federal", continua a ADPF.
A associação afirma que, ao longo de décadas, a cooperação entre as duas instituições resultou em investigações com desfechos considerados relevantes, sempre a partir da observância das atribuições constitucionais e legais de cada órgão.
Nova CNH: motoristas deixaram de gastar R$ 226 milhões com renovação automática e gratuita, diz ministério

Desde o início de 2026, com as novas regras para a CNH, 340 mil motoristas conseguiram renovar a habilitação de forma automática e gratuita, segundo o Ministério dos Transportes. A economia com taxas chega a R$ 226 milhões.
Esse valor deixou de ser arrecadado com taxas, exames e procedimentos administrativos. Entre os motoristas beneficiados, a maioria tem habilitação para dirigir carro:
52% das renovações foram para a categoria B, que permite dirigir apenas carro;
45% das renovações foram para a categoria AB, que permite dirigir carro e moto;
3% das renovações foram para a categoria A, que permite dirigir apenas moto.
De todo o Brasil, o Sudeste concentra o maior número de renovações automáticas.
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Estes foram os 10 estados com mais CNHs renovadas:
São Paulo: 86.770 carteiras;
Minas Gerais: 35.771 carteiras;
Rio de Janeiro: 29.343 carteiras;
Paraná: 22.119 carteiras;
Rio Grande do Sul: 18.239 carteiras;
Bahia: 15.226 carteiras;
Santa Catarina: 13.230 carteiras;
Pernambuco: 12.927 carteiras;
Goiás: 12.213 carteiras;
Ceará: 11.798 carteiras.
O Ministério dos Transportes também informou que 30 mil permissões para dirigir foram convertidas em carteiras definitivas.
Segundo a pasta, o aplicativo CNH do Brasil já conta com 40,2 milhões de usuários. Na comparação com os dados divulgados pelo próprio ministério, esse total representa 43,78% dos motoristas com habilitação emitida até o final de 2025.
Até a primeira quinzena de janeiro de 2026, foram registradas 2,7 milhões de solicitações de primeira habilitação. No mesmo período, foram emitidos 1 milhão de certificados para candidatos que concluíram o curso online, antes restrito às autoescolas.
Como renovar a habilitação automaticamente e de graça
A medida é um benefício para o chamado “bom condutor”. Para ser considerado, o motorista precisa cumprir os seguintes critérios:
🪪 Não ter pontos registrados na CNH nos últimos 12 meses;
🚨 Não ter infrações de trânsito registradas no documento no mesmo período;
📝 Estar cadastrado no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC).
Para aderir ao RNPC e ter a CNH renovada de graça, o motorista deve:
Abrir o aplicativo CNH Brasil;
Selecionar a opção “Condutor”;
Acessar “Cadastro Positivo”;
Tocar em “Autorizar participação”.
CNH física não é emitida de graça e nem automaticamente
Segundo as novas regras, apenas a versão digital da CNH é renovada automaticamente. Caso o condutor também queira o documento físico, será necessário solicitá-lo separadamente, após a renovação da versão digital.
Para receber a CNH física, o condutor pode fazer a solicitação pelo aplicativo CNH Brasil ou presencialmente em uma unidade do Detran do estado onde reside.
As novas regras da CNH não eliminaram o custo de emissão da carteira física, cujo valor varia conforme o Detran de cada estado.
A renovação da CNH física envolve os seguintes valores:
Em São Paulo, por exemplo, o valor é de R$ 122,17.
Em Alagoas, a cobrança é maior, chegando a R$ 144,12;
No Acre, a taxa é de R$ 89,75.
É importante destacar que nem todos os condutores têm direito à renovação automática da CNH, mesmo aqueles que não cometeram infrações ou receberam multas nos últimos 12 meses.
Pelas novas regras, condutores com mais de 50 anos podem renovar automaticamente a CNH apenas uma vez. Além disso, os casos abaixo não têm direito à renovação automática:
Condutores com 70 anos ou mais;
A renovação automática não vale para motoristas que têm a validade da CNH reduzida por recomendação médica, em casos de doenças progressivas ou condições que exigem acompanhamento de saúde.
Só 3 países ampliaram compras de café brasileiro em 2025 entre os grandes importadores; veja quais

Brasil é o maior produtor de café do mundo
Chevanon Photography/Pexels
Entre os dez maiores importadores de café do Brasil, apenas três ampliaram as compras do produto nos últimos 12 meses, na comparação com 2024, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Japão, Turquia e China, por motivos diferentes, escaparam da tendência geral e compraram mais café brasileiro, em um ano marcado por problemas climáticos que afetaram a produção e pelo tarifaço dos Estados Unidos sobre o Brasil.
Entre janeiro e dezembro de 2025, o Brasil exportou 40,049 milhões de sacas de 60 kg de café, considerando todos os tipos do produto, para 121 países.
O volume representa queda de 20,8% em relação a 2024, apesar da receita recorde, impulsionada pelos preços mais altos do café no mercado internacional.
Veja os vídeos que estão em alta no g1:
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No mercado norte-americano, as exportações brasileiras caíram 33,9% em 2025 após o tarifaço, que continua em vigor para o café solúvel.
Os EUA, inclusive, deixaram de ser o principal comprador de café brasileiro. A liderança passou para a Alemanha, que, mesmo assim, também reduziu as importações do produto. As exportações para o país europeu caíram 28,7%.
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Fora da curva
O cenário para Japão, Turquia e China, no entanto, foi diferente.
O Japão foi o quarto maior comprador de café brasileiro em 2025, com importações superiores a 2,6 milhões de sacas, um aumento de 19,4% em relação a 2024.
Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, o movimento está ligado à recomposição de estoques pelos importadores japoneses.
“O Japão passou por um período em que comprou menos café do Brasil, porque estava com bastante estoque. Na medida que eles foram baixando, eles voltaram a comprar”, explica.
Já a Turquia, sexta maior importadora do café brasileiro, ampliou as compras em 3,26% em 2025.
Segundo o Cecafé, o país adquiriu mais café para atender o mercado interno e também para redistribuir o produto a outros países da região.
“A Turquia exporta café para vários países em situação de dificuldade, em guerra”, afirmou Ferreira.
Preço do café pode continuar caindo em 2026, mas não vai ficar barato
Disparada do consumo da China
A China, conhecida como o país do chá, é um mercado em rápida expansão para o café. Atualmente, o país é o sexto maior consumidor do mundo, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), atrás apenas da União Europeia, EUA, Brasil, Filipinas e Japão.
Em 2025, a China comprou 19,49% mais café brasileiro do que no ano anterior, totalizando 1,1 milhão de sacas de 60 kg. Com isso, o país ocupa a décima posição no ranking de importadores do produto.
“Ao contrário de países que buscam preços competitivos no mundo, a China prioriza o café arábica brasileiro”, diz o presidente do Cecafé.
“O país segue numa crescente. Os jovens chineses estão tomando cada vez mais café”, afirma Ferreira. “O que temos de consumo, agora, é muito aquém do que veremos nos próximos cinco, dez anos.”
Trump ameaça taxar vinhos franceses em 200% para pressionar Macron a aderir ao 'Conselho da Paz'

Emmanuel Macron e Donald Trump
REUTERS/Al Drago
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que irá impor uma tarifa de 200% sobre vinhos e champanhes franceses. O objetivo segundo ele é pressionar o presidente da França, Emmanuel Macron, a aderir ao "Conselho da Paz" - órgão anunciado pelos EUA para atuar na manutenção da paz em Gaza e em outros conflitos mundiais.
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Questionado por um repórter sobre a declaração de Macron de que não participará do conselho, Trump disse: "Ele disse isso? Bem, ninguém o quer porque ele deixará o cargo muito em breve".
"Vou impor uma tarifa de 200% sobre os vinhos e champanhes dele, e ele vai aderir, mas não precisa aderir”, afirmou Trump.
A França pretende recusar o convite para integrar a iniciativa, segundo uma fonte próxima a Macron.
🔎 Trump propôs originalmente a criação do Conselho da Paz em setembro passado, quando anunciou seu plano para encerrar a guerra em Gaza. Já o convite enviado a líderes mundiais na semana passada descreve um papel amplo para encerrar conflitos em todo o mundo.
Um rascunho do estatuto enviado pela administração dos EUA a cerca de 60 países prevê que os membros contribuam com US$ 1 bilhão em dinheiro, caso queiram que sua participação dure mais de três anos, conforme o documento obtido pela Reuters.
Governos reagiram com cautela ao convite de Trump. Para diplomatas, o conselho poderia prejudicar o trabalho da ONU. Entre os convidados para integrar o órgão está o presidente Lula, que ainda não respondeu.
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Mega-Sena pode pagar R$ 50 milhões nesta terça-feira

Como funciona a Mega-sena
O concurso 2.962 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 50 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta terça-feira (20), em São Paulo.
Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp
No concurso do último sábado (17), nenhuma aposta acertou as seis dezenas.
A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Banco Master: FGC começou ressarcimentos nesta segunda; saiba como reaver seu dinheiro

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já está recebendo os pedidos de ressarcimento dos investidores que compraram Certificados de Crédito Bancário (CDBs) do Banco Master.
O FGC é uma associação privada, sem fins lucrativos, que integra o Sistema Financeiro Nacional e atua na manutenção da estabilidade do sistema, na prevenção de crises bancárias e na proteção de depositantes e investidores.
Na prática, funciona como um fundo privado que atua como um seguro. É ele quem garante que os recursos depositados ou investidos em um banco permaneçam protegidos caso a instituição financeira enfrente alguma crise ou dificuldade.
Os saldos de correntistas e investidores são protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição.
Segundo o FGC, os ressarcimentos começaram nesta segunda-feira (19). Cerca de 600 mil credores do Banco Master já fizeram o pedido, de acordo com o balanço divulgado na noite desta segunda.
Desses, 400 mil concluíram o pedido (fizeram o trâmite completo). O FGC estima que 800 mil credores do Banco Master têm direito ao ressarcimento.
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No caso dos investidores, a cobertura varia conforme o tipo de aplicação. Estão dentro das regras do FGC:
CDB e Recibo de Depósito Bancário (RDB);
Letra de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCAs).
O FGC só atua em casos de intervenção ou liquidação de uma instituição financeira. A indenização considera o valor investido somado aos rendimentos acumulados até a data da liquidação, limitado ao teto de R$ 250 mil.
ENTENDA: O que é FGC e qual seu papel no caso do Banco Master?
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FGC começou a receber pedidos de ressarcimento de credores que tinham investimentos no Banco Master.
Reprodução/g1
O que acontece para quem tinha dinheiro no Master?
Embora exista a garantia, o pagamento do FGC não é imediato.
O processo só começou depois que o liquidante enviou ao fundo a lista completa de credores do banco. Com a lista consolidada, o FGC libera o acesso aos valores cobertos.
Segundo o FGC:
o número de credores da garantia, inicialmente estimado em 1,6 milhão, é da ordem de 800 mil.
o valor total a ser pago em garantias será de R$ 40,6 bilhões, contra a estimativa inicial de R$ 41,3 bilhões.
Com as informações recebidas, o FGC liberou neste sábado (17) a solicitação no aplicativo para que os credores cadastrem a conta bancária, façam a validação da biometria e o envio de documentos.
Para solicitar o ressarcimento:
Pessoas físicas: devem usar o aplicativo do FGC. Após realizar um cadastro básico, é necessário solicitar o pagamento da garantia;
Pessoas jurídicas: devem fazer o pedido diretamente pelo site da instituição.
Após a assinatura do termo de solicitação, o FGC informa que a liberação costuma ocorrer em até 48 horas úteis, desde que os dados estejam corretos.
Ainda assim, o período entre a decretação da liquidação e o pagamento aos investidores variou entre 14 e 40 dias nas operações mais recentes.
Para eventuais dúvidas, o FGC orienta que correntistas e investidores entrem em contato pelo e-mail atendimento.credores@fgc.org.br.
Veja o passo a passo para solicitar o reembolso pelo FGC
Segundo o FGC, o pedido de pagamento da garantia para pessoas físicas deve ser feito pelo aplicativo do fundo, disponível no Google Play e na Apple Store.
"No aplicativo do FGC, você pode conferir as instituições em regime especial decretado pelo Banco Central e se já é possível solicitar o pagamento de garantia, além de receber notificações para acompanhar o seu pedido", informou o fundo.
Veja o passo a passo:
Baixe o aplicativo do FGC e complete o cadastro, informando nome completo, CPF e data de nascimento;
Solicite o pagamento de garantia. Essa etapa só ficará disponível após o envio, pelo liquidante, da lista completa de credores e valores devidos ao fundo.
Depois, basta informar uma conta bancária de sua titularidade para receber os recursos, realizar a validação biométrica e enviar eventuais documentos solicitados.
Para pessoas jurídicas, o FGC informa que o representante legal da empresa deve solicitar a garantia por meio do Portal do Investidor. Após o preenchimento das informações, o fundo envia um e-mail com o passo a passo necessário.
"O pagamento é feito por transferência para uma conta-corrente ou poupança, de mesmo CNPJ, em nome da empresa", informa o FGC.
Nos casos em que o pagamento precisar ser feito a inventariantes ou ao espólio, o FGC tratará diretamente com os beneficiários, não sendo possível fazer a solicitação pelo aplicativo.
⚠️ATENÇÃO: Valores que ultrapassarem o limite de cobertura do FGC, de R$ 250 mil, permanecerão sujeitos ao processo de liquidação do Banco Master. Nessa situação, o credor passa a integrar a massa falida como credor quirografário, sem garantia de recebimento dos valores.
O que aconteceu com o Banco Master?
O Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro do ano passado.
🔎 A liquidação extrajudicial ocorre quando o Banco Central encerra as atividades de um banco que não tem mais condições de operar. Um liquidante assume o controle, fecha as operações, vende os bens e paga os credores na ordem prevista em lei, até extinguir a instituição. Nessa fase, as operações são finalizadas e o banco deixa de integrar o sistema financeiro nacional.
O Banco Master já enfrentava risco de falência devido ao alto custo de captação e a investimentos considerados arriscados. O caso mais conhecido era a emissão títulos de renda fixa, os CDBs, que pagavam até 40% acima da taxa média do mercado. (veja aqui o que acontece com investidores)
O presidente do banco, Daniel Vorcaro, foi preso em uma operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras no Master. Na última semana, a Polícia Federal realizou uma segunda fase da operação, que incluiu buscas em endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono do banco, e parentes dele, incluindo o pai, a irmã e o cunhado dele.
O empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos, também estavam entre os alvos.
Segundo as investigações:
O Banco Master emitiu R$ 50 bilhões em certificados de depósito bancário (CDBs) prometendo juros acima das taxas de mercado e sem comprovar que tinha liquidez, ou seja, que conseguiria pagar esses títulos no futuro.
Ao comprar um CDB, o cliente empresta o dinheiro ao banco e recebe juros em troca.
Para reforçar essa impressão de liquidez, o Master aplicou parte desses R$ 50 bilhões em ativos que não existem, comprando créditos de uma empresa chamada Tirreno.
O Master não pagou nada por essa compra, mas logo em seguida vendeu esses mesmos créditos ao BRB — que pagou R$ 12,2 bilhões, sem documentação, para "socorrer" o caixa do Banco Master.
Essas transações aconteceram no mesmo período em que o BRB tentava comprar o próprio Banco Master — e convencer os órgãos de fiscalização de que a transação era viável e não geraria risco aos acionistas do BRB, incluindo o governo do DF.
Além disso, o Master era conhecido por comprar precatórios e investir em empresas em dificuldade.
Para evitar a quebra, foram realizadas tentativas de venda do banco, o que inclui uma proposta do BRB. Todas acabaram canceladas, envoltas em questionamentos, pressões políticas e falta de transparência.
A EFB Regimes Especiais de Empresas foi designada para conduzir a administração especial. Com a liquidação, qualquer negociação de compra em andamento é automaticamente interrompida.
Infográfico - Entenda a polêmica dos CDBs do Banco Master
Arte/g1
Sede do Banco Master
Divulgação/Banco Master
Caso Master: FGC recebeu 600 mil pedidos do total de 800 mil credores
FGC diz que 150 mil credores do banco Master começam a receber garantias Cerca de 600 mil credores do Banco Master já fizeram o pedido de ressarcimento junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), de acordo com o balanço divulgado na noite desta segunda-feira (19). Desses, 400 mil concluíram o pedido (fizeram o trâmite completo). O FGC estima que 800 mil credores do Banco Master têm direito ao ressarcimento. Os pagamentos começaram nesta segunda-feira, em parcela única, para quem investiu em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do banco. Segundo o FGC, os valores são pagos à vista, respeitado o teto de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição. Ritmo de atendimento O FGC informou que o aplicativo opera normalmente e processa, em média, 11,8 mil pedidos por hora, o equivalente a cerca de 3 solicitações por segundo. Em momentos de pico, acessos simultâneos ainda podem provocar alguma lentidão. “Pontualmente, volumes anormais de acessos simultâneos ainda causam alguma lentidão”, informou o fundo. Pagamentos e validação de identidade Dos pedidos já registrados, aproximadamente 400 mil credores finalizaram todo o processo, incluindo a validação de identidade, e entraram na fila de pagamento. O FGC alerta que, por exigências de segurança e prevenção a fraudes, alguns casos passam por etapas adicionais de verificação, o que pode prolongar o prazo para liberação dos recursos. Após a confirmação do pagamento, o credor recebe uma cópia do documento assinado, e o processo pode ser acompanhado a qualquer momento pelo aplicativo. 📄 Documentos aceitos para validação no app: RG (com CPF); Carteira Nacional de Identidade (CIN); CNH física ou digital; RNE e CRNM. O fundo também informou que houve recusas em casos em que credores tentaram validar a biometria com documentos sem CPF. Valores e capacidade financeira do fundo Segundo o FGC: o número de credores caiu da estimativa inicial de 1,6 milhão para cerca de 800 mil; o valor total a ser pago em garantias será de R$ 40,6 bilhões, abaixo da projeção inicial de R$ 41,3 bilhões; o fundo tem liquidez de R$ 125 bilhões, conforme dados de novembro de 2025. Alerta para golpes O FGC também reforçou o alerta para tentativas de golpe envolvendo o pagamento das garantias. “O FGC não cobra nenhum tipo de taxa, não antecipa pagamentos, não transfere créditos garantidos e não utiliza intermediários. Nenhum contato é feito por WhatsApp ou SMS”, informou a instituição. O presidente do fundo, Daniel Lima, afirmou que é fundamental atenção redobrada: “Infelizmente, esse é um problema que afeta todo o sistema financeiro, e o processo de pagamento de garantias pelo FGC também pode ser alvo de criminosos”. Quem tem direito à cobertura do FGC? ➡️ Estão cobertos até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição: CDB e RDB; Letras de Crédito Imobiliário (LCI); Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). A indenização considera o valor investido mais os rendimentos acumulados até a data da liquidação, respeitado o teto. Exemplo: Quem tinha R$ 180 mil aplicados e R$ 100 mil em rendimentos recebe até R$ 250 mil. O excedente entra na fila da liquidação. ❌ Não têm cobertura do FGC: Debêntures; CRIs e CRAs; Fundos de investimento; Títulos fora do sistema de proteção. Liquidação do Banco Master O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, foi liquidado em 18 de dezembro de 2025 pelo Banco Central. A instituição enfrentava dificuldades financeiras, com alto custo de captação e forte exposição a investimentos considerados arriscados. Tentativas de venda, como a proposta do BRB, não avançaram diante de questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência e menções ao banco em investigações. O alerta no mercado se intensificou quando o Master passou a oferecer CDBs com rentabilidades muito acima do padrão.
Polícia Federal marca para a próxima semana depoimentos do caso Master

Fundo Garantidor de Créditos começa a pagar credores do Banco Master nesta segunda
A Polícia Federal marcou para a próxima semana 11 novos depoimentos dentro das investigações do caso Master, segundo fontes da PF afirmaram ao blog.
As oitivas foram autorizadas pelo ministro do STF Dias Toffoli, que determinou que ocorram em apenas dois dias, não nos seis solicitados pela PF.
Estão programados depoimentos de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master, ex-diretores do Banco Master, e do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.
Ainda não está definido se Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco, será ouvido novamente.
A grande dificuldade que a PF enfrenta é conseguir analisar os materiais apreendidos na semana passada, na segunda fase da operação Compliance Zero.
Fachada do Banco Master no Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo, no dia 19 de novembro de 2025
Rovena Rosa/Agência Brasil
Por determinação de Dias Toffoli, ficam sob custódia da Procuradoria-Geral da República (PGR) e serão periciadas por quatro nomes escolhidos pelo próprio ministro do STF.
A análise do material por quem já vem tocando a investigação desde 2025 é importante para a coleta dos depoimentos, mas ainda depende de autorização de Toffoli.
O ministro do STF também ainda não autorizou o início da investigação sobre influencers contactados e contratados para atacar o Banco Central, solicitada há uma semana pela PF.
'Tolerância zero': Anac estuda suspensão temporária para passageiros brigões
Passageiro é tirado de voo em Brasília após conflito sobre 'modo avião' de celular A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) estuda a adoção de regras de “tolerância zero” contra passageiros indisciplinados. O regulamento em análise prevê medidas punitivas para coibir esse tipo de conduta. Uma das possibilidades avaliadas é a proibição de embarque de infratores por um período determinado. A vedação de embarques já está prevista no Código Brasileiro de Aeronáutica, explicou o diretor-presidente da Anac, Tiago Faierstein, mas ainda depende de regulamentação específica por parte da agência. “O que a Anac vai fazer é uma nova regulamentação. A gente vai, por exemplo, permitir que as companhias aéreas possam punir esses passageiros. De que modo isso se dará ainda está sendo construído. Pode ser que a pessoa não possa viajar mais, que tenha uma restrição para embarcar em aeronaves”, afirmou Faierstein, durante entrevista coletiva nesta segunda-feira. Questionado sobre a possibilidade de a proposta ferir o direito constitucional de ir e vir, o diretor-presidente disse que o tema está sendo analisado pela área jurídica da agência. “Por isso que eu falei que essas regras estão sendo estudadas, inclusive com a nossa procuradoria, para que a gente não interfira no direito de ir e vir. Estamos avaliando com cuidado para fazer uma regulamentação que seja efetiva, mas que não fira outras leis ou normas”, afirmou. Segundo Faierstein, ainda não há data definida para a conclusão do regulamento, embora a expectativa seja de que o processo seja finalizado ainda no primeiro semestre deste ano. Casos recentes Na última semana, a Polícia Federal (PF) retirou um homem de um avião no Aeroporto de Brasília após ele se negar a colocar o celular no modo avião. Passageiros relataram que uma comissária perguntou se o homem havia colocado o aparelho no modo avião. Ele teria respondido que não e que “nem se o avião caísse” faria isso. Outros funcionários tentaram dialogar com o passageiro, que se recusou a mostrar o celular. A aeronave chegou a taxiar na pista para decolagem, mas acabou retornando à baia. Imagens registraram o momento em que tripulantes tentaram negociar e pediram que o homem deixasse a aeronave, mas ele se recusou. Outros passageiros também se manifestaram durante a discussão, pedindo que ele saísse do avião. “Indisciplina do senhor”, disse um funcionário. “Vocês vão ter que provar isso. Você sabe que vai entrar um processo judicial”, respondeu o passageiro. Diante da resistência em deixar a aeronave, a Polícia Federal foi acionada e retirou o homem do avião.
Atingido por tarifaço, Brasil exporta menos café em volume, mas alcança receita recorde em 2025

Saca de café em fazenda perto de Brasília em 15 de julho de 2025
Adriano Machado/Reuters
A exportação brasileira de café alcançou uma receita recorde em 2025, de US$ 15,6 bilhões, mesmo com uma queda do volume exportado em relação aos anos anteriores.
A informação é do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
De acordo com a entidade, o Brasil embarcou 40,049 milhões de sacas de 60 kg de todos os tipos do produto, para 121 países, entre janeiro e dezembro do ano passado.
Foi uma queda de 20,8% em relação a 2024. Uma das explicações para a redução, segundo o Cecafé, foi o tarifaço aplicado pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros, entre agosto e novembro.
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Preço do café pode continuar caindo em 2026, mas não vai ficar barato
Como o café e o agro do Brasil devem se beneficiar do acordo UE-Mercosul
A receita de mais de US$ 15 bilhões, no entanto, foi a maior da história e representou um aumento de 24,1% na comparação com o ano anterior, segundo o Cecafé.
Um dos motivos para a maior receita foi o aumento do preço do produto.
Em 2024, o valor médio da saca de 60 kg foi US$ 248,36. No ano passado, esse valor aumentou para US$ 389,17, impulsionado pela baixa disponibilidade do café no mercado.
Alemanha ultrapassou EUA como maior mercado
O ano de 2025 também mostrou uma mudança no topo dos mercados consumidores do café brasileiro, com a Alemanha assumindo o lugar dos Estados Unidos como maior comprador do produto nacional.
O fator principal para a mudança, novamente, foi o tarifaço aplicado pelo governo de Donald Trump. Em todo o ano passado, a Alemanha comprou 5,40 milhões de sacas de 60 kg do café brasileiro, contra 5,38 milhões dos Estados Unidos.
"Nos quase quatro meses de vigência do tarifaço sobre todos os tipos de café do Brasil, e vale lembrar que o solúvel ainda segue taxado, nossos embarques aos norte-americanos despencaram 55%, majoritariamente afetados por essas taxas", disse Márcio Ferreira, presidente do Cecafé.
PIX tem instabilidade e clientes reclamam nas redes sociais

O PIX enfrentou instabilidade nesta segunda-feira (19). Nas redes sociais, usuários relataram falhas generalizadas que impactaram o sistema de pagamentos em diferentes instituições financeiras.
Segundo o site DownDetector, que monitora interrupções em serviços online, mais de 6 mil reclamações já haviam sido feitas por volta das 14h40.
📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça
O site também apontou aumento nas reclamações em pelo menos oito bancos, sugerindo que a falha está no sistema do Banco Central, e não em uma instituição específica. Entre os bancos que haviam registrado reclamações, estavam:
Inter;
Itaú Unibanco;
Bradesco;
Banco do Brasil;
Nubank;
Santander Brasil;
Caixa Econômica Federal; e
C6 Bank.
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Procurados, Banco do Brasil e Itaú informaram que não registraram nenhuma falha em seus sistemas internos. Já o Santander informou que a instabilidade foi "externa ao seu sistema", reiterando que a questão foi solucionada e o PIX opera normalmente para os clientes.
O C6 Bank, por sua vez, afirmou que foi afetado por uma indisponibilidade do sistema PIX, mas destacou que "as operações no aplicativo do banco já funcionam normalmente".
Os demais bancos citados não responderam imediatamente a um pedido de posicionamento.
PIX enfrenta instabilidade nesta segunda-feira (19).
g1
Já o Banco Central informou que o serviço do Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT) — base de dados centralizada operada pelo BC e que armazena as informações das chaves PIX — "apresentou indisponibilidade decorrente de problemas internos" das 14h31 às 15h10 desta segunda-feira.
"As equipes técnicas atuaram na identificação e resolução da causa, e o PIX já está operando normalmente", informou a instituição.
Veja alguns dos relatos sobre os problemas no PIX:
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PIX
Augusto Castro
Elon Musk se aproxima de patrimônio inédito de US$ 800 bilhões

Elon Musk está prestes a alcançar um marco inédito na história das grandes fortunas globais, com um patrimônio estimado em US$ 800 bilhões (cerca de R$ 4,3 trilhões). O avanço ocorre em meio a uma forte valorização de seus negócios ligados à tecnologia, especialmente na área de inteligência artificial.
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Nas últimas semanas, investidores privados mais do que dobraram a avaliação da xAI Holdings, empresa que reúne as operações de inteligência artificial e mídia social do empresário, levando o valor da companhia a US$ 250 bilhões. Esse movimento acrescentou cerca de US$ 62 bilhões à fortuna pessoal de Musk em um curto espaço de tempo.
De acordo com a "Forbes", a nova rodada de captação elevou o valor da participação de 49% de Musk na xAI Holdings para US$ 122 bilhões. O montante supera os US$ 113 bilhões atribuídos à empresa no momento em que a startup de IA foi incorporada à rede social X, antigo Twitter, em março do ano passado.
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Com esse ganho, o patrimônio total de Musk chegou a aproximadamente US$ 780 bilhões, reforçando sua posição isolada como a pessoa mais rica do mundo. O empresário agora está a poucos passos de se tornar o primeiro bilionário da história a ultrapassar a marca de US$ 800 bilhões.
Investidores bilionários ampliam patrimônio
A valorização recente da xAI Holdings não beneficiou apenas Musk. Outros bilionários que investiram na empresa de inteligência artificial também viram suas fortunas crescerem com a nova rodada de avaliação.
Entre eles estão o príncipe saudita Alwaleed Bin Talal Alsaud, um dos primeiros investidores do Twitter, além de Jack Dorsey, cofundador da rede social, e Larry Ellison, cofundador da Oracle.
Príncipe Alwaleed Bin Talal Alsaud: detém cerca de 1,6% da xAI Holdings, participação avaliada em aproximadamente US$ 4 bilhões, sem considerar uma fatia maior mantida por meio da Kingdom Holding Company. Com isso, seu patrimônio pessoal é estimado em cerca de US$ 19,4 bilhões.
Jack Dorsey: possui uma participação estimada de 0,8% na empresa, avaliada em torno de US$ 2,1 bilhões, o que elevou sua fortuna para aproximadamente US$ 6 bilhões.
Larry Ellison: também detém cerca de 0,8% da xAI Holdings, com participação avaliada em aproximadamente US$ 2,1 bilhões, elevando seu patrimônio total para cerca de US$ 241 bilhões.
Elon Musk
REUTERS/Nathan Howard
Crescimento acelerado e polêmicas
A rodada mais recente de captação ocorre, no entanto, em um momento de forte consumo de caixa.
Em meio à corrida global por avanços em inteligência artificial, a xAI tem ampliado seus investimentos de forma agressiva e, segundo documentos internos, queimou cerca de US$ 7,8 bilhões nos primeiros nove meses de 2024.
Além da pressão sobre as finanças, a xAI enfrenta controvérsias que ampliam os desafios do negócio.
O chatbot Grok, desenvolvido pela companhia, foi alvo de críticas após gerar imagens falsas de mulheres reais em trajes íntimos, sem consentimento.
O caso ganhou dimensão jurídica com o ajuizamento de uma ação por Ashley St. Clair, mãe de um dos filhos de Musk. No Brasil, o g1 também mostrou o relato de uma mulher que teve fotos usadas no antigo Twitter para criar imagens que simulavam nudez ou o uso de roupas íntimas.
Com a repercussão negativa internacional, a xAI anunciou, na quarta-feira (14), que o chatbot deixaria de editar imagens de pessoas reais com roupas reveladoras em países onde esse tipo de conteúdo é ilegal.
A empresa informou ainda que está adotando novas medidas de segurança, como a restrição da criação e edição de imagens a contas pagas — iniciativa que, segundo a companhia, busca aumentar a responsabilização dos usuários pelo uso da ferramenta.
Grok, inteligência artificial criada por Elon Musk
REUTERS/Dado Ruvic/Illustration
Perfuração da Petrobras na costa do Amapá segue sem previsão de retomada após vazamento de fluido

Perfuração de petróleo no Amapá é paralisada após vazamento de fluido
A operação de perfuração realizada por uma sonda da Petrobras, na Foz do Amazonas, localizada na costa do Amapá, permanece paralisada após um vazamento de fluido registrado em 4 de janeiro.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) determinou que a retomada só poderá ocorrer mediante autorização da agência. A liberação está condicionada à entrega de um diagnóstico inicial que explique as causas imediatas do ocorrido, os impactos sobre as barreiras de segurança e sobre a operação.
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Segundo a ANP, a Petrobras ainda não enviou relatório detalhado sobre o incidente. Diante disso, a perfuração segue suspensa.
O g1 entrou em contato com a Petrobras, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
Prazo para entrega
De acordo com a Resolução ANP nº 882/2022, a Petrobras tem 90 dias, a contar da constatação inicial do vazamento, para apresentar o relatório completo com as causas do incidente.
O que deve constar no relatório
O documento precisa seguir o conteúdo mínimo definido pelo Anexo II da Resolução 882/2022, incluindo:
Causas imediatas do incidente
Impactos sobre as barreiras de segurança
Ações mitigadoras adotadas
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Segundo a ANP, a Petrobras ainda não enviou relatório detalhado sobre o incidente.
Jornal Nacional/ Reprodução
Próximos passos da ANP
Após receber o relatório, a ANP irá:
Avaliar as causas determinadas e as ações propostas para tratamento.
Solicitar evidências de implementação das medidas, se necessário.
Seguir acompanhando o caso junto à Petrobras, à Marinha e ao Ibama, no âmbito do Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA).
Prevenção de novos incidentes
A ANP reforça que o regime de Segurança Operacional adotado no Brasil é alinhado a normas internacionais, como as da Noruega e do Reino Unido, e tem foco preventivo.
No caso atual, a falha foi controlada e não houve danos ao meio ambiente ou às pessoas. A retomada da perfuração só ocorrerá após a constatação das causas e a adoção das medidas necessárias.
Infográfico mostra local de vazamento que fez Petrobras interromper perfuração na Foz do Amazonas.
Arte/g1
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VÍDEOS com as notícias do Amapá:
Banco Master: aplicativo do FGC tem instabilidade no primeiro dia de pagamentos

FGC diz que 150 mil credores do banco Master começam a receber garantias
O aplicativo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) apresenta instabilidade nesta segunda-feira (19), primeiro dia de ressarcimento dos credores que compraram Certificados de Crédito Bancário (CDBs) do Banco Master.
Segundo o fundo, mais de 377 mil pedidos já haviam sido registrados desde o último sábado (17). Os pagamentos serão feitos à vista e em uma parcela única. Assim, se um investidor tem cerca de R$ 200 mil em CDBs do Master, por exemplo, ele receberá todo o montante em uma única parcela. Para empresas, o pedido deve ser feito pelo site do FGC na internet.
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🔎 O Certificado de Depósito Bancário (CDB) é um investimento de renda fixa em que o investidor empresta dinheiro ao banco e recebe juros em troca. Essa remuneração pode ser pré-fixada (definida no momento da aplicação) ou pós-fixada (atrelada a indicadores como o CDI).
Procurado, o FGC não respondeu imediatamente a um pedido de posicionamento.
O fundo já apresentava instabilidade desde sábado, quando iniciou o prazo para credores pedirem ressarcimento por seus investimentos no Master.
Aplicativo do FGC apresenta instabilidade para os usuários
Reprodução
Na ocasião, o FGC informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o aplicativo registrou um alto volume de acessos simultâneos, provocando instabilidades e afetando a sua disponibilidade aos usuários.
Depois de concluída a solicitação, o credor receberá o pagamento em até dois dias úteis, em uma conta de sua titularidade, informou o Fundo Garantidor de Crédito.
Segundo o FGC:
o número de credores da garantia, inicialmente estimado em 1,6 milhão, é da ordem de 800 mil.
o valor total a ser pago em garantias será de R$ 40,6 bilhões, contra a estimativa inicial de R$ 41,3 bilhões.
➡️O FGC informou que possui liquidez de R$ 125 bilhões, conforme dados de novembro de 2025.
FGC alerta para tentativas de golpes
➡️O FGC também alertou para possíveis tentativas de golpe envolvendo o pagamento de garantia.
O órgão reforçou que os canais oficiais de atendimento e divulgação de informações são o app do FGC, telefone, email e redes sociais.
"O FGC não cobra nenhum tipo de taxa para efetuar o pagamento da garantia, não antecipa, não transfere créditos garantidos e não utiliza intermediários. Nenhum contato é feito por meio do WhatsApp ou SMS", informou.
Segundo o presidente do FGC, Daniel Lima, é importante que as pessoas estejam atentas para não serem enganadas.
“Infelizmente, esse é um problema que afeta todo o sistema financeiro, e o processo de pagamento de garantias pelo FGC também pode ser alvo de criminosos", acrescentou Daniel, Lima, do FGC.
Quem está protegido pelo FGC?
Os saldos de correntistas e investidores são protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição.
No caso dos investidores, a cobertura varia conforme o tipo de aplicação. Estão dentro das regras do FGC:
CDB e Recibo de Depósito Bancário (RDB);
Letra de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCAs).
O FGC só atua em casos de intervenção ou liquidação de uma instituição financeira. A indenização considera o valor investido somado aos rendimentos acumulados até a data da liquidação, limitado ao teto de R$ 250 mil.
⚠️ EXEMPLO: Quem tinha R$ 180 mil investidos e R$ 100 mil para receber em rendimentos terá acesso a até R$ 250 mil. O valor que exceder esse limite deve ser solicitado no processo de liquidação conduzido pelo BC.
Quem não está protegido pelo FGC?
Não têm direito à cobertura do FGC os investidores que aplicaram em produtos sem garantia do fundo, como:
Debêntures;
Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs),;
Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs);
Fundos de investimento;
Títulos emitidos fora do sistema de proteção.
Nesses casos, não há indenização automática: todo o valor investido entra integralmente na fila da liquidação e só poderá ser recuperado se houver recursos suficientes após o pagamento das obrigações prioritárias.
Liquidação do banco Master
A instituição de Daniel Vorcaro foi liquidada no dia 18 de dezembro de 2025 pelo Banco Central. A instituição já operava sob risco de falência por causa do alto custo de captação e da exposição a investimentos considerados arriscados, com juros muito acima do padrão de mercado.
Tentativas de venda, como a proposta do Banco de Brasília (BRB), não avançaram. Todas foram interrompidas por questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência, pressões políticas e menções ao Master em investigações.
O sinal de alerta no mercado ficou mais evidente quando o banco passou a oferecer produtos financeiros com remunerações muito acima do padrão. O principal deles eram os CDBs emitidos pela instituição.
Após escândalo no Master, Haddad diz que BC deveria fiscalizar e regular fundos de investimento; atualmente, funções são da CVM

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (19) que os fundos de investimento, atualmente sob responsabilidade da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), deveriam passar a ser regulados e fiscalizados pelo Banco Central.
🔎A CVM é uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda, mas com autonomia financeira, orçamentária e administrativa. É responsável por tomar decisões sobre a regulação e fiscalização do mercado de valores mobiliários, títulos ou contratos de investimento coletivo (leia mais aqui).
A Polícia Federal tem investigado, na Operação Compliance Zero, o uso de fundos de investimento para inflar artificialmente o patrimônio do Master com o objetivo de viabilizar fraudes financeiras bilionárias do banco de Daniel Vorcaro.
Diante das irregularidades, o Banco Central liquidou o Master e, na semana passada, também decretou a liquidação da empresa que faz a gestão dos fundos no grupo da Reag Investimentos. A Reag, que já vinha sendo investigada pela PF por suspeitas de ligação com o PCC, entrou na mira da Operação Compliance Zero.
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Em entrevista ao UOL, Fernando Haddad foi questionado sobre os desdobramentos das investigações sobre fraudes financeiras. Ele disse que apresentou uma proposta que prevê maior atuação do BC na fiscalização de fundos.
"Apresentei uma proposta, que esta sendo discutida no âmbito do Executivo, para ampliar o perímetro regulatório do BC. Tem coisa que deveria estar no BC, e que está na CVM. O Banco Central tem de passar a fiscalizar os fundos, há intersecção grande hoje entre fundos, finanças. Isso tem impacto sobre a contabilidade pública, a conta remunerada, as compromissadas", afirmou.
Ele explicou que essa proposta, por enquanto, é uma iniciativa dele e não do governo Luiz Inácio Lula da Silva, mas acrescentou que o tema já está sendo discutido pelo Executivo.
"Entendo que seria uma resposta muito boa nesse momento ampliarmos o poder de fiscalização sobre os fundos pelo Banco Central. Fica em um lugar só, que é mais ou menos o desenho dos BCs em países desenvolvidos", acrescentou Haddad.
Polêmica sobre indicação à CVM
A CVM é formada por cinco integrantes: quatro diretores e um presidente – todos são nomeados pelo presidente da República e precisam de aprovação pelo Senado. Atualmente, a diretoria da CVM só tem duas vagas ocupadas.
Uma recente indicação do presidente Lula para o órgão causou polêmica e gerou críticas do mercado e de especialistas.
O petista escolheu o advogado Otto Lobo para presidir o órgão. Ele conta com o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e de parlamentares do centrão.
O governo fez um acordo para que o Congresso indique dois nomes para a diretoria da CVM. Os congressistas, no entanto, pressionaram para que Otto Lobo fosse indicado para presidir o colegiado, o que causou incômodo na equipe econômica do governo.
A escolha também não é a ideal na avaliação do mercado e de especialistas, que consideram fundamental blindar a CVM de qualquer influência política.
Caso Master é 'abacaxi' herdado por Galípolo, diz Haddad
Na entrevista ao UOL nesta segunda-feira, Haddad também disse que a fraude no banco Master foi "herdada", pelo atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, da gestão anterior, de Roberto Campos Neto – que foi indicado por Jair Bolsonaro e que deixou o comando do órgão no fim de 2024.
"Herdou um problema, que é o banco Master, todo ele constituído na gestão anterior. O Galípolo 'descascou o abacaxi' com a responsabilidade de ter um processo robusto para justificar as decisões duras que teve de tomar", disse Haddad.
Ele defendeu a atuação de Galípolo e da autoridade financeira no caso Master.
"Mas foi uma herança, o Galípolo herdou esse enorme problema, esse grande abacaxi, resolvendo com competência", completou o ministro da Fazenda.
Aumentos de impostos
Questionado sobre o apelido "Taxadd", uma referência ao aumento de impostos utilizada por opositores e críticos nas redes sociais, Haddad afirmou que fica feliz em ser lembrado como o ministro que taxou "offshores", fundos fechados, dividendos, bets.
"A taxação BBB, banco, bet e bilionário. Esse povo que não pagava imposto voltou a pagar. Se a oposição quiser bater bumbo por causa disso, 'be my guest' [fique à vontade]. Estou de acordo. É assim que eu vejo a sociedade brasileira. Quem é muito rico e não pagava imposto, agora entende que vive em sociedade. Tem de pagar educação e saúde públicos", afirmou Haddad.
Em 2024, a carga tributária brasileira cresceu e bateu recorde, atingindo o maior nível em mais de duas décadas, segundo a Receita Federal do Ministério da Fazenda. Segundo o governo, o aumento é derivado do aumento de impostos federais e estaduais.
Relembre outros aumentos de impostos desde o início do governo Lula:
Aumento de impostos sobre combustíveis;
Mudanças na tributação de incentivos (subvenções) concedidos por estados;
Imposto sobre encomendas internacionais (taxa das blusinhas);
Alta gradual de impostos sobre a folha de pagamentos de 17 setores;
Fim de benefícios para o setor de eventos (Perse);
Aumento do IOF sobre crédito e câmbio;
Alta nos juros sobre capital próprio das empresas.
Eleições de 2026
O ministro Haddad disse ainda que está conversando com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre seu futuro político.
Ele tem demonstrado a intenção de não concorrer nas eleições deste ano, participando da equipe da campanha de reeleição de Lula, mas o PT tem defendido que ele concorra ao governo de São Paulo.
"Eu disse em todas as ocasiões que eu não pretendia me candidatar em 2026, a todos cargos. Iniciei conversa com Lula, tenho uma relação pessoal com ele. Eu tenho ouvido o presidente Lula, começamos a conversar semana passada sobre isso. Levei a eles minhas colocações, aprofundando o tema com ele. É uma conversa de amigos e companheiros que pode se estender um pouco mais, mas não concluímos nada nessa primeira conversa", disse Haddad.
Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defende tributação maior das bets no Brasil.
Reuters via BBC
Fortuna de bilionários bate recorde em 2025, aponta relatório da Oxfam

A fortuna dos bilionários atingiu um recorde em 2025, “minando a liberdade política” e aumentando a desigualdade, segundo o relatório anual "Resistir ao domínio dos mais ricos", divulgado nesta segunda-feira (19) pela ONG Oxfam. O documento denuncia a política do presidente americano Donald Trump e coincide com o início do Fórum Econômico em Davos, na Suíça.
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Segundo o documento, os 12 bilionários mais ricos “possuem mais riqueza do que a metade mais pobre da humanidade”, o equivalente a cerca de quatro bilhões de pessoas.
No ano passado, o mundo contabilizou pela primeira vez mais de 3.000 bilionários, que, juntos, somavam uma fortuna de US$ 18,3 trilhões, de acordo com a ONG.
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O valor de seus patrimônios aumentou 16,2%, três vezes mais rápido do que nos cinco anos anteriores, enquanto a redução da pobreza desacelera desde a pandemia de 2020.
O acúmulo de riqueza, lembra a Oxfam, permite aos ultrarricos garantir acesso às instituições e adquirir veículos de comunicação, “minando a liberdade política e corroendo os direitos da maioria”, lamenta a organização.
Mais chances de chegarem a posições políticas
A ONG também estima que os ultrarricos “têm cerca de 4.000 vezes mais chances de ocupar um cargo político” do que cidadãos comuns. Ela cita especialmente os Estados Unidos, primeira potência mundial, onde o governo de Donald Trump conta com vários bilionários.
“Isso pode ser observado nos EUA com o envolvimento de bilionários, em particular o de Elon Musk, nas eleições americanas. Estima-se que 1 em cada 6 dólares gastos por candidatos e partidos políticos em 2024 nos Estados Unidos venha de doadores bilionários”, diz Layla Abdelké Yakoub, representante da ONG.
“Também percebemos que, nos EUA, uma política que conta com o apoio dos mais ricos tem 45% de probabilidade de ser adotada, enquanto, quando eles se opõem, ela tem apenas 18%. Isso está ligado a uma série de medidas tomadas ao longo do tempo, mas também ao monopólio da mídia, das redes sociais e da inteligência artificial”, diz a OXFAM.
Nenhuma legitimidade democrática
No domingo, em Davos, o presidente americano foi alvo de um protesto organizado pela Juventude Socialista Suíça sob o lema “No World Economic Forum – Stop Trump”.
Alguns dos 300 manifestantes usavam máscaras — incluindo as do bilionário Elon Musk, do chanceler alemão Friedrich Merz e do vice-presidente americano JD Vance — e seguravam notas gigantes de euro feitas de papelão.
O Fórum “é o lugar onde as pessoas mais poderosas e ricas do mundo se reúnem para discutir o nosso futuro, tomar decisões sobre ele — sobre a economia ou o clima, que afetam todos — e fazem isso sem qualquer legitimidade democrática”, denunciou Nathalie Ruoss, vice-presidente da Juventude Socialista, presente na manifestação.
Ela considerou “inaceitável receber fascistas como Donald Trump, já que isso também contribui para legitimar suas ações”, disse.
Círculo vicioso
“As desigualdades econômicas e políticas podem acelerar a erosão dos direitos e da segurança das pessoas a uma velocidade assustadora”, denuncia no relatório da Oxfam seu diretor-geral, Amitabh Behar, que cita um “círculo vicioso”.
À medida que se aproximam as eleições legislativas americanas de novembro, reduções massivas de impostos estão previstas para empresas e famílias, enquanto as multinacionais americanas conseguiram isenção da taxa mínima de 15% prevista em um acordo internacional.
“As medidas tomadas durante a presidência Trump beneficiaram os mais ricos em todo o mundo”, destaca a Oxfam, que pede limitar o poder dos ultrarricos, tributando-os “de verdade” e proibindo-os de financiar campanhas políticas.
“Diante dessas reações da população exausta e irritada com tanta desigualdade, ocorreram respostas autoritárias e violentas. O X é usado para rastrear, punir, sequestrar e torturar críticos do governo. Até onde alguns governos estão dispostos a ir para proteger os interesses dos ultrarricos às custas de sua população?”, questiona Abdelké Yakoub.
Elon Musk em jantar de Casa Branca em 18 de novembro de 2025
REUTERS/Tom Brenner
Dólar cai e fecha a R$ 5,36 com tensão entre EUA e Europa; Ibovespa tem leve alta

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar fechou em queda de 0,16% nesta segunda-feira (19), cotado a R$ 5,3640. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 0,03%, aos 164.849 pontos.
A sessão foi marcada por uma agenda mais enxuta, mas não livre de tensões. Projeções econômicas no Brasil, feriado nos Estados Unidos e novos ruídos geopolíticos moldaram o humor dos mercados, enquanto investidores acompanharam sinais vindos da política e das commodities.
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▶️ No Brasil, o boletim Focus trouxe novas projeções para 2026. A estimativa da inflação recuou levemente, de 4,05% para 4,02%, enquanto a mediana da taxa Selic avançou de 9,88% para 10%.
▶️ Nos EUA, esta segunda-feira foi marcada pelo feriado de Martin Luther King Jr. Day. Com isso, o mercado à vista de ações permaneceu fechado, reduzindo a liquidez, com as negociações sendo retomadas amanhã.
▶️ Mesmo com o feriado, os mercados europeus fecharam em queda, impactados pelas ameaças do presidente Donald Trump de impor tarifas adicionais de 10% a oito países europeus.
▶️ Em resposta, países da União Europeia avaliam aplicar tarifas de € 93 bilhões aos EUA ou restringir o acesso de empresas americanas ao mercado do bloco, em meio às tensões envolvendo a Groenlândia.
▶️ As preocupações geopolíticas com o Irã e a sucessão no Federal Reserve (Fed, o banco central americano) seguem no radar. Nesse contexto, o preço do petróleo tipo Brent recuou 0,03%, a US$ 64,11, e o WTI avançou 0,15%, a US$ 59,43.
▶️ No campo regulatório, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou hoje que os fundos de investimento, atualmente sob supervisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), deveriam passar a ser regulados e fiscalizados pelo Banco Central. A declaração ocorreu após a liquidação do Banco Master e da empresa responsável pela gestão dos fundos da Reag, ambas decretadas pelo BC.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: -0,16%;
Acumulado do mês: -2,27%;
Acumulado do ano: -2,27%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: +0,03%;
Acumulado do mês: +2,31%;
Acumulado do ano: +2,31%.
Ameaça de Trump à Groelândia
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou no sábado (17) que pretende impor uma tarifa de 10% sobre produtos importados de oito países europeus a partir de 1º de fevereiro de 2026. A medida seria adotada caso esses países se posicionem contra o plano dos EUA de comprar a Groenlândia, território localizado no Ártico e que pertence à Dinamarca.
Em publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia passarão a pagar uma taxa adicional de 10% sobre todas as mercadorias enviadas aos EUA.
"A partir de 1º de fevereiro de 2026, todos os países (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) estarão sujeitos a uma tarifa de 10% sobre todas as mercadorias enviadas aos EUA. Em 1º de junho de 2026, a tarifa será aumentada para 25%."
Trump declarou ainda que essas cobranças permanecerão em vigor até que seja fechado um acordo para a “compra completa e total” da Groenlândia pelos EUA.
Diante do aumento das ameaças, países da União Europeia avaliam medidas de retaliação. Entre as opções em discussão estão a aplicação de tarifas de € 93 bilhões — cerca de R$ 580 bilhões — sobre produtos americanos ou a restrição do acesso de empresas dos EUA ao mercado europeu. As informações foram divulgadas pelo "Financial Times".
Ao mesmo tempo, os governos europeus buscam uma saída intermediária que evite um rompimento mais profundo na aliança militar ocidental. Autoridades avaliam que um desgaste prolongado nas relações com os EUA poderia representar uma ameaça séria à segurança da Europa.
Segundo o "Financial Times", as tarifas de retaliação da União Europeia já estavam preparadas desde o ano passado, mas haviam sido suspensas até 6 de fevereiro. Com o novo anúncio de Trump, o tema voltou à mesa de negociações neste domingo.
Também entrou em discussão o uso do chamado “instrumento anticoerção”, um mecanismo que permitiria à União Europeia limitar ou dificultar a atuação de empresas americanas dentro do bloco como resposta a pressões econômicas externas.
Agenda econômica
Boletim Focus
Os economistas do mercado financeiro reduziram levemente a previsão de inflação para 2026, de 4,05% para 4,02%. A estimativa faz parte do Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Banco Central (BC).
Para os anos seguintes, as expectativas permaneceram estáveis: o mercado projeta inflação de 3,80% em 2027 e de 3,50% tanto em 2028 quanto em 2029.
Depois de a taxa básica de juros da economia, a Selic, ter encerrado 2025 em 15% ao ano — o maior patamar em quase duas décadas, adotado pelo BC para tentar conter a inflação —, os analistas seguem apostando em uma redução dos juros ao longo deste ano.
Para o fim de 2026, a projeção foi mantida em 12,25% ao ano, o que indica uma queda de 2,25 pontos percentuais em relação ao nível atual.
A expectativa para 2027 também não mudou: o mercado continua projetando a Selic em 10,50% ao ano ao final desse período.
No campo da atividade econômica, a previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 foi mantida em alta de 1,80%. Esse ritmo é menor do que os cerca de 2,25% estimados para 2025, indicando uma desaceleração da economia no próximo ano.
Já para o câmbio, os economistas mantiveram a projeção de que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,50.
Bolsas globais
Em dia de feriado nos EUA, os mercados em Wall Street permaneceram fechados nesta segunda-feira.
Na Europa, o clima foi marcado por tensão depois de o presidente Donald Trump ameaçar aumentar em 10% as tarifas sobre produtos de oito países europeus que se opõem à ideia de os EUA assumirem o controle da Groenlândia.
No fechamento, o índice pan-europeu STOXX recuou 1,23%. Entre as principais bolsas da região, o FTSE 100, de Londres, caiu 0,39%, enquanto o DAX, de Frankfurt, recuou 1,34%. Em Paris, o CAC 40 teve a maior queda do dia, com perda de 1,78%.
Na Ásia, o movimento foi misto, influenciado por novos números que mostraram um crescimento econômico mais fraco na China — o menor em três anos —, por causa da queda na demanda interna.
Os mercados também reagiram às medidas recentes do banco central chinês, que reduziu taxas específicas e sinalizou possíveis cortes adicionais para estimular a economia.
No fechamento, o índice de Xangai subiu 0,29% para 4.114 pontos, enquanto o CSI300 avançou 0,05% para 4.734 pontos. O Hang Seng caiu 1,05% para 26.563 pontos.
No Japão, o Nikkei recuou 0,6% para 53.583 pontos. O Kospi, da Coreia do Sul, subiu 1,32% para 4.904 pontos; o Taiex, de Taiwan, avançou 0,73% para 31.639 pontos; e o Straits Times, de Cingapura, caiu 0,51% para 4.824 pontos.
O dólar opera cotado acima de R$ 6,00 no mercado à vista na manhã desta quarta-feira, 9, estendendo ganhos frente ao real pelo quarto pregão consecutivo, diante do acirramento da guerra comercial entre os EUA e a China.
Adriana Toffetti/Estadão Conteúdo
Boletim Focus: mercado reduz para 4,02% estimativa de inflação em 2026, com queda frente ao ano passado

Os economistas do mercado financeiro reduziram de 4,05% para 4,02% sua estimativa de inflação para o ano de 2026.
A estimativa faz parte do boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras.
Se confirmada a projeção, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficará abaixo do registrado no último ano — quando somou 4,26%.
➡️ Para 2027, a expectativa permaneceu estável em 3,80%;
➡️ Para 2028, a previsão foi mantida em 3,50%;
➡️ Para 2029, a estimativa continuou em 3,50%.
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Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%.
🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento.
Renda cresce, mas inflação reduz o poder de compra dos brasileiros
Reprodução/TV Globo
Taxa de juros
Após a taxa básica da economia ter fechado 2025 em 15% ao ano — o maior nível em quase 20 anos — na tentativa de conter a inflação, o mercado financeiro segue acreditando que os juros vão recuar neste ano.
Para o fim de 2026, a projeção foi mantida em 12,25% ao ano. Ou seja, o mercado projeta uma queda de 2,25 pontos percentuais na Selic neste ano.
Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado foi mantida em 10,50% ao ano.
Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas subiu de 9,88% para 10% ao ano.
Desaceleração da atividade
Para o crescimento do PIB de 2026, a estimativa do mercado foi mantida em alta de 1,80% na semana passada, abaixo dos cerca de 2,25% projetados para o ano de 2025.
O resultado oficial do PIB do ano passado ainda não foi divulgado pelo IBGE.
➡️ O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir o desempenho da economia.
Para 2027, a projeção de crescimento do PIB foi mantida também em 1,80%.
Taxa de câmbio estável
O mercado financeiro projetou relativa estabilidade na taxa de câmbio neste ano, apesar do período eleitoral — que costuma pressionar o dólar para cima.
Após a moeda norte-americana ter recuado mais de 11% no ano passado, resultado também dos juros altos no Brasil, e fechado 2025 em R$ 5,4887, os economistas dos bancos projetam que a taxa terminará 2026 em R$ 5,50.
Para o fim de 2026, a estimativa do mercado para o dólar permaneceu também em R$ 5,50.
▶️ O desempenho do dólar em 2025 foi o pior em quase uma década. A trajetória reflete apostas em novos cortes de juros pelo Federal Reserve, o banco central dos EUA, além de preocupações com o déficit das contas públicas e com a condução da economia pelo presidente Donald Trump.
FGC começa a ressarcir 377 mil credores do banco Master a partir desta segunda
Credores do Banco Master serão ressarcidos a partir desta segunda, diz FGC O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) começa a ressarcir nesta segunda-feira (19) cerca de 377 mil credores que compraram Certificados de Crédito Bancário (CDBs) do banco Master. Os valores serão pagos à vista. Se, por exemplo, um investidor tem R$ 200 mil em CDBs do banco Master, ele receberá em uma parcela única. 🔎 O Certificado de Depósito Bancário (CDB) é um investimento de renda fixa em que o investidor empresta dinheiro ao banco e recebe juros em troca. Essa remuneração pode ser pré-fixada (definida no momento da aplicação) ou pós-fixada (atrelada a indicadores como o CDI). Segundo dados desta segunda-feira (19), cerca de 569 mil pedidos de ressarcimento de garantias dos credores que compraram CDBs do Master foram registrados. Desses, aproximadamente 377 mil finalizaram o processo de solicitação de garantia e seguiram para o processo de pagamento, que começa nesta segunda. O prazo para pedidos de ressarcimento começou no sábado (17), por meio do aplicativo do FGC, no caso das pessoas físicas. As empresas, por sua vez, devem fazer os pedidos pelo site do Fundo Garantidor de Crédito. O FGC também informa que credores tentaram realizar a validação da biometria usando um documento sem CPF, o que tem gerado recusas na avaliação da identidade. "É importante seguir as orientações que constam no site e no aplicativo do FGC", alerta a instituição. Segundo o FGC: o número de credores da garantia, inicialmente estimado em 1,6 milhão, é da ordem de 800 mil. o valor total a ser pago em garantias será de R$ 40,6 bilhões, contra a estimativa inicial de R$ 41,3 bilhões. ➡️O FGC informou que possui liquidez de R$ 125 bilhões, conforme dados de novembro de 2025. Fundo Garantidor de Créditos começa a receber pedidos de ressarcimento de quem investiu no Banco Master Aplicativo funciona normalmente O FGC informou, também, que depois de o aplicativo ter apresentado instabilidade neste sábado, no dia que o sistema foi aberto para os credores do banco Master, não foram registrados novos problemas. "O aplicativo opera normalmente. Estão sendo processados cerca de 9 mil pedidos por hora, o que corresponde a aproximadamente 2,5 solicitações por segundo. Pontualmente, volumes anormais de acessos simultâneos ainda causam alguma lentidão", informou o FGC. FGC alerta para tentativas de golpes ➡️O FGC também alertou para possíveis tentativas de golpe envolvendo o pagamento de garantia. O órgão reforçou que os canais oficiais de atendimento e divulgação de informações são o app do FGC, telefone, email e redes sociais. "O FGC não cobra nenhum tipo de taxa para efetuar o pagamento da garantia, não antecipa, não transfere créditos garantidos e não utiliza intermediários. Nenhum contato é feito por meio do WhatsApp ou SMS", informou. Segundo o presidente do FGC, Daniel Lima, é importante que as pessoas estejam atentas para não serem enganadas. “Infelizmente, esse é um problema que afeta todo o sistema financeiro, e o processo de pagamento de garantias pelo FGC também pode ser alvo de criminosos", acrescentou Daniel, Lima, do FGC. Quem está protegido pelo FGC? ➡️Os saldos de correntistas e investidores são protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição. No caso dos investidores, a cobertura varia conforme o tipo de aplicação. Estão dentro das regras do FGC: CDB e Recibo de Depósito Bancário (RDB); Letra de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCAs). O FGC só atua em casos de intervenção ou liquidação de uma instituição financeira. A indenização considera o valor investido somado aos rendimentos acumulados até a data da liquidação, limitado ao teto de R$ 250 mil. ⚠️ EXEMPLO: Quem tinha R$ 180 mil investidos e R$ 100 mil para receber em rendimentos terá acesso a até R$ 250 mil. O valor que exceder esse limite deve ser solicitado no processo de liquidação conduzido pelo BC. Quem não está protegido pelo FGC? Não têm direito à cobertura do FGC os investidores que aplicaram em produtos sem garantia do fundo, como: Debêntures; Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs),; Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs); Fundos de investimento; Títulos emitidos fora do sistema de proteção. Nesses casos, não há indenização automática: todo o valor investido entra integralmente na fila da liquidação e só poderá ser recuperado se houver recursos suficientes após o pagamento das obrigações prioritárias. Liquidação do banco Master A instituição de Daniel Vorcaro foi liquidada no dia 18 de dezembro de 2025 pelo Banco Central. A instituição já operava sob risco de falência por causa do alto custo de captação e da exposição a investimentos considerados arriscados, com juros muito acima do padrão de mercado. Tentativas de venda, como a proposta do Banco de Brasília (BRB), não avançaram. Todas foram interrompidas por questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência, pressões políticas e menções ao Master em investigações. O sinal de alerta no mercado ficou mais evidente quando o banco passou a oferecer produtos financeiros com remunerações muito acima do padrão. O principal deles eram os CDBs emitidos pela instituição.
FMI eleva previsão para a economia global em 2026, mas reduz crescimento do Brasil

O Fundo Monetário Internacional (FMI) avalia que a economia mundial deve crescer um pouco mais do que o esperado em 2026. A nova projeção aponta crescimento de 3,3%, o mesmo ritmo de 2025 e 0,2 ponto percentual acima do previsto anteriormente.
Segundo o FMI, esse desempenho melhor se deve principalmente ao aumento dos investimentos em tecnologia, especialmente em inteligência artificial (IA).
Esses investimentos ajudaram a compensar os impactos negativos das tensões comerciais e das tarifas impostas ao longo de 2025.
Apesar do cenário mais positivo, o Fundo alerta que esse crescimento está concentrado em poucos setores e regiões, o que deixa a economia global mais vulnerável a choques. América do Norte e Ásia são as áreas que mais se beneficiam do avanço tecnológico.
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Na América Latina, porém, o ritmo é mais fraco. A região deve crescer 2,2%, levemente abaixo do previsto antes. O FMI avalia que, embora as economias tenham conseguido se adaptar às disputas comerciais, a instabilidade nas regras do comércio internacional ainda gera riscos.
Nos Estados Unidos, acordos pontuais ajudaram a reduzir tensões após a volta das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, incluindo uma trégua temporária com a China.
Ainda assim, o FMI destaca que a incerteza sobre a política comercial segue elevada e pode afetar mercados e investimentos.
A inflação global, por outro lado, tende a desacelerar: a previsão é cair de 4,1% em 2025 para 3,8% em 2026.
O FMI também chama atenção para possíveis riscos ligados à inteligência artificial. Caso as expectativas de lucros e ganhos de produtividade não se confirmem, pode haver correções nos mercados financeiros, hoje impulsionados pelo otimismo com a tecnologia.
Enquanto os Estados Unidos avançam com força nos investimentos em IA, outras economias desenvolvidas ficam para trás.
O FMI projeta crescimento de 2,4% para os EUA em 2026, contra 1,3% na zona do euro, além de um ritmo mais lento no Japão. China e Índia seguem crescendo em ritmo relativamente sólido entre os emergentes.
Projeções para o Brasil
O FMI reduziu a previsão de crescimento do Brasil em 2026 para 1,6%, uma queda de 0,3 ponto percentual em relação à estimativa anterior. Segundo o Fundo, o principal motivo é a política de juros altos adotada para conter a inflação.
🔎Atualmente em 15% ao ano - maior patamar em quase 20 anos, a taxa básica de juros da economia é o principal instrumento do Banco Central (BC) do Brasil para tentar conter as pressões inflacionárias, que tem efeitos, principalmente, sobre a população mais pobre.
Para 2025, a projeção foi levemente melhorada, passando de 2,4% para 2,5%. Já para 2027, o crescimento esperado subiu para 2,3%.
Na avaliação do FMI, o Brasil ainda sente os efeitos do aperto monetário, o que limita a expansão da economia no curto prazo, mesmo com alguma melhora prevista para os próximos anos.
Logotipo do FMI é visto do lado de fora do prédio da sede em Washington
Yuri Gripas/Reuters
O que é a 'bazuca comercial' da União Europeia que França quer usar contra Trump por ameaças sobre Groenlândia

A crise da Groenlândia: Europa faz reunião de emergência sobre tarifaço de Donald Trump
"A Europa não será chantageada."
Com essas palavras, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, respondeu ao anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que pretende impor tarifas adicionais a oito países europeus que se opõem ao plano americano de anexar a Groenlândia.
"A paz mundial está em jogo! A China quer a Groenlândia e a Dinamarca não pode fazer nada a respeito", declarou Trump no sábado (17), na rede social Truth Social.
Na postagem, o americano afirmou que os produtos importados da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia estarão sujeitos a uma tarifa de 10% a partir de 1º de fevereiro.
A taxação subirá para 25% em 1º de junho e permanecerá nesse patamar até que as autoridades dinamarquesas concordem em vender a ilha ártica, disse o republicano.
Trump fez o anúncio dias depois de os países sancionados enviarem uma missão militar à Groenlândia para reforçar a segurança do território.
Embora os governos dos países afetados tenham iniciado contatos diplomáticos com o governo americano e expressado sua "disposição para dialogar com base nos princípios da soberania e da integridade territorial", alguns sinalizaram que estão se preparando para um confronto sem precedentes com Washington.
E a prova disso é o pedido do presidente francês Emmanuel Macron, que solicitou aos demais presidentes da União Europeia (UE) a ativação do Instrumento contra a Coerção Econômica (ACI, na sigla em inglês), conhecido como a "bazuca comercial", em resposta à ameaça considerada "inaceitável" de Trump.
Trump reagiu com raiva à decisão de oito países europeus de enviar tropas para a Groenlândia
AFP via BBC
Um escudo contra a pressão estrangeira
O ACI foi aprovado pela UE em 2023 e é uma arma "dissuasiva" para a resolução de litígios comerciais, como explica o site do Parlamento Europeu.
Além de procurar "dissuadir países terceiros de exercerem medidas coercivas contra os interesses da União", o instrumento "permite, em última instância, a aplicação de medidas retaliatórias".
Quais são as medidas retaliatórias que ele prevê? O instrumento autoriza "a imposição de restrições comerciais, na forma, por exemplo, de tarifas mais altas, licenças de importação ou exportação, restrições ao comércio de serviços ou restrições ao acesso a investimento estrangeiro direto ou licitações públicas."
Se o pedido francês for aprovado, a UE poderá não só impor tarifas adicionais às importações dos EUA, como também impedir que empresas americanas comprem ações de empresas de qualquer um dos seus 27 Estados-Membros, recebam financiamento público ou privado e participem em licitações para contratos públicos com os seus governos.
Além disso, o ACI autoriza a UE a exigir "reparação" financeira do país que exercer coerção contra ela.
Vários líderes europeus asseguraram que haverá uma resposta coordenada às ameaças de Trump
Getty Images via BBC
Com China e EUA na mira
O texto foi elaborado para desencorajar países terceiros de "tentarem pressionar a UE ou um Estado-Membro a tomar uma decisão específica, aplicando, ou ameaçando aplicar, medidas que afetem o comércio ou o investimento".
"Este instrumento permite-nos reagir rapidamente à pressão de outros países", afirmou o eurodeputado alemão Bernd Lange após a aprovação da legislação.
"Agora temos uma vasta gama de contramedidas, completando o conjunto de ferramentas defensivas à nossa disposição. Embora o objetivo principal seja a dissuasão, também poderemos agir, se necessário, para defender a soberania da União", acrescentou o legislador alemão.
As autoridades da UE começaram a elaborar o ACI logo após o fim do primeiro mandato de Trump, período em que as relações comerciais transatlânticas sofreram vários reveses. No entanto, foi um incidente envolvendo a Lituânia em 2021 que finalmente impulsionou a iniciativa.
Naquele ano, a China impôs restrições comerciais ao país báltico depois que suas autoridades anunciaram que melhorariam as relações comerciais com Taiwan, uma ilha que o gigante asiático considera uma "província rebelde" e busca anexar.
"Poucos meses após o anúncio, empresas lituanas relataram dificuldades em renovar ou firmar contratos com empresas chinesas. Além disso, tiveram problemas com remessas não liberadas e com a recusa de pedidos de importação", observa o site do Parlamento Europeu.
Na época, a UE justificou a aprovação do ACI argumentando que a "coerção" não está contemplada nos acordos da Organização Mundial do Comércio (OMC) e, portanto, não pode ser resolvida por meio do sistema de solução de controvérsias da OMC.
No ano passado, quando Trump lançou sua guerra tarifária global e atingiu a UE, a possibilidade de aplicar o instrumento foi explorada. No entanto, naquela ocasião, Bruxelas optou simplesmente por recorrer ao diálogo.
A UE aprovou seu Instrumento contra a Coerção Econômica para impedir que a China e os EUA influenciem suas decisões com tarifas e outras ameaças
Getty Images via BBC
Esgotar a diplomacia
Antes de solicitar a ativação do ACI, Macron já havia deixado clara sua insatisfação com o anúncio de Trump.
"Nenhuma intimidação ou ameaça nos influenciará, nem na Ucrânia, nem na Groenlândia, nem em qualquer outro lugar do mundo", declarou ele.
Além do presidente francês, outro líder europeu que se pronunciou sobre a chamada "bazuca comercial" da UE foi o primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, que reiterou no domingo (18) que o instrumento "está sobre a mesa".
No entanto, em entrevista à emissora pública irlandesa, Martin defendeu que se esgotem primeiro todas as vias de diálogo.
Outros líderes europeus, incluindo os de alguns dos países ameaçados por Trump, também defenderam a diplomacia antes de se prepararem para uma batalha comercial com os EUA.
"Devemos ter muito cuidado para não entrarmos numa guerra comercial que saia do controle. Não acho que ninguém se beneficie disso", disse o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Stoke, à emissora norueguesa NRK.
Em 2023, o comércio entre a UE e os EUA ultrapassou US$ 1,8 trilhão
Getty Images via BBC
O comércio de bens e serviços entre a União Europeia e os EUA atingiu US$ 1,8 trilhão (R$ 9,7 trilhões) em 2023.
Isso significa que, diariamente, bens e serviços no valor de US$ 5 bilhões atravessam o Atlântico entre a UE e os EUA, segundo a Comissão Europeia.
Em termos de bens, a UE registrou um superávit de mais de US$ 170 bilhões, enquanto em termos de serviços, os EUA saíram vencedores, com quase US$ 120 bilhões, de acordo com os mesmos dados da União Europeia.
Em julho passado, Washington e Bruxelas chegaram a um acordo. O primeiro acordo reduziu as tarifas de 25% para 15% em troca do compromisso de a União Europeia investir bilhões de dólares nos setores industrial e de defesa dos EUA.
A possibilidade de congelamento deste acordo também está em discussão.
Os embaixadores dos 27 países da UE realizaram uma reunião de emergência no domingo para analisar a situação e avaliar os próximos passos.
Macron pediu à UE que aplique medidas retaliatórias contra os EUA caso Trump leve adiante sua ameaça de impor tarifas adicionais
AFP via BBC
Ministro francês convocará reunião de Ministros das Finanças do G7 em meio a impasse sobre a Groenlândia

Ministro da Economia, Finanças e Soberania Industrial, Energética e Digital da França, Roland Lescure, discursa durante a sessão de nova leitura do projeto de lei orçamentária para 2026, na Assembleia Nacional, em Paris, França
Reuters/Stephanie Lecocq
O ministro das Finanças da França, Roland Lescure, afirmou nesta segunda-feira (19) que irá convocar uma reunião de seus colegas do Grupo dos Sete (G7) para discutir comércio e soberania nos próximos dias, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar impor tarifas adicionais até que os EUA fossem autorizados a comprar a Groenlândia.
“Estamos totalmente solidários com a Groenlândia e com a Dinamarca”, disse Lescure. “Chantagem entre amigos é obviamente inaceitável.”
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Lescure lamentou a escalada, mas afirmou que "a Europa precisa ter capacidade de agir de forma autônoma".
Esta matéria está em atualização.
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Nova regra da CNH derruba preços e faz autoescolas venderem pacotes por cerca de R$ 300

Nova regra da CNH derruba preços e faz autoescolas venderem pacotes por cerca de R$ 300
Com a nova resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), mudou a forma de obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A principal mudança está na desobrigação de frequentar autoescolas.
Com isso, o curso teórico está disponível na internet e as aulas práticas passam a um mínimo de duas horas, contra 20 horas anteriormente.
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De acordo com o Ministério dos Transportes, as aulas teóricas e práticas custavam entre R$ 3 mil e R$ 5 mil. Com a nova regra, o ministro Renan Filho afirmou que o custo para tirar a primeira habilitação poderia cair até 70%.
E o preço, de fato, caiu. Em uma busca em 10 cidades do Brasil, o g1 encontrou valores a partir de R$ 380 para as categorias A ou B.
Esse preço foi encontrado em Santos (SP) e o pacote inclui:
Duas aulas práticas;
Uso de veículo da autoescola nas aulas.
Ainda existem outros custos, que variam conforme o estado. Em São Paulo, são estes:
Exame teórico: R$ 52,83;
Exame prático: R$ 52,83;
Exame médico: R$ 90;
Exame psicotécnico: R$ 90;
Emissão da versão física (a digital é gratuita): R$ 137,79.
O preço médio nas cidades pesquisadas é de R$ 500 por um pacote com duas aulas práticas. Em todas, as autoescolas ofereceram opções com mais aulas, e a média de preços foi:
Cinco aulas práticas: R$ 900;
10 aulas práticas: R$ 1.300;
20 aulas práticas: R$ 1.900.
Em algumas autoescolas, o pacote também incluía aulas teóricas e material didático. Essa etapa é oferecida gratuitamente pelo governo e pode ser realizada de forma virtual.
O g1 buscou, então, alguns instrutores autônomos.
O menor valor encontrado em um pacote foi de R$ 379,90, referente a duas aulas. Nesse preço, já estava incluída a taxa da prova do Detran de Goiás, que custa R$ 38,93.
Em outras buscas, foi possível encontrar instrutores credenciados com valores entre R$ 80 e R$ 250 por hora.
Novas regras afetam o negócio das autoescolas
Segundo a Federação Nacional das Autoescolas (Feneauto), até a entrada em vigor da nova regra, o setor concentrava quase 300 mil empregos formais, com cerca de 1 milhão de vagas indiretas em todo Brasil.
Nas buscas por autoescolas, foi possível notar que o apelo para atrair o aluno está na tradição do nome da empresa e em promoções ocasionais. Nas unidades consultadas pela reportagem, poucas horas após informar o valor das aulas já era enviada uma proposta com desconto.
Segundo Wagner Freitas, diretor e assessor jurídico da Associação dos Centros de Formação de Condutores do Estado de São Paulo, as autoescolas estão cortando custos internos, e muitas já fecharam as portas.
“Embora o tema seja altamente técnico, ele tem causado impacto econômico, social e jurídico significativo, afetando mais de 15 mil autoescolas e milhares de profissionais em todo o país,” disse Wagner.
Ao g1, ele apontou que:
Das 15 mil autoescolas afetadas, 3 mil fecharam as portas;
Cerca de 60 mil funcionários foram demitidos.
Carteira Nacional de Habilitação (CNH)
Divulgação/Detran-AM
Cinco mil produtos brasileiros terão imposto zero na União Europeia com acordo com Mercosul em vigor, diz CNI

Acordo Mercosul-UE abre caminho para preços menores
Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que mais de cinco mil produtos brasileiros terão imposto de importação zerado na União Europeia assim que o acordo entre Mercosul e União Europeia entrar em vigor.
Segundo a CNI, 54,3% dos produtos negociados no âmbito do acordo terão imposto de importação zerado na União Europeia logo na entrada em vigor do tratado. Já do lado do Mercosul, o Brasil terá prazos mais longos para a redução tarifária.
🌎 De acordo a entidade, a medida amplia de forma significativa o acesso do Brasil ao comércio global e cria um novo patamar de inserção internacional para a indústria nacional.
📈 Os acordos preferenciais e de livre comércio dos quais o Brasil participa atualmente cobrem cerca de 8% das importações mundiais de bens segundo a CNI. Com a entrada em vigor do acordo com a União Europeia, esse percentual deve subir para 36%, considerando que o bloco europeu respondeu por 28% do comércio global em 2024.
"Já do lado do Mercosul, o Brasil terá prazos mais longos, entre 10 e 15 anos, para reduzir tarifas de 44,1% dos produtos (4,4 mil itens), assegurando uma transição gradual e previsível", afirmou a CNI.
Para a confederação, esse desenho garante uma transição considerada previsível para a indústria brasileira, permitindo ajustes produtivos e tecnológicos antes da abertura total de alguns setores.
Indústria concentra o comércio entre Brasil e União Europeia
Os dados citados pela CNI mostram que a indústria sustenta a maior parte do comércio bilateral entre Brasil e União Europeia. Nas exportações brasileiras ao bloco europeu, 46,3% corresponderam a bens industriais.
Considerando apenas os insumos industriais, a participação foi de 56,6% das importações e de 34,2% das exportações em 2024, reforçando, segundo a CNI, a complementaridade entre as economias e o papel do acordo na modernização da indústria nacional.
Contêineres em porto no RJ
Reprodução/TV Globo
💵 Em 2024, a União Europeia foi destino de US$ 48,2 bilhões das exportações brasileiras, o equivalente a 14,3% do total exportado pelo país, mantendo-se como o segundo principal mercado externo do Brasil.
💰 No mesmo período, o bloco respondeu por US$ 47,2 bilhões das importações brasileiras, o que representou 17,9% do total. Do lado das importações, 98,4% dos produtos provenientes da União Europeia foram bens da indústria de transformação.
Negociação iniciada em 1999
As tratativas começaram em 1999 e passaram por períodos de paralisação, retomadas e revisões técnicas e políticas ao longo dos anos.
O tratado prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas sobre mais de 90% do comércio entre os dois blocos, com prazos diferenciados para setores considerados sensíveis.
A expectativa é de que os efeitos econômicos ocorram de forma progressiva, à medida que as etapas de implementação forem concluídas e o acordo seja ratificado.
Lula não comparece à cerimônia de assinatura no Paraguai
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não participou da cerimônia de assinatura do acordo em Assunção. O Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Lula permaneceu no país e cumpriu agenda oficial em Brasília.
Antes da assinatura em Assunção, no Paraguai, Lula se reuniu nos dias anteriores com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no Rio de Janeiro, encontro interpretado pelo Planalto como sinal político de apoio ao fechamento do acordo, mesmo sem a presença do presidente brasileiro no ato formal.
Bolsa Família 2026: pagamentos de janeiro começam nesta segunda; veja calendário

Bolsa Família divulga calendário de pagamentos de janeiro de 2026
A Caixa Econômica Federal inicia os pagamentos de janeiro do Bolsa Família 2026 nesta segunda-feira (19). Os primeiros a receber serão os beneficiários com Número de Identificação Social (NIS) com final 1. (veja mais abaixo o calendário completo)
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O dinheiro será disponibilizado nos últimos 10 dias úteis de cada mês, de forma escalonada. A exceção é o mês de dezembro, quando os pagamentos são antecipados.
🤔 Para saber a data correta de recebimento, a família deve verificar o último dígito do NIS, impresso no cartão do programa. Assim, é possível consultar o dia correspondente no calendário oficial de pagamentos.
Confira o calendário do Bolsa Família para janeiro de 2026:
Final do NIS: 1 - pagamento em 19/1
Final do NIS: 2 - pagamento em 20/1
Final do NIS: 3 - pagamento em 21/1
Final do NIS: 4 - pagamento em 22/1
Final do NIS: 5 - pagamento em 23/1
Final do NIS: 6 - pagamento em 26/1
Final do NIS: 7 - pagamento em 27/1
Final do NIS: 8 - pagamento em 28/1
Final do NIS: 9 - pagamento em 39/1
Final do NIS: 0 - pagamento em 30/1
Ao longo do ano, a previsão de pagamentos é:
Fevereiro: de 12/2 a 27/2;
Março: de 18/3 a 31/3;
Abril: de 16/4 a 30/4;
Maio: de 18/5 a 29/5;
Junho: de 17/6 a 30/6;
Julho: de 20/7 a 31/7;
Agosto: de 18/8 a 31/8;
Setembro: de 17/9 a 30/9;
Outubro: de 19/10 a 30/10;
Novembro: de 16/11 a 30/11;
Dezembro: de 10/12 a 23/12.
Bolsa Família
Luis Lima Jr/FotoArena/Estadão Conteúdo
Veja abaixo perguntas e respostas sobre o Bolsa Família.
Quem pode receber o Bolsa Família?
A principal regra para receber o benefício é ter renda mensal familiar de até R$ 218 por pessoa.
Para se enquadrar do programa, é preciso somar a renda total e dividir pelo número de pessoas. Caso o valor fique abaixo dos R$ 218, a família está elegível ao Bolsa Família.
Os beneficiários também precisam arcar com contrapartidas, como:
manter crianças e adolescentes na escola;
fazer o acompanhamento pré-natal (no caso de gestantes);
manter as carteiras de vacinação atualizadas.
Quais são os valores do benefício?
O Bolsa Família prevê o pagamento de, no mínimo, R$ 600 por família. Há também os adicionais de:
R$ 150 por criança de até 6 anos;
R$ 50 por gestantes e crianças e adolescentes de 7 a 17 anos;
R$ 50 por bebê de até seis meses.
Onde se cadastrar?
Os beneficiários precisam se inscrever no Cadastro Único (CadÚnico) — principal instrumento do governo federal para a inclusão de famílias de baixa renda em programas sociais — e aguardar uma análise de enquadramento.
Estar no Cadastro Único não significa a entrada automática nos programas sociais do governo, uma vez que cada um deles tem regras específicas. Mas o cadastro é pré-requisito para que a inscrição seja avaliada.
VEJA COMO FAZER O CADASTRO ÚNICO DO GOVERNO FEDERAL
Como sacar o Bolsa Família?
Os beneficiários recebem e podem movimentar os valores pelo aplicativo Caixa TEM e internet banking. Assim, não é necessário ir até uma agência da Caixa Econômica Federal — que é responsável pelo pagamento do Bolsa Família — para realizar o saque.
Segundo a Caixa, os beneficiários também podem utilizar o cartão do programa para realizar compras nos estabelecimentos comerciais, por meio da função de débito.
Além disso, há a opção de realizar saques nos terminais de autoatendimento, casas lotéricas e correspondentes Caixa Aqui, além das agências da Caixa.
A economia da China cresce 5% em 2025, impulsionada por exportações fortes apesar das tarifas de Trump

Um vendedor vende bebidas quentes em Pequim, quinta-feira, 18 de dezembro de 2025.
AP/Ng Han Guan
A economia da China cresceu a um ritmo anual de 5% em 2025, sustentada por exportações fortes, apesar das tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
No entanto, o crescimento desacelerou para 4,5% no último trimestre do ano, informou o governo nesta segunda-feira. Foi o crescimento trimestral mais lento desde o fim de 2022, durante a pandemia de COVID-19. A economia, a segunda maior do mundo, havia crescido a um ritmo anual de 4,8% no trimestre anterior.
Os líderes chineses vêm tentando estimular um crescimento mais rápido após a queda do mercado imobiliário e os impactos da pandemia se espalharem pela economia.
Como esperado, o crescimento anual no ano passado ficou em linha com a meta oficial do governo, de uma expansão de “cerca de 5%”.
Exportações fortes ajudaram a compensar o consumo fraco das famílias e o investimento das empresas, contribuindo para um superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão.
“A principal questão é por quanto tempo esse motor de crescimento pode continuar sendo o principal impulsionador”, escreveu em nota recente Lynn Song, economista-chefe para a Grande China do banco holandês ING.
As exportações chinesas para os Estados Unidos sofreram após o retorno de Donald Trump à presidência no início do ano passado e o aumento das tarifas. Mas essa queda foi compensada pelos embarques para o restante do mundo. O aumento acentuado das importações de produtos chineses vem levando alguns governos a agir para proteger as indústrias locais, em alguns casos elevando tarifas de importação.
“Se mais economias também começarem a aumentar tarifas contra a China, como o México fez e a União Europeia ameaçou fazer, eventualmente haverá um aperto maior”, disse Song.
Os líderes chineses têm destacado repetidamente o fortalecimento da demanda doméstica como foco de política, mas os efeitos até agora foram limitados. Um programa de troca que incentiva motoristas a substituir carros antigos por modelos mais eficientes em energia, por exemplo, vem perdendo fôlego nos últimos meses.
“A estabilização, não necessariamente a recuperação, do mercado imobiliário doméstico é fundamental para reavivar a confiança do público e, assim, o consumo das famílias e o crescimento do investimento privado”, disse Chi Lo, estrategista sênior de mercados para a Ásia-Pacífico da BNP Paribas Asset Management.
A China também concedeu subsídios para a troca de eletrodomésticos como geladeiras, máquinas de lavar e TVs. Embora as principais políticas de estímulo ao consumo em 2025 — incluindo esses subsídios — devam continuar em 2026, elas podem ser reduzidas, afirmou em nota recente Weiheng Chen, estrategista global de investimentos do J.P. Morgan Private Bank.
Investimentos em inteligência artificial e outras tecnologias avançadas continuam sendo uma prioridade central para o Partido Comunista Chinês no poder, à medida que busca ampliar a autossuficiência e rivalizar com os Estados Unidos. Muitos chineses comuns e pequenas empresas, porém, enfrentam tempos difíceis e uma incerteza preocupante sobre empregos e renda.
Alguns economistas e analistas acreditam que o crescimento econômico real da China em 2025 foi mais lento do que indicam os dados oficiais. O grupo de pesquisa Rhodium Group disse no mês passado que esperava que a economia chinesa tivesse crescido apenas entre 2,5% e 3% no ano passado.
Segundo dados do governo, a economia chinesa cresceu 5% em 2024 e 5,2% em 2023. As metas oficiais de crescimento, antes mais ambiciosas, também vêm caindo nos últimos anos, de 6% a 6,5% em 2019 para “em torno de 5%” em 2025.
É esperada uma expansão anual mais lenta em 2026. O Deutsche Bank prevê que a economia chinesa cresça cerca de 4,5% em 2026.
Embora a China provavelmente consiga manter a estabilidade social mesmo com taxas menores de crescimento econômico, Pequim “quer que a economia continue crescendo”, disse Neil Thomas, pesquisador do Center for China Analysis do Asia Society Policy Institute.
A China provavelmente precisa sustentar uma expansão anual em torno de 4% a 5% para alcançar sua meta indicativa de US$ 20 mil de PIB per capita até 2035, acrescentou.
Economia da China desacelera no terceiro trimestre, mas segue expectativa de economistas
Café: USP analisa como mercado interno reage após abrir 2026 com negociações restritas

Café robusta
Globo Rural/Tv Globo
Após um período de negociações restritas, com ausências de vendedores e compradores ativos no mercado doméstico, as vendas do setor cafeeiro voltaram a aquecer na primeira quinzena de janeiro de 2026, segundo análise do Centro de Estudos em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Cepea-Esalq), o campus da USP em Piracicaba.
As cotações dos cafés robusta e arábica, o mais consumido no Brasil, fecharam a R$ 1,2 mil e R$ 2,2 mil a saca, respectivamente. Os valores são considerados positivos e atendem os patamares desejáveis pelos produtores, segundo o Cepea.
Segundo o centro, o movimento de alta se intensificou a partir de 6 de janeiro, quando os contratos futuros (de março de 2026) registraram aumento de 1.450 pontos na Bolsa de Nova York (ICE Futures). O movimento na bolsa de valores aumentou o volume comercializado no mercado brasileiro.
Segundo agentes consultados pelo Cepea, com a virada do ano, alguns agricultores tinham necessidade de fazer caixa, o que colaborou para o aumento da liquidez no período.
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Embora o mercado tenha esteja em viés de retomada, o cenário de pouca chuva em importantes regiões produtoras do Brasil preocupa agentes do setor cafeeiro em relação à safra 2026/2027, segundo o boletim divulgado pelo Cepea.
Compra de fertilizantes
Café fica 34,9% mais caro em Campinas, aponta levantamento
O poder de compra de fertilizantes pelos produtores de café de São Paulo aumentou nos últimos meses de 2025.
Os preços da saca de 60 kg do café arábica operou em cerca de R$ 2,2 mil em outubro. Os valores do café robusta fecharam em torno dos R$ 1.350 a saca.
Com as cotações nesse patamar, os produtores de São Paulo precisavam de 1,16 saca de arábica do tipo 6 para adquirir uma tonelada do adubo em 2025.
💰Em outubro de 2024, era preciso 1,44 saca de café para compra de fertilizante. Desde o início dos levantamentos feitos pelo Cepea, em 2011, a média histórica indica a necessidade de 2,6 sacas de café para pagar uma tonelada de fertilizante.
"O poder de compra dos agricultores frente a importantes fertilizantes é considerado bom neste ano. Pesquisadores ressaltam que a retomada das chuvas nas regiões produtoras de café tende a viabilizar a realização de adubações nas lavouras, visando um bom desenvolvimento da safra 2025/26", detalham.
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UE avalia retaliação de € 93 bilhões em tarifas contra os EUA após ameaça de Trump à Groenlândia

Por que a Groenlândia é tão importante para os EUA?
Os países da União Europeia consideram impor tarifas de € 93 bilhões (cerca de R$ 580 bilhões) aos Estados Unidos ou restringir o acesso de empresas americanas ao mercado do bloco em resposta às ameaças do presidente Donald Trump relacionadas à anexação da Groenlândia, segundo o Financial Times.
Líderes da União Europeia se reúnem neste domingo (18) para discutir uma resposta conjunta ao agravamento das tensões diplomáticas e militares no Ártico.
Convocado em caráter de emergência, o encontro reúne representantes dos 27 países do bloco, em Bruxelas, sob a presidência rotativa da UE exercida pelo Chipre.
O objetivo é alinhar uma estratégia comum após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a intenção de impor tarifas de 10% — com possibilidade de elevação para 25% a partir de junho — contra Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia.
As medidas de retaliação da UE estão sendo desenhadas para fortalecer o poder de barganha dos líderes europeus em encontros decisivos com o presidente dos Estados Unidos durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, nesta semana, segundo autoridades ao Financial Times.
Ao mesmo tempo, os governos buscam uma solução intermediária que evite uma ruptura profunda na aliança militar ocidental, vista como uma ameaça existencial à segurança europeia.
Segundo o Financial Times, as medidas tarifárias da UE já estavam prontas desde o ano passado e haviam sido suspensas até 6 de fevereiro, mas voltaram a ser discutidas neste domingo.
Também foi debatido o uso do chamado instrumento anticoerção, que permitiria restringir o acesso de empresas americanas ao mercado do bloco.
🔎O instrumento anti-coerção da União Europeia é uma ferramenta criada para permitir que o bloco responda a pressões econômicas de outros países, como ameaças de tarifas, usadas para forçar decisões políticas. Ele autoriza a UE a adotar medidas de retaliação comercial, como tarifas ou restrições a empresas estrangeiras, e funciona como um recurso de último caso, com foco em dissuasão.
Trump realiza uma ofensiva contra a Groenlândia com o objetivo de fazer com que a ilha se torne parte dos EUA, o que deixou europeus em alerta — a ilha do Ártico pertence à Dinamarca, que disse não estar disposta a negociar sua soberania sobre o território.
Nesta semana, o presidente norte-americano reiterou que os EUA precisam da ilha e que não se pode confiar na Dinamarca para a protegê-la.
No sábado (17), líderes europeus classificaram a ameaça como uma “perigosa escalada” e reafirmaram apoio à soberania da Dinamarca sobre a Groenlândia, território semiautônomo localizado no Ártico.
Europa anuncia reforço da segurança no Ártico
Em resposta às declarações de Trump, países europeus anunciaram o reforço da segurança na região, incluindo o envio de pequenos contingentes militares à ilha, a pedido do governo dinamarquês.
Em comunicado conjunto, Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda disseram estar comprometidos com a defesa da Groenlândia e com o fortalecimento da segurança do Ártico no âmbito da Otan. O governo da Groenlândia agradeceu publicamente o apoio europeu.
A crise também provocou protestos populares. Milhares de pessoas foram às ruas da Groenlândia e de Copenhague no sábado para criticar a intenção de Trump de anexar o território.
Manifestantes fazem protestos em Copenhague, na Dinamarca, contra a intenção dos EUA de anexarem a Groenlândia, em 26 de janeiro de 2026.
Tom Little/ Reuters
O presidente americano afirma que a ilha é estratégica para a segurança dos EUA, por sua localização e por suas reservas minerais, e não descartou o uso da força, o que elevou o alerta entre aliados europeus.
Autoridades da União Europeia alertaram que o uso de tarifas como instrumento de pressão pode prejudicar as relações transatlânticas e enfraquecer a cooperação entre aliados.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o bloco permanecerá “unido e coordenado” na defesa de sua soberania, enquanto a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, disse que divisões internas beneficiariam rivais estratégicos como Rússia e China.
O primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, também respondeu à ameaça de Trump. "Não nos deixaremos chantagear", disse.
O presidente da Finlândia, Alexander Stubb, pediu que os aliados da Otan resolvam suas diferenças por meio do diálogo, e não da pressão, em referência à ameaça feita por Donald Trump.
"O diálogo com os Estados Unidos continua. Tarifas prejudicariam a relação transatlântica e poderiam levar a uma espiral descendente perigosa", disse o presidente finlandês em comunicado.
Já o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Stoere, afirmou que há um amplo consenso na Otan para fortalecer a segurança no Ártico.
"Ameaças não têm lugar entre aliados. A posição da Noruega é firme: a Groenlândia faz parte do Reino da Dinamarca", afirmou Stoere em comunicado.
Neste sábado (17), o presidente da França, Emmanuel Macron, classificou como inaceitáveis as ameaças de tarifas feitas pelo presidente dos Estados Unidos. Segundo Macron, a Europa não cederá a intimidações e responderá de forma unida e coordenada caso as medidas se confirmem.
Segundo informações da Bloomberg, o presidente da França deve pedir a ativação do instrumento anti-coerção da União Europeia, uma ferramenta inédita do bloco.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, também afirmou que a União Europeia avalia uma resposta conjunta e reiterou que o bloco será firme na defesa do direito internacional.
'Aliança da Otan está em jogo'
Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, alertou, durante visita à Noruega, que a ordem mundial “como a conhecemos” e o futuro da aliança da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) estão em risco diante das ameaças tarifárias feitas por Trump.
“Não tenho nenhuma dúvida de que há um forte apoio europeu”, afirmou o chanceler dinamarquês.
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, disse que conversou com Donald Trump “sobre a situação de segurança na Groenlândia e no Ártico”.
“Continuaremos trabalhando nisso e espero vê-los em Davos no fim desta semana”, escreveu Rutte na rede X.
Na última quarta-feira (14) os governos da Dinamarca e da Groenlândia afirmaram que aumentarão a presença militar na ilha e também no Ártico em coordenação com outros países da Otan.
Apesar de a Rússia protestar contra a presença da Otan no Ártico e acusar a Europa de ter "planos beligerantes", aliança militar tem presença constante na região e exercícios militares são comuns:
Os mais recentes ocorreram no início desta semana, segundo imagens divulgadas pela própria Otan em suas redes sociais: "treinamento no Ártico";
Em setembro de 2025, a Dinamarca realizou um exercício com aliados da Otan ao redor da Groenlândia que envolveu mobilização por ar, mar e terrestre;
Em março de 2024, Noruega, Suécia e Finlândia realizaram treinamentos no norte da Noruega;
A Otan prevê dois exercícios militares no Ártico em 2026, um em fevereiro e outro em março, ambos na costa da Noruega.
Moradores da Groenlândia fazem protesto contra os EUA, em 15 de março de 2025
Christian Klindt Soelbeck/Ritzau Scanpix/via REUTERS
FGC diz que 150 mil credores do banco Master começam a receber garantias a partir de segunda-feira

Fachada do Banco Master no Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo
Rovena Rosa/Agência Brasil
O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) informou neste domingo (18) que cerca de 369 mil pedidos de ressarcimento de garantias dos credores que compraram Certificados de Crédito Bancário (CDBs) do banco Master já foram registrados.
Destes, aproximadamente 150 mil credores finalizaram o processo de solicitação e seguiram para o processo de pagamento — que se inicia a partir desta segunda-feira (19).
➡️O prazo para pedidos de ressarcimento começou neste sábado (17), por meio do aplicativo do FGC, no caso das pessoas físicas. As empresas, por sua vez, devem fazer os pedidos pelo site do Fundo Garantidor de Crédito.
➡️Os valores serão pagos à vista. Se, por exemplo, um investidor tem R$ 200 mil em CDBs do banco Master, ele receberá em uma parcela única.
🔎 O Certificado de Depósito Bancário (CDB) é um investimento de renda fixa em que o investidor empresta dinheiro ao banco e recebe juros em troca. Essa remuneração pode ser pré-fixada (definida no momento da aplicação) ou pós-fixada (atrelada a indicadores como o CDI).
Segundo o FGC:
o número de credores da garantia, inicialmente estimado em 1,6 milhão, é da ordem de 800 mil.
o valor total a ser pago em garantias será de R$ 40,6 bilhões, contra a estimativa inicial de R$ 41,3 bilhões.
➡️O FGC informou que possui liquidez de R$ 125 bilhões, conforme dados de novembro de 2025.
Fundo Garantidor de Créditos começa a receber pedidos de ressarcimento de quem investiu no Banco Master
Aplicativo funciona normalmente
O FGC informou, também, que depois de o aplicativo ter apresentado instabilidade neste sábado, no dia que o sistema foi aberto para os credores do banco Master, não foram registrados novos problemas.
"O aplicativo opera normalmente. Estão sendo processados cerca de 9 mil pedidos por hora, o que corresponde a aproximadamente 2,5 solicitações por segundo. Pontualmente, volumes anormais de acessos simultâneos ainda causam alguma lentidão", informou o FGC.
FGC alerta para tentativas de golpes
➡️O FGC também alertou para possíveis tentativas de golpe envolvendo o pagamento de garantia.
O órgão reforçou que os canais oficiais de atendimento e divulgação de informações são o app do FGC, telefone, email e redes sociais.
"O FGC não cobra nenhum tipo de taxa para efetuar o pagamento da garantia, não antecipa, não transfere créditos garantidos e não utiliza intermediários. Nenhum contato é feito por meio do WhatsApp ou SMS", informou.
Segundo o presidente do FGC, Daniel Lima, é importante que as pessoas estejam atentas para não serem enganadas.
“Infelizmente, esse é um problema que afeta todo o sistema financeiro, e o processo de pagamento de garantias pelo FGC também pode ser alvo de criminosos", acrescentou Daniel, Lima, do FGC.
Quem está protegido pelo FGC?
➡️Os saldos de correntistas e investidores são protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição.
No caso dos investidores, a cobertura varia conforme o tipo de aplicação. Estão dentro das regras do FGC:
CDB e Recibo de Depósito Bancário (RDB);
Letra de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCAs).
O FGC só atua em casos de intervenção ou liquidação de uma instituição financeira. A indenização considera o valor investido somado aos rendimentos acumulados até a data da liquidação, limitado ao teto de R$ 250 mil.
⚠️ EXEMPLO: Quem tinha R$ 180 mil investidos e R$ 100 mil para receber em rendimentos terá acesso a até R$ 250 mil. O valor que exceder esse limite deve ser solicitado no processo de liquidação conduzido pelo BC.
Quem não está protegido pelo FGC?
Não têm direito à cobertura do FGC os investidores que aplicaram em produtos sem garantia do fundo, como:
Debêntures;
Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs),;
Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs);
Fundos de investimento;
Títulos emitidos fora do sistema de proteção.
Nesses casos, não há indenização automática: todo o valor investido entra integralmente na fila da liquidação e só poderá ser recuperado se houver recursos suficientes após o pagamento das obrigações prioritárias.
Liquidação do banco Master
A instituição de Daniel Vorcaro foi liquidada no dia 18 de dezembro de 2025 pelo Banco Central. A instituição já operava sob risco de falência por causa do alto custo de captação e da exposição a investimentos considerados arriscados, com juros muito acima do padrão de mercado.
Tentativas de venda, como a proposta do Banco de Brasília (BRB), não avançaram. Todas foram interrompidas por questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência, pressões políticas e menções ao Master em investigações.
O sinal de alerta no mercado ficou mais evidente quando o banco passou a oferecer produtos financeiros com remunerações muito acima do padrão. O principal deles eram os CDBs emitidos pela instituição.
Lula critica ação dos EUA na Venezuela e diz que “este hemisfério pertence a todos nós”

Lula publica artigo em jornal dos EUA em que critica a ação na Venezuela
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a ação dos Estados Unidos na Venezuela e a prisão de Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, representam "mais um capítulo lamentável na erosão contínua do direito internacional e da ordem multilateral estabelecida após a Segunda Guerra Mundial".
Em artigo publicado neste domingo (18) pelo jornal americano "The New York Times", Lula alertou que o uso recorrente da força por grandes potências enfraquece a autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) e de seu Conselho de Segurança.
Na opinião do presidente, "quando o uso da força para resolver disputas deixa de ser exceção e passa a ser regra, a paz, a segurança e a estabilidade globais ficam ameaçadas".
Lula já havia criticado a ação americana no dia 3, horas após a captura de Maduro. Naquela ocasião, falou em "afronta gravíssima à soberania da Venezuela". Pesquisa Quaest divulgada na última quinta-feira (15) revelou que 51% dos brasileiros acham que o presidente errou em seu posicionamento.
No artigo publicado pelo The New York Times, Lula argumentou que o respeito seletivo às normas internacionais leva à desordem e fragiliza os Estados individualmente e o sistema internacional como um todo.
"Sem regras acordadas coletivamente, é impossível construir sociedades livres, inclusivas e democráticas", escreveu.
Para ele, ações unilaterais “ameaçam a estabilidade ao redor do mundo, interrompem o comércio e os investimentos, aumentam o fluxo de refugiados e enfraquecem ainda mais a capacidade dos Estados de enfrentar o crime organizado e outros desafios transnacionais”.
O presidente disse ser “particularmente preocupante” que esse tipo de prática esteja sendo aplicado à América Latina e ao Caribe, regiões que, segundo ele, buscam a paz por meio da igualdade soberana entre as nações, da rejeição ao uso da força e da defesa da autodeterminação dos povos.
Lula ressaltou que esta é a primeira vez, em mais de 200 anos de história independente, que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos Estados Unidos.
“A América Latina e o Caribe abrigam mais de 660 milhões de pessoas. Temos nossos próprios interesses e sonhos a defender”, afirmou. Em um mundo multipolar, segundo Lula, nenhum país deveria ter suas relações exteriores questionadas por buscar universalidade. “Não seremos submissos a projetos hegemônicos.”
No artigo, o presidente também defendeu uma agenda regional positiva, capaz de superar diferenças ideológicas em favor de resultados pragmáticos, com foco em investimentos em infraestrutura física e digital, geração de empregos, aumento da renda e ampliação do comércio.
Ele também destacou a importância da cooperação no combate à fome, à pobreza, ao tráfico de drogas e às mudanças climáticas.
Lula afirmou que “a história mostrou que o uso da força nunca nos aproximará desses objetivos” e classificou como ultrapassadas e prejudiciais a divisão do mundo em zonas de influência e as incursões neocoloniais em busca de recursos estratégicos.
O presidente brasileiro declarou ainda que o futuro da Venezuela “deve permanecer nas mãos de seu povo” e que apenas um processo político inclusivo, liderado por venezuelanos, pode levar a um futuro democrático e sustentável.
Segundo ele, essa é uma condição essencial para que milhões de venezuelanos — muitos deles atualmente acolhidos no Brasil — possam retornar com segurança ao país.
Ao final do artigo, Lula disse que o governo brasileiro mantém diálogo construtivo com os Estados Unidos e destacou que Brasil e EUA são as duas democracias mais populosas do continente americano.
“Somente juntos podemos superar os desafios que afligem um hemisfério que pertence a todos nós”, disse.
Lula discutiu sobre EUA e Venezuela com líderes
Gustavo Petro e Lula durante a Cúpula da Amazônia
Cristian Garavito/Presidência da Colômbia via Reuters
Após a operação contra Maduro, Lula manteve conversas telefônicas com os presidentes da Colômbia, Gustavo Petro, do México, Claudia Sheinbaum, e com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.
Nas conversas, os líderes disseram que a situação da Venezuela deve ser resolvida sem violência, por meio de diálogo e negociação, e com decisões tomadas pelos próprios venezuelanos.
Em conversa com Petro, Lula rejeitou a legitimidade da ação do governo Donald Trump e manifestou preocupação com o uso da força contra um país sul-americano.
Com Canadá e México, Lula reforçou a defesa de um processo de transição pacífico e liderado pelos próprios venezuelanos, além da rejeição à lógica de “zonas de influência” na região. Os líderes também reafirmaram apoio ao multilateralismo, ao direito internacional e à soberania dos Estados.
O governo brasileiro também adotou medidas práticas diante da crise, como o reforço da fiscalização militar na fronteira com a Venezuela e o envio de ajuda humanitária, incluindo medicamentos e insumos médicos.
O Brasil defende que o caso seja discutido em fóruns multilaterais, como a ONU e a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), bloco político que reúne os 33 países da América Latina e Caribe, exceto EUA e Canadá.
Quaest: maioria critica reação de Lula
Cenário interno, a postura do presidente gerou reação dividida. A pesquisa Quaest divulgada na última quinta-feira (15) mostrou que 51% dos brasileiros consideram errada a condenação de Lula à ação dos EUA.
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 8 e 11 de janeiro. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
O instituto também questionou como deveria ser a reação do governo Lula: 66% consideram que o governo brasileiro deveria se manter neutro no assunto, sem apoiar nem se opor à decisão de Donald Trump.
Prisão de Maduro
Nicolás Maduro foi deposto pelo governo Trump no dia 3 de janeiro. Ele foi preso por militares e levado aos EUA, onde deve ser julgado sob a acusação de ligação com o narcotráfico.
Quem governa agora a Venezuela é a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, que negociou com os americanos a abertura do mercado de petróleo da Venezuela a empresas dos EUA, sob pressão de Trump. O país tem as maiores reservas de petróleo do mundo.
A permanência da estrutura do regime chavista mesmo com a deposição de Maduro frustrou as expectativas da oposição venezuelana. De início, Trump descartou que a líder opositora Maria Corina Machado, ganhadora do Nobel da Paz de 2025, possa assumir o poder.
Os Estados Unidos afirmam que a ofensiva militar contra a Venezuela teve como objetivo capturar o presidente Nicolás Maduro, acusado pelo governo americano de liderar uma organização ligada ao narcotráfico, o chamado Cartel de los Soles.
Desde agosto, os EUA haviam aumentado a pressão sobre o governo venezuelano, inclusive elevando para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à prisão de Maduro.
Inicialmente, a Casa Branca justificou o reforço militar na região como parte do combate ao tráfico internacional de drogas.
Com o tempo, no entanto, autoridades americanas passaram a indicar que o objetivo final era derrubar o governo Maduro, após fracassarem tentativas de negociação para que ele deixasse o poder.
Além disso, os EUA classificaram o Cartel de los Soles como organização terrorista, ampliaram sanções, apreenderam navios petroleiros venezuelanos e impuseram bloqueios a embarcações ligadas ao país.
Segundo o New York Times, o governo Trump também tem interesse estratégico nas reservas de petróleo da Venezuela, as maiores do mundo.
Já o governo venezuelano afirma que a invasão teve como motivação tomar controle de recursos estratégicos, como petróleo e minerais, e denunciou a ação como uma tentativa de mudança de regime e uma “agressão imperialista”.
Lula durante conversa com jornalistas em Brasília
Adriano Machado/Reuters
Países da Europa anunciam reforço da segurança no Ártico após ameaça de Trump; Groenlândia agradece apoio

Trump ameaça impor tarifaço contra países que forem contra anexação da Groenlândia pelos EUA
Países da Europa anunciaram neste domingo (18) que fortalecerão a segurança no Ártico em apoio à Groenlândia, diante das ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump de anexar a ilha.
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Em um comunicado conjunto, Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda disseram que seguem comprometidos com a defesa da Groenlândia, ilha semiautônoma pertencente à Dinamarca.
"Como membros da Otan, estamos empenhados em fortalecer a segurança do Ártico como um interesse transatlântico comum", disse o comunicado.
Também neste domingo, o governo da Groenlândia agradeceu às nações europeias por manterem seu apoio à ilha ártica.
➡️ França, Alemanha, Reino Unido e outros países europeus já enviaram esta semana pequenos grupos de militares à Groenlândia a pedido da Dinamarca, o que levou Trump a ameaçar impor tarifas comerciais a oito aliados europeus até que os EUA sejam autorizados a comprar a ilha.
No sábado (17), líderes europeus alertaram para uma "perigosa espiral descendente" devido à ameaça de tarifas de Trump, prometendo manter seu apoio à Groenlândia e à soberania da Dinamarca. Embaixadores dos 27 países da União Europeia se reunirão no domingo para discutir sua resposta à ameaça de tarifas.
"Vivemos tempos extraordinários que exigem não apenas decência, mas também muita coragem", disse a ministra da Groenlândia, Naaja Nathanielsen, responsável pelos setores de negócios, energia e minerais da ilha, em um comunicado.
"O que nossos países têm em comum é que todos concordamos que o papel da Otan no Ártico deve ser fortalecido, e estou ansioso para discutir como isso será feito", disse o Ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lökke Rasmussen, em um comunicado.
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Protestos
Manifestantes fazem protestos em Copenhague, na Dinamarca, contra a intenção dos EUA de anexarem a Groenlândia, em 26 de janeiro de 2026.
Tom Little/ Reuters
Mulher traja boné com dizeres "Faça a América ir embora", durante protesto em Copenhague, em 17 de janeiro de 2026.
Tom Little/ Reuters
Milhares de manifestantes na Dinamarca e na Groenlândia protestaram no sábado (17) contra o plano de Trump de anexar a ilha do Ártico. O maior ato ocorreu nas ruas de Copenhague, a capital dinamarquesa (veja imagens acima).
Trump afirma que a Groenlândia é vital para a segurança dos EUA devido à sua localização estratégica e depósitos minerais, e não descartou o uso da força para conquistá-la, aumentando o alerta na Europa com a perspectiva de um confronto direto entre os países da Otan.
As próprias empresas da Groenlândia provavelmente não sofrerão um impacto significativo das tarifas americanas, disse presidente da Associação Empresarial da Groenlândia, Christian Keldsen.
"O objetivo, portanto, não parece ser a Groenlândia, mas sim pressionar nossos aliados europeus da Otan", escreveu Keldsen no LinkedIn, agradecendo aos governos por se manterem firmes.
Nórdicos apoiam Dinamarca
Navio de guerra da Otan navega durante treinamento militar no Ártico em janeiro de 2025.
Divulgação/Otan
O primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, também respondeu à ameaça de Trump.
"Não nos deixaremos chantagear", disse Kristersson.
O presidente da Finlândia, Alexander Stubb, pediu que os aliados da Otan resolvam suas diferenças por meio do diálogo, e não da pressão, em referência à ameaça feita por Donald Trump. "O diálogo com os Estados Unidos continua. Tarifas prejudicariam a relação transatlântica e poderiam levar a uma espiral descendente perigosa", disse o presidente finlandês em comunicado.
Já o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Stoere, afirmou que há um amplo consenso na Otan para fortalecer a segurança no Ártico.
"Ameaças não têm lugar entre aliados. A posição da Noruega é firme: a Groenlândia faz parte do Reino da Dinamarca", afirmou Stoere em comunicado.
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Mercedes-AMG GT 63 S: como é dirigir um superesportivo com DNA de Fórmula 1

Mercedes AMG GT 63 S: o mais próximo da Fórmula 1 em um carro para cidade
Pilotar um carro de Fórmula 1 é privilégio de poucos, mas alguns modelos de rua inspirados nas pistas dão esse gostinho aos endinheirados.
A Mercedes-Benz oferece aos milionários brasileiros a chance de comprar o superesportivo AMG GT 63 S E Performance. O modelo exclusivíssimo tem um motor V8 biturbo combinado a um sistema híbrido semelhante ao da própria Fórmula 1.
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Ele está disponível em duas versões de carroceria: sedã de quatro e cupê de duas portas.
As duas são idênticas em quase tudo, mas a própria Mercedes confirmou que há diferença de alguns cavalos na potência entre as versões. O motivo é compensar o peso extra da variante de quatro portas.
Assim, o esportivo mantém o vigor mesmo oferecendo mais espaço para os passageiros entrarem e saírem com conforto.
Os preços variam entre R$ 1,6 milhão e R$ 2,3 milhões, conforme a configuração escolhida.
Motor de um Mercedes-AMG GT 63 S E Performance, com assinatura de quem montou
divulgação/Mercedes
O g1 testou a versão cupê do AMG GT 63 S E Performance no Circuito Panamericano, pista de testes da Pirelli.
Com o asfalto livre de obstáculos, foi possível explorar toda a força e a tecnologia do carro híbrido mais potente avaliado pela reportagem nos últimos anos, e o mais forte que a Mercedes tem para vender no Brasil.
Na maioria dos carros híbridos, a bateria tem dois objetivos principais: reduzir o consumo de combustível e diminuir as emissões. No AMG GT 63 S E Performance, isso também acontece, mas como consequência secundária do foco principal: entregar velocidade máxima ao pisar fundo no acelerador.
Para aumentar a velocidade e a potência do conjunto híbrido, a bateria de 6,1 kWh do AMG utiliza um sistema de refrigeração avançado: um líquido circula entre cada uma das 560 células que compõem o pacote.
A ideia é liberar o máximo de energia possível durante a aceleração, o que naturalmente aquece a bateria da mesma forma como seu celular esquenta quando você está jogando — que é quando exige o máximo de todo o aparelho.
Mercedes-AMG GT 63 S E Performance
Mercedes-AMG GT 63 S E PerformancePerformancePerformancePerformance
No entanto, o sistema de resfriamento mantém a temperatura estável em torno de 45 °C — considerada ideal para o alto desempenho.
A arquitetura elétrica também foge do padrão de outros híbridos: opera em 400 volts — o que permite que mais energia seja direcionada às rodas.
O resultado? O velocímetro ultrapassou os 250 km/h com facilidade em uma reta de cerca de 740 metros.
Para quem ainda tem resistência aos esportivos eletrificados, o ronco do V8 biturbo — audível dentro da cabine mesmo quando o motor elétrico de 204 cv, em silêncio absoluto, movimenta sozinho as mais de 2,1 toneladas do AMG — é convincente e aquece o coração do mais apaixonado pela velocidade.
O ronco é tão apaixonante que é muito fácil esquecer que existe motorização elétrica para ajudar a empurrar mais o carro. Mas é só lembrar que o motor elétrico, sozinho, gera toda a potência que um BMW X1 de R$ 319.950 pode oferecer.
A única pista de que se trata de um híbrido é o segundo bocal, usado para recarregar as baterias.
O motor a combustão entrega mais 612 cv. Com o sistema elétrico, o conjunto alcança 816 cv de potência e 144,7 kgfm de torque.
Mercedes-AMG GT 63 S E Performance
divulgação/Mercedes
Como o teste foi realizado exclusivamente na pista, o AMG permaneceu o tempo todo no modo esportivo. Nele ainda estão ativados sistemas de proteção do carro, mas alguns limitadores do acelerador são liberados e, assim, a alma do motor fica mais "solta".
O modelo oferece três modos esportivos. O selecionado para o teste é voltado especificamente para esse tipo de ambiente. Ao ser ativado, faz a central multimídia exibir um alerta que orienta o motorista a não utilizar esse modo em vias públicas.
Outro recurso inspirado na Fórmula 1 é a asa móvel em formato de aerofólio traseiro, que se ajusta conforme a velocidade do AMG. A função é semelhante à dos carros dos pilotos da marca George Russell e Kimi Antonelli: aumentar a aderência ao solo.
E o sistema funciona perfeitamente: todas as curvas, mesmo em alta velocidade, foram feitas com total controle. A tração integral também reforça a sensação de domínio sobre o carro.
Por fim, os difusores instalados na parte inferior e nas laterais do carro são ativos e ajustam-se de acordo com a velocidade. E podemos dizer que eles permitiram que o velocímetro se aproximasse dos 300 km/h na maior reta da pista.
E fez isso sem que o carro demonstrasse que estava próximo do limite. A sensação foi clara: havia segurança o suficiente para que o teste que fizemos pudesse acontecer — não existiu volante tremendo, carroceria dando sinais de que perderia o controle, nada.
Inclusive, o isolamento acústico e o desenho aerodinâmico desta Mercedes permitiram que apenas o ronco do V8 pudesse ser ouvido. Nenhum som do vento entrava, mesmo com o ar-condicionado ligado para compensar os mais de 30 °C daquele dia.
Mercedes-AMG GT 63 S E Performance
divulgação/Mercedes
Foi a força do sistema híbrido da Fórmula 1 que trouxe esse DNA da competição mais famosa do automobilismo.
Para conter toda essa força do conjunto, os freios utilizam discos de cerâmica e carbono. A combinação resiste a altas temperaturas em uso intenso. Nós testamos e fizemos o carro reduzir de mais de 250 km/h para cerca de 80 km/h em uma curva, em questão de poucos segundos.
Após algumas voltas na pista, ainda era possível sentir no ar o característico cheiro de borracha e ele, junto do ronco do V8, é uma das sensações que mais encantam os apaixonados por velocidade.
Em suma: é a força do sistema híbrido e aerofólios móveis mais próximos possíveis com o que existe de melhor na Fórmula 1. Tudo, no conforto de um carro que pode sair direto da pista para o shopping.
Na rua o AMG é contido, mas sempre pronto
Mesmo no modo esportivo — com suspensão mais rígida, pedais mais sensíveis e direção mais agressiva — o AMG GT 63 S E Performance surpreendeu pelo conforto e chega a superar um Honda Civic Type R, graças aos bancos de couro e acabamentos aveludados em partes da cabine.
Fora da pista, os bancos dianteiros contam com função de massagem e permitem ajustar o nível de encaixe tipo concha — e podem abraçar o motorista e o passageiro da frente conforme a preferência.
Fora do modo esportivo, em poucos minutos de rodagem, foi possível notar que nem todos os cilindros do V8 estavam ativos, o que reduziu significativamente o ruído interno e até diminuiu o consumo — não que quem compre este carro esteja realmente preocupado com eficiência para gastar menos gasolina.
Embora não seja tão silencioso quanto um carro “comum”, chega perto disso. Esse aspecto é importante para quem pretende usar o AMG GT 63 S E Performance em viagens longas, nas quais o ronco constante pode se tornar incômodo.
Mercedes-AMG GT 63 S E Performance por dentro
Mercedes-AMG GT 63 S E Performance por dentroPerformance por dentro
Mesmo no modo de condução mais suave do AMG GT 63 S E Performance, ao pisar fundo tudo volta ao estado bruto. Há, no entanto, um pequeno atraso entre o acionamento do acelerador e a resposta total do motor — medida necessária para garantir segurança ao lidar com mais de 800 cv em ambientes urbanos.
Além da velocidade, o AMG GT 63 S E Performance oferece outros atrativos: a central multimídia vertical tem 11,9 polegadas, e o painel de instrumentos digital mede 12,2 polegadas.
O modelo também inclui câmeras com visão 360 graus, assistente de estacionamento e piloto automático adaptativo — capaz de manter o carro centralizado na faixa.
Como o teste que fizemos foi em uma pista e com foco em velocidade, vimos que o piloto automático existe, que funciona e logo desligamos para que um robô não tomasse conta do volante de um carro com a alma de Fórmula 1 que essa AMG tem.
O porta-malas é compacto: apenas 203 litros. A limitação ocorre por conta das baterias, posicionadas logo acima do eixo traseiro.
Quais os concorrentes do AMG GT 63?
Já em termos de concorrência, o AMG GT 63 S E Performance praticamente reina sozinho. Seu principal rival é o Porsche Panamera Turbo S E-Hybrid que custa a partir de R$ 1.720.000 no Brasil. Ele compete diretamente com a versão de quatro portas do AMG, mas não com o cupê testado.
No segmento de dois lugares, o concorrente mais próximo é o Porsche 911 GT3, com 510 cv — bem abaixo dos 816 cv do AMG — movido exclusivamente por motor a combustão. O 911 acelera de 0 a 100 km/h em 3,4 segundos, enquanto o AMG faz em 2,8 segundos. O preço parte de R$ 1.620.000 no Brasil.
A combinação rara que deu à Venezuela as reservas de petróleo consideradas as maiores do mundo

Venezuela vista do espaço.
Getty Images via BBC
O petróleo venezuelano ocupou as manchetes da imprensa internacional nos primeiros dias de 2026, após a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por tropas dos Estados Unidos e as declarações de Donald Trump sobre a riqueza petrolífera do país sul-americano.
Os 300 bilhões de barris de petróleo de reservas "comprovadas" da Venezuela representam quase um quinto do total mundial. No entanto, esse número autodeclarado é alvo de questionamento de especialistas, que argumentam que ele possa estar inflado.
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O país realmente possui vastas reservas de petróleo bruto, em grande parte graças à Faixa Petrolífera do Orinoco. Mas existe uma diferença entre a produção potencial e a real na Venezuela.
Além disso, o conceito de "reserva comprovada" envolve não apenas a existência física do petróleo, mas também a probabilidade de 90% de recuperação econômica e técnica com a tecnologia disponível. Grande parte do petróleo venezuelano, especialmente na Faixa do Orinoco, é pesado e caro de extrair.
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Apesar disso, não há dúvida que a Venezuela seja uma potência do petróleo. Sua posição geográfica, a história tectônica, a grande extensão de suas bacias sedimentares e a interação entre clima, relevo e tempo geológico criaram condições únicas para a geração e a preservação de hidrocarbonetos em escala mundial.
Do ponto de vista geológico, o território venezuelano está dividido em duas grandes metades, separadas pela cordilheira dos Andes, que se estende pelo oeste e sudoeste do país, atravessando os estados de Táchira, Mérida e Trujillo. Nessa cadeia montanhosa, destacam-se o Pico Bolívar, com mais de 5 mil metros de altitude, e a Sierra de Mérida.
A presença de grandes cadeias montanhosas em combinação com extensas bacias planas está diretamente relacionada à formação dos campos petrolíferos e à forma como o petróleo bruto se acumulou ao longo de milhões de anos.
E embora as condições do subsolo venezuelano sejam semelhantes às de outras potências petrolíferas— incluindo a vizinha Colômbia —, alguns fatores geológicos extremamente raros foram decisivos para a formação da Faixa Petrolífera do Orinoco, considerada a maior acumulação de hidrocarbonetos do mundo, além dos campos do Lago de Maracaibo.
Essas mesmas características geológicas fizeram com que, ao longo do tempo, o petróleo venezuelano se tornasse extrapesado e ácido, com alto teor de enxofre e difícil de refinar.
"O petróleo pesado — como o da Venezuela — é especialmente importante para a produção de diesel e de combustível de aviação", explica Mauro Ratto, cofundador e diretor de investimentos da Plenisfer Investments, que integra o grupo Generali Investments.
"Não é bom nem ruim; simplesmente tem usos diferentes dos do petróleo leve. É assim que isso deve ser colocado. Trata-se de um produto distinto", afirma à BBC News Mundo o geólogo e professor da Universidade Virginia Tech, Philip Prince.
Os Estados Unidos apreenderam dois petroleiros ligados ao petróleo bruto venezuelano no início de janeiro.
Getty Images via BBC
Por que a Venezuela tem tanto petróleo?
"Isso se deve à forma como o território está configurado. Além de contar com uma rocha geradora de excelente qualidade e uma rocha reservatório excepcional, tudo se encaixa perfeitamente para a existência desses enormes recursos petrolíferos em terra firme, em volumes extraordinários", explica Philip Prince.
Choque de placas tectônicas
A Venezuela está situada no extremo norte da América do Sul, em uma área de interação complexa entre a placa tectônica Sul-Americana, a placa do Caribe e a placa de Nazca. Esse contexto geológico deu origem a bacias sedimentares profundas, sistemas de falhas, dobras e armadilhas estruturais capazes de reter o petróleo até que ele seja descoberto. São condições geográficas ideais para a sua acumulação.
"As placas tectônicas se empurram umas contra as outras. A borda da placa sul-americana está sendo engolida sob a placa do Caribe, como se fosse uma máquina limpa-neve empilhando rocha com literalmente quilômetros de espessura. É assim que se formam bacias que acabam sendo preenchidas por sedimentos", descreve Prince.
"Esse choque tectônico enterra a rocha geradora, possibilita a formação do petróleo e, depois, o petróleo migra para essas novas camadas de sedimentos, abrindo caminho em direção às áreas mais externas", acrescenta.
O que o professor descreve é que esses choques tectônicos também criam cadeias montanhosas elevadas, que permitem que os sedimentos contendo petróleo se desloquem como se inclinássemos um prato para um dos lados. O ponto em que tudo se acumula acaba sendo, por exemplo, a Faixa Petrolífera do Orinoco ou os campos do Lago de Maracaibo.
Mapa de oleodutos e campos petrolíferos na Venezuela.
PDVSA via BBC
"As vastas reservas do país talvez sejam melhor explicadas quando se reconhece que as bacias atuais são remanescentes de áreas sedimentares muito mais extensas, que provavelmente alimentaram as armadilhas geológicas. Essa história envolveu migração e remigração de petróleo a longas distâncias", escreveu o geólogo K. H. James em um artigo publicado no Journal of Petroleum Geology.
Em termos mais simples, a Faixa Petrolífera do Orinoco funciona quase como o destino final de todo o petróleo gerado nas profundezas da bacia — o ponto para onde ele acabou convergindo ao longo de milhões de anos.
Ingredientes iniciais do petróleo
Desde o início de sua exploração, na década de 1910, até 1975, a indústria petrolífera venezuelana esteve sob o controle de empresas privadas, lideradas por gigantes do setor à época, como Shell, Exxon, Chevron, Mobil, Texaco, Gulf Oil, Sinclair e Phillips, entre outras.
A primeira grande descoberta de petróleo ocorreu em 1914, com o campo de Mene Grande, na Bacia Ocidental do Lago de Maracaibo. Nos anos seguintes, até 1917, vieram à tona diversos outros campos relevantes, incluindo o lendário e gigantesco Campo Costero Bolívar — todos localizados no oeste do país.
Já na Bacia Oriental, a produção comercial de petróleo teve início em 1937, com a descoberta do campo de Oficina. Ao final daquela década, a Venezuela produzia cerca de 560 mil barris por dia e havia se tornado o terceiro maior produtor mundial de petróleo, atrás apenas dos Estados Unidos e da União Soviética.
Ao longo de mais de um século de exploração petrolífera convencional, foram descobertos na Venezuela cerca de 75 bilhões de barris de reservas recuperáveis, distribuídos em aproximadamente 320 campos petrolíferos — entre eles, 28 considerados gigantes.
Essas enormes reservas, no entanto, começaram a se formar centenas de milhões de anos antes, muito antes de qualquer atividade humana.
A tectônica de placas desempenhou um papel crucial na formação de petróleo na Venezuela, criando bacias sedimentares.
Getty Images via BBC
"No subsolo venezuelano existe uma espessa sequência de rochas sedimentares de grão fino, depositadas em ambiente aquático e ricas em matéria orgânica. Essa é a origem do petróleo. Elas contêm pequenos organismos — um pouco de plâncton e algas, seres microscópicos que utilizam a fotossíntese na água do oceano para sobreviver. Na prática, esses são os ingredientes iniciais do petróleo", explica Philip Prince.
Em outras palavras, milhões de anos atrás, havia pântanos pré-históricos com grande abundância de algas e fitoplâncton. Esse material orgânico se acumulou, foi soterrado ao longo do tempo e, sob altas pressões e por meio de reações químicas de longa duração, acabou se transformando em petróleo.
Outro elemento indispensável para a formação dos gigantescos campos petrolíferos é a rocha geradora do período Cretáceo, presente em praticamente todo o território venezuelano. Trata-se de uma rocha de altíssima qualidade, com enorme potencial para a geração de petróleo.
"Na Venezuela, a rocha reservatório é um bom arenito. Ela é extremamente eficiente para reter o petróleo no subsolo. Além disso, observamos a presença de inúmeras falhas geológicas, que funcionam como excelentes vias de migração do petróleo até pequenas estruturas geológicas que chamamos de armadilhas — posicionadas justamente para acumulá-lo no subsolo, permitindo que seja perfurado e extraído", conclui o geólogo.
Coreia do Sul negociará com os EUA por termos favoráveis em tarifas sobre chips, diz autoridade

Trump e Xi Jinping se encontram em Busan, na Coreia do Sul, nesta quinta-feira (30).
Reuters/Evelyn Hockstein
A Coreia do Sul buscará termos favoráveis para as tarifas dos Estados Unidos sobre importações de chips de memória, afirmou neste domingo (18) um porta-voz do gabinete presidencial, em uma coletiva televisionada.
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No ano passado, o país divulgou uma ficha técnica conjunta sobre seu acordo comercial com os EUA que incluía termos garantindo que a Coreia do Sul não receberia tratamento desfavorável em relação a tarifas americanas sobre chips importados, em comparação com concorrentes-chave, disse o porta-voz ao ser questionado sobre a proclamação do governo Trump que impõe tarifas sobre chips de inteligência artificial.
No sábado (17), o ministro do Comércio da Coreia do Sul afirmou que as tarifas dos EUA sobre alguns chips avançados de computação teriam impacto limitado sobre as empresas sul-coreanas.
A Samsung Electronics e a SK Hynix estão entre os maiores produtores de chips de memória do mundo.
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Acordo comercial fechado
Em outubro de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que Washington e Seul haviam fechado um acordo comercial. A declaração impulsionou a valorização do won frente ao dólar, ao sinalizar a redução das incertezas que pesavam sobre a economia sul-coreana, altamente dependente do comércio exterior.
“Nós conseguimos, conseguimos. Chegamos a um acordo”, afirmou Trump ao ser questionado sobre o desfecho das negociações, antes de participar de um jantar oferecido pelo presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung. Mais tarde, reforçou que o pacto estava “praticamente concluído”.
Segundo Kim Yong-beom, assessor do presidente sul-coreano, o acordo define tarifas sobre automóveis e detalha compromissos de investimento da Coreia do Sul nos Estados Unidos. Pelo acerto, as tarifas aplicadas por ambos os países aos automóveis seriam reduzidas para 15%.
O pacote inclui ainda um plano de investimentos sul-coreanos de US$ 350 bilhões nos EUA, sendo US$ 200 bilhões em aportes diretos e US$ 150 bilhões destinados à cooperação no setor de construção naval.
Sem o acordo, montadoras e siderúrgicas sul-coreanas estariam sujeitas a tarifas de 25%, o que as colocaria em desvantagem em relação a concorrentes japoneses, que passaram a pagar 15% após o acordo firmado entre Tóquio e Washington.
A cúpula entre Trump e Lee ocorreu durante a viagem do presidente norte-americano por três países da Ásia, iniciada na Malásia, onde participou de uma reunião da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean).
Apesar do anúncio, autoridades sul-coreanas afirmaram que os dois países ainda mantêm divergências significativas sobre a parte financeira do pacote de investimentos de US$ 350 bilhões, já que Seul tenta reduzir o montante ao ampliar a participação de empréstimos e garantias.
Com informações da agência de notícias Reuters.
Trump e Xi Jinping se encontram na Coreia do Sul
Reuniões de madrugada e só 2 horas de sono: quem é a nova premiê 'workaholic' que assusta japoneses

Quem é Sanae Takaichi, primeira mulher a ocupar cargo de premiê no Japão
A primeira-ministra do Japão , Sanae Takaichi , já externou, mais de uma vez, a admiração que possui por Margaret Thatcher.
A ex-premiê britânica, que ocupou o cargo durante vários anos, foi uma conservadora convicta com opiniões fortes sobre política econômica, segurança nacional, imigração e várias outras posições de centro-direta que hoje são compartilhadas por Takaichi.
Thatcher também construiu uma reputação em torno do seu espírito workaholic. A britânica costumava dizer que só precisava de quatro horas de sono por noite.
De forma parecida, Takaichi tem externado o mesmo desdém pelo descanso e já indicou que espera o mesmo nível de comprometimento de seus ministros e da própria população japonesa. A atitude, no entanto, tem feito soar alarmes em alguns setores do país.
Após ter sido nomeada como primeira-ministra em outubro, Takaichi afirmou que pretendia descartar "equilibrio entre vida profissional e pessoal" para si mesma. "Vou trabalhar, trabalhar, trabalhar e trabalhar", declarou a japonesa na ocasião.
Primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi.
REUTERS/Kim Kyung-Hoon/File Photo
Reuniões na madrugada
A premiê japonesa manteve a palavra. No início deste mês, a premiê convocou uma reunião às 3h da manhã no seu gabinete, antes de outra reunião, da comissão do Orçamento, que começaria às 9h da manhã daquele dia.
Ela admitiu que dorme "cerca de duas horas por noite agora, quatro horas no máximo”. "Provavelmente é ruim para a minha pele", brincou.
Takaichi também solicitou ao ministro do Trabalho que analisasse a possibilidade de flexibilizar as restrições a horas extras – fixadas em um máximo de 720 horas por ano –, a fim de incentivar o crescimento econômico.
Tomoko Yoshino, primeira mulher a chefiar o Rengo, o maior sindicato do Japão, destacou que o número já está próximo do limite que aumenta o risco de karoshi, termo japonês que significa morte por excesso de trabalho.
Japão registrou um recorde de 1.304 casos de mortes e problemas de saúde relacionados ao excesso de trabalho em 2024
Yoshikazu Tsuno/AFP
Jornadas excessivas
"Não podemos permitir que o limite máximo seja flexibilizado", disse Yoshino a repórteres em Tóquio.
"Ainda estamos apenas na metade do caminho para reduzir o karoshi a zero e promover reformas no estilo de trabalho”, afirmou a sindicalista.
Um grupo de advogados que representam as famílias de pessoas que morreram de karoshi externou uma posição na mesma linha. O grupo emitiu uma declaração afirmando que os comentários da primeira-ministra "não ajudam" em um país que há muito tempo é famoso por sua cultura de jornadas de trabalho excessivas.
A declaração do Conselho Nacional de Defesa das Vítimas de Karoshi apelou a Takaichi para que suspendesse os esforços para reverter os recentes progressos na criação de um equilíbrio mais saudável entre a vida profissional e pessoal e para que parasse com os comentários mais "exaltados".
De acordo com estatísticas do governo japonês, um recorde de 1.304 casos de mortes e problemas de saúde relacionados ao excesso de trabalho foram registrados no ano fiscal de 2024 no Japão – um aumento de 196 casos em relação ao ano anterior.
Do total, 1.057 foram de distúrbios de saúde mental relacionados ao trabalho, incluindo "abuso de poder por parte de superiores ou outras pessoas” e "assédio por parte de clientes".
Cultura de trabalho tóxica
A preocupação chegou até mesmo a ser compartilhada por alguns membros do governo de Takaichi. O ministro da Saúde, Takamaro Fukuoka, afirmou que a pasta "acredita que perder a vida ou a saúde devido ao excesso de trabalho não deve acontecer".
O problema também é uma questão de direitos humanos, destacou Teppei Kasai, representante da Human Rights Watch em Tóquio.
"Não acredito que esse seja um fenômeno particularmente japonês. Existem locais de trabalho com culturas e regras tóxicas em vários outros países", disse ele.
"Dito isso, a cultura corporativa japonesa tende a enfatizar excessivamente a presença em vez da produtividade, o que pode levar os trabalhadores a se sentirem obrigados a comparecer ao trabalho mesmo que estejam doentes ou saibam que não serão produtivos por algum outro motivo", disse Kasai à DW.
Embora tenha havido alguns progressos na cultura de trabalho no Japão desde a pandemia de covid-19 em 2020, há preocupações de que as pressões sobre os trabalhadores possam aumentar mais uma vez, levando a um novo aumento nos casos de karoshi, depressão ou suicídios relacionados à carga excessiva.
Regras internacionais
Segundo Kasai, o Japão deveria seguir as diretrizes de 2016 da ONU sobre condições de trabalho. Essas regras definem que os Estados devem "estabelecer padrões mínimos que precisam ser respeitados e não podem ser negados ou reduzidos com base em argumentos econômicos ou de produtividade".
"É importante ter em mente que todos têm direito a descansar todas as semanas como parte de condições de trabalho justas e favoráveis, o que significa que nenhum trabalhador deve poder 'escolher' trabalhar 90 horas por semana", destacou Kasai.
"Também é fundamental compreender que a flexibilização do horário de trabalho pode aumentar o risco de exploração laboral para as pessoas em determinados setores."
A primeira-ministra Takaichi colocou novamente em destaque as longas jornadas de trabalho no Japão, mas o debate ficou ainda mais urgente depois que vários profissionais compartilharam jornadas de trabalho de 18 horas nas redes sociais.
Hiro é o autor do canal japonês "Typical Salaryman” (Funcionário comum, em tradução livre) no YouTube e Instagram. Ele faz publicações como "Sem dinheiro antes do dia do pagamento”, "Uma semana de desespero corporativo” e "Semanas de 65 horas no Japão”.
Num video publicado no YouTube com o título "Every Day is Hell” (todo dia é um inferno), Hiro descreve como se sente solitário e exausto por trabalhar na cidade japonesa de Osaka e como encontra consolo na comida. Comentários de perfis de todo o mundo no vídeo são reveladores.
"Espero que um dia você consiga um emprego melhor e continue com saúde por muito tempo", diz um deles. Outro espectador afirma: "Você é um sujeito incrível. Estou assistindo aos seus vídeos desde ontem. Desejo tudo de bom para você. Continue produzindo seu conteúdo e deixe essa vida".
Jornadas excessivas
Issei, de 27 anos, esperava encontrar um emprego estável logo após se formar. Em vez disso, passou por uma série de empresas que exigiam muitas horas extras e onde a cultura era "desafiadora" para quem esperava um equilíbrio razoável entre vida profissional e pessoal.
"São as chamadas 'Black kigyō' e era muito difícil”, diz Issei, que trabalhou no setor de vendas e pediu para não revelar seu sobrenome, pois atualmente está desempregado e se candidatando para novas vagas.
"Eu acumulei algumas dívidas depois da faculdade e era difícil sobreviver, mesmo trabalhando em tempo integral", explica. "Havia dias em que eu ficava muito deprimido, mas eu li sobre pessoas que morriam de karoshi por trabalharem demais ou que cometiam suicídio."
"Para mim, nunca foi tão ruim assim, porque eu iria preferir desistir, mas consigo entender como algumas pessoas não sentem que podem fazer isso e simplesmente continuam até que seja tarde demais."
Outros, no entanto, são cautelosamente a favor de permitir que qualquer pessoa que queira trabalhar horas extras o faça sem infringir a lei, especialmente em um momento de desafios econômicos.
"A questão é complicada", afirma Makoto Watanabe, professor de Comunicação e Mídia. "Algumas pessoas querem trabalhar muitas horas porque podem ganhar um bom salário e existe legislação para proteger aqueles que não querem fazer horas extras ilimitadas. Existe um problema com suicídios, doenças e karoshi relacionados ao excesso de trabalho, mas acho que as coisas melhoraram nos últimos anos."
"Acredito que, se as leis não forem flexibilizadas a ponto de os empregadores poderem abusar delas, as pessoas deveriam poder trabalhar o quanto quiserem", argumenta Watanabe.
Quais são as atualizações da NR-1, que apresenta diretrizes de saúde no trabalho
O cientista que trocou a USP pela Amazônia para criar fazendas de gado que ajudam a reduzir desmatamento

Diante de estimativas que preveem aumento no consumo de carne, Luís Fernando Laranja Fonseca defende que métodos inovadores de criação do gado são solução para minimizar impacto ambiental
Arquivo pessoal via BBC
A estabilidade de um trabalho concursado e o prestígio de uma carreira acadêmica consolidada e internacional não foram suficientes para manter o veterinário Luís Fernando Laranja Fonseca no cargo de professor e pesquisador na Universidade de São Paulo (USP).
A distância entre a teoria científica e a realidade do desmatamento da Amazônia era tão incômoda que ele decidiu, em 2002, pedir demissão do cargo.
Fonseca tinha 35 anos quando se mudou com a esposa e um filho de apenas seis meses para Alta Floresta, uma pequena cidade no interior do Mato Grosso, na linha de frente do desmatamento.
Hoje com 58 anos e de volta a São Paulo (SP), Fonseca lembra daquele momento como uma "guinada radical" em sua vida.
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"Minha leitura era de que precisaríamos desenvolver negócios que estivessem associados à conservação florestal. Se não conseguíssemos gerar bons negócios que valorizassem a floresta em pé, seria difícil reduzir drasticamente o desmatamento", lembra Fonseca.
A imersão na Amazônia durou seis anos, período em que seu segundo filho nasceu e em que ele trabalhou diretamente com comunidades na extração da castanha-do-pará na sua primeira empresa na região, a Ouro Verde.
Embora o negócio da castanha tenha dado certo, Fonseca percebeu que o efeito, em escala macro, ainda era pequeno diante da magnitude da destruição florestal.
Então, ele fundou a Kaeté Investimentos, uma gestora focada em mobilizar fundos para negócios de impacto na região amazônica.
Em 2019, criou a Caaporã, uma holding (empresa que controla a participação em várias companhias) que hoje administra 20 mil hectares em seis fazendas no Mato Grosso, Tocantins e Bahia.
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O que o arroto do boi tem a ver com o aquecimento global?
Com o projeto Ouro Verde, veterinário trabalhou com comunidades da terra indígena Rikbaktsa
Arquivo pessoal via BBC
Fonseca retornou à capital paulista para ser coordenador do Programa de Agricultura e Meio Ambiente da ONG WWF-Brasil e hoje trabalha viajando entre o escritório da sua holding em Piracicaba (SP) e as fazendas que administra.
Nascido em São Borja (RS), o veterinário tem doutorado em Reprodução Animal e pós-doutorado pela University of Kentucky (EUA)
Com a Caaporã, ele tem experimentado formas de tornar a produção de carne bovina mais sustentável.
Por que tem tanto boi na Amazônia?
Desafiando a pecuária extensiva
Seu método começa com a recuperação de pastagens degradadas, áreas que já foram desmatadas e perderam sua fertilidade.
Nessas pastagens, o capim é pobre em nutrientes. Assim, o gado demora mais para engordar, permanecendo no pasto por cerca de quatro anos antes do abate.
Com a recuperação do solo preconizada por Fonseca, árvores são plantadas e o capim é misturado com leguminosas, como o amendoim forrageiro.
Essas plantas têm a capacidade natural de fixar nitrogênio da atmosfera na terra. Isso reduz a dependência de fertilizantes químicos nitrogenados (como a ureia), cuja produção e aplicação também emitem gases de efeito estufa.
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Uma das fazendas de Fonseca antes e durante o trabalho de recuperação
Divulgação via BBC
Além de reduzir a dependência do Brasil de ureia da Rússia, o pasto adubado é uma alternativa mais saudável e sustenta mais gado por metro quadrado.
Com o plantio de árvores, a sombra destas reduz o estresse térmico do gado no calor tropical, o que também contribui para que o animal ganhe peso mais rápido — diferente do gado exposto ao sol escaldante.
O grupo utiliza espécies de árvores exóticas, como o eucalipto; e nativas, como o paricá, madeira amazônica destinada à indústria de móveis.
Com as melhoras no solo e na alimentação, o gado atinge o peso de abate em cerca de dois anos — a metade do tempo convencional.
Menos tempo de vida significa, matematicamente, menos tempo emitindo metano na atmosfera.
Na produção de gado, esse gás poluente é gerado com a chamada fermentação entérica — o processo digestivo dos bois que transforma capim em gás.
"Se você tem um boi que engorda com quatro anos, ele fica quatro anos literalmente arrotando metano", resume Fonseca.
Como a pecuária pode reduzir a emissão de gases poluentes
O Brasil é o quinto maior emissor de metano (CH4) do mundo, segundo o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), e o agronegócio respondeu por 75,6% dessas emissões em 2023 — sendo que 98% delas vieram da pecuária.
O país tem o segundo maior rebanho bovino do mundo e lidera as exportações, mas essa liderança tem um custo territorial.
Dados do MapBiomas indicam que a área dedicada à pastagem foi o uso da terra que mais se expandiu na Amazônia entre 1985 e 2023: um aumento de mais de 363%, saltando de 12,7 milhões de hectares para 59 milhões, equivalente ao território da Espanha.
O cenário encontrado por Fonseca na Amazônia é dominado pelo que se chama de pecuária extensiva.
Neste modelo tradicional, o gado é criado solto em grandes áreas de pasto, com baixo investimento em tecnologia ou manejo do solo. Esse é um dos motivos pelos quais a produtividade da pecuária na Amazônia é baixa (0,73 animal por hectare) e pressiona pelo desmatamento, para manter ou aumentar a produção.
Já a pecuária intensiva, abordagem adotada por Fonseca e sua empresa, ocupa áreas menores, busca alto rendimento produtivo e maiores investimentos em tecnologia e conhecimento técnico — um custo do qual os produtores tradicionais querem fugir.
Nesse modelo, os animais são confinados e alimentados com dietas controladas para acompanhar sua saúde e crescimento, que é mais rápido.
"Se replico em larga escala, esse modelo intensivo permitiria liberar milhões de hectares de pastagens de baixa produtividade", defende o veterinário.
Essas áreas ociosas poderiam ser destinadas ao restauro florestal, ajudando o Brasil a cumprir sua meta de recuperar 12 milhões de hectares de vegetação nativa, um compromisso assumido no Acordo de Paris que, segundo dados atuais do SEEG, está longe de ser atingido.
Segundo ele, a abordagem reduz significativamente a pegada de carbono: enquanto cada quilo da carcaça no método tradicional emite cerca de 35 kg de CO2, no método da Caaporã, a emissão é de cerca de 20 kg — uma redução superior a 40%.
O trabalho de Fonseca é acompanhado há duas décadas por acadêmicos como André Pereira de Carvalho, pesquisador do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVces/FGV).
'Se você tem um boi que engorda com quatro anos, ele fica quatro anos literalmente arrotando metano', diz Fonseca, referindo-se a gás poluente
Arquivo pessoal via BBC
"O negócio do Luiz trabalha dentro de um campo da agricultura regenerativa: produz um alimento que contribui para a segurança alimentar e, ao mesmo tempo, tem uma contribuição com serviços ambientais", diz Carvalho, apontando para os impactos positivos do método na biodiversidade e na preservação da água, além da redução da emissão de poluentes.
Silvia Ferraz Nogueira De Tommaso, professora no doutorado profissional em Gestão de Negócios da faculdade FIA Business School, destaca a visão sistêmica do projeto.
"De um lado, temos a pecuária como vilã do desmatamento; do outro, como um setor que traz riqueza. Se quisermos resolver o problema pensando unicamente em eliminar a pecuária, criaremos um problema social e econômico", avalia a professora.
Como será o futuro?
Para Fonseca, não é realista esperar que o mundo pare de comer carne.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) projetam um aumento de 10% no consumo mundial de carne bovina até 2033.
"O mundo irá consumir muito mais carne na próxima década. Isso é um fato. Alguém vai ter que suprir essa carne", afirma o empresário, para quem essa demanda, nos moldes atuais de produção, pode ser um desastre para a Amazônia.
Ao mesmo tempo, o cientista é cético com alternativas como a criação de carne de laboratório, cultivada a partir de células.
"No curto prazo, nos próximos 10 anos, não temos sinalização de que essas carnes vão ocupar espaço significativo", avalia, citando o alto custo desses experimentos e o tempo demandado para que o consumidor se adapte a esse novo tipo de produto.
Para Fonseca, se a demanda por carne bovina existe e a tecnologia celular ainda é distante, a única saída imediata é transformar o modo como o boi é criado hoje.
Mas o veterinário reconhece que há muitos obstáculos estruturais para isso.
Um deles é o acesso ao conhecimento: o método que ele propõe exige uma gestão técnica apurada, muito diferente de apenas "soltar o boi no pasto".
Além disso, recuperar o solo degradado custa caro. Para isso, linhas de crédito voltadas para a agricultura mais sustentável poderiam ser úteis, mas Fonseca diz que o acesso a elas no Brasil é burocrático e limitado.
Outro obstáculo, talvez o mais difícil, é o cultural.
"O produtor fala: 'Eu sei fazer? Sei. Dinheiro eu tenho? Tenho. Mas não quero fazer'", diz Fonseca sobre a resistência em abandonar o modelo extensivo.
O empresário aposta no incentivo econômico.
Fonseca reconhece que recuperar o solo degradado, como nesta fazenda, custa caro
Divulgação via BBC
Como o mercado de carne ainda paga praticamente o mesmo valor por um boi "verde" ou um convencional, Fonseca tem estudado fechar a conta através da venda de créditos de carbono.
Sua empresa está desenvolvendo uma metodologia própria junto à Verra, maior certificadora global deste tipo de mercado.
Enquanto isso, a Minerva Foods, uma das maiores exportadoras de carne do país, já compra parte da produção da Caaporã e informa que tem buscado promover essas práticas de pecuária regenerativa entre seus fornecedores.
"Esse tipo de manejo está totalmente alinhado à estratégia da empresa para uma pecuária de baixa emissão de carbono", afirma Marta Giannichi, diretora global de Sustentabilidade da Minerva, ressaltando que o modelo prova ser economicamente viável e replicável.
"Esses modelos ajudam a restaurar o solo, conservar a biodiversidade e aumentar a eficiência produtiva", comenta a executiva sobre a tendência que, segundo ela, vem crescendo não só na Amazônia, mas em outros biomas.
Durante a COP30, cúpula ambiental realizada no ano passado em Belém do Pará, as tensões e incógnitas em torno da pecuária ficaram evidentes.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) organizaram a Agrizone, um pavilhão a menos de 2 km da Blue Zone (onde aconteciam as negociações sobre o clima) patrocinado por grandes empresas e entidades de classe, como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Nestlé e Bayer.
O pavilhão foi alvo de protestos de ativistas que não têm simpatia por um setor apontado por dados como um dos principais responsáveis pelo avanço do desmatamento na Amazônia.
Na Agrizone, a Embrapa e algumas das maiores produtoras de carne do Brasil apresentaram propostas de baixo carbono — sinalizando um movimento crescente, mas ainda incipiente, em busca de alternativas inovadoras, mais sustentáveis e produtivas.
Mas a falta de controle dos supermercados sobre dados de desmatamento na cadeia de produção é um dos elos frágeis dessa indústria que alimenta a desconfiança dos consumidores.
O aplicativo Do Pasto ao Prato, iniciativa de organizações internacionais e financiada pelo governo da Noruega, mostra que cerca 40% do rebanho bovino brasileiro é criado na Amazônia. Três quartos (76%) dessa carne é destinada ao mercado interno.
Segundo o portal, apesar dos compromissos públicos de sustentabilidade dos principais frigoríficos, só 54% da carne bovina proveniente da Amazônia e vendida no Brasil tem em sua produção um desempenho de sustentabilidade adequado — o resto viria de práticas de produção ilegais.
No caso das exportações, 80% do volume cumpre adequadamente protocolos contra o desmatamento, em função da maior cobrança disso por compradores estrangeiros, especialmente da União Europeia.
Grifes, lojas da Rolex e concessionária da Ferrari: vestido de presidente revela 'ilha' de luxo na Venezuela

Delcy Rodriguez em 5 de janeiro de 2026
Marcelo Garcia/Palácio Miraflores/via REUTERS
Quando entrou no Palácio Federal Legislativo para prestar juramento e ser empossada presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez usava um vestido verde que chamou a atenção de muita gente fora do país: tratava-se de um modelo da grife italiana Chiara Boni La Petite Robe, à venda por cerca de 550 euros (aproximadamente de R$ 3.800).
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Embora a cifra esteja abaixo do que posts de oposicionistas especularam nas redes sociais, o valor ainda é muito superior ao poder de compra do venezuelano médio – o salário mínimo atual do país, congelado em 130 bolívares desde 2022, é equivalente a meros R$ 2,46.
O vestido de grife de Delcy Rodríguez revela uma realidade pouco conhecida do país, mergulhado em uma crise econômica de mais de uma década: a existência de um resistente mercado de luxo.
Em Caracas, existem cinco distribuidores oficiais da marca de relógios de luxo Rolex. Para roupas das mais diversas marcas, a capital venezuelana dispõe da Galeria Avanti. A algumas quadras dali, no andar térreo da torre Jalisco, é possível ver carros da Ferrari expostos em uma concessionária da fabricante italiana.
Delcy Rodríguez toma posse como presidente da Venezuela
Na capital, a maior parte desse mercado de luxo fica concentrada no bairro Las Mercedes e seu entorno, reduto que forma uma “ilha” de riqueza na cidade. A região também é o epicentro de um “boom” gastronômico que chama a atenção no país, com restaurantes de alta gastronomia abrindo às dezenas nos últimos anos.
Quem se senta às mesas deles, muitos dos quais comandados por chefs venezuelanos com passagens por estabelecimentos estrelados da Europa, se depara com os preços do cardápio em dólar.
A escolha da moeda não é um acaso: em 2020, em meio à pandemia, o regime de Nicolás Maduro relaxou as restrições para o uso corrente de moeda americana, beneficiando quem tem acesso a ela – ou seja, as classes alta e média alta.
Quem compra
Em uma entrevista à BBC, ao ser questionado sobre a origem do dinheiro dos consumidores de alto poder aquisitivo no país, o economista venezuelano Luis Vicente León, respondeu que “o que muitas pessoas não entendem é que a classe alta da Venezuela continua sendo relativamente grande e ainda tem muito dinheiro".
A estimativa de sua consultoria, a Datanálisis, é que cerca de 6% da população pertençam às classes alta e média alta, constituindo um grupo de cerca de 2 milhões de pessoas.
Segundo a análise de León para a BBC, o mercado de luxo é impulsionado por uma elite que gasta seu dinheiro por medo de que seus recursos sejam congelados, além de empresários e políticos vinculados ao governo, alvos de sanções e sem acesso a mercados no exterior.
Há também fortunas ligadas à corrupção, embora não seja correto “acusar todos os que compram em Las Mercedes de corrupção”, nas palavras de León.
Fachada da concessionária da Ferrari em Caracas
Google Street View/Reprodução
História de contrastes
A desigualdade de renda não é uma novidade na história da Venezuela.
A partir dos anos 1920, a economia do país cresceu vertiginosamente atrelada à exploração do petróleo. Com o choque da commodity nos anos 1970, a desigualdade disparou no país. O cenário piorou após mais uma sequência de crises econômicas ligadas à dívida externa e aos preços do petróleo nos anos 1980.
Apelidado de “Venezuela Saudita”, o país produzia uma riqueza imensa que não chegava à população. Prédios de luxo eram erguidos em meio a favelas.
Desigualdade na Caracas dos anos 70: favelas e prédios modernistas
Reprodução / Fantástico
Foi nesse contexto que Hugo Chávez emergiu como figura política. Após ser eleito, em 1998, o líder financiou uma maior distribuição de renda no país com os royalties do petróleo. A situação passou a se deteriorar, já com seu sucessor, Nicolás Maduro, com uma crise alimentada pelas sanções dos EUA e a decadência da estatal PDVSA, corroída por corrupção e falta de manutenção de seu parque industrial.
Ferrari e Venezuela
A história da Ferrari no país ajuda a contar essa história. Os carros da marca, criada na Itália em 1947, começaram a circular já nos anos 1950 por Caracas, na época uma rica capital frequentemente comparada a Paris, com boutiques de marcas como Dior em suas ruas.
Uma revendedora foi aberta naquela mesma década, e uma prova de carros esporte na capital chegou a atrair alguns dos melhores pilotos do mundo daquela época, como Juan Manuel Fangio, Stirling Moss e Jean Behra, para a cidade.
Depois de restrições à importação nos anos 1970, uma concessionária autorizada abriu em 1993. O local funcionou até 2007, quando um bloqueio comercial à Venezuela tornou impossível a operação.
O retorno à ativa só foi possível novamente em 2021, quando o mesmo empresário que detinha os direitos de venda da marca reabriu a loja, desta vez em seu endereço atual, no térreo da Torre Jalisco. Enquanto a maior parte da população enfrenta dificuldades para fechar as contas, o veículo mais barato da marca não sai por menos de US$ 255 mil, ou R$ 1,37 milhão.
Como o agro brasileiro deve se beneficiar do acordo UE-Mercosul

O que está em jogo para o agro brasileiro no acordo UE-Mercosul
Os países da União Europeia e do Mercosul assinaram no sábado (17) um acordo histórico de livre comércio, depois de mais de 25 anos de negociações.
Para valer, o tratado ainda terá que ser aprovado nos congressos dos países, mas, assim que entrar em vigor, pode beneficiar diversos setores do agro brasileiro.
O acordo prevê eliminar as tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários que a União Europeia compra do Mercosul, bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
As tarifas serão reduzidas gradualmente, em prazos que podem variar de 4 a 10 anos, a depender do produto.
Com isso, o setor poderá aumentar as vendas de diversos itens, como café, frutas, peixes, crustáceos e óleos vegetais, que terão taxas de importação gradualmente zeradas na Europa.
Itens como as carnes bovina e de frango terão cotas de exportação com imposto menor. São alimentos considerados "sensíveis" pelos europeus, pois competem diretamente com a produção local.
Contra essa competição, uma parte ruidosa dos produtores europeus protagonizou diversos protestos contra o acordo, mesmo depois do aval da UE, no último dia 9.
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O acordo não envolve só o agro, mas este foi o ponto mais sensível ao longo das décadas de negociação do livre comércio.
O Brasil, um dos maiores produtores de alimentos do mundo, deve ser um grande beneficiário do acordo. O bloco europeu já é o segundo maior cliente do agro brasileiro, atrás da China e à frente dos Estados Unidos.
O acordo assume um peso ainda mais estratégico para o Brasil depois que as vendas do agro para os EUA despencaram em 2025, diante do tarifaço imposto pelo presidente americano Donald Trump.
A sobretaxa acabou sendo retirada em novembro — mas quase metade das exportações do agro brasileiro ainda está submetida a ela.
Além disso, recentemente, China e México, outros grandes compradores do Brasil, adotaram limitações para as importações de carne. E os EUA ameaçam taxar quem mantiver comércio com o Irã.
Veja a seguir o potencial do acordo para o Brasil nos seguintes setores:
carnes
café
soja
E como as proteções aprovadas pela UE para o agro europeu incomodaram os produtores brasileiros.
Veja dados das exportação do Brasil para a UE em 2025
Arte g1
➡️Potencial para carnes
Uma das principais tensões do acordo está no setor de carnes. Pecuaristas europeus, sobretudo da França e da Polônia, resistem ao tratado por temerem perder espaço para os sul-americanos, que podem ganhar competitividade no continente.
Atualmente, a França lidera a produção de carne bovina na Europa, enquanto a Polônia ocupa a dianteira na produção de frango. O Brasil é o maior exportador global desses dois tipos de carnes e, há anos, consegue ofertá-los a preços mais baixos do que seus concorrentes.
Na Europa, a carne bovina brasileira tem dois tipos de tarifação, explica a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
Uma delas é a cota Hilton, destinada a cortes nobres, que permite ao Brasil exportar 10 mil toneladas por ano com uma taxa de 20%. Esse percentual será zerado quando o acordo entrar em vigor.
Outros tipos de carne bovina têm uma taxa menor, de 12,8%, mais 221,1 euros por 100 kg. Segundo a Abiec, quando o acordo começar a valer, o Brasil deve deixar de pagar essa tarifa, já que passará a ter uma nova cota de exportação em conjunto com os demais países do Mercosul.
Pelo tratado, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai poderão exportar, juntos, até 99 mil toneladas por ano, com uma tarifa de 7,5%.
O volume, no entanto, é bem menor do que as 128 mil toneladas que o Brasil exportou, sozinho, para a UE no ano passado.
Além disso, a cota de 99 mil toneladas não será liberada toda de uma vez, mas gradualmente, ao longo de cinco anos.
No primeiro ano, será liberado um quinto desse total; no segundo, dois quintos; e assim sucessivamente, até alcançar as 99 mil toneladas no quinto ano.
Somente o Brasil terá direito a 42% dessa cota, detalhou o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, nesta segunda-feira (19).
Segundo ele, o acordo pode proporcionar um aumento de 5% a 7% no volume exportado para a União Europeia em relação ao que Brasil vende hoje, anualmente, para o bloco.
"É um movimento positivo, mas não é solucionador", afirmou.
Sueme Mori, da CNA, avalia que a cota é pequena, mas que o acordo em si eleva o nível da relação entre os parceiros comerciais e faz com que o Mercosul passe a ser um parceiro preferencial da União Europeia.
Carne de aves
Uma lógica semelhante vai funcionar para as carnes de aves, explica a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Hoje, o setor conta com diferentes cotas de acesso à União Europeia: no caso do frango in natura, por exemplo, o país pode exportar 15.050 toneladas com tarifa zero, enquanto os volumes excedentes pagam 1.024 euros por tonelada.
Com o acordo, o Brasil terá, junto com os outros países do Mercosul, uma cota anual de exportação de 180 mil toneladas com tarifa zero.
Ela vai começar em um nível menor no primeiro ano e vai sendo aumentada em parcelas anuais iguais até chegar ao total, no sexto ano, detalhou a ABPA.
No entendimento da associação, as exportações brasileiras de frango que ocorrerem fora da cota do tratado continuarão sujeitas às regras tarifárias atualmente em vigor. "O que teremos com o Mercosul é outra cota, será adicional", disse a associação.
"Se o acordo for implementado com previsibilidade e respeito às regras, há espaço concreto para aumento das exportações brasileiras de carne de frango", concluiu a ABPA.
A associação disse ainda que o acordo representa "um avanço relevante para a previsibilidade comercial e para o fortalecimento das relações entre os blocos, com impactos graduais e bem delimitados para o setor de proteínas animais".
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➡️ Potencial para o café solúvel
O café é o produto brasileiro mais vendido para a UE em valor exportado.
(CORREÇÃO: O g1 errou ao informar que o café é o segundo produto brasileiro mais vendido para a União Europeia em valor exportado, depois da soja. Na verdade, o café lidera as vendas para a UE em valor, enquanto a soja fica em segundo lugar. A informação foi corrigida nesta segunda-feira (19), às 11h40).
O café em grão — que representa 97% das vendas do setor à UE — já entra na Europa sem tarifa. Mas, atualmente, o bloco aplica uma taxa de 9% sobre o café solúvel e de 7,5% sobre o torrado e moído, afirma o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos.
"O nosso maior concorrente em café solúvel, o Vietnã, já tem tarifa zero. Então, o acordo pode tornar nosso solúvel mais competitivo na Europa", destaca Matos.
O acordo UE-Mercosul prevê que as tarifas do café solúvel e torrado e moído zerem em 4 anos.
Matos reforça que um acordo comercial é "muito mais do que exportação". Segundo ele, se o tratado for para a frente, há possibilidades de grupos empresariais europeus investirem ainda mais na indústria de café do Brasil.
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➡️ Nada muda para a soja
O acordo, no entanto, não deverá ter impacto para a soja, que é o segundo produto do agro brasileiro mais exportado para a União Europeia, em valor, depois do café, e o primeiro em volume.
A soja já conta com tarifa zero tanto para o grão, como para o farelo, explica o diretor de Economia da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Daniel Furlan Amaral.
"Esse tratamento se mantém há muitos anos. Por essa razão, o acordo Mercosul-UE não altera o cenário tarifário da soja", afirma Amaral.
Ainda assim, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) considerou que "o acordo poderá proporcionar maior previsibilidade aos exportadores, reduzir custos e ampliar a priorização dos produtos brasileiros, reforçando a competitividade do país nesses mercados".
Blindagem do agro europeu incomodou
As chamadas salvaguardas, uma série de regras aprovadas pela UE no início de dezembro para proteger o agro europeu, incomodaram produtores brasileiros.
Em resumo, elas preveem que os benefícios tarifários do Mercosul no acordo podem ser suspensos temporariamente, caso a UE entenda que isso esteja prejudicando algum setor do agro local.
Ainda em dezembro, a diretora de relações internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), Sueme Mori, disse que as salvaguardas são preocupantes.
Isso porque elas podem limitar as exportações brasileiras para o mercado europeu, o que é contraditório, em um momento em que se espera assinar um acordo de livre comércio.
Ela esclareceu que as salvaguardas não serão acrescentadas ao acordo, mas que farão parte de um regulamento interno da UE.
Na prática, se as importações de um determinado produto agrícola considerado sensível aumentarem em 5%, na média de 3 anos, a UE poderá abrir uma investigação para avaliar a possível suspensão dos benefícios.
Na proposta original da comissão, divulgada em outubro, esse limite era maior, de 10%.
Os integrantes da comissão também reduziram o tempo de duração dessas investigações: de 6 para 3 meses, em geral, e de 4 para 2 meses, para produtos sensíveis.
"Isso permite à União Europeia aplicar penalidades de forma muito mais rápida, dando menos tempo aos países do Mercosul para se explicarem e se defenderem", diz Leonardo Munhoz, pesquisador do Centro de Bioeconomia da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
A comissão também propôs uma nova regra que obriga os países do Mercosul a adotar as mesmas normas de produção exigidas na União Europeia.
Segundo Munhoz, essa cláusula não estava prevista no acordo original e pode gerar insegurança jurídica. "A UE pode questionar, por exemplo, se o Brasil usar defensivos agrícolas ou fertilizantes que não são utilizados na Europa", exemplificou.
Para a ABPA, essas proteções não eliminam o potencial de exportação, mas podem ter algum efeito sobre a previsibilidade, dependendo de como forem aplicadas.
"Do ponto de vista do Brasil, o que defendemos é que qualquer salvaguarda seja estritamente técnica, transparente e baseada em critérios objetivos, de forma a não transformar um mecanismo excepcional em barreira disfarçada", disse a ABPA, ao g1.
UE também ganha
O tarifaço de Trump também atingiu a UE e este foi um ponto crucial para que o acordo tenha sido defendido também por países europeus, sobretudo Alemanha e a Espanha, apesar da oposição liderada pela França.
Lula agradeceu à Espanha por apoio a acordo
Áustria, Hungria, Irlanda e Polônia também foram contrários ao acordo nesta sexta, segundo a Reuters.
O grupo, entretanto, não conseguiu o apoio mínimo para barrar o tema, com outros 21 países votando a favor, também de acordo com a agência. A Bélgica se absteve.
A decisão provavelmente ficou com a Itália, cujo posicionamento sobre o acordo oscilou nos últimos meses.
Como acordo Mercosul-UE pode trazer mais chocolates e baratear vinhos europeus no Brasil
Para destravar a negociação, além de aprovar as salvaguardas para proteger o agro europeu, a UE prometeu reduzir tarifas de fertilizantes, o que reduziria custos de produção.
Com o livre comércio com o Mercosul, a UE poderá aumentar exportações de carros, máquinas e produtos químicos, além de itens agrícolas, como queijos e vinhos, para o Mercosul. E também reduzir a dependência da China na área de minerais.
Mesmo derrotada, a França ameaçou adotar medidas 'unilaterais' se o seu agro correr risco.
Acordo que se arrasta desde os anos 90
O acordo de livre comércio UE-Mercosul não vale apenas para produtos agrícolas, mas este setor tem protagonizado boa parte dos embates.
As discussões começaram em 1999 e foram paralisadas depois de um acordo inicial alcançado em 2019. As conversas só foram retomadas em 2024, a pedido da Comissão Europeia.
O acordo foi, então, anunciado no fim de 2024, o que encerrou o período de negociações e inaugurou o de aprovações pelos países.
“É um acordo que envolve praticamente 722 milhões de habitantes e US$ 22 trilhões de Produto Interno Bruto (PIB). É uma coisa extremamente importante, possivelmente seja o maior acordo comercial do mundo", disse o presidente Lula, em novembro, durante o G20 – grupos das maiores economias do mundo.
União Europeia marca reunião de emergência após Trump usar tarifa para pressionar por compra da Groenlândia

Trump anuncia tarifas contra 8 países europeus para pressionar pela anexação da Groenlândia
A União Europeia fará uma reunião de emergência neste domingo (18) para discutir uma resposta à pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para comprar a Groenlândia —território no Ártico que pertence à Dinamarca.
Trump anunciou no sábado que aplicará uma tarifa de 10% a oito países da Europa até que haja acordo para compra da Groenlândia. A partir de junho, a tarifa aumenta para 25%, diz Trump. Os alvos da medida são a Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia.
A reunião, com embaixadores dos 27 países da União Europeia, será às 17h (12h em Brasília), no Chipre, que ocupa a presidência temporária do bloco.
O presidente americano tem ameaçado anexar a Groenlândia aos EUA desde que tomou posse para seu segundo mandato, um ano atrás. Segundo o republicano, o território é vital para o Domo de Ouro, escudo antimísseis que ele deseja construir para proteger o país (leia mais abaixo).
Neste sábado, líderes da União Europeia reagiram ao tarifaço de Trump falando em "perigosa escalada negativa".
"Tarifas prejudicariam as relações transatlânticas e poderiam desencadear uma perigosa escalada negativa. A Europa permanecerá unida, coordenada e comprometida em defender sua soberania”, disseram a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho da UE, António Costa, na rede social X.
A chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, afirmou que as tarifas prejudicariam a prosperidade em ambos os lados do Atlântico, além de desviar a atenção da União Europeia de sua "tarefa fundamental" de pôr fim à guerra da Rússia na Ucrânia.
"A China e a Rússia devem estar se divertindo muito. São elas que se beneficiam das divisões entre os aliados", disse Kallas.
"As tarifas podem empobrecer a Europa e os Estados Unidos e prejudicar nossa prosperidade compartilhada. Se a segurança da Groenlândia estiver em risco, podemos resolver isso dentro da OTAN", afirmou.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Infográfico mostra a posição estratégica da Groenlândia
Editoria de Arte/g1
Grande importância estratégica
O presidente americano tem ameaçado anexar a Groenlândia aos EUA desde que tomou posse para seu segundo mandato, um ano atrás. Segundo o republicano, o território é "vital" para o Domo de Ouro, escudo antimísseis que ele deseja construir para proteger o país.
Situada entre os EUA e a Rússia, a Groenlândia é vista há muito tempo como uma área de grande importância estratégica, particularmente no que diz respeito à segurança do Ártico.
Os EUA já possuem uma base militar na ilha, mas reduziram drasticamente sua presença no país. Diante das recentes ameaças de Trump, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia chegaram a enviar tropas militares para a Groenlândia na última quinta-feira (15).
Entenda por que Trump diz que a Groenlândia é vital para construir Domo de Ouro
De acordo com o governo alemão, a missão foi solicitada pela Dinamarca — que atualmente tem a custódia da Groelândia — para avaliar possíveis contribuições militares e reforçar a segurança na região.
No início desta semana, o republicano havia zombado das capacidades defensivas da ilha do Ártico, afirmando que os EUA a obterão "de um jeito ou de outro".
"Se não tomarmos a Groenlândia, a Rússia ou a China o farão, e não vou deixar isso acontecer. Eu gostaria de fazer um acordo com eles, é mais fácil. Mas a teremos de um jeito ou de outro. (...) A Groenlândia deveria fazer um acordo [com os EUA], porque eles não querem ver a Rússia ou a China dominar. (...) E sabe qual a defesa da Groenlândia? Basicamente dois trenós puxados por cachorros", afirmou Trump na ocasião.
Trump durante entrevista nesta sexta-feira (16)
Nathan Howard/Reuters
Mega-Sena, concurso 2.961: prêmio acumula e vai a R$ 50 milhões

G1 | Loterias - Mega-Sena 2961
O sorteio do concurso 2.961 da Mega-Sena foi realizado na noite deste sábado (17), em São Paulo. Nenhuma aposta acertou as seis dezenas, e o prêmio para o próximo sorteio acumulou em R$ 50 milhões.
Os números sorteados foram 10 - 13 - 55 - 56 - 59 - 60.
5 acertos - 74 apostas ganhadoras: R$ 29.835,57
4 acertos - 4.863 apostas ganhadoras: R$ 748,36
O próximo sorteio da Mega será na terça-feira (20).
Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp
A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados.
Mega-Sena concurso 2961
Reprodução/CAIXA
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Como funciona a Mega-sena
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Mega-Sena bilhete volante Loterias
Millena Sartori/g1
Parceria do Mercosul com a União Europeia amplia mercados e integra estratégia comercial do Brasil, diz governo

Líderes comemoram acordo entre União Europeia e Mercosul
O governo federal afirmou neste sábado (17), em nota conjunta de ministérios, que a assinatura do acordo de parceria entre o Mercosul e a União Europeia está inserida na estratégia de ampliar e diversificar mercados externos para produtos brasileiros.
O posicionamento foi divulgado pelos ministérios das Relações Exteriores; do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Agricultura após a assinatura do acordo, realizada em Assunção, no Paraguai, sem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na nota, os ministérios também destacam que a política de acordos comerciais não se limita à parceria com a União Europeia. Desde 2023, o Brasil concluiu negociações com Singapura e com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), formada por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça.
O governo afirma ainda que há negociações em andamento com países fora da América Latina, como Emirados Árabes Unidos, Canadá e Vietnã, além de tratativas para ampliar o acordo de preferências tarifárias com a Índia.
Também estão em curso diálogos comerciais com outros parceiros considerados estratégicos, entre eles o Japão, com o qual foi estabelecido recentemente um marco de parceria estratégica.
Lula durante conversa com jornalistas em Brasília
Adriano Machado/Reuters
Lula não esteve presente
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o único chefe de Estado sul-americano que não esteve presente. Em seu lugar, o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, representou o Brasil.
Além da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa, também participaram os presidentes da Argentina, do Uruguai, da Bolívia e do Paraguai.
De acordo com dados da Comissão Europeia, o Brasil responde por mais de 82% de todas as importações europeias originadas no Mercosul e por cerca de 79% das exportações do bloco sul-americano destinadas ao velho continente.
Lula recebeu von der Leyen na sexta-feira (16), no Rio de Janeiro. Na ocasião, classificou a demora para concluir o acordo como “25 anos de sofrimento e tentativa de acordo”, reiterando que o tratado reúne cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 22 trilhões (R$ 118,4 trilhões).
"Essa é uma parceria baseada no multilateralismo", afirmou Lula.
"Esse acordo de parceria vai além da dimensão econômica. A UE e o Mercosul compartilham valores como respeito à democracia, ao Estado de Direito e aos direitos humanos. Mais diálogo político e mais cooperação vão garantir padrões elevados aos direitos trabalhistas e à defesa do meio ambiente", prosseguiu.
A assinatura do acordo
O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia foi assinado neste sábado pelos líderes dos Estados-membros dos dois blocos, após mais de 25 anos de negociações.
O tratado marca um passo decisivo para a criação da maior zona de livre comércio do mundo. A expectativa é que o acordo comercial passe a integrar melhor os mercados dos dois blocos, reduza tarifas e amplie o fluxo de bens e investimentos entre a América do Sul e a zona do euro.
🔍 O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, que chegam a mais de 90% do comércio total entre os blocos. O texto também estabelece regras comuns para áreas como bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
A assinatura, no entanto, não encerra o processo: para que o tratado entre em vigor, o texto ainda precisará ser ratificado pelos parlamentos dos países envolvidos — um caminho que tende a ser longo e politicamente sensível, sobretudo dentro da UE. Entenda quando o tratado entra em vigor.
Champagne, gorgonzola, queijo Canastra: produtos ficam protegidos contra imitação após acordo UE-Mercosul; veja lista

O que está em jogo para o agro brasileiro no acordo UE-Mercosul
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, assinado neste sábado (17) no Paraguai, prevê uma proteção contra imitações de alguns alimentos que são considerados tradicionais dos países membros dos dois blocos e propriedade intelectual deles. Essa proteção é a chamada indicação geográfica (IG).
Isso significa que nenhum outro país poderá fabricar e comercializar produtos com o mesmo nome.
O Brasil, por exemplo, tem 37 produtos com indicação geográfica na lista do acordo. Entre eles estão a cachaça e o queijo Canastra.
Já os outros países do Mercosul têm diversos vinhos na lista, como o 25 de Mayo da Argentina e o Bella Únion, do Uruguai.
Na lista da União Europeia entram o champagne e o conhaque, da França, e o prosecco, os queijos parmesão e gorgonzola e a mortadela Bologna, da Itália.
O registro é dado por cada país, conforme suas próprias leis, a produtos ou serviços que são característicos de seu local de origem.
Para entrar no acordo, a Estado precisa solicitar o acréscimo do item na lista de proteção.
Esses itens constam na versão final do acordo divulgada pelo governo em dezembro de 2024.
SAIBA MAIS: Por que o acordo União Europeia-Mercosul é alvo de tanta disputa no agro?
VEJA TAMBÉM: O que está em jogo para o agro brasileiro no acordo UE-Mercosul?
Ainda vai ter 'champagne' e 'parmesão' brasileiro?
A fiscalização para prevenir fraudes cabe a cada país membro dos blocos.
Eles devem combater produtos enganosos, tanto os que não vêm do local de origem, mas usam o mesmo nome, quanto os fabricados na região, mas fora das regras.
Também será proibido usar termos como “tipo”, “estilo”, “imitação” ou “semelhante” nas embalagens.
Por outro lado, o acordo prevê exceções. Elas valem para casos específicos em que o nome do produto é amplamente usado, sem relação direta com o local de origem do alimento protegido.
Essas exceções acontecem de duas formas. Veja a seguir.
➡️Para empresas específicas
Nesse caso, o termo pode continuar a ser usado pelas empresas que já têm a marca registrada. Porém, há condições: elas não podem fazer referência à indicação geográfica, seja por meio de imagens, bandeiras, nomes, entre outros.
Por exemplo, o queijo italiano “Parmigiano Reggiano” não impedirá que o termo "parmesão" seja usado no Brasil, contanto que o produto não se passe pelo do outro país.
A mesma regra vale para os queijos gorgonzola, fontina, grana, gruyère e para as bebidas genebra e steinhaeger.
O documento lista as empresas autorizadas a continuar usando esses nomes, de acordo com as condições previstas para cada produto.
Essas marcas terão um prazo de 12 meses, após a entrada em vigor do acordo, para se adaptar às novas regras.
➡️Com prazo determinado
Nessa exceção, o nome poderá continuar sendo usado por um prazo máximo, contado a partir da validação do acordo.
Para isso, a embalagem precisa indicar a localização geográfica da fabricação, por exemplo, dizendo que o produto foi feito no Brasil.
Veja quais produtos entram neste caso e os prazos para a adaptação:
5 anos: Münchener Bier; Pont-l'Évêque; Reblochon ou Rebleusson; Asiago; Taleggio; Tokaj, tokaji ou Tocai; Margot.
7 anos: Feta; Roquefort; Saint-Marcellin; Bordô; Conhaque; Presunto tipo Parma; Grappa ou Grapa.
10 anos: Champagne; Mortadela Bologna ou Mortadela tipo Bologna; Prosecco ou Proseco.
Como funciona a indicação geográfica no Brasil?
Essas proteções são comuns entre países. O Brasil já tem previsto em lei, independente do acordo entre os dois blocos, as suas próprias regras de indicação geográfica.
Na legislação, se trata dos alimentos que apresentam uma qualidade "única" por causa de recursos naturais (como solo, vegetação e clima) e modo de fazer, informa o Ministério da Agricultura.
As indicações geográficas existem de duas formas no Brasil. Veja abaixo.
➡️Indicação de procedência: é o nome geográfico de país, cidade, região ou localidade de seu território, que se tenha tornado conhecido como centro de extração, produção ou fabricação de determinado produto ou de prestação de determinado serviço.
➡️Denominação de origem: é o nome geográfico de país, cidade, região ou localidade de seu território, que determine o produto ou serviço que as características sejam exclusivas ou essencialmente por causa do local, incluídos fatores naturais e humanos.
O Ministério da Agricultura é uma das instâncias para determinar indicação geográfica.
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Arte g1
Acordo entre Mercosul e União Europeia é assinado no Paraguai
Acordo entre Mercosul e União Europeia é assinado no Paraguai Sem a presença de Lula, a cerimônia fecha o texto que pretende integrar mercados, reduzir tarifas, e ampliar o fluxo de bens e investimentos entre a América do Sul e a zona do euro. Após mais de duas décadas de negociações, União Europeia e o Mercosul dão um passo decisivo para a criação da maior zona de livre comércio do mundo.. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o único chefe de Estado sul-americano que não esteve presente. . Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destaca que tratado manda mensagem clara para o mundo: 'escolhemos uma parceria produtiva em vez do isolamento'. A assinatura não encerra o processo: para que o tratado entre em vigor, o texto ainda precisará ser ratificado pelos parlamentos dos países envolvidos.
Trump anuncia tarifa de 10% contra Dinamarca e outros países contrários a plano dos EUA de comprar Groenlândia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
REUTERS/Kevin Lamarque
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (17) que aplicará uma tarifa de 10% a oito países da Europa a partir de 1º de fevereiro de 2026, caso sejam contrários ao plano dos EUA de comprar a Groenlândia —território no Ártico que pertence à Dinamarca.
"A partir de 1º de fevereiro de 2026, todos os países (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) estarão sujeitos a uma tarifa de 10% sobre todas as mercadorias enviadas aos Estados Unidos da América. Em 1º de junho de 2026, a tarifa será aumentada para 25%", informou o presidente no Truth Social. Leia mais abaixo o post completo.
Ele declarou ainda que a tarifa será devida e exigida até que seja alcançado um acordo para a compra completa e total da Groenlândia.
O presidente americano tem ameaçado anexar a Groenlândia aos EUA desde que tomou posse para seu segundo mandato, um ano atrás. Segundo o republicano, o território é "vital" para o Domo de Ouro, escudo antimísseis que ele deseja construir para proteger o país.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Grande importância estratégica
Situada entre os EUA e a Rússia, a Groenlândia é vista há muito tempo como uma área de grande importância estratégica, particularmente no que diz respeito à segurança do Ártico.
Os EUA já possuem uma base militar na ilha, mas reduziram drasticamente sua presença no país. Diante das recentes ameaças de Trump, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia chegaram a enviar tropas militares para a Groenlândia na última quinta-feira (15).
Entenda por que Trump diz que a Groenlândia é vital para construir Domo de Ouro
De acordo com o governo alemão, a missão foi solicitada pela Dinamarca — que atualmente tem a custódia da Groelândia — para avaliar possíveis contribuições militares e reforçar a segurança na região.
Em resposta, a porta-voz do governo dos EUA, Karoline Leavitt, afirmou que o envio das tropas europeias para a região não muda a posição de Trump. “Não acho que tropas europeias influenciem o processo de decisão do presidente, nem o objetivo de adquirir a Groenlândia”, disse na véspera.
No início desta semana, o republicano havia zombado das capacidades defensivas da ilha do Ártico, afirmando que os EUA a obterão "de um jeito ou de outro".
"Se não tomarmos a Groenlândia, a Rússia ou a China o farão, e não vou deixar isso acontecer. Eu gostaria de fazer um acordo com eles, é mais fácil. Mas a teremos de um jeito ou de outro. (...) A Groenlândia deveria fazer um acordo [com os EUA], porque eles não querem ver a Rússia ou a China dominar. (...) E sabe qual a defesa da Groenlândia? Basicamente dois trenós puxados por cachorros", afirmou Trump na ocasião.
Trump durante entrevista nesta sexta-feira (16)
Nathan Howard/Reuters
Publicação feita por Donald Trump
Nós subsidiamos a Dinamarca e todos os países da União Europeia, além de outros, por muitos anos ao não cobrar tarifas ou qualquer outra forma de compensação. Agora, após séculos, chegou a hora de a Dinamarca retribuir — a Paz Mundial está em jogo!
China e Rússia querem a Groenlândia, e não há nada que a Dinamarca possa fazer a respeito. Atualmente, eles contam com apenas dois trenós puxados por cães como proteção, sendo que um foi adicionado recentemente. Somente os Estados Unidos da América, sob o comando do PRESIDENTE DONALD J. TRUMP, podem jogar esse jogo — e com muito sucesso!
Ninguém tocará nessa sagrada porção de terra, especialmente porque a Segurança Nacional dos Estados Unidos e a segurança do mundo como um todo estão em risco.
Além disso, Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia viajaram para a Groenlândia por motivos desconhecidos. Trata-se de uma situação extremamente perigosa para a segurança, a proteção e a sobrevivência do nosso planeta. Esses países, ao participarem desse jogo muito perigoso, colocaram em risco um nível que não é aceitável nem sustentável.
Portanto, é imprescindível que, para proteger a Paz e a Segurança Global, sejam tomadas medidas firmes para que essa situação potencialmente perigosa termine rapidamente e sem questionamentos.
A partir de 1º de fevereiro de 2026, todos os países mencionados acima (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) passarão a ser cobrados com uma tarifa de 10% sobre quaisquer bens enviados aos Estados Unidos da América.
Em 1º de junho de 2026, essa tarifa aumentará para 25%. Essa tarifa será devida e exigida até que seja alcançado um acordo para a compra completa e total da Groenlândia.
Os Estados Unidos tentam realizar essa transação há mais de 150 anos. Muitos presidentes tentaram, e por boas razões, mas a Dinamarca sempre recusou. Agora, por causa do Domo Dourado e dos sistemas modernos de armamento — tanto ofensivos quanto defensivos —, a necessidade de ADQUIRIR esse território é especialmente importante.
Centenas de bilhões de dólares estão sendo gastos atualmente em programas de segurança relacionados ao “Domo”, incluindo a possível proteção do Canadá, e esse sistema extremamente brilhante, porém altamente complexo, só pode funcionar em seu potencial máximo e com eficiência total, por razões de ângulos, limites e delimitações territoriais, se essa terra estiver incluída nele.
Os Estados Unidos da América estão imediatamente abertos à negociação com a Dinamarca e/ou com qualquer um desses países que colocaram tanto em risco, apesar de tudo o que fizemos por eles, incluindo proteção máxima, ao longo de tantas décadas.
Obrigado pela atenção a este assunto!
Banco Master: aplicativo do FGC apresenta instabilidade no 1º dia de pedidos de ressarcimento

Aplicativo do FGC apresenta instabilidade no 1º dia de pedidos de ressarcimento
O aplicativo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) apresenta instabilidade neste sábado (17), no primeiro dia dos pedidos de ressarcimento dos investidores que compraram Certificados de Crédito Bancário (CDBs) do banco Master.
As solicitações podem ser feitas desde as 9h30 por pessoas físicas por meio do aplicativo, mas os credores têm relatado dificuldades em enviar os arquivos solicitados e em concluir os procedimentos. Para empresas, o pedido deve ser feito pelo site do FGC na internet.
Às 12h37, por meio de sua assessoria de imprensa, o FGC informou que o aplicativo registrou um alto volume de acessos simultâneos, provocando instabilidades e afetando a sua disponibilidade aos usuários. Até as 12h deste sábado, o órgão informou que foram registrados mais de 140 mil acessos.
"A infraestrutura tecnológica do aplicativo é auto escalável, de forma que a normalização da disponibilidade é esperada para as próximas horas. As equipes técnicas seguem monitorando continuamente e atuando na promoção do ganho de performance da plataforma", acrescentou o FGC.
Aplicativo do FGC apresenta instabilidade para os usuários
Reprodução
Depois de concluída a solicitação, o credor receberá o pagamento em até dois dias úteis, em uma conta de sua titularidade, informou o Fundo Garantidor de Crédito.
Segundo o FGC:
o número de credores da garantia, inicialmente estimado em 1,6 milhão, é da ordem de 800 mil.
o valor total a ser pago em garantias será de R$ 40,6 bilhões, contra a estimativa inicial de R$ 41,3 bilhões.
➡️O FGC informou que possui liquidez de R$ 125 bilhões, conforme dados de novembro de 2025.
FGC alerta para tentativas de golpes
➡️O FGC também alertou para possíveis tentativas de golpe envolvendo o pagamento de garantia.
O órgão reforçou que os canais oficiais de atendimento e divulgação de informações são o app do FGC, telefone, email e redes sociais.
"O FGC não cobra nenhum tipo de taxa para efetuar o pagamento da garantia, não antecipa, não transfere créditos garantidos e não utiliza intermediários. Nenhum contato é feito por meio do WhatsApp ou SMS", informou.
Segundo o presidente do FGC, Daniel Lima, é importante que as pessoas estejam atentas para não serem enganadas.
“Infelizmente, esse é um problema que afeta todo o sistema financeiro, e o processo de pagamento de garantias pelo FGC também pode ser alvo de criminosos", acrescentou Daniel, Lima, do FGC.
Quem está protegido pelo FGC?
Os saldos de correntistas e investidores são protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição.
No caso dos investidores, a cobertura varia conforme o tipo de aplicação. Estão dentro das regras do FGC:
CDB e Recibo de Depósito Bancário (RDB);
Letra de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCAs).
O FGC só atua em casos de intervenção ou liquidação de uma instituição financeira. A indenização considera o valor investido somado aos rendimentos acumulados até a data da liquidação, limitado ao teto de R$ 250 mil.
⚠️ EXEMPLO: Quem tinha R$ 180 mil investidos e R$ 100 mil para receber em rendimentos terá acesso a até R$ 250 mil. O valor que exceder esse limite deve ser solicitado no processo de liquidação conduzido pelo BC.
Quem não está protegido pelo FGC?
Não têm direito à cobertura do FGC os investidores que aplicaram em produtos sem garantia do fundo, como:
Debêntures;
Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs),;
Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs);
Fundos de investimento;
Títulos emitidos fora do sistema de proteção.
Nesses casos, não há indenização automática: todo o valor investido entra integralmente na fila da liquidação e só poderá ser recuperado se houver recursos suficientes após o pagamento das obrigações prioritárias.
Liquidação do banco Master
A instituição de Daniel Vorcaro foi liquidada no dia 18 de dezembro de 2025 pelo Banco Central. A instituição já operava sob risco de falência por causa do alto custo de captação e da exposição a investimentos considerados arriscados, com juros muito acima do padrão de mercado.
Tentativas de venda, como a proposta do Banco de Brasília (BRB), não avançaram. Todas foram interrompidas por questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência, pressões políticas e menções ao Master em investigações.
O sinal de alerta no mercado ficou mais evidente quando o banco passou a oferecer produtos financeiros com remunerações muito acima do padrão. O principal deles eram os CDBs emitidos pela instituição.
Ameaça ao agro europeu? Veja por que acordo UE-Mercosul não é a única causa de protestos de produtores

Veja por que acordo UE-Mercosul não é a única causa de protestos de produtores
Manifestações com tratores nas ruas e até mesmo esterco na casa de praia do presidente da França marcaram a reação de agricultores europeus, nos últimos meses, contra o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, assinado neste sábado (17).
Para os economistas ouvidos pelo g1, porém, o tratado é apenas parte de um problema maior na relação entre os agricultores e os governos europeus.
Os agricultores europeus já vinham reclamando de políticas ambientais adotadas pelos governos do bloco. Essas regras exigiram mudanças na produção e elevaram os custos, acreditam Lia Valls, pesquisadora associada da Fundação Getulio Vargas (FGV) Ibre, e Maurício Une, economista-chefe para a América do Sul do Rabobank.
Na visão desses produtores, o acordo agrava a situação, pois eles passariam a enfrentar a concorrência de países com alta produtividade e o custos mais baixos, caso do Brasil.
Apesar de ser verdadeiro que o Brasil é mais competitivo, o acordo prevê mecanismos para proteger os europeus. Entre eles, estão as salvaguardas e as cotas de importação.
Acordo UE-Mercosul: como o agro brasileiro deve se beneficiar
A agricultura tem forte peso político na União Europeia e é vista como parte do patrimônio cultural do bloco. Por isso, o setor historicamente recebe mais proteção, o que ajuda a explicar os protestos, segundo Lia Valls, pesquisadora associada da Fundação Getulio Vargas (FGV) Ibre.
Saiba quais são os principais produtores agrícolas da UE
Arte g1
Competição
Hoje Brasil e União Europeia já disputam mercados importantes, como o asiático.
Atualmente, o mercado europeu de commodities agrícolas (produtos primários, como soja, milho, café, açúcar e carne) é dominado pelos próprios países do bloco.
Na comparação com o Brasil, além de os europeus terem custos de produção maiores, possuem uma produtividade mais baixa, afirma Valls. Tudo isso estimula o sentimento de ameaça.
Para impedir que os agricultores locais fiquem em desvantagem, os parlamentares europeus aprovaram em dezembro as chamadas salvaguardas.
Elas preveem que os benefícios tarifários do Mercosul no acordo podem ser suspensos temporariamente, caso a UE entenda que isso esteja prejudicando algum setor do agro local.
Na prática, se as importações de um determinado produto agrícola considerado sensível aumentarem em 5%, na média de três anos, a UE poderá abrir uma investigação para avaliar a possível suspensão dos benefícios.
Os integrantes da Comissão também reduziram o tempo de duração dessas investigações: de 6 para 3 meses, em geral, e de 4 para 2 meses, para produtos sensíveis.
A Comissão também propôs uma nova regra que obriga os países do Mercosul a adotar as mesmas normas de produção exigidas na União Europeia.
Além disso, alimentos considerados sensíveis, como as carnes bovina e de frango, terão cota. Esses limites definem volumes menores para o uso de tarifas reduzidas.
Para Une, tanto as salvaguardas quanto as cotas são rígidas o suficiente para evitar uma entrada excessiva de produtos brasileiros no mercado europeu.
Ele acredita também que os produtos europeus possuem uma demanda alta e resiliente. Um exemplo é o presunto de Parma, que só pode ser produzido na região italiana de Parma por causa da indicação geográfica prevista no acordo.
Essa regra determina que nenhum outro país poderá fabricar e comercializar produtos com o mesmo nome de alguns alimentos que são considerados tradicionais das nações.
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Não é tudo sobre o acordo
Para Une, do Rabobank, o acordo é apenas o estopim de uma insatisfação que já vinha crescendo entre os agricultores europeus. Segundo ele, outras decisões da União Europeia contribuíram para esse descontentamento.
Desde 2023, a UE passou a adotar regras ambientais mais rígidas para a agricultura, explica o pesquisador. Essas medidas deixaram os produtores mais organizados e ativos em protestos. Para Une, a principal queixa é que “está ficando difícil ganhar dinheiro”.
Um exemplo é a lei de restauração ambiental, que entrou em vigor em agosto de 2024. Ela determina a recuperação de até 20% dos ecossistemas dos países-membros.
A norma foi vista como dura para os agricultores. Em geral, eles têm propriedades menores que as do Brasil e acreditam que teriam de reduzir suas áreas produtivas.
Há ainda outras medidas, como a diminuição do uso dos agrotóxicos, da emissão de carbono e a preocupação com a transição energética. Tudo isso aumenta os custos para os agricultores, afirma Lia Valls, da FGV Ibre.
Em contrapartida, o Parlamento Europeu adiou a lei que proíbe a importação de produtos ligados ao desmatamento para o fim de 2026.
Além disso, questões geopolíticas internacionais, como a guerra entre a Ucrânia e a Rússia, aumentaram os preços dos insumos, como fertilizantes, também gerando insatisfação.
Assim como no Brasil, o setor agrícola europeu, principalmente o francês, tem grande força política. Por isso, o país foi o grande porta-voz da insatisfação com o tratado entre os dois blocos.
Ainda assim, o presidente da França, Emmanuel Macron, está com baixa popularidade entre seus eleitores, explica Valls.
"Toda vez que os agricultores franceses se sentem ameaçados, eles levam os tratores para Paris", relata.
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'Patrimônio cultural'
Para muitos europeus, especialmente os franceses, proteger a agricultura é proteger um patrimônio cultural, afirma Valls.
"A agricultura é relacionada às vilas, às tradições, é importante preservar pela paisagem", explica.
Por isso, os países europeus oferecem diversos subsídios ao setor. Entre eles está a política de preço mínimo, em que o governo define um valor mínimo a ser pago ao produtor.
Segundo Valls, essa preocupação acompanha a União Europeia desde a sua formação.
"Um dos pedidos da França era estender a política de proteção que os franceses já faziam em relação aos seus produtos agrícolas para o restante da comunidade", explica.
Do mesmo modo, a União Europeia também tem uma Política Agrícola Comum (PAC), que define um orçamento para os agricultores.
Este ano, para acalmar os agricultores, a Comissão Europeia modificou sua proposta orçamentária para 2028-2034, para permitir que os agricultores tenham acesso antecipado a cerca de 45 bilhões de euros (R$ 286 bilhões).
O que está em jogo para o agro brasileiro no acordo UE-Mercosul
Líderes da UE e do Mercosul assinam acordo e criam maior área de livre comércio do mundo

Líderes assinam acordo histórico entre União Europeia e Mercosul
O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia foi assinado neste sábado (17) pelos líderes dos Estados-membros dos dois blocos, após mais de 25 anos de negociações.
Anfitrião do encontro e presidente pro tempore do Mercosul, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, classificou o tratado como um “feito histórico” e afirmou que o acordo envia uma mensagem clara em favor do comércio internacional, do diálogo e da cooperação entre os países.
"Apostemos em um futuro com mais coragem, audácia e aprofundemos nossa União. Em um mundo complexo, UE e América do Sul devem se unir para mostrar um caminho diferente", destacou o presidente paraguaio.
Para Peña, o entendimento une dois dos mercados mais relevantes do mundo, Europa e América do Sul, após um processo longo e complexo.
Durante a cerimônia, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que os dois blocos escolheram “a parceria em vez do isolamento” e “o comércio justo em vez das tarifas”.
“Hoje, estamos registrando um documento muito importante. Ele é o símbolo de uma nova parceria entre o Mercosul e a Europa”, afirma. "Escolhemos uma parceria produtiva e de longo prazo em vez do isolamento e, acima de tudo, pretendemos oferecer benefícios reais e tangíveis" .
A cerimônia aconteceu no Grande Teatro José Asunción Flores do Banco Central do Paraguai, em Assunção, local onde o tratado fundador do Mercosul foi assinado em 1991.
Pelo Mercosul, participaram o presidente do Paraguai, Santiago Peña, o presidente da Argentina, Javier Milei, o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, e o presidente do Panamá, José Raúl Mulino. O presidente Lula (PT) foi o único chefe de Estado ausente da cerimônia; quem representou o Brasil foi o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Pela União Europeia, estiveram presentes a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa.
🔍 O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, que chegam a mais de 90% do comércio total entre os blocos. O texto também estabelece regras comuns para áreas como bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
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Ele marca um passo decisivo para a criação da maior zona de livre comércio do mundo. A expectativa é que o acordo comercial passe a integrar melhor os mercados dos dois blocos, reduza tarifas e amplie o fluxo de bens e investimentos entre a América do Sul e a zona do euro.
Líderes da União Europeia e do Mercosul celebram em Assunção a assinatura do acordo de livre comércio que encerra mais de 25 anos de negociações.
REUTERS/Cesar Olmedo
Para o presidente do Conselho Europeu, António Costa, o acordo ganha ainda mais relevância diante de um cenário global marcado por turbulências geopolíticas, ao reforçar o compromisso das duas regiões com o multilateralismo e com soluções baseadas em regras.
"Não pretendemos nem dominar nem impor, mas reforçar vínculos entre cidadãos e empresas para criar riquezas de forma sustentável. Não queremos gerar dependência, queremos gerar redes de comércio, regras e confiança", afirmou Costa.
Entre os países do Mercosul, o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, disse que o pacto expressa uma responsabilidade histórica com a democracia, o Estado de Direito e o comércio justo.
"Em mundo atravessado por tensões e erosão de certezas, o acordo tem uma relevância particular. Não só porque constitui a maior área de livre-comércio do mundo, mas porque reafirma decisão clara. Apostar pelas regras em tempo de volatilidade e mudanças permanentes", disse.
O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou que a assinatura do acordo não representa um ponto de chegada, mas um ponto de partida, e classificou o tratado como um dos feitos mais relevantes do Mercosul desde a criação do bloco. Ele defendeu que, na fase de implementação, seja preservado o espírito do que foi negociado.
"A incorporação de mecanismos que restrinjam esse acesso, como salvaguardas ou medidas equivalentes, reduzirá significativamente o impacto econômico do acordo e atentará contra o objetivo essencial do mesmo. Temos que velar em nossos parlamentos para que isso não ocorra", registrou.
Já o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, destacou que o país passa por um processo de fortalecimento institucional para estar à altura do Mercosul e afirmou que o acordo envia uma mensagem de cooperação, diálogo e soluções conjuntas em um mundo marcado por conflitos.
A assinatura, no entanto, não encerra o processo: para que o tratado entre em vigor, o texto ainda precisará ser ratificado pelos parlamentos dos países envolvidos — um caminho que tende a ser longo e politicamente sensível, sobretudo dentro da UE. Entenda quando o tratado entra em vigor.
Como o acordo UE-Mercosul deve afetar o bolso dos brasileiros?
Lula não esteve presente
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o único chefe de Estado sul-americano que não esteve presente. Em seu lugar, esteve o ministro de relações exteriores do Brasil, Mauro Vieira.
De acordo com dados da Comissão Europeia, o Brasil responde por mais de 82% de todas as importações europeias originadas no Mercosul e por cerca de 79% das exportações do bloco sul-americano destinadas ao velho continente.
Apesar da ausência, Lula foi citado por diferentes líderes durante a cerimônia. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, afirmou que o acordo só foi possível graças à atuação do presidente brasileiro e disse que Lula foi um dos principais impulsionadores do processo.
“Não posso deixar de mencionar o nome de um grande e querido, hoje infelizmente ausente, que sem ele não teríamos chegado a este acordo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos responsáveis fundamentais no processo de negociação do acordo”, afirmou Peña durante a cerimônia.
Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, agradeceu publicamente a liderança do brasileiro, afirmando que seu comprometimento foi essencial para a conclusão do tratado.
Lula recebeu von der Leyen na sexta-feira (16), no Rio de Janeiro. Na ocasião, classificou a demora para concluir o acordo como “25 anos de sofrimento e tentativa de acordo”, reiterando que o tratado reúne cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 22 trilhões (R$ 118,4 trilhões).
"Essa é uma parceria baseada no multilateralismo", afirmou Lula.
"Esse acordo de parceria vai além da dimensão econômica. A UE e o Mercosul compartilham valores como respeito à democracia, ao Estado de Direito e aos direitos humanos. Mais diálogo político e mais cooperação vão garantir padrões elevados aos direitos trabalhistas e à defesa do meio ambiente", prosseguiu.
Veja quais são os países envolvidos no Acordo UE-Mercosul.
Arte/g1
Quando o acordo entra em vigor?
Após a assinatura formal, o acordo seguirá para os processos de ratificação internos.
▶️ No caso da União Europeia, o texto precisará ser analisado pelo Parlamento Europeu. Dependendo da interpretação jurídica, partes do acordo também poderão ter de ser aprovadas pelos parlamentos nacionais dos países-membros.
▶️ Do lado do Mercosul, o acordo também terá de passar pelos Congressos nacionais do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Enquanto isso, a União Europeia e os países do Mercosul poderão discutir a aplicação provisória de partes do tratado, especialmente as relacionadas à redução de taxas, o que permitiria antecipar alguns efeitos econômicos antes da ratificação completa.
O acordo só passa a valer por completo depois de todas as aprovações internas serem concluídas nos dois blocos.
Acordo enfrenta resistências
Apesar de a maioria dos Estados-membros da UE ter se mostrado favorável à assinatura, o acordo ainda enfrenta resistência de alguns países, que apontam possíveis impactos sobre o setor agrícola.
Um diplomata da UE e o ministro da Agricultura da Polônia afirmaram que 21 países apoiaram o acordo, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia votaram contra. A Bélgica se absteve.
Para a aprovação, era necessário o apoio de pelo menos 15 países, que representassem 65% da população total do bloco.
Depois de o bloco europeu ter confirmado a aprovação do tratado entre os Estados-membros, a ministra da agricultura da França, Annie Genevard, afirmou que adotará medidas unilaterais caso o setor agrícola e pecuário do país seja colocado em risco pelo acordo comercial.
Genevard citou como exemplo a recente suspensão, por um ano, da importação para a França de alguns produtos agrícolas tratados com substâncias proibidas na União Europeia, principalmente de origem sul-americana.
O acordo UE-Mercosul
Negociado há mais de 25 anos, o acordo prevê a redução gradual de tarifas, regras comuns para comércio de produtos industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
O tratado criará uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, ligando os dois blocos em um mercado de mais de 700 milhões de pessoas.
Entretanto, as negociações dividiram a União Europeia. Países como Alemanha e Espanha apoiam o tratado por enxergarem oportunidades de ampliar exportações, reduzir a dependência da China e garantir acesso a minerais estratégicos.
Já a França — que garantiu apoio de alguns países, como Polônia, Irlanda e Áustria — se opõe, principalmente por temer prejuízos ao setor agrícola diante da concorrência de produtos sul-americanos mais baratos. Agricultores e ambientalistas também criticam o acordo.
O texto final tenta equilibrar esses interesses, com salvaguardas para a agricultura europeia e exigências ambientais mais rígidas.
Para o Mercosul, o Brasil tem papel central: precisa comprovar avanços em sustentabilidade e controle ambiental para facilitar a ratificação e ampliar o acesso ao mercado europeu.
Veja a linha do tempo do acordo UE-Mercosul
Caso Banco Master: saiba como reaver seu dinheiro pelo FGC

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) começou a receber os pedidos de ressarcimento dos investidores que compraram Certificados de Crédito Bancário (CDBs) do Banco Master.
O FGC é uma associação privada, sem fins lucrativos, que integra o Sistema Financeiro Nacional e atua na manutenção da estabilidade do sistema, na prevenção de crises bancárias e na proteção de depositantes e investidores.
Na prática, funciona como um fundo privado que atua como um seguro. É ele quem garante que os recursos depositados ou investidos em um banco permaneçam protegidos caso a instituição financeira enfrente alguma crise ou dificuldade.
Os saldos de correntistas e investidores são protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição.
Veja os vídeos em alta no g1
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No caso dos investidores, a cobertura varia conforme o tipo de aplicação. Estão dentro das regras do FGC:
CDB e Recibo de Depósito Bancário (RDB);
Letra de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCAs).
O FGC só atua em casos de intervenção ou liquidação de uma instituição financeira. A indenização considera o valor investido somado aos rendimentos acumulados até a data da liquidação, limitado ao teto de R$ 250 mil.
ENTENDA: O que é FGC e qual seu papel no caso do Banco Master?
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FGC começou a receber pedidos de ressarcimento de credores que tinham investimentos no Banco Master.
Reprodução/g1
O que acontece para quem tinha dinheiro no Master?
Embora exista a garantia, o pagamento do FGC não é imediato.
O processo só teve início depois que o liquidante enviou ao fundo a lista completa de credores do banco. Com a lista consolidada, o FGC libera o acesso aos valores cobertos.
Segundo o FGC:
o número de credores da garantia, inicialmente estimado em 1,6 milhão, é da ordem de 800 mil.
o valor total a ser pago em garantias será de R$ 40,6 bilhões, contra a estimativa inicial de R$ 41,3 bilhões.
Com as informações recebidas, o FGC liberou neste sábado (17) a solicitação no aplicativo para que os credores cadastrem a conta bancária, façam a validação da biometria e o envio de documentos.
Para solicitar o ressarcimento:
Pessoas físicas: devem usar o aplicativo do FGC. Após realizar um cadastro básico, é necessário solicitar o pagamento da garantia;
Pessoas jurídicas: devem fazer o pedido diretamente pelo site da instituição.
Após a assinatura do termo de solicitação, o FGC informa que a liberação costuma ocorrer em até 48 horas úteis, desde que os dados estejam corretos.
Ainda assim, o período entre a decretação da liquidação e o pagamento aos investidores variou entre 14 e 40 dias nas operações mais recentes.
Para eventuais dúvidas, o FGC orienta que correntistas e investidores entrem em contato pelo e-mail atendimento.credores@fgc.org.br.
Veja o passo a passo para solicitar o reembolso pelo FGC
Segundo o FGC, o pedido de pagamento da garantia para pessoas físicas deve ser feito pelo aplicativo do fundo, disponível no Google Play e na Apple Store.
"No aplicativo do FGC, você pode conferir as instituições em regime especial decretado pelo Banco Central e se já é possível solicitar o pagamento de garantia, além de receber notificações para acompanhar o seu pedido", informou o fundo.
Veja o passo a passo:
Baixe o aplicativo do FGC e complete o cadastro, informando nome completo, CPF e data de nascimento;
Solicite o pagamento de garantia. Essa etapa só ficará disponível após o envio, pelo liquidante, da lista completa de credores e valores devidos ao fundo.
Depois, basta informar uma conta bancária de sua titularidade para receber os recursos, realizar a validação biométrica e enviar eventuais documentos solicitados.
Para pessoas jurídicas, o FGC informa que o representante legal da empresa deve solicitar a garantia por meio do Portal do Investidor. Após o preenchimento das informações, o fundo envia um e-mail com o passo a passo necessário.
"O pagamento é feito por transferência para uma conta-corrente ou poupança, de mesmo CNPJ, em nome da empresa", informa o FGC.
Nos casos em que o pagamento precisar ser feito a inventariantes ou ao espólio, o FGC tratará diretamente com os beneficiários, não sendo possível fazer a solicitação pelo aplicativo.
⚠️ATENÇÃO: Valores que ultrapassarem o limite de cobertura do FGC, de R$ 250 mil, permanecerão sujeitos ao processo de liquidação do Banco Master. Nessa situação, o credor passa a integrar a massa falida como credor quirografário, sem garantia de recebimento dos valores.
O que aconteceu com o Banco Master?
O Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro do ano passado.
🔎 A liquidação extrajudicial ocorre quando o Banco Central encerra as atividades de um banco que não tem mais condições de operar. Um liquidante assume o controle, fecha as operações, vende os bens e paga os credores na ordem prevista em lei, até extinguir a instituição. Nessa fase, as operações são finalizadas e o banco deixa de integrar o sistema financeiro nacional.
O Banco Master já enfrentava risco de falência devido ao alto custo de captação e a investimentos considerados arriscados. O caso mais conhecido era a emissão títulos de renda fixa, os CDBs, que pagavam até 40% acima da taxa média do mercado. (veja aqui o que acontece com investidores)
O presidente do banco, Daniel Vorcaro, foi preso em uma operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras no Master. Na última semana, a Polícia Federal realizou uma segunda fase da operação, que incluiu buscas em endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono do banco, e parentes dele, incluindo o pai, a irmã e o cunhado dele.
O empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos, também estavam entre os alvos.
Segundo as investigações:
O Banco Master emitiu R$ 50 bilhões em certificados de depósito bancário (CDBs) prometendo juros acima das taxas de mercado e sem comprovar que tinha liquidez, ou seja, que conseguiria pagar esses títulos no futuro.
Ao comprar um CDB, o cliente empresta o dinheiro ao banco e recebe juros em troca.
Para reforçar essa impressão de liquidez, o Master aplicou parte desses R$ 50 bilhões em ativos que não existem, comprando créditos de uma empresa chamada Tirreno.
O Master não pagou nada por essa compra, mas logo em seguida vendeu esses mesmos créditos ao BRB — que pagou R$ 12,2 bilhões, sem documentação, para "socorrer" o caixa do Banco Master.
Essas transações aconteceram no mesmo período em que o BRB tentava comprar o próprio Banco Master — e convencer os órgãos de fiscalização de que a transação era viável e não geraria risco aos acionistas do BRB, incluindo o governo do DF.
Além disso, o Master era conhecido por comprar precatórios e investir em empresas em dificuldade.
Para evitar a quebra, foram realizadas tentativas de venda do banco, o que inclui uma proposta do BRB. Todas acabaram canceladas, envoltas em questionamentos, pressões políticas e falta de transparência.
A EFB Regimes Especiais de Empresas foi designada para conduzir a administração especial. Com a liquidação, qualquer negociação de compra em andamento é automaticamente interrompida.
Infográfico - Entenda a polêmica dos CDBs do Banco Master
Arte/g1
Sede do Banco Master
Divulgação/Banco Master
Fundo Garantidor de Crédito começa a receber neste sábado pedidos de ressarcimento de credores do Banco Master

Banco Master foi liquidado em 18 de dezembro de 2025 pelo Banco Central.
Reprodução/TV Globo
O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) informou que está recebendo, a partir deste sábado (17), os pedidos de ressarcimento dos investidores que compraram Certificados de Crédito Bancário (CDBs) do banco Master.
➡️As solicitações deverão ser feitas por meio do aplicativo do FGC, no caso das pessoas físícas. As empresas, por sua vez, deverão fazer os pedidos pelo site do Fundo Garantidor de Crédito.
🔎 O Certificado de Depósito Bancário (CDB) é um investimento de renda fixa em que o investidor empresta dinheiro ao banco e recebe juros em troca. Essa remuneração pode ser pré-fixada (definida no momento da aplicação) ou pós-fixada (atrelada a indicadores como o CDI).
Segundo Daniel Lima, diretor-presidente do FGC, a equipe do liquidante do banco Master, com apoio do time do FGC, "trabalhou incansavelmente, dias, noites e finais de semana, para gerar os arquivos no menor tempo possível".
"A partir deste momento os credores já podem dar continuidade ao processo de solicitação da garantia utilizando o aplicativo do FGC. Concluída esta fase, o credor receberá o pagamento em até dois dias úteis, em uma conta de sua titularidade", afirmou Daniel Lima, diretor-presidente do FGC.
Segundo o FGC:
o número de credores da garantia, inicialmente estimado em 1,6 milhão, é da ordem de 800 mil.
o valor total a ser pago em garantias será de R$ 40,6 bilhões, contra a estimativa inicial de R$ 41,3 bilhões.
➡️O FGC informou que possui liquidez de R$ 125 bilhões, conforme dados de novembro de 2025.
FGC começou a receber pedidos de ressarcimento de credores que tinham investimentos no Banco Master.
Reprodução/g1
FGC alerta para tentativas de golpes
➡️O FGC também alertou para possíveis tentativas de golpe envolvendo o pagamento de garantia.
O órgão reforçou que os canais oficiais de atendimento e divulgação de informações são o app do FGC, telefone, email e redes sociais.
"O FGC não cobra nenhum tipo de taxa para efetuar o pagamento da garantia, não antecipa, não transfere créditos garantidos e não utiliza intermediários. Nenhum contato é feito por meio do WhatsApp ou SMS", informou.
Segundo o presidente do FGC, é importante que as pessoas estejam atentas para não serem enganadas.
“Infelizmente, esse é um problema que afeta todo o sistema financeiro, e o processo de pagamento de garantias pelo FGC também pode ser alvo de criminosos", acrescentou Daniel, Lima, do FGC.
Liquidação do banco Master
A instituição de Daniel Vorcaro foi liquidada no dia 18 de dezembro de 2025 pelo Banco Central. A instituição já operava sob risco de falência por causa do alto custo de captação e da exposição a investimentos considerados arriscados, com juros muito acima do padrão de mercado.
Tentativas de venda, como a proposta do Banco de Brasília (BRB), não avançaram. Todas foram interrompidas por questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência, pressões políticas e menções ao Master em investigações.
O sinal de alerta no mercado ficou mais evidente quando o banco passou a oferecer produtos financeiros com remunerações muito acima do padrão. O principal deles eram os CDBs emitidos pela instituição.
Toffoli diminui prazo para depoimentos de investigados no caso do Banco Master
Quem está protegido pelo FGC?
Os saldos de correntistas e investidores são protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição.
No caso dos investidores, a cobertura varia conforme o tipo de aplicação. Estão dentro das regras do FGC:
CDB e Recibo de Depósito Bancário (RDB);
Letra de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCAs).
O FGC só atua em casos de intervenção ou liquidação de uma instituição financeira. A indenização considera o valor investido somado aos rendimentos acumulados até a data da liquidação, limitado ao teto de R$ 250 mil.
⚠️ EXEMPLO: Quem tinha R$ 180 mil investidos e R$ 100 mil para receber em rendimentos terá acesso a até R$ 250 mil. O valor que exceder esse limite deve ser solicitado no processo de liquidação conduzido pelo BC.
Quem não está protegido pelo FGC?
Não têm direito à cobertura do FGC os investidores que aplicaram em produtos sem garantia do fundo, como:
Debêntures;
Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs),;
Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs);
Fundos de investimento;
Títulos emitidos fora do sistema de proteção.
Nesses casos, não há indenização automática: todo o valor investido entra integralmente na fila da liquidação e só poderá ser recuperado se houver recursos suficientes após o pagamento das obrigações prioritárias.
Como o acordo UE-Mercosul deve afetar o bolso dos brasileiros?

Líderes assinam acordo histórico entre União Europeia e Mercosul
A assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, neste sábado (17), após mais de 25 anos de negociações, deve alterar o fluxo de mercadorias entre os dois blocos. Entenda o acordo.
No Brasil, os efeitos tendem a alcançar tanto o consumo cotidiano quanto setores produtivos, como a indústria e o agronegócio.
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Entre as mudanças mais perceptíveis, uma deve atingir diretamente o consumidor: a maior presença de produtos tradicionais da UE no mercado brasileiro.
Além de uma possível redução nos preços de vinhos, azeites, queijos e lácteos, por exemplo, a expectativa é que marcas premium de chocolates e outros itens de supermercados também cheguem pela primeira vez ao Brasil.
🔍 O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, que chegam a mais de 90% do comércio total entre os blocos. O texto também estabelece regras comuns para áreas como bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
No caso dos vinhos, a Europa concentra os maiores produtores globais da bebida, como Itália, França e Espanha — o que faz com que vinhos muito bons sejam encontrados na região por preços baixos. E com a redução gradual da taxa proposta pelo acordo, a estimativa é que o consumidor brasileiro passe a ter mais acesso a esse mercado, com preços mais competitivos.
INFOGRÁFICO – Quem ganha e quem perde com o acordo entre União Europeia e Mercosul
Arte/g1
O mesmo deve acontecer com outros produtos vindos da Europa. Carros importados de lá, por exemplo, hoje enfrentam taxação de 35%, que deverá ser zerada em até 15 anos, contribuindo para o barateamento desses produtos.
Medicamentos e produtos farmacêuticos — inclusive de uso veterinário —, que são os principais itens importados da UE pelo Brasil, com mais de 8% do total, também devem sentir os efeitos do acordo.
Vale destacar, no entanto, que a queda de preços tende a ser gradual, especialmente em itens complexos como automóveis, por conta da dependência de uma cadeia global de componentes — incluindo insumos vindos da China.
Ganhos na produção interna e na exportação
Os efeitos do acordo se estendem, ainda, para os insumos importados utilizados pela indústria e também abre portas para que mais produtos brasileiros cheguem à Europa.
Por aqui, o acesso a tecnologias europeias mais baratas pode reduzir custos para empresas nacionais e estimular investimentos em modernização — incluindo para o campo, que deve gastar menos com máquinas, equipamentos, fertilizantes e implementos agrícolas, por exemplo.
Já entre as exportações, o tratado permite a ampliação das vendas brasileiras de calçados, frutas e outros produtos agrícolas para a UE.
Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), o acordo cria uma rede de comércio avaliada em US$ 22 trilhões (R$ 118,4 trilhões), com potencial de ampliar as exportações brasileiras em US$ 7 bilhões (R$ 37,7 bilhões) adicionais.
Calçados produzidos no Mercosul, hoje sujeitos a tarifas de 3% a 7% na UE, devem ter essas taxas zeradas em até quatro anos. Em alguns casos, como o da uva, a taxação de 14% será eliminada assim que o acordo entrar em vigor.
No ano passado, essas vendas já vinham crescendo: as exportações do Brasil para o bloco alcançaram US$ 49,8 bilhões (R$ 267,9 bilhões). Apesar disso, a balança comercial segue mais favorável ao bloco europeu, que exportou US$ 50,3 bilhões (R$ 270,6 bilhões) para o Brasil.
INFOGRÁFICO – Próximos passos do acordo entre União Europeia e Mercosul
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Entenda o acordo
🤝 O objetivo do tratado é facilitar as trocas comerciais entre os 27 países da União Europeia e os quatro países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai —, reduzindo tarifas alfandegárias tanto sobre produtos europeus vendidos no Brasil quanto sobre produtos do Mercosul exportados para a Europa.
📊 O acordo abrange um mercado de 720 milhões de consumidores — 450 milhões na Europa e 270 milhões na América do Sul —, o equivalente a cerca de 25% do PIB global.
💰 Estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que o Brasil deve ser o principal beneficiado pelo acordo. Até 2040, a assinatura poderia elevar o Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 0,46%, crescimento superior ao projetado para a União Europeia e para os demais países do Mercosul.
Veja quais são os países envolvidos no Acordo UE-Mercosul.
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Acordo UE-Mercosul é celebrado por presidente da Comissão Europeia e presidentes do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai
Imagem: TV Globo
Acordo UE-Mercosul: por que o Brasil é o centro da relação entre os dois blocos

O Brasil e o acordo 'ganha-ganha' entre UE e Mercosul
A assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, neste sábado (17), vai aproximar cadeias produtivas estratégicas de dois continentes, ao mesmo tempo em que evidencia uma relação econômica assimétrica — em que o Brasil ocupa posição central dentro do tratado.
🔍 O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, que chegam a mais de 90% do comércio total entre os blocos. O texto também estabelece regras comuns para áreas como bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios, após mais de 25 anos de negociações.
De acordo com dados da Comissão Europeia, o Brasil responde por mais de 82% de todas as importações europeias originadas no Mercosul e por cerca de 79% das exportações do bloco sul-americano destinadas ao velho continente. (entenda mais abaixo)
Com esse desenho, Argentina, Uruguai e Paraguai tendem a ocupar uma posição secundária na dinâmica do acordo. Ainda que integrem oficialmente o Mercosul, a menor escala de suas trocas comerciais faz com que a UE conduza a negociação essencialmente a partir da relação com o Brasil.
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Lula se encontra com representante da União Europeia no Rio de Janeiro
Ricardo Stuckert/ Presidência da República
De quem o Brasil depende
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que as compras brasileiras junto ao bloco europeu estão concentradas em poucos parceiros. Em 2025, três países responderam, juntos, por cerca de 57% dos US$ 50,3 bilhões que o Brasil importou da UE.
Alemanha: US$ 14,4 bilhões (28,6%);
França: US$ 7,2 bilhões (14,3%);
Itália: US$ 7,1 bilhões (14%).
A composição das importações brasileiras evidencia uma dependência concentrada em bens de maior valor tecnológico, essenciais tanto para o funcionamento de serviços públicos quanto para a atividade industrial.
Sendo eles:
💊 Medicamentos e produtos farmacêuticos: US$ 8,1 bilhões.
🚗 Autopeças: US$ 2,5 bilhões.
⚙️ Motores e máquinas não elétricas: US$ 2,4 bilhões.
✈️ Aeronaves: US$ 1,2 bilhão.
📐 Equipamentos de medição, verificação e controle: US$ 1,4 bilhão.
🧪 Compostos químicos: US$ 1,41 bilhão.
José Pimenta, diretor de Comércio Internacional e sócio da BMJ Consultoria, ressalta que a retirada das tarifas tende a reduzir os custos de produção no Brasil ao baratear a importação de insumos da UE. Segundo ele, hoje a tributação eleva de forma significativa o preço final pago pelo produtor brasileiro.
“Em alguns casos, o produto chega a pagar 35% ou 40% sobre o valor. Um insumo que custa R$ 100 mil pode chegar a R$ 140 mil na mão do produtor. Com a retirada das tarifas, esse mesmo fertilizante poderia chegar por algo em torno de R$ 100 mil.”
Quem depende do Brasil?
Para a União Europeia, o Brasil desempenha um papel relevante como fornecedor de insumos básicos e matérias-primas estratégicas. Segundo dados do MDIC, dos US$ 49,81 bilhões exportados pelo Brasil ao bloco europeu em 2025, 73% tiveram como destino cinco países.
Holanda: US$ 11,7 bilhões (23,6%);
Espanha: US$ 8,8 bilhões (17,7%);
Alemanha: US$ 6,5 bilhões (13,1%);
Itália: US$ 5,3 bilhões (10,8%);
Bélgica: US$ 4 bilhões (8,1%).
No caso holandês, esse protagonismo está ligado ao papel do país como hub logístico da UE, com destaque para o porto de Roterdã, principal porta de entrada de mercadorias que depois seguem para outros mercados do continente.
Já para Espanha e Alemanha, a relevância do acordo vai além da ampliação das trocas comerciais. Segundo Leonardo Munhoz, pesquisador do Centro de Bioeconomia da Fundação Getulio Vargas (FGV), o tratado é visto como parte da estratégia europeia para fortalecer a economia diante das tensões geopolíticas envolvendo China e Rússia.
“Foi visível o esforço desses países para viabilizar o acordo, que é visto como vantajoso para a União Europeia no contexto atual, especialmente pela necessidade de diversificação de mercados.”
Esse interesse se reflete na composição da pauta exportadora brasileira para a UE, concentrada em produtos primários e insumos industriais — itens necessários para cadeias produtivas e para o abastecimento energético e alimentar do continente.
Entre os principais estão:
🛢️ Óleo bruto de petróleo: US$ 9,8 bilhões.
☕ Café não torrado: US$ 7,1 bilhões.
🌱 Farelo de soja para alimentação animal: US$ 4 bilhões.
🔩 Minérios de cobre: US$ 3 bilhões.
⛓️ Celulose: US$ 2,1 bilhões.
⛰️ Minério de ferro: US$ 1,1 bilhão.
E os demais países do Mercosul?
Embora negociado em bloco, o acordo entre União Europeia e Mercosul apresenta uma estrutura assimétrica. O Brasil concentra a maior parte do peso econômico, enquanto Argentina, Uruguai e Paraguai participam em escala menor. (veja no gráfico abaixo)
Segundo os especialistas ouvidos pelo g1, essa diferença reflete tanto nos fluxos comerciais quanto na capacidade de influência política dentro do processo.
A Argentina aparece como o segundo principal parceiro sul-americano no comércio com a União Europeia, mas a distância em relação ao Brasil é expressiva. Em 2024, as exportações brasileiras ao bloco europeu foram quase cinco vezes maiores que as argentinas, que somaram US$ 8,5 bilhões.
Para Regiane Bressan, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), essa assimetria é agravada por um cenário político pouco favorável à coordenação regional. “O ambiente atual é muito ruim para o diálogo, sobretudo diante das dificuldades de interlocução entre o governo brasileiro e a gestão de Javier Milei.”
O distanciamento político entre os presidentes Lula e Milei contribuiu para o esvaziamento do papel argentino na reta final das negociações.
“Embora o acordo tenha avançado tecnicamente, a relação protocolar levou o Brasil a assumir o protagonismo diplomático, enquanto Buenos Aires perdeu capacidade de articulação”, avalia Bressan.
Em contraste com a volatilidade argentina, o Uruguai apresenta uma trajetória de crescimento gradual e maior previsibilidade institucional. As exportações da UE para o país avançaram de US$ 418 milhões para US$ 2,1 bilhões em pouco mais de duas décadas.
Ainda assim, segundo Bressan, o país enfrenta limitações técnicas para atender às atuais exigências ambientais do bloco europeu. “Diferentemente do Brasil, que conta com um arcabouço legal mais estruturado, como o Código Florestal, esses países partem de uma base regulatória mais frágil”, afirma a professora.
No caso paraguaio, essas restrições se somam a um peso econômico reduzido na relação com o bloco europeu. Em 2024, as exportações da UE para o país somaram US$ 994 milhões, enquanto as importações ficaram em US$ 416 milhões, uma estagnação observada desde 2018.
Mesmo tendo pouco peso no comércio com a UE, o Paraguai ganhou importância no processo em 2026 ao assumir a presidência temporária do Mercosul — cargo que conduz a etapa final de ratificação do acordo.
INFOGRÁFICO – Quem ganha e quem perde com o acordo entre União Europeia e Mercosul
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Europa contrata menos e acende alerta sobre o futuro do trabalho

Ameaça da inteligência artificial de substituir o trabalho humano gera insegurança
Noah Berger/AP Images/picture alliance
Por um breve período durante e após a pandemia de covid-19, os trabalhadores europeus desfrutaram de uma rara vantagem sobre seus empregadores.
Programas generosos que ofereciam licenças remuneradas e reduções da jornada de trabalho ajudaram as empresas a compensar seus custos com pessoal. Os escritórios se tornaram opcionais graças ao trabalho remoto.
Após a pandemia, as manchetes sobre a chamada onda da "Grande Demissão", na qual muitos estavam voluntariamente deixando seus empregos, refletiram uma escassez global de mão de obra que aumentou drasticamente a demanda por talentos.
O esgotamento profissional também deu origem à expressão "demissão silenciosa", à medida em que funcionários rejeitavam ambientes de pressão excessiva em favor de um equilíbrio mais saudável entre vida profissional e pessoal.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Uma pesquisa de 2022 da empresa de consultoria McKinsey revelou que um terço dos trabalhadores europeus considerava deixar o emprego no período de três a seis meses. Angelika Reich, consultora de liderança da empresa de recrutamento executivo Spencer Stuart, afirma à DW que esse era um "número impressionante para uma região com uma rotatividade [de pessoal] tradicionalmente baixa".
Mercado de trabalho europeu perde fôlego
⚠️ Mas essa tendência se reverteu rapidamente com o setor industrial europeu sob pressão, a alta salarial em desaceleração e a ameaça da inteligência artificial (IA) substituindo o trabalho humano.
Reich observa como o mercado de trabalho europeu "esfriou" e como "menos vagas de emprego e um clima econômico mais difícil naturalmente tornam os funcionários mais cautelosos em relação a mudar de emprego".
Apesar de permanecer resiliente, o mercado de trabalho da zona do euro, composta por 21 países, deve crescer mais lentamente este ano, a 0,6%, em comparação com 0,7% em 2025, segundo o Banco Central Europeu (BCE).
Mercado de trabalho europeu perde fôlego
DW
Embora essa queda possa parecer pequena, cada diferença de 0,1 ponto percentual representa em torno de 163 mil novos empregos a menos criados. Há apenas três anos, a zona do euro criou cerca de 2,76 milhões de novos empregos, enquanto crescia a uma taxa robusta de 1,7%.
A migração também desempenhou um papel importante na oferta de mão de obra na Europa, ajudando a aliviar uma grave escassez de trabalhadores e a apoiar o crescimento do emprego em muitos países. A migração líquida, porém, está atualmente se estabilizando ou diminuindo.
Problemas alemães ditam o tom
Na Alemanha, mais de uma em cada três empresas planeja cortar empregos este ano, de acordo com o think tank econômico IW, com sede em Colônia.
O Banco da França espera que o desemprego no país aumente para 7,8%, enquanto no Reino Unido dois terços dos economistas entrevistados pelo jornal The Times acreditam que o desemprego pode subir para até 5,5%, ante os atuais 5,1%.
O desemprego na Polônia – a crescente potência econômica da União Europeia (UE) – também está aumentando, atingindo 5,6% em novembro, em comparação com 5% um ano antes. A Romênia e a República Tcheca também estão vendo aumentos semelhantes.
O enfraquecimento do mercado de trabalho deu origem a novos termos, como a "Grande Hesitação", que se refere ao fato de as empresas pensarem duas vezes antes de contratar e à cautela dos trabalhadores em relação a pedir demissão de empregos estressantes, assim como o chamado career cushioning – o preparo discreto de um plano B contra instabilidades no mercado de trabalho e no caso de demissões.
Crescimento do emprego na zona do euro deverá desacelerar nos próximos dois anos
Jens Kalaene/dpa/picture alliance
Algumas economias têm melhor desempenho
Em toda a Europa, porém, o panorama geral está longe de ser sombrio. A Espanha, que se beneficia de um boom turístico pós-pandemia, deverá ter mais um ano de crescimento do emprego, assim como Luxemburgo, Irlanda, Croácia, Portugal e Grécia, de acordo com o Centro Europeu para o Desenvolvimento da Formação Profissional, uma agência oficial da União Europeia.
Mesmo em países com crescimento mais fraco, ainda existem focos de forte demanda por trabalhadores.
"O que parecia uma escassez generalizada de trabalhadores durante a Grande Demissão virou algo mais específico a determinados setores", disse Julian Stahl, especialista em mercado de trabalho da empresa de recrutamento online Xing, à DW. "Ainda há sérias carências no varejo, saúde, logística, engenharia e outras funções altamente especializadas."
A base industrial da Alemanha foi a mais afetada pelas perdas de empregos nos últimos meses, particularmente nos setores automotivo, de máquinas, metalúrgico e têxtil. Os altos custos de energia, a fraca demanda por exportações e a forte concorrência da China eliminaram mais de 120 mil postos de trabalho, segundo dados do governo.
Essas mesmas pressões afetam também fabricantes na França, Itália e Polônia, levando o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) da indústria da zona do euro a cair para 48,8 em dezembro, o mais baixo em nove meses. Leituras acima de 50,0 indicam crescimento na atividade, enquanto as abaixo desse patamar apontam para contração.
"A maioria das empresas tenta manter o nível ou encolher ligeiramente em vez de crescer", disse Stahl, acrescentando que as contratações não pararam completamente.
Manchetes negativas sobre cortes de empregos na indústria parecem estar causando danos à reputação dos setores mais valorizados da Europa, afirmou Bettina Schaller Bossert, presidente da World Employment Confederation, uma organização global sem fins lucrativos sediada em Bruxelas que representa o setor privado de serviços de emprego.
"Muitos jovens recém-formados acreditam que não há futuro no setor automotivo. Eles não estão interessados em seguir carreira [nas montadoras europeias], mesmo que existam novas e fantásticas oportunidades", disse Bossert à DW.
Setor automotivo europeu atrai cada vez menos jovens recém-formados
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Impacto da IA deve remodelar o trabalho
A Europa vem implementando IA muito mais lentamente do que os Estados Unidos e a China, devido a investimentos menores, regulamentações mais rigorosas e adoção tardia. Mas isso não diminuiu os temores dos funcionários de que a automação poderá substituir rapidamente os humanos, especialmente após previsões negativas de milhões de demissões no futuro
Um estudo da gigante de consultoria EY, publicado em julho, constatou que um quarto dos trabalhadores europeus teme que a IA possa colocar seus empregos em risco, enquanto 74% acreditam que as empresas precisarão de um quadro de funcionários menor como resultado da tecnologia.
Em novembro, o Instituto de Pesquisa de Emprego (IAB), com sede em Nuremberg, projetou que 1,6 milhão de empregos somente na Alemanha poderiam ser remodelados ou perdidos para a IA até 2040. A Agência Federal do Trabalho prevê que os cargos altamente qualificados serão desproporcionalmente afetados, embora o setor de tecnologia possa criar cerca de 110 mil novos empregos.
Enzo Webe, chefe do departamento de previsões do IAB, afirmou no relatório que a IA levaria a uma "transformação" do mercado de trabalho, mas não a uma oferta menor.
Outras previsões variam desde o surgimento de um chamado precariado da IA – populações inteiras que não estão apenas desempregadas ou subempregadas, mas que perderam seu propósito, identidade e pertencimento social – até visões mais otimistas que argumentam que a inteligência artificial redistribuirá o trabalho, ao invés de eliminar profissões inteiras.
"Muitas tarefas árduas podem ser transferidas para a IA para liberar mão de obra humana", disse John Springford, especialista em mercado de trabalho do Centro para a Reforma Europeia, à DW. "Mas há um bom motivo para acreditar que o trabalho profissional e intelectual não diminuirá."
Anthony Klotz, professor do University College London que cunhou o termo "A Grande Demissão", argumenta em seu livro Jolted ("Abalado", em tradução livre), que será lançado em breve, que pedir demissão tem menos a ver com insatisfação a longo prazo e mais com momentos repentinos de clareza.
Para muitos trabalhadores europeus, o rápido avanço da IA pode se tornar exatamente esse tipo de abalo; um catalisador que os incentive a agir preventivamente, antes que a automação transforme seus papéis.
Os empregos que mais devem crescer em 2026, segundo o ranking do LinkedIn
Sem a presença de Lula, acordo UE-Mercosul será assinado neste sábado; veja os próximos passos

Acordo Mercosul-UE abre caminho para preços menores
Após mais de duas décadas de negociações, a União Europeia e o Mercosul dão neste sábado (17) um passo decisivo para a criação da maior zona de livre comércio do mundo.
Os dois blocos assinam, no Paraguai, o acordo comercial que pretende integrar mercados, reduzir tarifas, e ampliar o fluxo de bens e investimentos entre a América do Sul e a zona do euro.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será o único chefe de Estado sul-americano que não estará presente. Além da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa, estão confirmados os presidentes da Argentina, do Uruguai, da Bolívia e do Paraguai.
Lula recebeu von der Leyen nesta sexta-feira, no Rio de Janeiro. Na ocasião, classificou a demora para concluir o acordo como “25 anos de sofrimento e tentativa de acordo”.
"Amanhã [sábado], em Assunção, UE e Mercosul farão história ao criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo reunindo cerca de 720 milhões de pessoas e um produto interno bruto de US$ 22 trilhões. Essa é uma parceria baseada no multilateralismo", afirmou Lula.
A assinatura, no entanto, não encerra o processo: para que o tratado entre em vigor, o texto ainda precisará ser ratificado pelos parlamentos dos países envolvidos — um caminho que tende a ser longo e politicamente sensível, sobretudo dentro da UE.
A seguir, veja quais são as próximas etapas, o que ainda falta para a aprovação definitiva e os principais pontos de tensão em torno do acordo.
Veja quais são os países envolvidos no Acordo UE-Mercosul.
Arte/g1
1. Formalização dos votos
Após a aprovação provisória pelo Comitê de Representantes Permanentes (Coreper), órgão composto pelos embaixadores dos Estados-membros da UE, houve a formalização dos votos.
As capitais do bloco tinham até às 17h, no horário de Bruxelas (13h no horário de Brasília) para confirmar seus votos por escrito.
Nesta tarde, o Chipre, que detém a presidência rotativa do bloco, confirmou a adesão dos países europeus por "ampla maioria".
2. Assinatura formal
Com a maioria qualificada confirmada, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ficará autorizada a assinar o acordo em nome da União Europeia.
A assinatura formal era esperada para segunda-feira (12), no Paraguai, que exerce a presidência rotativa do Mercosul, mas deve acontecer neste sábado (17), segundo o Ministério das Relações Exteriores.
A assinatura, no entanto, não significa que o acordo passe a valer imediatamente. Após essa etapa, o tratado seguirá para os processos de ratificação internos.
3. Quando entra em vigor
No caso da União Europeia, o texto precisará ser analisado pelo Parlamento Europeu. Dependendo da interpretação jurídica, partes do acordo também poderão ter de ser aprovadas pelos parlamentos nacionais dos países-membros.
Do lado do Mercosul, o acordo também terá de passar pelos Congressos nacionais do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
🔎 O acordo cria obrigações legais dentro de cada país do Mercosul, como redução de tarifas, mudanças nas regras comerciais e compromissos regulatórios.
Enquanto isso, a União Europeia e os países do Mercosul poderão discutir a aplicação provisória de partes do tratado, especialmente as relacionadas à redução de taxas, o que permitiria antecipar alguns efeitos econômicos antes da ratificação completa.
O acordo só passa a valer por completo depois de todas as aprovações internas serem concluídas nos dois blocos.
O acordo UE-Mercosul
Negociado há mais de 25 anos, o acordo prevê a redução gradual de tarifas, regras comuns para comércio de produtos industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
O tratado criará uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, ligando os dois blocos em um mercado de mais de 700 milhões de pessoas.
Entretanto, as negociações dividiram a União Europeia. Países como Alemanha e Espanha apoiam o tratado por enxergarem oportunidades de ampliar exportações, reduzir a dependência da China e garantir acesso a minerais estratégicos.
Já a França — que garantiu apoio de alguns países, como Polônia, Irlanda e Áustria — se opõe, principalmente por temer prejuízos ao setor agrícola diante da concorrência de produtos sul-americanos mais baratos. Agricultores e ambientalistas também criticam o acordo.
O texto final tenta equilibrar esses interesses, com salvaguardas para a agricultura europeia e exigências ambientais mais rígidas.
Para o Mercosul, o Brasil tem papel central: precisa comprovar avanços em sustentabilidade e controle ambiental para facilitar a ratificação e ampliar o acesso ao mercado europeu.
Veja abaixo a linha do tempo do acordo.
Bandeiras de países da União Europeia na sede do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, França
Antoine Schibler/Unsplash
Mega-Sena pode pagar R$ 41 milhões neste sábado

Como funciona a Mega-sena
O concurso 2.961 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 41 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h deste sábado (17), em São Paulo.
Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp
No concurso da última quinta-feira, nenhuma aposta acertou as seis dezenas.
A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
UE negocia acordo de terras raras com o Brasil, diz presidente da Comissão Europeia

Lula e chefe da Comissão Europeia se reúnem na véspera da assinatura do acordo
A União Europeia também entrou na disputa global pelos minerais críticos do Brasil. Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Rio de Janeiro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o bloco negocia um acordo com o país para investimentos conjuntos em lítio, níquel e terras raras — insumos considerados estratégicos para a transição energética, a digitalização da economia e a segurança geopolítica.
A declaração foi feita durante a cerimônia que celebrou o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, negociado ao longo dos últimos 25 anos (o acordo comercial é amplo, envolve diversos itens, e é distinto da negociação sobre terras raras).
Segundo von der Leyen, a cooperação em matérias-primas críticas será um dos pilares da relação entre os dois lados.
“Isso vai moldar nossa cooperação em projetos de investimento conjunto em lítio, níquel e terras raras. É a chave para a nossa transição digital e limpa, e também para a independência estratégica, num mundo em que os minerais tendem a ser instrumento de coerção”, afirmou.
Interesse também dos EUA
O aceno europeu ocorre no mesmo momento em que os Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, passaram a demonstrar interesse direto nos minerais estratégicos brasileiros.
O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China, mas ainda exporta grande parte desses minerais sem processamento, o que reduz o valor agregado capturado pelo país.
No discurso, von der Leyen classificou o acordo Mercosul–UE como um arranjo de “ganha-ganha” e encerrou a fala em português.
“Todo mundo beneficiado é realmente um ganha-ganha. Esse é o jeito europeu de fazer negócio. E quero dizer, do fundo do meu coração: obrigada, amigo. O melhor está por vir”, disse, antes de se despedir.
As terras raras — um grupo de 17 elementos químicos essenciais para turbinas eólicas, carros elétricos, chips, equipamentos médicos e tecnologias militares — estão no centro de uma corrida geopolítica.
Enquanto a China domina o refino e o processamento, EUA e União Europeia buscam diversificar fornecedores para reduzir dependências estratégicas. Nesse cenário, o subsolo brasileiro passou a ocupar posição central no tabuleiro internacional.
As terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos essenciais para o funcionamento de diversos produtos modernos
Arte/g1
Banco Inter recebe autorização do Fed para abrir filial nos EUA

Banco Inter recebe autorização para abrir filial nos EUA
O Banco Inter, controlado pela holding Inter&Co, informou nesta sexta-feira (16) que recebeu as aprovações do Florida Office of Financial Regulation (OFR) e do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) para estabelecer uma agência internacional na Flórida.
"Na prática, a partir de agora, o Inter passa a atuar como banco para clientes internacionais em qualquer parte do mundo, a partir de sua filial nos Estados Unidos, marcando um avanço relevante em sua estratégia de expansão internacional", afirmou o banco em comunicado à imprensa.
De acordo com o grupo, a autorização viabiliza a abertura de uma agência em Miami, cidade onde o Inter mantém sua sede global desde 2021.
A unidade deve ampliar a oferta de serviços financeiros a pessoas físicas e empresas fora do Brasil.
"Esse passo reforça nossa ambição de atuar como uma plataforma global', afirmou João Vitor Menin, presidente-executivo global da Inter&Co, em comunicado.
Com a nova autorização, o Inter passa a integrar o grupo de instituições financeiras internacionais habilitadas a operar uma agência nos Estados Unidos.
A operação funcionará como uma base bancária digital e permitirá a oferta de produtos como contas correntes e de poupança, cartões de débito e crédito e modalidades de financiamento.
A estrutura também possibilita a captação de depósitos em dólar de clientes estrangeiros e o atendimento a empresas internacionais com operações no mercado americano, de acordo com as regras do sistema financeiro local.
O banco afirma ainda que a presença nos Estados Unidos amplia sua capacidade de atendimento a públicos internacionais e contribui para a organização de sua operação global.
Fundado como o primeiro banco digital do Brasil, em 2015, o Inter reúne hoje mais de 41 milhões de clientes e atua como um superaplicativo financeiro, com serviços de banking, investimentos, crédito, seguros, marketplace e remessas internacionais.
Segundo dados do banco, cerca de 10% das transferências entre pessoas realizadas no Brasil por meio do Pix passam pela plataforma do Inter.
A instituição tem índice de eficiência de 45,2%, carteira de crédito de R$ 43,8 bilhões, patrimônio líquido de R$ 9,8 bilhões e ativos totais de R$ 91,8 bilhões.
A empresa é listada na Nasdaq, bolsa de tecnologia dos Estados Unidos, sob o código INTR.
Logo do Banco Inter
Divulgação
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Trump tem 'plano B' e pode impor tarifa de 10% se Suprema Corte derrubar tarifaço, diz Hassett

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem um “plano B” para impor tarifas generalizadas de 10% caso a Suprema Corte derrube o tarifaço imposto pelo republicano em 2025.
A afirmação foi feita pelo diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Kevin Hassett, em entrevista à Fox Business, nesta sexta-feira (16).
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"Nós estamos muito confiantes de que a Suprema Corte vai ficar do nosso lado. A análise jurídica nos favorece. Mas também temos um plano B realmente sólido", disse Hassett. "Podemos impor imediatamente uma tarifa de 10% para compensar a maior parte do espaço perdido."
A expectativa é que a Suprema Corte divulgue, na próxima semana, uma decisão sobre a principal política econômica de Trump. A análise envolve a legalidade das tarifas impostas no chamado “Dia da Libertação”, que alcançou mais de 180 países — incluindo o Brasil. (leia mais abaixo)
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Segundo o conselheiro da Casa Branca, o governo pode recorrer a instrumentos como a Seção 301 e a Seção 232 da lei de comércio exterior dos EUA para complementar as tarifas.
Esses dispositivos autorizam a imposição de sobretaxas em casos de práticas comerciais desleais ou por motivos de segurança nacional e poderiam substituir, de forma mais duradoura, parte das tarifas que eventualmente sejam derrubadas pela Justiça.
Outra alternativa é a adoção das tarifas de 10% com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que autoriza o presidente a impor sobretaxas de até 15% por um período máximo de 150 dias para corrigir desequilíbrios comerciais.
O presidente Donald Trump durante evento na Casa Branca, em 14 de janeiro de 2026
REUTERS/Evelyn Hockstein
À espera da Suprema Corte
A Suprema Corte dos EUA pode anunciar na próxima semana sua decisão sobre a legalidade do amplo aumento de tarifas imposto pelo presidente Donald Trump à importação de produtos de diversos países, entre eles o Brasil.
A análise das tarifas de Trump envolve um recurso do Departamento de Justiça contra uma decisão de instância inferior, que concluiu que o republicano extrapolou sua autoridade ao impor a maior parte das taxas globais com base em uma lei federal destinada a situações de emergência. (leia mais abaixo)
Na prática, a esperada decisão sobre o tarifaço deve definir os limites do poder do republicano para agir sem o aval do Congresso americano — e pode afetar medidas aplicadas contra o Brasil. O processo judicial se arrasta desde o meio de 2025.
A briga judicial
A Suprema Corte dos EUA decidiu em setembro passado analisar a legalidade do tarifaço imposto por Donald Trump, após o governo recorrer da decisão de um tribunal de apelações, que concluiu que a maioria das tarifas não tem respaldo legal.
As ações contra as taxas foram apresentadas por empresas impactadas pelo tarifaço e por 12 estados americanos, a maioria administrada por democratas.
Além dos limites do poder de decisão de Trump, estão em jogo trilhões de dólares em tarifas alfandegárias ao longo da próxima década. O presidente americano já defendeu que as cobranças são um "remédio" necessário para a economia americana.
Em 5 de novembro, durante as sustentações orais do caso, os juízes da Suprema Corte levantaram dúvidas sobre a legalidade das tarifas impostas por Trump. O debate durou mais de 2h30.
O principal ponto das discussões foi avaliar se o presidente havia ultrapassado a competência do Congresso americano ao impor tarifas com base em uma lei de 1977, originalmente prevista para ser aplicada em situações de emergência nacional.
Segundo a agência Reuters, alguns juízes conservadores afirmaram que a Corte estava debatendo o poder "inerente" dos presidentes ao lidar com outros países — na prática, isso indica uma possível divisão sobre o resultado do caso. O tribunal possui maioria conservadora de 6 a 3.
Balanço 2025: efeitos do tarifaço foram menores do que o esperado na economia; bolsa subiu e dólar recuou
Com reformas de Milei, Argentina registra superávit fiscal em 2025 pelo segundo ano seguido

A Argentina encerrou 2025 com superávit nas contas públicas pelo segundo ano consecutivo. O resultado é atribuído à política de “déficit zero”, adotada pelo presidente ultraliberal Javier Milei, informou o governo nesta sexta-feira (16).
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Em 2025, o superávit primário alcançou 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o superávit fiscal ficou em 0,2% do PIB, segundo o ministro da Economia, Luis Caputo.
🔎 O superávit primário exclui os juros da dívida e mostra o resultado das receitas e despesas do governo. Já o superávit fiscal inclui os juros e reflete o saldo final das contas públicas.
A Argentina não registrava dois anos consecutivos de resultado positivo em suas contas públicas desde 2008.
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O resultado representa um leve recuo em relação a 2024, quando o superávit primário foi de 1,8% e o superávit fiscal alcançou 0,3%.
"A âncora fiscal (déficit zero) é e será uma política de Estado", comemorou Milei em sua conta no X.
O resultado fiscal de 2025 foi sustentado por um forte ajuste nos gastos públicos, que incluiu a redução de subsídios e o congelamento de orçamentos em áreas como educação, saúde, pesquisa científica e obras públicas.
"A ordem nas contas públicas e o crescimento econômico permitirão continuar devolvendo recursos ao setor privado na forma de redução de impostos", prometeu o ministro da Economia.
Apesar da melhora fiscal, a Argentina observou uma intensificação da pobreza no primeiro semestre de 2024, com 52,9% da população nessa situação.
Já no primeiro semestre de 2025, o percentual caiu para 31%. Os dados do segundo semestre ainda serão divulgados.
Inflação encerra o ano em 31,5%
A Argentina encerrou 2025 com inflação de 31,5%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), divulgado na terça-feira (13) pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec).
O resultado ficou bem abaixo dos 117,8% registrados em 2024 e é o menor valor desde 2017. Em dezembro, o indicador acelerou pelo quarto mês consecutivo, a 2,8% no mês, acima dos 2,5% registrados em novembro.
Os dados do Indec mostram que o índice oficial de preços da Argentina apresentou forte melhora no ritmo mensal ao longo de 2024, primeiro ano da gestão do presidente Javier Milei.
Em 2025, no entanto, a taxa mensal permaneceu entre 2% e 3%, com poucas leituras abaixo de 2%. O cenário se tornou menos favorável a partir de maio, quando os números passaram a indicar uma aceleração gradual da inflação.
Acordo com o FMI
No início do governo Milei, a melhora nos indicadores econômicos fez com que o líder alcançasse, em abril de 2025, um acordo de US$ 20 bilhões em empréstimos junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI). A primeira parcela, de US$ 12 bilhões, foi disponibilizada ao país poucos dias depois.
O repasse dos recursos representa um voto de confiança do fundo internacional no programa econômico do presidente argentino. Os valores anunciados se somam a dívidas antigas do país junto ao FMI, que já superavam os US$ 40 bilhões.
Nesse cenário, reduzir a inflação é fundamental para o governo do líder argentino, que deseja eliminar completamente os controles de capitais que prejudicam os negócios e os investimentos. Para isso, Milei quer que a inflação permaneça abaixo de 2% ao mês.
Logo após o acordo com o FMI, o banco central da Argentina anunciou uma redução dos controles cambiais, o chamado “cepo”. A flexibilização determinou o fim da paridade fixa para o peso argentino e introduziu o "câmbio flutuante" — quando o valor da moeda é determinado pela oferta e demanda do mercado.
Com isso, o governo de Javier Milei passou a ensaiar o fim do sistema de restrição cambial que estava em vigor desde 2019, limitando a compra de dólares e outras moedas estrangeiras pelos argentinos. A deterioração recente nos mercados, porém, fez o país voltar a intervir no câmbio.
O presidente da Argentina, Javier Milei
Tomas Cuesta/Reuters
* Com informações da agência de notícias AFP
Como fundos da Reag foram usados para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master

Relações do Banco Master com Reag estavam na mira do BC desde 2024
A Reag, que já vinha sendo investigada pela Polícia Federal por suspeitas de envolvimento com a facção criminosa PCC, também entrou no foco da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
No centro do caso está a CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM, administradora de fundos do grupo, cuja liquidação extrajudicial foi decretada pelo Banco Central nesta quinta-feira (15).
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👉 A PF apura se a Reag teria atuado na estruturação e administração de fundos suspeitos de movimentar recursos de forma atípica, inflar resultados e ocultar riscos, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro com o Banco Master,
Entenda como BC identificou uso dos fundos da Reag no aumento do patrimônio do Master.
O Mecanismo da fraude
O Banco Central identificou uma engenharia financeira usada para inflar artificialmente o patrimônio de fundos e mascarar os riscos do Banco Master.
🏦Captação: O Banco Master oferecia ao mercado Certificado de Depósito Bancário (CDBs) com rendimentos acima do mercado para atrair novos investidores e, assim, captar recursos para o banco.
💳 Empréstimo e triangulação via Reag: Em 22 de abril de 2024, o Banco Master concedeu um empréstimo de R$ 459 milhões à empresa Brain Realty Consultoria. Dois dias depois, a Brain Realty transferiu quase todo o valor (R$ 450 milhões) para um fundo próprio, o Brain Cash, administrado pela Reag.
🌀Circulação entre fundos: No mesmo dia, o dinheiro passou rapidamente por outros fundos também administrados pela Reag, como D Mais e High Tower, em operações realizadas em questão de minutos.
💰 Compra de "Títulos Podres" e superavaliação dos ativos: O fundo High Tower usou os recursos para comprar títulos antigos do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc). Embora esses títulos tenham custado cerca de R$ 850 milhões, o fundo registrou em seu balanço que eles valiam mais de R$ 10 bilhões, inflando artificialmente seu patrimônio e a rentabilidade.
💸Revenda entre fundos e fragmentação do dinheiro: Parte desses títulos supervalorizados foi revendida a outros fundos da Reag, como o D Mais, por valores bilionários, ampliando ainda mais a distorção contábil. Os R$ 450 milhões iniciais foram pulverizados entre vários outros fundos da Reag (como Anna, Astralo 95 e Growth 95) ao longo do mesmo dia.
🤑 Retorno do capital ao Master: Cerca de três horas depois, os fundos aplicaram praticamente todo o valor em CDBs do próprio Banco Master.
🔎 Na prática, o dinheiro circulou por vários fundos e voltou ao próprio banco em poucos dias. Segundo a investigação, o objetivo era inflar o patrimônio e transmitir uma falsa sensação de solidez e liquidez. Embora, no papel, a consultoria apareça como responsável pelo empréstimo, as apurações indicam que o banco acabou financiando a si mesmo, sem um tomador final real e independente.
"O objetivo financeiro desse desenho seria criar uma aparência de boa performance (liquidez e solidez) dos fundos, além de confundir e dificultar o rastreamento do dinheiro, que passaria por várias camadas de fundos e operações, perdendo o vínculo direto com sua origem e dificultando a identificação de quem se beneficia ao final", afirma o especialista em finanças, investimentos e mercado internacional Beny Fard.
Em alguns casos, o dinheiro retorna ao próprio banco, agora “maquiado” e com “cara de investimento legítimo”, numa lógica em que o capital “sai como empréstimo, gira por fundos e volta” ao sistema financeiro.
INFOGRÁFICO - Como funcionou o esquema entre Banco Master e Reag
Arte/g1
A liquidação da CBSF (Reag Trust)
O Banco Central decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM, encerrando imediatamente as atividades da gestora.
A medida atinge a instituição, mas não os fundos sob sua gestão, que seguem ativos e deverão buscar novos administradores.
Segundo o BC, a decisão foi tomada em razão do descumprimento de “regras legais e prudenciais”, o que comprometeu a capacidade da empresa de operar de forma segura.
A autoridade monetária afirmou ainda que “continuará adotando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades” e que o resultado das apurações “poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e ao encaminhamento de comunicações às autoridades competentes”.
“Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição”, conclui a nota. A APS Serviços Especializados de Apoio Administrativo Ltda. foi nomeada pelo Banco Central como liquidante da Reag.
A investigação da Polícia Federal também aponta que os donos do Banco Master e do grupo Reag Investimentos usaram familiares para ocultar o real controle de ativos e fundos de investimento.
Segundo a PF, a Reag foi utilizada para desviar recursos do Banco Master e os filhos de Mansur “foram utilizados para a prática dos crimes”. No caso do Master, o pai de Daniel Vorcaro, Henrique, além da irmã e do cunhado, foram alvos da operação. O Master teve sua liquidação extrajudicial decretada em novembro do ano passado pelo Banco Central. (relembre aqui)
Em documento citado na investigação, a Polícia Federal afirma que “tais fatos restaram muito bem elucidados na representação do Banco Central, por meio de fluxograma que demonstra o uso de diversos FIDIC’s para a operacionalização das fraudes no Banco Master, de modo similar ao verificado na representação policial inaugural”.
Fachada do Banco Master no Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo, no dia 19 de novembro de 2025
Rovena Rosa/Agência Brasil
Lula e líder da União Europeia dão entrevista coletiva após reunião
Lula e líder da União Europeia dão entrevista coletiva após reunião Encontro aconteceu um dia antes da assinatura do acordo de livre comércio entre UE e Mercosul. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu hoje a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.. A reunião ocorreu um dia antes da assinatura do acordo comercial histórico entre o Mercosul e a União Europeia, no Paraguai.. Após o encontro, o presidente diz que acordo tem relação com respeito à democracia e ao Estado de Direito.. Já Ursula von der Leyen falou que é uma conquista de 'uma geração inteira' e agradeceu Lula por encabeçar as tratativas.. O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação. A união dará origem à maior zona de livre comércio do mundo.
Acordo UE-Mercosul: como o agro brasileiro deve se beneficiar

O que está em jogo para o agro brasileiro no acordo UE-Mercosul
Os países da União Europeia e do Mercosul assinaram neste sábado (17) o acordo de livre comércio, depois de quase 26 anos de discussões.
A cerimônia acontece no Paraguai, com representantes de Argentina, Brasil e Uruguai, que compõem o bloco sul-americano, e da UE. Para valer, o tratado ainda terá que ser aprovado nos congressos dos países.
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O acordo prevê eliminar as tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários que a União Europeia compra do Mercosul.
Com isso, o setor poderá aumentar as vendas de diversos itens, como café, frutas, peixes, crustáceos e óleos vegetais, que terão taxas de importação gradualmente zeradas na Europa.
As tarifas serão reduzidas gradualmente, em prazos que podem variar de 4 a 10 anos, a depender do produto.
Itens como as carnes bovina e de frango terão cotas de exportação com imposto menor. São alimentos considerados "sensíveis" pelos europeus, pois competem diretamente com a produção local
Contra essa competição, uma parte ruidosa dos produtores europeus protagonizou diversos protestos contra o acordo, mesmo depois do aval da UE, no último dia 9.
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O acordo não envolve só o agro, mas este foi o ponto mais sensível ao longo das décadas de negociação do livre comércio.
O Brasil, um dos maiores produtores de alimentos do mundo, deve ser um grande beneficiário do acordo. O bloco europeu já é o segundo maior cliente do agro brasileiro, atrás da China e à frente dos Estados Unidos.
O acordo assume um peso ainda mais estratégico para o Brasil depois que as vendas do agro para os EUA despencaram em 2025, diante do tarifaço imposto pelo presidente americano Donald Trump.
A sobretaxa acabou sendo retirada em novembro — mas quase metade das exportações do agro brasileiro ainda está submetida a ela.
Além disso, recentemente, China e México, outros grandes compradores do Brasil, adotaram limitações para as importações de carne. E os EUA ameaçam taxar quem mantiver comércio com o Irã.
Veja a seguir o potencial do acordo para o Brasil nos seguintes setores:
carnes
café
soja
E como as proteções aprovadas pela UE para o agro europeu incomodaram os produtores brasileiros.
Veja dados das exportação do Brasil para a UE em 2025
Arte g1
➡️Potencial para carnes
Uma das principais tensões do acordo está no setor de carnes. Pecuaristas europeus, sobretudo da França e da Polônia, resistem ao tratado por temerem perder espaço para os sul-americanos, que podem ganhar competitividade no continente.
Atualmente, a França lidera a produção de carne bovina na Europa, enquanto a Polônia ocupa a dianteira na produção de frango. O Brasil é o maior exportador global desses dois tipos de carnes e, há anos, consegue ofertá-los a preços mais baixos do que seus concorrentes.
Atualmente, a carne bovina brasileira tem dois tipos de tarifação para ser comprada por países da UE, explica a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
Uma delas é a cota Hilton, destinada a cortes nobres, que permite ao Brasil exportar 10 mil toneladas por ano com uma taxa de 20%. Esse percentual será zerado, caso o acordo seja aprovado.
Outros tipos de carne bovina têm uma taxa menor, de 12,8%, mais 221,1 euros por 100 kg. Segundo a Abiec, se o acordo UE-Mercosul entrar em vigor, o Brasil deve deixar de pagar essa tarifa, já que passará a ter uma nova cota de exportação em conjunto com os demais países do Mercosul.
Pelo tratado, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai poderão exportar, juntos, até 99 mil toneladas por ano, com uma tarifa inicial de 7,5%.
O volume é bem menor do que as 128 mil toneladas que o Brasil exportou, sozinho, para a UE no ano passado.
Sueme Mori, da CNA, avalia que essa cota é pequena, mas que o acordo em si eleva o nível da relação entre os parceiros comerciais e faz com que o Mercosul passe a ser um parceiro preferencial da União Europeia.
Uma lógica semelhante vai funcionar para as carnes de aves, explica a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Hoje, o setor conta com diferentes cotas de acesso à União Europeia: no caso do frango in natura, por exemplo, o país pode exportar 15.050 toneladas com tarifa zero, enquanto os volumes excedentes pagam 1.024 euros por tonelada.
Com o acordo, o Brasil terá, junto com os outros países do Mercosul, uma cota anual de exportação de 180 mil toneladas com tarifa zero.
Ela vai começar em um nível menor no primeiro ano e vai sendo aumentada em parcelas anuais iguais até chegar ao total, no sexto ano, detalhou a ABPA.
No entendimento da associação, as exportações brasileiras de frango que ocorrerem fora da cota do tratado continuarão sujeitas às regras tarifárias atualmente em vigor. "O que teremos com o Mercosul é outra cota, será adicional", disse a associação.
"Se o acordo for implementado com previsibilidade e respeito às regras, há espaço concreto para aumento das exportações brasileiras de carne de frango", concluiu a ABPA.
Nesta sexta-feira, a associação afirmou que o acordo representa "um avanço relevante para a previsibilidade comercial e para o fortalecimento das relações entre os blocos, com impactos graduais e bem delimitados para o setor de proteínas animais".
Em 2024, a UE foi apenas o oitavo maior comprador de carnes brasileiras.
➡️ Potencial para o café solúvel
O café é o produto brasileiro mais vendido para a UE em valor exportado.
(CORREÇÃO: O g1 errou ao informar que o café é o segundo produto brasileiro mais vendido para a União Europeia em valor exportado, depois da soja. Na verdade, o café lidera as vendas para a UE em valor, enquanto a soja fica em segundo lugar. A informação foi corrigida nesta segunda-feira (19), às 12h53).
O café em grão — que representa 97% das vendas do setor à UE — já entra na Europa sem tarifa. Mas, atualmente, o bloco aplica uma taxa de 9% sobre o café solúvel e de 7,5% sobre o torrado e moído, afirma o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos.
"O nosso maior concorrente em café solúvel, o Vietnã, já tem tarifa zero. Então, o acordo pode tornar nosso solúvel mais competitivo na Europa", destaca Matos.
O acordo UE-Mercosul prevê que as tarifas do café solúvel e torrado e moído zerem em 4 anos.
Matos reforça que um acordo comercial é "muito mais do que exportação". Segundo ele, se o tratado for para a frente, há possibilidades de grupos empresariais europeus investirem ainda mais na indústria de café do Brasil.
As donas do café: marcas populares no Brasil pertencem a empresas estrangeiras; saiba quem são
➡️ Nada muda para a soja
O acordo, no entanto, não deverá ter impacto para a soja, que é o segundo produto do agro brasileiro mais exportado para a União Europeia, em valor, depois do café, e o primeiro em volume.
A soja já conta com tarifa zero tanto para o grão, como para o farelo, explica o diretor de Economia da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Daniel Furlan Amaral.
"Esse tratamento se mantém há muitos anos. Por essa razão, o acordo Mercosul-UE não altera o cenário tarifário da soja", afirma Amaral.
Ainda assim, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) considerou que "o acordo poderá proporcionar maior previsibilidade aos exportadores, reduzir custos e ampliar a priorização dos produtos brasileiros, reforçando a competitividade do país nesses mercados".
Blindagem do agro europeu incomodou
As chamadas salvaguardas, uma série de regras aprovadas pela UE no início de dezembro para proteger o agro europeu, incomodaram produtores brasileiros.
Em resumo, elas preveem que os benefícios tarifários do Mercosul no acordo podem ser suspensos temporariamente, caso a UE entenda que isso esteja prejudicando algum setor do agro local.
Ainda em dezembro, a diretora de relações internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), Sueme Mori, disse que as salvaguardas são preocupantes.
Isso porque elas podem limitar as exportações brasileiras para o mercado europeu, o que é contraditório, em um momento em que se espera assinar um acordo de livre comércio.
Ela esclareceu que as salvaguardas não serão acrescentadas ao acordo que foi negociado entre as partes e deverá ser assinado em breve, mas que farão parte de um regulamento interno da UE.
Na prática, se as importações de um determinado produto agrícola considerado sensível aumentarem em 5%, na média de 3 anos, a UE poderá abrir uma investigação para avaliar a possível suspensão dos benefícios.
Na proposta original da comissão, divulgada em outubro, esse limite era maior, de 10%.
Os integrantes da comissão também reduziram o tempo de duração dessas investigações: de 6 para 3 meses, em geral, e de 4 para 2 meses, para produtos sensíveis.
"Isso permite à União Europeia aplicar penalidades de forma muito mais rápida, dando menos tempo aos países do Mercosul para se explicarem e se defenderem", diz Leonardo Munhoz, pesquisador do Centro de Bioeconomia da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
A comissão também propôs uma nova regra que obriga os países do Mercosul a adotar as mesmas normas de produção exigidas na União Europeia.
Segundo Munhoz, essa cláusula não estava prevista no acordo original e pode gerar insegurança jurídica. "A UE pode questionar, por exemplo, se o Brasil usar defensivos agrícolas ou fertilizantes que não são utilizados na Europa", exemplificou.
Para a ABPA, essas proteções não eliminam o potencial de exportação, mas podem ter algum efeito sobre a previsibilidade, dependendo de como forem aplicadas.
"Do ponto de vista do Brasil, o que defendemos é que qualquer salvaguarda seja estritamente técnica, transparente e baseada em critérios objetivos, de forma a não transformar um mecanismo excepcional em barreira disfarçada", disse a ABPA, ao g1.
UE também ganha
O tarifaço de Trump também atingiu a UE e este foi um ponto crucial para que o acordo tenha sido defendido também por países europeus, sobretudo Alemanha e a Espanha, apesar da oposição liderada pela França.
Lula agradece à Espanha por apoio a acordo
Áustria, Hungria, Irlanda e Polônia também foram contrários ao acordo nesta sexta, segundo a Reuters.
O grupo, entretanto, não conseguiu o apoio mínimo para barrar o tema, com outros 21 países votando a favor, também de acordo com a agência. A Bélgica se absteve.
A decisão provavelmente ficou com a Itália, cujo posicionamento sobre o acordo oscilou nos últimos meses.
Como acordo Mercosul-UE pode trazer mais chocolates e baratear vinhos europeus no Brasil
Para destravar a negociação, além de aprovar as salvaguardas para proteger o agro europeu, a UE prometeu reduzir tarifas de fertilizantes, o que reduziria custos de produção.
Com o livre comércio com o Mercosul, a UE poderá aumentar exportações de carros, máquinas e produtos químicos, além de itens agrícolas, como queijos e vinhos, para o Mercosul. E também reduzir a dependência da China na área de minerais.
Mesmo derrotada, a França ameaçou adotar medidas 'unilaterais' se o seu agro correr risco.
Acordo que se arrasta desde os anos 90
O acordo de livre comércio UE-Mercosul não vale apenas para produtos agrícolas, mas este setor tem protagonizado boa parte dos embates.
As discussões começaram em 1999 e foram paralisadas depois de um acordo inicial alcançado em 2019. As conversas só foram retomadas em 2024, a pedido da Comissão Europeia.
O acordo foi, então, anunciado no fim de 2024, o que encerrou o período de negociações e inaugurou o de aprovações pelos países.
“É um acordo que envolve praticamente 722 milhões de habitantes e US$ 22 trilhões de Produto Interno Bruto (PIB). É uma coisa extremamente importante, possivelmente seja o maior acordo comercial do mundo", disse o presidente Lula, em novembro, durante o G20 – grupos das maiores economias do mundo.
Trump ameaça taxar países contrários a plano dos EUA de comprar Groenlândia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (16) que poderá impor uma tarifa aos países que não apoiarem seu plano de adquirir a Groenlândia, território autônomo que faz parte da Dinamarca. O republicano não detalhou, no entanto, de quanto seria essa tarifa ou como as taxas seriam cobradas.
"Posso impor uma tarifa aos países que não concordarem com a Groenlândia, porque precisamos da Groenlândia para a segurança nacional", disse Trump em um evento de saúde na Casa Branca.
O presidente americano tem ameaçado anexar a Groenlândia aos EUA desde que tomou posse para seu segundo mandato, um ano atrás. Segundo o republicano, o território é "vital" para o Domo de Ouro, escudo antimísseis que ele deseja construir para proteger o país.
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"Os Estados Unidos precisam da Groenlândia para fins de segurança nacional. Ela é vital para o Domo de Ouro que estamos construindo. A Otan deveria liderar o processo para que a conquistemos. Se não o fizermos, a Rússia ou a China o farão, e isso não vai acontecer!", escreveu Trump em uma publicação recente em seu perfil no Truth Social.
ENTENDA MAIS ABAIXO
Por que Trump diz que a Groenlândia é vital para construir Domo de Ouro; INFOGRÁFICO
Situada entre os EUA e a Rússia, a Groenlândia é vista há muito tempo como uma área de grande importância estratégica, particularmente no que diz respeito à segurança do Ártico.
Os EUA já possuem uma base militar na ilha, mas reduziram drasticamente sua presença no país.
Diante das recentes ameaças de Trump, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia chegaram a enviar tropas militares para a Groenlândia na última quinta-feira (15).
De acordo com o governo alemão, a missão foi solicitada pela Dinamarca — que atualmente tem a custódia da Groelândia — para avaliar possíveis contribuições militares e reforçar a segurança na região.
Em resposta, a porta-voz do governo dos EUA, Karoline Leavitt, afirmou que o envio das tropas europeias para a região não muda a posição de Trump. “Não acho que tropas europeias influenciem o processo de decisão do presidente, nem o objetivo de adquirir a Groenlândia”, disse na véspera.
No início desta semana, o republicano havia zombado das capacidades defensivas da ilha do Ártico, afirmando que os EUA a obterão "de um jeito ou de outro".
"Se não tomarmos a Groenlândia, a Rússia ou a China o farão, e não vou deixar isso acontecer. Eu gostaria de fazer um acordo com eles, é mais fácil. Mas a teremos de um jeito ou de outro. (...) A Groenlândia deveria fazer um acordo [com os EUA], porque eles não querem ver a Rússia ou a China dominar. (...) E sabe qual a defesa da Groenlândia? Basicamente dois trenós puxados por cachorros", afirmou Trump na ocasião.
Trump durante entrevista nesta sexta-feira (16)
Nathan Howard/Reuters
*Com informações da agência de notícias Reuters
Novo Volkswagen Taos chega ao Brasil a partir de R$ 199.990; veja o que mudou

Novo Volkswagen Taos 2026 reformula visual para peitar rivais
O novo Volkswagen Taos chega ao Brasil em 22 de janeiro, com preço inicial de R$ 199.990. O modelo traz profunda atualização visual, mais conectividade e tudo isso chega com objetivo de alavancar as vendas fracas do utilitário, quando comparadas ao que conseguiram Jeep Compass e Toyota Corolla Cross.
Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), estas foram as vendas dos principais concorrentes do Taos em 2025:
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Jeep Compass: 61.255 unidades emplacadas;
Toyota Corolla Cross: 59.674 unidades em placadas;
Chery Tiggo 7: 38.438 unidades emplacadas;
Volkswagen Taos: 12.920 unidades emplacadas.
Em comparação com seus principais concorrentes, o Corolla Cross e Jeep Compass venderam quase 5 vezes mais que o Taos em 2025, enquanto o modelo da Volks só supera as vendas do líder do segmento ao somar todos os emplacamentos de 2021 a 2025.
Nesse acumulado, o SUV médio da Volkswagen registrou 65.944 unidades vendidas e supera em 7% o que o Jeep Compass conseguiu somente no ano passado.
Este novo Taos faz parte de uma lista de modelos que recebem atualizações no meio do ciclo de vida, sem ganhar mais potência ou um novo motor, mas com mudanças sutis no visual e na mecânica.
Com isso em mente, o SUV médio da Volkswagen manteve o motor 1.4 turbo de 150 cv. Embora o conjunto continue o mesmo, o câmbio foi substituído por um novo de oito marchas. A proposta não é aumentar a velocidade, mas reduzir o consumo de combustível e, consequentemente, as emissões.
Por fora, no entanto, há várias mudanças. A principal está na dianteira, onde a entrada de ar superior foi reduzida, o que levou ao redesenho do para-choque. O resultado é um visual mais moderno e minimalista, alinhado ao perfil de um mercado competitivo, especialmente frente aos SUVs chineses de preço agressivo.
Volkswagen Taos 2026 por fora
Enquanto a parte superior foi afinada, a entrada de ar inferior ficou maior e recebeu acabamento preto, o que ajuda a deixá-la mais discreta.
Olhando para dentro de casa, o Taos agora se alinha aos SUVs mais recentes, como Nivus e T-Cross, que adotam uma faixa luminosa conectando os faróis na parte superior da dianteira, em vez de na metade da entrada de ar.
Além disso, os faróis ficaram mais estreitos, reforçando a aposta em elementos de design minimalista.
Na traseira, há agora uma faixa de iluminação que conecta as lanternas — uma tendência já adotada anteriormente pelos modelos T-Cross e Nivus.
Taos tem central multimídia menor
Por dentro, duas mudanças importantes chamam atenção. A primeira é a central multimídia, que deixou de ser integrada ao console e agora fica destacada, seguindo o mesmo estilo adotado pelo Tera.
Volkswagen Taos 2026 por dentro
Em outras palavras, enquanto no Taos anterior o display ficava embutido, na nova versão ele se assemelha a um tablet projetado para fora — uma abordagem mais próxima dos modelos chineses, que valorizam a central multimídia como elemento de destaque.
Ao contrário dos modelos chineses, a central multimídia do Taos perdeu espaço. Além de apresentar bordas maiores em relação à versão anterior, a tela passou de 10,25 para 10,1 polegadas. A redução é de cerca de 1,5%, mas vale destacar que diminuir o tamanho da tela não é algo comum no segmento.
A segunda mudança está nos comandos do volante. Eles mantêm o mesmo formato, mas voltam a ser botões físicos, eliminando a sensação de tela sensível ao toque. Por outro lado, o ar-condicionado continua com controle por toque, reconhecendo o movimento do dedo — ao menos os ajustes permanecem fora da central multimídia.
A Volkswagen ainda não revelou o preço nem a data de lançamento, mas é pouco provável que o Taos fique para 2026.
Versões e itens de série
O Volkswagen Taos será vendido no Brasil em duas versões: Comfortline e Highline.
Estes são os itens de série do Volkswagen Taos Comfortline, que custa R$ 199.990:
Seis airbags;
Oito alto-falantes;
Rodas aro 18 polegadas;
Ar-condicionado com duas zonas e saída traseira;
Banco com ajustes elétricos para o motorista;
Central multimídia de 10,1 polegadas;
Conectividade com aplicativo para funções remotas;
Farol com projetor inteligente;
Logo traseiro iluminado;
Piloto automático adaptativo.
Já o Volkswagen Taos Highline, que custa R$ 209.990, conta com todos os itens anteriores e adicionam os seguintes:
Rodas ato 19 polegadas;
Teto solar panorâmico;
Sistema de som com subwoofer;
Faróis dianteiros interligados;
Detector de ponto cego;
Assistente de tráfego cruzado;
Freio automático de emergência.
Jáo