Vale tem lucro de US$ 1,9 bilhão no 1° trimestre, alta de 36%

Mineradora Vale.
Washington Alves/ Reuters
A Vale, uma das maiores produtoras de minério de ferro do mundo, informou nesta terça-feira (28) um lucro líquido de US$ 1,9 bilhão no primeiro trimestre, alta de 36% em relação ao mesmo período do ano passado.
O desempenho foi impulsionado pelo aumento no volume de vendas e pela alta nos preços de seus principais produtos. Ainda assim, o lucro da mineradora ficou ligeiramente abaixo da expectativa dos analistas, que era de US$ 2 bilhões, segundo dados compilados pela LSEG.
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Neste mês, a companhia havia informado um aumento de 3,9% no volume de vendas de minério de ferro entre janeiro e março, em comparação ao mesmo período de 2025, totalizando 68,7 milhões de toneladas.
Além desse avanço, o preço médio do principal produto da companhia também subiu 5,5% no período.
"Entregamos um início sólido em 2026, refletindo nossa execução disciplinada, excelência operacional e o contínuo desenvolvimento de projetos estratégicos em todo o nosso portfólio", afirmou o CEO da Vale, Gustavo Pimenta, em nota.
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A companhia reportou um lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de US$ 3,83 bilhões, alta de 23% em relação ao ano anterior, após o volume de vendas de minério de ferro no primeiro trimestre ter atingido o maior patamar para o período desde 2018.
A receita líquida de vendas avançou 14%, para US$ 9,26 bilhões, impulsionada também pelo aumento nos volumes vendidos de níquel e cobre.
"Durante o trimestre, alcançamos recordes de produção em múltiplos ativos, demonstrando a força de nossas operações", destacou Pimenta. Um dos destaques foi registrado na operação S11D, no Pará, que teve a maior produção de minério de ferro para um primeiro trimestre.
De acordo com Pimenta, o "portfólio flexível" da companhia permitiu à empresa "capturar oportunidades em um ambiente de mercado robusto", enquanto a busca contínua por eficiência de custos segue preservando a competitividade.
O custo caixa C1 do minério de ferro, entretanto, subiu 12% na comparação anual, para US$ 23,6 por tonelada, principalmente impactado pela apreciação do real frente ao dólar.
Os custos all-in do minério de ferro ficaram em US$ 55,4 por tonelada no trimestre, 8% maiores ano contra ano.
Na Vale Metais Básicos, que reúne ativos de níquel e cobre, o CEO disse que a empresa colheu resultados das iniciativas de otimização de ativos, "resultando em maior produção e menores custos".
A companhia informou ainda um fluxo de caixa livre recorrente de US$ 813 milhões, aumento de US$ 309 milhões na comparação anual.
Já dívida líquida expandida chegou a US$ 17,8 bilhões ao fim do trimestre, um aumento de US$ 2,2 bilhões na comparação com o trimestre anterior.
Segundo a Vale, a alta foi influenciada pelo pagamento de US$ 2,7 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio, parcialmente compensado pela geração de caixa livre, conforme explicou no balanço financeiro.
Investimentos
Os investimentos totalizaram US$ 1,09 bilhão no primeiro trimestre, queda de 7% em relação ao mesmo período do ano passado, mas em linha com a projeção anual da companhia, de US$ 5,4 bilhões a US$ 5,7 bilhões para 2026, segundo a empresa.
Os aportes em projetos de crescimento somaram US$ 182 milhões, recuo de 42%, principalmente devido à redução de desembolsos no segmento de soluções de minério de ferro. A queda reflete o avanço do projeto Capanema e o estágio mais adiantado do projeto Serra Sul +20, cuja entrada em operação está prevista para o segundo semestre de 2026.
A Vale informou que a construção do projeto Serra Sul +20, de minério de ferro, continua avançando e já atingiu 86% de execução física.
"Os testes de carga do transportador de correia foram iniciados em março. A construção do britador de compactos está 91% concluída, com as obras civis finalizadas", afirmou a companhia.
Se os investimentos em projetos de crescimento caíram, os aportes para manutenção aumentaram 5% na comparação anual, para US$ 907 milhões, com recursos destinados ao projeto de cobre Bacaba e iniciativas nas operações de pelotização e ferroviária.
Mega-Sena, concurso 3.001: prêmio acumula e vai a R$ 130 milhões

Concurso 3.001 da Mega-Sena - veja sorteio
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Mega-Sena, concurso 3001
Reprodução / Caixa
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Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Escala 6x1: CNI entrega manifesto a Hugo Motta contra mudanças na jornada de trabalho

Presidente da Câmara, Hugo Motta, disse que debate sobre o fim da escala 6x1 será uma das prioridades do ano legislativo de 2026
Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
A Confederação Nacional da Indústria (CNI), em conjunto com as 27 federações estaduais, 98 associações setoriais e 741 sindicatos industriais, entregou um manifesto ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), expressando preocupação com o avanço da tramitação das propostas que acabam com a escala 6x1.
A Comissão Especial que vai analisar o tema será instalada nesta quarta-feira (29). Motta anunciou nesta teça-feira (28) os deputados que comandarão a comissão. O deputado Alencar Santana (PT-SP) será o presidente do colegiado e o deputado Léo Prates (Republicanos-BA) o relator.
No manifesto, a CNI afirmou que, embora o debate seja legítimo, as propostas "podem provocar impactos severos sobre a economia, os investimentos e a criação de empregos formais".
De acordo com a CNI, estimativas indicam que a redução da jornada pode elevar os custos com empregados formais em até R$ 267 bilhões por ano.
"Não estamos falando apenas de horas trabalhadas. Estamos falando de competitividade em um país que já convive com desafios estruturais para produzir e competir, alto custo de produção e insegurança jurídica" , disse a entidade no manifesto.
O relator será o responsável por consolidar uma proposta para ser votada pela Casa a partir de duas sugestões apresentadas pela deputada Érika Hilton (Psol-SP) e pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).
Ele tem, entretanto, liberdade para construir um texto independente e totalmente novo em relação às propostas, desde que consiga o aval de maioria da comissão, que será composta por 38 deputados.
Motta afirmou que pretende votar a PEC em plenário ainda em maio, em homenagem ao Dia do Trabalhador, comemorado no dia 1º de maio. Antes, o presidente da Câmara disse que todo o setor produtivo precisará ser ouvido antes da construção do texto final.
"Toda e qualquer sugestão ao texto é válida e a comissão vai debater. Não vai ser a vontade de um partido ou de um grupo que prevalecerá. Será a vontade média da casa", disse Motta, antes de receber o documento da CNI.
No manifesto entregue ao presidente da Câmara, a CNI declarou ainda que "mudanças estruturais na legislação trabalhista precisam ser construídas com base em evidências, diálogo técnico e responsabilidade econômica".
"A indústria deve participar desse debate para contribuir no estabelecimento de soluções equilibradas, que fortaleçam o ambiente de negócios, ampliem oportunidades de emprego para os brasileiros e promovam a sustentabilidade econômica de longo prazo do país", completou a CNI.
Entenda as diferenças entre as propostas
Há duas semanas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encaminhou ao Congresso Nacional projeto de lei sobre o mesmo assunto.
São, portanto, três textos de diferentes autorias tramitando sobre o mesmo tema, com o objetivo central de abolir o modelo de seis dias de trabalho para um de descanso.
Veja:
a PEC proposta pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), apresentada no ano passado, prevê a redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais, com prazo de 360 dias para entrada em vigor da nova regra;
a PEC de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), apresentada em 2019, reduz a jornada de trabalho para 36 horas semanais, com prazo, porém, de 10 anos para mudança entrar em vigor.
o projeto de lei (PL) enviado pelo governo Lula nesta terça-feira (14), reduz a jornada de trabalho a 40 horas semanais. O texto do Executivo tramita sob urgência constitucional.
Cade investiga alinhamento de preços de passagens aéreas após indícios de atuação coordenada entre Latam e Gol

Movimentação intensa de passageiros para remarcação de passagens no Aeroporto de Congonhas
RENATO S. CERQUEIRA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) informou nesta terça-feira (28) que instaurou um processo administrativo para apurar possíveis condutas anticoncorrenciais no mercado brasileiro de transporte aéreo doméstico de passageiros, envolvendo a Gol e a Latam.
Segundo o órgão, ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, a apuração vai examinar "indícios de possível alinhamento de preços em rotas de elevada relevância comercial".
"A Superintendência-Geral iniciou a investigação em 2023 e envolveu o exame do uso de ferramentas de precificação e de bases de dados de mercado, com emprego de técnicas avançadas de análise de dados pela equipe do Projeto Cérebro. As apurações indicam a existência de padrão persistente de interdependência entre os movimentos de preços das empresas", afirmou o órgão.
O Cade afirmou que a análise buscou verificar se o comportamento dos preços dessas empresas era compatível com dinâmica da concorrência ou refletia mecanismos das empresas para manipular o mercado com o uso de algoritmos e compartilhamento de dados.
O que dizem as empresas
Em nota, a Gol afirmou que apresentou "todas as informações solicitadas pelo Cade e que continua à disposição do órgão".
"A companhia reitera que sempre defendeu a livre concorrência e a liberdade tarifária entre todos os competidores. A Gol nega e repudia qualquer prática que fira tais princípios", diz a nota.
A Latam afirmou que "sempre atua em conformidade com as melhores práticas de compliance, transparência e integridade".
"A Latam repudia categoricamente qualquer hipótese de postura contrária à livre concorrência, valor inegociável para a companhia", disse a empresa.
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🔎 A abertura do processo não representa julgamento definitivo e tem por finalidade aprofundar a apuração, assegurar o contraditório e permitir o exame completo do conjunto de evidências. A decisão final sobre o andamento da investigação caberá ao Tribunal do Cade.
A Superintendência-Geral também analisou contratos firmados por Latam e Gol com empresas que:
fornecem serviços de inteligência tarifária,
distribuem conteúdo; e
fornecem soluções de precificação dinâmica.
Segundo o Cade, essas ferramentas trazem "riscos de troca de informações comercialmente sensíveis, reduzindo a incerteza concorrencial e ampliando a capacidade coordenação".
"A Superintendência-Geral destacou que, em mercados concentrados e com alta transparência informacional, o uso convergente de ferramentas algorítmicas e de infraestruturas comuns de dados pode aumentar riscos concorrenciais", disse o Cade.
Com a instauração do processo administrativo, as empresas serão notificadas para apresentar defesa e indicar as provas que entenderem cabíveis.
Acordo entre Mercosul e União Europeia é oficializado e passa a valer em 1º de maio

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante assinatura do decreto de promulgação do Acordo Mercosul-UE
Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta terça-feira (28) o decreto que promulga o acordo de comércio entre o Mercosul e a União Europeia. A medida encerra a etapa interna brasileira de incorporação do tratado ao ordenamento jurídico.
No Brasil, o acordo deve começar a valer de forma provisória a partir de 1º de maio, permitindo o início da aplicação gradual de suas regras entre os blocos.
A promulgação ocorre após a aprovação do texto pelo Congresso Nacional e a troca de notificações entre Brasil e União Europeia, que já haviam concluído os trâmites necessários para essa fase inicial de implementação.
As negociações entre os dois blocos duraram 27 anos e resultaram em um tratado que abre caminho para a criação de uma das maiores áreas de livre comércio do mundo.
Durante discurso, o presidente Lula ressaltou a demora para a conclusão do acordo.
"Quando o acordo vem dos colonizadores para colonizados, vem com mais rapidez, mas quando colonizados resolvem levantar cabeça e dizer que eles têm direitos, as coisas criam mais dificuldades porque aí nós viramos competitivos com produtos que são produzidos em outros países", disse.
Lula afirmou que o acordo "foi feito a ferro, suor e sangue". "Tem muita coisa que querem evitar, que o Brasil cresça, dispute, coloque seus produtos no mercado estrangeiro. E ele veio no momento para reforçar a ideia consagrada do multilateralismo", disse.
O presidente brasileiro citou a taxação imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no ano passado e disse que o Brasil, "ao invés de ficar chorando o leite derramado", procurou novos parceiros.
"Está cheio de gente querendo vender, gente querendo comprar. Brasil hoje não é uma republiqueta, o Brasil é um grande país. Se o Brasil aprender a se respeitar, a gente vai negociar em igualdade de condições em qualquer país do mundo", afirmou Lula.
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Com o decreto, o Brasil conclui sua parte no processo de ratificação interna de um acordo que envolve cerca de 720 milhões de pessoas e economias que somam mais de US$ 20 trilhões.
No país, a medida deve impactar o comércio exterior com redução gradual de tarifas de importação e exportação, maior acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu e abertura ampliada para bens e serviços europeus.
A expectativa é de aumento da concorrência e estímulo a investimentos em diferentes setores da economia.
Apesar da resistência de alguns países e setores dentro da União Europeia, o acordo segue com previsão de entrada em vigor provisória e passa a valer a partir de 1º de maio no Brasil.
Isso ocorre porque a aplicação inicial pode ser feita de forma parcial, após a conclusão dos trâmites executivos entre os blocos, permitindo o início das regras comerciais enquanto o processo de ratificação completa ainda segue em discussão nas instâncias europeias.
Resistência europeia
Congresso promulga acordo de livre comércio Mercosul-União Europeia
Apesar do avanço, o acordo ainda enfrenta resistência dentro da União Europeia, especialmente de países e setores ligados ao campo e a questões ambientais. No entanto, essas divergências não impedem o início da aplicação provisória do tratado.
Isso porque a entrada em vigor inicial pode ocorrer de forma parcial, após a conclusão dos trâmites executivos entre os blocos, enquanto a ratificação completa segue em análise no Parlamento Europeu.
Após a aprovação entre os Estados-membros, a ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, afirmou que o país pode adotar medidas unilaterais caso o setor agrícola e pecuário francês seja prejudicado pelo acordo.
Agricultores europeus comemoram em Estrasburgo, na França, a decisão do Parlamento Europeu de levar acordo comercial UE-Mercosul à Justiça, no dia 21 de janeiro de 2026
Yves Herman/Reuters
Aprovação do acordo
A presidência brasileira no Mercosul tinha como prioridade a conclusão do tratado. Após intensas negociações entre os países do bloco e a União Europeia, o acordo foi assinado em janeiro deste ano, já durante a presidência paraguaia do Mercosul, marcando um avanço decisivo nas tratativas.
Além da etapa no Brasil, o acordo ainda precisa ser aprovado internamente por cada país do Mercosul, conforme seus próprios processos legislativos.
Somente após a ratificação de todos os membros o tratado entrará em vigor de forma plena. Até lá, sua aplicação pode ocorrer de maneira gradual, conforme o avanço dos trâmites em cada país.
Após troca de presidente, INSS lança programa para tentar reduzir fila; veja medidas

A nova presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Ana Cristina Silveira, anunciou nesta terça-feira (28) um pacote de medidas para tentar reduzir a fila de espera e melhorar o atendimento no órgão. A iniciativa reúne ações de gestão, ampliação da capacidade operacional e reforço no quadro de pessoal. (veja mais detalhes)
📊 Batizado de "Acelera INSS", o conjunto de medidas tem como objetivo reduzir o número de requerimentos analisados fora do prazo de 45 dias para menos de 400 mil em 90 dias. Atualmente, o INSS tem cerca 1,06 milhão de pedidos nesta situação.
O anúncio aconteceu após a troca de presidente no órgão, que é responsável pela previdência pública no Brasil. Ela assumiu o lugar de Gilberto Waller, que assumiu o INSS em um esforço do governo para melhorar os processos no órgão após o esquema de corrupção envolvendo descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas. (entenda a saída)
Ana Cristina Silveira é próxima do ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz (PDT), de quem era secretária-executiva. Wolney assumiu o ministério após a saída de Carlos Lupi (PDT), de quem também era secretário-executivo. Lupi deixou a pasta em meio à pressão causada pelas fraudes.
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As medidas do INSS
Entre as medidas previstas estão a intensificação de mutirões a partir de maio, a nomeação de novos servidores e ajustes em processos internos para dar mais agilidade à análise dos benefícios.
Segundo o INSS, já estão em andamento as seguintes medidas:
ajustes no fluxo de requerimentos para evitar retrabalho (prazo de até 30 dias);
priorização da Avaliação Social do Benefício de Prestação Continuada (BPC);
reprocessamento de pedidos do BPC com uso de biometria;
automação da concessão de salário-maternidade;
implementação de sistemas automatizados de BI com verificação de endereço;
revisão do controle de prazos do BPC.
A fila de espera do INSS é um dos principais gargalos da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em meados de abril, ele trocou o comando do órgão porque as filas do INSS estavam desgastando a imagem do governo, e serão usadas na campanha eleitoral.
Dados mais recentes mostram que, em março, a fila caiu de 3,1 milhões para 2,7 milhões de solicitações. Apesar da redução, o volume é o mesmo registrado no mesmo mês de 2025.
Em abril, a fila teve outra queda, para 2,5 milhões de pedidos. O INSS afirma que o acúmulo tem como causas estruturais o alto índice de reincidência de requerimentos e a capacidade operacional insuficiente no órgão.
Aplicativo "Meu INSS"
Reprodução/TV Globo
Troca de comando
Em meados de abril, Lula decidiu trocar o comando do INSS. Servidora de carreira do órgão, Ana Cristina Viana Silveira assumiu a presidência. Graduada em direito, Ana está no INSS desde 2003, onde ingressou no cargo de analista do seguro social.
Entre 2020 e 2024, atuou como professora de Direito Previdenciário. Ocupou a presidência do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) de abril de 2023 até fevereiro de 2026, quando foi nomeada secretária-executiva adjunta do Ministério.
Sua trajetória inclui, ainda, a presidência do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) por quase três anos. Lula decidiu fazer a troca porque as filas do INSS estavam desgastando a imagem do governo, e serão usadas na campanha eleitoral.
Demissão de Waller
O antecessor de Ana, Gilberto Waller Júnior foi nomeado presidente do instituto em 30 de abril do ano passado, em meio a um escândalo de fraudes na Previdência Social.
Ele passou a ocupar a função uma semana após a Polícia Federal (PF) deflagrar uma operação que revelou um esquema bilionário de desvios por meio de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
🔎 As investigações revelaram um esquema criminoso para realizar descontos irregulares de valores recebidos por aposentados e pensionistas do INSS, ocorridos no período de 2019 a 2024. Os desvios, conforme as investigações, podem chegar a R$ 6,3 bilhões.
Na ocasião, o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi afastado e demitido em abril. Em novembro, foi preso. Outros cinco servidores da cúpula do órgão também foram afastados por decisão judicial, e posteriormente, detidos pela polícia.
A demissão e a nova gestão do órgão foi anunciada em nota pelo Ministério da Previdência Social no dia 13 de abril.
"A partir desta segunda-feira (13), o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) passa a ser liderado por Ana Cristina Viana Silveira. Servidora de carreira, ela assume a presidência do órgão com a missão estratégica de acelerar a análise de benefícios e simplificar os processos internos do Instituto. Ana Cristina substitui Gilberto Waller, que esteve à frente da instituição nos últimos 11 meses", diz o texto.
A nota acrescenta ainda que "a escolha de uma servidora com visão sistêmica — que compreende o fluxo previdenciário desde o atendimento nas agências até a fase recursal — marca um novo momento para o Instituto, focado na redução do tempo de espera e qualidade do atendimento aos segurados."
EUA ordenam suspensão de envio de máquinas à 2ª maior fabricante de chips da China, diz agência

EUA e China marcam disputa no avanço da IA
Reprodução/ TV Globo
O Departamento de Comércio dos Estados Unidos ordenou que diversas empresas do setor de semicondutores interrompam o envio de determinadas ferramentas à Hua Hong, a segunda maior fabricante de chips da China. A informação é da Reuters.
A medida, adotada na semana passada, é a mais recente tentativa de desacelerar o desenvolvimento de chips avançados no país, segundo duas fontes com conhecimento do assunto ouvidas pela agência.
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O departamento enviou cartas a algumas empresas informando sobre novas restrições a ferramentas e outros materiais destinados às instalações da Hua Hong, que autoridades americanas acreditam poder produzir os chips mais avançados da China, segundo as fontes.
Entre as empresas que teriam recebido a carta estão grandes fabricantes de equipamentos para chips dos EUA, como Lam Research, Applied Materials e KLA, todas com forte presença no mercado chinês.
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A Reuters informou, em março, que o grupo Hua Hong havia desenvolvido tecnologias avançadas de fabricação que poderiam ser usadas na produção de chips de inteligência artificial — um marco nos esforços de Pequim para ampliar a autossuficiência tecnológica.
A unidade de fabricação sob contrato do grupo, a Huali Microelectronics, se preparava para adotar um processo de produção de 7 nanômetros em sua planta em Xangai, segundo fontes ouvidas pela Reuters.
A SMIC, maior fabricante contratada de chips da China, é atualmente a única empresa do país capaz de produzir chips com tecnologia de 7 nanômetros, segundo a reportagem. A empresa não respondeu imediatamente a pedidos de comentário.
As cartas do Departamento de Comércio também visam impedir envios à Huali, segundo as fontes.
As ações da KLA, Lam e Applied caíram entre 4% e 6% após a divulgação das cartas pela Reuters. Já os papéis da Hua Hong recuaram 3,5% na terça-feira.
EUA buscam proteger liderança em chips de IA
Nos últimos anos, o Departamento de Comércio tem restringido o envio de equipamentos dos EUA para fábricas chinesas que produzem chips avançados, como parte de um esforço para preservar a liderança tecnológica do país na produção de chips de inteligência artificial e outros semicondutores, por razões de segurança nacional.
As cartas recentes dão continuidade a essa política, mas podem aumentar as tensões com a China antes da reunião prevista, em maio, entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim.
Empresas americanas de equipamentos para chips e outros fornecedores podem perder bilhões de dólares em vendas, disse uma das fontes, especialmente se abastecem fábricas em construção ou em processo de modernização para produzir chips mais avançados.
As restrições podem desacelerar o avanço da indústria chinesa de semicondutores, embora a Hua Hong possa substituir os equipamentos por alternativas de fornecedores estrangeiros ou locais.
Um porta-voz do Departamento de Comércio se recusou a comentar. A Hua Hong não respondeu imediatamente a pedidos de comentário feitos pela Reuters. Lam Research, Applied Materials e KLA também não se manifestaram.
Petrobras pode aumentar preço da gasolina nas refinarias se houver redução de tributos, diz CEO

Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro.
Fernando Frazão/Agência Brasil
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta terça-feira (28) que a estatal poderia aumentar os preços da gasolina nas refinarias caso a última proposta do governo federal para reduzir impostos sobre combustíveis seja aprovada pelo Congresso Nacional.
Segundo a executiva, esse eventual reajuste de preços não deve chegar ao consumidor final. Isso porque, assim como ocorreu com o diesel, em março deste ano, esse "desconto" bancado pelo governo abriria espaço para que a empresa eleve os preços nas refinarias sem que o impacto seja repassado às bombas.
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🔎 Na prática, além do valor cobrado pela Petrobras, o preço dos combustíveis na saída das refinarias também é composto por tributos federais e outros fatores. Com isso, a companhia aposta na redução desses impostos como uma forma de ampliar sua margem de lucro sem provocar um aumento no preço final pago pelo consumidor.
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O governo anunciou na semana passada um projeto de lei complementar para permitir que a arrecadação de receitas extras, decorrentes da alta do preço do petróleo, seja usada para reduzir tributos sobre combustíveis, como o PIS e o Cofins.
"Acreditamos que a isenção de PIS e Cofins é suficiente para nós darmos respostas ao nosso investidor público e privado. [O projeto] abre margem para o reajuste de preços da Petrobras, mas não para o consumidor", explicou Chambriard.
A executiva reiterou, no entanto, que a empresa não vai transferir ao consumidor brasileiro a "ansiedade" do momento, em meio às incertezas geradas pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.
"Aguardamos o projeto do PIS e Cofins na gasolina, o que para nós também é suficiente neste momento", disse a jornalistas, após um evento no Rio de Janeiro.
Segundo Chambriard, a companhia ainda não sofre pressão imediata para reajustar os preços da gasolina porque o país produz grande parte do volume consumido internamente, sem depender de importações — o que tende a reduzir os impactos da alta do petróleo no mercado doméstico.
O Brasil importa volumes proporcionalmente maiores de diesel do que de gasolina. Já nos combustíveis do ciclo Otto, o país conta ainda com a oferta de etanol, que complementa o abastecimento tanto na forma hidratada, usada diretamente nos veículos flex, quanto na forma anidra, misturada à gasolina fóssil.
🔎 O ciclo Otto se refere aos motores usados em carros a gasolina e etanol, como os veículos flex, que funcionam por ignição por faísca, diferente dos motores a diesel.
*Com informações da agência de notícias Reuters.
GM espera aumento do lucro com reembolso de tarifas de Trump nos EUA

Logo da GM na sede da General Motors em Detroit, nos EUA.
Rebecca Cook/ Reuters
A General Motors aumentou sua previsão de lucros para este ano, apoiada na perspectiva de um mercado automotivo resiliente nos Estados Unidos e na expectativa de restituição das tarifas de importação impostas pelo presidente americano, Donald Trump. (entenda mais abaixo)
A maior montadora dos EUA em vendas reportou um lucro antes de juros e impostos de US$ 4,3 bilhões (R$ 21,5 bilhões) no primeiro trimestre do ano, acima das estimativas dos analistas, segundo dados da LSEG.
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Para 2026, a montadora aumentou sua perspectiva de lucro em US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) — valor que corresponde ao montante que a empresa espera recuperar com o reembolso das tarifas americanas. Com isso, a companhia projeta um lucro entre US$ 13,5 bilhões e US$ 15,6 bilhões (R$ 67,3 bilhões a R$ 77,8 bilhões) no ano.
Apesar da melhora na projeção para 2026, a companhia reforçou que as tarifas americanas ainda devem ter um impacto negativo entre US$ 2,5 bilhões e US$ 3,5 bilhões (R$ 12,5 bilhões a R$ 17,5 bilhões) no resultado do ano.
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Segundo a GM, as tarifas comerciais impostas por Trump e os custos mais elevados de energia, ligados à guerra com o Irã, estão pesando sobre os resultados — mesmo com margens maiores, impulsionadas por regras mais flexíveis de controle de poluição e economia de combustível nos EUA, introduzidas pelo presidente americano no ano passado.
A GM também alertou que a inflação provocada pela guerra deve continuar pressionando seus negócios.
“A principal questão que estamos observando é a evolução do conflito com o Irã”, disse a presidente‑executiva Mary Barra, ao citar o aumento dos custos de commodities e logística. A empresa afirmou ainda que desviou remessas planejadas de 7.500 SUVs do Oriente Médio por causa do conflito.
A estimativa da montadora é que a inflação em matérias‑primas, semicondutores e logística reduza os lucros entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões (R$ 7,5 bilhões a R$ 10 bilhões) neste ano — cerca de US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) a mais do que o projetado no fim do ano passado.
*Com informações da agência de notícias Reuters.
Aprovação de Trump cai em meio a preocupações com o custo de vida e a guerra com o Irã, aponta pesquisa

Presidente Donald Trump fala a jornalistas na Casa Branca após o tiroteio que interrompeu jantar com correspondentes.
Jonathan Ernst/Reuters
A aprovação do governo de Donald Trump continua em queda nos EUA e atingiu o nível mais baixo de seu mandato, segundo pesquisa Reuters/Ipsos. Preocupações com o custo de vida no país e com a guerra contra o Irã influenciaram a queda de aprovação.
O levantamento mostra que 34% dos americanos aprovam o desempenho de Trump, porcentagem menor do que os 36% registrados em meados de abril.
Já a aprovação sobre como Trump conduz as medidas que afetam o custo de vida dos americanos caiu de 25% para 22% entre as duas pesquisas.
A pesquisa, divulgada nesta terça-feira, foi realizada ao longo de quatro dias e concluída na segunda-feira (27).
O levantamento foi conduzido em todo o país, de forma online, ouviu 1.014 adultos norte-americanos e apresenta uma margem de erro de 3 pontos percentuais.
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A maioria das respostas foi coletada antes do ataque a tiros na noite de sábado (25), durante um jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, onde Trump deveria discursar. Os promotores federais acusaram o atirador de tentar assassinar o presidente.
A posição de Trump perante a população dos EUA tem apresentado uma tendência de queda desde que ele assumiu o cargo em janeiro de 2025, quando 47% dos norte-americanos o aprovavam.
Sua popularidade sofreu uma queda desde que EUA e Israel lançaram uma guerra contra o Irã em 28 de fevereiro, o que levou a um aumento nos preços da gasolina.
O Brasil é a 'bola da vez' na economia?

O Brasil é a 'bola da vez' na economia?
BBC
O Brasil voltou aos radares dos investidores estrangeiros. É o que apontam instituições financeiras e analistas internacionais, diante da disparada nos preços do petróleo, alta dos juros e valorização do real.
Um relatório do Bank of America (BofA), uma das principais instituições financeiras americanas, questiona se o país pode ser o "próximo ouro", em referência ao recente bom desempenho do ativo no mercado financeiro global.
Outra análise, do banco de investimentos Goldman Sachs, indica que o Brasil tem se destacado como um dos principais beneficiários da alta nos preços do petróleo provocada pelo conflito entre EUA, Israel e Irã e o fechamento do estreito de Ormuz.
Ao elevar a projeção de crescimento da economia brasileira 1,6% para 1,9% em 2026, o Fundo Monetário Internacional (FMI) também apontou o país como um dos que podem ser favorecidos no curto prazo pela crise, por ser exportador líquido de energia.
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O bom momento do Brasil, aliás, chegou às reuniões de primavera organizadas pelo FMI em Washington D.C. em meados de abril, segundo interlocutores. O colóquio é um dos dois grandes encontros globais anuais da instituição e reúne ministros das finanças, presidentes de bancos centrais, gestores de fundos, executivos e outros participantes do setor financeiro global.
"O Brasil tem sido apontado como um dos locais mais atraentes do mundo emergente", disse Martín Castellano, chefe de pesquisa para a América Latina do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), em entrevista à BBC News Brasil.
"Mas naturalmente, muito se tem discutido sobre as próximas eleições e seus possíveis impactos nas políticas econômicas [do país]."
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Como o Brasil se beneficia da guerra?
Há uma leitura comum de que o Brasil — e a América Latina como um todo — tem se beneficiado de um pano de fundo global positivo para os países emergentes.
À primeira vista, pode parecer contraditório que um conflito com efeitos negativos para a economia mundial favoreça, ainda que marginalmente, nações específicas. Mas há uma explicação clara: o papel desses países, incluindo o Brasil, como exportadores de commodities, especialmente energia.
Com as interrupções na oferta de petróleo e as incertezas nesse mercado provocadas pela guerra no Oriente Médio, os preços do combustível subiram mais de 30% desde o final de fevereiro, antes do início da guerra.
Energia mais cara também encarece transporte, produção industrial e alimentos — especialmente em países dependentes de importações. Por isso, economias importadoras de commodities tendem a ser as mais prejudicadas, enfrentando inflação mais alta, desvalorização cambial e perda de renda.
Para os exportadores de energia ou commodities, porém, o cenário pode ser outro.
No caso do Brasil, que é considerado pelo FMI um exportador líquido de energia — ou seja, vende mais petróleo e derivados ao exterior do que compra — preços internacionais altos significam ganhos maiores.
Esse efeito melhora os chamados "termos de troca" (a relação entre preços de exportação e importação), e pode impulsionar o crescimento econômico.
Preços do combustível subiram mais de 30% desde o final de fevereiro, antes do início da guerra.
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Por tudo isso, o FMI considerou em seu relatório Panorama Econômico Mundial (WEO, na sigla em inglês), divulgado em abril, que a guerra deve ter "um pequeno efeito líquido positivo" sobre o Brasil em 2026, elevando o crescimento em cerca de 0,2 ponto percentual.
"É importante destacar também que o Brasil é um dos países com altíssima participação de energias renováveis, o que representa outro fator atenuante", afirmou a vice-diretora no Departamento de Pesquisa do FMI, Petya Koeva Brooks, em um pronunciamento à imprensa durante as reuniões nos EUA na semana passada.
Atraindo investimentos
Para instituições financeiras como o Bank of America (BofA) e o Goldman Sachs, esse cenário também ajuda a consolidar o país como atrativo para investimentos estrangeiros.
Mas além do peso das commodities na economia local, o Brasil se tornou destaque neste momento por conta das altas taxas de juros e o enfraquecimento do dólar.
Segundo o relatório publicado pelo Bank of America (BofA) em 14 de abril, "os investidores seguem confortáveis em manter exposição ao real brasileiro e às ações brasileiras".
A percepção, de acordo com os economistas do BofA, é de que o aumento nas previsões de inflação diante dos impactos da guerra e da alta do petróleo devem manter os rendimentos atrativos, já que o Banco Central pode encontrar mais dificuldades para acelerar o ritmo de cortes de juros.
A avaliação veio após reuniões com clientes em Nova York, às vésperas dos encontros do FMI e do Banco Mundial, que também organiza discussões com investidores todos os anos em abril.
Analistas do Goldman Sachs também apontaram em um diagnóstico de 15 de abril que o Brasil segue sendo um foco interessante para investimentos por conta do impulso das matérias-primas.
O banco afirma, porém, que setores domésticos que vêm sofrendo com a crise global, como os ligados ao crescimento local (bancos, varejo, construção), podem ver sua situação melhorar à medida que os cortes de juros forem aplicados.
Mas a conclusão é positiva. "Na América Latina, o Brasil se destacou como beneficiário da alta dos preços do petróleo", dizem os economistas.
"Com avaliações, em nossa opinião, atrativas em relação ao nível das taxas, e com expectativas de novos cortes na taxa e alta sensibilidade do mercado acionário às taxas de juros, esperamos que as ações brasileiras tenham um desempenho superior", afirma o relatório.
Até 22 de abril, o capital estrangeiro na Bolsa de Valores (B3) somou R$ 64,42 bilhões neste ano, mais que o dobro do registrado em todo o ano de 2025 (R$ 25,47 bilhões), segundo dados da consultoria Elos Ayta.
Isso significa que 61,2% de tudo que entrou na bolsa brasileira em 2026 veio do exterior, uma tendência de elevação do fluxo internacional observada desde 2023.
Mais recentemente, porém, o mercado acionário brasileiro vem atravessando um período de certa turbulência.
O Ibovespa, principal índice da B3, registrou uma desvalorização acentuada de aproximadamente 10 mil pontos em um curto intervalo de tempo, após atingir a máxima histórica em 14 de abril.
Analistas afirmam que o episódio deve ser visto mais como um ajuste típico de fluxo após um período de alta prolongado do que um sinal de alerta estrutural para a economia brasileira.
Segundo um relatório do banco Santander, o movimento de venda de ações recente foi provocado principalmente por rotação global de fluxo, e não por deterioração dos fundamentos domésticos.
Uma estimativa do Instituto de Finanças Internacionais indica ainda que, a cada aumento de US$ 10 no preço do petróleo, o Brasil recebe cerca de US$ 4 bilhões adicionais em entradas de dólares nas contas externas.
"Isso representa aproximadamente 0,2% do PIB em termos de ingresso adicional de recursos", afirma Castellano.
Para o economista e seus colegas do IIF, a alta no preço das commodities também afeta positivamente o crescimento no país.
Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o índice de evolução do preço médio das matérias-primas disparou desde o início da guerra.
O índice da Sondagem Industrial, que mede a variação do preço das commodities, saltou 10,8 pontos entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, passando de 55,3 pontos para 66,1 pontos.
O indicador não ficava tão alto desde o segundo trimestre de 2022, quando o fluxo de comércio global ainda se recuperava dos efeitos da pandemia de covid-19.
O Brasil, que tem uma base de exportações mais diversificada do que outros países da América Latina, se beneficia especialmente desse movimento, diz Martín Castellano.
"Outro fator que considero importante é que a economia brasileira é relativamente fechada, portanto não está tão exposta a choques globais", avalia.
"Além disso, acredito que os investidores entendem que o governo brasileiro lidou bem com o choque das tarifas [impostas pelos] EUA, conseguiu negociar e o impacto foi relativamente limitado", diz Castellano.
Depois de impor tarifas elevadas contra produtos brasileiros — em alguns casos chegando a 40% ou 50%, sob o argumento de desequilíbrios comerciais e questões políticas — o governo de Donald Trump reverteu parte dessas medidas em novembro passado.
Há um temor, porém, de que o governo americano esteja se preparando para anunciar uma nova onda de tarifas, que podem ter o Brasil como alvo mais uma vez.
'A tempestade perfeita' para o real
O momento de crise no Oriente Médio também foi definido como "a tempestade perfeita" para o real pelo pesquisador sênior da Brookings Institution e ex-estrategista-chefe de câmbio do Goldman Sachs, Robin Brooks.
Segundo Brooks, a guerra entre os Estados Unidos e o Irã pode ser o gatilho para uma das maiores valorizações do real dos últimos anos. Em artigo do início de abril, ele projetou que o dólar poderia ficar abaixo de R$ 4,50.
Brooks lembra o que ocorreu em 2022 como um precedente. Após a invasão da Ucrânia pela Rússia, o petróleo do tipo Brent subiu 40% no primeiro trimestre e o real se valorizou 20%, tornando-se a moeda de melhor desempenho entre os emergentes.
"Assim que os mercados perceberam que as coisas não iriam sair do controle, o real brasileiro — a personificação de uma moeda de beta alto [ou seja, uma moeda que tende a demonstrar alta sensibilidade aos ciclos econômicos globais e ao apetite por risco] — decolou de forma significativa", aponta Brooks.
Para ele, esse movimento está se repetindo agora.
O real foi a moeda que mais se valorizou em relação ao dólar no mundo em 2026 até o momento. No acumulado do ano, a alta foi de 10,4% até 17 de abril, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta.
Como país exportador e autossuficiente de petróleo, o Brasil tem se beneficiado diretamente da entrada adicional de dólares, o que pressiona a moeda nacional para cima.
O cenário também é reflexo da procura dos investidores estrangeiros pelo país, seja por meio da bolsa de valores ou de títulos de renda fixa, dizem os especialistas.
"O Brasil, assim como vários outros países, busca consolidar o apelo de sua moeda por meio de uma economia bem administrada", aponta Colin Lewis, professor da LSE (London School of Economics and Political Science), no Reino Unido.
Segundo o economista, contribuem para isso outros bons indicadores econômicos atuais do Brasil, tais como um mercado de trabalho aquecido e a previsão de crescimento de 1,9% estimada pelo FMI.
"(O primeiro-ministro britânico) Keir Starmer adoraria ter um crescimento de 2% no Reino Unido", brinca Lewis.
A última previsão do FMI é que a economia britânica deverá crescer apenas 0,8% em 2026, abaixo da projeção anterior de 1,3%.
"O Brasil está bem conectado globalmente e projetando sua imagem como um parceiro comercial confiável e previsível", acrescenta o economista britânico em entrevista à BBC Brasil.
É apenas passageiro?
Mas por quanto tempo esse cenário positivo pode se manter?
Para Martín Castellano, do IIF, o avanço do Brasil em relação à produção de petróleo significa que as altas internacionais no preço da commodity devem continuar a beneficiar, ou pelo menos não afetar intensamente, o país.
O economista destaca a mudança estrutural da última década: "o Brasil era um importador líquido de energia até 2017, mas após mudanças significativas no setor e alterações nas políticas, o país emergiu como um exportador líquido de petróleo bruto".
Em 2024, pela primeira vez na história, o petróleo foi o produto que o Brasil mais exportou, superando até a soja. No ano passado, o feito se repetiu e o país se consolidou como o sétimo exportador do mundo.
No entanto, a indústria nacional importa cerca de 10% da gasolina e até 25% do diesel que consome, por conta da falta de capacidade das refinarias locais.
Ainda assim, os choques causados por variações internacionais no preço dos combustíveis afetam muito menos o país atualmente do que no passado. As exportações também auxiliam no crescimento da economia.
"Analisando todo o contexto global, o Brasil é percebido como uma economia bastante bem administrada, o que indica certa confiança nas mudanças estruturais que vêm ocorrendo internamente", avalia Colin Lewis.
Por outro lado, afirmam os especialistas, uma mudança nas taxas de juros pode sim afastar investidores estrangeiros, apesar de melhorar o acesso doméstico a crédito e aquecer a economia internamente.
Em março, o Banco Central cortou os juros pela primeira vez em quase dois anos, reduzindo a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano.
Atualmente, o mercado já espera uma nova redução, possivelmente para 14,5% ao ano.
Outros dois fatores também podem interferir no atual cenário: as eleições presidenciais marcadas para outubro e o preço global dos fertilizantes.
A incerteza em relação ao cenário eleitoral e o futuro das políticas públicas pode afastar alguns investidores, apontam os especialistas.
Após o anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, em dezembro do ano passado, o principal índice da Bolsa brasileira mergulhou em fortes perdas, indicando uma possível aversão ao risco no mercado financeiro brasileiro.
"Lula tem uma bagagem, mas de qualquer forma os mercados já o conhecem", avalia Lewis.
E segundo Martín Castellano, há uma preocupação específica com o futuro das políticas fiscais no país.
"A política fiscal tem sido uma espécie de calcanhar de Aquiles de longa data para a economia brasileira", diz, apontando as mudanças constantes nessa frente e falta de disciplina como motivos que podem afastar investidores.
Além disso, afirma, um aumento brusco no preço global dos fertilizantes pode ter um impacto negativo no setor agropecuário e no custo dos alimentos, neutralizando parte do ganho em outros setores.
O setor dos fertilizantes é visto como um alvo invisível da guerra no Irã, principalmente a ureia, um composto nitrogenado essencial para o cultivo em escala.
Para o Brasil, que tem a cadeia do agronegócio como propulsora da economia e não produz seus próprios fertilizantes, o baque pode ser grande.
"O Oriente Médio fornece aproximadamente um terço das importações brasileiras de fertilizantes nitrogenados. Ao mesmo tempo, o Irã responde por cerca de 20% das exportações brasileiras de milho, deixando a economia vulnerável a potenciais interrupções no fornecimento e no comércio", aponta o relatório do IIF sobre possíveis desdobramentos da crise para o Brasil.
Correios: balanço prévio aponta prejuízo de R$ 3,4 bilhões no 1º trimestre de 2026

Dados do balancete contábil da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, os Correios, obtidos com exclusividade pelo g1, apontam um prejuízo prévio de R$ 3,4 bilhões já no 1º trimestre de 2026. Nesse mesmo período do ano passado, esse valor foi de R$ 1,7 bilhão.
🔎Um balancete contábil nada mais é que um demonstrativo provisório com uma fotografia de como estão as receitas, despesas, bens e dívidas de uma empresa até um determinado momento — normalmente ao fim de um mês ou trimestre.
Até a última atualização desta reportagem, não havia previsão de a estatal divulgar oficialmente as informações contábeis. E, segundo os Correios, as demonstrações contábeis referentes ao 1º trimestre de 2026 "ainda estão em processo de fechamento".
Enquanto as receitas registradas até 31 de março de 2026 se mantiveram estáveis, os gastos subiram nesse mesmo período (entenda mais abaixo).
Receitas: R$ 4,1 bilhões em 2025 e R$ 4 bilhões em 2026;
Despesas: R$ 6,4 bilhões em 2025 e R$ 7,4 bilhões em 2026.
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Entretanto, esse aumento nas despesas já era previsto pelo departamento financeiro da estatal, que estimou gastos totais de R$ 7,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026.
🔎Ou seja, houve uma redução de R$ 200 milhões (3%) nos gastos reais em comparação à estimativa.
Na semana passada, os Correios divulgaram o resultado de 2025, com um prejuízo total de R$ 8,5 bilhões em 2025, fechando 14 trimestres seguidos com resultados negativos.
O valor acumulado no ano passado superou em mais de três vezes o prejuízo registrado em 2024, que foi de R$ 2,6 bilhões.
Prejuízo dos Correios triplica em 2025 e fica em R$ 8,5 bilhões
Jornal Nacional/ Reprodução
Perfil das despesas
Nos gastos, a despesa com pessoal — um dos maiores problemas enfrentados pelos Correios por ter afetado diretamente a situação financeira da empresa — permaneceu controlada no primeiro trimestre de 2026.
Os dados contábeis apontam que esses gastos mantiveram certa estabilidade, saindo de R$ 2,5 bilhões no primeiro trimestre do ano passado para R$ 2,6 bilhões no mesmo período deste ano — um aumento de R$ 80 milhões de um ano para o outro.
Os grupos de despesas que justificaram o aumento dos gastos foram os das despesas financeiras e com provisões, em que se enquadram as possíveis perdas judiciais que, posteriormente, viram precatórios.
🔎Precatório é uma ordem de pagamento; quando a Justiça obriga o município, o estado ou a União – neste caso, uma empresa estatal – a pagar uma dívida que tem com uma pessoa física ou jurídica.
As despesas financeiras tiveram um aumento expressivo de 312%, passando de R$ 224 milhões em 2025 para R$ 925 milhões em 2026.
Nessa rubrica entram gastos com juros e multas relacionados a boletos, contratos e empréstimos, como os R$ 12 bilhões tomados pela estatal no fim do ano passado, cuja previsão é de gerar um custo total de R$ 22,4 bilhões em juros.
Já as despesas com provisões e perdas ficaram acima do previsto. Enquanto a estimativa inicial era de R$ 1,2 bilhão, o valor executado chegou a R$ 1,4 bilhão.
O montante também representa uma alta de 66,7% em relação às despesas registradas em 2025, que somaram R$ 834 milhões.
Perfil das receitas
As receitas com prestação de serviços e venda de produtos permaneceram praticamente estáveis, com uma leve redução de R$ 84 milhões na comparação entre o primeiro trimestre de 2025 e 2026. O principal impacto veio da queda nas receitas com encomendas internacionais.
Até 31 de março de 2025, os Correios haviam registrado R$ 393 milhões nesse tipo de receita. Nos três primeiros meses de 2026, o valor caiu para R$ 156 milhões — R$ 237 milhões (60,3%) a menos do que no mesmo período do ano anterior.
O desempenho repete um movimento observado desde o lançamento do programa Remessa Conforme, em 2023, com a redução das receitas principalmente associada à queda na prestação de serviços de transporte de encomendas internacionais.
O programa passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre todas as compras internacionais de até US$ 50, que antes eram isentas. A medida ficou popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”.
Em 2024, os Correios registraram R$ 3,9 bilhões em receitas com encomendas internacionais, já com uma redução de R$ 530 milhões em relação a 2023.
No ano seguinte, o valor despencou para R$ 1,3 bilhão, uma queda de R$ 2,6 bilhões em comparação com 2024.
Com isso, essa fonte de receita, que chegou a representar 22% do total em 2023, passou a responder por apenas 7,8%.
A estatal também registrou redução nas receitas com encomendas gerais, de 5,4%, o equivalente a R$ 128 milhões. Em contrapartida, houve aumento expressivo nas receitas de outros serviços.
O principal destaque foi a área de logística, cuja receita saltou de R$ 103 milhões para R$ 258 milhões em 2026, crescimento de 150%.
Em seguida, aparecem os serviços de conveniência, que avançaram 56%, passando de R$ 32,6 milhões para R$ 50,9 milhões.
Também houve alta nas receitas com malotes, de 19,2%, e com mensagens — geralmente cartas de comunicação entregues em domicílios —, que cresceram 11,4%, ou R$ 124,8 milhões, saindo de R$ 1,1 bilhão para R$ 1,2 bilhão.
Democratas pedem a Trump que proíba montadoras chinesas de fabricar ou vender carros nos EUA

Câmara dos Representantes dos EUA.
Office of the Speaker of the House
Mais de 70 democratas na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos pediram na terça-feira (28) ao presidente Donald Trump que não permita que montadoras chinesas construam ou vendam carros nos Estados Unidos.
Os legisladores, liderados pelos representantes Debbie Dingell e Ro Khanna, pediram a Trump para manter uma proibição que conta com forte apoio de montadoras americanas e estrangeiras, além de outros grupos do setor automotivo.
Em janeiro, o presidente dos EUA disse estar aberto à ideia de montadoras chinesas construírem veículos no país.
“Se quiserem entrar e construir uma fábrica e contratar você, seus amigos e seus vizinhos, isso é ótimo, eu adoro isso”, afirmou Trump, ao Detroit Economic Club.
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No início deste mês, três senadores democratas fizeram uma carta antes da cúpula de Trump com o presidente chinês Xi Jinping, que acontece no próximo mês.
“A indústria automobilística americana não deve ser cedida a um concorrente estratégico com intenção de dominação global”, diz a carta.
“Pedimos que o senhor tome medidas claras e decisivas para garantir que montadoras chinesas não sejam autorizadas a entrar no mercado dos Estados Unidos sob nenhuma forma.”
O governo de Joe Biden impôs regulamentações que, na prática, proíbem montadoras chinesas de vender automóveis nos EUA em janeiro de 2025, citando preocupações de segurança nacional relacionadas à capacidade dos veículos de coletar dados sensíveis de proprietários americanos.
Também existem altas tarifas para carros chineses, mas os consumidores americanos têm demonstrado maior interesse nesses veículos, segundo pesquisas recentes.
A Casa Branca afirmou neste mês que “embora o governo esteja sempre trabalhando para garantir mais investimentos no renascimento industrial dos Estados Unidos, qualquer ideia de que comprometeríamos nossa segurança nacional para isso é infundada e falsa.”
No mês passado, associações do setor automotivo representando quase todas as grandes montadoras pediram ao governo dos EUA que mantenha as montadoras chinesas fora do país.
Também no mês passado, o senador republicano Bernie Moreno, de Ohio, disse que irá propor uma legislação para isolar o mercado americano, de modo que “nunca haja um cenário em que um automóvel chinês entre em nosso mercado — seja hardware, software ou parcerias.”
Preços do petróleo sobem ao maior patamar em um mês, após saída dos Emirados Árabes da Opep

Petróleo dispara e pressiona combustíveis: o que está por trás da alta no Brasil – Crédito: Diulgação.
Petróleo dispara e pressiona combustíveis: o que está por trás da alta no Brasil – Crédito: Diulgação.
Os preços do petróleo voltaram a avançar nesta terça-feira (28) e alcançaram o maior nível em um mês, após o anúncio de saída dos Emirados Árabes Unidos da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e da Opep+, que reúne aliados estratégicos do grupo.
Perto das 13h15, o petróleo tipo Brent, referência internacional, tinha alta de 2,80%, cotado a US$ 111,26 o barril. Mais cedo, a cotação chegou a US$ 112,53 — maior nível desde 27 de março, quando bateu US$ 112,57.
Já o West Texas Intermediate (WTI), dos Estados Unidos, subia 3,65% no mesmo horário, a US$ 99,89.
🔍 O tipo Brent é a principal classificação de petróleo cru para os mercados europeu e asiático. É a referência utilizada pela Petrobras para definir os preços dos combustíveis no mercado interno. Extraído principalmente no Mar do Norte, classificado como "leve" e "doce" devido à sua baixa densidade e baixo teor de enxofre, o que facilita o refino em gasolina e diesel.
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O avanço nos preços da commodity ganharam força pela manhã, após os Emirados Árabes Unidos anunciarem sua saída da Opep e da Opep+ a partir de 1º de maio, causando um grande golpe ao grupo e para a Arábia Saudita, seu principal líder.
O ministro de Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail Mohamed al-Mazrouei, confirmou a saída à Reuters e explicou que a decisão foi tomada após uma análise detalhada das estratégias de energia do país na região.
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Para analistas, saída dos Emirados da Opep pode enfraquecer grupo e reduzir controle sobre preços do petróleo
A inesperada saída dos Emirados, membro da Opep desde 1967, acontece em um período em que o conflito com o Irã causou uma crise energética sem precedentes e afetou a economia mundial.
A decisão pode gerar instabilidade e enfraquecer o grupo, que geralmente tenta manter uma imagem de união, mesmo com divergências internas sobre temas como política internacional e limites de produção.
Quando perguntado se os Emirados Árabes Unidos conversaram com a Arábia Saudita sobre a decisão, Suhail Mohamed al-Mazrouei disse que o país não tratou do tema com nenhuma outra nação.
"Esta é uma decisão sobre política, tomada após uma análise cuidadosa das políticas atuais e futuras relacionadas ao nível de produção", disse o ministro de Energia.
Os países do Golfo que fazem parte da Opep já estavam tendo problemas para exportar pelo Estreito de Ormuz, que fica entre o Irã e Omã.
Por esse local passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, mas as exportações foram prejudicadas por ameaças e ataques de iranianos a navios.
Mazrouei disse que a saída dos Emirados Árabes Unidos não deve causar grande impacto no mercado, por causa da situação no estreito.
Veja a cotação do petróleo após o anúncio:
País é aliado dos EUA
A decisão foi tomada depois que os Emirados Árabes Unidos, que são um importante centro de negócios e um dos principais aliados dos Estados Unidos, criticaram outros países árabes por não fazerem o suficiente para defendê-los de vários ataques do Irã durante o conflito.
A saída do país da Opep é vista como uma vitória para o presidente Donald Trump, que já acusou a organização de “roubar o resto do mundo” ao aumentar os preços do petróleo.
Trump também relacionou o apoio militar dos Estados Unidos à região do Golfo aos valores do petróleo, dizendo que, enquanto os americanos protegem os países da Opep, eles “exploram isso impondo preços altos do petróleo”.
Anwar Gargash, conselheiro diplomático do presidente dos Emirados Árabes Unidos, também criticou a resposta dos países árabes e do Golfo aos ataques do Irã, durante uma reunião no Fórum de Influenciadores do Golfo, na segunda-feira.
“Os países do Conselho de Cooperação do Golfo se apoiaram logisticamente, mas política e militarmente, acho que sua posição tem sido historicamente a mais fraca”, disse Gargash.
“Eu esperava essa postura fraca da Liga Árabe, e não me surpreende, mas não esperava isso do Conselho de Cooperação do Golfo. Estou surpreso”, afirmou.
*Com informações da agência de notícias Reuters.
Free flow: veja como pedir de volta dinheiro da multa de pedágio eletrônico

Pórtico free flow
divulgação/Concessionária Novo Litoral
Nesta terça-feira (28), o governo anunciou que vai suspender 3,4 milhões de multas de rodovias no sistema de pedágio eletrônico, conhecido como free flow.
Quem foi multado tem até 200 dias para pagar o valor do pedágio devido e se livrar da multa. A partir desta quarta-feira (29), o sistema do Senatran vai indicar as multas como “suspensas”. O tema já vinha sendo discutido pelo número elevado de reclamações.
Neste mesmo período de 200 dias, os motoristas continuarão pagando o pedágio eletrônico, mas não serão autuados. A medida visa dar um prazo para concessionárias, Estados e motoristas se familiarizarem com o novo sistema.
Quem já pagou a multa pode pedir restituição. A devolução dos valores não será automática. O motorista precisa solicitar e o processo vai proceder no órgão de trânsito competente.
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Como recorrer da multa do pedágio eletrônico
No caso da multa freeflow, o usuário precisa entrar com recurso, provar que fez o pagamento do pedágio e solicitar a restituição da multa.
O motorista sempre tem a oportunidade de recorrer das infrações, e o processo depende do órgão que aplicou a multa, como Detran, Polícia Rodoviária Federal, DER, entre outros.
Veja abaixo um passo a passo.
Em geral, o processo começa com a apresentação da defesa de autuação. O motorista tem prazo de 30 dias para apontar eventuais erros antes mesmo de a multa ser aplicada. No caso do free flow, a multa já foi aplicada e o motorista precisa explicar isso no recurso.
Essa primeira defesa deve ser analisada pelas autoridades em até 30 dias. Aqui é preciso provar que foi pago o pedágio devido.
Se o recurso for indeferido, há prazo de 30 dias para recorrer em primeira instância à Junta Administrativa de Recursos de Infrações (Jari). O órgão tem mais um mês para emitir o parecer.
Se essa etapa for rejeitada, é possível recorrer ao Conselho Estadual de Trânsito (Cetran) em segunda instância. Multas aplicadas pela Polícia Rodoviária Federal têm um processo próprio de recurso, com formulários específicos.
A estimativa é que a devolução das multas deve alcançar R$ 93 milhões por parte do governo federal.
"Eu liguei para cada governo estadual avisando dessa situação. Que existe a possibilidade de haver um complemento por parte do Estado para a restituição do valor", explicou George Santoro, ministro dos Transportes e presidente do Conselho Nacional de Trânsito.
Governo suspende mais de 3 milhões de multas em pedágio 'free flow' e dá prazo para tarifas vencidas
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O Ministério dos Transportes anunciou, nesta terça-feira (28), a suspensão de 3,4 milhões de multas em rodovias no sistema de pedágio eletrônico, chamado de free flow.
🔎O free flow (fluxo livre) é um sistema de pedágio eletrônico sem cancelas que permite a cobrança automática da tarifa sem que o motorista precise parar ou reduzir a velocidade (entenda mais aqui).
A medida dá aos motoristas até 200 dias para quitar débitos do pedágio eletrônico e suspende a aplicação de multas no sistema free flow durante esse período.
Ou seja, os usuários terão até 16 de novembro para pagar o que devem sem a cobrança de multas.
🚦Quem pagar as tarifas dentro deste prazo também poderá recuperar os pontos perdidos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A partir de 17 de novembro, porém, quem estiver com tarifas em aberto terá que arcar com o pedágio e a multa por atraso.
O não pagamento de pedágio é uma infração grave, com multa de R$ 195,23 e cinco pontos na CNH.
Via Dutra terá sistema de pedágio eletrônico sem parada
O novo formato será adotado em um regime de transição. Segundo o governo, a medida tem como objetivo assegurar prazo adequado para a integração e o pleno funcionamento dos sistemas.
As concessionárias, por sua vez, terão 100 dias, a partir da deliberação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), para ajustarem seus sistemas e concluírem a integração de dados.
O objetivo é que, com essa adequação, a cobrança esteja disponível na Carteira Digital de Trânsito.
🚨Nos casos em que o motorista já tiver feito o pagamento de multa de trânsito, ele poderá entrar com pedido de ressarcimento junto ao órgão de fiscalização de cada estado responsável pela autuação, desde que efetuado o pagamento da tarifa de pedágio correspondente, dentro do prazo de 200 dias.
Quando comprovado o pagamento da tarifa de pedágio, o usuário terá direito ao ressarcimento do valor da multa.
O governo estima que o valor a ser ressarcido seja aproximadamente R$ 93 milhões.
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Segundo o ministro dos Transportes, George Santoro, a previsão é que o governo publique nesta quarta-feira (29) uma resolução que trata do tema.
"Amanhã, quando a gente publicar as multas já vão aparecer suspensas no sistema do Senatran, isso é muito importante para que as pessoas não tenham dúvidas de que as novas regras estarão em vigor", afirmou Santoro.
Ao ser questionado sobre o porquê da medida, o ministro afirmou que partiu de uma avaliação do governo que o free flow não tinha sido bem comunicado.
Pedágio em Guarapari, Espírito Santo - imagem de arquivo
Reprodução/Ecovias Capixaba
🚗 O que é free flow?
O modelo dispensa cancelas que obriguem a reduzir velocidade ou parar nas rodovias.
Pórticos com sensores, leitores de TAGs (transponders) e câmeras que leem placas (ANPR) são instalados em pontos da rodovia.
Sempre que passa por um desses pórticos, o veículo é registrado eletronicamente, e a identificação pode ocorrer por etiqueta eletrônica (TAG) ou leitura da placa.
Com TAG, a tarifa é debitada automaticamente. Sem TAG, o usuário deve pagar pelo site ou canais da concessionária.
O não pagamento dentro do prazo caracteriza evasão de pedágio, com possibilidade de multa.
Para analistas, saída dos Emirados da Opep pode enfraquecer grupo e reduzir controle sobre preços do petróleo

Petróleo dispara e pressiona combustíveis: o que está por trás da alta no Brasil – Crédito: Diulgação.
Petróleo dispara e pressiona combustíveis: o que está por trás da alta no Brasil – Crédito: Diulgação.
A saída dos Emirados Árabes Unidos da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e da Opep+ — que reúne aliados estratégicos do grupo — nesta terça-feira (27) cria uma nova dinâmica no mercado global da commodity e pode afetar os preços no futuro.
A decisão ocorre em meio ao choque energético provocado pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã e representa um duro golpe para os grupos exportadores de petróleo.
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Especialistas consultados pela Reuters avaliam que o impacto não deve ser significativo no momento, já que a principal preocupação do mercado de petróleo não é a produção, mas o entrave logístico após o fechamento do Estreito de Ormuz.
“O anúncio de hoje não altera nada nesse aspecto”, afirmou à Reuters o estrategista sênior de pesquisa da Pepperstone, Michael Brown.
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"A meta de produção pré-conflito dos Emirados Árabes Unidos, de 5 milhões de barris por dia em 2027, agora pode se mostrar mais provável de ser alcançada, o que ajudará os preços do petróleo bruto a se normalizarem mais rapidamente assim que o conflito chegar ao fim", completou.
Ainda assim, segundo especialistas, a decisão pode reduzir a capacidade da Opep de gerir os preços do petróleo no mercado internacional.
"Essa saída levanta uma questão estratégica: se outros produtores começarem a priorizar a participação de mercado em detrimento da disciplina de cotas, a capacidade da Opep de gerir mercados (...) poderá ser cada vez mais questionada", alertou o especialista do Saxo Bank, Ole Hansen, à Reuters.
Atualmente, a Opep exerce grande influência sobre os preços do petróleo ao coordenar oferta e demanda entre os países produtores e exportadores da commodity.
➡️ Funciona assim:
Em vez de definir um preço fixo para a commodity, o grupo firma acordos de produção para ajustar a quantidade de petróleo disponível no mercado. São estabelecidas metas (ou cotas) para cada país que, quando cumpridas, ajudam a elevar ou reduzir os preços.
Assim, quando há excesso de oferta no mercado global, o grupo reduz a quantidade de barris disponíveis, o que tende a pressionar os preços para cima. Já em períodos de maior demanda, a produção pode ser ampliada para conter altas mais intensas.
Entre os países exportadores, os Emirados Árabes Unidos são o 4º maior produtor de petróleo do mundo e detêm a 5ª maior reserva da commodity. (veja o mapa e a lista abaixo)
"A saída dos Emirados Árabes Unidos representa uma mudança significativa para a Opep. Juntamente com a Arábia Saudita, é um dos poucos membros com capacidade ociosa relevante — mecanismo por meio do qual o grupo exerce influência no mercado", explicou o analista da Rystad, Jorge Leon, à Reuters.
Com isso, afirmou Leon, a principal implicação da decisão é uma Opep "estruturalmente mais fraca" no longo prazo.
“Fora do grupo, os Emirados Árabes Unidos teriam tanto o incentivo quanto a capacidade de aumentar a produção. Isso levanta questões mais amplas sobre a sustentabilidade do papel da Arábia Saudita como principal estabilizadora do mercado e aponta para um setor potencialmente mais volátil, à medida que a capacidade da Opep de suavizar desequilíbrios de oferta diminui”, completou.
Especialistas explicam que, apesar dos impactos negativos no longo prazo, a decisão dos Emirados Árabes Unidos de deixar o grupo não surpreendeu o mercado, já que o país discorda da política geral da Opep há anos.
Segundo o analista sênior do Centro Carnegie Rússia-Eurásia, Sergey Vakulenko, os Emirados Árabes Unidos projetam aumentar a produção em até 30%, avanço que seria difícil de alcançar dentro das limitações impostas pela organização.
“Agora, provavelmente, é o momento menos prejudicial para anunciar essa decisão. Os preços do petróleo estão elevados e há escassez real devido ao fechamento do Estreito de Ormuz. Quando a passagem for reaberta, a demanda deve continuar alta, já que os países estarão recompondo as reservas consumidas desde fevereiro, o que tende a sustentar os preços”, avaliou Vakulenko à Reuters.
Maiores produtores de petróleo do mundo
Arábia Saudita: 8,96 milhões de barris/dia
Iraque: 3,86 milhões de barris/dia
Irã: 3,26 milhões de barris/dia
Emirados Árabes Unidos: 2,92 milhões de barris/dia
Kuwait: 2,41 milhões de barris/dia
Nigéria: 1,35 milhão de barris/dia
Líbia: 1,14 milhão de barris/dia
Venezuela: 921 mil barris/dia
Argélia: 907 mil barris/dia
Congo: 260 mil barris/dia
Gabão: 224 mil barris/dia
Guiné Equatorial: 57 mil barris/dia
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Como fica a Opep depois de os Emirados Árabes Unidos saírem do grupo
*Com informações da agência de notícias Reuters
Como fica a Opep depois de os Emirados Árabes Unidos saírem do grupo

Emirados Árabes são um dos maiores produtores de petróleo do mundo
Getty Images via BBC
Os Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciaram sua saída dos grupos Opep e Opep+, que reúnem as principais nações produtoras de petróleo, após quase 60 anos.
Os EAU afirmaram que a decisão reflete sua "visão estratégica e econômica de longo prazo e seu perfil energético em evolução".
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A decisão é vista como um golpe para o grupo, com um analista descrevendo a saída de um dos seus membros mais importantes como "o começo do fim da Opep".
O ministro da Energia do país do Golfo afirmou que, por não ter mais obrigações com os grupos, o país terá mais flexibilidade.
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Os Emirados Árabes Unidos aderiram à Opep em 1967 e sua saída deixará o grupo dos produtores de petróleo com 11 membros.
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Saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep acende alerta sobre preços do petróleo à frente
Saul Kavonic, chefe de pesquisa de energia da MST Financial, disse que este é "o começo do fim da Opep".
"Com a saída dos Emirados Árabes Unidos, a Opep perde cerca de 15% de sua capacidade e um de seus membros mais obedientes."
De acordo com os dados mais recentes da Opep, os Emirados Árabes Unidos produzem 2,9 milhões de barris de petróleo por ano. A Arábia Saudita, líder de fato da Opep, produz 9 milhões de barris de petróleo.
"A Arábia Saudita terá dificuldades para manter o restante da Opep unida e, efetivamente, terá que assumir a maior parte do trabalho pesado em relação à conformidade interna e à gestão do mercado sozinha", disse Kavonic, acrescentando que outros membros da Opep podem seguir o mesmo caminho.
"Isso representa uma reconfiguração geopolítica fundamental do Oriente Médio e dos mercados de petróleo", acrescentou.
A Opep foi formada em 1960 por cinco países: Irã, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita e Venezuela. Seu objetivo tem sido coordenar a produção para fornecer receita estável para seus membros.
O número de países no grupo tem flutuado ao longo dos anos, mas além dos cinco membros fundadores, hoje também fazem parte Argélia, Guiné Equatorial, Gabão, Líbia, Nigéria e República do Congo.
INSS restringe pedidos de aposentadoria, pensão e BPC para reduzir fila; entenda a nova regra

A medida foi oficializada pela Instrução Normativa nº 203, publicada no Diário Oficial da União (DOU) na última sexta-feira (24), e já está em vigor.
INSS/Divulgação
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) passou a proibir novos pedidos de aposentadoria, pensão e Benefício de Prestação Continuada (BPC) para o mesmo tipo de benefício enquanto houver um processo em análise ou dentro do prazo de recurso administrativo.
A medida foi oficializada pela Instrução Normativa nº 203, publicada no Diário Oficial da União (DOU) na última sexta-feira (24), e já está em vigor.
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A nova regra altera procedimentos da norma anterior que regula a concessão de benefícios previdenciários e estabelece que o segurado não poderá fazer um novo pedido para o mesmo tipo de benefício enquanto o anterior estiver pendente.
🔎 Antes da nova regra, o INSS seguia uma norma que organizava os pedidos, mas não proibia de forma clara a realização de um novo pedido para o mesmo benefício enquanto o primeiro estava em análise ou dentro do prazo de recurso.
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Com isso, era possível fazer um novo pedido mesmo com o anterior em andamento — seja para corrigir erros, incluir documentos ou tentar acelerar a análise.
A partir de agora, será considerado “processo em curso” aquele cujo prazo para apresentação de recurso administrativo ainda não terminou.
Ou seja, após uma negativa do INSS, o segurado terá que aguardar o prazo de recurso — geralmente de 30 dias — antes de fazer um novo pedido do mesmo benefício.
🚨 A restrição, no entanto, não se aplica a pedidos de revisão, que podem ser solicitados normalmente.
Em nota, o INSS afirmou que “a medida tem como objetivo aprimorar os fluxos de análise e tornar mais eficiente o atendimento aos segurados”.
"Na prática, ela busca evitar a multiplicidade de pedidos idênticos para o mesmo CPF — o que gera retrabalho administrativo e impacta negativamente o tempo de análise de todos os requerimentos."
Segundo o instituto, há um “desequilíbrio estrutural relevante” na fila de pedidos, apesar do esforço contínuo para ampliar a capacidade de análise e de um “volume crescente de solicitações duplicadas”.
Dados internos do INSS mostram que, do total de pedidos, 41,41% são reapresentados entre 1 e 30 dias após a conclusão do primeiro processo, e 22,47% entre 91 e 180 dias. Em categorias como salário-maternidade urbano, a taxa de reincidência no mesmo dia chega a 8,45%.
"Essa prática de abertura sucessiva de novos processos para o mesmo CPF, antes de esgotada a via recursal, gera múltiplos protocolos para a mesma demanda e sobrecarrega o sistema — em detrimento de quem ainda aguarda uma primeira análise", afirmou o órgão, em nota.
Objetivo é reduzir fila
A medida ocorre em meio aos esforços do governo para reduzir a fila de análise de benefícios, que hoje acumula milhões de pedidos.
Segundo os dados mais recentes divulgados pelo instituto, a fila de espera por benefícios como aposentadorias, pensões e o BPC recuou de 3,1 milhões para 2,7 milhões em março deste ano.
A pressão sobre o tema levou o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a trocar o comando do órgão, com a saída de Gilberto Waller e a nomeação da servidora de carreira Ana Cristina Viana Silveira.
Segundo o blog de Valdo Cruz, o presidente Lula decidiu pela demissão de Waller porque as filas do INSS estavam desgastando a imagem do governo e devem ser exploradas na campanha eleitoral.
Gilberto Waller teve papel importante na reorganização do INSS após o escândalo de desvios em aposentadorias e pensões. No entanto, na avaliação de Lula, não conseguiu avançar de forma suficiente na redução das filas, um dos principais compromissos da atual gestão.
Durante a campanha de 2022, Lula prometeu zerar a fila do INSS, mas o volume de pedidos continuou elevado.
A nova presidente, Ana Cristina Silveira, é vista como alguém com experiência técnica para agilizar os processos. Antes de assumir o cargo, ela atuava como secretária-executiva adjunta do Ministério da Previdência Social.
Emirados Árabes têm a 5ª maior reserva conhecida de petróleo no mundo; veja MAPA

Navios e embarcações no Estreito de Ormuz em 22 de abril de 2026
Reuters
Os Emirados Árabes Unidos anunciaram nesta terça-feira (28) a saída da Opep e da Opep+, grupos que reúnem os principais países exportadores de petróleo. O país tem a 5ª maior reserva conhecida do produto no mundo.
Segundo boletim de 2025 da Opep, os Emirados têm uma reserva estimada em 113 bilhões de barris.
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A Venezuela concentra a maior reserva comprovada de petróleo do planeta, com cerca de 303 bilhões de barris — o equivalente a 17% do volume conhecido. Em seguida, aparecem Arábia Saudita (267 bilhões), Irã (209 bilhões) e Iraque (145 bilhões).
O Brasil ocupa atualmente a 14ª posição no ranking, com cerca de 16 bilhões de barris. (veja mapa abaixo)
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🔎 O que são a Opep e a Opep+?
A Opep foi criada em 1960 para controlar a quantidade de petróleo disponível no mundo e influenciar seu preço. Hoje, reúne 12 membros, principalmente do Oriente Médio e da África.
Já a Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados), criada em 2016, reúne esse grupo e mais 11 países produtores, que se encontram regularmente para decidir sobre a oferta de petróleo no mercado internacional.
Decisão dos Emirados acende alerta sobre preços do petróleo
Como fica a Opep com a saída dos Emirados Árabes do grupo
Emirados têm a 5ª maior reserva conhecida de petróleo no mundo
Decisão inesperada
O ministro de Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail Mohamed al-Mazrouei, confirmou a saída à Reuters e afirmou que a decisão foi tomada após uma análise detalhada das estratégias de energia do país na região.
A inesperada saída de um membro da Opep desde 1967 ocorre em um período em que o conflito com o Irã provocou uma crise energética sem precedentes e afetou a economia mundial.
A decisão pode gerar instabilidade e enfraquecer o grupo, que costuma manter uma imagem de união, apesar de divergências internas sobre temas como política internacional e limites de produção.
Questionado sobre se os Emirados Árabes Unidos conversaram com a Arábia Saudita sobre a decisão, Suhail Mohamed al-Mazrouei disse que o país não tratou do tema com nenhuma outra nação.
"Esta é uma decisão sobre política, tomada após uma análise cuidadosa das políticas atuais e futuras relacionadas ao nível de produção", disse o ministro de Energia.
Os países do Golfo que fazem parte da Opep já enfrentavam dificuldades para exportar pelo Estreito de Ormuz, que fica entre o Irã e Omã.
Por esse local passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, mas as exportações foram prejudicadas por ameaças e ataques de iranianos a navios.
Mazrouei disse que a saída dos Emirados Árabes Unidos não deve causar grande impacto no mercado, devido à situação no estreito.
País é aliado dos EUA
A decisão foi tomada após os Emirados Árabes Unidos, importante centro de negócios e um dos principais aliados dos Estados Unidos, criticarem outros países árabes por não fazerem o suficiente para defendê-los de ataques do Irã durante o conflito.
A saída do país da Opep é vista como uma vitória para o presidente Donald Trump, que já acusou a organização de “roubar o resto do mundo” ao elevar os preços do petróleo.
Trump também relacionou o apoio militar dos Estados Unidos à região do Golfo aos preços do petróleo, afirmando que, enquanto os americanos protegem os países da Opep, eles “exploram isso impondo preços altos do petróleo”.
Anwar Gargash, conselheiro diplomático do presidente dos Emirados Árabes Unidos, também criticou a resposta dos países árabes e do Golfo aos ataques do Irã durante uma reunião no Fórum de Influenciadores do Golfo, na segunda-feira.
“Os países do Conselho de Cooperação do Golfo se apoiaram logisticamente, mas política e militarmente, acho que sua posição tem sido historicamente a mais fraca”, disse Gargash.
“Eu esperava essa postura fraca da Liga Árabe, e não me surpreende, mas não esperava isso do Conselho de Cooperação do Golfo. Estou surpreso”, afirmou.
Saída dos Emirados Árabes da Opep e Opep+: o que são os grupos e como eles podem afetar seu bolso

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A decisão dos Emirados Árabes Unidos de deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a Opep+ a partir de 1º de maio reacendeu o debate sobre o papel desses grupos no mercado global de petróleo — e sobre como suas decisões influenciam os preços da energia no mundo.
O anúncio foi confirmado pelo ministro de Energia do país, Suhail Mohamed al-Mazrouei, que afirmou que a decisão foi tomada após uma revisão das estratégias energéticas dos Emirados Árabes.
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Dada a importância da decisão, o g1 explica como funcionam esses grupos, que reúnem alguns dos maiores produtores do mundo, e por que suas decisões podem influenciar os preços globais — inclusive em países como o Brasil.
O que você vai encontrar nesta reportagem:
O que é a Opep
O que é a Opep+
Como esses grupos influenciam o preço do petróleo
Como isso pode afetar os bolsos dos brasileiros?
O que é a Opep
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo, conhecida como Opep (Opec, na sigla em inglês), foi criada em 1960 por países produtores com o objetivo de coordenar a produção de petróleo e influenciar os preços no mercado internacional.
Hoje, os integrantes da organização respondem por cerca de 30% da produção mundial de petróleo. No grupo, no entanto, há grandes diferenças no volume produzido por cada país.
Dados do último Boletim Estatístico Anual da Opep mostram como a produção de petróleo se distribui entre os países-membros:
Arábia Saudita: 8,96 milhões de barris/dia
Iraque: 3,86 milhões de barris/dia
Irã: 3,26 milhões de barris/dia
Emirados Árabes Unidos: 2,92 milhões de barris/dia
Kuwait: 2,41 milhões de barris/dia
Nigéria: 1,35 milhão de barris/dia
Líbia: 1,14 milhão de barris/dia
Venezuela: 921 mil barris/dia
Argélia: 907 mil barris/dia
Congo: 260 mil barris/dia
Gabão: 224 mil barris/dia
Guiné Equatorial: 57 mil barris/dia
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O que é a Opep+
Em 2016, diante de um período de preços baixos do petróleo, a Opep ampliou a coordenação ao firmar parceria com outros grandes produtores. Dessa aproximação surgiu a Opep+, que reúne 23 países exportadores de petróleo.
Além dos integrantes da Opep, o grupo passou a incluir outros grandes produtores, como:
Rússia
Cazaquistão
Azerbaijão
Omã
Bahrein
Brunei
Malásia
Sudão
Sudão do Sul
México
Juntas, essas nações respondem por cerca de 40% da produção global de petróleo.
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Como esses grupos influenciam o preço do petróleo
Os países da Opep e da Opep+ se reúnem regularmente para decidir quanto petróleo será colocado no mercado internacional. A ideia é ajustar a oferta à demanda global.
Quando a procura por petróleo cai, o grupo pode reduzir a produção, diminuir a oferta e ajudar a sustentar os preços.
Em momentos de maior demanda, também pode aumentar a produção, o que tende a aliviar pressões sobre o mercado.
Por isso, mudanças na composição desses grupos — como a saída dos Emirados Árabes Unidos — são acompanhadas de perto por investidores e governos, já que podem alterar o equilíbrio entre oferta e demanda de petróleo no mundo.
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Como isso pode afetar os bolso dos brasileiros?
Mudanças na Opep e na Opep+ costumam ser acompanhadas de perto pelos mercados porque podem influenciar o preço do petróleo no mundo — e isso, por consequência, tende a repercutir no custo dos combustíveis em diferentes países, incluindo o Brasil.
Isso ocorre porque o valor do barril é um dos fatores considerados pela Petrobras ao definir os preços de produtos como gasolina, diesel, gás natural e gás de cozinha (GLP) no mercado interno.
Ainda assim, é cedo para medir qual será o impacto concreto da saída dos Emirados Árabes Unidos nos preços no país.
Primeiro, será preciso observar se a reação do mercado representa apenas uma oscilação momentânea ou se o movimento pode alterar de forma mais duradoura o equilíbrio entre oferta e demanda de petróleo.
Além disso, o preço pago pelos consumidores brasileiros depende de outros fatores além do petróleo internacional. Entre eles estão a cotação do dólar, a política de preços adotada pela Petrobras e o nível de impostos que incidem sobre os combustíveis.
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Logo da Opep (que é Opec na sigla em inglês) durante reunião informal de membros da organização em Argel, capital da Argélia, nesta quarta-feira (28)
Reuters/Ramzi Boudina
Arrecadação federal soma R$ 229 bilhões em março, com alta de 5% e bate recorde para o mês
A arrecadação do governo federal com impostos, contribuições e demais receitas somou R$ 229,2 bilhões em março deste ano, informou nesta terça-feira (28) a Receita Federal. O resultado representa um aumento real de 4,99% na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando a arrecadação somou R$ 218,4 bilhões (valor corrigido pela inflação). O valor também foi o maior já registrada para meses de março desde o início da série histórica da Receita Federal em 1995 — ou seja, em 32 anos. ▶️Segundo a Receita Federal, o recorde pode ser explicado, principalmente, pelo crescimento da arrecadação da contribuição previdenciária e pelos desempenhos das arrecadações do PIS/Cofins, do IRRF-Capital e do IOF. ▶️O recorde na arrecadação está relacionado com o crescimento da economia brasileira e, também, e com os aumentos de impostos anunciados nos últimos anos pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Relembre alguns aumentos de impostos: alta na tributação de fundos exclusivos (alta renda) e das "offshores" (exterior); mudanças na tributação de incentivos (subvenções) concedidos por estados; aumento de impostos sobre combustíveis feito em 2023 e mantido desde então; imposto sobre encomendas internacionais (taxa das blusinhas); reoneração gradual da folha de pagamentos; fim de benefícios para o setor de eventos (Perse); início da taxação das bets; aumento do IOF sobre crédito e câmbio; alta na tributação dos juros sobre capital próprio. Primeiro trimestre Nos três primeiros meses deste ano, ainda segundo dados oficiais, a arrecadação federal somou R$ 777,12 bilhões — sem a correção pela inflação. Em valores corrigidos pela variação dos preços, a arrecadação totalizou R$ 784,24 bilhões no primeiro trimestre, o que representa um crescimento real (acima da inflação) de 4,6% em relação ao mesmo período do ano passado, quando somou R$ 749,9 bilhões. O montante também é o recorde histórico para a arrecadação federal no período. Meta fiscal em 2026 Assim como nos últimos anos, o governo espera contar com o aumento da arrecadação para tentar atingir a meta para as suas contas em 2026. Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões. De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central. Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões. O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 57,8 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais). Na prática, portanto, a previsão é que o governo tenha um rombo de R$ 23,3 bilhões nos cofres públicos em 2026 – mesmo que, para o cálculo oficial da meta, apresente um resultado positivo. Se os números se confirmarem, as contas do governo devem ficar negativas durante todo o terceiro mandato do presidente Lula.
BYD tem maior queda de lucro em seis anos com diminuição das vendas na China

Fábrida da BYD em Szeged, Hungria
Divulgação / BYD
A montadora chinesa de veículos elétricos BYD teve a maior queda no lucro trimestral em seis anos, mostrou um documento enviado ao mercado nesta terça-feira (28), pressionada por vendas fracas no mercado doméstico e pela intensificação da concorrência.
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A maior vendedora de veículos elétricos do mundo, conhecida por seu foco em modelos mais acessíveis com preços abaixo de 150 mil yuans (US$ 21.931,43), enfrenta pressão de rivais como Geely e Leapmotor.
O lucro líquido da BYD no primeiro trimestre caiu 55,4% em relação ao ano anterior, para 4,1 bilhões de yuans (US$ 599,46 milhões), aprofundando a queda de 38,2% registrada no quarto trimestre, segundo os dados.
A receita recuou 11,8%, para 150,2 bilhões de yuans, estendendo a sequência de retração para o terceiro trimestre consecutivo.
Salão de Pequim: Brasil terá 1 mil carregadores ultrarrápidos da BYD com recarga em 9 minutos até 2027; VÍDEO
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“A BYD precisa que os volumes de vendas domésticas ganhem força sequencialmente no segundo trimestre e que haja uma recuperação mais sustentada e de participação de mercado no terceiro trimestre para que o lucro geral melhore”, disse Eugene Hsiao, chefe de estratégia de ações da China na Macquarie Capital.
A pressão aumentou à medida que a China reduz os subsídios de troca para carros elétricos de entrada e híbridos plug-in. As vendas totais da BYD caíram pelo sétimo mês consecutivo em março, apesar do crescimento contínuo e forte nas remessas para o exterior.
Olhando para o exterior
Com as vendas domésticas enfrentando uma desaceleração prolongada, a BYD está mirando agressivamente os mercados internacionais, com foco em tecnologia avançada ou na localização da produção. A maior concorrente chinesa da Tesla afirmou estar confiante em atingir sua meta de vendas no exterior de 1,5 milhão de veículos até 2026 — ou até mais — o que implicaria um crescimento superior a 40% em relação a 2025, embora não tenha divulgado uma meta total de vendas.
Vincent Sun, analista da Morningstar, projetou que as exportações da BYD devem crescer entre 25% e 30% neste ano, enquanto as vendas totais de veículos devem avançar cerca de 12%.
No entanto, Hsiao afirmou que as vendas no exterior podem não ser suficientes para compensar totalmente a fraqueza no mercado doméstico caso as tendências atuais persistam.
Buscando recuperar sua vantagem tecnológica, a BYD está apostando ainda mais em tecnologia de carregamento ultrarrápido, com o objetivo de atrair motoristas fiéis a carros movidos a gasolina ao reduzir as preocupações com o tempo de recarga.
A BYD iniciou na sexta-feira a pré-venda do seu SUV elétrico de grande porte Datang, durante o Salão do Automóvel de Pequim, juntando-se a uma lista crescente de montadoras chinesas que miram o segmento premium e intensificam a concorrência com marcas europeias de luxo.
Guerra no Oriente Médio: Banco Mundial prevê alta de 24% nos preços de energia em 2026

Motorista abastece em um posto de gasolina em Los Angeles, nos Estados Unidos.
Damian Dovarganes/AP Photo
Os preços da energia devem subir 24% em 2026, atingindo o nível mais alto em quatro anos, caso os impactos mais graves da guerra no Oriente Médio terminem em maio, afirmou o Banco Mundial nesta terça-feira (28).
Os preços das commodities também podem subir ainda mais caso as hostilidades na região se intensifiquem e as interrupções no fornecimento durem mais do que o esperado, afirmou o banco em sua mais recente edição do relatório Perspectivas dos Mercados de Commodities.
Segundo as projeções, a estimtiva é de um aumento de 16% nos preços gerais das commodities em 2026, devido à alta dos preços da energia e dos fertilizantes e aos preços recordes de vários metais importantes.
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De acordo como Banco Mundial, as projeções pressupõe que os volumes de transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz — por onde passa mais de 20% de todo o comércio global de petróelo — devem retornar gradualmente para níveis próximos aos observados antes da guerra até outubro, mas ressaltou que os riscos estão “notavelmente inclinados” para preços mais altos.
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Os preços do petróleo continuaram a subir na terça-feira, enquanto os esforços para pôr fim à guerra entre os EUA e o Irã estagnaram e o Estreito de Ormuz permaneceu, em grande parte, fechado, restringindo o fornecimento de energia, fertilizantes e outras commodities da importante região produtora do Oriente Médio aos compradores globais.
Os ataques à infraestrutura energética e as interrupções no transporte marítimo no estreito — que, antes da guerra, representava cerca de 35% do comércio global de petróleo bruto transportado por via marítima — desencadearam o maior choque de oferta de petróleo já registrado, segundo o Banco Mundial.
O banco afirmou que os preços do petróleo Brent (referência internacional) permaneceram mais de 50% acima, em meados de abril, do nível registrado no início do ano. A previsão é que o preço médio do barril de Brent alcance US$ 86 em 2026, uma alta significativa em relação aos US$ 69 por barril estimados para 2025.
Segundo o Banco Mundial, os preços do petróleo Brent podem atingir uma média de até US$ 115 por barril neste ano, caso instalações críticas de petróleo e gás sofram novos danos com a guerra e os volumes de exportação demorem a se recuperar.
Os contratos futuros do petróleo Brent para junho eram negociados em torno de US$ 109 por barril na terça-feira, após registrarem o maior fechamento desde 7 de abril, na véspera.
“A guerra está atingindo a economia global em ondas cumulativas: primeiro, com o aumento dos preços da energia; depois, com a alta dos preços dos alimentos; e, por fim, com o avanço da inflação, o que elevará as taxas de juros e encarecerá ainda mais o endividamento”, disse o economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill. Segundo ele, o choque atingirá os mais pobres com mais força, agravando os problemas de países em desenvolvimento já altamente endividados.
Pressão no abastecimento de alimentos
O Banco Mundial também prevê que os preços dos fertilizantes aumentem 31% em 2026, impulsionados por um salto de 60% no preço da ureia, o fertilizante nitrogenado sólido mais utilizado, produzido a partir da conversão do gás natural em amônia e dióxido de carbono.
O aumento dos preços dos fertilizantes tende a intensificar a pressão sobre o abastecimento de alimentos, corroendo a renda dos agricultores e ameaçando as futuras safras. O Programa Mundial de Alimentos estima que mais 45 milhões de pessoas poderão enfrentar insegurança alimentar aguda ainda neste ano, caso a guerra se prolongue.
O Banco Mundial afirmou que a inflação nas economias em desenvolvimento deverá atingir uma média de 5,1% em 2026, no cenário-base — acima dos 4,7% registrados no ano passado e um ponto percentual superior às projeções feitas antes da guerra. Caso o conflito se prolongue, a inflação pode chegar a 5,8% nesses países.
O crescimento econômico também sofreria um impacto significativo, segundo o banco. As economias em desenvolvimento agora devem crescer apenas 3,6% em 2026, abaixo da projeção de 4% feita antes da guerra.
Austrália prevê taxa a Google, Meta e TikTok se não fecharem acordo por uso de notícias de jornais do país

Meta e Google revelam nova geração de chip de inteligência artificial
AP/Reuters
O governo da Austrália anunciou nesta terça-feira (28) que gigantes da tecnologia como Meta, Google e TikTok podem enfrentar taxações caso não negociem pagamentos a veículos de mídia locais pelo uso de notícias em suas plataformas.
A proposta prevê a criação de um "Incentivo de Negociação de Notícias", que tributaria as empresas em 2,25% sobre suas receitas locais se não houver acordos diretos. O dinheiro arrecadado seria destinado a empresas de notícias para impulsionar o jornalismo australiano.
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Segundo a Ministra das Comunicações, Anika Wells, a medida é uma questão de justiça, já que as grandes plataformas lucram com o trabalho jornalístico que enriquece seus feeds.
Wells explicou que, caso uma plataforma decida não fechar acordos, o governo recolherá o valor da taxa e fará o repasse às organizações de notícias com base no número de jornalistas empregados. O projeto prevê ainda compensações maiores para acordos feitos com veículos de mídia de pequeno porte.
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A nova regra deve entrar em vigor no ano fiscal que começa em 1º de julho de 2025 e será aplicada a empresas com serviços "significativos" de busca ou redes sociais e receita local acima de 250 milhões de dólares australianos (cerca de US$ 179,3 milhões).
Ferramentas de inteligência artificial não estão incluídas neste pacote, pois possuem regulamentação própria.
A proposta recebeu apoio de grandes grupos de mídia do país, como a News Corp Australia e a emissora pública ABC, que classificaram o plano como um passo crítico para a sustentabilidade do setor.
Por outro lado, a Meta criticou a medida, afirmando que a proposta não passa de um "imposto sobre serviços digitais" e que o modelo criaria uma indústria dependente de subsídios governamentais.
O Google também manifestou oposição, rejeitando a necessidade da taxa, enquanto o TikTok preferiu não comentar.
O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, também rebateu possíveis preocupações sobre reações negativas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cuja administração se opõe a impostos sobre serviços digitais.
Albanese afirmou que a Austrália é uma nação soberana e que seu governo tomará decisões baseadas no interesse nacional do país.
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Emirados Árabes anunciam saída da Opep e Opep+, em golpe para grupo de produtores de petróleo

Navio petroleiro
REUTERS/Tatiana Meel
Os Emirados Árabes Unidos anunciaram nesta terça-feira (28) que deixarão a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e a Opep+ a partir de 1º de maio, movimento que representa um forte golpe para o grupo e para a Arábia Saudita, seu principal líder.
O ministro de Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail Mohamed al-Mazrouei, confirmou a saída à Reuters e afirmou que a decisão foi tomada após uma análise detalhada das estratégias de energia do país na região.
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A Opep foi criada em 1960 para controlar a quantidade de petróleo disponível no mundo e influenciar seu preço. Hoje, reúne 12 membros, principalmente do Oriente Médio e da África.
Já a Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados), criada em 2016, reúne esse grupo e mais 11 países produtores, que se encontram regularmente para decidir sobre a oferta de petróleo no mercado internacional.
A inesperada saída dos Emirados, membro da Opep desde 1967, ocorre em um período em que o conflito com o Irã provocou uma crise energética sem precedentes e afetou a economia mundial.
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A decisão pode gerar instabilidade e enfraquecer o grupo, que costuma manter uma imagem de união, apesar de divergências internas sobre temas como política internacional e limites de produção.
Questionado sobre se os Emirados Árabes Unidos conversaram com a Arábia Saudita sobre a decisão, Suhail Mohamed al-Mazrouei disse que o país não tratou do tema com nenhuma outra nação.
"Esta é uma decisão sobre política, tomada após uma análise cuidadosa das políticas atuais e futuras relacionadas ao nível de produção", disse o ministro de Energia.
Os países do Golfo que fazem parte da Opep já enfrentavam dificuldades para exportar pelo Estreito de Ormuz, que fica entre o Irã e Omã.
Por esse local passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, mas as exportações foram prejudicadas por ameaças e ataques de iranianos a navios.
Mazrouei disse que a saída dos Emirados Árabes Unidos não deve causar grande impacto no mercado, devido à situação no estreito.
País é aliado dos EUA
A decisão foi tomada após os Emirados Árabes Unidos, importante centro de negócios e um dos principais aliados dos Estados Unidos, criticarem outros países árabes por não fazerem o suficiente para defendê-los de ataques do Irã durante o conflito.
A saída do país da Opep é vista como uma vitória para o presidente Donald Trump, que já acusou a organização de “roubar o resto do mundo” ao elevar os preços do petróleo.
Trump também relacionou o apoio militar dos Estados Unidos à região do Golfo aos preços do petróleo, afirmando que, enquanto os americanos protegem os países da Opep, eles “exploram isso impondo preços altos do petróleo”.
Anwar Gargash, conselheiro diplomático do presidente dos Emirados Árabes Unidos, também criticou a resposta dos países árabes e do Golfo aos ataques do Irã durante uma reunião no Fórum de Influenciadores do Golfo, na segunda-feira.
“Os países do Conselho de Cooperação do Golfo se apoiaram logisticamente, mas política e militarmente, acho que sua posição tem sido historicamente a mais fraca”, disse Gargash.
“Eu esperava essa postura fraca da Liga Árabe, e não me surpreende, mas não esperava isso do Conselho de Cooperação do Golfo. Estou surpreso”, afirmou.
IPCA-15 acelera para 0,89% em abril, com pressão de alimentos e combustíveis

IPCA-15 acelera para 0,89% em abril
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial do país, subiu 0,89% em abril, segundo dados divulgados nesta terça-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, o indicador acumula alta de 4,37% em 12 meses.
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O número ficou próximo das projeções de economistas, que esperavam uma alta de 0,95% no mês e inflação acumulada de 4,45% em 12 meses. Em abril de 2025, a variação havia sido menor, de 0,43%.
🎯 Mesmo assim, o índice permanece dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para 2026, a meta é de 3%, com limite máximo de 4,5%. Desde o ano passado, essa meta passou a ser contínua — isso significa que o cumprimento é acompanhado mês a mês com base na inflação acumulada em 12 meses.
Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, alimentação e transportes concentraram as maiores altas. Alimentação e bebidas subiu 1,46% e teve o maior peso no resultado do mês. Na sequência aparece transportes, com alta de 1,34%.
Juntos, esses dois grupos responderam por cerca de 65% da alta do IPCA-15 em abril.
Veja a variação mensal dos preços por grupos:
Alimentação e bebidas: 1,46%
Habitação: 0,42%
Artigos de residência: 0,48%
Vestuário: 0,76%
Transportes: 1,34%
Saúde e cuidados pessoais: 0,93%
Despesas pessoais: 0,32%
Educação: 0,05%
Comunicação: 0,48%
Preço dos alimentos acelera em abril
No grupo alimentação e bebidas, que subiu 1,46% em abril, a maior pressão veio dos alimentos consumidos em casa. A chamada alimentação no domicílio passou de uma alta de 1,1% em março para 1,77% em abril.
Segundo Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, o resultado reflete uma combinação de fatores que afetaram o custo de alguns produtos ao longo do mês.
“O movimento reflete tanto choques de oferta, fatores climáticos, quanto possíveis repasses da alta dos combustíveis para os custos logísticos”, afirma.
Entre os itens que mais encareceram no último mês estão:
🥕 Cenoura: +25,43%
🧅 Cebola: +16,54%
🥛 Leite longa vida: +16,33%
Já algumas quedas ajudaram a amenizar o resultado, como:
🍎 Maçã: −4,76%
☕ Café moído: −1,58%
Para Lucas Barbosa, economista da AZ Quest, parte da pressão recente também está ligada a ajustes comuns em determinados períodos do ano, sobretudo em alimentos frescos.
“A alimentação no domicílio segue bastante pressionada no curto prazo, em parte por reajustes sazonais, especialmente na parte dos in natura”, diz.
Gasolina e diesel pressionam preços de transportes
O grupo transportes também registrou aumento mais forte de preços em abril. A alta passou de 0,21% em março para 1,34%, influenciada principalmente pelo encarecimento dos combustíveis — que os economistas destacam estar ligado ao cenário internacional.
“O resultado reflete os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre a inflação doméstica, especialmente por meio dos combustíveis”, diz Sung, lembrando que a alta do petróleo tende a gerar impactos indiretos em diferentes cadeias produtivas.
No período, os preços desse conjunto de produtos saíram de uma leve queda de 0,03% para uma alta de 6,06%.
Os combustíveis tiveram peso relevante na prévia da inflação de abril, com destaque para a alta do diesel e da gasolina.
⛽ Gasolina: +6,23%
🚛 Óleo diesel: +16%
🌽 Etanol: +2,17%
🚗 Gás veicular: −1,55%
Já Barbosa também observa que os preços dos combustíveis vêm subindo nos postos mesmo sem um reajuste oficial da Petrobras até agora.
“Por hora, não vimos nenhum tipo de reajuste da Petrobras e mesmo assim os preços nos postos estão subindo, o que acabou contribuindo para o resultado do índice”, diz.
Além dos combustíveis, outros itens ligados ao transporte tiveram comportamentos diferentes ao longo do mês. O preço das passagens aéreas, por exemplo, registrou queda após a forte alta observada em março. Em abril, o subitem passou de um aumento de 5,94% para uma redução de 14,32%.
Já no transporte público, os preços tiveram variações mais moderadas. As tarifas de ônibus urbano subiram 0,44% no período. O custo das corridas de táxi teve alta de 0,08%, enquanto as passagens de ônibus intermunicipal avançaram 0,14%.
Também houve aumento no item integração do transporte público, que reúne sistemas que permitem ao passageiro usar mais de um meio de transporte com a mesma tarifa. Nesse caso, a alta foi de 0,90% em abril.
A elevação dos preços dos combustíveis sem reajuste oficial da Petrobras está sob análise e pode ser considerada irregular. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) informou que avalia os indícios de possíveis irregularidades apontados pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), a fim de verificar se há elementos suficientes para a abertura de uma investigação. Na última sexta-feira (13), a estatal anunciou um aumento de R$ 0,38 por litro do diesel para as distribuidoras. A medida foi divulgada um dia após o governo federal apresentar um pacote de R$ 30 bilhões com o objetivo de conter os impactos da alta do preço do petróleo. Na foto, posto de combustível em Osasco na grande São Paulo, na manhã desta terça-feira (17).
ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Dólar tem leve queda e fecha a R$ 4,98, com Oriente Médio e petróleo no radar; Ibovespa cai

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar fechou em leve queda de 0,01% nesta terça-feira (28), cotado a R$ 4,9817. A sessão foi marcada por voltilidade, com a moeda americana chegando a R$ 5,0155 na máxima e R$ 4,9722 na mínima do dia. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caiu 0,51%, aos 188.619 pontos.
As tensões no Oriente Médio seguem no centro das atenções, em meio à dificulade de avanço nas negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã. Ao mesmo tempo, a decisão dos Emirados Árabes Unidos de deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) aumentou preocupações sobre a oferta global da commodity. (entenda mais abaixo)
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▶️ A falta de avanço nas negociações entre EUA e Irã segue trazendo incertezas sobre a duração do conflito no Oriente Médio e seus efeitos na economia global. Na segunda-feira, o governo iraniano apresentou uma nova proposta para reabrir o Estreito de Ormuz.
A proposta está em análise pela Casa Branca e a expectativa é que o presidente Donald Trump e seus assessores apresentem uma resposta ou possíveis contrapropostas nos próximos dias.
▶️ Ainda no cenário internacional, os Emirados Árabes Unidos anunciaram nesta terça-feira que deixarão a Opep e a Opep+, que reúne aliados estratégicos do grupo, a partir de 1º de maio. A decisão ocorre em meio ao choque energético provocado pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã e representa um duro golpe para os grupos exportadores de petróleo.
Após o anúncio, os preços do petróleo subiram ao maior patamar em um mês. O barril do Brent, referência internacional, marcava alta de 2,73% perto das 17h, cotado a US$ 111,19. Mais cedo, a cotação chegou a US$ 112,53 — maior nível desde 27 de março, quando bateu US$ 112,57.
Já o West Texas Intermediate (WTI), dos Estados Unidos, avançava 3,70% no mesmo horário, a US$ 99,94.
▶️ No Brasil, a prévia da inflação de abril (IPCA-15) subiu 0,89% no mês e acumulou 4,37% em 12 meses. O resultado veio abaixo das expectativas de economistas, que projetavam alta de 0,95% no mês e de 4,45% no acumulado anual.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: -0,32%;
Acumulado do mês: -3,80%;
Acumulado do ano: -9,24%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: -1,11%;
Acumulado do mês: +0,62%;
Acumulado do ano: +17,06%.
Petróleo na mira dos investidores
Os preços do petróleo voltaram a subir nesta terça-feira (28), renovando preocupações com o mercado global de energia.
A alta reflete principalmente a combinação de dois fatores: dificuldades no transporte marítimo, em meio ao impasse político entre EUA e Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz, e a decisão dos Emirados Árabes Unidos (EAU) de sair da Opep e da Opep+.
⚓ No centro dessa situação está o Estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o transporte de petróleo do Golfo Pérsico para outras regiões do mundo.
🛢️ A passagem permanece, na prática, fechada, o que impede que petroleiros sigam viagem até seus destinos.
⏳ A interrupção já dura semanas e ocorre mesmo após um cessar-fogo frágil no conflito regional, mantendo investidores em alerta.
Além disso, investidores também avaliaram a decisão dos (EAU) de sair da organização de países exportadores de petróleo.
Segundo espeicalistas consultados pela Reuters, apesar de a medida não trazer impactos significativos no momento, há preocupação sobre quais são os efeitos da decisão na capacidade da Opep de gerir os preços do petróleo no mercado internacional.
"Essa saída levanta uma questão estratégica: se outros produtores começarem a priorizar a participação de mercado em detrimento da disciplina de cotas, a capacidade da Opep de gerir mercados (...) poderá ser cada vez mais questionada", alertou o especialista do Saxo Bank, Ole Hansen, à Reuters.
Atualmente, a Opep exerce grande influência sobre os preços do petróleo ao coordenar oferta e demanda entre os países produtores e exportadores da commodity.
➡️ Funciona assim:
Em vez de definir um preço fixo para a commodity, o grupo firma acordos de produção para ajustar a quantidade de petróleo disponível no mercado. São estabelecidas metas (ou cotas) para cada país que, quando cumpridas, ajudam a elevar ou reduzir os preços.
Assim, quando há excesso de oferta no mercado global, o grupo reduz a quantidade de barris disponíveis, o que tende a pressionar os preços para cima. Já em períodos de maior demanda, a produção pode ser ampliada para conter altas mais intensas.
Entre os países exportadores, os Emirados Árabes Unidos são o 4º maior produtor de petróleo do mundo e detêm a 5ª maior reserva da commodity.
Mercados globais
Em Wall Street, os principais índices fecharam em queda nesta terça-feira, em meio às incertezas sobre os preços do petróleo e o conflito no Oriente Médio. Novas preocupações sobre o "boom" da inteligência artificial também pressionaram ações de tecnologia para baixo na sessão, conforme investidores aguardam a divulgação de novos resultados corporativos do setor.
O Dow Jones caiu 0,05% enquanto o S&P 500 recuou 0,46% e o Nasdaq teve queda de 0,90%.
Na Europa, o fechamento foi majoritariamente em queda. O STOXX 600 recuou 0,4%, para 606,58 pontos, enquanto o DAX perdeu 0,27%, a 24.018,26 pontos. Em Londres, o FTSE 100 avançou 0,11%, a 10.332,79 pontos, e o CAC 40 caiu 0,46%, para 8.104,09 pontos.
Na Ásia, o movimento foi majoritariamente negativo. Em Xangai, o Shanghai Composite Index caiu 0,19%, aos 4.078 pontos, enquanto o CSI 300 Index recuou 0,27%, a 4.758 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng Index perdeu 0,95%, encerrando aos 25.679 pontos.
Entre os demais mercados asiáticos, o Nikkei 225 caiu 1%, aos 59.917 pontos, enquanto o KOSPI avançou 0,39%, para 6.641 pontos.
Notas de dólar em casa de câmbio em Jacarta, na Indonésia.
Hafidz Mubarak/Reuters
Irã suspende exportação de aço, e Aramco, gigante do petróleo, mantém interrupção de venda de gás até fim de maio

Abbas Araqchi, ministro de Relações Exteriores do Irã, em 17 de dezembro de 2025
Reuters/Ramil Sitdikov/Pool/Foto de arquivo
O Irã suspendeu a exportação de placas e chapas de aço, enquanto a Saudi Aramco, uma das maiores empresas de petróleo do mundo, continua com os embarques de gás paralisados. Ambas as medidas permanecem em vigor até 30 de maio.
Cerca de 25% a 30% da produção de aço do Irã foi desativada após danos a instalações, informou o jornal estatal iraniano Etemad no domingo.
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Já a suspensão das exportações de gás pela Saudi Aramco foi reportada pela agência de notícias Bloomberg, com base em fontes familiarizadas com o assunto.
Segundo a agência, a empresa iraniana teria informado aos seus clientes que os embarques da instalação de gás de Juaymah, no leste da Arábia Saudita, ficarão suspensos durante o mês de maio, mas a Aramco se recusou a comentar.
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As exportações de GLP da Saudi Aramco estão interrompidas desde o desabamento de uma estrutura de suporte na instalação, antes do início da guerra no Oriente Médio, em fevereiro. O incidente elevou os preços e forçou compradores a buscar alternativas de fornecimento.
A Saudi Aramco informou a alguns compradores que ainda não conseguiu realizar os reparos necessários em Juaymah. Isso significa que, mesmo com a eventual reabertura do Estreito de Ormuz, não há previsão de entregas no próximo mês, acrescentaram.
Irã e o aço
No Irã, as exportações de aço também estão interrompidas.
Grandes produtores do país, como a Mobarakeh Steel Company e a Khuzestan Steel Company, foram atingidos durante a guerra. A consequente interrupção na produção gerou impactos significativos em setores como construção, automotivo e infraestrutura.
Um membro do conselho de representantes da Câmara de Comércio do Irã afirmou que o mercado de chapas de aço deve se estabilizar dentro de dois meses, à medida que as importações compensarem a escassez e reduzirem a demanda especulativa, de acordo com a agência de notícias iraniana Tabnak.
No início de abril, um diretor adjunto da Khuzestan Steel Company disse que levaria entre 6 e 12 meses para restaurar as operações após os danos às instalações.
O aço é uma das principais fontes de receita de exportação não petrolífera do Irã, e a perda de capacidade de produção e exportação pode pressionar a balança comercial e as receitas em moeda estrangeira, além de arriscar a perda de participação no mercado global de aço, acrescentou o Etemad.
Espera-se que os danos tenham consequências econômicas mais amplas, com possíveis perdas de empregos e pressão de alta sobre a inflação.
Devedor Contumaz: Receita envia notificações a empresas de cigarros que devem mais de R$ 25 bilhões

Receita notifica empresas de cigarros com dívidas de R$ 25 bilhões
A Secretaria da Receita Federal iniciou nesta terça-feira (28) o envio das primeiras notificações a contribuintes que podem ser caracterizados como devedores contumazes, ou seja, que deixam de pagar impostos de maneira planejada e recorrente a fim de driblar legislações tributárias.
De acordo com o órgão, estão sendo enviadas notificações para 13 empresas do setor de fabricação de cigarros que devem mais de R$ 25 bilhões.
Deste total, sete devedores já estão com o CNPJ inapto por omissão de obrigações.
"A escolha desse setor para o início das notificações se deve à enorme contaminação desse mercado por devedores contumazes, com enfraquecimento da função inibidora do consumo pela tributação", informa o Fisco.
"De fato, 7 empresas devedoras respondem por aproximadamente 12% do mercado produtor de cigarros. Ademais, há fortes indícios de ocultação dos reais proprietários e lavagem de dinheiro, em alguns casos", afirma o texto.
Polícia encontra fábrica clandestina de cigarros em Salto
Reprodução / TV TEM
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Após serem notificados, a Receita Federal informou que os contribuintes terão prazo de 30 dias para regularizar os débitos, adequar o patrimônio informado ou apresentar defesa administrativa, com a possibilidade de demonstrar elementos que afastem a caracterização como devedor contumaz.
Caso não haja regularização ou acolhimento da defesa, os contribuintes poderão estar sujeitos às medidas previstas na lei sancionada pelo presidente Lula.
Entre elas estão:
a inscrição no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público (Cadin);
a vedação à celebração de transação tributária;
o impedimento de usufruir de benefícios fiscais e de recuperação judicial; e
a declaração de inaptidão do CNPJ.
Devedor Contumaz
O projeto do Devedor Contumaz, aprovado no ano passado pelo Congresso Nacional após amplo debate, enquadra empresas que usam a inadimplência de tributos reiterada e injustificada como estratégia de negócio.
Ao agir dessa forma, vendem mais barato seus produtos e prejudicam a concorrência.
"A caracterização como reiterada ocorre quando há irregularidade em quatro períodos de apuração consecutivos ou seis alternados, nos últimos 12 meses. Já a inadimplência é tida como injustificada quando não existem motivos objetivos capazes de afastar a contumácia, como situações excepcionais ou comprovadas dificuldades transitórias", explicou o Fisco.
A Receita Federal informou que a nova lei não tem como objetivo penalizar empresas que enfrentam dificuldades financeiras legítimas, mas sim coibir práticas reiteradas de inadimplência estratégica.
"Com a medida, o poder público busca fortalecer a justiça fiscal, preservar um ambiente concorrencial saudável e incentivar o cumprimento voluntário das obrigações tributárias, em consonância com os princípios da legalidade, isonomia e transparência", concluiu o órgão.
Ninguém é dono de imóvel na China? Entenda o sistema em que a terra é do Estado e moradores podem ser retirados e realocados

Na China, governo é dono da terra e moradores vivem sob concessão de 70 anos; entenda
Como mostra a série "Entre Dois Mundos", do Fantástico, na China, ninguém é dono definitivo da terra onde vive. No sistema chinês, toda a terra pertence ao Estado. Quem compra um apartamento, recebe uma concessão de uso válida por 70 anos.
Dentro desse prazo, caso o governo decida que uma área será transformada, os moradores podem ser obrigados a deixar o local. Nesses casos, há duas opções: aceitar uma indenização financeira ou trocar o imóvel por outro.
Foi o que aconteceu com a senhora Wang e o filho, Lawrence. Eles moravam perto do centro de Xangai, em um apartamento pequeno, até serem informados de que a região seria demolida para dar lugar a novos empreendimentos. A decisão veio do governo. Em troca, a família recebeu um imóvel novo, localizado a cerca de uma hora e meia da antiga casa — agora maior, com três quartos e infraestrutura moderna.
“A maioria das pessoas aceita a mudança”, conta Lawrence. Segundo ele, muitos moradores veem a realocação como uma oportunidade de melhorar de vida, já que os novos apartamentos costumam ser mais espaçosos e novos.
Mas há quem não concorde. Os mais velhos, que passaram a vida inteira no mesmo bairro, sentem o peso da ruptura.
"Acontece com algumas pessoas mais velhas, que moram no mesmo lugar desde a infância, com vizinhos antigos, amigos e parentes por perto. Se você muda para um lugar novo, essas relações se rompem", diz Wang.
China ou EUA: quem vai liderar o futuro? Série estreia mostrando as diferenças entre Xangai e Nova York
Lawrence Wen, chefe de cozinha
Reprodução/TV Globo
Esse modelo é uma das engrenagens que explicam a rapidez das obras chinesas. Com um único partido no poder há décadas, o país consegue planejar e executar grandes projetos sem os embates políticos, disputas judiciais e interesses privados comuns em democracias ocidentais.
Em Xangai, bairros inteiros são redesenhados como peças de um grande quebra-cabeça urbano. Quarteirões antigos cercados por arranha-céus indicam que a vez deles de desaparecer pode chegar a qualquer momento.
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Reprodução/TV Globo
Veja a reportagem completa no vídeo abaixo:
De Nova York a Xangai: uma viagem nos trilhos da disputa entre EUA e China
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De Nova York a Xangai: uma viagem nos trilhos da disputa entre EUA e China
A experiência de sair de um aeroporto e chegar ao centro da cidade em poucos minutos ajuda a traduzir o ritmo das transformações urbanas na China. Em Xangai, um trem de levitação magnética — que não toca os trilhos — pode atingir mais de 400 km/h e conecta diferentes pontos da metrópole em questão de minutos.
Mais do que uma inovação tecnológica, o sistema virou símbolo de um modelo de desenvolvimento baseado em três pilares: velocidade, escala e planejamento.
Veja acima o vídeo da série 'Entre Dois Mundos', no Fantástico.
Nas últimas décadas, o país asiático saiu de um cenário de pobreza para se tornar referência global em infraestrutura. Aeroportos, linhas de metrô e estações ferroviárias são construídos em ritmo acelerado e, muitas vezes, replicados em diferentes regiões com padrões semelhantes — como peças de um grande sistema.
Segundo especialistas, a lógica por trás desse avanço está na capacidade de planejar e executar projetos de longo prazo sem interrupções políticas. Com o mesmo grupo no poder há décadas, o país consegue alinhar decisões estratégicas e manter continuidade nas obras, algo mais difícil em democracias com alternância de governo e disputas políticas.
A escala também é um fator determinante. Grandes projetos são pensados para atender milhões de pessoas e replicados em diversas cidades, o que reduz custos por unidade. Na prática, isso significa que obras complexas podem ser concluídas em poucos anos e com orçamento menor do que projetos semelhantes em países ocidentais.
A combinação entre velocidade e escala impacta diretamente o custo final. Especialistas explicam que quanto mais rápido uma obra é concluída, menores são os gastos com atrasos, revisões e mudanças de projeto — um problema comum em grandes empreendimentos ao redor do mundo.
Além disso, o uso intensivo de dados tem ganhado espaço no planejamento urbano chinês. Informações sobre deslocamento, consumo e comportamento da população ajudam autoridades a tomar decisões sobre onde investir e como expandir a infraestrutura, tratando as cidades como sistemas dinâmicos em constante adaptação.
Apesar dos avanços, o modelo também levanta questionamentos. A rapidez na execução muitas vezes vem acompanhada de decisões centralizadas, que podem incluir a realocação de moradores para dar lugar a novos projetos. Em alguns casos, famílias são transferidas para áreas mais distantes, com compensações financeiras ou novos imóveis — um processo que nem sempre ocorre sem resistência.
Especialistas destacam que esse é o principal dilema do modelo chinês: a capacidade de transformar rapidamente o espaço urbano, mas com menor peso para decisões individuais. Em contrapartida, países com processos mais participativos enfrentam maior lentidão, custos elevados e entraves políticos.
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Trem mais rápido do mundo na China
Reprodução/TV Globo
Hoje, cidades como Xangai se tornaram vitrines desse modelo, reunindo arranha-céus, sistemas de transporte modernos e obras que impressionam pela escala. Ao mesmo tempo, expõem um debate mais amplo sobre o futuro das metrópoles: até que ponto é possível equilibrar eficiência, custo e participação social no desenvolvimento urbano.
A resposta, ainda em construção, ajuda a explicar por que a infraestrutura se tornou peça central na disputa global por influência e desenvolvimento no século 21.
O que explica avanço acelerado da infraestrutura na China
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Brasil registra recorde de acidentes e mortes no trabalho em 2025; caminhoneiros lideram óbitos

Brasil bate recorde de acidentes e mortes no trabalho em 2025
O Brasil registrou, em 2025, o maior número de acidentes e mortes no trabalho. Foram 806.011 acidentes e 3.644 óbitos no ano, segundo estudo da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Entre 2016 e 2025, o país acumulou 6,4 milhões de acidentes e 27.486 mortes, além de mais de 106 milhões de dias de trabalho perdidos por afastamentos temporários e cerca de 249 milhões de dias debitados, indicador que mede o impacto permanente de lesões graves e óbitos na vida dos trabalhadores.
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O levantamento foi elaborado com base nas Comunicações de Acidentes de Trabalho (CAT) registradas no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e no eSocial, que reúnem dados oficiais sobre acidentes e doenças relacionadas ao trabalho no país.
A base considera apenas trabalhadores com vínculo formal, ou seja, com carteira assinada.
Acidentes de trabalho no Brasil
Arte/g1
Após a queda observada em 2020, em meio à retração econômica provocada pela pandemia de Covid-19, os acidentes voltaram a crescer de forma contínua. Entre 2020 e 2025, houve aumento de 65,8% nos registros de acidentes e de 60,8% nas mortes. (veja comparativo abaixo)
Embora a taxa de incidência – que relaciona o número de acidentes ao total de trabalhadores formais – tenha recuado ao longo da década, o avanço no número absoluto de casos indica que a expansão do emprego formal não foi acompanhada por melhorias equivalentes nas condições de segurança.
Para o auditor-fiscal do trabalho e diretor de Segurança e Saúde no Trabalho da SIT, Alexandre Scarpelli, os dados reforçam a urgência de ampliar a proteção aos trabalhadores.
“Os números evidenciam que ainda há um longo caminho a percorrer. É fundamental fortalecer a cultura de prevenção, aprimorar as condições de trabalho e ampliar a atuação integrada entre governo, empregadores e trabalhadores para reduzir acidentes e salvar vidas”, afirmou.
Mortes por acidentes de trabalho
Arte/g1
Desigualdade regional
Em números absolutos, São Paulo concentra o maior volume de acidentes e mortes, reflexo do tamanho da economia. Ao todo, em 10 anos, são 2.219.859 acidentes (34,4% do total nacional) e 6.517 óbitos (23,7%).
Os estados do Sul e Sudeste — São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio de Janeiro — concentram 68% dos acidentes e 62% das mortes, padrão associado ao peso industrial e do setor de serviços formais nessas regiões.
Por outro lado, estados como Tocantins, Mato Grosso e Maranhão apresentam as maiores taxas de letalidade, indicando maior gravidade dos acidentes.
Total de acidentes de trabalho por estado
Arte/g1
Mato Grosso se destaca como um caso de “duplo alerta”, ao combinar alta incidência e elevada mortalidade. O estado está entre os três primeiros tanto na taxa de acidentes quanto na de letalidade, reunindo o maior risco ocupacional do país.
Com 1.257 óbitos e taxa de letalidade de 9,24, cerca de 1 em cada 100 acidentes resulta em morte — o dobro da média nacional. O perfil econômico, fortemente baseado no agronegócio, no transporte de cargas e na construção de infraestrutura, ajuda a explicar o risco elevado.
Já nas regiões Norte e Nordeste, há o que o estudo chama de “letalidade oculta”: apesar do menor volume de acidentes, estados como Tocantins, Maranhão, Pará, Rondônia e Piauí registram algumas das maiores taxas de mortes, indicando que os acidentes nessas regiões tendem a ser mais graves.
Mortes por acidentes de trabalho
Arte/g1
Saúde lidera acidentes; transporte concentra mortes
A análise por atividade econômica revela um retrato desigual dos riscos ocupacionais no país. O setor de saúde, especialmente o atendimento hospitalar, lidera em número absoluto com mais de 500 mil acidentes, reflexo da alta concentração de trabalhadores e da sobrecarga das equipes, sobretudo no período pós-pandemia.
Já o transporte rodoviário de carga aparece como o segmento mais letal do Brasil. Entre 2016 e 2025, o setor acumulou 2.601 mortes, com taxas de letalidade muito superiores à média nacional.
Acidentes e mortes por setor
Arte/g1
Quando o recorte é feito por ocupação, o quadro se torna ainda mais grave: enquanto os técnicos de enfermagem são os trabalhadores que mais sofrem acidentes, os motoristas de caminhão lideram as mortes, com 4.249 óbitos em 10 anos — mais de uma morte por dia, em média.
A construção civil também figura entre os setores mais perigosos, combinando alto número de acidentes com elevada mortalidade, especialmente em atividades como obras de edifícios, terraplenagem e montagem industrial.
Nesse último caso, o risco é extremo: em obras de montagem industrial, a taxa de incidência chega a 80 mil acidentes por 100 mil trabalhadores, indicando exposição contínua ao perigo.
Acidentes e mortes por ocupação
Arte/g1
Mudança no perfil dos acidentes
O estudo também aponta transformações importantes no perfil dos acidentes de trabalho. Os acidentes típicos, ocorridos durante a execução da atividade profissional, representam cerca de 65% do total, mas os acidentes de trajeto ganharam peso ao longo dos anos.
As doenças ocupacionais tiveram um pico atípico em 2020, impulsionadas pelos casos de Covid-19 reconhecidos como relacionados ao trabalho, especialmente entre profissionais da saúde.
Outro destaque é o crescimento da participação feminina. As mulheres passaram a representar 34,2% dos acidentes registrados, com aumento de 48% ao longo da década, especialmente em setores como saúde, serviços e administração pública.
Para o Ministério do Trabalho, os números reforçam a necessidade de fortalecer a cultura de prevenção no país. “Os dados mostram que ainda há um longo caminho até garantir ambientes de trabalho seguros. É fundamental aprimorar as condições laborais e ampliar a atuação integrada entre governo, empresas e trabalhadores para reduzir acidentes e salvar vidas”, conclui o estudo.
Apesar da recuperação econômica e da formalização do emprego, o cenário indica que o crescimento sem investimento em segurança cobra um preço elevado: milhares de vidas interrompidas e milhões de trabalhadores afastados todos os anos.
Acidente em Araquari na quinta-feira (25)
PRF/Divulgação
Brasil tem mais de 546 mil afastamentos por saúde mental em 2025 e bate recorde
Crise dos fertilizantes: quase metade do adubo importado vem de países em conflito, diz relatório

Em 2025, o país importou 88% dos adubos usados nos plantios e bateu um recorde histórico, ao adquirir 45,5 milhões de toneladas no ano, aponta relatório da Cogo Inteligência em Agronegócios.
Foto de Kashif Shah
O Brasil é uma das maiores potências agrícolas do mundo, líder na produção e exportação de soja, carne bovina, café e açúcar. Ainda assim, depende fortemente de um dos principais produtos que sustentam essa atividade: os fertilizantes.
Em 2025, o país importou 88% dos adubos usados nos plantios e bateu um recorde histórico, ao adquirir 45,5 milhões de toneladas no ano. Com isso, tornou-se o maior importador mundial da matéria-prima, segundo um relatório da Cogo Inteligência em Agronegócios, elaborado por Carlos Cogo.
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Além disso, cerca de 45% dos fertilizantes importados pelo Brasil vêm de países com alta propensão à instabilidade política ou violência motivada por fatores geopolíticos, como Rússia, Bielorrússia, Irã, Nigéria, entre outros.
Um dos efeitos dessa dependência é a maior vulnerabilidade do Brasil a aumentos repentinos de preços. Um exemplo recente foi a disparada dos fertilizantes em meio à guerra no Oriente Médio, desencadeada pelo conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel.
Esse cenário deve aumentar os custos de produção da próxima safra e, mais adiante, pressionar os preços dos alimentos no Brasil. O impacto só não será imediato porque boa parte dos plantios e colheitas deste ano utilizou adubos comprados antes da guerra.
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Choque externo expõe fragilidade
A consultoria afirma que a dependência do Brasil de países em conflito deixou de ser um “risco teórico” e já se "materializou com força em episódios recentes".
"O conflito entre Rússia e Ucrânia, iniciado em fevereiro de 2022, foi o teste mais severo da vulnerabilidade do agronegócio brasileiro até então", diz a Cogo.
Ele relembra que, com as sanções econômicas impostas à Rússia — responsável por cerca de 23% das importações brasileiras de fertilizantes —, os preços dispararam. Naquele momento, o custo do insumo subiu para os produtores brasileiros, mas o clima favorável garantiu uma safra recorde e evitou o repasse ao consumidor.
"O conflito entre Israel e Irã trouxe um novo choque ao mercado", destaca.
"A paralisação de fábricas iranianas de ureia — que produzem cerca de 9 milhões de toneladas por ano — e a interrupção do fornecimento de gás israelense ao Egito reduziram em aproximadamente 20% a oferta global de fertilizantes nitrogenados", acrescenta.
Entre o início da guerra e o dia 16 de abril, o preço da ureia subiu 67%, segundo dados da StoneX Brasil.
Dependência por tipo de fertilizante
POTÁSSIO
O potássio é o nutriente com maior grau de dependência de importação, mostra o relatório da Cogo Inteligência em Agronegócios.
O Brasil produz internamente apenas cerca de 4% do que consome e importa os outros 96% de países como Canadá, Rússia e Bielorrússia. Nessa categoria, o cloreto de potássio é o principal produto importado.
➡️ O cloreto de potássio é usado nas principais culturas do país, como soja, milho, cana-de-açúcar e café, além de outras, como algodão, arroz, feijão, citros e banana. Ele fortalece as plantas, aumenta a resistência a pragas e à seca e melhora a formação de grãos e frutos.
"O Brasil possui reservas conhecidas de potássio, mas sua exploração em escala comercial ainda é limitada", afirma o relatório.
"O caso mais emblemático é o da Mina de Autazes, no Amazonas, cujo projeto poderia suprir até 20% da demanda nacional. No entanto, o empreendimento enfrenta, há anos, um processo de licenciamento ambiental complexo, envolvendo questões relacionadas a territórios indígenas e aos impactos ambientais na região", acrescenta.
NITROGÊNIO
A dependência de nitrogênio também é elevada, em torno de 95%. A ureia, principal fonte desse nutriente, é quase totalmente importada.
➡️ A ureia é utilizada em plantios como milho, cana-de-açúcar, trigo, arroz e café. Ela estimula o crescimento das folhas e a formação de grãos.
"A produção industrial de nitrogênio no Brasil é onerosa. O processo mais utilizado é a síntese de Haber-Bosch, que converte gás natural e nitrogênio atmosférico em amônia, base para a produção de ureia", diz Cogo.
"O principal entrave está no custo do gás natural no país, historicamente mais elevado do que nos principais produtores, como Rússia, Estados Unidos e países do Oriente Médio, onde esse insumo energético é mais abundante e barato", detalha.
O analista afirma que a Petrobras já operou unidades de fertilizantes nitrogenados no país, conhecidas como FAFENs (Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados). “Em 2013, a empresa vendeu essas unidades, o que levou à perda de grande parte da capacidade nacional de produção de ureia”, diz.
Em janeiro de 2026, a Petrobras anunciou a retomada das operações das FAFENs da Bahia, em Camaçari, e de Sergipe, em Laranjeiras, além de aprovar a reativação da unidade Araucária Nitrogenados (ANSA), no Paraná.
FÓSFORO
O Brasil tem uma dependência menor de fósforo, em torno de 72%.
➡️ O fósforo é usado em culturas como soja, milho, cana-de-açúcar, café e algodão. Ele estimula o desenvolvimento das raízes e garante o bom estabelecimento das plantas, especialmente nas fases iniciais do cultivo.
"O país possui reservas expressivas de rocha fosfática, concentradas principalmente em Minas Gerais, Goiás e Ceará, e as explora com relativa regularidade", diz Cogo.
Entre os projetos de destaque está a mina de Itataia, em Santa Quitéria (CE), com reservas estimadas em 8,9 milhões de toneladas.
"Outros complexos em operação, como o da EuroChem em Serra do Salitre (MG), inaugurado em 2024 com capacidade de 1 milhão de toneladas de fertilizantes fosfatados por ano, voltadas exclusivamente ao mercado interno, indicam que o segmento de fósforo apresenta um caminho de expansão mais viável", destaca o relatório.
Abono salarial do PIS/Pasep: após mudanças, 4,5 milhões de trabalhadores deixarão de receber o benefício até 2030

MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
O Ministério do Trabalho estima que 4,56 milhões de trabalhadores deixarão de receber o abono salarial em cinco anos, entre 2026 e 2030, por conta da mudança nas regras para a concessão do benefício.
🔎O abono salarial é um benefício anual concedido a trabalhadores que atendem a certos critérios, incluindo a participação em programas como PIS e Pasep.
O número de trabalhadores que perderá o benefício sobe ano a ano, progressivamente.
A informação consta no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO), enviado ao Congresso Nacional neste mês pela equipe econômica.
Pelas regras que vigoraram até 2025, o abono foi pago anualmente, no valor de até um salário mínimo, a trabalhadores que:
receberam até dois salários mínimos no ano-base do abono;
trabalharam com carteira assinada por ao menos 30 dias no ano-base;
cadastrados no PIS/Pasep há pelo menos cinco anos.
▶️Com as mudanças propostas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no fim de 2024, e aprovadas pelo Congresso Nacional, essa regra começou a mudar a partir deste ano.
A partir de 2026, o valor da renda máxima para ter acesso ao abono salarial será corrigido pela inflação.
Por outro lado, o salário mínimo terá ganho real (acima da inflação, seguindo as regras do arcabouço fiscal).
A regra de transição vai chegar a um ponto em que, para ter acesso ao abono salarial, o trabalhador só poderá ganhar um salário mínimo e meio. Ou seja, o acesso ficará mais restrito.
"Sobre as novas regras que começam a vigorar em 2026, o governo busca garantir a sustentabilidade do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e a responsabilidade fiscal a longo prazo. A transição gradual permite que o mercado de trabalho e os trabalhadores se adaptem à nova realidade, focando o benefício na parcela da população com menor renda e assegurando que o abono salarial cumpra seu papel social de forma eficiente e equilibrada", diz o Ministério do Trabalho.
Abono salarial PIS-Pasep 2026: consulta ao benefício é liberada; veja como fazer
Projeções do governo
▶️Pelo fato de o abono salarial ser corrigido apenas pela inflação em 2026, terá direito ao benefício o trabalhador que recebeu, em 2024, 1,96 salário mínimo, e não mais, dois salários mínimos. Com isso, 559 mil trabalhadores deixarão de ter acesso ao benefício neste ano.
▶️Em 2027, com a correção apenas pela inflação do abono salarial, terá direito ao benefício o trabalhador que receber até 1,89 salário mínimo. Deste modo, o número de trabalhadores que perderá o benefício subirá para 1,58 milhão.
"Para o exercício de 2027, estima-se que receberão o abono salarial trabalhadores com rendimento médio de até 1,89 salário mínimo, com reduz em 1.585.923 o número de trabalhadores que seriam beneficiados no caso de pagamento para os trabalhadores com remuneração média de até dois salários mínimos, com economia de gastos estimada em R$ 2,2 bilhões", diz o Ministério do Trabalho.
Em 2028, com a correção apenas pela inflação do abono salarial, terá direito ao benefício o trabalhador que receber até 1,83 salário mínimo. Com isso, o número de trabalhadores que perderá o benefício subirá para 2,58 milhões.
Em 2029, com a correção apenas pela inflação do abono salarial, terá direito ao benefício o trabalhador que receber até 1,79 salário mínimo. Deste modo, 3,51 milhões de trabalhadores deixarão de receber o benefício em 2029.
Em 2030, com a correção apenas pela inflação do abono salarial, terá direito ao benefício o trabalhador que receber até 1,77 salário mínimo. Com isso, o número de trabalhadores que perderá o benefício subirá para 4,56 milhões.
Aumento de gastos
Apesar da economia prevista nos próximos anos com a retirada de trabalhadores que teriam direito ao benefício, pela regra anterior, o governo estimou que os valores pagos continuarão crescendo por conta do aumento no número de pessoas com carteira assinada.
A expectativa é de que o número de trabalhadores celetistas avance de 59,86 milhões em 2026 para 67 milhões de trabalhadores em 2030. Com isso, o gasto anual com o abono salarial saltará, segundo as projeções do Ministério do Trabalho, de R$ 34,36 bilhões em 2026 para R$ 39,27 bilhões em 2030.
Por conta do alto volume de gastos, o abono salarial é frequentemente citado por analistas como um benefício que deve ser aprimorado, ou até mesmo encerrado, pelo fato de não estar focado necessariamente na população mais pobre.
De acordo com análise do economista Fabio Giambiagi publicada em 2022, o abono salarial:
não combate o desemprego, pois quem recebe o abono está empregado;
não combate a miséria, porque quem recebe o abono não está entre os 20% mais pobres do país.
"Ele [abono salarial] ajuda a reduzir a informalidade? Não, porque quem recebe o benefício já está no mercado formal", concluiu Giambiagi, em artigo.
Estudo promovido pela equipe econômica de Paulo Guedes, que comandava a Economia na gestão Jair Bolsonaro, também apontou que, do ponto de vista distributivo, a maioria do benefício tende a se concentrar nas camadas de renda média da população.
"Consequentemente, o abono tem pouco efeito sobre o nível geral de desigualdade e pobreza da economia, embora contribua para uma redução da desigualdade dentro do grupo de trabalhadores formais", diz o estudo.
A equipe de Paulo Guedes chegou a cogitar mudanças no abono salarial para destinar mais recursos ao Renda Brasil, programa de transferência de renda, mas a iniciativa foi abortada por Bolsonaro.
Mega-Sena pode pagar R$ 115 milhões nesta terça-feira; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-sena
O concurso 3.001 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 115 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta terça-feira (27), em São Paulo.
Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp
No concurso do último sábado, nenhuma aposta acertou as seis dezenas.
A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
Acompanhe os sorteios no site do g1
Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube
A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Entenda por que o WhatsApp deixa de funcionar em celulares antigos

Blog mostra o que fazer caso o WhatsApp não consiga receber e enviar informações pelo Wi-Fi.
REUTERS/Thomas White
O WhatsApp confirmou recentemente mais uma atualização em sua lista de sistemas operacionais compatíveis: a partir de 8 de setembro de 2026, o aplicativo funcionará apenas em telefones que rodam o sistema Android 6.0 ou superior.
Com a mudança, aparelhos que pararam nas versões 5.0 ou 5.1 do Android perderão acesso ao aplicativo, como já aconteceu com sistemas anteriores.
O WhatsApp costuma fazer revisões periódicas dos sistemas compatíveis com o seu serviço. Isso porque a Meta, dona do WhatsApp, prioriza uma lista de versões mais recentes de sistemas operacionais e que tenham mais usuários.
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A Meta não divulga uma lista oficial dos aparelhos que deixarão de suportar o app de mensagens. O que ela informa é com quais sistemas ele é compatível.
O Google, criador do sistema Android, o mais popular no mundo, e a Apple, responsável pelo iOS, que roda nos iPhones, costumam lançar uma nova versão todo ano, que é disponibilizada para modelos mais recentes. E mantêm, por algum tempo, versões anteriores, que atendem a aparelhos que não são tão novos.
Atualmente, o WhatsApp é compatível com os sistemas:
Android versão 5.0 e posterior; a partir de setembro, apenas com versão 6.0 e posterior
iOS versão 15.1 e posterior
Como verificar o sistema operacional do seu celular
🤖 No Android, siga este passo a passo (os termos podem ter algumas mudanças conforme a marca):
Clique no ícone de "Configurações" do celular;
Em seguida, toque em "Sobre o dispositivo" (ou "Sobre o telefone");
Em alguns modelos, é necessário clicar em "Informações do software" na sequência;
Verifique a "Versão do Android";
🍎 No iPhone (iOS), siga este passo a passo:
Toque no ícone "Ajustes";
Depois, clique em "Geral" e "Atualização de Software";
Em seguida, verifique a última versão instalada.
👉 Caso o WhatsApp não seja compatível com o sistema instalado, é preciso atualizar para uma versão mais recente ou transferir a conta para um aparelho que suporte um sistema compatível com o app.
Por que celulares antigos perdem suporte?
O WhatsApp deixa de oferecer suporte para softwares mais antigos e com menos usuários porque, segundo a Meta, eles podem não abranger as atualizações de segurança mais recentes do aplicativo ou não incluir funcionalidades necessárias para operar o WhatsApp.
A lista de versões de sistemas operacionais que são compatíveis com o WhatsApp é mantida na Central de Ajuda do app e atualizada anualmente.
A Meta diz ainda que, antes de deixar de oferecer suporte para um sistema operacional, exibirá uma notificação no WhatsApp.
"Também exibiremos alguns lembretes solicitando que você atualize o sistema", informa o app.
WhatsApp lança modo avançado de segurança
Fragilidade dos cofres do DF remonta a 2015 e foi agravada por crise do BRB, diz estudo da UnB

Palácio do Buriti
Reprodução/ Agência Brasília
Um estudo do ObservaDF, vinculado à Universidade de Brasília (UnB), aponta que a fragilidade dos cofres públicos do Distrito Federal remonta a 2015 – mas foi fortemente agravada pela crise do Banco de Brasília (BRB) com o Master.
O relatório analisa a evolução das contas públicas do DF entre 2015 e 2024 e conclui que, embora o governo não apresente um alto nível de endividamento, enfrenta sérios problemas de fluxo de caixa.
🔎 O fluxo de caixa é a previsão de circulação do dinheiro, ou seja, dos movimentos de entrada e saída de recursos. Um fluxo de caixa problemático, neste caso, é aquele que já prevê gastar todo o dinheiro que vai arrecadar, ou até mais – sem deixar recursos para obras, investimentos e imprevistos.
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Ibaneis Rocha diz que arrecadação do GDF caiu
De acordo com o estudo, o DF consome praticamente toda a receita que arrecada, o que limita investimentos e reduz a capacidade de resposta a choques econômicos – como a crise aberta pelas transações malsucedidas do BRB com o Banco Master.
O estudo indica que o GDF pode enfrentar um impacto fiscal bilionário devido à crise. Os principais motivos para esse risco são:
as operações problemáticas envolvendo o Banco Master, que envolveram recursos do governo;
a necessidade de capitalizar o BRB, que vem perdendo solidez;
o papel do GDF como acionista controlador do banco;
a pressão dessa operação de resgate sobre as contas públicas.
Miriam Leitão: BRB é o caso mais concreto de corrupção no Master
Situação fiscal do DF
O objetivo do relatório foi analisar a situação fiscal do Governo do Distrito Federal (GDF) no período de 2015 a 2024, abrangendo as administrações conduzidas pelos governadores Rodrigo Rollemberg (2015–2018) e Ibaneis Rocha (2019–2024).
Durante o governo Rollemberg, o Distrito Federal enfrentou uma crise fiscal. Em 2015, o GDF identificou um déficit de R$ 6,5 bilhões para cobrir as despesas.
Isso levou o DF a atrasar salários, negar reajustes e cortar investimentos. As despesas superaram a arrecadação, resultando em um déficit de cerca de R$ 2,5 bilhões nas contas públicas do DF – isso, só no primeiro ano.
À época, o governo afirmou que as dívidas eram da gestão anterior, do governador Agnelo Queiroz (PT), que havia gasto mais e empenhado despesas sem ter os recursos necessários.
De acordo com o estudo, em 2024, o DF registrou o quarto pior resultado do país em disponibilidade de caixa líquida entre os estados, evidenciando a dificuldade de manter reservas financeiras para honrar compromissos e enfrentar imprevistos.
O documento afirma que a situação se agravou em 2026, último ano de mandato de Ibaneis Rocha (MDB), com sinais claros de "pressão sobre o caixa".
Logo no começo do ano, o governo publicou decreto que criou limite mensal para gastos públicos. Na última semana, a governadora Celina Leão editou novo decreto determinando corte em contratos.
BRB ainda busca solução financeira para cobrir fraudes do Master
Embora a capital apresente um baixo nível de endividamento, o estudo revelou que quase toda a sua receita é consumida por despesas correntes, resultando em uma classificação negativa de sua capacidade de pagamento (Capag).
🔎Conforme noticiado pelo g1, o DF está com nota baixa em Capacidade de Pagamento (Capag), um indicador usado pelo Tesouro Nacional para avaliar a saúde financeira de estados, municípios e da capital federal, e não poderá usar a União como garantidora de um eventual empréstimo.
O relatório enfatiza ainda que esse choque fiscal é particularmente grave porque o DF já apresenta uma fragilidade fiscal de fluxo.
O DF opera com disponibilidade de caixa negativa e poupança corrente próxima de zero.
Na prática, isso significa que a capital federal não tem margem financeira para absorver um impacto patrimonial da magnitude que o BRB pode representar.
As estimativas ainda estão sendo concluídas, mas apontam um possível rombo de até R$ 13 billhões.
Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.
FGTS para abater dívidas, desconto de até 90% e mais: o que se sabe sobre o pacote do governo para reduzir o endividamento

O que se sabe sobre o pacote do governo para reduzir o endividamento
O governo federal vai permitir o uso de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) por brasileiros endividados, informou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta segunda-feira (27).
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A iniciativa integra um conjunto de medidas que busca reduzir o nível de endividamento no país. Atualmente, 80,4% das famílias estão nessa situação, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
🔎 Após encontrar entraves jurídicos, o governo havia desistido de liberar recursos do fundo para o abatimento de dívidas. A proposta, no entanto, foi retomada.
Veja abaixo o que se sabe sobre o novo pacote do governo:
O que as medidas preveem?
Quem poderá aderir?
Qual o objetivo das medidas?
Terei desconto no pagamento das dívidas?
Haverá restrições quanto ao uso do FGTS?
Como o governo quer viabilizar o uso do FGTS?
Quando as medidas entrarão em vigor?
Como ficam as bets?
O que as medidas preveem?
Em linhas gerais, incluem a liberação do uso do FGTS e a renegociação de dívidas de cartão de crédito, crédito direto ao consumidor (CDC) e cheque especial.
Como mostrou o g1, o uso do crédito rotativo do cartão — a modalidade mais cara do mercado financeiro — subiu quase 10% no primeiro trimestre. Esse tipo de crédito é apontado como um dos principais fatores do alto nível de endividamento da população brasileira.
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Quem poderá aderir?
O recorte ainda não foi divulgado oficialmente pelo governo. O g1 apurou, no entanto, que o novo programa voltado à negociação de dívidas será direcionado a brasileiros com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105,00).
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Qual o objetivo das medidas?
A proposta do governo é reduzir o comprometimento da renda das famílias e aliviar o peso das dívidas no orçamento doméstico. A iniciativa ocorre no mesmo ano em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concorre à reeleição.
Segundo Durigan, a iniciativa prevê, como diretriz geral, a redução de dívidas de cartão de crédito, crédito direto ao consumidor (CDC) e cheque especial.
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Terei desconto no pagamento das dívidas?
Sim. O novo programa prevê descontos no processo de renegociação e condições mais favoráveis de pagamento, com potencial de reduzir significativamente o valor das dívidas. Em alguns casos, a redução pode chegar a cerca de 90%.
O ministro da Fazenda afirmou que se reuniu com os presidentes dos principais bancos do país, incluindo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, para discutir a medida.
"Conversamos também sobre o compromisso dos bancos com boas práticas, tanto na oferta de crédito futuro quanto do ponto de vista da educação financeira e dos projetos e programas que temos", disse.
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Haverá restrições quanto ao uso do FGTS?
Sim. Durigan afirmou que o governo pretende impor limites ao uso do fundo, vinculando o saque ao pagamento das dívidas.
"Será um saque vinculado ao pagamento da dívida do programa, mas não necessariamente maior do que a dívida", afirmou o ministro, sem dar mais detalhes.
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Como o governo quer viabilizar o uso do FGTS?
Após enfrentar dificuldades jurídicas, o governo federal estuda editar uma Medida Provisória (MP) para permitir o uso do FGTS no abatimento de dívidas, segundo o blog da Ana Flor. Com a medida, o Executivo ganharia tempo enquanto o Congresso Nacional analisa o texto.
🔎 As MPs têm força de lei assim que são publicadas, mas precisam ser aprovadas pelo Congresso em até 120 dias para não perder a validade. O Legislativo pode alterar ou rejeitar o conteúdo proposto pelo Executivo.
Na prática, a MP daria segurança jurídica à iniciativa e passaria a valer imediatamente após a assinatura do presidente da República, mesmo que a análise pelo Congresso se estenda, inclusive em razão do ano eleitoral.
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Quando as medidas entrarão em vigor?
Não há data definida. Segundo o ministro da Fazenda, o pacote será apresentado ao presidente Lula nesta terça-feira (28), e o anúncio oficial deve ocorrer ainda nesta semana.
O blog da Ana Flor informou que o governo pretende aproveitar o Dia do Trabalhador, em 1º de maio, para divulgar o programa, mesmo que a implementação fique para um momento posterior.
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Como ficam as bets?
O governo estuda formas de restringir as apostas online para pessoas endividadas. O objetivo, segundo o ministro da Fazenda, é evitar novos ciclos de endividamento.
"As instituições financeiras elogiaram muito a medida que anunciei na semana passada, que proíbe os mercados de predição, para que não se tornem um problema ainda maior para a sociedade brasileira. A gente chegou a um bom consenso técnico", afirmou nesta segunda-feira.
Na semana passada, o governo bloqueou 27 plataformas de chamadas apostas de “predição”, que envolvem previsões atreladas a eventos esportivos, jogos on-line e temas políticos, eleitorais, sociais, culturais ou de entretenimento.
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Celular vira a principal forma de sacar o FGTS; saiba em quais situações o resgate é permitido
Jornal Nacional/ Reprodução
Carteira de pedidos da Embraer chega a US$ 32,1 bilhões e bate recorde pela 6ª vez seguida

Embraer
Divulgação/Embraer
A Embraer, empresa aeronáutica com sede em São José dos Campos, no interior de São Paulo, fechou o primeiro trimestre de 2026 batendo mais um recorde: a carteira de pedidos da empresa atingiu US$ 32,1 bilhões. O balanço foi divulgado nesta segunda-feira (27).
Na cotação atual, o valor equivale a pouco mais de R$ 159,9 bilhões. No fim do ano passado, a empresa também havia batido recorde.
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Ao todo, a carteira de pedidos consolidada da Embraer cresceu 21,6% na comparação anual no primeiro trimestre deste ano.
Segundo a empresa, a aviação comercial registrou uma carteira de pedidos de US$ 15 bilhões, representando alta de 50% na comparação anual.
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Confira abaixo o balanço por segmento:
Aviação comercial: US$ 15 bilhões
Aviação executiva: US$ 7,6 bilhões
Serviços e Suporte: US$ 5,1 bilhões
Defesa e Segurança: US$ 4,4 bilhões
Segundo o balanço divulgado pela empresa nesta segunda-feira, a aviação executiva entregou 29 aeronaves no primeiro trimestre deste ano, sendo 15 jatos Phenom 300, nove jatos Praetor 500, quatro Praetor 600, além de um Phenom 100.
Jato executivo Phenom da Embraer.
Divulgação/Embraer
Já a aviação comercial fez 10 entregas, sendo 6 aviões E175, além de três aeronaves modelo E195-E2 e uma aeronave E190-E2. A Defesa & Segurança entregou cinco aeronaves, sendo quatro A-29 Super Tucano e um KC-390 Millennium.
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Grupo brasileiro JHSF compra operação de aviação executiva nos Estados Unidos

O modelo Phenom 300 liderou entregas na aviação executiva da Embraer.
Reprodução/TV Vanguarda
A JHSF Participações, empresa brasileira que reúne um dos maiores ecossistemas voltados à alta renda da América Latina, anunciou nesta segunda-feira (27) que vai comprar a operação de aviação executiva da Embassair, em Miami, nos Estados Unidos.
A decisão está alinhada à estratégia do grupo de expansão internacional no setor e ao fortalecimento de seus negócios de renda recorrente.
Segundo comunicado divulgado aos investidores, a operação da Embassair é totalmente dedicada ao atendimento de clientes de aviação executiva no Opa-Locka Executive Airport — um dos principais destinos de voos internacionais do São Paulo Catarina Aeroporto Executivo, também pertencente à JHSF.
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“[A compra possibilita] à JHSF extrair sinergias operacionais, oferecendo vantagens aos seus clientes e gerando valor em ambos os ativos”, afirmou a companhia em nota.
Além da atuação na aviação executiva, o grupo também mantém negócios nos setores imobiliário, gastronômico e de shopping centers, reunindo marcas como Fasano, Chloé, Fratelli Rossetti, e Shopping Cidade Jardim.
A operação foi realizada por meio do JHSF Capital FBOs Fund LP, fundo de investimento estruturado e gerido pela JHSF Capital, gestora de recursos do grupo.
*Com informações da agência de notícias Reuters
Governo estuda editar MP para agilizar uso do FGTS para abatimento de dívidas

Governo quer MP para agilizar uso do FGTS por endividados
O governo federal estuda editar uma Medida Provisória (MP) para viabilizar uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para abatimento de dívidas, informaram ao blog fontes envolvidas no planejamento das ações.
Na semana passada, o Planalto tinha desistido da proposta de usar o FGTS por ser alertado que seria necessário destravar dificuldades jurídicas.
Com a MP, o governo ganha tempo enquanto o Congresso Nacional analisa.
🔎 O que são Medidas Provisórias? As MPs têm força de lei assim que publicadas, mas precisam ser confirmadas pelo Congresso Nacional em até 120 dias para não perderem a validade. O Legislativo tem a prerrogativa de alterar ou rejeitar o texto proposto pelo Executivo.
O governo quer lançar já nos próximos dias um programa que ajude a população endividada a reduzir ou quitar seus débitos diretamente com os bancos, a juros menores.
Ao longo do final de semana, técnicos do governo avançaram em um desenho que permite uma utilização de um percentual do valor que o trabalhador tem no FGTS.
Uma MP daria segurança jurídica e, mesmo que o Congresso demore a aprovar, por conta do ano eleitoral, já passaria a valer no momento da sua assinatura pelo presidente da República.
O governo quer aproveitar o Dia do Trabalhador, em 1º de maio, para anunciar o programa ainda nesta semana, mesmo que ele só esteja disponível mais adiante.
Celular vira a principal forma de sacar o FGTS; saiba em quais situações o resgate é permitido
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Nesta segunda-feira (27), o ministro da Fazenda Dario Durigan, disse que o governo vai permitir a utilização de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) em programa que está sendo estruturado para brasileiros endividados.
Sem dar detalhes, o ministro da Fazenda afirmou que haverá restrições quanto à utilização dos recursos do fundo para abater dívidas.
"A limitação que vai ter para a garantia do próprio fundo é um percentual do saque. Então um saque limitado, dentro do programa. Um saque vinculado ao pagamento da dívida do programa, mas não necessariamente sendo maior do que a dívida", explicou.
Durigan afirmou, após reunião com representantes do setor financeiro, que apresenta as ideias sobre o programa ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta terça-feira (28). O anúncio, ainda segundo o ministro da Fazenda, deve ser feito esta semana.
Agência internacional rebaixa nota da Enel e cita risco de empresa perder concessão em SP

Subestação da Enel no Cambuci, em São Paulo
Amanda Perobelli/Reuters
A agência internacional de classificação de risco Moody’s rebaixou nesta segunda-feira (27) a nota da Enel Americas, controladora da Enel em São Paulo, e apontou como principal motivo o risco de a empresa perder a concessão de distribuição de energia no estado.
A nota caiu de Baa2 para Baa3, que ainda é considerada segura para investidores, mas já no limite do chamado grau de investimento. A perspectiva negativa indica que, se o cenário piorar, a empresa pode perder esse selo e passar a ser vista como de maior risco.
🔍 A Moody’s é uma agência dos Estados Unidos que avalia o risco de empresas e governos não pagarem suas dívidas. Suas notas indicam o nível de confiança do mercado: quanto mais alta, menor o risco. Quando a nota cai, como no caso da Enel, isso sinaliza mais desconfiança e pode encarecer o acesso a crédito.
Segundo a Moody’s, a piora na avaliação está diretamente ligada à decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de abrir um processo que pode levar à caducidade do contrato da Enel Distribuição São Paulo — ou seja, à perda da concessão antes do prazo.
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No início do mês, a diretoria colegiada da Aneel aprovou a abertura de um processo que pode encerrar antecipadamente o contrato com a concessionária. A agência considerou insatisfatório o desempenho da Enel diante de uma série de apagões prolongados nos últimos anos – o mais recente, em dezembro passado, deixou 4,4 milhões de clientes sem luz.
No relatório, a Moody’s também cita uma sequência de apagões de grande escala em São Paulo, principalmente durante eventos climáticos extremos, e críticas à demora no restabelecimento da energia.
Além disso, a agência reguladora suspendeu a análise de renovação antecipada do contrato, o que aumenta a incerteza sobre a permanência da empresa no estado.
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Entenda o que acontece se o contrato da Enel em SP for encerrado
Concessão em SP
A distribuidora em São Paulo é um dos principais ativos da Enel Americas. Segundo a agência, o contrato responde por cerca de 20% de todo o lucro operacional da companhia.
Outras concessões no Brasil, como as do Ceará e do Rio de Janeiro, também enfrentam incertezas, embora já tenham recebido sinalização técnica favorável à renovação. Juntas, elas representam cerca de 13% do resultado da empresa.
Ainda segundo a Moody’s, a companhia terá vencimentos de dívida nos próximos anos, além de precisar manter investimentos elevados — estimados em até US$ 3 bilhões por ano, ou cerca de R$ 15 bilhões — para melhorar a rede e reduzir falhas no serviço.
Procurada, a Enel não se manifestou até a última atualização desta reportagem.
Carro de energia da Enel faz reparos em poste de luz da Avenida Sapopemba, Zona Leste de SP.
Rodrigo Rodrigues/g1
Ranking
A Enel São Paulo foi a distribuidora de energia que regrediu mais posições no ranking de avaliação das concessionárias de grande porte da Aneel em 2025. A companhia ficou na 30ª colocação entre as 33 empresas com mais de 400 mil clientes no país, nove posições abaixo da registrada no ano anterior.
A avaliação do órgão regulador levou em conta a frequência e a duração das interrupções no fornecimento de energia, consolidadas no índice de Desempenho Global de Continuidade (DGC). Segundo a Aneel, no geral, a qualidade dos serviços melhorou no ano passado em comparação com 2024. Em média, os consumidores ficaram 9,3 horas sem luz no ano, uma redução de 9,2%.
O resultado da Enel, porém, foi negativo. O DGC da empresa passou de 0,8 em 2024 para 0,9 no ano passado – indicadores mais altos refletem mais frequentes e mais longas no fornecimento de energia.
Com sede na capital paulista, a Enel SP atende a mais de 8 milhões de unidades consumidoras em 24 municípios da Região Metropolitana.
WhatsApp deixará de funcionar em celulares Android antigos em setembro; saiba se seu telefone será afetado

Blog mostra o que fazer caso o WhatsApp não consiga receber e enviar informações pelo Wi-Fi.
REUTERS/Thomas White
O WhatsApp deixará de funcionar em telefones celulares que utilizam sistema Android mais antigos a partir de 8 de setembro de 2026, quando o app só será compatível com modelos que rodam o Android 6.0, lançado em 2015, ou versões mais recentes.
Com a mudança, aparelhos que pararam nas versões 5.0 ou 5.1 do Android perderão acesso ao aplicativo, como já aconteceu com sistemas anteriores.
Em sua Central de Ajuda, o WhatsApp exibe a mensagem: "a partir do dia 8 de setembro de 2026, o WhatsApp será compatível apenas com Android 6 e posterior.
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Para continuar usando o aplicativo, a pessoa precisa atualizar o sistema Android ou transferir a conta para um aparelho com uma versão mais recente.
👉 Veja abaixo como conferir a versão do seu Android e se há atualização disponível:
Clique no ícone de "Configurações" do celular;
Em seguida, toque em "Sobre o dispositivo" (ou "Sobre o telefone");
Em alguns modelos, é necessário clicar em "Informações do software" na sequência;
Verifique a "Versão do Android";
No momento, segundo a Central de Ajuda do WhatsApp, não há alterações para quem usa iPhone. O requisito continua sendo o iOS versão 15.1 e posterior ou superior.
Por que isso acontece?
O WhatsApp está sempre fazendo correções de falhas, principalmente de segurança, e incluindo novas funcionalidades no aplicativo. Nem sempre esses modelos mais velhos conseguem suportar essas atualizações.
Vale lembrar que as atualizações de segurança são constantes em qualquer aplicativo e fundamentais para evitar que o usuário — e especialmente seus dados pessoais — fiquem vulneráveis.
A empresa explica que, anualmente, faz uma revisão dos sistemas Android e iOS (iPhone) mais antigos e com menor número de usuários. Com base nesse levantamento, a empresa pode definir uma nova versão mínima exigida para o funcionamento do app.
A Meta não divulga uma lista oficial dos aparelhos que deixarão de suportar o app de mensagens. O que ela informa é com quais sistemas ele é compatível.
WhatsApp lança modo avançado de segurança
Governo vai liberar uso de FGTS em programa para brasileiros endividados, diz Durigan

Governo quer MP para agilizar uso do FGTS por endividados
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta segunda-feira (27) que o governo vai permitir, com restrições, a utilização de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) em um programa que está sendo estruturado para reduzir o nível de endividamento dos brasileiros.
Durigan afirmou, após reunião com representantes do setor financeiro, que vai apresentar as ideias sobre o programa ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta terça-feira (28). O anúncio, ainda de acordo com o ministro da Fazenda, deve ser feito nesta semana.
Governo havia recuado da medida
O governo havia desistido da proposta de liberar recursos do FGTS para o abatimento de dívidas por ter encontrado dificuldades jurídicas na operação.
Sem dar detalhes, o ministro da Fazenda afirmou que o governo avalia impor uma limitação à utilização do fundo, vinculando o saque ao pagamento da dívida.
"A limitação que vai ter para a garantia do próprio fundo é um percentual do saque. Então um saque limitado, dentro do programa. Um saque vinculado ao pagamento da dívida do programa, mas não necessariamente sendo maior do que a dívida", explicou.
Ministro da Fazenda, Dario Durigan
Cadu Gomes/VPR
Redução de juros
O Ministério da Fazenda negocia com os bancos medidas para reduzir o endividamento das famílias e empresas brasileiras.
Uma nova fase do programa Desenrola, que permitiu renegociação de dívidas, seria uma forma de ajudar famílias endividadas devido aos juros altos e às dívidas que se avolumam.
Segundo Durigan, a iniciativa prevê, como diretriz geral, a redução de dívidas de cartão de crédito, crédito direto ao consumidor (CDC) e cheque especial.
No processo de renegociação, haverá descontos para reduzir os juros no endividamento dos brasileiros. A redução poderá chegar a cerca de 90%.
"Tive a honra de me reunir com os CEOs dos principais bancos, inclusive do Banco do Brasil e da Caixa Econômica, e a gente passou em revista todos os pontos do programa. A área técnica me acompanhou, eu arbitrei os pontos finais e vou levar para o presidente amanhã para que ele, nos próximos dias, anuncie esse programa", declarou o ministro.
O g1 apurou que a nova fase do programa será direcionada aos brasileiros que recebem até cinco salários mínimos.
A ideia é diminuir o comprometimento da renda familiar e aliviar o peso das dívidas no orçamento doméstico neste ano em que o presidente Lula concorre à reeleição.
Governo quer limitar bets
O ministro da Fazenda voltou a dizer que o governo estuda formas de restringir as apostas online àqueles que estão endividados. O objetivo, segundo ele, é evitar novos ciclos de endividamento.
"As instituições financeiras também têm grande apoio a esse ponto, elogiaram muito a medida que anunciei na semana passada, que proíbe os mercados de predição, para que eles não se tornem um problema ainda maior para a sociedade brasileira. A gente chegou a um bom consenso técnico", afirmou.
Na semana passada, o governo bloqueou 27 plataformas de chamadas apostas de “predição”, que fazem previsões atreladas a eventos esportivos, jogos online e temas políticos, eleitorais, sociais, culturais ou de entretenimento.
'Comprem agora': ministro espanhol alerta que guerra pode disparar preço de passagens aéreas

Avião da Ryanair no aeroporto de Eindhoven, na Holanda
REUTERS/Piroschka van de Wouw
Enquanto líderes mundiais evitam tratar publicamente dos impactos econômicos diretos da guerra no Oriente Médio, um ministro europeu decidiu quebrar o silêncio.
Na segunda‑feira (27), o ministro espanhol da Indústria e do Turismo, Jordi Hereu, fez um alerta incomum à população: comprar passagens aéreas o quanto antes, antecipando uma escalada de preços tida como inevitável, impulsionada pelo encarecimento do petróleo e do querosene de aviação.
Impulsionada pela guerra envolvendo os Estados Unidos e o Irã, a ameaça de subida meteórica no preço do querosene pode provocar uma alta generalizada das tarifas aéreas, sobretudo no início do verão no hemisfério norte.
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A advertência, feita em entrevista ao jornal econômico Expansion, colocou no centro do debate um tema sobre o qual governos e companhias vinham falando apenas em tom técnico – ou evitando deliberadamente: o risco concreto de aumento abrupto do transporte aéreo, e até de cancelamentos em cadeia por falta de combustível.
Turismo recorde, mas com base frágil
A Espanha vive um paradoxo. Em 2025, o país recebeu um número recorde de 97 milhões de turistas, alta de 3,5% em relação a 2024, consolidando‑se como um dos principais destinos turísticos do mundo.
Segundo Jordi Hereu, o país poderia manter um ritmo de crescimento semelhante em 2026, sustentado pela forte demanda internacional.
Mas esse cenário otimista começa a ser tensionado por um fator externo sobre o qual o setor não tem controle: o custo do combustível de aviação.
O ministro foi explícito ao afirmar que a alta do querosene ameaça elevar as tarifas aéreas e pressionar negativamente a demanda, sobretudo em voos de média e longa distância.
“Comprem agora”
A recomendação feita por Hereu foi direta e pouco usual para um integrante de governo:
“O que recomendamos é que as pessoas comprem seus bilhetes desde já, porque é verdade que as companhias aéreas estão usando atualmente querosene comprado há algum tempo. Existe, portanto, um risco real de flutuação dos preços.”
O ministro acrescentou que já é evidente que os preços subiram e que isso pode afetar a disposição dos consumidores em viajar, apesar da força do turismo espanhol.
Ele afirmou ainda que autoridades espanholas e europeias estão tomando medidas para evitar uma escassez de combustível, sinalizando que o problema já é tratado como estrutural, e não hipotético.
Segundo a organização europeia Transport & Environment, a alta recente do petróleo já acrescentou mais de US$ 100 (cerca de € 85) ao custo de voos de longa distância com origem na Europa.
Esse aumento tende a ser repassado ao preço final das passagens, alimentando uma espiral de reajustes em plena temporada alta.
As companhias aéreas, até agora, vinham absorvendo parte do impacto graças a contratos de compra antecipada de combustível. Mas esse amortecedor tem data de validade.
Companhias começam a cancelar voos
O cenário deixou o plano teórico e entrou na prática. A Transavia, companhia de baixo custo do grupo Air France‑KLM, confirmou que vai ajustar sua malha aérea em maio e junho para otimizar custos diante da disparada do preço do querosene, consequência direta da guerra no Oriente Médio.
A empresa informou que será obrigada a cancelar parte dos voos previstos para maio e junho de 2026, ainda que essas cancelamentos representem menos de 2% da programação total nesse período.
Segundo a Transavia, os clientes afetados estão sendo avisados individualmente por SMS e e‑mail, com direito, conforme a escolha, a remarcação sem custo, crédito ou reembolso integral. Para a maioria dos voos cancelados, uma alternativa de remarcação em até 24 horas está sendo oferecida.
Em declaração à AFP no domingo, confirmando informação divulgada pela rádio RMC, um porta‑voz da companhia afirmou que, “em razão do contexto geopolítico atual no Oriente Médio e de suas repercussões sobre o preço do combustível de aviação, a Transavia França está adaptando sua programação de voos e é obrigada a proceder ao cancelamento de vários voos previstos para os meses de maio e junho de 2026”.
Ryanair alerta: junho é o ponto crítico
O diretor‑executivo da Ryanair, Michael O’Leary, afirmou que não se espera escassez de querosene em maio na Europa, mas que junho já é uma incógnita. Segundo ele, as próprias petroleiras admitem não conseguir garantir totalmente o fornecimento para esse período.
O’Leary foi direto ao associar os preços elevados à condução do conflito:
“Enquanto a guerra no Oriente Médio continuar e Trump continuar a lidar com isso tão mal, os preços do combustível permanecerão necessariamente mais altos.”
Segundo o executivo, 10% a 20% do abastecimento da Ryanair está em risco. Ele destacou que o Reino Unido é o país mais exposto a cancelamentos, por depender em parte de fornecimento do Kuwait, diretamente impactado pelo bloqueio de Ormuz.
A França, por ora, afirma não enfrentar dificuldades imediatas de abastecimento, mas o governo admitiu que poderá liberar parte de seus estoques estratégicos se surgirem problemas de volume.
A declaração foi feita pela porta‑voz do governo francês, Maud Bregeon, em 19 de abril.
Mesmo assim, a incerteza cresce, principalmente em relação ao mês de junho.
Dependência europeia do Golfo e o bloqueio do estreito de Ormuz
O problema estrutural é conhecido: a Europa importa normalmente cerca de metade do seu querosene dos países do Golfo. Desde o início da guerra entre os Estados Unidos e o Irã, no fim de fevereiro, essa dependência se tornou um ponto crítico.
O estreito de Ormuz, por onde passa aproximadamente 20% de toda a produção mundial de hidrocarbonetos, está bloqueado por Teerã, interrompendo fluxos logísticos essenciais para o abastecimento energético global — e, por consequência, para a aviação civil.
Em Bruxelas, o comissário europeu Dan Jorgensen reconheceu que a União Europeia está se aproximando “muito rapidamente” de uma potencial crise de abastecimento, com o risco concreto de um verão marcado por passagens mais caras e cancelamentos de voos.
Com AFP
Globoplay vence prêmio de excelência em serviços ao cliente em 2026

Logo do Globoplay
TV Globo
O Globoplay venceu o Prêmio Consumidor Moderno de Excelência em Serviços ao Cliente 2026, no segmento Telecomunicações – TV por Assinatura e Streaming.
A premiação reconhece empresas que se destacam na experiência do consumidor, com base em avaliações práticas em múltiplos canais de relacionamento e no cruzamento de dados estratégicos.
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O resultado reforça o compromisso do Globoplay em oferecer uma jornada integrada, fluida e eficiente, que combina tecnologia, uso de dados e proximidade em todos os pontos de contato.
“Receber este prêmio reconhece o trabalho consistente de todo o time do Globoplay, que atua diariamente para tornar a experiência do usuário cada vez mais simples, personalizada e humanizada", diz Isabela Gonçalves, diretora de experiência de Produtos Digitais da Globo.
"Colocar o usuário no centro das decisões é essencial para evoluir continuamente cada etapa da jornada, em todos os canais de relacionamento”, acrescenta.
Além da vitória no segmento, o Globoplay também concorre ao título de Empresa do Ano, por voto popular, o que reflete a avaliação direta dos consumidores sobre a qualidade dos serviços. A cerimônia de premiação será realizada no dia 26 de maio de 2026, em São Paulo.
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Governo estuda exportar sobras de energia hidrelétrica à Argentina e ao Uruguai

Hidrelétrica de Furnas, em São José da Barra
Divulgação / Axia Energia
O governo pretende propor uma nova modalidade de exportação do Brasil para a Argentina e o Uruguai, baseada na venda antecipada de energia que ainda será gerada, mecanismo conhecido como “vertimento turbinável antecipado”.
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As informações constam em documentos da consulta pública aberta pelo governo nesta segunda-feira (27).
🔎 Essa modalidade permite antecipar a venda de energia que poderia ser produzida com água excedente dos reservatórios e que, sem essa medida, acabaria sendo desperdiçada.
A medida permitiria gerar receita com uma energia que hoje não é usada para atender ao consumo do país e ajudaria a aliviar o excesso de energia disponível — situação que gera prejuízos às usinas solares e eólicas e dificulta a operação do sistema elétrico nacional.
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A ideia já vinha sendo defendida por grandes geradores de energia elétrica, que vinham discutindo com o governo, nos últimos anos, formas de viabilizá-la.
O Brasil criou, em 2022, regras para exportar aos países vizinhos a geração hidrelétrica excedente com base em vertimentos “iminentes” — e não futuros, como está sendo proposto agora.
🔎 Vertimentos iminentes são sobras de água que devem ocorrer em breve. Já os vertimentos futuros são excedentes previstos para os próximos meses, com tempo para planejamento.
Essa primeira modalidade de exportação, no entanto, só foi usada em 2023, quando um período de chuvas abundantes levou as usinas hidrelétricas a abrirem seus vertedouros. Desde então, esse tipo de operação somou um benefício financeiro de R$ 788,2 milhões.
Segundo a proposta anunciada nesta segunda-feira, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) poderá autorizar a exportação antecipada pelas hidrelétricas quando houver previsão de sobra futura de água capaz de gerar energia.
Essa nova modalidade poderá ocorrer a partir da operação, pelo ONS, de usinas localizadas nos subsistemas Sul e Norte, preservando a energia de subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste, considerados essenciais para garantir o abastecimento do país.
A proposta considera dois períodos distintos ao longo do ano, definidos pelo ciclo de chuvas no Norte, que influencia o volume de geração das grandes hidrelétricas da região.
No primeiro intervalo, de junho a novembro, correspondente ao período seco no Norte, quando normalmente as hidrelétricas da região não vertem água, poderá ocorrer a exportação antecipada, desde que haja bons níveis de água nos reservatórios do Sul do país.
Já no segundo intervalo, de dezembro a maio, período mais chuvoso no Norte, a ideia é recuperar o nível de armazenamento do Sul após a exportação realizada no intervalo anterior, ampliando o uso das hidrelétricas do Norte e reduzindo a geração no Sul
A modalidade abre uma oportunidade relevante para os geradores hidrelétricos, ao permitir evitar desperdícios de recursos por falta de demanda, e também deve trazer benefícios ao sistema brasileiro e aos consumidores, afirmou Marisete Dadald Pereira, presidente da Abrage, associação que reúne grandes investidores do setor, como Axia, Engie Brasil, CTG Brasil e Auren.
Segundo ela, a entidade vinha mostrando ao governo que o Brasil já poderia ter exportado aos países vizinhos seus excedentes hidrelétricos nos últimos anos, assim como ocorreu com a energia termelétrica.
"Em um sistema cada vez mais renovável, o desafio não é só gerar energia limpa, mas evitar que ela seja desperdiçada", disse Pereira, acrescentando que a fonte hidrelétrica costuma ser a primeira a ter sua geração reduzida pela ONS, por permitir ajustes mais rápidos no volume produzido.
A nova modalidade de exportação antecipada dependerá da adesão de geradores hidrelétricos interessados e não incluirá usinas que operam sob o regime de cotas — modelo em que a energia é destinada ao mercado regulado — nem a Itaipu Binacional. A operação será conduzida pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
Governo impõe limites contra 'juros abusivos' do crédito consignado privado

Gerenciamento das finanças: estudo mostra que idosos são plenamente capazes de cuidar do seu dinheiro
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O governo federal passou a prever punições para bancos que cobrarem taxas de juros “muito acima” da média do mercado no crédito consignado privado, informou o Ministério do Trabalho e Emprego nesta segunda-feira (27).
🔎 A modalidade prevê o desconto das parcelas diretamente na folha de pagamento dos trabalhadores — o que funciona como garantia para o empréstimo. Por isso, o consignado costuma ter juros mais baixos do que outras linhas de crédito.
A decisão foi tomada no fim da última semana pelo Comitê Gestor das Operações de Crédito Consignado. A medida não estabelece um teto específico de juros, mas define uma taxa de referência para o cálculo das cobranças.
“As instituições financeiras não poderão praticar taxas de juros muito acima dessa referência. As que não cumprirem as determinações poderão ser notificadas e até suspensas do programa Crédito do Trabalhador”, disse o ministério em nota.
Veja o que muda com nova regra para quem tem desconto direto no salário ou na aposentadoria
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Atualmente, a taxa média de juros dessas operações é de 3,66% ao mês, segundo o ministério.
A medida também limita a 1 ponto percentual a diferença entre os juros nominais do contrato e o custo efetivo total, que inclui tributos e seguro.
“Entendemos que o teto atual de juros deve ficar próximo de 4,98% ao mês. Assim, o custo efetivo total máximo permitido seria de cerca de 5,98%”, avaliou o BTG Pactual em relatório, citando surpresa negativa com a decisão.
Segundo o banco, embora o governo não tenha imposto uma taxa máxima para a modalidade, como ocorre no consignado do INSS, a medida “cria um precedente” e gera incerteza sobre a evolução da média dos juros ao longo do tempo.
Lançado em março de 2025, o programa Crédito do Trabalhador busca estimular a concessão de crédito com desconto em folha para trabalhadores do setor privado e tem impulsionado a demanda por essa modalidade de financiamento.
De acordo com o ministério, o programa já movimentou R$ 121 bilhões em empréstimos consignados, alcançando 9 milhões de trabalhadores em operações feitas por 97 instituições financeiras.
Também nesta segunda-feira, dados do Banco Central (BC) mostram que o endividamento das famílias alcançou 49,9% em fevereiro, o maior patamar da série histórica, iniciada em 2005.
A iniciativa voltada ao consignado será integrada a outra ação do governo, a ser anunciada nesta semana, voltada à renegociação de dívidas. A medida ocorre em meio ao aumento da inadimplência no país, o que pode afetar a percepção de bem-estar das famílias em um ano eleitoral, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve tentar a reeleição.
Bayer apresenta recurso na Suprema Corte dos EUA em processo sobre agrotóxico glifosato

Herbicida Roundup a venda em Encinitas, Califórnia, EUA
Reuters / Mike Blake
A Suprema Corte dos Estados Unidos começou a analisar nesta segunda-feira o recurso da Bayer AG para barrar milhares de processos que acusam a empresa de não alertar consumidores de que o princípio ativo do herbicida Roundup causa câncer.
A Bayer recorreu de uma decisão de um júri em um tribunal estadual do Missouri que condenou a empresa a pagar US$ 1,25 milhão a John Durnell. Ele afirmou ter sido diagnosticado com linfoma não Hodgkin após anos de exposição ao glifosato, substância presente no Roundup.
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Paul Clement, advogado que representa a Bayer, disse aos juízes que a legislação federal que regula pesticidas impediria que ações baseadas em leis estaduais, como a movida por Durnell, avançassem na Justiça quando tratam da obrigação de advertência ao consumidor.
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A empresa alemã, que atua nos setores farmacêutico e agrícola, argumenta que a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) concluiu repetidas vezes que o glifosato não causa câncer e aprovou os rótulos do produto sem qualquer alerta desse tipo.
“Um júri do Missouri impôs uma exigência de alerta sobre câncer que a EPA não faz. Essa exigência adicional é preterida”, afirmou Clement.
Segundo ele, o Congresso deixou claro que buscava padronização nas advertências de segurança presentes nos rótulos de pesticidas.
Ignorar essa diretriz, disse o advogado, abriria espaço para uma avalanche de processos e colocaria em risco os interesses de agricultores que dependem de produtos registrados em nível federal para garantir sua renda.
De acordo com a Bayer, mais de 100 mil autores já entraram com ações em tribunais estaduais e federais nos Estados Unidos alegando relação entre o produto e o câncer. A empresa afirma que uma decisão favorável da Suprema Corte pode encerrar a maior parte dos processos envolvendo o Roundup.
Associações ligadas ao agronegócio apoiam a empresa no caso, assim como o governo do presidente republicano Donald Trump.
Do outro lado, entidades ambientais, representantes de trabalhadores rurais e grupos de saúde pública apresentaram manifestações em apoio a Durnell.
Bayer anunciou que fechou acordo pela compra da Monsanto
Marco Bello/Reuters/Arquivo; Brendan McDermid/Reuters/Arquivo
Glifosato retirado do uso doméstico
A Bayer passou a controlar o Roundup após a compra da empresa de agroquímicos Monsanto por US$ 63 bilhões, em 2018.
O volume de processos levou a companhia a retirar o glifosato da versão do produto voltada ao consumidor doméstico.
A empresa também afirmou que as ações judiciais podem comprometer sua capacidade de fornecer o herbicida aos agricultores. Causando, então, o risco de indenizações bilionárias.
A Bayer anunciou em fevereiro uma proposta de US$ 7,25 bilhões para encerrar dezenas de milhares de processos atuais e futuros. Segundo a empresa, o acordo não abrange ações que ainda estão em fase de recurso nem aquelas que ficam fora dos termos negociados, que somariam quase US$ 1 bilhão.
O centro da disputa é uma lei federal conhecida como Lei de Inseticidas, Fungicidas e Raticidas, que regula a venda e a rotulagem de pesticidas e impede que os estados imponham exigências diferentes ou adicionais às previstas em nível federal.
Essa legislação proíbe, em especial, a comercialização de produtos com rótulos considerados enganosos, quando não trazem alertas adequados para proteger a saúde e o meio ambiente.
A Bayer sustenta que as alegações feitas por Durnell não seriam válidos justamente por causa dessa lei.
A empresa afirma que a EPA aprovou repetidamente rótulos sem advertência sobre câncer, o que demonstraria que o produto não é rotulado de forma inadequada. A companhia também destaca que mudanças significativas nos rótulos dependem de autorização da agência.
Os advogados de Durnell argumentam que, mesmo com o registro do Roundup pela EPA, o rótulo ainda pode ser questionado judicialmente.
Eles afirmam que as ações não entram em conflito com a lei federal, pois a legislação do Missouri exige o mesmo princípio previsto na norma nacional: que os produtos alertem de forma adequada sobre seus riscos.
Durnell processou a Monsanto em um tribunal estadual do Missouri em 2019, alegando que a empresa falhou ao não informar os usuários sobre os perigos associados ao Roundup e ao glifosato.
Ele foi diagnosticado com uma forma rara e agressiva de linfoma não Hodgkin, um tipo de câncer que se origina nos glóbulos brancos, e atribuiu a doença à exposição ao herbicida a partir de 1996.
Por cerca de 20 anos, atuou como o responsável pela aplicação do produto em áreas verdes de um bairro de St. Louis, pulverizando o herbicida em parques locais sem o uso de equipamentos de proteção, segundo documentos do processo.
O júri deu razão a Durnell em 2023, e, em 2025, um tribunal de apelação estadual manteve a decisão.
A expectativa é que a Suprema Corte anuncie sua decisão até o fim de junho. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na semana passada indicou os riscos políticos para o governo Trump ao apoiar a Bayer.
Segundo o levantamento, 63% dos entrevistados disseram ser contrários à proteção de empresas contra processos judiciais quando elas vendem produtos que causam câncer, mesmo que haja algum tipo de aviso sobre o risco.
Salão de Pequim: Brasil terá 1 mil carregadores ultrarrápidos da BYD com recarga em 9 minutos até 2027; VÍDEO

Carregador ultrarrápido da BYD vai até 97% em 9 minutos
A BYD apresentou, durante o Salão do Automóvel de Pequim, uma tecnologia que promete recarregar 97% da bateria de um carro elétrico em apenas nove minutos. A novidade chegará ao Brasil ainda neste ano.
O equipamento fornece 1.500 kW de potência, número cinco vezes maior do que o dos carregadores rápidos mais avançados disponíveis hoje no Brasil, que operam em torno de 300 kW. Com isso, a BYD afirma ser possível recuperar 70% da bateria em cinco minutos e chegar a 97% em nove minutos.
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A solução exibida no evento consiste em uma estrutura em formato de “T”, com dois pontos de recarga. Assim, dois veículos podem ser carregados simultaneamente.
Dois fatores são essenciais para que a recarga ultrarrápida funcione. O primeiro diz respeito ao local da instalação, que precisa contar com infraestrutura capaz de suportar um volume tão grande de energia concentrado em um único ponto.
(O repórter viajou para o evento a convite da Leapmotor e GWM.)
Para contornar essa limitação, a BYD utiliza um conjunto de baterias que é carregado gradualmente quando não há veículos conectados. Quando um carro é plugado, tanto a rede elétrica quanto esse banco de baterias passam a fornecer energia ao veículo na maior velocidade possível.
Em entrevista ao g1, Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil, afirmou que a estrutura atual de carregadores rápidos pode ser adaptada para operar com potências acima de 1.000 kW.
Carregador ultrarrápido da BYD no Salão do Automóvel de Pequim
André Fogaça/g1
“Você incorpora um banco de baterias para que você armazene eletricidade continuamente, para que elas estejam sendo carregadas, para que você tenha um carro que, quando parar para ser carregado, tenha 400 km em 5 minutos", explicou o executivo.
Segundo Baldy, esses carregadores estarão disponíveis nas concessionárias da Denza, marca de luxo da BYD. Ele também afirmou que haverá novos pontos de recarga, organizados como hubs com vários equipamentos, somando 1.000 carregadores em todo o Brasil até o fim de 2027.
O segundo ponto fundamental é que o veículo conectado ao carregador seja capaz de receber a tensão fornecida. Atualmente, alguns modelos da Denza já são compatíveis, e a BYD pretende ampliar essa capacidade para outros carros da marca.
Para efeito de comparação, o carro elétrico mais barato da BYD, o Dolphin Mini, suporta recarga de até 40 kW. Mesmo que seja conectado a um eletroposto de 1.500 kW, ele receberá apenas a potência máxima que consegue suportar.
Para suportar uma recarga tão rápida, o veículo precisa contar com diversos componentes específicos, incluindo sistemas de segurança reforçados para a bateria, motor e o próprio carregador.
Nubank quer investir R$ 45 bilhões no Brasil em 2026

Logotipo de Nubank na sede do banco em São Paulo, Brasil, 19 de junho de 2018
Paulo Whitaker/Reuters
O Nubank anunciou nesta segunda-feira (27) que quer investir cerca de R$ 45 bilhões no Brasil em 2026.
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O Brasil é o principal mercado o banco digital, com mais de 113 milhões de clientes — montante que representa 87% da base de clientes globais da Nu Holdings. De acordo com o Nubank, a quantia será destinada para:
o desenvolvimento de plataformas e modelos de crédito baseados em inteligência artificial;
o lançamento de produtos e serviços;
a ampliação da equipe e da rede de escritórios; e
o aumento do capital próprio e capacidade de crédito.
Ainda segundo o Nubank, o valor representa quase o dobro do investido pelo banco nos últimos dois anos, e também abrange o reinvestimento dos resultados gerados pela operação brasileira, gastos com tecnologia, custos de operação e impostos pagos no Brasil.
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“Este investimento é a expressão concreta do nosso compromisso de ser o principal aliado financeiro dos brasileiros: estar ao lado das pessoas em cada etapa da jornada, oferecendo soluções que as ajudem a tomar decisões mais inteligentes e a construir uma vida financeira mais saudável", afirmou a CEO do Nubank Brasil, Livia Chanes.
A companhia ainda indicou que continua a trabalhar para obter uma licença bancária no Brasil ainda neste ano e afirmou que, como parte desse processo, ingressou na Federação Brasileira de Bancos (Febraban) no último mês.
Em janeiro, o Nubank também recebeu a aprovação condicional do órgão regulador dos Estados Unidos para operar como banco no país.
No último trimestre do ano passado, o Nubank reportou um aumento de 50% do luro líquido em relação ao mesmo período de 2024, para US$ 894,8 milhões (R$ 4,5 bilhões). O banco digital ainda expandiu a carteira de crédito em 40% na mesma base de comparação, para US$ 32,7 bilhões (R$ 163,8 bilhões).
Fiat, Jeep, Peugeot e Ram serão foco dos investimentos da Stellantis, diz agência

Linha de produção da fábrica da Stellantis em Goiana (PE) tem produtos Fiat, Jeep e RAM
Divulgação / Stellantis
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, a Stellantis vai ampliar de forma significativa os investimentos em quatro marcas: Fiat, Jeep, Peugeot e RAM.
A definição de rumo, diz a agência, faz parte do plano que Antonio Filosa, CEO do grupo, deve apresentar no dia 21 de maio.
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Nessa data, a empresa deve detalhar a estratégia de longo prazo, com foco nas marcas mais populares e rentáveis.
De acordo com a Reuters, Filosa não pretende encerrar as operações de nenhuma outra marca do grupo.
A Stellantis reúne 14 marcas, entre elas Citroën, Opel, Leapmotor e Alfa Romeo. Segundo as fontes ouvidas pela agência, essas montadoras também receberão aportes, mas deverão usar as tecnologias das quatro marcas principais no desenvolvimento de novos veículos.
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Prejuízos em 2025
Em fevereiro deste ano, a Stellantis informou que teve prejuízo líquido de 25,4 bilhões de euros em 2025 (R$ 153,9 bilhões na cotação atual).
O resultado negativo se concentrou no segundo semestre, principalmente porque a empresa registrou despesas elevadas para rever suas projeções para carros elétricos, já que o crescimento desse mercado está mais lento do que o esperado.
Leapmotor, marca chinesa de veículos eletrificados, pertence ao grupo Stellantis
Divulgação / Stellantis
O caso da Stellantis mostra como montadoras no mundo todo enfrentam dificuldades na transição dos carros a combustão para os elétricos, especialmente após Estados Unidos e Europa reduzirem metas para esse tipo de veículo.
“Nossos resultados completos de 2025 refletem o custo de superestimar o ritmo da transição energética e a necessidade de reorientar o negócio, garantindo aos clientes a liberdade de escolher entre tecnologias elétricas, híbridas e a combustão”, afirmou na época em nota Antonio Filosa.
Segundo o executivo, na segunda metade do ano a empresa viu sinais iniciais de progresso, com os primeiros resultados dos esforços para melhorar a qualidade, fortalecer lançamentos e retomar o crescimento da receita.
Antonio Filosa, CEO da Stellantis
Divulgação / Stellantis
“Em 2026, nosso foco será corrigir falhas na execução e acelerar o retorno ao crescimento com lucro”, declara Filosa.
Ao longo do ano passado, a Stellantis registrou 25,4 bilhões de euros (R$ 154 bilhões) em baixas contábeis, que representam perdas no valor de ativos. Só no segundo semestre foram 22,2 bilhões de euros (R$ 134,5 bilhões), o que pressionou as ações da montadora.
No mesmo período, a empresa registrou prejuízo operacional ajustado de 1,38 bilhão de euros (R$ 8,4 bilhões), resultado que também já havia sido antecipado. Esse indicador mostra o desempenho das operações, sem considerar eventos extraordinários, como o fechamento de uma fábrica.
Apesar disso, a receita da companhia cresceu 10% e somou 79,25 bilhões de euros (R$ 480,3 bilhões) entre julho e dezembro, com alta de 11% nas entregas de veículos.
Segundo analistas do Citi, esse conjunto de resultados representa um “ponto baixo evidente” para a Stellantis. Eles avaliam que pode haver recuperação à frente, mas consideram que outras montadoras da Europa e dos Estados Unidos oferecem menos riscos no momento.
A empresa manteve as projeções para 2026: espera crescimento moderado da receita e margem operacional baixa, mas positiva. No entanto, prevê que o fluxo de caixa livre — o dinheiro que sobra após os investimentos — só voltará a ficar positivo em 2027.
Mistura maior de etanol na gasolina deve elevar demanda pelo combustível em 1 bilhão de litros, diz Unica

A recente escalada nas tensões geopolíticas e seus efeitos sobre o mercado internacional de petróleo já impactam os preços dos combustíveis no Brasil.
A recente escalada nas tensões geopolíticas e seus efeitos sobre o mercado internacional de petróleo já impactam os preços dos combustíveis no Brasil. Levantamento do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara aponta que, embora o país não enfrente risco de desabastecimento, a alta global do petróleo e fatores internos seguem pressionando gasolina, etanol e diesel, com reflexos diretos no custo de vida. O Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara segue monitorando os dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a fim de avaliar o comportamento do preço dos combustíveis no município e no Brasil.
O aumento planejado pelo Brasil na mistura obrigatória de etanol na gasolina, de 30% para 32%, deve elevar a demanda anual de etanol anidro em cerca de 1 bilhão de litros, informou a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) nesta segunda-feira (27).
Na última sexta-feira (24), o governo brasileiro informou que o Conselho Nacional de Política Energética discutirá a proposta em sua próxima reunião, no início de maio. A decisão ocorre em um momento em que o país enfrenta custos mais altos dos combustíveis fósseis, em meio à guerra no Irã.
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O Brasil já havia ampliado a mistura de etanol de 27% para 30% em agosto do ano passado. A mudança para a chamada mistura E32 representaria um aumento de 2,4 bilhões de litros na demanda anual em comparação com o E27, de acordo com a Unica.
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“A ampliação da mistura é um caminho que o Brasil já conhece e sabe operar. O etanol permite avançar na segurança energética a partir de uma solução disponível, produzida no país e em larga escala, com ganhos relevantes também do ponto de vista ambiental, ao reduzir as emissões ao longo do ciclo de vida dos combustíveis”, disse o presidente da Unica, Evandro Gussi, em nota.
O aumento do uso de etanol reduziria a dependência das importações de gasolina e melhoraria a previsibilidade do fornecimento de combustível, segundo a Unica.
A expectativa é que uma mistura mais elevada de etanol aumente a destinação da cana-de-açúcar para a produção do biocombustível e impulsione uma expansão já forte do etanol à base de milho.
O setor já possui capacidade instalada suficiente para atender à demanda adicional, considerando tanto o etanol de cana quanto o de milho, além das novas usinas em construção, segundo a Unica.
“Somente a expansão esperada do etanol de milho seria suficiente para absorver esse aumento”, acrescentou a entidade.
Desigualdade salarial: mulheres ganham 21,3% menos que homens, mesmo com alta do emprego

Ministério do Trabalho divulga relatório sobre desigualdade de salários entre homens e mulheres
As mulheres recebem, em média, 21,3% menos que os homens no setor privado do país, segundo o 5º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios, divulgado nesta segunda-feira (27) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
O levantamento reúne dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e analisou cerca de 53 mil empresas com 100 ou mais empregados, comparando os anos de 2023 a 2025. Apesar do avanço na participação feminina, a diferença salarial não diminuiu e segue presente em todos os setores.
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Desde 2023 — primeiro ano após a entrada em vigor da Lei de Igualdade Salarial — o emprego feminino cresceu 11%, passando de 7,2 milhões para 8 milhões de trabalhadoras, um aumento de cerca de 800 mil vagas.
No mesmo período, o número de mulheres negras (pretas e pardas) empregadas cresceu 29%, passando de 3,2 milhões para 4,2 milhões — um aumento de 1 milhão de trabalhadoras.
Também aumentou o número de empresas com maior presença feminina negra. Os estabelecimentos com pelo menos 10% de mulheres negras somaram 21.759 em 2025, alta de 3,6% em relação a 2023. Ainda assim, a desigualdade de renda permanece estável.
A série histórica mostra que a desigualdade vem aumentando. No primeiro relatório, divulgado em março de 2024, a diferença salarial era de 19,4%. No segundo, em setembro, subiu para 20,7%. Em abril de 2025, chegou a 20,9% e, em novembro, a 21,2%. Agora, alcança 21,3%.
Em relação ao salário de admissão, as mulheres passaram a receber, em média, 14,3% menos que os homens em 2025, ante 13,7% em 2023. Na remuneração geral, elas ganham R$ 3.965,94 por mês, enquanto os homens recebem R$ 5.039,68. (veja comparativo abaixo)
Diferença média entre os rendimentos de homens e mulheres
Arte g1
A massa de rendimentos das mulheres cresceu de 33,7% para 35,2%, mas ainda está abaixo da participação feminina no emprego, que é de 41,4%. Para alcançar esse patamar, seria necessário um aumento de R$ 95,5 bilhões na renda das mulheres.
“Aumentar a massa em 10,6% teria impacto no consumo das famílias e diminuiria a diferença de rendimentos entre homens e mulheres, mas isso representa custo para as empresas, o que as torna mais resistentes a promover essas mudanças”, ressalta a Subsecretaria de Estatística e Estudos do Trabalho do MTE.
A desigualdade varia de acordo com o porte das empresas. Em companhias menores, com até 250 funcionários, a diferença salarial é menor. Já nas empresas maiores, onde os salários são mais altos, a distância entre homens e mulheres tende a aumentar.
Por ocupação, há maior aproximação entre os salários em funções administrativas, mas os avanços são limitados em cargos de maior qualificação. Entre profissionais de nível superior, por exemplo, houve leve piora na diferença salarial.
A desigualdade também varia entre os setores econômicos. Indústria e agropecuária concentram as maiores diferenças, enquanto comércio e serviços apresentam distâncias menores — ainda assim, negativas para as mulheres em todos os casos.
No campo das políticas internas, houve avanço em iniciativas de apoio. A oferta de jornada flexível passou de 40,6% para 53,9%, enquanto o auxílio-creche cresceu de 22,9% para 38,4%. As licenças-maternidade e paternidade estendidas também avançaram, de 20% para 29,9%.
Ainda assim, essas medidas são menos comuns do que critérios tradicionais de remuneração, como tempo de experiência, metas e planos de carreira. (veja comparativo abaixo)
Ações adotadas pelas empresas para promover diversidade
Arte g1
O levantamento também mostra que cresceu o número de empresas que afirmam promover mulheres, passando de 38,8% para 48,7%. Já as ações de contratação de mulheres em grupos específicos, como pessoas com deficiência, LGBTQIA+ e chefes de família, permaneceram relativamente estáveis.
Por outro lado, houve avanço na contratação de mulheres indígenas, de 8,2% para 11,2%, e de mulheres vítimas de violência, de 5,5% para 10,5%. Apenas 7% dos estabelecimentos afirmam adotar políticas de contratação para mulheres em situação de violência.
Desigualdade salarial por raça
No recorte por raça, a desigualdade é ainda mais acentuada. As mulheres negras estão na base da renda, com remuneração média de R$ 3.026,66 e salário contratual mediano de R$ 1.908,79.
Já as mulheres não negras recebem, em média, R$ 5.018,11, com salário contratual mediano de R$ 2.434,51 — valor mais próximo ao dos homens em geral, mas ainda inferior.
Entre os homens, os não negros concentram os maiores rendimentos, com média de R$ 6.560,02 e salário contratual mediano de R$ 2.921,21. Já os homens negros recebem R$ 3.875,52, com salário contratual mediano de R$ 2.211,15.
Diferença salarial por gêneros e raça
Arte g1
O levantamento também mostra diferenças regionais. Os estados com menor desigualdade salarial são Acre (91,9%), Piauí (92,1%), Distrito Federal (91,2%), Ceará (90,5%), Pernambuco (89,3%), Alagoas (88,8%) e Amapá (86,9%). Já os maiores níveis de desigualdade foram registrados no Espírito Santo (70,7%), Rio de Janeiro (71,2%) e Paraná (71,3%).
Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que o Brasil poderia ampliar a economia em R$ 382 bilhões com a adoção de políticas para igualdade de gênero — valor que poderia dobrar com a plena equidade entre homens e mulheres.
O Banco Mundial também alerta que, caso as mulheres tivessem as mesmas oportunidades que os homens no mercado de trabalho, o Produto Interno Bruto (PIB) global poderia crescer mais de 20%.
Diante do atual cenário, os ministérios das Mulheres e do Trabalho lançaram, em abril do ano passado, o Movimento pela Igualdade no Trabalho. A iniciativa conta com a adesão de empresas e organizações trabalhistas de diversos setores, como o bancário e o industrial.
Além disso, foi publicado no Diário Oficial, o Plano Nacional de Igualdade Salarial e Laboral entre Mulheres e Homens, com vigência até 2027. A finalidade é promover iniciativas que contribuam para reduzir as desigualdades salariais entre mulheres e homens no mundo do trabalho.
A Lei da Igualdade Salarial foi sancionada pelo presidente Lula em julho de 2023, e reforça o direito de homens e mulheres a receberem remuneração igual para trabalho de igual valor, com medidas mais rigorosas para garantir transparência, fiscalização e combate à discriminação no ambiente de trabalho.
Por isso, a legislação obriga empresas com mais de 100 empregados a adotar medidas para garantir essa igualdade, incluindo transparência salarial, fiscalização contra discriminação, canais de denúncia, programas de diversidade e inclusão e apoio à capacitação de mulheres.
Mulheres ganham 21,3% menos que homens, mesmo com alta do emprego
Mimi Thian/Unsplash
Mulheres ganham 20,9% a menos que os homens no Brasil
China constrói mais rápido e barato que os EUA; veja comparação entre Xangai e Nova York

A diferença de preços e tempo das construções em Xangai em NY
A série especial "Entre Dois Mundos", do Fantástico, coloca frente a frente os modelos de desenvolvimento da China e dos Estados Unidos. A reportagem mostrou que a comparação entre Xangai e Nova York vai além do contraste visual entre arranha-céus. Os números escancaram diferenças profundas em tempo, custo e forma de execução das obras — e ajudam a entender como cada cidade projeta seu crescimento.
De um lado, Nova York acumula projetos que levam décadas para sair do papel e consomem bilhões de dólares. Do outro, Xangai avança com obras concluídas em poucos anos e com custos significativamente menores.
Um dos exemplos mais emblemáticos está na conexão entre aeroporto e centro urbano. Em Nova York, um trecho de cerca de 13 quilômetros até o aeroporto exigiu anos de planejamento, custou cerca de US$ 2 bilhões e ainda assim não oferece alta velocidade. Na prática, o deslocamento completo pode ultrapassar uma hora.
Já em Xangai, o trem de levitação magnética — considerado o mais rápido do mundo — foi construído em apenas três anos, custou aproximadamente metade desse valor e faz o percurso em pouco mais de sete minutos.
China ou EUA: quem vai liderar o futuro? Série estreia mostrando as diferenças entre Xangai e Nova York
Obras que levam décadas de um lado e anos do outro
A diferença também aparece em grandes estações de transporte. Em Nova York, uma nova entrada da Penn Station custou cerca de US$ 1,6 bilhão e levou décadas desde a concepção até a entrega.
Em Xangai, a estação central foi construída em apenas três anos, por cerca de US$ 300 milhões — menos de um quinto do valor americano.
Além disso, a expansão da rede de metrô mostra ritmos distintos: embora tenha começado quase um século depois, o sistema de Xangai já supera o de Nova York em extensão e número de estações.
Por que a China constrói mais rápido e barato?
Especialistas apontam três palavras-chave para entender esse contraste: velocidade, escala e planejamento.
Na China, grandes projetos são padronizados e replicados em diferentes cidades, como “peças de Lego”, o que reduz custos por unidade.
Além disso, o planejamento centralizado permite que decisões sejam tomadas e executadas rapidamente, sem longos processos políticos ou disputas locais.
Outro ponto é a velocidade: quanto mais rápido uma obra é concluída, menor tende a ser o custo final — algo difícil de alcançar em sistemas com múltiplas etapas de aprovação.
Democracia x agilidade
Na China, o mesmo partido está no poder há quase 80 anos, o que permite pensar e executar obras de longo prazo sem interrupções eleitorais. Decisões são centralizadas e, quando o governo define uma área como prioritária, a execução é imediata — mesmo que isso signifique realocar bairros inteiros.
Em democracias como a americana, o processo é mais fragmentado. Cada obra precisa atravessar debates públicos, disputas políticas, interesses imobiliários e resistências locais. O resultado é um ciclo de atrasos, que encarece projetos e limita intervenções estruturais. Em alguns casos, a modernização necessária em cinco anos pode levar 50 anos para acontecer.
Dois modelos, dois custos
A comparação entre as duas cidades revela mais do que números: mostra como decisões políticas e econômicas impactam diretamente o bolso e o tempo das obras.
De um lado, Nova York enfrenta custos altos e prazos longos, influenciados por disputas políticas, interesses econômicos e participação social.
Do outro, Xangai avança com rapidez e menor custo, sustentada por planejamento centralizado e execução em larga escala.
No fim, a pergunta não é apenas quem constrói mais rápido ou mais barato — mas que tipo de cidade e de sociedade cada modelo está disposto a sustentar.
A diferença de preços e tempo das construções em Xangai em NY
Reprodução/TV Globo
Veja a reportagem completa no vídeo abaixo:
De Nova York a Xangai: uma viagem nos trilhos da disputa entre EUA e China
Preços do petróleo atingem maior nível em quase três semanas com impasse nas negociações entre EUA e Irã

Guerra no Oriente Médio faz governo brasileiro zerar impostos sobre diesel e taxar exportações de petróleo
Jornal Nacional/ Reprodução
Os preços do petróleo voltaram a subir nesta segunda-feira (27) e atingiram o maior patamar em quase três semanas, em meio ao impasse nas negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã. O fluxo de cargas pelo Estreito de Ormuz segue limitado, mantendo a oferta global apertada.
O barril do petróleo tipo Brent, referência internacional, teve alta de 2,76%, a US$ 108,24. Mais cedo, a moeda chegou a atingir US$ 109,57, maior nível desde 7 de abril, quando bateu US$ 109,27. Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, subiu 2,28%, para US$ 96,55
🔍 O tipo Brent é a principal classificação de petróleo cru para os mercados europeu e asiático. É a referência utilizada pela Petrobras para definir os preços dos combustíveis no mercado interno. Extraído principalmente no Mar do Norte, classificado como "leve" e "doce" devido à sua baixa densidade e baixo teor de enxofre, o que facilita o refino em gasolina e diesel.
Na semana passada, Brent e WTI acumularam altas de quase 17% e 13%, respectivamente — os maiores ganhos semanais desde o início da guerra.
Segundo fontes do Paquistão, mediador das negociações entre os dois países, as tentativas de aproximação entre EUA e Irã continuam, apesar do fracasso das conversas presenciais. O presidente Donald Trump cancelou uma viagem de seus enviados e disse que o Irã pode telefonar quando quiser negociar.
“O impasse diplomático significa que, todos os dias, entre 10 milhões e 13 milhões de barris deixam de chegar ao mercado internacional, agravando um cenário já apertado. Assim, os preços do petróleo só tendem a subir”, afirmou Tamas Varga, analista da PVM Oil Associates.
Teerã fechou em grande parte o Estreito de Ormuz, enquanto Washington impôs um bloqueio aos portos iranianos. O tráfego pela rota segue reduzido: apenas um navio-tanque de derivados entrou no Golfo no domingo, segundo dados da Kpler.
O Goldman Sachs elevou suas previsões para o quarto trimestre: US$ 90 por barril para o Brent e US$ 83 para o WTI, citando a redução da produção no Oriente Médio.
“Os riscos econômicos são maiores do que nosso cenário-base indica, devido à tendência de alta nos preços do petróleo, aos preços elevados de derivados, ao risco de escassez e à escala sem precedentes desse choque”, disseram analistas do banco, liderados por Daan Struyven, em relatório divulgado no domingo (26).
Dólar cai pelo 3º dia seguido e fecha a R$ 4,98 em meio a impasse entre EUA e Irã; Ibovespa recua

Mercado eleva projeção de inflação com guerra no Oriente Médio
O dólar emplacou o terceiro dia seguido de queda nesta segunda-feira (27) e fechou cotado a R$ 4,9823, um recuo de 0,31%. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou com perdas de 0,61%, aos 189.579 pontos.
O recuo da moeda americana acompanha o avanço dos preços do petróleo no mercado internacional, em meio ao impasse nas negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã. A falta de avanço em um acordo definitivo e o frágil cessar-fogo em vigor ainda seguem na mira dos investidores e trouxeram cautela aos mercados globais nesta segunda-feira.
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▶️ Nesta segunda-feira, o Irã ofereceu uma nova proposta aos Estados Unidos para reabrir o Estreito de Ormuz. Mais tarde, a Casa Branca afirmou que avalia a oferta, mas reiterou que as exigências dos EUA já estão claras.
🔎 O Irã se propôs a reabrir o canal, por onde passa mais de 20% de todo o comércio global de petróleo, com a condição de que os EUA retirem o bloqueio aos portos iranianos, acabem com a guerra e adiem as discussões sobre o enriquecimento de urânio no país do Oriente Médio. Essa última, no entanto, é uma das principais reivindicações americanas e pode dificultar o aceite da proposta pelo governo Trump.
▶️ Apesar do cessar-fogo anunciado, a relação volúvel entre os dois países ainda dificulta a travessia de petroleiros pela rota estratégica do Golfo Pérsico e traz preocupações sobre o avanço das negociações. No sábado, Trump cancelou a visita de enviados ao Paquistão, reduzindo as expectativas de avanço nas negociações.
Na sexta-feira, a Casa Branca informou que Trump concedeu uma prorrogação de 90 dias à isenção da Lei Jones, permitindo o transporte de petróleo e gás natural por embarcações não americanas em razão da guerra com o Irã.
▶️ No Brasil, o Boletim Focus mostrou nova alta nas projeções de inflação para 2026 — a sétima semana consecutiva de revisão para cima. A estimativa subiu de 4,8% para 4,86%, refletindo a pressão do petróleo, que nesta segunda-feira opera acima de US$ 100 após a escalada do conflito no Oriente Médio.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
💲Dólar
a
Acumulado da semana: -0,31%;
Acumulado do mês: -3,79%;
Acumulado do ano: -9,23%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: ,61-0%;
Acumulado do mês: +1,13%;
Acumulado do ano: +17,66%.
Negociações no Oriente Médio
As tensões no Oriente Médio seguem no radar dos mercados globais. Mesmo após um cessar-fogo ter reduzido os combates iniciados há cerca de dois meses, as negociações de paz entre EUA e Irã ainda enfrentam dificuldades.
No fim de semana, o presidente dos EUA, Donald Trump cancelou a viagem de enviados americanos que participariam das conversas e afirmou que o Irã deveria procurar Washington quando estivesse pronto para um acordo.
Ao mesmo tempo, o ministro das Relações Exteriores iraniano viajou à Rússia para se reunir com Vladimir Putin, aliado do governo de Teerã. Segundo fontes do Paquistão, país que atua como mediador, as tentativas de diálogo continuam.
Diante desse cenário, investidores acompanham de perto a situação no Estreito de Ormuz, passagem usada para o transporte de petróleo e gás do Golfo Pérsico.
A região permanece com pouco movimento de navios, o que levanta preocupações sobre possíveis interrupções no fornecimento de energia. Com isso, os preços do petróleo avançam.
Nesta segunda-feira, o barril do Brent — referência internacional — subia pouco mais de 1%, a US$ 106,47 por volta das 8h30, depois de ter alcançado cerca de US$ 108,50 no início da sessão.
Boletim Focus
As projeções do mercado financeiro voltaram a indicar pressão maior sobre a inflação nos próximos anos, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira.
Para 2026, a expectativa de inflação subiu de 4,80% para 4,86%. Já para 2027, a projeção passou de 3,99% para 4%.
Mesmo com essa revisão, o mercado manteve a previsão de queda dos juros ao longo dos próximos anos. A estimativa para a taxa Selic no fim de 2026 permaneceu em 13% ao ano, o que indica expectativa de redução no decorrer daquele ano.
O relatório também trouxe ajustes em outras previsões. A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 caiu levemente, de 1,86% para 1,85%. Já a estimativa para o dólar ao fim deste ano recuou de R$ 5,30 para R$ 5,25.
Mercados globais
Em Wall Street, os principais índices fecharam sem direção única nesta segunda-feira, com investidores atentos ao impasse nas negociações de paz entre EUA e Irã.
O S&P 500 subiu 0,12%, para 7.173,93 pontos, enquanto o Nasdaq teve alta de 0,20%, aos 24.887,10 pontos. Já o Dow Jones, por sua vez, fechou em queda de 0,13%, aos 49.167,79 pontos.
Na Europa, os principais mercados acionários começaram a semana em baixa. O STOXX 600 encerrou o pregão em queda de 0,3%, aos 608,84 pontos.
Entre as principais bolsas do continente, o DAX, da Alemanha, recuou 0,19%, para 24.083,53 pontos. Em Paris, o CAC 40 caiu 0,19%, aos 8.141,92 pontos, enquanto o FTSE 100, do Reino Unido, registrou baixa de 0,56%, para 10.321,09 pontos.
Na Ásia, as bolsas fecharam sem direção única.
Em Xangai, o Shanghai Composite subiu 0,16%, enquanto o CSI 300 avançou 0,03%. Em Hong Kong, o Hang Seng caiu 0,20%.
No Japão, o Nikkei teve alta de 1,38%, e, na Coreia do Sul, o KOSPI subiu 2,15%.
China reduz investimento no Tesouro dos EUA e derruba o dólar nos mercados globais
Jornal Nacional/ Reprodução
Apesar do juro alto, famílias recorrem mais ao rotativo do cartão de crédito; empréstimos somam R$ 110 bi no 1º trimestre

O uso do cartão de crédito rotativo, a linha de crédito mais cara do mercado financeiro, somou R$ 109,65 bilhões no primeiro trimestre deste ano, informou o Banco Central nesta segunda-feira (27).
Com isso, houve um aumento de 9,7% na comparação com o mesmo período do ano passado — quando as concessões dessa modalidade somaram R$ R$ 99,9 bilhões.
A modalidade é considerada um dos vilões do alto nível de endividamento da população brasileira. Em março, a taxa de juros do rotativo do cartão de crédito somou 428,3% ao ano.
Em um ano eleitoral, o governo do presidente Luiz Luiz Inácio Lula da Silva se movimenta para reduzir os débitos da população e facilitar a tomada de crédito pelas pessoas (veja mais abaixo nessa reportagem).
Valdo: Lula se reúne com ministro da Fazenda para definir medidas contra endividamento
➡️Segundo a autoridade monetária, 101 milhões de pessoas no Brasil têm cartão de crédito no país, ou seja, quase a metade do povo brasileiro.
➡️De acordo com dados do Banco Central, cerca de 40 milhões de brasileiros estavam com dívida no cartão de crédito rotativo em janeiro deste ano.
➡️Com juros elevados, a taxa de inadimplência dessa linha de crédito somou 63,5%, ou seja, mais de R$ 60 em R$ 100 emprestados não foram honrados.
O crédito rotativo do cartão de crédito é acionado por quem não pode pagar o valor total da fatura na data do vencimento.
Segundo analistas, essa forma de crédito deve ser evitada. A recomendação é que os clientes bancários paguem todo o valor da fatura mensalmente.
Em janeiro de 2024, o Congresso e o governo limitaram o endividamento do cartão de crédito rotativo.
Desde então, ficou determinado que o valor do débito não pode exceder o valor original da dívida.
Se a dívida for de R$ 100, por exemplo, a dívida total, com a cobrança de juros e encargos, não poderá exceder R$ 200.
Juro médio cobrado pelos bancos no rotativo do cartão de crédito era de 428,3% ao ano em março, segundo dados do Banco Central
Getty Images via BBC Brasil
Parte do salário
No mês passado, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que as pessoas estão tomando linhas de crédito que deveriam ser usadas somente em momentos emergenciais, como o rotativo do cartão de crédito, como parte de sua renda, e isso deveria ser alvo de uma "discussão estrutural".
"Nossa dimensão do BC é como a gente consegue construir alternativas para o cliente ter uma opção mais adequada à situação dele", disse o presidente do BC, Gabriel Galípolo.
De acordo com Galípolo, a ideia é tentar "produzir arranjos mais saudáveis para quem está buscando crédito", ou seja, linhas de crédito mais adequadas.
Para facilitar a concessão do crédito com taxas menores, o governo lançou, no ano passado, o crédito consignado para trabalhadores do setor privado, com mais de R$ 80 bilhões liberados em um ano.
A regulamentação do uso do saldo do FGTS dos trabalhadores como garantia aos empréstimos, algo prometido pelo governo como um diferencial da modalidade, uma forma de baixar os juros aos trabalhadores, porém, ainda não saiu do papel.
Soluções em estudo
O governo brasileiro trabalha, neste momento, em um ano eleitoral, em um novo programa para reduzir o nível de endividamento da população.
A estratégia envolve unificar as dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal em uma só, que seria refinanciada com descontos que iriam de 30% a 80% nos juros, com possibilidade de os bancos chegarem a um desconto de até 90%.
Dentro do mesmo programa de refinanciamento de dívidas, o governo analisa autorizar o uso de recursos do FGTS para pagamento de dívidas, mas com limites para evitar uma sangria dos recursos.
As duas medidas foram admitidas pelo próprio ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Mercado financeiro eleva estimativa de inflação em 2026 para 4,86%

Os analistas do mercado financeiro elevaram mais uma vez sua estimativa para a inflação em 2026. Esta é a sétima semana seguida de aumento.
As expectativas fazem parte do Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (27) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras.
A explicação é que a guerra no Oriente Médio fez disparar o preço do petróleo — que opera nesta segunda acima de US$ 100 — e, por isso, tem potencial de pressionar a inflação brasileira (via aumento dos combustíveis).
➡️ Para 2026, a estimativa subiu de 4,80% para 4,86%;
➡️ Para 2027, a expectativa subiu de 3,99% para 4%;
➡️ Para 2028, a previsão avançou de 3,60% para 3,61%.
➡️ Para 2029, a estimativa continuou em 3,50%.
Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%.
🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento.
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Corte dos juros
Mesmo com aumento da projeção de inflação neste ano e nos próximos, o mercado financeiro continuou projetando queda dos juros.
Atualmente, a taxa está em 14,75% ao ano — após o primeiro corte em quase dois anos (autorizado na semana passada pelo BC).
Para o fim de 2026, a estimativa do mercado para a taxa Selic permaneceu em 13% ao ano na última semana, embutindo uma redução no decorrer de 2026.
Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado foi mantida em 11% ao ano.
Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas continuou em 10% ao ano.
Guerra no Oriente Médio atinge diretamente setores da indústria brasileira que usam derivados de petróleo como matéria prima
Jornal Nacional/ Reprodução
Atividade econômica
Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, a estimativa do mercado recuou de 1,86% para 1,85%.
O resultado oficial do PIB do ano passado foi uma expansão de 2,3%, conforme divulgação oficial do IBGE.
➡️ O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir o desempenho da economia.
Para 2027, a projeção de crescimento do PIB foi mantida em 1,8%.
Taxa de câmbio
O mercado financeiro baixou sua estimativa para a taxa de câmbio ao fim deste ano de R$ 5,30 para R$ 5,25 por dólar.
Para o fechamento de 2027, a projeção dos economistas dos bancos ficou estável em R$ 5,35.
Musk e dona do ChatGPT se enfrentam na Justiça a partir desta segunda; entenda a treta

DeepSeek, ChatGPT e Gemini: qual é a melhor inteligência artificial?
Começa nesta segunda-feira (27), no tribunal federal de Oakland, na Califórnia, o julgamento que coloca em lados opostos o bilionário Elon Musk e a OpenAI, criadora do ChatGPT.
A disputa judicial, iniciada por Musk em 2024, foca na alegação de que a organização traiu sua missão original de ser uma entidade sem fins lucrativos.
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A seleção do júri está prevista para hoje, e as alegações iniciais devem ocorrer nesta terça-feira. Entre os nomes esperados para depor pessoalmente estão o próprio Musk, o CEO da OpenAI, Sam Altman, e o CEO da Microsoft, Satya Nadella.
Shivon Zilis, ex-membro do conselho da OpenAI e mãe de quatro filhos de Musk também deve ser uma testemunha-chave do processo.
O que Musk alega
Elon Musk e Sam Altman, cofundadores da OpenAI
'Aprendendo' com os livros
Um dos cofundadores originais da OpenAI, Musk afirma que a empresa, liderada por Sam Altman e Greg Brockman, abandonou o foco no benefício da humanidade para se tornar uma "máquina de riqueza".
Musk pede US$ 150 bilhões em danos da OpenAI e da Microsoft. Segundo pessoas ligadas ao caso, o valor seria destinado ao braço filantrópico da OpenAI.
Além do valor financeiro, o bilionário quer que a OpenAI volte a ser estritamente sem fins lucrativos e que Altman e Brockman sejam removidos de seus cargos executivos.
O empresário sustenta que foi mantido no escuro sobre a criação de uma estrutura comercial em 2019 e que seu nome e apoio financeiro foram usados indevidamente para atrair investidores. Musk investiu cerca de US$ 38 milhões na OpenAI entre 2016 e 2020.
A defesa da OpenAI
Sam Altman, CEO da OpenAI
Yuichi YAMAZAKI / AFP
Os advogados da OpenAI rebatem as acusações afirmando que Musk é motivado pelo desejo de controle e pelo interesse em impulsionar sua própria empresa de inteligência artificial, a xAI, fundada por ele em 2023.
A empresa afirma que Musk participou das discussões para a mudança de estrutura e que ele mesmo exigiu ser o CEO na época. A Microsoft, também ré no processo, nega qualquer conspiração e afirma que sua parceria com a OpenAI só ocorreu após a saída de Musk do conselho da empresa.
Em comunicado intitulado "A verdade sobre Elon Musk e a OpenAI", divulgado nesta segunda (27), a OpenAI contra-atacou. No texto, a empresa afirma que as ações do bilionário são motivadas por "ciúmes, arrependimento por ter abandonado a OpenAI e desejo de descarrilar uma concorrente".
"Elon passou anos assediando a OpenAI por meio de processos infundados e ataques públicos. Ele está usando seu processo para atacar a fundação sem fins lucrativos OpenAI, que é focada em trabalhos em áreas como ciências da vida e na cura de doenças para o benefício de todos", diz o comunicado.
De 'Projeto Manhattan' a disputa de egos
Logo da OpenAI, dona do ChatGPT
AP Photo/Michael Dwyer
Documentos internos revelados no processo oferecem detalhes sobre a evolução da empresa, que nasceu em um laboratório de pesquisa no apartamento de Greg Brockman e hoje é avaliada em mais de US$ 850 bilhões.
Altman apresentou a ideia a Musk em 2015, descrevendo-a como o "Projeto Manhattan da IA". O apoio de Musk foi fundamental para atrair cientistas de elite.
Em 2017, tensões surgiram quando Musk questionou a viabilidade do projeto e tentou assumir o controle como CEO. Na mesma época, anotações do diário de Brockman revelavam o desejo de "se livrar" de Musk, chamando-o de "líder glorioso" de forma irônica.
Musk deixou o conselho em 2018, prevendo que a OpenAI fracassaria diante do Google. Em 2019, a empresa se reestruturou para aceitar investimentos externos, e o lançamento do ChatGPT no fim de 2022 consolidou seu sucesso global.
O desfecho do caso ocorre em um momento crítico. A OpenAI prepara uma possível abertura de capital que pode elevar seu valor de mercado para US$ 1 trilhão.
Do outro lado, a xAI de Musk tenta diminuir a distância tecnológica para o ChatGPT, enquanto a SpaceX também planeja seu IPO (oferta pública de ações).
*Com informações da agência de notícias Reuters.
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Aperto no orçamento leva brasileiros a buscar renda extra, e maioria diz não conseguir pagar contas, aponta Datafolha

Dinheiro, real, notas de R$ 100, contagem de cédulas
Marcello Casal Jr./Agência Brasil
A dificuldade de pagar as contas tem empurrado brasileiros para fora da renda principal. Nos últimos meses, quase metade da população buscou alguma fonte extra de dinheiro diante do orçamento apertado, segundo levantamento do Datafolha lançado neste domingo (26).
Ao mesmo tempo, a maioria afirma que o que ganha hoje não é suficiente para cobrir despesas básicas.
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A pesquisa ouviu 2.002 pessoas em 117 municípios nos dias 8 e 9 de abril. Os dados indicam que 59% dos entrevistados sentem que a renda familiar é insuficiente para pagar despesas, enquanto cerca de 45% recorreram a trabalhos adicionais — formais ou informais — para complementar o orçamento.
O movimento é mais intenso entre famílias de baixa renda. Entre quem ganha até dois salários mínimos, a percepção de insuficiência chega a aproximadamente 73%.
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Esse grupo também aparece com maior pressão para buscar alternativas, como serviços temporários, vendas informais e atividades por conta própria.
59% dos brasileiros dizem que renda é insuficiente
Arte/g1
59% dos brasileiros dizem que renda é insuficiente:
59% dizem que a renda é insuficiente para pagar despesas;
36% afirmam que o salário é apenas suficiente;
6% dizem que a renda é mais do que suficiente.
73% dos que ganham até 2 salários veem renda insuficiente:
73% (até 2 salários mínimos) consideram a renda insuficiente;
49% (de 2 a 5 salários mínimos) dizem não conseguir pagar despesas;
32% (acima de 5 salários mínimos) relatam insuficiência.
Brasileiros buscam outra fonte de renda:
45% buscaram renda extra;
55% não buscaram
Por gênero:
Homens: 48% buscaram; 52% não buscaram
Mulheres: 41% buscaram; 59% não buscaram
Queda na renda familiar
Datafolha: cerca de 45% recorreram a trabalhos adicionais para complementar o orçamento
Arte/g1
O levantamento também mostra deterioração recente nos ganhos, com cerca de 40% dos entrevistados relatando queda na renda familiar nos últimos meses.
A perda é mais frequente entre pessoas de 35 a 44 anos, faixa etária em que quase metade (49%) afirma ter visto o orçamento encolher.
Outro recorte revela que a busca por renda extra é mais comum entre pessoas com maior escolaridade.
Segundo a pesquisa, isso ocorre porque esses grupos tendem a estar mais inseridos no mercado de trabalho e, portanto, têm mais oportunidades — ainda que muitas vezes precárias — de ampliar os ganhos.
Mulheres lideram percepção de piora financeira
Dados do Datafolha indicam que as mulheres lidam com mais dificuldade para fechar as contas e têm uma percepção mais negativa sobre a própria situação econômica.
Veja os números:
41% dos brasileiros dizem ter humor financeiro ruim ou péssimo;
44% das mulheres têm percepção negativa das finanças;
36% dos homens relatam o mesmo.
As mulheres aparecem com maior frequência entre quem afirma que a renda não cobre despesas básicas e também lideram entre os que classificam a vida financeira como ruim ou péssima.
O impacto desse cenário vai além do bolso: elas relatam mais insegurança, desânimo e preocupação com dinheiro do que os homens.
Os números reforçam essa diferença. Cerca de 44% das mulheres dizem ter humor financeiro ruim ou péssimo, ante 36% dos homens. No geral, quatro em cada dez brasileiros demonstram algum nível de insatisfação com suas finanças.
Parte dessa desigualdade está ligada à renda. Mulheres seguem mais concentradas nas faixas salariais mais baixas e, em média, ganham menos — com diferenças que podem chegar a cerca de 30% em cargos de liderança.
Além disso, têm menor participação no mercado de trabalho, o que reduz as possibilidades de ampliar ganhos.
O endividamento também pesa mais. Um percentual maior de mulheres afirma estar negativado, sinalizando maior dificuldade para manter as contas em dia.
PIS/Pasep: Caixa libera novo lote do dinheiro esquecido nesta segunda

PIS/Pasep, FGTS - Saque
José Cruz/Agência Brasil
Um novo lote de pagamento relativos ao dinheiro esquecido no antigo fundo PIS/Pasep será pago nesta segunda-feira (27). Dessa vez, o dinheiro destinado a quem solicitou o ressarcimento até 31 de março.
Já quem pedir o ressarcimento até quinta-feira (30) receberá o dinheiro em 25 de maio, conforme o calendário divulgado pelo governo. (Veja abaixo como consultar, pedir o ressarcimento e quando receber)
🔎 O antigo fundo PIS/Pasep era usado para incrementar a renda de trabalhadores com carteira assinada e servidores públicos entre 1971 e 1988. Ele é diferente do abono salarial PIS/Pasep pago atualmente.
O trabalhador pode checar se tem valores a receber por meio do site Repis Cidadão ou pelo aplicativo do FGTS.
Saiba se você tem dinheiro esquecido no antigo fundo PIS/Pasep
Segundo o governo, o saldo médio disponível para saque é de R$ 2,8 mil por pessoa, mas o montante varia conforme o tempo trabalhado e o salário recebido na época. Os valores estão corrigidos pela inflação.
A plataforma Repis Cidadão também ensina o procedimento para retirar o dinheiro, inclusive com orientações específicas para herdeiros, no caso de falecimento do beneficiário. Para acessá-la, é necessário ter conta gov.br nos níveis prata ou ouro.
Se o ressarcimento não for solicitado até setembro de 2028, os valores serão definitivamente incorporados ao Tesouro Nacional, sem possibilidade de saque.
Veja a seguir:
Como consultar se tenho dinheiro esquecido?
Como saber o número do PIS/NIS?
Como pedir o ressarcimento dos valores?
Quando vou receber?
O que é o antigo PIS/Pasep?
1. Como consultar se tenho dinheiro esquecido?
REPIS Cidadão, site lançado pelo Ministério da Fazenda para facilitar consulta e saque do antigo PIS/Pasep
Reprodução
Acesse o site http://repiscidadao.fazenda.gov.br/;
Clique em "entrar com gov.br". Se você não tiver uma conta no sistema do governo federal, veja aqui como fazer;
Faça login com seu CPF e senha, e clique em "autorizar";
Informe o NIS (Número de Identificação Social) do beneficiário. O número é o mesmo do PIS e pode ser encontrado em vários lugares (leia mais abaixo);
Clique em "pesquisar". E, se você tiver valores a receber, o site vai orientá-lo sobre as próximas etapas.
Volte ao menu.
2. Como saber o número do PIS/NIS?
NIS é a sigla para Número de Identificação Social. O documento é uma sequência de 11 dígitos disponibilizada pela Caixa Econômica Federal.
Esse cadastro é necessário tanto para quem trabalha com carteira assinada como para quem quer ter acesso a programas sociais, como o Bolsa Família.
Os números do NIS e do PIS (Programa de Integração Social) são os mesmos. A diferença está na origem deles: enquanto o NIS é gerado no momento em que alguém passa a usar benefícios sociais, o PIS é gerado quando a carteira de trabalho é assinada pela primeira vez.
O NIS pode ser consultado tanto de forma física quanto digital em diversos canais do governo. Veja a seguir:
Extrato do FGTS: é possível conferir o número do PIS dentro de um dos contratos registrados no aplicativo.
Cartão Cidadão: o número do NIS está identificado logo abaixo do nome do beneficiário e acima da data de emissão do cartão.
Meu INSS: no site, o número do NIS aparece como NIT, na parte dos dados cadastrais. A consulta também pode ser feita pelo telefone da Previdência Social (135), de segunda a sábado, das 7h às 22h.
CadÚnico: é possível encontrar o NIS após preencher informações pessoais no site CadÚnico ou pelo aplicativo.
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3. Como pedir o ressarcimento?
O trabalhador pode protocolar o pedido de ressarcimento em uma agência da Caixa Econômica Federal ou fazer a solicitação pelo aplicativo do FGTS.
Ele vai precisar fazer login no app, acessar a opção "mais", "ressarcimento PIS/Pasep" e seguir as orientações para anexar os documentos exigidos.
Se o pedido for feito pelo próprio beneficiário, basta que ele tenha em mãos um documento de identidade oficial.
Já no caso de herdeiros, será necessário apresentar:
Certidão PIS/PASEP/FGTS emitida pela Previdência Social com a relação de dependentes habilitados à pensão por morte; ou
Declaração de dependentes habilitados à pensão emitida pelo órgão pagador do benefício; ou
Autorização judicial ou escritura pública assinada por todos os dependentes e sucessores, se capazes e concordantes, atestando por escrito a autorização do saque e declarando não haver outros dependentes ou sucessores conhecidos.
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4. Quando vou receber?
Após a solicitação, a Caixa vai analisar o pedido e enviar as informações ao Ministério da Fazenda. O pagamento será realizado diretamente na conta bancária do interessado na Caixa ou por meio de conta poupança social digital, de acordo com o calendário a seguir.
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5. O que é o antigo PIS/Pasep?
O Programa de Integração Social (PIS) foi criado em 1970 para incrementar a poupança individual dos trabalhadores do setor privado.
Logo depois, o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) foi lançado para servidores públicos civis e militares, inspirado no mesmo princípio.
Em 1975, os recursos dos dois programas foram transferidos para um único fundo: o Fundo PIS-Pasep, que parou de funcionar 1988, quando foi substituído pelo abono salarial atual.
Em 2020, as cotas do fundo que não haviam sido sacadas foram transferidas para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e, três anos depois, para uma conta única do Tesouro Nacional.
Desde então, a Caixa abriu para que os trabalhadores com dinheiro esquecido na conta peçam o ressarcimento dos valores.
▶️ O abono salarial atual — uma espécie de 14º salário, no valor de até um salário mínimo — é pago anualmente a trabalhadores com carteira assinada e servidores públicos que atendem aos requisitos do programa.
Neste ano, têm direito ao abono pessoas que trabalharam durante pelo menos 30 dias em 2023 e receberam até dois salários-mínimos por mês. Veja aqui todas as regras e o calendário de pagamentos.
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Dia do Trabalhador: 1º de maio é feriado? Ganho em dobro se trabalhar? Saiba o que diz a lei

Carteira de trabalho digital
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Muitos trabalhadores já estão de olho no tão esperado “feriadão” prolongado que chega na próxima sexta-feira (1º): o Dia do Trabalhador. A data, considerada feriado nacional pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), garante aos funcionários um dia de descanso.
O Dia do Trabalhador entrou para a história após uma greve operária nos Estados Unidos, durante a Revolução Industrial, que reivindicava a jornada de 8 horas diárias e melhores condições de trabalho.
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Como a data cai em uma sexta-feira, quem folga aos fins de semana poderá ter três dias seguidos de descanso — de sexta a domingo.
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Enquanto alguns terão a oportunidade de aproveitar o tempo livre, outros seguirão trabalhando normalmente. A legislação trabalhista autoriza o funcionamento de atividades em setores considerados essenciais (veja quais abaixo).
⚠️ Mas atenção: quem for escalado para trabalhar no feriado tem direito a receber em dobro ou a uma folga compensatória. O g1 conversou com especialistas em direito trabalhista para explicar como funcionam as regras.
Abaixo, você vai descobrir:
🤔 Meu chefe pode me obrigar a trabalhar durante o feriado?
⚖️ Quais são os meus direitos?
💰 Remuneração em dobro ou folga? Quem define?
❌ Faltei ao trabalho, apesar de ter sido escalado. Posso ser demitido por justa causa?
⚠️ As regras são diferentes para empregado fixo e temporário?
✍🏼 Como funciona no caso do trabalhador intermitente?
📆 Quais são os próximos feriados de 2026?
1. Meu chefe pode me obrigar a trabalhar durante o feriado?
Sim. Apesar do artigo 70 da CLT proibir atividades profissionais durante feriados nacionais, a legislação abre exceções para serviços considerados essenciais, como setores de indústria, comércio, transportes, comunicações, serviços funerários, atividades ligadas à segurança, entre outros.
Além disso, o empregador pode solicitar que o funcionário trabalhe durante o feriado quando houver uma Convenção Coletiva de Trabalho, que é um acordo antecipado feito entre empregadores e sindicatos.
2. Quais são os meus direitos?
Para quem é obrigado a trabalhar no feriado, a legislação garante o pagamento da remuneração em dobro ou compensação com folga em outro dia.
" Havendo banco de horas também poderão ser lançadas estas horas de trabalho, nos termos do acordo individual ou coletivo", explica Ana Gabriela Burlamaqui, advogada trabalhista e sócia do A. C Burlamaqui Consultores.
3. Remuneração em dobro ou folga? Quem define?
A definição do tipo de compensação (seja através do pagamento em dobro ou concessão de folga compensatória) geralmente é determinada durante o acordo que feito entre empregador e sindicato.
Na ausência da Convenção Coletiva de Trabalho, a decisão pode ser negociada entre empregador e funcionário. No entanto, é importante que as duas partes estejam de acordo e que a compensação escolhida esteja em conformidade com a legislação.
"O empregador não pode decidir de forma unilateral. Se houver um acordo ou convenção coletiva prevendo a compensação por folga, essa regra prevalece; caso não exista, o pagamento em dobro pelo trabalho no feriado é obrigatório", afirma Elisa Alonso, advogada trabalhista e sócia do RCA Advogados.
4. Faltei ao trabalho, apesar de ter sido escalado. Posso ser demitido por justa causa?
Depende. A falta pode ser entendida como insubordinação, que é a desobediência a um superior.
"Mas a dispensa por justa causa, em geral, não decorre de um fato isolado, mas de um comportamento faltoso de forma reiterada", afirma Ana Gabriela Burlamaqui, advogada trabalhista.
Com isso, a demissão por justa causa geralmente segue um processo que deve incluir uma soma de advertências escritas e tentativas de correção de comportamento.
Em caso de expediente normal, o empregado poderá sofrer outras penalidades administrativas como o desconto do dia não trabalhado, que será considerado falta injustificada.
"A falta injustificada deve ser repreendida, no entanto, para fins de justa causa necessário que outros sejam analisados, como a recorrência da conduta, o impacto causado à empresa e a função desempenhada pelo empregado, por exemplo", completa a advogada trabalhista Elisa Alonso.
5. As regras são diferentes para empregado fixo e temporário?
As regras básicas sobre trabalho em feriados aplicam-se tanto a empregados fixos quanto temporários, incluindo o direito ao pagamento em dobro ou folga compensatória.
No entanto, contratados por meio de vínculo de trabalho temporário podem ter pré-condições específicas.
6. Como funciona no caso do trabalhador intermitente?
Para o trabalhador que é contratado em regime de trabalho intermitente (previsão legal inserida na CLT pela Reforma Trabalhista de 2017), o pagamento em feriados deve ser acordado no momento da admissão.
O contrato deve especificar o valor da hora de trabalho, que já deve considerar os adicionais devidos por trabalho em feriados ou horas extras.
Dessa forma, o trabalhador intermitente receberá o valor que foi combinado para os dias trabalhados, incluindo feriados, aponta o advogado Luís Nicoli.
7. Quais são os próximos feriados de 2026?
Depois de abril, a próxima possibilidade de emenda é o Corpus Christi, em 4 de junho, que é considerado ponto facultativo nacional. Ou seja, cada estado ou município tem autonomia para decretar a data como feriado religioso, desde que haja regulamentação local.
Nas cidades onde a data é considerada feriado, a regra é a dispensa do trabalhador. Caso seja necessário trabalhar, há direito ao pagamento em dobro ou a uma folga compensatória.
Veja abaixo os próximos feriados nacionais e os dias da semana em que caem:
7 de setembro, Independência do Brasil (segunda-feira)
12 de outubro, Nossa Senhora Aparecida (segunda-feira)
2 de novembro, Finados (segunda-feira)
15 de novembro, Proclamação da República (domingo)
20 de novembro, Dia da Consciência Negra (sexta-feira)
25 de dezembro, Natal (sexta-feira)
Confira também os próximos pontos facultativos, que podem render folgas em alguns casos:
4 de junho, Corpus Christi (quinta-feira)
5 de junho (sexta-feira)
28 de outubro, Dia do Servidor Público (quarta-feira)
24 de dezembro, véspera de Natal (após 13h) (quinta-feira)
31 de dezembro, véspera de Ano Novo (após 13h) (quinta-feira)
O g1 preparou um calendário com todos os pontos facultativos e feriados nacionais de 2026. Confira:
Calendário 2026
g1
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Temporal causa prejuízos na zona rural de Piedade; produtores perdem toneladas de alimentos

Chuva destrói plantações e deixa 20 famílias desalojadas em Piedade
Reprodução/TV TEM
Uma forte chuva de granizo atingiu Piedade (SP) na tarde de sábado (18). O temporal deixou 20 famílias desalojadas e danificou 115 casas. A prefeitura avalia decretar estado de emergência. A Defesa Civil estadual vai enviar ajuda humanitária. Não houve vítimas.
Na zona rural, os prejuízos foram grandes. No bairro Sarapuí de Cima, uma propriedade perdeu 15 toneladas de alimentos, incluindo repolho, morango e coentro. Outro produtor contabilizou perdas de 5 mil caixas de alface, 2 mil caixas de morango e 4 mil maços de salsinha.
Segundo os agricultores, o processo de limpeza e replantio vai levar tempo. A previsão é retomar a comercialização apenas daqui a um mês.
A Defesa Civil informou que 120 famílias procuraram ajuda. Destas, 20 estão desalojadas. O órgão segue monitorando áreas de risco e prestando assistência aos moradores da zona rural.
Veja a reportagem exibida no programa em 26/04/2026:
Temporal causa prejuízos na zona rural de Piedade; produtores perdem toneladas de alimento
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Casos de sarna em animais silvestres crescem 700% nos últimos oito anos no interior de SP

Casos de sarna em animais silvestres crescem 700% nos últimos oito anos no interior de SP
TV TEM
Os casos de sarna em animais silvestres cresceram 700% em São Paulo nos últimos oito anos, segundo a associação Mata Ciliar, em Jundiaí. O aumento preocupa especialistas.
Um dos casos recentes é o de um lobo-guará resgatado em Pedreira (SP), em dezembro. O animal estava debilitado e com sarna. Ele passou por cirurgia e tratamento intensivo.
Segundo o veterinário Lucas Pereira de Jesus, a aproximação dos animais silvestres das áreas urbanas favorece o avanço da doença.
Equipes usam armadilhas fotográficas para identificar animais contaminados. Os principais sinais da sarna são queda de pelos e dificuldade para andar.
Depois do resgate, os animais ficam em quarentena para evitar a transmissão da doença a outros atendidos.
O lobo-guará de Pedreira é considerado um caso de sucesso. Ele passa por exames antes da última etapa da reabilitação. Segundo os veterinários, o trabalho em equipe e o uso da tecnologia foram essenciais para a recuperação.
Após o tratamento, os animais vão para áreas de adaptação gradual, onde recebem estímulos para voltar à natureza.
O lobo-guará está ameaçado de extinção e é essencial para o equilíbrio ambiental. Conhecido como “semeador da natureza”, ajuda na regeneração do cerrado ao espalhar sementes pelas fezes.
Especialistas alertam que o avanço de doenças urbanas sobre áreas de mata torna o combate à sarna em animais silvestres cada vez mais urgente.
Veja a reportagem exibida no programa em 26/04/2026:
Casos de sarna em animais silvestres crescem 700% no interior de SP
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Salão de Pequim: marca de luxo da BYD mostra supercarro elétrico mais veloz que Ferrari; VÍDEO

marca de luxo da BYD mostra supercarro elétrico mais veloz que Ferrari
A Denza, marca de luxo da BYD, apresentou o Denza Z no Salão do Automóvel de Pequim. O supercarro entrega mais de 1.000 cv de potência e acelera de 0 a 100 km/h em menos de dois segundos.
Embora seja um modelo chinês, o Denza Z carrega forte influência alemã. O projeto é assinado pelo designer Wolfgang Egger, ex-Audi, e essa herança europeia aparece em vários detalhes do carro.
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Isso fica evidente no visual, que lembra uma mistura de modelos da Maserati e da Ferrari, e também no volante, que remete aos carros da Porsche.
Denza Z
André Fogaça/g1
(O repórter viajou para o evento a convite da Leapmotor e GWM.)
Exibido na cor verde-claro durante o salão, o modelo pode ser conversível ou cupê e também conta com uma configuração voltada para uso em pistas.
Sob a carroceria, o Denza Z reúne o que há de mais avançado na eletrificação da chinesa. São três motores elétricos, que garantem tração integral e somam mais de 1.000 cv de potência, permitindo acelerações extremamente rápidas — a BYD não divulgou a potência exata.
A BYD não informa o tempo exato, mas o fato de a aceleração ser inferior a 2 segundos já coloca o Denza Z à frente da Ferrari SF90 Stradale, que até então era considerada a mais rápida da marca italiana, com 0 a 100 km/h em 2,5 segundos.
O modelo tem quatro bancos e acabamento em fibra de carbono, material que também está presente no console central elevado.
A identidade chinesa também se revela na central multimídia, que tem aspecto flutuante e dimensões generosas, semelhantes às vistas em modelos da BYD.
O Denza Z é equipado com a suspensão magnética DiSus-M, a versão mais avançada do sistema de direção semi-autônoma da BYD e um conjunto de baterias compatível com o carregamento mais rápido oferecido pela marca.
Denza Z
Com esse sistema, o Denza Z leva apenas 9 minutos para passar de 10% a 97% de carga da bateria.
Denza Z estreia primeiro fora da China
Apesar de ter sido apresentado no Salão do Automóvel de Pequim, o lançamento mundial do supercarro está marcado para julho, na Inglaterra, durante o Goodwood Festival of Speed.
Só depois o Denza Z será lançado na China. Segundo a BYD, o supercarro chegará ao Brasil no segundo semestre de 2026.
Novo Toyota RAV4 abre mão de ser plug-in para encarar chineses e dobrar as vendas; será possível?

Toyota quer vender o dobro de RAV4 no Brasil
É raro ver uma montadora claramente dar um passo para trás em tecnologia — claramente pois as marcas há muito tempo fazem isso de maneira velada.
Alguns carros deixam de ter suspensão independente na traseira ou perdem pacotes de segurança. Tem carro até que primeiro veio com freio de estacionamento eletrônico e depois adotou a antiquada alavanca.
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A Toyota não foi tão sutil. O novo RAV4 chega ao Brasil e abandona mesmo a tecnologia plug-in lançada em 2024, que durou só aquele ano. A meta é ter duas versões com preços competitivos: o preço inicial do modelo caiu para R$ 317.190 na versão S e ficou em R$ 349.290 na versão topo SX.
O SUV permanece, então, exclusivamente um híbrido convencional, sem possibilidade de carregamento das baterias na tomada. Pelo menos, subiram a potência do conjunto e, claro, o desempenho.
Nova geração do Toyota RAV4
Divulgação / Toyota
A explicação pela estratégia está do outro lado do globo, bem perto do Japão. As marcas chinesas lançam no Brasil utilitários esportivos híbridos e elétricos com preços agressivos.
As novidades chegam com valores abaixo dos R$ 300 mil, com garantia estendida e já com boa rede de lojas. Como o RAV4 híbrido plug-in iria concorrer nesse cenário? Lançado há dois anos, já custava R$ 400 mil.
Para reforçar a mensagem de que o RAV4 faz sentido para o bolso, a Toyota deixou o preço da primeira revisão lá embaixo. Se o cliente fizer uma revisão a cada 12 meses, em cinco anos o custo mensal com a manutenção do SUV será de R$ 85.
Desplugado
A Toyota apresentou o novo RAV4 no Brasil e os executivos disseram que a meta é vender o dobro de 2025. Declaração rara de se ouvir, pois poucas fábricas projetam vendas publicamente.
Foram emplacadas 2.981 unidades do SUV da Toyota em 2025. Então, estamos falando de vender 6 mil RAV4 em todo 2026.
Para se ter uma ideia, a BYD já vendeu 1.546 unidades do Song Plus Premium DM-i só nos três primeiros meses de 2026. O SUV é um híbrido plug-in e custa R$ 299 mil.
Nova geração do Toyota RAV4
Divulgação / Toyota
Ao menos, traz uma boa lista de equipamentos. Na prática, a versão topo de linha acrescenta equipamentos supérfluos, mas interessantes. Aquecimento nos bancos traseiros, head-up display e teto solar panorâmico podem não ser motivo para pagar R$ 350 mil.
No entanto, quem procura equipamentos de segurança e tecnologia talvez fique balançado. O RAV4 topo de linha tem câmera 360 graus, farol alto adaptativo e sensor de chuva. Confira a tabela.
Tradicional bem feito
Ao entrar no RAV4 a sensação é de segurança nas decisões. A Toyota torce o braço e não se rende a desenhos espalhafatosos. Nada de telas para comando de tudo nem controles exóticos para itens simples, como os retrovisores.
No console central, os botões enormes e fáceis de ler ajustam os modos de condução, câmera e assistente de descida. Logo abaixo, o porta-copos e, talvez, a única concessão da Toyota: uma alavanca tímida de câmbio.
Outras marcas já optaram por essa solução minimalista, que não libera espaço no console e nem facilita a operação do câmbio. O volante vem com comandos claros e bons de operar com a ponta dos dedões.
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O ar-condicionado se ajusta na tela, mas pelo menos os comandos não somem depois e o mapa fica sempre visível. A versão topo SX tem sistema GPS integrado e tela maior.
O espaço no banco traseiro é bom, com saídas de ar e boa visibilidade, mas alguns clientes vão descartar o Toyota por não ter opção de sete lugares.
Porta-malas tem abertura elétrica e, na versão topo, tem o sistema de aproximação, que abre sozinho ao passar o pé por baixo do para-choque.
Cortes de espada
Nova geração do Toyota RAV4
Divulgação / Toyota
O design do RAV4 anterior era mais rechonchudo, com para-lamas inflados e simpáticos. O novo RAV4 parece que foi esculpido a golpes precisos de espada.
O capô tem vincos agudos, o para-choque dianteiro tem cortes abruptos e a grade parece que foi furada com estocadas de katana. O conceito usado no farol, segundo a marca, é chamado de "hammerhead" (cabeça de martelo, em inglês).
Na lateral, a filosofia afiada continua e as rodas de 20 polegadas completam o visual esportivo. A traseira mais comportada tem as lanternas picotadas por dentro.
O resultado agrada, mas atribuir beleza é uma questão individual. Não houve alterações significativas nas medidas. Só a altura cresceu 1 cm.
Filosofia mantida
O SUV manteve uma qualidade da geração anterior, o entrosamento entre motor a combustão, câmbio e motores elétricos. O que o motorista quer é não perceber o que está acontecendo, uma transição suave entre os motores.
Agora a potência combinada é de 239 cv, antes o conjunto entregava 222 cv. Essa é a quinta geração deste sistema híbrido full da Toyota. O consumo na rodovia, medido pelo Inmetro, é de 14,1 km/l. Mas, em nosso breve contato, o SUV conseguiu média de 16 km/l.
A cabine tem boa vedação acústica, a direção comunica bem e não fica hesitosa com os assistentes de faixa e ponto cego. Ao testar o RAV4 dá para perceber as décadas que a Toyota passou afinando o modelo.
Nova geração do Toyota RAV4
Divulgação / Toyota
No teste na estrada, por uma mudança de rota do GPS, passamos por uma descida íngreme e lameada. Acabara de chover e a trilha de terra estreita estava impregnada pelo que parecia ser uma cobertura de caramelo.
O RAV4 começou a patinar na descida e a virar sozinho. Um balé em câmera lenta. A traseira ameaçou beijar o barranco. O pé vai no freio com sutileza, e é acionado o assistente de declive (com botão grande e fácil de operar).
Pronto, o Toyota assume e vai freando cada roda de maneira independente. O SUV fica alinhado e desce o tobogã de lama a 10 km/h. Isso que é bom: eletrônica que ajuda, sem incomodar quando não é chamada.
Pelo produto e pela história, a Toyota deve alcançar o objetivo de vender o dobro de RAV4 no Brasil. Mesmo abrindo mão da tecnologia plug-in, a marca sabe que seu cliente vai buscar o SUV.
O que são os sites de 'apostas sobre tudo' que têm irritado bets esportivas no Brasil

Página do mercado de previsões Kalshi
AP Photo/Jenny Kane
Quem será a pessoa mais rica do mundo no final do ano? Por quanto tempo Nicolás Maduro seguirá preso? O regime do Irã cairá em duas semanas? Estas são algumas das perguntas apresentadas em sites que permitem especular sobre praticamente tudo.
Esportes, economia, política e até clima: os chamados mercados de previsão têm várias opções para usuários tentarem ganhar dinheiro apostando na probabilidade de um evento acontecer.
❓ Um mercado de previsão é uma plataforma de compra e venda de contratos baseados em palpites sobre eventos futuros. Cada contrato tem um preço baseado na chance de o evento acontecer e paga um valor caso ele se concretize. Quanto menor a probabilidade, menor o preço e maior o retorno para quem acertar.
As casas de apostas que atuam no Brasil alegam que os mercados de previsão devem seguir as regras previstas pela lei de bets, que exige, entre outros pontos, uma licença de R$ 30 milhões para operar no país.
Brasileira é a mulher mais jovem do mundo a construir a própria fortuna
Os mercados de previsão mais conhecidos são a Kalshi, avaliada em US$ 11 bilhões, e a Polymarket, que vale US$ 9 bilhões.
A Kalshi se tornou mais conhecida no Brasil após sua cofundadora, a mineira Luana Lopes Lara, virar a bilionária mais jovem do mundo a construir sua própria fortuna. Ela tem 12% da empresa e fortuna de US$ 1,3 bilhão, segundo a Forbes.
O Ministério da Fazenda afirmou ao g1 que, pela lei, as empresas se enquadram como plataformas de mercado de previsão e que o setor é tema de estudos preliminares de sua Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA).
"Cabe citar que, no momento, não há empresas brasileiras formalmente autorizadas pela SPA a atuar nesse segmento", disse o ministério.
Na última sexta-feira (24), o governo federal informou que Polymarket, Kalshi e outras 25 plataformas de apostas de "predição" foram bloqueadas.
"Quaisquer outras avaliações regulatórias sobre o assunto dependem da conclusão das análises técnicas em curso e serão conduzidas em articulação com os órgãos competentes, entre eles a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no intuito de análise acerca de eventuais interfaces regulatórias", completou.
Nesta semana, o Banco Central do Brasil tornou pública uma nova resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) que proíbe a oferta e a negociação, no país, de apostas de previsões atreladas a eventos esportivos, jogos on-line e temas políticos, eleitorais, sociais, culturais ou de entretenimento.
Na prática, a regra impede Kalshi e Polymarket de oferecer apostas que não sejam ligados à economia — o que restringe bastante a amplitude do mercado de previsões.
Celular mostra ofertas de especulação sobre esportes na Polymarket
AP Photo/Jenny Kane
Como funcionam os mercados de previsão?
As plataformas de mercados de previsão têm sites parecidos, em que perguntas e suas probabilidades para cada desfecho são destacadas logo na página inicial.
Ao clicar em uma pergunta, o usuário é direcionado para uma nova página com as opções de aposta — por exemplo, o barril do petróleo atingirá US$ 200 (cerca de R$ 1.000) até o final de abril?
A partir da escolha de "sim" ou "não", a plataforma indica quanto pagará caso o palpite esteja certo. O pagamento é feito pela carteira digital da conta, que pode ter saldo com transferências bancárias ou criptomoedas.
O que dizem as bets?
O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável, que representa as bets, disse ter feito um pedido formal para mercados de previsão serem classificados como apostas.
A entidade defende que empresas como Kalshi e Polymarket fiquem sob a regulação coordenada de SPA, CVM, Banco Central, Secretaria Nacional do Consumidor e Conar, que faz a autorregulação do mercado publicitário.
"Apostas em desdobramentos esportivos são apostas independentemente do formato. Se um mercado de previsão quer comercializar apostas esportivas, ele tem que aplicar para uma licença na SPA. Senão, está fora do enquadramento nacional, está cometendo um crime", defendeu André Gelfi, presidente do IBJR.
O g1 entrou em contato com a Kalshi e a Polymarket, mas não teve retorno até a publicação desta reportagem.
Na avaliação de Gelfi, os mercados de previsão operam sem qualquer tipo de controle no Brasil. "Tem pesquisa eleitoral sendo feita de forma velada, gente apostando em desgraça. Do ponto de vista ético, é no mínimo polêmico o modelo de negócios dos mercados de previsão".
Brasileiros gastam até R$ 30 bilhões por mês em bets, segundo o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em uma audiência da CPI das Apostas Esportivas, em abril de 2025.
Um terço dos apostadores brasileiros têm perfil de jogo de risco ou problemático, de acordo com um estudo publicado em abril de 2025 pela Universidade Federal de São Paulo, em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública.
O vício em apostas online atinge milhões de brasileiros e já é considerado problema de saúde pública.
Reprodução/TV Verdes Mares
Mercados de previsão são casas de apostas?
Os mercados de previsão não se enquadram na definição de casas de apostas prevista na lei de bets, aprovada em 2018 e regulamentada em 2023, segundo dois advogados ouvidos pelo g1.
Para exigir que empresas como Kalshi e Polymarket sigam as mesmas regras para bets, seria preciso fazer ajustes na lei, explicou Hélio Ferreira Moraes, sócio da área digital do escritório PK Advogados.
"Quando você faz uma aposta contra a bet, ela tem as previsões e faz o pagamento. É o que chamamos de apostar contra a casa. Nos mercados de previsão, são contratos", afirmou.
"Os mercados de previsão funcionam como mercados descentralizados, onde o valor dos contratos emerge da interação entre os participantes, se aproximando do funcionamento de bolsas de valores", disse Moraes.
Página do mercado de previsões Kalshi
AP Photo/Jenny Kane
As plataformas de mercados de previsão estão em uma situação parecida com a das bets antes da lei para o setor no Brasil, analisou o advogado Gustavo Biglia, sócio do escritório Ambiel Advogados e especialista em regulação de apostas esportivas e jogos online.
"Como não tem regulamentação, a gente parte do pressuposto jurídico de que o que não é proibido, é permitido. A diferença é que elas estão atuando fora, sem qualquer tipo de fiscalização e sem pagar imposto no Brasil", disse Biglia.
"Outro conflito entre os dois mercados é identificar a legitimidade para colocar um contrato de opção dentro de uma aposta esportiva. O Brasil delimita quem pode vender esse tipo de produto".
O que dizem os mercados de previsão?
Os mercados de previsão são parecidos com as bets esportivas, mas não são idênticos, argumenta a Kalshi em seu site. Segundo a empresa, uma das diferenças é que os seus usuários apostam entre si, enquanto, na bets, as apostas são contra a casa.
A plataforma alega ainda que os preços são definidos a partir da compra e venda de contratos. E que fatura a partir de taxas cobradas em cada uma dessas transações.
"Os preços refletem as crenças agregadas dos investidores com participação direta no mercado, atraindo pessoas com conhecimento genuíno do setor", diz a Kalshi, lançada no Brasil em março por meio de uma parceria com a empresa de investimentos XP.
A XP afirma que sua corretora Clear atua como facilitadora do acesso e que a criação, a operação, a precificação e a liquidação dos contratos são de responsabilidade da Kalshi.
O banco BTG Pactual lançou em março o BTG Trends, uma plataforma de mercado de previsões exclusiva a assuntos financeiros. E a B3 lançará em 27 de abril contratos de eventos baseados na variação de índices da bolsa de valores, do dólar e do bitcoin.
Quais são as polêmicas nos EUA?
Os mercados de previsão foram usados recentemente para especular sobre ações militares no Irã e na Venezuela. Regras financeiras dos Estados Unidos proíbem contratos sobre guerra.
Um investidor anônimo ganhou R$ 2 milhões em janeiro por apostar na derrubada de Nicolás Maduro. O lucro foi alto porque o contrato foi feito antes mesmo da divulgação da operação militar dos EUA que levou a prisão do então presidente venezuelano.
Com preocupações sobre o uso de informações privilegiadas para apostar em eventos futuros, a Casa Branca orientou funcionários a não usarem discussões internas para especularem nas plataformas.
Mercado de previsão Polymarket
AP Photo/Wyatte Grantham-Philips
Nos Estados Unidos, eles estão sob supervisão da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), órgão nacional que se aproxima da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Mas lá também há polêmicas: em janeiro, um juiz de Massachusetts determinou que a Kalshi não pode oferecer contratos sobre eventos esportivos no estado por entender que a plataforma viola regras locais sobre jogos de azar.
Em março, a Justiça de Nevada determinou a suspensão da plataforma por concluir que ela não tem licença para operar atividades de aposta no estado.
O estado do Arizona foi outro que processou a empresa por argumentar que ela opera no mercado de apostas, proibido pela lei estadual. Mas a Justiça federal dos EUA derrubou a ação após concluir que a plataforma deve ser regulada nacionalmente pela CFTC.
A empresa disse que não é uma casa de apostas. "Estados como o Arizona querem regular individualmente uma bolsa de valores nacional e estão tentando todos os artifícios possíveis para conseguir isso", afirmou.
O presidente da CFTC, Mike Selig, demonstrou apoio à Kalshi. Nomeado ao cargo pelo presidente americano Donald Trump, ele afirmou que o estado do Arizona apresentou "um processo criminal totalmente inadequado".
Para Biglia, do escritório Ambiel Advogados, as plataformas oferecem uma porta para manipular apostas, o que as colocam em um mercado perigoso.
"Uma coisa é apostar no clima, se vai chover ou vai fazer sol. Outra é apostar quando Trump vai morrer. Você coloca a cabeça de alguém a prêmio por um determinado valor", afirmou.
Para Moraes, do PK Advogados, os riscos dos mercados de previsão são maiores por conta de sua área de atuação maior, o que exige o trabalho em conjunto de reguladores.
"Historicamente, essa coordenação no Brasil não é fácil. E esses temas multidisciplinares levantam essa dificuldade. Agora, o pior dos mundos é a gente não fazer regulação nenhuma", disse.
Você conhece a gabiroba gigante? Fruta rara da Mata Atlântica ficou famosa ao vencer concurso de sorvete
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Gabiroba gigante: conheça fruta rara da Mata Atlântica que só existe no ES
Uma fruta diferente e rara, que só existe na Mata Atlântica e pode ser encontrada em alguns lugares da Região Serrana do Espírito Santo, fez sucesso internacional em uma versão de sorvete. É a gabiroba gigante, que possui sabor cítrico e depende de alguns fatores essenciais para frutificar.
A fruta não é tão comum porque, para aparecer, precisa da polinização de abelhas sem ferrão endêmicas do estado capixaba. Segundo especialistas, o fruto é considerado em extinção e diminuiu sua frequência por causa das mudanças climáticas.
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Adenilson Panzini é empresário no setor de rochas, conheceu a fruta há 30 anos, e plantou um pé em sua propriedade na cidade de Vargem Alta, Região Serrana do estado.
Atualmente, a árvore, que já é um pé adulto, gera mais de 100 kg da fruta. Com todo esse material, o empresário de 56 anos guarda grande parte da fruta no freezer e realiza doações para escolas e chefs que fazem pratos com a gabiroba.
A fruta é versátil e rende várias opções na gastronomia, de geleias a bolos e até cachaça. Com tantas possibilidade, a gabiroba e outros frutos nativos da Mata Atlântica no estado renderam um projeto voluntário realizado pelo empresário e o chef Ricardo Silva.
Gabiroba gigante precisa de temperaturas mais amenas e ambiente úmido para conseguir crescer
Reprodução/TV Gazeta
O Experiência Cores e Sabores da Mata Atlântica apresenta os frutos em eventos. E foi a partir desse projeto que a mestre sorveteira Gabriela Maretto conheceu a gabiroba, se apaixonou pela fruta e fez um sorvete que foi o preferido do público em uma competição de gelatos.
Saiba algumas curiosidades sobre a fruta:
🍋 A fruta é cítrica e lembra o limão, mas com sabor mais marcante e mais ácido;
⛑️ Segundo nutricionistas, a gabiroba é rica em vitamina C, fibras, potássio e cálcio;
🚽 Ajuda na saúde intestinal;
⚖️ Um fruto pode pesar até 400 gramas;
🗓️ Colheita entre julho a agosto;
🍨 Vira de sorvetes a ceviche;
☁️ Prefere temperaturas mais amenas;
🌳 Possui o nome "gigante" por ser a maior das outras espécies de gabiroba.
Conhecendo a gabiroba
A gabiroba, ou guabiroba gigante, faz parte de uma das principais famílias de plantas comestíveis da Mata Atlântica.
De acordo com a Nara Furtado, pesquisadora do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), só existem registros dessa espécie em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do estado e em Vargem Alta.
"Trata-se de uma espécie rara, pouco coletada. Começa frutificar com três anos de vida. o que para uma árvore é muito rápido. O tronco tem casca rugosa e se descama, assim como outras espécies da família (jabuticaba, pitanga, araça). Pode ser descrita como um arbusto ou uma árvore, variando 3 a 10 metros de comprimento", explicou.
A gabiroba dá o maior dos frutos das espécies das Campomanesia, podendo a chegar a 12 cm de diâmetro, enquanto as espécies próximas podem atingir no máximo 8 cm de diâmetro. "Por isso, o nome super-gabiroba ou gabiroba gigante", completou a pesquisadora.
Árvore da gabiroba gigante em Vargem Alta, Espírito Santo
Reprodução/TV Gazeta
Desde quando Adenilson conheceu a fruta, o empresário ficou curioso por ela ser tão diferente e resolveu entender um pouco mais sobre.
"Conheci em 1998 nas andanças dessas matas, fui andando com pessoas mais experientes. Ela não é praticamente cultivada em lugar nenhum, ninguém sabe aproveitar ela. Eu trouxe ela pra casa, plantei, fiz a muda. Conheço algumas pessoas que tinham a gabiroba no quintal, não sabiam do potencial e até cortavam a planta, acham a fruta muito ácida", disse.
Ao resolver cultivar a gabiroba, Adenilson também montou um pequeno apiário com diversas espécies de abelhas, insetos que são essenciais para a gabiroba dar frutos.
"Nesses anos todos, fui aprendendo a cultivar, dando muito amor e carinho, e com isso o meu pé dá fruta quase o ano inteiro. São três coisas essenciais: altitude, umidade e os insetos. As abelhas sem ferrão que fazem a fecundação dela. Conheço algumas gabirobas na mata, no habitat dela, que não produzem, porque não tem mais tanta abelha, a umidade não é mais a mesma".
Segundo o produtor, se levar a gabiroba para uma região mais costeira, por exemplo, ela pode não produzir mais por causa dessas condições necessárias. "Hoje, ela está praticamente extinta, é muito difícil de encontrar, o homem mudou o ecossistema", destacou.
Na época da colheita entre os meses de junho a agosto, o empresário retirar os frutos e os congela. A principal destinação é geração de mudas, doação para escolas e também para a culinária. Toda a colheita do empresário é distribuída de forma gratuita.
Adenilson disse que pela raridade da gabiroba, um quilo chega a valer R$ 100. Quando madura, os frutos são grandes e podem chegar até 400 g.
Mesa com várias opções de pratos feitos com gabiroba gigante: bombom, suco, ceviche, caponata, mousse, bolo, brigadeiro, geleia e cachaça
Viviane Lopes/g1
Com a ajuda da esposa e do chef Ricado, o trio faz diversos pratos como bombons, mousse, caponatta, ceviche, bolos, sucos e cachaça e apresentam as opções feitas não só com a gabiroba, mas outros frutos nativos.
"Eu não conhecia a fruta, fiquei sabendo a partir da minha amizade com o Adenilson, e aí nós começamos a elaborar receitas e pratos falando da Mata Atlântica há dois anos. É importante mostrar o poder que tem a Mata Atlântica. Com a gabiroba, dá pra fazer várias coisas. Ela tem um sabor fantástico e você consegue utilizar em várias coisas na cozinha", disse o chef Ricado.
"A variedade de frutas, essências e sabores da Mata Atlântica é imenso, mesmo hoje não tendo sobrado muito de floresta. E muita gente não conhece ainda. Eu quero divulgar isso, valorizar o homem do campo. Para ele saber que, se cultivar essa espécie, vai ter uma renda. Através das abelhas você preserva um bioma inteiro. É um valor inexplicável", completou Adenilson.
Sabores da Mata
Gabriela Maretto é capixaba e faz sorvete há mais de três anos. A relação da capixaba com a produção de gelatos começou desde pequena, ao fazer sorvetes na lavanderia da casa da mãe. Sonho que foi deixado de lado com o passar dos anos, mas que voltou para a vida da mulher após o diagnóstico precoce da doença de Parkinson.
Ela conheceu o projeto das frutas da Mata Atlântica e topou o desafio do chef Ricardo em escolher uma fruta diferente para fazer um novo sabor de sorvete.
"Ele me apresentou a gabiroba e explicou a proposta de utilizar frutas não convencionais e outras plantas na comida. Eu fiquei encantada com ela. De início, foi bem difícil entender como aproveitar o sabor, porque ele é bem ácido, tem uma consistência diferente. Fiz baseado na minha receita de limão, de sorbet a base de água, e deu certo", comentou.
Gabiroba gigante e sorvete feito com gabiroba gigante no Espírito Santo
TV Gazeta e Adenilson Panzini
Depois de aprender a trabalhar com a gabiroba, Gabriela resolveu apostar no sabor único da fruta para participar de um concurso nacional de sorvetes, o Gelato Festival World Masters, que aconteceu em julho em São Paulo.
"Eu já sabia que o sorvete de gabiroba tinha feito sucesso na loja, então resolvi mexer um pouco na receita, acrescentei o mel de uruçu, geleia de frutas vermelhas e um praliné de castanhas da Mata Atlântica e aí surgiu o Sabores da Mata, que eu sirvo em uma taça", pontuou.
Durante a competição, pessoas do Brasil e do mundo inteiro passaram pelo estande da capixaba no evento, e Gabriela disse que se divertiu ao ver a reação das pessoas ao experimentarem um sorvete tão diferente.
O Sabores da Mata ganhou a Menção Honrosa do Júri Popular, um reconhecimento especial concedido ao sorvete que recebe a maior votação do público presente no evento. Ao contrário dos prêmios principais, que são em grande parte determinados por um júri técnico de especialistas, este prêmio destaca a popularidade e o apelo do sabor entre os consumidores.
"Cerca de 20 mil pessoas passaram por lá e todos podiam provar os 15 sabores do Brasil inteiro e o sabor encantou o pessoal. Teve uma senhora que até chorou quando experimentou, eu fiquei tão emocionada, disse que o sorvete tinha sabor de infância e todo mundo queria conhecer a gabiroba", destacou.
Sorvete de gabiroba gigante feito por mestre sorveteira do Espírito Santo
Reprodução/TV Gazeta
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Como China sintoniza com novas gerações para tornar suas marcas objeto de desejo no mundo todo

Os bonecos Labubu, da Pop Mart, viraram um fenômeno global com investimento mínimo em publicidade.
Getty Images via BBC
Se você entrar em praticamente qualquer shopping center de Singapura, provavelmente irá encontrar filas no lado de fora das lojas, com nomes chamativos e marcas com cores brilhantes.
Lojas chinesas como Chagee, Molly Tea e Mixue vêm atraindo multidões, não só na Ásia, mas cada vez mais em cidades como Sydney, na Austrália, Londres e Los Angeles, nos Estados Unidos.
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Ao lado das marcas de moda, lojas de brinquedos e das gigantes de produtos esportivos, as cadeias de lojas de chá estão liderando uma nova onda: empresas chinesas estão deixando de fabricar produtos de baixo custo para se tornar marcas de consumo conhecidas globalmente.
Estabelecidas no segundo maior mercado consumidor do mundo, essas empresas já têm escala de produção e força operacional. Mas a concorrência doméstica está se intensificando e, por isso, a expansão para o exterior se tornou uma necessidade.
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Paralelamente, elas estão entrando em mercados onde a percepção do Made in China ainda é associada a produtos baratos e de baixa qualidade.
"A China passou da fase de economia de replicação", explica Tim Parkinson, da consultoria Storytellers China. "Seus produtos, agora, atendem às expectativas de uma nova geração de exigentes consumidores globais."
Fábrica do mundo
A China, há muito tempo, é a oficina do mundo, fabricando produtos para as empresas ocidentais. E, neste processo, os fornecedores aprenderam não só a produzir, mas a criar a sua marca, distribuir os produtos e vendê-los em escala.
Empresas como a Miniso se beneficiaram deste tipo de know-how. A varejista vende brinquedos e produtos de merchandising da Disney, Marvel e Warner Bros e, agora, opera lojas em mais da metade dos países do mundo.
"Os consumidores não se preocupam especificamente com a origem da marca", explica o gerente geral de mercados internacionais da Miniso, Vincent Huang. "Eles estão mais preocupados com a experiência da compra, como o design, o custo-benefício e a diversão."
Neste modelo, os contratos de licenciamento e a relativa velocidade para levar os produtos da fábrica para as prateleiras das lojas são fundamentais.
A Miniso tem lojas espalhadas por mais de 100 países.
Getty Images via BBC
Além dos produtos de consumo, a BYD superou a Tesla como o maior fabricante de veículos elétricos (VEs) do mundo.
A empresa se beneficiou da aposta na tecnologia certa logo no início da corrida pelos VEs. Além disso, o vasto mercado doméstico chinês ajudou a empresa a produzir em escala e melhorar sua rentabilidade.
Agora, a BYD está se expandindo para além dos carros, desenvolvendo sistemas de carregamento ultrarrápido. Em questão de minutos, eles aumentam o alcance dos veículos em centenas de quilômetros.
Esta expansão faz parte de um projeto de construção de todo um ecossistema em torno dos veículos da empresa.
O apoio governamental ajudou a acelerar o setor de VEs da China, com subsídios e incentivos que promoveram a demanda. Mas esta estratégia gerou críticas da Europa e dos Estados Unidos.
Autoridades ocidentais alegaram que este tipo de apoio traz benefícios desleais para as empresas chinesas. Pequim rejeita a acusação e afirma que o crescimento reflete a inovação e o poderio industrial chinês.
A empresa Anta é outro exemplo. Ela tem cerca de 13 mil lojas espalhadas pelo mundo e se tornou a terceira maior marca de artigos esportivos do planeta, atrás apenas da Nike e da Adidas.
A empresa começou dominando o vasto mercado doméstico chinês e fez crescer sua pegada com aquisições globais de marcas internacionais estabelecidas, como a Salomon, Wilson e, mais recentemente, uma participação de 29% da Puma.
O sudeste asiático como plataforma de lançamento
Antes de entrar nos mercados ocidentais, muitas empresas chinesas usaram o sudeste asiático como campo de testes.
Com mais de 650 milhões de consumidores jovens e cada vez mais afluentes, a região oferece escala e diversidade, enquanto a concorrência das marcas ocidentais estabelecidas mantém os altos padrões.
A cadeia de restaurantes Haidilao abriu sua primeira loja no exterior em 2012, em Singapura. Agora, ela é a maior rede de hotpot do mundo, com 1,3 mil restaurantes em 14 países.
"A história do Haidilao não é apenas de um restaurante de sucesso", explica o vice-presidente da Haidilao International, Zhou Zhaocheng. "Ela é um reflexo de 30 anos de transformação econômica e internacionalização da China."
O alcance global da rede se baseia em uma marca forte, ecossistema robusto e base de clientes fiéis, segundo Zhou.
Ele observa que cada mercado internacional é complexo, moldado por diferentes culturas, sistemas jurídicos e hábitos de consumo. Por isso, adaptar os alimentos, menus e serviços a cada país é essencial.
A rede, agora, busca a certificação halal na Indonésia e na Malásia, uma medida que poderá abrir mercados de maioria muçulmana em todo o Oriente Médio.
Outras marcas também estão progredindo rapidamente.
A loja de sorvetes e bubble tea Mixue opera mais lojas pelo mundo que o McDonald's ou o Starbucks. Já a Molly Tea se expandiu internacionalmente poucos anos depois da sua fundação.
Mais de 70% das empresas chinesas em operação no sudeste asiático pretendem ampliar ainda mais sua atuação, segundo a empresa de pesquisa de mercado Euromonitor International.
A região também abriga alguns dos mercados de smartphones em maior crescimento do mundo, com as redes sociais turbinando a popularidade desses produtos. E os bonecos Labubu, da empresa Pop Mart, se tornaram um fenômeno global com investimento mínimo em publicidade tradicional.
Nos Estados Unidos, as vendas da Pop Mart cresceram em 900% desde 2024. Mas, nos últimos meses, as ações da empresa caíram sensivelmente, devido aos receios sobre a manutenção do seu crescimento no futuro.
Ainda assim, a companhia continua valendo mais do que a soma das gigantes americanas dos brinquedos Hasbro e Mattel, e da empresa japonesa Sanrio, dona da marca Hello Kitty.
Guerras de preços
Em chinês, esta ofensiva rumo ao exterior tem o nome de chū hǎi (出海) — "sair para o mar", em português. É uma necessidade cada vez maior para as empresas da China, devido às pressões do mercado doméstico.
A lenta economia do país, sua intensa concorrência e o declínio da taxa de natalidade mudaram os hábitos de consumo das pessoas. Tudo isso reduziu o crescimento do país, levando as companhias a partir para o mercado externo.
As próprias marcas estrangeiras estão sentindo as mudanças. A fatia de mercado da Starbucks na China, por exemplo, caiu em mais da metade desde 2019.
A rede local Luckin Coffee detém, agora, quatro vezes mais lojas no país do que a sua concorrente norte-americana. Seu modelo de compra pelo celular mantém a rapidez do serviço e os baixos custos.
Em novembro passado, a Starbucks anunciou um acordo de venda do controle acionário das suas operações na China para a empresa Boyu Capital, com sede em Hong Kong.
Em 2020, um grande escândalo de contabilidade em 2020 fez com que a Luckin fosse retirada do índice Nasdaq. Ainda assim, a empresa continua se expandindo na China e no exterior, em locais como Singapura, Malásia e Nova York, nos Estados Unidos — e estaria planejando seu retorno ao mercado de ações americano.
A Mixue tem hoje mais lojas que o McDonald's e a Starbucks.
Getty Images via BBC
O desafio do soft power chinês
Analistas afirmam que a percepção em torno das empresas chinesas também parece estar mudando.
O Made in China, antes, era sinônimo de produtos baratos. Agora, eles são cada vez mais vistos como inovadores e com design moderno.
"Marcas como a BYD combinam alta qualidade com narrativa emocional e adaptação local", afirma o especialista em marketing Foo Siew-Ting.
Ainda assim, permanecem os desafios.
Tarifas de importação, avaliações políticas e receios em relação à segurança de dados continuam a dificultar a expansão chinesa, como ocorreu nos casos da Huawei e do TikTok.
Permanece em dúvida se marcas chinesas em rápido crescimento, como a Shein e a Temu, poderão manter o ritmo nos mercados ocidentais.
Ainda assim, o rumo é claro. As empresas chinesas não são mais definidas pelos baixos preços. Elas estão inovando e aproveitando as tendências de consumo.
Elas estão estabelecendo marcas, se adaptando aos mercados locais, competindo palmo a palmo e, às vezes, ultrapassando os concorrentes globais estabelecidos.
Com colaboração de Jaltson Akkanath Chummar.
Italiana critica brasileiros por uso de leite condensado em doces e cria controvérsia nas redes; entenda

Influenciadora italiana que mora no Brasil criticou o uso de leite condensado em receitas de doces brasileir
Reprodução / Instagram
Um vídeo em que uma italiana radicada no Brasil critica o uso de leite condensado em receitas de doces brasileiros se tornou viral recentemente, meses após ter sido publicado.
Na publicação, Sharon Sburlino, do perfil @gringa.italiana, comentou a diferença entre as receitas de sobremesas brasileiras e na Itália, chamando atenção para o uso do leite condensado por aqui.
"Se você procurar um brigadeiro ou um pudim tradicional lá, você vai falhar feio", diz no início do vídeo.
Segundo Sharon, na Itália, a "confeitaria é baseada no fresco e no equilíbrio".
"A gente usa muito mascarpone – um queijo fresco e cremoso – a ricota, o leite fresco e frutas", continua, para dizer, logo em seguida, que o "leite condensado para o paladar italiano é doce demais".
"Ele mata o sabor dos outros ingredientes. Se eu coloco leite condensado em um doce de pistache, eu só vou sentir o açúcar e não o pistache da Sicília, que custou uma fortuna", complementa a confeiteira.
A justificativa apresentada pela italiana é de que no seu país de origem, as pessoas preferem "fazer tudo do zero". "A gente quer sentir a gordura natural do leite e não o xarope de açúcar. Não é que a gente não goste de doce. A gente só prefere que o doce venha do ingrediente, não da lata", comenta.
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Reação apaixonada
Como sempre acontece quando algo característico do Brasil é criticado nas redes sociais por pessoas estrangeiras, a reação foi apaixonada.
Muitos usuários acabaram criticando a "falta de sabor" dos doces europeus. Também não faltaram comparações com versões abrasileiradas de sobremesas italianas, já que algumas foram adaptadas e ganharam o ingrediente "nacional".
Outros usuários defenderam o "paladar" do brasileiro, dizendo que o uso de leite condensado nas receitas daqui incluem, também, campanhas de marketing do produto.
No meio da discussão, muitos usuários também aproveitaram para mostrar que é possível reproduzir receitas que normalmente levam leite condensado usando apenas leite e açúcar — o que, na prática, levanta uma pergunta simples: afinal, o que é leite condensado?
Usuários do Instagram reagiram à publicação.
Reprodução/Instagram
O que é leite condensado?
Da mesma forma que a crítica negativa aos doces brasileiros levou à defesa do leite condensado como ingrediente "nacional", usuários das redes sociais também aproveitaram para mostrar que é possível fazer receitas que, normalmente, usam o produto, usando apenas leite e açúcar.
Será que é possível? A resposta é sim, afinal de contas, o leite condensado nada mais é que uma redução de leite com altas concentrações de açúcar.
No Brasil, a definição oficial do produto é regulamentada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), por meio da Instrução Normativa nº 47, de 2018.
O leite condensado chegou ao país ainda no século 19, por volta de 1890, mas ganhou popularidade no Brasil quando a marca mais famosa — que virou sinônimo do produto — instalou seu primeiro parque de produção por aqui. O Leite Moça passou a ser fabricado no Brasil pela Nestlé em 1920.
O leite condensado é usado no preparo de inúmeras receitas no Brasil.
Reprodução/ TV Globo
"Para fins deste Regulamento Técnico, leite condensado é o produto resultante da desidratação parcial do leite, leite concentrado ou leite reconstituído, com adição de açúcar, podendo ter seus teores de gordura e proteína ajustados unicamente para o atendimento das características do produto", diz a norma em seu artigo 2º.
Portanto, leite condensado é, basicamente, leite que passou por um processo para retirar parte da água e recebeu adição de açúcar. O resultado é um produto mais espesso, doce e concentrado, com textura viscosa e aspecto levemente amarelado. Essa combinação de menos água e mais açúcar ajuda a conservar o alimento por mais tempo e dá a ele o sabor característico.
Além disso, o leite condensado precisa seguir padrões de qualidade: deve ter textura homogênea (sem “gruminhos”), sabor e odor próprios e não pode conter ingredientes como gordura vegetal ou amido.
Em resumo, é um derivado do leite concentrado e adoçado, pensado tanto para conservação quanto para uso culinário — e virou protagonista em receitas populares, de sobremesas simples a clássicos da confeitaria.
A mais popular delas é também o mais brasileiro dos doces, o brigadeiro, feito do cozimento e mais redução ainda do leite condensado com chocolate em pó e uma gordura, geralmente manteiga.
O produto é tão comum no Brasil que uma pesquisa do Ibope, realizada em 2020 chegou à conclusão de que o leite condensado estava presente na casa de 94% dos brasileiros.
Brigadeiro tradicional com raspas de chocolate: leite condensado é o ingrediente base da iguaria genuinamente brasileira.
Pamella Wojtyga
‘Detox digital’: jovens ficam um mês sem smartphone e dizem se sentir melhor

Pessoa mexendo no celular
Reprodução/ RBS TV
Deslocar-se sem o Google Maps, deixar de deslizar o dedo no Instagram, guardar os fones de ouvido para ouvir o canto dos pássaros: durante um mês, um grupo de jovens americanos trocou seus smartphones por celulares mais simples e mergulhou em uma desintoxicação digital.
A iniciativa faz parte de um movimento emergente entre jovens que buscam se libertar dos efeitos prejudiciais das redes sociais.
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"Estava esperando o ônibus e não sabia quando chegaria", lembrou Jay West, de 29 anos, que participou do desafio "Um mês offline", organizado por uma pequena startup, com o apoio de um grupo comunitário local.
Antigos hábitos são difíceis de erradicar, e West — que trabalha como analista de dados para o sistema de metrô de Washington — comentou que frequentemente se flagrava enfiando a mão no bolso para pegar o celular, apesar de não tê-lo trazido consigo.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Mas, ao final, a experiência se revelou libertadora, afirma.
"Às vezes me sentia entediado, e tudo bem!", lembrou, em uma tarde recente, em uma horta comunitária da cidade, onde os participantes da experiência se reuniram para compartilhar as dificuldades e as alegrias de se desconectarem. "Tudo bem ficar entediado", disse West.
Sentada ao seu lado estava Rachael Schultz, de 35 anos, que precisou pedir indicações a desconhecidos que passavam de bicicleta. Lizzie Benjamin, de 25 anos, tirou a poeira de antigos CDs que seu pai havia gravado para poder ouvir música sem recorrer ao Spotify.
Antes da desintoxicação, Bobby Loomis, de 25 anos, que trabalha no setor imobiliário, tinha dificuldades até mesmo para assistir a um episódio completo de uma série de TV sem checar o celular.
Vida social "enriquecedora"
Há tempos, cientistas alertam que a dependência de celulares está associada à menor capacidade de atenção, a problemas de sono e à ansiedade.
Em uma decisão histórica no fim de março, um tribunal da Califórnia entendeu que Instagram e YouTube são responsáveis pela natureza viciante de suas plataformas.
Um número crescente de jovens americanos está se dando conta disso.
Segundo pesquisa da YouGov realizada no ano passado, mais de dois terços das pessoas entre 18 e 29 anos gostariam de reduzir o tempo de uso de telas.
Há também novas ferramentas disponíveis: aplicativos, dispositivos para bloquear o aparelho e grupos — como o de Washington — que promovem a desintoxicação por um mês.
Nos campi universitários, popularizaram-se as "dietas" de redes sociais por várias semanas, e encontros sem telas entre amigos se tornaram tendência nas grandes cidades.
Prescindir do smartphone, ainda que por algumas semanas, leva a "maior bem-estar e melhor capacidade de manter a atenção", afirmou Kostadin Kushlev, pesquisador de psicologia da Universidade de Georgetown.
Estudos preliminares sugerem que esses efeitos perduram ao longo do tempo, acrescentou.
Josh Morin, um dos organizadores dos programas de desintoxicação em Washington, considera que simplesmente deixar de usar o telefone não é suficiente e que é essencial oferecer uma alternativa atraente.
O programa inclui uma sessão semanal de debate para os participantes em um bar de karaokê localizado em um bairro movimentado da capital americana.
"Para romper realmente com esse hábito, é preciso oferecer uma vida social, comunitária e enriquecedora", destacou Morin.
Adolescente com o celular em mãos
Divulgação
"O começo de algo importante"
A iniciativa "Um mês offline" foi lançada há um ano por um grupo comunitário e agora é administrada pela empresa Dumb.co.
Participar custa cerca de US$ 100 (aproximadamente R$ 500) por pessoa, valor que cobre o empréstimo de um celular antigo pré-carregado com ferramentas essenciais — para chamadas telefônicas, mensagens de texto e o aplicativo Uber —, sincronizadas com o smartphone do usuário.
Até agora, a startup avançou a passos lentos e espera superar a marca de mil participantes em maio. Mas especialistas vislumbram uma tendência mais ampla.
Graham Burnett, professor de história na Universidade de Princeton, acredita que o movimento pode estar no "amanhecer de um movimento autêntico", semelhante ao surgimento da onda ecologista, na década de 1960, que levou a importantes leis de proteção ambiental.
Kendall Schrohe, de 23 anos, funcionária de uma organização de vigilância da privacidade digital, concluiu o programa de desintoxicação em Washington em janeiro.
Agora, ela consegue se orientar pelo bairro sem depender do Google Maps, eliminou a conta no Instagram e organizou o próprio grupo de "sobriedade digital".
"Adotei uma perspectiva otimista e sinto que realmente estamos diante do começo de algo importante", comentou.
Trend 'Caso ela diga não' estimula violência contra as mulheres e vira caso de polícia
Análise: Data centers podem fazer de países do Sul Global novas colônias digitais

Data centers de IA podem consumir energia equivalente à de milhões de casas
A corrida global pela infraestrutura da inteligência artificial (IA) está redesenhando o mapa da economia digital.
À medida que empresas como Microsoft, Google e Amazon expandem seus gigantescos data centers, países do Sul Global tornam-se peças estratégicas — oferecendo território, energia e incentivos fiscais em troca de promessas de investimento.
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Argentina e Brasil despontam como novos polos desse movimento, mas o modelo adotado tende a aprofundar dependências tecnológicas e a comprometer a soberania digital da região.
Nos últimos dois anos, anúncios bilionários de novos complexos de computação em nuvem multiplicaram-se.
No Brasil, o governo federal e estados como São Paulo e Bahia celebraram a chegada de centros de processamento vinculados a grandes empresas de IA, vistos como símbolos de modernização econômica.
Na Argentina, planos semelhantes avançam em zonas industriais próximas de Buenos Aires e Córdoba.
ENTENDA: como funciona um data center e por que ele consome tanta água
Data center da Meta em Indiana, nos Estados Unidos
Divulgação/Meta
Lógica da inserção periférica, com pouco aprendizado tecnológico
No discurso oficial, trata-se de atrair inovação e posicionar o país na vanguarda tecnológica. Na prática, porém, a lógica predominante é a da inserção periférica: investimentos financiados externamente, com baixa exigência de conteúdo local e poucos efeitos de aprendizado tecnológico.
Essa dinâmica repete padrões conhecidos em setores como mineração e energia. A diferença é que agora o “recurso” a ser explorado inclui dados, eletricidade e infraestrutura digital — e sua gestão definirá as próximas décadas da economia global.
Data centers de IA demandam volumes colossais de energia e resfriamento. Estudos indicam que a operação de um único complexo pode consumir o equivalente ao abastecimento de uma cidade média.
Bolsões de privilégio energético
Em países onde o sistema elétrico já é pressionado, como o Brasil e a Argentina, essa demanda compete com a expansão industrial e o consumo residencial. A combinação de incentivos fiscais e tarifas subsidiadas transforma, em muitos casos, essas instalações em “bolsões de privilégio energético”.
Outro risco é a crescente assimetria informacional e contratual. Os acordos firmados com multinacionais de tecnologia raramente vêm acompanhados de cláusulas de transparência ou de compartilhamento de benefícios.
Os dados processados localmente — inclusive dados públicos e de usuários nacionais — permanecem sob controle de sistemas proprietários sediados no exterior.
Assim, reforça-se um modelo em que países hospedeiros fornecem espaço físico e energia, mas não capturam valor intelectual nem econômico significativo.
O conceito de soberania digital ajuda a compreender essa armadilha. Ele refere-se à capacidade de um Estado controlar, proteger e direcionar estrategicamente seus dados, infraestruturas e os fluxos de conhecimento que moldam a economia digital.
No Brasil, as políticas de transformação digital avançaram de forma fragmentada, sem uma estratégia articulada entre Estado, empresas e universidades.
Falta coordenação para usar a presença de grandes corporações como alavanca de fortalecimento tecnológico nacional — por exemplo, exigindo transferência de conhecimento, parcerias com centros de pesquisa ou adoção de padrões de transparência energética e de dados.
Há caminhos alternativos. Países da Ásia e da Europa vêm adotando condições regulatórias e de investimento mais exigentes, impondo obrigações ambientais, compromissos de inovação local e limites ao controle estrangeiro sobre dados sensíveis.
Na América Latina, Chile e Uruguai já incorporam elementos dessa agenda em suas políticas de transformação digital, associando o acesso a incentivos fiscais à comprovação de benefícios tecnológicos e de sustentabilidade.
Para Argentina e Brasil, a janela de oportunidade está aberta, mas não indefinidamente. A atual onda de investimentos em IA ocorre num contexto de reconfiguração geopolítica acelerada — em que a infraestrutura digital se tornou um ativo estratégico comparável às reservas de petróleo ou aos gasodutos do século XX.
Quem controla os servidores, a energia e os dados, controla também o ritmo da inovação e a direção do desenvolvimento.
Se a região optar por um modelo de mera recepção de capitais e equipamentos, consolidará sua posição como território de processamento — útil para as cadeias globais de IA, mas marginal nos retornos econômicos e no poder decisório.
Em contrapartida, políticas coordenadas de soberania digital poderiam transformar a presença de data centers em motor de capacitação técnica, integração produtiva e autonomia tecnológica.
Essa escolha, mais do que técnica, é profundamente política: trata-se de decidir se a nova economia digital será construída com ou sobre os países do Sul Global.
Armando Alvares Garcia Júnior não presta consultoria, trabalha, possui ações ou recebe financiamento de qualquer empresa ou organização que poderia se beneficiar com a publicação deste artigo e não revelou nenhum vínculo relevante além de seu cargo acadêmico.
Mega-Sena, concurso 3.000: prêmio acumula e vai a R$ 115 milhões

O sorteio do concurso 3.000 da Mega-Sena foi realizado na noite deste sábado (25), em São Paulo. Nenhuma aposta acertou as seis dezenas, e o prêmio para o próximo sorteio acumulou em R$ 115 milhões.
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Veja os números sorteados: 22 - 23 - 36 - 40 - 52 - 60.
5 acertos - 65 apostas ganhadoras: R$ 64.627,76
4 acertos - 5.255 apostas ganhadoras: R$ 1.317,67
O prêmio sorteado para quem acertasse as seis dezenas neste sábado foi de R$ 103.293.073,68.
O próximo sorteio da Mega-Sena será nesta terça-feira (28), às 21h.
Resultado do concurso 3.000 da Mega-Sena neste sábado (25)
Divulgação/Caixa
O g1 passou a transmitir, desde segunda-feira (20), todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
Acompanhe os sorteios no site do g1
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A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados.
Como funciona a Mega-sena
Para apostar na Mega-Sena
A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Salão de Pequim: grupo Chery mostra robôs humanoides de R$ 210 mil; VÍDEO

Robôs Aimoga Mornine M1 são apresentados no Salão de Pequim
Além dos carros da própria marca, a Chery levou ao Salão do Automóvel de Pequim alguns robôs humanoides Mornine M1. Eles já estão à venda na China por 285.800 yuans, o equivalente a cerca de R$ 210 mil, e foram desenvolvidos para atender pessoas nas lojas da empresa.
Os robôs foram desenvolvidos pela Aimoga Robotics, empresa chinesa ligada à Chery, fabricante conhecida pelos modelos Tiggo e também pelas marcas Omoda e Jaecoo, que chegaram recentemente ao Brasil.
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Anunciados para uso em empresas, entretenimento, trabalho e revenda, os robôs — com aparência inspirada em um corpo feminino — foram projetados para interagir com pessoas de maneira mais natural, seja de forma autônoma ou com controle remoto, em concessionárias e lojas.
(O repórter viajou para o evento a convite da Leapmotor e GWM.)
Durante o salão, apenas a interação com controle remoto estava disponível. Ela era feita por funcionários da Chery, que operavam os robôs a partir de um aplicativo em celulares Android, posicionados atrás de uma pilastra.
Os robôs dançavam, cantavam em inglês e falavam em mandarim para chamar a atenção do público que passava em frente ao estande.
No modo autônomo, a Mornine usa inteligência artificial para tomar decisões, tanto sobre a interação com pessoas quanto sobre as tarefas para as quais foi programada.
Segundo a fabricante, os robôs pesam 70 quilos e têm 1,68 metro de altura. Apesar de terem peso e tamanho semelhantes aos de um humano, a caminhada produzia um som pesado ao tocar o chão de madeira.
Ao todo, são 40 articulações, que permitem caminhar a uma velocidade de até um metro por segundo e levantar objetos com peso de até 1,5 quilo.
Aimago Mornine M1
André Fogaça/g1
A bateria garante cerca de duas horas de funcionamento por carga e precisa de mais duas horas na tomada para que o robô possa ser usado novamente.
A Aimoga afirma que, em 2025, já enviou 300 robôs para mais de 30 países ao redor do mundo. A lista inclui nações da Europa, mas a empresa não informa quais são.
Nissan deixa a Argentina e busca compradores para assumir a operação

Nissan Frontier era produzida na Argentina e exportada para o Brasil. Agora picape é fabricada no México.
Divulgação /Nissan
A Nissan anunciou nesta sexta-feira (24) que negocia com compradores interessados em assumir sua operação comercial na Argentina.
A marca já assinou um memorando de entendimentos com dois grupos empresariais. O objetivo é transformar a Argentina em um mercado distribuidor de produtos Nissan.
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Em março de 2025, a filial argentina da Nissan já havia fechado a fábrica de Santa Isabel, em Córdoba. Lá, desde 2018, era produzida a picape Frontier.
Desde então a Nissan operava no país vizinho exclusivamente como importador.
O comunicado da Nissan diz que a decisão faz parte da visão global de longo prazo da empresa.
“Por meio do seu plano de reestruturação Re:Nissan, a companhia continua avançando no fortalecimento de sua competitividade, na otimização de seu portfólio de produtos e na incorporação de tecnologias de próxima geração, estabelecendo bases sólidas para um crescimento sustentável no futuro”, diz o texto divulgado pela empresa.
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A Nissan também esclarece que o memorando de entendimento com o Grupo SIMPA e com o Grupo Tagle não constitui um acordo definitivo.
O processo, segundo a montadora, se encontra na etapa de análise. Isso implica uma revisão detalhada dos aspectos do negócio por parte das empresas envolvidas.
“As operações comerciais da Nissan na Argentina continuarão se desenvolvendo com normalidade, mantendo a comercialização de seu portfólio de produtos, o lançamento de novos modelos e a prestação dos serviços de atendimento e pós-venda por meio de sua rede de concessionários em todo o país”, diz o comunicado.
Chile e Peru
Em janeiro deste ano, a Nissan passou o controle de suas operações comerciais no Chile e Peru ao grupo espanhol Astara.
Os dois países, assim como deve acontecer com a Argentina, passaram a fazer parte do Nissan Importers Business Unit. Essa divisão da empresa é responsável pelos 36 mercados importadores da América Latina.
Salão de Pequim: conheça o GAC Aion UT, lançamento confirmado para o Brasil

GAC Aion UT
divulgação/GAC
A GAC revelou ao g1, durante o Salão do Automóvel de Pequim, que o próximo veículo a ser lançado no Brasil será o Aion UT. O modelo é um hatchback totalmente elétrico e deve ser anunciado oficialmente no país nas próximas semanas.
O Aion UT chega com a missão de disputar espaço com o BYD Dolphin, atualmente o segundo carro elétrico mais vendido do Brasil, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).
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No ranking da ABVE, o modelo teve 4.577 unidades emplacadas no primeiro trimestre de 2026. A liderança é do Dolphin Mini, com 14.767 registros no mesmo período.
Na comparação com o Dolphin GS — e não com a versão Plus —, o modelo da GAC é 15 centímetros mais comprido, com 4,27 metros de comprimento, ante 4,12 metros do concorrente. A distância entre os eixos, que influencia diretamente no espaço interno, também é 5 centímetros maior.
GAC Aion UT com adesivos e acessórios vendidos na China
André Fogaça/g1
(O repórter viajou para o evento a convite da Leapmotor e GWM.)
Com isso, o Aion UT oferece mais espaço para os passageiros e para a bagagem: são 440 litros de porta-malas, contra 250 litros do Dolphin GS.
A GAC ainda não informou quais serão o motor e as versões do Aion UT no Brasil. A fabricante adiantou apenas que o modelo passará por adaptações para o mercado nacional, como já aconteceu com o GS3, que recebeu uma central multimídia maior por aqui em relação à versão vendida na China.
Na China, o Aion UT é oferecido com duas opções de motor. A mais potente entrega 204 cv, enquanto a segunda é mais simples, com 136 cv. Ainda assim, mesmo a versão menos potente supera os 95 cv do Dolphin GS.
A configuração mais potente do Aion UT, portanto, fica no mesmo nível dos 204 cv do Dolphin Plus, versão topo de linha da BYD.
Em relação à bateria, também há duas opções para o mercado chinês. A versão menor tem 44,1 kWh, enquanto a maior chega a 60 kWh. O Aion UT conta ainda com a tecnologia V2L, que permite usar a energia do carro para alimentar outros equipamentos, como uma TV, um ventilador, iluminação ou até um videogame.
No interior, o Aion UT segue a tendência dos carros chineses ao oferecer uma lista generosa de equipamentos. Entre os destaques estão a central multimídia de 14,6 polegadas, o painel de instrumentos digital de 8 polegadas e o uso de materiais macios ao toque, que reduzem a presença de plástico rígido.
GAC Aion UT
André Fogaça/g1
O modelo também traz sistemas de assistência ao motorista, como controle de cruzeiro adaptativo, frenagem automática de emergência e carregador de celular por indução. Por outro lado, repete um ponto negativo comum em carros chineses: a concentração de muitos comandos na central multimídia e a ausência de alguns botões físicos no volante.
Vinhos soterrados por enchentes no RS viram edição especial; agricultores celebram retomada após tragédia

Agricultores testam novas variedades de uva no RS
Após enfrentarem a maior catástrofe ambiental da história do Rio Grande do Sul em 2024, os viticultores da Serra Gaúcha vivem um momento de alívio e celebração.
A safra deste ano é descrita como "emblemática", com uma produção que atingiu 905 mil toneladas — somando uvas de mesa e para a indústria —, um volume considerado acima da média, segundo dados da Emater-RS.
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A retomada, no entanto, não é apenas fruto do clima favorável, mas de uma combinação de uma alta no investimento em tecnologia e persistência por parte dos agricultores.
Vinhos soterrados
Edição especial dos vinhos da família Argenta, de Barão (RS), que ficaram soterradas durante as enchentes no Rio Grande do Sul.
Reprodução/Globo Rural
Até chegarem ao atual momento de celebração, os agricultores do Rio Grande do Sul passaram por perdas sucessivas.
O produtor Arnaldo Argenta, de Barão (RS), por exemplo, relata que sua propriedade sofreu com transbordamentos e enchentes por três anos consecutivos, entre 2023 e 2025.
Em maio de 2024, a família perdeu toda a produção que estava em processo de fermentação e teve máquinas cobertas pela lama. O prejuízo acumulado em três anos chegou a R$ 1,5 milhão.
Para seguir adiante, a família transformou a tragédia em um símbolo de resistência: das garrafas soterradas, 180 foram limpas e vendidas como a "Edição Inundação", acompanhadas de um poema sobre a força da terra e da água.
"A gente vai levar cinco anos para voltar ao estágio em que estávamos, mas a gente tem muita resiliência e vai conseguir", afirma Arnaldo. (veja detalhes no vídeo acima)
Poema escrito na embalagem da edição Inundação dos vinhos produzidos pela família Argenta, de Barão (RS).
Reprodução/Globo Rural
Tecnologia contra as mudanças climáticas
Para reduzir os riscos impostos pelas variações extremas do tempo, a aposta tem sido o sistema de cultivo coberto.
A técnica protege os frutos da chuva e reduz em até 90% a ocorrência de doenças fúngicas, permitindo uma irrigação direta no solo. Contudo, o custo de implantação é elevado, chegando a R$ 450 mil por hectare.
Além da proteção física, a pesquisa com novas variedades é fundamental. Em Santa Teresa, a família de João Paulo Berra mantém uma área experimental com 50 variedades de uvas europeias, como a Palava, originária da República Checa.
Essa uva é precoce, o que ajuda a escalonar a colheita e o processamento industrial, evitando a pressa excessiva nos períodos de pico.
Tradição que atravessa gerações
A viticultura na Serra Gaúcha é um legado que remonta à chegada dos imigrantes italianos em 1875. Atualmente, cerca de 15 mil famílias cultivam uva no estado, sendo que 90% da produção está concentrada na região serrana.
Para muitos, como para João Paulo Berra, a continuidade do trabalho é uma questão de "sangue nas veias". Mesmo trabalhando na cidade, ele retorna às origens todos os anos durante a colheita para manter viva a tradição da quinta geração da família.
"A viticultura não é só uma fonte de renda, é um legado. Passa de pai para filho", resume João Paulo.
De onde vem o vinho
Preço da carne bovina no atacado dispara 45% em dois anos e bate recorde, diz USP

Carne bovina
Foto de David Foodphototasty na Unsplash
O preço da carne bovina negociada no atacado da Grande São Paulo bateu recorde neste mês, após um aumento de 45% em dois anos.
A informação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), de Piracicaba (SP).
Segundo o órgão, neste mês, o preço médio da carcaça casada do boi — formada por traseiro, dianteiro e ponta de agulha — é R$ 25,05.
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Esse é o maior valor desde quando o Cepea iniciou o levantamento, em 2001. O preço supera em 11% o registrado no mesmo mês de 2025 e em 45% o de abril de 2024.
O pesquisador e coordenador de pecuária do Cepea, Thiago Bernardino de Carvalho, elencou dois fatores que contribuem para o aumento do valor:
menor oferta de animal pronto para o abate;
aumento de exportações.
Motivos
Segundo ele, o começo do ano — de janeiro a meados de abril — costuma ser um período em que os bovinos são mantidos no pasto, em razão das condições climáticas.
"Há uma oferta mais restrita de animal pronto para o abate. Tradicionalmente, no começo do ano, a gente tem volume de chuva, sol, em que eu tenho uma condição de pasto mais favorável", diz.
Thiago também apontou que a demanda exterior tem aumentado, com recorde de exportações no ano passado. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o Brasil exportou 3,5 mil toneladas de carne bovina em 2025. Em 2024, foram 2,9 mil.
"Neste ano, a gente começa também a bater recorde, em janeiro, fevereiro e março e abril, sinalizando também um cenário de exportação forte."
O pesquisador também destacou o impacto da demanda interna, impulsionada pela preferência do brasileiro pela carne bovina.
"Apesar do cenário de inadimplência do brasileiro, da preocupação em termos de gastos do orçamento familiar, o brasileiro gosta de comer carne bovina e, pelo menos até abril, vem mantendo um consumo relativamente positivo", afirmou.
Cesta básica
Esses aumentos, no entanto, trazem um impacto para os consumidores. Segundo o Índice de Cesta Básica de Piracicaba (ICB-Esalq), de março de 2026, o preço da carne de primeira aumentou R$ 10 por quilo desde o início do ano. Passou de R$ 44,24 em janeiro para R$ 54,84 no mês passado.
"As carnes bovinas de primeira e de segunda são dois produtos que têm um peso grande no nosso cálculo da cesta básica. São dois produtos importantes", diz Carlos Eduardo de Freitas Vian, professor do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Esalq.
Ele apontou que o valor deve subir ainda mais nas próximas semanas. Segundo o professor, neste momento de maior alta, a tendência é as pessoas trocarem a carne bovina por outra proteína, como frango, peixe e embutidos.
"É um peso grande, mas é um peso que pode ser substituído", afirma Carlos, que também é delegado do Conselho Regional de Economia de São Paulo em Piracicaba.
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Fim do Wayback Machine? Como a preservação da memória da internet está sobre pressão

Wayback Machine
Reprodução
Há 30 anos, o portal archive.org guarda a memória da internet. Sua plataforma Wayback Machine contém mais de um bilhão de sites arquivados e funciona como uma ferramenta imprescindível, que permite a jornalistas, pesquisadores, historiadores e juristas acessar conteúdos originais de páginas que foram alteradas ou até mesmo excluídas.
No entanto, esse projeto fundamental da entidade criada em São Francisco, nos EUA, enfrenta uma crise existencial. E a última ameaça vem justamente de quem mais precisa do arquivo — os veículos de imprensa.
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Um número cada vez maior de empresas de comunicação vem negando o acesso do Internet Archive aos seus conteúdos.
Segundo uma pesquisa da Nieman Foundation for Journalism, da Universidade de Harvard, pelo menos 241 portais de notícias de nove países já bloquearam o acesso da Wayback Machine. Entre eles estão o britânico The Guardian, o americano New York Times, o francês Le Monde e o USA Today, maior conglomerado jornalístico dos Estados Unidos.
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Abrindo mão de uma importante ferramenta
O próprio USA Today publicou recentemente uma reportagem mostrando como a polícia de imigração americana, o ICE, havia ocultado informações na web sobre sua política de detenção. Para a apuração, o jornal utilizou conteúdos da Wayback Machine do archive.org, contradizendo a própria política da empresa, que agora bloqueia o acesso da plataforma a seus artigos.
O motivo pelo qual os veículos de comunicação estão barrando o acesso à ferramenta que eles mesmos utilizam é simples. Os jornais temem que empresas de inteligência artificial, como OpenAI ou Google, acessem os conteúdos jornalísticos arquivados na plataforma para treinar seus modelos de linguagem — sem autorização e sem pagamento.
"O problema é que os conteúdos do New York Times no Internet Archive são utilizados pelas empresas de IA, que infringem direitos autorais para concorrer diretamente conosco", declarou o porta-voz do NYT, Graham James.
Milhares de consultas por segundo com robôs
De fato, dados mostram que, no site archive.org, inúmeros robôs são usados para buscar conteúdos jornalísticos e utilizá-los no treinamento de modelos de IA — obtendo, assim, exatamente as informações que lhes são negadas.
O diretor do Wayback Machine, Mark Graham, afirmou à revista Wired que algumas empresas chegaram a acessar os arquivos com dezenas de milhares de solicitações por segundo, a ponto de sobrecarregar temporariamente os servidores.
Era algo que o archive.org não esperava. A organização sem fins lucrativos se apresenta como uma entidade comprometida com a internet aberta.
"Exatamente como uma biblioteca clássica, oferecemos acesso gratuito a pesquisadores, historiadores, cientistas e pessoas com deficiência visual e ao público em geral. Nosso objetivo é possibilitar a todas as pessoas o acesso universal a todo o conhecimento", diz o lema da associação.
Isso também exclui a possibilidade de bloquear robôs e rastreadores — o que levou às sanções impostas por grandes editoras e empresas de mídia.
A Electronic Frontier Foundation (EFF), organização de direitos humanos especializada em questões digitais, compara a atitude dos veículos de imprensa a uma situação em que "um jornal proibisse bibliotecas de manter cópias de seu periódico".
A história da internet pode se perder para sempre
Desde então, mais de 100 jornalistas assinaram uma petição em apoio ao Internet Archive. Em carta aberta, eles afirmam:
"Em um cenário de mídia digital em que artigos desaparecem devido à perda de links, fusões de empresas ou cortes de custos, os jornalistas dependem frequentemente da Wayback Machine do Internet Archive para recuperar páginas que, de outra forma, estariam perdidas. Sem esse trabalho contínuo de preservação da Internet, grande parte da história jornalística recente já teria se perdido."
Mark Graham, do New York Times, afirmou também à Wired que está em conversas com as empresas de jornalismo para reaver o acesso. O desfecho ainda é incerto.
"Não há dúvida de que o bloqueio crescente de grande parte da internet pública prejudica a capacidade da sociedade de compreender o que está acontecendo em nosso mundo", confessou Graham.
Fragmentar a internet é inevitável?
Getty Images
Arquivo como infraestrutura pública
Repórter especializado em mídia e fundador do socialmedia watchblog.de, Martin Fehrensen vê no archive.org o único registro funcional da web aberta. Caso a plataforma não consiga mais cumprir essa função, isso teria consequências graves, diz ele à DW.
"Milhões de trechos da Wikipedia perderiam a referência; pesquisas sobre a responsabilidade das plataformas – ou seja, quais termos de uso vigoravam em cada momento, quais regras de moderação foram reformuladas e de que maneira – se tornariam significativamente mais difíceis; e as evidências digitais com valor probatório judicial seriam perdidas", explica, acrescentando que, especialmente para os veículos jornalístico, seria totalmente absurdo bloquear o arquivo.
Segundo Fehrensen, há duas maneiras de se resolver esse conflito. "Precisamos de um diálogo com os editores, com uma separação técnica clara entre o arquivamento e o treinamento de IA, pois esse é o verdadeiro conflito, não o arquivo em si", explica o jornalista.
A médio prazo, na opinião dele, deve ser criado um status jurídico especial para os arquivos da web. E, a longo prazo, o arquivamento da internet deve ser tratado como infraestrutura pública, não como um projeto isolado de uma ONG em São Francisco, acrescenta.
"O fato de que, em 2026, ele ainda dependa de uma única organização é a verdadeira falha estrutural", conclui.
Um conflito dramático – entre vários
Não é a primeira vez que o Internet Archive luta para continuar existindo. Em setembro de 2024, um ataque hacker ao site resultou no roubo de 31 milhões de contas de usuário. Foi um duro golpe, mas a organização conseguiu se recuperar.
No mesmo ano, o Archive perdeu um processo de direitos autorais em um tribunal de apelação dos EUA: as editoras Hachette, Penguin Random House, HarperCollins e Wiley entraram com uma ação contra o programa gratuito de empréstimo de e-books que o Archive havia lançado durante a pandemia de Covid-19, e obtiveram sucesso. Mais de 500 mil livros tiveram que ser retirados da plataforma. Mas o archive.org ainda enfrenta pedidos de indenização na casa dos milhões.
Em comparação com essas derrotas, a ameaça atual representada pelos bloqueios da mídia é estruturalmente mais grave, pois não pode ser sanada por uma decisão judicial ou uma atualização. Ela é o resultado de inúmeras decisões corporativas que, em conjunto, minam a essência do Wayback Machine: a documentação completa da internet pública.
Pacotes de inteligência artificial expõem dilema do Brasil na disputa entre EUA e China

Xi Jinping e Lula na China
Ricardo Stuckert / Presidência da República
Em 23 de julho de 2025, Donald Trump assinou ordem para exportar “pacotes completos” de inteligência artificial, colocando o Brasil entre destinos prioritários ao lado de Egito e Indonésia. A medida intensifica a disputa com a China por influência tecnológica global.
No mesmo período, o Brasil firmou memorando com Pequim e negocia com Washington, enquanto amplia dependência de infraestrutura digital estrangeira.
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O Brasil está nominalmente na lista de destinos prioritários. Ao lado do Egito e da Indonésia, o país figura entre os mercados emergentes onde a presença americana precisa ser consolidada, antes que a influência chinesa se torne irreversível.
Para entender o que isso representa na prática, vale olhar o que aconteceu com o Japão. Em outubro de 2025, durante a visita de Trump a Tóquio, os dois países assinaram um “Technology Prosperity Deal”, um acordo de alinhamento em política de IA que vai muito além da compra e venda de hardware.
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O documento inclui compromissos sobre padrões técnicos, frameworks de governança, fluxo de dados e cooperação em segurança digital. O Japão passou a integrar estruturalmente a órbita tecnológica americana, não apenas como parceiro comercial, mas como parceiro normativo. Washington quer replicar esse modelo em escala.
A lógica americana é clara e, num certo sentido, legítima. A China exporta tecnologia de IA num modelo que analistas descrevem como “full-stack com condições embutidas”: hardware subsidiado, software com lógica de caixa preta e frameworks de governança que replicam o modelo regulatório de Pequim.
Washington entendeu que competir chip a chip não é suficiente. É preciso exportar o ecossistema inteiro e, com ele, a arquitetura normativa que o acompanha.
Para o Brasil, o problema é que os dois modelos chegam com política externa no rodapé do contrato.
Em 2025, o governo Lula assinou um memorando de entendimento com a China para aprofundar a colaboração em inteligência artificial. No mesmo período, Brasília avançava nas conversas com Washington sobre o programa de exportação de IA e recebia anúncios de bilhões de dólares em data centers da Microsoft, Amazon e Oracle.
Do ponto de vista diplomático, é um malabarismo admirável. Do ponto de vista tecnológico, é uma contradição estrutural que vai cobrar seu preço mais cedo do que se imagina.
A questão central não é quem vende o chip. É quem treinou o modelo.
Os grandes sistemas de linguagem e tomada de decisão que o setor público e privado brasileiro já usa, na análise de crédito, na triagem de políticas, na recomendação de conteúdo e na gestão de contratos foram desenvolvidos majoritariamente por empresas americanas, segundo padrões americanos, com dados que refletem realidades americanas.
O viés não é necessariamente malicioso. Mas é estrutural. E tende a se aprofundar na medida em que o Brasil sustenta sua infraestrutura cognitiva sobre servidores sujeitos ao CLOUD Act americano, a lei que autoriza o governo federal dos EUA a requisitar dados armazenados por provedores americanos em qualquer jurisdição do mundo, independentemente de onde o servidor esteja fisicamente localizado.
O próprio debate regulatório revela a ambiguidade. O Senado brasileiro tem acompanhado de perto o AI Act europeu como referência normativa para sua legislação nacional, e o projeto em discussão cria um sistema de governança de IA sob a responsabilidade da Autoridade Nacional de Proteção de Dados.
Na teoria, é soberania. Na prática, o discurso regulatório aponta para autonomia, mas a implementação é operada por corporações multinacionais americanas. O Brasil faz a lei, mas quem comanda a infraestrutura sobre a qual essa lei incide são outros.
Isso não é uma acusação. É uma descrição de como o poder funciona no século 21.
Brasil é maior mercado de dados da América Latina
A boa notícia é que o Brasil tem cartas genuínas nessa mesa. É o maior mercado de dados da América Latina, tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, o que importa imensamente para data centers, e produziu o PIX, um dos sistemas de pagamentos digitais mais sofisticados em operação no planeta.
Quando Washington e Pequim disputam o Brasil como parceiro de IA, não o fazem por generosidade. É porque o país tem o que ambos precisam: escala, energia e população conectada. A dependência, se vier, será escolhida, não imposta.
A pergunta que o debate público brasileiro ainda não fez com a seriedade necessária é esta: ao aceitar o pacote completo de IA americano, com seus chips, seus modelos, seus padrões de governança e suas obrigações de compliance, o que o Brasil está abrindo mão em troca?
Não em termos comerciais, mas em termos de autonomia sobre decisões que, daqui a dez anos, serão tomadas por sistemas que alguém, em algum lugar, já programou.
Você manda currículo e ninguém responde? IA está te eliminando? O que mudou nos processos seletivos

Por que ninguém responde seu currículo?
Por muitos anos, a fórmula para conseguir um emprego parecia clara: formação, experiência e disponibilidade para assumir a vaga.
Esses critérios continuam no centro das decisões de contratação, e ninguém no mercado sério discute isso. O que mudou é que, nos últimos anos, eles deixaram de ser suficientes para garantir avanço em um processo seletivo.
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Mesmo candidatos qualificados passaram a esbarrar em uma etapa invisível da seleção. Ferramentas de inteligência artificial passaram a organizar, priorizar e filtrar perfis antes mesmo de qualquer análise humana. Nesse cenário, saber fazer o trabalho já não basta. É preciso, antes de tudo, ser notado.
A engenheira de produção Samanta Santos conhece bem essa sensação. Com formação técnica, experiência em diferentes áreas e abertura para diferentes modelos de contratação, ela segue enviando currículos e acumulando silêncios.
“Existem vagas para as quais me inscrevi em outubro e nunca tive retorno. Na semana passada, três processos dos quais eu participava foram encerrados ao mesmo tempo, sem explicação (...). Até hoje, nenhum processo realizado por plataformas digitais avançou para mim”, desabafa.
A experiência de Samanta se tornou comum em um mercado que amplia as oportunidades e intensifica a disputa ao mesmo tempo.
No Brasil, seis em cada 10 profissionais afirmam que buscar emprego ficou mais difícil no último ano, segundo levantamento do LinkedIn. Entre os fatores mais citados estão o aumento da concorrência (55%) e a percepção de processos mais exigentes (50%).
Como brasileiros enxergam mercado de trabalho
g1/ Alberto Correa
Esse contexto ajuda a explicar por que a inteligência artificial passou a ocupar um lugar central no debate.
O uso da tecnologia avançou rapidamente. Mais da metade das organizações ouvidas pela Society for Human Resource Management (SHRM) afirmou ter utilizado inteligência artificial em processos de recrutamento em 2025.
Ao mesmo tempo, os candidatos também passaram a recorrer a essas ferramentas: estima-se que cerca de um terço dos usuários do ChatGPT tenha utilizado o chatbot para apoiar a busca por emprego.
Na prática, isso criou uma dinâmica: sistemas automatizados filtram candidatos que, por sua vez, usam tecnologia para tentar se destacar dentro desses mesmos sistemas.
“A inteligência artificial deu rosto a um problema que já existia, o de disputar vagas em um mercado cada vez mais competitivo”, analisa Milton Beck, diretor-geral do LinkedIn para a América Latina.
Com o desemprego nos menores níveis da série histórica do IBGE, o Brasil vive um período intenso de mobilidade profissional. Nesse cenário, trabalhadores empregados se sentem mais confiantes para buscar novas oportunidades, motivados por melhores salários, flexibilidade ou crescimento na carreira.
O efeito prático é um aumento expressivo do número de candidatos por vaga, muitos deles com trajetória sólida e sem urgência imediata para trocar de emprego.
“As empresas hoje escolhem entre profissionais muito qualificados. Isso torna as decisões mais criteriosas e, naturalmente, mais lentas”, afirma Beck.
Jhennyfer Coutinho, chefe da experiência para pessoas candidatas da Gupy, observa que há casos em que uma empresa recebe milhares de candidaturas e ainda assim consegue operar com rapidez graças a uma triagem eficiente.
Ela cita seleções que chegam a reunir 17 mil candidatos em apenas dois dias, especialmente em empresas com marcas muito fortes, sem que isso comprometa a triagem inicial. Em outros, a ausência de etapas estruturadas transforma a análise de currículos em um gargalo inevitável.
Entre os profissionais de atração de talentos que já testaram ou integraram a IA generativa, 70% dizem que a tecnologia melhora a eficiência da contratação. Outros 47% avaliam que os anúncios de vagas se tornam mais assertivos, e 33% apontam melhora na qualidade das escolhas.
Quando a tecnologia consegue organizar esse volume, o gargalo tende a surgir em outra etapa: aquelas que ainda dependem exclusivamente da decisão humana. Entrevistas, reuniões com gestores e validações internas seguem condicionadas a agendas, alinhamentos e critérios subjetivos.
Além disso, o custo de uma contratação equivocada faz com que as empresas adotem uma postura cada vez mais cautelosa.
É nesse momento que o processo desacelera, explica Thomas Costa, head de growth da Pandapé e da Redarbor.
Para quem está do lado de fora, a sensação é de estagnação; para a empresa, o processo continua em andamento, ainda que silencioso. Nesse período, pesa também o fato de haver mais candidatos empregados disputando as vagas.
“Esse perfil [profissional que já está empregado] não tem a mesma urgência ou velocidade para responder ou marcar uma entrevista do que alguém que está desempregado”, diz.
Outro fator que reforça essa percepção é a forma como os sistemas operam. Plataformas de recrutamento afirmam que a inteligência artificial não elimina candidatos, mas organiza os perfis conforme a compatibilidade aos critérios da vaga.
Na prática, porém, em processos com milhares de inscritos, quem aparece nas últimas posições dificilmente será avaliado.
É essa dinâmica que alimenta a sensação de exclusão.
"O robô afunila demais. Se não tem a palavra certa, o currículo cai. Ele não vê o potencial", afirma Samanta.
Samanta Santos vive há meses a frustração de processos seletivos que não avançam.
Samanta Santos
Segundo o levantamento do LinkedIn, 29% dos brasileiros dizem não entender como a inteligência artificial é usada nos processos seletivos, e 28% desconfiam se as candidaturas são avaliadas de forma justa. Esse desconhecimento amplia o desgaste emocional da busca por emprego
Silêncio, vagas fantasmas e desgaste emocional
Entre todas as frustrações relatadas por quem procura trabalho, a falta de retorno aparece como a mais persistente.
"O candidato não é só um número", lamenta Samanta.
Esse desgaste transborda para as redes sociais, onde hashtags como #venceragupy se tornaram símbolo da frustração coletiva.
A Gupy reconhece o peso emocional dessa percepção, mas ressalta que o funil é naturalmente estreito. Em 2024, houve 36 milhões de inscrições para cerca de 1 milhão de vagas na plataforma.
A empresa decidiu agir diante da sensação de "vagas fantasmas", anúncios que permanecem abertos por meses sem intenção real de contratação.
Desde o fim de 2024, passou a realizar um fechamento trimestral de vagas inativas. Nesse processo, identificou 24 mil vagas sem movimentação, que acumulavam cerca de 4 milhões de candidaturas.
A Redarbor observa fenômeno semelhante. Segundo Thomas Costa, algumas empresas mantêm processos abertos em silêncio como estratégia para reaproveitar candidatos no futuro.
“Elas não querem descartar formalmente alguém que ainda pode voltar para o processo”, explica.
O que pode mudar
Para os entrevistados desta reportagem, acelerar os processos seletivos passa menos pelo avanço tecnológico e mais por decisões internas. Muitos gargalos persistem porque empresas mantêm etapas que já não se justificam, mas sobrevivem por tradição ou excesso de cautela.
Outro ponto central é a transparência. Processos sigilosos, nos quais o candidato não sabe quantas fases existem, quanto tempo cada uma deve durar ou o que está sendo avaliado, reforçam a percepção de desorganização.
“Informar o caminho, mesmo que de forma simples, reduz ruído, alinha expectativas e torna a experiência menos desgastante”, afirma Jhennyfer Coutinho.
E nada disso funciona sem comunicação. A ausência de retorno, ainda que mínimo, cria uma ruptura difícil de reparar.
O feedback não precisa ser longo, mas precisa existir. Ele devolve ao candidato a sensação de acompanhamento humano — e não apenas a de um desaparecimento silencioso —, apontam os entrevistados.
Em um mercado em que o tempo investido em cada processo é alto, não responder deixa de ser apenas uma falha. Passa a ser parte do problema.
Enquanto isso, Samanta segue tentando. Já são quase seis meses entre buscas, testes e formulários preenchidos, conciliando tudo com a rotina de cuidar de dois filhos pequenos.
“Uma hora vai. Só queria que o caminho fosse menos escuro”, conclui.
Samanta Santos é engenheira de produção, mãe de dois filhos, e enfrenta há meses processos seletivos longos e silenciosos na tentativa de se recolocar no mercado.
Samanta Santos
Antes de IPO, SpaceX aposta em IA para empresas como mercado maior que o de foguetes

Logos da Tesla, Neuralink, SpaceX, The Boring Company e SolarCity aparecem em frente à foto de Elon Musk
REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração/Foto de arquivo
No último quarto de século, Elon Musk revitalizou as viagens espaciais e transformou a exploração cósmica em um negócio próspero. Agora, a SpaceX mira uma oportunidade ainda maior em um campo mais mundano: a criação de inteligência artificial para empresas.
A SpaceX calcula que seu mercado total endereçável (TAM, na sigla em inglês) — métrica acompanhada de perto por investidores — pode chegar a US$ 28,5 trilhões, segundo um registro S-1 analisado pela Reuters. O TAM representa a receita máxima que uma empresa poderia alcançar se conquistasse todos os clientes de um mercado.
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O registro regulatório S-1, no qual empresas divulgam finanças e riscos antes de abrir capital, indica que a SpaceX espera que mais de 90% desse mercado — ou US$ 26,5 trilhões — venha do setor de IA. A maior parte desse valor, cerca de US$ 22,7 trilhões, estaria na IA voltada a empresas.
A companhia avança com a oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês), prevista para o verão no hemisfério norte (de junho a setembro), com avaliação estimada em cerca de US$ 1,75 trilhão. A empresa pretende levantar aproximadamente US$ 75 bilhões, o que pode tornar a operação a maior da história.
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"Acreditamos que identificamos o maior mercado endereçável e acionável da história da humanidade", disse a empresa no registro.
As novas informações sobre onde a SpaceX enxerga sua maior oportunidade contrastam com a forma como a empresa ganha dinheiro hoje. A companhia não respondeu a pedido de comentário.
Embora o TAM não seja uma previsão nem uma avaliação, ele é um indicador importante para investidores que analisam o potencial de crescimento de uma empresa.
Esses números costumam ser elevados e raramente questionados. Quando abriu capital, em 2019, a Uber estimou uma oportunidade de mercado de US$ 5,7 trilhões apenas para o negócio de transporte por aplicativo.
A oportunidade bilionária apontada pela SpaceX, detalhada em mais de 300 páginas de documentos financeiros, reforça o desejo antigo de Musk de ter papel central no avanço da IA.
Atualmente, o mercado de IA para empresas é dominado por Anthropic e OpenAI, que disputam a liderança do setor. As duas já indicaram intenção de abrir capital ainda neste ano.
Em fevereiro, a SpaceX adquiriu a xAI, empresa de pesquisa em IA fundada por Musk no início de 2023. O documento analisado pela Reuters indica que a xAI ainda é uma operação incipiente e altamente deficitária.
A unidade de IA registrou prejuízo operacional de US$ 6,4 bilhões em 2025, acima dos US$ 1,6 bilhão do ano anterior.
As perdas eclipsaram os US$ 4,4 bilhões de lucro operacional da Starlink, serviço de internet via satélite e principal fonte de receita da empresa. A Starlink respondeu por US$ 11,4 bilhões da receita total de US$ 18,7 bilhões no ano passado. No consolidado, a SpaceX teve prejuízo de US$ 4,9 bilhões.
A unidade de IA também demanda altos investimentos. Em 2025, o capex total da SpaceX chegou a US$ 20,7 bilhões, sendo US$ 12,7 bilhões destinados à IA — mais do que o gasto somado com os negócios espaciais e de conectividade.
A empresa afirma que pode aproveitar ferramentas da xAI, como o Grok Enterprise e uma plataforma autônoma em desenvolvimento com a Tesla, chamada Macrohard.
No documento, a empresa alertou investidores sobre os planos de investir pesadamente no desenvolvimento de IA e outras tecnologias, incluindo a fabricação de componentes essenciais, como as unidades de processamento gráfico (GPUs).
A SpaceX também pretende montar uma equipe de vendas especializada e enviar profissionais, chamados de engenheiros avançados, para atuar diretamente com clientes e apoiar a adoção de IA.
“Acreditamos que nossa estratégia empresarial, focada em atender às necessidades digitais dos maiores setores do mundo com soluções de IA, nos posiciona de forma competitiva para aproveitar essa oportunidade de rápido crescimento”, disse a SpaceX no documento.
Uma fonte familiarizada com as finanças da empresa não ficou convencida. “Se você decidir que vai ser realmente conservador em relação a isso e valorar apenas os negócios que eu realmente consigo ver, você não vai chegar nem perto do valor que o mercado quase certamente vai atribuir", disse.
SpaceX, xAI, X, Starlink... entenda a relação entre empresas de Musk
Taxa das blusinhas: receita dos Correios com encomendas internacionais cai de 22% para 8%

A participação das receitas com a distribuição de encomendas internacionais nas contas dos Correios caiu de 22% em 2023 para 7,8% em 2025, segundo as demonstrações financeiras da estatal publicadas no Diário Oficial da União na quinta-feira (24).
A queda está relacionada à criação do programa Remessa Conforme, do Ministério da Fazenda, que encerrou o monopólio dos Correios na distribuição de encomendas internacionais no Brasil e reduziu a receita da empresa nos últimos dois anos.
Em 2024, a estatal tinha registrado uma receita de R$ 3,9 bilhões com encomendas internacionais, já com uma redução de R$ 530 milhões para 2023.
Em 2025 o valor caiu para R$ 1,3 bilhão, com uma redução de R$ 2,6 bilhões em relação ao ano anterior.
Um documento produzido pela Diretoria Econômico-Financeira (Diefi) da instituição aponta que a criação do programa "Remessa Conforme" escancarou os problemas econômico-financeiros da empresa.
"A redução da participação de mercado no segmento de encomendas internacionais, que até agosto de 2024 representava uma espécie de “monopólio” para os Correios, evidenciou a ausência de reposicionamento negocial da Empresa, diante das transformações do comportamento da sociedade", afirmou o documento assinado pela diretora Loiane de Carvalho Bezerra de Macedo.
Tesouro aprova empréstimo para Correios de R$ 12 bilhões com garantias da União
Jornal Nacional/ Reprodução
Taxa das blusinhas
Em 2023, o governo criou o programa Remessa Conforme que passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. Até então, essas compras estavam isentas para empresas. A medida ficou conhecida como "taxa das blusinhas".
Com a instituição do programa, a legislação brasileira passou a permitir que empresas de transportes façam o frete pelo Brasil de mercadorias internacionais, deixando de ser obrigatória a distribuição das encomendas junto aos Correios, como era feito até então.
A medida gerou um impacto significativo nas receitas dos Correios. Um estudo produzido pela empresa no começo de 2025 apontou que a estatal teve um prejuízo de receita de R$ 2,2 bilhões após o implemento do programa.
Redução de transporte de encomendas
Um documento interno dos Correios aponta que o volume de encomendas internacionais transportadas caiu cerca de 110 milhões de objetos nos nove primeiros meses de 2025, na comparação com o mesmo período de 2024.
Ao todo, a empresa transportou 149 milhões de pacotes até setembro de 2024, contra 41 milhões de encomendas no mesmo período do ano passado.
Tráfego Postal Internacional
Reprodução/ Correios
Com a difusão das compras por meio de marketplaces internacionais nos últimos anos, a receita com encomendas estrangeiras, que já chegou a responder por quase 25% de todo o faturamento da empresa, agora representa apenas 8,8%.
Em julho de 2024, a empresa transportou 21 milhões de pacotes e teve uma receita de R$ 449 milhões, contra 3 milhões de encomendas e R$ 87 milhões em receita em setembro passado — a menor quantidade em 23 meses.
Ciclo vicioso de prejuízo
Essa frustração de receitas gerou um "ciclo vicioso de prejuízos" nos últimos anos, admitido pelos próprios Correios.
"Formou-se, assim, um ciclo vicioso de perda de clientes e receitas, decorrente da baixa qualidade operacional, que reduziu progressivamente a geração de caixa necessária para regularizar as obrigações dos Correios", afirmou a diretora Loiane de Carvalho Bezerra de Macedo.
Segundo o documento, o agravamento da performance operacional foi o principal responsável pelos prejuízos recorrentes registrados pela empresa nos últimos trimestres.
"As negociações com grandes clientes — responsáveis por mais de 50% da receita de vendas — tornaram-se cada vez mais sensíveis, comprometendo acordos e frustrando expectativas de resultado", completou.
Mega-Sena pode pagar R$ 100 milhões neste sábado; g1 transmite ao vivo

Mega-Sena sorteia prêmio de R$ 100 milhões neste sábado (25)
O concurso 3.000 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 100 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h deste sábado (25), em São Paulo.
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No concurso da última quinta-feira, nenhuma aposta acertou as seis dezenas.
O g1 passou a transmitir, desde segunda-feira (20), todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
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A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
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A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Salão de Pequim: GWM Tank 300 ganha motor híbrido plug-in flex no Brasil, por R$ 342.000

GWM Tank 300 flex
divulgação/GWM
A GWM anunciou, neste sábado (25), durante Salão do Automóvel de Pequim, o Tank 300 equipado com motor híbrido plug-in flex. Trata-se do primeiro veículo do mundo a utilizar esse tipo de conjunto, que chega custando R$ 342.000, R$ 3 mil acima da versão a gasolina - R$ 339.000.
A chegada desse tipo de motorização não surpreende, já que, desde 2024, a GWM informava ter iniciado o desenvolvimento de seu primeiro motor híbrido flex. Naquele momento, a previsão era estrear o conjunto no SUV Haval H6.
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Em entrevista ao g1, Ricardo Bastos, diretor de relações institucionais e governamentais da GWM Brasil, explicou que a escolha do Tank 300, em vez do Haval H6, como modelo de estreia, se deu pela quantidade de versões disponíveis do veículo.
“No H6 você tem híbrido plug-in e híbrido pleno em mais de uma configuração, o que aumenta a complexidade da transição do modelo”, apontou.
GWM Tank 300 PHEV Flex
Divulgação / GWM
O executivo apontou que, neste momento, já não existe estoque do Tank 300 movido apenas a gasolina. “Todos os carros do estoque já são flex”, disse.
(O repórter viajou para o evento a convite da Leapmotor e GWM.)
No Brasil, o Tank 300 é vendido em uma única configuração, que combina um motor 2.0 turbo a gasolina com um sistema elétrico capaz de percorrer até 75 quilômetros no modo totalmente elétrico, sem consumo de combustível.
O modelo aposta em um visual robusto, com proposta mais tradicional, mas traz claras referências a concorrentes já conhecidos do público.
GWM Tank 300 inaugura segunda invasão chinesa ao Brasil
As principais referências estão:
O estepe traseiro sem cobertura, instalado em uma tampa de porta-malas que abre para a direita e tem maçaneta vertical, remete diretamente ao Jeep Wrangler;
As lanternas traseiras lembram as do Land Rover Defender 90;
Os parabarros sobre as rodas e os faróis redondos trazem inspiração nos modelos aventureiros da Jeep e do Mercedes Classe G;
O acabamento interno, com saídas de ar redondas, relógio analógico e detalhes cromados sobre as grelhas dos alto-falantes, também segue o estilo da Mercedes;
Já os faróis, embora redondos, são “cortados” por listras iluminadas muito semelhantes às do Ford Bronco.
O Tank 300 segue à risca a cartilha de um verdadeiro 4x4. Começa pela construção em chassi sobre carroceria, que torna o conjunto mais firme e resistente, especialmente fora do asfalto.
No uso off-road, o sistema funciona de forma semelhante: um bloqueio central distribui a força do motor para as rodas traseiras — e ainda é possível travar os diferenciais dianteiro e traseiro para reforçar o desempenho 4x4 e garantir tração mesmo em terrenos difíceis.
O Tank 300 também conta com um piloto automático adaptativo, desenvolvido para uso fora de estrada, e uma interface especial na central multimídia. Nesse último caso, o carro exibe dados como inclinômetro, bússola, pressão atmosférica, altitude, ângulo de esterço das rodas e inclinação longitudinal e lateral.
Além disso, o veículo conta com uma entrada de ar do motor elevada, ideal para enfrentar ruas ou trechos alagados. A altura livre do solo de 22,2 cm e da suspensão, macia na medida certa para o off-road, ajudam a absorer os solavancos — inclusive no asfalto irregular — sem perder a estabilidade.
Governo publica regras que ampliam crédito para a reforma de imóveis; teto passa de R$ 30 mil para R$ 50 mil

O governo federal publicou em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira (24) as novas regras da linha de financiamento para reformas habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV).
As mudanças foram anunciadas na quarta-feira (15) juntamente com alterações nas faixas de renda e nos valores dos imóveis do MCMV (veja detalhes abaixo).
O público-alvo foi ampliado. Eram elegíveis à linha de financiamento famílias com renda de até R$ 9,6 mil. Agora, podem tomar o crédito famílias com renda de até R$ 13 mil.
Com a publicação das alterações, também passa a valer o novo valor máximo da reforma: R$ 50 mil. Antes, o teto estava fixado em R$ 30 mil. O prazo dos financiamentos também mudou, de 60 para 72 meses, a uma taxa de 0,99% ao mês.
Condomínio de prédios do programa Minha Casa, Minha Vida em Manaus
Clóvis Miranda/Semcom/Prefeitura de Manaus/Divulgação
Novas regras compra imóveis
Na quarta-feira (22), entraram em vigor as novas regras de financiamento de imóveis do Minha Casa, Minha Vida (MCMV). As mudanças ampliaram o alcance do programa para imóveis de até R$ 600 mil e também para famílias com renda mensal de até R$ 13 mil.
Segundo o governo federal, ao menos 87,5 mil famílias brasileiras devem ser beneficiadas com as novas condições de financiamento.
💰 Novos limites de renda por faixa
Faixa 1: passou de R$ 2.850 para até R$ 3.200
Faixa 2: passou de R$ 4.700 para até R$ 5.000
Faixa 3: passou de R$ 8.600 para até R$ 9.600
Faixa 4: passou de R$ 12.000 para até R$ 13.000
🏢 2. Novos valores máximos dos imóveis
Faixas 1 e 2: de R$ 210 mil a R$ 275 mil, a depender da localidade;
Faixa 3: de até R$ 350 mil para até R$ 400 mil;
Faixa 4: de até R$ 500 mil para até R$ 600 mil.
Governo desiste de uso do FGTS para pagar débitos de endividados e foca em nova fase do Desenrola

Ana: Saque do FGTS foi descartado para socorro a endividados
Depois de semanas de discussão, o governo federal desistiu da proposta de permitir o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a população abater dívidas e deve apostar em uma nova fase do programa Desenrola.
O governo encontrou dificuldades jurídicas para viabilizar o uso do FGTS para quitação ou redução de dívidas. (veja aqui como o assunto impacta a eleição)
A decisão está em fase final de discussão dentro da área técnica do governo e pode ser fechada na próxima segunda-feira (27), quando o ministro da Fazenda, Dario Duringan, se reúne com representantes dos principais bancos em São Paulo.
💰 Uma nova fase do programa que permitiu renegociação de dívidas seria uma forma de ajudar famílias endividadas por conta dos juros altos e dívidas que se avolumam.
Celular vira a principal forma de sacar o FGTS; saiba em quais situações o resgate é permitido
Jornal Nacional/ Reprodução
Pesquisa do instituto de pesquisas Datafolha mostrou que o endividamento atinge dois em cada três brasileiros.
O desenrola foi promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022 e é considerado um programa importante do início do atual governo.
Impacto eleitoral
Depois do pacote para combater os efeitos da guerra no Oriente Médio no Brasil, o governo definiu o socorro aos brasileiros endividados como prioridade para o primeiro semestre deste ano, como informou o blog do jornalista Valdo Cruz.
O presidente Lula pediu ao ministro da Fazenda para levantar medidas para o refinanciamento das dívidas de brasileiros.
A medida têm um componente eleitoral, principalmente num momento em que Lula enfrenta novamente uma fase de aprovação ruim dos brasileiros.
Lula não quer inflação em alta durante a campanha eleitoral, nem que as famílias continuem reclamando que seu orçamento não está fechando no final do mês.
Passagens aéreas sobem quase 20% em março, diz Anac

Movimentação intensa de passageiros no Aeroporto de Congonhas
RENATO S. CERQUEIRA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Os preços das passagens aéreas subiram 19,4% em março em relação ao mesmo período de 2025, informou nesta sexta-feira (24) a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
🔎 O indicador utilizado pela agência é o valor médio pago por quilômetro voado (yield), que ficou em R$ 0,5549 no mês. Ele mede o preço efetivamente cobrado pelas companhias aéreas por distância percorrida e permite uma leitura mais precisa das tarifas no setor.
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A alta ocorre em meio à disparada do preço do petróleo, após a escalada do conflito no Oriente Médio. O barril do tipo Brent acumula alta de cerca de 45% no período. Isso impacta derivados como o querosene de aviação (QAV), usado pelo setor aéreo.
Apesar do aumento, a agência afirmou que a variação está dentro da margem típica do setor e ocorre “mesmo com o contexto atual de conflitos externos".
Segundo a Anac, a tarifa real média em março foi de R$ 707,16, alta de 17,8% em relação a março de 2025 e de 0,9% frente a março de 2024, já em valores corrigidos pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). "A tarifa real média vem em processo de queda desde 2023", afirmou a agência.
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Preocupação do setor
No início deste mês, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) afirmou que o reajuste de 54,6% no preço do querosene de aviação (QAV), aplicado em abril, poderia gerar “consequências severas” para o setor — sem mencionar eventual aumento nos preços das passagens.
Segundo a entidade, a alta, somada ao reajuste de 9,4% aplicado desde 1º de março, fez com que o combustível passasse a representar 45% dos custos operacionais das companhias aéreas. Até então, a fatia superava 30%.
"A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo", disse, em nota, a Abear.
A declaração ocorreu poucas horas após a confirmação de que a Petrobras elevou, em abril, o preço médio de venda do querosene de aviação às distribuidoras. Os ajustes do QAV ocorrem no início de cada mês, conforme previsto em contrato.
Aviação cresce em março
A movimentação da aviação civil brasileira também cresceu no mês. Foram 10,6 milhões de passageiros transportados, somando voos domésticos e internacionais, no maior volume já registrado para o período.
Do total, 8 milhões de passageiros viajaram em rotas domésticas e 2,6 milhões em voos internacionais.
No comparativo anual, o número total de passageiros cresceu 3,1% em relação a março de 2025. O avanço foi puxado principalmente pelo mercado internacional, que teve alta de 8,9%, enquanto o segmento doméstico avançou 1,3%.
Os dados fazem parte do relatório de demanda e oferta da Anac, atualizado com a série histórica até março de 2026.
A agência também registrou crescimento na demanda e na oferta de voos. A demanda, medida pelo total de passageiros multiplicado pela distância percorrida, aumentou 7,8% no mercado doméstico.
Já a oferta — calculada pelo número de assentos disponíveis em relação aos quilômetros voados — teve alta de 7,9%. Já no segmento internacional, a demanda subiu 3,3% e a oferta avançou 0,4%.
No transporte de cargas, foram movimentadas 117,5 mil toneladas no total, uma leve queda de 0,3% na comparação anual.
Auditoria externa faz ressalva e diz que precatórios a serem pagos pelos Correios podem não ter valor informado

Prejuízo dos Correios atingiu R$ 8,5 bilhões em 2025
A auditoria externa contratada pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, os Correios, para analisar as demonstrações financeiras de 2025 alertou que os precatórios a serem pagos pela estatal podem não ter o valor informado.
De acordo com a auditoria, os Correios ainda não têm um processo de mensuração preciso dos processos judiciais e precatórios a pagar que não deixem qualquer dúvida a respeito do real valor que a empresa deve pagar.
🔎 Precatório é uma ordem de pagamento; quando a Justiça obriga o município, o estado ou a União – neste caso, uma empresa estatal – a pagar uma dívida que tem com uma pessoa física ou jurídica.
💰 As informações da análise foram publicadas no "Diário Oficial da União". Atualmente, a empresa registra uma obrigação de pagamento de precatórios no valor de R$ 6,4 bilhões.
"Diante dessas circunstâncias, não foi possível concluir, mesmo com a aplicação de procedimentos alternativos de auditoria, sobre a adequação integral do saldo da provisão para contingências vinculadas aos processos e de seus eventuais reflexos contábeis correlatos no resultado do exercício", justificou a auditoria.
Em função da imprecisão no cálculo do montante devido por conta de processos judiciais, os Correios tiveram que fazer ajustes nas demonstrações financeiras de 2023 e 2024, para inserir mais R$ 1,6 bilhão de expectativa de perdas em disputas judiciais.
O setor de contabilidade dos Correios afirmou que reapresentou os dados em atendimento à recomendação da Controladoria-Geral da União (CGU).
💰 Além disso, foram revertidos R$ 144 milhões a mais destinados para esse gasto em 2024, causando uma ligeira redução no prejuízo dos Correios no ano retrasado, passando de R$ 2,6 bilhões para R$ 2,4 bilhões.
Na tarde de quinta-feira (23), os Correios anunciaram um prejuízo financeiro de R$ 8,5 bilhões, alcançando a marca de 14 trimestres seguidos com resultados negativos. A série começou no 4º trimestre de 2022. O valor superou em mais de três vezes o prejuízo registrado em 2024, que foi de R$ 2,4 bilhões.
Prejuízo dos Correios triplica em 2025 e fica em R$ 8,5 bilhões
Jornal Nacional/ Reprodução
O que explica o resultado de 2025?
Segundo as demonstrações financeiras da estatal, o principal fator por trás do aumento bilionário das despesas foi o pagamento de precatórios decorrentes de decisões judiciais já transitadas em julgado.
💵 Sem aprofundar as causas desse crescimento — que atingiu R$ 6,4 bilhões em 2025, alta de 55,1% em relação a 2024 —, representantes da estatal afirmaram que parte do valor, equivalente a R$ 2,63 bilhões, está relacionada a dívidas herdadas de gestões anteriores.
Ainda segundo informações apresentadas pela empresa, a receita bruta no ano passado foi de R$ 17,3 bilhões, — 11,35% menor que a registrada em 2024.
A queda nas receitas foi provocada, principalmente, pela redução de encomendas internacionais transportadas, em 66%, em relação ao ano anterior.
"O maior fator isolado da queda de receita foi a redução de 65,6% nas encomendas internacionais, provocada por mudanças nas regras de tributação sobre importações de baixo valor que alteraram os fluxos do comércio global", diz o comunicado.
Segundo esse mesmo documento, os Correios reservaram R$ 2,63 bilhões para cobrir possíveis perdas em ações trabalhistas que tratam do pagamento do adicional de atividade de distribuição e coleta externa (AADC) e do adicional de periculosidade.
Esse tipo de reserva, chamada de provisão, é usada quando a empresa avalia que pode ter de pagar esses valores mais adiante.
Funcionários e precatórios puxaram gastos dos Correios em 2025; despesas aumentaram 37% enquanto receitas caíram 12%

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Reprodução/TV Globo
Em 2025, as despesas gerais e administrativas dos Correios, que incluem parte do pagamento dos funcionários e precatórios, dívidas que precisam ser pagas por determinação da Justiça, atingiram R$ 6,3 bilhões, um crescimento de 37% em relação ao ano anterior, quando alcançaram R$ 4,6 bilhões.
Esse foi maior valor desde 2001, ano da demonstração financeira mais antiga disponibilizada pelos Correios na internet.
As receitas com a venda de serviços, como a entrega de encomendas, recuaram 12%, de R$ 18,9 bilhões em 2024 para R$ 16,7 bilhões para 2025.
O detalhamento dos números foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) na quinta-feira (23), após anúncio da estatal de um prejuízo financeiro de R$ 8,5 bilhões em 2025, fechando 14 trimestres seguidos com resultados negativos.
O resultado superou em mais de três vezes o prejuízo registrado em 2024, que foi de R$ 2,4 bilhões.
O que mais pesou no ano passado?
As duas despesas que mais impactaram o caixa dos Correios foram o pagamento de funcionários administrativos, que aumentou R$ 215 milhões entre 2024 e 2025, e os custos com os processos perdidos na Justiça pela estatal, já no formato de precatório, saindo de R$ 1,1 bilhão em 2024 para R$ 2,5 bilhões no período.
Assim, as despesas gerais e administrativas, que são os gastos indiretos para que a empresa funcione, atingiram R$ 6,3 bilhões em 2025, R$ 1,7 bilhão a mais do que em 2024.
🔎Precatório é uma ordem de pagamento; quando a Justiça obriga o município, o estado ou a União – neste caso, uma empresa estatal – a pagar uma dívida que tem com uma pessoa física ou jurídica.
'Taxa das blusinhas'
As receitas repetiram comportamento que vem sendo observado após o governo federal lançar em 2023 o programa Remessa Conforme, caíram principalmente por conta da queda da prestação de serviço de transportes de encomendas internacionais.
O programa passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre todas as compras internacionais de até US$ 50, que até então estavam isentas. A medida ficou conhecida como "taxa das blusinhas".
Em 2024, a estatal tinha registrado uma receita de R$ 3,9 bilhões com encomendas internacionais, já com uma redução de R$ 530 milhões em relação a 2023.
Em 2025, o valor despencou para R$ 1,3 bilhão, R$ 2,6 bilhões a menos que o ano anterior. Com isso, a receita com esse tipo de produto, que chegou a representar 22% do todo em 2023, hoje representa apenas 7,8%.
Um documento produzido pela Diretoria Econômico-Financeira (Diefi) da instituição aponta que a criação do programa "Remessa Conforme" escancarou os problemas econômico-financeiros da empresa.
"A redução da participação de mercado no segmento de encomendas internacionais, que até agosto de 2024 representava uma espécie de “monopólio” para os Correios, evidenciou a ausência de reposicionamento negocial da Empresa, diante das transformações do comportamento da sociedade", diz o documento.
correios, crise, entregas, encomendas, sedex
Reprodução/TV Globo
Despesas com pessoal
Além do aumento nos precatórios a pagar, em função de derrotas na Justiça, outro fator que impacta diretamente a situação dos Correios são os gastos com os funcionários da empresa, seja os carteiros que estão nas ruas ou a parte administrativa.
Apenas nos últimos quatro anos, a empresa viu os gastos com pessoal saltarem 31,25%, saindo de R$ 11,1 bilhões em 2022 para R$ 14,6 bilhões em 2025.
Por outro lado, a atual gestão do presidente Emmanoel Rondon conseguiu reduzir os gastos com a remuneração do pessoal chave da administração da estatal. A redução nos gastos com a diretoria executiva foi de quase R$ 857 mil.
Empréstimos
As demonstrações financeiras também dão transparência ao contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões tomado pelos Correios junto a um sindicato de bancos no final de 2025.
Entre as novidades sobre o contrato, está a taxa de juros na qual ele foi negociado, 1,89% ao ano mais a taxa DI referenciada. Além disso, os Correios tiveram que pagar R$ 240 milhões em taxa de contratação.
Com isso, a expectativa da estatal é que os juros totais incorridos na contratação do empréstimo sejam de R$ 22,4 bilhões.
O acordo tem validade até 2040 e conta com garantia da União, o que significa que o governo federal dá respaldo à operação e reduz o risco para as instituições financeiras que concederam o crédito.
Além disso, o contrato prevê um prazo de carência de 3 anos e pagamentos mensais a partir de dezembro de 2029.
Parte do valor do empréstimo recebido foi também para quitar os outros empréstimos que a estatal tinha tomado com bancos entre dezembro de 2024 e junho de 2025, no valor de R$ 2,3 bilhões. Além de pagar o que foi emprestado, a empresa ainda pagou R$ 422 milhões em juros. Todos eles foram quitados até janeiro de 2026.
Os Correios começaram o ano de 2025 com dois empréstimos a pagar até o final do ano no valor de R$ 550 milhões, tomados ainda pela gestão do ex-presidente Fabiano Silva dos Santos, para aliviar ajudar o caixa da empresa a quitar despesas de final de ano, como o salário e o décimo terceiro dos funcionários.
Em junho, ainda sem conseguir uma solução para a falta de liquidez da empresa, Fabiano tomou um novo empréstimo com um grupo de bancos no valor de R$ 1,8 bilhões. Entretanto, uma cláusula do contrato bloqueou o dinheiro que a estatal teria a receber por meio do faturamento na prestação de seus serviços, durante o segundo trimestre de 2025.
A cláusula previa estabilidade no estoque de precatórios a pagar pelos Correios.
Entretanto, em função da necessidade de reconhecimento de novas perdas com processos judiciais durante o ano, a quantidade aumentou e a garantia foi acionada.
Até para conseguir reverter a situação, a nova administração da estatal renegociou o contrato para conseguir liberar a receita enquanto não finalizava o acordo para a tomada de um novo empréstimo, no valor de R$ 12 bilhões. Isso gerou um custo adicional de R$ 45 milhões.
Governo inicia fiscalização de transparência de preços em aplicativos de transporte e delivery

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, começou nesta sexta-feira (24) a fiscalizar a transparência de preços ao consumidor em aplicativos de transporte individual e de delivery.
🚗 De acordo com a Senacon, o prazo de 30 dias para adequação às regras de transparência de preços terminou na quinta-feira (23).
🛵 Uma portaria editada pelo governo este determina que os aplicativos informem, de forma clara e destacada, como o valor pago em cada serviço é distribuído.
A norma determina que as plataformas detalhem a composição do preço ao consumidor, indicando:
quanto cabe ao aplicativo,
quanto cabeao motorista ou entregador; e
quanto cabe ao estabelecimento comercial.
"Com o fim do período de adequação, a Senacon passa a verificar o cumprimento efetivo das regras, para garantir que as mudanças não se limitem a ajustes formais nas interfaces, mas resultem em informação clara ao consumidor. O Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) já recebeu relatos de usuários que identificaram alterações nas plataformas, indicando movimento inicial de adequação", informou a Senacon.
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Fiscalização e cumprimento da norma
A Senacon informou que a fiscalização concentra-se na verificação da apresentação adequada e compreensível das informações.
💰 O descumprimento pode ser caracterizado como infração às regras de defesa do consumidor, sujeitando as empresas às sanções previstas no Código de Defesa do Consumidor (CDC), como multa e suspensão temporária das atividades.
Segundo a portaria, as plataformas devem exibir, em cada transação, um quadro-resumo com a composição do valor cobrado. As informações devem ser apresentadas de forma clara e em local de fácil visualização.
Ao tornar mais visível a composição do preço, a Senacon diz que a norma reduz a assimetria de informação e fortalece a capacidade de escolha do consumidor.
Como reclamar
A Senacon afirmou que consumidores que não encontrarem as informações exigidas, ou identificarem apresentação inadequada ou incompleta, podem fazer uma reclamação.
A queixa pode ser registrada na plataforma consumidor.gov.br e junto aos Procons locais. De acordo com a Senacon, as manifestações também subsidiam as ações fiscalizatórias da secretaria.
Conta de luz: com menos chuvas, Aneel define bandeira tarifária amarela em maio

A bandeira tarifária para o mês de maio será amarela, anunciou a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nesta sexta-feira (24). Isso representa um adicional de R$ 1,88 a cada 100kWh na tarifa.
Em uma residência com consumo de 187kWh, por exemplo – como foi a média residencial em fevereiro, segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética –, a bandeira amarela significaria um valor adicional de R$ 3,52 na fatura.
🔎A bandeira tarifária sinaliza ao consumidor os custos reais da geração de energia no país. Quando a geração fica mais cara, a cobrança extra é aplicada automaticamente nas contas.
Entre janeiro e abril, a bandeira tarifária foi mantida na cor verde, devido a índices considerados satisfatórios nos reservatórios das usinas hidrelétricas.
A Aneel registrou no entanto que há uma "redução de chuvas na transição do período chuvoso para o seco, o que leva a uma geração hidrelétrica menor e ao acionamento de usinas termelétricas, com custo mais elevado."
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Em nota, a agência destacou que "os consumidores devem cultivar bons hábitos de consumo para evitar desperdícios e contribuir para a sustentabilidade do setor elétrico."
Como funciona o sistema de cores
💡 O sistema de cores da Aneel sinaliza as condições de geração de energia. Se chove pouco e as hidrelétricas geram menos, é preciso acionar usinas termelétricas, que são mais caras.
💡 Para pagar por essas usinas, a Aneel aciona as bandeiras amarela, vermelha 1 ou vermelha 2, com taxas extras na conta de luz.
Governo anunciou bandeira tarifária para contas de energia de maio
Gilvana Giombelli/g1 Paraná
Saiba quanto custa cada bandeira
Cada bandeira tarifária acionada pela Aneel pode gerar um custo extra ao consumidor:
🟩bandeira verde (condições favoráveis de geração de energia) – sem custo extra;
🟨bandeira amarela (condições menos favoráveis) – R$ 18,85 por MWh (megawatt-hora) utilizado (ou R$ 1,88 a cada 100kWh);
🟥bandeira vermelha patamar 1 (condições desfavoráveis) – R$ 44,63 por MWh utilizado (ou R$ 4,46 a cada 100 kWh);
🟥bandeira vermelha patamar 2 (condições muito desfavoráveis) – R$ 78,77 por MWh utilizado (ou R$ 7,87 a cada 100 kWh).
Salão de Pequim: conheça o Xpeng Aridge, carro voador que carrega embutido em van híbrida; VÍDEO

Salão de Pequim: carro voador embutido em van híbrida é exibido
Com um nome nada fácil de pronunciar, um pequeno caminhão chama a atenção no Salão do Automóvel de Pequim: o Xpeng Aridge. A dificuldade na fala, porém, se torna irrelevante quando a caçamba se abre e revela algo inesperado: um carro voador surgindo de dentro dela.
Olhando primeiro para a parte que circula apenas no chão, o veículo lembra uma caminhonete das grandes. São 5,5 metros de comprimento, 2 metros de altura e o visual é marcado por chapas em cinza fosco e linhas retas, que lembram o estilo adotado pela Tesla na Cybertruck.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp
Trata-se de um veículo off-road, com tração nas seis rodas. Ela é garantida por dois motores elétricos, auxiliados por um motor a combustão.
O conjunto funciona principalmente com energia elétrica. Na prática, as rodas são movimentadas pelas baterias, enquanto o motor a combustão entra em ação apenas para gerar eletricidade e recarregá-las quando necessário.
(O repórter viajou para o evento a convite da Leapmotor e GWM.)
Com todas as baterias carregadas e o tanque abastecido, a Xpeng promete uma autonomia total de até 1.000 quilômetros.
Apesar de levar um carro voador inteiro na caçamba, o veículo ainda acomoda até quatro ocupantes. Durante o salão, porém, os vidros estavam completamente opacos, o que impediu a visualização do interior da parte terrestre.
O veículo aéreo, por sua vez, podia ser observado de perto e até ocupado pelo público. Diferentemente de alguns chamados “carros voadores”, ele conta com comandos físicos para controlar a direção.
Com isso, o modelo se assemelha mais a um drone pilotado como um helicóptero do que a um carro voador totalmente automático, no qual o ocupante apenas informa o destino e aguarda a chegada.
Xpeng Aridge
divulgação/Xpeng
A marca afirma, no entanto, que também há um modo de voo em que o piloto apenas informa o destino. A partir daí, o veículo voador se encarrega sozinho de decolar, percorrer o trajeto necessário e pousar com segurança.
A experiência lembra a de um helicóptero também nos detalhes internos. Os bancos são mais rígidos do que os de um carro de luxo, e há diversos botões dedicados ao controle do voo.
Para que os rotores caibam no veículo terrestre, eles se dobram de forma semelhante a um brinquedo articulado. Segundo a Xpeng, todo esse processo é automático e leva cinco minutos. Basta o piloto pousar o veículo voador próximo ao carro para que a caçamba se abra e o drone se recolha sozinho até o encaixe correto.
Totalmente elétrico, o veículo voador tem autonomia de até 20 quilômetros. Isso deixa claro que sua proposta é atender a deslocamentos curtos. Já o sistema de baterias da parte terrestre permite recarregar o veículo voador até seis vezes.
Se toda essa experiência pareceu empolgante, a Xpeng informa que o Aridge já está em produção e tem preço de US$ 280 mil na China. Na cotação da data de publicação deste texto, o valor equivale a cerca de R$ 1,5 milhão.
A fabricante diz que começará a aceitar pedidos a partir do segundo semestre deste ano.
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Trump critica Suprema Corte e diz que 'decisão ridícula' sobre tarifaço vai custar US$ 159 bilhões aos EUA

O presidente dos EUA, Donald Trump, embarca no Air Force One rumo ao Aeroporto Internacional de Palm Beach, na Base Aérea Conjunta Andrews, Maryland, EUA, em 24 de abril de 2026
REUTERS/Kylie Cooper
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou nesta sexta-feira (24) a Suprema Corte do país. Em publicação nas redes sociais, o republicano afirmou que a decisão de suspender o tarifaço e permitir reembolsos a importadores é “ridícula” e deve custar US$ 159 bilhões aos cofres do país.
"Pessoas e empresas que se aproveitaram do nosso país por décadas, por causa da decisão horrível e ridícula da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre tarifas, agora supostamente devem receber de volta 159 bilhões de dólares", escreveu Trump.
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"Tudo o que [os juízes] precisavam fazer era incluir uma pequena meia frase — “que os Estados Unidos não precisam devolver valores que já foram pagos” — e o nosso país estaria 159 bilhões de dólares mais rico", acrescentou.
Em 20 de fevereiro, a Suprema Corte decidiu que Donald Trump extrapolou sua autoridade ao impor tarifas amplas sobre importações de quase todos os parceiros comerciais dos EUA.
Com a medida invalidada, importadores passaram a poder solicitar reembolsos à Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA pelas taxas pagas. O sistema para pedidos de devolução entrou em vigor na segunda-feira (20).
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A plataforma consolida os reembolsos para que os importadores recebam um único pagamento eletrônico — com juros, quando aplicável — em vez de valores separados por importação. Mais de 330 mil empresas importadoras pagaram as tarifas em 53 milhões de remessas, segundo o tribunal.
Na terça-feira (21), Trump afirmou, em entrevista à rede norte-americana CNBC, que vai se lembrar das companhias que não pedirem reembolso. “Seria ótimo se as empresas não solicitassem”, acrescentou.
Apesar dos US$ 159 bilhões mencionados pelo republicano, estimativas apontam valor ainda maior, com devoluções que podem chegar a US$ 175 bilhões. Levantamento do Penn Wharton Budget Model, da Universidade da Pensilvânia, indica ainda cerca de US$ 700 milhões em juros.
Em publicação nesta sexta-feira (24), Trump também afirmou que o montante é maior "do que a maioria dos países vale”.
"Pense nisso — apenas meia frase, e teríamos economizado 159 bilhões de dólares. Eles [juízes] não poderiam ter feito isso pelo nosso país?", concluiu o presidente, ao disparar contra a Suprema Corte.
Carta a CEOs
Um grupo de 15 democratas na Câmara dos Representantes dos EUA pediu, na quinta-feira, que CEOs de grandes empresas repassem aos consumidores eventuais valores obtidos com os reembolsos. A informação é da agência Reuters.
Os parlamentares, opositores de Donald Trump, questionaram executivos de empresas como Walmart, Amazon e FedEx sobre que medidas pretendem adotar para garantir que o alívio tarifário se traduza em preços mais baixos ou outros benefícios diretos aos consumidores, como créditos.
Segundo a Reuters, o grupo de democratas também pediu, em carta, que os executivos se comprometam a não usar os recursos para recompra de ações ou remuneração.
Ainda não está claro se essas empresas buscarão reembolsos, já que o sistema de solicitação da Alfândega dos EUA não é público. A iniciativa ocorre após Trump afirmar que “vai se lembrar” das companhias que abrirem mão dos valores, sugerindo algum tipo de benefício não especificado.
Veja a cronologia do tarifaço de Trump:
Em abril de 2025, ao anunciar as chamadas tarifas recíprocas, Trump aplicou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA.
Em junho, o republicano elevou as taxas sobre aço e alumínio para 50%, com base na Seção 232 — instrumento separado da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).
Em julho, o republicano impôs um novo aumento de 40%, elevando a alíquota total de diversos itens para 50%. A medida, no entanto, veio acompanhada de uma extensa lista de exceções.
Já em novembro, após Trump iniciar negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os EUA retiraram a tarifa de 40% de novos itens, incluindo café, carnes e frutas.
Em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte invalidou o uso da IEEPA para tarifas amplas. Caíram, assim, a taxa “recíproca” de 10% e a sobretaxa de 40% sobre o Brasil. Aço e alumínio não foram afetados, pois se baseiam na Seção 232.
No mesmo dia, Trump anunciou uma tarifa global temporária de 10% por 150 dias, com base em um dispositivo da lei comercial de 1974, que se soma às tarifas já existentes.
Em 21 de fevereiro, o republicano anunciou o aumento da taxa para 15%. A declaração foi feita nas redes sociais, mas a alíquota não entrou em vigor, já que não houve formalização por meio de ato oficial do governo dos EUA.
Ministro de Minas e Energia diz que aumento do teor de etanol na gasolina será discutido em maio

O ministro de Minas e Energia (MME), Alexandre Silveira, anunciou, nesta sexta-feira (24), que o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% será analisado na próxima reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), prevista para maio.
Segundo o ministro, a elevação para o chamado “E32” já conta com respaldo técnico. “Vamos submeter ao CNPE o E32, elevando o teor de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, percentual que já teve os testes aprovados quando adotamos o E30”, afirmou.
De acordo com o governo, a medida pode reduzir em cerca de 500 milhões de litros por mês a necessidade de importação de gasolina. Esse volume seria suficiente para eliminar a dependência externa do país no abastecimento do combustível, colocando o Brasil em condição de autossuficiência.
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Medida temporária
O ministro informou, ainda, que a iniciativa terá caráter excepcional e temporário, com vigência inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada por igual período mediante decisão do CNPE.
Segundo o ministério, a proposta deve melhorar a logística do setor, ao liberar infraestrutura atualmente utilizada para importação de gasolina. Isso pode aumentar a eficiência na distribuição de outros derivados, como o diesel.
Ministério vai propor aumento do teor de etanol na gasolina
Reprodução/EPTV
A proposta faz parte das diretrizes da Lei do Combustível do Futuro, marco regulatório que busca ampliar o uso de energias renováveis e reduzir emissões no setor de transportes. Em agosto de 2025, a mesma diretriz ampliou o teor de etanol na gasolina de 27,5% para os atuais 30%.
Desta vez, em particular, a mudança acontece em um momento sensível do mercado internacional de combustíveis. A guerra no Oriente Médio afetou diretamente o preço do petróleo e deixou a gasolina mais cara em todo o mundo. O governo tem adotado medidas emergenciais para conter os efeitos dessa instabilidade, incluindo redução de impostos e concessão de subsídios. A mistura de 32% será o próximo passo.
Regulação das apostas: governo bloqueia 27 plataformas que faziam previsões sobre eventos

Apostas, bets, plataforma de apostas
Divulgação
O governo federal informou nesta sexta-feira (24) que bloqueou 27 plataformas de chamadas apostas de “predição”, que fazem previsões atreladas a eventos esportivos, jogos on-line e temas políticos, eleitorais, sociais, culturais ou de entretenimento.
As declarações foram dadas durante coletiva de imprensa, no Palácio do Planalto, sobre a regulação do setor de apostas no país.
➡️Inicialmente, o governo informou que foram 28 bloqueios. Contudo, às 16h40 desta sexta, eles corrigiram a informação sob o argumento de que uma plataforma foi retirada da lista na noite desta quinta (veja lista abaixo).
Segundo integrantes do governo, a medida faz parte do esforço para evitar a consolidação de um novo mercado de apostas sem controle.
A avaliação é que esse tipo de plataforma expõe brasileiros a riscos financeiros e opera em desconformidade com a legislação brasileira.
🔎Os chamados mercados de predição funcionam como plataformas em que os participantes apostam dinheiro no desfecho de eventos futuros — como eleições, decisões políticas, resultados de reality shows ou até indicadores econômicos.
🔎Diferentemente das bets tradicionais, essas apostas envolvem previsões sobre acontecimentos públicos e podem se aproximar de instrumentos financeiros não autorizados no Brasil.
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Representantes do governo disseram ainda que, desde 2023, vem adotando uma regulação mais firme do setor de apostas e que atua para fechar as portas de empresas que tentam operar de forma irregular no país.
O anúncio ocorre no dia em que foi publicada resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) que proíbe a oferta e a negociação, no país, desse tipo de plataforma.
A norma, aprovada em sessão realizada na quinta (23) e que passa a valer em 4 de maio, não afeta as bets já conhecidas no Brasil.
O endurecimento das regras sobre apostas também acontece em meio a uma preocupação recorrente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o impacto do setor no orçamento das famílias.
Em diferentes ocasiões, Lula tem alertado para o avanço das bets e para o risco de endividamento, principalmente entre consumidores mais vulneráveis.
O endividamento das famílias, inclusive, é um ponto central nos discursos recentes de Lula, que tem discutido medidas para diminuir o impacto dessas dívidas na renda dos brasileiros — principalmente em ano eleitoral, em que o petista concorre ao quarto mandato.
Irregulares
Participaram da entrevista coletiva, no Palácio do Planalto, os ministros da Fazenda, Dario Durigan, e da Casa Civil, Miriam Belchior.
Durigan reforçou o caráter irregular do mercado de predição no Brasil.
"Nós temos hoje, no comando do Congresso Nacional, uma lei no mercado de apostas que tem sido executada de maneira rigorosa. O mercado de predição não está aderente a essa regulação do Congresso, portanto viola a lei que o Congresso aprovou que trata de apostas", argumentou.
"Há outro campo de preocupação que é dos derivativos do sistema financeiro. O Conselho Monetário Nacional esclareceu quais são os ativos subjacentes que podem ser objeto de derivativos — de modo que a gente não vá ter aqui previsão de chuva, morte de uma determinada celebridade como possibilidade de ser encarado como derivativo regular no Brasil", prosseguiu.
🔎De acordo com o ministro, entre 2024 a 2025, o governo bloqueou 39 mil domínios de bets irregulares, além de mais de 450 perfis em redes sociais.
Lista das plataformas bloqueadas
PredictIt
Palpita
Cravei
Previsao
Véspera
Palpitano
PRÉVIAS - Plataforma de Mercado Preditivo
Predict
ProphetX Prediction Market
Robinhood
OG | Prediction Markets & Real-Time Odds
Fanatics Markets
Novig
Hedgehog Markets
IBKR ForecastTrader
Voxfi
Futuriza
Eu Já Sabia Mercados Preditivos
MercadoPred
Palpitada
Pliks
PolySwipe
PRED Exchange
Ruckus Market
Stride
Polymarket
Kalshi
YouTube lança ferramenta de detecção de deepfakes para celebridades de Hollywood

Logo do YouTube
REUTERS/Lucy Nicholson
O YouTube lançou uma ferramenta gratuita para celebridades de Hollywood conseguirem detectar deepfakes, reforçando o combate aos roubos de identidade geradas por inteligência artificial.
A plataforma lançou no mês passado uma função de proteção de imagem, que ajuda a identificar conteúdos em que um rosto aparece modificado ou gerado com tecnologias de IA para imitar o de uma pessoa real.
O projeto era inicialmente voltado a funcionários de governo, candidatos políticos e jornalistas. Mas, nesta semana, o YouTube ampliou o acesso à indústria do entretenimento, incluindo atores e músicos, por meio de agências de talentos e representantes de celebridades.
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A ferramenta permite "buscar conteúdos gerados por IA que reproduzam a aparência de uma pessoa inscrita, como um deepfake de seu rosto, e lhe dá a possibilidade de localizá-los e solicitar sua remoção".
Celebridades e artistas podem acessá-la mesmo sem ter um canal no YouTube.
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"O fato de o YouTube abrir suas capacidades de detecção de deepfakes para personalidades públicas marca um ponto de inflexão na maneira como as plataformas abordam a proteção da identidade na era da IA generativa", declarou à AFP Alon Yamin, diretor-executivo e cofundador da plataforma Copyleaks, de detecção de conteúdo de IA.
"A tecnologia que permite reproduzir o rosto, a voz e os gestos de uma pessoa avançou mais rápido do que as salvaguardas ao seu redor, criando uma brecha que agentes mal-intencionados já estão explorando", afirmou.
Desafios importantes
A iniciativa chega em um momento em que se multiplicam os vídeos hiper-realistas de celebridades mortas, criados com aplicativos de uso geral como Sora, a ferramenta da OpenAI. O aplicativo desencadeou uma enxurrada de vídeos de Michael Jackson e Elvis Presley.
No mês passado, a OpenAI anunciou que encerraria o aplicativo.
Em fevereiro, o diretor irlandês Ruairí Robinson criou um clipe surpreendentemente realista que mostrava Brad Pitt lutando contra Tom Cruise em um terraço por meio de um comando de duas frases.
O clipe, que provocou grande inquietação em Hollywood, foi gerado com Seedance 2.0, ferramenta do grupo chinês ByteDance.
Robinson também criou outros vídeos: um em que Pitt luta contra um zumbi ninja armado com espada e outro em que ele se junta a Cruise para combater um robô.
Charles Rivkin, presidente da Motion Picture Association (MPA), que reúne os grandes estúdios de produção americanos, instou a ByteDance a "cessar imediatamente suas atividades de falsificação", acusando-a de atropelar os direitos autorais.
Na ocasião, o YouTube disse que trabalhava com as principais agências de talentos para melhorar a detecção de imagens problemáticas e proteger melhor os artistas.
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'Seu patrimônio'
O YouTube "faz a coisa certa ao fornecer essas ferramentas gratuitamente aos talentos, para que possam proteger seu patrimônio", afirmou Jason Newman, da empresa de representação e produção Untitled Entertainment.
"Seu patrimônio é seu rosto, seu corpo, quem eles são, o que fazem, sua forma de se expressar", acrescentou em entrevista à revista Hollywood Reporter.
O desenvolvimento da ferramenta ocorre após queixas de personalidades americanas de destaque que denunciavam a complexidade do procedimento no YouTube para sinalizar e retirar um deepfake.
"Os riscos são especialmente altos porque os deepfakes podem ser usados para difundir desinformação, manipular mercados, prejudicar reputações ou fazer acreditar em um apoio enganoso. Uma detecção robusta já não é opcional", explicou o responsável da Copyleaks.
"Os sistemas de detecção devem ser extremamente precisos, atualizados continuamente e associados a normas claras e procedimentos rápidos de remoção para serem eficazes", afirmou.
"Isso não eliminará por completo os deepfakes, mas pode reduzir consideravelmente seu alcance e seu impacto, ao dificultar a circulação de conteúdos manipulados sem serem detectados ou questionados", argumentou Yamin.
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Caso Master: STF forma maioria para manter prisões de ex-presidente do BRB e advogado

STF avalia prisão de ex-presidente do BRB
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta sexta-feira (24) para manter as prisões do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do advogado Daniel Monteiro, investigados no caso do Banco Master.
Além do ministro André Mendonça, relator do caso, votaram a favor das prisões os ministros Luiz Fux e Nunes Marques.
Em seguida, o ministro Gilmar Mendes votou para manter a prisão de Paulo Henrique Costa, mas divergiu em relação a Daniel Monteiro, defendendo a substituição da prisão preventiva por domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica e restrições de contato.
O ministro Dias Toffoli se declarou suspeito no caso e, por isso, não participou do julgamento.
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Paulo Henrique e Daniel Monteiro foram presos no último dia 16 em uma nova fase da operação Compliance Zero, que apura irregularidades envolvendo os negócios do BRB com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
A ação foi autorizada por André Mendonça, relator dos inquéritos do Banco Master no STF. Desde quarta, os ministros analisam a decisão que determinou a prisão preventiva dos investigados.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master; Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB; e Daniel Monteiro, advogado do Banco Master
Divulgação e Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília
Decisão do relator
Na decisão que autorizou a nova fase da operação Compliance Zero, o ministro Mendonça aponta que as apurações "revelam, em tese, a existência de uma engrenagem ilícita concebida para viabilizar a fabricação, venda e cessão de carteiras de crédito fictícias do Banco Master ao BRB, com expressivo impacto patrimonial e institucional".
"Em seu bem lançado parecer, o Procurador-Geral da República assenta que os elementos colhidos pela Polícia Federal revelam quadro indiciário consistente de atuação de organização criminosa voltada à fabricação, venda e cessão de carteiras de crédito fictícias do Banco Master ao BRB, em operação com participação de agentes do banco privado e de integrantes da alta administração do banco público", declarou Mendonça.
Mendonça citou informações do Ministério Público de que Paulo Henrique Costa recebeu vantagem indevida em seis imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília, avaliados em R$ 146,5 milhões, dos quais R$ 74,6 milhões já teriam sido efetivamente pagos.
"Quanto a Daniel Lopes Monteiro, aponta sua atuação como agente-chave da vertente jurídica da estrutura criminosa, especialmente na formalização das operações entre Master, Tirreno e BRB e na ocultação do beneficiário real das aquisições imobiliárias, havendo indicação, em princípio, de proveito econômico próprio de ao menos R$ 86,1 milhões", completou.
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