Ações da Braskem despencam em meio a impasse com credores e novos riscos judiciais em Alagoas

As dificuldades para avançar em uma reestruturação da dívida e as novas preocupações em torno do desastre em Maceió pesam sobre a Braskem nesta quinta-feira (18), levando as ações da petroquímica a cair quase 12% e renovar a mínima do ano.
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Analistas do UBS BB chamaram a atenção para a situação financeira desafiadora da Braskem no curto prazo, destacando que as incertezas em torno da capacidade da companhia de administrar suas obrigações mais imediatas devem continuar provocando oscilações nas ações, apesar de um ambiente mais favorável para as margens do setor petroquímico.
Na máxima intradia do ano, no início de março, as ações da Braskem chegaram a R$ 13,78. Nesta quinta-feira, por volta das 14h35, os papéis caíam 8,36%, para R$ 7,67. Na mínima do dia, foram negociados a R$ 7,40, menor nível intradia desde 19 de dezembro de 2025.
Segundo reportagem da Bloomberg publicada na quarta-feira, a Braskem e seu novo acionista controlador, o IG4 Capital, vêm encontrando dificuldades para obter apoio suficiente dos credores para levar adiante uma proposta de reestruturação extrajudicial das dívidas.
Agora no g1
De acordo com fontes ouvidas pela agência, parte dos credores resiste aos termos apresentados pela empresa por considerar que eles favorecem determinados grupos em detrimento de outros.
Também foram levantadas preocupações sobre as garantias oferecidas pela Braskem e sobre a falta de uma alternativa que permitisse aos credores converter parte da dívida em participação na companhia.
Já fontes ouvidas pela revista "Veja" afirmaram que a empresa descarta recorrer à recuperação judicial e continua buscando um acordo com os credores.
"De modo geral, entendemos que o caminho da empresa para uma solução de liquidez permanece incerto e pode incluir risco de diluição para acionistas minoritários", afirmaram os analistas do UBS BB.
"Embora consideremos que a empresa possa superar esses desafios e alcançar uma perspectiva mais construtiva no médio e longo prazo, as incertezas ao longo desse caminho sustentam nossa recomendação neutra", acrescentaram em relatório a clientes.
No início deste mês, os acionistas da Braskem aprovaram mudanças no estatuto da companhia que autorizam o conselho de administração a decidir sobre um eventual pedido de recuperação extrajudicial.
Em situações de urgência, o colegiado também poderá deliberar sobre um pedido de recuperação judicial ou até mesmo sobre a confissão de falência.
Em outra frente, a Justiça Federal em Alagoas tornou a petroquímica e ex-dirigentes réus em um processo que apura as responsabilidades pelo desastre socioambiental em Maceió.
Na avaliação dos analistas, a decisão pode aumentar as preocupações dos investidores com os riscos jurídicos e os danos à imagem da companhia.
Rompimento da mina 18, da Braskem, aconteceu sob a lagoa Mundaú; dique que havia no local afundou com o solo
Secom Alagoas
iPhone no Brasil passa a aceitar lojas de apps rivais e pagamentos de terceiros após acordo entre Apple e Cade

Modelos da linha iPhone 17 em loja da Apple em Taiwan, em foto de 19 de setembro de 2025
Reuters/Ann Wang
Donos de iPhone no Brasil já podem baixar aplicativos de lojas rivais da App Store e usar sistemas de pagamento de terceiros. A mudança começou a valer nesta quinta-feira (18) e faz parte de um acordo entre a Apple e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), após meses de disputa.
➡️ O que muda na prática? A partir de agora, donos de iPhones poderão comprar e baixar aplicativos em lojas rivais da App Store. Ao comprar ou assinar um aplicativo, por exemplo, também será possível usar métodos de pagamento diferentes do sistema da Apple. As duas opções (a da Apple e a de terceiros) deverão ser exibidas lado a lado para os usuários.
A mudança passa a valer com a atualização para o iOS 26.5. Para verificar se ela já está disponível no seu iPhone, acesse "Ajustes", "Geral" e "Atualização de Software".
A Apple sempre foi contra a mudança, alegando riscos à segurança e à privacidade de seus clientes.
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Em comunicado divulgado nesta quinta, a empresa afirmou que "trabalhou para reduzir os novos riscos à privacidade e à segurança que essas alterações criam, oferecendo aos usuários no Brasil a melhor e mais segura experiência possível".
"A Apple trabalhou com o regulador brasileiro para introduzir proteções contra essas novas ameaças, incluindo importantes salvaguardas para usuários mais jovens. Essas medidas incluem a autenticação de apps do iOS, um processo de autorização para lojas de apps e requisitos que protegem as crianças de conteúdo inadequado e golpes", completou.
A empresa também informou que as lojas alternativas de aplicativos precisarão obter uma autorização da Apple e cumprir requisitos definidos pela própria companhia. Ainda assim, a empresa afirma que não pode garantir o mesmo nível de segurança oferecido pela App Store.
Essas lojas de apps alternativas precisarão da autorização da Apple e deverão atender a todos os requisitos que possam surgir para oferecer seus serviços a desenvolvedores e usuários.
A mudança é parecida com a que a Apple teve que fazer na União Europeia, onde desenvolvedores tinham que pagar taxas de até 30% por cada transação feita em seus aplicativos por meio do sistema de pagamentos da empresa.
Apple seguirá cobrando comissão
A Apple continuará cobrando comissão sobre a venda de bens e serviços digitais no Brasil, mesmo após a abertura do iPhone para lojas de aplicativos e sistemas de pagamento de terceiros.
Segundo a empresa, desenvolvedores que distribuem aplicativos pela App Store pagarão uma comissão de 21% sobre essas vendas. Para a maioria dos desenvolvedores, incluindo participantes do Programa de Pequenas Empresas e assinaturas após o primeiro ano, a taxa será reduzida para 10%.
Os desenvolvedores que utilizarem o sistema de compras da própria Apple pagarão uma taxa adicional de 5%.
Já as vendas de bens e serviços digitais realizadas em sites vinculados aos aplicativos terão uma comissão de 15%. Para desenvolvedores elegíveis às condições reduzidas, a taxa cairá para 10%.
No caso de aplicativos distribuídos fora da App Store, a Apple cobrará uma comissão de 5% sobre a venda de bens e serviços digitais, incluindo apps pagos.
A empresa afirma que, com as novas regras, os desenvolvedores que vendem bens e serviços digitais pagarão o mesmo valor ou menos do que pagam atualmente. "Os desenvolvedores que não vendem bens e serviços digitais continuarão sem pagar comissões ou taxas à Apple", diz a companhia.
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Processo contra a Apple
A decisão faz parte de um processo administrativo em que o Cade apurava acusações de práticas anticoncorrenciais no ecossistema do iOS, sistema operacional da Apple.
A investigação começou em dezembro de 2022, após uma denúncia do Mercado Livre que apontava possível abuso de posição dominante na distribuição de aplicativos para iPhone.
Em novembro de 2024, a Superintendência-Geral do Cade abriu um processo administrativo e impôs uma medida preventiva que obrigava a Apple a permitir que desenvolvedores e usuários escolhessem outros sistemas de pagamento para compras em aplicativos.
Em maio de 2025, o Tribunal do Cade analisou um recurso da Apple, mas manteve a medida preventiva.
Em junho de 2025, a Superintendência-Geral do Cade recomendou a condenação da empresa após sua apuração revelar um conjunto de ações restritivas ligadas à venda de conteúdos digitais dentro do ecossistema da Apple.
Em julho de 2025, a Apple iniciou um processo de acordo, o que levou à suspensão do prazo para cumprimento da medida preventiva. Quando o acordo foi aprovado, em dezembro de 2025, a empresa tinha que encerrar o processo judicial que buscava anular a medida preventiva do Cade.
Em caso de descumprimento total do acordo, a Apple poderia ser multada em até R$ 150 milhões. Além disso, o Cade poderia retomar a investigação e a medida preventiva.
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Carro esportivo de Lego em tamanho real atinge 111 km/h e quebra recorde de velocidade

Koenigsegg Sadair’s Spear feito de Lego na escala 1:1 bate recorde de velocidade
Divulgação / Lego
Uma réplica em tamanho real do Koenigsegg Sadair's Spear, com carroceria construída inteiramente com peças de Lego, atingiu a velocidade de 111 km/h. O veículo pesa 1.800 kg e registrou na pista de Goodwood, Inglaterra, o recorde de modelo montável mais rápido já feito pela empresa de brinquedos dinamarquesa.
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A marca anterior, de 2018, era de 50 km/h e pertencia a um Bugatti Chiron também na escala 1:1.
O projeto foi executado pela equipe de modelistas da Lego em Kladno, na República Tcheca, e precisou de mais de 9,4 mil horas de mão de obra para ser concluído.
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O veículo foi feito com cerca de 327 mil peças da linha Technic, que correspondem a 400 kg do veículo, e montado sobre um chassi de metal customizado com gaiola de proteção nos padrões de segurança da Federação Internacional do Automóvel (FIA).
A construção utiliza rodas de fibra de carbono originais da Koenigsegg, pneus da Pirelli, suspensão real e freios a disco de competição.
Koenigsegg Sadair’s Spear feito de Lego na escala 1:1 bate recorde de velocidade
divulgação / Lego
Para alcançar a velocidade recorde e superar os modelos anteriores da marca, o veículo foi equipado com um motor elétrico que traciona as rodas traseiras, substituindo o motor V8 biturbo original de 1.603 cavalos do modelo real.
A Lego e a montadora sueca não revelaram dados técnicos desse propulsor elétrico.
A réplica também inclui o sistema automatizado da montadora sueca, que permite abrir simultaneamente as portas, o capô e a tampa do motor. Essa forma de acessar o carro é algo característico da Koenigsegg.
Koenigsegg Sadair’s Spear feito de Lego na escala 1:1
Divulgação / Lego
Diversas partes do veículo foram adaptadas com peças incomuns da marca, como componentes de naves de Star Wars nos faróis dianteiros, janelas de trens de brinquedo nas lanternas traseiras e aros de rodas da linha Ninjago para simular os amortecedores do carro real.
O lançamento do megacarro em tamanho real ocorreu em conjunto com o anúncio de uma versão comercial menor do Koenigsegg Sadair's Spear em escala 1:8.
O kit voltado para o público adulto possui 4.104 peças e reproduz as funções mecânicas do veículo original, incluindo o motor de pistões V8 funcionais e a transmissão de nove marchas.
Amazon traz Alexa+ ao Brasil e aposta em IA como o ChatGPT para renovar assistente virtual

Amazon traz Alexa+ ao Brasil e aposta em IA como o ChatGPT para renovar assistente virtual
A Amazon anunciou nesta quinta-feira (18) o lançamento da Alexa+ no Brasil. A nova versão da assistente virtual passa a usar inteligência artificial generativa, tecnologia semelhante à do ChatGPT, e agora é capaz de executar tarefas mais complexas.
A Alexa+ já estava disponível nos Estados Unidos desde 2025 e chega agora ao Brasil custando R$ 99,90 por mês para quem quiser contratar separadamente. Já os assinantes do Amazon Prime, que custa R$ 19,90 mensais, terão acesso à nova versão sem custo adicional.
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A Amazon afirma que a Alexa "turbinada" funcionará na maioria dos dispositivos Echo, com exceção dos modelos de primeira geração. O recurso começa a ser liberado gradualmente aos clientes a partir desta quinta-feira. Os interessados podem entrar na fila de acesso pelo site da Amazon ou dizendo "Alexa, quero Alexa+" para a assistente.
"Dezenas de milhares de clientes serão convidados nas próximas semanas, com expansão contínua", afirmou a empresa.
Alexa+, IA turbinada da Amazon semelhante ao ChatGPT.
Divulgação/Amazon
Segundo a Amazon, quem comprar novos dispositivos da marca a partir de hoje terá acesso antecipado à novidade.
Antes da Alexa+, a assistente da Amazon era baseada principalmente em comandos pré-programados e modelos preditivos. Com a IA generativa, ela passa a realizar tarefas mais complexas, seguindo o caminho de IAs mais espertas como ChatGPT, Gemini e Claude.
A principal diferença em relação à Alexa atual está na forma como ela conversa com o usuário. Segundo a Amazon, a Alexa+ tem interações mais naturais, entende expressões brasileiras, inclusive regionais, e deixa de lado parte do comportamento mais robótico das versões anteriores.
Além disso, a assistente consegue lidar com múltiplos comandos em uma mesma conversa e conta com memória, o que permite retomar assuntos abordados anteriormente.
Segundo a Amazon, ela pode aprender preferências do usuário, como estilos musicais e restrições alimentares, consultar compromissos na agenda e até redigir ou enviar e-mails, desde que esteja conectada ao serviço de e-mail utilizado pela pessoa.
Alexa+
Henrique Martin/g1
A Alexa+ também pode realizar ações mais personalizadas. Por exemplo, se o usuário disser apenas que está com frio, ela poderá reduzir a temperatura do ar-condicionado automaticamente, desde que o aparelho esteja conectado à plataforma.
A empresa também adiantou que, "muito em breve", será possível pedir para a Alexa+ chamar um Uber. Ao receber o comando, a assistente confirmará o destino, a categoria do carro, valor, o tempo estimado de chegada e solicitará a corrida.
O processo, porém, não será instantâneo. Em demonstrações feitas pela Amazon, a Alexa levou alguns minutos para concluir a tarefa. Segundo a empresa, isso acontece porque a assistente precisa se conectar a serviços externos, como a Uber, para executar a ação.
A Amazon também anunciou um novo aplicativo da Alexa+, que permitirá aos usuários continuar interagindo com a assistente mesmo quando estiverem fora de casa.
* Colaborou Henrique Martin.
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Dólar sobe e vai a R$ 5,17, após decisões de juros e acordo entre EUA e Irã; Ibovespa cai

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar fechou em alta nesta quinta-feira (18), com um avanço de 1,30%, cotado a R$ 5,1740. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,1897. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, inverteu o sinal e fechou em queda de 0,10%, aos 168.278 pontos.
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▶️ O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual (p.p.), em linha com o esperado pelo mercado. Já o Federal Reserve (Fed, o BC americano) decidiu manter as taxas inalteradas, em meio aos sinais de preços ainda elevados no país.
🔎 A política de juros nos EUA também tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio e no nível de investimento estrangeiro no país (entenda mais abaixo).
▶️ O novo acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã também fica no radar. O tratado, assinado na quarta-feira (17) pelos presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian, já está em vigor. O texto inclui garantias de que Teerã nunca terá armas nucleares, a suspensão de sanções norte-americanas contra o Irã e uma compensação financeira ao governo iraniano, entre outros pontos.
Em meio à expectativa de normalização no mercado de petróleo com a reabertura do Estreito de Ormuz, a commodity fechou sem direção única. O barril do Brent subiu 0,38%, a US$ 79,85 o barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, recuou 0,25%, a US$ 76,60.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: +2,22%;
Acumulado do mês: +2,61%;
Acumulado do ano: -5,73%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: -1,67%;
Acumulado do mês: -3,17%;
Acumulado do ano: +4,44%.
Juros na mira
Brasil
O Copom do Banco Central (BC) reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano. A decisão foi tomada de forma unânime pelo comitê e veio em linha com o esperado pelo mercado.
Na decisão, o colegiado afirmou que o "ambiente externo permanece incerto", em meio às incertezas que ainda circundam o acordo de paz no Oriente Médio e aos efeitos do conflito.
"Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities", diz a nota do BC.
Já em relação ao cenário econômico brasileiro, o BC afirmou que os indicadores apontam para uma aceleração da atividade econômica e um mercado de trabalho ainda aquecido, o que já começa a se refletir nos preços.
"Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação, superando seu limite superior na última leitura", afirmou o Copom.
Segundo analistas da XP Investimentos, a decisão do BC indicou que pode não haver mais espaço para cortes de juros neste ano.
"Ainda assim, o Copom manteve aberta a possibilidade de novos ajustes. Nosso cenário-base antecipa um ajuste final em agosto de 0,25 p.p., o que deixaria a taxa Selic em 14,00% até (pelo menos) o 1º trimestre de 2027. Mas, considerando a deterioração recente do cenário de inflação, uma pausa nos atuais 14,25% também parece bastante provável", afirmaram em relatório.
EUA
Já nos Estados Unidos, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) manteve as taxas de juros americanas inalteradas na faixa de 3,50% a 3,75%. Essa foi a primeira reunião da gestão de Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump para assumir a presidência do Fed.
➡️ O cenário de juros altos nos EUA tem diferentes reflexos no mundo — inclusive no Brasil. Isso porque, com juros mais altos, investidores estrangeiros tendem a realocar recursos para a maior economia do mundo, em busca de rendimentos maiores e maior segurança.
➡️ Com isso, o dólar tende a se valorizar em relação às moedas de outras economias do mundo — incluindo o real — e a bolsa de valores brasileira tende a cair.
➡️ Quando o dólar está mais alto, produtos importados ficam mais caros no Brasil, o que pode pressionar a inflação doméstica, especialmente em itens como combustíveis e eletrônicos. Com preços mais altos por aqui, a tendência é que esse cenário também resulte em juros mais elevados no Brasil, encarecendo o crédito e limitando o crescimento da economia.
Na avaliação de Vinicius Flores, analista de investimentos e sócio da gestora americana Stratton Capital, aponta que um dos pontos mais relevantes foi a decisão de Warsh em não divulgar sua estimativa para os juros no chamado "gráfico de pontos" ("dot plot") — movimento que considera coerente com as críticas que o dirigente já havia feito a esse mecanismo.
“O gesto reforça que estamos diante de um Fed em transformação, com potenciais mudanças estruturais à frente. O comunicado deixou claro o foco do comitê em entregar estabilidade de preços, e isso deve pautar as próximas decisões”, afirma Flores.
Segundo ele, o texto divulgado pelo banco central americano foi mais inclinado a uma postura de cautela com a inflação do que a uma eventual flexibilização, o que mantém aberta a possibilidade de novas altas de juros nas próximas reuniões.
Na visão do especialista, essa leitura ajuda a explicar a reação dos mercados, com fortalecimento do dólar, pressão sobre os títulos públicos americanos e queda das bolsas. “A economia dos Estados Unidos continua sólida e em expansão, o que reforça uma visão mais favorável a juros mais altos do que à manutenção ou queda das taxas”, diz.
Acordo de paz entre EUA e Irã
Outro destaque fica com o acordo de paz entre os EUA e o Irã. Os dois países assinaram um memorando de entendimento na última quarta-feira (17). (acompanhe os principais acontecimentos)
O texto tem 14 pontos e inclui garantias de que Teerã nunca terá armas nucleares, a suspensão de sanções norte-americanas contra o Irã e uma compensação financeira ao governo iraniano. Além disso, abre um período de 60 dias para que os dois países negociem a questão nuclear.
Com a assinatura do memorando, Estados Unidos e Irã se comprometem a conduzir negociações para alcançar um acordo definitivo em até 60 dias, com prazo prorrogável mediante consentimento mútuo.
O governo suíço anunciou nesta quinta-feira (18) que EUA, Irã, Paquistão e Catar se reunirão na sexta (19) em Bürgenstock, na Suíça, para iniciar as negociações sobre a implementação do acordo de paz. O encontro, que antes serviria para assinar o memorando, chegou a ficar incerto após a assinatura ter sido antecipada.
Esse, no entanto, ainda não é o acordo final, que só será alcançado após novas negociações entre EUA e Irã para tratar da questão nuclear. Ele deverá ser ratificado por meio de uma resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU.
Enquanto se aguarda o acordo definitivo, EUA e Irã concordam em manter o status quo: o Irã manterá seu programa nuclear, e os EUA não vão impor novas sanções e nem mobilizarão forças militares adicionais no Oriente Médio.
Entenda quais os próximos passos
Mercados globais
Nos EUA, os principais índices de Wall Street fecharam em alta, conforme investidores avaliavam a decisão de juros do Fed e o acordo para o fim do conflito no Oriente Médio.
O Dow Jones teve alta de 0,14% e o S&P 500 subiu 1,06%, enquanto o Nasdaq Composite registrou ganhos de 1,87%.
Na Europa, os mercados acionários fecharam de forma mista nesta sessão. O índice pan-europeu STOXX 600 encerrou com queda de 0,3%.
Entre os principais mercados, o alemão DAX avançou 0,37% e o francês CAC 40 subiu 0,44%, enquanto o britânico FTSE 100 registrou queda de 1,04%.
Já na Ásia, os índices fecharam mistos nesta quinta-feira, após a agência reguladora do mercado de valores da China indicar que apoia a inovação. O CSI300, que reúne as maiores companhias em Xangai e Shenzen, avançou 0,21%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, perdeu 0,43%. Já o Hang Seng teve queda de 1,59%.
No Japão, o Nikkei subiu 1,65%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, teve valorização de 2,25%.
*Com informações da agência de notícias Reuters.
Dólar atinge a segunda maior cotação da história: R$ 5,86
Reprodução/TV Globo
Joshua Baer, CEO da empresa Capital Factory, morre em acidente com jato executivo no Texas

Joshua Baer, fundador e CEO da Capital Factory, posa para uma foto no evento Force Con, em 29 de maio de 2022, em San Antonio, Texas.
Billy Calzada/The San Antonio Express-News via AP
Joshua Baer, fundador da Capital Factory, uma aceleradora de startups, morreu após um acidente com um jato executivo no Texas, nos Estados Unidos.
Segundo a agência de notícias Associated Press, a aeronave caiu em uma rodovia após os pilotos relatarem problemas mecânicos e pedirem autorização para um pouso de emergência em um aeroporto próximo.
Ainda de acordo com a AP, o acidente aconteceu na noite de terça-feira (16) em Laredo, cidade próxima à fronteira com o México. A morte de Baer foi confirmada na quarta-feira (17).
Pessoas tentam retirar passageiros de um avião após ele cair em uma rodovia na terça-feira, 16 de junho de 2026, em Laredo, Texas.
Zayra Garza via AP
Ainda não há informações sobre o estado de saúde dos pilotos que estavam abordo da aeronave.
"Embora a perda de vidas seja profundamente lamentável, é nada menos que um milagre que essa tragédia não tenha se tornado um evento fatal em massa", disse o prefeito de Laredo, Victor Treviño, durante uma entrevista coletiva.
O perfil de Baer no LinkedIn informava que ele era casado e tinha três filhos.
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Quem era Joshua Baer
Joshua Baer era um empreendedor conhecido no Texas por sua atuação no desenvolvimento do ecossistema de tecnologia de Austin.
Ele costumava se definir como um "Austinpreneur", combinação do nome da cidade com a palavra "entrepreneur" (empreendedor, em inglês), em referência ao seu interesse em conectar pessoas e negócios.
Baer fundou a Capital Factory, que se tornou uma das principais empresas de capital de risco de Austin, investindo em startups de tecnologia de diferentes áreas, de robôs a naves autônomas.
Em seu perfil no LinkedIn, aparecia usando uma camiseta com a frase "Eu ajudo pessoas a largarem empregos". A sede da Capital Factory fica no centro de Austin, próxima aos escritórios de grandes empresas de tecnologia, como o Google.
Joshua Baer
Reprodução/Universidade do Texas
"Seja você ou não da área de tecnologia, hoje há um buraco no coração de Austin", disse Thom Singer, CEO do Austin Technology Council, organização que promove a indústria local de tecnologia.
Baer costumava resumir sua filosofia de vida na frase: "Plante muitas sementes. Regue para todo mundo. Repita". Em reconhecimento à sua atuação, recebeu em 2023 uma chave da cidade de Austin, símbolo de homenagem cívica.
Bryan Chambers, cofundador e presidente da Capital Factory, descreveu o sócio como um "verdadeiro superconector".
Após se formar na Carnegie Mellon University, em Pittsburgh, onde criou um negócio de marketing por e-mail, Baer se mudou para Austin em 1996 para trabalhar como desenvolvedor de software na Trilogy Inc. Ele fundou a Capital Factory em 2009 e costumava realizar encontros e conversas de negócios em uma cafeteria.
"Meu hobby são startups", disse Baer ao jornal Austin American-Statesman em 2012. "Eu não assisto esportes nem nada assim. Então é isso que eu faço. Quero ser investidor em toda grande empresa de tecnologia que surgir de Austin. Provavelmente é irrealista, mas vou tentar mesmo assim."
Baer também costumava conversar com estudantes do ensino médio e ocupava o cargo de "empreendedor residente" na Universidade do Texas.
"Ele era apaixonado pelo potencial da tecnologia para mudar o mundo e tornar a vida das pessoas mais eficiente e melhor", disse Singer. "E acreditava que os empreendedores poderiam, ao mesmo tempo, ganhar dinheiro e ajudar suas comunidades."
Os senadores texanos Ted Cruz e John Cornyn lamentaram a morte de Baer. Em uma publicação no X, Cornyn afirmou que ele foi um "líder inovador e criativo na cultura empreendedora de Austin".
Com informações da agência de notícias Associated Press.
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Trump diz que Apple fará chips nos EUA em parceria com a Intel

O presidente da Apple, Tim Cook, e o presidente dos EUA, Donald Trump, na fábrica da Apple em Austin, Texas.
Tom Brenner/Reuters
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (18), em uma publicação na rede social Truth Social, que a Apple concordou em trabalhar com a Intel para projetar e fabricar chips em território norte-americano.
Segundo o jornal Wall Street Journal, Intel e Apple chegaram a um acordo preliminar para a fabricação de alguns chips após mais de um ano de negociações. A Apple e a Intel ainda não comentaram a declaração de Trump.
A parceria ajuda a Apple a diversificar sua cadeia de produção de chips. Atualmente, a fabricante do iPhone depende fortemente da TSMC, cujas linhas de fabricação mais avançadas enfrentam alta demanda de empresas de inteligência artificial, como Nvidia e AMD.
Para a Intel, um contrato com a Apple garantiria demanda constante de uma das maiores empresas de eletrônicos de consumo do mundo. O acordo também poderia fortalecer a reputação da empresa e impulsionar seu negócio de fabricação de chips, que perdeu espaço para a TSMC nos últimos anos.
Agora no g1
Após o anúncio, as ações da Intel avançavam cerca de 6,5% nas negociações pré-mercado, ampliando para cerca de três vezes os ganhos acumulados pela companhia no ano.
No início desta semana, a Intel informou que sua nova tecnologia de fabricação 18A entrou em produção inicial, em meio à forte demanda por seus processadores centrais.
O possível acordo ocorre em um momento em que o governo Trump intensifica esforços para fortalecer a cadeia de suprimentos de semicondutores dos Estados Unidos e reduzir a dependência da China.
No ano passado, a administração adquiriu uma participação de 10% na Intel e anunciou planos de investir cerca de US$ 10 bilhões na empresa para construir ou ampliar fábricas no país.
Trump já havia afirmado anteriormente que "deveria ter pedido mais" participação acionária na Intel, após a valorização da fatia do governo para mais de US$ 50 bilhões.
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Alvo da PF na Operação Compliance Zero: relembre a trajetória do Banco Pleno até a liquidação pelo BC

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A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (18), a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema bilionário de fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça ligado ao Banco Master.
Entre os alvos estão o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o banqueiro Augusto Ferreira Lima, dono do Banco Pleno, instituição que teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em fevereiro deste ano.
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A instituição pertencia ao grupo Banco Master e havia sido vendida, no segundo semestre do ano passado, a Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, encerrando uma trajetória marcada por mudanças de controle, tentativas de reposicionamento e instabilidade operacional.
O banco surgiu a partir do Banco Indusval & Partners (BI&P), fundado em 1967 e voltado principalmente ao crédito corporativo e ao financiamento do agronegócio.
Diante de dificuldades operacionais e resultados pressionados, a instituição passou por diversas reorganizações societárias.
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Em 2019, sob o controle do empresário Roberto de Rezende Barbosa, a instituição adotou o nome Banco Voiter, em uma estratégia de enxugamento da estrutura e aposta em soluções digitais, mas sem conseguir estabilizar o negócio.
Diante das dificuldades, os controladores passaram a buscar potenciais compradores.
Tentativas de vendas até chegar ao Master
Em 2023, o banco negociou uma possível venda para a Capital Consig, que previa um aporte de R$ 100 milhões e a transferência do controle da instituição. A operação, porém, não avançou, abrindo espaço para conversas com o Banco Master.
No início do ano seguinte, os controladores do então Voiter anunciaram negociações com Daniel Vorcaro, sem divulgar os valores envolvidos. O acordo previa a transferência de controle e a incorporação das áreas de atacado, corretora e gestoras ao conglomerado do Master.
Pouco tempo depois, em julho de 2025, o Banco Central autorizou a transferência do controle para Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro, dando origem ao Banco Pleno.
Após a venda ao Master, a família Rezende Barbosa entrou em disputa judicial contra o conglomerado e seus controladores, envolvendo uma debênture de R$ 400 milhões emitida pela controladora do grupo.
Segundo os vendedores, a primeira parcela de R$ 100 milhões não foi paga e, mesmo após um aditivo que previa o desembolso de R$ 200 milhões em duas parcelas, os valores também não foram quitados.
O Master alegou que os credores teriam exigido a antecipação do contrato. A família acionou a Justiça em São Paulo, com valor da causa estimado em R$ 470,5 milhões, mas desistiu do processo após um acordo homologado no início de novembro, poucos dias antes da intervenção do BC no grupo.
Problemas de liquidez
A aprovação da operação veio acompanhada de exigências, entre elas a apresentação de um plano para enfrentar eventuais problemas de liquidez.
Apesar disso, o banco manteve forte dependência de captação por meio de depósitos a prazo, especialmente Certificados de Depósito Bancário (CDBs), como principal fonte de financiamento.
🔎 Problemas de liquidez ocorrem quando o banco não tem caixa para cumprir compromissos imediatos, como saques e resgates, mesmo possuindo ativos no papel. Ou seja, tem patrimônio, mas não consegue convertê-lo rapidamente em dinheiro, o que gera atrasos, perda de confiança e, em casos graves, intervenção do BC.
Segundo dados do BC, em setembro o Banco Pleno tinha passivos de cerca de R$ 6,8 bilhões, dos quais aproximadamente R$ 5,2 bilhões em CDBs e cerca de R$ 760 milhões em letras financeiras.
Com o aumento da percepção de risco, esses títulos passaram a ser negociados no mercado secundário com taxas bem acima do CDI, o que indica vendas forçadas e deterioração da confiança dos investidores.
A presença do Banco Pleno no sistema financeiro era reduzida. Até setembro do ano passado, a instituição concentrava cerca de 0,04% dos ativos do setor, que superavam R$ 18 trilhões — o equivalente a aproximadamente R$ 7,2 bilhões.
Nas captações, a fatia era de cerca de 0,05% de um total superior a R$ 13 trilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 6,5 bilhões.
Segundo o BC, a liquidação foi adotada após o agravamento da situação econômico-financeira da instituição, que passou a ter dificuldades para cumprir suas obrigações no dia a dia. O órgão também apontou descumprimento de normas e de determinações da própria autoridade reguladora.
"A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil."
Saiba mais na reportagem abaixo.
Banco Central decreta liquidação do Banco Pleno, controlado por ex-sócio de Daniel Vorcaro
O que diz a defesa de Augusto Lima
"As diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração.
De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos.
Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública."
Banco Pleno
Banco Pleno/Divulgação
Quem é Augusto Lima, dono do Banco Pleno, ex-sócio de Daniel Vorcaro, alvo da PF e ligado a petistas da Bahia

Jaques Wagner é alvo de nova fase da operação Compliance Zero
O banqueiro Augusto Ferreira Lima, do Banco Pleno, e ex-sócio de Daniel Vorcaro, é alvo nesta quinta-feira (18) de mandados de busca e apreensão da nona fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF). A sede do banco estava localizada na Alameda Santos, no bairro dos Jardins, em São Paulo.
Ele já havia sido preso preventivamente pela PF em novembro do ano passado na mesma operação. O Banco Pleno teve a liquidação extrajudicial decretada em fevereiro deste ano pelo Banco Central do Brasil (BC).
De acordo com as investigações da PF nos celulares de Vorcaro, Lima também atuou para que o BRB comprasse as carteiras do Banco Master.
Em nota, a defesa de Lima informou que "as diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração" e que "os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos".
O texto também afirma que "Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública".
Lima era controlador do Banco Pleno desde julho de 2025 e ex-sócio de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master que está preso em Brasília. Ele tem um histórico associado não apenas às fraudes envolvendo o Banco Master, mas também a nomes ligados ao governo.
Segundo o blog do Valdo Cruz, o banqueiro é próximo a petistas da Bahia — como o ministro Rui Costa (Casa Civil) e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) — e passou a ganhar notoriedade após comprar a rede de supermercados Cesta do Povo, durante a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal).
Com a compra, Lima também adquiriu o Credcesta — um cartão de benefícios voltado a servidores públicos municipais e estaduais, que começou na Bahia e depois teve sua operação expandida para todo o país em parceria com o Banco Master.
Augusto Lima, ex-dono do Banco Pleno que foi alvo de mandados nesta quinta (18)
Vanner Casaes/Agência Alba
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Segundo um requerimento da CPMI do INSS para a quebra de sigilo bancário de Lima, a ampliação do Credcesta transformou o cartão em um produto de crédito consignado “que se disseminou pelo país e passou a integrar carteiras negociadas com fundos de investimento e outras instituições financeiras”.
Ainda segundo o documento, uma parte relevante desses créditos oferecidos a aposentados e pensionistas não foi informada às autoridades ou não possuía recursos e estrutura suficientes para operar dentro das regras.
Lima também foi CEO do Banco Master e adquiriu o controle do Banco Pleno em 2025. A autorização do Banco Central foi concedida em julho do ano passado.
Segundo o blog do Valdo Cruz, foi Augusto Lima quem procurou Ricardo Lewandowski para contratá-lo como consultor jurídico do Banco Master, com a intermediação do líder do governo, Jaques Wagner. Lima também participou da reunião de Daniel Vorcaro com o presidente Lula no fim de 2024.
Liquidação do Banco Pleno
A liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM) foi decretada pelo BC.
Segundo o BC, o conglomerado tinha uma participação muito pequena no sistema financeiro brasileiro. Até setembro do ano passado, concentrava cerca de 0,04% de todos os ativos do setor, que somavam mais de R$ 18 trilhões — o equivalente a aproximadamente R$ 7,6 bilhões.
Nas captações, a participação era de 0,05% do total de mais de R$ 13 trilhões, o equivalente a cerca de R$ 6,5 bilhões.
🔎 Os ativos são tudo o que o banco possui ou tem a receber, como empréstimos e investimentos. Já as captações são os recursos que ele recebe de clientes e investidores, por meio de depósitos, CDBs e outros produtos.
Segundo o BC, a liquidação do Banco Pleno foi adotada após o agravamento da situação econômico-financeira da instituição, que passou a ter dificuldades para cumprir suas obrigações no dia a dia.
O órgão também apontou descumprimento de normas e de determinações da própria autoridade reguladora.
"A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil."
🔎 A liquidação extrajudicial ocorre quando o Banco Central encerra as atividades de um banco que não tem mais condições de operar. Um liquidante assume o controle, encerra as operações, vende os bens e paga os credores na ordem prevista em lei, até a extinção da instituição. O banco também deixa de integrar o sistema financeiro nacional.
O BC informou que continuará apurando responsabilidades. As investigações podem resultar em sanções administrativas e no envio de informações a outras autoridades. Com a liquidação, os bens dos controladores e administradores ficam indisponíveis.
Entre farpas e diplomacia: o saldo de Lula no G7 com Trump, UE e Ucrânia

Presidente Lula em reunião do G7, na França.
EPA/Shutterstock
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerrou nesta quarta-feira (17/06) sua décima participação em uma cúpula do G7, o fórum que reúne sete das maiores economias industrializadas do planeta e do qual o Brasil participa como convidado ao lado de outros países em desenvolvimento.
O evento deste ano foi realizado em território francês, em Évian-les-Bains. Durante sua passagem pela pequena cidade localizada às margens do Lago de Genebra, Lula se reuniu em privado com as lideranças de Japão, Egito, Ucrânia, França e União Europeia (UE).
O presidente brasileiro também teve reuniões privadas com o presidente da Confederação Suíça, Guy Parmelin, e com o secretário-geral da Interpol, o brasileiro Valdecy Urquiza.
Nos corredores e reuniões ampliadas do evento, Lula também cruzou com todos os líderes participantes, inclusive com Donald Trump.
A expectativa para a interação com o presidente americano era grande com o tensionamento das relações diante da possibilidade da aplicação de novas tarifas e da classificação de facções criminosas brasileiras como terroristas.
Ambos disseram ter conversado, mas após o término do fórum, durante coletivas de imprensa separadas, trocaram farpas, com Trump dizendo que o Brasil se tornou "perigoso do ponto de vista político" e Lula endossando sua visão de que o contraparte age como um "imperador".
Trump diz que conversou com Lula no G7 e chama Brasil de 'país politicamente difícil'
Lula respondeu dizendo que é direito de Trump gostar de Bolsonaro, mas que ele não pode interferir nas eleições no Brasil.
Na França, o Brasil ainda encerrou sua participação no fórum endossando apenas três das oito declarações publicadas pelos países membros do G7 (Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão).
Segundo uma fonte de dentro do próprio governo brasileiro, esse saldo diplomático evidencia distância entre Brasília e o grupo das sete principais economias do mundo.
Do 'bom trabalho' à defesa da soberania
Presidente Lula em reunião do G7, na França.
Getty Images
Em uma de suas primeiras interações registradas durante a reunião de cúpula de três dias, Trump e Lula se cruzaram nos corredores do hotel que hospeda a cúpula.
Em um vídeo obtido pelo portal ICL Notícias, o americano, ao ver o brasileiro, aponta em sua direção e caminha para saudá-lo. Trump então dá um tapinha nas costas de Lula e diz, em inglês: 'Tudo bem? Bom trabalho'.
O petista, que havia acabado de fazer um discurso sobre os desequilíbrios da economia mundial, responde olhando em direção a Trump.
No dia anterior, na sessão de fotos oficial, Lula e Trump apareceram próximos, mas não houve cumprimento, conversa pública ou interação registrada entre os dois presidentes.
Ao final da cúpula, porém, as divergências políticas entre os dois líderes ficaram evidentes, com troca de acusações durante coletivas de imprensa simultâneas.
Em Évian-les-Bains, Trump foi questionado sobre sua relação com o brasileiro e respondeu dizendo que o Brasil se tornou "perigoso do ponto de vista político" e citando de forma atrapalhada a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro na terça-feira (16/06), dizendo se tratar da prisão de candidato para as eleições.
Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo STF por coação no curso do processo, um crime que ocorre quando alguém tenta intimidar, pressionar ou interferir em investigações ou ações judiciais.
Ele foi acusado de articular nos Estados Unidos retaliações do governo Trump contra o Brasil e autoridades brasileiras para tentar impedir o julgamento do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-SP).
Lula teve a chance de rebater enquanto respondia a perguntas de jornalistas em uma coletiva de imprensa realizada em Genebra, que fica a cerca de 45 quilômetros da cidade francesa onde acontecia a cúpula.
"Eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania. Só espero isso", disse o petista.
"Para mim, ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem nenhum problema — é um problema dele afinal de contas, gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil".
O Palácio do Planalto afirmou, porém, que continua negociando com Washington após o governo americano anunciar a possibilidade de aplicar uma taxação extra de 25% sobre parte das importações brasileiras.
Segundo Lula, sua equipe sequer chegou a pedir uma reunião bilateral com Donald Trump, pois os assuntos que precisam ser tratados já estão sendo discutidos por diplomatas e técnicos nos bastidores.
"A hora que terminar a negociação, se não der nada, eu não tenho nenhum problema de pegar o telefone e ligar para o Trump outra vez e marcar outra conversa", disse o presidente brasileiro.
Socorro à Ucrânia?
Lula e Zelensky se reuniram a portas fechadas para falar sobre a guerra na Ucrânia
Getty Images
Também no último dia de cúpula, antes de viajar a Genebra para seu retorno ao Brasil, Lula se reuniu a portas fechadas com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.
Segundo Lula, este foi o melhor encontro que já teve com o ucraniano e, pela primeira vez, o sentiu "com disposição de encontrar solução" para o atual conflito com a Ucrânia.
"Pela primeira vez, senti Zelensky com disposição de encontrar solução. Ajudarei no que puder", destacou.
O presidente brasileiro afirmou ainda que reforçou para o ucraniano a importância dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU agirem de forma mais efetiva para acabar com a guerra. "São eles que têm o poder de veto. São eles que podem tomar a decisão para guerra ou para paz", afirmou.
Lula disse ainda que assumiu o compromisso de ligar para todos os cinco membros (China, Rússia, EUA, França e Reino Unido) para reforçar a necessidade de eles tomarem as rédeas do problema.
Em suas redes sociais, Zelensky disse que teve "uma boa reunião" com Lula e que ambos concordaram em fazer "novos contatos" sobre o tema.
Líderes do G7 declaram apoio inabalável à Ucrânia
Um apelo à UE
Outro ponto alto da participação do Brasil no fórum foi a reunião bilateral entre Lula e Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e António Costa, presidente do Conselho Europeu.
Pouco mais de uma semana antes do início do G7, a UE oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos em território brasileiro, com um veto que deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem a algumas das exigências sanitárias europeias.
O tema foi o foco principal da reunião fechada entre os líderes.
O veto não foi suspenso após as conversas, mas foi estabelecido que um acompanhamento mais próximo das negociações sobre padrões fitossanitários seria implementado a partir de agora.
O entendimento é de que uma relação apenas baseada no diálogo entre funcionários técnicos da UE e do governo brasileiro poderia estar dificultando o andamento das negociações e, por isso, uma visão mais "política" seria necessária para acelerar o processo.
Esse mesmo acompanhamento também será implementado nas tratativas sobre a exportação de produtos siderúrgicos.
Em abril deste ano, o bloco chegou a um acordo político para elevar de 25% para 50% as tarifas sobre importações de aço acima de cotas e reduzir significativamente os volumes isentos, em uma tentativa de proteger o setor diante da dominância chinesa.
Em suas redes sociais, Von der Leyen disse ainda que a Europa e o Brasil "olham para o mundo com os mesmos olhos" e que o acordo entre União Europeia e Mercosul, que entrou em vigor de forma provisória em maio, "é apenas o começo" da parceria.
Um estranho no ninho?
Líderes reunidos no G7, na França.
Getty Images
Ao todo, os líderes do G7 adotaram nove declarações durante o fórum. Dessas, oito poderiam ser endossadas pelos países parceiros convidados, que é o caso do Brasil.
O país, porém, concordou apenas com três.
Os textos assinados pelo país tratavam do combate ao câncer, da garantia de um espaço digital seguro para crianças e adolescentes e da luta contra o tráfico de drogas.
As demais declarações discutiam soluções para os desequilíbrios macroeconômicos mundiais, o combate ao ebola, minerais críticos, parcerias internacionais para o desenvolvimento e combate ao contrabando de migrantes.
Segundo uma fonte ligada à diplomacia brasileira, esse cenário é reflexo da dissonância entre o Brasil e as potências do G7 em muitos tópicos.
O texto que trata de mineração, por exemplo, foi classificado por um interlocutor do governo como de "visão extrativista" e "anti-China".
No caso específico da edição de 2026 do fórum, o governo brasileiro admitiu que muito do que foi discutido ou assinado foi moldado para que os Estados Unidos de Donald Trump pudessem participar do evento sem muitos desconfortos.
Na edição passada, sediada pelo Canadá, o presidente americano deixou a cúpula mais cedo, causando desconforto entre os demais participantes.
"Está ficando quase que um samba de uma nota só. Quando os convidados chegam à reunião, o G7 já aprovou seus documentos", afirmou Lula em entrevista à imprensa em Genebra.
O brasileiro também mencionou as críticas dos Estados Unidos e da União Europeia à China e disse que o Brasil não pretende entrar na briga dos dois com os chineses.
Ele também defendeu a parceria dos países do Sul Global com o gigante asiático, dizendo que Pequim tem investido muito mais em desenvolvimento, e com taxas mais justas, do que os países do ocidente.
"Não podem se queixar que a China está ocupando espaço se o espaço estava vazio", disse.
Negociações com o Japão
Às margens da cúpula do G7, Lula também se reuniu com a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi. Após o encontro, o Mercosul e o Japão anunciaram o lançamento formal das negociações de um acordo de parceria econômica.
Segundo a nota oficial, a inauguração das negociações ocorrerá na 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, prevista para o final de junho em Assunção, no Paraguai.
Os dois lados "trocaram informações relativas a áreas de interesse e sensibilidades mútuas", segundo o documento, e expressaram "satisfação com o progresso alcançado".
A iniciativa reflete uma estratégia de diversificação comercial do Japão. Em maio, Tóquio sinalizou a intenção de abrir negociações com o Mercosul ainda neste verão, diante das barreiras comerciais adotadas por Donald Trump e das restrições impostas pela China às exportações de terras raras.
Nesse contexto, o Mercosul desponta como um parceiro relevante: trata-se de um dos poucos grandes mercados globais com os quais o Japão ainda não possui um acordo de livre comércio.
Café solúvel fica fora de isenção do tarifaço e setor vai aos EUA pedir revisão: 'Não tem lógica'

Café solúvel sendo retirado da embalagem com colher
Reprodução/TV Gazeta
A indústria brasileira de café solúvel vai para os Estados Unidos defender o produto nacional contra a nova rodada de tarifas proposta por Donald Trump. A audiência pública acontece no dia 6 de julho, em Washington, e pode definir se os EUA vão sobretaxar, mais uma vez, o Brasil.
O café solúvel é o único tipo de café que ficou de fora da lista de isenções dos novos tarifaços, uma situação que se repete desde o ano passado.
"Nós vamos participar tanto da audiência como das manifestações por escrito", conta Aguinaldo Lima, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).
Em 1º de junho,Trump propôs tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, após uma investigação sobre diferentes temas, como desmatamento ilegal, pirataria e PIX.
No dia seguinte, ele anunciou taxas adicionais de 12,5% para 60 países por falha no combate ao trabalho forçado, incluindo o Brasil.
Para ambos os casos, foi publicada uma vasta lista de isenções que inclui os cafés em grão, torrado e moído.
Soma-se a isso o fato de que o café solúvel aromatizado também foi beneficiado pelas isenções, enquanto a versão tradicional ficou de fora. "Acreditamos que possa ter ocorrido alguma falha na classificação dos códigos, porque não faz sentido", afirma.
Outra hipótese levantada pela Abics é a de que os americanos estejam tentando reindustrializar o setor.
"Mesmo que os EUA decidam produzir mais café solúvel, ainda precisariam importar a matéria-prima. Além disso, trata-se de uma indústria que não leva menos de quatro ou cinco anos para ser instalada. Esse, inclusive, é um dos argumentos que estamos apresentando", afirma.
"Por outro lado, sabemos que tudo isso é parte de um jogo mais complexo. Os Estados Unidos querem um bom acordo na área de minerais críticos, terras raras, PIX, big techs e por aí vai", comenta.
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O que o setor vai argumentar na audiência
Segundo Lima, uma das linhas de argumentação será mostrar o impacto do tarifaço sobre a inflação do café nos EUA, além da importância do solúvel brasileiro para a economia americana. "Essa análise ainda está sendo feita, mas vamos debater em cima de dados", reforça.
Números preliminares do relatório mostram que os EUA produzem apenas 6% do café solúvel consumido internamente.
"Todo o restante é importado, principalmente do Brasil e do México. Em 2024, [último ano antes do tarifaço], o Brasil respondeu por 37% de todo o volume de café solúvel importado pelos americanos", afirma Lima.
Ele reforça que os dados ainda estão sendo validados e que farão parte da manifestação escrita que a Abics está preparando para enviar às autoridades americanas. O documento será entregue até 1º de julho, prazo fixado pelos EUA para que governos e associações se manifestem sobre as tarifas.
Ele explica que boa parte da argumentação será feita por escrito porque cada pessoa só tem três minutos para falar na audiência pública. "Durante a apresentação, a gente precisa ser muito direto".
"Depois dos três minutos, eles abrem para perguntas. E, pela experiência que tivemos no ano passado, o café não é tão questionado. Geralmente, o setor de carne e os frigoríficos recebem mais perguntas", comenta.
"Mas estaremos lá para marcar presença", reforça.
Dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA (Bureau of Labor Statistics) mostram que a inflação do café solúvel nos EUA teve alta de 24% em maio, no acumulado em 12 meses.
Entre agosto de 2025 e fevereiro deste ano, o produto brasileiro foi taxado em 50% nos EUA, o que derrubou as vendas da indústria brasileira para este mercado. Em 20 de fevereiro, o Congresso dos EUA derrubou essa sobretaxa, mas, no mesmo dia, Trump impôs uma tarifa global de 10%.
"Em julho, vence o prazo da taxa de 10%", lembra Lima. Segundo ele, caso as novas tarifas entrem em vigor, o café solúvel brasileiro deve ser taxado em 37,5% no mercado americano e provocar mais um baque para o setor.
Além do impacto inflacionário nos EUA, Lima ressalta que o café solúvel é importante para a economia americana.
"Parte da agregação de valor do café solúvel é feita nos Estados Unidos. São as empresas de lá que envasam e fazem a distribuição. Isso gera emprego para os americanos. Não é um produto que vai pronto", destaca.
Trump acusa Brasil de trabalho forçado na pecuária, mas isenta carne bovina de nova tarifa
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Agressão no aeroporto: quais são os direitos de profissionais atacados? Cabe indenização? Quem será responsabilizado?

Agressão no aeroporto: quais são os direitos do trabalhador?
O que começou como um atendimento de rotina terminou em cenas de violência. Na madrugada de terça-feira (16), uma passageira partiu para a agressão física depois de se irritar com o atendimento prestado por funcionárias da Latam no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Imagens gravadas no terminal mostram o momento em que a mulher invade a área do balcão e desfere socos contra uma trabalhadora. Outras três funcionárias que tentaram conter a situação também foram agredidas.
As imagens repercutiram nas redes sociais e trouxeram dúvidas: O que acontece quando um funcionário é agredido durante o trabalho? A violência pode ser considerada acidente de trabalho? A vítima tem direito a indenização?
Passageira agride 4 funcionárias da Latam no Aeroporto de Guarulhos após discussão
Segundo a advogada trabalhista Juliana Mendonça, especialista em Direito e Processo do Trabalho, e sócia do Lara Martins Advogados, a legislação brasileira prevê que uma agressão sofrida durante o exercício da atividade profissional pode gerar consequências trabalhistas, previdenciárias e indenizatórias.
Além disso, episódios de violência praticados por clientes, passageiros ou terceiros podem gerar efeitos nas esferas cível e criminal, dependendo das circunstâncias do caso, completa Marcel Cordeiro, sócio da área de Direito Trabalhista e Previdenciário do escritório Miguel Neto Advogados.
"A responsabilidade principal costuma recair sobre o agressor, mas isso não impede a análise de eventuais deveres da empresa relacionados à prevenção de riscos e à proteção dos trabalhadores", afirma.
Passageira agride quatro funcionárias da Latam no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.
Reprodução/Redes Sociais
O que a empresa deve fazer
Durante muito tempo, se a violência partia de alguém sem vínculo com a empresa, a responsabilidade seria exclusivamente da pessoa. Segundo Juliana Mendonça, essa interpretação vem mudando.
A especialista explica que a Convenção 190 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) estabelece o direito de todo trabalhador a um ambiente livre de violência e assédio. Isso inclui situações em que a agressão é praticada por terceiros.
Segundo a advogada, a legislação de segurança e saúde ocupacional também avançou nessa direção. A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata do gerenciamento de riscos ocupacionais, passou a exigir que as empresas identifiquem e gerenciem riscos psicossociais relacionados ao trabalho, incluindo situações de violência e assédio.
As primeiras horas após um episódio de violência costumam ser decisivas para proteger o trabalhador e preservar provas. Segundo a advogada, a prioridade deve ser garantir assistência à vítima. Isso inclui atendimento médico imediato e, quando necessário, apoio psicológico.
A empresa também deve preservar imagens de câmeras de segurança, registrar o ocorrido internamente, identificar testemunhas e colaborar com as autoridades responsáveis pela investigação. Em ambientes com equipes de segurança, a orientação é agir rapidamente para conter a situação e identificar o agressor.
Outro dever relevante é a emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT).
"A CAT é fundamental para garantir o reconhecimento dos direitos previdenciários do trabalhador. Deixar de emitir esse documento pode gerar prejuízos tanto para a empresa quanto para a vítima", afirma.
Marcel Cordeiro ressalta que a emissão da CAT deve ocorrer até o primeiro dia útil seguinte ao episódio, quando houver caracterização de acidente de trabalho. Além do registro formal, a empresa deve adotar medidas voltadas à saúde e à segurança do trabalhador, incluindo o encaminhamento para atendimento médico e psicológico quando necessário.
"Também poderia haver responsabilização se, após o episódio, a empresa deixar de prestar suporte mínimo ao trabalhador", afirma.
Gif mostra paciente agredindo profissional da saúde
Reprodução
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Quem responde pelos danos?
Segundo Juliana Mendonça, a responsabilidade da agressora não exclui automaticamente a possibilidade de responsabilização da empresa.
"A agressora pode responder na esfera criminal, especialmente por lesão corporal, se comprovada ofensa à integridade física ou à saúde das vítimas (...) as trabalhadoras também podem buscar reparação civil, incluindo danos morais, danos materiais e despesas médicas eventualmente comprovadas", diz Marcel Cordeiro.
Ao mesmo tempo, a Justiça do Trabalho pode analisar se houve falha da empresa no dever de proteção aos seus empregados. Os especialistas explicam que determinadas atividades expõem trabalhadores a situações previsíveis de conflito.
🔎 É o caso de aeroportos durante atrasos e cancelamentos de voos, hospitais em momentos de superlotação, serviços bancários e transporte coletivo, entre outros.
Nessas situações, a análise costuma considerar diversos fatores.
Havia equipes de segurança disponíveis?
Os funcionários receberam treinamento adequado?
Existiam protocolos para situações de crise?
A empresa já tinha conhecimento de riscos semelhantes?
Segundo Juliana, essas questões são decisivas para avaliar eventual responsabilidade do empregador. "A responsabilidade do agressor não exclui automaticamente a da empresa (...) pode haver responsabilidade compartilhada", afirma.
Quando a empresa pode ser considerada corresponsável
De acordo com os especialistas, algumas situações costumam atrair a atenção da Justiça do Trabalho.
Uma delas ocorre quando a empresa tinha conhecimento de um risco previsível e não adotou medidas adequadas para reduzi-lo.
Outra hipótese envolve atividades que, por sua natureza, expõem trabalhadores a situações frequentes de tensão.
Também são analisados casos em que empregados foram colocados em situação de vulnerabilidade ou quando havia histórico de ocorrências semelhantes sem providências efetivas.
Segundo Juliana Mendonça, a análise não se limita à agressão em si, mas considera toda a estrutura de proteção oferecida ao trabalhador.
Marcel Cordeiro faz uma avaliação semelhante. Segundo ele, a violência praticada por terceiros não gera responsabilidade automática do empregador.
🔎 De acordo com o advogado, isso pode ocorrer quando há histórico de situações semelhantes, ausência de protocolos mínimos de segurança, falta de treinamento das equipes, demora injustificada na intervenção ou manutenção do trabalhador em situação de risco evitável.
🔎 Também pode haver questionamentos caso a empresa deixe de prestar suporte adequado após o episódio, não registre corretamente a ocorrência ou não adote medidas voltadas à preservação da saúde física e psicológica dos empregados.
Ou seja, a agressão praticada por terceiros não gera responsabilidade automática da empresa, mas não afasta eventual responsabilização diante de omissão ou falha no dever de proteção.
O que pode acontecer no caso da Latam
Na avaliação dos especialistas, ainda é cedo para concluir se há responsabilidade da companhia aérea pelo episódio. Essa definição dependerá da análise dos fatos, das provas e das circunstâncias do atendimento. Um ponto específico, porém, pode ganhar relevância.
A própria Latam informou que as agressões ocorreram durante uma contingência operacional. Segundo Juliana Mendonça, esse tipo de situação tende a aumentar o estresse entre passageiros e equipes de atendimento.
"[Essa] situação que tornava previsível e esperado um ambiente de tensão elevada no balcão de atendimento", afirma.
A especialista ressalta que isso não implica responsabilização automática da companhia. Será necessário avaliar quais medidas de proteção estavam disponíveis e como a empresa atuou antes e depois do episódio.
Para Marcel Cordeiro, a análise também deverá considerar se havia mecanismos adequados de prevenção e resposta para situações de conflito.
Fatores como previsibilidade do risco, tempo de resposta e suporte oferecido às funcionárias após o ocorrido costumam ser considerados em eventuais discussões judiciais, explica o advogado.
Profissional de enfermagem fica ferida no braço após agressão no HPS, em Juiz de Fora
TV Integração/Reprodução
Indenização pode ir além dos danos físicos
Uma agressão pode gerar diferentes formas de indenização. Juliana Mendonça afirma que os danos materiais incluem despesas médicas, psicológicas, odontológicas, medicamentos e outros gastos relacionados ao tratamento.
Também podem ser pleiteados danos morais quando há sofrimento, humilhação, medo ou abalo emocional.
Marcel Cordeiro acrescenta que a reparação pode abranger diferentes tipos de prejuízo comprovado. Nos casos em que a violência deixa sequelas permanentes, podem surgir pedidos de indenização por danos estéticos. Se houver redução da capacidade de trabalho, a vítima pode pleitear pensão mensal.
"Na esfera trabalhista o trabalhador vítima pode pleitear: dano material (...), dano estético (...), além de pensão por incapacidade", afirma Juliana Mendonça.
O que o trabalhador deve fazer após sofrer uma agressão
A orientação dos especialistas é registrar boletim de ocorrência o mais rápido possível e buscar atendimento médico, mesmo que as lesões aparentem ser leves.
Também é importante guardar laudos, receitas, atestados, comprovantes de gastos e qualquer outro documento relacionado ao tratamento.
Segundo Juliana Mendonça, a vítima deve tentar identificar testemunhas, solicitar a preservação de imagens de segurança e exigir a emissão da CAT quando a agressão estiver relacionada ao trabalho.
🔎 Quanto mais provas forem reunidas, mais fácil será demonstrar a ocorrência da agressão e seus impactos.
Marcel Cordeiro ressalta que a documentação do caso é fundamental tanto para investigações criminais quanto para o reconhecimento de direitos trabalhistas e previdenciários.
No caso das funcionárias da Latam, a investigação deverá esclarecer a responsabilidade da passageira. Já eventuais discussões trabalhistas dependerão da análise das circunstâncias do atendimento e das medidas adotadas pela empresa.
Por que o CNPJ vai passar a ter letras em julho? Entenda novas regras

Guia do empreendedor: Menos opções, mais lucros
O Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) passará a incluir letras além de números na identificação de empresas, organizações, produtores rurais, profissionais liberais e outros tipos de pessoa jurídica a partir de julho deste ano.
A mudança tem como objetivo ampliar a capacidade do sistema e garantir a continuidade do modelo, já que o formato atual se aproxima de seu limite técnico, segunda a Receita Federal.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
O novo modelo manterá os 14 caracteres do CNPJ tradicional, mas permitirá o uso de letras de A a Z em posições específicas da estrutura, formando um CNPJ alfanumérico. A mudança representa uma expansão gigantesca nas combinações possíveis.
No Brasil, existem mais de 24,9 milhões de CNPJs ativos e cerca de 29,2 milhões desativados, segundo dados da Estatística Redesim (Receita Federal).
No total, já foram emitidos mais de 63 milhões de CNPJs, número que se aproxima do limite do modelo atual. Isso ocorre porque, assim como o CPF, cada número de CNPJ é único e permanente, não podendo ser reutilizado, mesmo quando a empresa é encerrada.
Essa mudança será gradual e começará a valer apenas para novas inscrições. Isso inclui empresas recém-criadas, novas filiais, profissionais liberais, condomínios e produtores rurais.
Quem já possui um CNPJ não precisará trocar ou atualizar nada. Os números atuais continuarão válidos e aceitos normalmente pelos sistemas públicos e privados.
A seguir, o g1 esclarece as principais dúvidas sobre essa mudança.
1. O que é o CNPJ alfanumérico?
É o novo modelo de identificação das pessoas jurídicas no Brasil. Em vez de utilizar apenas números, o novo CNPJ combinará letras (de A a Z) e números (de 0 a 9), mantendo o total de 14 caracteres.
A estrutura visual será semelhante à atual, mas com a inclusão de caracteres alfanuméricos. (confira no exemplo abaixo)
Sistema atual vs. nova tipologia
Receita Federal
2. Quando começa?
A emissão de CNPJs com letras começará em julho de 2026, de forma gradual.
Segundo a Receita, será elaborado um calendário para definir quais tipos de empresas ou atividades econômicas adotarão primeiro o novo formato.
3. Quem vai receber CNPJ com letras?
Apenas novas inscrições a partir da data de início, como empresas recém-criadas, filiais, produtores rurais, condomínios e profissionais liberais.
O formato atual, composto exclusivamente por números, continuará válido. Não será necessário nenhum procedimento adicional por parte dos contribuintes junto à Receita Federal ou aos órgãos estaduais e municipais.
4. O procedimento de inscrição do CNPJ vai mudar?
Não. O processo para abertura de empresas e solicitação de CNPJ continuará o mesmo. A única diferença é que o número gerado poderá conter letras.
Segundo a Receita, a partir de julho do próximo ano, todos os sistemas estarão preparados e integrados à Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (REDESIM).
5. O que as empresas precisam fazer?
Empresas e sistemas que lidam com emissão de notas fiscais ou controle tributário precisarão adaptar seus softwares, bancos de dados e rotinas internas.
Podem ocorrer falhas na emissão de documentos fiscais, dificuldades com fornecedores ou atrasos no cumprimento de obrigações tributárias. A recomendação é que as empresas se preparem com antecedência.
A Receita informou que disponibilizará ferramentas para facilitar essa atualização técnica.
6. Empresas e profissionais já inscritos precisam fazer algo?
Não. Nenhuma ação será necessária junto a órgãos federais, estaduais ou municipais.
Os sistemas públicos serão atualizados para aceitar tanto o formato atual quanto o novo. A expectativa, segundo a Receita, é que essa adaptação ocorra de forma automática e transparente para as empresas.
7. O que muda no cálculo do Dígito Verificador?
O Dígito Verificador (DV), número que aparece no final do CNPJ e serve para validar sua autenticidade, continuará sendo calculado pelo método do Módulo 11 — um tipo de verificação matemática —, agora adaptado para incluir letras no cálculo.
Cada caractere será convertido em um valor numérico com base na tabela ASCII, que atribui um número específico a cada símbolo, e dele será subtraído o valor 48.
Por exemplo: a letra A corresponde ao número 65 na tabela ASCII e, para o cálculo, será utilizado o valor 17 (que é o resultado de 65 menos 48).
A Receita Federal disponibilizará rotinas de cálculo em linguagens de programação populares para facilitar essa adaptação técnica.
8. Qual a ligação com a reforma tributária?
O novo CNPJ faz parte do processo de modernização do sistema tributário.
A mudança prepara o caminho para a implementação de dois novos tributos: a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que vão unificar e simplificar diversos impostos atualmente em vigor.
Para isso, será necessário contar com sistemas mais modernos e integrados. O novo CNPJ alfanumérico contribui nesse processo ao ampliar a capacidade do sistema, facilitar a separação entre despesas pessoais e profissionais, e automatizar processos como a recuperação de créditos tributários.
9. Haverá algum custo para as empresas com essa mudança?
Sim. As empresas precisarão atualizar seus sistemas para reconhecer o novo CNPJ com letras e calcular corretamente o Dígito Verificador.
Essas adaptações podem gerar custos técnicos, especialmente em softwares de emissão de notas fiscais e bancos de dados.
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Receita federal
Crédito editorial: SERGIO V S RANGEL / Shutterstock
Entenda o que são nanoempreendedores
Copa do Mundo 2026: como funciona novo 'tira-teima' para lances de impedimentos

Tira-teima da FIFA reproduz jogadas de possível impedimento
Divulgação/FIFA
Os jogos da Copa do Mundo de 2026 ganharam um sistema de "tira-teima" que permite reproduzir mais fielmente as situações de possível impedimento.
Até então, replays animados mostravam jogadores com o mesmo tamanho, o que não correspondia exatamente à jogada real e podia gerar dúvidas em lances mais complexos.
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Nesta Copa, cada atleta passou a ser representado com suas dimensões reais, o que facilita a análise na cabine do VAR e dá mais clareza para quem assiste à partida.
Antes do início do torneio, os jogadores das 48 seleções foram fotografados em uma cabine com 36 câmeras com resolução 4K. As imagens ajudaram a criar um avatar 3D exclusivo para cada um deles.
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Cada jogador fica na cabine por cerca de 30 segundos, desde o tempo de preparação até a captura da foto em si, que leva menos de um segundo, segundo a Lenovo, parceira da FIFA na criação do sistema.
Depois, algoritmos de inteligência artificial criam versões animadas que consideram detalhes como a altura e o tamanho dos pés do atleta, o que é ignorado em modelos mais antigos.
"É possível interpretar textura, postura, movimentação e replicar no avatar. É mais do que uma foto 3D, é efetivamente a replicação do jogador em um ambiente digital", disse Valério Mateus, gerente-geral de Serviços e Soluções da Lenovo para a América Latina.
Jogadores das 48 seleções foram fotografados em cabine antes do início da Copa
Divulgação/Lenovo
O sistema dos avatares em 3D não determina se um jogador está ou não em situação de impedimento — essa função permanece com o árbitro do VAR —, mas ajuda quem está na cabine a tomar decisões com mais rapidez.
"O VAR tem a possibilidade de olhar para entender se tinha um pé ou um ombro à frente e rotacionar a imagem para ver a partir de outro ângulo se houve um toque em um lance de falta, por exemplo", disse Valério.
O novo "tira-teima" também é útil porque deixa mais claro para os torcedores o motivo para o VAR ter tomado uma determinada decisão, disse o diretor de Inovação da Fifa, Johannes Holzmüller, em um evento realizado pela entidade no início de junho.
"Melhoraremos os replays em 3D, onde os jogadores são realmente parecidos e fica óbvio quais estão em posição de impedimento", afirmou.
Tira-teima foi usado na partida entre Inglaterra e Croácia
Reprodução/TV Globo
Esse sistema já tinha sido testado em dezembro de 2025, na partida entre Flamengo e Pyramids, do Egito, válida pela terceira fase da Copa Intercontinental da FIFA.
Além dos avatares, a Copa de 2026 traz uma evolução nas câmeras usadas por árbitros. As gravações passaram a ser estabilizadas em tempo real por meio de inteligência artificial.
Como o árbitro se movimenta bruscamente, as versões anteriores sofriam com o desfoque e tremores, o que era desconfortável para quem está assistindo. Com menos balanço, as transmissões podem aproveitar mais o ângulo de quem está dentro do campo.
Tira-teima foi usado na partida entre França e Senegal
Reprodução/TV Globo
Fotos em cabine permitem escanear vários ângulos de jogadores para criar versões animadas
Reprodução
Mega-Sena pode pagar R$ 36 milhões nesta quinta-feira; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-Sena?
O concurso 3.019 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 36 para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta quinta-feira (18), em São Paulo.
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No concurso da última terça-feira (16), ninguém acertou as seis dezenas.
O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
Acompanhe os sorteios no site do g1
Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube
A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Labubu chega ao Brasil nesta quinta com bonecos a partir de R$ 299,99

Bonecos Labubu
Reprodução/Pop Mart
Os bonecos Labubu já podem ser comprados oficialmente no Brasil. O anúncio foi feito pela Candide, responsável pela distribuição dos produtos da empresa chinesa Pop Mart.
A chegada estava prevista para 5 de junho, mas a data foi alterada, e os bonecos Labubu só passaram a ser vendidos no país nesta quinta-feira (18). Além deles, também foram lançados itens das linhas Hirono, Crybaby, Skullpanda, Meninas Superpoderosas, Pucky e Nyota.
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Labubu ou Lafufu? Saiba como diferenciar os monstrinhos
As vendas começam simultaneamente em 20 lojas distribuídas por 11 estados brasileiros. Todas são especializadas em itens colecionáveis:
Distrito Federal: no ParkShopping em Brasília (DF);
Rio de Janeiro: no Shopping Leblon e Barra Shopping no Rio de Janeiro (RJ) e Plaza Shopping em Niterói (RJ);
São Paulo: no Shopping Anália Franco, Shopping Bourbon, Shopping Eldorado, Shopping Pátio Higienópolis, Shopping Marketplace, Shopping Iguatemi, além de uma loja no bairro da Liberdade e outra nos Jardins;
Minas Gerais: no BH Shopping;
Bahia: Salvador Shopping;
Pernambuco: Shopping RioMar Recife;
Amazonas: no bairro Nossa Senhora das Graças, em Manaus (AM);
Espírito Santo: no Shopping Vila Velha;
Santa Catarina: no Balneário Shopping, em Balneário Camboriú (SC);
Paraná: no Park Shopping Barigui em Curitiba (PR);
Rio Grande do Sul: Shopping Iguatemi em Porto Alegre (RS).
Agora no g1
O que são Labubus?
Os Labubus são bonecos de pelúcia com aparência excêntrica e dentes serrilhados, criados em 2015 pelo artista de Hong Kong Kasing Lung.
Eles viraram febre nos últimos meses, primeiro entre celebridades. Rihanna, Maya Massafera, Virginia Fonseca e Marina Ruy Barbosa já apareceram com os bonecos pendurados em bolsas.
Os originais são vendidos em caixas-surpresa, o que significa que o comprador só descobre qual personagem recebeu depois de abrir a embalagem. Dependendo da sorte, é possível tirar desde modelos comuns até versões raras da coleção.
Após a parceria com a Pop Mart, os personagens ajudaram a fabricante chinesa a faturar mais de US$ 2,3 bilhões, segundo a Forbes.
Até então, os produtos da Pop Mart não eram vendidos oficialmente no Brasil. Com a febre dos bonecos nas redes sociais, versões falsificadas passaram a ser facilmente encontradas no país.
Enquanto um Labubu original chegou a custar US$ 300 (cerca de R$ 1,6 mil) em junho do ano passado, era possível encontrar réplicas na região da 25 de Março por preços entre R$ 65 e R$ 250, como mostrou o g1 em junho de 2025.
"Chegou a hora de oferecer essa experiência de forma oficial, com acesso amplo e a qualidade que a marca representa", disse Moise Candi, CEO da Candide.
Move Aplicativos: 7 dicas para conseguir aprovação no financiamento para motoristas de app

BYD Dolphin Mini é dos veículos que se encaixam no critério do Move Aplicativos
Divulgação / BYD
A partir desta sexta-feira (19), os motoristas que fizeram o cadastro e atendem aos requisitos do programa Move Brasil Táxi e Aplicativos (também chamado de Move Aplicativos) podem procurar instituições financeiras e solicitar um financiamento para a compra do carro zero km.
A iniciativa do governo direciona uma linha de crédito de R$ 30 bilhões para incentivar financiamento a motoristas de aplicativo e taxistas.
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O Move Aplicativos promete juros menores para a aquisição de automóveis novos de até R$ 150 mil. Entre os requisitos, os motoristas de app precisam ter mais de 12 meses na plataforma e mais de 100 corridas nesse período para ter direito ao programa. (veja as regras aqui)
Apesar das condições facilitadas, os candidatos precisam passar por uma etapa crucial: o crivo dos bancos.
Como o financiamento depende da análise individual de risco de cada banco parceiro, o trabalhador autônomo precisa se preparar estrategicamente para não ter o crédito negado.
Para entender como motoristas e taxistas podem aumentar as chances de aprovação, o g1 consultou especialistas em planejamento financeiro. Também há simulações que mostram que o programa pode diminuir em alguns casos R$ 17 mil no custo total na compra de um carro novo.
Direitos do consumidor no financiamento de carros
1. Mostre que você tem capacidade de pagamento
O primeiro passo fundamental para conquistar a confiança das instituições parceiras é provar que você consegue arcar com o compromisso assumido.
Segundo Henrique Soares, planejador financeiro pela Planejar, a melhor forma é manter as contas em dia, evitar atrasos recorrentes e reduzir o nível geral de endividamento. E manter organizada a documentação de comprovação de renda é essencial.
“Ajuda a dar uma entrada maior para o veículo, porque isso reduz o valor financiado e, consequentemente, o risco para a instituição financeira", detalha o planejador.
Antes de solicitar formalmente o crédito, vale revisar eventuais pendências cadastrais e verificar a real situação do seu CPF nos órgãos de proteção ao crédito, como o Serasa.
2. Cuide do seu score de crédito
O score, segundo o especialista, funciona como um dos principais termômetros utilizados pelas instituições para mensurar o risco de inadimplência de cada consumidor.
Ele não deve ser encarado como o único critério da avaliação, mas tem um papel central ao ajudar o banco a entender todo o histórico financeiro daquele cliente.
🔎 De forma geral, quanto melhor for o seu histórico de pagamentos e menor for a incidência de atrasos, maiores tendem a ser as chances de aprovação da proposta e melhores podem ser as condições de taxas oferecidas.
3. Fique atento ao comprometimento da renda
O comprometimento da renda é um dos fatores mais analisados no processo de concessão de crédito, explica Soares.
O banco precisa avaliar detalhadamente se a parcela cabe no orçamento sem comprometer excessivamente a capacidade de subsistência e pagamento do cliente.
“No caso dos motoristas de aplicativo, esse cuidado é ainda mais importante porque a renda costuma variar ao longo dos meses”, diz Soares
Por isso, o especialista reforça que, mais importante do que saber qual o teto do valor máximo que pode ser financiado, é entender perfeitamente qual parcela pode ser paga de forma sustentável no longo prazo.
4. Organize os comprovantes (mesmo sem contracheque)
Por se tratar de um trabalho autônomo, não existe um contracheque ou holerite tradicional, mas isso não deve ser um impedimento para buscar o benefício do Move Brasil.
Os bancos já adotam como critério a análise da movimentação financeira de profissionais independentes. Para facilitar e agilizar a análise de crédito, reúna a seguinte documentação:
Declaração do Imposto de Renda;
Extratos bancários recentes;
Histórico completo de movimentação da conta corrente;
Comprovantes e relatórios consolidados de recebimentos emitidos pelas plataformas de aplicativo.
Quanto mais organizada estiver essa documentação, mais fácil tende a ser a análise realizada pela mesa de crédito.
5. Use o relacionamento com o seu banco a seu favor
Se você já movimenta dinheiro ou possui conta em uma instituição financeira específica, começar a busca por ela pode facilitar bastante a aprovação.
Ter um relacionamento prévio ajuda porque a instituição já detém um histórico consolidado dos seus hábitos financeiros, diz o especialista.
“Quando o banco consegue visualizar entrada de renda, comportamento de pagamento e relacionamento ao longo do tempo, a análise tende a ser mais completa”, explica.
🔎 Isso não é garantia automática de aprovação, mas contribui diretamente para uma avaliação mais precisa e justa do perfil de crédito do motorista.
6. Evite os erros mais comuns
Muitas das negativas de crédito acontecem por falhas recorrentes que poderiam ser sanadas na fase de planejamento.
Os principais motivos de reprovação identificados pelo mercado incluem:
Renda declarada incompatível com o valor solicitado para o veículo;
Excesso de endividamento e outras linhas de crédito simultâneas;
Histórico recente de contas atrasadas ou restrições cadastrais ativas;
Falta de documentação adequada e comprovações inconsistentes.
Outro deslize muito frequente apontado pelo planejador é escolher modelos de veículos com parcelas muito próximas do limite máximo do próprio orçamento mensal.
"O ideal é buscar um financiamento que caiba com folga no orçamento, considerando não apenas a parcela, mas também custos como combustível, seguro, manutenção e até períodos de menor faturamento. ", ressalta Soares.
7. Faça uma preparação para o 'sim'
Para quem pretende solicitar o financiamento do Move Brasil, a preparação ideal deve começar bem antes do envio do pedido formal.
A recomendação prática do planejador financeiro é organizar rigorosamente os documentos, reduzir ao máximo as dívidas existentes, regularizar pendências no CPF e focar na construção de uma reserva financeira.
Isso servirá tanto para aumentar o valor de entrada do veículo quanto para protegar o motorista contra imprevistos de manutenção.
“Também é importante acompanhar a própria renda ao longo dos meses para entender qual parcela realmente cabe no orçamento”, aconselha.
Segundo Soares, o financiamento facilitado é uma ferramenta importante para a aquisição de um veículo de trabalho, mas a aprovação do crédito é apenas o passo inicial.
“O mais importante é garantir que essa dívida seja sustentável ao longo do tempo”, diz.
Juros menores
"A taxa do programa, entre 11,5% e 12,6% ao ano, é menos da metade da taxa média de mercado para aquisição de veículos para pessoa física", explica Carlos Castro, planejador financeiro CFP pela Planejar.
Na prática, segundo o especialista, essa vantagem permite que, em um financiamento de 48 parcelas com 50% de entrada, a economia em juros pagos possa ultrapassar R$ 17 mil para um carro com preço de R$ 150 mil.
🔎 Embora o programa ofereça facilidades, é preciso atenção aos detalhes contratuais. "A carência de 6 meses ajuda o caixa do motorista no início, mas os juros incidem sobre o saldo devedor nesse período”, diz Castro
Portanto, o custo final tende a subir quando comparado a uma tabela sem carência.
Por fim, a estratégia de poupança continua sendo o melhor caminho para quem quer economizar de verdade.
Mesmo com taxa subsidiada, dar a maior entrada possível continua sendo a regra. “O juro, ainda que menor, é composto e incide sobre todo o saldo devedor", explica.
🔎 A lógica financeira, segundo Castro, é simples e implacável: reduzir o principal sempre reduz o custo total da operação para o motorista.
Vamos às contas
Veja abaixo a simulação de financiamento de um Volkswagen Virtus 170 TSI; a economia no final em juros é de mais de R$ 20 mil. Vale lembrar que o programa prevê taxas de juros diferentes para homens e mulheres:
Faça as suas contas
O consumidor tem direito a ter todas as informações claras no momento de adquirir um financiamento.
O g1 já mostrou quais são as obrigações dos vendedores ao apresentar um financiamento, quais são os direitos do consumidor e como calcular o custo real de um empréstimo para evitar um mau negócio na compra de um carro.
O consumidor tem direito à informação adequada e clara sobre todos os elementos relevantes da contratação, especialmente preço, encargos, juros, custo efetivo total e consequências econômicas do negócio”, explica Jefferson Leão, advogado da Poliszezuk Advogados.
🔎 O chamado custo efetivo total (CET) representa o valor real de um financiamento. Ele inclui juros, tarifas, impostos e quaisquer outras despesas da operação.
Segundo Leão, omitir informações durante a negociação verbal e apresentá-las apenas no contrato, de forma a confundir o consumidor, é uma prática vedada pela lei. Assim, é necessário que todos os custos e informações estejam claros, tanto na conversa quanto na documentação.
Apple deve aumentar preços por conta de alta nos custos de chips, diz jornal

Modelos da linha iPhone 17 em loja da Apple em Taiwan, em foto de 19 de setembro de 2025
Reuters/Ann Wang
A Apple planeja aumentar os preços de seus produtos por conta do aumento dos custos com chips de memória. A declaração foi feita pelo CEO da empresa, Tim Cook, ao Wall Street Journal.
"Infelizmente, os aumentos de preços são inevitáveis", disse Cook. "Estamos fazendo o possível para mitigar os enormes aumentos que estão sendo repassados para nós e tentando proteger os nossos clientes desses aumentos, mas a situação se tornou insustentável".
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O executivo não deu detalhes sobre quando o aumento de preços será aplicado nem quais produtos serão afetados.
A empresa deve lançar em setembro o iPhone 18 e apresentar o primeiro modelo dobrável da linha, segundo o WSJ. Mas a reportagem indicou que o aumento de preços pode chegar ainda antes, para modelos de Mac e iPad.
Agora no g1
O preço do iPhone 18 Pro subiria de US$ 1.099 para US$ 1.299 caso a fabricante decida manter a sua margem de lucro, segundo projeção da consultoria TechInsights feita ao Wall Street Journal.
A oferta de chips de memória tem diminuído à medida que fabricantes direcionam seus investimentos para a produção de chips mais avançados, voltados para data centers de inteligência artificial.
Cook afirmou que os chips de armazenamento também são um problema, mas são os chips de RAM que causam mais preocupação.
🤔 Os chips de RAM (sigla em inglês para "memória de acesso aleatório") guardam temporariamente os dados usados por um dispositivo. Quando um aplicativo é aberto no celular, é a RAM que mantém as informações necessárias para o programa rodar corretamente.
Embora seja mais associada a celulares e computadores, os chips de memória também estão presentes em smart TVs, tablets, consoles de videogames, relógios inteligentes, aspiradores robô, carros, impressoras, entre outros.
O CEO da Apple disse ainda que consumidores querem comprar celulares e outros aparelhos, mas "os fabricantes de memória estão repassando aumentos de preços exorbitantes". E afirmou que ainda não visto um aumento de preços de matéria-prima como esse.
"Essa é uma enchente que acontece uma vez a cada cem anos", afirmou. "Precisamos, sem dúvida, que os preços e a oferta de memória voltem a níveis razoáveis aos produtos de consumo. Essa é a questão fundamental".
O mercado de smartphones deverá registrar a maior queda da história em 2026, disse a consultoria IDC, em projeção divulgada em fevereiro. A expectativa é de que fabricantes somem 1,1 bilhão de unidades vendidas em todo o mundo este ano, 12,9% menos do que em 2025.
Na ocasião, a consultoria afirmou ainda que a situação não deverá melhorar até meados de 2027. E projetou que, em 2027, as vendas crescerão apenas 2% e, em 2028, terão uma recuperação, com alta de 5,2%.
Câmara aprova anistia a multas por bloqueios de estrada após eleição de 2022; texto também reforça piso do frete

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (17) uma medida provisória que prevê anistia de multas aplicadas a caminhoneiros por manifestações em 2022, no contexto da tentativa de golpe de Estado promovida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. (veja mais abaixo)
A anistia foi incluída pelo relator do projeto na Câmara, deputado Zé Trovão (PL-SC), por meio de um "jabuti" – a inclusão de um tema estranho ao contéudo original da proposta.
Bloqueio em rodovia de SC em outubro de 2022
Polícia Rodoviária Federal/Divulgação
Inicialmente, a medida provisória apresentada pelo governo focava no endurecimento da fiscalização pelo descumprimento do piso mínimo de frete e cria um controle obrigatório das operações de transporte (CIOT).
A proposta agora será enviada ao Senado. Como foi modificada pelos deputados, caso aprovada pelos senadores, precisará ser sancionada pelo presidente Lula.
O texto foi aprovado na comissão mista formada por deputados e senadores ainda nesta tarde e seguiu para o plenário da Câmara.
Agora no g1
Trovão apresentou uma complementação de voto nesta tarde e incluiu pontos como a possibilidade de subcontratação de transportador autônomo (TAC).
Outro trecho incluído foi a redução de prazo de adaptação de 90 para 60 dias no caso de obrigações que dependam de regulamentação específica, integração tecnológica, habilitação de sistemas, adequação cadastral entre outros.
O relatório estabelece o piso salarial nacional de R$5 mil mensais para caminhoneiros que atuem em longas distâncias, consideradas quando o motorista precisa permanecer fora da matriz da empresa ou de sua residência por mais de 24 horas.
Perdão a multas
O projeto também perdoou multas aplicadas aos caminhoneiros pela paralisação de 2022, realizadas em todo o país, após as eleições presidenciais.
Segundo o relator, as multas aplicadas foram injustas, dado que muitos caminhoneiros não aderiram ao movimento, mas não tinham como se locomover diante do bloqueio das estradas.
"A paralisação não foi feita nem pelos caminhoneiros, foi feita por pessoas que foram para cima da pista e bloquearam a passagem dos caminhoneiros. Esta é a anistia que está sendo dada. Tem caminhoneiro que foi multado em R$ 3 milhões e o cara nem estava lá parado porque ele queria, ele não conseguia passar”, disse o deputado.
Relator da proposta, deputado Zé Trovão (PL-SC)
Bruno Spada/Câmara dos Deputados
O texto aprovado não incluiu a suspensão de processos judiciais, item que chegou a ser proposto pelo relator durante a discussão na comissão.
O projeto anula as multas aos transportadores de cargas, pessoas físicas e jurídicas, e motoristas decorrentes das manifestações em 2022, inclusive as já inscritas em dívida ativa e com cobranças em andamento.
Registro de operações
O texto torna obrigatório registrar toda operação de transporte com um código, chamado Código Identificador da Operação de Transporte (Ciot)
O registro, segundo o texto, deve conter dados do contratante, do transportador, o valor do frete e a forma e prazo de pagamento.
O objetivo é reunir informações sobre contratantes, transportadores, carga, valores e condições de pagamento, ampliando a rastreabilidade das transações no setor.
Texto torna obrigatório registro de toda operação de transporte com código único
Reprodução/Internet
Piso do frete
O texto reforça a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. O valor do frete deverá refletir os custos operacionais reais e terá caráter vinculante, ou seja, seu descumprimento passa a gerar sanções.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) ficará responsável por atualizar os pisos periodicamente e sempre que houver variações relevantes no preço do combustível.
O relatório estabelece um escalonamento de penalidades para quem contratar frete abaixo do mínimo legal:
multa elevada, que pode chegar a R$ 1 milhão;
suspensão do registro do transportador;
cancelamento do registro em casos de reincidência grave.
As regras também passam a atingir intermediadores e plataformas digitais que ofertem serviços em desacordo com o piso.
Copom reduz a taxa básica de juros da economia, a Selic, de 14,50% para 14,25% ao ano

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu nesta quarta-feira (17) reduzir a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano. A decisão foi tomada de forma unânime pelo comitê.
"O ambiente externo permanece incerto em função da indefinição sobre os termos do acordo para cessar os conflitos armados no Oriente Médio e as consequências dos efeitos já materializados desses conflitos até o momento, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities", diz a nota do BC.
A maior parte dos analistas do mercado financeiro já projetava, na semana passada, um novo corte de juros pelo Banco Central nesta quarta.
"Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores mostra aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre do ano, com setores mais cíclicos voltando a desempenhar papel significativo, e mercado de trabalho ainda com sinais de resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação, superando seu limite superior na última leitura", afirmou o Copom.
Agora no g1
Após o anúncio do fechamento de um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã, na noite de domingo (14), a expectativa de uma nova redução da taxa básica da economia se consolidou.
A maioria do mercado projetou um corte de 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano – o que se confirmou. É a terceira redução seguida no juro.
"Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego", disse a nota do Copom.
🔎A taxa básica da economia é o principal instrumento do BC para tentar conter as pressões inflacionárias, que tem efeitos, principalmente, sobre a população mais pobre.
➡️Após a diminuição das tensões no Oriente Médio, com desobstrução do estreito de Ormuz, o preço do petróleo já teve queda no início desta semana, o que atenua a pressão de alta nos combustíveis e, consequentemente, na inflação.
➡️O resultado da inflação oficial em maio também foi considerado positivo por analistas, uma vez que a alta de 0,58% mostrou desaceleração em relação aos 0,67% registrados em abril. O Copom indicou que vai calibrar a Selic à medida que a inflação passe a convergir com a meta.
EUA e Irã chegam a acordo de paz, dizem Trump e primeiro-ministro do Paquistão
Como as decisões são tomadas
Para definir os juros, o Banco Central atua com base no sistema de metas. Se as projeções de inflação estão em linha com as metas, é possível baixar os juros. Se estão acima, o Copom tende a manter ou subir a Selic.
Desde o início de 2025, com o início do sistema de meta contínua, o objetivo foi fixado em 3% e será considerado cumprido se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%.
Ao definir a taxa de juros, o BC olha para o futuro, ou seja, para as projeções de inflação, e não para a variação corrente dos preços, ou seja, dos últimos meses.
Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia.
Neste momento, por exemplo, a instituição já está mirando na meta considerando o ano de 2027 fechado.
Para o próximo ano, o mercado financeiro estimou, na semana passada, que o IPCA ficará em 4,10%, ou seja, acima da meta central de 3%.
➡️Na ata de sua última reunião, realizada no fim de abril, o BC informou que o aumento das expectativas de inflação do mercado não impediram o último corte de juros porque o "período prolongado" de manutenção da taxa em 15% ao ano, o mais alto em 20 anos, gerou desaceleração da economia e criou condições para que essa redução seja compatível com a redução das expectativas de inflação nos próximos anos.
"Mantido o compromisso fundamental de garantia da convergência da inflação à meta dentro do horizonte relevante para a política monetária, o Comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises", informou o BC, naquele momento.
Adriano Machado/ Reuters
STF ajusta responsabilização das big techs; não cabe mais recursos da decisão dos ministros

STF decide que big techs são obrigadas a ter sede no Brasil
O Supremo Tribunal Federal (STF) definiu nesta quarta-feira (17) ajustes na decisão que ampliou a responsabilidade das plataformas pelo conteúdo que publicam.
Por unanimidade, o Supremo também decidiu declarar o trânsito em julgado das ações, portanto, não há mais chances de questionamentos contra o entendimento fechado.
Ficou fixado um prazo de 60 dias para a implementação das obrigações impostas aos provedores. Isso vale para a adoção de ações do chamado dever de cuidado, que inclui medidas para reduzir riscos de ofensas a direitos fundamentais e combate a atos ilícitos, autorregulação e disponibilização de canais de atendimento específicos para pedidos de retirada de conteúdos.
Uma das inovações feitas pelo Supremo prevê que o Executivo também poderá regular o tema. Na prática, a medida foi lida como um sinal da Corte aos dois decretos que criam novas regras para atuação das redes sociais e foram baseados na decisão do Supremo.
O primeiro detalhou deveres dos provedores quanto à moderação de conteúdo, transparência, segurança dos serviços e mitigação da circulação massiva de conteúdos criminosos.
O outro estabelece diretrizes para o enfrentamento da violência contra mulheres no ambiente digital, com obrigação de indisponibilização de conteúdo íntimo não autorizado em até duas horas após notificação e medidas contra deepfakes íntimos gerados por IA.
Também ficou definido que cabe à Agência Nacional de Proteção de Dados, vinculada ao Ministério da Justiça, fiscalizar se as plataformas estão cumprindo as regras impostas pela Corte.
O entendimento do STF ocorre em meio à movimentação da oposição no Congresso para sustar os decretos do governo.
Os ministros julgaram recursos das plataformas que questionaram o entendimento da Corte que amplia a responsabilidade sobre o conteúdo que publicam. Entre os recursos estão questionamentos apresentados pelo Facebook e pelo Google.
Os ministros fixaram um prazo de 60 dias para que os provedores adotam as novas regras e também esclarecerem obrigações que terão que ser adotadas. A chamada tese, reúne as regras que terão que ser seguidas por toda a Justiça em território brasileiro.
Os provedores poderão ter responsabilidade solidária quando não atuarem nos casos de contas denunciadas como não autênticas.
Sessão plenária do STF
Rosinei Coutinho/STF
As empresas podem deixar de ser responsabilizadas por conteúdo do usuário se ficar comprovada dúvida razoável sobre casos de crimes ou atos ilícitos, sem prejuízo do dever de remoção do conteúdo.
Ficou decidido que há presunção relativa de culpa do provedor de aplicações de internet em caso de conteúdos ilícitos quando se tratar de anúncios e impulsionamentos pagos; ou mecanismos artificiais de disseminação inorgânica de conteúdos ilícitos.
Nesses casos, a responsabilização não depende de notificação. Os provedores ficarão excluídos de responsabilidade se comprovarem que atuaram diligentemente e em tempo razoável para tornar indisponível o conteúdo.
O Supremo definiu ainda que a responsabilidade dos provedores pelo chamado dever de cuidado ocorre quando há configuração de falha sistêmica, quando deixa de atuar de forma responsável, transparente e cautelosa.
Supremo Tribunal Federal concluiu julgamento sobre o Marco Civil da Internet
Jornal Nacional/ Reprodução
O responsável pela publicação do conteúdo removido pelo provedor de aplicações de internet poderá requerer judicialmente o seu restabelecimento, mediante demonstração da ausência de ilicitude. Ainda que o conteúdo seja restaurado por ordem judicial, não haverá imposição de indenização ao provedor
Os provedores de aplicações de internet deverão editar autorregulação que abranja, necessariamente, sistema de notificações, devido processo e relatórios anuais de transparência em relação a notificações extrajudiciais, anúncios e impulsionamentos.
Deverão, igualmente, disponibilizar a usuários e a não usuários canais específicos de atendimento, preferencialmente eletrônicos, que sejam acessíveis e amplamente divulgados nas respectivas plataformas de maneira permanente. As regras deverão ser publicadas e revisadas periodicamente, de forma transparente e acessível ao público.
Os provedores de aplicações de internet com atuação no Brasil devem constituir e manter sede e representante no país, cuja identificação e informações para contato deverão ser disponibilizadas e estar facilmente acessíveis nos respectivos sítios.
Fed mantém juros dos EUA na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano na primeira decisão com Warsh na presidência

O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, discursa durante cerimônia de posse no Salão Leste da Casa Branca, em Washington, em 22 de maio de 2026. Foto de arquivo.
REUTERS/Evelyn Hockstein
O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manteve a taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano — o menor nível desde setembro de 2022. O anúncio, feito nesta quarta-feira (17), veio em linha com as expectativas do mercado e foi aprovado por unanimidade pelos integrantes do comitê.
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Esta foi a quinta reunião consecutiva em que o Fed deixou os juros inalterados. O encontro também marcou a estreia de Kevin Warsh no comando da autoridade monetária.
Indicado pelo presidente Donald Trump, ele tomou posse em 22 de maio e iniciou oficialmente seu mandato de quatro anos após uma cerimônia na Casa Branca (leia mais abaixo).
A guerra no Oriente Médio e a alta dos preços da energia continuaram entre as principais preocupações do Fed. Mas, diante de uma economia que segue aquecida e de uma inflação ainda acima da meta, os desafios do banco central americano vão além do conflito, incluindo pressões persistentes sobre os preços e questões ligadas à nova gestão de Warsh.
➡️ A política de juros nos EUA tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível historicamente elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio.
Esta é a 12ª decisão desde que Donald Trump assumiu como 47º presidente dos EUA, em 20 de janeiro de 2025. Desde a posse, houve três cortes de juros, em meio a um cenário econômico incerto, com conflitos geopolíticos e a guerra tarifária promovida pelo republicano.
O que disse o Fomc?
O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) afirmou, em comunicado, que a economia americana continua crescendo em ritmo sólido, apesar do ambiente de incerteza elevado, em parte associado ao conflito no Oriente Médio.
Segundo o colegiado, os investimentos das empresas e os ganhos de produtividade seguem fortes, enquanto o mercado de trabalho permanece estável, com a geração de empregos acompanhando o crescimento da força de trabalho.
O comitê também destacou que a inflação continua acima da meta de 2% e atribuiu parte das pressões recentes ao aumento dos preços em alguns setores, especialmente o de energia.
“A inflação permanece elevada em relação à meta de 2% do Comitê, refletindo em parte choques de oferta que impulsionaram aumentos de preços em determinados setores, incluindo energia”, diz o comunicado.
Ao decidir, por unanimidade (12 votos a 0), manter os juros entre 3,5% e 3,75% ao ano, o Fomc reafirmou seu compromisso com os dois principais objetivos do Federal Reserve: controlar a inflação e preservar um mercado de trabalho forte.
As projeções atualizadas indicam uma mudança importante em relação ao cenário esperado até poucos meses atrás. Pelos cálculos dos dirigentes do Fed, a taxa básica de juros, mantida no atual intervalo desde dezembro, deverá subir 0,25 ponto percentual até o fim deste ano.
As estimativas para a inflação também foram revisadas para cima. A expectativa para o fim de 2026 passou de 2,7% para 3,6%.
Ainda assim, os dirigentes esperam uma desaceleração mais forte dos preços nos anos seguintes, o que permitiria que os juros retornassem ao nível atual até o fim de 2027 e recuassem um pouco mais em 2028. A inflação, por sua vez, é projetada em 2,3% em 2027, sem a necessidade de novas altas dos juros.
Entre as projeções divulgadas pelo Fed, um aspecto chamou a atenção: o chamado "gráfico de pontos" (dot plot, em inglês), que reúne as estimativas individuais dos dirigentes para os juros, contou com apenas 18 contribuições, embora o comitê seja formado por 19 integrantes.
Em entrevista coletiva após a reunião do Fomc, Warsh afirmou que o comunicado evitou indicar os próximos passos do banco central por considerar que esse tipo de sinalização não é apropriado diante do atual cenário econômico.
Sem antecipar qual poderá ser a trajetória dos juros nas próximas reuniões, o presidente do Fed reforçou que as decisões continuarão sendo tomadas com base nos dados mais recentes.
"Não posso dar nenhuma orientação futura sobre o que faremos a seguir. A boa notícia é que nos reuniremos novamente em seis semanas", disse.
Nova presidência do Fed
A troca de comando no Fed ocorre após meses de atritos entre Trump e o então presidente da instituição, Jerome Powell. Desde o início de seu segundo mandato, o republicano argumenta que juros elevados encarecem o crédito e prejudicam a economia.
Em entrevista à NBC News na última semana, porém, Trump adotou um tom diferente ao comentar o novo comando do banco central.
O republicano afirmou que quer que Warsh “faça o que quiser”, mas voltou a defender juros mais baixos e criticou a possibilidade de novas altas. Na visão do presidente, a economia americana continua forte, e encarecer o crédito seria uma forma de “punir o sucesso”.
No entanto, dados recentes da economia americana ajudam a explicar por que o Fed enfrenta uma tarefa mais complexa e por que cresce a percepção de que os juros terão de permanecer elevados por mais tempo.
💼 Mercado de trabalho aquecido: a criação de 172 mil vagas em maio e a taxa de desemprego estável em 4,3% — ainda em níveis historicamente baixos — mostram que a economia continua gerando empregos. Ao mesmo tempo, os salários avançam cerca de 3,4% ao ano, sinalizando que a demanda por trabalhadores segue forte.
⛽ Pressão nos preços: a inflação voltou a ganhar força. O índice de preços ao consumidor (CPI), uma das principais medidas do custo de vida, acumula alta de 4,2% em 12 meses, o maior patamar em três anos. O movimento foi impulsionado principalmente pelo aumento dos preços da energia em meio ao conflito no Oriente Médio.
📈 Inflação ainda distante da meta: mesmo ao excluir itens mais voláteis, como alimentos e energia, os indicadores seguem acima do objetivo de 2% perseguido pelo Fed. O núcleo do CPI está em 2,9%, enquanto o núcleo do PCE — índice de inflação preferido do banco central americano por refletir melhor os hábitos de consumo das famílias — permanece em torno de 3,3%.
📉 Crescimento mais moderado: por outro lado, a atividade econômica dá sinais de perda de fôlego. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu a uma taxa anualizada de 1,6% no último trimestre, abaixo dos 2% projetados anteriormente e das expectativas do mercado, indicando desaceleração em relação aos períodos anteriores.
ENTENDA O QUE ESTÁ EM JOGO NA PRIMEIRA REUNIÃO DE WARSH NO FED
O que esperar da estreia de Kevin Warsh no Fed? Mercado observa tom do novo presidente
Efeito dos juros no Brasil e nos mercados
Os juros ainda elevados nos EUA mantêm em níveis atrativos os rendimentos das Treasuries, os títulos públicos americanos considerados os investimentos mais seguros do mundo.
Com retornos mais altos, esses papéis tendem a atrair recursos de investidores internacionais, fortalecendo o dólar e reduzindo o interesse por aplicações em outros países, como o Brasil.
Embora diversos fatores influenciem esse movimento, a migração de capital para os EUA pode diminuir o fluxo de recursos estrangeiros para o mercado brasileiro, pressionando o real frente à moeda americana.
Um dólar mais forte também encarece produtos e insumos importados, aumentando as pressões sobre a inflação no Brasil. Com isso, o Banco Central brasileiro pode ter menos espaço para reduzir os juros, o que contribui para manter a taxa básica em níveis elevados por mais tempo.
Receita paga a partir de 15 de julho lote especial de restituição do IR a 4 milhões de contribuintes com direito a 'cashback'

A Secretaria da Receita Federal informou que pagará, a partir de 15 de julho, um lote "especial" de restituição do Imposto de Renda a cerca de quatro milhões de contribuintes.
💰 São pessoas que não entregaram a declaração de Imposto de Renda em 2025 por não estarem obrigados, mas que tinham direito à restituição por fatos ocorridos em 2024.
Esse lote foi apelidado como sendo um tipo de "cashback" do Imposto de Renda. A partir de 8 de julho de 2026, o contribuinte poderá verificar se foi contemplado.
O lote especial deve liberar aproximadamente R$ 500 milhões em restituições, referentes ao exercício 2025 (ano-calendário 2024). Serão pagos valores de restituição até R$ 1 mil (leia mais abaixo).
Agora no g1
O crédito será realizado exclusivamente em conta vinculada à chave PIX do tipo CPF do contribuinte, e a consulta estará disponível a partir de 8 de julho no Meu Imposto de Renda (MIR), via aplicativo ou site da Receita, informou o Fisco.
"Nesses casos, a própria Receita Federal elabora uma declaração no modelo simplificado, com base nas informações disponíveis em seus sistemas. Essa declaração passa pelas etapas regulares de processamento e fica disponível ao contribuinte no ambiente Meu Imposto de Renda, no aplicativo ou no site da Receita Federal (gov.br/receitafederal)", acrescentou o órgão.
De acordo com a Receita, a declaração gerada automaticamente estará disponível no Meu Imposto de Renda, com as mesmas funcionalidades de uma declaração elaborada pelo próprio contribuinte, garantindo transparência e autonomia para conferência e eventuais ajustes.
Mais de 300 mil contribuintes ainda não declararam o imposto de renda no MA e podem ser multados
Foto: Marcos Serra/g1
Entenda
O lote especial de restituição automática:
destina-se a contribuintes que não entregaram declaração;
refere-se ao exercício 2025 (ano-calendário 2024);
baseia-se em declaração elaborada pela Receita Federal;
utiliza dados já disponíveis nas bases oficiais;
será disponibilizado para contribuintes com restituição a receber de até R$ 1.000
possui cronograma próprio, no âmbito de um projeto piloto.
Lotes regulares de restituição
A Receita Federal observou que este lote especial não se confunde com os lotes regulares de restituição do IRPF 2026, destinados aos contribuintes que apresentaram declaração.
"Esses lotes são referentes às declarações efetivamente transmitidas pelos contribuintes e processadas segundo as regras usuais do imposto de renda", acrescentou.
As restituições regulares seguem calendário próprio, já divulgado:
1º lote: pago em 29 de maio de 2026;
2º lote: pago em 30 de junho de 2026;
3º lote: pago em 31 de julho;
4º lote: pago em 31 de agosto.
O Fisco informou que a consulta ao próximo lote regular estará disponível em 23 de junho de 2026, uma semana antes do pagamento.
Malha fina do IR
O órgão estimou que 5% das declarações do Imposto de Renda de 2026, ano-base de 2025, caíram na chamada malha fina do Leão. São cerca de 2,2 milhões de documentos com pendências.
O percentual de declarações em malha fina, divulgado pelo supervisor do Imposto de Renda da Receita Federal, José Carlos da Fonseca, se assemelha ao registrado nos últimos anos.
🔎 Quando a declaração do IR cai na malha fina, significa que ela está retida pelo Fisco por conta de pendências relativas a discrepância de dados (veja o que fazer mais abaixo nessa reportagem).
De acordo com a Receita Federal, o procedimento, para quem caiu na malha fina, é o mesmo dos últimos anos: o trabalhador deve buscar o Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC) da Receita Federal na internet.
Acesso se dá mediante o uso da conta "gov.br", nos níveis prata ou ouro.
Contribuinte deve procurar, no serviço, por "declarações e demonstrativos".
Em seguida deve buscar o "Meu Imposto de Renda", e consultar a declaração de 2026.
➡️Ao entrar no Centro Virtual de Atendimento, a Receita Federal informará qual a divergência na declaração retida em malha fina, e como resolver o problema.
Nesse caso, segundo o supervisor do IR, a inconsistência pode ser resultado de uma informação errada informada pelo próprio contribuinte, pela empresa na qual trabalha (fonte pagadora) ou até mesmo terceiros (prestadores de serviços).
No caso de o trabalhador ter informado um dado errado, ele deve enviar uma declaração retificadora para corrigir a informação. Assim que a isso for feito pelo trabalhador, sua declaração sai da malha fina.
No caso de a fonte pagadora, ou de uma prestadora de serviços (da qual o contribuinte incluiu uma nota fiscal em sua declaração) ter errado, o contribuinte deve aguardar a retificação da informação.
Porém, se a empresa não corrigir a informação enviada, o contribuinte não sai da malha e poderá enviar seus comprovantes a partir de janeiro de 2027 por meio do e-CAC.
Antes disso, não é possível enviar os documentos pois as empresas ainda estarão corrigindo as informações, caso no qual o trabalhador pode sair da malha.
Governo calcula impacto de R$ 22,4 bilhões com renegociação de dívidas agrícolas em 2027; meta de contas no azul ficaria mais difícil

O ministério da Fazenda estimou nesta quarta-feira (17) que o projeto de renegociação das dívidas rurais, aprovado pelo Senado, terá impacto de mais de R$ 22 bilhões em 2027.
O projeto implicará, ainda segundo a Fazenda, em uma nova linha de crédito de R$ 200 bilhões, considerando as dívidas passíveis de enquadramento.
🎯 Os benefícios serão para produtores atingidos por eventos climáticos extremos ou impactos econômicos decorrentes de conflitos geopolíticos internacionais. (entenda como vai funcionar)
Como a proposta sofreu alterações no Senado, o texto terá de passar por nova deliberação dos deputados antes de seguir para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Agora no g1
"Com base no volume de recursos para a nova linha de crédito de R$ 200 bilhões e as premissas acima, o custo total para a União, com impacto no superávit primário pela equalização de juros e pelos encargos, pode chegar a R$ 139,8 bilhões nos 13 anos, sendo R$ 22,4 bilhões em 2027", acrescentou a área econômica, em nota à imprensa.
➡️Com o impacto primário estimado pelo governo de de R$ 22,4 bilhões em 2027, o retorno das contas ao azul ficaria mais difícil ainda no próximo ano (veja mais abaixo nessa reportagem).
Estimativas da Frente Parlamentar de Apoio à Agropecuária (FPA) apontam para um impacto menor, de R$ 65 bilhões em 13 anos; sendo R$ 5 bilhões no primeiro ano e caindo a até R$ 500 milhões no último ano. A carteira a ser renegociada é cerca de R$ 100 bilhões.
Em pauta nos últimos meses, o tema tem gerado tensões entre o governo e o Congresso Nacional. Por ter impacto bilionário nas contas públicas, o projeto é tratado como uma "pauta-bomba" pela área econômica.
🔎Na prática, uma pauta-bomba se refere a um projeto de lei ou uma matéria do Legislativo que cria despesas de valores altos, pressionando os cofres públicos, ou reduzindo a arrecadação ou aumentando gastos públicos.
Robô que 'mora' no campo promete combater pragas e reduzir custos para o produtor rural
Divulgação/Solinftec
Meta mais difícil
No projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) para o ano de 2027, enviado em abril ao Congresso Nacional, o governo propôs uma meta de superávit para as suas contas no próximo ano.
🔎A LDO é a norma que define as metas e prioridades do governo para o ano seguinte. Ela precisa ser aprovada pelo Congresso e orienta a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA), que representa o Orçamento do ano. A proposta ainda precisa ser aprovada pelo Legislativo.
Se o objetivo fiscal por cumprido, se a diferença entre o que se pretende arrecadar e gastar for positiva, será o primeiro resultado no azul desde 2022.
A meta proposta é de um resultado positivo de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 73,2 bilhões, com uma banda de tolerância de 0,25 ponto percentual para cima ou para baixo - ou seja, o superávit pode variar entre R$ 36,6 bilhões e R$ 109,8 bilhões.
Além disso, R$ 65,7 bilhões de gastos governo com precatórios (sentenças judiciais) e com projetos na área de defesa, saúde e educação podem ficar de fora da regra.
Na prática, portanto, o governo vai poder ter um déficit primário de até R$ 29,1 bilhões sem que a meta seja formalmente descumprida.
Mas a equipe econômica projeta um resultado positivo de R$ 8 bilhões em 2027 porque não prevê o abatimento integral dos precatórios na meta fiscal.
➡️Com a redução do superávit primário em R$ 22,4 bilhões em 2027, conforme previsto pela área econômica por conta da renegociação da dívida agrícola, o retorno das contas do governo ao azul ficaria mais difícil ainda.
➡️Também haveria pressão sobre os limites de gastos dos ministérios, podendo implicar em bloqueios de recursos aos ministérios no decorrer do próximo ano.
Fazenda quer negociar
Mais cedo, nesta quarta, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou, durante audiência pública na Câmara dos Deputados, que o governo "vai achar uma solução junto com o congresso pra estender a mão e ajudar o agronegócio brasileiro".
"Minha preocupação é errar a dose da ajuda. Se for autorizativo e o governo estender a mão a quem não precisa, estou aberto a fechar um acordo dentro do enquadramento proposto", acrescentou o ministro da Fazenda, na ocasião.
➡️Ele pontuou que mais de 90% do agronegócio brasileiro não tem problema de endividamento, e disse que é importante olhar para inadimplência usando recursos financeiros, ou seja, sem implicar em pressão adicional sobre os gastos primários dos ministérios.
Trump defende acordo com o Irã e diz que não queria ver uma 'catástrofe econômica'

Donald Trump dá entrevista à imprensa durante a cúpula do G7 na França.
Reuters/Evelyn Hockstein
O presidente dos EUA, Donald Trump, defendeu na quarta-feira (17) o acordo norte-americano com o Irã em seu discurso de encerramento da cúpula do G7 na França, afirmando que não queria ver uma catástrofe econômica.
"Então, a única coisa que eu não queria ver era uma catástrofe econômica. Se tivéssemos continuado com isso, poderia ter acontecido", disse Trump a repórteres.
Trump afirmou ainda que o Irã poderá ter acesso ao fundo de US$ 300 bilhões somente se "se comportar". O acordo para acabar com a guerra prevê uma compensação financeira ao país (leia mais baixo).
"São apenas 300 bilhões de dólares. E só se eles estiverem fazendo as coisas direito. Lembrem-se disso. Além disso, quando se fala em bilhões de dólares, eles tiveram muito mais de um trilhão de dólares em prejuízos. Serão necessários de 15 a 20 anos para reconstruir o que eles têm agora. Portanto, eles têm que se comportar. Se não estiverem se comportando, serão atingidos novamente."
O presidente americano disse ainda que os Estados Unidos pegaram muito dinheiro do Irã e que, em "algum momento", terão que devolvê-lo, caso contrário correrão o risco de os países deixarem de investir no dólar americano.
'Eu sou o chefe', diz Trump a outros líderes na cúpula do G7
Acordo prevê compensação financeira ao Irã
O acordo para o fim da guerra no Oriente Médio assinado por Estados Unidos e Irã inclui garantias por parte de Teerã de que nunca terá armas nucleares e uma compensação financeira ao governo iraniano, segundo a rede de TV CNN Internacional, que disse ter tido acesso à íntegra do texto nesta quarta-feira (17).
➡️ O conteúdo do acordo ainda não foi oficialmente divulgado. O texto foi assinado de forma virtual no fim de semana, segundo o governo dos EUA, e será firmado presencialmente em uma cerimônia na sexta-feira (19) em Genebra, na Suíça.
Segundo a CNN Internacional, o acordo tem 14 pontos. Entre eles, estão:
A declaração mútua e junto de "seus aliados na guerra", de um fim imediato e permanente da guerra em todas as frentes;
A reabertura do Estreito de Ormuz, que o Irã bloqueou durante a guerra em retaliação aos ataques dos EUA e de Israel;
Compensação financeira ao Irã, em valor não determinado: o acordo, segundo a CNN, diz que Teerã poderá ter acesso a um fundo de US$ 300 bilhões (cerca de R$ 1,5 trilhão) caso cumpra a promessa de não desenvolver armas nucleares. Nesta quarta, no entanto, Trump negou que haja esse fundo;
A derrubada de todos os tipos de sanções que hoje incidem sobre o Irã em um prazo ainda a ser determinado por ambas as partes;
A liberação de ativos e fundos iranianos que estavam congelados ou restringidos pelas sanções;
O compromisso, por parte do Irã, de que nunca produzirá armas nucleares;
O compromisso, por parte dos EUA e junto de seus "aliados regionais", de criar um plano para a reabilitação e o desenvolvimento econômico do Irã em até 60 dias;
A permissão para que o Irã comercialize seu petróleo e produtos petroquímicos;
A emissão, pelo Departamento do Tesouro dos EUA, de isenções para exportações de petróleo bruto iraniano, produtos petroquímicos e seus derivados, e "todos os serviços relacionados, incluindo bancários, de seguros, transporte e similares";
Um entendimento para um acordo final em 60 dias, incluindo a questão do programa nuclear iraniano;
O compromisso, por parte do Irã, de restabelecer o tráfego de navios entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã (ligados pelo Estreito de Ormuz) aos níveis pré-guerra em até 30 dias;
Que uma resolução do Conselho de Segurança da ONU aprove o acordo final, após 60 dias.
O acordo não prevê, segundo a rede norte-americana, qual o limite de enriquecimento de urânio que o Irã poderá produzir. E determina que o destino do material nuclear e o urânio enriquecido pelo Irã ainda será definido no acordo final, em até 60 dias.
Pautas-bomba: ministro da Fazenda discute com deputados renegociação de dívida do agronegócio

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, em audiência pública nas Comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, no dia 17 de junho de 2026
Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, discutiu com deputados da bancada ruralista nesta quarta-feira (17), durante audiência pública na Câmara dos Deputados, a renegociação da dívida do agronegócio.
Questionado pelo deputado Alceu Moreira (MDB/RS), durante audiência pública na Câmara dos Deputados, Durigan afirmou que o governo "vai achar uma solução junto com o congresso pra estender a mão e ajudar o agronegócio brasileiro".
"Minha preocupação é errar a dose da ajuda. Se for autorizativo e o governo estender a mão a quem não precisa, estou aberto a fechar um acordo dentro do enquadramento proposto", acrescentou o ministro da Fazenda.
Ele pontuou que mais de 90% do agronegócio brasileiro não tem problema de endividamento, e disse que é importante olhar para inadimplência usando recursos financeiros, ou seja, sem pressão adicional sobre os gastos primários dos ministérios.
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Já o deputado Afonso Hamm (PP-RS), que foi relator do PL das dívidas rurais na Câmara, rebateu a classificação de "pauta-bomba".
A comunicação do governo e do ministério tem que ser ajustada. Não é pauta-bomba. Nós construímos com responsabilidade e todos aqui são testemunhas porque todos aqui opinaram. Foi para o Senado e ampliou", argumentou.
"Eu coloquei o meu nome para continuar como relator para ampliar esse diálogo e aprofundar a viabilidade para que a gente atenda realmente quem precisa”, prosseguiu.
Em conversas com interlocutores, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, disse que a medida é “impagável”, que as pautas de socorro ao agronegócio “precisam ter um limite” e que não é possível aprovar tudo o que a bancada ruralista deseja.
Pauta-bomba
Em pauta nos últimos meses, o tema tem gerado tensões entre o governo e o Congresso Nacional. Por ter impacto bilionário nas contas públicas, o projeto é tratado como uma "pauta-bomba" pela área econômica.
🔎Na prática, uma pauta-bomba se refere a um projeto de lei ou uma matéria do Legislativo que cria despesas de valores altos, pressionando os cofres públicos, ou reduzindo a arrecadação ou aumentando gastos públicos.
Já aprovado pelo Senado Federal, o projeto cria uma linha especial de crédito rural para a renegociação de dívidas de produtores. Para ter validade, porém, ainda tem de passar pelo crivo da Câmara dos Deputados e ser sancionado.
🎯 Os benefícios serão para produtores atingidos por eventos climáticos extremos ou impactos econômicos decorrentes de conflitos geopolíticos internacionais (entenda como vai funcionar).
De acordo com cálculos do Ministério da Fazenda, o projeto que trata da renegociação de dívidas rurais com equalização de taxas de juros pela União, responde por um custo de até R$ 140 bilhões em 13 anos.
Estimativas da Frente Parlamentar de Apoio à Agropecuária (FPA) apontam para um impacto menor, de R$ 65 bilhões em 13 anos; sendo R$ 5 bilhões no primeiro ano e caindo a até R$ 500 milhões no último ano. A carteira a ser renegociada é cerca de R$ 100 bilhões.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, já falou em outras oportunidades que o governo vai vetar, e até mesmo acionar o Supremo Tribunal Federal (STF), em temas relacionados com as chamadas "pautas-bomba".
Novo Android 17: sistema melhora segurança em celulares e permite abrir aplicativos em 'bolhas'

Novo Android 17
divulgação/Google
O Google lançou, nesta quinta-feira (17), o Android 17. O novo sistema operacional apresenta uma interface renovada para executar vários aplicativos ao mesmo tempo e aprimora a segurança dos celulares compatíveis.
Visualmente, o Android 17 traz poucas mudanças em relação à versão anterior. O principal destaque é a possibilidade de transformar qualquer aplicativo em uma “bolha” flutuante.
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Segundo o Google, basta tocar e segurar o ícone de um aplicativo para que ele seja aberto sobre os demais, sem ocupar toda a tela.
Sistema de apps em bolhas do Android 17
divulgação/Google
Em aparelhos com telas maiores, como tablets e celulares dobráveis, há uma área dedicada a esses aplicativos em formato de bolha no canto inferior direito — semelhante à barra de tarefas do Windows, onde ficam os programas abertos.
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Outro recurso que aproveita as telas maiores é uma interface de jogos, exclusiva para celulares dobráveis. Ao abrir um jogo, o usuário pode mantê-lo em uma das metades da tela enquanto utiliza um controle virtual na outra.
Por fim, um novo recurso permite usar o gravador de tela nativo para reagir a conteúdos exibidos no celular. A ferramenta recorta automaticamente a imagem da pessoa, permitindo que o usuário comente o que aparece ao fundo.
Reação em captura de tela do Android 17
divulgação/Google
Android 17 traz mais opções de segurança
Três novidades do novo sistema operacional do Google são voltadas para a segurança:
Compartilhamento de localização: agora o usuário pode compartilhar a localização exata do celular ou tablet com aplicativos por tempo limitado;
Compartilhamento de contatos: uma nova opção permite que os aplicativos acessem apenas contatos selecionados, em vez de toda a lista do aparelho;
Celular roubado ou perdido: o Android 17 melhorou a interface em que o usuário indica que o aparelho foi perdido ou roubado, bloqueando o dispositivo para que ele só possa ser desbloqueado com a impressão digital ou o reconhecimento facial do proprietário;
Tentativas de desbloqueio: em celulares roubados, o sistema reduz o número de tentativas de desbloqueio por senha e passa a exibir quantas ainda restam.
Android 17 limita as tentativas de inserir a senha
divulgação/Google
Quando o Android 17 chega para meu celular?
Neste momento, apenas os celulares Pixel, vendidos diretamente pelo Google e ainda não lançados oficialmente no Brasil, têm acesso ao sistema. Para aparelhos comercializados no país, o cronograma de atualização varia conforme a fabricante e, em alguns casos, a operadora.
Marcas populares como Samsung, Xiaomi e Motorola costumam liberar pouco tempo depois da disponibilidade global do Google.
Governo vai encerrar subsídios a combustíveis se petróleo estabilizar perto de US$ 80, diz Ceron

Secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron.
Adriano Machado/Reuters
O Brasil deve encerrar medidas de subsídios aos preços de combustíveis, incluindo diesel e gasolina, caso a cotação do petróleo se estabilize em cerca de US$ 80 o barril, na esteira de um acordo sinalizado pelos Estados Unidos com o Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio, disse o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, à Reuters.
Em entrevista à agência de notícias, Ceron afirmou que o fim da guerra também tende a melhorar as projeções de inflação e reduzir a pressão sobre os juros futuros — ou seja, diminuir a projeção de alta das taxas à frente.
Esse cenário, disse o secretário-executivo da Fazenda, abriria espaço para o Banco Central cortar ainda mais os juros, além de reduzir os custos da dívida pública.
O secretário disse que os próximos 30 dias serão de observação para avaliar a consolidação desse cenário, destacando a necessidade de cautela diante de uma guerra que provocou oscilações não apenas no preço do petróleo, mas também em indicadores como juros e câmbio.
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“Se o preço se estabilizar [em torno de US$ 80 o barril], realmente não há necessidade de continuidade das medidas. A gente vai retirar por prudência, com toda certeza”, ele disse.
Desde o início da guerra promovida por Estados Unidos e Israel contra o Irã, no fim de fevereiro, o governo anunciou uma série de medidas emergenciais para conter os efeitos da alta do petróleo, com reduções de impostos e subsídios sobre diesel, gasolina, querosene de aviação e gás de cozinha.
De modo geral, as medidas foram adotadas com vigência de dois meses, e algumas já foram prorrogadas. A maior parte das iniciativas tem validade até julho, prazo que Ceron considera suficiente para avaliar os efeitos do esperado fim da guerra.
“Tem dois cenários: tentar antecipar o fim das medidas ou deixar elas se extinguirem nos seus prazos de validade”, disse.
O secretário ressaltou que, embora o patamar de US$ 80 o barril represente alta em relação ao preço do petróleo Brent de US$ 70 no início do ano, o real se valorizou no período, com o dólar passando de R$ 5,20 para cerca de R$ 5,00, o que ajuda a compensar parte da pressão sobre a inflação provocada pelo petróleo mais caro.
Os contratos futuros do petróleo Brent caíram 5,1% na terça-feira e fecharam a US$ 78,96 o barril, à medida que surgiram detalhes de um acordo provisório para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz.
Medidas de estímulo
Economistas reduziram de forma significativa suas estimativas para o corte de juros neste ano, em meio ao quadro mais desafiador para a inflação.
Segundo Ceron, as projeções para o IPCA (inflação oficial do país) foram principalmente afetadas pela guerra no Irã, refutando que as medidas de estímulo implementadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenham sido decisivas nesse sentido.
“Se você excluir o impacto da guerra, você não tem um cenário de um estresse inflacionário relevante”, disse.
Com a esperada estabilização do preço do petróleo, a expectativa é de uma rápida reversão das projeções de mercado para a inflação, que haviam se distanciado da meta de 3%, inclusive no longo prazo, o que deve permitir à política monetária ganhar mais espaço para agir, completou Ceron.
Desde o início do mês, bancos têm estimado o impacto conjunto das novas medidas de estímulo anunciadas pelo governo, em meio à estratégia do presidente Lula para a reeleição em outubro.
As projeções apontam para um impulso superior a R$ 200 bilhões neste ano, principalmente por meio de subsídios, garantias e aportes fora do resultado primário, o que pode pressionar a já elevada dívida pública.
“Se fosse verdade que tivesse um estímulo de 2% do PIB... isso colocaria atividade econômica próxima de (uma alta de) 3%”, disse. “Não tem nenhum tipo de estímulo dessa magnitude”, completou, sem precisar um número, mas destacando que indicadores econômicos recentes, como as vendas no varejo, têm mostrado “desaceleração significativa” da atividade.
A Fazenda projeta crescimento do PIB de 2,3% neste ano, dentro de uma faixa de 2,0% a 2,5% que, segundo Ceron, não deve gerar pressão sobre a inflação. O mercado vem há um mês revisando suas estimativas para cima e agora projeta alta de 1,96%, conforme o mais recente boletim Focus do Banco Central.
Segundo Ceron, parte do mercado tem tratado como iguais medidas diferentes, ao misturar ações fiscalmente neutras, como a ampliação da isenção do Imposto de Renda, com outras que estimulam a atividade, ainda que de forma limitada e sem necessariamente pressionar a inflação.
Ele citou como exemplo as linhas de crédito subsidiado para a compra de caminhões e para que motoristas e entregadores de aplicativos adquiram veículos, destacando que, nesses casos, montadoras têm se comprometido a oferecer descontos.
Fiscal
Ceron reconheceu desafios do país na área fiscal e afirmou que é necessário discutir o crescimento das despesas obrigatórias, mas disse que não há margem para propor medidas às vésperas de uma campanha eleitoral.
O secretário afirmou que, na visão do governo, o nível elevado dos juros no Brasil, que pressiona a dívida pública, não pode ser explicado apenas pela situação fiscal, sendo influenciado também por fatores como o baixo nível de poupança no país.
“Não estou negando a importância, tem que avançar no fiscal, mas não é a única pauta”, disse.
Em relação à recente alta nas projeções dos juros futuros no Brasil, Ceron afirmou que o movimento foi impulsionado principalmente por dados que mostraram a força da economia dos Estados Unidos, o que levou a um ajuste nos preços dos ativos em todo o mundo.
Caso o cenário de paz no Oriente Médio se mantenha, a tendência é de queda dos juros nos Estados Unidos, com o Brasil acompanhando esse movimento, afirmou, reiterando que a diferença entre os juros brasileiros e os americanos "não está tão longe do histórico".
O secretário também afirmou ver um maior pessimismo no mercado local em relação ao Brasil, enquanto, no exterior, o país é avaliado de forma mais comparativa com economias semelhantes e com mais cautela.
Ele também afirmou que o país deve realizar uma nova emissão de títulos sustentáveis no segundo semestre e destacou, sem dar detalhes, a possibilidade de novos anúncios durante a visita do ministro da Fazenda, Dario Durigan, à China neste mês.
Segundo a Reuters, o ministro deve anunciar na viagem que o Brasil pretende emitir seus primeiros títulos da dívida em iuanes, conhecidos como “panda bonds”.
Ministro da Fazenda diz que governo vai propor aumento do limite do MEI e a contratação de mais um funcionário

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, em audiência pública nas Comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, no dia 17 de junho de 2026
Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quarta-feira (17) que o governo vai propor o aumento dos limites de enquadramento do microempreendedor individual. Entretanto, ele não citou valores.
Durante audiência pública nas Comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, ele disse que também será proposta que o microempreendedor possa contratar mais um funcionário.
"Nós vamos aumentar o limite do MEI junto com o Congresso Nacional, atendendo a um pleito que tem. O MEI vai ter o limite ampliado podendo ter essa contratação de mais um funcionário", disse Durigan, na Câmara dos Deputados.
Pelas regras atuais, os microempreendedores podem contratar até um empregado, e devem ter um faturamento anual de até R$ 81 mil (leia mais abaixo).
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🔎O projeto de lei 108, de 2021, que já foi aprovado pelo Senado e está em análise agora na Câmara, propõe o aumento do limite do MEI de R$ 81 mil para até R$ 130 mil por ano, permitindo, também, a contratação de mais um funcionário.
Esse projeto, porém, foi listado pela equipe econômica entre as chamadas "pautas-bomba", ou seja, projetos de lei ou uma matéria do Legislativo que cria despesas de valores altos, pressionando os cofres públicos, ou reduzindo a arrecadação.
Essa seria, inclusive, a principal pauta-bomba citada pelo governo federal, com impacto de perda de R$ 50 bilhões por ano em arrecadação federal, de um total de R$ 111 bilhões em nove projetos.
Simples em outros países
Criado em 2006, o Simples tem por objetivo de estimular as pequenas empresas. Consiste na unificação de alguns tributos com alíquota mais favoráveis para o empreendedor.
A reforma tributária sobre o consumo, aprovada em 2023, não alterou os limites de enquadramento das empresas do Simples e do MEI.
Atualmente, podem aderir ao Simples:
microempreendedor individual que fatura até R$ 81 mil por ano;
transportador autônomo de cargas que fatura até R$ 251,6 mil por ano;
microempresas com até R$ 360 mil por ano;
empresas de pequeno porte com até R$ 4,8 milhões anuais;
➡️De acordo com estimativas da Receita Federal, o Simples Nacional deve gerar uma renúncia de arrecadação de R$ 136 bilhões neste ano, cerca de 22% do total de R$ 612,84 bilhões em benefícios previstos para 2026. Trata-se do principal programa que gera perda de receita para o governo.
➡️Em 2022, o auditor Fernando Mombelli, da Receita Federal, citou na Câmara dos Deputados o exemplo de outros países com regimes favorecidos para micro e pequenas empresas e seus limites anuais de faturamento.
Brasil = US$ 1 milhão (cerca de R$ 5 milhões);
Canada = US$ 22,5 mil;
Israel = US$ 26,5 mil;
Portugal = US$ 11 mil;
Coreia do Sul = US$ 48 mil e
Reino Unido = US$ 104 mil.
➡️Estudos apontam que a desoneração oferecida aos microempreendedores individuais como uma da fonte importante de desequilíbrio nas contas públicas brasileiras - que apresenta rombos seguidos nos últimos anos.
Por que um El Niño intenso deixa safras tropicais vulneráveis

Previsões para o El Niño estão mudando a produção no campo
Previsões para o El Niño estão mudando a produção no campo
É cada vez mais provável que um super El Niño se desenvolva no segundo semestre do ano, elevando as temperaturas, alterando o regime de chuvas e trazendo riscos para as safras em todo o mundo.
Entenda nesta reportagem o que é o El Niño e por que algumas safras em regiões tropicais estão expostas.
O que é o El Niño?
O El Niño é um aquecimento periódico da superfície do mar no Pacífico oriental, causado pelo enfraquecimento dos ventos alísios, e que ocorre naturalmente a cada dois a sete anos e tende a durar entre nove e 12 meses.
Esse fenômeno climático geralmente provoca temperaturas mais altas em todo o mundo, secas em regiões como o Sul e o Sudeste da Ásia, a Austrália e a África Austral, e chuvas intensas em outras áreas, incluindo o sul da América do Sul e dos Estados Unidos.
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A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) declarou a chegada do El Niño na semana passada. O órgão também informou que o fenômeno deve se intensificar, com 63% de probabilidade de atingir níveis considerados muito fortes, ou de um “super El Niño”, até 2027.
A seca, o calor e as chuvas excessivas causados pelo El Niño são um duro golpe para os agricultores, que já enfrentam neste ano choques nos preços de fertilizantes e do diesel, provocados pela guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Os preços das commodities agrícolas costumam subir de forma consistente durante episódios anteriores de El Niño.
El Niño 2026: o que é, por que os cientistas estão em alerta e como isso pode afetar sua vida
Queda no cacau
Todos os episódios fortes de El Niño nos últimos 55 anos reduziram a produção de cacau, de acordo com a empresa de investimentos WisdomTree.
Durante o último El Niño, entre meados de 2023 e meados de 2024, considerado de moderado a forte, a África Ocidental -- principal produtora -- foi inicialmente atingida por chuvas duas vezes maiores do que o normal, o que deixou as árvores de cacau expostas a uma doença fúngica.
Em 2024, o padrão climático se inverteu e a África Ocidental foi atingida por calor intenso e pelos ventos Harmattan, que estavam excepcionalmente secos e fortes para a época, fazendo com que as árvores enfraquecidas pela doença perdessem suas flores.
"Todo mundo acha que o El Niño está associado apenas a secas na África Ocidental. Isso não é necessariamente verdade. Devido às mudanças climáticas... o resultado, às vezes, é chuva inicial em excesso. No momento, essa é minha maior preocupação", disse Jim Roemer, da consultoria Best Weather.
Cerca de metade do cacau mundial é cultivado na Costa do Marfim e em Gana, os dois maiores produtores do mundo. O Equador, o terceiro maior produtor normalmente, enfrenta chuvas excessivas durante os episódios de El Niño.
Os preços do cacau quase triplicaram em 2024 após a quebra da safra na África Ocidental. Eles alcançaram níveis recordes, superando US$ 12.000 por tonelada métrica no fim do ano, tornando o ingrediente do chocolate mais caro do que muitos metais industriais.
Café
O El Niño é especialmente problemático para o café robusta, pois costuma trazer temperaturas mais altas e reduzir as chuvas no Vietnã e na Indonésia — primeiro e terceiro maiores produtores do mundo — a partir de meados do ano.
As condições climáticas adversas afetam os dois países — que, juntos, respondem por cerca de 50% da produção mundial de robusta — durante a fase de desenvolvimento da cultura. Os efeitos são sentidos a partir do quarto trimestre, durante a colheita.
"A seca no Vietnã e na Indonésia pode reduzir significativamente a produtividade do café robusta", afirmaram analistas do Citi.
No caso do café arábica, cuja produção tem quase metade proveniente do Brasil, o impacto do El Niño é mais sutil.
Carlos Santana, diretor comercial da Eisa, subsidiária da trading Ecom, disse que o El Niño pode inicialmente ser positivo para a safra que o Brasil colhe atualmente, já que temperaturas mais altas poderiam impedir geadas no inverno.
A longo prazo, porém, o El Niño costuma trazer seca e calor às regiões cafeeiras do Brasil no quarto trimestre, quando a próxima safra se desenvolve, o que pode prejudicar a produção em 2027.
Açúcar
No caso do açúcar, uma das commodities agrícolas mais negociadas, o El Niño costuma trazer chuvas excessivas no segundo semestre do ano, o que pode atrapalhar a colheita e reduzir a qualidade da safra no Brasil, principal produtor mundial.
Na Índia, segundo maior produtor de açúcar, e na Tailândia, segundo maior exportador, por outro lado, o fenômeno costuma reduzir as chuvas durante a monção de verão.
A Índia espera que a monção de 2026 traga o menor volume de chuvas em 11 anos, com precipitações durante o período de desenvolvimento da safra, de junho a setembro, estimadas em cerca de 90% da média.
Carlos de Mello, diretor de açúcar da corretora Hedgepoint, estima que mesmo um El Niño moderado pode reduzir a produção da Índia em cerca de 1 milhão de toneladas.
A longo prazo, as chuvas acima da média que o El Niño costuma trazer para as regiões açucareiras do Brasil podem ajudar a safra do próximo ano.
Mello, da Hedgepoint, afirmou que, de modo geral, é “difícil imaginar um cenário de alta no mercado com o El Niño”, devido aos potenciais efeitos positivos para a safra brasileira de açúcar de 2027.
O Brasil responde por cerca de metade das exportações mundiais de açúcar.
'Prévia do PIB' do Banco Central tem alta de 0,5% em abril

O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), divulgado pelo Banco Central do Brasil (BC) nesta quarta-feira (17), mostrou expansão de 0,5% em abril, na comparação com o mês anterior.
O cálculo é feito após ajuste sazonal — ou seja, uma forma de comparar períodos diferentes.
O resultado representa melhora em relação a março, quando houve retração de 0,2% no indicador.
Foi o maior aumento desde fevereiro, quando foi registrada alta de 0,6%.
Veja abaixo o desempenho setor por setor em abril:
agropecuária: estabilidade;
indústria: alta de 0,4%;
serviços: crescimento de 0,3%.
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Ainda segundo o Banco Central, o IBC-Br apresentou crescimento de 0,9% na comparação com o mesmo mês do ano passado.
Na parcial do ano, o indicador avançou 1,3% e, em 12 meses até abril, teve aumento de 1,6%. Nesses casos, o índice foi calculado sem ajuste sazonal.
➡️O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. O resultado oficial, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem uma metodologia diferente (veja mais abaixo nessa reportagem).
➡️Se o PIB cresce, significa que a economia vai bem e produz mais. Se o PIB cai, quer dizer que a economia está encolhendo. Ou seja, o consumo e o investimento total é menor. Entretanto, nem sempre crescimento do PIB equivale a bem-estar social.
Divulgação
Indústria paranaense intensifica investimentos em qualificação, automação, eficiência energética.
Desaceleração da atividade
A desaceleração da atividade econômica em 2025 e, no decorrer deste ano, é algo esperado tanto pelo mercado financeiro quanto pelo Banco Central, diante do elevado nível da taxa de juros.
Fixada pelo Banco Central para conter as pressões inflacionárias, a taxa básica de juros, a Selic está, atualmente, em 14,5% ao ano — em patamar ainda elevado —, apesar da redução recente.
O mercado financeiro estima uma taxa de crescimento do PIB de 1,96% em 2026, com nova desaceleração frente ao ano passado, quando a economia cresceu 2,3%.
▶️O BC tem dito claramente que uma desaceleração, ou seja, um ritmo menor de crescimento da economia, faz parte da estratégia de conter a inflação no país. Avalia que isso é um "elemento necessário para a convergência da inflação à meta (de inflação, de 3%)".
▶️Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada no fim de abril, o BC informou que o chamado "hiato do produto" segue positivo. Isso quer dizer que a economia continua operando acima do seu potencial de crescimento sem pressionar a inflação.
PIB x IBC-Br
Os resultados do IBC-Br são considerados a "prévia do PIB". Porém, o cálculo do Banco Central é diferente do cálculo do IBGE.
O indicador do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos, mas não considera o lado da demanda (incorporado no cálculo do PIB do IBGE).
O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros do país. Com o maior crescimento da economia, por exemplo, pode haver mais pressão inflacionária, o que contribuiria para conter a queda dos juros.
Dólar sobe com decisões de juros de Brasil e EUA no radar; Ibovespa recua

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar fechou em alta nesta quarta-feira (17), com avanço de 0,42%, cotado a R$ 5,1076. Na contramão, o Ibovespa encerrou o pregão em queda de 0,70%, aos 168.454 pontos.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1
▶️ A "Superquarta", momento em que os bancos centrais do Brasil e dos EUA devem anunciar suas decisões de juros, é o principal destaque da sessão. O Federal Reserve (Fed, o BC americano) decidiu manter as taxas inalteradas, em meio aos sinais de preços ainda elevados no país. Já por aqui, a estimativa é de um novo corte de 0,25 ponto percentual (p.p.) pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
🔎 A política de juros nos EUA também tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio e no nível de investimento estrangeiro no país (entenda mais abaixo).
▶️ O novo acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã também fica no radar. O entendimento incluiria, entre outros pontos, a reabertura do Estreito de Ormuz e uma nova trégua, incluindo o Líbano. O presidente americano, Donald Trump, afirmou que o tratado também deixa "bem claro" que Teerã não terá armas nucleares, mas reiterou que o entendimento ainda não é final. (entenda mais abaixo)
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: +0,90%;
Acumulado do mês: +1,29%;
Acumulado do ano: -6,94%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: -1,73%;
Acumulado do mês: -3,23%;
Acumulado do ano: +4,38%.
Juros na mira
As decisões de juros dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos são o principal destaque desta quarta-feira.
Por aqui, a expectativa é que o Copom faça mais uma redução de 0,25 ponto percentual (p.p.) das taxas básicas, levando a Selic para 14,25% ao ano.
Segundo analistas da XP Investimentos, o cenário de inflação se deteriorou desde a última reunião do colegiado, em meio a choque globais de oferta, o aquecimento da atividade doméstica e a interrupção do ciclo de valorização vivido pelo real.
"[Isso] deve levar o Copom a elevar sua projeção para o IPCA [inflação oficial do país] no quarto trimestre de 2027 de 3,5% para 3,6%, e promover mais um corte de 0,25 p.p., para 14,25%, mantendo alguma flexibilidade para ajustes adicionais, mas com comunicação cautelosa e menos inclinada a sinalizar novos passos", afirmaram analistas da XP em relatório.
Nos Estados Unidos, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) manteve as taxas de juros americanas inalteradas na faixa de 3,50% a 3,75%. Essa foi a primeira reunião da gestão de Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump para assumir a presidência do Fed.
➡️ O cenário de juros altos nos EUA tem diferentes reflexos no mundo — inclusive no Brasil. Isso porque, com juros mais altos, investidores estrangeiros tendem a realocar recursos para a maior economia do mundo, em busca de rendimentos maiores e maior segurança.
➡️ Com isso, o dólar tende a se valorizar em relação às moedas de outras economias do mundo — incluindo o real — e a bolsa de valores brasileira tende a cair.
➡️ Quando o dólar está mais alto, produtos importados ficam mais caros no Brasil, o que pode pressionar a inflação doméstica, especialmente em itens como combustíveis e eletrônicos. Com preços mais altos por aqui, a tendência é que esse cenário também resulte em juros mais elevados no Brasil, encarecendo o crédito e limitando o crescimento da economia.
Na avaliação de Vinicius Flores, analista de investimentos e sócio da gestora americana Stratton Capital, aponta que um dos pontos mais relevantes foi a decisão de Warsh em não divulgar sua estimativa para os juros no chamado "gráfico de pontos" ("dot plot") — movimento que considera coerente com as críticas que o dirigente já havia feito a esse mecanismo.
“O gesto reforça que estamos diante de um Fed em transformação, com potenciais mudanças estruturais à frente. O comunicado deixou claro o foco do comitê em entregar estabilidade de preços, e isso deve pautar as próximas decisões”, afirma Flores.
Segundo ele, o texto divulgado pelo banco central americano foi mais inclinado a uma postura de cautela com a inflação do que a uma eventual flexibilização, o que mantém aberta a possibilidade de novas altas de juros nas próximas reuniões.
Na visão do especialista, essa leitura ajuda a explicar a reação dos mercados, com fortalecimento do dólar, pressão sobre os títulos públicos americanos e queda das bolsas. “A economia dos Estados Unidos continua sólida e em expansão, o que reforça uma visão mais favorável a juros mais altos do que à manutenção ou queda das taxas”, diz.
Acordo de paz entre EUA e Irã
Os EUA e o Irã chegaram a um acordo para encerrar a guerra no último domingo (14). O memorando de entendimento foi assinado na segunda-feira e a expectativa é que o texto seja divulgado após uma cerimônia presencial, na sexta-feira. (acompanhe os principais acontecimentos)
Os detalhes do acordo ainda não foram totalmente divulgados. Segundo a mídia internacional, o memorando de entendimento deve prever:
um novo cessar-fogo de 60 dias em 'todas as frentes', incluindo o Líbano;
a reabertura imediata do Estreito do Ormuz — que, segundo Trump, deve ficar para sexta-feira, para que minas sejam retiradas do local;
o Irã também não deverá cobrar taxas das embarcações, e o tráfico local volte aos níveis pré-guerra em 30 dias;
que os EUA também levantem o bloqueio naval que fazem na entrada de Ormuz;
que sanções ao Irã sejam flexibilizadas progressivamente;
que o Irã se comprometa a não obter uma arma nuclear.
Questionado sobre um dos pontos do acordo, o fim das sanções econômicas contra o regime iraniano, Trump disse que ele não será imediato e que isso será debatido pelos dois países posteriormente.
Quais os pontos ainda a esclarecer do acordo entre EUA e Irã
O republicano ainda afirmou, nesta quarta-feira, que apesar de os dois países terem chegado a um acordo, as negociações ainda não acabaram e que pode voltar a atacar o Irã caso não fique satisfeito.
"É um memorando de entendimento. E se eu não gostar, voltaremos a atirar neles, a bombardear suas cabeças. Se eu não gostar, se eles não se comportarem, voltaremos a bombardear bem no meio da cabeça deles, ok?", declarou em entrevista coletiva na cúpula do G7, na França.
A cúpula do G7 deu a Trump a oportunidade de apresentar seu acordo com o Irã aos aliados Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão.
Em comunicado, os líderes afirmam: "Ressaltamos a necessidade de negociação... para abordar as ameaças representadas pelo Irã na região e além, e garantir que eles jamais obtenham uma arma nuclear".
Mercados globais
Nos EUA, os principais índices de Wall Street fecharam em baixa, em meio à repercussão da primeira decisão de juros sob o comando do novo presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh.
O Dow Jones caiu 0,96%, enquanto o S&P 500 recuou 1,19%. O Nasdaq Composite, por sua vez, perdeu 1,32%.
Na Europa, a maioria dos mercados acionários fechou em alta, ainda de olho no acordo de paz entre EUA e Irã. O índice pan-europeu STOXX 600 subiu 0,5%.
Entre os principais índices, o alemão DAX avançou 0,10%, o francês CAC 40 caiu 0,20% e o britânico FTSE 100 teve alta de 0,14%.
Na Ásia, a maioria das ações fechou em alta nesta quarta-feira, impulsionadas pelo setor de tecnologia. O CSI300, que reúne as maiores companhias em Xangai e Shenzen, avançou 0,97%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, ganhou 0,74%. Já o Hang Seng teve queda de 0,74%.
No Japão, o Nikkei subiu 0,7%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, teve valorização de 1,58%.
*Com informações da agência de notícias Reuters.
Notas de real e dólar
Amanda Perobelli/ Reuters
O país vizinho do Brasil onde empregados passaram a trabalhar menos e a ganhar mais (com desemprego na mínima histórica)

Algumas empresas, como supermercados, passaram a fechar mais cedo na Colômbia
Jair F. Coll/Bloomberg via Getty Images
Enquanto o Brasil discute mudanças na sua jornada de trabalho, países vizinhos da América do Sul estão concluindo ou começando a implementação de leis aprovadas nos últimos anos que apontam para a mesma direção: trabalhar menos.
No próximo dia 15 de julho, os trabalhadores assalariados da Colômbia passam a trabalhar por no máximo 42 horas semanais — uma conclusão da redução de seis horas feita ao longo de cinco anos, desde que a lei foi aprovada em 2021.
Diferentemente do Brasil, que discute a redução de 44 para 40 horas junto com o fim da escala 6x1, a Colômbia não estabeleceu a obrigatoriedade de ao menos duas folgas na semana.
Mas a redução das 48 para 42 horas, aprovada no governo de direita do ex-presidente Iván Duque (2018-2022), somou-se à reforma trabalhista aprovada em 2025, já no governo de esquerda de Gustavo Petro, que aumentou em 23,7% o salário mínimo no país e turbinou ganhos dos trabalhadores ao ampliar o período considerado para pagamento de adicional noturno.
Somadas as duas mudanças, entidades empresariais colombianas têm relatado dificuldades para empresas manterem planos de contratação e que adaptações foram necessárias, como fechar lojas mais cedo e aumentar automação dos serviços.
Mesmo assim, o cenário do mercado de trabalho no país não é de terra arrasada, bem longe disso, explica à BBC News Brasil o economista Stefano Farné, diretor do Observatório do Mercado de Trabalho e Seguridade Social da Universidade Externado, em Bogotá.
"Não há dúvidas de que aumentaram os custos unitários por trabalhador na Colômbia", diz Farné, que participou de discussões no Congresso no país sobre as mudanças.
"Mas o que observamos é que não houve efeitos negativos sobre o mercado de trabalho. Além disso, o emprego assalariado do setor privado segue crescendo há muitos meses."
Segundo Farné, não houve ainda no país nenhum estudo de "avaliação de impacto", isso é com métodos científicos sólidos, com análise comparada e processamento de dados. Sua opinião é baseada na percepção geral do mercado de trabalho no país, que tem mostrado resiliência com uma taxa de desemprego na baixa histórica.
Uma análise da Corficolombiana, uma das maiores corporações financeiras do país, apontou que a redução da jornada de trabalho está impulsionando as contratações de maneira geral. A estimativa é que 787 mil novos trabalhadores foram contratados entre 2022 e 2025 apenas para compensar a diminuição das horas trabalhadas.
Mas a empresa aponta que a produtividade caiu, já que o mesmo volume de trabalho está sendo distribuído entre mais pessoas.
"Se mais pessoas precisam trabalhar para produzir a mesma quantidade, e cada trabalhador produz menos por jornada, a economia se torna menos eficiente", diz a análise da Corficolombiana.
Já a Fenalco (Federação Nacional de Comerciantes e Empresários), equivalente a uma Confederação Nacional do Comércio (CNC) no Brasil, produziu um levantamento ouvindo 610 empresários, em 25 cidades, para demonstrar o impacto do aumento dos custos trabalhistas de maneira geral.
O levantamento aponta que 51% das empresas começaram a fechar mais cedo, reduzindo operações noturnas, 25% aceleraram o processo de automação de serviço e 23% aumentaram os preços de seus produtos.
Os setores mais afetados são os que operam em horários estendidos, como varejo, bares, restaurantes, hotelaria e vigilância privada.
"Muitas empresas já estão enfrentando maiores custos operacionais, o que reduz sua capacidade de expandir operações e contratar novo pessoal. Também existe um ambiente de incerteza que leva os empresários a agir com prudência", disse a Fenalco à BBC News Brasil.
A federação também afirma que 64% dos empresários entrevistados reduziram o número de empregados e que 80% modificaram os planos de contratação para o futuro.
A classe empresarial disse não ter números consolidados ano sobre fechamento de empresas, mas dados preliminares mostram "redução na abertura de novas empresas" em 2026.
"Felizmente, a Colômbia continua contando com uma grande capacidade empreendedora", diz a Fenalco.
Diferenças para o Brasil: mais flexibilidade e com escala 6x1
Sindicatos foram às ruas defender a reforma trabalhista na Colômbia
JOAQUIN SARMIENTO/AFP via Getty Images
Segundo o professor Stefano Farné, comparar o caso colombiano com o do Brasil é difícil, porque a redução da jornada no país caribenho veio acompanhada de outras mudanças trabalhistas. Ainda assim, ressalta, algumas lições internacionais podem ser úteis.
A primeira é a importância da gradualidade, como os cinco anos de adaptação na Colômbia.
"A recomendação é não fazer de um dia para o outro, mas aos poucos. Isso é bom para qualquer coisa em geral", diz o pesquisador.
No Brasil, a proposta para a redução da jornada de 44 horas semanais para 40 horas entraria em vigor em duas etapas. Primeiro, haveria a redução para 42 horas, após 60 dias. O limite de 40 horas seria alcançado após mais um ano.
O economista Bruno Ottoni, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), avaliou à BBC News Brasil que o tempo previsto para transição é curto para a adaptação de empresas.
Farné também ressalta que, na Colômbia, a diminuição da jornada veio acompanhada por flexibilidade nos horários de trabalho e sem obrigatoriedade de dois dias de descanso.
Ficou permitido que empresas e trabalhadores façam acordos para trabalhar mais em um dia e menos no outro, por exemplo.
Com a redução, a lei colombiana também passou a permitir que o empresário possa escolher o dia da folga semanal do funcionário, não sendo mais preferencial o sábado ou domingo.
Essa medida é considerada especialmente positiva para empresas do comércio, um dos setores mais afetados pelas mudanças. "É uma forma de flexibilizar a diminuição do horário de trabalho. Por isso, não tivemos tantos efeitos na economia, porque a queda das horas de trabalho tem sido compensada por outras medidas", diz Farné.
Na Colômbia, as empresas ainda deixaram de ser obrigadas a fornecer uma folga extra por semestre aos trabalhadores no chamado "dia da família". Também deixou de ser obrigatório às empresas maiores terem duas horas de atividades culturais ou de formação por semana.
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O caso chileno
No Chile, o governo de esquerda de Gabriel Boric conseguiu aprovar uma reforma trabalhista em 2023 que, entre outras coisas, estipulou a redução da jornada máxima de 45 horas para 40 horas semanais no país. A transição começou em 2024 e vai até 2028.
Mas, antes mesmo dessa nova mudança, o país já era estudado internacionalmente devido a outra redução. Em 2005, após quatro anos de transição, os chilenos eliminaram a jornada de 48 horas para uma máxima de 45.
"De modo geral, os estudos empíricos encontram que os efeitos dessas reduções foram muito pequenos e marginais. Ou seja, os efeitos tendem a ser negativos, mas são pequenos e nem sempre estatisticamente significativos", diz Farné, que participa de discussões na Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre o tema.
O estudo do economista chileno Rafael Sanchéz concluiu também que a redução nos anos 2000 não teve "efeitos diretos significativos" no mercado de trabalho chileno nem pela criação nem pela redução de vagas — e que as horas de trabalho passaram a ser melhor remuneradas, já que não houve redução salarial.
O pesquisador acompanhou as trajetórias de milhares de trabalhadores entre os anos de 2002 e 2005 (pré e pós-reforma), comparando o destino profissional daqueles diretamente atingidos pela nova lei com um grupo composto por funcionários que já trabalhavam em horários próximos ao novo limite.
Segundo Sanchéz, as empresas chilenas utilizaram o período de transição para ajustar seus processos produtivos e redistribuição de tarefas. Isso é apontado como fundamental para evitar demissões em massa.
Em resumo, as empresas chilenas reagiram absorvendo o aumento do custo por hora sem reduzir o quadro de funcionários de forma expressiva.
Os exemplos na América e em muitos países, especialmente na Europa, mostram que "trabalhar menos é uma tendência à qual não podemos nos opor", diz Ferné.
"Isso não quer dizer que a América do Sul tem que seguir os países europeus que já estão com jornadas de 36 horas e pronto. Vamos com calma, mas isso é um caminho mundial."
Na 'Copa das Carnes', Brasil supera o bife de chorizo da Argentina com fraldinha e alcatra

Imagem de cortes de fraldinha.
Reprodução/Instagram
Na Copa das Carnes, o Brasil saiu na frente. Os cortes brasileiros fraldinha e alcatra conquistaram o 1º e o 2º lugar no ranking do TasteAtlas dos melhores pratos com carne bovina do mundo, de 2026.
Os dois superaram o tradicional bife de chorizo argentino, que ficou na 3ª posição. A picanha, por outro lado, foi desbancada pelos vizinhos e apareceu logo atrás, em 4º lugar.
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Ao todo, o Brasil emplacou 12 posições na lista, contra sete da Argentina. Além de fraldinha, alcatra e picanha, outros cortes e preparações brasileiras que figuram no ranking são:
9º lugar: bife à parmegiana;
13º lugar: maminha;
22º lugar: vaca atolada, prato típico da culinária mineira;
62º lugar: cupim;
67º lugar: filé Oswaldo Aranha, um clássico carioca;
75º lugar: estrogonofe;
77º lugar: carne de sol;
91º lugar: carne de onça, prato tradicional de Curitiba;
99º lugar: barreado, típico do Paraná.
Além do bife de chorizo, a Argentina também marcou presença com outros seis pratos: a milanesa napolitana (28º lugar), a tira de asado (34º), a milanesa (40º), o vacío (53º), a milanesa a caballo (68º) e a milanesa de peceto (94º).
O TasteAtlas é uma enciclopédia gastronômica criada pelo jornalista croata Matija Babić, em 2018.
Os rankings são baseados em avaliações dos usuários da plataforma, mas, segundo a empresa, há mecanismos para identificar usuários reais, ignorar votos de bots ou motivados por patriotismo local e dar mais peso às avaliações de pessoas consideradas mais conhecedoras.
Confira as 10 primeiras posições do ranking.
Fraldinha - Brasil
Alcatra - Brasil
Bife de chorizo - Argentina
Picanha - Brasil
Bistecca alla Fiorentina - Itália
Beyti kebab - Turquia
Châteaubriand - França
Tagliata di manzo - Itália
Lomo vetado - Chile
Costata - Itália
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Picanha brasileira ficou em 4º lugar do ranking.
Nadin Sh/Pexels e Pedro Furtado/Pexels
Sem reunião formal entre Lula e Trump no G7, tarifaço segue na mira do governo e reforça estratégia de pressão dos EUA

Lula e Donald Trump em foto de família da cúpula do G7 em Evián, na França, em 16 de junho de 2026.
Evelyn Hockstein/ Reuters
A negociação das novas tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no início de junho está entre as principais prioridades do governo brasileiro.
Havia expectativa de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguisse algum encontro com o líder americano no encontro do G7, grupo das sete maiores economias do mundo, realizado na França nesta semana.
Segundo apuração da TV Globo, os dois chegaram a conversar brevemente na noite de ontem, mas não falaram sobre as ofensivas dos EUA contra o Brasil. As tratativas, assim, seguem apenas a nível ministerial.
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🔎 O G7 reúne algumas das principais economias desenvolvidas do mundo e discute temas globais, como economia, conflitos, clima e segurança. O Brasil não faz parte do grupo, mas pode ser convidado para participar de reuniões, como ocorreu na atual cúpula.
O Brasil tenta negociar a retirada das tarifas desde o ano passado, quando Trump anunciou as primeiras taxas de importação sobre produtos brasileiros. Houve um avanço em novembro de 2025, quando a Casa Branca decidiu eliminar a tarifa de 40% aplicada a diversos itens exportados pelo país.
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As novas tarifas de 25% anunciadas neste mês, segundo avaliação do governo brasileiro, é uma medida de caráter mais político do que comercial. Segundo integrantes do governo, a decisão também ignora argumentos técnicos apresentados por representantes comerciais brasileiros nos últimos meses.
Mas a medida segue um padrão adotado por Trump em outras ocasiões: utilizar tarifas como instrumento de pressão em negociações comerciais e diplomáticas.
Estratégia em favor dos EUA
Como o g1 já mostrou, a ameaça tarifária é uma estratégia antiga do presidente americano em disputas comerciais e diplomáticas. O objetivo é obter vantagens em negociações bilaterais.
Em seus dois mandatos, Trump deixou claro que uma de suas prioridades é fortalecer a atividade econômica doméstica, limitando a concorrência estrangeira.
Em 2018, por exemplo, Trump anunciou tarifas sobre as importações de aço e alumínio, produtos exportados pelo Brasil para os EUA. Pouco depois, os dois países negociaram um sistema de cotas que permitia a venda com isenção ou redução de tarifas até determinado limite.
No episódio mais recente, o governo americano afirmou que uma investigação do Escritório de Comércio (USTR, na sigla em inglês) concluiu que o Brasil adota práticas consideradas "irrazoáveis" por onerar ou restringir o comércio com o país. Como resultado, propôs uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
Por que o Brasil virou alvo da investigação?
Em um decreto posterior, Trump citou 60 países — entre eles o Brasil — que falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como consequência, propôs uma tarifa adicional de 12,5%, elevando a taxação potencial sobre produtos brasileiros para 37,5%.
Nos dois casos, porém, os EUA divulgaram uma extensa lista de exceções. No caso brasileiro, os produtos excluídos das medidas representam cerca de 60% das exportações para o mercado americano.
"Em nossa avaliação, o impacto econômico direto tende a ser limitado, uma vez que a lista de isenções permanece extensa e abrange parcela significativa das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos", afirmaram os analistas Luiza Paparounis e Francisco Lopes, do BTG Pactual, em relatório recente.
Outros exemplos pelo mundo e os efeitos para os EUA
O Brasil não é o único parceiro comercial dos EUA atingido por tarifas. União Europeia, China, Canadá, México e outros países também foram alvo de medidas semelhantes adotadas por Trump.
Além de alegar que esses países mantêm relações comerciais injustas com os EUA, Trump também recorreu a diferentes justificativas para defender as tarifas, incluindo combate ao narcotráfico, crime organizado, imigração ilegal, segurança de fronteira, comércio digital, corrupção e até o PIX brasileiro.
"Trump usa essa questão tarifária como uma arma, e já vimos isso várias vezes. No Brasil, quando houve o choque com o nosso judiciário, ou na Índia, que continuava a comprar petróleo russo", avalia a diretora da Faculdade de Relações Internacionais da PUC-Campinas, Kelly Ferreira.
"E mesmo que a Suprema Corte americana já tenha tentado derrubar as tarifas globais impostas em 2025, o Trump está sempre buscando novas formas de usar essas taxas a seu favor", completa a especialista.
Ela acrescenta que até a classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas teria um componente econômico, ao dar mais flexibilidade para Trump adotar novos embargos.
Em vários dos casos, a estratégia foi semelhante: o republicano anunciou tarifas, estabeleceu prazos para negociação e buscou obter vantagens competitivas, além de maior abertura dos mercados para a indústria americana.
Trump também afirmou, em diversas ocasiões, que as tarifas serviriam como fonte de receita para o governo, ajudariam a reduzir a dívida pública e fortaleceriam a economia americana.
O republicano não conseguiu cumprir essas promessas. Dados do Tesouro dos EUA mostram que o déficit orçamentário — quando as despesas superam as receitas — cresceu 2% e atingiu US$ 164 bilhões (R$ 827,1 bilhões) em março.
A inflação ao consumidor subiu 0,5% em maio, sétimo avanço consecutivo. Em 12 meses, o índice acumulado chegou a 4,2%, mais que o dobro da meta do banco central americano. Já o PIB do país cresceu 1,6% no primeiro trimestre, abaixo da expectativa do mercado, de 2%.
A sensação de deterioração da economia americana também já se reflete na popularidade de Trump, que vem caindo desde o início do ano passado.
O que explica a crise de popularidade do presidente dos EUA
O que esperar adiante?
Mesmo sem uma definição sobre as tarifas, o governo brasileiro afirma que pretende manter as negociações. Pela legislação americana, a investigação formal ainda precisa ser concluída e consultas públicas devem ocorrer antes de qualquer medida entrar em vigor.
O presidente Lula afirmou que enviaria uma nova carta a Trump para tratar do assunto.
"A nossa luta é para que esse país não seja tratado em nenhum momento como se fosse uma republiqueta insignificante. Nós temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os EUA deu ao Brasil nesta semana. Não é possível", afirmou o petista após o anúncio das novas taxas.
Com uma agenda extensa e diversos temas relevantes em debate no G7, a reunião entre Lula e Trump pode não ocorrer. Ainda assim, a expectativa é que o presidente brasileiro aproveite o encontro para estreitar relações com outras grandes economias e fortalecer os laços do Brasil com a União Europeia.
Como funcionam as bancas que avaliam candidatos às cotas raciais em concursos e universidades

UnB foi uma das primeiras universidades a adotar o sistema de cotas
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Criadas para evitar fraudes no sistema de cotas raciais, as chamadas bancas de heteroidentificação são responsáveis por atestar a legitimidade da autodeclaração feita por candidatos aprovados em concursos públicos para essas vagas.
Nessas bancas não importam certidão de nascimento ou relato pessoal. Para determinar quem é ou não apto a concorrer a uma vaga por cota racial, essa avaliação foca na aparência física dos candidatos inscritos nas vagas reservadas para negros (pretos ou pardos).
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Usado por instituições federais, o método surgiu como uma espécie de fiscalização da Lei de Cotas. Em um país tão miscigenado como o Brasil, no entanto, avaliações desse tipo envolvem subjetividade, o que pode gerar controvérsias. A seguir, entenda como funciona uma banca de heteroidentificação.
Por que existe a banca
Sancionada em 2012, a Lei de Cotas é uma política afirmativa que busca reduzir as desigualdades sociais do país. No caso das cotas raciais, a lei determina que parte das vagas de concursos públicos federais seja destinada a pessoas pretas, pardas, indígenas e quilombolas.
Para evitar fraudes na autodeclaração de candidatos, o governo federal regulamentou em 2018 o procedimento de heteroidentificação para as candidaturas negras, argumentando que a política era uma demanda da sociedade civil e de movimentos negros.
Essa portaria normativa estabeleceu as regras para a atuação dessas bancas. A norma visava ainda garantir a padronização e igualdade de tratamento entre os candidatos que passariam por esse procedimento.
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O que é heteroidentificação
As bancas de cota racial trabalham com a ideia de heteroidentificação, ou seja, o olhar do outro. Por isso, os comitês não levam em consideração a maneira como a pessoa se identifica (autodeclaração), mas sim a forma como ela é vista socialmente.
"Uma banca é como o olho da sociedade", afirma Rodrigo Ednilson de Jesus, professor e coordenador de Políticas de Ações Afirmativas e Inclusão da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). "A banca não está avaliando grau de mestiçagem, mas sim se a pessoa é lida ou não como negra."
O governo institui que essas análises devem considerar somente o fenótipo do candidato. Isso significa que são observadas apenas características físicas – como tom de pele, traços faciais e textura de cabelo.
Já aspectos como árvore genealógica, laudos dermatológicos ou tradições culturais ficam de fora da avaliação da banca.
De acordo com Rodrigo Ednilson de Jesus, isso ocorre porque o racismo brasileiro se expressa sobretudo diante de fenótipos, e as cotas raciais foram justamente pensadas como reparação à população afetada por essa discriminação.
Quem compõe a banca
Não existe um único órgão responsável pelas bancas. Cada instituição estabelece suas próprias regras sobre a composição dessas comissões. Algumas mobilizam candidatos internamente, outras optam por recrutar pessoas de fora.
No caso de universidades, essas comissões são compostas principalmente por professores, estudantes e funcionários públicos. Todos os membros devem participar de cursos sobre questões raciais e de enfrentamento ao racismo antes de integrarem as bancas.
Geralmente, a banca é composta por cinco pessoas. É importante que o número seja ímpar para não haver empate no resultado.
No processo, cada membro faz seu próprio julgamento e, depois, o grupo chega a uma deliberação coletiva, baseada no olhar da maioria.
A banca deve ser diversa, conforme prevê a legislação. "É preciso que uma comissão tenha homens, mulheres, brancos, negros", explica o professor da UFMG. "Para que as pessoas olhem [para o mesmo candidato] de diferentes ‘lugares'."
Como funciona a banca
Embora não exista uma regra sólida, na maioria das vezes, as bancas acontecem após o processo seletivo. Ou seja, quando a pessoa já passou no vestibular ou concurso público. Daí, sim, ela é considerada apta ou não para a vaga cotista.
Como a ideia é justamente avaliar apenas o fenótipo da pessoa, a banca não faz entrevistas. O que vale ali é a análise visual, que dura cerca de 3 minutos, segundo Rodrigo.
A recomendação do governo é que esse processo seja realizado de forma presencial. Análises por vídeos ou fotos até são permitidas, mas podem dificultar o trabalho da comissão, já que fatores como luz, filtro e ambiente podem afetar a nossa percepção de imagem.
Além disso, independentemente do formato, o encontro entre o candidato e a banca é gravado — a filmagem pode ser solicitada depois, caso haja necessidade.
Todo candidato tem o direito de contestar a decisão da banca que o julgou. Nesse caso, haverá uma segunda comissão (composta por outros analistas). Se a pessoa considerar que o erro persiste, ela pode então entrar com uma ação na Justiça.
Casos controversos
Flavia Medeiros, servidora do Itamaraty exonerada por 'reprovar' em banca racial
Emanuelle Sena/ AscomAGU
Por não seguirem critérios objetivos concretos, há polêmicas envolvendo decisões dessas comissões. Em maio, o caso da internacionalista Flávia Medeiros virou notícia. Ela foi exonerada do Itamaraty, dois meses após assumir o posto de oficial da chancelaria.
Autodeclara negra, ela foi barrada pela banca de heteroidentificação. Flávia contestou a decisão e, nesta segunda-feira (15/06), firmou um acordo com a Advocacia-Geral da União (AGU) para reassumir o cargo. A decisão ainda precisa ser homologada pela Justiça Federal.
Um dos casos mais emblemáticos aconteceu em 2007, quando as cotas raciais ainda não eram uma política pública nacional, mas já eram aplicadas em algumas instituições.
Naquele ano, os irmãos gêmeos univitelinos Alex e Alan Teixeira da Cunha concorreram às vagas cotistas da Universidade de Brasília (UnB). A banca de heteroidentificação da faculdade aprovou a candidatura de Alan, mas barrou a de Alex. Após a repercussão do caso, a instituição voltou atrás e autorizou o outro irmão na disputa cotista.
Itamaraty exonera mulher por reprovar em banca racial
A subjetividade
O uso da heteroidentificação no sistema de cotas raciais gera discussões devido à sua subjetividade. O olhar de quem está ali na banca não representa necessariamente o de outras pessoas, e isso pode levar a eventuais falhas na avaliação.
"No Brasil, existem pessoas claramente lidas como brancas, outras 'escuramente' lidas como negras. Mas existem pessoas em um lugar de 'ambiguidade racial', quando podem ser lidas em alguns contextos como negras, e em outros, não", afirma o professor da UFMG.
Coautor do livro "A raça que os olhos veem: como controlar a subjetividade dos procedimentos de heteroidentificação racial", Rodrigo continua: "A leitura de uma banca é subjetiva, mas é possível controlar essa subjetividade." Para haver esse controle, segundo ele, é essencial garantir aprofundamento técnico nos estudos anteriores à formação das bancas.
Já Márcia Lima, organizadora da coletânea "O Impacto das Cotas: duas décadas de ação afirmativa no ensino superior brasileiro", critica o modelo atual. Para a socióloga, a heteroidentificação é, por si só, inadequada à política afirmativa. Em sua visão, deveria haver maior foco na autodeclaração.
"Tratar todo reprovado numa comissão como fraudador é cruel. Ninguém deve definir a identidade de cada um, muito menos em nome do Estado", argumenta. A socióloga defende que, em caso de denúncias de fraude ou má-fé, haja uma investigação à parte.
Os desafios
De acordo com a professora da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora do Afro-Cebrap Flavia Rios, os ministérios da Educação e da Igualdade Racial discutem atualmente possíveis padronizações das bancas para deixá-las mais certeiras. Mas ela reforça que, desde o surgimento dos comitês, várias mudanças já foram feitas.
"As comissões foram evoluindo, aprendendo com os próprios erros e problemas. Foram também percebendo que é preciso ter processos formativos, padronizar tamanhos, fazer reuniões seminários e eventos. Mas isso não significa que eventuais erros não aconteçam", acrescenta.
Para Flavia, o principal desafio de hoje está em garantir que haja diversidade regional nas bancas, pois o próprio entendimento do que é ser negro está atrelado às referências regionais de cada avaliador. "[A compreensão do que é] ser pardo no Norte do Brasil é muito diferente do que é no Centro-Sul, por exemplo. Em algumas regiões do país, o fenótipo tem maior variação do que em outras."
IBGE: veja cargos, salários, datas e como se inscrever em seleção com mais de 8 mil vagas

Agentes do IBGE
Reprodução
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) está com inscrições abertas para um novo processo seletivo simplificado voltado à realização do 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola.
Ao todo, são oferecidas 8.238 vagas temporárias em cinco funções, com remunerações que variam entre R$ 2.128 e R$ 4.008, além de benefícios.
As oportunidades estão distribuídas por todo o país e abrangem atividades administrativas, operacionais, de supervisão e suporte tecnológico ligadas à execução da pesquisa.
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As inscrições devem ser feitas exclusivamente pela internet, no site do IBFC, responsável pela organização do processo. O prazo termina às 23h do dia 1º de julho. A taxa de inscrição é de R$ 53.
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O edital prevê isenção da taxa para candidatos inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e para doadores de medula óssea que atendam aos critérios estabelecidos.
Confira abaixo a relação de cargos, salários e número de vagas:
Além dos salários, os contratados terão direito a auxílio-alimentação de R$ 1.192, auxílio-transporte, auxílio pré-escolar, férias proporcionais e 13º salário proporcional.
Os aprovados serão contratados por tempo determinado para atuar na coleta de informações, supervisão de equipes, suporte administrativo e apoio tecnológico das operações censitárias.
🔎 O Censo Agropecuário é uma das principais pesquisas realizadas pelo IBGE e tem como objetivo reunir informações sobre a estrutura e a produção dos estabelecimentos rurais brasileiros. Os dados levantados ajudam a orientar políticas públicas, programas de financiamento e ações voltadas ao desenvolvimento do setor agropecuário.
Quem pode participar?
Todos os cargos exigem ensino médio completo. Além disso, os candidatos devem atender aos seguintes requisitos:
ter, no mínimo, 18 anos na data da contratação;
estar em dia com as obrigações eleitorais;
estar em dia com as obrigações militares, no caso dos candidatos do sexo masculino;
possuir aptidão física e mental para exercer a função;
atender aos demais requisitos previstos no edital.
Para os cargos de Agente Censitário Supervisor (ACS), Agente Censitário Regional (ACR) e Agente Operacional Regional (AOR), também é exigida Carteira Nacional de Habilitação (CNH) categoria B válida.
Como será a prova?
A seleção contará com uma prova objetiva de múltipla escolha composta por 60 questões. Os conteúdos cobrados incluem:
Língua Portuguesa;
Raciocínio Lógico;
Ética no Serviço Público;
Geografia;
conhecimentos específicos de cada cargo.
A prova terá duração de quatro horas e será aplicada no município escolhido pelo candidato durante a inscrição, no dia 27 de setembro.
Para ser aprovado, será necessário obter pelo menos 18 pontos no total da avaliação e acertar ao menos uma questão em cada disciplina exigida para a função pretendida.
O processo seletivo prevê reserva de vagas para grupos específicos:
25% para pessoas pretas e pardas;
5% para pessoas com deficiência;
3% para indígenas;
2% para quilombolas.
Os candidatos que optarem pelas vagas reservadas concorrerão simultaneamente na ampla concorrência e nas listas específicas de cotas, desde que cumpram os procedimentos de validação previstos no edital.
Quanto tempo dura o contrato?
Os aprovados serão contratados inicialmente por até 12 meses para atuar nas operações do Censo Agropecuário 2026.
Os contratos poderão ser prorrogados de acordo com as necessidades do IBGE e o andamento dos trabalhos de coleta de dados, respeitando o limite máximo de 48 meses previsto na legislação federal para contratações temporárias.
Durante o período de trabalho, os contratados passarão por avaliações periódicas de desempenho. Entre os critérios observados estão assiduidade, produtividade, cumprimento de prazos e qualidade das atividades executadas.
O desligamento poderá ocorrer caso o profissional apresente desempenho considerado insuficiente.
Cadastro Reserva
Os candidatos aprovados além do número inicial de vagas formarão cadastro de reserva e poderão ser convocados posteriormente, de acordo com as necessidades do instituto ao longo da execução do Censo Agropecuário.
Na prática, isso significa que candidatos fora das vagas imediatas ainda podem ser chamados durante a vigência da seleção, caso surjam novas demandas ou desistências.
Cronograma
12 de junho — Abertura das inscrições
1º de julho — Encerramento das inscrições
21 de setembro — Divulgação do cartão de convocação da prova
27 de setembro — Aplicação da prova objetiva
28 de setembro — Divulgação do gabarito preliminar
3 de novembro — Resultado definitivo da prova objetiva
18 de dezembro — Resultado final da seleção
Ideia boa não basta: veja como testar um negócio antes de investir mais dinheiro

Ideia boa não basta: o que validar antes de investir
Ter uma boa ideia não é garantia de sucesso no empreendedorismo. Segundo especialistas, muitos negócios começam no impulso e acabam enfrentando prejuízos por falta de planejamento, demanda insuficiente ou custos maiores do que o esperado.
Antes de investir, o primeiro passo é entender se existe público interessado no produto ou serviço. Ouvir potenciais clientes e testar a ideia em pequena escala ajuda a identificar falhas e ajustar o negócio antes de um investimento maior.
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Uma das estratégias mais recomendadas é criar um MVP (Minimum Viable Product), sigla para “produto mínimo viável”. O modelo permite validar a proposta com baixo custo e avaliar se ela realmente tem potencial de mercado.
Especialistas também destacam a importância de colocar todos os custos na ponta do lápis, desde produção até entrega, para entender se a operação é financeiramente viável. Para o Sebrae, transformar a ideia em um plano de negócio é essencial para reduzir riscos e aumentar as chances de sucesso.
Empreendedorismo impulsiona geração de renda
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Como investir se não sobra dinheiro? Especialistas dizem que esperar sobrar é um erro
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Como investir se não sobra dinheiro?
Esperar sobrar dinheiro para começar a investir pode ser um erro comum. A recomendação é inverter a lógica: em vez de guardar o que resta no fim do mês, separar uma parcela da renda logo após receber o salário.
Uma das estratégias sugeridas é a chamada teoria dos três potes, que divide o orçamento entre gastos do dia a dia, reserva de segurança para emergências e investimentos voltados para objetivos futuros, como a compra da casa própria, viagens ou aposentadoria.
A regra de bolso mais conhecida prevê a destinação de 60% da renda para despesas correntes, 30% para segurança financeira e 10% para o futuro. Especialistas destacam, porém, que o mais importante é criar o hábito de investir regularmente, mesmo que o percentual inicial seja menor.
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Acordo de paz entre EUA e Irã reforça expectativa de novo corte de juros pelo Banco Central nesta quarta

Adriano Machado/ Reuters
A maior parte dos analistas do mercado financeiro já projetava, na semana passada, um novo corte de juros pelo Banco Central nesta quarta-feira (17) — quando se reúne o Comitê de Política Monetária (Copom).
Após o anúncio do fechamento de um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã, na noite deste domingo (14), a expectativa de uma nova redução da taxa básica da economia se consolidou.
Atualmente, a taxa está em 14,5% ao ano. A maioria do mercado projeta um corte de 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. Se confirmada, será a terceira redução seguida no juro. O anúncio será feito após as 18h.
🔎A taxa básica da economia é o principal instrumento do BC para tentar conter as pressões inflacionárias, que tem efeitos, principalmente, sobre a população mais pobre.
Agora no g1
➡️Após a diminuição das tensões no Oriente Médio, com desobstrução do estreito de Ormuz, o preço do petróleo já teve queda no início desta semana, o que atenua a pressão de alta nos combustíveis e, consequentemente, na inflação.
➡️O resultado da inflação oficial em maio também foi considerado positivo por analistas, uma vez que a alta de 0,58% mostrou desaceleração em relação aos 0,67% registrados em abril.
"Com IPCA 'menos ruim' e o petróleo abrindo a semana próximo de US$ 80 [com o anúncio do acordo de paz], o Copom deve cortar na reunião dessa quarta e pode deixar em aberto o comunicado. Os próximos passos vão depender do cenário, se confirmando a inflexão na inflação e expectativas 2027 e 2028 sem mudanças, podem ainda seguir cortando 25bps [0,25 ponto percentual]", avaliou a economista-chefe do banco Inter, Rafaela Vitória.
Bruna Centeno, economista da Blue3 Investimentos, observou que a semana abriu bastante intensa com o "alívio generalizado" na parte dos ativos de risco o acordo de paz. Segundo ela, a curva de juros brasileira (no mercado futuro) já precifica queda em todos os vencimentos.
"Essa semana é importante porque esse alívio generalizado ele marca uma das semanas mais aguardadas que é exatamente essa precificação de juros em relação ao super quarta de Brasil e Estados Unidos. Mesmo com a curva de ir fechando em queda em todos os vencimentos, ainda é aguardado esse corte de 0,25 [ponto percentual] para quarta feira", disse a analista Bruna Centeno, da Blue3 Investimentos.
EUA e Irã chegam a acordo de paz, dizem Trump e primeiro-ministro do Paquistão
Como as decisões são tomadas
Para definir os juros, o Banco Central atua com base no sistema de metas. Se as projeções de inflação estão em linha com as metas, é possível baixar os juros. Se estão acima, o Copom tende a manter ou subir a Selic.
Desde o início de 2025, com o início do sistema de meta contínua, o objetivo foi fixado em 3% e será considerado cumprido se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%.
Ao definir a taxa de juros, o BC olha para o futuro, ou seja, para as projeções de inflação, e não para a variação corrente dos preços, ou seja, dos últimos meses.
Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia.
Neste momento, por exemplo, a instituição já está mirando na meta considerando o ano de 2027 fechado.
Para o próximo ano, o mercado financeiro estimou, na semana passada, que o IPCA ficará em 4,10%, ou seja, acima da meta central de 3%.
➡️Na ata de sua última reunião, realizada no fim de abril, o BC informou que o aumento das expectativas de inflação do mercado não impediram o último corte de juros porque o "período prolongado" de manutenção da taxa em 15% ao ano, o mais alto em 20 anos, gerou desaceleração da economia e criou condições para que essa redução seja compatível com a redução das expectativas de inflação nos próximos anos.
"Mantido o compromisso fundamental de garantia da convergência da inflação à meta dentro do horizonte relevante para a política monetária, o Comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises", informou o BC, naquele momento.
Prazo para pedir ressarcimento de descontos indevidos no INSS vai até 20 de junho; R$ 3,2 bilhões foram devolvidos

Prazo para pedido de ressarcimento de descontos do INSS termina dia 20 de junho
Aposentados e pensionistas que tiveram descontos indevidos relacionados à fraude no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) têm até 20 de junho para contestar as cobranças.
Até agora, mais de R$3,2 bilhões foram devolvidos a 4,7 milhões de segurados, segundo o INSS. O balanço é do dia 11 de junho.
Após a aprovação da contestação, os segurados podem aderir ao acordo de ressarcimento e receber os valores corrigidos diretamente na conta em até três dias para receber administrativamente os valores descontados.
Ao fechar o acordo, os segurados recebem na conta os valores corrigidos em até três dias úteis. Segundo o INSS, mesmo após o fim do prazo para a contestação, ainda será possível aderir ao acordo de ressarcimento. Quem perder o prazo para contestar, não poderá aderir ao acordo.
Para ter direito à devolução de valores descontados entre março de 2020 e março de 2025, o segurado deve:
verificar sua situação: confirmar se houveram descontos indevidos pelo aplicativo ou site Meu INSS; pela Central 135 ou nas Agências dos Correios.
contestar o desconto: informar ao INSS sobre a cobrança não autorizada pelo aplicativo ou site Meu INSS, ou nas agências dos Correios.
aguardar a análise: a entidade associativa tem até 15 dias úteis para se manifestar.
aderir ao acordo: se a entidade não responder ou apresentar documentação irregular (como assinatura falsa), o sistema libera a opção de adesão para o recebimento do valor. A adesão ao acordo de ressarcimento pode ser feita somente pelo Meu INSS ou nos Correios.
Para indígenas, quilombolas e idosos com mais de 80 anos, o ressarcimento é feito de forma automática na folha de pagamento, sem necessidade de adesão manual.
Prédio do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Quem pode aderir ao acordo de ressarcimento:
Podem ingressar no plano de devolução os aposentados e pensionistas que:
Contestaram descontos indevidos e não receberam resposta da entidade responsável em até 15 dias úteis;
Receberam resposta considerada irregular, como assinaturas falsas ou gravações de áudio no lugar de comprovantes válidos;
Sofreram descontos entre março de 2020 e março de 2025;
Têm processo judicial em andamento, desde que ainda não tenham recebido os valores — nesse caso, é preciso desistir da ação para aderir ao acordo, que é de natureza administrativa.
Relembre o caso
Uma investigação da Polícia Federal (PF) revelou um amplo esquema de fraudes e desvios de dinheiro de aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo a PF, associações que oferecem serviços a aposentados cadastravam pessoas sem autorização, com assinaturas falsas, para descontar mensalidades dos benefícios pagos pelo INSS.
O caso derrubou autoridades do governo, como o ministro da Previdência e o presidente do INSS. Além disso, foi aberta uma CMPI do INSS para apurar o caso.
Bolsa Família 2026: pagamentos de junho começam nesta quarta; veja calendário

Bolsa Família veja as regras e dias de pagamentos em junho de 2026
A Caixa Econômica Federal inicia os pagamentos de junho do Bolsa Família 2026 nesta quarta-feira (17). Os primeiros a receber serão os beneficiários com Número de Identificação Social (NIS) com final 1. (veja mais abaixo o calendário completo)
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O dinheiro será disponibilizado nos últimos 10 dias úteis de cada mês, de forma escalonada. A exceção é o mês de dezembro, quando os pagamentos são antecipados.
🤔 Para saber a data correta de recebimento, a família deve verificar o último dígito do NIS, impresso no cartão do programa. Assim, é possível consultar o dia correspondente no calendário oficial de pagamentos.
Confira o calendário do Bolsa Família para junho de 2026:
Final do NIS: 1 - pagamento em 17/6
Final do NIS: 2 - pagamento em 18/6
Final do NIS: 3 - pagamento em 19/6
Final do NIS: 4 - pagamento em 22/6
Final do NIS: 5 - pagamento em 23/6
Final do NIS: 6 - pagamento em 24/6
Final do NIS: 7 - pagamento em 25/6
Final do NIS: 8 - pagamento em 26/6
Final do NIS: 9 - pagamento em 29/6
Final do NIS: 0 - pagamento em 30/6
Ao longo do ano, a previsão de pagamentos é:
Julho: de 20/7 a 31/7;
Agosto: de 18/8 a 31/8;
Setembro: de 17/9 a 30/9;
Outubro: de 19/10 a 30/10;
Novembro: de 16/11 a 30/11;
Dezembro: de 10/12 a 23/12.
Bolsa Família
Luis Lima Jr/FotoArena/Estadão Conteúdo
Veja abaixo perguntas e respostas sobre o Bolsa Família.
Quem pode receber o Bolsa Família?
A principal regra para receber o benefício é ter renda mensal familiar de até R$ 218 por pessoa.
Para se enquadrar do programa, é preciso somar a renda total e dividir pelo número de pessoas. Caso o valor fique abaixo dos R$ 218, a família está elegível ao Bolsa Família.
Os beneficiários também precisam arcar com contrapartidas, como:
manter crianças e adolescentes na escola;
fazer o acompanhamento pré-natal (no caso de gestantes);
manter as carteiras de vacinação atualizadas.
Quais são os valores do benefício?
O Bolsa Família prevê o pagamento de, no mínimo, R$ 600 por família. Há também os adicionais de:
R$ 150 por criança de até 6 anos;
R$ 50 por gestantes e crianças e adolescentes de 7 a 17 anos;
R$ 50 por bebê de até seis meses.
Onde se cadastrar?
Os beneficiários precisam se inscrever no Cadastro Único (CadÚnico) — principal instrumento do governo federal para a inclusão de famílias de baixa renda em programas sociais — e aguardar uma análise de enquadramento.
Estar no Cadastro Único não significa a entrada automática nos programas sociais do governo, uma vez que cada um deles tem regras específicas. Mas o cadastro é pré-requisito para que a inscrição seja avaliada.
VEJA COMO FAZER O CADASTRO ÚNICO DO GOVERNO FEDERAL
Como sacar o Bolsa Família?
Os beneficiários recebem e podem movimentar os valores pelo aplicativo Caixa TEM e internet banking. Assim, não é necessário ir até uma agência da Caixa Econômica Federal — que é responsável pelo pagamento do Bolsa Família — para realizar o saque.
Segundo a Caixa, os beneficiários também podem utilizar o cartão do programa para realizar compras nos estabelecimentos comerciais, por meio da função de débito.
Além disso, há a opção de realizar saques nos terminais de autoatendimento, casas lotéricas e correspondentes Caixa Aqui, além das agências da Caixa.
O que esperar da estreia de Kevin Warsh no Fed? Mercado observa tom do novo presidente

Trump indica Kevin Warsh para comandar o Federal Reserve, o banco central dos EUA
A primeira reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) sob o comando de Kevin Warsh termina nesta quarta-feira (17) em um cenário que costuma preocupar: inflação resistente, mercado de trabalho aquecido e pressão política por juros mais baixos.
A expectativa de mercado financeiro é de que os juros sejam mantidos entre 3,5% e 3,75% ao ano. Ainda assim, o encontro é visto como o início de uma nova fase do BC americano.
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Mais do que a decisão desta semana, os investidores buscam entender como Warsh pretende conduzir a instituição nos próximos anos e até que ponto estará disposto a manter uma postura firme no combate à inflação.
A primeira coletiva de Warsh será acompanhada em busca de sinais sobre como o novo presidente pretende se comunicar, qual será seu grau de tolerância a uma inflação acima da meta e até que ponto estará disposto a contrariar a Casa Branca.
A mudança de comando ocorre em meio a questionamentos sobre a independência do Fed e às pressões do presidente Donald Trump por juros menores.
“As turbulências no fim do mandato de Jerome Powell servem como lembrete de que a independência dos bancos centrais não é algo garantido. O que está em jogo vai além da estabilidade de preços e alcança a própria arquitetura financeira global”, afirma Anis Bensaidani, economista do BNP Paribas.
Kevin Warsh, nomeado por Donald Trump para presidir o Federal Reserve, em foto de 21 de abril de 2026
Reuters/Kevin Lamarque
Novo comando, velhas pressões
A troca de comando no Fed ocorre após meses de atritos entre Trump e o então presidente da instituição, Jerome Powell. Desde o início de seu segundo mandato, o republicano argumenta que juros elevados encarecem o crédito e prejudicam a economia.
🗣️ As críticas se intensificaram em julho do ano passado, quando Trump chegou a chamar Powell de “estúpido” e “cabeça oca”, acusando as decisões de juros de prejudicar os americanos.
Em entrevista à NBC News na última semana, porém, Trump adotou um tom diferente ao comentar o novo comando do banco central.
Donald Trump e o ex-presidente do Fed, Jerome Powell, em 24 de julho de 2025.
REUTERS
O republicano afirmou que quer que Warsh “faça o que quiser”, mas voltou a defender juros mais baixos e criticou a possibilidade de novas altas. Na visão do presidente, a economia americana continua forte, e encarecer o crédito seria uma forma de “punir o sucesso”.
Para Bensaidani, do BNP Paribas, a troca de comando no Fed, por si só, não deve provocar mudanças relevantes na condução dos juros. Segundo ele, a principal garantia da independência da instituição continua sendo a estrutura do comitê responsável pelas decisões.
“O voto de Warsh não tem mais peso do que o de qualquer outro diretor ou presidente regional com direito a voto — e esses integrantes, em geral, demonstram preocupação com o nível elevado e crescente da inflação.”
Na avaliação de Luiza Paparounis e Francisco Lopes, analistas do BTG Pactual, a combinação de atividade econômica forte, mercado de trabalho sólido e inflação elevada exige cautela por parte do Fed.
Ao mesmo tempo, uma postura “excessivamente paciente” pode ser interpretada pelo mercado como sinal de tolerância à inflação. Por isso, a comunicação do comitê ganha ainda mais importância.
Para os analistas, Warsh deve levar ao Fed sua visão crítica sobre o excesso de sinalizações a respeito dos próximos passos dos juros.
“É possível que ele tente reduzir a importância de sinalizações explícitas sobre a trajetória dos juros e enfatize que as decisões serão tomadas reunião a reunião, com base nos dados”, dizem.
Juros altos por mais tempo
Os dados recentes da economia americana ajudam a explicar por que o Fed enfrenta uma tarefa mais complexa e por que cresce a percepção de que os juros terão de permanecer elevados por mais tempo.
💼 Mercado de trabalho aquecido: a criação de 172 mil vagas em maio e a taxa de desemprego estável em 4,3% — ainda em níveis historicamente baixos — mostram que a economia continua gerando empregos. Ao mesmo tempo, os salários avançam cerca de 3,4% ao ano, sinalizando que a demanda por trabalhadores segue forte.
⛽ Pressão nos preços: a inflação voltou a ganhar força. O índice de preços ao consumidor (CPI), uma das principais medidas do custo de vida, acumula alta de 4,2% em 12 meses, o maior patamar em três anos. O movimento foi impulsionado principalmente pelo aumento dos preços da energia em meio ao conflito no Oriente Médio.
📈 Inflação ainda distante da meta: mesmo ao excluir itens mais voláteis, como alimentos e energia, os indicadores seguem acima do objetivo de 2% perseguido pelo Fed. O núcleo do CPI está em 2,9%, enquanto o núcleo do PCE — índice de inflação preferido do banco central americano por refletir melhor os hábitos de consumo das famílias — permanece em torno de 3,3%.
📉 Crescimento mais moderado: por outro lado, a atividade econômica dá sinais de perda de fôlego. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu a uma taxa anualizada de 1,6% no último trimestre, abaixo dos 2% projetados anteriormente e das expectativas do mercado, indicando desaceleração em relação aos períodos anteriores.
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, espera que o Fed abandone qualquer sinalização de corte de juros e reforce uma postura de “esperar para ver”, mantendo as decisões condicionadas aos próximos indicadores e ao cenário geopolítico.
“Embora Warsh tenha defendido recentemente uma flexibilização monetária antes do conflito, ele deve adotar uma postura técnica. Em sua primeira passagem pelo Fed, entre 2006 e 2011, era considerado mais rígido”, afirma Sung.
Para Axel D. Angermann, economista-chefe do Grupo FERI, a reunião desta semana pode ter implicações mais profundas do que a simples decisão sobre os juros.
Na avaliação dele, a estreia de Warsh pode marcar o início de uma “direção fundamentalmente nova” para o Fed, refletindo críticas que o economista faz há anos às políticas adotadas por seus antecessores, como Powell, Ben Bernanke e Janet Yellen.
Segundo Angermann, Warsh vê com ceticismo a expansão do balanço do banco central e a atuação mais ativa do Fed para sustentar a economia. Para ele, isso pode representar uma ruptura com a estratégia adotada nas últimas décadas e abrir espaço para uma condução menos intervencionista.
“A política monetária dos EUA pode voltar a seguir uma abordagem baseada em regras, como ocorreu pela última vez na década de 1990, sob Alan Greenspan, evitando ajustes ativos na economia e no mercado de trabalho.”
Para Angermann, mais importante do que a decisão desta semana será observar se Warsh começará a colocar essa filosofia em prática nos primeiros meses à frente do Fed.
Sede do Federal Reserv (Fed), Banco Central dos EUA.
REUTERS/Joshua Roberts
Mega-Sena, concurso 3019: confira os números sorteados

Mega-Sena, concurso 3019: confira os números sorteados
O sorteio do concurso 3019 da Mega-Sena foi realizado na noite desta terça-feira (16), em São Paulo. O prêmio para as apostas que acertasse as seis dezenas era de R$ 15,5 milhões. No entanto, ninguém levou a faixa principal e o valor acumulou para R$ 36 milhões.
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Veja os números sorteados: 05 - 31 - 32 - 48 - 54 - 56
5 acertos: 24 apostas ganhadoras, R$ 56.950,91
4 acertos: 1.987 apostas ganhadoras, R$ 1.133,87
G1 | Loterias - Mega-Sena 3019
O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
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A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados.
Resultado do concurso 3019 da Mega-Sena.
Reprodução / Caixa
Para apostar na Mega-Sena
A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Grupo hacker diz ter roubado dados sobre medicamentos da dona do Ozempic

Ozempic: caneta emagrecedora usada no tratamento contra diabetes e obesidade
Divulgação
Um grupo hacker afirmou nesta terça-feira (16) que roubou 1,3 terabyte de dados da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, conhecida por seus tratamentos para diabetes e obesidade como Ozempic e Wegovy.
Batizado de FulcrumSec e criado em outubro de 2025, o grupo disse que considera vender parte dos dados após não ter sucesso em uma tentativa de cobrar US$ 25 milhões para devolver o material à empresa.
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Os hackers atacaram os sistemas da Novo Nordisk em março e permaneceram infiltrados nas redes da empresa por dois meses até conseguirem uma lista com mais de 700 mil arquivos, segundo eles informaram ao site de segurança cibernética DataBreaches.Net.
A Novo Nordisk já tinha comunicado na última quinta-feira (11) que sofreu um incidente de segurança cibernética. Segundo a empresa, o ataque envolveu acesso não autorizado a um número limitado de sistemas internos e a dados pessoais de alguns pacientes de testes clínicos.
Agora no g1
O FulcrumSec disse que a invasão permitiu acesso a dados de 11.500 pacientes de testes clínicos e de milhares de funcionários, além de detalhes sobre instalações de processamento e modelos de inteligência artificial usados pela empresa.
O grupo afirmou ainda que teve acesso a dados como código-fonte da Novo Nordisk, dados sobre medicamentos lançados e não lançados, documentos de ensaios clínicos, entre outros.
O FulcrumSec disse que não pretende compartilhar dados de funcionários e pacientes da Novo Nordisk nem sobre o funcionamento de sistemas usados nas instalações da empresa.
A Novo Nordisk disse à Reuters que "está ciente das alegações de que dados supostamente copiados externamente sem autorização de nossos sistemas foram publicados online".
"Levamos este assunto a sério e mantemos a operação contínua de nossas principais plataformas. Estamos em contato com as autoridades competentes", afirmou a empresa.
Área técnica do TCU deve rejeitar competência da Corte para analisar empréstimo para salvar o BRB

União e Governo do DF fecham acordo pra socorrer BRB
A área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) avaliou que o órgão não tem a competência legal para analisar o eventual empréstimo de até R$ 6,5 bilhões que o governo do Distrito Federal deve tomar para salvar o patrimônio do Banco de Brasília (BRB).
Segundo a análise, apurações desse tipo deveriam ser conduzidas pelo Tribunal de Contas do DF, já que o BRB é vinculado ao governo distrital, e não à União.
Com esse entendimento, a unidade técnica recomendará o não conhecimento da representação que pedia uma investigação do caso pelo TCU. A conclusão foi confirmada ao g1 por interlocutores que acompanham o tema.
O parecer da área técnica, porém, não é definitivo. O processo ainda será analisado pelo relator do processo, ministro Jhonatan de Jesus, e pelo Ministério Público junto ao TCU.
A decisão final cabe ao plenário da Corte, que deve analisar o voto apresentado pelo relator no caso.
Governo Lula e DF fazem acordo bilionário para socorrer BRB
Socorro bilionário
O governo do Distrito Federal se prepara para assumir uma dívida bilionária que deve levar mais de 10 anos para ser quitada: um empréstimo de R$ 6,6 bilhões para recompor o patrimônio do Banco de Brasília (BRB).
O dinheiro virá do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e os maiores bancos públicos e privados do país atuarão como fiadores. Mas, como contragarantia, o governo colocou na reta os recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
➡️A contragarantia é o bem que pode ser obtido pelo fiador, quando ele é acionado para cobrir um calote. Ou seja: os grandes bancos pagariam a conta, mas usariam o FPE e o FPM para reaver o dinheiro.
Edifício-sede do BRB, em Brasília
Jornal Nacional/ Reprodução
Por que o BRB está em crise?
A atual crise do BRB está ligada às negociações e operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões segundo dados do próprio banco.
Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero e apontou um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias – incluindo boa parte dessas transações.
Em abril deste ano, uma nova fase da investigação levou à prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. A PF afirma que ele teria permitido negócios com o Master sem lastro e sem seguir práticas adequadas de governança.
O BRB estima que pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos do Master comprados pelo BRB são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação. Na prática, "crédito podre" que pode se transformar em um rombo no patrimônio do banco.
O governo diz que consegue recuperar R$ 2,2 bilhões para cobrir parte desses títulos ruins com outras medidas – mas precisaria de um empréstimo para os outros R$ 6,6 bilhões.
Senado Federal aprova projeto que blinda agências reguladoras contra bloqueios no orçamento

O Senado aprovou, por 51 votos a 17, nesta terça-feira (16), o projeto de lei complementar que altera a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) que altera a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para blindar de contingenciamentos o orçamento das agências reguladoras.
🔎 Pelo novo arcabouço fiscal, o governo federal precisa perseguir uma meta de resultado primário definida anualmente na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Para 2026, o objetivo é um superávit primário de 0,25% do PIB, mantendo a banda de tolerância de 0,25 ponto percentual para mais ou para menos.
A proposta segue para análise da Câmara dos Deputados. O projeto foi aprovado na manhã desta terça na Comissão de Infraestrutura (CI) do Senado. O texto também teria que passar pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), mas os senadores aprovaram um requerimento para levar o tema direto ao plenário.
Com essa blindagem, as despesas das agências reguladores não poderão ser contingenciadas, por exemplo, para cumprir a meta estabelecida no arcabouço fiscal.
O relator, Marcos Rogério (PL-RO), ampliou o escopo do projeto. A proposta original, do senador Laércio Oliveira (PP-SE), estabelecia a proteção do orçamento das agências a despesas custeadas com receitas próprias, taxas de fiscalização ou por fundos criados para tal finalidade.
Agora no g1
O parecer de Rogério prevê que a proteção passa a alcançar todas as atividades das agências reguladoras, sem a exigência de uma fonte específica de financiamento.
A justificativa é que a distinção entre atividades-fim e atividades-meio gera controvérsias e que a maior parte das despesas dessas instituições, incluindo capacitação, é bancada pelo orçamento ordinário — o que esvaziaria, na visão do relator, uma ressalva atrelada apenas a fundos.
O governo é contra a proposta sob o argumento de que proibir contingenciamento congela a margem discricionária do gestor público, cria um engessamento no orçamento e que recursos "livres" já são uma parte pequena do orçamento.
Esse foi o argumento utilizado pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) para fazer um pedido de vista.
Após um acordo, Laércio Oliveira, que assumiu a presidência para Marcos Rogério fazer a leitura do parecer, concedeu vistas coletivas até às 14h para que o projeto fosse votado após uma audiência pública com os diretores das agências.
Na votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026, o Congresso aprovou uma regra que barrava o congelamento das despesas de regulação e fiscalização das agências, mas o trecho acabou vetado pelo presidente Lula.
Laércio Oliveira e Marcos Rogério afirmaram na reunião que irão articular com Davi Alcolumbre, presidente do Congresso, a derrubada do veto presidencial na próxima sessão conjunta entre Câmara e Senado.
Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária. Ordem do dia.
Carlos Moura/Agência Senado
Privatização da Copasa é concluída em cerimônia na B3

Privatização da Copasa é concluída
O processo de privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) foi concluído nesta terça-feira (16), durante uma cerimônia na bolsa de valores brasileira, a B3, em São Paulo. A solenidade marcou a entrega das ações aos compradores e o pagamento ao estado.
Ao todo, 171.113.881 papéis da estatal foram vendidos ao custo de R$ 49,03 cada, o que significa que R$ 8,38 bilhões serão depositados nos cofres de MG.
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A Equatorial, selecionada como investidor de referência, passou a ser a maior acionista da Copasa, com 30% do capital total. O grupo adquiriu 114.075.921 ações, o correspondente a 66,67% da oferta (R$ 5,59 bilhões).
Havia possibilidade de que um lote extra, de até 19.035.730 papéis, também fosse disponibilizado, mas isso não ocorreu.
"Vamos ampliar investimentos, acelerar a universalização e modernizar a operação, compromisso de longo prazo com Minas e a sociedade mineira", disse o CEO da Equatorial, Augusto Miranda da Paz Júnior.
Cerimônia na B3 encerra processo de privatização da Copasa
Gil Leonardi/ Imprensa MG
O estado, que detinha 50,03% do capital social da empresa (190.249.612 ações ordinárias), agora passa a ter 5,03% (19.135.731 ações).
A fatia inclui uma golden share, ação preferencial de classe especial que confere poder de veto ao Executivo estadual sobre determinados assuntos, como a alteração da denominação e da sede da companhia.
A Perfin, que já era acionista da Copasa, ampliou o volume de ações com a compra de 1.077.500 títulos ordinários, aumentando sua participação na empresa de 15,25% para 20,11%.
Ao todo, investidores institucionais ficaram com 10,5% do capital da companhia, em um volume financeiro de R$ 1,96 bilhão. Já investidores do varejo passaram a deter 4,5% do capital social, com movimentação de R$ 838,9 milhões.
Relembre
A privatização da Copasa foi aprovada definitivamente pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) em 17 de dezembro de 2025 e sancionada pelo ex-governador Romeu Zema (Novo) no dia 23 do mesmo mês.
A venda sempre foi um plano do político, que dizia que a medida era necessária para a modernização da empresa e a atração de investimentos.
Os deputados que votaram contra a proposta afirmaram que a desestatização deve gerar aumento de tarifa e precarização do serviço, além de demissões. A Copasa atende 636 municípios mineiros.
A lei determina que os recursos provenientes da venda da companhia sejam usados para a amortização da dívida do estado com a União ou o cumprimento de obrigações relacionadas ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).
O texto autoriza, ainda, que parte do dinheiro seja depositada em um fundo estadual de saneamento básico.
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Dona do Snapchat lança óculos de realidade aumentada de R$ 11 mil

Specs, óculos de realidade aumentada da Snap
Divulgação/Snap
A Snap, dona do Snapchat, lançou nesta terça-feira (16) seus óculos de realidade aumentada capazes de exibir, através das lentes, informações como mapas, vídeos, legendas de tradução, entre outros.
Batizados de Specs, os dispositivos serão vendido por US$ 2.195 (R$ 11 mil, na conversão direta). Eles estão disponíveis em pré-venda e começarão a ser entregues até dezembro, primeiro para clientes nos Estados Unidos, no Reino Unido e na França.
Com acabamento na cor preta, os Specs tem uma armação grossa e não precisam de bateria externa ou acessórios, como um controle por gestos, para funcionar.
Por conta da realidade aumentada, os aparelhos podem sobrepor conteúdo digital à visão do mundo real do usuário. É possível usá-los para trabalhar, jogar, navegar na internet, assistir filmes ou medir objetos, por exemplo.
Agora no g1
Equipados com dois processadores Qualcomm Snapdragon, os Specs oferecem até quatro horas de duração da bateria e vêm com um estojo de carregamento que fornece quatro cargas adicionais, de acordo com a fabricante.
O sistema usado pelos óculos pode exibir informações em uma tela virtual equivalente a um monitor de 24 polegadas em funções de trabalho. E, durante a exibição de filmes, consegue simular uma tela de 115 polegadas.
Os Specs também contam com um sistema capaz de mudar lentes transparentes para lentes escuras em apenas 10 segundos.
Specs, óculos de realidade aumentada da Snap
Divulgação/Snap
A Snap está sob pressão de rivais na divisão de publicidade e enfrenta cobrança interna. Um investidor exigiu que a empresa desmembre ou encerre a unidade Specs após um investimento de mais de US$ 3,5 bilhões.
Com isso, os novos Specs representam uma grande aposta da empresa. Os óculos inteligentes estão em uma categoria que até mesmo a Apple teve dificuldades após o lançamento de seu Vision Pro.
Entre os mais bem-sucedidos do segmento, estão os da Ray -Ban, lançados pela Meta. O modelo mais avançado da linha tem uma pequena tela de texto e instruções de navegação, mas não conta com realidade aumentada completa.
Para superar concorrentes, a Snap tornou os Specs mais leves que os Vision Pro e mais capazes que os óculos da Meta. "Queríamos construir um tipo de computador totalmente novo", disse o CEO da Snap, Evan Spiegel, à Reuters.
Os Specs são mais baratos que o Vision Pro, de US$ 3.499 (cerca de R$ 17 mil), mas mais caros que a faixa de preço da Meta, que varia entre US$ 379 e US$ 799 (de R$ 1.900 a R$ 4.000).
Spiegel afirmou que o aumento no custo dos chips de memória "teve um impacto considerável" e que a Snap pretende oferecer versões mais baratas no futuro, embora não tenha divulgado quanta memória os dispositivos Specs possuem.
Specs, óculos de realidade aumentada da Snap
Divulgação/Snap
CAOA Changan lança CS75; SUV custa R$ 199.990 e será fabricado no Brasil

CAOA Changan CS75
Divulgação / CAOA Changan
A CAOA Changan anunciou nesta terça-feira (16) o lançamento do SUV CS75 no mercado brasileiro. O modelo será produzido na fábrica da montadora em Anápolis (GO) e chega inicialmente em versão única, a Infinity, com preço promocional de lançamento de R$ 199.990, válido por tempo limitado.
O utilitário esportivo é equipado com motor 1.5 TGDi turbo flex que desenvolve 180 cv de potência e 29,2 kgf.m de torque. O conjunto mecânico traz transmissão automática com oito marchas e suspensão Multilink no eixo traseiro. As rodas são de 20 polegadas.
Nas dimensões, o veículo tem 4,77 m de comprimento, 1,91 m de largura, 1,70 m de altura e tem 2,80 m de entre-eixos. Medidas mais generosas do que as do Jeep Commander e GWM Haval H6.
O compartimento de bagagem tem capacidade para 725 litros na medição até o teto. A medida aumenta para 1.620 litros com os assentos traseiros rebatidos. O modelo conta ainda com teto solar panorâmico e maçanetas externas retráteis.
Agora no g1
Muitas telas
A cabine do CS75 possui um painel digital integrado com três telas e área total de 37,2 polegadas. Essa superfície une o quadro de instrumentos de 10,3 polegadas, a central multimídia de 14,6 polegadas e uma tela de 12,3 polegadas voltada para o passageiro do banco dianteiro.
O sistema de entretenimento oferece conectividade sem fio para os sistemas Apple CarPlay e Android Auto, além de comandos por voz e som com 14 alto-falantes.
Interior do CAOA Changan CS75 tem três telas
Divulgação / CAOA Changan
O assento do passageiro dianteiro oferece 14 regulagens elétricas, suporte para pernas, aquecimento, ventilação e funções de massagem. O banco do condutor dispõe de ajustes elétricos e memória, aquecimento e ventilação.
Na segunda fileira, os bancos têm inclinação ajustável, aquecimento e saídas de ventilação. O interior inclui ar-condicionado de duas zonas, console central com refrigeração e iluminação ambiente configurável em até 256 cores.
Segurança
O pacote de assistência ao motorista inclui controle automático de velocidade de cruzeiro adaptativo, alerta de saída e permanência em faixa, assistente de congestionamento (que leva o SUV no anda e para), aviso de colisão frontal e frenagem automática de emergência. O carro vem equipado também com controle de estabilidade, controle de tração e airbags frontais, laterais e de cortina.
CAOA Changan CS75
Divulgação / CAOA Changan
O SUV traz um sistema de câmeras de 540 graus com visualização em alta definição e função de chassi transparente. Essa tecnologia reproduz na tela do multimídia o entorno do veículo e projeta uma imagem 3D translúcida do CS75.
Há também um recurso para movimentar o carro em linha reta à distância usando a chave. Ideal para tirar o modelo de vagas estreitas.
O sistema de iluminação do veículo é composto inteiramente por lâmpadas de LED. A grade frontal tem abertura controlada eletronicamente para dosar a entrada de ar.
O fabricante oferece garantia de sete anos ou 150 mil quilômetros para o modelo.
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Trump e Lula voltam a posar para foto antes de jantar de gala do G7

Líderes posam para foto de família no G7
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltaram a posar juntos nesta terça-feira (16) antes de um jantar de gala da cúpula do G7, na cidade de Evian, na França. Os líderes não interagiram entre si, segundo as imagens oficiais da cúpula divulgadas por agências de notícias.
Mais cedo, os dois líderes já haviam participado da tradicional "foto de família" (veja leia mais abaixo).
Trump e Lula voltaram a posar para uma foto antes de jantar de gala durante o G7 na França
LUDOVIC MARIN/Pool via Reuters
Líderes mundiais e cônjuges posam para foto antes de jantar de gala na cúpula do G7, em Evián, na França, em 16 de junho de 2026.
Evelyn Hockstein/ Reuters
Líderes gesticulam durante foto de família de líderes e cônjuges antes do jantar de gala da cúpula do G7 em Evián, na França, em 16 de junho de 2026.
Evelyn Hockstein/ Reuters
'Foto de família' do G7
Líderes que participam de cúpula do G7 na França posam juntos
A "foto de família" com Lula e Trump desta terça (16) chamou a atenção por ocorrer em meio a tensões entre Brasil e EUA por conta da aplicação pelo governo Trump de novas tarifas contra produtos brasileiros.
➡️ A chamada "foto de família" é a fotografia oficial tirada em encontros de chefes de Estado e de governo. O nome vem da ideia de reunir todos os participantes em uma única imagem e serve como um símbolo de unidade.
Além de Trump e Lula, também participaram da foto:
o presidente da França, Emmanuel Macron;
o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney;
a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni;
a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi;
a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen;
o presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa;
a chanceler da Alemanha, Friedrich Merz;
o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi;
a presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung;
o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi;
o presidente do Quênia, William Ruto;
e o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer.
Após a foto, Lula conversou rapidamente com Úrsula von der Leyen ainda no local do retrato. Enquanto eles conversavam, Trump passou pelos dois. Lula e Trump não se cumprimentaram nessa ocasião (veja no vídeo abaixo).
Não há informação até a última atualização desta reportagem se os presidentes brasileiro e norte-americano se falaram na abertura da cúpula.
Trump e Lula não se cumprimentam durante foto oficial da cúpula do G7
Contexto: o G7 é um grupo das principais economias ricas do mundo que se reúne para discutir temas globais. Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão — além da União Europeia - participam das reuniões. O Brasil não integra o G7, mas pode ser convidado para a cúpula.
Veja fotos da cúpula:
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (à esquerda) participa de foto de família da cúpula do G7 em Evián, na França, em 16 de junho de 2026.
Evelyn Hockstein/ Reuters
Foto oficial da cúpula do G7 na França.
Reuters/Isabel Infantes
Trump e Macon na cúpula do G7
Mandel Ngan / AFP
Macron e Lula se cumprimentam antes da foto oficial
Mandel Ngan / AFP
Cúpula do G7 na França
Reuters e AFP
É #FAKE que 232 empresas 'fugiram' do Brasil para o Paraguai durante gestão de Haddad no Ministério da Fazenda

Mais de 230 empresas brasileiras chegaram ao Paraguai desde a promulgação da Lei Maquila, de 2007
g1
Circulam nas redes sociais publicações dizendo que mais de 232 empresas "fugiram" do Brasil para o Paraguai durante o atual governo Lula (PT), iniciado em 2023. É #FAKE.
Selo Fake (Horizontal)
g1
🔴 Como são os posts?
Desde 25 de maio, publicações no X e no Instagram exibem fotos do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) e uma caixa de texto sobreposta à imagem que diz: "Mais de 232 empresas já fugiram para o Paraguai, expondo o desastre tributário brasileiro".
Em um dos conteúdos com as mesmas alegações, mas feitas em vídeo, o narrador diz: "Para você ter noção, os fornecedores da Nike e da Adidas acabaram de fechar as fábricas no Brasil e instalar no Paraguai. Carstens, até a própria JBS, amiguinha do governo, não conseguiu aguentar aqui. São mais de 232 empresas que saíram com a gestão desastrosa do ministro Fernando Haddad".
Mas isso é enganoso. Dados do governo paraguaio mostram que o número mencionado nas publicações refere-se ao total de empresas brasileiras que passaram a produzir no país vizinho a partir de 2007 (veja detalhes abaixo). Ou seja, o movimento não é restrito à gestão de Haddad, que permaneceu na Fazenda entre 2023 e março de 2026.
As publicações viralizaram após o Poder 360 publicar, em 23 de maio, uma reportagem com o título "Mais de 230 empresas brasileiras já produzem no Paraguai". Na primeira frase, o texto menciona o período considerado no levantamento: "O Paraguai atraiu 232 empresas brasileiras desde 2007 para atuar dentro da Lei de Maquila...".
Em 25 de maio, o Fato ou Fake publicou uma checagem semelhante:
É #FAKE que fabricação de produtos de Adidas, Nike e Umbro vai ser transferida do Brasil para o Paraguai
⚠️ Por que #É FAKE?
Consultada pelo Fato ou Fake por telefone, a Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai desmentiu que o número seja referente ao período do governo atual:
"Essas 232 empresas brasileiras não chegaram no Paraguai somente dentro do período do atual governo. Nosso levantamento é baseado em dados publicados pelo Ministério da Indústria e Comércio. São 318 indústrias de diferentes nacionalidades com aprovação para operar no regime de Maquila, desde 2007".
Segundo o levantamento com base em dados do governo paraguaio, o pico de pedidos de empresas brasileiras para operar sob o regime da Lei Maquila ocorreu entre 2016 e 2020, período em que 45 projetos foram aprovados. O Brasil é o país com mais empresas no programa, seguido por Argentina, Países Baixos e Estados Unidos.
Segundo informações do site oficial do Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai, a Lei Maquilla, assinada em 1997, é "um sistema de produção de bens e prestação de serviços cujo objetivo é promover o desenvolvimento industrial, a geração de emprego formal e o aumento das exportações com valor agregado nacional."
O órgão detalha as principais bases de funcionamento do regime:
Contrato Internacional: "A produção no Paraguai é feita mediante as diretrizes de uma empresa sediada no exterior (chamada de matriz), sob o amparo de um contrato internacional".
Foco em Exportação: "Tudo o que é produzido em território paraguaio sob essa modalidade deve ser destinado à exportação para qualquer parte do mundo".
Tributo único de 1%: "A taxa de 1% é aplicada sobre o Valor Agregado Nacional (aquilo que foi adicionado em cada etapa da produção ou comercialização de um produto ou serviço) ou sobre o valor total da nota de exportação, dependendo de qual montante for mais alto. O regime também oferece a isenção temporária (suspensão) de tributos alfandegários".
Os incentivos para empresas estrangeiras foram ampliados recentemente com a aprovação da Lei nº 7547/2025, de modo a incluir empresas do setor de serviços. A regulamentação ocorreu em abril deste ano.
Mais de 230 empresas brasileiras chegaram ao Paraguai desde a promulgação da Lei Maquila, de 2007
g1
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Lula discute veto à carne brasileira com líder da União Europeia e presidente da Comissão Europeia

Lula com com líder da União Europeia e presidente da Comissão Europeia.
Ricardo Stuckert/ Presidência da República
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se encontrou com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, nesta terça-feira (16) na cúpula do G7, na França. Também participou da reunião bilateral o presidente do Conselho Europeu, António Costa.
Eles discutiram sobre a decisão da UE de vetar a exportação da carne brasileira a partir de setembro.
Segundo nota publicada pelo Palácio do Planalto, durante a reunião, os três "definiram um mecanismo bilateral entre o Itamaraty e funcionários da Comissão, com vistas a identificar as dificuldades, tanto na área de produtos de origem animal quanto nos produtos siderúrgicos".
"Comprometeram-se a buscar soluções que contemplem as preocupações europeias, seja de ordem sanitária, fitossanitária e de proteção da sua indústria de aço, bem como os legítimos interesses exportadores do Brasil, consubstanciados no acordo Mercosul-União Europeia", diz a nota.
Trump e Lula não se cumprimentam após foto oficial da cúpula do G7
No início de junho, a União Europeia publicou um documento oficializando a sua decisão de excluir o Brasil da lista de países que cumprem as regras do bloco contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária.
Com isso, o Brasil fica proibido de exportar carne para a UE a partir de 3 de setembro deste ano.
➡️ Antimicrobianos são substâncias usadas para tratar e prevenir infecções em animais. Alguns desses medicamentos também podem funcionar como promotores de crescimento.
Na lista de 2024, o Brasil aparecia como autorizado a exportar carne bovina, de frango e de cavalo, além de tripas, peixe e mel. Agora, o país aparece excluído da lista de todos esses produtos.
G7
Lula participa da reunião da cúpula do G7 na condição de convidado.
🔎 O G7 é um grupo das principais economias ricas do mundo que se reúne para discutir temas globais, como economia, guerra, clima e segurança. É um fórum político (não toma decisões obrigatórias, mas tem muita influência).
Compõem o grupo Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão — além da União Europeia, que participa das reuniões.
Após o encontro com Úrsula von der Leyen e António Costa, Lula escreveu nas redes sociais que o Itamaraty vai trabalhar em conjunto com funcionários da Comissão para identificar as dificuldades, tanto na área de produtos de origem animal quanto nos produtos siderúrgicos.
"Nos comprometemos a buscar soluções que contemplem as preocupações europeias, seja de ordem sanitária, fitossanitária e de proteção da sua indústria de aço, bem como os legítimos interesses exportadores do Brasil, em consonância com o acordo Mercosul-União Europeia", escreveu.
Mais cedo, Lula posou para a foto oficial do G7 junto com o presidente norte-americano Donald Trump.
Enquanto Lula e Von der Leyen conversavam, Trump passou pelos dois. Lula e Trump não se cumprimentaram nessa ocasião.
Bilateral com Japão
Antes da chamada "foto de família" da cúpula do G7, em Evián, na França, o presidente Lula se reuniu com a primeira-Ministra do Japão, Takaichi Sanae, sobre o fortalecimento dos laços entre os dois países.
Nas redes sociais, Lula disse que os dois trataram do Marco de Parceria Estratégica entre o Japão e o Mercosul, lançado em dezembro do ano passado, "sob o qual temas como comércio, investimento, e o atual contexto internacional estão sendo discutidos".
"Anunciamos o lançamento das negociações do Acordo de Parceria Econômica entre o MERCOSUL e o Japão na futura 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, a ser realizada em Assunção, no final de junho", escreveu o petista.
Segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto, as discussões abrangeram "amplo escopo de temas, como comércio e investimento, e o atual contexto internacional".
"Os parceiros também trocaram informações relativas a áreas de interesse e sensibilidades mútuas, que devem ser apropriadamente consideradas. Tendo como base essas discussões e o reconhecimento mútuo da importância estratégica dessa Parceria, o Japão e o Mercosul afirmaram seu interesse em aprofundar os seus laços econômicos e comerciais."
Por que reabrir do Estreito de Ormuz é mais complexo do que liberar rodovia

Navios são vistos no Estreito de Ormuz, em Musandam, em Omã, no dia 16 de junho de 2026
Reuters
Apesar da expectativa positiva dos mercados financeiros, a presença de minas navais e a própria fragilidade do acordo entre EUA e Irã indicam que situação deve demorar para retornar ao normal.
Estados Unidos e Irã anunciaram neste domingo (14) um acordo preliminar para encerrar a guerra entre os dois países. O primeiro ponto destacado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do suprimento mundial de petróleo.
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"Navios do mundo, liguem seus motores. Que o petróleo flua!", escreveu o presidente. Os mercados financeiros globais reagiram com entusiasmo ao anúncio.
Mas reabrir uma via marítima como Estreito de Ormuz não é a mesma coisa que reabrir uma rodovia após um acidente. Restaurar o tráfego de petróleo, gás e contêineres no nível pré-guerra por esse importante gargalo logístico enfrenta obstáculos significativos – o maior deles a fragilidade do próprio acordo, cujo texto não foi divulgado.
Trump diz que acordo entre EUA e Irã entra em segunda fase
A agência grega de gestão de riscos marítimos Marisks alertou, nesta segunda-feira, que o acordo deve ser visto como "o início de um processo de desescalada, e não como a restauração imediata das condições normais de comércio".
"Operacionalmente, o setor não está se apressando para retomar as atividades", afirmou o editor-chefe do site especializado em transporte marítimo Lloyd's List, Richard Meade, observando que muitos alertam que a remoção de minas e o retorno ao uso das rotas de trânsito reconhecidas internacionalmente são pré-requisitos para uma navegação segura.
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Remoção das minas navais
Se as agressões tanto dos EUA quanto do Irã realmente pararem, o Irã terá primeiramente de localizar e remover as minas navais que instalou durante o conflito para tornar o Estreito de Ormuz novamente transitável.
A maioria delas pode ser localizada rapidamente com o uso de navios varredores de minas convencionais e drones submarinos de última geração. No entanto, algumas podem ter se deslocado ou ser difíceis de encontrar, segundo especialistas marítimos.
A operação de localização e remoção poderia levar de 40 a 50 dias – até muitas empresas de seguros, de transporte marítimo ou petrolíferas se sentirem seguras o suficiente para navegar pela região, de acordo com avaliações de especialistas ocidentais da área de segurança marítima ouvidos pela agência de notícias Reuters.
Já a chefe de análises de energia para o Oriente Médio e Opep+ na Kpler, Amena Bakr, ouvida pela AP, estimou que a remoção de minas levaria seis meses. A Kpler é uma empresa de dados e análises especializada em logística marítima.
Depois disso, observadores independentes precisarão verificar se a via marítima está de fato segura para a navegação.
O ministro alemão do Exterior, Johann Wadephul, afirmou que a Alemanha vai considerar participar de operações de remoção de minas no Estreito de Ormuz apenas quando ficar claro que os combates cessaram e que tanto os Estados Unidos quanto o Irã apoiam essa missão.
Alemanha, França, Reino Unido e Itália já haviam manifestado disposição para apoiar a retomada da navegação pelo Estreito de Ormuz, inclusive por meio de uma missão independente e de caráter estritamente defensivo, voltada para garantir a segurança de navios comerciais e realizar a remoção de minas.
Seguro contra riscos de guerra
Mesmo após a remoção das minas, as empresas de navegação terão que arcar com custos mais altos do seguro contra riscos de guerra para transitar pelo Estreito de Ormuz até que a confiança seja restaurada.
Atualmente, os valores permanecem extremamente altos, entre 1% e 4% do valor da embarcação por travessia, em comparação com taxas inferiores a 0,1% antes da guerra, segundo o jornal The New York Times.
Para um petroleiro típico de 200 milhões de dólares, isso significa custos adicionais entre 2 milhões e 8 milhões de dólares por travessia, contra menos de 200 mil dólares antes do conflito.
O Lloyd's List citou nesta segunda-feira um analista de riscos de seguros de Singapura, não identificado, que descreveu os valores como "rápidos para subir e lentos para cair".
O chefe global de pesquisa em transporte marítimo da corretora de mercadorias Oil Brokerage Ltd, Anoop Singh, alertou que os proprietários de navios avaliarão os prós e contras com base em sua própria tolerância ao risco.
"Japoneses, coreanos e chineses são menos propensos a assumir riscos elevados, enquanto os gregos têm um apetite diferente. Portanto, podemos ver alguns agentes se preparando para avançar, mas, de modo geral, o restante do mercado ainda busca mais detalhes e garantias antes de prosseguir", disse Singh à agência de notícias Bloomberg.
Quando os navios poderão se mover?
Mesmo que o estreito esteja totalmente aberto, levará tempo para que os navios-tanque entrem, carreguem e façam a viagem até os países asiáticos, que são os principais clientes do petróleo proveniente de Arábia Saudita, Iraque, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã. Uma viagem de ida e volta ao Japão pode levar de 45 a 50 dias.
Assim que corredores seguros forem estabelecidos no Estreito de Ormuz, centenas de embarcações comerciais e suas tripulações, retidas por meses no Golfo Pérsico, poderão começar a se mover.
A Bloomberg, que citou a Kpler, noticiou que 300 navios totalmente carregados estão parados no Golfo, enquanto outros 250 estão vazios, aguardando carregamento assim que o estreito for reaberto.
Nas proximidades, no Golfo de Omã, cerca de 300 petroleiros vazios aguardam autorização para entrar no Golfo.
Reunir a tripulação para essas embarcações pode ser outro obstáculo. Estima-se que cerca de 20 mil marinheiros permaneçam a bordo de navios retidos, segundo a Organização Marítima Internacional.
Essa agência da ONU também confirmou que 14 tripulantes foram mortos em ataques, cerca de metade deles da Índia, a terceira maior origem dos marinheiros, depois das Filipinas e da China.
Diante da crescente relutância das tripulações em aceitar deslocamentos para a região do Golfo, a Diretoria Geral de Navegação da Índia ordenou no domingo que agências de emprego restrinjam esses envios para áreas de conflito.
Instalações energéticas danificadas
Com o anúncio do acordo, os países árabes do Golfo podem agora começar a aumentar a produção de petróleo e gás. Mas esse pode ser um processo lento, pois exige inspeções de segurança nas instalações energéticas, reparos na infraestrutura danificada e o retorno gradual de trabalhadores e equipes de manutenção.
Alguns produtores no Oriente Médio interromperam a extração de petróleo quando ficaram sem espaço de armazenamento. Esses países não retomarão as atividades até terem certeza de que o estreito permanecerá aberto de forma duradoura e de que um cessar-fogo durará mais de 30 ou 60 dias, afirmou o pesquisador Daniel Sternoff, da Universidade de Columbia.
Uma retomada completa dependerá da restauração dos cronogramas de envio, da garantia de um número suficiente de petroleiros e de convencer compradores internacionais de que o fornecimento de energia voltou a ser confiável.
O economista-chefe do grupo Capital Economics, Neil Shearing, projetou nesta segunda-feira que levará até o fim de setembro para que cerca de 80% dos fluxos de energia pelo Estreito de Hormuz sejam retomados.
Shearing alertou que os fluxos de gás natural levarão mais tempo para se recuperar e mencionou danos no terminal de gás natural liquefeito de Ras Laffan, no Catar, onde ataques eliminaram cerca de 17% da capacidade de exportação do país, provavelmente por vários anos.
Cobrança de taxas pelo Irã
Não está claro se os EUA e o Irã chegaram a um acordo sobre o que significa "aberto" no caso do Estreito de Ormuz.
O Irã exigiu o direito de cobrar taxas de navios que utilizam o estreito e, em alguns casos, já cobrou para permitir a saída das embarcações. Trump afirmou em sua rede social, a Truth Social, que o acordo envolvia uma "abertura sem cobrança de pedágio", mas não houve confirmação disso por parte do Irã.
Enquanto os EUA insistem que o Estreito de Ormuz fique permanentemente livre de tarifas, as autoridades iranianas falam em "taxas de serviço" e em manter o controle da via marítima, junto com Omã.
O pagamento de pedágio representaria um dilema para os armadores, uma vez que os EUA e a União Europeia (UE) classificam o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica como organização terrorista, e o Departamento do Tesouro dos EUA impôs sanções à entidade, que o Irã anunciou como responsável pela cobrança.
A menos que essas sanções sejam alteradas, efetuar o pagamento expõe as empresas de transporte marítimo e os bancos a penalidades.
Além disso, especialistas jurídicos afirmam que permitir que o Irã controle a passagem violaria o direito internacional sobre a liberdade de navegação, estabelecido na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, a qual exige que os países permitam a passagem pacífica por suas águas territoriais. As águas do estreito são compartilhadas pelo Irã, ao norte, e por Omã, ao sul.
Acordo frágil
O maior risco para a reabertura do Estreito de Ormuz, porém, é o próprio acordo entre EUA e Irã, já que ele é apenas um esboço para negociações que buscam um fim definitivo do conflito.
Além da cobrança de pedágio, há questões ainda mais amplas não resolvidas, como as ambições nucleares do Irã, o alívio de sanções econômicas e o apoio de Teerã a grupos como o Hezbollah e os houthis, o que indica que há um risco real de que o conflito recomece.
Fortalecido por sua vantagem estratégica sobre o Estreito de Ormuz e por ter resistido à maior potência militar mundial, o Irã pode continuar testando limites.
Já o governo de Israel ressaltou que não está vinculado ao acordo, apesar de o Irã ter afirmado que ele abrange também o conflito no Líbano, o que é mais um ponto a colocar em risco o frágil acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã – e o retorno à normalidade em Ormuz.
Comissão do Senado aprova projeto que blinda agências reguladoras contra bloqueios no orçamento

Comissão do Senado aprova projeto que blinda agências reguladoras contra bloqueios no orçamento
Edilson Rodrigues/Agência Senado
A Comissão de Infraestrutura (CI) do Senado aprovou nesta terça-feira (16) o projeto de lei complementar que altera a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para blindar de contingenciamentos o orçamento das agências reguladoras.
Os parlamentares aprovaram um requerimento de urgência para que a proposta siga direto para o plenário. Antes, a proposta teria de passar também pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).
Com essa blindagem, as despesas das agências reguladores não poderão ser contingenciadas, por exemplo, para cumprir a meta estabelecida no arcabouço fiscal.
O relator e presidente da CI, Marcos Rogério (PL-RO), ampliou o alcance do projeto. A proposta original, do senador Laércio Oliveira (PP-SE), estabelecia a proteção do orçamento das agências a despesas custeadas com receitas próprias, taxas de fiscalização ou por fundos criados para tal finalidade.
Agora no g1
O parecer de Rogério prevê que a proteção passa a alcançar todas as atividades das agências reguladoras, sem a exigência de uma fonte específica de financiamento.
A justificativa é que a distinção entre atividades-fim e atividades-meio gera controvérsias e que a maior parte das despesas dessas instituições, incluindo capacitação, é bancada pelo orçamento ordinário — o que esvaziaria, na visão do relator, uma ressalva atrelada apenas a fundos.
O governo é contra a proposta sob o argumento de que proibir contingenciamento congela a margem discricionária do gestor público, cria um engessamento no orçamento e que recursos "livres" já são uma parte pequena do orçamento.
Esse foi o argumento utilizado pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) para fazer um pedido de vista.
Após um acordo, Laércio Oliveira, que assumiu a presidência para Marcos Rogério fazer a leitura do parecer, concedeu vistas coletivas até às 14h para que o projeto fosse votado após uma audiência pública com os diretores das agências.
Na votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026, o Congresso aprovou uma regra que barrava o congelamento das despesas de regulação e fiscalização das agências, mas o trecho acabou vetado pelo presidente Lula.
Laércio Oliveira e Marcos Rogério afirmaram na reunião que irão articular com Davi Alcolumbre, presidente do Congresso, a derrubada do veto presidencial na próxima sessão conjunta entre Câmara e Senado.
Fachada de um prédio da Anvisa.
Divulgação/Ascom
UE proíbe termo 'carne vegetal' para proteger pecuaristas

Imagem ilustrativa de um hamburguer vegetal com fibra de caju.
Divulgação
O Parlamento Europeu aprovou, nesta terça-feira (16), uma lei que proíbe o uso do termo "carne vegetal" para produtos à base de plantas, com o objetivo de proteger os seus pecuaristas, informou a agência de notícias France Presse.
Apesar disso, o bloco continua permitindo o uso de denominações como "hambúrguer vegetariano" e "salsicha vegetal", após um acordo alcançado em março entre eurodeputados e representantes dos Estados-membros.
A proibição – que ainda precisa da aprovação definitiva dos Estados-membros – representa uma vitória para os pecuaristas, que argumentam que os alimentos de origem vegetal que imitam a carne podem induzir os consumidores ao erro e prejudicar seu setor.
"Esta é uma vitória para nossos produtores, para sua experiência e para a transparência que se deve aos consumidores", afirmou Celine Imart, produtora de cereais e deputada francesa de direita que impulsionou a proposta.
➡️ O texto restringe o uso da etiqueta genérica "carne", assim como uma longa lista de termos que incluem "vitela", "porco", "frango", "peru", "pato" e "cordeiro".
Além disso, define claramente a carne como "partes comestíveis de animais", proibindo também seu uso para produtos cultivados em laboratório ou à base de células.
Oposição à medida
Os varejistas do setor de alimentos na Alemanha, o maior mercado europeu de produtos alternativos de origem vegetal, tinham se oposto a este veto, junto com ambientalistas e defensores dos consumidores.
O cantor Paul McCartney também havia se manifestado em defesa dos bifes à milanesa de soja e das salsichas de tofu.
➡️ O consumo, na União Europeia (UE), de alternativas vegetais aos produtos feitos com carne quintuplicou desde 2011, segundo dados da organização de consumidores BEUC, impulsionado pela preocupação com o bem-estar animal, o impacto ambiental da pecuária e questões de saúde.
No entanto, o debate ainda não foi concluído. A nova norma será aplicada, em um primeiro momento, até o final do próximo ano.
Para o período seguinte, já estão em curso as negociações sobre a organização comum de mercado da UE para os produtos agrícolas, que é revista a cada sete anos.
Agora no g1
Desenrola 2.0: trabalhadores já solicitaram R$ 3,88 bilhões do FGTS para abatimento de dívidas

Cerca de 3,3 milhões de trabalhadores já autorizaram as instituições financeiras a consultar seu saldo no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para o abatimento de R$ 3,88 bilhões em dívidas dentro do Desenrola 2.0 — programa para reduzir o endividamento da população brasileira.
Autorizar a instituição financeira a consultar o saldo não significa, necessariamente, que será feita a negociação com uso do FGTS.
Dos trabalhadores que fizeram o pedido, 94,3% são optantes do saque-aniversário, sendo que 86,9% tem antecipações de recursos ativas.
Esses pedidos ainda estão sendo avaliados pela Caixa Econômica Federal. O prazo para requerimento foi aberto em 25 de maio.
Até 12 de junho, segundo o Ministério do Trabalho, foi aprovada a liberação de R$ 10 milhões, referentes a 17,1 mil operações.
Os valores serão repassados aos bancos com os quais a dívida será abatida em 25 de junho.
Pelas regras do programa, as pessoas podem usar até 20% do saldo disponível do FGTS, ou até R$ 1 mil (o que for maior), para pagar débitos. A estimativa é de que sejam liberados até R$ 8,2 bilhões aos trabalhadores.
💰 Para garantir que os recursos serão mesmo usados para quitar dívidas, a Caixa transfere o dinheiro do FGTS direto para o banco em que o trabalhador tem débitos.
Agora no g1
Desde o fim de maio, os trabalhadores já podem consultar o saldo do FGTS para utilizá-lo no Novo Desenrola. Esse é o primeiro passo para a utilização dos recursos para o abatimento de dívidas bancárias.
Como funciona
O trabalhador consulta seu saldo e autoriza o banco ao qual está devendo a buscar o valor do saldo disponível para negociação.
Depois, negocia com o banco devedor o valor com desconto da dívida na própria instituição financeira.
Após a consulta do saldo, os bancos e demais instituições financeiras terão prazo estimado de até 30 dias para formalizar os contratos e registrar as informações nos sistemas da Caixa Econômica Federal.
Concluída a validação, a Caixa fará o repasse dos recursos do FGTS diretamente à instituição credora.
Desenrola 2.0
Desenrola Brasil
Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda
Lançado em maio, o programa prevê a renegociação de dívida, com descontos, e troca por uma dívida mais barata, tendo como público-alvo os brasileiros que ganham até cinco salários-mínimos, ou seja, R$ 8.105.
Nele, são renegociadas dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 que estejam atrasadas entre 90 dias e 2 anos, com cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC).
➡️ Os juros são de, no máximo, 1,99% ao mês, com descontos de 30% a 90% no valor principal da dívida. Os descontos variarão de acordo com a linha de crédito e com o prazo. Será disponibilizada uma calculadora para os trabalhadores saberem o desconto.
➡️O governo está usando um fundo com recursos públicos para oferecer garantias às instituições financeiras, ou seja, o dinheiro da União vai cobrir eventual calote dos tomadores de crédito. Foram transferidos R$ 5,7 bilhões até o fim de maio, mas a operação está sendo investigada pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
Balanço divulgado no início de junho mostra que foram renegociados, até aquele momento, R$ 20 bilhões. Haviam sido feitas 1,4 milhão de renegociações, sendo que o desconto médio foi de 85% do valor original da dívida. Com isso, a dívida recuou de R$ 20 bilhões para R$ 2,7 bilhões.
Com acordo entre EUA e Irã, governo vai suspender subsídios aos combustíveis, diz ministro

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou nesta terça-feira (16) que o governo pretende suspender os subsídios aos combustíveis caso seja confirmado o acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, previsto para ser assinado na sexta-feira (19), segundo anúncios feitos por líderes dos dois países.
Em entrevista à GloboNews, Guimarães afirmou que a redução das tensões no Oriente Médio deve aliviar a pressão sobre os preços internacionais do petróleo, tornando desnecessária a manutenção das medidas adotadas pelo governo para conter o impacto dos combustíveis sobre o consumidor.
Atualmente, o governo concede diferentes formas de subvenção ao setor:
Gasolina: o subsídio é de R$ 0,44 por litro, valor que corresponde a cerca da metade dos tributos federais incidentes sobre o combustível (PIS/Cofins e Cide, que somam R$ 0,89 por litro).
Diesel: o benefício é de R$ 1,12 por litro. A medida foi adotada após o fim da isenção total dos tributos federais sobre o combustível.
Diesel importado: a União e os estados mantêm um mecanismo de compensação para incentivar as importações e garantir o abastecimento do mercado nacional.
Governo fixa em R$ 0,44 subsídio por litro da gasolina
Segundo o ministro, a eventual queda dos preços internacionais também esvaziaria a necessidade de aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 114, em tramitação na Câmara dos Deputados, que prevê medidas para reduzir a carga tributária sobre combustíveis a partir de 2026.
“Se o acordo de paz for assinado — e essa é a nossa expectativa para sexta-feira —, nós retiraremos da tramitação na Câmara o PLP 114. Isso vai ser um alívio muito grande”, afirmou Guimarães.
LEIA TAMBÉM: Preços do petróleo caem após anúncio do acordo de paz entre Irã e EUA e reabertura do Estreito de Ormuz
A perspectiva de entendimento entre Estados Unidos e Irã reduziu os temores do mercado sobre possíveis interrupções no fornecimento global de petróleo. Com isso, o preço da commodity registrou forte queda nesta terça-feira.
O barril do petróleo Brent, referência internacional, recuou cerca de 5% e passou a ser negociado na faixa entre US$ 81 e US$ 83, o menor patamar em três meses.
O mercado financeiro reagiu ao anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e por mediadores internacionais envolvidos nas negociações, reforçando a expectativa de normalização da oferta global de energia.
A recente escalada nas tensões geopolíticas e seus efeitos sobre o mercado internacional de petróleo já impactam os preços dos combustíveis no Brasil. Levantamento do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara aponta que, embora o país não enfrente risco de desabastecimento, a alta global do petróleo e fatores internos seguem pressionando gasolina, etanol e diesel, com reflexos diretos no custo de vida. O Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara segue monitorando os dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a fim de avaliar o comportamento do preço dos combustíveis no município e no Brasil. No mês de fevereiro, os preços dos combustíveis em Araraquara registraram variações típicas, influenciadas majoritariamente por questões nacionais e sazonais, como mudanças tributárias e a menor oferta de cana-de-açúcar. No período, o etanol e a gasolina tiveram seus preços inflacionados; já o preço do gás de cozinha registrou queda, enquanto o óle
A recente escalada nas tensões geopolíticas e seus efeitos sobre o mercado internacional de petróleo já impactam os preços dos combustíveis no Brasil. Levantamento do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara aponta que, embora o país não enfrente risco de desabastecimento, a alta global do petróleo e fatores internos seguem pressionando gasolina, etanol e diesel, com reflexos diretos no custo de vida. O Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara segue monitorando os dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a fim de avaliar o comportamento do preço dos combustíveis no município e no Brasil. No mês de fevereiro, os preços dos combustíveis em Araraquara registraram variações típicas, influenciadas majoritariamente por questões nacionais e sazonais, como mudanças tributárias e a menor oferta de cana-de-açúcar. No período, o etanol e a gasolina tiveram seus preços inflacionados; já o preço do gás de cozinha registrou queda, enquanto o óle
Pizza Hut será vendida por US$ 2,7 bilhões após anos de queda nas vendas e fechamento de lojas

Foto de 15 de dezembro de 2016 de um restaurante da Pizza Hut, em Nova Orleans, EUA.
AP Photo/Gerald Herbert
A controladora Yum Brands anunciou nesta terça-feira (16) a venda da rede de pizzarias Pizza Hut por US$ 2,7 bilhões.
A gestora de investimentos LongRange Capital comprará a operação da rede fora da China, por cerca de US$ 1,5 bilhão, enquanto a Yum China Holdings ficará com os negócios no país asiático por aproximadamente US$ 1,2 bilhão.
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A Pizza Hut enfrenta dificuldades há anos. Em fevereiro, a Yum Brands informou que estudava vender a rede e fechar 250 restaurantes nos Estados Unidos, em meio ao aumento da concorrência e lojas consideradas ultrapassadas.
A rede foi fundada em 1958, na cidade de Wichita, no estado do Kansas. A PepsiCo comprou a rede em 1977, mas separou sua divisão de restaurantes — que se tornou a Yum Brands — em 1997.
“Sob a administração da LongRange e da Yum China, a Pizza Hut estará bem posicionada para crescer no futuro, com proprietários que têm ampla experiência no setor de restaurantes”, afirmou o CEO da Yum Brands, Chris Turner, em comunicado.
Agora no g1
A Yum Brands, dona também das redes KFC e Taco Bell, iniciou em novembro uma revisão estratégica para avaliar alternativas para a Pizza Hut, após a rede registrar queda nas vendas em lojas comparáveis.
“A Pizza Hut há muito tempo é o elo mais fraco do portfólio da Yum”, afirmou Neil Saunders, diretor-geral da consultoria GlobalData, em comunicado.
“Apesar dos esforços para revitalizar a marca e fechar unidades com baixo desempenho, ficou cada vez mais claro que recolocar a divisão em trajetória de crescimento exigiria um nível de investimento e paciência que a Yum simplesmente não está disposta a assumir.”
Segundo Saunders, a venda permitirá que a Yum Brands concentre seus esforços nas marcas com desempenho de vendas mais forte.
Com sede em Louisville, no estado de Kentucky, a Yum Brands espera concluir as duas transações no terceiro trimestre deste ano. As ações da companhia registravam leve queda antes da abertura do mercado.
IA do Facebook vira 'buscador' e vai usar posts de usuários para dar respostas; entenda

Novo recurso de IA do Facebook cria respostas com base em postagens de usuários da plataforma
Divulgação / Meta
A Meta, dona do Facebook e do Instagram, anunciou na segunda-feira (15) o lançamento do "AI Mode", uma ferramenta de busca dentro do Meta AI que vai dar respostas baseadas em conteúdos compartilhados publicamente por outras pessoas em aplicativos da empresa.
A novidade, segundo a companhia, busca oferecer perspectivas e experiências reais, em vez de exibir apenas uma lista de resultados de busca, como o Google.
Ao fazer uma pergunta em linguagem natural, o sistema processa discussões e opiniões de usuários para formular uma resposta direta.
O mecanismo é impulsionado pela tecnologia Muse Spark e visa facilitar a localização de recomendações e opiniões compartilhadas na rede social.
O g1 perguntou à Meta se o recurso já está disponível no Brasil e se haverá moderação do que é exibido e aguarda reposta.
Agora no g1
Novos recursos criativos
Além da busca, a atualização traz recursos criativos baseados em inteligência artificial para facilitar a criação e o compartilhamento de conteúdo.
O sistema atualizou as sugestões do rolo de câmera com novos modelos de recorte para colagens, capazes de reunir de forma automática registros como encontros de amigos realizados no último mês.
Novo recurso de IA do Facebook faz colagens com fotos do usuário e amigos
Divulgação / Meta
A ferramenta também adicionou novos efeitos de transição para produzir montagens de vídeo estilizadas com apenas um toque.
De acordo com a Meta, essas sugestões de fotos e vídeos obtidas a partir do rolo de câmera funcionam de forma estritamente opcional.
O recurso exige a autorização prévia do usuário para operar e pode ser completamente desativado a qualquer momento por meio das configurações de privacidade do aplicativo.
Novo recurso de IA do Facebook permite trocar roupas e acessórios em fotos
Divulgação / Meta
Também foram lançados filtros de fotos que permitem alterar virtualmente o vestuário, os penteados e os acessórios dos usuários com o auxílio da tecnologia.
No caso de torcedores, a função permite vestir digitalmente a camisa de um time de preferência. Para utilizar o recurso, basta tocar no ícone de edição de inteligência artificial nos Stories e escolher a opção "Wear It", ou acessar a foto de perfil e selecionar a mudança de guarda-roupa nas ferramentas de estilo.
FOTOS E VÍDEO: Trump e Lula posam para a 'foto de família' do G7

Líderes que participam de cúpula do G7 na França posam juntos
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) posaram nesta terça-feira (16) para a tradicional "foto de família" durante a cúpula do G7, sediada na cidade de Evian, na França.
O encontro acontece em meio a tensões entre Brasil e EUA por conta da aplicação pelo governo Trump de novas tarifas contra produtos brasileiros.
➡️ A chamada "foto de família" é a fotografia oficial tirada em encontros de chefes de Estado e de governo. O nome vem da ideia de reunir todos os participantes em uma única imagem e serve como um símbolo de unidade.
Além de Trump e Lula, também participaram da foto:
o presidente da França, Emmanuel Macron;
o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney;
a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni;
a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi;
a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen;
o presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa;
a chanceler da Alemanha, Friedrich Merz;
o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi;
a presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung;
o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi;
o presidente do Quênia, William Ruto;
e o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer.
Após a foto, Lula conversou rapidamente com Úrsula von der Leyen ainda no local do retrato. Enquanto eles conversavam, Trump passou pelos dois. Lula e Trump não se cumprimentaram nessa ocasião (veja no vídeo abaixo).
Não há informação até a última atualização desta reportagem se os presidentes brasileiro e norte-americano se falaram na abertura da cúpula.
Trump e Lula não se cumprimentam durante foto oficial da cúpula do G7
Contexto: o G7 é um grupo das principais economias ricas do mundo que se reúne para discutir temas globais. Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão — além da União Europeia - participam das reuniões. O Brasil não integra o G7, mas pode ser convidado para a cúpula.
Veja fotos da cúpula:
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (à esquerda) participa de foto de família da cúpula do G7 em Evián, na França, em 16 de junho de 2026.
Evelyn Hockstein/ Reuters
Foto oficial da cúpula do G7 na França.
Reuters/Isabel Infantes
Trump e Macon na cúpula do G7
Mandel Ngan / AFP
Macron e Lula se cumprimentam antes da foto oficial
Mandel Ngan / AFP
Cúpula do G7 na França
Reuters e AFP
Trump diz que 'em breve' pode voltar a impor sanções ao petróleo da Rússia

Oleoduto de Druzhba, que passa pela Ucrânia e leva petróleo russo para países da Europa. Foto de 2022.
REUTERS/Bernadett Szabo/Foto de Arquivo
O presidente americano Donald Trump disse nessa terça-feira (16) que "em breve" os EUA poderão voltar a impor sanções ao petróleo da Rússia.
A declaração foi feita a jornalistas, durante uma reunião com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, o xeique Mohammed bin Zayed Al Nahyan, na cúpula do G7, na França.
Trump afirmou que os Estados Unidos podem, agora, deixar expirar as isenções relacionadas ao petróleo russo, após fecharem um acordo para encerrar a guerra com o Irã.
“Em breve poderemos fazer isso, porque o petróleo já está fluindo”, disse.
Em março, Trump tomou uma medida controversa, ao aliviar as sanções à Rússia, em meio à crise no Oriente Médio, para evitar uma disparada nos preços da energia. Na época, a decisão provocou críticas dos aliados europeus.
EUA e Irã assinam pré-acordo pelo fim da guerra, diz agência
Acordo com o Irã
Os Estados Unidos e o Irã, que estavam em guerra desde o fim de fevereiro, anunciaram no fim de semana que chegaram a um acordo para encerrar o conflito.
O anúncio não significa, porém, o fim automático da guerra. O acordo prevê, inicialmente, um cessar-fogo — ou seja, uma trégua nos ataques, e não o fim definitivo deles.
Esse cessar-fogo duraria enquanto as duas partes discutem o ponto-chave das tratativas, ainda em aberto: o futuro do programa nuclear iraniano. Outras questões, como a navegação no Estreito de Ormuz e a compensação financeira do Irã, não estão completamente esclarecidas até o momento.
A íntegra do acordo será conhecida na sexta-feira (19), quando haverá uma cerimônia para assinatura do documento em Genebra, na Suíça.
Em meio ao anúncio, o barril de petróleo Brent era negociado abaixo do valor de US$ 80 dólares pela primeira vez desde o início de março, depois que Trump anunciou que o Estreito de Ormuz será totalmente reaberto até sexta-feira.
Quais os pontos ainda a esclarecer do acordo entre EUA e Irã
Irã na Copa: após empatar com Nova Zelândia, seleção iraniana enfrenta entraves ao deixar os EUA
Roblox começa a exigir no Brasil que menores de 16 anos usem versões adequadas às suas idades; veja como vai funcionar

Roblox começa liberar novos tipos de conta para menores de 16 anos
A plataforma de jogos Roblox começou a liberar nesta terça-feira (15) dois novos tipos de conta para menores de 16 anos. A atualização ficará disponível para usuários do serviço em todo o mundo.
Jogadores de 9 a 15 anos serão direcionados para a versão Roblox Select, e menores de 9 anos usarão a Roblox Kids. Maiores de 16 anos continuarão na versão padrão.
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Os recursos chegam após a Roblox entrar na mira de autoridades. No Brasil, investigações apontaram que a plataforma permitiu jogos com apologia a facções criminosas e simulações de ataques a escolas, por exemplo.
Com a mudança, será preciso provar a idade por selfie para abrir jogos voltados a adultos. Crianças e adolescentes só poderão acessar versões restritas da plataforma.
Roblox Kids, para crianças menores de 9 anos, Roblox Select, para jogadores de 9 a 15 anos, e Roblox 'padrão', para pessoas com mais de 16 anos
Divulgação/Roblox
Como funciona a verificação de idade de Roblox, Discord, YouTube e outras
Menores de 16 anos terão que vincular redes sociais com as de seus pais
As versões Select e Kids dão acesso somente aos jogos que passaram por processo de revisão para garantir que são adequados a cada faixa etária. Os novos tipos de conta já tinham sido lançados em maio para usuários na Austrália, na Indonésia, na Holanda e na Nova Zelândia.
Além de restringir o número de jogos disponíveis, as novas versões limitam o acesso ao chat, em uma tentativa de evitar interações indevidas entre menores de idade e adultos.
Segundo a Roblox, usuários que não fizerem a verificação não poderão abrir a versão padrão da plataforma nem os recursos de chat, independentemente da idade.
A verificação por selfie tinha sido liberada em janeiro, quando passou a ser exigida para liberar acesso ao chat. O mecanismo gerou protestos virtuais, com "cartazes" que se tornaram memes como "Quero injustiça".
O processo é parecido ao usado para autorizar transações em aplicativos de bancos. O serviço analisa a selfie e, então, faz uma estimativa de sua idade, que pode ser contestada com o envio do documento de identidade.
Estas são as diferenças entre as versões da plataforma:
Roblox Kids (5 a 8 anos) tem jogos com classificação mínima ou leve, chat desativado por padrão e uma cor de fundo diferente para pais saberem rapidamente se as crianças estão na versão correta;
Roblox Select (9 a 15 anos) tem jogos com classificação mínima, leve ou moderada e chat limitado a amigos de confiança e de faixa etária semelhante;
Roblox "padrão" (a partir de 16 anos) tem acesso a todos os jogos, exceto aos de conteúdo restrito, voltados somente a maiores de 18 anos.
As regras da Roblox definem que jogos com classificação mínima podem ter violência leve ocasional, sangue irreal e medo leve. Jogos com classificação leve podem incluir violência e medo leves repetidos, sangue irreal pesado e humor vulgar leve.
Jogos com classificação moderada podem incluir violência, humor vulgar e medo moderados, sangue realista leve e conteúdo de jogo de azar não jogável.
E jogos com classificação restrita podem ter violência intensa, sangue muito realista, humor grosseiro moderado, temas românticos, presença de álcool, linguagem forte e interações prolongadas com IA.
Mudança nos controles parentais
A Roblox tem recursos para adultos definirem o que crianças acessam na plataforma, além de controlarem o tempo de uso e os gastos em itens na plataforma.
Com o lançamento das versões Kids e Select, será possível bloquear e aprovar jogos para filhos de até 15 anos – até então, o limite era para crianças de 12 anos.
Para isso, é preciso vincular contas de pais ou responsáveis às de crianças na Roblox. Veja como fazer:
Acesse "Configurações" na conta da criança;
Selecione "Controle dos pais";
Selecione "Adicionar pai/mãe";
Insira seu e-mail;
Siga as instruções para vincular a conta.
Plataforma de jogos Roblox
Oberan Copeland @veryinformed.com/Unsplash
Dólar fecha em alta com petróleo no radar e à espera dos juros; Ibovespa cai

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar fechou em alta nesta terça-feira (16), com avanço de 0,39%, cotado a R$ 5,0862. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou o dia em queda de 0,45%, aos 169.648 pontos.
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▶️ O novo acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã continua a gerar expectativa nos mercados financeiros. O entendimento incluiria, entre outros pontos, a reabertura do Estreito de Ormuz e uma nova trégua, incluindo o Líbano. Segundo o presidente americano, Donald Trump, o tratado também deixa "bem claro" que Teerã não terá armas nucleares.
Com a iminência de um acordo, os preços do petróleo fecharam em queda nesta terça-feira. O barril do Brent, referência internacional, teve baixa de 5,1%, cotado a US$ 78,96. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, recuou 5,8%, a US$ 75,05por barril.
▶️ A "Superquarta", momento em que os bancos centrais do Brasil e dos EUA devem anunciar suas decisões de juros, também fica no radar. O mercado espera a manutenção da taxa básica americana por parte do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), em meio aos sinais de preços ainda elevados no país. Já por aqui, a estimativa é de um novo corte de 0,25 ponto percentual (p.p.) pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
▶️Na agenda de indicadores, o destaque fica para a publicação da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) de abril. As vendas no varejo brasileiro recuaram 1,5% em abril na comparação com o mês anterior. Em relação a um ano antes, houve alta de 1%.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: +0,48%;
Acumulado do mês: +0,87%;
Acumulado do ano: -7,33%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: -0,42%;
Acumulado do mês: -1,82%;
Acumulado do ano: +5,89%.
Sinais de avanço nas negociações entre EUA e Irã
Os EUA e o Irã chegaram a um acordo para encerrar a guerra no último domingo (14), segundo informações confirmadas pelo presidente americano, Donald Trump e o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif. (acompanhe os principais acontecimentos)
Em uma publicação na rede social X (antigo Twitter), Sharif declarou que "ambos os lados declararam o encerramento imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano".
Ainda segundo o premiê paquistanês, a cerimônia oficial de assinatura do tratado está marcada para o dia 19 de junho, na Suíça.
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, também publicou a informação em uma postagem na rede Truth Social.
"O acordo com a República Islâmica do Irã está agora concluído. Parabéns a todos!", declarou Trump.
Quais os pontos ainda a esclarecer do acordo entre EUA e Irã
Os detalhes do acordo não foram divulgados imediatamente, mas a estimativa é que questões como o programa nuclear iraniano deverão ser abordadas posteriormente.
Segundo a mídia internacional, o memorando de entendimento deve prever:
um novo cessar-fogo de 60 dias em 'todas as frentes', incluindo o Líbano;
a reabertura imediata do Estreito do Ormuz — que, segundo Trump, deve ficar para sexta-feira, para que minas sejam retiradas do local;
o Irã também não deverá cobrar taxas das embarcações, e o tráfico local volte aos níveis pré-guerra em 30 dias;
que os EUA também levantem o bloqueio naval que fazem na entrada de Ormuz;
que sanções ao Irã sejam flexibilizadas progressivamente;
que o Irã se comprometa a não obter uma arma nuclear.
Apesar do acordo, Israel afirmou que não vai retirar suas tropas da região do Líbano e o Hezbollah afirmou que vai observar o cumprimento da trégua por parte do governo israelense.
Mercados globais
Os mercados financeiros continuavam em uma toada relativamente positiva, em meio ao otimismo em relação ao acordo entre EUA e Irã.
Em Wall Street, os índices terminaram sem direção única. O Dow Jones subiu 0,67%, aos 52.016,57 pontos, enquanto o S&P 500 caiu 0,55%, para 7.512,44 pontos, e o Nasdaq recuou 1,15%, aos 26.382,81 pontos.
Na Europa, o dia foi positivo para os mercados acionários. O índice pan-europeu avançou 0,3%, em mais um recorde de fechamento.
Entre os destaques, o alemão DAX subiu 0,07%, enquanto o francês CAC-40 avançou 0,75% e o britânico FTSE 100 teve alta de 0,61%.
Na Ásia, as ações fecharam mistas nesta terça-feira, conforme investidores avaliavam dados da economia chinesa e com suporte do setor de tecnologia. O CSI300, que reúne as maiores companhias em Xangai e Shenzen, caiu 0,15%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, perdeu 0,11%. Já o Hang Seng teve queda de 1,40%.
No Japão, o Nikkei subiu 0,1%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, teve valorização de 2,11%.
*Com informações da agência de notícias Reuters.
Dólar
Karolina Grabowska/Pexels
Parlamento europeu aprova acordo comercial com EUA

Parlamento Europeu
Yves Herman/Reuters
O Parlamento Europeu aprovou nesta terça-feira (16) uma redução de tarifas de importação sobre diversos produtos dos EUA, cumprindo sua parte em um acordo comercial firmado no ano passado, informou a agência de notícias Reuters.
A aprovação acontece onze meses depois de o acordo ter sido firmado, durante um encontro em um campo de golfe de Trump, na Escócia.
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Diante da demora, Trump ameaçou impor tarifas “muito mais altas” caso o bloco não adotasse as medidas até 4 de julho.
Pelo entendimento, a UE concordou em eliminar tarifas sobre produtos industriais americanos e conceder acesso preferencial a produtos agrícolas dos EUA. Em troca, os EUA mantiveram tarifas de 15% sobre a maior parte dos bens europeus.
Corte de Comércio dos EUA diz que tarifas globais de 10% de Trump são ilegais
Os desafios de Lula no G7 para não ficar escanteado em meio ao foco em crises globais e embate entre Trump e Europa

Lula fez sua primeira reunião bilateral às margens do G7 com Emmanuel Macron, presidente da França e anfitrião do evento
Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicia nesta terça-feira (16/06) sua participação oficial no G7 – o fórum que reúne sete das maiores economias industrializadas do planeta.
Lula foi convidado para o evento, que acontece em Évian-les-Bains, na França, pelo presidente francês, Emmanuel Macron. É costume que o anfitrião do fórum escolha alguns países não membros do G7 para acompanhar as discussões ampliadas, a partir do segundo dia de reuniões.
Quem também está na pequena cidade francesa na fronteira com a Suíça para o encontro é o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A presença dos dois líderes no mesmo local ampliou as expectativas para possíveis interações, em um momento de novo tensionamento da relação diante da possibilidade da aplicação de uma taxação extra de 25% sobre parte das importações brasileiras.
Até o momento, não houve confirmação sobre uma possível reunião bilateral entre Lula e Trump — e interlocutores afirmam que o governo brasileiro não pediu um encontro privado à Casa Branca.
Os dois líderes, porém, podem se cruzar durante as reuniões ampliadas da cúpula ou nos corredores do evento.
Segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, conquistar a atenção do presidente americano deve ser um grande desafio para o governo brasileiro, que concorre com outras diversas lideranças mundiais em meio a grandes crises globais, tal como as guerras no Irã e na Ucrânia e a instabilidade nas relações transatlânticas causada pela política isolacionista trumpista.
Este também vai ser o primeiro contato entre Lula e Trump após o governo americano passar a designar formalmente as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
A participação do Brasil no fórum do G7 abre ainda as portas para um diálogo mais próximo com a União Europeia (UE). Há uma semana, o bloco oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no país, em um veto que deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.
Lula e Trump se encontraram pela última vez na Casa Branca em maio
Ricardo Stuckert / PR
Um encontro com Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e António Costa, presidente do Conselho Europeu, está previsto para esta terça-feira.
Segundo interlocutores, a reunião bilateral foi um pedido dos próprios europeus.
O presidente brasileiro já se encontrou com Macron, na tarde de segunda-feira. Os dois trataram de cooperação em defesa, tecnologia e sobre as expectativas para a cúpula.
Após a reunião, Lula compartilhou imagens dos dois nas redes sociais e afirmou que o fórum é uma oportunidade para o Brasil representar o Sul Global e reafirmar "seu compromisso com a paz, a defesa do multilateralismo, o desenvolvimento sustentável e a construção de um mundo mais justo".
Líderes do G7 se reúnem na França
As prioridades do G7
Segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, Lula pode encontrar dificuldades para navegar entre as lideranças do G7 em um momento em que as atenções do mundo estão voltadas para outros temas além daqueles priorizados pelo governo brasileiro.
Por um lado, o foco da comunidade internacional são os dois grandes conflitos atuais: no Irã e na Ucrânia.
Os EUA e a República Islâmica anunciaram na noite de domingo (14/06) a conclusão de um acordo de paz para encerrar o conflito entre os dois países, que começou em 28 de fevereiro.
A assinatura do pacto está prevista para a próxima sexta-feira (19/06), quando também se espera a reabertura do estreito de Ormuz, bloqueado desde meados de abril.
Até agora, porém, há poucos detalhes sobre o acordo – e muitas dúvidas sobre a possibilidade dele se manter de pé, diante da volatilidade da região e dos muitos anos de negociações fracassadas entre EUA e Irã.
Por se tratar de um acordo preliminar, que possivelmente terá mais desdobramentos nos próximos dias, o tema ainda deve ganhar grande destaque na agenda dos líderes das sete maiores economias industrializadas do mundo em Évian, diz Clarissa Forner, professora de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
A expectativa é que Trump use o fórum para promover suas conquistas com o acordo, aponta a especialista.
Além disso, diz, o presidente americano deve cobrar a Europa por mais apoio aos EUA diante dos embates no Oriente Médio.
"As prioridades norte-americanas serão ainda muito balizadas pelas questões relacionadas à guerra com o Irã, principalmente no sentido de pressionar, como tem sido praxe, por maior envolvimento europeu nos esforços militares", destaca Forner.
Lula chegou a Évian-les-Bains no final da manhã de segunda-feira no horário local
Ricardo Stuckert / PR
Lauren Sukin, professora de Política Externa dos EUA da Universidade de Oxford, aponta ainda que com o encaminhamento das negociações, a reversão dos efeitos econômicos da guerra ganha mais destaque.
"Existem preocupações não apenas em relação à cadeia de suprimentos de combustíveis e segurança energética, mas também com a produção de fertilizantes e a segurança alimentar, além de uma vasta gama de outras questões relacionadas à cadeia de suprimentos que foram afetadas pela guerra", diz a analista.
Já os europeus querem aproveitar as conversas no G7 para pressionar os Estados Unidos por mais protagonismo na ajuda prestada à Ucrânia diante da invasão russa, dizem os especialistas.
Esse tem sido um tema constante na relação da UE com Trump desde que o presidente americano suspendeu a ajuda militar ao governo do presidente Volodymyr Zelensky no ano passado.
Além de tudo isso, o G7 passa por um momento de crise interna, aponta Oliver Stuenkel, pesquisador da Universidade Harvard e do Carnegie Endowment for International Peace e professor da FGV.
"O G7 vive uma profunda crise, com muitas dúvidas sobre sua relevância devido à crise na relação transatlântica", disse.
Segundo Stuenkel, os Estados Unidos possuem hoje uma postura hostil em relação à maioria dos outros governos dos G7, especialmente quando se trata do Canadá e do Reino Unido.
Isso significa que há pouco espaço "para criar consensos", afirma. "E a presença do Brasil não mudará esse quadro de fragmentação geral", diz.
Esta é a décima vez que Lula participa do fórum anual do G7, ao longo de seus três mandatos. São membros plenos do grupo: Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão. A UE participa como membro institucional.
Além do Brasil, estão entre os convidados extras deste ano Ucrânia, Índia, Quênia, Coreia do Sul, Egito, Emirados Árabes Unidos e Catar.
Brasil 'escanteado'?
Nesse contexto, as pautas de interesse imediato do Brasil com os EUA podem ficar em segundo plano, segundo fontes ouvidas pela BBC News Brasil.
Para Lauren Sukin, da Universidade de Oxford, um encontro com Lula provavelmente não está na lista de prioridades de Trump no fórum.
"Mas a administração Trump nem sempre planeja essas cúpulas com a mesma precisão que administrações anteriores, então ainda pode ter algum espaço sobrando na agenda, a depender de como a cúpula se desenrola", afirma.
Por outro lado, afirma a especialista americana, a administração americana tem atuado para reduzir a dependência de outros países da China e o tema pode ser uma forma de atrair a atenção de Trump.
"Assim, é possível que o Brasil, ao destacar, por exemplo, suas vantagens em minerais críticos ou novas oportunidades de investimento, se torne atraente para o governo Trump, principalmente se os temas forem apresentados como uma forma de se desvincular da China", diz.
Uma fonte no Ministério de Relações Exteriores afirma ainda que não há espaço em uma cúpula do G7 para discutir temas específicos da relação Brasília e Washington, como as ameaças de taxação e a designação de organizações criminosas como terroristas.
Ainda segundo esse interlocutor, que pediu para não ser identificado, essa nunca foi a expectativa do governo brasileiro em Évian.
Lula e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, após a assinatura do acordo entre a União Europeia e o Mercosul em janeiro de 2026
AFP via Getty Images
Já uma discussão sobre o veto à carne brasileira pela UE poderia ser abordada na reunião com os representantes de Bruxelas.
Os especialistas ouvidos pela reportagem afirmam, porém, que um avanço ainda é improvável neste momento.
"Acho pouco provável que possa haver uma reversão rápida" da medida, avalia Oliver Stuenkel.
A decisão europeia de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil foi oficializada na semana passada. Segundo a Comissão Europeia, o país não conseguiu comprovar que seus produtores atendem a algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.
"Obviamente que eu acho que o recado principal que nós queremos passar aos europeus é que ficamos assim um pouco surpresos da maneira como foi. Nós estamos vendo algumas medidas da União Europeia que nos causam alguma preocupação. E o tom da discussão, se houver, ou em outros momentos, não necessariamente no G7, vai ser esse, com uma certa preocupação por esses últimos desdobramentos e ver o que a gente pode fazer para resolver as questões", apontou antes do evento o embaixador Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores (MRE), que acompanha diretamente as tratativas.
Para Oliver Stuenkel, é comum que decisões como a da UE sejam tomadas após um grande acordo comercial — como o que entrou em vigor de forma provisória entre o bloco e o Mercosul em maio —, como uma forma de defender os produtores locais.
"[O acordo] foi uma grande derrota para a agricultura europeia", diz o pesquisador da Universidade Harvard. "O veto é uma espécie de reação política para abafar essa mobilização."
Mas ainda que Lula volte ao Brasil sem um encontro cara a cara com Trump ou representantes da União Europeia durante o G7, isso não significa necessariamente que a viagem para o fórum tenha sido um desperdício de tempo, apontam os analistas ouvidos pela reportagem
"Há outros espaços possíveis de reivindicações e de negociação que extrapolam a relação com os EUA e isto pode ser muito positivo, na verdade", diz Clarissa Forner, da UERJ. "Explorar essas outras alternativas me parece ser parte importante do cálculo da delegação brasileira."
"No caso dos EUA, me parece menos provável que haja avanços significativos, neste momento, mas um possível encontro bilateral entre os presidentes ou os contatos entre delegações podem abrir margem para outras negociações futuras, especialmente no campo tarifário."
Sul Global, IA e minerais críticos
Lula já tem reuniões bilaterais costuradas com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, e com o primeiro-ministro do Egito, Abdul Fatah Khalil Al-Sisi. Ambas devem acontecer ainda na tarde desta terça, no horário local.
Também hoje, o presidente brasileiro discursa durante uma sessão sobre solidariedade internacional aos países em desenvolvimento.
A expectativa é que Lula cobre a ampliação da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD). A chamada AOD, que no inglês é Official Development Assistance (ODA), refere-se a repasses financeiros realizados pelos países mais industrializados do mundo para promover o bem-estar e o desenvolvimento econômico de países em situação de mais vulnerabilidade.
Na quarta-feira (17/06), em outra sessão de líderes, Lula participa de sessão sobre crescimento econômico equilibrado, na qual deve defender a necessidade de reforma da governança global, especialmente em instituições como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a própria Organização das Nações Unidas (ONU).
A pauta é considerada importante para a diplomacia brasileira e é frequentemente discutida por Lula em fóruns internacionais.
O presidente dos EUA, Donald Trump (à direita), chegando no hotel onde acontece a cúpula do G7 em Évian-les-Bains
Getty Images
Ainda no dia 17, a comitiva brasileira participará de um almoço que terá como tema central a Inteligência Artificial (IA).
Sam Altman, da OpenAI, Dario Amodei, da Anthropic, e Arthur Mensch, da Mistral, participam juntamente com outros oito representantes da indústria tecnológica do fórum.
O Brasil tem interesse em influenciar esse debate para garantir que este não seja um tópico dominado pelos países do Norte Global e pela China, aponta Oliver Stuenkel. O governo Lula também tem demandado maior regulação da atuação de empresas do setor tecnológico.
Segundo fontes do Ministério de Relações Exteriores, há um desejo de apresentar os avanços do Brasil na área, com alterações promovidas no Marco Civil da Internet, como exemplo para o resto do mundo.
A Presidência francesa também espera assinar, ao final do fórum em Évian, um entendimento sobre a diversificação das cadeias de minerais críticos.
Interessa a Lula e sua delegação explorar o tema, segundo o próprio governo brasileiro.
O Brasil já vem discutindo com lideranças estrangeiras a questão da industrialização do setor, como uma forma de garantir mais investimentos para que o país não seja apenas exportador e a matéria prima vendida ganhe mais valor agregado.
Mas uma fonte no Itamaraty afirmou que os rascunhos do documento apresentados até o momento podem não se alinhar totalmente com a visão brasileira sobre o formato de cooperação internacional na área.
Não há ainda, no entanto, uma decisão final do governo Lula sobre a possibilidade de endossamento do texto.
Leilões de propriedades rurais disparam no Brasil com aumento da inadimplência no campo

Colheita de soja no Rio Grande do Sul.
Reuters
Os leilões de propriedades rurais retomadas por credores estão crescendo rapidamente em todo o Brasil, segundo dados compilados para a Reuters, à medida que a inadimplência no campo chegou a quase um quinto dos empréstimos em circulação.
A queda nos preços dos grãos, os juros elevados e o aumento dos custos dos insumos, somados aos impactos de um clima cada vez mais imprevisível, têm levado a falências e à perda de propriedades rurais no país, disseram produtores e analistas à Reuters.
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Para agravar a situação, agricultores brasileiros se preparam para a possível ocorrência de um “super El Niño”, que pode prejudicar a produtividade das safras e reduzir ainda mais a renda no campo.
Além disso, a alta nos preços dos fertilizantes durante a guerra no Irã levou muitos agricultores a reduzir os planos de novos plantios.
Agora no g1
O Rio Grande do Sul é um dos estados mais afetados pela inadimplência, após as enchentes catastróficas de 2024, associadas ao fenômeno El Niño e às mudanças climáticas, segundo estudo publicado em janeiro na revista “NPJ Natural Hazards”, da editora Nature.
As dívidas com problemas de pagamento no crédito rural mais que quadruplicaram em dois anos, chegando a R$ 171,2 bilhões no início deste ano, segundo dados do Banco Central. Já a parcela de empréstimos em atraso no crédito rural subiu para 19,6%, ante 5,5% dois anos antes.
"Este momento de endividamento no campo é um momento extremamente delicado", disse o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura do Brasil, Guilherme Campos, à Reuters.
Venda de propriedades rurais
Os credores têm intensificado a execução de garantias e tomado mais terras agrícolas em caso de inadimplência, o que elevou o número de propriedades levadas a leilão, segundo dados do site Leilão Imóvel obtidos pela Reuters.
O volume desses leilões chegou a 14.219 propriedades rurais em 2025, um aumento de 30% em relação ao ano anterior.
As propriedades retomadas e leiloadas por meio de processos extrajudiciais — mais rápidos — quase dobraram, chegando a 2.398 no ano passado.
O Leilão Imóvel passou a acompanhar cerca de 7% mais leiloeiras em 2025, o que significa que os dados não são totalmente comparáveis, explicou o cofundador André Figueiredo, à Reuters.
Ainda assim, as maiores leiloeiras compartilham dados desde 2019, o que indica uma tendência clara de piora nas condições financeiras dos produtores, afirmou.
"O volume de imóveis rurais aumentou bastante", disse ele, acrescentando que as regiões voltadas para a produção de soja e outros grãos foram as mais afetadas.
Os pedidos de recuperação judicial do setor agrícola cresceram 56% em 2025, após mais que dobrarem em 2024, segundo dados da Serasa Experian.
Clima turbulento
Os produtores ainda enfrentam dificuldades para se recuperar de uma série de choques recentes, disse o responsável pelo setor de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, à Reuters.
Segundo ele, fatores como o clima adverso, a queda nos preços das exportações agrícolas — especialmente da soja — e a taxa básica de juros, que subiu de 2% para 15% em cinco anos, têm dificultado o pagamento das dívidas.
"A perspectiva para frente não é boa", acrescentou ele. "Os juros ficaram muito altos e não sabe onde vão ficar os preços das commodities. A chance de choques por problemas climáticos é muito alta."
Um agricultor do Rio Grande do Sul, que pediu para não ser identificado, afirmou que tem dificuldade para lidar com juros “impagáveis” após perdas causadas por eventos climáticos extremos. Segundo ele, um credor já tomou posse de mais da metade da fazenda da família.
"A mudança climática, ela é expressiva, ela é evidente. Nós não estamos conseguindo produzir uma hora por muita chuva e outra hora por muito sol. Então eu te digo assim: o fator clima é o fator que nos colocou nessa posição."
Único brasileiro inscrito em audiência sobre tarifaço defende PIX e cobra debate técnico: 'Temos que sair da retórica'

Gustavo Pessoa, professor de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) e pesquisador de riscos no sistema financeiro
Arquivo pessoal
Até agora, somente um brasileiro se inscreveu para participar da audiência pública que pode influenciar os próximos rumos da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos. Gustavo Pessoa é professor de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) e pesquisador de riscos no sistema financeiro.
A audiência está prevista para 6 de julho e antecede a decisão final do governo dos EUA sobre possíveis medidas comerciais. Empresas, associações, governos e outros interessados poderão apresentar seus posicionamentos.
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O processo é conduzido pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que investiga práticas relacionadas a produtos brasileiros e ainda está na fase de coleta de informações.
A investigação abrange diferentes temas, entre eles o desmatamento ilegal, a pirataria, falhas na aplicação de leis anticorrupção e o PIX — sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central que passou a ocupar papel central na apuração.
⚖️ As inscrições seguem abertas até 22 de junho. As manifestações enviadas passam a integrar oficialmente o processo e podem influenciar os próximos desdobramentos da investigação.
Pessoa afirma que decidiu se inscrever porque considera que o debate sobre o PIX deixou de tratar apenas de um meio de pagamento e passou a envolver a infraestrutura do sistema financeiro. Para ele, o processo exige explicações técnicas e espaço para diferentes pontos de vista.
"É importante que aparecesse alguém de forma independente para tentar explicar isso de uma forma um pouco melhor e até apontar uma forma de resolver a questão no campo técnico."
Em entrevista ao g1, o economista comenta os questionamentos dos EUA sobre o PIX, discute o papel do BC como regulador e operador do sistema e afirma que transparência e diálogo institucional podem ser mais eficazes do que medidas comerciais amplas.
g1 – Você pediu para participar da audiência pública da USTR em um momento em que há poucas inscrições. O que motivou essa iniciativa e que contribuição acredita poder levar ao debate?
Gustavo Pessoa: Sou professor de Economia na FGV e pesquiso falhas sistêmicas no sistema financeiro. Então, é um tema que já venho pesquisando há bastante tempo. E essa questão do PIX é muito sensível porque, se analisarmos hoje, mais de 54% de todas as transações no Brasil são realizadas via PIX. Então, a discussão deixou de ser apenas uma questão de meio de pagamento e virou uma questão de infraestrutura.
E tudo o que se refere à infraestrutura, com mais da metade de todos os processamentos passando por ele, cria uma questão de potencial risco sistêmico. Hoje, o PIX transaciona mais de duas vezes o PIB do Brasil — estamos falando de algo em torno de R$ 25 trilhões por ano, o que faz dele uma ferramenta importantíssima.
A segunda questão é que pode existir um conflito de interesse entre o Banco Central, que é o regulador, e também o provedor desse serviço. É claro que essa investigação é muito mais ampla do que apenas a questão do PIX. Ela envolve práticas comerciais, a questão do etanol e outros temas, mas eu tenho certeza de que o cerne de tudo é a questão do PIX.
Eu quis me inscrever nesse processo para trazer uma visão mais técnica e independente, porque sabemos que grande parte da discussão é uma questão política entre governos. Então, é importante que apareça alguém de forma independente para tentar explicar isso um pouco melhor e até apontar uma forma de resolver a questão no campo técnico.
g1 – Um dos principais questionamentos da USTR é o fato de o Banco Central atuar, ao mesmo tempo, como regulador e operador do PIX. Quais seriam os possíveis problemas dessa estrutura e até que ponto essa preocupação é legítima?
Existe uma problemática porque o Banco Central está adquirindo uma nova função que não tinha. Até então, tinha o papel de regular as instituições financeiras. Agora, a partir do momento em que oferece um serviço diretamente aos cidadãos, acaba sendo uma espécie de concorrência para outros meios de pagamento e outras instituições financeiras.
Então, a partir do momento em que oferece um novo serviço, ele também tem que dar a mesma transparência que outro operador daria. O que seria isso? Espaço para a competição, mais transparência e um certo backup contra falhas. Então, ele tem que dar certos resguardos que até então não precisava oferecer, mas isso ocorre porque assumiu uma nova função perante a sociedade.
Eu acredito que eles tenham tudo isso para fazer. É questão, claro, de se organizar e mostrar que existe uma governança para ofertar esse novo serviço. Mas também é importante que haja transparência e que se mostre toda essa capacidade de operacionalizar o sistema.
g1 – No documento de inscrição, você propõe a criação de um "teste de neutralidade para pagamentos digitais". O que significa neutralidade nesse contexto e como esse teste poderia ser aplicado, na prática, para avaliar um sistema como o PIX?
Sim. Inclusive, nos documentos que anexo a esse processo, eu falo que a gente deveria instituir um sistema de teste de neutralidade. Basicamente, seria testar cinco questões.
Uma delas seria em relação ao acesso: testar se todas as empresas, sejam brasileiras, norte-americanas ou de outros países, têm acesso a esse meio de pagamento, o PIX. Então, verifica-se se o acesso é igual para todas as empresas ou se existe alguma discriminação.
A outra questão é a interoperabilidade [capacidade de diferentes sistemas e plataformas trocarem informações e funcionarem entre si]. Então, vê-se a questão técnica: se as APIs funcionam tanto para o PIX quanto para o cartão de crédito, se atendem aos requisitos de cibersegurança e tudo mais.
Outra questão é a transparência, verificando se regras relacionadas a taxas, supervisão e padrões de aplicação funcionam da mesma maneira.
Outra é em relação aos dados, porque hoje quem cuida dos dados do PIX é o Banco Central. No caso do cartão de crédito, são as operadoras. Elas seguem uma série de regulamentações e normas para garantir a proteção desses dados. Então, também é importante mostrar isso.
E a última questão é a integridade dos dados, envolvendo suporte, prevenção à lavagem de dinheiro, o "conheça seu cliente" e a parte de compliance.
Então, tudo aquilo que o Banco Central exige das operadoras de cartão de crédito, débito etc., será que ele também faz com o PIX? É importante dar mais clareza sobre isso para o público em geral.
g1 – Você argumenta que medidas específicas seriam mais eficazes do que tarifas amplas para lidar com preocupações relacionadas aos pagamentos digitais. Que tipo de compromisso regulatório ou institucional poderia responder às preocupações dos EUA sem comprometer os benefícios do PIX?
Quando você lê o processo, ele parece sério e apresenta hipóteses válidas, mas eles estão esperando respostas.
É claro que é uma questão muito ampla, mas o processo dá espaço ao direito de defesa. Então, eu acredito que, apresentando essas respostas e mostrando como o BC tem compromisso com a transparência, com a integração de outros sistemas e com a não discriminação de participantes, isso seria muito bem recebido.
E, claro, eu acho que deve ser criado um fórum de comunicação mais claro envolvendo o Banco Central, o Ministério da Fazenda e o Departamento de Comércio dos EUA, porque isso envolve questões muito maiores.
g1 – O PIX costuma ser comparado ao UPI, da Índia, que movimenta um volume ainda maior de transações. Na sua avaliação, por que o sistema brasileiro acabou se tornando alvo dessa investigação dos EUA?
O nosso sistema bancário é muito diferente. A nossa realidade social também é muito diferente. E o sucesso do PIX é muito maior. O Brasil tem uma conexão maior com os outros países da América Latina porque é um líder regional e consegue dialogar com esses países.
Então, me parece que é muito mais uma questão geopolítica e geoestratégica do que qualquer outra coisa. A atenção se voltou para o PIX porque somos a nação mais parecida com os EUA em meios de pagamento, em termos de sociedade e de mercado. Então, eles conseguem nos comparar com eles, algo que não conseguem fazer da mesma forma com a Índia ou a China.
g1 – O que você espera dessa audiência? Acredita que haverá espaço para que contribuições técnicas, como a sua, sejam consideradas pelas autoridades americanas?
Como pesquisador e professor, a gente sempre tenta falar aquilo que estudou e o que considera correto. Agora, se o outro lado vai compreender ou abrir espaço, é outra questão. A gente fica com o dever de expor aquilo que nos parece minimamente plausível. Caso aconteça alguma coisa e eu seja chamado para o "hearing", vou com o maior prazer e vou me colocar à disposição.
A questão que me fica é que a gente tem que seguir todos os protocolos, mesmo que eles pareçam inertes. Caso a gente não faça uma defesa, podemos ser acusados de não ter nos defendido. Abriu-se uma investigação, esperou-se uma resposta e não houve uma defesa. Esse tipo de coisa não pode acontecer.
Bem ou mal, nós temos instituições muito sólidas, um Itamaraty muito qualificado e um Ministério da Fazenda com ótimos servidores. Então, é importante utilizar todo o espaço oficial que a gente tenha. Porque, se ficarmos dependendo apenas de conversas não oficiais, de pronunciamentos e tudo mais, podemos perder oportunidades de mostrar substância de verdade. Nós temos um trabalho técnico e documentos para apresentar. Não é só achismo.
Então, temos que sair da retórica e partir realmente para o posicionamento. Se isso vai dar certo ou não, é outra questão. Mas é importante mostrar substância em todos os canais oficiais que tenhamos disponíveis.
Governo Trump conclui que Pix é 'injusto': por que sistema brasileiro incomoda tanto os EUA e o que pode acontecer com ele agora?
Marcello Casal Jr/Agência Brasil
A 'guerra silenciosa' entre China e Panamá por controle de portos no Canal

A 'guerra silenciosa' entre China e Panamá por controle de portos no Canal
Getty Images via BBC
A história da empresa CK Hutchison Holdings e do Panamá se transformou em um dos maiores conflitos geopolíticos ligados ao Canal do Panamá nos últimos anos.
O embate envolve duas superpotências, Estados Unidos e China, uma hidrovia por onde passa até 6% do comércio mundial e alguns dos mais importantes operadores portuários do planeta.
E a exclusão dessa empresa chinesa sediada em Hong Kong da administração de dois portos provocou o que parece ser uma dura punição por parte de Pequim, em meio à crescente disputa por influência entre Estados Unidos e China na América Latina.
"Desde 8 de março de 2026, e ainda hoje, a China vem retendo navios mercantes de bandeira panamenha em um ritmo sem precedentes, justificando a medida como inspeções do Estado do porto", explica a Ambrey Analytics, divisão de inteligência da empresa britânica de segurança marítima Ambrey.
Somente em abril, a China reteve 136 embarcações registradas sob bandeira panamenha, número 6,4 vezes superior à média de 2025. Em março, foram 96 navios, cerca de 74% de todas as retenções realizadas pela China naquele mês. Somando todas as embarcações imobilizadas desde o início do ano, o total chega a 272.
"As retenções são justificadas por deficiências técnicas e costumam durar entre um e cinco dias, mas interrompem escalas e aumentam os custos", explica a empresa de análise.
A situação coincide com uma decisão da Suprema Corte do Panamá que retirou da CK Hutchison a concessão de dois terminais de contêineres no Canal do Panamá.
Um deles é o porto de Balboa, o segundo mais movimentado do país em volume de contêineres. O outro é o porto de Cristóbal. Ambos ficam em áreas adjacentes ao canal.
Por sua localização estratégica, em cada extremidade das entradas do canal pelo Pacífico e pelo Atlântico, esses dois portos despertavam especial preocupação na administração Trump, que transformou o tema em prioridade de sua agenda logo após assumir a Casa Branca.
A pressão americana atingiu seu ponto máximo quando Trump ameaçou o governo panamenho com retomar à força o controle do canal — administrado pelo país centro-americano desde 1999 — alegando interferência chinesa.
Panamá rompoe acordo com a China
'Um ato de má-fé'
Não há evidências públicas de que o governo chinês exerça qualquer controle sobre o canal. No entanto, empresas chinesas têm presença significativa na região e, ao longo dos anos, realizaram investimentos relevantes na hidrovia e em sua infraestrutura.
O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, afirmou repetidamente que não existe "absolutamente nenhuma interferência chinesa" no canal.
Mas, no fim de janeiro, a Suprema Corte panamenha declarou inconstitucional a concessão de 1997 — e sua renovação em 2021 — que permitia à Panama Ports Company, subsidiária da CK Hutchison, operar os terminais.
As autoridades da China e de Hong Kong manifestaram oposição à decisão e a classificaram como um "ato de má-fé".
Já a CK Hutchison, que administrou os portos durante quase 30 anos, acusou as autoridades panamenhas de confiscarem ilegalmente seus ativos e iniciou uma arbitragem internacional contra o país, reivindicando uma indenização superior a US$ 2 bilhões por perdas e danos.
Pequim argumenta que a decisão da Justiça panamenha foi motivada pela pressão dos Estados Unidos, e não por um processo judicial independente.
Enquanto isso, a Autoridade Portuária Nacional do Panamá assumiu o controle dos dois portos, e as represálias chinesas começaram do outro lado do mundo.
A punição a navios panamenhos que chegam a portos chineses é o estágio mais recente de uma escalada de tensões entre China e Estados Unidos, intensificada por disputas sobre infraestrutura portuária estratégica e o controle de rotas comerciais fundamentais.
"Por meio dessas detenções em massa de navios de bandeira panamenha, Pequim está enviando uma mensagem direta e prática: decisões que afetem os interesses de empresas chinesas ou ligadas a Hong Kong terão um custo tangível e imediato", afirmou à BBC News Mundo Alicia García-Herrero, economista-chefe para a Ásia-Pacífico do banco de investimentos Natixis e pesquisadora sênior do centro de estudos europeu Bruegel.
Uma mensagem clara
Para García-Herrero, as retenções vão muito além da burocracia portuária. Elas representam uma forma de pressão econômica assimétrica destinada a gerar atrasos, custos e transtornos reais ao comércio marítimo.
"O objetivo é dissuadir outros países de adotarem medidas semelhantes e lembrar que Pequim reage quando considera que seus 'direitos legítimos' foram violados", afirma.
A construção do canal foi concluída em 1914 e ele permaneceu sob controle dos Estados Unidos até 1977
Getty Images via BBC
Evan Ellis, professor e pesquisador de estudos latino-americanos do Instituto de Estudos Estratégicos da Escola de Guerra do Exército dos Estados Unidos, concorda.
"Parece bastante evidente que o assédio chinês a navios de bandeira panamenha faz parte de uma mensagem mais ampla que a China está enviando ao governo do Panamá, assim como a outros governos, sobre o preço de não cooperar com Pequim ou de adotar medidas que prejudiquem suas empresas", diz.
"A atuação da China neste caso específico parece um pouco mais explícita e abrangente do que vimos em respostas a ações de outros governos", acrescenta o analista.
O aumento das retenções faz parte de uma resposta chinesa mais ampla, que também inclui a suspensão dos serviços de contêineres da COSCO em Balboa, a convocação de executivos da Maersk e da MSC — as duas maiores empresas de transporte marítimo do mundo — para reuniões em Pequim, além da paralisação de novos investimentos chineses no Panamá.
"Há tentativas documentadas de pressionar a Maersk e a Mediterranean Shipping Company para que suas subsidiárias não aceitem os contratos concedidos para as operações temporárias dos portos que estão sendo retirados da Hutchison", afirma Ellis.
A BBC News Mundo entrou em contato com o Conselho de Estado da República Popular da China e com a embaixada chinesa em Londres para conhecer sua posição sobre o tema, mas não havia recebido resposta até a publicação desta reportagem.
Ofensiva em várias frentes
A razão para essa ofensiva chinesa em diversas frentes é que o Canal do Panamá representa um ponto crítico na estratégia marítima do gigante asiático, conectando dois oceanos e servindo como porta de entrada privilegiada para a América Latina.
"Os terminais de Balboa e Cristóbal eram peças importantes da rede global de portos que Pequim construiu para garantir rotas de abastecimento, reduzir a dependência de pontos controlados por terceiros e ampliar sua influência comercial no Hemisfério Ocidental", explica García-Herrero.
Por isso, perder o controle operacional desses terminais representa um revés para sua capacidade logística e de projeção econômica em uma área que Washington historicamente considera parte de sua esfera de influência.
Shengyu Wang, pesquisador assistente do Centro de Análise da China do Instituto de Política da Sociedade Asiática, que conversou com a BBC, lembra que os interesses empresariais chineses e o Estado chinês nem sempre atuam como um único ator.
Por isso, ele acredita que as represálias chinesas também podem ter como alvo a própria CK Hutchison Holdings.
Em março de 2025, a empresa anunciou um acordo para vender a maior parte de seu negócio portuário global — incluindo os portos de Balboa e Cristóbal, no Panamá — a um consórcio liderado pela BlackRock e pela MSC por cerca de US$ 20 bilhões, algo que pode ter desagradado Pequim.
"A tentativa de vender esses ativos portuários pode ter criado um problema para o governo chinês. Na visão de Pequim, o fato de uma empresa ligada à China vender ativos portuários estratégicos sem consultar as autoridades pode ser interpretado como um desafio ao Estado", afirma o analista.
O Canal do Panamá é importante para a China porque representa um ponto estratégico do comércio mundial
Getty Images via BBC
Disciplinar empresas
A reação inicial talvez não tenha como alvo apenas o Panamá ou os Estados Unidos.
"Ela também pode refletir o esforço de Pequim para disciplinar empresas ligadas à China e demonstrar que acordos estratégicos de infraestrutura não podem ser desfeitos de uma maneira que prejudique o Estado chinês", acrescenta.
As retenções de navios também provocaram forte insatisfação nos Estados Unidos, já que embarcações de bandeira panamenha transportam uma parcela significativa da carga conteinerizada americana.
Por isso, "essas ações podem acarretar consequências comerciais e estratégicas importantes para o transporte marítimo dos Estados Unidos", afirmou a Comissão Marítima Federal americana em comunicado.
O fato é que ainda não ocorreu uma mudança em massa de registros de embarcações para fora do Panamá.
A maioria dos navios mercantes que utilizam a bandeira panamenha pertence a armadores estrangeiros que buscam evitar regulamentações marítimas mais rígidas impostas por seus próprios países.
O Panamá opera um sistema conhecido como registro aberto. Sua bandeira oferece vantagens como processos de registro mais simples — muitas vezes feitos online — e a possibilidade de contratar mão de obra estrangeira mais barata.
No entanto, a Ambrey Analytics afirma que empresas chinesas de leasing marítimo estão exigindo que armadores transfiram seus registros para outros países, deixando de usar a bandeira panamenha, como condição para financiar a construção de novos navios. Isso poderá gerar impactos de longo prazo para o registro naval panamenho.
Outros castigos da China à América Latina
"Tudo isso se encaixa em um padrão mais amplo de coerção chinesa discreta que vem se desenvolvendo há anos e que possivelmente é até mais agressiva do que a pressão normalmente exercida pelos Estados Unidos", afirma Ellis.
O analista argumenta que a China costuma preferir mecanismos indiretos de pressão em vez de sanções comerciais formais.
Como exemplo, ele cita a suspensão das compras de óleo de soja da Argentina após ações antidumping movidas contra empresas chinesas pelo Congresso argentino em 2010.
"Ou as ameaças contra a Guiana quando seu governo cogitava permitir que Taiwan abrisse um escritório de representação comercial no país sul-americano em 2020, bem como a suspensão das compras de castanhas e outros produtos da Guatemala quando o presidente eleito Bernardo Arévalo declarou que pretendia manter a cooperação com Taiwan", lembra.
As cerejas e as uvas chilenas também conhecem esse tipo de pressão.
A China alegou problemas fitossanitários para interromper as importações desses produtos, em "um lembrete sutil do poder da China de deixar de comprar produtos estratégicos", conclui Ellis.
Da Copa ao escritório: por que pressão e ansiedade afetam tanto o desempenho de profissionais

Como lidar com a frustração profissional: o que atletas fora da Copa ensinam sobre o tema
Após o empate em 1 a 1 com o Marrocos na estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2026, jogadores e o técnico Carlo Ancelotti apontaram a ansiedade como um dos principais fatores para o desempenho abaixo do esperado da Seleção.
“Um pouco de ansiedade, acho que sim. Na primeira etapa, eles saíam da pressão e faziam transições perigosas. Podíamos ter mais controle”, afirmou Ancelotti.
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Além do treinador, os laterais Danilo e Ibañez também citaram a ansiedade como complicador da performance da seleção na estreia. Em competições de alto nível, fatores emocionais podem influenciar tomada de decisão, concentração e rendimento.
👷 A sensação constante de avaliação, a necessidade de entregar resultados rapidamente, o medo de falhar, a comparação permanente e a dificuldade de "desligar" fazem parte da rotina de milhões de profissionais dentro e fora dos estádios.
Segundo especialistas ouvidos pelo g1, a preparação psicológica deixou de ser um complemento e passou a integrar a rotina de treinamento dos atletas. E, nas empresas, a saúde emocional ainda costuma aparecer como uma resposta tardia, geralmente quando o desgaste já se tornou um problema.
O jogador Fernandinho, do Brasil, se lamenta após o terceiro gol da Alemanha, marcado por Toni Kroos, durante a semifinal da Copa do Mundo em Belo Horizonte. Os alemães venceram por 7x1 e se classificaram para a final
Natacha Pisarenko/AP/Arquivo
Como a pressão afeta o cérebro
Gustavo Drago, especialista em saúde, comportamento humano e alta performance que participou da preparação de atletas olímpicos, explica que o ponto de interseção entre esporte e trabalho está justamente na natureza da pressão e na forma como ela é percebida.
Ao acompanhar atletas de 16 modalidades, ele observou que pessoas submetidas exatamente às mesmas condições reagiam de maneiras completamente diferentes, do ponto de vista fisiológico, emocional e comportamental.
⚽ Um dos exemplos mais claros aparece na comparação entre competir “em casa” e “fora de casa”.
Para alguns atletas, o ambiente adverso era interpretado como uma ameaça. Essa percepção gerava uma resposta biológica mensurável, com aumento do cortisol, alterações no sistema imunológico e comportamentos mais hesitantes, como menor intensidade física e decisões menos assertivas.
Outros reagiam de forma oposta. Diante da mesma pressão, encaravam o contexto como um estímulo, o que estava associado ao aumento da testosterona livre, maior intensidade e respostas mais competitivas.
A lógica ajuda a entender por que ambientes corporativos semelhantes podem gerar experiências tão diferentes.
Duas pessoas podem trabalhar sob a mesma meta, na mesma equipe e com o mesmo gestor, mas, enquanto uma mantém estabilidade emocional, a outra entra em estado contínuo de alerta, explica o pesquisador.
E esse estado tem custo cognitivo. Quando o cérebro interpreta o ambiente como uma ameaça constante, ele desloca recursos mentais para a autoproteção, explica o pesquisador. A atenção deixa de estar totalmente voltada à tarefa e passa a ser dividida com pensamentos de erro, julgamento, rejeição ou medo de perda de espaço.
⚠️ Isso reduz a criatividade, prejudica a tomada de decisão, aumenta a ansiedade e favorece comportamentos defensivos, como procrastinação, perfeccionismo excessivo e dificuldade de inovar.
No esporte, esse mecanismo pode fazer um atleta hesitar em um momento decisivo. No trabalho, pode se traduzir em profissionais tecnicamente capazes que não conseguem performar sob pressão.
Em resumo:
A mesma pressão pode ser percebida como ameaça ou desafio.
Quando o cérebro identifica uma ameaça, entra em estado de alerta e prioriza a autoproteção.
Isso pode prejudicar a criatividade, a tomada de decisão e o desempenho.
Para Drago, esse é um dos pontos mais críticos do ambiente corporativo atual: a permanência prolongada em estado de alerta.
"O cérebro humano interpreta a insegurança constante como ameaça, e isso compromete diretamente a performance."
Avaliação permanente
O sócio-líder de Auditoria da CLA Brasil, Thiago Brehmer, observa que essa dinâmica é reforçada por estruturas organizacionais que intensificam a avaliação contínua e metas de curto prazo.
“Tanto no esporte quanto no ambiente corporativo existe uma combinação de pressão por desempenho e sensação constante de avaliação”, afirma.
Segundo ele, o problema se agrava em culturas nas quais o erro é tratado como falha de caráter, e não como parte do processo de aprendizagem, o que amplifica o medo, a autocobrança e a insegurança.
🤳Essa pressão ganhou novas camadas com a hiperconectividade, segundo Brehmer. Se antes havia uma separação mais clara entre momentos de cobrança e de descanso, hoje a avaliação parece permanente.
Atletas convivem com julgamento em tempo real nas redes sociais. Profissionais lidam com métricas constantes, exposição digital e comparação contínua em plataformas profissionais.
O resultado é uma sensação de que é preciso performar o tempo todo. E é exatamente nesse ponto que o esporte se distancia, não pela ausência de pressão, mas pela existência de preparo.
➡️ No alto rendimento, não se espera que o atleta apenas “aguente” a pressão. Ele é treinado para lidar com ela antes mesmo de ela ocorrer. Existe uma preparação estruturada que inclui técnicas de visualização, controle emocional, foco atencional e recuperação após o erro. O objetivo é reduzir a imprevisibilidade e tornar situações críticas mais familiares do ponto de vista mental.
➡️ No ambiente corporativo essas estratégias começam a ganhar espaço, mas ainda de forma menos sistemática, afirma Brehmer. A visualização, por exemplo, permite que o cérebro antecipe cenários e reduza a sensação de ameaça. Ao ensaiar mentalmente uma apresentação ou negociação, o profissional aumenta a previsibilidade e diminui a reatividade.
Outra estratégia central é o direcionamento da atenção para variáveis controláveis.
No esporte, um nadador pode se concentrar no número de braçadas, no ritmo e na respiração. No trabalho, isso significa focar o preparo, a clareza de raciocínio, a qualidade técnica e a execução, e não o julgamento externo ou o medo de falhar.
Segundo os especialistas ouvidos pelo g1, esse deslocamento tem efeito direto no cérebro: reduz o estado de ameaça e aumenta a capacidade de concentração e eficiência mental.
Goleiro Hugo Souza ficou fora da convocação para a Copa de 2026
GIF/ Hugo Souza
Frustrações
Outra semelhança entre o esporte de alto rendimento e o mundo corporativo está na forma como as pessoas lidam com frustrações e expectativas não atendidas.
No esporte, ficar fora de uma convocação pode gerar ruptura emocional após anos de preparação. No trabalho, situações como não conseguir uma promoção ou perder uma oportunidade estratégica produzem impacto semelhante.
“Muitas pessoas constroem parte da identidade em torno da performance”, afirma Drago.
🚨 O risco surge quando a frustração deixa de ser interpretada como um episódio e passa a ser incorporada como definição pessoal. É a transição do "não consegui" para o "não sou capaz".
Para os especialistas, essa mudança marca a passagem da frustração saudável para a destrutiva, aquela que afeta a autoestima, aumenta a ansiedade e pode favorecer quadros de adoecimento mental.
No esporte, a convivência com derrotas é parte estruturante da formação. Atletas aprendem desde cedo que perder faz parte do processo e desenvolvem mecanismos para transformar a frustração em adaptação.
No ambiente corporativo, essa cultura ainda é menos consolidada. “Muitas organizações ainda estão centradas na ideia de sucesso imediato, e não de evolução contínua”, afirma Brehmer.
Essa diferença se estende a outro ponto fundamental: a recuperação.
Recuperação x produtividade
No esporte de alto rendimento, o descanso não é visto como pausa improdutiva. Ele faz parte da própria estratégia de desempenho.
Monitoramento fisiológico, controle de carga, acompanhamento psicológico e técnicas de recuperação são utilizados justamente para evitar queda de rendimento e burnout. A lógica é simples: pressão sem recuperação reduz a performance.
No ambiente corporativo, porém, ainda predomina a associação entre produtividade e disponibilidade constante. Hiperconectividade, jornadas extensas e dificuldade de desconexão criam um cenário em que o estado de alerta deixa de ser exceção e passa a ser padrão.
Brehmer defende ainda que 'o cérebro humano não foi feito para operar continuamente sob ameaça". Os efeitos aparecem de forma progressiva: ansiedade, insônia, queda de concentração, redução da criatividade, exaustão emocional e aumento do risco de burnout.
Além disso, ambientes marcados por insegurança psicológica tendem a reduzir a inovação e a qualidade das decisões, porque os profissionais passam a agir para evitar erros, e não para gerar resultados.
Segundo Drago, uma das principais discussões dos próximos anos será justamente compreender que a performance sustentável não nasce apenas da cobrança. Ela depende de fatores como confiança, autonomia, segurança psicológica e senso de pertencimento.
Em outras palavras, depende daquilo que o esporte aprendeu antes.
Agentes no OnlyFans controlam e ameaçam modelos enquanto retêm metade dos ganhos, revela BBC

Rebecca, criadora de conteúdo no OnlyFans, foi alvo de mensagens abusivas e violência
Gus Palmer/BBC
Aviso: esta reportagem contém relatos de violência que podem ser perturbadores para alguns leitores
Rebecca, criadora de conteúdo na plataforma OnlyFans, afirma que entrou para uma agência depois que lhe prometeram ajudar a aumentar seus ganhos na rede social voltada para conteúdo adulto.
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Em vez disso, segundo ela, foi vítima de abusos, recebeu ameaças contra a filha e teve homens mascarados enviados à sua casa para agredi-la.
"Eles eram adoráveis no começo."
A mulher de 29 anos, do sul do País de Gales, diz que seus novos empresários afirmavam que ela era bonita e que "nunca tinham visto uma garota" como ela.
Mas, em poucas semanas, eles se tornaram "bastante controladores", passando a insultar sua aparência e a proibi-la de sair com amigos, conta ela no documentário OnlyFans: Inside the Machine (OnlyFans: Por dentro da Máquina, em tradução livre), da BBC Three (em inglês).
Agora no g1
Segundo Rebecca, o comportamento abusivo se intensificou depois que ela alterou os dados de acesso à conta, preocupada com a possibilidade de a agência, que tinha acesso ao perfil, bloqueá-la.
"Vou acabar com você e com sua filha", dizia uma das mensagens enviadas para ela e vistas pela BBC.
Um tijolo foi arremessado contra a janela de sua casa e, algumas semanas depois, dois homens mascarados apareceram no local.
Um deles entrou na residência e, segundo Rebecca, a estrangulou e a jogou "escada acima e abaixo". Ela mostrou à reportagem da BBC fotografias de hematomas nas pernas e no pescoço.
Seu relato faz parte de um padrão de acusações contra agentes que se apresentam nas redes sociais como gestores de contas de OnlyFans, conhecidos pela sigla OFM (OnlyFans Managers).
Eles prometem ajudar os criadores de conteúdo a expandir seus negócios na plataforma, mas informações obtidas pela BBC mostram que, em alguns casos, atuam de forma exploratória e fazem ameaças.
Ouvimos 60 criadores de conteúdo do OnlyFans no Reino Unido e nos infiltramos em um dos maiores grupos privados de agentes no Telegram, chamado OFM Empire, que reúne 24 mil membros.
Ali, encontramos orientações sobre como recrutar criadores, assumir o controle de suas contas e lucrar com isso, muitas vezes recorrendo à ameaça de violência. Um dos usuários chamou essa estratégia de "método cafetão".
A plataforma OnlyFans tem conhecimento de preocupações relacionadas a gestores de contas excessivamente exploradores há pelo menos quatro anos, quando denúncias envolvendo agências começaram a aparecer na imprensa internacional.
Mas, pela primeira vez, nossa investigação se concentra no Reino Unido, onde a plataforma OnlyFans está sediada.
Segundo especialistas em direitos humanos e advogados que tiveram acesso às conclusões da BBC, a plataforma não está fazendo o suficiente para proteger os criadores de conteúdo contra exploração.
"O que a Rebecca viveu reúne sinais amplamente reconhecidos de exploração: controle, coerção, pressão financeira e impossibilidade de sair livremente", afirma à BBC Eleanor Lyons, comissária independente contra a escravidão moderna do Reino Unido.
"É algo que o governo precisa examinar com mais atenção. Podemos estar diante de uma plataforma que facilita a exploração e os abusos."
Um porta-voz do OnlyFans afirmou que "a acusação de que a empresa 'fecha os olhos' [para esses problemas] é infundada".
Segundo esse porta-voz, a companhia leva a segurança dos usuários "extremamente a sério" e investe "pesadamente" em medidas para proteger a sua comunidade. Ele acrescentou ainda que a plataforma cumpre todas as obrigações previstas na Lei de Segurança Online do Reino Unido.
"A relação do OnlyFans é com seus criadores de conteúdo e fãs. Não temos vínculo nem endossamos terceiros, incluindo agências de gestão."
"Infelizmente, não podemos revisar nem influenciar relações contratuais que os criadores escolham estabelecer fora da plataforma, porque não fazemos parte desses acordos."
Gia Clarke e Lily Phillips são criadoras de conteúdo bem-sucedidas no OnlyFans, mas afirmam que as mulheres na plataforma podem estar vulneráveis à exploração
Gus Palmer/BBC
Mais de 4,6 milhões de criadores de conteúdo em todo o mundo publicam vídeos e fotos para assinantes pagantes no OnlyFans. A plataforma fica com 20% da receita.
Um dos casos de maior sucesso das redes sociais no Reino Unido, a empresa que opera o OnlyFans, a Fenix International, registrou lucro antes de impostos de US$ 684 milhões (cerca de R$ 3,8 bilhões) em seu balanço mais recente.
Ao mesmo tempo, cresceu em torno da plataforma um ecossistema global de gestores de contas conhecidos como OFMs. Eles prometem atrair mais assinantes e aumentar os ganhos dos criadores. Em troca, ficam com uma parte da receita, geralmente 50%.
'Relação de servidão'
Gia Clarke, criadora de conteúdo britânica que publica no OnlyFans desde o lançamento da plataforma, há dez anos, diz receber mais mensagens de pessoas que se apresentam como agentes do que de fãs.
"A ideia [dos OFMs] é muito boa. O problema é que há gente demais sem qualificação atuando nessa área. Como não existe regulamentação, as modelos não sabem em quem confiar", afirma. Ela descreve alguns desses gestores como "predatórios".
Contratos entre criadores de conteúdo e esses agentes ou gestores obtidos pela BBC mostram gestores ficando com até 70% dos ganhos. Muitos exigem acesso total às contas e impõem multas a quem tenta encerrar os contratos antes do prazo.
"Eles [OFMs] estão se aproveitando da situação, o que quase coloca esses criadores em uma relação de servidão com agentes e agências, presos a contratos injustos", afirma Matt Jury, do escritório especializado em direitos humanos McCue Jury & Partners.
Sophie Kemp, chefe da área de direito público do Kingsley Napley, concorda. "Isso não parece, de forma alguma, uma relação contratual justa. Esses contratos parecem ser o primeiro passo em direção à exploração dos criadores de conteúdo."
A BBC encontrou conversas como esta no Telegram
BBC
Vários dos 60 criadores de conteúdo ouvidos pela BBC afirmaram que seus gestores acessaram as suas contas e mentiram sobre os ganhos obtidos para ficar com uma parcela maior do dinheiro.
Um deles disse que o gestor alterou a sua senha para impedi-lo de acessar a conta.
Outro afirmou que seu gestor trocou os dados bancários cadastrados, fazendo com que os pagamentos fossem depositados diretamente na conta dele.
Táticas semelhantes são discutidas abertamente no canal OFM Empire, no Telegram.
"Crie um e-mail e uma senha para o [OnlyFans] dela. Assim, ela não consegue entrar", escreveu um usuário. "Tenho acesso à plataforma de pagamentos em nome dela usando o e-mail que criei. Tenho a senha. Tenho controle total de tudo."
Segundo um porta-voz do OnlyFans, a plataforma adota "processos rigorosos de verificação de novos usuários, controles de pagamento e monitoramento contínuo das contas".
Ele afirmou que, quando surgem preocupações sobre uma conta, o OnlyFans restringe imediatamente o acesso, abre uma investigação e toma medidas para garantir que o criador de conteúdo esteja no controle do perfil.
Mas, quando uma repórter da BBC criou uma conta usando uma fotografia verificada, ela conseguiu cadastrar os dados bancários de um colega para receber pagamentos de teste.
O OnlyFans informou à BBC que, "no Reino Unido, quando um criador solicita um saque, os prestadores terceirizados responsáveis pelos pagamentos realizam verificações para confirmar o titular da conta bancária. Quando essa checagem não é concluída com sucesso, o pagamento é rejeitado".
Rebecca afirma que decidiu mudar a senha de sua conta no OnlyFans depois que uma amiga, representada pelo mesmo gestor, teve seus dados de acesso alterados sem consentimento e foi impedida de entrar na própria conta.
Ela diz que, em seguida, passou a receber ligações e mensagens abusivas.
"Ele estava me enviando o meu próprio endereço e dizendo que iria arrastar eu e minha filha pelos cabelos", relata Rebecca.
"Até logo, sua vadia", dizia outra mensagem mostrada por ela à BBC.
Poucos dias depois, segundo ela, um tijolo foi arremessado contra a janela de sua casa. Rebecca afirma que chamou a polícia, mas estava com medo demais para mencionar a agência ligada ao OnlyFans.
Ela também relata ter sido agredida três semanas depois, quando dois homens mascarados apareceram em sua residência.
"Um [deles] estava em cima de mim, me estrangulando, enquanto eu tentava alcançar o telefone para ligar para alguém porque achei que aquele era o fim. Depois que mostraram o que queriam mostrar, pararam e foram embora."
Rebecca está convencida de que o gestor está por trás dos dois episódios. "Não tenho problemas com mais ninguém", afirma.
Rebecca não é a única criadora de conteúdo que afirma ter sofrido ameaças.
Outra mulher, que pediu para não ser identificada, conta que inicialmente concordou em repassar entre 35% e 40% de seus ganhos ao gestor da conta, mas depois concluiu que a porcentagem era alta demais.
"Ele me disse que, se eu quisesse reduzir [o] percentual, teria que pagar 10 mil libras (cerca de R$ 74 mil), por todo o tempo e esforço que investiu em mim."
Quando ela se recusou, disse que o gestor respondeu que ela "receberia o que merecia".
"Será que ele vai aparecer na minha casa? Vai apagar minha conta? Ele costumava contar histórias sobre o que tinha feito com outras garotas, como conseguiu derrubar as contas delas ou enviou advogados às suas casas", afirma.
"Toda semana recebia uma mensagem estranha: 'Você vai receber o que merece. Espere para ver, está chegando'", conta. Desde então, ela rompeu com esse gestor.
Leanne, de 33 anos, assinou um contrato que dava ao gestor acesso à sua conta, autorização para alterar o endereço de e-mail vinculado ao perfil e direito a 50% de seus ganhos, já descontada a parte cobrada pela plataforma.
O contrato, obtido pela BBC, também estabelecia que ela deveria atender aos pedidos de conteúdo dos assinantes em até 24 horas.
Leanne afirma que deixou claro, ao assinar o acordo, que não produziria vídeos sexualmente explícitos. Ainda assim, segundo ela, o gestor a pressionava constantemente para fazê-los.
Por fim, aceitou gravar um vídeo desse tipo "para fazê-los calar a boca", desde que ele não fosse vendido aos seguidores por menos de US$ 250 (cerca de R$ 1.400).
Ela diz ter se sentido "fisicamente nauseada" depois da gravação e afirma que nem sequer assistiu ao vídeo.
Leanne não produz mais conteúdo para o OnlyFans
Gus Palmer/BBC
Mais tarde, Leanne descobriu que o vídeo havia sido vendido por menos de US$ 40 (cerca de R$ 220).
"Isso me fez sentir tão nojenta e tão humilhada", afirma. Ela não publica mais conteúdo no OnlyFans.
O OnlyFans já tinha conhecimento de preocupações relacionadas a OFMs excessivamente exploradores por meio da cobertura da imprensa. Mas a BBC também identificou pelo menos uma criadora de conteúdo que tentou alertar diretamente a empresa.
Riley informou a plataforma sobre discussões no grupo OFM Empire que sugeriam que agentes estavam comprando e vendendo contratos de criadores de conteúdo sem que eles soubessem.
"As táticas desses grupos se tornam cada vez mais exploratórias", escreveu ela em um e-mail enviado à equipe de suporte do OnlyFans em 2024, visto pela BBC.
A plataforma pediu que ela apresentasse provas. Riley então enviou links para o OFM Empire e capturas de tela de mensagens publicadas no fórum.
Posteriormente, ela foi informada de que não havia evidências suficientes para que o OnlyFans tomasse alguma providência.
O OnlyFans afirmou à BBC que "quaisquer pessoas mal-intencionadas que estejam explorando criadores de conteúdo" devem ser denunciadas à plataforma e, quando necessário, à polícia, para que "possam ser responsabilizadas e para que medidas apropriadas sejam tomadas para proteger nossa comunidade de criadores".
Lyons, comissária independente contra a escravidão moderna do Reino Unido, afirma que o OnlyFans tem a obrigação legal de proteger os usuários contra conteúdo ilegal e de agir rapidamente para removê-lo quando toma conhecimento dele.
"É alarmante que casos de exploração estejam sendo denunciados e aparentemente não recebam uma resposta adequada", diz Lyons após analisar os e-mails enviados por Riley.
"Isso levanta sérias dúvidas sobre se o OnlyFans está cumprindo suas obrigações legais de proteger os usuários."
Lyons afirma que já está dialogando com o Ofcom, órgão regulador da segurança online no Reino Unido, e com formuladores de políticas públicas, que, segundo ela, "precisam prestar muito mais atenção" ao problema.
Ela acrescenta que esses agentes ou gestores deveriam estar sujeitos a uma fiscalização mais rigorosa e possivelmente a um sistema de licenciamento.
O Ofcom informou à BBC que os relatos das vítimas apresentados nesta investigação são "profundamente preocupantes".
"Plataformas e aplicativos regulados, como o OnlyFans, devem avaliar o risco de seus serviços serem utilizados para facilitar a prática de crimes", afirmou o órgão em nota.
"No entanto, delitos cometidos inteiramente fora do ambiente digital não estão abrangidos pela Lei de Segurança Online."
Lily Phillips, uma das criadoras de conteúdo britânicas mais bem remuneradas do OnlyFans, afirma que a falta de regulamentação dos OFMs cria "um ambiente perigoso, no qual pessoas vulneráveis podem ser exploradas".
"As pessoas percebem quanto dinheiro é possível ganhar no OnlyFans. Então todo mundo quer uma fatia desse mercado, especialmente os homens... eles querem uma parte", afirma.
Kemp, do escritório de advocacia Kingsley Napley, afirma que o OnlyFans tem um dever de cuidado em relação aos criadores de conteúdo e que, com base nas evidências reunidas pela BBC, acredita que "é apenas uma questão de tempo até que o OnlyFans enfrente ações por negligência movidas por criadores que sofreram danos".
Rebecca diz que queria provar que sua antiga agência estava errada ao fazer sucesso por conta própria no OnlyFans.
Hoje, ela é representada por uma agência em que o conteúdo é gerenciado por mulheres, o que, segundo ela, a faz "se sentir muito melhor".
Rebecca afirma que trabalhar como criadora de conteúdo no OnlyFans "não é algo para sempre" e espera que, um dia, tenha ganhado dinheiro suficiente para talvez abrir sua própria escola de equitação.
'Taxa das blusinhas': governo volta a tributar compras internacionais de baixo valor em 2027, mas com imposto e alíquota diferentes

Importados de até US$ 50 voltam a pagar imposto em 2027
A taxação de encomendas com valor abaixo de US$ 50, zerada neste ano com o fim da "taxa das blusinhas", retornará em 2027 por meio da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) — tributo federal criado no âmbito da reforma tributária sobre o consumo.
🔎A CBS substituirá o antigo imposto de importação, que tinha alíquota de 20% para encomendas internacionais de baixo valor. A alíquota a ser cobrada, entretanto, ainda não está definida.
O valor da CBS, que está sendo calculado pela Receita Federal em parceria com o Tribunal de Contas da União (TCU), será fixado por resolução do Senado em dezembro deste ano.
A CBS terá a mesma lógica para produtos nacionais e importados, com aplicação das mesmas alíquotas. O imposto não depende do limite de US$ 50, regra do imposto de importação. A cobrança começou em 2026 (fase de testes, com tributo destacado) e passa a valer com alíquota cheia em 2027.
Estimada em 9,43%
Em 2024, o governo estimou que a alíquota da CBS seria de 8,8%. Entretanto, nos meses seguintes foram feitas novas exceções à cobrança do imposto cheio, como carnes e medicamentos — que elevaram a alíquota.
A área econômica não fez nova projeção, mas cálculo da consultoria Roit aponta para uma taxa de 9,43% em 2027.
O valor da CBS está sendo calculado com o objetivo de manter o atual patamar da carga tributária sobre o consumo, de modo que o governo federal não perca arrecadação.
Além da CBS, o governo também contará com a receita do imposto seletivo, conhecido como imposto do pecado, para manter a carga tributária atual.
As alíquotas do imposto seletivo para cada produto (álcool, refrigerantes, cigarros e veículos poluentes, entre outros) ainda serão definidas pelo Congresso Nacional.
Se o governo fixar alíquotas menores para o imposto do pecado, terá de cobrar uma alíquota mais alta na CBS para manter o atual patamar da carga tributária global sobre o consumo.
Alíquota dependerá de imposto do pecado, a ser definido pelo Congresso Nacional
Saulo Cruz/Agência Senado
➡️Além da CBS, os estados também continuarão taxando as encomendas internacionais, como já acontece atualmente. As alíquotas do ICMS estadual sobre importações abaixo de US$ 50 variam de 17% a 20%.
➡️De 2029 a 2032, haverá a transição do ICMS estadual e do ISS municipal para o IBS — o futuro imposto sobre consumo dos estados e municípios.
➡️Ao fim desse período, os atuais tributos estaduais e municipais serão substituídos pelo IBS, cuja alíquota, em conjunto com a CBS do governo federal, está estimada em 26,5% – uma das maiores do mundo. O tributo será cobrado sobre importações.
Para o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), que reúne os varejistas brasileiros, como Americanas, Dafiti, Centauro, Casas Bahia, Lojas Renner e Magazine Luiza, entre outros, a cobrança da CBS a partir de 2027 pelo governo, avança par corrigir uma "situação não isonômica" – dada a isenção para importados de baixo valor. Mas a entidade pede o restabelecimento, também, do imposto de importação - além da cobrança da CBS.
"Todas as operações comerciais com bens e serviços serão, via de regra, tributadas, razão pela qual as operações comercias envolvendo importações de pequeno valor e cross-border também devem ser tributadas, respeitando a lei e principalmente o comércio local, já tão prejudicado pelas distorções tributárias que lhe são aplicadas, seja na tributação de Imposto de Importação, seja na tributação sobre o valor adicionado, como no caso da CBS", acrescenta o IDV, em nota.
Fazenda não se manifesta
Pacotes de roupas em uma fábrica da Shein em Guangzhou, província de Guangdong, China, em 1º de abril de 2025.
Reuters
O g1 questionou o Ministério da Fazenda sobre a cobrança da CBS nas compras internacionais de baixo valor a partir de 2027 e se o governo entende que, ao taxar produtos nacionais e importados com a mesma alíquota, haverá isonomia tributária. O ministério não respondeu às perguntas.
A área econômica confirmou apenas que o trabalho está sendo realizado "de forma dialogada" com o TCU e tendo como base as premissas definidas pela EC 132/23 e pela LC 214/25, ou seja, na definição da futura alíquota do tributo (a ser fixada até o fim de 2026).
Taxa das blusinhas
Em maio deste ano, em meio à corrida eleitoral, o governo decidiu revogar a taxa das blusinhas. A mudança foi formalizada em uma Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e regulamentada por uma portaria do Ministério da Fazenda.
'Taxa das blusinhas': pesquisa interna que apontou rejeição de 70% foi determinante para revogação improvisada por Lula
A taxa das blusinhas havia sido instituída em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional. Com isso, o governo passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, que até então estavam isentas para empresas dentro do programa Remessa Conforme.
🔎A taxação foi uma resposta do governo e do Congresso a um pedido de segmentos da indústria nacional, após o aumento das compras digitais durante a pandemia, e diante da diferença de carga tributária entre produtos nacionais e os importados nas plataformas online.
À época, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o texto aprovado pelo Legislativo, apesar de ter classificado a decisão como "irracional". A medida foi defendida pela indústria brasileira.
➡️Controversa, a "taxa das blusinhas" era reprovada por parte dos consumidores brasileiros principalmente por encarecer produtos populares de baixo valor e reduzir a atratividade de plataformas internacionais. Críticos argumentam que turistas de viagens internacionais têm vantagem ao não recolher o tributo.
Setor produtivo defende o imposto
➡️ A manutenção da "taxa das blusinhas" foi defendida pelo vice-presidente da República, e então ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, para defender a indústria nacional de produtos de baixo valor.
Em manifesto, representantes dos setores produtivos, do comércio e varejistas também defenderam sua permanência. Eles disseram que a medida não só gerou empregos, mas também benefícios ao consumidor.
"O consumidor também foi beneficiado pela redução da disparidade tributária entre plataformas internacionais de e-commerce e o setor produtivo nacional. No setor de têxteis, vestuário e calçados, por exemplo, a inflação é a menor entre os itens do IPCA desde julho de 1994, início do Plano Real", diz o manifesto.
Ajuda para contas públicas
A "taxa das blusinhas" também rendeu recursos aos cofres públicos, ajudando a equipe econômica a buscar as metas para as contas públicas.
Em 2025, por exemplo, a Receita Federal arrecadou R$ 5 bilhões com esse imposto, novo recorde.
Nos quatro primeiros meses deste ano, avançou para R$ 1,78 bilhão, superando o valor registrado no mesmo período do ano passado.
Após campanha associada a massacre, Starbucks demite CEO na Coreia do Sul e dá aulas de história a funcionários

Starbucks demite CEO na Coreia do Sul e dá aulas de história a funcionários
AP Photo/Lee Jin-man
A operação da Starbucks na Coreia do Sul anunciou nesta segunda-feira (15) que fechará todas as lojas do país mais cedo no dia 22 de junho para realizar um treinamento obrigatório sobre história e sensibilidade social.
A medida ocorre após uma forte reação negativa a uma campanha de marketing amplamente interpretada como ofensiva às vítimas de uma repressão militar contra manifestantes pró-democracia em 1980.
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O grupo Shinsegae, que detém 67,5% da Starbucks Korea, informou que executivos e funcionários da sede participarão de um treinamento conduzido por professores de história e sociologia. Já as unidades em todo o país fecharão às 15h na próxima segunda-feira (22), para que os colaboradores possam assistir à gravação da sessão.
A crise começou quando a rede tentou promover uma linha de copos térmicos de aço inoxidável chamada “SS Tank”, declarando o dia 18 de maio como “Tank Day”. A data marca o aniversário do levante pró-democracia de 1980 na cidade de Gwangju, no sul do país, que foi violentamente reprimido pelo governo militar da época, com uso de tropas, tanques e helicópteros, deixando centenas de mortos e feridos.
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A campanha gerou ainda mais indignação ao usar o slogan “Bata na mesa!”, interpretação associada a uma declaração policial de 1987 que tentou encobrir a morte por tortura do estudante ativista Park Jong-chol. Na ocasião, autoridades afirmaram falsamente que ele teria morrido após investigadores “baterem na mesa”.
Diante da reação imediata do público, o grupo Shinsegae cancelou a campanha em poucas horas e demitiu o CEO da Starbucks Korea.
O presidente do grupo, Chung Yong-jin, fez um pedido de desculpas em rede nacional, enquanto a polícia abriu uma investigação após denúncias de familiares das vítimas do massacre de Gwangju. Chung também participará de um treinamento separado com executivos das empresas do grupo, previsto para 24 de junho.
Chung Yong-jin, presidente do Grupo Shinsegae, curva-se em sinal de desculpas em Seul, Coreia do Sul, na terça-feira, 26 de maio de 2026
AP/Lee Jin-ma
Segundo a empresa, a decisão de fechar todas as lojas mais cedo, pela primeira vez desde a chegada da Starbucks ao país em 1999, e promover o treinamento em larga escala demonstra a seriedade com que o grupo encara a controvérsia e sua intenção de evitar novos episódios semelhantes.
A repressão em Gwangju ocorreu meses após o general Chun Doo-hwan assumir o poder em um golpe no fim de 1979.
Registros oficiais apontam cerca de 200 mortos, embora ativistas afirmem que o número real seja muito maior. O governo também prendeu dezenas de milhares de pessoas, sob a alegação de combater distúrbios sociais.
A indignação popular com a ditadura de Chun levou a grandes protestos nacionais em 1987, forçando a adoção de eleições presidenciais diretas, marco considerado o início da transição democrática da Coreia do Sul.
Nova taxação proposta pelos EUA pode impactar um terço das exportações brasileiras com tarifas de até 37,5%, projeta CNI

Projeção da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que, caso as novas tarifas propostas pelo Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) entrem em vigor, 31,6% das exportações brasileiras para os EUA passarão a ser taxadas em 37,5%, ante os atuais 10%.
A mudança representa um aumento de 27,5 pontos percentuais.
Outros 3,6% dos embarques brasileiros para o mercado norte-americano seriam submetidos a uma tarifa de 12,5%, frente aos 10% cobrados atualmente, uma elevação de 2,5 pontos percentuais.
Isso porque, no início deste mês, os Estados Unidos concluíram uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com empresas norte-americanas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está em Évian-les-Bains, na França, para participar da reunião de líderes dos países do G7. O governo brasileiro trabalha com a possibilidade de um encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a reunião da cúpula.
Na avaliação do Palácio do Planalto, a proposta de uma tarifa adicional, justificada por Washington com base em supostas práticas comerciais desleais, ainda pode ser revertida por meio de negociação.
Já a sobretaxa vinculada à alegação de falta de ações suficientes contra o trabalho forçado é vista por integrantes da equipe brasileira como uma decisão praticamente consolidada.
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Entre os pontos citados estão o PIX, o combate ao desmatamento ilegal, a pirataria e supostas falhas na aplicação de leis anticorrupção.
Como resultado, o USTR propôs a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
O órgão, contudo, elaborou uma lista de exceções para itens considerados estratégicos pelos Estados Unidos, como carne bovina, frutas, café, aeronaves e minerais de terras raras, entre outros.
Segundo a CNI, 35,2% das exportações brasileiras para os Estados Unidos seriam alcançadas pelas novas medidas.
Quando consideradas também as tarifas setoriais já aplicadas com base na Seção 232 da legislação comercial norte-americana, a parcela das exportações sujeitas a algum tipo de sobretaxa poderia chegar a 54,1%.
As medidas, porém, ainda não entrarem em vigor. Antes de uma decisão final, a proposta ainda passará por consulta pública e por audiências conduzidas pelas autoridades norte-americanas.
Produtos mais afetados
Entre os produtos mais afetados está o ferro-gusa. Atualmente sujeito a uma tarifa de 10% com base na Seção 122, o produto passaria a enfrentar uma alíquota de 37,5% caso a proposta seja implementada.
Em 2024, as exportações brasileiras de ferro-gusa para os Estados Unidos somaram US$ 1,5 bilhão.
5 produtos que podem ser impactados com tarifa de 37,5%
Ferro gusa não ligado;
Açúcar de cana em forma sólida;
Sebo não comestível;
Álcool etílico não desnaturado;
Molduras de madeira padrão de pinho.
5 produtos que podem ser impactos com tarifa de 12,5%
Minério de ferro e concentrados, pelotas aglomeradas;
Lajes de quartzito;
Óleos essenciais de frutas cítricas de laranja;
Silício;
Pasta de madeira química, sulfato ou soda, graus para dissolução.
O levantamento considera as listas de exceções publicadas pelo USTR e mantém isentas as exportações que já estão sujeitas às medidas da Seção 232, conforme relatórios divulgados pelo órgão.
O que é a investigação comercial dos EUA?
A investigação contra o Brasil foi aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O mecanismo, criado pelo Congresso dos EUA, permite ao governo americano investigar países cujas políticas ou práticas sejam consideradas prejudiciais ao comércio, às empresas ou aos exportadores americanos.
A legislação dá ao USTR o poder de investigar possíveis barreiras comerciais e, caso conclua que elas existem, recomendar medidas de retaliação, como a imposição de tarifas sobre produtos importados.
O mecanismo já foi utilizado em diferentes disputas comerciais, especialmente contra a China. Em 2019, durante o primeiro mandato de Trump, os EUA aplicaram tarifas sobre mais de US$ 120 bilhões em produtos chineses com base nessa legislação.
Parte dessas tarifas continua em vigor, e chegou a ser ampliada durante o governo de Joe Biden.
Paralelamente, o USTR concluiu uma investigação sobre trabalho forçado em quase 90 países. O Brasil foi incluído entre as nações que, segundo o órgão, não adotam ou não aplicam, de forma efetiva, restrições à importação de bens produzidos com trabalho forçado. Nesse caso, a proposta é a aplicação de uma tarifa adicional de 12,5%, com isenção para 1.655 códigos.
Quando as duas medidas incidem simultaneamente sobre determinados produtos, a tarifa adicional total pode alcançar 37,5%.
Por que o Brasil virou alvo dessa investigação?
Segundo o relatório final do USTR, as seguintes práticas do governo brasileiro "oneram ou restringem" o comércio com os EUA:
Comércio digital e serviços de pagamento (PIX): o texto afirma que o Banco Central favorece o PIX, sistema de pagamentos instantâneos, em detrimento de provedores americanos. Segundo o USTR, o BC atua ao mesmo tempo como regulador e operador do sistema, impondo seu uso e limitando as taxas cobradas por concorrentes.
Regulação de redes sociais: o USTR afirma que tribunais brasileiros emitiram ordens sigilosas para que empresas americanas de mídia social removessem conteúdos políticos e suspendessem perfis de residentes nos EUA — em alguns casos, com alcance global, além de proibirem a divulgação dessas decisões. O órgão também critica a aplicação de multas elevadas, restrições a ativos e contas bancárias e, em pelo menos um caso, o bloqueio completo de um site.
Tarifas preferenciais desleais: o governo americano contesta os acordos comerciais mantidos pelo Brasil com México e Índia. Segundo o USTR, o país concede tarifas mais baixas a centenas de produtos desses mercados em setores nos quais ambos são considerados produtores avançados e competitivos globalmente;
Desmatamento ilegal: o documento afirma que, embora o Brasil tenha um marco legal para combater o desmatamento ilegal, o país falhou historicamente em aplicá-lo de forma eficaz, permitindo a continuidade do problema;
Acesso ao mercado de etanol: o órgão americano argumenta que o Brasil interrompeu, de forma abrupta, em 2017, o tratamento tarifário equilibrado aplicado ao etanol e, desde então, não oferece reciprocidade às exportações do combustível vindas dos EUA;
Proteção da propriedade intelectual: os EUA apontam falhas na aplicação de leis penais e aduaneiras contra a falsificação de produtos, além de lentidão na análise de patentes e de ações contínuas de combate à pirataria. O relatório também critica o tempo de análise de patentes pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), especialmente no setor biofarmacêutico, que pode chegar a 109 meses.
Combate à corrupção: a representação americana concluiu que o Brasil não adota medidas suficientes para combater o suborno e a corrupção. O documento cita a anulação de processos da Operação Lava Jato pelo STF em 2023, a renegociação "sem transparência" de acordos de leniência e a queda do país no Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional.
Indústria extrativista de minério de ferro
Leandro Grandi/Agência Vale
Flórida acusa TikTok de violar lei que proíbe menores de 14 anos em redes sociais

TikTok
REUTERS
O estado americano da Flórida abriu nesta segunda-feira (15) um processo contra o TikTok, alegando que a empresa viola uma lei estadual ao deixar menores de 14 anos criarem contas na plataforma.
A ação também acusa o TikTok de deturpar dados sobre conteúdo violento ou sexual ao qual crianças têm acesso na rede social.
O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, disse que o TikTok engana pais de crianças de forma consciente. "Temos tolerância zero para empresas que priorizam o lucro em detrimento da segurança das crianças", afirmou.
A lei da Flórida, conhecida como H.B. 3, exige que redes sociais proíbam o acesso de menores de 14 anos e que usuários de 16 anos obtenham consentimento dos pais antes de abrir uma conta. A regra começou a valer em janeiro de 2025.
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Reino Unido proíbe redes sociais para menores de 16 anos
O processo busca uma ordem judicial que obrigue a rede social controlada pela chinesa ByteDance a fazer alterações para se adequar à lei, bem como a pagar indenização por danos financeiros.
O TikTok enfrenta processos abertos por mais de 25 estados americanos, que alegam que o aplicativo é projetado para viciar jovens, levando a uma crise de saúde mental entre crianças e adolescentes.
Processos abertos por indivíduos e distritos escolares dos EUA também acusam TikTok e rivais como a Meta, dona do Instagram e do Facebook, de impactar negativamente usuários mais jovens. As empresas negam as alegações e dizem tomar medidas para mantê-los seguros.
Flávio Bolsonaro confirma Daniella Marques na campanha para cuidar de propostas da área econômica

Pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL)
Reprodução
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou nesta segunda-feira (15) que Daniella Marques, ex-presidente da Caixa no governo de Jair Bolsonaro, deverá ajudá-lo na elaboração de propostas para as áreas econômica e social de sua pré-campanha à Presidência da República.
A declaração ocorreu durante sua participação no VEJA Fórum Rumos do Brasil.
“Ela está perto de nós aqui na campanha e vai me ajudar nessa parte econômica, mas, principalmente, na pauta de responsabilidade social”, declarou.
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Segundo o blog da Ana Flor, a ex-presidente da Caixa se licenciou por seis meses da Legend, empresa em que trabalha, para se dedicar ao projeto. Daniella afirmou que pretende ajudar a formular um modelo econômico “mais austero e virtuoso” e já vinha atuando informalmente nos contatos de Flávio para difundir propostas econômicas.
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Daniella foi nomeada presidente da Caixa por Jair Bolsonaro em junho de 2022, após a saída de Pedro Guimarães, que deixou o cargo depois da divulgação de denúncias de assédio sexual.
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Antes de assumir o banco, ela era secretária especial de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia e integrava, desde o início do governo Bolsonaro, a equipe do então ministro Paulo Guedes, de quem era considerada uma das principais assessoras.
Daniella Marques em entrevista enquanto era presidente da Caixa Economica Federal
Eraldo Peres/AP
Na ocasião de sua indicação para a Caixa, Daniella afirmou que pretendia fortalecer a governança do banco e criar uma força-tarefa para investigar as denúncias de assédio. Ela comandou a instituição até o início do governo Lula.
O senador destacou a experiência dela na Caixa, especialmente em iniciativas voltadas a mulheres empreendedoras.
“Com a experiência que ela teve na Caixa Econômica e com programas específicos para as mulheres empreendedoras, ela mostrou como é possível, com o uso de tecnologia, boa vontade e boas políticas públicas, estender a mão para aquelas pessoas que querem caminhar com as próprias pernas e empreender, mas não sabem como”, afirmou.
Segundo Flávio, Daniella poderá contribuir com propostas de microcrédito, educação financeira e redução da burocracia para facilitar a abertura e a manutenção de pequenos negócios.
Contrabando, espionagem, sabotagem: como a Rússia usa 'frota fantasma' para contornar sanções do Ocidente

O navio de patrulha HSwMS Carlskrona acompanha um navio cargueiro perto do litoral da Suécia, como parte da missão da Otan Sentinela do Báltico
AFP via BBC
O Kremlin afirma que a Rússia está "imune" às sanções impostas pelo presidente americano, Donald Trump, a duas das suas maiores companhias de petróleo.
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O que mantém as exportações russas de petróleo por via marítima é uma "frota fantasma": navios petroleiros "zumbis" transportam milhões de barris de petróleo para compradores em busca de barganhas de todo o mundo, evitando as sanções.
A frota tem outros clientes além da Rússia, como aiatolás iranianos, generais venezuelanos e até comerciantes oportunistas e inescrupulosos do Ocidente, que se preocupam mais com o lucro do que com as ameaças ao meio ambiente, à segurança e, em alguns casos, à liberdade da tripulação, abandonada com cada vez mais frequência em navios que permanecem isolados no mar por meses ou até anos.
Mas a atividade da frota fantasma atingiu seu pico após a invasão da Ucrânia, em 2022. E o principal beneficiário desta marinha secreta é o regime de Vladimir Putin.
Ela serve não só para contrabandear o principal produto de exportação da Rússia, trazendo receita para financiar a "máquina de guerra" russa, nas palavras de Trump, mas também para operações "híbridas" de espionagem e sabotagem contra países da Otan na Europa e os oleodutos e cabos submarinos que os conectam.
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A Rússia é um dos três maiores exportadores de petróleo do mundo, ao lado dos Estados Unidos e da Arábia Saudita.
Em 2024, a Rússia extraiu cerca de 10% do petróleo do mundo, segundo a Administração de Informações de Energia dos Estados Unidos.
Antes da guerra na Ucrânia, quase todas as suas exportações de petróleo por via marítima eram realizadas por meio de petroleiros ocidentais, principalmente da Grécia. As operações comerciais eram realizadas na Suíça e o seguro era contratado em Londres.
Mas, agora, até quatro a cada cinco petroleiros que transportam petróleo russo não contam com seguro reconhecido por uma das 12 companhias de seguro mútuo do Grupo Internacional de Clubes de Proteção e Indenização, que cobrem cerca de 90% de todas as cargas marítimas, segundo analistas da empresa de informações financeiras S&P Global.
Analistas calculam que, atualmente, a frota fantasma transporte 80% das exportações de petróleo da Rússia por via marítima, desafiando as sanções do Ocidente
AFP via BBC
Os dados indicam que a frota fantasma, agora, transporte 80% do petróleo russo, desafiando as sanções do Ocidente.
"A Rússia formou uma frota fantasma de petroleiros, que permite ao país se esquivar das sanções", segundo o economista sênior do Instituto Kiev School of Economics, Benjamin Hilgenstock.
"Mas eles também são velhos, não recebem manutenção adequada e, provavelmente, não contam com cobertura de seguro suficiente contra vazamentos de petróleo."
"E o que ocorre é que cerca de 75% das exportações de petróleo da Rússia por via marítima precisam sair dos portos do mar Báltico e do mar Negro", prossegue o economista, "o que significa que esses navios atravessam as águas europeias várias vezes por dia."
A maior parte do petróleo iraniano é transportada para terminais como este, na província chinesa de Shandong
Getty Images via BBC
Cerca de um a cada cinco petroleiros no oceano faz parte da frota fantasma, segundo a S&P. São navios corroídos, que navegam sob bandeiras obscuras, para contrabandear petróleo de países objeto de sanções.
Destes, 50% transportam apenas petróleo russo e seus derivados, 20% apenas do Irã e 10%, apenas da Venezuela. Mas os 20% restantes não são afiliados a nenhum país e transportam petróleo produzido por mais de um dos países sancionados.
A maior frota, que serve a Rússia, o Irã e a Venezuela, tem como destino principal a Índia e a China, os países mais populosos do mundo e os maiores importadores de petróleo e derivados por via marítima.
Compradores de petróleo russo em menor quantidade incluem a Turquia, Singapura e os Emirados Árabes Unidos.
Para encobrir seus rastros, os navios da frota fantasma usam diversos artifícios:
eles realizam transferências de petróleo para outras embarcações em águas internacionais, onde o acompanhamento das autoridades portuárias é menor; às vezes, essas transferências ocorrem sob mau tempo, para ocultar a origem da carga
os navios também desligam ou manipulam seu sistema automático de identificação, que transmite dados como sua posição, velocidade, rota, nome, bandeira e tipo de navio; às vezes, eles falsificam suas localizações de forma tão desastrada que são mostrados como se estivessem "navegando em terra", como ocorreu com o navio Black Pearl, na série de filmes Piratas do Caribe (2003-2017)
eles são transformados em "navios fantasmas", ocultando dados do proprietário, alterando sua bandeira de registro, navegando sem bandeira ou até alterando o nome do petroleiro várias vezes por mês
outros passam a ser "navios zumbis", transmitindo números de registro da Organização Marítima Internacional que, na verdade, são atribuídos a navios programados para desmonte, como se usassem a identidade de uma pessoa morta
O número de navios com bandeiras falsas cresceu em pelo menos 65% entre janeiro e agosto de 2025, segundo a empresa de análises marítimas Windward. Ela estima que a frota fantasma compreenda, agora, 1,3 mil navios.
Os serviços de registro de bandeiras também dispararam. Muitos são simplesmente fraudes.
Embora outros sejam tecnicamente legais, os países emitentes são novos neste setor e não possuem disposição ou capacidade de monitorar o uso de suas bandeiras.
"Segundo a regulamentação da navegação global, os Estados emissores das bandeiras detêm a tarefa de garantir que os padrões técnicos sejam seguidos e que haja seguro adequado contra vazamentos de petróleo", segundo Hilgenstock.
"Mas, em relação à frota fantasma da Rússia, estamos falando de jurisdições que, simplesmente, não são confiáveis para desempenhar esta função."
Em outubro de 2025, um petroleiro com bandeira do Benin, suspeito de servir de plataforma de lançamento de drones misteriosos que forçaram o fechamento de aeroportos na Dinamarca, foi detido perto do litoral da França.
Inicialmente, o promotor público de Brest, na França, Stéphane Kellenberger, declarou à agência de notícias France-Presse que a detenção ocorreu devido à "recusa da tripulação a cooperar" e à "falta de justificativa para a nacionalidade do navio".
O navio se chamava Boracay e havia recentemente mudado de nome. Antes, ele se chamava Pushpa e já havia sido batizado como Odysseus, Varuna e Kiwala — e navegado com sete bandeiras diferentes.
Ao ser interceptado pela marinha francesa, ele transportava 750 mil barris de petróleo provenientes do terminal petrolífero russo de Primorsk, perto de São Petersburgo, para Vadinar, no oeste da Índia.
Houve também incursões suspeitas de drones russos nos céus de três aliados da Otan: Suécia, Noruega e Alemanha. E, no dia 6 de novembro de 2025, o aeroporto de Bruxelas, na Bélgica, foi forçado a fechar temporariamente, quando drones foram identificados em locais próximos e em outras regiões do país, incluindo uma base militar.
A Rússia nega que esteja travando uma "guerra híbrida" contra aliados da Ucrânia.
Como resultado da investigação sobre o Boracay, países da Otan lançaram a missão Sentinela do Báltico.
"Os capitães dos navios precisam entender que potenciais ameaças à nossa infraestrutura terão consequências, incluindo possíveis abordagens, apreensões e prisões", afirmou o secretário-geral da Otan, Mark Rutte.
O Reino Unido, Dinamarca, Suécia e Polônia afirmam que estão inspecionando documentos de seguro no Canal da Mancha, nos estreitos dinamarqueses, no golfo da Finlândia e no estreito entre a Suécia e a Dinamarca.
Já a Estônia, Finlândia, Alemanha, Islândia, Letônia, Lituânia, Holanda e Noruega concordaram em "interceptar e deter" navios fantasmas da Rússia, em resposta a diversos cortes de cabos e incidentes submarinos sem explicação, perto de infraestrutura crítica instalada no mar Báltico.
Mas os navios da frota fantasma só podem ser interceptados nos portos ou em águas territoriais, uma zona estreita a 12 milhas náuticas (cerca de 22 km) do litoral.
Em águas internacionais, a interceptação é muito mais difícil, especialmente porque o Ocidente é o principal defensor da liberdade de navegação no mundo. E, segundo o princípio de "passagem inocente", os Estados só podem interceptar navios que eles acreditem ameaçar a sua segurança.
Políticos russos reivindicam que eventuais ações hostis contra petroleiros transportando petróleo produzido no país sejam considerados um ataque à Rússia. E, quando a Estônia tentou deter um petroleiro que navegava sem bandeira entre a Estônia e a Finlândia, em maio de 2025, Moscou enviou um jato de combate para voar em torno dele.
Mas a frota fantasma pode representar uma ameaça ainda maior do que à segurança global.
As principais empresas de navegação normalmente aposentam os petroleiros com cerca de 15 anos de serviço. E, aos 25, eles são normalmente transformados em sucata.
Mas os navios da frota fantasma não são aceitos para desmantelamento. E, em dezembro de 2024, autoridades russas tiveram dificuldades para conter até 5 mil toneladas de petróleo, que vazaram de dois petroleiros de 50 anos danificados em uma forte tempestade de fim de semana, no estreito de Kerch.
Um importante cientista russo considerou o vazamento a pior "catástrofe ambiental" do país no século 21.
"Esta é a primeira vez em que houve vazamento de óleo combustível nessas quantidades", declarou a um jornal russo o chefe da Academia Russa de Ciências, Viktor Danilov-Danilyan.
Empresas de fachada em jurisdições como Dubai, nos Emirados Árabes Unidos — algumas delas, financiadas por empresas petrolíferas russas, segundo o jornal Financial Times — compram navios no fim da sua vida útil, desestabilizando o mercado e desestimulando o investimento em novos petroleiros.
Em seguida, um rápido processo de compra e venda por anônimos ou empresas recém-formadas obscurece o rastreamento dos navios.
E a manutenção dos petroleiros é tão ruim quanto a sua regulamentação, deixando os navios sujeitos a vazamentos e falhas mecânicas. Transponders quebrados ou desligados também aumentam o risco de colisão com outros navios em águas rasas.
Mas este negócio clandestino e de alto risco é extremamente lucrativo.
Um petroleiro capaz de atravessar o canal de Suez com 15 anos de idade custa cerca de US$ 40 milhões (cerca de R$ 202 milhões), segundo a corretora Xclusiv Shipbrokers. Já a S&P afirma que uma única viagem de um mês transportando petróleo russo do mar Negro para a Índia pode render para o seu dono mais de US$ 5 milhões (cerca de R$ 25,2 milhões).
Os donos de navios fantasmas embolsam os lucros, repassando os possíveis prejuízos para o resto do mundo. Afinal, sem a cobertura de seguro, alguém terá que pagar pelos danos no caso de acidentes ou vazamentos de óleo.
E, mesmo quando as sanções forem levantadas, a marinha fantasma continuará navegando e formando novos grupos em outros setores do transporte marítimo.
Já estão surgindo os esboços de uma "Frota Fantasma 2.0", segundo a publicação especializada Lloyd's List. Ela menciona, como exemplo, um navio porta-contêineres chinês chamado Heng Yang 9, identificado repetidas vezes em rotas entre a Ucrânia ocupada pela Rússia e Istambul, na Turquia.
Com colaboração e edição de Olga Sawczuk, do Serviço Mundial da BBC
OpenAI derrota ação da xAI sobre suposto roubo de segredos comerciais

Uma juíza federal dos Estados Unidos rejeitou nesta segunda-feira uma ação movida pela xAI, empresa de inteligência artificial de Elon Musk, que acusava a OpenAI, de Sam Altman, de se apropriar de segredos comerciais da companhia.
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A juíza Rita Lin, de São Francisco, afirmou que a xAI não conseguiu comprovar que a OpenAI incentivou o ex-engenheiro da empresa Xuechen Li a obter informações confidenciais de forma indevida.
Segundo a magistrada, também não há evidências de que Li tenha revelado segredos comerciais da xAI durante uma apresentação feita enquanto participava de um processo de recrutamento da OpenAI.
Lin encerrou o processo de forma definitiva, afirmando que seria "inútil" permitir que a xAI continuasse com a ação. Em fevereiro, ela já havia rejeitado uma versão anterior do processo.
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Apresentada originalmente em setembro do ano passado, a ação alegava que ex-funcionários da xAI levaram informações confidenciais da empresa, incluindo códigos-fonte relacionados ao chatbot Grok, ao deixarem seus cargos para trabalhar na OpenAI.
A decisão de segunda-feira (15) representa a segunda derrota judicial de Musk contra a OpenAI em quatro semanas.
Em 18 de maio, um júri federal decidiu contra o homem mais rico do mundo em seu processo de US$ 150 bilhões, no qual acusava a OpenAI e Altman de "roubarem uma instituição de caridade" ao traírem a missão original da empresa como uma organização sem fins lucrativos para enriquecerem a si mesmos.
A xAI integra o grupo SpaceX, controlado por Elon Musk e com atuação nas áreas espacial, de satélites e de inteligência artificial.
Os advogados da xAI não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. A OpenAI e seus advogados também não responderam imediatamente a pedidos semelhantes.
O logotipo da OpenAI é visto em um telefone celular em frente a uma tela de computador que exibe a tela inicial do ChatGPT
AP/Michael Dwyer, Arquivo
Rotina de trabalho
A ação da xAI se baseava em uma apresentação feita por Li antes de ser recrutado pela OpenAI.
A empresa de Musk afirmou que a OpenAI tentou obter segredos relacionados ao lançamento do Grok 4, previsto para julho de 2025.
Segundo a acusação, a empresa sabia que uma futura atualização do ChatGPT “não conseguiria competir” em raciocínio complexo e estaria “atrasada” em técnicas como aprendizado por reforço e pós-treinamento, nas quais Li teria expertise.
A juíza, porém, afirmou que é rotina pedir a candidatos que discutam experiências profissionais anteriores e que não há evidências de que a OpenAI tenha pressionado Li a revelar informações confidenciais.
“Sustentar o contrário poderia expor empregadores a responsabilidades legais sempre que questionassem o histórico profissional de um candidato”, escreveu o juiz Lin.
A OpenAI afirmou que Li nunca trabalhou para a empresa e que jamais obteve segredos da xAI.
Ao pedir o arquivamento do processo, os advogados da OpenAI afirmaram: “A OpenAI não precisa nem quer segredos comerciais de ninguém, especialmente da xAI, que está fracassando no mercado e perdendo talentos em ritmo acelerado.”
Li é processado separadamente pela xAI e nega qualquer irregularidade.
Ministro da Fazenda defende revisão do cálculo da inflação no Brasil

Secretário executivo da Fazenda, Dario Durigan.
Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, se mostrou favorável a discutir possíveis ajustes na forma como a inflação é calculada no Brasil, argumentando que estudiosos apontam uma defasagem na lista de itens usados para medis a alta de preços.
Em podcast produzido pela Warren Investimentos, Durigan afirmou que o modelo atual ainda dá mais importância a itens que perderam relevância, enquanto outros, que ganharam peso nos últimos anos, têm menor representação.
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"O nosso modelo, por exemplo, dá peso para coisas que hoje não têm mais o peso que tinham anteriormente, e coisas que hoje têm peso, assinatura de streaming, serviço de nuvem às vezes já pesam muito mais do que algo que estava na metodologia há décadas", afirmou.
A entrevista foi gravada na sexta-feira (12) e divulgada nesta segunda-feira (15).
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O ministro também disse ver com bons olhos o debate sobre aprimoramentos no boletim Focus, do Banco Central, para que a pesquisa ganhe mais transparência. O Focus é um relatório divulgado pelo BC que reúne projeções do mercado para inflação, juros e economia.
Na entrevista, Durigan afirmou que não mexeria na meta de inflação, atualmente em 3%, embora avalie que o modelo de meta de inflação contínua (em que a meta é válida o tempo todo, e não apenas em um período específico) adotado pelo governo ainda não tenha sido plenamente compreendido pela sociedade e por estudiosos.
Ao abordar o elevado nível de juros no país, Durigan apontou as oscilações no dólar e o baixo nível de poupança como fatores que impactam negativamente a política de juros do país.
"A questão da poupança é um elemento importante, a volatilidade no mercado de câmbio brasileiro é outro mecanismo que a gente ouve muito, ainda que não se diga muito isso, tem um prêmio de risco que o Brasil tem que pagar para garantir alguma estabilidade", disse.
O ministro também reconheceu que a política fiscal influencia diretamente os juros da economia e defendeu conter o avanço das despesas obrigatórias para abrir espaço para investimentos.
Ele voltou a afirmar que o governo insistirá nas negociações para que o Congresso Nacional não aprove pautas-bomba, de elevado impacto fiscal, que poderiam afetar a inflação, a carga tributária e o nível dos juros.
Caso as medidas sejam aprovadas, segundo o ministro, o governo deverá vetá-las e poderá acionar o Supremo Tribunal Federal (STF).
A equipe econômica estimou na semana passada que propostas em tramitação no Congresso somam um custo extra estimado em R$ 111 bilhões por ano para as contas públicas, incluindo medidas como a renegociação de dívidas rurais, a elevação do teto do Simples Nacional e o aumento de pisos salariais de categorias profissionais.
Ex-presidente da Caixa na gestão Bolsonaro, Daniella Marques vai atuar em plano econômico de Flávio

Flávio escolhe ex-integrante do Governo Bolsonaro para campanha
Ex-presidente da Caixa Econômica Federal e ex-assessora especial do Ministério da Economia durante a gestão Paulo Guedes, no governo Jair Bolsonaro, Daniella Marques passou a fazer oficialmente parte do time que elabora o programa econômico do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL).
Ao blog, Daniella afirmou que se licenciou por seis meses da empresa que trabalha, a Legend, para “ajudar o Brasil”. Segundo ela, a ideia é propor um modelo econômico “mais austero e virtuoso”.
A informação de que Daniella estava se licenciando da empresa para se dedicar ao programa de governo de Flávio foi antecipada pelo jornal "O Globo". Ao blog, Daniella se disse "indignada" com os gastos do atual governo em ano eleitoral.
Ela já vinha atuando informalmente nos contatos de Flávio para difundir ideias econômicas.
Ao trazer um nome próximo a Paulo Guedes para seu plano econômico, Flavio tenta atrair o mercado financeiro, em especial depois da crise sobre o filme "Dark Horse" e dos recursos pedidos por Flávio a Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Com Daniella Marques, o pré-candidato do PL também tenta melhorar sua imagem com o eleitorado feminino.
Quem é Daniella Marques?
Daniella Marques, ex-presidente da Caixa na gestão Jair Bolsonaro
Eraldo Peres/AP
Próxima de Paulo Guedes, a ex-presidente da Caixa tem experiência na área de gestão independente de fundos de investimentos. Foi sócia do ex-ministro na Bozano Investimentos, onde atuou como Diretora de Compliance e Operações e Financeiras (COO e CFO).
Ela tem formação de administradora de Empresas pela PUC-RJ com MBA em Finanças pelo Ibmec. Também foi diretora-executiva da Oren Investimentos; e, na Mercatto Investimentos, diretora de Risco e Compliance, Sócia e Gestora de Renda Variável.
Na gestão Bolsonaro, Daniella Marques também atuou na Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia.
Ela entrou no governo do político do PL, como chefe da Assessoria Especial de Assuntos Estratégicos do ministro Paulo Guedes, em janeiro de 2019.
Grande fã de Musk, bilionário Ron Baron compra US$ 1 bilhão de ações em IPO da SpaceX; saiba quem é

Uma transmissão ao vivo mostra o CEO da SpaceX, Elon Musk, no dia da oferta pública inicial (IPO) da SpaceX no Nasdaq MarketSite, na cidade de Nova York, EUA, 12 de junho de 2026.
REUTERS/Jeenah Moon
O fundador, presidente e gestor de portfólio da Baron Capital, Ron Baron, afirmou nesta segunda-feira (15) que comprou US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) em ações da SpaceX na oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da companhia, na sexta-feira (12) da semana passada.
Com isso, o bilionário elevou sua participação na empresa para US$ 25 bilhões (R$ 127,1 bilhões), considerando todos os fundos geridos por ele.
"Acredito que vamos ganhar centenas de bilhões de dólares [com o investimento]", afirmou Baron em entrevista ao canal americano CNBC.
Baron é conhecido no mercado financeiro por ser um dos maiores fãs de Elon Musk, fundador da SpaceX e da Tesla. Segundo a Forbes, o gestor de fundos ficou bilionário ao investir em empresas de Musk.
Agora no g1
"O que eles fizeram não é algo que qualquer outra empresa consiga fazer", disse Baron à CNBC. "Eles estão pelo menos 10 anos à frente de qualquer concorrente, seja na fabricação de foguetes, satélites ou na construção de redes".
De acordo com Baron, sua expectativa é que o valor de mercado da SpaceX aumente muito nos próximos dez anos, ficando entre US$ 20 trilhões (R$ 101,7 trilhões) e US$ 40 trilhões (R$ 203,3 trilhões). No fechamento dos mercados na última sexta-feira, a empresa valia US$ 2,1 trilhões (R$ 10,7 trilhões).
Ainda segundo a Forbes, Tesla e SpaceX são as duas empresas com as maiores participações de Baron, seguidas pela empresa de seguros Arch Captial Group, a companhia de tecnologia Gartner e o fornecedor de dados imobiliários comerciais CoStar Group.
Quem é Ron Baron
Com uma fortuna estimada em US$ 8 bilhões (R$ 40,7 bilhões), Baron é a 455ª pessoa mais rica do mundo em 2026, segundo a Forbes.
De acordo com a revista, o bilionário é presidente e fundador da Baron Funds, empresa de gestão de ativos fundada em 1982 e que administra cerca de US$ 53 bilhões (R$ 269,4 bilhões) em recursos.
Ainda segundo a Forbes, Baron é dono de uma das maiores propriedades nos Hamptons, região litorânea de alto padrão no estado de Nova York. O custo da sua residência era de, inicialmente, US$ 152 milhões (R$ 772,6 bilhões) — valor que deve ter aumentado nos últimos anos.
Baron é filho de um engenheiro e de uma agente de compras do governo federal, e gostaria de ter sido médico, mas não conseguiu entrar na faculdade de medicinia.
Segundo a Forbes, Baron é conhecido no mercado financeiro por ser um grande fã do bilionário e empresário Elon Musk. Em 2024, por exemplo, o principal fundo de sua empresa, o Baron Partners Fund detinha cerca de 40% de seus ativos investidos na Tesla e outros 17% investidos na SpaceX.
Com 'gatilho' na regra fiscal, servidor público não terá reajuste acima da inflação em 2027, diz ministro da Fazenda

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (15) que o governo não poderá conceder reajuste aos servidores públicos acima da inflação em 2027 por conta de um "gatilho" existente na regra das contas públicas.
A declaração foi dada durante participação no podcast Warren Política, conduzido pelo economista Felipe Salto.
"Temos o novo marco fiscal, criamos um gatilho adicional. Ano que vem não vamos ter ganho real ao servidor público, o que é um ganho [em termos de contenção de despesas] em um primeiro ano de governo", disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Agora no g1
Entenda
O arcabouço fiscal, a regra para as contas públicas, foi aprovada em 2023, no primeiro ano do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A regra limita a despesa 70% da alta da receita, ou a 2,5% ao ano (acima da inflação).
➡️No fim de 2024, porém, o Congresso Nacional aprovou um reforço à regra, definindo que, em caso de déficit primário, ficará proibida a concessão, ampliação ou prorrogação de incentivos ou benefícios tributários.
🔎 O déficit primário ocorre quando receitas com tributos e impostos ficam abaixo das despesas do governo, sem considerar os gastos com o pagamento de juros da dívida pública. Já o superávit primário ocorre quando as receitas com impostos ficam acima das despesas – também desconsiderando juros da dívida.
A regra diz que a medida será adotada no ano seguinte ao que for registrado rombo nas contas do governo. E só poderá ser interrompida quando houver superávit primário. Como foi registrado déficit fiscal em 2025, os gastos serão contidos por esse gatilho em 2027.
➡️O resultado negativo nas contas também é um estopim para acionar limites ao aumento de gastos do governo com pessoal (salários e encargos sociais, por exemplo, de servidores ativos, inativos e pensionistas).
📈 Segundo a proposta, até 2030, estas despesas não poderão ter crescimento superior ao piso de reajuste das despesas permitido pelo arcabouço fiscal — 0,6% ao ano acima da inflação.
Dario Durigan
Washington Costa/MF
Acordo com servidores
Em 2024, o governo fechou um acordo com servidores do Executivo contemplando reajustes salariais aprovadas ou em discussões no âmbito das Mesas Específicas e Temporárias de Negociação, além das reestruturações de carreiras O acordo abrangeu, à época, 98,2% dos servidores do governo federal.
Os acordos contemplam aumentos salariais para os servidores em 2025 e 2026, com diferentes índices de correção. Algumas categorias fecharam negociações posteriormente, contemplando tabém reajustes escalonados.
Naquele ano, a ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, afirmou que os acordos não só garantiriam a reposição inflacionária para todo o mandato do presidente Lula, como haveria, ainda, um ganho real (acima da inflação esperada para os quatro anos).
Justiça aprova pedido de recuperação judicial da dona da Tok&Stok e da Mobly

Mobly faz acordo para comprar controle da Tok&Stok.
Reprodução/ Mobly / Tok&Stok
O Grupo Toky, dono da Tok&Stok e da Mobly, afirmou nesta segunda-feira (15) que a Justiça aprovou o pedido de recuperação judicial da companhia e de suas subsidiárias.
🔎 Recuperação judicial é um processo em que uma empresa com dificuldades financeiras pede proteção à Justiça para renegociar dívidas e evitar a falência, enquanto continua funcionando.
A empresa entrou com o pedido de recuperação judicial em maio deste ano, na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo, citando uma dívida superior a R$ 1 bilhão.
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Na ocasião, a companhia informou que a decisão foi tomada após dificuldades enfrentadas pelo setor de móveis e decoração, como juros altos, aumento do endividamento das famílias e crédito mais restrito.
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Segundo a empresa, esse cenário reduziu as vendas e afetou o caixa do grupo. A Toky também afirmou que vinha negociando a reestruturação das dívidas da Tok&Stok com credores, mas que o endividamento continuou crescendo.
A companhia afirmou que o objetivo do pedido é preservar as operações, manter os serviços e criar condições para renegociar as obrigações financeiras.
'Risco de dano irreparável'
No pedido de recuperação judicial protocolado na Justiça de São Paulo, o Grupo Toky solicitou medidas urgentes para evitar o colapso das operações e garantir a continuidade das atividades, citando "risco de dano irreparável" nas operações da companhia.
Um dos principais pedidos da empresa é a liberação imediata de cerca de R$ 77 milhões em valores de vendas feitas no cartão de crédito que estão retidos pela SRM Bank.
Segundo o grupo, o bloqueio desses valores afetou o caixa da empresa e colocou em risco pagamentos básicos, como salários de mais de 2 mil funcionários.
A companhia também pediu à Justiça a suspensão, por 180 dias, de cobranças e ações por dívidas enquanto tenta renegociar os débitos com credores (o chamado “stay period”).
Outro ponto do pedido é a manutenção de contratos e serviços considerados essenciais para o funcionamento da empresa.
O grupo quer impedir interrupções em operações de logística, transporte, sistemas digitais, computação em nuvem, energia elétrica e abastecimento de água.
O que é o Grupo Toky
O Grupo Toky foi criado em 2024 após a união entre a Mobly e a Tok&Stok, duas marcas tradicionais do setor de móveis e decoração no Brasil.
A fusão deu origem a um dos maiores grupos de varejo de casa e decoração da América Latina, combinando operações físicas e digitais.
A Mobly foi fundada em 2011 por Victor Pereira Noda, Marcelo Rodrigues Marques e Mário Carlos Fernandes Filho, com foco em vendas online de móveis e itens de decoração.
A empresa recebeu investimentos da Rocket Internet e expandiu sua atuação para lojas físicas, contando atualmente com 11 unidades entre megastores, outlets e lojas compactas.
Já a Tok&Stok foi fundada em 1978 pelos franceses Régis e Ghislaine Dubrule. A marca ganhou espaço no mercado brasileiro ao apostar em móveis modernos, modulares e acessíveis, acompanhando o crescimento da classe média urbana e do mercado de apartamentos no país.
O grupo também reúne a marca Guldi, voltada ao segmento de colchões.
*Com informações da agência de notícias Reuters.
Levi’s ironiza exigência da Fifa para a Copa de 2026 e brinca com logo coberto em estádio

Logo da marca coberto no estádio.
Reprodução/X
A Levi’s ironizou, no último domingo (14), a cobertura do logo da marca no Levi’s Stadium — estádio localizado em São Francisco e que leva o nome da empresa como parte de um contrato de naming rights.
A medida foi uma exigência da Federação Internacional de Futebol (Fifa) durante a realização dos jogos da Copa do Mundo de 2026.
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Pelas regras da entidade, estádios que tenham marcas em seus nomes são obrigados a esconder os logotipos e são rebatizados durante o torneio — o Levi’s Stadium, por exemplo, foi chamado de “San Francisco Stadium” para o Mundial.
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Em uma publicação nas redes sociais, a Levi’s compartilhou imagens do logo coberto por um pano branco, acompanhadas de frases que fazem parte de uma tendência na internet e ironizam a situação.
A ideia é sugerir que, mesmo com o nome oculto, as pessoas ainda reconheceriam o estádio como o Levi’s Stadium. Veja abaixo:
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A empresa também aproveitou para mudar sua foto de perfil nas redes sociais, adotando a imagem do logo coberto por um pano branco.
Após as mudanças, seguidores da Levi’s nas redes sociais entraram na brincadeira e elogiaram a estratégia de marketing da marca.
Levi's muda imagem de perfil para o logo coberto com um pano branco.
Reprodução/Instagram
Fox compra Roku por US$ 22 bilhões

Fachada da Roku em um prédio no Texas, nos EUA.
Mike Blake/Reuters
A Fox Corporation anunciou nesta segunda-feira (15) que firmou um acordo para a compra da Roku, plataforma e sistema operacional de televisões, voltada a facilitar o acesso a serviços de streaming.
A aquisição será feita por meio de uma combinação de dinheiro e ações ordinárias (com direito a voto), em um negócio de aproximadamente US$ 22 bilhões (R$ 111,8 bilhões). O preço pago por ação será de US$ 160 (R$ 813,23).
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A transação combina o conteúdo de esportes, notícias e entretenimento da Fox e o serviço Tubi com a plataforma de streaming, o The Roku Channel, dados primários da companhia e relacionamento direto com mais de 100 milhões de lares.
A empresa resultante da fusão se tornará a terceira maior do setor de televisão dos EUA em termos de participação de audiência, informaram as empresas.
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"Juntas, Fox e Roku criarão uma empresa de mídia e tecnologia de última geração em grande escala, posicionada na interseção de duas das forças mais importantes que estão remodelando o consumo de vídeo: a primazia duradoura dos esportes e notícias ao vivo e o crescimento contínuo do streaming", afirmou a empresa em comunicado feito ao mercado.
A Roku é uma das primeiras empresas a levar plataformas de streaming como Netflix e YouTube para a televisão por meio de dispositivos conectados e smart TVs.
Seus negócios são impulsionados principalmente pela receita de publicidade e assinaturas de aplicativos de streaming em sua plataforma. A publicidade é o maior componente, com receita de US$ 613 milhões (R$ 3,1 bilhões) no primeiro trimestre — um aumento de 27% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Após a conclusão, os atuais acionistas da Fox deverão deter cerca de 73% da empresa resultante da fusão e os acionistas da Roku, cerca de 27%. A expectativa é que o negócio seja concluído no primeiro semestre de 2027.
Segundo o presidente-executivo e diretor-executivo da Fox Corporation, Lachlan Murdoch, a combinação "transformará o escopo" da empresa e deve trazer uma mudança "significativa" no perfil de crescimento.
"Executamos essa aquisição a partir de uma posição de solidez financeira — mantendo nosso balanço patrimonial com grau de investimento, enquanto oferecemos aos nossos acionistas um programa ininterrupto de retorno de capital na forma de recompra de ações e dividendos", afirmou em nota.
Ainda de acordo com a empresa, a expectativa é que a transação acelere a estratégia digital da Fox, contribua para o aumento do fluxo de caixa. A empresa espera economizar cerca de US$ 400 milhões (cerca de R$ 2 bilhões) por ano com redução de custos, além de ter a chance de aumentar suas receitas.
*Com informações da agência de notícias Reuters.
Dólar sobe e fecha em alta com sinalização de acordo EUA–Irã; Ibovespa cai

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar fechou em alta nesta segunda-feira (15), com avanço de 0,09%, cotado a R$ 5,0666. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou o pregão em queda de 0,42%, aos 170.415 pontos.
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▶️ O novo acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã traz alívio para os mercados financeiros nesta segunda-feira. A expectativa é que o memorando seja assinado na próxima sexta-feira (19), na Suíça. Nenhuma das duas partes informou o conteúdo do tratado, mas, segundo a imprensa americana, o entendimento incluiria, entre outros pontos, a reabertura do Estreito de Ormuz e uma nova trégua, incluindo o Líbano.
Com a iminência de um acordo, os preços do petróleo fecharam em queda nesta segunda-feira. O barril do Brent, referência internacional, caiu 4,76%, cotado a US$ 83,17. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, recuou 4,86% no mesmo horário, a US$ 80,75 por barril.
▶️ Outro destaque da semana fica com a chamada "Superquarta" — momento em que os bancos centrais do Brasil e dos EUA anunciam suas decisões de juros. O mercado espera a manutenção da taxa básica americana por parte do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), em meio aos sinais de preços ainda elevados no país. Já por aqui, a estimativa é de um novo corte de 0,25 ponto percentual (p.p.) pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: +0,09%;
Acumulado do mês: +0,48%;
Acumulado do ano: -7,69%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: -0,42%;
Acumulado do mês: -1,82%;
Acumulado do ano: +5,89%.
Sinais de avanço nas negociações entre EUA e Irã
Os EUA e o Irã chegaram a um acordo para encerrar a guerra no último domingo (14), segundo informações confirmadas pelo presidente americano, Donald Trump e o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif. (acompanhe os principais acontecimentos)
Em uma publicação na rede social X (antigo Twitter), Sharif declarou que "ambos os lados declararam o encerramento imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano".
Ainda segundo o premiê paquistanês, a cerimônia oficial de assinatura do tratado está marcada para o dia 19 de junho, na Suíça.
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, também publicou a informação em uma postagem na rede Truth Social.
"O acordo com a República Islâmica do Irã está agora concluído. Parabéns a todos!", declarou Trump.
Os detalhes do acordo não foram divulgados imediatamente, mas a estimativa é que questões como o programa nuclear iraniano deverão ser abordadas posteriormente.
Segundo a mídia internacional, o memorando de entendimento deve prever:
um novo cessar-fogo de 60 dias em 'todas as frentes', incluindo o Líbano;
a reabertura imediata do Estreito do Ormuz — que, segundo Trump, deve ficar para sexta-feira, para que minas sejam retiradas do local;
o Irã também não deverá cobrar taxas das embarcações, e o tráfico local volte aos níveis pré-guerra em 30 dias;
que os EUA também levantem o bloqueio naval que fazem na entrada de Ormuz;
que sanções ao Irã sejam flexibilizadas progressivamente;
que o Irã se comprometa a não obter uma arma nuclear.
Apesar do acordo, Israel afirmou que não vai retirar suas tropas da região do Líbano e o Hezbollah afirmou que vai observar o cumprimento da trégua por parte do governo israelense.
Mercados globais
Com o otimismo em torno de um possível fim do conflito no Oriente Médio, as bolsas globais fecharam em alta nesta segunda-feira.
Nos EUA, o Dow Jones avançou 0,96%, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq Composite subiram 1,67% e 3,07%, respectivamente.
Na Europa, a maioria dos índices fechou em alta. O índice pan-europeu STOXX 600 atingiu uma máxima recorde nesta segunda-feira, com praticamente todos os setores registrando ganhos.
Entre as principais bolsas da região, o DAX, da Alemanha, teve um avanço de 1,05%, enquanto o CAC-40, da França, subiu 0,40% e o FTSE 100, do Reino Unido, caiu 0,39%.
Na Ásia, as ações da China e de Hong Kong se fecharam em alta nesta segunda-feira. O CSI300, que reúne as maiores companhias envolvidas em Xangai e Shenzen, avançou 2,4%. Já o Hang Seng teve alta de 0,5%.
No Japão, o Nikkei subiu 4,99%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, avançou 5,20%.
*Com informações da agência de notícias Reuters.
Notas de dólar.
Dado Ruvic/ Reuters
Departamento de Justiça dos EUA aprova compra da Warner Bros pela Paramount

Foto ilustrativa mostra logotipos da Paramount e da Warner Bros
Reuters
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos aprovou na sexta-feira (12) a aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance em um negócio avaliado em US$ 110 bilhões, concluindo que a operação não representa risco à concorrência nos mercados de streaming, televisão ou cinema.
A decisão dá mais um aval regulatório à fusão, embora o acordo ainda enfrente análises de outros órgãos e possíveis ações judiciais nos Estados Unidos e no exterior.
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Em comunicado, a divisão antitruste do Departamento de Justiça informou que a transação não ameaça a competição no setor de mídia e entretenimento.
Com isso, a Paramount ganha mais um sinal verde enquanto tenta evitar uma contestação do negócio por estados americanos.
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A empresa ainda aguarda uma decisão da Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC), que analisa um pedido relacionado aos investimentos estrangeiros que financiam a aquisição.
Senadores americanos levantaram preocupações sobre a participação de fundos soberanos do Oriente Médio e de empresas chinesas na operação.
O acordo, avaliado em US$ 110 bilhões, criará um dos maiores grupos de mídia do mundo, reunindo ativos como HBO, CNN, CBS e grandes estúdios responsáveis por franquias como Harry Potter e Missão: Impossível.
A Paramount sustenta que a fusão aumentará a concorrência com gigantes do streaming, como a Netflix e a Disney, e nega que o negócio represente problemas antitruste.
Apesar da aprovação do Departamento de Justiça, a operação continua enfrentando resistência.
Estados como Califórnia e Nova York preparam uma ação judicial para tentar barrar a compra, segundo fontes ouvidas pela Reuters na semana passada.
Além disso, a fusão também está sob análise de reguladores no Reino Unido e na União Europeia.
A Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA) britânica abriu uma investigação para avaliar os impactos do negócio sobre a concorrência, enquanto autoridades europeias também examinam a operação.
O acordo enfrenta ainda críticas de profissionais de Hollywood, incluindo atores, diretores, roteiristas e produtores, que temem perda de empregos e redução da diversidade de produções após a integração das empresas.
Analistas consultados pela Reuters já esperavam que o Departamento de Justiça não contestasse a transação.
Entre os fatores apontados estão as conexões políticas da Paramount: Larry Ellison, cofundador da Oracle e pai do CEO da empresa, David Ellison, mantém laços com o presidente Donald Trump, e a companhia contratou ex-integrantes da administração republicana.
*Com informações da Reuters
Mercado financeiro sobe para 5,30% estimativa de inflação em 2026 e projeta corte menor de juros

O mercado financeiro elevou novamente sua estimativa média para a inflação em 2026, que avançou para 5,30%. Esta é décima quarta semana seguida de aumento.
Os economistas também passaram a projetar um corte menor de juros neste e nos próximos anos (veja mais abaixo nessa reportagem).
As expectativas fazem parte do "Boletim Focus", divulgado nesta segunda-feira (15) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras.
A explicação é que a guerra no Oriente Médio fez disparar o preço do petróleo e, por isso, tem potencial de pressionar a inflação brasileira (via aumento dos combustíveis).
Com o acordo de paz anunciado neste domingo (14) entre os Estados Unidos e o Irã, o petróleo já mostrou queda neste início de semana, operando ao redor de US$ 84 por barril.
➡️ Para 2026, a estimativa de inflação subiu de 5,11% para 5,30%;
➡️ Para 2027, a expectativa avançou de 4,03% para 4,10%;
➡️ Para 2028, a previsão subiu de 3,65% para 3,68%;
➡️ Para 2029, a estimativa permaneceu em 3,50%.
Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%.
🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento.
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Corte dos juros
Mesmo com aumento da projeção de inflação neste ano e nos próximos, o mercado financeiro continuou projetando queda dos juros.
Atualmente, a taxa está em 14,50% ao ano — após dois cortes neste ano.
A estimativa do mercado para a taxa Selic ao fim de 2026, porém, subiu de 13,50% para 13,75% ao ano na última semana, embutindo uma redução menor dos juros no decorrer deste ano.
Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado passou de 11,50% para 12% ao ano.
Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas avançou de 10% para 10,25% ao ano.
Atividade econômica
Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, a estimativa do mercado subiu de 1,91% para 1,96%.
O resultado oficial do PIB do ano passado foi uma expansão de 2,3%, conforme divulgação oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
➡️ O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir o desempenho da economia.
Para 2027, a projeção de crescimento do PIB permaneceu em 1,70%.
Imagem de arquivo - Produto Interno Bruto (PIB)
Fernando Brito/G1
Taxa de câmbio
O mercado financeiro elevou sua estimativa para a taxa de câmbio ao fim deste ano de R$ 5,15 para R$ 5,20 por dólar.
Para o fechamento de 2027, a projeção dos economistas dos bancos subiu de R$ 5,20 para R$ 5,25 por dólar.
Bolsas mundiais sobem e petróleo cai após anúncio de possível acordo entre EUA e Irã

Paquistão anuncia acordo de paz na guerra entre Estados Unidos e Irã
As bolsas de valores ao redor do mundo subiram nesta segunda-feira (15) depois que Estados Unidos e Irã anunciaram um acordo preliminar para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.
A notícia reduziu a preocupação dos investidores e também provocou uma forte queda no preço do petróleo. Na Ásia, as bolsas fecharam em forte alta, e o clima de otimismo também impulsionou a abertura dos mercados na Europa.
Veja como reagiram os principais mercados:
🛢️ Petróleo
O barril do Brent, referência internacional, era negociado a US$ 83,24, em queda de 4,68% perto das 14h40.
No mesmo horário, o WTI, referência nos EUA, recuava 5,10%, para US$ 80,55.
Ambos os contratos caíram para seus níveis mais baixos desde 10 de março nesta segunda, após uma queda de mais de 3% na sexta-feira (12).
📉 Bolsas da Europa:
DAX, da Alemanha, fechou em alta de 1,05%
FTSE 100, do Reino Unido, caiu 0,39%
O CAC 40, da França, teve alta de 0,40%
💵Dólar, Ibovespa e Wall Street
Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street tinham ganhos. Perto das 14h40, o Dow Jones avançava 1,36%, o S&P 500 tinha alta de 1,91% e o Nasdaq Composite subia 3,05%.
Já o dólar havia apagado as perdas vistas pela manhã e operava com alta de 0,05% no mesmo horário, cotado a R$ 5,0642.
No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, avançava 0,01%, aos 171.150 pontos, acompanhando o otimismo dos mercados internacionais. (Veja mais detalhes do dia no mercado)
📉 Fechamento das principais bolsas asiáticas:
Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,6%
Nikkei 225, do Japão, subiu 5%
Kospi, da Coreia do Sul, subiu 5,2%
Sensex, da Índia, subiu 1,2%
Taiex, de Taiwan, subiu 2,8%
Entenda o acordo entre EUA e Irã
Os Estados Unidos e o Irã anunciaram um acordo de paz para encerrar quase quatro meses de conflito.
O entendimento foi confirmado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e por autoridades iranianas.
Segundo o anúncio, as partes concordaram com um cessar-fogo e com a reabertura do Estreito de Ormuz.
Trump também informou que autorizou o fim do bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos e defendeu a retomada do fluxo de petróleo pela região.
A assinatura oficial do acordo está prevista para sexta-feira (19), na Suíça. Até lá, o governo iraniano afirma que começará a aplicar o cessar-fogo, mas a implementação completa do pacto dependerá da formalização do documento.
Embora o texto definitivo ainda não tenha sido divulgado, informações divulgadas por autoridades e pela imprensa indicam que o acordo deve incluir a suspensão gradual de algumas sanções contra o Irã e o compromisso de manter negociações sobre o programa nuclear iraniano.
As discussões sobre esse tema devem continuar pelos próximos 60 dias.
Operadores de câmbio observam monitores na sala de negociações de moedas estrangeiras na sede do Hana Bank em Seul, Coreia do Sul.
Ahn Young-joon / AP
Nas vésperas do G7, Trump ameaça impor tarifa de 100% sobre vinhos franceses se país não eliminar imposto sobre big techs

Donadl Trump ao lado de Melania Trump no UFC Casa Branca
Evan Vucci / Reuters
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou que a França corre o risco de enfrentar uma nova guerra comercial com os americanos. Em entrevista exclusiva publicada pelo jornal The New York Post, o líder da Casa Branca declarou que, a menos que Paris elimine o imposto digital sobre as gigantes de tecnologia dos EUA, Washington "não terá outra escolha" a não ser impor tarifas de 100% sobre os vinhos franceses.
Segundo a matéria, Trump fez o alerta de forma direta ao presidente francês Emmanuel Macron. O americano exige que a taxa de 3% cobrada sobre as empresas do Vale do Silício seja abandonada. Caso contrário, a indústria vinícola francesa sofrerá barreiras devastadoras no mercado dos EUA, que atualmente responde por um quinto das vendas globais do setor, movimentando anualmente mais de US$ 2 bilhões.
"Pedi a ele que não cobrasse das empresas americanas, e se o fizerem, não terei outra escolha senão impor uma tarifa de 100% sobre todos os champanhes e vinhos provenientes da França", disse Trump em entrevista ao The New York Post. "Tudo o que [Macron] precisa fazer é eliminar o imposto sobre vendas, e ele não teria esse tipo de pressão."
O ultimato do presidente norte-americano prepara o terreno para um confronto acirrado na cúpula do G7 nesta segunda-feira (15), em Évian-les-Bains, na França. O encontro anual reúne sete das democracias mais ricas do mundo (Estados Unidos, França, Canadá, Alemanha, Itália, Japão e Reino Unido) para definir regras globais de comércio, segurança e economia.
Agora no g1
Impasse diplomático e o imposto 'GAFAM'
Conforme a reportagem do The New York Post, as declarações de Trump desmentem o Palácio do Eliseu. Na semana passada, o gabinete de Macron havia afirmado que as duas nações tinham resolvido discretamente a longa disputa sobre a taxação de tecnologia. Uma fonte próxima ao presidente francês chegou a dizer a jornalistas que o tema "não estava mais em debate", informação que um funcionário do governo americano imediatamente classificou como "imprecisa", segundo o jornal.
O imposto sobre serviços digitais da França, conhecido como imposto GAFAM, está em vigor desde 2019 e estabelece uma taxa de 3% sobre a receita local de empresas como Alphabet (controladora do Google), Amazon, Meta e Apple. Como incide sobre a receita bruta e não sobre os lucros, a medida afeta severamente as companhias americanas, tendo arrecadado cerca de US$ 700 milhões no ano passado, segundo dados do Ministério das Finanças francês obtidos pelo The New York Post.
Em outubro, a pressão aumentou quando a Assembleia Nacional francesa votou por dobrar o imposto para 6%, mirando exclusivamente as maiores empresas globais, embora a medida tenha sido vetada por ministros posteriormente. O então Ministro da Economia da França, Roland Lescure, já havia alertado na época que um imposto "desproporcional" provocaria represálias "desproporcionais" dos EUA.
Emmanuel Macron em coletiva de imprensa antes do G7
Emma Da Silva/Pool via REUTERS
A retaliação agora ganha força retomando a proposta de tarifa de 100% formulada originalmente pelo Representante Comercial dos EUA em 2019. Ao ser procurado pelo The New York Post, o porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, limitou-se a indicar um memorando presidencial de fevereiro de 2025, o qual afirma que empresas americanas não iriam mais “sustentar economias estrangeiras falidas por meio de multas e impostos exorbitantes”.
O documento determinou que o Departamento do Tesouro e o Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, avaliem a reabertura de uma investigação formal sobre a taxa francesa.
Histórico de pressões tarifárias
Esta não é a primeira vez que a indústria de bebidas da França entra na mira do presidente americano como instrumento de pressão política. Em janeiro de 2026, Trump já havia ameaçado aplicar uma tarifa ainda maior, de 200%, sobre os vinhos e champanhes franceses. Naquela ocasião, a estratégia buscava forçar o presidente Emmanuel Macron a aderir ao "Conselho da Paz", uma iniciativa proposta por Washington para atuar em conflitos mundiais, como a guerra em Gaza, mas que Paris sinalizava recusar.
Paralelamente, o cerco regulatório e fiscal da Europa contra o Vale do Silício tem se intensificado globalmente nos últimos anos. Órgãos reguladores do continente vêm aplicando multas bilionárias e abrindo investigações contra empresas como Google, Apple, Meta, Microsoft e TikTok, sob acusações que envolvem a violação de leis de mercados digitais, regras de privacidade, segurança de dados e práticas antitruste.
Abono salarial PIS/Pasep 2026 paga novo lote nesta segunda-feira; veja se você está na lista

Abono salarial PIS/Pasep 2026: veja datas de pagamento e novas regras
O pagamento do abono salarial PIS/Pasep 2026, referente ao ano-base 2024, terá novo pagamento nesta segunda-feira (15). Desta vez, o benefício será destinado aos trabalhadores que nasceram nos meses de julho e agosto.
Os valores ficarão disponíveis para saque até o encerramento do calendário em 30 de dezembro de 2026.
➡️ O abono salarial é um benefício no valor de até um salário-mínimo concedido anualmente a trabalhadores da iniciativa privada (PIS) e a servidores públicos (Pasep) que atendem aos requisitos do programa.
Para ter direito ao benefício, o trabalhador precisa ter recebido, no ano-base de 2024, remuneração média mensal de até R$ 2.765,93.
O banco de recebimento, data e os valores, inclusive de anos anteriores, estão disponíveis para consulta no aplicativo Carteira de Trabalho Digital e no portal gov.br.
Veja abaixo todas as datas de pagamento em 2026:
Abono salarial 2026
De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, a estimativa é de que 26,9 milhões de trabalhadores sejam beneficiados em 2026, com um total de R$ 33,5 bilhões em pagamentos.
A partir deste ano, o pagamento do PIS/Pasep passa a seguir datas fixas. Os valores serão liberados sempre no dia 15 do mês correspondente ao mês de nascimento — ou no primeiro dia útil seguinte, caso a data caia em fim de semana ou feriado.
O encerramento anual dos pagamentos ocorrerá no último dia útil bancário do ano, conforme as regras do Banco Central, que passa a ser a data-limite para o saque do abono.
Veja as regras, perguntas e respostas nesta reportagem:
O abono salarial é um benefício no valor de até um salário-mínimo concedido anualmente a trabalhadores.
Marcello Casal Jr.
O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial; Irã pode reabrir passagem após acordo com EUA

Os Estados Unidos e o Irã acertaram no domingo (14) um acordo de paz para encerrar o conflito de quase quatro meses entre os dois países —a assinatura está prevista para sexta-feira (19). Segundo o Irã, o Estreito de Ormuz pode ser aberto dentro de 30 dias.
O Estreito de Ormuz uma "artéria" da indústria petrolífera por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo do mundo. Seu fechamento durante período de conflito teve forte impacto na economia global. O anúncio do acordo de paz, aliás, derrubou os preços do petróleo na abertura do pregão de segunda-feira.
Veja abaixo outros detalhes sobre o estreito.
Infográfico - Estreito de Ormuz
Arte/g1
'Artéria' do trânsito mundial de petróleo
O Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico (ao norte) com o Golfo de Omã (ao sul), e "deságua" no Mar da Arábia. Na sua parte mais estreita, o estreito tem 33 km de largura, com canais de navegação de apenas 3 km em cada direção.
Cerca de um quinto de todo o consumo mundial de petróleo passa pelo estreito. Entre o início de 2022 e maio de 2025, aproximadamente 17,8 a 20,8 milhões de barris por dia de petróleo bruto, condensado ou combustível fluíram diariamente pelo local, segundo dados da plataforma de monitoramento marítimo Vortexa.
Conflito no Oriente Médio: o papel estratégico do Estreito de Ormuz
Membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque exportam a maior parte do seu petróleo através do estreito, principalmente para a Ásia.
O fechamento do Estreito de Ormuz causou sérios problemas no abastecimento de petróleo no mundo.
Getty Images via BBC
Os Emirados Árabes e a Arábia Saudita buscam rotas alternativas para não depender do estreito.
O Catar, um dos maiores exportadores mundiais de gás natural liquefeito, envia quase toda sua produção através do estreito.
Segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA, havia cerca de 2,6 milhões de barris por dia de capacidade ociosa nos oleodutos existentes desses países, que poderiam ser usados para contornar Ormuz (dados de junho de 2024).
Navio passa pelo estreito de Ormuz
REUTERS/Hamad I Mohammed/File Photo
Mega-Sena, concurso 3018: confira os números sorteados

Como funciona a Mega-Sena?
O sorteio do concurso 3018 da Mega-Sena foi realizado na manhã deste domingo (14), em São Paulo. O prêmio para as apostas que acertassem as seis dezenas era de R$ 11,3 milhões. No entanto, ninguém levou a faixa principal e o valor acumulou para R$ 16 milhões.
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Veja os números sorteados: 05 - 06 - 17 - 27 - 57 - 58
5 acertos: 30 apostas ganhadoras, R$ 49.965,61
4 acertos: 3.082 apostas ganhadoras, R$ 801,69
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A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados.
Resultado do concurso 3018 da Mega-Sena.
Reprodução / Caixa
Para apostar na Mega-Sena
A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Drones ganham espaço na agricultura e ajudam em pesquisas sobre qualidade do solo

Uso de drones na agricultura brasileira passou de 3 mil para 25 mil equipamentos em quatro anos
TV TEM/Reprodução
O uso de drones na agricultura brasileira saltou de 3 mil para 25 mil equipamentos entre 2021 e 2024. O aumento de mais de dez vezes em quatro anos ocorre porque a tecnologia traz economia de insumos e reduz perdas nas lavouras.
Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), as aeronaves alcançam áreas maiores de cultivo e evitam o "amassamento" das plantas, que normalmente ocorre com a passagem de tratores. Essa redução de perdas chega a 7% na soja e a 4% no arroz.
Para operar os equipamentos, é necessário seguir regras estabelecidas por diferentes órgãos. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) define as normas para aplicação de agrotóxicos. Já o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) é responsável por autorizar o acesso ao espaço aéreo.
O Mapa também exige que os operadores responsáveis por pulverizar as lavouras façam um curso preparatório. Além disso, os profissionais devem manter um registro atualizado no ministério.
Veja a reportagem exibida no programa em 14/06/2026:
Drones ganham espaço na agricultura e ajudam em pesquisas sobre qualidade do solo
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Agro 5.0: novas tecnologias mudam rotina no campo e cortam desperdício no interior de SP

Novas tecnologias reduzem erros e desperdício no agro no interior de SP
Reprodução/TV TEM
A chegada do "Agro 5.0" está transformando o trabalho no campo com novas tecnologias de automação no interior de São Paulo. Produtores rurais utilizam aplicativos e robôs para automatizar processos, cortar custos e aumentar a produtividade.
Em Guararapes (SP), uma fazenda usa um aplicativo para monitorar 11 mil cabeças de gado. As informações do pasto vão direto para o escritório no formato digital. O coordenador de pecuária, Antônio Avelino Mateus, afirma que o sistema permitiu correções rápidas e reduziu em 90% as chances de erros.
A propriedade vende 1 mil touros e 700 fêmeas reprodutoras (matrizes) por ano, além de produzir material genético. O aplicativo armazena o histórico completo de cada animal:
Peso e data de nascimento;
Consumo de ração;
Histórico de medicações.
Para o coordenador administrativo, Fernando Barbosa, o monitoramento digital ajuda a identificar problemas genéticos nos animais de forma ágil. A consultora de pesquisa, Ana Carolina, explica que o sistema é atualizado constantemente com base no dia a dia da fazenda, o que traz mais precisão e agilidade para o banco de dados.
Em Araçatuba (SP), uma fazenda experimental utiliza robôs movidos a energia solar. O uso das máquinas reduziu em 90% o desperdício de defensivos agrícolas (agrotóxicos).
Os robôs identificam as plantas daninhas e aplicam o produto apenas onde é necessário. Segundo a especialista em sustentabilidade Patrícia Dias, a técnica evita o desperdício e diminui o consumo de combustível dos tratores, já que as máquinas dependem apenas do sol.
Além de garantir uma produção mais sustentável, a chegada dessas novas tecnologias exige que os trabalhadores do campo passem por treinamentos para operar os novos sistemas.
Novas tecnologias reduzem erros e desperdício no agro no interior de SP
Reprodução/TV TEM
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O piloto de avião que voou 17 anos sem licença

O piloto de avião que voou 17 anos sem licença
Getty Images
Um ex-piloto da Air Canada está sendo acusado de ter transportado milhares de passageiros em voos comerciais sem a devida licença por 17 anos, segundo autoridades canadenses.
A polícia da província de Ontário disse que o piloto, Geoffrey Wall, de 59 anos, estava voando com credenciais falsas desde que foi promovido a capitão em 2009. Ele agora enfrenta várias acusações relacionadas a fraudes.
A Air Canada disse que o piloto foi imediatamente afastado de suas funções assim que os documentos falsos foram descobertos no ano passado.
"A empresa comunicou voluntariamente o caso a Transport Canada", disse a companhia aérea.
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A empresa afirmou que a segurança dos passageiros nunca esteve em risco, observando que todos os pilotos passam por treinamentos de competência a cada seis meses.
Nick Milinovich, da Polícia Regional da cidade de Peel, disse que Wall voava com a Air Canada havia 27 anos, tendo iniciado sua carreira em 1998.
O piloto teria falsificado suas credenciais desde 2009, quando foi promovido ao cargo de comandante, segundo a polícia.
Para essa função, os pilotos são obrigados a possuir uma licença de piloto de transporte aéreo (ATPL), obtida em parte por meio da aprovação em uma série de exames escritos.
"Isso seria muito semelhante a um médico que tem licença para exercer medicina de família, mas está realizando cirurgias cerebrais em seu consultório", disse Milinovich.
Nos últimos 17 anos, a polícia afirmou que Wall pilotou vários tipos de aeronaves Boeing e realizou um total de 900 voos domésticos e internacionais, recebendo milhões de dólares em salários — tudo, supostamente, sem as credenciais adequadas.
As autoridades disseram que a suposta fraude foi descoberta no ano passado durante uma avaliação de rotina, quando inconsistências foram identificadas na documentação da licença do piloto acusado — o que levou a uma investigação por parte da Transport Canada, o departamento federal de transporte do Canadá.
A Polícia Regional de Peel iniciou na época uma investigação criminal contra Wall, que incluiu um mandado de busca e uma análise da licença, que a polícia confirmou ser falsificada.
Wall foi acusado em 1º de junho de sete crimes, incluindo fraude, falsificação de documentos e posse de marca falsificada.
A Air Canada afirmou que o piloto possuía treinamento completo com uma licença válida de piloto comercial, mas não tinha a ATPL exigida para operar como comandante sob as regulamentações canadenses.
Em comunicado, a companhia aérea acrescentou que "trata este assunto com a máxima seriedade" e afirmou que concluiu uma auditoria de seus pilotos, não tendo encontrado outros casos de descumprimento.
Questionado sobre por que a suposta fraude de Wall permaneceu por anos sem ser detectada, Milinovich observou que infratores podem se tornar "muito habilidosos" em "artifícios".
"Não é incomum que a fraude continue por anos e anos", disse. "Eventualmente ela é descoberta, e é nesse momento que nós nos envolvemos."
Wall deverá comparecer perante um tribunal em 29 de junho.
Veto à carne do Brasil: por que a União Europeia quer mais controle sobre antibióticos na pecuária

Imagem ilustrativa de carne bovina.
Cindie Hansen
A preocupação de que pessoas desenvolvam infecções causadas por bactérias resistentes a antibióticos é um dos motivos que levou a União Europeia (UE) a exigir de seus importadores maior controle sobre o uso de antimicrobianos na criação de animais.
➡️ Na pecuária, antimicrobianos são usados para tratar infecções, prevenir doenças, conter surtos, promover crescimento ou melhorar o desempenho dos animais.
No início de maio, a UE excluiu o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne ao bloco por considerar que o país não comprovou o cumprimento de suas exigências sobre o uso dessas substâncias na produção animal. A medida entra em vigor em 3 de setembro.
A decisão não foi motivada por irregularidades encontradas no produto nacional, mas pelo fato de o Brasil não ter apresentado a tempo a documentação exigida pela UE. No fundo, o que o bloco quer é que o país prove que está fiscalizando e rastreando o uso dessas substâncias.
Representantes do agro brasileiro viram na medida um ato protecionista, uma vez que a decisão foi anunciada dias após a entrada em vigor do acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul.
O tratado foi alvo de forte resistência de agricultores europeus, que temem a concorrência de produtos sul-americanos mais baratos, sobretudo do Brasil, principal exportador agrícola do Mercosul para a União Europeia.
Os demais países do bloco — Argentina, Paraguai e Uruguai — seguem autorizados a exportar para os europeus.
A seguir, entenda:
O que a União Europeia está exigindo?
A UE mira uma substância específica?
Qual a relação entre antibióticos usados em animais e a saúde humana?
O que a União Europeia está exigindo?
O uso de antimicrobianos na pecuária é um tema antigo dentro da UE, que começou a ser debatido na década de 1990 e que culminou em uma série de regulamentos nos anos seguintes. Em 2006, por exemplo, o bloco proibiu o uso de qualquer antibiótico na ração animal como promotor de crescimento.
A partir de 2019, o bloco ampliou essas exigências com a publicação de novos regulamentos que estabeleceram critérios mais rigorosos para a produção de carne, leite, ovos e outros produtos de origem animal destinados ao mercado europeu.
Pelas regras, os países que exportam para a União Europeia não podem utilizar:
antimicrobianos para promover o crescimento ou aumentar a produtividade dos animais;
e/ou antimicrobianos que contenham substâncias reservadas ao tratamento de infecções em humanos.
Por trás dessas exigências, está o receio de que o uso de antimicrobianos em animais favoreça o surgimento de bactérias resistentes a antibióticos, reduzindo a eficácia desses medicamentos no tratamento de infecções em pessoas. (saiba mais abaixo)
Em 2022, inclusive, a UE classificou a resistência aos antimicrobianos (RAM) como uma das principais ameaças à saúde humana.
O tema também faz parte de uma campanha da União Europeia chamada One Health (Uma só saúde), lançada em 2023, e que defende ações integradas para a saúde humana, animal e ambiental, por considerar que elas estão diretamente conectadas.
A UE mira uma substância específica?
Ao g1, o escritório de Saúde e Bem-Estar Animal da Comissão Europeia afirmou que a decisão de excluir o Brasil de sua lista não está relacionada a uma substância específica. A exigência se aplica a qualquer produto usado como promotor de crescimento e/ou que faça sobreposição a medicamentos voltados para combater doenças em humanos.
Uma das substâncias mais utilizadas no Brasil para melhorar o desempenho bovino é a monensina, conta André Bartocci, presidente da Câmara Setorial da Carne Bovina, vinculada ao Ministério da Agricultura.
A monensina não está na lista da UE de antimicrobianos reservados à medicina humana, mas é usada no Brasil para aumentar o rendimento dos animais e, por isso, pode ser atingida pela medida.
Bartocci esclarece que ela não é um hormônio de crescimento, mas um aditivo alimentar que contribui indiretamente para o ganho de peso dos bovinos ao melhorar a sua digestão.
🔎 A monensina modula a fermentação no rúmen, inibindo determinados grupos de bactérias e favorecendo microrganismos que tornam o aproveitamento dos nutrientes mais eficiente. Com isso, o animal consegue extrair mais energia da mesma quantidade de alimento, o que pode resultar em maior ganho de peso.
Ao g1, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) disse que a monensina tem o seu uso autorizado na União Europeia como aditivo alimentar em aves, frangos e perus, sob o nome de Coxidin, usado para combater uma doença parasitária intestinal, chamada coccidiose.
A substância, assim como qualquer outra na UE, não pode ser usada como promotor de crescimento.
A EMA detalhou ainda que a monensina também era utilizada na União Europeia em um medicamento veterinário chamado Kexxtone, indicado para prevenir a cetose — um distúrbio metabólico que pode afetar vacas leiteiras no período próximo ao parto e reduzir a produção de leite.
O produto consistia em um dispositivo colocado no rúmen do animal para liberar monensina gradualmente ao longo do tempo. Em 2024, porém, a autorização do medicamento foi suspensa após a identificação de falhas de qualidade.
Em alguns casos, bovinos regurgitaram o dispositivo antes que toda a substância fosse liberada, destacou a agência.
Segundo Bartocci, não está claro qual será o tratamento dado à monensina pela UE em relação ao Brasil. A economista e médica veterinária Lygia Pimentel, sócia da consultoria Agrifatto, tem a mesma avaliação.
Ela acrescenta que o uso de antibióticos na pecuária brasileira não é feito de forma indiscriminada e que há regras para a utilização.
“O uso de antibióticos de uso terapêutico é permitido, o que é normal, caso contrário o animal morre sofrendo por alguma infecção, por exemplo. É necessário respeitar o período de carência, que é o tempo exigido entre a última aplicação do medicamento e o abate do animal para consumo", diz Pimentel.
“Cada antibiótico tem um período específico de carência. Isso garante que não haja resíduos de medicamento na carne acima dos limites tolerados pela saúde humana”, destaca.
Apesar da dúvida em relação à monensina, Leonardo Munhoz, doutor em Direito Agroambiental e advogado do VBSO, afirma que o foco da União Europeia está, principalmente, em substâncias que também são utilizadas na medicina humana.
Em abril deste ano, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria proibindo o uso de algumas delas, como a avoparcina, virginiamicina e bacitracina.
“Esses antimicrobianos pertencem às mesmas famílias de medicamentos utilizados em seres humanos ou selecionam mecanismos de resistência que podem comprometer antibióticos importantes da medicina", reforça Leonardo Weissmann, infectologista do hospital Emílio Ribas.
Munhoz conta que a avoparcina, por exemplo, foi proibida pela UE como promotor de crescimento em animais em 1997, devido ao receio de que seu uso favorecesse o surgimento de bactérias resistentes à vancomicina, usada na medicina humana.
A virginiamicina e a bacitracina também foram proibidas no bloco nos anos 1990, o que, na avaliação dele, mostra que as normas brasileiras estão atrasadas.
Para Munhoz, o país deveria ter se antecipado às mudanças, sobretudo porque já conhecia, desde 2019, as novas exigências impostas pela UE aos países exportadores.
Qual a relação entre antibióticos usados em animais e a saúde humana?
Weissmann, do Hospital Emílio Ribas, afirma que o maior risco para a saúde humana no uso de antimicrobianos em animais não está no consumo de carne com resíduos de antibióticos, mas na disseminação de bactérias resistentes e dos genes que conferem essa resistência.
Ele explica que quando um antimicrobiano é usado em um animal, ele não age apenas sobre as bactérias causadoras de doença, mas entra em contato com bilhões de outras que vivem naturalmente no intestino, na pele e no ambiente da criação.
"As bactérias sensíveis morrem, mas aquelas que possuem mecanismos de resistência sobrevivem e se multiplicam", diz.
"O problema é que essas bactérias resistentes podem sair da fazenda e chegar às pessoas por diferentes caminhos: pelo contato direto com os animais, pelo meio ambiente (água, solo e dejetos), pelos trabalhadores rurais e até pela cadeia de produção dos alimentos", destaca.
Segundo ele, essas bactérias podem causar infecções em seres humanos que se tornam mais difíceis de tratar, exigindo antibióticos mais potentes, mais caros e, às vezes, menos eficazes.
"Imagine uma criação de bovinos em que muitos animais recebem antibióticos. Com o tempo, podem surgir bactérias resistentes no intestino desses animais. Essas bactérias podem contaminar o ambiente por meio das fezes, alcançar cursos d'água, outros animais e seres humanos. Se uma dessas bactérias causar uma infecção em uma pessoa, o antibiótico que normalmente funcionaria pode não ter mais efeito", exemplifica.
Rota de colisão: por que o G7 teme que os desequilíbrios da economia global acabem em crise

Países do G7 pedem desescalada do conflito entre Israel e Irã
REUTERS/Suzanne Plunkett/Pool
O aumento das exportações da China, a deterioração das contas dos Estados Unidos e o baixo nível de investimentos na Europa têm preocupado o G7, grupo que reúne as sete maiores economias desenvolvidas do mundo. O temor é que esse cenário aumente as tensões comerciais e deixe a economia global mais vulnerável a crises financeiras.
O assunto tem sido uma das prioridades da França, que atualmente ocupa a presidência do grupo. Segundo o presidente francês, Emmanuel Macron, os desequilíbrios entre o comércio mundial e a circulação de capital entre os países atingiram níveis "insustentáveis". O tema estará na pauta da cúpula de líderes prevista para esta semana.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
No mês passado, os ministros das Finanças do G7 concordaram que é necessária uma ação coordenada — algo que há anos é difícil de alcançar no grupo mais amplo do G20. Eles também alertaram que, sem uma resposta conjunta, esses desequilíbrios podem evoluir para uma crise financeira.
Entenda nesta reportagem quais são as principais preocupações das maiores economias do mundo.
Agora no g1
Um mundo de poupanças e gastadores
Os saldos em conta corrente, indicador que mede a entrada e a saída de recursos de um país — incluindo importações, exportações, rendimentos de investimentos e ajuda externa —, mostram um desequilíbrio crescente desde a pandemia de Covid-19.
Depois de cair nos anos seguintes à crise financeira global de 2008 e 2009, o superávit da China voltou a atingir níveis recordes.
Ao mesmo tempo, a zona do euro manteve sua posição de credora do restante do mundo, enquanto os EUA continuam dependentes de capital estrangeiro para financiar seu consumo.
Na prática, isso significa que a poupança acumulada em alguns países está sendo usada para financiar o consumo em outros — principalmente nos EUA, hoje o principal destino desses recursos.
China: excedentes gerados por causa da supercapacidade
O modelo de crescimento da China, baseado nas exportações, vem sendo cada vez mais criticado. Para os críticos, os incentivos do governo elevaram a produção a níveis muito superiores ao consumo interno do país.
A posição da China nas contas internacionais mudou drasticamente nos últimos anos. Desde a pandemia, o superávit em conta corrente — quando um país recebe mais recursos do que gasta no exterior — saltou para o recorde de US$ 735 bilhões, impulsionado pelo forte crescimento das exportações, apesar das tarifas mais altas impostas pelos EUA.
A demanda interna fraca e o forte crescimento das exportações de produtos industrializados ampliaram o superávit chinês.
Críticos, entre eles o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmam que uma moeda mantida artificialmente desvalorizada favorece as exportações do país. Eles também argumentam que empresas chinesas recebem subsídios em escala superior à observada na maioria das economias desenvolvidas.
Em dezembro, Macron afirmou que, se as principais economias não se reequilibrarem por meio da cooperação, a Europa "não terá outra escolha" a não ser adotar medidas protecionistas.
➡️ Protecionismo é o conjunto de políticas que busca favorecer a produção nacional e limitar a concorrência estrangeira. Isso pode ser feito por meio de tarifas de importação, subsídios a empresas locais ou outras medidas de incentivo à economia doméstica.
Pequim rejeita as críticas e afirma que suas empresas são competitivas. O governo chinês também diz que defenderá seus interesses diante de qualquer barreira comercial.
Déficit persistente dos EUA
Em contrapartida, os EUA continuam sendo o principal motor do consumo global. O país gasta mais do que produz, reflexo do alto consumo das famílias e da baixa taxa de poupança.
Esse padrão foi reforçado por políticas de aumento de gastos e cortes de impostos. Somados aos estímulos adotados em momentos de crise e às despesas da pandemia, esses fatores elevaram o déficit federal.
Essa combinação torna os EUA dependentes de recursos vindos do exterior. Na prática, o país usa a poupança acumulada por economias superavitárias para financiar seus gastos internos.
Embora essa dinâmica ajude a sustentar o crescimento global, ela também aumenta as tensões comerciais. Isso porque autoridades americanas têm recorrido a tarifas e políticas industriais para tentar reduzir déficits que se repetem há décadas.
Europa: excedente impulsionado por subinvestimento
Enquanto o excedente da China está ligado ao excesso de produção, o da Europa tem outra origem: o baixo nível de investimentos dentro do bloco e a elevada taxa de poupança.
Segundo um relatório divulgado em 2024 pelo ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, os países europeus precisam transformar mais da poupança das famílias em investimentos produtivos — como obras, tecnologia e expansão de empresas. Caso contrário, correm o risco de ficar ainda mais atrás dos EUA e da China.
Desde o início da pandemia, os investimentos na zona do euro cresceram bem menos do que nos EUA, especialmente na área de tecnologia.
Economistas afirmam que o baixo nível de investimento reduz a atividade econômica dentro da Europa. Como consequência, parte da poupança acaba sendo aplicada em outros países em busca de melhores retornos, contribuindo para o superávit das contas externas da zona do euro.
Gabiroba gigante: conheça fruta rara da Mata Atlântica que é rica em vitamina C e ajuda na saúde intestinal
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Gabiroba gigante: conheça fruta rara da Mata Atlântica que só existe no ES
A gabiroba gigante, uma fruta endêmica da Mata Atlântica, que é encontrada em poucos locais da Região Serrana do Espírito Santo, possui vários benefícios para a saúde, além de ser utilizada de várias formas na gastronomia. A gabiroba pode virar de geleia e brigadeiro a ceviche e cachaça.
A fruta verde de polpa amarelada e sabor cítrico é indicada por nutricionistas para controle da saúde intestinal, benefícios para os ossos, função muscular e regularidade cardíaca, além de ser rica em fibras e vitamina C.
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A árvore da gabiroba precisa de alguns fatores essenciais para frutificar, como temperaturas mais amenas, tempo úmido e polinização de abelhas, especialmente as sem ferrão, como as uruçu-capixaba. Essa espécie é encontrada apenas no Espírito Santo.
Nessa reportagem, você vai conhecer curiosidades sobre a fruta, benefícios para a saúde e algumas receitas para preparo.
Algumas curiosidades sobre a fruta:
🍋 A fruta é cítrica e lembra o limão, mas com sabor mais marcante e 4x mais ácido;
⛑️ Segundo nutricionistas, a gabiroba é rica em vitamina C, fibras, potássio e cálcio;
🚽 Ajuda na saúde intestinal;
⚖️ Um fruto pode pesar até 400 gramas;
🗓️ Colheita entre julho a agosto;
🍨 Vira de sorvetes a ceviche;
☁️ Prefere temperaturas mais amenas;
🌳 Possui o nome "gigante" por ser a maior das outras espécies de gabiroba.
Gabiroba gigante é fruto endêmico da Mata Atlântica e pode ser encontrado em alguns locais na Região Serrana do Espírito Santo
Adenilson Panzini
A "super" gabiroba
De acordo com a pesquisadora do Instituto Mata Atlântica (Inma), Nara Mota, existem pelo menos 35 espécies de gabiroba no Brasil.
Conhecida também como guabiroba, muitos tipos são encontrados no cerrado e também na Mata Atlântica.
Mas a gabiroba gigante possui esse nome por ser uma das maiores da espécie, cada fruto pode pesar mais de 400 gramas.
"Trata-se de uma espécie rara, pouco coletada. Começa frutificar com três anos de vida, o que para uma árvore é muito rápido. O tronco tem casca rugosa e se descama, assim como outras espécies da família (jabuticaba, pitanga, araça)", explicou.
A gabiroba dá o maior dos frutos das espécies das Campomanesia, podendo a chegar a 12 cm de diâmetro, enquanto as espécies próximas podem atingir no máximo 8 cm de diâmetro. "Por isso, o nome super-gabiroba ou gabiroba gigante", completou a pesquisadora.
Benefícios para a saúde
Segundo a nutricionista Danielle Laporte, a gabiroba é rica em compostos bioativos que atuam como antioxidantes, combatendo os radicais livres e prevenindo o envelhecimento celular.
"Essa propriedade ajuda a reduzir o estresse oxidativo e a proteger o corpo contra diversas doenças. Ela também tem alto teor de vitamina C, o que ajuda a fortalecer o sistema imunológico. É rica em fibras que ajudam na saúde intestinal. E também como tem muitas fibras ajuda a diminuir a absorção de gorduras e açúcares, auxiliando na saúde cardiovascular", comentou.
A gabiroba também é rica em potássio, cálcio e magnésio, que são essenciais para a saúde óssea, função muscular e regularidade cardíaca.
Fruta versátil
Por ser uma fruta de sabor cítrico, pode ser implementada facilmente em vários pratos na gastronomia. A fruta é versátil e pode virar de geleias a bolos e até cachaça.
O chef Ricardo Silva possui um restaurante em Vargem Alta, na Região Serrana do estado, e já implementou vários pratos com a fruta.
"É uma fruta que tem um índice de acidez maravilhoso, sabor fantástico, a suculência, e ela é bem dinâmica, você consegue trabalhar e usar em muita coisa na cozinha. A gabiroba é 4 vezes mais ácida que o limão, ela dá uma explosão na sua boca. Quando o público experimenta é um choque de realidade, é uma cosia muito bacana, porque eles não conheciam. Algumas pessoas tem memória afetiva e os mais novos ficam maravilhados pelo sabor", destacou.
Doces e pratos feitos com gabiroba gigante no Espírito Santo
Reprodução/TV Gazeta
Outras possibilidades de pratos feitos com a gabiroba são: ceviche, caponata, suco, cachaça, geleia, bombom, brigadeiro, mousse e bolo.
Adenilson Panzini é empresário no setor de rochas, conheceu a fruta há 30 anos, e plantou um pé em sua propriedade em Vargem Alta. Na época da colheita entre os meses de junho a agosto, o empresário retirar os frutos e os congela.
Atualmente, a árvore, que já é um pé adulto, gera mais de 100 kg da fruta. Com todo esse material, o empresário de 56 anos guarda grande parte da fruta no freezer e realiza doações para escolas e chefs que fazem pratos com a gabiroba.
Adenilson disse que, pela raridade da gabiroba, um quilo chega a valer R$ 100.
Receita de ceviche de gabiroba (pelo Chef Ricardo Silva)
Ingredientes: Água de coco, limão, gengibre, tilápia, cebola roxa, coentro, azeite, mel de uruçu, pimenta calabresa, sal e palmito pupunha.
Instruções: Corte a tilápia em cubos. Adicione água de coco, limão e gengibre para saborizar o peixe. Depois acrescente a cebola roxa, misture os ingredientes. Depois coloque o coentro, azeite, pimenta e misture. Em seguida cortar a gabiroba em pedaços, com casca mesmo, e acrescentar no prato. Finalizar com pupunha.
Gabiroba gigante no Espírito Santo
Reprodução/TV Gazeta
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Claude x ChatGPT: qual empresa sairá na frente na corrida trilionária da IA?

Sam Altman e Dario Amodei: qual CEO sairá na frente na corrida de Wall Street?
Jens Schicke/IMAGO/Julien De Rosa/AFP via DW
Poderia ser um roteiro de Hollywood, mas é real. Dois nerds ambiciosos que, com estratégias duras e muita persistência, disputam a supremacia na Inteligência Artificial (IA).
Também não faltam reviravoltas. Dario Amodei, chefe da Anthropic, criadora do Claude, recentemente pediu uma pausa no desenvolvimento da IA, alertando que os humanos poderiam perder o controle.
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E isso poucos dias após apresentar à autoridade reguladora dos mercados americanos, a SEC, documentos para abrir o capital da empresa na bolsa (IPO).
Assim, os criadores do Claude saem na frente dos responsáveis pelo ChatGPT, da OpenAI, que só anunciaram sua estreia em Wall Street e submeteram a documentação necessária uma semana depois.
O momento parece favorável. As bolsas estão em alta e a IA está em evidência. Além disso, a Anthropic é avaliada atualmente em 965 bilhões de dólares, enquanto a OpenAI chega a 852 bilhões.
Um IPO poderia levar ambas ao grupo das empresas trilionárias — algo que hoje apenas gigantes como Nvidia, Apple, Alphabet, Amazon, Meta e Tesla alcançaram. Para comparação, a maior empresa alemã atualmente, a Siemens, vale cerca de 230 bilhões de dólares.
Para que serve tanto dinheiro?
A consultoria Gartner estima que os gastos globais com inteligência artificial continuarão crescendo fortemente, ultrapassando US$ 2,5 trilhões já neste ano.
A maior parte desses investimentos está na infraestrutura de IA, sobretudo na construção e aluguel de grandes data centers, responsáveis por fornecer o poder computacional necessário.
Até agora, Anthropic e OpenAI captaram recursos por meio de rodadas de investimento, nas quais empresas e fundos apostam em startups com potencial de crescimento.
Segundo o analista Harrison Rolfes, da PitchBook, a OpenAI já arrecadou US$ 185,9 bilhões desde sua fundação, enquanto a Anthropic captou US$ 126,8 bilhões.
Quem está na frente?
Para muitos especialistas financeiros, a Anthropic tem melhores perspectivas no mercado. "A Anthropic tem a melhor história para um IPO — e são sobretudo os números que convencem", afirma Rolfes.
A empresa deve faturar cerca de 47 bilhões de dólares neste ano, contra 30 bilhões da OpenAI, mesmo tendo captado menos recursos. Outro fator é o foco no mercado corporativo.
"Mais de mil empresas já gastam mais de um milhão de dólares por ano com a Anthropic", destaca o analista.
Já a OpenAI domina o segmento de consumidores com o ChatGPT, que tem mais de 900 milhões de usuários semanais — mas a maioria utiliza o serviço gratuitamente.
"Monetizar uma base tão grande de usuários grátis é um desafio", afirma Rolfes.
Pedro Domingos, professor emérito de ciência da computação da Universidade de Washington, concorda.
"A Anthropic está mais avançada nos serviços para empresas, e é daí que virá a maior parte do dinheiro. Mas isso pode mudar rapidamente". Segundo ele, a empresa tem mais demanda, mas menos capacidade computacional.
Uma disputa de egos
Claude costuma ser mais usado por empresas e ChatGPT, por usuários privados
Matteo Della Torre/NurPhoto/picture alliance via DW
A rivalidade também envolve grandes egos. Em 2021, Dario Amodei deixou a OpenAI por discordar da direção sob Sam Altman — excessivamente focada em dinheiro e insuficiente em responsabilidade.
Desde então, ele posiciona a Anthropic como defensora de uma IA mais segura e regulada.
Amodei também impôs limites quanto ao uso militar: o Claude não deveria ser utilizado para vigilância em massa nem sistemas de armas automatizados.
Isso levou o Pentágono a classificar a Anthropic como "risco de segurança na cadeia de fornecimento" — uma medida drástica, normalmente aplicada a empresas estrangeiras.
Sam Altman tenta ocupar esse espaço: a OpenAI planeja fornecer software ao Pentágono. Com isso, sua empresa vem assumindo cada vez mais o papel de "vilã" na disputa — algo irônico, considerando que a OpenAI foi fundada em 2015 com a missão de desenvolver IA de forma ética e responsável.
Especialistas acreditam que a postura de Amodei também tem um componente de marketing. Para Domingos, o sucesso rápido e a pressão crescente podem abalar a imagem da Anthropic como "a empresa do bem".
"Decisões difíceis virão, e alguns funcionários podem sair decepcionados — como aconteceu quando Amodei e outros deixaram a OpenAI".
Corrida pela AGI
Segundo Domingos, o objetivo final das empresas é desenvolver a chamada Inteligência Artificial Geral (AGI, na sigla em inglês), capaz de realizar qualquer tarefa cognitiva humana. "Quem chegar lá primeiro terá uma vantagem praticamente impossível de alcançar".
Ainda assim, Rolfes relativiza: "Chegar primeiro não significa vencer. Para lucrar de verdade com IA, é preciso adoção ampla, confiança das empresas e boas margens".
No fim das contas, diz ele, a disputa será decidida por qual tecnologia será adotada pelas maiores empresas do mundo.
A corrida pela liderança na inteligência artificial, portanto, ainda está longe de terminar.