Do vinho aos medicamentos: como o acordo UE-Mercosul deve afetar o bolso dos brasileiros?

Estimativa do Ipea é de que o Brasil seja o país mais beneficiado no acordo entre Mercosul e UE
Após mais de 25 anos de negociações, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entra na reta final, e já é possível antever como ele deve alterar o fluxo de mercadorias entre os dois blocos. No Brasil, os efeitos tendem a alcançar tanto o consumo cotidiano quanto setores produtivos, como a indústria e o agronegócio.
Ao g1, a professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Regiane Bressan, avalia que uma das mudanças mais perceptíveis deve atingir diretamente o consumidor: a maior presença de produtos tradicionais da UE no mercado brasileiro.
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“A integração em um acordo como esse tende a favorecer sobretudo os consumidores finais, que passam a ter acesso a produtos mais baratos. Isso ocorre dos dois lados”, afirma Bressan.
🤝 O objetivo do tratado é facilitar as trocas comerciais entre os 27 países da União Europeia e os quatro países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai —, reduzindo tarifas alfandegárias tanto sobre produtos europeus vendidos no Brasil quanto sobre produtos do Mercosul exportados para a Europa.
📊 O acordo abrange um mercado de 720 milhões de consumidores — 450 milhões na Europa e 270 milhões na América do Sul —, o equivalente a cerca de 25% do PIB global.
💰 Estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que o Brasil deve ser o principal beneficiado pelo acordo. Até 2040, a assinatura poderia elevar o Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 0,46%, crescimento superior ao projetado para a União Europeia e para os demais países do Mercosul.
Veja quais são os países envolvidos no Acordo UE-Mercosul.
Arte/g1
Quem sai ganhando?
Entre os itens que podem ganhar espaço estão vinhos, queijos e lácteos, que passam a contar com acesso diferenciado ao país, abrindo caminho para uma redução gradual de preços ao longo do tempo.
Rodrigo Provazzi, CEO da Provazzi Consultoria e executivo em gestão de risco, destaca que outros itens de supermercado, como azeite, chocolate e algumas bebidas destiladas, também devem registrar queda de preços nos próximos anos.
“Do ponto de vista do mercado interno, é importante destacar que já somos grandes compradores, principalmente de produtos com maior valor agregado da UE. A expectativa é de redução de preços no médio e no longo prazo”, afirma Provazzi.
Essa redução ocorre, em grande parte, pela eliminação gradual das tarifas alfandegárias. Carros importados da Europa, por exemplo, hoje enfrentam taxação de 35%, que deverá ser zerada em até 15 anos, contribuindo para o barateamento desses produtos.
No entanto, a queda de preços tende a ser gradual, especialmente em itens complexos como automóveis, por conta da dependência de uma cadeia global de componentes — incluindo insumos vindos da China. “Esse processo pode levar de dois a três anos”, explica o consultor.
Enquanto alimentos e veículos chamam mais a atenção do consumidor, medicamentos e produtos farmacêuticos — inclusive de uso veterinário — seguem como os principais itens importados da UE, representando mais de 8% do total, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
INFOGRÁFICO – Quem ganha e quem perde com o acordo entre União Europeia e Mercosul
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Efeitos nos custos da produção interna
Os efeitos do acordo, porém, não se limitam aos bens finais importados e alcançam também insumos utilizados na produção. Embora o impacto imediato seja percebido no consumo, a medida tende a influenciar a estrutura produtiva brasileira.
O acesso a tecnologias europeias mais baratas pode reduzir custos para empresas nacionais e estimular investimentos em modernização.
Leonardo Munhoz, pesquisador do Centro de Bioeconomia da Fundação Getulio Vargas (FGV), explica que a eliminação de tarifas deve baratear tecnologias usadas no campo.
“Máquinas, equipamentos e tratores, assim como produtos químicos, fertilizantes e implementos agrícolas, além de drones e sistemas de agricultura de precisão — como sensores e telemetria — são importados da Europa e devem ter custos menores para os produtores”, afirma Munhoz.
O impacto não se restringe ao agronegócio. O acordo também deve ampliar a importação de bens manufaturados e tecnologias para a indústria brasileira, reduzindo custos e tornando mais viáveis os investimentos em modernização.
Segundo a professora da Unifesp, exportar produtos com maior valor agregado para a UE pode gerar mais empregos do que a venda de commodities para outros mercados. “O maior valor agregado envolvido nessas trocas muda a dinâmica da indústria local”, completa Bressan.
Produtos exportados vão ficar mais caros?
O acordo UE-Mercosul também abre caminho para a ampliação das exportações brasileiras de calçados, frutas e outros produtos agrícolas. No ano passado, essas vendas já vinham crescendo: as exportações do Brasil para a UE alcançaram US$ 49,8 bilhões.
Apesar disso, a balança comercial segue mais favorável ao bloco europeu, que exportou US$ 50,3 bilhões para o Brasil.
Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), o acordo cria uma rede de comércio avaliada em US$ 22 trilhões, com potencial de ampliar as exportações brasileiras em R$ 7 bilhões adicionais.
Calçados produzidos no Mercosul, hoje sujeitos a tarifas de 3% a 7% na UE, devem ter essas taxas zeradas em até quatro anos.
Em alguns casos, como o da uva, a taxação de 14% será eliminada assim que o acordo entrar em vigor.
Rodrigo Provazzi alerta que produtos do agronegócio exportados em maior volume poderiam ter aumento de preços no mercado interno devido à redução da oferta. Ainda assim, considera improvável que isso afete de forma significativa o bolso dos brasileiros. “Os efeitos macroeconômicos sobre a inflação são pequenos e não devem ser relevantes no curto prazo”, afirma.
“Para o consumidor, o impacto tende a ser positivo e, mesmo com o aumento das exportações para a Europa, não há risco de elevação de preços, pois os setores encontram rapidamente mercados substitutos.”
Leonardo Munhoz ressalta que o acordo gera benefícios, como menor risco comercial e acesso facilitado ao mercado europeu de cerca de 500 milhões de consumidores. “Mas não vejo esses ganhos de forma automática e homogênea para todos. Isso vai variar de setor para setor, dependendo da eliminação de tarifas.”
Para o pesquisador da FGV-Agro, os ganhos do acordo para o agronegócio tendem a se espalhar por toda a cadeia produtiva, beneficiando grandes produtores e também pequenos e médios que exportam por meio de tradings — empresas intermediárias responsáveis pela logística, documentação e comercialização no exterior.
“Esse efeito será em cascata: o grande exporta diretamente, mas o pequeno depende de uma trader para vender. Assim, todos os elos da cadeia acabam sentindo os benefícios do acordo”, explica Munhoz.
INFOGRÁFICO – Próximos passos do acordo entre União Europeia e Mercosul
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Acordo UE-MERCOSUL
REUTERS
Valores, ambiente e salário: estudo mostra o que o brasileiro mais valoriza no emprego

Cerca de 92% dos trabalhadores brasileiros querem mais equilíbrio entre vida pessoal e profissional, segundo o mais recente estudo o Workmonitor 2025, da Randstad. A pesquisa ouviu mais de 26 mil trabalhadores em 35 mercados da Europa, Ásia-Pacífico e Américas.
Em âmbito global, 83% das pessoas afirmam que o equilíbrio entre vida pessoal e profissional é considerado mais importante do que o salário na hora de escolher um emprego.
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Foram ouvidos cerca de 755 empregados brasileiros de diferentes setores e formatos de trabalho. Entre as prioridades do trabalhadores levantados pela pesquisa, estão:
➡️ 92% considera a remuneração (vs. 82% global);
➡️ 83% aponta a flexibilidade de horário de trabalho (73% global);
➡️ 80% tem a flexibilidade de local de trabalho como prioridade (67% global);
➡️ e 58% consideram importante o alinhamento de valores com a empresa (48% global).
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O levantamento também mostra que os empregados brasileiros estão mais sensíveis a cultura tóxica, mais exigente com coerência de valores e mais ansioso por oportunidades concretas de desenvolvimento.
O tal 'propósito'
Por aqui, cresce a percepção de que o trabalho precisa fazer sentido. Os brasileiros demonstram forte preocupação com o alinhamento entre seus valores pessoais e os valores da empresa, sobretudo no que envolve responsabilidade social, impacto ambiental, inclusão e práticas trabalhistas justas.
O levantamento aponta que 76% dos trabalhadores brasileiros dizem que os valores e propósitos sociais e ambientais de seus empregadores estão alinhados aos seus. Ao mesmo tempo, 58% afirmam que rejeitariam uma vaga em uma empresa cujos valores não fossem compatíveis com os deles.
Esse alinhamento passa a ser decisivo não apenas para aceitar uma vaga, mas principalmente para permanecer nela. Isso porque, cerca de 28% dos trabalhadores ouvidos pela pesquisa pediram demissão por não concordarem com os pontos de vista ou posicionamento da liderança.
Além disso, 37% dos brasileiros já deixaram um emprego por falta de oportunidades de crescimento, e 53% afirmam que sairiam caso percebessem que não há possibilidade de progressão na carreira.
Relações são importantes
O estudo também mostra que o trabalhador brasileiro está entre os que menos toleram ambientes tóxicos: 53% já pediram demissão por conta de um ambiente prejudicial e 54% deixariam o emprego se não sentissem senso de pertencimento.
Outro ponto que se destaca no Brasil é a expectativa por ambientes de trabalho mais saudáveis, transparentes e coerentes com o que pregam. A busca por líderes acessíveis, respeito à saúde mental, relações menos hierarquizadas também é apontada na pesquisa.
Isso porque, os trabalhadores brasileiros ouvidos dizem que:
88% se sentem confiáveis pelo seu empregador (83% global);
80% afirmam que podem confiar na liderança (77% global);
61% dizem que escondem aspectos de si mesmos no trabalho (62% global);
59% acreditam que sua organização não está fazendo o suficiente para melhorar a equidade (59% global);
56% confiam que seu empregador criará uma cultura inclusiva no trabalho (49% global);
42% estariam dispostos a ganhar menos se o seu trabalho contribuísse para a sociedade (39% global).
O levantamento indica que o trabalhador brasileiro está mais exigente. Com isso, as empresas que não investirem em cultura organizacional, transparência e qualidade de vida terão cada vez mais dificuldade para atrair e reter talentos,
No país, há sinais de que parte dos empregadores já começou a responder a essas novas expectativas. Entre os entrevistados, 63% afirmam ter flexibilidade de horário no trabalho (ante 65% no recorte global) e 60% contam com flexibilidade de local para exercer suas atividades (mesmo índice global).
Nos últimos seis meses, 35% perceberam um aumento na flexibilidade de jornada em suas funções (31% global), enquanto 31% notaram avanços na flexibilidade de localização (29% global).
Essas mudanças sugerem um movimento gradual das empresas brasileiras para se ajustar às demandas por maior autonomia e bem-estar.
Oportunidades por meio de qualificação
Com a rápida evolução tecnológica, os trabalhadores brasileiros estão mais atentos à necessidade de atualizar suas competências, especialmente em inteligência artificial e outras tecnologias emergentes.
A busca por desenvolvimento profissional se tornou central nas decisões de carreira. Segundo o levantamento, 87% dos trabalhadores consideram treinamento e desenvolvimento importantes para permanecer no emprego atual ou aceitar uma nova oportunidade — valor bem acima da média global, de 72%.
A falta de preparo para o futuro também é um fator de ruptura: 44% dizem que pediriam demissão caso o empregador não oferecesse meios para atualizar suas habilidades, e 48% rejeitariam uma vaga que não proporcionasse oportunidades de aprendizado.
Apesar disso, a maioria percebe algum avanço: 63% afirmam que a empresa já oferece formas de desenvolver competências “à prova do futuro”, como IA — índice superior ao global (55%).
A pesquisa também revela uma diferença relevante na percepção de responsabilidade pelo próprio desenvolvimento. Para 49% dos brasileiros, cabe principalmente ao trabalhador garantir que suas habilidades acompanhem o avanço tecnológico (contra 35% global).
Já 19% entendem que essa responsabilidade deveria ser da empresa, proporção menor que a média mundial (27%). Nos últimos seis meses, 41% dos profissionais perceberam um aumento nas oportunidades de capacitação oferecidas por seus empregadores, acima dos 34% observados globalmente.
Quando perguntados sobre os temas de aprendizagem que mais despertam interesse, os trabalhadores destacam:
Inteligência artificial: 27% (23% global)
Alfabetização tecnológica e TI: 17% (11% global)
Gestão e liderança: 8% (7% global)
Diversidade e inclusão: 7% (3% global)
Bem-estar e mindfulness: 5% (6% global)
Os dados reforçam que o trabalhador brasileiro está não apenas atento às transformações tecnológicas, mas também mais proativo e exigente quanto ao próprio desenvolvimento. As empresas que não acompanharem esse movimento podem perder competitividade na atração de talentos.
🧮 Metodologia da pesquisa
A amostra brasileira do Workmonitor 2025 reúne 755 trabalhadores, distribuídos em diferentes formas de vínculo profissional, incluindo empregados registrados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), contratos temporários, prestadores de serviço, profissionais por conta própria, trabalhadores em modelos flexíveis (como zero-hour e assignments), além de pessoas atualmente desempregadas.
Os entrevistados se distribuem entre:
Open-ended contract (emprego fixo / CLT): 539 pessoas (71,4%)
Contrato por tempo determinado (6 ou 12 meses): 51 pessoas (6,75%)
Contrato temporário / sazonal: 11 pessoas (1,45%)
On call / zero hour: 42 pessoas (5,56%)
Interim assignment (trabalho por demanda/temporário): 17 pessoas (2,25%)
Sole trader / trabalhador por conta própria: 75 pessoas (9,93%)
Desempregados no momento da pesquisa: 6 pessoas (0,8%)
O estudo também contempla diversos setores da economia como saúde, hospitalidade, agricultura, bens de consumo e energia, além de incluir perfis white collar, grey collar e blue collar, abrangendo funções administrativas, técnicas e operacionais.
Ou seja: a diversidade de setores e de classificação ocupacional confirma que a amostra não se limita a trabalhadores de escritório ou cargos corporativos. Há uma categorização por tipo de ocupação:
White collar: 421 pessoas (56,2%)
Grey collar: 143 pessoas (19,1%)
Blue collar: 185 pessoas (24,7%)
Embora o relatório público traga análises globais, o recorte brasileiro possui dados detalhados por gênero, idade, geração, tipo de contrato, setor e ocupação, garantindo um panorama representativo e alinhado à diversidade do mercado de trabalho no país.
Novas iniciativas ampliam as oportunidades de emprego e renda
Foto: Assessoria de Comunicação Prefeitura de Morro Agudo
CNH 2026: veja como renovar a habilitação automaticamente e de graça

CNH 2026: veja como renovar a habilitação automaticamente e de graça
Desde o início de 2026, novas regras passaram a valer para a CNH, incluindo uma que permite a renovação gratuita e automática da habilitação. A medida é um benefício para o chamado “bom condutor”.
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Para ser considerado “bom condutor”, o motorista precisa cumprir os seguintes critérios:
🪪 Não ter pontos registrados na CNH nos últimos 12 meses;
🚨 Não ter infrações de trânsito registradas no documento no mesmo período;
📝 Estar cadastrado no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC).
Para aderir ao RNPC e ter a CNH renovada de graça, o motorista deve:
Abrir o aplicativo CNH Brasil;
Selecionar a opção “Condutor”;
Acessar “Cadastro Positivo”;
Tocar em “Autorizar participação”.
CNH física não é emitida de graça e nem automaticamente
Segundo as novas regras, apenas a versão digital da CNH é renovada automaticamente. Caso o condutor também queira o documento físico, será necessário solicitá-lo separadamente, após a renovação da versão digital.
Para receber a CNH física, o condutor pode fazer a solicitação pelo aplicativo CNH Brasil ou presencialmente em uma unidade do Detran do estado onde reside.
As novas regras da CNH não eliminaram o custo de emissão da carteira física, cujo valor varia conforme o Detran de cada estado.
A renovação da CNH física envolve os seguintes valores:
Em São Paulo, por exemplo, o valor é de R$ 122,17.
Em Alagoas, a cobrança é maior, chegando a R$ 144,12;
No Acre, a taxa é de R$ 89,75.
É importante destacar que nem todos os condutores têm direito à renovação automática da CNH, mesmo aqueles que não cometeram infrações ou receberam multas nos últimos 12 meses.
Pelas novas regras, condutores com mais de 50 anos podem renovar automaticamente a CNH apenas uma vez. Além disso, os casos abaixo não têm direito à renovação automática:
Condutores com 70 anos ou mais;
A renovação automática não vale para motoristas que têm a validade da CNH reduzida por recomendação médica, em casos de doenças progressivas ou condições que exigem acompanhamento de saúde.
Novas regras para a CNH
A medida provisória criou a CNH do Brasil, com novas regras para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A iniciativa tem como objetivo modernizar e baratear o processo de obtenção da carteira de motorista.
A expectativa do Ministério dos Transportes é que o novo modelo reduza em até 80% o custo para tirar o documento, além de diminuir os entraves e a demora no processo de renovação da carteira.
Veja as principais mudanças:
Aulas em autoescola deixam de ser obrigatórias;
O conteúdo teórico estará disponível no aplicativo do governo, de graça, e não será mais exigida carga horária mínima;
O aluno poderá usar carro particular e optar por aulas com um instrutor autônomo, credenciado pelo Detran;
As aulas práticas caem de 20 para 2 horas no mínimo (com um instrutor ou em autoescola);
As provas práticas continuam sendo presenciais, assim como o exame médico e a coleta biométrica;
Quem reprovar na primeira avaliação poderá fazer o segundo teste de graça;
Não haverá mais prazo para a conclusão do processo de habilitação, que hoje é de um ano;
A CNH poderá ser renovada automaticamente e de graça, caso o condutor não cometa infrações nos últimos 12 meses e esteja no Registro Nacional Positivo de Condutores.
Veja abaixo reportagem completa, com perguntas e respostas sobre a nova CNH:
CNH sem autoescola: o que muda para tirar a carteira? Como serão as aulas? Veja perguntas e respostas
Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Crystofher Andrade/g1
Veja como ficou a inflação do prato feito em 2025 e o que esperar de 2026

Depois de subir 7% em 2024, a inflação de alimentos perdeu força em 2025 e fechou o ano com alta de 2,9%.
Reprodução
Após um aumento de 7% em 2024, a inflação de alimentos perdeu força em 2025, mas fechou o ano com alta de 2,9%, mostram dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados na sexta-feira (9).
Muitos alimentos básicos do prato brasileiro, como o arroz e o feijão, tiveram quedas expressivas de preços, após um aumento das colheitas beneficiado por um clima mais estável no campo.
O preço da carne, no entanto, continuou em patamares altos, mas menos acelerado do que em 2024. Porém, a tendência é que ele suba novamente em 2026. Veja abaixo mais detalhes.
Como ficou o prato feito em 2025
Arte/g1
Carne bovina
O preço da carne bovina desacelerou em 2025, diante de uma produção recorde no Brasil.
A inflação do contrafilé, por exemplo, fechou 2025 com alta de 1,3%, após um salto de 20% registrado em 2024. Movimento semelhante aconteceu com a picanha, cujo preço desacelerou de 8,7% para 2,8% entre um ano e outro.
Mas a expectativa é de que ela fique mais cara neste ano, afirma o CEO da Scot Consultoria, Alcides Torres.
"O consumidor não vai ter refresco. Nós não vamos ter tanta produção como tivemos nos últimos três anos", afirma.
Em 2025, o Brasil teve um recorde inédito de abate de fêmeas, superando, inclusive, o de machos pela primeira vez desde o início da série histórica do IBGE, em 1997.
Esse movimento tem feito o preço do bezerro subir no país, o que incentiva a mudança de estratégia dos pecuaristas: em vez de mandar vacas para o abate, a prioridade nos próximos meses será mantê-las nas fazendas para reprodução.
Segundo Torres, esse movimento começou por volta de outubro e vai se intensificar ao longo de 2026, principalmente no segundo semestre.
A segunda metade do ano também é marcada por períodos mais secos, com baixa umidade e dias mais curtos, o que reduz a disponibilidade de capim e, consequentemente, a quantidade de animais disponíveis para o abate.
Torres pontua ainda que os limites que a China colocou às exportações de carne do Brasil não vão provocar um excesso de carne no Brasil a ponto de baratear a carne. Segundo ele, isso não vai acontecer justamente pela esperada queda na produção.
Os preços também vão subir porque o brasileiro tende a consumir mais carne neste ano.
"Três fatores principais devem aquecer a procura interna em 2026: as eleições, a Copa do Mundo e a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Isso vai se traduzir em maior consumo de proteína animal", diz Torres.
Ele explica que, historicamente, em épocas de eleição, há mais dinheiro circulando na economia por causa dos recursos liberados para financiamentos de campanhas.
O analista Fernando Iglesias, do Safras & Mercados, detalha que é comum, nessas ocasiões, os políticos fazerem "churrascadas" em dias de comícios, com parte dos recursos de campanha, principalmente no interior dos estados.
Ovos e frango
O início de 2025 foi marcado por uma disparada dos preços dos ovos após um aumento do custo do milho, calor intenso, além de uma maior procura pelo alimento. Em fevereiro, por exemplo, o preço do ovo chegou a subir 40% no atacado.
Após o pico de alta, os preços ao consumidor foram perdendo força, mas acabaram encerrando 2025 com aumento de 4%, após uma queda de 4,5% em 2024.
A inflação do frango também continuou pressionada, apesar de ter desacelerado entre 2024 e 2025, de 10,3% para 6%, mostra o IBGE.
Segundo Iglesias, isso tem acontecido porque a população brasileira tem priorizado proteínas mais baratas, como frango e ovos, tendência que vai se manter em 2026, diz ele.
"O brasileiro está com baixo poder de compra e isso se acentua em 2026 com juros elevados e nível alto de endividamento das famílias", afirma.
Por causa da alta demanda, é bem difícil que os preços do frango e dos ovos caiam neste ano, diz Iglesias.
Arroz
O arroz ficou mais barato para o consumidor em 2025, impulsionado por um aumento significativo da produção, que foi favorecida pelo clima e pelo crescimento da área plantada, diz Lucilio Alves, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP (Cepea).
Na safra 2024/25, a colheita de arroz cresceu 20,6% em relação à temporada anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
"Isso aconteceu porque os preços do arroz no campo subiram muito na safra anterior, o que resultou numa melhor rentabilidade para o produtor. Esse aumento foi o que motivou os agricultores a expandirem a área de cultivo e a investirem mais na safra seguinte", diz Alves.
Como os preços da última safra caíram bem mais ao produtor (-46%) do que ao consumidor, o pesquisador avalia que ainda existe "espaço para novas quedas" nos supermercados, no curto prazo.
Para este ano, a expectativa é de que a colheita seja menor, o que pode gerar uma "ligeira recuperação" dos preços no campo "para garantir que a cultura continue atrativa para o agricultor". Mas isso não deve se traduzir em grandes aumentos de preço para o consumidor.
Feijão preto e carioca
O feijão preto registrou uma queda de preço muito mais expressiva do que o carioca, especialmente no primeiro semestre do ano passado, afirma o pesquisador do Cepea.
"A produção de feijão preto cresceu 14% [na safra 2024/25], impulsionada por boas colheitas no Paraná e em Mato Grosso. Mas esse excesso de oferta não teve contrapartida [na demanda dos consumidores] e isso derrubou os preços", detalha Alves.
Diferente do feijão preto, a safra de feijão carioca diminuiu 10%, mas os preços ficaram mais equilibrados, pois a queda na oferta foi compensada por um consumo estável, diz Alves.
Ele diz que ainda é cedo para traçar uma tendência para o feijão carioca, mas avalia que os preços não devem oscilar muito.
"No caso do feijão preto, diante da forte queda das cotações e da redução área plantada no Paraná e em outras regiões, é possível esperar uma ligeira recuperação (aumento) dos preços", diz Alves.
Morre o pesquisador que é considerado 'pai' do feijão Carioquinha
Áreas de arroz e feijão param de cair, após perderem espaço para soja e milho por 16 anos
Mega-Sena pode pagar R$ 13,5 milhões neste sábado

Como funciona a Mega-sena
O concurso 2.958 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 13,5 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h deste sábado (10), em São Paulo.
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No concurso da última quinta-feira, nenhuma aposta acertou as seis dezenas.
A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Quatro fundos investigados por ligação com o crime organizado aparecem em suspeita de fraude do Banco Master

Vorcaro diz ao STF que não tem participação em ataques ao BC e pede investigação de influenciadores digitais
Uma denúncia encaminhada pelo Banco Central ao Ministério Público Federal aponta que ao menos quatro fundos investigados por ligação com o crime organizado fizeram parte de um esquema de fraude envolvendo o Banco Master.
Segundo a apuração, esses fundos integram uma cadeia de transações estruturadas para inflar artificialmente ativos e permitir que recursos voltassem ao controle do dono do banco, Daniel Vorcaro, e de diretores da instituição.
De acordo com o Banco Central, as operações suspeitas envolvem fundos administrados pela Reag DTVM, empresa do setor financeiro que foi alvo da Operação Carbono Oculto, deflagrada para investigar lavagem de dinheiro ligada à máfia dos combustíveis e ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
O material enviado pelo BC ao MPF, em 17 de novembro, estima que as transações sob suspeita possam chegar a R$ 11,5 bilhões.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
Banco Master
Como funcionaria o esquema
Segundo técnicos do Banco Central, os fundos teriam sido usados para simular aportes de capital no Banco Master, criando a aparência de que o banco tinha recursos suficientes para continuar operando nos últimos meses antes da liquidação. Na prática, porém, os valores estariam lastreados em ativos de baixa liquidez e sobrevalorizados, que valiam muito menos do que o registrado nas operações.
O modelo descrito pelo BC segue um padrão:
▶️o Banco Master concedia empréstimos a empresas;
▶️essas empresas aplicavam os recursos em fundos;
▶️os fundos compravam ativos de baixíssima liquidez por valores inflados;
▶️esses ativos acabavam retornando, direta ou indiretamente, a fundos ligados a Vorcaro e a pessoas de sua confiança.
Em um exemplo citado pelos investigadores, um título avaliado em R$ 100 poderia ser negociado internamente por R$ 1.000, elevando artificialmente o valor do patrimônio envolvido na operação.
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Blog do Valdo Cruz: nova suspeita de fraude do Banco Master envolve fundos da Reag, alvo da operação Carbono Oculto
Indícios de crime e falhas de gestão
Trechos da chamada “Notícia de Fatos”, enviada pelo Banco Central ao MPF e obtida pelo blog do Valdo Cruz, afirmam que há indícios de crimes contra o sistema financeiro nacional cometidos por administradores do Banco Master e da Reag. O documento também aponta falhas graves no gerenciamento de riscos.
Segundo o BC, entre julho de 2023 e julho de 2024, o Master realizou operações estruturadas de crédito corporate que somaram R$ 11,5 bilhões, com elevada concentração em poucos clientes e em desacordo com princípios básicos de seletividade, liquidez e diversificação de riscos. Parte dessas operações tinha como garantia fundos de investimento que, em tese, deveriam funcionar como fundos de liquidez.
Técnicos afirmam que o gerenciamento inadequado desses riscos teria sido deliberado, para evitar a reavaliação dos ativos a valores mais próximos da realidade. O valor inflado foi usado, segundo a apuração, para justificar aportes de capital exigidos pelo próprio Banco Central.
Liquidação e questionamentos no TCU
Todo esse histórico de transações foi reunido pelo Banco Central no processo que resultou na liquidação extrajudicial do conglomerado Master, decretada em novembro. A decisão foi justificada pelo BC com base no “esgotamento de todas as alternativas de solução de mercado”, na situação econômico-financeira crítica do banco e na identificação de irregularidades graves que comprometiam a solvência da instituição.
O caso também foi levado ao Tribunal de Contas da União (TCU). O ministro Jhonatan de Jesus, relator do processo no tribunal, chegou a determinar uma inspeção técnica em documentos do Banco Central, mas a medida acabou sendo suspensa após reações contrárias e a abertura de um processo de mediação.
'Avanço relevante': entidades do agro comemoram aprovação da União Europeia sobre acordo com Mercosul

Brasil deve ser um dos países mais beneficiados pelo acordo Mercosul-União Europeia
O agronegócio brasileiro comemorou a aprovação da União Europeia para a assinatura do acordo comercial com o Mercosul, nesta sexta-feira (9).
O tratado deve ser assinado no próximo dia 17 e dará origem à maior zona de livre comércio do mundo.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que representa produtores de ovos e das carnes de frango e de porco, disse que o anúncio representa "um avanço relevante para a previsibilidade comercial e para o fortalecimento das relações entre os blocos, com impactos graduais e bem delimitados para o setor de proteínas animais".
A entidade afirmou ainda que a concretização do acordo reforça o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais, "com base em sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva".
Saiba mais: carne, café, frutas - que está em jogo para o agro brasileiro
O Brasil, um dos maiores produtores de alimentos do mundo, deve ser um grande beneficiário do acordo. O bloco europeu já é o segundo maior cliente do agro brasileiro, atrás da China e à frente dos Estados Unidos.
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) concordou que a aprovação é um avanço importante, "após mais de duas décadas de discussões e ajustes".
O presidente da entidade, Tirso Meirelles, declarou que o tarifaço, imposto por Trump no ano passado, reforçou a importância de acordos bilaterais que ampliem o alcance do comércio internacional brasileiro.
Apesar de as exportações brasileiras de soja em grão, farelo de soja e milho não enfrentarem barreiras tarifárias na UE, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) informou que o setor também será beneficiado.
"O acordo poderá proporcionar maior previsibilidade aos exportadores, reduzir custos e ampliar a priorização dos produtos brasileiros, reforçando a competitividade do país nesses mercados", disse em nota.
Em relação ao café, o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, disse ao Jornal Nacional que o acordo pode tornar o café solúvel mais competitivo na Europa.
Isso porque, atualmente, o país é prejudicado pela concorrência vietnamita, que já tem acordo comercial com o bloco para tarifa zero neste produto.
O acordo UE-Mercosul prevê que as tarifas do café solúvel e torrado e moído zerem em 4 anos.
"As previsões iniciais são de que a gente pode crescer até 35% nos próximos anos", afirmou.
Acordo UE-Mercosul pode baratear vinhos europeus e ampliar oferta de chocolates premium
Para o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, a relação com a agropecuária criará oportunidades para o Mercosul, ampliando os negócios.
Além disso, ele pontuou que as salvaguardas ainda podem ser debatidas durante processos de negociação e que elas são recíprocas.
🔍As salvaguardas são proteções para agricultores europeus aprovadas pelos parlamentares europeus em dezembro. Elas preveem que os benefícios tarifários do Mercosul no acordo podem ser suspensos temporariamente, caso a UE entenda que isso esteja prejudicando algum setor do agro local.
Na época, a medida gerou insatisfação no agro brasileiro. A diretora de relações internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), Sueme Mori, explicou que elas podem limitar as exportações brasileiras para o mercado europeu, o que é contraditório, em um momento em que se espera assinar um acordo de livre comércio.
O g1 procurou a CNA e também a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) nesta sexta-feira, mas não teve um retorno até a última atualização dessa reportagem.
Em dezembro, quando a acordo já estava em próximo de ser aprovado na UE, Mori, da CNA, disse que o acordo em si eleva o nível da relação entre os parceiros comerciais e faz com que o Mercosul passe a ser um parceiro preferencial da UE.
O comentário foi feito em relação à criação de cotas com impostos reduzidos para a carne bovina que, apesar de ser considerada pequena pela diretora, traz vantagens.
Pelo tratado, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai poderão exportar, juntos, até 99 mil toneladas por ano, com uma tarifa inicial de 7,5%.
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Raio X dados 2025
Arte g1
Trump diz que EUA vão negociar petróleo da Venezuela: 'China pode comprar quanto quiser'

O presidente Donald Trump afirmou nesta sexta-feira (9) que empresas interessadas no petróleo venezuelano terão de negociar diretamente com os Estados Unidos.
A declaração foi feita durante uma reunião com altos funcionários do governo e executivos de algumas das maiores petroleiras do mundo. Segundo o republicano, os EUA estão abertos a negociações com a China.
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"A China pode comprar todo o petróleo que quiser dos EUA, nos Estados Unidos ou na Venezuela", afirmou.
O gigante asiático é o principal comprador do petróleo venezuelano. Após as amplas sanções impostas pelos EUA ao país sul-americano em 2019, a participação da China subiu para 68% das exportações venezuelanas nos últimos anos.
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Trump também afirmou a executivos do setor petroleiro que os EUA irão refinar e vender até 50 milhões de barris de petróleo bruto da Venezuela, sob um novo acordo com o país, após forças americanas prenderem Nicolás Maduro em território venezuelano no último sábado (3).
"A Venezuela parece ser uma aliada", afirmou o republicano durante a reunião.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou nesta semana que o país está aberto a relações energéticas em que todas as partes se beneficiem.
A declaração ocorreu após a Casa Branca dizer que estava trabalhando em um acordo de petróleo com o país sul-americano.
De olho no petróleo
O republicano já vinha sinalizando as intenções dos EUA em relação ao petróleo venezuelano. Segundo ele, a Venezuela concordou em destinar a receita obtida com a venda do petróleo à compra exclusiva de produtos fabricados nos EUA.
Em uma publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que as compras incluirão produtos agrícolas, medicamentos e equipamentos médicos, além de itens para melhorar a rede elétrica e as instalações de energia do país sul-americano.
"Em outras palavras, a Venezuela está se comprometendo a fazer negócios com os EUA como seu principal parceiro — uma escolha sensata e algo muito positivo para o povo da Venezuela e dos Estados Unidos", acrescentou Trump.
Trump diz que Venezuela comprará produtos americanos com receita do petróleo.
Reprodução/Truth Social
O Departamento de Energia americano informou que os EUA já começaram a comercializar petróleo venezuelano. De acordo com o órgão, toda a receita da venda será inicialmente depositada em contas controladas pelos EUA em bancos reconhecidos globalmente.
"Contamos com o apoio financeiro das principais empresas de comercialização de commodities e bancos importantes do mundo para viabilizar e concretizar essas vendas de petróleo bruto e derivados" , informou o departamento.
O órgão declarou ainda que os recursos serão depositados em contras controladas pelos EUA para "garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final dos recursos", que serão feitos "em benefício do povo americano e do povo venezuelano, a critério do governo dos EUA".
Na quarta-feira, a petroleira estatal venezuelana PDVSA citou avanço nas negociações com os EUA para a venda de petróleo. Segundo a empresa, as partes vêm discutindo termos semelhantes aos que estão em vigor com parceiros estrangeiros, como a petroleira americana Chevron.
As vendas, de acordo com o Departamento de Energia, começam "imediatamente", e continuarão por tempo indeterminado.
Um dia antes, Donald Trump havia afirmado que os EUA refinariam e venderiam até 50 milhões de barris de petróleo bruto retidos na Venezuela devido ao bloqueio americano.
Ele também disse ter fechado um acordo com Caracas para exportar até US$ 2 bilhões em petróleo bruto venezuelano para os EUA — movimento que desviaria fornecimentos da China e ajudaria a Venezuela a evitar cortes mais profundos na produção.
O presidente dos EUA, Donald Trump, em discurso para republicanos da câmara dos EUA
Kevin Lamarque/Reuters
Petróleo a preço de mercado
As declarações do republicano ocorreram apenas alguns dias depois de uma ação militar americana na Venezuela que resultou na prisão de Nicolás Maduro. Ao menos 55 militares venezuelanos e cubanos morreram na operação.
Nesta semana, Trump disse que o petróleo venezuelano será vendido a preço de mercado. Ele afirmou ainda que será responsável por controlar o dinheiro obtido para garantir que os recursos sejam usados “em benefício do povo da Venezuela e dos EUA”.
“O petróleo será transportado por navios de armazenamento e levado diretamente a terminais de descarga nos Estados Unidos”, afirmou. O total de petróleo que será entregue aos EUA corresponde a cerca de dois meses da produção atual venezuelana.
Na última terça-feira (6), a agência Reuters revelou que autoridades da Venezuela e dos EUA já estavam discutindo a exportação de petróleo bruto para os americanos.
Desde dezembro, a Venezuela acumula milhões de barris de petróleo em navios e tanques de armazenamento, sem conseguir exportá-los, devido a um bloqueio imposto por Trump. O embargo fez parte da pressão americana que resultou na queda de Maduro.
Por que o petróleo da Venezuela é tão importante para os EUA
Vorcaro diz ao STF que não tem participação em ataques ao BC e pede investigação de influenciadores digitais
Tenho tudo registrado, diz vereador que recusou proposta milionária para defender o Master e atacar o BC A defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um documento em que nega qualquer participação em práticas de disseminação de desinformação contra o Banco Central após a liquidação da instituição financeira. No pedido, os advogados solicitam a abertura de uma investigação para apurar a propagação do que classificam como fake news e crimes contra a honra. Segundo a defesa, a apuração é necessária para demonstrar que Vorcaro não tem relação com ataques virtuais direcionados ao Banco Central, que se intensificaram nas redes sociais em dezembro, depois da decisão da autoridade monetária de decretar a liquidação do Master. Influenciadores relatam propostas para criticar o BC Um criador de conteúdo digital de São Paulo afirmou ao g1, sob condição de anonimato, que recebeu R$ 7,8 mil por uma única postagem com críticas ao Banco Central, publicada em dezembro. Segundo ele, após essa publicação, recusou uma proposta de contrato de três meses para continuar divulgando conteúdos semelhantes. De acordo com o influenciador, o pagamento foi feito no mesmo dia do post, em 19 de dezembro, e teria partido da conta de Thiago Miranda, dono da Miranda Comunicação, também conhecida como Agência MiThi. Ele diz que apagou o conteúdo dois dias depois por considerar que o material “ultrapassava limites éticos” e afirma ter devolvido o valor recebido. “Num primeiro momento, agi de boa-fé. Não tinha entendido que vinha de Vorcaro. Achei interessante, diferente do que eu estava pensando”, relatou. “Depois, fui entender que minha opinião estava sendo comprada.” Contratos previam série de vídeos e ausência de checagem O contrato ao qual o g1 teve acesso previa a produção de oito vídeos por mês, no formato reels, durante três meses. Ao fim do período, com desconto de comissão, o influenciador receberia R$ 188 mil. O documento também estabelecia que o criador de conteúdo não teria obrigação de fazer apuração própria ou checagem adicional, devendo se limitar a comentários informativos em tom neutro. Procurado, Thiago Miranda não respondeu. A Olivetto Comunicação, citada no contrato como intermediária, informou em nota que apenas indicou influenciadores para eventual produção de vídeos sobre temas em alta, mas que nenhum deles aceitou a proposta e que não houve contratação nem veiculação de conteúdo. Leia também: Caso Master: influencer revela contrato de três meses e cachê de R$ 7,8 mil por post inicial com críticas ao BC Blog do Valdo Cruz: Banco Master pode ter gerado prejuízo superior a R$ 4 bilhões ao BRB Vereador diz ter sido convidado para campanha contra o BC Na terça-feira (6), o blog da colunista Andréia Sadi revelou o relato do vereador Rony Gabriel (PL-RS), que expôs nas redes sociais um contrato preliminar para participar de uma campanha contra o Banco Central. Nesta sexta-feira (9), em entrevista ao programa Estúdio i, da GloboNews, ele afirmou ter ouvido, durante as negociações, que o contratante da campanha seria Daniel Vorcaro — e disse que recusou o trabalho. O contrato mencionava um “Projeto DV”, em referência às iniciais do banqueiro, previa cláusula de confidencialidade por cinco anos e estabelecia multa de R$ 800 mil em caso de quebra de sigilo. Rony afirmou que o cachê oferecido era “de milhões, no plural”. PF vai apurar possível ação coordenada A Federação Brasileira de Bancos identificou, no mesmo período, uma enxurrada de ataques ao Banco Central nas redes sociais. A Polícia Federal deve investigar se houve uma ação coordenada para difundir críticas à autoridade monetária após a liquidação do Banco Master. Outros influenciadores relataram ao g1 propostas semelhantes, também com contratos de três meses e oito postagens mensais. Alguns afirmam ter recusado o trabalho ao perceberem o objetivo da campanha.
Alckmin diz que 30% dos exportadores brasileiros vendem para UE e que acordo entre blocos é o maior do mundo

O vice-presidente Geraldo Alckmin, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, celebrou nesta sexta-feira (9) o aval dos países europeus para o acordo Mercosul-União Europeia.
🔎A sinalização favorável dos países da União Europeia abre caminho para a assinatura do tratado, após mais de 25 anos de negociações. O acordo segue enfrentando forte resistência de agricultores europeus — sobretudo na França.
Segundo Alckmin, 30% dos exportadores brasileiros vendem produtos para países da União Europeia, cerca de 9 mil empresas.
"Este acordo fortalece o multilateralismo, o comércio entre os dois blocos, comércio com regras, promove investimentos, devemos ter mais investimentos europeus no Mercosul, fortalece a sustentabilidade, porque Brasil assume compromisso de combate às mudanças climáticas. É ganha-ganha. Produtos mais baratos e de melhor qualidade", disse Alckmin.
Conforme o vice-presidente, acordo deve ser assinado nos próximos dias no Paraguai e começar a valer em 2026.
União Europeia confirma acordo com Mercosul
"Tem que aprovar lei no Congresso brasileiro. Há a necessidade de internalizar. Primeiro, assina. Depois de assinado, a Europa internaliza pelo parlamento europeu. No Mercosul, cada país faz sua lei. Nossa expectativa é fazer nesse semestre", projetou Alckmin.
Questionado sobre a oposição ao acordo de alguns países, como a França, Alckmin disse que é "difícil ter a unanimidade".
Ele afirmou também que, embora a aprovação não tenha relação direta com o tarifaço promovido pelos Estados Unidos, o acordo pode ajudar na revisão de tarifas pelos norte-americanos.
Mais cedo, nesta sexta, os países da União Europeia a confirmaram aprovação do acordo comercial com o Mercosul, maior zona de livre comércio do mundo. A informação foi divulgada pelo Chipre, que detém a presidência rotativa do bloco.
Segundo o governo brasileiro, trata-se do maior acordo comercial negociado pelo Mercosul e um dos maiores dentre aqueles pactuados pela União Europeia com parceiros comerciais.
O Acordo integrará dois dos maiores blocos econômicos do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto (PIB) de mais de US$ 22 trilhões de dólares.
🔍 De forma geral, o acordo comercial prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além de regras comuns para temas como comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o tratado amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores e tem impactos que vão além do agronegócio, alcançando também diferentes segmentos da indústria brasileira.
Vice-presidente Geraldo Alckmin em imagem de arquivo
Raphael Fernandes
França ameaça adotar medidas 'unilaterais' se agro correr risco por acordo UE-Mercosul

O que está em jogo para o agro brasileiro no acordo UE-Mercosul
A ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, afirmou nesta sexta-feira (9) que adotará medidas "unilaterais" caso o setor agrícola e pecuário do país seja colocado em risco pelo acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, cuja adoção a França tentou barrar, sem sucesso.
Genevard fez essas declarações durante uma coletiva de imprensa para responder ao descontentamento dos agricultores, que nos últimos dias protestaram contra a adoção do acordo e contra a gestão da dermatose nodular bovina, uma doença animal.
Questionada sobre se a adoção do acordo representa um revés para a França no âmbito europeu, Genevard defendeu as concessões feitas por Bruxelas aos agricultores europeus desde a conclusão do acordo em Montevidéu, em dezembro de 2024.
"A França fez-se ouvir", assegurou a ministra conservadora, que advertiu: "Não hesitaremos em adotar unilateralmente uma série de medidas assim que considerarmos que nossos setores estão em perigo".
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'Vai matar a agricultura': produtores europeus protestam após aval da UE para acordo com Mercosul
Genevard citou como exemplo a recente suspensão, por um ano, da importação para a França de alguns produtos agrícolas tratados com substâncias proibidas na União Europeia, principalmente de origem sul-americana.
Agricultores franceses protestam em frente à Assembleia Nacional contra o acordo UE-Mercosul
Benoit Tessier/Reuters
Os países da União Europeia deram nesta sexta-feira sinal verde ao acordo com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai por maioria qualificada, durante uma reunião de seus embaixadores em Bruxelas, apesar da oposição de países como França, Polônia, Irlanda e Hungria.
Isso permitirá que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, possa assinar o acordo no Paraguai em 17 de janeiro, conforme a data anunciada pelo chanceler argentino, Pablo Quirno.
No entanto, o Parlamento Europeu também precisa dar seu aval ao tratado comercial. O resultado nesse âmbito é incerto, já que cerca de 150 eurodeputados (de um total de 720) ameaçam recorrer à Justiça para impedir sua aplicação.
"Não é o fim da história. Há um ator-chave que vai entrar em cena: o Parlamento Europeu", advertiu a ministra francesa.
A Comissão Europeia negocia desde 1999 esse amplo acordo com Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, que prevê a criação da maior zona de livre comércio do planeta, com mais de 700 milhões de consumidores.
O setor agropecuário europeu teme o impacto da chegada maciça de carne, arroz, mel ou soja sul-americanos, em troca da exportação de veículos, máquinas, queijos e vinhos europeus para o Mercosul.
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'Tenho tudo registrado', diz vereador que recusou proposta milionária para defender o Master e atacar o BC

Tenho tudo registrado, diz vereador que recusou proposta milionária para defender o Master e atacar o BC
O vereador Rony Gabriel, do PL de Erechim, no Rio Grande do Sul, afirmou em entrevista exclusiva ao Estúdio I, da GloboNews, que tem provas sobre a denúncia em que diz ter sido procurado por uma empresa para, segundo ele, gravar conteúdos em que deveria defender o Banco Master e difamar o Banco Central -- responsável por decretar a liquidação da instituição de Daniel Vorcaro no fim do ano passado.
📱 Acesse o canal da Sadi no WhatsApp
"Eu tenho, inclusive, as conversas em ata notarial em cartório e o contrato, assinado digitalmente. Eu registrei absolutamente tudo porque tudo que eu falei eu posso comprovar", disse.
O parlamentar afirma que chegou a receber modelo de vídeos feitos por outros influenciadores com o roteiro que deveria ser adotado na publicação.
Vereador Rony Gabriel (PL), de Erechim (RS).
Reprodução
"Eles queriam que fizessem vídeo no sentido de descredibilizar o Banco Central para dar a entender que foi feita a liquidação do Banco Master com certa celeridade. Me mandaram, inclusive, alguns modelos de vídeos que já tinham sido feitos por outros influenciadores no sentido de que era aquele o discurso, aquele o roteiro", afirmou.
Questionado se o responsável pela negociação havia informado que Daniel Vorcaro era o contratante, ele respondeu que “sim, claramente”.
“Tratava-se do caso do Banco Master, de interesse de Daniel Vorcaro”, afirmou, dizendo ter provas da denúncia.
Vereador diz que pedido para influenciadores atacarem BC veio de Vorcaro
Segundo Rony, a procura foi feita pelas redes sociais e depois pelo WhatsApp através de um assessor. A proposta previa um contrato com cláusula de confidencialidade de R$ 800 mil em caso de quebra do acordo.
"Fizemos uma reunião via aplicativo de vídeo e, nessa reunião, ele [representante da empresa] trouxe que se tratava de um reposicionamento de imagem e que se tratava de Daniel Vorcaro, se tratava do Banco Master", disse.
Caso Master: vereador procurado para atacar o BC detalha negociações para contrato milioná
Vereador do PL em Erechim (RS), ele tem 1,7 milhão de seguidores na rede social e se apresenta como pré-candidato a deputado federal. A gravação (veja abaixo), obtida pelo blog, mostra uma troca de mensagens entre um assessor do vereador e o representante da agência de comunicação.
Influencers foram contratados para difamar o Banco Central no caso Master
No vídeo que postou no Instagram, Rony conta que, no dia 20 de dezembro de 2025, uma agência de marketing digital entrou em contato com seu assessor dizendo que fazia "gerenciamento de reputação para um grande executivo" e que estava contratando influenciadores para ajudar nesse trabalho.
Após a denúncia, a Polícia Federal informou que vai abrir um inquérito para investigar se influenciadores foram contratados para gravar conteúdos contra o BC e a favor do Master.
Ao Supremo Tribunal Federal (STF), a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que nega qualquer participação em práticas de disseminação de desinformação contra o Banco Central. No documento, os advogados solicitam a abertura de uma investigação para apurar a propagação do que classificam como fake news e crimes contra a honra.
Caso Master: Vereador procurado para atacar o BC diz que empresa apontou Vorcaro como contratante

Vereador diz que pedido para influenciadores atacarem BC veio de Vorcaro
O vereador Rony Gabriel, do PL de Erechim (RS) detalhou em entrevista exclusiva ao Estúdio i, da GloboNews, a denúncia em que diz ter sido procurado por uma empresa para, segundo ele, gravar conteúdos em que deveria defender o Banco Master e difamar o Banco Central -- responsável por decretar a liquidação da instituição de Daniel Vorcaro no fim do ano passado.
📱 Acesse o canal da Sadi no WhatsApp
Questionado se o responsável pela negociação havia informado que Daniel Vorcaro era o contratante, ele respondeu que “sim, claramente”.
“Tratava-se do caso do Banco Master, de interesse de Daniel Vorcaro”, afirmou, dizendo ter provas da denúncia.
Ao Supremo Tribunal Federal (STF), a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que nega qualquer participação em práticas de disseminação de desinformação contra o Banco Central. No documento, os advogados solicitam a abertura de uma investigação para apurar a propagação do que classificam como fake news e crimes contra a honra.
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"Eu tenho, inclusive, as conversas em ata notarial em cartório e o contrato, assinado digitalmente. Eu registrei absolutamente tudo porque tudo que eu falei eu posso comprovar", disse. "Tentaram comprar a opinião de um parlamentar".
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O parlamentar afirma que chegou a receber modelo de vídeos feitos por outros influenciadores com o roteiro que deveria ser adotado na publicação.
"Eles queriam que fizessem vídeo no sentido de descredibilizar o Banco Central para dar a entender que foi feita a liquidação do Banco Master com certa celeridade. Me mandaram, inclusive, alguns modelos de vídeos que já tinham sido feitos por outros influenciadores no sentido de que era aquele o discurso, aquele o roteiro", afirmou.
Segundo Rony, a procura foi feita pelas redes sociais e depois pelo WhatsApp por meio de um assessor. A proposta previa um contrato com cláusula de confidencialidade de R$ 800 mil em caso de quebra do acordo.
"Fizemos uma reunião via aplicativo de vídeo e, nessa reunião, ele [representante da empresa] trouxe que se tratava de um reposicionamento de imagem e que se tratava de Daniel Vorcaro, se tratava do Banco Master", disse.
Vereador do PL em Erechim (RS), ele tem 1,7 milhão de seguidores na rede social e se apresenta como pré-candidato a deputado federal. A gravação (veja abaixo), obtida pelo blog, mostra uma troca de mensagens entre um assessor do vereador e o representante da agência de comunicação.
Influencers foram contratados para difamar o Banco Central no caso Master
No vídeo que postou no Instagram, Rony conta que, no dia 20 de dezembro de 2025, uma agência de marketing digital entrou em contato com seu assessor dizendo que fazia "gerenciamento de reputação para um grande executivo" e que estava contratando influenciadores para ajudar nesse trabalho.
Após a denúncia, a Polícia Federal informou que vai abrir um inquérito para investigar se influenciadores foram contratados para gravar conteúdos contra o BC e a favor do Master.
Vereador Rony Gabriel (PL), de Erechim (RS).
Reprodução
Acordo entre União Europeia e Mercosul será assinado em 17 de janeiro

Comissão Europeia aprova acordo com Mercosul
O Ministério da Relações Exteriores da Argentina informou nesta sexta-feira (9) que acordo entre União Europeia e Mercosul será assinado no próximo dia 17 de janeiro. A união entre os blocos dará origem à maior zona de livre comércio do mundo.
“Depois de mais de 30 anos de negociações, assinaremos em 17 de janeiro, no Paraguai, um acordo histórico e o mais ambicioso entre ambos os blocos”, disse o chanceler argentino Pablo Quirno em comunicado do Ministério das Relações Exteriores.
📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça
Mais cedo, representantes da UE aprovaram o acordo por uma ampla maioria dos Estados-membros. Os países tinham até as 17h, no horário de Bruxelas (13h no horário de Brasília), para confirmar seus votos por escrito.
Antes, os embaixadores dos 27 Estados-membros da UE já haviam sinalizado apoio provisório ao acordo.
O tratado ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor, mas a decisão já abre caminho para a assinatura do texto entre os blocos. Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Argentina, a expectativa é que o Mercosul assine o acordo com a UE em 17 de janeiro.
🔍 De forma geral, o acordo comercial prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além do estabelecimento de regras comuns para temas como comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
Apesar do apoio de setores empresariais e industriais, o texto segue enfrentando forte resistência de agricultores europeus, sobretudo na França. (veja mais abaixo)
Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o tratado amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores e gera impactos que vão além do agronegócio, alcançando também diversos segmentos da indústria brasileira.
O vice-presidente Geraldo Alckmin, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, celebrou a aprovação do acordo. Segundo ele, cerca de 30% dos exportadores brasileiros vendem produtos para países da UE, o que corresponde a aproximadamente 9 mil empresas.
"Este acordo fortalece o multilateralismo, o comércio entre os dois blocos, comércio com regras, promove investimentos, devemos ter mais investimentos europeus no Mercosul, fortalece a sustentabilidade, porque o Brasil assume compromisso de combate às mudanças climáticas. É ganha-ganha. Produtos mais baratos e de melhor qualidade", disse Alckmin.
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Mais de 25 anos de negociações
O acordo comercial acumula mais de duas décadas de negociações entre os dois blocos. A expectativa é que, mesmo diante da oposição declarada de países como a França, o Parlamento Europeu aprove o tratado.
A Comissão Europeia afirma que o acordo de livre comércio é o maior já firmado pelo bloco em termos de redução de tarifas, eliminando mais de 4 bilhões de euros (US$ 4,7 bilhões ou R$ 25,3 bilhões) por ano em impostos sobre as exportações da UE.
A estimativa é que o Mercosul elimine tarifas sobre cerca de 91% das exportações da UE ao longo de 15 anos;
Enquanto isso, o bloco europeu deve retirar progressivamente as taxas sobre 92% das exportações do Mercosul.
Os blocos também concordaram em ampliar as cotas de produtos isentos no setor agrícola.
Segundo a Comissão Europeia e apoiadores do tratado, como Alemanha e Espanha, o acordo deve oferecer uma alternativa à dependência da China, especialmente no fornecimento de minerais críticos como o lítio, essencial para a produção de baterias.
Os defensores também afirmam que o acordo ajuda a mitigar os efeitos de medidas protecionistas, como as tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
Acordo sofre resistências
Apesar de a maioria dos Estados-membros ter se mostrado favorável à assinatura, o acordo ainda enfrenta resistência de alguns países, que apontam possíveis impactos sobre o setor agrícola.
Um diplomata da UE e o ministro da Agricultura da Polônia afirmaram que 21 países apoiaram o acordo, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia votaram contra. A Bélgica se absteve.
Para a aprovação, era necessário o apoio de pelo menos 15 países, que representassem 65% da população total do bloco.
Nesta sexta-feira (9), o governo francês foi duramente criticado por rivais políticos internos e por agricultores, por não conseguir barrar a aprovação do tratado.
O partido de extrema-esquerda França Insubmissa (LFI) apresentou uma moção nesta manhã, enquanto o partido de extrema-direita Reunião Nacional (RN), liderado por Marine Le Pen, afirmou que também apresentaria uma moção contra o presidente da Comissão Europeia, em Bruxelas.
É improvável, porém, que RN e LFI consigam votos suficientes no Parlamento para derrubar o governo, liderado pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu.
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Na véspera da votação, o presidente francês, Emmanuel Macron, reafirmou que Paris votaria contra o acordo. “Embora a diversificação comercial seja necessária, os benefícios econômicos do acordo UE-Mercosul serão limitados para o crescimento francês e europeu”, escreveu em comunicado.
🔎 Entre produtores rurais da França, o acordo com o Mercosul é visto como uma ameaça, diante do receio de concorrência com produtos latino-americanos mais baratos e submetidos a padrões ambientais diferentes dos exigidos pela União Europeia.
A Irlanda também se posicionou contra o tratado. Na véspera da votação, o primeiro-ministro Simon Harris anunciou que o país se juntaria à França, à Hungria e à Polônia na oposição ao acordo.
"A posição do governo sobre o Mercosul sempre foi clara: não apoiamos o acordo da forma como foi apresentado", afirmou Harris em comunicado.
Tanto a França quanto a Irlanda enfrentam protestos nesta sexta-feira em razão do acordo.
Itália teve papel decisivo
Nesta semana, a Itália — que até dezembro se mostrava contrária — sinalizou apoio ao tratado. A mudança teve peso decisivo e deu novo rumo às negociações, já que o desenho institucional da UE confere ao voto italiano caráter estratégico: a ratificação exige maioria qualificada no Conselho Europeu, com apoio de ao menos 65% da população do bloco.
Em dezembro, durante debates no Conselho Europeu, a primeira-ministra Giorgia Meloni afirmou que o apoio da Itália estaria condicionado à consideração das preocupações do país, especialmente em relação aos impactos sobre o setor agrícola.
👉 Nos últimos dias, esse posicionamento foi reforçado por uma comunicação da Comissão Europeia, que propõe acelerar a liberação de 45 bilhões de euros destinados aos agricultores. Meloni avaliou a iniciativa como um “passo positivo e significativo”.
Na mesma linha, o ministro da Agricultura da Itália, Francesco Lollobrigida, afirmou que a União Europeia passou a discutir o aumento — e não a redução — dos recursos destinados à agricultura italiana no período de 2028 a 2034.
Veja a linha do tempo do acordo UE-Mercosul
Lula na cúpula do Mercosul, em Foz do Iguaçu, no Paraná, em 20 de dezembro de 2025.
EVARISTO SA / AFP
Lula comemora aprovação de acordo Mercosul-União Europeia: 'Dia histórico para o multilateralismo'

Acordo UE–Mercosul: negociação começou antes do pen-drive
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comemorou nesta sexta-feira (9) a aprovação provisória pelos países da União Europeia do acordo entre o Mercosul e o bloco europeu. Para o petista, trata-se de um "dia histórico" para o multilateralismo.
A sinalização favorável dos países da União Europeia abre caminho para a assinatura do tratado, após mais de 25 anos de negociações, que conta com apoio de setores empresariais, mas segue enfrentando forte resistência de agricultores europeus — sobretudo na França.
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"Dia histórico para o multilateralismo. Após 25 anos de negociação, foi aprovado o Acordo entre Mercosul-União Europeia, um dos maiores tratados de livre comércio do mundo. A decisão chancelada pelo lado europeu une dois blocos que, juntos, somam 718 milhões de pessoas e um PIB de US$ 22,4 trilhões", afirmou Lula em uma rede social.
O presidente destacou ainda que a aprovação provisória acontece em um "cenário internacional de crescente protecionismo e unilateralismo", que é alvo de críticas frequentes de Lula.
"O acordo é uma sinalização em favor do comércio internacional como fator para o crescimento econômico, com benefícios para os dois blocos", declarou.
Na avaliação do petista, o texto amplia as oportunidades para as exportações brasileiras, estimula investimentos produtivos europeus e simplifica regras comerciais entre os dois blocos.
O presidente disse ainda que o acordo é resultado do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre países.
O lado Europeu também se manifestou celebrando o acordo, Antonio Costa, presidente do Conselho Europeu, disse que o tratado é considerado positivo para o bloco europeu por trazer benefícios para consumidores e empresas, além de contribuir para a soberania e a autonomia estratégica da União Europeia.
O posicionamento destaca ainda que o acordo reforça direitos trabalhistas, amplia a proteção ambiental e prevê salvaguardas para agricultores europeus.
“Hoje é um bom dia para a Europa e para os nossos parceiros do Mercosul”, afirmou a autoridade europeia em nota.
Comunicado oficial
Após a publicação de Lula, o governo divulgou um comunicado oficial. A mensagem conjunta do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços saúda o acordo, e menciona que a data assinatura ainda será definida.
"A aprovação pelas instâncias comunitárias europeias permitirá que o Acordo de Parceria seja assinado após mais de 26 anos do início das negociações", diz a nota.
"O Acordo integrará dois dos maiores blocos econômicos do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto (PIB) de mais de US$ 22 trilhões de dólares. Trata-se do maior acordo comercial negociado pelo MERCOSUL e um dos maiores dentre aqueles pactuados pela União Europeia com parceiros comerciais", prossegue.
Quando o acordo entra em vigor?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, durante reunião na Cúpula do G20 em 2024
Ricardo Stuckert/Presidência da República
O acordo entre o Mercosul e a União Europeia só passa a valer após a conclusão dos processos formais de aprovação nos dois lados.
Após a oficialização do resultado pelo Conselho Europeu, está prevista a assinatura do tratado entre as partes, o que deve ocorrer na próxima semana.
A partir daí, começa a etapa de internalização do acordo, que é feita individualmente por cada país do Mercosul. No Brasil, o texto é enviado para aprovação do Congresso Nacional. Em seguida, o acordo é sancionado pelo presidente da República.
Do lado europeu, o Parlamento Europeu também deve validar o tratado.
Somente depois de concluída a internalização tanto no Brasil quanto na União Europeia é que o acordo entra em vigor.
Como cada país do Mercosul tem seu próprio processo, a entrada em vigor pode ocorrer em datas diferentes entre os membros do bloco.
UE aprova acordo com o Mercosul, que formará maior zona de livre comércio do mundo

Comissão Europeia aprova acordo com Mercosul
Os países da União Europeia (UE) confirmaram a aprovação do acordo comercial com o Mercosul, que dará origem à maior zona de livre comércio do mundo. A informação foi divulgada pelo Chipre, país que exerce a presidência rotativa do bloco.
Segundo representantes da UE, uma ampla maioria dos Estados-membros apoiou o acordo de livre comércio com o bloco sul-americano. Os países tinham até as 17h, no horário de Bruxelas (13h no horário de Brasília), para confirmar seus votos por escrito.
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Mais cedo, os embaixadores dos 27 Estados-membros da UE já haviam sinalizado apoio provisório ao acordo.
O tratado ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor, mas a decisão já abre caminho para a assinatura do texto entre os blocos. Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Argentina, a expectativa é que o Mercosul assine o acordo com a UE em 17 de janeiro.
🔍 De forma geral, o acordo comercial prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além do estabelecimento de regras comuns para temas como comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
Apesar do apoio de setores empresariais e industriais, o texto segue enfrentando forte resistência de agricultores europeus, sobretudo na França. (veja mais abaixo)
Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o tratado amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores e gera impactos que vão além do agronegócio, alcançando também diversos segmentos da indústria brasileira.
O vice-presidente Geraldo Alckmin, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, celebrou a aprovação do acordo. Segundo ele, cerca de 30% dos exportadores brasileiros vendem produtos para países da UE, o que corresponde a aproximadamente 9 mil empresas.
"Este acordo fortalece o multilateralismo, o comércio entre os dois blocos, comércio com regras, promove investimentos, devemos ter mais investimentos europeus no Mercosul, fortalece a sustentabilidade, porque o Brasil assume compromisso de combate às mudanças climáticas. É ganha-ganha. Produtos mais baratos e de melhor qualidade", disse Alckmin.
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Arte/g1
Mais de 25 anos de negociações
O acordo comercial acumula mais de duas décadas de negociações entre os dois blocos. A expectativa é que, mesmo diante da oposição declarada de países como a França, o Parlamento Europeu aprove o tratado.
A Comissão Europeia afirma que o acordo de livre comércio é o maior já firmado pelo bloco em termos de redução de tarifas, eliminando mais de 4 bilhões de euros (US$ 4,7 bilhões ou R$ 25,3 bilhões) por ano em impostos sobre as exportações da UE.
A estimativa é que o Mercosul elimine tarifas sobre cerca de 91% das exportações da UE ao longo de 15 anos;
Enquanto isso, o bloco europeu deve retirar progressivamente as taxas sobre 92% das exportações do Mercosul.
Os blocos também concordaram em ampliar as cotas de produtos isentos no setor agrícola.
Segundo a Comissão Europeia e apoiadores do tratado, como Alemanha e Espanha, o acordo deve oferecer uma alternativa à dependência da China, especialmente no fornecimento de minerais críticos como o lítio, essencial para a produção de baterias.
Os defensores também afirmam que o acordo ajuda a mitigar os efeitos de medidas protecionistas, como as tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
Acordo sofre resistências
Apesar de a maioria dos Estados-membros ter se mostrado favorável à assinatura, o acordo ainda enfrenta resistência de alguns países, que apontam possíveis impactos sobre o setor agrícola.
Um diplomata da UE e o ministro da Agricultura da Polônia afirmaram que 21 países apoiaram o acordo, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia votaram contra. A Bélgica se absteve.
Para a aprovação, era necessário o apoio de pelo menos 15 países, que representassem 65% da população total do bloco.
Nesta sexta-feira (9), o governo francês foi duramente criticado por rivais políticos internos e por agricultores, por não conseguir barrar a aprovação do tratado.
O partido de extrema-esquerda França Insubmissa (LFI) apresentou uma moção nesta manhã, enquanto o partido de extrema-direita Reunião Nacional (RN), liderado por Marine Le Pen, afirmou que também apresentaria uma moção contra o presidente da Comissão Europeia, em Bruxelas.
É improvável, porém, que RN e LFI consigam votos suficientes no Parlamento para derrubar o governo, liderado pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu.
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Na véspera da votação, o presidente francês, Emmanuel Macron, reafirmou que Paris votaria contra o acordo. “Embora a diversificação comercial seja necessária, os benefícios econômicos do acordo UE-Mercosul serão limitados para o crescimento francês e europeu”, escreveu em comunicado.
🔎 Entre produtores rurais da França, o acordo com o Mercosul é visto como uma ameaça, diante do receio de concorrência com produtos latino-americanos mais baratos e submetidos a padrões ambientais diferentes dos exigidos pela União Europeia.
A Irlanda também se posicionou contra o tratado. Na véspera da votação, o primeiro-ministro Simon Harris anunciou que o país se juntaria à França, à Hungria e à Polônia na oposição ao acordo.
"A posição do governo sobre o Mercosul sempre foi clara: não apoiamos o acordo da forma como foi apresentado", afirmou Harris em comunicado.
Tanto a França quanto a Irlanda enfrentam protestos nesta sexta-feira em razão do acordo.
Itália teve papel decisivo
Nesta semana, a Itália — que até dezembro se mostrava contrária — sinalizou apoio ao tratado. A mudança teve peso decisivo e deu novo rumo às negociações, já que o desenho institucional da UE confere ao voto italiano caráter estratégico: a ratificação exige maioria qualificada no Conselho Europeu, com apoio de ao menos 65% da população do bloco.
Em dezembro, durante debates no Conselho Europeu, a primeira-ministra Giorgia Meloni afirmou que o apoio da Itália estaria condicionado à consideração das preocupações do país, especialmente em relação aos impactos sobre o setor agrícola.
👉 Nos últimos dias, esse posicionamento foi reforçado por uma comunicação da Comissão Europeia, que propõe acelerar a liberação de 45 bilhões de euros destinados aos agricultores. Meloni avaliou a iniciativa como um “passo positivo e significativo”.
Na mesma linha, o ministro da Agricultura da Itália, Francesco Lollobrigida, afirmou que a União Europeia passou a discutir o aumento — e não a redução — dos recursos destinados à agricultura italiana no período de 2028 a 2034.
Veja a linha do tempo do acordo UE-Mercosul
Bandeiras da União Europeia tremulam em frente à sede da Comissão Europeia, em Bruxelas.
REUTERS/Yves Herman
Oposição busca derrubar governo da França após aprovação do acordo UE-Mercosul

O primeiro-ministro francês Sébastien Lecornu, em foto de 6 de outubro de 2025.
Reuters/Stephane Mahe/Pool
O governo francês foi duramente criticado nesta sexta-feira (9) por rivais políticos e agricultores após não conseguir bloquear a aprovação do acordo comercial UE-Mercosul, com partidos de oposição de extrema direita e extrema esquerda apresentando moções de censura.
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O partido de extrema esquerda França Insubmissa (LFI) apresentou uma moção na manhã de sexta-feira, enquanto o partido de extrema direita Reunião Nacional (RN), liderado por Marine Le Pen, afirmou que também apresentaria uma contra o presidente da Comissão Europeia em Bruxelas.
É improvável, porém, que a RN e a LFI consigam votos suficientes no parlamento para derrubar o governo, liderado pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu.
As moções de censura sublinham a reação política interna negativa que o governo do presidente Emmanuel Macron enfrenta devido ao acordo comercial com as nações sul-americanas, enquanto luta para aprovar um orçamento de 2026 já atrasado em um Parlamento sem maioria governista, algo sem precedentes na Quinta República francesa.
Comissão Europeia aprova acordo com Mercosul
Ainda assim, suas ameaças sublinham a perigosa corda bamba política em que o governo Macron continua a caminhar pouco mais de um ano antes da eleição presidencial de 2027, com analistas dizendo que o acordo poderia aumentar as chances da RN no próximo ano.
"As moções têm pouca chance de serem aprovadas", disse Stewart Chau, analista do Verian Group, à Reuters.
"Mas essa assinatura pode dar um impulso à RN. A França rural vota maciçamente na RN, e isso poderia apoiar uma narrativa anti-UE mais explicitamente", disse ele.
Lecornu critica acordo
A França votou contra o acordo do Mercosul. No entanto, o tratado exige apenas o apoio de maioria qualificada entre os Estados-membros da UE para que o acordo seja assinado pela Comissão Europeia e pelo bloco sul-americano. O Parlamento Europeu precisaria então ratificar o acordo.
O presidente do partido RN, Jordan Bardella, disse que o voto de Macron contra o acordo foi mera postura, equivalendo a "uma traição aos agricultores franceses".
Sua chefe, Marine Le Pen, pediu a Macron que ameaçasse suspender a contribuição da França para o orçamento da União Europeia.
Mathilde Panot, do partido de extrema esquerda LFI, disse que a França foi "humilhada" por Bruxelas e no cenário mundial. "Lecornu e Macron devem sair", escreveu ela no X.
Lecornu disse que as moções de desconfiança enviaram um sinal negativo ao exterior em um momento em que a França deveria estar tentando convencer outras nações europeias e também estava atrasando as negociações orçamentárias.
"Apresentar uma moção de censura neste contexto... é optar por enfraquecer a voz da França em vez de demonstrar unidade nacional em defesa da nossa agricultura", publicou Lecornu no X.
Aprovação
Os Estados-membros da UE deram sinal verde provisório na sexta-feira para um acordo, que seria o maior acordo de livre comércio de sempre e que levou mais de 25 anos a ser elaborado. A França juntou-se à Polónia, Hungria, Irlanda e Áustria na votação contra o acordo, mas sem conseguir atingir o apoio mínimo para o bloqueio.
Com Donald Trump determinado a abalar o comércio global, a Comissão Europeia e países como a Alemanha e a Espanha argumentam que o acordo ajudará a compensar as perdas comerciais decorrentes das tarifas dos EUA e a reduzir a dependência da China, garantindo o acesso a minerais críticos.
Bandeiras da União Europeia tremulam em frente à sede da Comissão Europeia, em Bruxelas.
REUTERS/Yves Herman
Os opositores, liderados pela França, o maior produtor agrícola da UE, afirmam que o acordo aumentará as importações de alimentos baratos, incluindo carne de vaca, aves e açúcar, prejudicando os agricultores nacionais.
A França obteve concessões significativas de Bruxelas para proteger os agricultores do impacto total do acordo.
Mas, embora as principais indústrias francesas se beneficiassem do acordo, incluindo produtores de vinho, queijo e leite e os pecuaristas, que representam um terço dos agricultores franceses, mobilizaram com sucesso a opinião pública contra ele.
'Vai matar a agricultura': produtores europeus protestam após aval da UE para acordo com Mercosul

Agricultores europeus protestam após aval da UE para acordo com Mercosul
Agricultores da França, Polônia e Bélgica realizam protestos nesta sexta-feira (9) após a União Europeia aprovar o acordo comercial com o Mercosul.
Os três países votaram contra o acordo nesta sexta, afirma a Reuters, mas não conseguiram impedir a maioria necessária para aprová-lo. A aprovação ainda não foi formalizada, mas o sinal verde do bloco abriu caminho para a assinatura do tratado. Veja os próximos passos.
Em Paris, vários tratores se posicionaram na entrada da cidade. Os protestos também ocorreram em cidades como Bordeaux e Le Mans, segundo a agência AFP.
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Agricultores franceses bloqueiam estrada em Bordeaux em protesto contra acordo entre União Europeia e Mercosul
Christophe ARCHAMBAULT / AFP
Agricultores utilizam trator para bloquear rodovia na França em protesto contra acordo entre União Europeia e Mercosul
GAIZKA IROZ / AFP
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Na Polônia, cerca de mil agricultores iniciaram uma marcha pelo centro de Varsóvia pouco depois da aprovação do acordo.
"Isso vai matar a agricultura na Polônia", disse Janusz Sampolski à AFP. "Vamos depender das cadeias de abastecimento de outros países", afirmou.
Os manifestantes se reuniram em frente ao Palácio da Cultura, na capital polonesa, antes de marchar em direção ao Parlamento, com ruas bloqueadas e a polícia escoltando os protestos nas proximidades de prédios do governo, segundo a Reuters.
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No protesto, os produtores também disseram temer queda na qualidade dos alimentos e danos à agricultura local.
“Eles vão nos envenenar. A mim, a você, aos meus filhos, aos meus netos”, afirmou à Reuters Marek, agricultor de 65 anos, dizendo que há diferenças nos padrões de uso de agrotóxicos entre a Polônia e os países do Mercosul.
Agricultores da Polônia protestam contra acordo entre União Europeia e Mercosul em 9 de janeiro de 2026
REUTERS/Aleksandra Szmigiel
Agricultores da Polônia protestam contra acordo entre União Europeia e Mercosul em 9 de janeiro de 2026
REUTERS/Aleksandra Szmigiel
Segundo a agência Reuters, produtores da Bélgica também realizaram protestos em estradas do país.
A manifestação incluiu fogueiras e a colocação de barris na estrada, causando grande impacto no tráfego. Os participantes também despejaram pneus velhos na pista e usaram tonéis com fogo como parte do bloqueio.
Houve protestos também na Itália, que foi decisiva para que o acordo fosse finalmente aprovado. Contrária ao pacto até dezembro, o país passou a apoiar o tratado depois que a UE aprovou novos benefícios aos agricultores europeus.
Em Milão, os manifestantes levaram tratores às ruas e chegaram a despejar leite no chão para mostrar sua desaprovação ao acordo.
Agricultores da Itália despejam leite no chão durante protesto em Milão contra acordo entre União Europeia e Mercosul
Marco BERTORELLO / AFP
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Agricultores despejaram esterco em frente à casa de Macron em protesto em dezembro
Semanas de protestos
Os protestos desta sexta dão continuidade a uma série de manifestações dos produtores nas últimas semanas. Na quinta (8), ruas de Paris foram bloqueadas em um ato contra o acordo.
Em 19 de dezembro, dezenas de agricultores franceses despejaram esterco e outros resíduos em frente à casa de praia do presidente Emmanuel Macron durante um ato que incluiu a oposição ao pacto.
Um dia antes, produtores europeus protestaram em larga escala em Bruxelas, na Bélgica, queimando uma pilha de pneus. Alguns entraram em confronto com a polícia.
Agricultores franceses ateiam fogo em protesto na cidade de Le Mans, em 9 de janeiro de 2026, em protesto que inclui oposição ao acordo entre UE e Mercosul
JEAN-FRANCOIS MONIER / AFP
Oposição antiga ao acordo
Os agricultores europeus são historicamente contrários ao tratado porque temem o impacto da chegada, em larga escala, de alimentos como carne, arroz, mel e soja da América do Sul.
Segundo eles, os produtos do Mercosul seguem regras de produção menos rígidas e, consequentemente, são mais competitivos.
A França, maior produtora de carne bovina da União Europeia, segue como a principal voz contrária ao acordo.
Antes da aprovação, o presidente Emmanuel Macron afirmou que o tratado é “de outra época”, negociado com base em um mandato de 1999 e com ganhos econômicos limitados.
União Europeia confirma acordo com Mercosul
Lula veta na íntegra projeto que regularizava imóveis rurais em faixa de fronteira

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou integralmente nesta sexta-feira (9) o projeto de lei que previa a regularização de imóveis rurais localizados em áreas de fronteira do país.
🔎A decisão do presidente, no entanto, pode ser revista no Congresso. Os parlamentares podem manter ou derrubar o veto presidencial. Para a derrubada, são necessários 257 votos de deputados e 41 de senadores.
Segundo o governo federal, a proposta apresentava riscos à soberania nacional e à segurança do território brasileiro, além de fragilizar os mecanismos de controle fundiário em regiões consideradas estratégicas.
Em mensagem encaminhada ao Congresso Nacional, o Palácio do Planalto afirma que o texto “fragilizaria o controle" e "comprometeria a soberania e a defesa nacional”.
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O governo argumenta ainda que a medida poderia abrir brechas para a ocupação irregular por estrangeiros e dificultar a fiscalização do Estado em áreas sensíveis para a segurança pública.
Na época da aprovação, a proposta foi elogiada pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que classificou o texto como um “novo marco".
De acordo com o Executivo, o veto foi decidido após consultas a diferentes órgãos do governo. Foram ouvidos:
Ministério da Justiça e Segurança Pública
Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar
Ministério das Relações Exteriores
Ministério dos Povos Indígenas
Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima
Ministério do Planejamento e Orçamento
Advocacia-Geral da União
Na justificativa, o governo sustenta que a proposta é inconstitucional e contraria o interesse público, ao alterar os procedimentos para validação de registros imobiliários em faixa de fronteira.
O texto vetado também restringiria a obrigatoriedade do georreferenciamento de imóveis rurais em todo o território nacional. No entendimento do governo federal, a mudança atrasaria a digitalização da malha fundiária e comprometeria a segurança dos registros imobiliários.
O que previa o projeto
O projeto, aprovado pelo Congresso em dezembro, reformulava o processo de regularização de imóveis rurais localizados na faixa de fronteira, área de até 150 quilômetros de largura ao longo das fronteiras terrestres do Brasil.
A proposta criava um novo marco para a regularização dominial em áreas estratégicas do território nacional e alterava o procedimento de ratificação de registros imobiliários nessas regiões.
Entre as principais mudanças estava a fixação de um prazo de 15 anos para que os proprietários solicitassem a averbação da ratificação.
No caso de imóveis com área superior a 2,5 mil hectares, a regularização dependeria de manifestação do Congresso Nacional, considerada tácita se não houvesse deliberação em até dois anos.
O texto também atualizava as regras de georreferenciamento. A exigência passaria a ser obrigatória apenas a partir de 31 de dezembro de 2028. Para imóveis de até quatro módulos fiscais, o prazo só começaria a valer após regulamentação do Poder Executivo.
Além disso, o projeto dispensava o georreferenciamento em casos como sucessões, divórcios, partilhas, atualizações cadastrais e garantias reais, mantendo a exigência apenas para transferências definitivas, como leilões e arrematações.
Bandeira do Brasil com a Venezuela na fronteira
Caíque Rodrigues/g1 RR
Acordo UE-Mercosul: o que está em jogo para o agro brasileiro

O que está em jogo para o agro brasileiro no acordo UE-Mercosul
Os países da União Europeia deram aval nesta sexta-feira (9) ao acordo de livre comércio com o Mercosul, bloco que reúne Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
O próximo passo é a assinatura pelo dois blocos, o que deve acontecer no próximo dia 17, segundo o Ministério das Relações Exteriores da Argentina. Para valer, o tratado ainda terá que ser aprovado nos congressos dos países sul-americanos.
O acordo não envolve só o agro, mas este foi o ponto mais sensível ao longo das décadas de negociação do livre comércio.
Uma parte ruidosa dos produtores europeus protagonizou diversos protestos, alegando que seria prejudicada com a entrada de produtos sul-americanos mais competitivos.
O Brasil, um dos maiores produtores de alimentos do mundo, deve ser um grande beneficiário do acordo. O bloco europeu já é o segundo maior cliente do agro brasileiro, atrás da China e à frente dos Estados Unidos.
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Acordo pode baratear vinhos europeus e ampliar oferta de chocolates premium no Brasil
O acordo assume um peso ainda mais estratégico para o Brasil depois que as vendas do agro para os EUA despencaram em 2025, diante do tarifaço imposto pelo presidente americano Donald Trump.
A sobretaxa acabou sendo retirada em novembro — mas quase metade das exportações do agro brasileiro ainda está submetida a ela.
Além disso, recentemente, China e México, outros grandes compradores do Brasil, adotaram limitações para as importações de carne.
Veja nesta reportagem o potencial do acordo para:
carnes
café
soja
E como as proteções aprovadas pela UE para o agro europeu incomodaram os produtores brasileiros.
Agricultores europeus protestam após aval da UE para acordo com Mercosul
REPERCUSSÃO NO BRASIL: 'Dia histórico para o multilateralismo', diz Lula
Entidades do agro comemoram aprovação
REPECUSSÃO NA UE: governos celebram e falam em 'marco histórico'
'Vai matar a agricultura': produtores europeus protestam
➡️ O que o acordo prevê para o agro?
O acordo prevê eliminar as tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários que a União Europeia compra do Mercosul.
Com isso, o setor poderá aumentar as vendas de diversos itens, como café, frutas, peixes, crustáceos e óleos vegetais, que terão taxas de importação gradualmente zeradas na Europa.
Confira os principais clientes do agro brasileiro em 2025
Arte g1
As tarifas serão reduzidas em prazos que podem variar de 4 a 10 anos, a depender do produto.
Itens como as carnes bovina e de frango terão cotas de exportação. São alimentos considerados "sensíveis" pelos europeus, pois competem diretamente com a produção local.
Quanto dos principais produtos do agro brasileiro foi para a UE em 2025
Arte/g1
➡️Potencial para carnes
Uma das principais tensões do acordo está no setor de carnes. Pecuaristas europeus, sobretudo da França e da Polônia, resistem ao tratado por temerem perder espaço para os sul-americanos, que podem ganhar competitividade no continente.
Atualmente, a França lidera a produção de carne bovina na Europa, enquanto a Polônia ocupa a dianteira na produção de frango. O Brasil é o maior exportador global desses dois tipos de carnes e, há anos, consegue ofertá-los a preços mais baixos do que seus concorrentes.
Atualmente, a carne bovina brasileira tem dois tipos de tarifação para ser comprada por países da UE, explica a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
Uma delas é a cota Hilton, destinada a cortes nobres, que permite ao Brasil exportar 10 mil toneladas por ano com uma taxa de 20%. Esse percentual será zerado, caso o acordo seja aprovado.
Outros tipos de carne bovina têm uma taxa menor, de 12,8%, mais 221,1 euros por 100 kg. Segundo a Abiec, se o acordo UE-Mercosul entrar em vigor, o Brasil deve deixar de pagar essa tarifa, já que passará a ter uma nova cota de exportação em conjunto com os demais países do Mercosul.
Pelo tratado, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai poderão exportar, juntos, até 99 mil toneladas por ano, com uma tarifa inicial de 7,5%.
Sueme Mori, da CNA, avalia que essa cota é pequena, mas que o acordo em si eleva o nível da relação entre os parceiros comerciais e faz com que o Mercosul passe a ser um parceiro preferencial da União Europeia.
Uma lógica semelhante vai funcionar para as carnes de aves, explica a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Hoje, o setor conta com diferentes cotas de acesso à União Europeia: no caso do frango in natura, por exemplo, o país pode exportar 15.050 toneladas com tarifa zero, enquanto os volumes excedentes pagam 1.024 euros por tonelada.
Com o acordo, o Brasil terá, junto com os outros países do Mercosul, uma cota anual de exportação de 180 mil toneladas com tarifa zero.
Ela vai começar em um nível menor no primeiro ano e vai sendo aumentada em parcelas anuais iguais até chegar ao total, no sexto ano, detalhou a ABPA.
No entendimento da associação, as exportações brasileiras de frango que ocorrerem fora da cota do tratado continuarão sujeitas às regras tarifárias atualmente em vigor. "O que teremos com o Mercosul é outra cota, será adicional", disse a associação.
"Se o acordo for implementado com previsibilidade e respeito às regras, há espaço concreto para aumento das exportações brasileiras de carne de frango", concluiu a ABPA.
Nesta sexta-feira, a associação afirmou que o acordo representa "um avanço relevante para a previsibilidade comercial e para o fortalecimento das relações entre os blocos, com impactos graduais e bem delimitados para o setor de proteínas animais".
Em 2024, a UE foi apenas o oitavo maior comprador de carnes brasileiras.
França ameaça adotar medidas 'unilaterais' se agro correr risco por acordo
➡️ Potencial para o café solúvel
O café é o segundo produto brasileiro mais vendido para a UE em valor exportado, depois da soja.
O café em grão — que representa 97% das vendas do setor à UE — já entra na Europa sem tarifa. Mas, atualmente, o bloco aplica uma taxa de 9% sobre o café solúvel e de 7,5% sobre o torrado e moído, afirma o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos.
"O nosso maior concorrente em café solúvel, o Vietnã, já tem tarifa zero. Então, o acordo pode tornar nosso solúvel mais competitivo na Europa", destaca Matos.
O acordo UE-Mercosul prevê que as tarifas do café solúvel e torrado e moído zerem em 4 anos.
Matos reforça que um acordo comercial é "muito mais do que exportação". Segundo ele, se o tratado for para a frente, há possibilidades de grupos empresariais europeus investirem ainda mais na indústria de café do Brasil.
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➡️ Nada muda para a soja
O acordo, no entanto, não deverá ter impacto para a soja, que é o produto do agro brasileiro mais exportado para a União Europeia.
Isso porque ela já conta com tarifa zero tanto para o grão, como para o farelo, explica o diretor de Economia da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Daniel Furlan Amaral.
"Esse tratamento se mantém há muitos anos. Por essa razão, o acordo Mercosul-União Europeia não altera o cenário tarifário da soja", afirma Amaral.
Ainda assim, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) considerou nesta sexta que "o acordo poderá proporcionar maior previsibilidade aos exportadores, reduzir custos e ampliar a priorização dos produtos brasileiros, reforçando a competitividade do país nesses mercados".
Blindagem do agro europeu incomodou
As chamadas salvaguardas, uma série de regras aprovadas pela UE no início de dezembro para proteger o agro europeu, incomodaram produtores brasileiros.
Em resumo, elas preveem que os benefícios tarifários do Mercosul no acordo podem ser suspensos temporariamente, caso a UE entenda que isso esteja prejudicando algum setor do agro local.
Ainda em dezembro, a diretora de relações internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), Sueme Mori, disse que as salvaguardas são preocupantes.
Isso porque elas podem limitar as exportações brasileiras para o mercado europeu, o que é contraditório, em um momento em que se espera assinar um acordo de livre comércio.
Ela esclareceu que as salvaguardas não serão acrescentadas ao acordo que foi negociado entre as partes e deverá ser assinado em breve, mas que farão parte de um regulamento interno da UE.
Na prática, se as importações de um determinado produto agrícola considerado sensível aumentarem em 5%, na média de 3 anos, a UE poderá abrir uma investigação para avaliar a possível suspensão dos benefícios.
Na proposta original da comissão, divulgada em outubro, esse limite era maior, de 10%.
Os integrantes da comissão também reduziram o tempo de duração dessas investigações: de 6 para 3 meses, em geral, e de 4 para 2 meses, para produtos sensíveis.
"Isso permite à União Europeia aplicar penalidades de forma muito mais rápida, dando menos tempo aos países do Mercosul para se explicarem e se defenderem", diz Leonardo Munhoz, pesquisador do Centro de Bioeconomia da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
A comissão também propôs uma nova regra que obriga os países do Mercosul a adotar as mesmas normas de produção exigidas na União Europeia.
Segundo Munhoz, essa cláusula não estava prevista no acordo original e pode gerar insegurança jurídica. "A UE pode questionar, por exemplo, se o Brasil usar defensivos agrícolas ou fertilizantes que não são utilizados na Europa", exemplificou.
Para a ABPA, essas proteções não eliminam o potencial de exportação, mas podem ter algum efeito sobre a previsibilidade, dependendo de como forem aplicadas.
"Do ponto de vista do Brasil, o que defendemos é que qualquer salvaguarda seja estritamente técnica, transparente e baseada em critérios objetivos, de forma a não transformar um mecanismo excepcional em barreira disfarçada", disse a ABPA, ao g1.
UE também ganha
O tarifaço de Trump também atingiu a UE e este foi um ponto crucial para que o acordo tenha sido defendido também por países europeus, sobretudo Alemanha e a Espanha, apesar da oposição liderada pela França.
Lula agradece à Espanha por apoio a acordo
Áustria, Hungria, Irlanda e Polônia também foram contrários ao acordo nesta sexta, segundo a Reuters.
O grupo, entretanto, não conseguiu o apoio mínimo para barrar o tema, com outros 21 países votando a favor, também de acordo com a agência. A Bélgica se absteve.
A decisão provavelmente ficou com a Itália, cujo posicionamento sobre o acordo oscilou nos últimos meses.
Como acordo Mercosul-UE pode trazer mais chocolates e baratear vinhos europeus no Brasil
Para destravar a negociação, além de aprovar as salvaguardas para proteger o agro europeu, a UE prometeu reduzir tarifas de fertilizantes, o que reduziria custos de produção.
Com o livre comércio com o Mercosul, a UE poderá aumentar exportações de carros, máquinas e produtos químicos, além de itens agrícolas, como queijos e vinhos, para o Mercosul. E também reduzir a dependência da China na área de minerais.
Mesmo derrotada, a França ameaçou adotar medidas 'unilaterais' se o seu agro correr risco.
Acordo que se arrasta desde os anos 90
O acordo de livre comércio UE-Mercosul não vale apenas para produtos agrícolas, mas este setor tem protagonizado boa parte dos embates.
As discussões começaram em 1999 e foram paralisadas depois de um acordo inicial alcançado em 2019. As conversas só foram retomadas em 2024, a pedido da Comissão Europeia.
O acordo foi, então, anunciado no fim de 2024, o que encerrou o período de negociações e inaugurou o de aprovações pelos países.
“É um acordo que envolve praticamente 722 milhões de habitantes e US$ 22 trilhões de Produto Interno Bruto (PIB). É uma coisa extremamente importante, possivelmente seja o maior acordo comercial do mundo", disse o presidente Lula, em novembro, durante o G20 – grupos das maiores economias do mundo.
Governo começa a renovar CNH para 'bons condutores' de forma automática e gratuita

Selo de 'bom condutor' que chegará para motoristas.
Reprodução/ Governo Federal
O ministro dos Transportes, Renan Filho, assinou nesta sexta-feira (9) uma medida administrativa que autoriza a renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para motoristas considerados "bons condutores".
De acordo com a medida, para ser classificado como “bom condutor”, o motorista precisa atender aos seguintes critérios:
🪪 Não ter pontos registrados na CNH nos últimos 12 meses;
🚨 Não ter infrações de trânsito registradas no documento no mesmo período;
📝 Estar cadastrado no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC).
O governo começa a emitir já a partir desta sexta a renovação automática de forma gratuita para condutores com essa classificação.
Renan Filho explicou que esses condutores vão receber uma notificação por meio do aplicativo CNH Digital. A mensagem é a seguinte:
"O governo do Brasil, por meio do Ministério dos Transportes e do programa CNH do Brasil, renovou automaticamente sua CNH, sem taxas e sem novos exames. Obrigado por dirigir com responsabilidade e ajudar a salvar vidas."
🔍 A medida tem efeito retroativo, a partir da data de assinatura da medida provisória (MP) que instituiu a renovação, 10 de dezembro. Dessa forma, condutores com carteiras vencidas a partir dessa data e classificados como tal já estão contemplado com a renovação automática.
Nova CNH: como vai funcionar a renovação automática e de graça
Segundo o ministro Renan Filho, 70% dos condutores que precisariam renovar a carteira entre 10 de dezembro de 2025 a 7 de janeiro de 2026 estão classificados como bons condutores. Ou seja, eles terão a renovação automática. A renovação será diária.
O ministro afirmou que 371 mil pessoas vão receber a mensagem ainda nesta sexta. A economia a esses condutores, com os custos relativos a renovação, é estimado em R$ 122 milhões.
Regras
A norma prevê que condutores responsáveis no trânsito ficarão dispensados de realizar exames presenciais, comparecer aos departamentos estaduais de trânsito, os Detrans, ou pagar taxas adicionais para a renovação do documento.
Todo o procedimento será automático e digital, realizado por meio do sistema da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), com a atualização disponível no aplicativo CNH Digital.
Para os bons condutores, a CNH será renovada automaticamente no sistema assim que atingir a data de vencimento.
O ministro dos Transportes destacou ainda que a renovação automática contempla todas as categorias de motoristas, inclusive os profissionais.
Os condutores que desejarem a carteira física deverão se dirigir a uma unidade do Detran — o serviço, no entanto, terá de ser remunerado.
Não poderão receber o benefício:
condutores com 70 anos ou mais;
motoristas com idade entre 50 e 69 anos, que poderão utilizar a renovação automática apenas uma única vez;
motoristas cuja CNH tenha prazo de validade reduzido por recomendação médica, em situações que envolvam doenças progressivas ou condições de saúde que exijam acompanhamento periódico.
Carteira de Motorista, CNH
Divulgação
Banco Master pode ter gerado prejuízo superior a R$ 4 bilhões ao BRB

As negociações de carteiras de crédito suspeitas de fraudes realizadas pelo banco Master com o Banco de Brasília (BRB) podem ter gerado um prejuízo para o banco público do Distrito Federal acima de R$ 4 bilhões.
A estimativa é de investigadores da Polícia Federal e fiscais do Banco Central sobre os negócios suspeitos realizados entre as duas instituições.
Os investigadores do BC e da PF descobriram negócios de venda de carteiras de crédito com suspeitas de fraudes do Master para o BRB num valor de R$ 12,2 bilhões.
Assim que a fiscalização do Banco Central detectou as operações irregulares, ela determinou aos dois bancos que elas fossem desfeitas.
Justiça americana reconhece liquidação do Banco Master
Mas nem todas foram desfeitas. As avaliações preliminares indicam que ficou ainda um prejuízo para o BRB de mais de R$ 4 bilhões, dinheiro que pode gerar um rombo no caixa do banco do governo do Distrito Federal.
Em depoimento no Supremo Tribunal Federal (STF), o dono do Master, Daniel Vorcaro, disse, em sua defesa, que não gerou nenhum prejuízo para o BRB com a venda das carteiras de crédito. Algumas já foram apontadas com certeza como fraudulentas.
O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa deu outra versão em depoimento no STF. Segundo ele, o banco público teria conseguido reverter a maior parte das operações suspeitas, mas que ainda teria ficado um saldo de R$ 2 bilhões que não foram recuperados pelo BRB com o Master.
Os investigadores da PF e do BC têm outro cálculo e já chegaram a uma avaliação de que o prejuízo causado pelo banco de Daniel Vorcaro ao BRB de mais de R$ 4 bilhões.
O inquérito atualmente no STF, e que está sendo tocando pela PF, investiga as negociações de carteiras de crédito falsas. Outras irregularidades que surgirem serão investigadas em outro inquérito, que seria aberto.
É o caso da contratação de influencers para divulgar nas redes sociais mensagens atacando o Banco Central e defendendo o banco Master.
Por enquanto, há uma investigação preliminar para descobrir quem estava contratando de fato e pagando valores que poderiam chegar, por influencer, cerca de R$ 2 milhões.
Caso Master: TCU suspende inspeção no Banco Central
Reprodução/TV Globo
INPC fecha em 3,9%, e reajuste das aposentadorias acima do mínimo ficará abaixo da inflação oficial

IPCA fica em 0,33% em dezembro e fecha em 4,26% em 2025
O fechamento do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) em 3,90% em 2025 indica que o reajuste das aposentadorias e pensões do INSS pagas acima do salário mínimo ficará abaixo da inflação oficial do país.
No ano, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referencial médio no Brasil, encerrou 2025 com alta de 4,26%.
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Como o INPC é o índice que serve de base para corrigir os benefícios pagos acima do piso nacional, a diferença entre os dois indicadores sinaliza perda de poder de compra. Assim, o teto da Previdência Social deve subir de R$ 8.157,41 para R$ 8.474,55 em 2026.
A aplicação desse reajuste, no entanto, ainda depende da publicação de uma portaria do governo federal no Diário Oficial da União (DOU), que oficializa os novos valores.
👉 Para os segurados que recebem um salário mínimo de benefício, o reajuste é automático e acompanha a atualização do piso nacional. O novo valor do salário mínimo, de R$ 1.621, passou a valer a partir da última quinta-feira (1º).
Resultados do INPC em 2025
O INPC teve alta de 0,21% em dezembro, resultado 0,18 ponto percentual acima do observado em novembro (0,03%). Em dezembro de 2024, a taxa havia sido de 0,48%. No acumulado de 2025, o INPC avançou 3,90%, resultado 0,87 ponto percentual inferior aos 4,77% registrados em 2024.
Em dezembro, os produtos alimentícios aceleraram, ao passar de queda de 0,06% em novembro para alta de 0,28% em dezembro. Já os itens não alimentícios tiveram variação de 0,19%, ante 0,06% no mês anterior.
Entre as regiões pesquisadas em dezembro:
Porto Alegre: registrou a maior variação, de 0,57%, influenciada principalmente pelas altas da energia elétrica residencial (3,87%) e das carnes (2,04%);
Curitiba: apresentou a menor variação, com queda de 0,22%, associada aos recuos da energia elétrica residencial (-3,23%) e das frutas (-4,82%).
No ano, os preços dos produtos alimentícios subiram 2,63%, enquanto os não alimentícios tiveram alta de 4,32%. Em 2024, as variações haviam sido de 7,60% e 3,88%, respectivamente.
Considerando os índices regionais do acumulado do ano, a maior variação foi observada em Vitória (4,82%), puxada sobretudo pelas altas da energia elétrica residencial (17,65%) e do aluguel residencial (9,06%).
Veja o resumo dos resultados por grupo:
Alimentação e bebidas: 2,63%
Habitação: 6,78%
Artigos de residência: -0,20%
Vestuário: 4,58%
Transportes: 2,64%
Saúde e cuidados pessoais: 5,20%
Despesas pessoais: 5,63%
Educação: 5,99%
Comunicação: 0,48%
Entenda o reajuste pelo INPC
O INPC é usado como índice de reajuste de aposentadorias desde 2003. Até 2006, não havia um índice oficial. Antes disso, foram usados o IPC-r, o IGP-DI e índices definidos administrativamente.
O índice é calculado pelo IBGE desde 1979, refere-se às famílias com rendimento monetário de 1 a 5 salários mínimos, com chefe assalariado, e abrange dez regiões metropolitanas do país, além de Goiânia, Campo Grande e Brasília.
Já o IPCA, considerado a inflação oficial do país, refere-se às famílias com rendimento monetário de 1 a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte, e também abrange dez regiões metropolitanas do país, além de Goiânia, Campo Grande e Brasília.
O que muda nas aposentadorias em 2026?
Para quem já contribuía com o INSS antes da aprovação da reforma da Previdência, em novembro de 2019, o governo estabeleceu regras de transição. Esse regime prevê mudanças graduais nas condições de aposentadoria, com ajustes anuais até 2031.
Em 2026, as regras para esse grupo passam por novas alterações. Veja o que muda:
🎂 Idade mínima: sobe seis meses em relação ao ano anterior. As mulheres passam a precisar de, no mínimo, 59 anos e seis meses. Para os homens, a idade mínima será de 64 anos e seis meses.
⏳ Tempo de contribuição: permanece em 30 anos para mulheres e 35 anos para homens.
🧮 Regra dos pontos: que soma idade e tempo de contribuição, também é ajustada. A pontuação mínima exigida será de 93 pontos para mulheres e 103 pontos para homens.
Previdência privada pode garantir sua segurança financeira na aposentadoria
divulgação Freepik
Acordo UE-Mercosul provoca comemoração entre governos e protestos; veja repercussão

Comissão Europeia aprova acordo com Mercosul
Os países da União Europeia (UE) confirmaram a aprovação do acordo comercial com o Mercosul, que dará origem à maior zona de livre comércio do mundo. A informação foi divulgada pelo Chipre, país que exerce a presidência rotativa do bloco.
Enquanto governos e setores empresariais celebraram o avanço de um tratado negociado há mais de 25 anos, agricultores foram às ruas em diferentes países para protestar contra o que consideram uma ameaça ao setor rural europeu.
Veja abaixo as principais repercussões da aprovação do acordo.
Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comemorou a aprovação e disse que se trata de um “dia histórico” para o multilateralismo.cO petista destacou ainda que a decisão ocorre em um "cenário internacional de crescente protecionismo e unilateralismo", que é alvo de suas críticas frequentes.
"Dia histórico para o multilateralismo. Após 25 anos de negociação, foi aprovado o Acordo entre Mercosul-União Europeia, um dos maiores tratados de livre comércio do mundo. A decisão chancelada pelo lado europeu une dois blocos que, juntos, somam 718 milhões de pessoas e um PIB de US$ 22,4 trilhões", afirmou Lula em uma rede social.
Para Lula, trata-se de um "dia histórico" para o multilateralismo.
Reprodução
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia
Ursula von der Leyen também comemorou a decisão, que classificou como “histórica”.
"A Europa está enviando um sinal forte. Levamos a sério a criação de crescimento, empregos e a garantia dos interesses dos consumidores e das empresas europeias", afirmou em comunicado.
"Após 25 anos de negociações, concretizamos um acordo substancial e mutuamente benéfico, que impulsionará a prosperidade e criará oportunidades incríveis. Este acordo marca uma nova era de comércio e cooperação com nossos parceiros do Mercosul. Mas também é uma prova da resiliência e da força de nossa relação com a América Latina, e um passo que nos aproximará ainda mais."
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Von der Leyen afirmou ainda que o bloco está atento às preocupações dos agricultores e do setor agrícola, contrários ao acordo.
“Este acordo traz salvaguardas robustas para proteger os meios de subsistência. Além disso, estamos reforçando as ações de controle sobre as importações, porque as regras precisam ser cumpridas — inclusive pelos importadores”, disse.
Friedrich Merz, chanceler da Alemanha
Na Alemanha, o chanceler Friedrich Merz classificou o acordo como um “marco histórico” para a política comercial da União Europeia. Segundo ele, o tratado representa um sinal de força em um cenário global cada vez mais instável.
“O acordo UE-Mercosul é um marco na política comercial europeia e um forte sinal da nossa soberania estratégica e capacidade de ação. Isso é bom para a Alemanha e para a Europa”, afirmou.
chanceler Friedrich Merz classificou o acordo como um “marco histórico”
X/ Reprodução
Federico Pinedo, presidente do Senado argentino
Do lado do Mercosul, a reação também foi positiva.
O presidente do Senado argentino, Federico Pinedo, afirmou que a aprovação provisória do acordo representa um avanço decisivo após décadas de negociações. A publicação foi compartilhada pelo presidente argentino, Javier Milei.
“É um novo e decisivo passo rumo à aprovação do acordo Mercosul–União Europeia. Um passo importante para o futuro. A Argentina prosperará”, declarou.
presidente do Senado argentino, Federico Pinedo, afirmou que a aprovação provisória do acordo representa um avanço
X/ Reprodução
Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados
No Congresso brasileiro, o presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que o tratado representa um avanço histórico em um momento de tensões comerciais globais e defendeu o fortalecimento da cooperação entre países.
Hugo Motta vê acordo como histórico em um momento de tensões comerciais globais
X/ Reprodução
Beate Meinl-Reisinger, ministra das Relações Exteriores da Áustria
Outro governo que comemorou o avanço do acordo foi o da Áustria. A ministra das Relações Exteriores, Beate Meinl-Reisinger, celebrou publicamente a formação de uma maioria favorável dentro da União Europeia.
“Finalmente, há uma maioria entre os Estados-membros da UE a favor do acordo do Mercosul. Precisamente porque a ordem mundial está mudando drasticamente, a Europa precisa de novos parceiros”, afirmou.
Segundo ela, o tratado deve trazer benefícios diretos para a economia e para as empresas austríacas. A ministra também defendeu que a UE avance em novos acordos comerciais, como o que está em negociação com a Índia.
Protestos na Europa
Nas ruas de alguns países europeus, o clima foi de insatisfação. Agricultores da França, Polônia e Bélgica realizam protestos.
Em Paris, vários tratores se posicionaram na entrada da cidade. Os protestos também ocorreram em cidades como Bordeaux e Le Mans, segundo a agência AFP.
Na Polônia, fazendeiros protestaram em Varsóvia contra a abertura do mercado europeu a produtos agrícolas sul-americanos.
Na Bélgica, agricultores bloquearam rodovias com tratores e fogueiras, repetindo cenas de outros momentos de tensão entre o campo e as instituições europeias.
🔎 O principal temor é a entrada de alimentos mais baratos, especialmente carne bovina, produzidos sob regras ambientais diferentes das exigidas na União Europeia.
Protesto contra acordo de livre comércio UE-Mercosul, em Paris
Sarah Meyssonnier/Reuters
Governo europeus defendem acordo como estratégico
A Comissão Europeia e países favoráveis ao acordo, como Alemanha e Espanha, argumentam que o tratado vai além do comércio agrícola.
Para o bloco, o pacto com o Mercosul é visto como uma forma de reduzir a dependência econômica da China e fortalecer o acesso a matérias-primas estratégicas, como o lítio — essencial para a produção de baterias e para a transição energética.
Segundo a Comissão, o acordo garante isenção de impostos para a exportação da maioria desses minerais e contribui para diversificar as cadeias globais de suprimento.
Defensores do tratado também afirmam que a medida pode amenizar os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos durante o governo do presidente Donald Trump, que afetaram produtos europeus.
Em termos numéricos, o acordo é apresentado como o maior já firmado pela União Europeia em redução tarifária. A expectativa é eliminar mais de 4 bilhões de euros por ano em impostos sobre exportações do bloco.
Além disso, empresas europeias poderão disputar contratos públicos nos países do Mercosul nas mesmas condições que fornecedores locais — algo inédito nos acordos comerciais do grupo sul-americano.
Saiba mais sobre o acordo na reportagem abaixo.
UE confirma aprovação do acordo com o Mercosul, maior zona de livre comércio do mundo
Agricultores franceses protestam em frente à Assembleia Nacional contra o acordo UE-Mercosul
Benoit Tessier/Reuters
Acordo UE-Mercosul: entenda os próximos passos, da assinatura à entrada em vigor

Comissão Europeia aprova acordo com Mercosul
A União Europeia deu aval nesta sexta-feira (9) ao acordo comercial com o Mercosul. Essa será a maior zona de livre comércio do mundo, que vem sendo negociada há mais de 25 anos.
O tratado ainda precisa da aprovação do Parlamento Europeu para ser ratificado para entrar em vigor, mas a aprovação abre caminho para a assinatura do texto entre os blocos. A expectativa é que o Mercosul assine o acordo com a UE em 17 de janeiro.
Entenda o que falta para o acordo comercial ser aprovado de forma definitiva e os próximos passos.
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Veja quais são os países envolvidos no Acordo UE-Mercosul.
Arte/g1
1. Formalização dos votos
Após a aprovação provisória pelo Comitê de Representantes Permanentes (Coreper), órgão composto pelos embaixadores dos Estados-membros da UE, houve a formalização dos votos.
As capitais do bloco tinham até às 17h, no horário de Bruxelas (13h no horário de Brasília) para confirmar seus votos por escrito.
Nesta tarde, o Chipre, que detém a presidência rotativa do bloco, confirmou a adesão dos países europeus por "ampla maioria".
2. Assinatura formal
Com a maioria qualificada confirmada, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ficará autorizada a assinar o acordo em nome da União Europeia.
A assinatura formal era esperada para segunda-feira (12), no Paraguai, que exerce a presidência rotativa do Mercosul, mas deve acontecer no sábado (17), segundo o Ministério das Relações Exteriores.
A assinatura, no entanto, não significa que o acordo passe a valer imediatamente. Após essa etapa, o tratado seguirá para os processos de ratificação internos.
3. Quando entra em vigor
No caso da União Europeia, o texto precisará ser analisado pelo Parlamento Europeu. Dependendo da interpretação jurídica, partes do acordo também poderão ter de ser aprovadas pelos parlamentos nacionais dos países-membros.
Do lado do Mercosul, o acordo também terá de passar pelos Congressos nacionais do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
🔎 O acordo cria obrigações legais dentro de cada país do Mercosul, como redução de tarifas, mudanças nas regras comerciais e compromissos regulatórios.
Enquanto isso, a União Europeia e os países do Mercosul poderão discutir a aplicação provisória de partes do tratado, especialmente as relacionadas à redução de taxas, o que permitiria antecipar alguns efeitos econômicos antes da ratificação completa.
O acordo só passa a valer por completo depois de todas as aprovações internas serem concluídas nos dois blocos.
O acordo UE-Mercosul
Negociado há mais de 25 anos, o acordo prevê a redução gradual de tarifas, regras comuns para comércio de produtos industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
O tratado criará uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, ligando os dois blocos em um mercado de mais de 700 milhões de pessoas.
Entretanto, as negociações dividiram a União Europeia. Países como Alemanha e Espanha apoiam o tratado por enxergarem oportunidades de ampliar exportações, reduzir a dependência da China e garantir acesso a minerais estratégicos.
Já a França — que garantiu apoio de alguns países, como Polônia, Irlanda e Áustria — se opõe, principalmente por temer prejuízos ao setor agrícola diante da concorrência de produtos sul-americanos mais baratos. Agricultores e ambientalistas também criticam o acordo.
O texto final tenta equilibrar esses interesses, com salvaguardas para a agricultura europeia e exigências ambientais mais rígidas.
Para o Mercosul, o Brasil tem papel central: precisa comprovar avanços em sustentabilidade e controle ambiental para facilitar a ratificação e ampliar o acesso ao mercado europeu.
Veja abaixo a linha do tempo do acordo.
Bandeiras de países da União Europeia na sede do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, França
Antoine Schibler/Unsplash
Banco Central: caderneta de poupança tem saída de R$ 85,6 bilhões em 2025
Caderneta de poupança teve saída de recursos pelo quinto ano seguido em 2025
Foto/Sicoob
As retiradas de recursos das cadernetas de poupança superaram os depósitos em R$ 85,6 bilhões em todo ano de 2025, informou nesta sexta-feira (9) o Banco Central (BC).
De acordo com a instituição, em 2025:
os depósitos somaram R$ 4,27 trilhões;
as retiradas totalizaram R$ 4,36 trilhões.
Esse foi o quinto ano seguido de saída de recursos da poupança. A evasão no último ano foi a maior desde 2023, ou seja, em dois anos. A série histórica começa em 1995.
Com a retirada de recursos da poupança no último ano, o estoque dos valores depositados, ou seja, o volume total aplicado, registrou queda para R$ 1,02 trilhão no fechamento de 2025.
Em dezembro de 2024, o volume total estava em R$ 1,03 trilhão. Além dos depósitos e retiradas, os rendimentos creditados nas contas dos poupadores também influenciaram o saldo total.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Impacto no crédito imobiliário
A saída de recursos da poupança nos últimos anos afetou o crédito imobiliário. Isso porque, pelas regras, 65% dos recursos captados pelos bancos por meio da caderneta de poupança têm que ser direcionados obrigatoriamente ao crédito para compra da casa própria.
Com o volume total de recursos na poupança estagnado e a demanda por crédito aquecida, o governo anunciou, em outubro, mudanças nas regras.
Após um período de transição, o direcionamento obrigatório de 65% dos depósitos da poupança acabará e os depósitos compulsórios no Banco Central referentes a esse tipo de aplicação também.
A ideia é liberar gradualmente recursos captados pelas instituições financeiras que hoje ficam retidos no BC, nos chamados depósitos compulsórios e, com isso, possibilitar o aumento do crédito imobiliário.
Governo lança novo modelo de crédito imobiliário
Cenário da economia
A maior retirada de recursos da caderneta de poupança aconteceu em um cenário de juros elevados, resultado da taxa básica da economia no maior nível em quase 20 anos; de inflação persistente e de aumento da inadimplência e do endividamento das famílias.
De acordo com dados do Banco Central, a taxa de inadimplência média total registrada pelos bancos nas operações de crédito permaneceu em 3,8% em novembro. Esse valor está em um patamar próximo ao recorde da série histórica (4%), que tem início em março de 2011.
Já o endividamento das famílias com os bancos, segundo o BC, atingiu 49,3% da renda acumulada nos doze meses até outubro — o maior valor desde novembro de 2022 (ainda na pandemia da Covid-19). Todas as dívidas com os bancos entram no cálculo.
Baixa atratividade da poupança
Ao mesmo tempo, a poupança tem mostrado pouca competitividade na comparação com outras aplicações financeiras. Investimentos em renda fixa, como títulos públicos, papeis de empresas e aplicações financeiras em CDI, por exemplo, têm performado melhor.
Investimentos mais arriscados, como a renda variável por exemplo, também mostraram recuperação em 2025. No ano passado, o índice da Bolsa de Valores de São Paulo teve uma disparada de 34% — o maior avanço anual desde 2016.
➡️Com as regras vigentes, a poupança tem rendimento limitado. Quando a taxa Selic ultrapassa o patamar de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança é de 0,5% ao mês, mais a variação da taxa referencial (TR, que é calculada pela média ponderada dos títulos públicos prefixados). A Selic está atualmente em 15% ao ano.
De acordo com o consultor de Investimentos Unicred Porto Alegre, Francisco Weliton Barroso, a regra atual da poupança, que limita seu rendimento, em um cenário de juros elevados e inflação resiliente, explicam a baixa atratividade da modalidade de investimentos.
"Por isso, no balanço de 2025, a poupança acabou perdendo espaço como investimento. Ela segue sendo uma opção simples para liquidez imediata e curto prazo, mas, diante dos resultados do último ano, outras alternativas de renda fixa se mostraram mais eficientes para proteger e fazer o dinheiro render", disse Francisco Weliton Barroso, da Unicred Porto Alegre.
Perspectivas para 2026
Marcelo Boragini, head de renda variável na Davos Investimentos, avaliou que a caderneta de poupança, tendo em vista sua limitação de rendimento, pode ser utilizada apenas para uma "reserva imediata, para o dia a dia".
Para construção de patrimônio, porém, ele afirmou que é crucial "diversificar, entender os riscos e tomar decisões mais conscientes".
"O Tesouro Selic [título Tesouro Direto], por exemplo, tende a ser o substituto natural da poupança. Tem liquidez diária, o risco é bem baixo e acompanha a taxa básica de juros de forma mais eficiente. Tem os CDBs também de liquidez diária, de bancos médios, que podem ganhar espaço neste ano. Muitos pagam entre 100% e até 110% do CDI, lógico com proteção do FGC, o Fundo Garantidor de Crédito", afirmou Marcelo Boragini, da Davos Investimentos.
Para investimentos de médio e longo prazo, segundo ele, os títulos do Tesouro IPCA+ e os prefixados (juros fixados no momento do leilão) devem ser os "protagonistas" do mercado financeiro.
Acrescentou que, em um ambiente de juros mais baixos, com a expectativa de queda da Selic no decorrer de 2026, a renda variável voltar a ganha mais força. Mas tem de ser entendida como um investimento mais arriscado, pois pode haver perda de recursos.
"Bolsa, ETFs e Fundos Imobiliários tendem a atrair mais fluxo neste ano, principalmente os fundos imobiliários, que são isentos de Imposto de Renda e proporcionam renda mensal", disse.
Por fim, ele lembrou o episódio recente do banco Master e afirmou que a busca por rentabilidade "não significa ignorar riscos". "Nem todo produto que oferece retorno maior é adequado a todos perfis", declarou.
Por fim, concluiu que 2026 deve ser um ano marcado por mais volatilidade (sobe e desce de cotações) por conta das eleições presidenciais.
"Vale lembrar que 2026 é um ano de eleição no Brasil, e historicamente, traz volatilidade muito grande. A cada pesquisa eleitoral, a bolsa vai subir ou cair de forma brusca. Só essa ressalva para quem está olhando a bolsa, viu que teve uma excelente performance em 2025 e a tendência é que tenha também uma boa performance em 2026. Porém, com um nível de volatilidade maior por conta das eleições no Brasil", concluiu.
Dólar cai e fecha a R$ 5,36 com emprego nos EUA e acordo UE-Mercosul; Ibovespa sobe

Inflação fecha o ano com 4,26%
O dólar fechou em queda de 0,44% nesta sexta-feira (9), cotado a R$ 5,3652. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 0,27%, aos 163.370 pontos.
Ao longo do dia, os investidores avaliaram uma série de dados econômicos do Brasil e dos Estados Unidos, além da aguardada aprovação do acordo entre União Europeia e Mercosul, após 25 anos de negociação.
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▶️ Nos Estados Unidos, o número de empregos não agrícolas cresceu menos do que o esperado em dezembro: foram abertas 50 mil vagas no mês, ante a previsão de 60 mil postos.
O payroll é um dos principais relatórios de emprego dos EUA e uma das referências consideradas pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na definição da política de juros. A próxima reunião do comitê ocorre no fim deste mês.
▶️ Além disso, o mercado segue atento à decisão da Suprema Corte dos EUA sobre a legalidade das tarifas aplicadas por Donald Trump sobre produtos importados. Novos posicionamentos da Corte devem ser divulgados na quarta-feira (14).
▶️ Nesta sexta, os países da União Europeia aprovaram o acordo comercial com o Mercosul, após 25 anos de negociações. O tratado ainda precisa do aval do Parlamento Europeu e dos americanos para entrar em vigor, mas a aprovação abre caminho para a assinatura do texto entre os blocos.
A expectativa, agora, é que o Mercosul assine o acordo com a UE em 17 de janeiro, segundo informou o Ministério das Relações Exteriores da Argentina.
▶️ No Brasil, o IBGE divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país. O indicador mostra que os preços subiram 0,33% em dezembro. Com isso, o indicador fechou 2025 em 4,26%, dentro do intervalo permitido da meta de inflação para o ano.
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
💲Dólar
a
Acumulado da semana: -1,08%;
Acumulado do mês: -2,25%;
Acumulado do ano: -2,25%.
📈Ibovespa
C
Acumulado da semana: +1,76%;
Acumulado do mês: +1,39%;
Acumulado do ano: +1,39%.
Acordo UE-Mercosul
Os países da União Europeia (UE) confirmaram a aprovação do acordo comercial com o Mercosul nesta sexta-feira (9), abrindo caminho para criar a maior zona de livre comércio do mundo. A informação foi divulgada pelo Chipre, que detém a presidência rotativa do bloco.
De acordo com a presidência do Chipre, uma ampla maioria dos Estados-membro da UE apoiam o acordo de livre comércio com o bloco sul-americano. Os países tinham até às 17h, no horário de Bruxelas (13h no horário de Brasília) para confirmar seus votos por escrito.
O acordo facilita o comércio entre os dois blocos, reduzindo impostos de importação e exportação. Para o Brasil, isso significa mais acesso ao mercado europeu, que tem cerca de 450 milhões de consumidores, beneficiando não só o agronegócio, mas também a indústria.
O tratado ainda precisa da aprovação do Parlamento Europeu para ser entrar em vigor, mas a aprovação abre caminho para a assinatura do texto entre os blocos. Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Argentina, a expectativa é que o Mercosul assine o acordo com a UE em 17 de janeiro.
Apesar da aprovação, o tratado enfrenta resistência de alguns países, como França e Irlanda. Agricultores europeus temem que produtos do Mercosul, mais baratos, aumentem a concorrência e prejudiquem o setor agrícola local.
🔍 De forma geral, o acordo comercial prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além de regras comuns para temas como comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios. O texto é negociado há mais de 25 anos.
Agenda econômica
Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)
A inflação oficial do país (IPCA) subiu 0,33% em dezembro e fechou 2025 em 4,26%, dentro do teto da meta do Banco Central.
O resultado ficou ligeiramente abaixo do esperado pelo mercado. Em dezembro, os maiores aumentos vieram de transportes, saúde e artigos de residência, enquanto habitação teve queda.
No ano, a alta foi puxada principalmente por habitação, educação e saúde, com destaque para o aumento da energia elétrica.
Payroll nos EUA
O mercado de trabalho dos EUA perdeu força em dezembro. Foram criadas 50 mil vagas no mês passado, abaixo da previsão do mercado, de 60 mil novos postos. O recuo reflete a maior cautela das empresas diante das tarifas e do aumento dos investimentos em inteligência artificial.
Ainda assim, a taxa de desemprego caiu para 4,4%. A queda pode aliviar as preocupações do Fed sobre a fragilidade do mercado de trabalho americano, com investidores apostando que o atual presidente da instituição, Jerome Powell, já realizou o seu último corte na taxa de juros antes do fim do seu mandato, em maio.
Assim, qualquer outra redução prevista para 2026 deve ficar nas mãos de seu sucessor — o presidente americano, Donald Trump, deve escolher um nome ainda neste mês.
Para economistas, no entanto, o relatório indica que há um risco de demissões no futuro. "A fraca notícia sobre o crescimento do emprego não pode ser ignorada. As contratações ainda estão estagnadas e o crescimento do emprego nos setores cíclicos da economia não envia um sinal animador", disse Olu Sonola, chefe de pesquisa econômica dos EUA na Fitch Ratings à Reuters.
Os empregadores norte-americanos criaram apenas 548 mil vagas em 2025, em comparação com cerca de 2 milhões em 2024, segundo dados divulgados nesta sexta-feira.
O número de desempregados que ainda buscam trabalho há mais de seis meses representa agora mais de um quarto do total. Já o número de pessoas com empregos de meio período por não conseguirem encontrar um emprego em tempo integral aumentou consideravelmente em comparação com alguns meses atrás.
Os dados sugerem que deve haver uma pressão contínua por mais cortes de juros por parte do Fed, mesmo enquanto Powell ainda estiver à frente do banco. Ainda assim, apenas 30% do mercado veem a probabilidade de uma nova redução das taxas até março.
"O Fed permanecerá bastante aberto à possibilidade de que uma desaceleração subjacente ainda possa elevar a taxa de desemprego e outras medidas de folga nos próximos dois meses, o suficiente para justificar um corte em março", escreveu Krishna Guha, vice-presidente do Evercore ISI.
"Mas, no geral, vemos algum respaldo para nossa visão de que, muito provavelmente, o Fed manterá as taxas inalteradas até junho, quando fará seu primeiro corte sob a nova presidência."
Bolsas globais
Em Wall Street, o foco está nos números de emprego dos Estados Unidos — que podem influenciar a decisão do banco central americano sobre os juros — e no avanço do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul. As tensões geopolíticas na Venezuela também seguem no radar.
Perto das 15h30, as bolsas americanas operavam com ganhos. Dow Jones subia 0,41%, enquanto S&P 500 tinha alta de 0,59% e o Nasdaq de 0,75%.
Já na Europa, a alta foi generalizada entre os principais índices da região. O avanço foi impulsionado pelo salto da Glencore, que ajudou a colocar o principal índice europeu, o STOXX 600 (+1%), em sua maior sequência de ganhos semanais desde maio do ano passado.
Entre os principais índices, o Financial Times, de Londres, subiu 0,80%, enquanto o DAX, em Frankfurt, avançou 0,53% e o CAC-40, de Paris, ganhou 1,44%.
Na Ásia, as bolsas da China e de Hong Kong fecharam em alta após sinais de melhora na economia chinesa.
Isso porque os preços para os consumidores na China voltaram a subir, reduzindo o medo de deflação e aumentando a expectativa de que o governo adote novos estímulos para aquecer a economia.
Com esse clima mais positivo, o principal índice da Bolsa de Xangai passou dos 4.100 pontos, o maior nível em cerca de 10 anos. As ações de empresas dos setores de materiais, indústria e tecnologia foram as que mais se valorizaram.
Outras Bolsas da Ásia também tiveram desempenho misto: Tóquio, Seul e Hong Kong subiram, enquanto Taiwan e Sydney fecharam em leve queda.
Dólar
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IPCA: preços sobem 0,33% em dezembro e inflação acumulada em 2025 chega a 4,26%

Inflação fecha o ano com 4,26%
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, mostra que os preços subiram 0,33% em dezembro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado do mês representa uma leve aceleração, já que o IPCA havia fechado novembro com alta de 0,18%. E em dezembro de 2024, teve alta de 0,52%.
Com esse resultado, a inflação acumulada em 2025 ficou em 4,26%.
(CORREÇÃO: ao publicar esta reportagem, o g1 errou ao informar que a meta de inflação foi batida pela primeira vez desde 2019. Em 2020 e 2023, o IPCA também ficou dentro do intervalo permitido, como mostra o infográfico da reportagem. A informação foi corrigida às 11h05 de 9 de janeiro de 2026.)
▶️ O resultado da inflação de dezembro ficou levemente abaixo das projeções do mercado, que estimavam alta de 0,4% no mês e de 4,30% no acumulado em 12 meses.
▶️ Com esse desempenho, a inflação permaneceu dentro do intervalo de tolerância do Banco Central, que tem meta de 3% e admite variação até o teto de 4,50%.
▶️ Esse foi o quinto menor resultado anual da inflação registrado pelo IBGE desde 1995. Os quatro menores índices ocorreram em 1998 (1,65%), 2017 (2,95%), 2006 (3,14%) e 2018 (3,75%).
Com exceção do grupo Habitação, que apresentou queda de 0,33%, todos os demais grupos de produtos e serviços pesquisados registraram aumento de preços em dezembro.
O maior avanço ocorreu em Transportes, com alta de 0,74%, grupo que também exerceu o maior impacto sobre o índice, de 0,15 ponto percentual.
Em seguida, aparecem os gastos com Saúde e cuidados pessoais, que subiram 0,52% e contribuíram com 0,07 ponto percentual. Já os preços de Artigos de residência avançaram 0,64%, a segunda maior variação do mês, após a queda de 1% registrada em novembro.
Veja o resultado dos grupos do IPCA:
Alimentação e bebidas: 0,27%;
Habitação: -0,33%;
Artigos de residência: 0,64%;
Vestuário: 0,45%;
Transportes: 0,74%;
Saúde e cuidados pessoais: 0,52%;
Despesas pessoais: 0,36%;
Educação: 0,08%;
Comunicação: 0,37%.
No grupo Transportes, que registrou alta de 0,74%, o resultado foi puxado principalmente pelos aumentos do transporte por aplicativo (13,79%) e das passagens aéreas (12,61%). Este último foi o subitem com maior impacto individual no índice do mês, contribuindo com 0,08 ponto percentual.
Já os combustíveis, que haviam recuado 0,32% em novembro, voltaram a subir em dezembro, com alta de 0,45%. Nesse grupo, o etanol teve a maior elevação (2,83%), seguido pelo gás veicular (0,22%) e pela gasolina (0,18%), enquanto o óleo diesel caiu 0,27%.
Destaques do ano
O IPCA encerrou o ano com alta de 4,26%, resultado 0,57 ponto percentual inferior aos 4,83% registrados em 2024.
Em 2025, a inflação foi puxada principalmente pelos seguintes grupos:
🏠 Habitação: alta de 6,79%, com o maior impacto no índice no período (1,02 ponto percentual);
🎓 Educação: variação de 6,22%;
🛍️ Despesas pessoais: avanço de 5,87%;
🏥 Saúde e cuidados pessoais: alta de 5,59%.
Juntos, esses quatro grupos responderam por cerca de 64% da inflação acumulada no ano.
A energia elétrica residencial, que subiu 12,31% no ano, foi o subitem com maior impacto no resultado anual do IPCA. Esse item integra o grupo Habitação, que acumulou alta de 6,79% em 2025.
👉 O resultado refletiu reajustes tarifários que variaram de uma redução de 2,16% a aumentos de até 21,95%, além da incorporação do Bônus de Itaipu nos meses de janeiro e agosto. Ao longo do ano, estiveram em vigor todas as bandeiras tarifárias, conforme o período:
🟢 Bandeira verde (sem cobrança adicional): de janeiro a abril;
🟡 Bandeira amarela (adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh): em maio e dezembro;
🔴 Bandeira vermelha patamar 1 (adicional de R$ 4,46 a cada 100 kWh): em junho, julho, outubro e novembro;
🚨 Bandeira vermelha patamar 2 (adicional de R$ 7,87 a cada 100 kWh): em agosto e setembro.
Ainda no grupo Habitação, destacaram-se as contribuições do aluguel residencial, que subiu 6,06%, do condomínio, com alta de 5,14%, e da taxa de água e esgoto, que avançou 4,50%.
O grupo Educação, que acumulou alta de 6,22%, apresentou a segunda maior variação entre os grupos pesquisados em 2025. O resultado foi influenciado principalmente pelos aumentos dos cursos regulares, que subiram 6,54%, e dos cursos diversos, com alta de 5,67%.
O grupo Alimentação e bebidas desacelerou em 2025 na comparação com 2024, ao passar de alta de 7,69% para 2,95%. Esse movimento foi influenciado principalmente pela alimentação no domicílio, que havia subido 8,23% em 2024 e, em 2025, registrou alta bem mais moderada, de 1,43%.
🔎 Entre junho e novembro, os preços dos alimentos consumidos em casa caíram por seis meses consecutivos, acumulando recuo de 2,69%. Nos demais meses do ano, a alta acumulada foi de 4,23%.
Entre os itens que mais subiram, destacam-se:
☕ Café moído: alta de 35,65%;
🍫 Chocolate em barra e bombom: avanço de 27,12%;
🥖 Pão francês: alta de 5,86%.
Já entre os itens que mais caíram, os destaques foram:
🍚 Arroz: queda de 26,56%;
🥛 Leite longa vida: recuo de 12,87%.
O histórico das metas de inflação
Arte/g1
INPC vai a 0,21% em dezembro e a 3,9% em 2025
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) teve alta de 0,21% em dezembro, resultado 0,18 ponto percentual acima do observado em novembro (0,03%). Em dezembro de 2024, a taxa havia sido de 0,48%.
No acumulado de 2025, o INPC avançou 3,90%, resultado 0,87 ponto percentual inferior aos 4,77% registrados em 2024. Com isso, o reajuste das aposentadorias ficará abaixo da inflação oficial acumulada no período.
Em dezembro, os produtos alimentícios aceleraram, ao passar de queda de 0,06% em novembro para alta de 0,28% em dezembro. Já os itens não alimentícios tiveram variação de 0,19%, ante 0,06% no mês anterior.
Entre as regiões pesquisadas em dezembro, a maior variação foi registrada em Porto Alegre (0,57%), influenciada principalmente pelas altas da energia elétrica residencial (3,87%) e das carnes (2,04%). A menor variação ocorreu em Curitiba (-0,22%), associada aos recuos da energia elétrica residencial (-3,23%) e das frutas (-4,82%).
No ano, os preços dos produtos alimentícios subiram 2,63%, enquanto os não alimentícios tiveram alta de 4,32%. Em 2024, as variações haviam sido de 7,60% e 3,88%, respectivamente.
Considerando os índices regionais do acumulado do ano, a maior variação foi observada em Vitória (4,82%), puxada sobretudo pelas altas da energia elétrica residencial (17,65%) e do aluguel residencial (9,06%).
Na outra ponta, Campo Grande registrou a menor variação, de 2,78%, influenciada pelas quedas nos preços do arroz (-31,01%), das frutas (-9,56%) e das carnes (-3%).
Motorista de aplicativo Uber
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Acordo UE-Mercosul pode baratear vinhos europeus e ampliar oferta de chocolates premium no Brasil

Como acordo Mercosul-UE pode trazer mais chocolates e baratear vinhos europeus no Brasil
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, aprovado provisoriamente pelos países europeus nesta sexta-feira (9), pode baratear o preço dos vinhos europeus e ampliar a variedade de rótulos disponíveis no Brasil no longo prazo, avaliam especialistas.
No caso dos chocolates, a redução do imposto de importação pode ampliar a presença de marcas premium que hoje não estão no mercado brasileiro. Mas isso não significa que elas chegarão ao país com preços acessíveis, diz Roberto Kanter, professor de MBAs da FGV.
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O acordo entre os dois blocos ainda não está em vigor. A formalização dos votos da UE ainda depende do envio de confirmações por escrito até as 17h no horário de Bruxelas (13h no Brasil). Só depois desse processo, o acordo deve ser assinado.
Atualmente, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai – países que fazem parte do Mercosul – pagam uma taxa de 27% para importar vinhos da Europa.
Caso o acordo entre em vigor, essa taxa será zerada entre 8 a 12 anos, a depender do produto, disse o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) ao g1.
Já as importações de chocolate, hoje taxadas em 20%, terão dois prazos: uma parte dos produtos terá tarifa zero em 10 anos e a outra, em 15 anos.
Acordo UE-Mercosul: o que está em jogo para o agro brasileiro
O g1 perguntou ao governo quais tipos de vinhos e chocolates se enquadram em cada um desses prazos de redução tarifária, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
O acordo também prevê tarifa zero para a importação de azeite de oliva da União Europeia. No entanto, desde março deste ano, o governo brasileiro já isentou o produto do imposto de importação.
Veja a seguir:
Como o acordo vai impactar o preço do vinho
Como ficam os preços do chocolate
Por que o vinho europeu pode baratear?
Diferentemente do Brasil, onde a produção de vinho é pequena, a Europa concentra os maiores produtores globais, como Itália, França, Espanha, respectivamente, segundo a International Organisation of Vine and Wine (OIV).
É por isso que, no continente, é possível encontrar "vinhos muito bons por dois, três, quatro euros", diz Kanter, da FGV.
No entanto, o que desestimula a compra pelo Brasil atualmente é justamente a alta taxa de importação.
"Com as tarifas atuais, é melhor você importar um vinho de 15 euros do que de cinco. Por quê? Porque a tarifa do imposto acaba igualando todos eles em uma faixa semelhante de preço e o cliente brasileiro que compra vinho da Europa já está disposto a pagar mais caro por ele", diz Kanter.
Ele afirma, no entanto, que a redução gradual da taxa vai estimular as empresas brasileiras a diversificarem as suas compras e a apostar em vinhos europeus de menor preço.
"Eu acredito que o consumidor brasileiro vai ser beneficiado. Ele vai passar a ter acesso a uma oferta muito maior de vinhos de qualidade média, a preços extremamente competitivos, muito mais do que você encontra hoje no mercado", ressalta.
Consumidor brasileiro pode ter acesso a vinhos europeus mais baratos e a mais rótulos, caso acordo entre em vigor.
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"Hoje, para você ter um preço competitivo, você compra do Chile ou da Argentina – principalmente do Chile porque o peso argentino subiu de novo", comenta o professor.
Esses dois países sul-americanos têm um volume de produção de vinho bem maior que o do Brasil. E é por isso que os rótulos chilenos e argentinos são, em geral, mais em conta que os nacionais no mercado brasileiro, diz Kanter.
Com o tempo, ele acredita que os vinhos europeus sigam a mesma tendência, no Brasil, observada hoje nos rótulos chilenos e argentinos.
O professor de Relações Internacionais do Ibmec-RJ, José Niemeyer, concorda com a avaliação de Kanter e aposta que o brasileiro "vai tomar vinho mais barato", principalmente pelo aumento da concorrência entre mais países pelo mercado nacional.
Os dois especialistas destacam que essa diminuição de preço não será imediata e deve acontecer gradualmente, após o acordo entrar em vigor.
O economista Marcos Troyjo, que liderou as negociações do acordo entre 2019 e 2020, afirma que, como a tarifa levará anos para ser zerada, os produtores de vinho do Brasil — hoje concentrados no Rio Grande do Sul — terão tempo para se adaptar.
"Alguém pode dizer: 'poxa, mas vai ter muita competição do vinho europeu'. Mas, na realidade, quando você tem uma um acordo desse, os consumidores passam a tomar mais vinho, você aumenta o número de fornecedores de garrafas, de rótulos, de rolhas", diz Troyjo.
"Aumenta também o número de vagas de emprego para garçons, para somelliers, ou seja, você dá um choque de expansão setorial", completou.
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Mais chocolates premium, mas não a preços baixos
No caso dos chocolates, a redução do imposto de importação pode ampliar a presença de marcas premium que hoje não estão no mercado brasileiro.
Tetiana Bykovets/Unplash
Diferentemente do setor de vinhos, o Brasil já conta com uma forte produção de chocolate. O país tem uma indústria já bastante diversificada, formada por empresas nacionais e estrangeiras, que conseguem atender o consumidor em diferentes faixas de preço.
No Brasil, o consumidor pode encontrar desde "uma Lacta, um Garoto" até "uma Nugali ou Dengo", exemplifica Kanter, da FGV.
Ele cita a Nestlé, uma marca suíça que está há anos no Brasil e que já produz chocolates a preços populares. "Neste caso, o acordo não traz benefício algum. [Porque] O cacau é produzido aqui, os impostos são daqui".
Para ele, os principais beneficiados serão os importadores. "Eles vão ganhar mais dinheiro. Com a tarifa menor, terão mais margem de lucro e isso vai permitir aumentar os canais de distribuição", diz Kanter.
"Ou seja, marcas que hoje se concentram nas grandes capitais, como a Lindt [que tem lojas, mas não fábricas no Brasil], poderão expandir suas operações, abrindo lojas e quiosques em cidades menores", diz Kanter.
Na avaliação do professor, pode haver algum barateamento pontual na categoria de chocolates semipremium, mas o preço não será o principal impacto para o consumidor.
“A grande diferença é o acesso. O consumidor pode passar a encontrar marcas premium de chocolates europeus que hoje não estão no Brasil”, afirma.
"A Godiva, por exemplo, já veio para o Brasil e depois saiu porque as condições econômicas não eram favoráveis. Trata-se de um produto premium, vendido em euro. Quando se faz a conversão para o real e ainda se soma um imposto de importação elevado, a operação deixa de ser viável”, diz.
Mas a chegada de novos produtos de alto padrão "não beneficia as classes B e C", ressalta o professor.
"Marcas de primeira linha de chocolates não são vendidas por um preço baixo exclusivamente porque têm tarifas de importação reduzidas. Para elas, o preço é uma consequência do posicionamento de mercado", diz.
"Quem vai se beneficiar é a classe A, que em vez de comprar chocolate na Fauchon [loja de gastronomia de luxo que fica na França], vai poder comprar no Iguatemi, em São Paulo", diz Kanter.
"O preço de produtos importados de primeira linha nunca chegará ao nível de chocolates populares nacionais. Você não vai conseguir comprar uma uma caixinha de Godiva por R$ 7,90 nas Lojas Americanas. Isso não vai acontecer", conclui o professor.
Confira os principais clientes do agro brasileiro em 2025
Arte g1
Acordo Mercosul-UE pode baratear vinhos europeus e ampliar oferta de chocolates premium no Brasil
Tetiana Bykovets/Max Tutak/Unplash
Embaixadores da União Europeia aprovam acordo com o Mercosul, dizem agências

Comissão Europeia aprova acordo com Mercosul
Os países da União Europeia aprovaram provisoriamente nesta sexta-feira (9) o acordo comercial com o Mercosul, segundo diplomatas ouvidos pelas agências France Presse e Reuters.
A formalização dos votos ainda depende do envio de confirmações por escrito até as 17h no horário de Bruxelas (13h no Brasil), segundo as fontes.
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A aprovação abre caminho para a assinatura do tratado, após mais de 25 anos de negociações. Apesar do apoio de setores empresariais e industriais, o texto segue enfrentando forte resistência de agricultores europeus, sobretudo na França. (veja mais abaixo)
🔍 De forma geral, o acordo comercial prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além do estabelecimento de regras comuns para temas como comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
Com o aval do bloco, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar oficialmente o acordo. O tratado deve criar a maior área de livre comércio do mundo.
Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o tratado amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores e gera impactos que vão além do agronegócio, alcançando também diversos segmentos da indústria brasileira.
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Mais de 25 anos de negociações
O acordo comercial acumula mais de duas décadas de negociações entre os dois blocos. A expectativa é que, mesmo diante da oposição declarada de países como a França, o Parlamento Europeu aprove o tratado.
A Comissão Europeia afirma que o acordo de livre comércio é o maior já firmado pelo bloco em termos de redução de tarifas, eliminando mais de 4 bilhões de euros (US$ 4,7 bilhões ou R$ 25,3 bilhões) por ano em impostos sobre as exportações da UE.
A estimativa é que o Mercosul elimine tarifas sobre cerca de 91% das exportações da UE ao longo de 15 anos;
Enquanto isso, o bloco europeu deve retirar progressivamente as taxas sobre 92% das exportações do Mercosul.
Os blocos também concordaram em ampliar as cotas de produtos isentos no setor agrícola.
Segundo a Comissão Europeia e apoiadores do tratado, como Alemanha e Espanha, o acordo deve oferecer uma alternativa à dependência da China, especialmente no fornecimento de minerais críticos como o lítio, essencial para a produção de baterias.
Os defensores também afirmam que o acordo ajuda a mitigar os efeitos de medidas protecionistas, como as tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
Veja quais são os países envolvidos no Acordo UE-Mercosul.
Arte/g1
Acordo sofre resistências
Apesar de a maioria dos Estados-membros ter se mostrado favorável à assinatura, o acordo ainda enfrenta resistência de alguns países, que apontam possíveis impactos sobre o setor agrícola.
Um diplomata da UE e o ministro da Agricultura da Polônia afirmaram que 21 países apoiaram o acordo, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia votaram contra. A Bélgica se absteve.
Para a aprovação, era necessário o apoio de pelo menos 15 países, que representassem 65% da população total do bloco.
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Na véspera da votação, o presidente francês, Emmanuel Macron, reafirmou que Paris votaria contra o acordo. “Embora a diversificação comercial seja necessária, os benefícios econômicos do acordo UE-Mercosul serão limitados para o crescimento francês e europeu”, escreveu em comunicado.
🔎 Entre produtores rurais da França, o acordo com o Mercosul é visto como uma ameaça, diante do receio de concorrência com produtos latino-americanos mais baratos e submetidos a padrões ambientais diferentes dos exigidos pela União Europeia.
A Irlanda também se posicionou contra o tratado. Na véspera da votação, o primeiro-ministro Simon Harris anunciou que o país se juntaria à França, à Hungria e à Polônia na oposição ao acordo.
"A posição do governo sobre o Mercosul sempre foi clara: não apoiamos o acordo da forma como foi apresentado", afirmou Harris em comunicado.
Tanto a França quanto a Irlanda enfrentam protestos nesta sexta-feira em razão do acordo.
Itália tem papel decisivo
Nesta semana, a Itália — que até dezembro se mostrava contrária — sinalizou apoio ao tratado. A mudança teve peso decisivo e deu novo rumo às negociações, já que o desenho institucional da UE confere ao voto italiano caráter estratégico: a ratificação exige maioria qualificada no Conselho Europeu, com apoio de ao menos 65% da população do bloco.
Em dezembro, durante debates no Conselho Europeu, a primeira-ministra Giorgia Meloni afirmou que o apoio da Itália estaria condicionado à consideração das preocupações do país, especialmente em relação aos impactos sobre o setor agrícola.
👉 Nos últimos dias, esse posicionamento foi reforçado por uma comunicação da Comissão Europeia, que propõe acelerar a liberação de 45 bilhões de euros destinados aos agricultores. Meloni avaliou a iniciativa como um “passo positivo e significativo”.
Na mesma linha, o ministro da Agricultura da Itália, Francesco Lollobrigida, afirmou que a União Europeia passou a discutir o aumento — e não a redução — dos recursos destinados à agricultura italiana no período de 2028 a 2034.
Bandeiras de países da União Europeia na sede do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, França
Hassan Anayi/Unsplash
EXCLUSIVO: Denúncias de trabalho escravo atingem novo recorde no Brasil

Denúncias de trabalho escravo atingem novo recorde no Brasil
O Brasil registrou, em 2025, o maior número de denúncias de trabalho escravo e de condições análogas à escravidão da série histórica.
Ao todo, foram registradas 4.515 denúncias ao longo do ano, segundo dados inéditos do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), obtidos com exclusividade pelo g1.
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O número representa um aumento de 14% em relação a 2024, quando já havia sido registrado um recorde histórico, com 3.959 denúncias.
O crescimento reforça uma tendência de alta observada nos últimos anos e evidencia a persistência do trabalho escravo contemporâneo no país.
Entre os registros de 2025 estão denúncias de trabalho escravo infantil, além de casos envolvendo adultos submetidos a jornadas exaustivas, condições degradantes de trabalho, servidão por dívida e restrição de liberdade — práticas que caracterizam o crime segundo a legislação brasileira.
Janeiro de 2025 foi o mês com o maior número de denúncias já registrado desde a criação do Disque 100, em 2011. Apenas no primeiro mês do ano, foram 477 registros.
Desde que o canal passou a receber registros sobre trabalho escravo, mais de 26 mil denúncias relacionadas a trabalho escravo e condições análogas à escravidão foram feitas em todo o Brasil, segundo o ministério.
Os números mostram que o país vem registrando recordes sucessivos de denúncias nos últimos anos. Em 2021, foram 1.918 registros. Em 2022, o total subiu para 2.084. Em 2023, chegou a 3.430 denúncias. Em 2024, o volume saltou para 3.959 — até então, o maior da série histórica.
Antes dessa sequência, o maior número anual havia sido registrado em 2013, com 1.743 denúncias. Em pouco mais de uma década, portanto, o volume anual mais que dobrou.
Resgates também seguem em patamar elevado
Os dados de denúncias dialogam com o número de resgates realizados pelo poder público. Em 2024, 2.186 pessoas foram resgatadas de situações de trabalho análogo à escravidão no Brasil, segundo a Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
De acordo com o último levantamento do MTE, cerca de 65,6 mil pessoas já foram resgatadas de condições análogas à escravidão no país desde 1995 — ano em que o Estado brasileiro reconheceu oficialmente a existência de formas contemporâneas de escravidão.
Esse total é resultado de mais de 8,4 mil ações fiscais realizadas em todo o território nacional até dezembro de 2024.
As operações são conduzidas principalmente pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel, coordenado pelo Ministério do Trabalho, com apoio das unidades regionais do órgão nos estados.
Construção civil e agronegócio concentram resgates
Em 2024, os setores econômicos com maior número de trabalhadores resgatados, segundo a Classificação Nacional das Atividades Econômicas (CNAE), foram:
🏗️ Construção de edifícios (293 resgatados);
☕ Cultivo de café (214);
🧅 Cultivo de cebola (194);
🚜 Serviços de preparação de terreno, cultivo e colheita (120);
🥬 Horticultura, exceto morango (84)
Os dados também revelam uma mudança importante no perfil do problema: 30% dos trabalhadores resgatados em 2024 estavam em áreas urbanas, indicando um avanço do trabalho escravo fora do meio rural — historicamente associado a grandes propriedades agrícolas.
Especialistas e autoridades destacam que o aumento das denúncias não significa, necessariamente, crescimento isolado do crime, mas pode refletir maior conscientização da população, ampliação dos canais de denúncia e confiança nos mecanismos de proteção.
Ainda assim, os números elevados indicam que o trabalho escravo segue como um problema estrutural no país.
Homens são resgatados em situação semelhante a trabalho escravo em plantação de milho em Santa Bárbara de Goiás
Ministério do Trabalho/Divulgação
⚠️ Como denunciar?
O Disque 100 funciona diariamente, 24 horas por dia, incluindo sábados, domingos e feriados. As ligações podem ser feitas de todo o Brasil, de forma gratuita, a partir de qualquer telefone fixo ou móvel.
Qualquer pessoa pode registrar denúncia sobre violações de direitos humanos das quais seja vítima ou tenha conhecimento.
A partir disso, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania recebe, analisa e encaminha as denúncias aos órgãos de proteção e responsabilização.
O governo também mantém um canal específico para denúncias de trabalho análogo à escravidão: o Sistema Ipê, disponível na internet. O denunciante não precisa se identificar e deve inserir o maior número possível de informações.
Auditores fiscais do trabalho
ENIT
Apoio da Itália pode abrir caminho para aprovação do acordo UE-Mercosul nesta sexta-feira; entenda

Itália passa a apoiar acordo comercial com o Mercosul
Após mais de 25 anos de negociações, o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul pode finalmente sair do papel. A sinalização de apoio da Itália tende a destravar a ratificação do tratado nesta sexta-feira (9), quando representantes do bloco europeu se reúnem para bater o martelo sobre sobre o texto.
A expectativa em torno da posição de Roma aumentou nesta semana, após uma fonte do bloco afirmar que o país deve se posicionar favoravelmente na reunião dos embaixadores da UE — sinal visto como decisivo para o avanço do acordo.
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A possível mudança ganha peso porque ocorre após meses de hesitação do governo italiano, que vinha demonstrando preocupação com os impactos do tratado sobre o setor agrícola. (entenda mais abaixo)
Para José Pimenta, diretor de Comércio Internacional da BMJ Consultores Associados, a Itália passou a ocupar uma posição-chave neste momento do processo. Ele classifica o país como um “grande player” na etapa final de aprovação do acordo.
Isso porque o desenho institucional da UE faz com que o voto italiano tenha peso estratégico: a ratificação exige maioria qualificada no Conselho Europeu — o que significa o apoio de países que representem ao menos 65% da população do bloco.
“Sem a Itália, que é um país populoso, fica muito difícil atingir esse patamar. Se ela se alinhar à França, o acordo pode sofrer um revés. Por outro lado, caso fique ao lado de Alemanha e Espanha, o tratado fica praticamente aprovado na UE”, diz.
Foi justamente esse peso político que levou a Comissão Europeia a rever o cronograma inicial. O plano era selar o pacto — que cria a maior zona de livre comércio do mundo — em dezembro de 2025, mas a articulação da França resultou em um adiamento, sob a justificativa de buscar maior proteção ao setor agrícola.
🔍 De forma geral, o acordo comercial prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além de regras comuns para temas como comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios. O texto é negociado há mais de 25 anos.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, o presidente da França, Emmanuel Macron, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, se reúnem antes do encontro do G7++ durante a cúpula do G20 em Joanesburgo, na África do Sul, em 22 de novembro de 2025.
HENRY NICHOLLS/Pool via REUTERS
O ‘voto de Minerva’
Na avaliação de especialistas ouvidos pelo g1, a posição da Itália está diretamente associada à forma como as chamadas “salvaguardas agrícolas” foram incorporadas ao texto final do acordo.
Esses mecanismos permitem limitar temporariamente as importações quando há risco de prejuízo aos produtores locais.
➡️ As mudanças aprovadas tornam o acionamento dessas barreiras mais simples e mais rápido. Veja:
Antes, era necessário comprovar um aumento anual de 10% nas importações para justificar a suspensão das tarifas.
Pela nova regra, esse gatilho foi reduzido: basta um crescimento médio de 5% ao longo de três anos para produtos considerados sensíveis, como carne bovina e aves.
O procedimento também foi encurtado. O prazo de investigação caiu de seis para três meses — ou para até dois meses no caso de produtos agrícolas.
Além disso, deixou de ser exigida a comprovação detalhada de dano econômico. Em seu lugar, passou a valer o critério da chamada “presunção de prejuízo”, o que amplia a margem de atuação das autoridades europeias.
É nesse contexto que a Itália assume hoje uma posição decisiva no processo, avalia a professora Regiane Bressan, especialista em Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Segundo ela, o país tende a exercer um “voto de Minerva” dentro do bloco europeu.
“A França é um voto contrário certo, enquanto outros países ainda oscilam. A forma como a Itália se posicionar vai definir se o acordo avança ou não”, afirma Bressan.
Para que o tratado seja aprovado, é necessário reunir ao menos 15 votos que, juntos, representem 65% da população da União Europeia.
Em dezembro, após os governos dos países da UE se reúnem no Conselho Europeu para deliberar sobre a aprovação do texto, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que o país poderia apoiar o acordo desde que fossem atendidas as preocupações do setor agrícola.
“Assim que forem dadas as respostas necessárias aos agricultores, o que depende das decisões da Comissão Europeia e pode ser resolvido rapidamente”, declarou Meloni.
Na mesma semana, os presidentes da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do Conselho Europeu, António Costa, enviaram uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmando o compromisso de assinar o acordo neste mês de janeiro.
“Gostaríamos de transmitir nosso firme compromisso em proceder com a assinatura do Acordo de Parceria e do Acordo Provisório de Comércio no início de janeiro, em um momento a ser acordado entre ambas as partes”, diz o documento.
Do lado brasileiro, Lula disse que a Itália não se opunha ao tratado e que as resistências decorriam da pressão de agricultores locais. O presidente, no entanto, demonstrou confiança de que o país deveria aderir ao acordo.
“Meloni dizia que a distribuição de verbas para a agricultura na União Europeia estava prejudicando a Itália e que, então, ela estava com problemas com os produtores agrícolas, de modo que não poderia assinar o acordo neste momento", relatou o presidente.
Lula se reuniu neste domingo (17) com a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni
Eraldo Peres/AP
França mantém oposição
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou em comunicado nesta quinta-feira (8) que a França votará contra o acordo entre a União Europeia e o Mercosul.
A declaração de Macron reforça a França como o principal foco de resistência ao avanço do acordo. Ao lado do país, também se posicionam outros membros do bloco europeu, como Irlanda, Hungria e Polônia.
Entre produtores rurais da França, o acordo com o Mercosul é visto como uma ameaça, diante do receio de concorrência com produtos latino-americanos mais baratos e submetidos a padrões ambientais diferentes dos exigidos pela UE.
O governo francês decretou nesta quarta-feira (7) a suspensão temporária das importações de alguns produtos agrícolas, em especial os provenientes da América do Sul tratados com agrotóxicos proibidos no bloco europeu.
A medida, que entrou em vigor no dia seguinte e terá duração de um ano, ainda depende de aval da Comissão Europeia.
👉 A lista inclui itens como abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas e batatas, que ficarão barrados caso apresentem resíduos de cinco fungicidas e herbicidas vetados na Europa: mancozeb, tiofanato-metílico, carbendazim, glufosinato e benomil.
Emmanuel Macron durante evento de líderes da União Europeia em 15 de dezembro de 2023
Johanna Geron/REUTERS
Apoio de Alemanha e Espanha
Na outra ponta do debate, Alemanha e Espanha mantêm apoio firme ao avanço do tratado. O chanceler alemão, Friedrich Merz, e o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, defendem que a União Europeia leve adiante o acordo firmado.
Para esses governos, o pacto pode ajudar a mitigar os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos europeus e, ao mesmo tempo, reduzir a dependência do bloco em relação à China, ao ampliar o acesso a minerais estratégicos e a novos mercados.
“Se a União Europeia quiser manter credibilidade na política comercial global, decisões precisam ser tomadas agora”, declarou Merz.
Embora a resistência se concentre no agronegócio, o tratado vai além da área agrícola e inclui regras para indústria, serviços, investimentos e propriedade intelectual, o que explica o apoio de outros setores econômicos.
Justiça dos EUA reconhece liquidação do Master e bloqueia ativos do banco no país

Justiça dos EUA reconhece a liquidação do banco Master
O juiz Scott M. Grossman, do Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida, reconheceu nesta quinta-feira (8) a liquidação do Banco Master e determinou o bloqueio dos ativos da instituição nos Estados Unidos.
A decisão atendeu a um pedido da EFB Regimes Especiais de Empresas, liquidante do Master nomeada pelo Banco Central (BC). A medida também se aplica ao Banco LetsBank S.A., ao Banco Master de Investimento S.A. e à Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.
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"O processo de liquidação brasileiro terá plena força e efeito e será vinculante e exequível nos Estados Unidos contra todas as pessoas e entidades", diz o juiz em sua decisão.
O magistrado também determinou que "todas as pessoas e entidades ficam impedidas de iniciar ou prosseguir com qualquer ação ou processo relacionado aos ativos, direitos, obrigações ou passivos" do Banco Master e de suas empresas controladas nos EUA.
Por ordem do juiz Scott M. Grossman, ficou suspensa ainda qualquer medida de execução contra os bens do Banco Master que estejam nos EUA. Na prática, ninguém pode cobrar, penhorar, bloquear ou tentar tomar ativos dos devedores em território americano enquanto a medida estiver em vigor.
Além disso, o magistrado autorizou a EFB Regimes Especiais de Empresas a ouvir testemunhas, produzir provas e requisitar informações sobre ativos, negócios, direitos, obrigações e passivos do Banco Master e de suas empresas controladas.
A decisão do tribunal da Flórida veio após os advogados de Vorcaro acionarem a Justiça dos EUA para tentar barrar o reconhecimento da liquidação do banco, em resposta ao pedido feito pelo liquidante.
Nos argumentos apresentados, a defesa do Master citou a inspeção no Banco Central, determinada na segunda-feira (5) pelo ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU). Além disso, afirmou que ainda havia possibilidade de reversão da liquidação.
Recuo do TCU e inquérito da PF
Mais cedo nesta quinta-feira, no entanto, o TCU suspendeu a inspeção no Banco Central após o ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso Master, acolher um recurso apresentado pelo BC.
A decisão do ministro foi vista como um recuo do TCU diante da repercussão do caso. Na semana passada, a Corte de Contas havia determinado uma inspeção para revisar as provas que embasaram a liquidação do Banco Master. O BC, no entanto, apresentou um recurso.
Nos embargos de declaração, a autoridade monetária argumentou que esse tipo de medida só poderia ser aprovado por um colegiado do tribunal, especificamente a Primeira Câmara.
Em conversa com o blog do Valdo Cruz, o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, afirmou que decidiu submeter o caso ao plenário, e não apenas à Primeira Câmara.
O clima dentro da Corte de Contas se tornou mais tenso após a revelação de que influenciadores estavam sendo contratados para divulgar mensagens nas redes sociais com ataques ao banco e em defesa do Master.
A Polícia Federal vai abrir inquérito para investigar quem estava pagando para a contratação destes influenciadores.
Segundo o blog do Valdo Cruz, um ministro do tribunal disse que essa última notícia mostrou que a polêmica sobre o banco Master envolve muitos interesses e poderia desgastar ainda mais a imagem do TCU.
Por isso, ele aprovou a decisão do presidente do tribunal de levar o caso para o plenário do tribunal. Segundo esse ministro, uma decisão do plenário dará mais peso para qual seja a que for tomada, evitando mais críticas contra a Corte de Contas.
Conselho Monetário Nacional já havia tomado medidas para coibir modelo de negócios do Banco Master
Jornal Nacional/ Reprodução
Entenda o caso Master
Fundado em 1974 como Máxima Corretora de Valores, o Banco Master passou por diversas reorganizações societárias ao longo de quase cinco décadas.
O processo ganhou novo impulso em 2019, quando Daniel Vorcaro assumiu o controle da instituição e adotou uma estratégia de crescimento acelerado.
A partir de 2022, porém, esse ritmo passou a gerar questionamentos no mercado, e analistas e investidores começaram a identificar sinais de fragilidade no modelo adotado.
Isso porque a instituição passou a captar recursos a custos cada vez mais elevados e a direcioná-los para investimentos considerados mais arriscados, o que levantou dúvidas sobre a sustentabilidade financeira do banco no longo prazo.
🔎 Em termos simples, o banco pagava juros elevados para captar recursos e precisava assumir riscos ainda maiores para sustentar esses pagamentos — uma estratégia que costuma funcionar apenas no curto prazo e aumenta o risco de desequilíbrio financeiro.
O alerta ficou mais evidente com os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) oferecidos pelo Banco Master. CDBs são títulos de renda fixa em que o investidor "empresta" dinheiro ao banco em troca de juros. No Master, chegaram a pagar até 140% do CDI, muito acima do padrão do mercado.
Para especialistas, a oferta indicava dificuldade de captação a custos menores no mercado tradicional, levando o banco a recorrer de forma crescente ao investidor pessoa física.
Tentativa de negócio com o BRB e escalada da crise
As preocupações não eram infundadas. Segundo investigações da Polícia Federal, parte dos recursos captados teria sido usada para cobrir déficits operacionais e honrar compromissos antigos — um modelo que depende de entrada constante de novos recursos.
Paralelamente, o banco passou a buscar uma saída com a venda de participação societária. A principal tentativa ocorreu em março de 2025, quando avançaram as negociações para a venda de 58% do capital ao Banco de Brasília (BRB), em uma operação estimada em cerca de R$ 2 bilhões.
O acordo, porém, entrou rapidamente no radar de órgãos de controle. O Ministério Público do Distrito Federal e o Ministério Público de Contas apontaram falta de transparência e possíveis riscos aos acionistas do banco público.
As investigações da Polícia Federal começaram antes mesmo da tentativa de venda do banco. Desde 2024, a PF passou a acompanhar de perto a instituição e identificou indícios de que o Master teria inflado artificialmente carteiras de crédito e registrado como sólidos ativos de baixa — ou até inexistente — qualidade, distorcendo sua real situação financeira.
Nesse contexto, parte das irregularidades envolveria a emissão de cerca de R$ 50 bilhões em CDBs sem lastro líquido suficiente para garantir o pagamento futuro desses títulos.
As apurações também apontam operações suspeitas com créditos supostamente adquiridos da empresa Tirreno, que teriam sido revendidos ao BRB por R$ 12,2 bilhões, sem a documentação necessária, justamente no período em que se negociava a compra do próprio Banco Master.
Diante disso, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro, interrompendo as atividades, afastando a diretoria e acionando o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para indenizar correntistas e investidores até o limite legal de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.
Paralelamente, a Justiça determinou o bloqueio de bens de controladores e ex-executivos, enquanto as investigações continuam para apurar responsabilidades civis e criminais.
Mega-Sena, concurso 2.957: prêmio acumula e vai a R$ 13,5 milhões

G1 | Loterias - Mega-Sena 2957
O sorteio do concurso 2.957 da Mega-Sena foi realizado na noite desta quinta-feira (8), em São Paulo. Nenhuma aposta acertou as seis dezenas, e o prêmio para o próximo sorteio acumulou em R$ 13,5 milhões.
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Veja os números sorteados: 19 - 28 - 36 - 37 - 48 - 52
5 acertos - 16 apostas ganhadoras: R$ 81.629,27
4 acertos - 2.046 apostas ganhadoras: R$ 1.052,22
O próximo sorteio da Mega será no sábado (10).
Mega-Sena, concurso 2.957
Reprodução/Caixa
Como funciona a Mega-sena
A
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Bilhetes da Mega-Sena, em imagem de arquivo
Marcelo Brandt/G1
Caso Master: presidente do TCU defende distensionar ambiente após suspensão de inspeção no Banco Central
Caso Master: ministro do TCU suspende inspeção no Banco Central e leva caso para o plenário O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo, afirmou ao g1 que a decisão do ministro Jhonatan de Jesus de suspender a inspeção no Banco Central, até que o plenário da Corte delibere sobre o tema, foi "serena". Segundo ele, havia um "estremecimento" nas relações entre o BC, o tribunal e o mercado. Seis dias depois de autorizar uma inspeção no Banco Central sobre o caso Master, o Tribunal de Contas da União recuou nesta quarta (7) e decidiu suspender o processo. "Quando chegou a esse nível, eu conversando permanentemente com o Galípolo (Gabriel Galípolo- presidente do Banco Central), com o ministro da Fazenda e com o relator (ministro Jhonatan de Jesus), eu disse: está na hora da gente dar um arrefecimento, vamos fazer uns encontros para entender as prerrogativas do Tribunal e as que tem o Banco Central, entendeu? Porque eles têm que guardar sigilo das coisas, mas nos também temos que fiscalizar", afirmou. A partir disso, explicou Vital do Rêgo, foi tomada a decisão de suspender a inspeção. "Vai nos dar tempo de criar uma uniformização de condutas", declarou o presidente do TCU. Na próxima segunda-feira (12), o ministro retornará a Brasília e, ao longo da semana, deve se reunir com o presidente da autoridade monetária. Questionado se a determinação da inspeção no Banco Central teria sido um erro, Vital do Rêgo negou. "Não foi um erro. Quem pediu (a investigação) foi o Ministério Público, a unidade técnica encaminhou para o relator. A inspeção é algo comum, corriqueiro, entre o tribunal e as agências reguladoras quando falta algum esclarecimento sobre algum ponto a ser visto", disse. "Agora, por ser uma matéria delicada, que está na ordem do dia a questão do dia, o mercado, criou-se, digamos assim, uma escalada de tensionamento, de notícias desencontradas", relatou. "Era necessário que eu entrasse nessa história para preservar o Tribunal na sua competência. Nós temos que entender as prerrogativas que o BC tem e ai a gente vai encontrar um caminho que seja um caminho sem percalços para nenhum de nós".
'Quem financiou vai ter que se explicar', diz especialista sobre publicações sobre Banco Master

'Quem financiou vai ter que se explicar', diz especialista sobre posts do Banco Master
Diretor-executivo do Instituto de Tecnologia e Sociedade, Fábio Steibel afirmou que há uma linha tênue entre liberdade de expressão e crime na contratação de influenciadores para uma série de publicações contra a liquidação do Banco Master.
De acordo com o especialista, as publicações em si não se tratam de crime e é provável que os influenciadores não sejam responsabilizados. Porém, isso pode acontecer com quem tenha contratado a série de postagens.
"Com certeza, quem financiou isso vai ter que explicar se a sua intenção se o dolo era de prejudicar ou não", disse, em entrevista à GloboNews.
Segundo ele, a liberdade de expressão deve ser mais abrangente por se tratar de um tema público, mas que gera estranhamento os perfis que não são de economia tratando do assunto de uma hora para a outra.
"É diferente você não sobre o tema e, do nada, começar a falar algo que vai difamar uma instituição ou difamar pessoas, principalmente aqui lidando com o sistema financeiro", disse.
Nesta semana, o vereador Rony Gabriel (PL-Erechim, de MG) e outros influenciadores revelaram ter recebido propostas para difundir em seus perfis nas redes sociais a narrativa de que o Banco Central havia sido precipitado ao decretar a liquidação do Master.
A informação foi divulgada pelo blog da Andréia Sadi, no g1. A ideia era compartilhar vídeos que reverberassem a posição da Corte e colocassem em xeque a ação do Banco Central.
A Polícia Federal (PF) decidiu abrir um inquérito para apurar as denúncias de influenciadores que alegam ter sido procurados para gravar conteúdos em defesa do Banco Master e contra o Banco Central (BC), que decretou a liquidação da instituição de Daniel Vorcaro no fim do ano passado.
Procurada, a defesa do Banco Master diz não ter informações sobre a suposta contratação de influencers para difamar o BC.
Justiça Federal de Uberlândia endurece controle sobre uso de hormônios por produtores de leite

Justiça Federal impõe regras mais rígidas ao uso de hormônios no leite
A Justiça Federal em Uberlândia determinou que a União e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) adotem medidas mais rigorosas para controlar a comercialização e o uso de hormônios em vacas leiteiras, após reconhecer falhas regulatórias que permitem o uso indiscriminado dessas substâncias no país.
A Anvisa informou ao g1 que prestará as informações dentro do processo e ressaltou que não tem competência sobre os medicamentos de uso veterinário. Já a União, por meio da Advocacia Geral da União (AGU), disse que ainda não foi intimada.
A decisão da 1ª Vara Cível e JEF Adjunto de Uberlândia foi proferida no âmbito de uma Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que apontaram riscos à saúde pública decorrentes da presença de resíduos químicos no leite, como antimicrobianos, pesticidas e hormônios, além de fragilidades na fiscalização da cadeia produtiva.
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Embora análises laboratoriais tenham demonstrado que os produtos finais comercializados por grandes laticínios estavam dentro dos padrões legais, o juiz Osmane Antônio dos Santos, concluiu que há um problema estrutural no controle do uso de hormônios, especialmente da ocitocina e da somatotropina bovina (lactotropina), frequentemente utilizadas de forma inadequada para aumentar artificialmente a produção de leite.
Baixa fiscalização no comércio de hormônios
De acordo com a sentença, ficou comprovado no processo que essas substâncias são comercializadas com baixa fiscalização e, muitas vezes, aplicadas de forma rotineira e sem acompanhamento veterinário, prática conhecida como uso “off-label”, quando, por exemplo, hormônios são aplicados para aumentar a produção de leite indiscriminadamente.
O magistrado destacou que, embora a Anvisa classifique esses hormônios como de “limite máximo de resíduo não necessário”, o desvio de finalidade no uso pode gerar riscos indiretos relevantes, como a disseminação de doenças no rebanho.
"O uso diário de injeções hormonais, muitas vezes realizado sem assistência veterinária adequada e com compartilhamento de agulhas, atenta contra o bem-estar animal e serve de vetor para a disseminação de doenças como a tripanossomíase e a brucelose no rebanho. O silêncio ou a permissividade regulatória quanto à forma de comercialização desses insumos configura uma falha no dever de vigilância sanitária", afirmou o juiz na decisão.
Programas estimulam o aumento da produção de leite.
Secom PI
União e Anvisa terão 120 dias para agir
Com base nesse entendimento, a Justiça Federal determinou que a União e a Anvisa, no prazo de 120 dias, adotem providências administrativas e normativas para tornar mais rigoroso o controle da venda e do uso da ocitocina e da somatotropina em bovinos de leite. Entre as medidas obrigatórias estão:
exigência de prescrição médico-veterinária, com retenção de receita ou sistema eletrônico de notificação;
criação de mecanismos que permitam o rastreamento do uso desses hormônios;
combate ao uso indiscriminado de hormônios com finalidade exclusiva de aumento de produção
Além disso, os órgãos federais deverão publicar e manter atualizados, em seus portais oficiais, relatórios semestrais detalhados do Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC), informando número de amostras coletadas, substâncias analisadas, índices de irregularidades por estado e sanções aplicadas a produtores e estabelecimentos infratores.
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A decisão também determina que as cooperativas e indústrias Cemil, Calu e Itambé, que atuam no Triângulo e no Alto Paranaíba, apresentem em até 90 dias relatórios detalhados comprovando a execução completa de seus Programas de Autocontrole e do Plano de Qualificação de Fornecedores de Leite.
A Cooperativa Central Mineira de Laticínios Ltda (Cemil) informou que ainda não foi formalmente notificada da decisão judicial, mas ressaltou que a decisão reconhece que todos os produtos analisados estavam em conformidade com a legislação e sem risco ao consumidor. Destacou ainda possuir a certificação internacional FSSC 22000, uma das mais exigentes em segurança de alimentos, e que todas as ações seguem as Instruções Normativas do Ministério da Agricultura.
A Itambé também foi procurada, mas não houve retorno até a última atualização da reportagem. O g1 tenta contato com a Calu.
O Sindicato da Indústria de Laticínios de Minas Gerais (Silemg), que também é citado na ação, informou que os laudos feitos pelo laboratório contratado pelo Ministério Público apontaram 100% de conformidade nas análises do leite avaliado e que, após a conclusão dos testes, que seguiram a legislação nacional e padrões internacionais como o Codex Alimentarius, ficou comprovado que o leite atende integralmente aos requisitos de qualidade e segurança. Também reforçou que as empresas executam rotineiramente controles e análises, garantindo a produção de leite dentro dos padrões internacionais.
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Ações da Azul despencam mais de 70% nesta quinta e chegam a 90% no ano; entenda o que houve

As ações da Azul atravessam um período de forte queda na bolsa de valores. Nesta quinta-feira (8), os papéis despencaram mais de 70%. Nos últimos cinco dias, a desvalorização já chega a 90%.
Diferentemente do que costuma ocorrer em quedas acentuadas na bolsa, o movimento não indica uma crise operacional ou escândalo na empresa. Como parte do plano de recuperação judicial, parte das dívidas da Azul está sendo convertida em ações. Assim, os credores deixam de receber juros e passam a se tornar acionistas.
Para viabilizar essa conversão, a empresa lançou uma oferta de R$ 7,4 bilhões em ações ordinárias (com direito a voto) e preferenciais (sem direito a voto). Com o aumento do número de papéis em circulação, houve uma forte queda no preço unitário de cada ação.
Na prática, a medida contribui para reduzir o endividamento e abre espaço para uma reorganização financeira por parte da Azul. (entenda a situação mais abaixo)
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Segundo comunicado divulgado pela Azul em dezembro, quando a operação foi anunciada ao mercado, o objetivo da oferta é capitalizar a companhia por meio da “troca obrigatória de dívidas financeiras”.
Para viabilizar a operação, foram emitidas 723,9 bilhões de ações ordinárias e o mesmo volume de preferenciais, comercializadas em lotes de 1 mil e 10 mil papéis.
Recuperação judicial
A Justiça americana aprovou o plano de reorganização da Azul em dezembro do ano passado, marcando a conclusão de mais uma etapa do processo de recuperação judicial da companhia.
“Essa decisão reforça a consistência geral da reestruturação proposta, permitindo que a companhia avance para as próximas fases de implementação”, disse a empresa em comunicado divulgado em 12 dezembro.
A Azul entrou com pedido de proteção sob o Capítulo 11 da Lei de Falências dos Estados Unidos, também conhecido como “Chapter 11”, em maio do ano passado. O mecanismo é semelhante ao processo de recuperação judicial adotado no Brasil.
O processo de reestruturação previsto no Chapter 11 estabelece os termos para a reorganização das obrigações financeiras e operacionais da companhia.
Segundo a empresa, a entrada no mecanismo de proteção ocorreu após a Azul enfrentar “efeitos profundos da pandemia de Covid‑19, combinados a pressões macroeconômicas e setoriais" que elevaram significativamente seu endividamento.
“Em meio à instabilidade econômica e política no Brasil, a companhia adotou diversas medidas de reestruturação e captação de recursos entre 2020 e 2025, culminando no protocolo do Chapter 11 em maio de 2025”, disse a empresa.
Capítulo 11: entenda o que é o mecanismo e a diferença para a recuperação judicial brasileira
Outras empresas do setor já passaram por isso
A Azul não foi a primeira companhia do setor aéreo brasileiro a recorrer à recuperação judicial: Gol e Latam também já passaram por processos semelhantes.
A Gol, por exemplo, adotou a medida em 2024, diante de dívidas estimadas em R$ 20 bilhões, enquanto a Latam recorreu ao mecanismo em 2020.
Como o g1 já mostrou, o aumento no volume de pedidos de recuperação judicial no setor aéreo reflete uma série de fatores, como:
A desvalorização do real frente ao dólar;
Os altos custos operacionais;
O aumento nos preços de combustíveis; e
O acúmulo de prejuízos desde o início da pandemia de Covid-19.
A Latam concluiu seu processo de Chapter 11 em 2022, enquanto a Gol saiu oficialmente do procedimento em junho de 2025. No caso da Azul, a expectativa da empresa é concluir o processo ainda neste ano.
Aeronave A321M Azul Linhas Aéreas
Azul Linhas Aéreas/Divulgação
França votará contra acordo UE-Mercosul, diz Macron

O presidente francês Emmanuel Macron participa de cúpula de líderes da União Europeia em Bruxelas, Bélgica, em 18 de dezembro de 2025.
Reuters/Stephanie Lecocq
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou em comunicado nesta quinta-feira (8) que a França votará contra o acordo entre a União Europeia e o Mercosul. A posição, segundo ele, será levada à reunião dos embaixadores do bloco europeu marcada para amanhã, após ter sido informada à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
A declaração de Macron reforça a França como o principal foco de resistência ao avanço do acordo. Ao lado do país, também se posicionam outros membros do bloco europeu, como Irlanda, Hungria e Polônia. A Itália, que ameaçou fazer oposição, deu sinais favoráveis. (veja mais abaixo)
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Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o tratado amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores e tem impactos que vão além do agronegócio, alcançando também diferentes segmentos da indústria brasileira.
Procurado pelo g1, o Itamaraty não comentou a declaração do presidente francês.
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Resistência francesa
No mês passado, Macron já havia condicionado qualquer apoio à inclusão de novas salvaguardas voltadas à proteção do setor agrícola do país.
“Quero dizer aos nossos agricultores, que expressam a posição francesa desde o início, que consideramos que as contas não fecham e que este acordo não pode ser assinado”, declarou.
Ele acrescentou que Paris também se oporá a qualquer tentativa de acelerar ou impor a aprovação do pacto.
Entre produtores rurais da França, o acordo com o Mercosul é visto como uma ameaça, diante do receio de concorrência com produtos latino-americanos mais baratos e submetidos a padrões ambientais diferentes dos exigidos pela União Europeia.
🔍 De forma geral, o acordo comercial prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além de regras comuns para temas como comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios. O texto é negociado há mais de 25 anos.
Com a assinatura do acordo se aproximando, o governo francês decretou ontem a suspensão temporária das importações de alguns produtos agrícolas, em especial os provenientes da América do Sul tratados com agrotóxicos proibidos no bloco europeu.
A medida, que entrou em vigor no dia seguinte e terá duração de um ano, ainda depende de aval da Comissão Europeia.
👉 A lista inclui itens como abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas e batatas, que ficarão barrados caso apresentem resíduos de cinco fungicidas e herbicidas vetados na Europa: mancozeb, tiofanato-metílico, carbendazim, glufosinato e benomil.
Mesmo assim, manifestações organizadas por agricultores tomaram ruas e áreas turísticas de Paris nesta quinta-feira, em protesto contra o acordo comercial em negociação entre a União Europeia e o Mercosul.
Os atos foram convocados por diferentes sindicatos do setor rural e ocorreram enquanto avançam as tratativas do tratado de livre comércio entre o bloco europeu e Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Assinatura pode ocorrer na segunda
Após mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial discutido desde 1999 pode avançar para sua etapa final dentro da União Europeia. O Conselho do bloco se reúne nesta sexta-feira (9), em Bruxelas, para decidir se autoriza a aprovação do texto.
Mesmo diante da oposição declarada de países como a França, a expectativa é de que a Comissão Europeia consiga reunir o apoio da maioria entre os 27 Estados-membros.
Caso isso se confirme, a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, ficará habilitada a assinar formalmente o acordo na próxima segunda-feira (12), no Paraguai. O tratado criaria a maior área de livre comércio do mundo.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, o presidente da França, Emmanuel Macron, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, se reúnem antes do encontro do G7++ durante a cúpula do G20 em Joanesburgo, na África do Sul, em 22 de novembro de 2025.
HENRY NICHOLLS/Pool via REUTERS
Apoio de Alemanha e Espanha
Na outra ponta do debate, Alemanha e Espanha mantêm apoio firme ao avanço do tratado. O chanceler alemão, Friedrich Merz, e o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, defendem que a União Europeia leve adiante o acordo firmado.
Para esses governos, o pacto pode ajudar a mitigar os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos europeus e, ao mesmo tempo, reduzir a dependência do bloco em relação à China, ao ampliar o acesso a minerais estratégicos e a novos mercados.
“Se a União Europeia quiser manter credibilidade na política comercial global, decisões precisam ser tomadas agora”, declarou Merz.
Itália pode apoiar o acordo
A expectativa de um voto favorável da Itália passou a integrar o cálculo da Comissão Europeia na tentativa de viabilizar a assinatura do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.
Segundo uma fonte do bloco ouvida pela agência Reuters, o país deve se posicionar a favor do tratado na reunião marcada para sexta-feira. A sinalização ocorre após o governo italiano indicar abertura ao texto negociado, desde que fossem atendidas demandas do setor agrícola.
Em dezembro, durante debates no Conselho Europeu, a primeira-ministra Giorgia Meloni afirmou que o apoio da Itália estaria condicionado à consideração dessas preocupações.
👉 Nos últimos dias, esse posicionamento foi reforçado por uma comunicação enviada pela Comissão Europeia, que propõe acelerar a liberação de 45 bilhões de euros destinados aos agricultores. Meloni avaliou a iniciativa como um “passo positivo e significativo”.
Na mesma linha, o ministro da Agricultura da Itália, Francesco Lollobrigida, afirmou que a União Europeia passou a discutir o aumento — e não a redução — dos recursos voltados à agricultura italiana no período de 2028 a 2034.
Com o apoio declarado de países como Alemanha e Espanha, a Comissão busca reunir o mínimo de 15 Estados-membros que representem ao menos 65% da população do bloco, exigência necessária para autorizar a assinatura do acordo.
Embora as principais resistências estejam concentradas no agronegócio, o tratado não se limita à área agrícola e abrange também regras para indústria, serviços, investimentos e propriedade intelectual, o que explica o respaldo de outros segmentos econômicos.
Caso Master: ao acolher pedido do BC, relator no TCU deixou clara sua insatisfação

Na decisão em que aceitou o pedido do Banco Central para que o plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) delibere sobre a inspeção sobre a liquidação do Banco Master, o relator, ministro Jhonatan de Jesus, deixou clara sua insatisfação com a medida.
Ele manteve a defesa de uma inspeção no BC e afirmou ter o direito de determinar o procedimento de forma monocrática.
Em um dos trechos do despacho, o ministro do TCU diz que “sob o ângulo regimental, não procede a premissa de que a inspeção dependeria, necessariamente, de autorização exclusiva de órgão colegiado”.
“O Regimento Interno do TCU contempla poderes do relator para determinar diligências e inspeções quando necessárias ao saneamento e à instrução do processo”, diz Jhonatan de Jesus.
TCU descarta reverter liquidação do Banco Master
O blog antecipou nesta quarta-feira (7) que o TCU adiaria a inspeção e que Jhonatan concordaria em enviar para chancela do Plenário a decisão, depois da pressão sobre ministros do TCU.
O presidente do TCU também falou ao blog que foi procurado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, e pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O governo vinha sendo cobrado a defender o BC contra a pressão, em especial a vinda do TCU.
No despacho, Jhonatan de Jesus também admite que a decisão de levar o caso ao plenário da Corte foi tomada diante da "dimensão pública assumida pelo caso".
"Ocorre que a dimensão pública assumida pelo caso, com contornos desproporcionais para providência instrutória corriqueira nesta Corte, recomenda que a controvérsia seja submetida ao crivo do Plenário, instância natural para estabilizar institucionalmente a matéria", afirmou o ministro relator.
Recomendação
O Ministério Público Junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) encaminhou um ofício ao presidente do TCU, Vital do Rêgo, sobre o caso. No documento, o MP recomenda ao presidente pedir informações para à Polícia Federal sobre a liquidação do Master.
"Considerando que as investigações perpetradas pela Polícia Federal guardam relação com os trabalhos a serem desenvolvidos pelo TCU, e que os resultados alcançados podem afetar o desenlace da fiscalização a ser realizada pelo Tribunal, entendo que caberia a Vossa Excelência, na qualidade de Presidente do Tribunal de Contas da União, solicitar à Polícia Federal que promova o tempestivo compartilhamento de informações sobre as apurações envolvendo a liquidação do Banco Master", diz um trecho do documento.
O deputado federal Jhonatan de Jesus
Câmara dos Deputados
Petrobras confirma que vai atender solicitação do MPF sobre perda de fluido em águas profundas no Amapá

Petrobras paralisa perfuração da Foz do Amazonas após vazamento
A Petrobras informou que recebeu na terça-feira (6), um ofício do Ministério Público Federal do Amapá (MPF/AP) solicitando esclarecimentos sobre a ocorrência de perda de fluido de perfuração no poço Morpho, localizado em águas profundas do estado. O órgão pediu que a companhia encaminhe todos os documentos já apresentados ao Ibama e a outros órgãos de controle.
Segundo a estatal, o material perdido é biodegradável e atende aos parâmetros exigidos pela legislação ambiental. A empresa reforçou que não houve dano ao meio ambiente nem risco à segurança da operação.
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O fim do prazo para o envio da documentação o MPF era nesta quinta-feira (8). Em nota, o órgão, informou que recebeu a resposta da Petrobras e o material está sob análise do gabinete responsável pelo procedimento.
Sobre o prazo para explicações
Segundo a solicitação do MPF/AP, a estatal deve mandar informações sobre o vazamento de fluido até esta quinta-feira (8). O g1 entrou em contato com a Petrobras para saber sobre esse retorno ao MPF, e foi informado que as respostas serão dadas dentro do prazo legal.
Medidas adotadas
A Petrobras iniciou procedimentos para retirar à superfície as duas linhas onde foram identificados os pontos de perda;
As atividades de perfuração do poço Morpho estão temporariamente paralisadas, com a sonda mantida na mesma posição;
A companhia afirma que não há problemas com a sonda ou com o poço, que permanecem em condições seguras.
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Características do fluido
O fluido de perfuração é utilizado para auxiliar na abertura de poços;
Sua formulação permite que seja lançado ao mar junto com o cascalho (fragmentos de rochas);
Por suas propriedades físicas, o fluido se deposita no fundo do mar até se biodegradar, sem aflorar à superfície.
Localização
O poço Morpho está situado a cerca de 500 km da foz do rio Amazonas, em águas profundas do Amapá.
Infográfico mostra local de vazamento que fez Petrobras interromper perfuração na Foz do Amazonas.
Arte/g1
Petrobras diz que vai atender solicitação do MPF e confirma segurança de operações no Amapá
Jornal Nacional/ Reprodução
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Relator do caso Master deve acatar recurso do BC ainda nesta quinta
TCU descarta reverter liquidação do Banco Master O relator do caso Master no Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Jhonatan de Jesus, deve emitir um despacho nesta quinta-feira (8) acatando o recurso do Banco Central, que pediu para que o colegiado delibere sobre uma inspeção na instituição. A informação de que o Plenário do TCU analisaria a realização ou não de uma inspeção no BC foi antecipada pelo blog nesta quarta-feira. O presidente do TCU, Vital do Rego, também afirmou ao blog que não há possibilidade que a decisão seja revista, ou seja, uma “desliquidação” do Master. A inspeção havia sido determinada de forma monocrática por Jhonatan e tinha como alvo o processo de liquidação do Master. A decisão que determinou a interrupção dos serviços da instituição financeira é de 18 de novembro. O questionamento do TCU ao Banco Central era visto como uma ofensiva contra o BC. Diante da polêmica, o recuo do TCU se deu por pressão dentro do tribunal e também pela entrada em campo de integrantes do governo, que procuraram ministros. O presidente da Corte de Contas, ministro Vital do Rêgo, afirmou ao blog que foi procurado pelo presidente do BC, Gabriel Galipolo, e também pelo Ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
US$ 150 bilhões: importadores dos EUA podem buscar reembolso de tarifas se Trump perder na Justiça

Executivos de empresas, despachantes aduaneiros e advogados comerciais começam a se preparar para uma decisão da Suprema Corte americana sobre a legalidade das tarifas globais do presidente Donald Trump.
Os importadores podem entrar em um embate para recuperar até US$ 150 bilhões (R$ 808,2 bilhões) em reembolsos do governo dos Estados Unidos referentes a taxas já pagas, caso ele seja derrotado na disputa judicial.
A expectativa de que o tribunal derrube as tarifas impostas por Trump com base na Lei de Poderes Econômicos Emergenciais Internacionais, de 1977, cresceu após os argumentos apresentados em novembro. Naquele momento, juízes conservadores e liberais demonstraram ceticismo quanto à autoridade conferida pela lei para a cobrança dessas tarifas.
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O tribunal deve emitir decisões na sexta-feira (9), mas ainda não se sabe quais casos serão analisados.
Algumas empresas avaliam que, mesmo que o tribunal invalide as tarifas de Trump, o presidente republicano não facilitará o reembolso dos valores pagos.
"Não faz parte do DNA do governo devolver dinheiro. E Trump não gostaria de devolver dinheiro", disse Jim Estill, presidente-executivo da Danby Appliances, uma empresa canadense que vende pequenos refrigeradores, micro-ondas e equipamentos de lavanderia em grandes lojas, incluindo a Home Depot.
Os produtos são fabricados na China e em outros países asiáticos visados pelas tarifas de Trump. Se a Danby conseguir recuperar seus US$ 7 milhões (R$ 37,7 milhões), Estill afirmou que também teme pressões da Home Depot e de seus clientes por uma parcela do valor.
Trump é o primeiro presidente a invocar a Lei de Poderes Econômicos Emergenciais Internacionais, ou IEEPA, para impor tarifas. Historicamente, essa lei era usada para impor sanções a adversários dos EUA ou congelar seus ativos.
A estimativa é que as tarifas relacionadas à IEEPA geraram US$ 133,5 bilhões (R$ 719,3 bilhões) em cobranças entre 4 de fevereiro e 14 de dezembro, data dos dados mais recentes da autoridade alfandegária dos EUA (CBP, na sigla em inglês).
Estima-se que o total atual esteja se aproximando de US$ 150 bilhões com base na continuação das taxas médias diárias de cobrança do final de setembro até meados de dezembro, conforme cálculo da Reuters.
Mudança no reembolso eletrônico
Uma mudança técnica anunciada pelo CBP em 2 de janeiro, que transferirá todas as restituições de tarifas para um sistema de distribuição eletrônica a partir de 6 de fevereiro, aumentou as expectativas de um processo mais organizado.
Embora a mudança não atenda à expectativa dos importadores por um reembolso totalmente automático, "ela indica que a alfândega está plenamente preparada para avançar com as restituições, caso a Suprema Corte, de fato, decida nesse sentido", disse Angela Lewis, chefe global de alfândega da empresa de logística e agenciamento de cargas Flexport.
Um porta-voz da CBP não respondeu a perguntas sobre como a agência lidaria com uma eventual decisão contrária às tarifas de Trump. Em comunicado, a agência afirmou que o fim do uso de cheques em papel para reembolsos deve acelerar os pagamentos por meio do portal eletrônico ACE, além de reduzir erros e fraudes.
Embora a escala dessas possíveis restituições não tenha precedentes para o CBP, o Tesouro dos EUA está acostumado a distribuir rapidamente centenas de bilhões de dólares em restituições de impostos todos os anos. Um porta-voz do Tesouro não respondeu a questionamentos sobre eventuais devoluções de tarifas.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse estar confiante de que a Suprema Corte se posicionará a favor de Trump.
O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que o Tesouro e o CBP teriam de tratar eventuais direitos a reembolso e disse acreditar que qualquer perda de receita poderia ser compensada com novas tarifas impostas por Trump com base em outras autoridades legais.
Trump impôs tarifas relacionadas à IEEPA de duas formas. Em abril do ano passado, anunciou tarifas “recíprocas” sobre produtos importados da maioria dos parceiros comerciais dos EUA, com base em uma emergência nacional declarada em relação aos déficits comerciais do país.
Já em fevereiro e março, impôs tarifas à China, ao Canadá e ao México, citando o tráfico do analgésico fentanil e de medicamentos ilícitos como uma emergência nacional. O Brasil passou a enfrentar taxas adicionais a partir de agosto, medida que foi apenas parcialmente revista desde então.
Ações preventivas
Qualquer processo de reembolso dependerá, em grande medida, de a Suprema Corte fornecer orientações específicas sobre as restituições ou, alternativamente, remeter o tema a um tribunal inferior — provavelmente a Corte de Comércio Internacional —, segundo Joseph Spraragen, advogado aduaneiro de Nova York do escritório Grunfeld, Desiderio, Lebowitz, Silverman & Klestadt.
Normalmente, os importadores têm 314 dias para fazer correções em suas declarações de importação antes que elas sejam “liquidadas” e nenhum reembolso seja permitido. Esse prazo já foi ultrapassado no caso das importações da China que sofreram tarifas em fevereiro de 2025.
Algumas empresas menores não estão esperando e optaram por vender seus direitos de reembolso a fundos de hedge por centavos de dólar, em um mercado secundário que se desenvolve rapidamente.
A fabricante de brinquedos Kids2, que importa produtos da China, disse à Reuters que recebeu 23 centavos de dólar pelas tarifas "recíprocas", mas apenas nove centavos de dólar pelas tarifas relacionadas ao tráfico de fentanil.
Jay Foreman, presidente‑executivo da Basic Fun!, fabricante de caminhões Tonka, Ursinhos Carinhosos e brinquedos de construção K'Nex, demonstrou ceticismo quanto à possibilidade de a empresa recuperar parte dos US$ 6 milhões em tarifas pagas antes da corrida de vendas do Natal.
Segundo ele, o governo Trump tende a “ofuscar ou atrasar” os pagamentos de restituição, mesmo que seja obrigado a realizá‑los.
Foreman afirmou que ainda não explorou a possibilidade de vender o pedido de reembolso da empresa, mas consideraria essa alternativa após a decisão judicial caso significasse um pagamento mais rápido.
"A última coisa que o público norte-americano quer saber é que um bando de espertalhões de Wall Street ou de credores predatórios virão e farão uma fortuna com tudo isso", disse Foreman.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 22 de dezembro de 2025
REUTERS/Jessica Koscielniak
FedEx encerra transporte doméstico no Brasil e concentra força no internacional

A FedEx informou a clientes e parceiros que vai encerrar o transporte doméstico no Brasil. O processo será gradual e prevê um período de transição de cerca de 30 dias. As coletas nacionais seguirão até 6 de fevereiro de 2026, e as entregas já contratadas serão realizadas conforme o previsto.
A decisão foi comunicada nesta quarta-feira (7). Durante essa etapa, a empresa afirmou que manterá o suporte operacional e o atendimento aos clientes, e que o desligamento de equipes faz parte do processo de reestruturação.
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Segundo a companhia, o movimento faz parte de um realinhamento estratégico de sua atuação no país. Com a mudança, a empresa informou que manterá no Brasil apenas as operações voltadas ao transporte internacional e aos serviços de supply chain — incluindo POS (máquinas de cartão).
"Como parte dos nossos esforços contínuos para fortalecer a rede global da FedEx e responder proativamente às dinâmicas do mercado, decidimos concentrar nossas operações no Brasil no transporte internacional – tanto aéreo quanto rodoviário – e em serviços de supply chain, incluindo POS (máquinas de cartão de crédito)", diz o comunicado.
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Encerramento gradual
Segundo o comunicado, o encerramento do transporte nacional ocorrerá de forma gradual.
👉 A empresa estabeleceu um período de transição de aproximadamente 30 dias e informou que manterá as coletas domésticas até 6 de fevereiro de 2026, além de concluir as entregas já contratadas dentro dos prazos acordados.
👉 Durante esse período, a companhia afirma que continuará prestando suporte operacional e atendimento aos clientes.
O processo de desmobilização, previsto para avançar até junho, inclui o fechamento de estruturas operacionais ligadas ao transporte doméstico e a reorganização dos ativos logísticos atualmente utilizados nessas atividades.
Em nota, a empresa afirmou que a decisão é uma “resposta proativa às dinâmicas do mercado”. A companhia ainda destacou que permanece comprometida com o cumprimento das obrigações contratuais e com a prestação de serviços aos clientes no país.
Veja abaixo o comunicado na íntegra:
"Como parte dos nossos esforços contínuos para fortalecer a rede global da FedEx e responder proativamente às dinâmicas do mercado, decidimos concentrar nossas operações no Brasil no transporte internacional – tanto aéreo quanto rodoviário – e em serviços de supply chain, incluindo POS (máquinas de cartão de crédito). Essas áreas continuam sendo essenciais para conectar nossos clientes no Brasil e nos mercados globais.
A FedEx permanece totalmente comprometida com o cumprimento de todas as obrigações contratuais e com a prestação de um serviço confiável aos seus clientes, bem como em apoiar empresas em todo o país com soluções logísticas e de supply chain confiáveis, seguras e eficientes que refletem os mais altos padrões da FedEx."
Fedex
Reprodução Globo News
Dólar sobe e fecha a R$ 5,38 com foco na indústria no Brasil e no emprego nos EUA; Ibovespa avança

Ibovespa opera em alta com emprego nos EUA no radar
O dólar fechou alta de 0,06% nesta quinta-feira (8), cotado a R$ 5,3888. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, por sua vez, encerrou com um avanço de 0,59%, aos 162.937 pontos.
Os mercados reagiram a uma agenda intensa de indicadores no Brasil e no exterior. Dados de atividade e inflação no cenário doméstico dividiram a atenção com números do mercado de trabalho dos Estados Unidos e com novos desdobramentos na relação entre os EUA e a Venezuela.
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▶️ Nos EUA, os pedidos iniciais de auxílio-desemprego somaram 208 mil na semana encerrada em 3 de janeiro, alta de 8 mil em relação ao período anterior, segundo o Departamento do Trabalho. A previsão era de 210 mil solicitações.
🔎 Os números divulgados hoje ajudam a compor o quadro do mercado de trabalho e sugerem uma desaceleração gradual da atividade, o que pode reforçar a avaliação de que o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, tem espaço para manter o ciclo de cortes de juros.
▶️ No exterior, os desdobramentos da ofensiva dos EUA à Venezuela seguem em pauta. Donald Trump afirmou que o governo americano deve continuar “administrando” a Venezuela e extraindo petróleo das reservas do país “por muitos anos”.
Segundo Trump, o governo interino, assumido por Delcy Rodríguez, “está nos dando tudo o que consideramos necessário”.
▶️ Ainda no cenário internacional, o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que a França votará contra o acordo entre a União Europeia e o Mercosul. A posição, segundo ele, será levada à reunião dos embaixadores do bloco europeu marcada para amanhã.
▶️ No Brasil, a produção industrial ficou estável em novembro, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado frustrou a expectativa de avanço de 0,2% no mês, após alta de 0,1% em outubro. Na comparação com novembro do ano passado, houve queda de 1,2%, mais intensa do que a projeção de recuo de 0,1%.
▶️ Em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou a integralmente a PL da dosimetria na solenidade pelos três anos dos ataques de 8 de janeiro. O projeto reduz as penas do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros condenados por atos golpistas, inclusive pelos episódios de vandalismo de 8 de janeiro de 2023.
🔎A decisão do presidente, no entanto, pode ser revista no Congresso. Para a derrubada, são necessários 257 votos de deputados e 41 de senadores.
▶️ Nos negócios, destaque para a queda de mais de 70% nas ações da Azul, após a companhia aérea iniciar o processo de conversão de parte de suas dívidas em ações, dentro do plano de recuperação judicial. Os papéis da empresa não integram o Ibovespa.
🔎 Diferentemente do que costuma ocorrer em quedas acentuadas na bolsa, o movimento não indica uma crise operacional ou escândalo na companhia. Como parte do plano de recuperação judicial, parte das dívidas da Azul está sendo convertida em ações. Assim, os credores deixam de receber juros e passam a se tornar acionistas.
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
💲Dólar
a
Acumulado da semana: -0,65%;
Acumulado do mês: -1,82%;
Acumulado do ano: -1,82%.
📈Ibovespa
C
Acumulado da semana: +1,38%;
Acumulado do mês: +1,02%;
Acumulado do ano: +1,02%.
EUA vão 'administrar' Venezuela
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que seu governo deve seguir "administrando" a Venezuela e extraindo petróleo das reservas do país latino-americano "por muitos anos".
O líder norte-americano disse ainda que o governo interino da Venezuela, assumido pela vice-presidente de Nicolás Maduro, Delcy Rodríguez, "está dando aos EUA tudo o que é considerado "necessário" por enquanto.
"Só o tempo vai dizer", disse o presidente norte-americano, ao ser questionado sobre quantos anos a ingerência de Washington sobre Caracas vai durar.
“Mas vamos reconstruir a Venezuela de uma forma muito lucrativa. Vamos usar petróleo e vamos importar petróleo. Vamos baixar os preços do petróleo e vamos dar dinheiro à Venezuela, que precisa desesperadamente disso", afirmou Trump na entrevista.
Ao ser questionado por que preferiu apoiar a agora presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, no lugar de incentivar que a oposição tomasse o poder no país, o presidente dos EUA negou responder.
A declaração ocorre apenas alguns dias depois de uma ação militar americana na Venezuela que resultou na prisão do ditador Nicolás Maduro.
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Desde dezembro, a Venezuela acumula milhões de barris de petróleo em navios e tanques de armazenamento, sem conseguir exportá-los, devido a um bloqueio imposto por Trump. O embargo fez parte da pressão americana que resultou na queda de Maduro.
🔎 A produção venezuelana despencou nas últimas décadas, afetada pela má gestão e pela escassez de investimentos estrangeiros após a nacionalização do setor nos anos 2000. Com a ação dos EUA, parte do mercado avalia que o petróleo do país possa voltar a circular, ampliando a oferta da commodity no mercado internacional.
Agenda econômica
Produção industrial no Brasil
A produção industrial no Brasil ficou estável em novembro, contrariando a expectativa de crescimento e reforçando a avaliação de que o setor teve pouco fôlego ao longo de 2025. O desempenho ocorre em um cenário marcado por política monetária restritiva e pelos efeitos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos.
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo pesquisa da Reuters, economistas esperavam um avanço de 0,2% no mês, após alta de 0,1% registrada em outubro.
Na comparação com novembro do ano passado, a produção industrial recuou 1,2%, resultado mais negativo do que a projeção do mercado, que indicava queda de 0,1%.
O levantamento do IBGE mostra que, em novembro, 15 dos 25 ramos industriais pesquisados registraram queda em relação ao mês anterior. A principal influência negativa veio das indústrias extrativas, cuja produção recuou 2,6%.
O resultado foi impactado pela menor produção de óleos brutos de petróleo, gás natural e minérios de ferro. Também apresentaram retração os setores de veículos automotores, reboques e carrocerias (-1,6%), produtos químicos (-1,2%), produtos alimentícios (-0,5%) e bebidas (-2,1%).
Entre as categorias econômicas, a produção de bens de consumo duráveis caiu 2,5% em novembro, enquanto a de bens intermediários recuou 0,6%. Em sentido oposto, houve alta de 0,7% na produção de bens de capital e avanço de 0,6% nos bens de consumo semi e não duráveis.
Pedidos de auxílio-desemprego nos EUA
O número de norte-americanos que entraram com novos pedidos de auxílio-desemprego aumentou de forma moderada na semana passada. O movimento indica que as demissões permaneceram relativamente baixas no fim de 2025, embora a demanda por mão de obra siga lenta.
Segundo o Departamento do Trabalho, os pedidos iniciais de auxílio-desemprego subiram em 8 mil na semana encerrada em 3 de janeiro, totalizando 208 mil solicitações, em dado com ajuste sazonal. Economistas consultados pela Reuters previam 210 mil pedidos no período.
Nas últimas semanas, os números têm mostrado instabilidade, reflexo das dificuldades de ajustar os dados às flutuações sazonais típicas do fim de ano. Ainda assim, mesmo com essa volatilidade, as demissões continuam em níveis baixos na comparação com padrões históricos.
Na véspera, o governo informou que o número de vagas de emprego em aberto caiu para o menor nível em 14 meses em novembro. No período, havia 0,91 vaga disponível para cada pessoa desempregada — abaixo das 0,97 registradas em outubro e o menor patamar desde março de 2021.
Bolsas globais
Os principais índices de Wall Street encerraram a sessão desta quinta-feira (8) com sinais mistos, conforme investidores seguem cautelosos antes do relatório de emprego na sexta-feira.
O Dow Jones Industrial Average subiu 0,55%, e o S&P 500 avançou 0,01%, enquanto o Nasdaq Composite caiu 0,44%, refletindo uma queda nas ações de tecnologia.
O mesmo aconteceu com os mercados europeus, que fecharam entre altas e baixas. Além de uma onda de vendas no setor de tecnologia, investidores ainda avaliaram resultados de grandes varejistas.
O índice Stoxx 600 caiu 0,2%, registrando o seu segundo dia de queda. Entre as principais bolsas, o DAX (Alemanha) subiu 0,02%, o FTSE 100 (Reino Unido) caiu 0,04%, o CAC 40 (França) avançou 0,12% e o FTSE MIB (Itália) subiu 0,25%.
Já as bolsas asiáticas fecharam em queda. Na China, investidores realizaram lucros em ações financeiras, enquanto em Hong Kong o pessimismo aumentou após recuos de fundos listados nos EUA.
No fechamento, os índices ficaram assim: Hang Seng -1,17% (26.149 pontos), Xangai SSEC -0,07% (4.082 pontos), CSI300 -0,82% (4.737 pontos), Nikkei -1,6% (51.117 pontos), Kospi +0,03% (4.552 pontos), Taiex -0,25% (30.360 pontos) e Straits Times -0,18% (4.739 pontos).
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Irlanda votará contra o acordo comercial UE-Mercosul

Agricultores da França fazem protesto contra o acordo entre Mercosul e União Europeia
A Irlanda votará contra o acordo comercial da União Europeia com o Mercosul na sexta-feira, anunciou nesta quinta-feira (8) o vice-primeiro-ministro Simon Harris. O país se junta à França, Hungria e Polônia na oposição ao tratado.
"A posição do governo sobre o Mercosul sempre foi clara: não apoiamos o acordo da forma como foi apresentado", afirmou Harris em comunicado.
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"Votaremos contra o acordo", acrescentou Harris, ao se referir ao pacto da UE com Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, cuja assinatura está prevista para segunda-feira.
O Conselho da UE poderá aprovar na sexta-feira (9) o acordo comercial negociado desde 1999, apesar da resistência de alguns Estados-membros. Com isso, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ficaria autorizada a assiná-lo na segunda-feira (12).
A oposição de França, Polônia, Hungria e Irlanda não deve impedir que a Comissão Europeia obtenha o apoio da maioria dos 27 Estados-membros da UE na votação marcada para sexta-feira, em Bruxelas.
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O tratado criaria a maior área de livre comércio do mundo, mas o setor agrícola europeu teme os efeitos de um aumento significativo das importações de carne, arroz, mel e soja da América do Sul, em troca da exportação de veículos e máquinas europeias para o Mercosul.
Em sua declaração, o vice-primeiro-ministro irlandês criticou as concessões feitas pela Comissão Europeia para atender às preocupações do país.
"Infelizmente, o resultado dessas negociações é que, embora a UE tenha concordado com uma série de medidas adicionais, elas não são suficientes para atender às expectativas dos nossos cidadãos", afirmou Harris.
Simon Harris acena para apoiadores ao sair da sede do Parlamento irlandês
MAXWELLS / HOUSES OF THE OIREACHTAS / AFP
Banco Master: qual o papel do TCU na crise?

TCU descarta reverter liquidação do Banco Master
Jhonatan de Jesus, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), deve suspender uma inspeção no Banco Central (BC) que visava apurar a atuação da autoridade monetária na liquidação do Banco Master, segundo fontes ouvidas por veículos de imprensa como o g1 e a Folha de S. Paulo.
A BBC News pediu a confirmação da suspensão à assessoria de imprensa do TCU e aguarda retorno.
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A inspeção havia sido determinada em decisão individual na segunda-feira (5) pelo próprio Jhonatan de Jesus, que é relator do caso Master no TCU — órgão autônomo responsável pela fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial dos órgãos e entidades públicas do país.
Com a suposta decisão pela suspensão, após recurso do BC, o caso deve ir ao Plenário do tribunal.
O objetivo da inspeção era obter esclarecimentos sobre o processo de liquidação, determinado pelo BC em 18 de novembro.
No mesmo dia, Daniel Vorcaro, dono do banco liquidado, foi preso — após obter um habeas corpus, ele foi solto sob monitoramento de tornozeleira eletrônica.
O Master é suspeito de fraudes bilionárias.
O BC apresentou um recurso na terça-feira (6/1) para tentar impedir a inspeção da área técnica do TCU sobre a documentação relacionada à operação de liquidação, segundo apuração do portal G1. O caso está em sigilo.
No recurso, disse o portal g1, o BC alegou que inspeções só podem ser determinadas em decisão colegiada do TCU, ou seja, com participação de outros ministros da Corte.
Na decisão que havia autorizado a inspeção, Jhonatan de Jesus não havia descartado adotar, em algum momento, uma medida cautelar contra o BC, sem citar qual seria.
No setor bancário, houve temores de que o ministro pudesse anular a liquidação do Master.
Mas, nesta quarta-feira (7/1), o presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho, descartou a possibilidade de "desliquidação" em entrevista à agência de notícia Reuters.
Segundo Rêgo Filho, somente o Supremo Tribunal Federal (STF) poderia reverter a decisão pela liquidação.
"O processo de desfazer a liquidação depende do Supremo Tribunal, porque há um caso em aberto lá", disse o presidente do TCU à Reuters.
"O que a TCU pode oferecer, como já vem fazendo, são elementos sobre a legalidade da operação."
A situação do Master também é alvo de investigação criminal, no STF, sob relatoria do ministro Dias Toffoli, cuja atuação no caso tem gerado controvérsia.
Na Câmara, o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) busca abrir uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o Banco Master e diz já ter o apoio suficiente de parlamentares para tal.
Já o TCU tem como uma de suas funções fiscalizar a atuação de autarquias federais, como o Banco Central. O processo sobre a liquidação do Master foi aberto por solicitação do Ministério Público junto ao TCU para apurar eventuais falhas do Banco Central na supervisão do banco.
Operações bilionárias entre BRB e Master estão sendo investigadas
Reuters via BBC
O que ministro do TCU havia pedido na inspeção
A apuração do TCU busca esclarecer se, de um lado, a autoridade monetária teria demorado na condução de alternativas à liquidação, como a compra do Master por outra instituição financeira, e, de outro, se teria se precipitado ao determinar o encerramento do banco.
No final de dezembro (30/12), o Banco Central enviou um relatório com esclarecimentos ao TCU, mas o documento está sob sigilo.
Na decisão que determinou a inspeção da autoridade monetária, o ministro Jhonatan de Jesus havia argumentado que a manifestação do BC não veio acompanhada de provas documentais.
"A Nota Técnica apresentada se limitou, em essência, à exposição sintética de cronologia e fundamentos, com remissão a processos e registros internos, sem que viesse acompanhada, nesta oportunidade, do acervo documental subjacente (peças, notas internas, pareceres e registros de deliberação) necessário à verificação objetiva das assertivas nela contidas".
Ao determinar a inspeção no BC, Jhonatan de Jesus havia orientado a área técnica a reconstruir toda a cronologia e documentação envolvendo soluções privadas, ou seja, propostas de compra do Master.
O ministro frisou o interesse em entender se houve divergências internas no BC sobre essas propostas e como elas foram superadas.
Jhonatan de Jesus havia determinado, inclusive, a análise de registros formais de uma videoconferência realizada em 17 de novembro, um dia antes da liquidação do banco.
Na reunião, teria sido informada pelo Master ao BC uma nova proposta de compra do banco pelo grupo Fictor.
Além disso, o ministro do TCU havia solicitado que fosse inspecionada a supervisão do BC sobre o Master depois de 2019, quando o banco liquidado começou a ter um crescimento atípico.
A inspeção deveria "reconstruir o fluxo de supervisão e resolução no período 2019–2025, verificar motivação, coerência e proporcionalidade, examinar a consideração de alternativas menos gravosas e aferir, com rastreabilidade documental, o tratamento conferido a tratativas relevantes de mercado".
O documento assinado pelo ministro também resumiu os argumentos do Banco Central no relatório enviado ao TCU, que se encontra em sigilo.
"Em síntese, o BCB sustenta que a liquidação não teria sido ato isolado ou precipitado, mas desfecho de processo de supervisão, reputando-se inevitável diante de crise de liquidez, descumprimentos normativos relevantes e achados de irregularidades em operações, com remissão às bases legais correspondentes".
Segundo o jornal Folha de S.Paulo, que teve acesso ao documento, o BC teria informado também ao TCU que acionou o Ministério Público Federal após identificar indícios de fraude em negócios do Master com fundos administrados pela Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. — um dos alvos da operação Carbono Oculto, que mirou a relação entre setor de combustíveis, a organização criminosa PCC e empresas financeiras.
Antes disso, o Banco Central já havia identificado outra possível fraude na revenda de R$ 12,2 bilhões em créditos supostamente inexistentes do Master para o Banco Regional de Brasília (BRB), banco público do Distrito Federal.
Posteriormente, o BRB tentou comprar o Master, mas o Banco Central vetou a operação em setembro.
Na segunda-feira (5/1), a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e outras dez associações do setor financeiro publicaram nota apoiando a atuação do BC e sua independência, sem citar diretamente o Master.
A compra do Master
A quebra do Master é a maior da história do país em impacto para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — associação privada que funciona como uma espécie de sistema de garantia de depósitos, cobrindo investimentos de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ (por instituição financeira) em caso de quebra de alguma instituição associada.
Segundo o FGC, 1,6 milhão de investidores do banco, que detinha R$ 41 bilhões em títulos CDBs, poderão ser ressarcidos.
A Polícia Federal (PF) investiga suspeitas de fraudes na concessão de créditos, emissão de títulos irregulares e criação de carteiras falsas — operações que, segundo os investigadores, movimentaram valores bilionários e alimentaram uma tentativa de venda da instituição ao BRB.
A liquidação do banco ocorreu no dia 18 de novembro, mesmo dia em que uma operação levou à prisão de Vorcaro e de outros executivos do banco.
Em 28 de novembro, o Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região concedeu habeas corpus e mandou soltar Vorcaro, os ex-diretores Luiz Antonio Bull, Alberto Feliz de Oliveira e Angelo Antonio Ribeiro da Silva, além de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banco.
Eles são monitorados por tornozeleira eletrônica e estão proibidos de exercer atividades no setor financeiro, de ter contato com outros investigados e de deixar o país.
As conexões de Vorcaro no STF
Contrato de banco com o escritório da esposa de Moraes gerou críticas
EVARISTO SA/AFP/Getty Images via BBC
O BRB, banco público do Distrito Federal, chegou a tentar comprar o Master, mas o Banco Central não autorizou o negócio.
Há suspeitas de fraudes sobre operações bilionárias entre as duas instituições.
Diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino se manifestou a favor da compra do Master pelo BRB, mas sua posição ficou vencida dentro da autoridade monetária, que optou pela liquidação da instituição.
O caso Master também revelou uma rede de contatos de Vorcaro com autoridades em Brasília, que vão de políticos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a ministros do STF, como o próprio Toffoli e o ministro Alexandre de Moraes — cuja esposa, Viviane Barci de Moraes, teve um contrato milionário como advogada do banco liquidado.
Segundo o jornal O Globo, que revelou a existência do contrato da mulher de Moraes com o banco, o ministro do STF teria pressionado o presidente do BC, Gabriel Galípolo, sobre a venda do banco Master, o que ambos negam.
Um pedido de investigação contra o ministro foi arquivado pelo procurador-geral da República, que avaliou não haver indícios de crime na contratação da esposa de Moraes.
No caso de Toffoli, o ministro viajou para assistir à final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras, em Lima, no Peru, no mesmo voo particular que um advogado de um dos diretores do banco.
A coincidência chamou atenção porque a viagem ocorreu no final de novembro, logo após Toffoli ter sido sorteado para relatar o recurso apresentado pela defesa de Daniel Vorcaro na Corte.
No dia seguinte ao sorteio, o ministro embarcou no jatinho em que estava o advogado Augusto Arruda Botelho, defensor de um dos diretores do Master e ex-secretário Nacional de Justiça no início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No voo, estavam também o empresário Luiz Oswaldo Pastore, dono da aeronave, e o ex-deputado Aldo Rebelo.
O ministro confirmou que viajou no avião e afirmou a interlocutores, segundo o jornal O Globo, que não discutiu o processo durante o trajeto.
Pouco depois, em 3 de dezembro, Toffoli colocou o caso sob sigilo e decidiu transferir o inquérito para o STF, sob sua própria relatoria, atendendo ao pedido de um diretor do Master — o mesmo pleito feito anteriormente pelos advogados de Vorcaro.
Ele acolheu a solicitação com base na citação de um deputado federal nas investigações, autoridade com prerrogativa de foro privilegiado.
O ministro justificou o sigilo afirmando que o inquérito envolve informações econômicas sensíveis, com potencial impacto no mercado financeiro. Na prática, todas as decisões futuras sobre a investigação passam a ser tomadas por ele, e não mais pela Justiça Federal em Brasília.
As conexões de Vorcaro na política
Toffoli, relator do caso Master no Supremo, viajou em jatinho com advogado do banco
NurPhoto/Getty Images via BBC
Além dos vínculos com ministros do STF, as doações eleitorais também revelam possíveis conexões políticas envolvendo o Banco Master.
O empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, foi o maior doador pessoa física das campanhas de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Jair Bolsonaro em 2022.
Casado com Natália Vorcaro Zettel, irmã do banqueiro, ele transferiu R$ 3 milhões para a campanha presidencial de Bolsonaro e R$ 2 milhões para a do governador de São Paulo.
Zettel é fundador e CEO da Moriah Asset, um fundo de private equity (modalidade de investimento que compra participações em empresas que não estão na bolsa).
Por meio da Moriah, ele é sócio de marcas como Oakberry, Les Cinq, Frutaria São Paulo e Empório Frutaria.
Em 2022, ele foi o sexto maior doador pessoa física do país. Pela legislação eleitoral, indivíduos podem doar até 10% da renda bruta do ano anterior à eleição.
A assessoria de imprensa de Tarcísio afirmou que sua campanha contou com mais de 600 doadores e que o governador não possui qualquer vínculo ou relação com Zettel.
"Vale destacar que a prestação de contas de Tarcísio foi devidamente aprovada pela justiça eleitoral", diz a nota enviada à BBC News Brasil.
Com informações de Rute Pina e Marina Rossi
TCU apura se houve falhas do Banco Central na supervisão do Banco Master
Rovena Rosa/Agência Brasil via BBC
Agricultores franceses bloqueiam ruas de Paris em protesto contra acordo entre União Europeia e Mercosul

Agricultores da França fazem protesto contra o acordo entre Mercosul e União Europeia
Agricultores franceses protestaram em ruas e vários pontos turísticos de Paris, nesta quinta-feira (8), em ato contra o acordo comercial da União Europeia (UE) com o Mercosul.
Integrantes de diversos sindicatos convocaram os protestos em Paris em meio à negociação do acordo de livre comércio entre os países da UE e Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Os manifestantes também reclamam da forma como o governo francês lida com uma doença contagiosa que afeta o gado.
“Estamos entre o ressentimento e o desespero. Temos uma sensação de abandono, e o Mercosul é um exemplo disso”, disse à Reuters Stéphane Pelletier, dirigente do sindicato Coordination Rurale, sob a Torre Eiffel.
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Protesto contra acordo de livre comércio UE-Mercosul, em Paris
Sarah Meyssonnier/Reuters
Em tratores, os manifestantes romperam os bloqueios policiais e circularam pela avenida Champs-Élysées, bloqueando a via ao redor do Arco do Triunfo.
Dezenas de tratores bloquearam rodovias que levam à capital, incluindo a A13, que liga os subúrbios do oeste e a Normandia a Paris, causando 150 quilômetros de congestionamento, segundo o ministro dos Transportes, Philippe Tabarot.
O protesto aumenta ainda mais a pressão sobre o presidente Emmanuel Macron e seu governo, um dia antes da data prevista para que os membros da União Europeia votem o acordo comercial.
A FNSEA, maior sindicato agrícola da França, convocou manifestação para 20 de janeiro em Estrasburgo, onde fica uma das sedes do Parlamento Europeu, caso o acordo UE-Mercosul seja assinado.
Nesta semana, a Comissão Europeia propôs antecipar 45 bilhões de euros em recursos da UE para agricultores no próximo orçamento e concordou em reduzir tarifas de importação sobre alguns fertilizantes, numa tentativa de conquistar países hesitantes em apoiar o Mercosul.
Os agricultores ainda pedem pelo fim da política de abate de bovinos em resposta à contagiosa doença da dermatite nodular, que consideram excessiva. Eles defendem a vacinação e também reclamam dos altos custos e da regulamentação.
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A Franças se opõe firmemente ao acordo e, mesmo após ter conseguido concessões de última hora, a posição final de Macron ainda não é conhecida.
O pacto é um tema politicamente sensível para o governo, em meio às eleições municipais de março e ao bom desempenho da extrema direita nas pesquisas antes da eleição que substituirá Macron em 2027.
“Este tratado ainda não é aceitável”, disse a porta-voz do governo, Maud Brégeon, à rádio France Info. Ela se recusou a dizer se Macron votará a favor ou contra o acordo, ou se irá se abster.
A ministra francesa da Agricultura, Annie Genevard, afirmou na quarta-feira que, mesmo que os países da UE apoiem o acordo, a França continuará a combatê-lo no Parlamento Europeu, cuja aprovação também será necessária para que o tratado entre em vigor.
O acordo tem apoio de países como Alemanha e Espanha, e a Comissão parece próxima de conquistar o apoio da Itália. O aval de Roma significaria que a UE teria votos suficientes para aprovar o acordo comercial com ou sem o apoio francês.
A votação sobre o acordo é esperada para sexta-feira (9).
Tratores estacionados em frente ao Arco do Triunfo durante uma manifestação do sindicato agrícola francês Coordenação Rural (CR)
Thomas Samson/AFP
É #FAKE que autônomos serão obrigados a emitir Nota Fiscal por causa da reforma tributária

Reforma Tributária não altera regime tributário para autônomos
g1
Circula nas redes sociais uma publicação dizendo que a reforma tributária prevê que autônomos serão obrigados emitir Nota Fiscal eletrônica (NF-e). É #FAKE.
selo fake
g1
🛑O que diz a publicação?
Desde o fim do ano passado, viralizaram posts no TikTok posts com alegações mentirosas sobre a suposta obrigatoriedade de emissão da Nota Fiscal para autônomos. Um deles, que teve 1,4 milhão de visualizações, exibe um vídeo com a seguinte caixa de texto sobreposta às imagens:"Vão acabar com autônomos no Brasil".
Na filmagem, um homem diz em um microfone: "A partir do dia 1º de janeiro, você, que é pedreiro, eletricista, faxineira, manicure, pintor, cabeleireiro ou qualquer outro prestador de serviço que recebe dinheiro na sua conta e não é CLT – você acabou de entrar no radar do governo".
E prossegue: "Agora, você é obrigado a emitir a Nota Fiscal eletrônica (NF-e) pelo sistema do governo. É o fim da informalidade. E aí é que entra o grande problema: no ano de 2025, eles colocaram impostos até o talo; a estratégia para 2026 é se certificar de que todos os impostos serão pagos. Aí, vem a parte que ninguém percebeu: a maioria das pessoas vão emitir essas NF-e no próprio CPF, como pessoa física, e o imposto vai ser muito maior do que no CNPJ".
Mas isso não é verdade. O Fato ou Fake procurou a assessoria de imprensa da Receita Federal, que enviou um e-mail dizendo: "O conteúdo é absolutamente falso. Nada muda para o pedreiro, para o jardineiro, para o pintor, para o Microempreendedor Individual (MEI). Para as pessoas físicas prestadoras de serviços, a reforma não cria obrigação automática de formalização. A prestação de serviços como pessoa física não implica, por si só, equiparação a pessoa jurídica (cidadão não é empresa), nem obrigação de inscrição em CNPJ ou de emissão de nota fiscal -- cuja obrigatoriedade permanece sendo uma prerrogativa de cada município".
Especialistas em tributação também explicaram que a reforma tributária apenas padroniza o modelo da nota fiscal nos municípios que já exigem esse documento de prestadores de serviço. Ela não torna a emissão obrigatória, já que isso continua a depender das regras de cada cidade (leia mais abaixo).
Essa peça de desinformação começou a circular cinco dias antes da virada para 2026, ano que marca o início da implementação da reforma, aprovada em dezembro de 2023.
Nesse primeiro momento, que marca a fase de transição, as empresas passam a informar nas notas fiscais os impostos Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de estados e municípios.
Neste ano, porém, esses impostos constarão apenas de maneira demonstrativa e não implicarão cobrança adicional.
A partir de 2033, os atuais impostos federais (PIS/Cofins) e estaduais e municipais (ICMS e ISS) serão totalmente substituídos, respectivamente, pelo CBS e pelo IBS.
⚠️ Por que ela é falsa?
A nota da Receita também afirmou: "A formalização como MEI ou empresa continua sendo, em regra, uma opção do próprio trabalhador. Para o Microempreendedor Individual (MEI), não há mudanças estruturais. O regime permanece com tratamento diferenciado e simplificado".
Neimar da Silva Rossetto, da consultora tributária para empresas Nimbus, explicou que a reforma não cria a exigência de obrigatoriedade da emissão de Nota Fiscal, mas, sim, a impõe a uniformização do documento:
"A partir de 1º de janeiro de 2026, a mudança foi a padronização: todos os municípios que já exigiam a nota passaram a ter de utilizar o sistema nacional unificado, conforme estabelece o parágrafo 1º do art. 62 da Lei Complementar n° 214/2025. Portanto, não há uma lei federal que obrigue todos os autônomos a emitir NFS‑e a partir de 1º de janeiro de 2026. A mudança é de padronização, não de obrigatoriedade geral".
A especialista pondera que, caso o autônomo emita a Nota Fiscal como pessoa física (CPF), ele estará sujeito à tabela progressiva do Imposto de Renda, com alíquotas maiores do que se o trabalhador optasse por regimes de pessoa jurídica (CNPJ):
"Pessoa física (CPF) que emite nota fiscal como autônomo está sujeita à tabela progressiva do Imposto de Renda (alíquotas de 7,5% a 27,5%), cabendo ainda deduções no livro-caixa e com despesas dedutíveis. Outro ponto é que em 2026 entrou em vigor um mecanismo de isenção/redução para rendas mais baixas (isenção até R$ 5 mil por mês e redução gradual até R$ 7.350, art. 2º da lei n.º' 15.270/2025). Por outro lado, o MEI (CNPJ) prestador de serviço paga uma contribuição fixa mensal (DAS) de R$ 82,05, que inclui INSS e ISS, independente do faturamento (até o limite de R$ 81 mil/ano)".
André Luiz Andrade, sócio do escritório Chalfin, Goldberg & Vainboim Advogados, afirmou que autônomos com faturamento bruto dentro do limite dos nanoempreendedores terão isenção de CBS e IBS no novo regime:
"Profissionais que ganham até R$ 13.500,00 brutos por mês, ou R$ 162.000,00 por ano, estão isentos da cobrança de IBS e CBS por se enquadrarem na categoria de nanoempreendedor, criada pela Lei Complementar 214/2025. Essa figura engloba pessoas físicas com baixa capacidade contributiva, de maneira que não é preciso se inscrever ou se formalizar como nanoempreendedor para se enquadrar nessa categoria".
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Quando a roça vira música: Globo Rural celebra 46 anos mostrando cantos de trabalho que ainda resistem no campo

Cantos de trabalho ainda resistem em comunidades brasileiras (parte 1)
O Globo Rural completou 46 anos nesta terça-feira (6). Para comemorar a data, o programa do último domingo (4) mostrou os cantos de trabalho. Uma tradição que ainda resiste em comunidades rurais do Brasil, quase sempre onde o trabalho manual ainda é parte da rotina.
O ato de cantar durante o trabalho estimula e, ao mesmo tempo, suaviza as atividades, muitas vezes repetitivas, cansativas, enfadonhas. Também se transforma em celebração.
Na Bahia, os produtores geram música enquanto batem as vagens de feijão, para os grãos se soltarem.
Já em Alagoas, crianças se conectam com a ancestralidade do povo Kariri-xocó a partir dos cantos.
Em Minas Gerais, são feitos mutirões para produzir farinha e algodão embalados por cantos.
Assobio
Na comunidade do Faxinal do Emboque, no interior do Paraná, o agricultor Nelson Przyvitowski mantém um costume ancestral: o assobio.
Para ele, o som é uma companhia que coloca as tarefas no compasso, seja para arar a terra ou tratar dos animais.
Ao lado de sua esposa, Marli, Nelson preserva o folclore polonês dentro de um barracão centenário construído a machado.
Enquanto operam máquinas manuais de madeira, como moinhos e assopradores de grãos, o casal entoa canções que narram a vida dos seus antepassados.
Mesmo imersos na tradição, a modernidade se faz presente: Marli utiliza a internet para obter receitas e fórmulas de produtos de limpeza que produz em casa e vender.
Canto das bordadeiras
Em Minas Gerais, na região de Arinos, o grupo Central Veredas une bordadeiras e fiandeiras, que relatam que o canto coletivo ajuda a dissipar a ansiedade e a esquecer problemas domésticos.
"Elas bordam dia e noite para a família sustentar", diz um dos versos entoados pelo grupo.
A associação é composta por 160 mulheres e já mapeou mais de 250 canções de trabalho na região de Arinos.
Além do valor cultural, a união gera impacto econômico: a associação fatura cerca de R$ 350 mil por ano, beneficiando fiandeiras, tingideiras, tecelãs e bordadeiras em uma rede de cooperação.
Leia também: 'Sem dinheiro nem para sobreviver': os agricultores que perderam tudo com as chuvas no RS
Mutirões para cantar
Cantos de trabalho ganham força em mutirões (parte 2)
Em Urucuia, Minas Gerais, acontecem os mutirões nas casas de farinha comunitárias. Para processar até 500 kg de mandioca em um único dia, vizinhos e parentes se unem em cantigas que fazem o serviço render mais.
Essas reuniões são descritas como uma herança de família, onde versos antigos e quadrinhas são trocados entre os trabalhadores enquanto descascam e torram a farinha.
De roça para os palcos
Aos 80 anos, a trabalhadora rural Dona Rosália, de Arapiraca (AL), lançou um CD com o grupo "Cabelo de Maria", que é dedicado a pesquisa da música regional.
Mestre no coco de roda, ela traz em sua voz a memória das "tapagens de taipa", ritos onde o barro era batido ao ritmo dos pés e do canto para erguer paredes.
Em Arapiraca, as destaladeiras de fumo, como são chamadas as mulheres que retiram manualmente o talo das folhas do cultivo depois da colheita, também utilizam a música durante a tarefa, que hoje sustenta a agricultura familiar da região.
O canto, que antes ocorria em grandes salões coletivos, agora resiste de forma doméstica.
Pesquisadores se debruçam sobre os cantos de trabalho (parte 3)
Sincronia na canto e no trabalho
Em Serra Preta, na Bahia, o mutirão da bata de feijão exige precisão matemática. Na atividade, os trabalhadores batem e peneiram o feijão.
O canto feito pelos trabalhadores se chama responsorial, ou seja, tem uma pergunta e uma resposta.
Os agricultores precisam saber se estão na função de resposta ou pergunta, para realizar o trabalho corretamente. Ele coordena o ritmo dos bastões que batem na vagem; um erro na cadência pode resultar em uma batida acidental na perna do colega.
"O canto vem para humanizar o trabalho", explica a pesquisadora Renata Mattar.
Na aldeia Kariri-Xocó, os indígenas praticam o "rojão de roça", onde o canto e a tarefa são vistos como uma fusão inseparável entre corpo e espírito.
Agricultores da Bahia cantam durante bata de feijão (parte 4)
Origem da poesia
Para o professor Iván García, da Universidade Nacional Autônoma do México, os cantos de trabalho estão na "madrugada das formas poéticas" e representam a própria origem da poesia. Por isso, é possível dizer que em todo o mundo existem cantos de trabalho.
O ritmo serve para unir a força coletiva, como ocorre na famosa canção mexicana "La Bamba", inspirada na sincronia dos marinheiros. Dessa forma, elas tornam o trabalho mais tolerável e alinhado entre os trabalhadores.
Na Venezuela, a prática ganha espaço nos cantos de ordenha. As músicas são utilizadas para acalmar o rebanho e estabelecer um diálogo entre o ordenhador e as vacas, que muitas vezes têm nomes e personalidades reconhecidas pelo trabalhador.
Algo similar acontece no Brasil: o "aboio". Ele é utilizado pelos criadores de boi para guiar o gado. Geralmente, as músicas modulam as vogais. Existe ainda a toada de aboio, poesias que utilizam destes cantos.
O aboio transmite para o animais paz e energia, explica a pesquisadora Mattar.
Na Bahia, a tradição se renova com o agricultor Alvino Dias, autor de "chulas", como são chamadas as cantigas de trabalho na região. Elas também abordam temas contemporâneos, como o impacto do WhatsApp e do celular na rotina do campo.
Caixas de mercadorias foram transformadas em instrumento musical (parte 5)
O sopro ancestral nos cantos de trabalho (parte 6)
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Cargo com maior crescimento previsto para 2026 paga de R$ 8 mil a R$ 30 mil; veja ranking

Os empregos que mais devem crescer em 2026, segundo o ranking do LinkedIn
As profissões que mais devem crescer no Brasil em 2026 têm algo em comum: muitas estão ligadas à tecnologia. É o que aponta o novo ranking anual do LinkedIn, que reúne os cargos com crescimento mais acelerado no país.
Entre os 25 cargos listados, mais da metade envolve o uso intensivo de ferramentas tecnológicas, engenharia ou análise de dados, o que reflete um mercado de trabalho cada vez mais orientado por informação e automação. (veja o ranking abaixo)
Nesse cenário, um cargo se destaca: o de engenheiro de inteligência artificial, que lidera a lista.
📎 A primeira colocação inclui também cargos relacionados, como engenheiro(a) de machine learning, engenheiro(a) de IA generativa e desenvolvedor(a) de IA. Apesar das diferenças nos nomes, essas funções compartilham uma base semelhante e atendem à mesma demanda.
Nos últimos anos, a popularização de soluções baseadas em IA acelerou a adoção da tecnologia por empresas de diferentes setores. O que antes aparecia como teste ou projeto piloto passou a integrar a operação diária.
O engenheiro de inteligência artificial desenvolve e mantém sistemas que utilizam IA em tarefas como análise de grandes volumes de dados, reconhecimento de padrões e previsões. Mais do que criar modelos, atua como elo entre a tecnologia e as necessidades práticas do negócio.
💰 A média salarial de um engenheiro de inteligência artificial no Brasil gira em torno de R$ 8 mil, segundo dados do site Glassdoor. Ainda assim, há vagas que oferecem salários de até R$ 32 mil, especialmente para profissionais mais experientes ou envolvidos em projetos estratégicos.
As estimativas do Glassdoor têm como base salários informados de forma sigilosa por profissionais com esse cargo no Brasil até janeiro de 2026. Na prática, o valor final varia conforme o nível de senioridade, o setor da empresa e a complexidade das soluções desenvolvidas.
O avanço da carreira também aparece nos números. Dados exclusivos do LinkedIn repassados ao g1 mostram que a quantidade de profissionais com o cargo de engenheiro de inteligência artificial cresceu 48% na comparação anual no período analisado pela pesquisa.
“Cargos diretamente ligados à tecnologia têm ganhado protagonismo porque atendem a uma demanda crescente por eficiência, automação e controle de risco”, diz Guilherme Odri, editor-chefe do LinkedIn Notícias Brasil.
Segundo ele, a inteligência artificial deixou de ser exclusiva de áreas técnicas e passou a integrar o cotidiano de diferentes profissões. “Mais do que dominar ferramentas específicas, espera-se que os profissionais saibam integrar essas tecnologias ao trabalho, avaliando impactos, ganhando produtividade e criando soluções inovadoras.”
Odri conclui que esse cenário também impõe um desafio relevante: ampliar o acesso à qualificação em IA e garantir que a transformação tecnológica seja acompanhada de inclusão e desenvolvimento profissional em larga escala.
➡️ Abaixo, confira o ranking completo:
Engenheiro(a) de Inteligência Artificial
Auxiliar de Enfermagem
Planejador(a) Financeiro(a)
Consultor(a) Regulatório(a)
Geofísico(a)
Engenheiro(a) de Segurança de Processo
Gerente de Sucesso do Cliente
Cientista Agrícola
Analista de Investimentos
Engenheiro(a) de Confiabilidade
Especialista em Dados
Técnico(a) em Microbiologia
Coordenador(a) de Pesquisa Clínica
Gerente de Relações
Gerente de Desenvolvimento de Negócios
Líder de Produção
Auditor(a) Interno(a)
Gerente de Logística
Recrutador(a)
Gerente de Instalações (Facilities)
Onde estão as vagas?
A pesquisa do LinkedIn aponta que as cidades com o maior número de vagas para engenheiros de IA são São Paulo, Florianópolis e Recife, polos que reúnem empresas de tecnologia, centros de inovação e oferta de mão de obra qualificada.
Mas o caminho até o cargo costuma ser gradual. Antes de assumir a função, os profissionais geralmente passaram por áreas como engenharia de software, ciência de dados ou engenharia de dados. O tempo médio de experiência antes da contratação é de 3,6 anos, segundo o LinkedIn.
Outro fator que pesa na atratividade da carreira é a flexibilidade. Do total de vagas, 63,55% são remotas, enquanto 13,55% funcionam em modelo híbrido, ampliando as possibilidades para profissionais fora dos grandes centros.
🔎 O levantamento também mostra que o avanço do trabalho remoto e híbrido ocorre de forma desigual. Ele é mais comum em cargos de tecnologia, dados, marketing e planejamento, enquanto funções industriais, laboratoriais e operacionais seguem majoritariamente presenciais.
Apesar da expansão, o avanço da IA também evidencia desafios como a baixa participação feminina. Em 2025, apenas 10,58% das contratações para o cargo de engenheiro de IA foram de mulheres, ante 89,42% de homens.
O dado aponta para questões estruturais, relacionadas ao acesso à formação técnica e à permanência de mulheres em carreiras tecnológicas ao longo do tempo.
Além da IA, aparecem em alta cargos ligados à análise de dados, confiabilidade, segurança de processos e eficiência energética — funções que dão suporte a decisões mais precisas e à redução de riscos nas empresas.
Outros setores
Mesmo com a tecnologia no centro das transformações, o ranking não se limita a esse universo. A área da saúde aparece com força, impulsionada pelo envelhecimento da população, pela ampliação dos serviços de diagnóstico e pelo avanço das pesquisas clínicas no Brasil.
Já nas áreas de finanças e gestão, ganham destaque cargos voltados ao planejamento, à análise de cenários e ao apoio a decisões de longo prazo — sinal de que as empresas também buscam profissionais capazes de organizar recursos e atuar em ambientes econômicos mais instáveis.
Como o ranking foi elaborado
A lista “Empregos em alta” foi elaborada a partir de dados do Gráfico Econômico do LinkedIn, que analisou milhões de vagas ocupadas por usuários da plataforma entre 1º de janeiro de 2023 e 31 de julho de 2025.
Para entrar no ranking, os cargos precisaram apresentar crescimento consistente na base de usuários, volume relevante de vagas anunciadas no último ano e avanço significativo até 2025.
Estágios, trabalhos temporários e funções concentradas em poucas empresas foram excluídos da análise. Funções semelhantes, com diferentes níveis de senioridade, foram agrupadas.
Ranking anual do LinkedIn reúne os cargos com avanço mais acelerado no país
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Entenda por que Venezuela tem mais reservas de petróleo que o Brasil, mas produz menos

Trump quer até 50 milhões de barris de petróleo da Venezuela
Apesar de concentrar cerca de 17% das reservas conhecidas de petróleo do mundo — o equivalente a mais de 300 bilhões de barris —, a Venezuela não consegue transformar esse potencial em uma produção robusta.
O petróleo da Venezuela virou assunto internacional depois que, no sábado (3), o governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, capturou o então presidente venezuelano Nicolás Maduro e o levou para ser julgado em Nova York por colaboração com o narcotráfico. Trump disse ainda que, após a deposição de Maduro, empresas dos Estados Unidos passarão a explorar o petróleo local.
Dados da Statistical Review of World Energy, publicação anual do Instituto de Energia (EI), mostram que a produção venezuelana despencou nas últimas décadas: saiu de um pico de 3,7 milhões de barris por dia em 1970 para um mínimo de 665 mil barris por dia em 2021.
Em 2024, houve uma leve recuperação, mas o volume ainda representa menos de 1% da produção global de petróleo.
Para efeito de comparação, o Brasil — que não possui reservas do tamanho das venezuelanas — produziu, em novembro de 2025, 3,773 milhões de barris de petróleo por dia e quase 5 milhões de barris por dia quando se soma petróleo e gás natural, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Mas por que a Venezuela, com tantas reservas, produz tão pouco?
Especialistas ouvidos pelo g1 apontam três fatores principais para explicar o cenário:
as características do petróleo venezuelano;
a precariedade da infraestrutura;
a falta de investimentos ao longo dos anos.
Petróleo mais pesado e caro de processar
A pesquisadora da FGV Energia, Luiza Guitarrari, explica que a composição do petróleo varia de acordo com a geografia de cada país e influencia diretamente os custos de produção e refino.
“No caso do Brasil, o petróleo é mais leve, o que facilita o refino e permite a produção de derivados mais valorizados, como gasolina e diesel”, afirma. “Isso dá ao país uma vantagem técnica e comercial.”
Já o petróleo venezuelano apresenta características mais desafiadoras. “Ele é mais viscoso, com maior teor de enxofre e metais. É um petróleo mais pesado, que exige processos mais caros tanto na extração quanto no refino”, diz Guitarrari.
Essas diferenças também impactam as emissões. “O petróleo brasileiro emite menos CO₂, o que hoje é um fator relevante no mercado internacional”, compara Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP).
Segundo Guitarrari, o petróleo pesado da Venezuela gera, em muitos casos, derivados de menor valor agregado, usados em aplicações industriais mais intensivas, como a indústria do cimento, o que reduz sua atratividade comercial.
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Dinheiro da venda de petróleo venezuelano será mantido em contas bancárias dos EUA
Gargalos de infraestrutura
Além das características do petróleo, a Venezuela enfrenta sérios problemas de infraestrutura — da extração ao transporte, processamento e exportação.
A combinação de sanções internacionais, elevada dívida externa e instabilidade política dificultou a atração de investimentos e levou à deterioração da malha logística do setor.
“Mesmo sentada sobre uma enorme reserva, a Venezuela teve dificuldades para viabilizar o escoamento e o processamento do petróleo por causa das lacunas na infraestrutura”, afirma Guitarrari.
Ela lembra que, nos últimos anos, a própria estatal PDVSA chegou a reduzir a produção por falta de mercados para exportação, sobretudo após a imposição de sanções.
Hoje, cerca de 43% das exportações venezuelanas têm como destino países asiáticos. Os Estados Unidos, que possuem refinarias capazes de processar petróleo pesado, continuam como compradores, mas em volumes bem menores do que antes das sanções.
Manter produção elevada sem capacidade de exportação, explica a pesquisadora, elevaria os custos e os riscos de armazenamento, o que levou a PDVSA a optar por cortes.
Falta de investimento e perda de capacidade técnica
Outro fator central é a queda no investimento ao longo das últimas décadas. A indústria do petróleo exige aportes constantes em manutenção, tecnologia e qualificação de pessoal.
Com a nacionalização do setor nos anos 2000 e a exigência de participação majoritária da PDVSA nos projetos, diversas empresas internacionais deixaram o país. A saída dessas companhias foi acompanhada pela perda de quadros técnicos experientes.
“Sem um ambiente de negócios favorável, o capital se deprecia e a produção cai. No caso da Venezuela, isso ocorreu de forma extrema”, afirma Claudio Frischtak, fundador da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios.
O cenário se agravou durante os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, com redução do investimento externo e envelhecimento acelerado dos equipamentos. Reportagem recente do Fantástico mostrou estruturas enferrujadas e tecnologia ultrapassada no Lago Maracaibo, uma das áreas históricas de produção do país.
Interesse dos Estados Unidos
No sábado (3), após a prisão de Nicolás Maduro por forças americanas, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que pretende abrir o setor petrolífero venezuelano à atuação de grandes companhias norte-americanas.
Segundo Trump, empresas dos EUA investiriam bilhões de dólares para recuperar a infraestrutura e ampliar a produção. Antes das sanções, refinarias da Costa do Golfo importavam cerca de 500 mil barris por dia da Venezuela.
Especialistas alertam, porém, que uma eventual retomada não seria imediata. “Aumentar significativamente a produção exige investimentos elevados e pode levar anos”, afirma Arne Lohmann Rasmussen, analista da consultoria Global Risk Management.
Hoje, apesar de deter as maiores reservas do planeta, a Venezuela produz cerca de 1 milhão de barris por dia, um volume considerado baixo diante de seu potencial geológico.
Ataque dos Estados Unidos à Venezuela mexe com o mercado de petróleo
Reprodução/TV Globo
CNH brasileira passa a valer em Portugal para carros e motos; veja as regras

Brasileiros que estão em Portugal já podem dirigir utilizando apenas a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A medida foi aprovada após a assinatura do presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, nesta quarta-feira (7).
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Estas são as regras para que a CNH seja válida em Portugal:
A CNH deve estar dentro do prazo de validade;
O documento não pode estar suspenso, cassado ou vencido;
O motorista pode apresentar a versão digital ou física da habilitação;
O condutor precisa ter menos de 60 anos.
A validade da CNH em território português se limita às categorias A e B, que permitem a condução de carros e motocicletas.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Para as demais categorias, o motorista brasileiro precisa obter a habilitação portuguesa para dirigir. O acordo também prevê que a carteira portuguesa poderá ser usada para condução de veículos no Brasil.
“Essa medida traz segurança no trânsito e facilita a circulação de brasileiros e portugueses pelos dois países. É um acordo muito importante para Brasil e para Portugal que finalmente conseguimos assinar, graças à retomada das relações com todo o mundo pelo presidente Lula”, afirmou o ministro Renan Filho em 2023, quando o acordo foi assinado entre os governos dos dois países.
O acordo prevê que brasileiros residentes em Portugal possam utilizar a CNH até o vencimento do documento.
Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça de Portugal, emitida em 2025, estabelece que dirigir sem CNH válida não configura crime, mas infração administrativa, punida com multa que varia de 300 a 1.500 euros.
A legislação portuguesa, no entanto, considera crime a condução sem CNH válida nos casos em que o condutor não pode mais emitir o documento ou quando a habilitação brasileira está vencida há mais de dez anos.
Poucos países aceitam a CNH
Portugal passa a integrar uma lista ainda reduzida de países em que brasileiros podem dirigir usando apenas a CNH, desde que estejam no país como turistas e não residentes.
Entre eles estão alguns vizinhos do Brasil, especialmente os membros do Mercosul:
Argentina;
Bolívia;
Chile;
Equador;
Paraguai;
Uruguai;
Nos Estados Unidos, a CNH também é aceita para turistas, mas as regras variam conforme o estado.
Em geral, é recomendável portar a Permissão Internacional para Dirigir (PID), documento que autoriza motoristas habilitados no Brasil a conduzir veículos em países que aderem à Convenção de Viena sobre Trânsito Viário.
Entre esses países estão:
Áustria;
Bélgica;
Bulgária;
Chile;
Costa Rica;
França;
Alemanha;
Itália;
México;
Rússia;
Espanha;
Inglaterra;
Uruguai.
Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Crystofher Andrade/g1
O que a próxima geração de trabalhadores mais velhos quer?

Na coluna de terça-feira, escrevi sobre o relatório que a Society for Human Resource Management (SHRM), a maior associação profissional de recursos humanos do mundo, divulgou sobre a mão de obra acima dos 65 anos. O levantamento incluiu trabalhadores dos Estados Unidos com menos de 65 anos – nesse grupo, as idades variavam entre 18 e 54 anos. Quando perguntados sobre as mudanças que gostariam de ver nas organizações para apoiar os trabalhadores mais velhos, 55% dos participantes citaram a opção de contar com horários flexíveis. Outras medidas desejadas seriam:
Trabalhadores na faixa entre 18 e 54 anos também gostariam de contar com horários flexíveis
Age without limits
Programas de bem-estar que abordem as necessidades de saúde relacionadas à idade: 44%.
Oportunidades de aposentadoria em fases, ou seja, de transição gradual até a saída da força de trabalho: 44%.
Reconhecimento das contribuições dadas pelo colaborador em sua trajetória profissional: 43%.
Maior respeito e inclusão dos trabalhadores mais velhos na tomada de decisões: 42%.
Oportunidades de mentoria que valorizem a experiência dos colaboradores maduros: 41%.
Apoio para a transição para novas funções que correspondam às capacidades ou aos interesses do funcionário: 41%.
A constatação de que 93% das empresas não têm programas formais ou informais de recrutamento especificamente voltados para a faixa sênior não afeta apenas os idosos de hoje. É um desafio para as próximas décadas, que assistirão ao encolhimento da mão de obra jovem e ao envelhecimento da população.
A pesquisa da SHRM perguntou aos gestores de RH se as organizações onde trabalham estariam abertas a utilizar estratégias de recrutamento inclusivas para a mão de obra sênior. De um modo geral, houve boa receptividade em relação à ideia, com destaque para as seguintes propostas de novas políticas de recursos humanos:
Treinamento dos gestores para ajudá-los a avaliar mais eficazmente os candidatos mais velhos: 56%.
Modificação de anúncios de vagas para serem mais inclusivos: 48%.
Desenvolvimento de uma pipeline de talentos com senioridade (um banco de reservas de trabalhadores qualificados prontos para assumir uma vaga), incluindo o mapeamento de profissionais de outras empresas: 38%.
Modificação do desenho de cargo (job design) – que é o processo de estruturar o trabalho para ser produtivo e satisfatório para quem o executa – para torná-lo mais flexível: 36%.
Esforços de marketing e divulgação direcionados para engajar candidatos maduros: 34%.
Feiras de emprego direcionadas e adaptadas a candidatos com esse perfil: 31%.
Mercado de trabalho para terceira idade está em alta
Mega-Sena pode pagar R$ 10 milhões nesta quinta-feira

Como funciona a Mega-sena
O concurso 2.957 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 10 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta quinta-feira (8), em São Paulo.
Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp
No concurso da última terça-feira, nenhuma aposta acertou as seis dezenas.
A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Delcy Rodríguez diz que Venezuela está aberta a relações energéticas que beneficiem todas as partes

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, fala no Congresso Nacional, em Caracas, no dia 4 de dezembro de 2025
Pedro Mattey/AFP
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou nesta quarta-feira (7) que o país está aberto a relações energéticas em que todas as partes se beneficiem. A declaração ocorre após a Casa Branca dizer que estava trabalhando em um acordo de petróleo com o país sul-americano.
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Mais cedo nesta quarta (7), o presidente Donald Trump afirmou que a Venezuela concordou em usar a receita obtida com a venda de petróleo para comprar exclusivamente produtos fabricados nos Estados Unidos.
Em uma publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que as compras incluirão produtos agrícolas, medicamentos e equipamentos médicos, além de itens para melhorar a rede elétrica e as instalações de energia do país sul-americano.
"Em outras palavras, a Venezuela está se comprometendo a fazer negócios com os EUA como seu principal parceiro — uma escolha sensata e algo muito positivo para o povo da Venezuela e dos Estados Unidos", acrescentou Trump.
Trump diz que venezuelanos usarão dinheiro do petróleo para comprar somente produtos americanos
Mais cedo, o Departamento de Energia americano informou que os EUA já começaram a comercializar petróleo venezuelano. De acordo com o órgão, toda a receita da venda será inicialmente depositada em contas controladas pelos EUA em bancos reconhecidos globalmente.
"Contamos com o apoio financeiro das principais empresas de comercialização de commodities e bancos importantes do mundo para viabilizar e concretizar essas vendas de petróleo bruto e derivados" , informou o departamento.
O órgão declarou ainda que os recursos serão depositados em contras controladas pelos EUA para "garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final dos recursos", que serão feitos "em benefício do povo americano e do povo venezuelano, a critério do governo dos EUA".
Nesta quarta-feira, a petroleira estatal venezuelana PDVSA citou avanço nas negociações com os EUA para a venda de petróleo. Segundo a empresa, as partes vêm discutindo termos semelhantes aos que estão em vigor com parceiros estrangeiros, como a petroleira americana Chevron.
As vendas, de acordo com o Departamento de Energia, começam "imediatamente", e continuarão por tempo indeterminado.
Na noite de terça-feira, Donald Trump afirmou que os EUA refinariam e venderiam até 50 milhões de barris de petróleo bruto retidos na Venezuela devido ao bloqueio americano
Ele também disse ter fechado um acordo com Caracas para exportar até US$ 2 bilhões em petróleo bruto venezuelano para os EUA — movimento que desviaria fornecimentos da China e ajudaria a Venezuela a evitar cortes mais profundos na produção.
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Petróleo a preço de mercado
A declaração do republicano ocorreu apenas alguns dias depois de uma ação militar americana na Venezuela que resultou na prisão de Nicolás Maduro. Ao menos 55 militares venezuelanos e cubanos morreram na operação.
Trump disse que o petróleo venezuelano será vendido a preço de mercado. Ele afirmou ainda que será responsável por controlar o dinheiro obtido para garantir que os recursos sejam usados “em benefício do povo da Venezuela e dos EUA”.
“O petróleo será transportado por navios de armazenamento e levado diretamente a terminais de descarga nos Estados Unidos”, afirmou. O total de petróleo que será entregue aos EUA corresponde a cerca de dois meses da produção atual venezuelana.
Na terça-feira (6), a agência Reuters revelou que autoridades da Venezuela e dos EUA já estavam discutindo a exportação de petróleo bruto para os americanos.
Desde dezembro, a Venezuela acumula milhões de barris de petróleo em navios e tanques de armazenamento, sem conseguir exportá-los, devido a um bloqueio imposto por Trump. O embargo fez parte da pressão americana que resultou na queda de Maduro.
Nesta quarta-feira, os EUA apreenderam um petroleiro vazio, de bandeira russa e com ligações à Venezuela, no Oceano Atlântico. A apreensão é parte da estratégia de Trump para controlar o fluxo de petróleo nas Américas e forçar o governo socialista da Venezuela a tornar-se um aliado.
Interesse dos EUA
No sábado, logo após a prisão de Maduro, Trump afirmou que pretende abrir o setor petrolífero da Venezuela para a atuação de grandes companhias dos EUA.
“Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começar a gerar lucro para o país”, declarou.
As refinarias americanas na Costa do Golfo conseguem processar os tipos pesados de petróleo da Venezuela. Antes das primeiras sanções impostas por Washington, as companhias importavam cerca de 500 mil barris por dia.
Apesar de ter as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela produz pouco atualmente — cerca de 1 milhão de barris por dia — devido às sanções e a problemas de infraestrutura.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou nesta quarta-feira que o governo americano pretende fazer uma reunião com executivos do setor petrolífero ainda nesta semana para tratar sobre o tema.
MPF pede explicações à Petrobras e ao Ibama sobre vazamento de fluido na Foz do Amazonas

Petrobras paralisa perfuração da Foz do Amazonas após vazamento
O Ministério Público Federal (MPF) no Amapá pediu explicações à Petrobras e ao Ibama sobre o vazamento de fluido que levou à interrupção da perfuração na Foz do Amazonas no último domingo (4).
Nos documentos, a procuradoria solicita as informações “com urgência” e estabeleceu prazo de 48 horas para a apresentação das respostas. Segundo o MPF, os ofícios foram enviados na terça-feira (6), logo após a divulgação do caso pela imprensa.
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"A medida foi adotada no âmbito do inquérito civil instaurado em 2018 para apurar a regularidade do licenciamento ambiental do Ibama relativo ao empreendimento da Petrobras", disse, em nota, o órgão federal.
A petroleira informou, na terça-feira, o interrompimento da perfuração na Foz do Amazonas após identificar a perda de fluido em duas linhas auxiliares — tubulações de apoio que ligam o navio-sonda ao poço Morpho. O local está a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá.
Segundo a estatal, o vazamento, identificado no domingo, foi imediatamente contido e isolado. A operação foi suspendida para que as tubulações fossem levadas à superfície, avaliadas e reparadas. O Ibama disse ter sido comunicado sobre o caso e que não houve vazamento de petróleo. (leia abaixo)
🔎 O material liberado foi o fluido de perfuração, conhecido como “lama”. Ele é usado para resfriar a broca, remover fragmentos de rocha e controlar a pressão do poço. Trata-se de um fluido à base de água, com aditivos de baixa toxicidade, comum em perfurações no mar.
"Não há problemas com a sonda ou com o poço, que permanecem em total condição de segurança. A ocorrência também não oferece riscos à segurança da operação de perfuração", informou a Petrobras.
Exploração da Foz do Amazonas: o que se sabe e o que falta saber sobre a operação
Infográfico mostra local de vazamento que fez Petrobras interromper perfuração na Foz do Amazonas.
Arte/g1
Em nota, a companhia afirmou ainda que adotou todas as medidas de controle e notificou os órgãos competentes. Acrescentou que o fluido “atende aos limites de toxicidade permitidos” e é biodegradável, sem risco ao meio ambiente ou à população.
O presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, afirmou que houve um problema de despressurização, que provocou o vazamento de um líquido conhecido como fluido hidráulico, de caráter biodegradável.
“Não há petróleo no vazamento. A sonda ainda não alcançou o petróleo. Isso só ocorrerá em fevereiro”, declarou Agostinho.
Segundo ele, a estatal manteve contato com o Ibama desde a segunda-feira (5), e o plano de emergência está funcionando conforme o previsto. “Nos próximos dias, a Petrobras fará os reparos e retomará os trabalhos.”
Em nota emitida na tarde desta terça, o Ibama informou que foi notificado pela Petrobras por meio do Sistema Nacional de Emergências Ambientais (Siema).
Segundo o instituto, a estatal declarou que as operações foram interrompidas, as linhas afetadas foram isoladas na superfície e a válvula de fundo foi mantida fechada. (leia a íntegra do comunicado abaixo)
Edifício-sede da Petrobras, no centro do Rio
Marcos Serra Lima/g1
Exploração da Foz do Amazonas
Em outubro de 2025, o Ibama autorizou a Petrobras a perfurar um poço em águas profundas na região da Foz do Amazonas, localizada na Margem Equatorial — que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte. O aval é exclusivo para pesquisa exploratória.
A atividade na região é duramente criticada por ambientalistas, enquanto especialistas em petróleo ressaltam sua importância para a produção.
A perfuração pela estatal começou imediatamente após o aval do Ibama. A previsão é que a exploração dure cerca de cinco meses. Os efeitos concretos da iniciativa, portanto, só poderão ser observados após esse período.
🔎 Nesta fase, não há produção de petróleo: trata-se exclusivamente de pesquisa exploratória. Apesar disso, a etapa é vista como uma derrota para aqueles que são contra a exploração na região.
Segundo a Petrobras, o processo prevê a coleta de dados geológicos para verificar a presença de petróleo e gás em escala comercial.
A perfuração é realizada no bloco FZA-M-059, localizado em mar aberto, a cerca de 175 km da costa do Amapá e 500 km da foz do Rio Amazonas, em uma área de águas profundas.
A área está localizada no extremo oeste da Margem Equatorial brasileira e tem cerca de 268 mil km², de acordo com a petroleira. A extensão abrange a plataforma continental, o talude e a região de águas profundas, até o limite entre as crostas continental e oceânica.
A Margem Equatorial é vista como uma das novas fronteiras de exploração de petróleo e gás no Brasil, com potencial para se tornar um novo “pré-sal”, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME).
Potencial exploratório
O governo estima que a Margem Equatorial teria reservas que permitiriam explorar 1,1 milhão de barris de petróleo diariamente. É mais do que a capacidade dos dois principais campos da Bacia de Santos: Tupi, com cerca de 850 mil barris por dia, e Búzios, que ultrapassou os 900 mil.
Segundo o MME, com isso, seria possível retirar até 10 bilhões de barris de petróleo da região. Atualmente, o Brasil tem uma reserva comprovada de 16,8 bilhões de barris — o que seria suficiente para manter o país sem precisar comprar petróleo de outros países até 2030.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) calcula que a Bacia da Foz do Amazonas possui um volume recuperável de 6,2 bilhões de barris de óleo equivalente. A estimativa faz parte de um estudo que compõe um projeto dedicado à análise das bacias sedimentares brasileiras.
Bruno Carazza fala sobre exploração da Bacia da Foz do Amazonas
Veja a íntegra da nota da Petrobras:
A Petrobras informa que, neste domingo (04/01), foi identificada perda de fluido de perfuração em duas linhas auxiliares que conectam a sonda de perfuração ao poço Morpho, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do estado do Amapá.
A perda do fluido de perfuração foi imediatamente contida e isolada. As linhas serão trazidas à superfície para avaliação e reparo.
Não há problemas com a sonda ou com o poço, que permanecem em total condição de segurança. A ocorrência também não oferece riscos à segurança da operação de perfuração.
A Petrobras adotou todas as medidas de controle e notificou os órgãos competentes. O fluido utilizado atende aos limites de toxicidade permitidos e é biodegradável, portanto não há dano ao meio ambiente ou às pessoas.
Veja a íntegra da nota do Ibama:
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) recebeu, no último domingo (04/01), Comunicação Inicial de Incidente da Petrobras sobre a perda de fluido de perfuração em duas linhas auxiliares que conectam a sonda de perfuração ao poço Morpho, localizado a cerca de 175 km da costa do Amapá.
Consta na Comunicação, enviada via Sistema Nacional de Emergências Ambientais (Siema), canal oficial de comunicação de acidentes, que durante a circulação de fluido de perfuração do poço (fluido de perfuração de base não aquosa) foi observado o indício de perda e, após inspeção, foi constatada descarga do fluido para o mar.
De acordo com a Petrobras, as operações foram interrompidas, as linhas afetadas foram isoladas em superfície e a válvula de fundo foi mantida fechada. Consequentemente, a descarga foi paralisada. As causas estão em apuração na área competente do Ibama, que acompanha o caso.
Trump diz que Venezuela usará receita do petróleo para comprar exclusivamente produtos dos EUA

Trump quer até 50 milhões de barris de petróleo da Venezuela
O presidente Donald Trump afirmou nesta quarta-feira (7) que a Venezuela concordou em usar a receita obtida com a venda de petróleo para comprar exclusivamente produtos fabricados nos Estados Unidos.
Em uma publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que as compras incluirão produtos agrícolas, medicamentos e equipamentos médicos, além de itens para melhorar a rede elétrica e as instalações de energia do país sul-americano.
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"Em outras palavras, a Venezuela está se comprometendo a fazer negócios com os EUA como seu principal parceiro — uma escolha sensata e algo muito positivo para o povo da Venezuela e dos Estados Unidos", acrescentou Trump.
Trump diz que Venezuela comprará produtos americanos com receita do petróleo.
Reprodução/Truth Social
Mais cedo, o Departamento de Energia americano informou que os EUA já começaram a comercializar petróleo venezuelano. De acordo com o órgão, toda a receita da venda será inicialmente depositada em contas controladas pelos EUA em bancos reconhecidos globalmente.
"Contamos com o apoio financeiro das principais empresas de comercialização de commodities e bancos importantes do mundo para viabilizar e concretizar essas vendas de petróleo bruto e derivados" , informou o departamento.
O órgão declarou ainda que os recursos serão depositados em contras controladas pelos EUA para "garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final dos recursos", que serão feitos "em benefício do povo americano e do povo venezuelano, a critério do governo dos EUA".
Nesta quarta-feira, a petroleira estatal venezuelana PDVSA citou avanço nas negociações com os EUA para a venda de petróleo. Segundo a empresa, as partes vêm discutindo termos semelhantes aos que estão em vigor com parceiros estrangeiros, como a petroleira americana Chevron.
As vendas, de acordo com o Departamento de Energia, começam "imediatamente", e continuarão por tempo indeterminado.
Na noite de terça-feira, Donald Trump afirmou que os EUA refinariam e venderiam até 50 milhões de barris de petróleo bruto retidos na Venezuela devido ao bloqueio americano.
Ele também disse ter fechado um acordo com Caracas para exportar até US$ 2 bilhões em petróleo bruto venezuelano para os EUA — movimento que desviaria fornecimentos da China e ajudaria a Venezuela a evitar cortes mais profundos na produção.
Petróleo a preço de mercado
A declaração do republicano ocorreu apenas alguns dias depois de uma ação militar americana na Venezuela que resultou na prisão de Nicolás Maduro. Ao menos 55 militares venezuelanos e cubanos morreram na operação.
Trump disse que o petróleo venezuelano será vendido a preço de mercado. Ele afirmou ainda que será responsável por controlar o dinheiro obtido para garantir que os recursos sejam usados “em benefício do povo da Venezuela e dos EUA”.
“O petróleo será transportado por navios de armazenamento e levado diretamente a terminais de descarga nos Estados Unidos”, afirmou. O total de petróleo que será entregue aos EUA corresponde a cerca de dois meses da produção atual venezuelana.
Na terça-feira (6), a agência Reuters revelou que autoridades da Venezuela e dos EUA já estavam discutindo a exportação de petróleo bruto para os americanos.
Desde dezembro, a Venezuela acumula milhões de barris de petróleo em navios e tanques de armazenamento, sem conseguir exportá-los, devido a um bloqueio imposto por Trump. O embargo fez parte da pressão americana que resultou na queda de Maduro.
Nesta quarta-feira, os EUA apreenderam um petroleiro vazio, de bandeira russa e com ligações à Venezuela, no Oceano Atlântico. A apreensão é parte da estratégia de Trump para controlar o fluxo de petróleo nas Américas e forçar o governo socialista da Venezuela a tornar-se um aliado.
Por que o petróleo da Venezuela é tão importante para os EUA
Interesse dos EUA
No sábado, logo após a prisão de Maduro, Trump afirmou que pretende abrir o setor petrolífero da Venezuela para a atuação de grandes companhias dos EUA.
“Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começar a gerar lucro para o país”, declarou.
As refinarias americanas na Costa do Golfo conseguem processar os tipos pesados de petróleo da Venezuela. Antes das primeiras sanções impostas por Washington, as companhias importavam cerca de 500 mil barris por dia.
Apesar de ter as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela produz pouco atualmente — cerca de 1 milhão de barris por dia — devido às sanções e a problemas de infraestrutura.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou nesta quarta-feira que o governo americano pretende fazer uma reunião com executivos do setor petrolífero ainda nesta semana para tratar sobre o tema.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 29 de dezembro de 2025
REUTERS/Jonathan Ernst
* Com informações na agência de notícias Reuters
Petroleira americana negocia com governo Trump ampliação de licença na Venezuela, diz agência

EUA: Chevron pode atuar na Venezuela; ação flexibiliza sanções impostas pelos americanos
A petroleira americana Chevron negocia com o governo dos Estados Unidos a ampliação de uma licença já em vigor que lhe permite operar na Venezuela, informou a Reuters nesta quarta-feira (7), citando quatro fontes próximas às tratativas.
Caso a licença seja expandida, a empresa poderá aumentar as exportações de petróleo bruto para suas próprias refinarias e também vender o produto a outros compradores, ampliando sua atuação comercial no país.
📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça
As conversas ocorrem enquanto Washington e Caracas avançam nas negociações para fornecer até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano aos EUA, em meio à pressão do presidente Donald Trump para que empresas americanas invistam no setor de energia do país sul-americano.
A Chevron é a única grande petroleira dos EUA em operação na Venezuela, atuando com base em uma autorização do governo americano que a isenta das sanções impostas ao país.
O governo Trump também pressiona para que outras empresas dos EUA participem das exportações de petróleo da Venezuela, segundo três fontes do setor ouvidas pela Reuters.
Interesse dos EUA
No sábado (3), logo após a prisão de Nicolás Maduro por forças americanas, o presidente Donald Trump afirmou que pretende abrir o setor petrolífero da Venezuela à atuação de grandes companhias dos EUA.
“Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera que está em péssimo estado e começar a gerar lucro para o país", declarou.
As refinarias americanas na Costa do Golfo conseguem processar os tipos pesados de petróleo da Venezuela. Antes das primeiras sanções impostas por Washington, as companhias importavam cerca de 500 mil barris por dia.
Apesar de ter as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela produz pouco atualmente, cerca de 1 milhão de barris por dia, devido às sanções e a problemas de infraestrutura.
De acordo com Arne Lohmann Rasmussen, analista da consultoria Global Risk Management, aumentar essa produção, como pretende Trump, não será um processo rápido, pois exige investimentos elevados e pode levar anos.
A dimensão do mercado de petróleo da Venezuela
A Venezuela concentra a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com capacidade estimada em cerca de 303 bilhões de barris, segundo a Energy Information Administration (EIA), órgão oficial de estatísticas energéticas dos Estados Unidos.
Esse volume coloca o país à frente de grandes produtores como Arábia Saudita (267 bilhões de barris) e Irã (209 bilhões). Boa parte do petróleo venezuelano, porém, é extrapesada, exigindo tecnologia avançada e investimentos elevados para sua extração.
🔎 Na prática, o potencial é enorme, mas segue subaproveitado devido à infraestrutura precária e às sanções internacionais que restringem operações e acesso a capital.
Segundo a Statistical Review of World Energy, publicação anual do Instituto de Energia (EI), a produção de petróleo da Venezuela despencou nas últimas décadas, de um pico de 3,7 milhões de barris por dia em 1970 para um mínimo de 665 mil barris por dia em 2021.
No ano passado, a produção registrou leve recuperação, retornando a cerca de 1 milhão de barris por dia, o que representa menos de 1% da produção global de petróleo.
Logotipo da Chevron no edifício da empresa em Houston, Texas.
Reuters
Caso Master: relator no TCU vai paralisar inspeção no Banco Central, e presidente diz que não haverá 'desliquidação'
TCU descarta reverter liquidação do Banco Master O ministro Jonathan de Jesus, relator do caso do Banco Master no Tribunal de Contas da União (TCU), decidiu paralisar o pedido de inspeção técnica no Banco Central do Brasil. A informação foi confirmada ao blog por fontes do TCU. Já o presidente da Corte de contas, Vital do Rêgo Filho, afirmou ao blog que retorna a Brasília na próxima segunda feira para participar e coordenar conversas entre o TCU e Banco Central. Ele afirmou que não haverá revisão da decisão que decretou a liquidação do Banco Master, mas defendeu que a corte tem como dever de inspecionar o BC. "A autonomia do BC é fundamental, mas ele não é intocável aos olhos do controle". “Não vai haver desliquidação”, disse. 🔍A decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de autorizar uma inspeção técnica no Banco Central, para analisar os documentos que embasaram a liquidação do Banco Master, abriu uma nova frente de tensão institucional no caso. 🔍A medida, tomada durante o recesso e a pedido de técnicos do próprio tribunal, levou o BC a reforçar a defesa de sua autonomia técnica e reacendeu discussões sobre os limites da atuação do TCU sobre a autoridade monetária, em um momento em que o processo já está sob investigação criminal e sob acompanhamento do Supremo Tribunal Federal. Segundo Vital, ele retorna a Brasília na próxima segunda-feira para conduzir pessoalmente um processo de mediação sobre o caso. O presidente do tribunal afirmou ainda que já está em contato direto com o relator no TCU. Vital também informou que conversou com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e que pretende se reunir com todos eles já na próxima semana para tratar do tema. Vital afirma que o TCU tem o dever legal de inspecionar órgãos federais como o Banco Central e que a Corte pode avaliar as motivações para a liquidação de uma instituição financeira por parte do BC "A autonomia do BC é fundamental, mas o Banco Central não é intocável aos olhos do controle", pontuou. Contexto da inspeção O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU) formalizou, na segunda-feira (5), a decisão que havia autorizado a realização de uma inspeção técnica no Banco Central do Brasil no âmbito do caso do Banco Master. No despacho, ao qual o g1 teve acesso, o ministro destacou que a nota técnica encaminhada pelo Banco Central ao tribunal se limitou a apresentar a cronologia dos fatos e os fundamentos da decisão que resultou na liquidação do banco, com remissões a processos e registros internos. Segundo o documento, porém, não foram enviados os documentos comprobatórios que embasariam as conclusões relatadas. Ou seja, a documentação encaminhada não incluiu provas materiais que permitissem ao TCU verificar, de forma direta, os indícios de fraudes e desvios que sustentaram a decisão do Banco Central de liquidar o Banco Master. A liquidação foi decretada após a Polícia Federal deflagrar, em novembro do ano passado, a operação Compliance Zero, que resultou na prisão do dono do banco, Daniel Vorcaro. Ele é investigado por fraude financeira e pela suposta venda de títulos de crédito falsos. Pela decisão original, a inspeção técnica deveria analisar, entre outros pontos, a evolução dos alertas emitidos pelo Banco Central, as medidas de supervisão adotadas diante da deterioração da instituição, o tratamento dado às alternativas de mercado e a avaliação da hipótese de uma chamada “saída organizada” antes da liquidação. Segundo informações do blog do Valdo Cruz, no g1, a inspeção foi solicitada por técnicos do próprio TCU, que pretendiam ter acesso aos documentos usados para elaborar o relatório encaminhado ao tribunal sobre o histórico do Banco Master — desde a fiscalização dos problemas econômicos e a identificação de fraudes até as negociações de venda e a decretação da liquidação. Como esses documentos não foram anexados ao relatório por estarem protegidos por sigilo, os técnicos solicitaram autorização para analisá-los dentro das dependências do Banco Central, sem retirada do material da autarquia. No despacho, o presidente do TCU afirmou que não há dúvida quanto à competência do tribunal para fiscalizar o Banco Central. Segundo ele, os artigos 70 e 71 da Constituição atribuem ao TCU o controle externo da administração pública federal direta e indireta, incluindo a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial de autarquias como o BC.
Para conquistar apoio do agro ao acordo UE-Mercosul, bloco europeu diz que vai reduzir tarifas de fertilizantes

Bandeiras da União Europeia tremulam em frente à sede da Comissão Europeia, em Bruxelas.
REUTERS/Yves Herman
Para conquistar assinaturas pró acordo União Europeia e Mercosul, a Comissão Europeia anunciou nesta quarta-feira (7) que vai reduzir tarifas de importação de certos fertilizantes e vai impulsionar uma lei que pode permitir suspensões temporárias da taxa de carbono nas fronteiras da UE.
As concessões fazem parte de uma tentativa da Comissão, apoiada por países como Alemanha e Espanha, de obter a maioria dos 15 membros da UE para autorizar a assinatura do acordo com o Mercosul, possivelmente na próxima semana.
Isso porque alguns produtores rurais europeus temem que a entrada de produtos do bloco sul-americano, como carne e açúcar, a preços mais baixos prejudique seus negócios.
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Por que o acordo União Europeia-Mercosul é alvo de tanta disputa no agro?
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Mesmo com essa autorização, o texto ainda precisará ser aprovado pelo Parlamento Europeu para começar a valer.
O comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic, afirmou que a UE pretende zerar as tarifas padrão de 6,5% sobre a ureia e de 5,5% sobre a amônia.
Segundo ele, a Comissão também vai incentivar os parlamentares a aprovar uma lei que permita isenções temporárias da taxa de carbono aplicada às importações.
Mais cedo, França e Itália pediram que os fertilizantes fossem excluídos dessa taxa.
O mecanismo, que entrou em vigor em 1º de janeiro, cobra pelo CO₂ emitido na produção de itens como aço e fertilizantes importados, para evitar concorrência considerada desleal com produtos fabricados na Europa.
Defensores do acordo com o Mercosul, que levou cerca de 25 anos para ser negociado, afirmam que ele é essencial para ampliar exportações europeias afetadas por tarifas dos Estados Unidos e para reduzir a dependência da China, especialmente no acesso a minerais estratégicos.
Nesta quarta-feira, comissários europeus das áreas de agricultura, comércio e saúde se reuniram com ministros do bloco para tentar acalmar preocupações sobre o futuro dos agricultores.
Entre os temas discutidos estão o financiamento ao setor e a revisão de regras de importação, como os limites de resíduos de pesticidas.
França e Itália barraram acordo em dezembro
França e Itália, os dois maiores produtores agrícolas da UE, impediram a assinatura do acordo em dezembro.
Os países afirmam que só apoiarão o texto após garantias contra uma possível entrada em grande escala de produtos do Mercosul, como carne bovina e açúcar.
Na terça-feira, a Comissão Europeia sinalizou ter avançado nas negociações com a Itália ao propor a antecipação de um pacote de ajuda de 45 bilhões de euros para agricultores europeus.
Polônia e Hungria seguem contrárias ao acordo, enquanto a França mantém uma posição crítica. Já a Irlanda, grande produtora e exportadora de carne bovina, indicou que pode apoiar o texto.
O primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, afirmou que o país negocia com governos que compartilham preocupações semelhantes e destacou a importância de salvaguardas contra aumentos repentinos nas importações.
"Ainda há trabalho a ser feito antes das discussões entre os governos sobre este assunto... Temos preocupações com o Mercosul , mas muitos progressos foram feitos nos últimos 12 meses", disse Martin a jornalistas durante uma viagem à China.
A ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, afirmou que o país não apoia o acordo e defendeu uma avaliação mais ampla do impacto de múltiplos acordos comerciais sobre o setor agrícola europeu.
Toxina que levou a suspensão de fórmulas infantis da Nestlé é resistente ao calor e provoca vômitos; entenda

Produtos Nestlé suspensos.
Nestlé/ Reprodução
A substância que levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a suspender a venda de alguns lotes de fórmulas infantis da Nestlé não é tão conhecida pelo público, mas tem sido amplamente estudada pela ciência. Trata-se da cereulide, uma toxina produzida por determinadas cepas da bactéria Bacillus cereus.
A medida, publicada nesta quarta-feira (7), é preventiva e envolve produtos das marcas Nestogeno, Nan Supreme Pro, Nanlac Supreme Pro, Nanlac Comfor, Nan Sensitive e Alfamino. Segundo a Nestlé, a possível presença da toxina foi identificada em análises de rotina de controle de qualidade, associada a um ingrediente de fornecedor internacional. Até a última atualização desta reportagem, não havia registro de casos de doença relacionados aos lotes afetados.
O que é a Bacillus cereus?
A Bacillus cereus é uma bactéria em forma de bastonete, capaz de formar esporos (estruturas minúsculas e altamente resistentes). Esses esporos sobrevivem a condições extremas, como calor, variações de pH e processos industriais comuns, incluindo pasteurização.
Algumas cepas da bactéria produzem a cereulide, um pequeno peptídeo (cadeia curta de aminoácido) cíclico altamente tóxico. De acordo com revisões médicas publicadas no StatPearls/NCBI, essa toxina é termoestável, ou seja, não é destruída pelo aquecimento e resiste às enzimas digestivas.
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Como ocorre a contaminação?
Segundo a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), a infecção em humanos ocorre principalmente pela ingestão de alimentos contaminados, como arroz, massas, vegetais, leite e especiarias.
A contaminação é favorecida pela capacidade dos esporos de sobreviver ao processamento térmico. Quando os alimentos não são resfriados adequadamente ou ficam armazenados em temperaturas acima do recomendado (entre 4 °C e 7 °C), os esporos podem germinar e a bactéria se multiplicar até níveis perigosos.
A EFSA destaca que não existem métodos usuais na indústria capazes de inativar a cereulide depois que ela é formada.
Tipos de intoxicação
A Bacillus cereus é um agente reconhecido de intoxicação alimentar e pode causar dois quadros distintos:
Síndrome diarreica: provocada por uma toxina termolábil, sensível ao calor, que causa diarreia e dor abdominal.
Síndrome emética (vômitos): causada pela cereulide, termoestável, responsável por náuseas intensas e vômitos de início rápido.
Além da intoxicação alimentar, a bactéria pode atuar como patógeno oportunista e causar infecções graves em pessoas imunocomprometidas, como septicemia (infecção generalizada grave), meningite (inflamação das meninges), abscessos pulmonares (cavidade no pulmão cheia de pus) e endocardite (inflamação ou infecção do endocárdio, camada interna do coração).
De acordo com o StatPearls, os sintomas da síndrome emética surgem entre 30 minutos e 6 horas após o consumo do alimento contaminado e incluem náusea intensa, vômitos persistentes e, em alguns casos, diarreia. Em geral, os quadros se resolvem em até 24 horas, mas há registros raros de falência hepática grave associada à cereulide, inclusive em pessoas previamente saudáveis.
Em bebês, o risco é maior porque o organismo ainda está em desenvolvimento, com menor capacidade de metabolizar toxinas.
Por que a Anvisa agiu sem casos confirmados?
A Anvisa determinou a suspensão da venda porque, uma vez presente no produto, a cereulide não pode ser neutralizada no preparo doméstico, como fervura ou aquecimento. O órgão considerou o risco potencial grave, especialmente para lactentes, e adotou uma abordagem preventiva.
A Nestlé informou que está recolhendo voluntariamente os lotes afetados e oferecendo devolução gratuita e reembolso integral, além de reforçar que não houve registro de reações adversas até o momento.
O que pais e responsáveis devem fazer
Verificar o número do lote no rótulo das fórmulas listadas pela Anvisa;
Não oferecer o produto à criança caso ele esteja entre os lotes recolhidos;
Entrar em contato com o SAC da Nestlé para devolução e reembolso;
Procurar atendimento médico imediato se a criança apresentar vômitos persistentes, diarreia ou sonolência excessiva, levando a embalagem do produto ao consultório.
Embora a maioria das contaminações por Bacillus cereus provoque quadros leves, a presença da cereulide em fórmulas infantis é considerada crítica pelo potencial de gravidade e pela impossibilidade de eliminação da toxina no preparo em casa, o que explica a resposta rápida das autoridades sanitárias.
*Estagiária sob supervisão de Ardilhes Moreira
Petroleira venezuelana PDVSA diz que há avanço em negociações com os EUA para exportação

Como ficará o setor petrolífero na Venezuela?
A estatal petrolífera venezuelana PDVSA afirmou nesta quarta-feira (7) que está avançando nas negociações com os Estados Unidos para a venda de petróleo.
Segundo a empresa, as partes vêm discutindo termos semelhantes aos que estão em vigor com parceiros estrangeiros, como a petroleira americana Chevron.
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“O processo (…) baseia-se estritamente em transações comerciais, sob termos que são legais, transparentes e benéficos para ambas as partes”, disse a empresa em comunicado.
A agência Reuters reportou nesta quarta que um membro do conselho da PDVSA confirmou que apenas a Chevron está exportando atualmente o petróleo bruto venezuelano. “Não devemos nada aos EUA”, afirmou ele.
"Se os EUA quiserem o fornecimento de petróleo da Venezuela, terão de pagar pelas cargas a preços internacionais", acrescentou a fonte.
Vendas pelos EUA
Os Estados Unidos já começaram a comercializar petróleo venezuelano, informou o Departamento de Energia americano nesta quarta-feira (7).
De acordo com o órgão, toda a receita da venda será inicialmente depositada em contas controladas pelos EUA em bancos reconhecidos globalmente.
"Contamos com o apoio financeiro das principais empresas de comercialização de commodities e bancos importantes do mundo para viabilizar e concretizar essas vendas de petróleo bruto e derivados" , informou o departamento.
O órgão declarou ainda que os recursos serão depositados em contras controladas pelos EUA para "garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final dos recursos", que serão feitos "em benefício do povo americano e do povo venezuelano, a critério do governo dos EUA".
Na terça-feira (6), o presidente Donald Trump, afirmou que os EUA refinariam e venderiam até 50 milhões de barris de petróleo bruto retidos na Venezuela devido ao bloqueio americano.
As vendas, de acordo com o Departamento de Energia, começam "imediatamente", e continuarão por tempo indeterminado.
Plataforma de perfuração em um poço de petróleo da PDVSA em Orinoco, perto de Cabrutica, Anzoátegui
Reuters
Petróleo a preço de mercado
A declaração ocorre apenas alguns dias depois de uma ação militar americana na Venezuela que resultou no sequestro do ditador Nicolás Maduro. Ao menos 55 militares venezuelanos e cubanos morreram na operação.
Trump disse que o petróleo venezuelano será vendido a preço de mercado. Ele afirmou ainda que será responsável por controlar o dinheiro obtido para garantir que os recursos sejam usados “em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos”.
“O petróleo será transportado por navios de armazenamento e levado diretamente a terminais de descarga nos Estados Unidos”, afirmou.
O total de petróleo que será entregue aos EUA corresponde a cerca de dois meses da produção atual venezuelana.
Na terça-feira (6), a agência Reuters revelou que autoridades da Venezuela e dos EUA já estavam discutindo a exportação de petróleo bruto para os americanos.
Desde dezembro, a Venezuela acumula milhões de barris de petróleo em navios e tanques de armazenamento, sem conseguir exportá-los, devido a um bloqueio imposto por Trump. O embargo fez parte da pressão americana que resultou na queda de Maduro.
Nesta quarta-feira, os EUA apreenderam um petroleiro vazio, de bandeira russa e com ligações à Venezuela, no Oceano Atlântico. A apreensão é parte da estratégia de Trump para controlar o fluxo de petróleo nas Américas e forçar o governo socialista da Venezuela a tornar-se um aliado.
Por que o petróleo da Venezuela é tão importante para os EUA
Trump quer até 50 milhões de barris de petróleo da Venezuela
Interesse dos EUA
No sábado, logo após a prisão de Maduro, Trump afirmou que pretende abrir o setor petrolífero da Venezuela para a atuação de grandes companhias dos EUA.
“Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começar a gerar lucro para o país”, declarou.
As refinarias americanas na Costa do Golfo conseguem processar os tipos pesados de petróleo da Venezuela. Antes das primeiras sanções impostas por Washington, as companhias importavam cerca de 500 mil barris por dia.
Apesar de ter as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela produz pouco atualmente — cerca de 1 milhão de barris por dia — devido às sanções e a problemas de infraestrutura.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou nesta quarta-feira que o governo americano pretende fazer uma reunião com executivos do setor petrolífero ainda nesta semana para tratar sobre o tema.
Brasil bate recorde nas exportações de carne bovina em 2025 mesmo com tarifaço dos EUA

Brasil bate recorde nas exportações de carne bovina em 2025 mesmo com tarifaço dos EUA
Emerson Vieira/Unplash
O Brasil bateu recorde nas exportações de carne bovina em 2025 mesmo com o tarifaço temporário imposto pelos Estados Unidos.
No ano, foram 3,50 milhões de toneladas, alta de 20,9% em relação a 2024. O volume exportado movimentou US$ 18,03 bilhões, cerca de 40,1% a mais do que o faturado no ano anterior.
Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
O Brasil é o maior exportador de carnes do mundo. Em 2025, o país também se tornou o maior produtor mundial da proteína, ultrapassando os Estados Unidos, segundo o Departamento de Agricultura norte-americano (USDA).
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A carne bovina in natura respondeu pela maior parte das exportações, com 3,09 milhões de toneladas, crescimento de 21,4% na comparação anual, e receita de US$ 16,61 bilhões.
Somadas todas as categorias: in natura, industrializadas, miúdos, tripas, gorduras e salgadas, os embarques brasileiros alcançaram mais de 170 países, ampliando a presença internacional do setor e diversificando destinos.
A China foi o principal destino da carne bovina brasileira em 2025, respondendo por 48% do volume total exportado, com 1,68 milhão de toneladas, que somaram US$ 8,90 bilhões.
Em seguida, destacaram-se os Estados Unidos, com 271,8 mil toneladas e US$ 1,64 bilhão. Na sequência, vêm o Chile (136,3 mil toneladas; US$ 754,5 milhões), a União Europeia (128,9 mil toneladas; US$ 1,06 bilhão), a Rússia (126,4 mil toneladas; US$ 537,1 milhões) e o México (118,0 mil toneladas; US$ 645,4 milhões).
Na comparação com 2024, houve crescimento em volume na maior parte dos principais destinos. As exportações para a China avançaram 22,8% no acumulado do ano, enquanto os Estados Unidos registraram alta de 18,3%.
A União Europeia apresentou crescimento de 132,8%, e o Chile, de 29,8%. Também se destacaram os aumentos para a Argélia (+292,6%), o Egito (+222,5%) e os Emirados Árabes Unidos (+176,1%).
Segundo o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, o desempenho de 2025 demonstra a "resiliência e a maturidade do setor";
“O desempenho de 2025 foi extraordinário. Depois de um 2024 muito positivo, conseguimos ampliar volume, valor e presença internacional. Mesmo com impactos temporários, como o tarifaço dos Estados Unidos, a indústria respondeu com rapidez, mostrou resiliência e saiu ainda mais fortalecida", afirmou Perosa.
Para 2026, a avaliação da Associação é de otimismo com realismo, com expectativa de estabilidade em patamar elevado após dois anos consecutivos de forte crescimento e ambiente favorável ao avanço em mercados estratégicos.
“Entramos em 2026 com negociações ativas e perspectiva concreta de avançar em mercados como Japão, Coreia do Sul e Turquia, que têm alto potencial e vêm sendo trabalhados de forma técnica e contínua, em parceria entre o setor privado e o governo”, conclui Perosa.
Dinheiro da venda de petróleo venezuelano será mantido em contas bancárias dos EUA

Os Estados Unidos começaram a comercializar petróleo venezuelano e, segundo informou o Departamento de Energia americano nesta quarta-feira (7), toda a receita da venda será inicialmente depositada em contas controladas pelos EUA em bancos reconhecidos globalmente.
"Contamos com o apoio financeiro das principais empresas de comercialização de commodities e bancos importantes do mundo para viabilizar e concretizar essas vendas de petróleo bruto e derivados" , informou o departamento.
Segundo o órgão, os recursos serão depositados em contras controladas pelos EUA para "garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final dos recursos", que serão feitos "em benefício do povo americano e do povo venezuelano, a critério do governo dos EUA".
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Na terça-feira (6), o presidente Donald Trump, afirmou que os EUA refinariam e venderiam até 50 milhões de barris de petróleo bruto retidos na Venezuela devido ao bloqueio americano.
As vendas, de acordo com o Departamento de Energia, começam "imediatamente", e continuarão por tempo indeterminado.
A declaração ocorre apenas alguns dias depois de uma ação militar americana na Venezuela que resultou no sequestro do ditador Nicolás Maduro. Ao menos 55 militares venezuelanos e cubanos morreram na operação.
Trump disse que o petróleo venezuelano será vendido a preço de mercado. Ele afirmou ainda que será responsável por controlar o dinheiro obtido para garantir que os recursos sejam usados “em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos”.
“O petróleo será transportado por navios de armazenamento e levado diretamente a terminais de descarga nos Estados Unidos”, afirmou.
O total de petróleo que será entregue aos EUA corresponde a cerca de dois meses da produção atual venezuelana.
Mais cedo, a agência Reuters revelou que autoridades da Venezuela e dos Estados Unidos estão discutindo a exportação de petróleo bruto venezuelano para os americanos.
Desde dezembro, a Venezuela acumula milhões de barris de petróleo em navios e tanques de armazenamento, sem conseguir exportá-los, devido a um bloqueio imposto por Trump. O embargo fez parte da pressão americana que resultou na queda de Maduro.
Nesta quarta-feira, os EUA apreenderam um petroleiro vazio, de bandeira russa e com ligações à Venezuela, no Oceano Atlântico. A apreensão é parte da estratégia de Trump para controlar o fluxo de petróleo nas Américas e forçar o governo socialista da Venezuela a tornar-se um aliado.
Por que o petróleo da Venezuela é tão importante para os EUA
Interesse dos EUA
No sábado, logo após a prisão de Maduro, Trump afirmou que pretende abrir o setor petrolífero da Venezuela para a atuação de grandes companhias dos EUA.
“Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começar a gerar lucro para o país”, declarou.
As refinarias americanas na Costa do Golfo conseguem processar os tipos pesados de petróleo da Venezuela. Antes das primeiras sanções impostas por Washington, as companhias importavam cerca de 500 mil barris por dia.
Apesar de ter as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela produz pouco atualmente — cerca de 1 milhão de barris por dia — devido às sanções e a problemas de infraestrutura.
Segundo a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, informou nesta quarta-feira, o governo americano pretende fazer uma reunião com executivos do setor petrolífero ainda nesta semana para tratar sobre o tema.
O presidente dos EUA, Donald Trump.
REUTERS/Evelyn Hockstein
Os 25 empregos que mais devem crescer em 2026; veja o ranking do LinkedIn

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As profissões ligadas ao uso de tecnologia dominam os empregos que devem crescer no Brasil em 2026. A conclusão é do novo levantamento anual do LinkedIn, divulgado nesta quarta-feira (7), que aponta os 25 cargos com crescimento mais acelerado no país.
A pesquisa mostra que a inteligência artificial já deixou de ser uma tendência restrita à área de tecnologia e passou a influenciar diferentes etapas da carreira, da contratação ao desenvolvimento profissional.
Funções técnicas, estratégicas e operacionais aparecem lado a lado no ranking, refletindo um mercado de trabalho mais complexo e conectado.
Além da tecnologia, áreas como saúde, finanças, logística e gestão seguem relevantes. Em comum, essas funções exigem qualificação técnica, capacidade analítica e adaptação a novas ferramentas.
Confira o ranking:
Engenheiro(a) de Inteligência Artificial
Auxiliar de Enfermagem
Planejador(a) Financeiro(a)
Consultor(a) Regulatório(a)
Geofísico(a)
Engenheiro(a) de Segurança de Processo
Gerente de Sucesso do Cliente
Cientista Agrícola
Analista de Investimentos
Engenheiro(a) de Confiabilidade
Especialista em Dados
Técnico(a) em Microbiologia
Coordenador(a) de Pesquisa Clínica
Gerente de Relações
Gerente de Desenvolvimento de Negócios
Líder de Produção
Auditor(a) Interno(a)
Gerente de Logística
Recrutador(a)
Gerente de Instalações (Facilities)
Gerente de Planejamento Estratégico
Analista de Eficiência Energética
Gerente de Projetos de Marketing
Analista de Operações Logísticas
Analista de Orçamento
Mais da metade das profissões listadas tem relação direta com tecnologia, engenharia, dados ou uso intensivo de ferramentas digitais.
O cargo que lidera o ranking é o de engenheiro(a) de inteligência artificial, função que ganhou espaço com a popularização de grandes modelos de linguagem e soluções baseadas em IA.
Além da IA, crescem cargos ligados à análise de dados, confiabilidade, segurança de processos e eficiência energética. Esses profissionais ajudam empresas a reduzir riscos, otimizar operações e tomar decisões mais precisas.
Outros setores de destaque
O ranking também mostra a força contínua da área da saúde. Funções como auxiliar de enfermagem, técnico em microbiologia e coordenador de pesquisa clínica aparecem entre os cargos em alta.
Segundo o LinkedIn, esse movimento reflete fatores como o envelhecimento da população, a ampliação dos serviços de diagnóstico e o avanço de pesquisas clínicas e farmacêuticas no Brasil.
Outro destaque do levantamento é o crescimento de cargos ligados ao planejamento e à gestão. Estão na lista funções como planejador financeiro, analista de investimentos, gerente de planejamento estratégico e gerente de desenvolvimento de negócios.
Essas posições mostram que as empresas buscam profissionais capazes de analisar cenários, organizar recursos e apoiar decisões de longo prazo, especialmente em ambientes econômicos mais instáveis.
Cargo que lidera o ranking é o de engenheiro(a) de inteligência artificial
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Trabalho flexível avança, mas não é regra
O levantamento indica que o trabalho remoto ou híbrido é mais comum em cargos ligados à tecnologia, dados, marketing e planejamento. Já funções industriais, laboratoriais e operacionais seguem majoritariamente presenciais.
A diferença está ligada à natureza das atividades e à possibilidade de digitalização de cada função.
Abaixo, entenda as funções e o mercado das profissões citadas no ranking:
1. Engenheiro(a) de Inteligência Artificial
O que faz: desenvolve sistemas baseados em IA para análise de dados, reconhecimento de padrões e previsões.
Competências: LLM, LangChain, RAG.
Setores: tecnologia, serviços de TI, consultoria.
Onde há mais vagas: São Paulo, Florianópolis, Recife.
Gênero: 10,58% mulheres; 89,42% homens.
Experiência média: 3,6 anos.
Trabalho flexível: 63,55% remoto; 13,55% híbrido.
2. Auxiliar de Enfermagem
O que faz: presta cuidados básicos ao paciente e apoia procedimentos médicos.
Competências: punção venosa, sinais vitais, coleta de sangue.
Setores: saúde, clínicas e serviços médicos.
Onde há mais vagas: Ribeirão Preto, Brasília, Recife.
Gênero: 87,5% mulheres.
Experiência média: 2,3 anos.
Trabalho flexível: não especificado.
3. Planejador(a) Financeiro(a)
O que faz: ajuda pessoas a organizar investimentos, poupança e aposentadoria.
Competências: planejamento financeiro e gestão patrimonial.
Setores: seguros, mercado financeiro, tecnologia.
Onde há mais vagas: Porto Alegre, São Paulo, Campinas.
Gênero: 30,57% mulheres.
Experiência média: 5 anos.
Trabalho flexível: 37,5% remoto; 12,5% híbrido.
4. Consultor(a) Regulatório(a)
O que faz: orienta empresas sobre normas regulatórias, compliance e exigências legais.
Competências: regulação setorial, compliance, análise de risco.
Setores: saúde, energia, finanças, indústria.
Onde há mais vagas: São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro.
Gênero: 46% mulheres; 54% homens.
Experiência média: 6 anos.
Trabalho flexível: 28% híbrido.
5. Geofísico(a)
O que faz: analisa dados geológicos para exploração de recursos naturais.
Competências: geofísica aplicada, análise sísmica, modelagem.
Setores: energia, mineração, óleo e gás.
Onde há mais vagas: Rio de Janeiro, Macaé, Belo Horizonte.
Gênero: 22% mulheres; 78% homens.
Experiência média: 7 anos.
Trabalho flexível: predominantemente presencial.
6. Engenheiro(a) de Segurança de Processo
O que faz: analisa e implementa medidas para prevenir acidentes e danos ambientais em processos industriais.
Competências: HAZOP, Análise das Camadas de Proteção (LOPA), Modelagem de consequências.
Setores: extração de petróleo e gás, consultoria em gestão, obras de infraestrutura.
Onde há mais vagas: Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador.
Gênero: 53,7% mulheres; 46,3% homens.
Experiência média: 5,6 anos.
Trabalho flexível: 20% remoto; 13,33% híbrido.
7. Gerente de Sucesso do Cliente
O que faz: apoia clientes, resolve problemas e mantém relacionamentos comerciais sólidos.
Competências: B2B, marketing integrado, Salesforce.
Setores: publicidade, serviços de TI, tecnologia.
Onde há mais vagas: São Paulo, Campinas, Curitiba.
Gênero: 61,43% mulheres; 38,57% homens.
Experiência média: 5,6 anos.
Trabalho flexível: 22,22% remoto; 33,33% híbrido.
8. Cientista Agrícola
O que faz: estuda plantas, animais e técnicas agrícolas para melhorar produção e uso de recursos.
Competências: agronomia, agricultura sustentável, melhoramento vegetal.
Setores: agricultura, educação superior, fabricação de máquinas e equipamentos.
Onde há mais vagas: São Paulo, Ribeirão Preto, Goiânia.
Gênero: 39,34% mulheres; 60,66% homens.
Experiência média: 2,4 anos.
Trabalho flexível: 2,74% remoto; 10,05% híbrido.
9. Analista de Investimentos
O que faz: avalia riscos e oportunidades para decisões de investimento.
Competências: pesquisa de capital, derivativos de ações, assessoria financeira.
Setores: mercados de capital, imobiliário, tecnologia.
Onde há mais vagas: Curitiba, São Paulo, Porto Alegre.
Gênero: 30,55% mulheres; 69,45% homens.
Experiência média: 4,6 anos.
Trabalho flexível: 18,75% remoto; 31,25% híbrido.
10. Engenheiro(a) de Confiabilidade
O que faz: analisa riscos de falhas em usinas e plantas industriais e propõe melhorias.
Competências: manutenção centrada em confiabilidade, manutenção preditiva, análise de falhas.
Setores: mineração, petróleo e gás, consultoria em gestão.
Onde há mais vagas: São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro.
Gênero: 16,81% mulheres; 83,19% homens.
Experiência média: 6,2 anos.
Trabalho flexível: 18,37% remoto; 18,37% híbrido.
11. Especialista em Dados
O que faz: coleta, organiza e atualiza bases de dados para análises e relatórios.
Competências: ETL, agregação de dados, DAX.
Setores: serviços de TI, consultoria em gestão, tecnologia.
Onde há mais vagas: São Paulo, Belo Horizonte, Recife.
Gênero: 29,66% mulheres; 70,34% homens.
Experiência média: 2,2 anos.
Trabalho flexível: 48,08% remoto; 19,23% híbrido.
12. Técnico(a) em Microbiologia
O que faz: realiza testes laboratoriais para identificar microrganismos.
Competências: microbiologia de alimentos, boas práticas de laboratório, microbiologia farmacêutica.
Setores: química, alimentos e bebidas, pesquisa científica.
Onde há mais vagas: Campinas, São Paulo, Curitiba.
Gênero: 77,78% mulheres; 22,22% homens.
Experiência média: 2,8 anos.
Trabalho flexível: 0% remoto; 57,14% híbrido.
13. Coordenador(a) de Pesquisa Clínica
O que faz: conduz estudos clínicos, coordena participantes e coleta dados.
Competências: REDCap, boas práticas clínicas, ensaios clínicos.
Setores: pesquisa científica, educação superior, recreação.
Onde há mais vagas: São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro.
Gênero: 79,31% mulheres; 20,69% homens.
Experiência média: 2,3 anos.
Trabalho flexível: 16,67% remoto; 16,67% híbrido.
14. Gerente de Relações
O que faz: mantém relacionamento com parceiros, investidores e comunidades.
Competências: serviços bancários comerciais, gestão de portfólio, crédito.
Setores: consultoria, mídia e telecom, intermediação não-monetária.
Onde há mais vagas: São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba.
Gênero: 30,97% mulheres; 69,03% homens.
Experiência média: 6,8 anos.
Trabalho flexível: 16,67% remoto; 20,83% híbrido.
15. Gerente de Desenvolvimento de Negócios
O que faz: identifica clientes e coordena estratégias para novas oportunidades.
Competências: geração de leads, B2B, prospecção de negócios.
Setores: tecnologia, consultoria, publicidade.
Onde há mais vagas: São Paulo, Belo Horizonte, Campinas.
Gênero: 43,73% mulheres; 56,27% homens.
Experiência média: 6,7 anos.
Trabalho flexível: 0% remoto; 50% híbrido.
16. Líder de Produção
O que faz: supervisiona atividades de produção garantindo eficiência e segurança.
Competências: manufatura enxuta, engenharia de produção, SOLIDWORKS.
Setores: fabricação de máquinas e equipamentos, tecnologia.
Onde há mais vagas: Campinas, São Paulo, Curitiba.
Gênero: 32,94% mulheres; 67,06% homens.
Experiência média: 5,4 anos.
Trabalho flexível: 1,69% remoto; 13,56% híbrido.
17. Auditor(a) Interno(a)
O que faz: revisa registros financeiros e processos internos para verificar conformidade.
Competências: auditoria interna, relatórios, análise de demonstrações financeiras.
Setores: serviços de TI, consultoria, lazer.
Onde há mais vagas: São Paulo, Goiânia, Curitiba.
Gênero: 50% mulheres; 50% homens.
Experiência média: 4,3 anos.
Trabalho flexível: 5,45% remoto; 43,64% híbrido.
18. Gerente de Logística
O que faz: supervisiona fluxo de mercadorias, compras, armazenagem e entrega.
Competências: WMS, otimização da cadeia de fornecimento, 3PL.
Setores: tecnologia, alimentos e bebidas, química.
Onde há mais vagas: São Paulo, Campinas, Curitiba.
Gênero: 17,31% mulheres; 82,69% homens.
Experiência média: 7,5 anos.
Trabalho flexível: 0% remoto; 8,33% híbrido.
19. Recrutador(a)
O que faz: conduz processos de recrutamento e planejamento de equipe.
Competências: triagem de currículos, entrevistas, recrutamento.
Setores: consultoria, recrutamento e seleção, serviços de apoio.
Onde há mais vagas: São Paulo, Curitiba, Campinas.
Gênero: 84,69% mulheres; 15,31% homens.
Experiência média: 2,4 anos.
Trabalho flexível: 9,38% remoto; 29,69% híbrido.
20. Gerente de Instalações (Facilities)
O que faz: gerencia operação de escritórios, manutenção, segurança e serviços.
Competências: gestão de manutenção, manutenção preventiva, operações de instalações.
Setores: mineração, agricultura, serviços de alimentação.
Onde há mais vagas: São Paulo, Campinas, Belo Horizonte.
Gênero: 5,37% mulheres; 94,63% homens.
Experiência média: 8 anos.
Trabalho flexível: 4,85% remoto; 18,94% híbrido.
21. Gerente de Planejamento Estratégico
O que faz: analisa desempenho do negócio e condições de mercado para definir metas.
Competências: estratégia digital, branding, fusões e aquisições.
Setores: publicidade, consultoria, tecnologia.
Onde há mais vagas: São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro.
Gênero: 41,26% mulheres; 58,74% homens.
Experiência média: 6,8 anos.
Trabalho flexível: 3,25% remoto; 41,87% híbrido.
22. Analista de Eficiência Energética
O que faz: analisa consumo de energia e propõe projetos de eficiência e energia renovável.
Competências: gestão de energia, eficiência energética, energia renovável.
Setores: geração de energia, petróleo e gás, consultoria.
Onde há mais vagas: São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis.
Gênero: 36,71% mulheres; 63,29% homens.
Experiência média: 3,6 anos.
Trabalho flexível: 3,33% remoto; 40% híbrido.
23. Gerente de Projetos de Marketing
O que faz: planeja, lidera e executa projetos de marketing garantindo prazo e orçamento.
Competências: marketing digital, marketing B2B, e-mail marketing.
Setores: publicidade, consultoria, tecnologia.
Onde há mais vagas: São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro.
Gênero: 66,67% mulheres; 33,33% homens.
Experiência média: 4,6 anos.
Trabalho flexível: 37,5% remoto; 31,25% híbrido.
24. Analista de Operações Logísticas
O que faz: analisa transporte, armazenamento e gestão de mercadorias para reduzir atrasos e custos.
Competências: 3PL, otimização da cadeia, gestão de transportes.
Setores: consultoria, petróleo e gás, transporte rodoviário.
Onde há mais vagas: São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre.
Gênero: 16,18% mulheres; 83,82% homens.
Experiência média: 7,3 anos.
Trabalho flexível: 0% remoto; 37,5% híbrido.
25. Analista de Orçamento
O que faz: acompanha e revisa orçamento da empresa, analisando desvios e uso de recursos.
Competências: elaboração de orçamentos, medições de obra, planejamento financeiro.
Setores: infraestrutura, engenharia, fabricação de máquinas.
Onde há mais vagas: São Paulo, Belo Horizonte, Campinas.
Gênero: 50% mulheres; 50% homens.
Experiência média: 4 anos.
Trabalho flexível: 4,23% remoto; 32,39% híbrido.
Como o ranking foi elaborado
A lista “Empregos em alta” foi criada a partir de dados do Gráfico Econômico do LinkedIn, que analisou milhões de vagas ocupadas por usuários da plataforma entre 1º de janeiro de 2023 e 31 de julho de 2025.
Para entrar no ranking, os cargos precisaram apresentar crescimento consistente na base de usuários, contar com um número relevante de anúncios de vagas no último ano e registrar aumento significativo até 2025.
Foram excluídos estágios, trabalhos voluntários, funções temporárias e cargos concentrados em poucas empresas. Funções semelhantes, com diferentes níveis de senioridade, foram agrupadas.
A classificação foi desenvolvida pelas cientistas de dados do LinkedIn Alejandra Budar e Marcela Leviz, em colaboração com os editores Ana Prado e Fabio Manzano, da equipe do LinkedIn Notícias.
EUA devem controlar vendas de petróleo da Venezuela por tempo indeterminado, diz jornal

Trump afirma que Venezuela vai entregar até 50 milhões de barris de petróleo aos EUA
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou que o país pretende manter um controle significativo sobre a indústria petrolífera da Venezuela, incluindo a supervisão da venda da produção “indefinidamente”, informou o "The New York Times" nesta quarta-feira (7).
“Daqui para frente, venderemos a produção proveniente da Venezuela para o mercado”, disse Wright durante uma conferência de energia do Goldman Sachs, realizada perto de Miami.
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As declarações ocorrem após o presidente Donald Trump ter afirmado, na noite de terça-feira, que a Venezuela entregaria em breve dezenas de milhões de barris de petróleo aos EUA.
Segundo o republicano, o país sul-americano enviaria entre 30 milhões e 50 milhões de barris aos EUA — o equivalente a até dois meses de produção diária — e os lucros dessas vendas seriam controlados pelo governo americano, conforme publicação nas redes sociais.
🔎 A Venezuela concentra a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com capacidade estimada em cerca de 303 bilhões de barris, segundo a Energy Information Administration (EIA). Esse volume coloca o país à frente de grandes produtores como a Arábia Saudita (267 bilhões de barris) e o Irã (209 bilhões).
Conversas e colaborações
Ainda de acordo com o "The New York TImes", Wright disse que o governo Trump mantém um “diálogo ativo” com a liderança venezuelana e com grandes companhias petrolíferas americanas que atuam no país.
O secretário também corroborou estimativas externas segundo as quais a Venezuela poderia elevar a produção de petróleo em várias centenas de milhares de barris por dia em um curto período.
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Ele ponderou, no entanto, que aumentos mais expressivos acima dos níveis atuais, em torno de 1 milhão de barris diários (veja no gráfico abaixo), exigiriam mais tempo, mesmo com eventual disposição das companhias internacionais em ampliar investimentos.
“Para voltar aos níveis históricos de produção, são necessários dezenas de bilhões de dólares e um tempo considerável”, afirmou Wright. “Mas por que não?”
Interesse dos EUA
No sábado, logo após a prisão de Maduro, Trump afirmou que pretende abrir o setor petrolífero da Venezuela para a atuação de grandes companhias dos EUA.
“Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começar a gerar lucro para o país”, declarou.
As refinarias americanas na Costa do Golfo conseguem processar os tipos pesados de petróleo da Venezuela. Antes das primeiras sanções impostas por Washington, as companhias importavam cerca de 500 mil barris por dia.
Apesar de ter as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela produz pouco atualmente — cerca de 1 milhão de barris por dia — devido às sanções e a problemas de infraestrutura.
Segundo Arne Lohmann Rasmussen, analista da consultoria Global Risk Management, aumentar essa produção, como pretende Trump, não será um processo rápido, pois exige investimentos elevados e pode levar anos.
Equipamentos com logo da PDVSA, empresa estatal venezuelana de produção de petróleo, em imagem registrada em Lagunillas, Venezuela.
Isaac Urrutia/Reuters/Foto de arquivo
Brasil bate recorde nas exportações de carne suína em 2025

Imagem de arroz com carne de porco. Brasil bateu recorde nas exportações de carne suína em 2025
onolicioushawaii
As exportações brasileiras de carne suína bateram recorde em 2025, mostram dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), divulgado nesta quarta-feira (7).
No ano, as vendas de carne de porco para outros países totalizaram 1,510 milhão de toneladas, volume 11,6% superior ao registrado em 2024, com 1,352 milhão de toneladas.
Com isto, o Brasil deverá superar o Canadá, assumindo o terceiro lugar entre os maiores exportadores mundiais de carne suína.
O resultado anual foi influenciado positivamente pelo bom desempenho registrado no mês de dezembro, com os embarques de 137,8 mil toneladas de carne suína, volume 25,8% superior ao registrado em dezembro de 2024, quando os embarques somaram 109,5 mil toneladas.
Em receita, as exportações brasileiras de carne suína totalizaram US$ 3,619 bilhões em 2025, número 19,3% maior em relação ao obtido em 2024, com US$ 3,033 bilhões.
Apenas em dezembro, a receita somou US$ 324,5 milhões, avanço de 25,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, com US$ 258,4 milhões.
Principal destino da carne suína brasileira em 2025, as Filipinas importaram 392,9 mil toneladas, crescimento de 54,5% em relação a 2024.
Em seguida aparecem China, com 159,2 mil toneladas (-33%), Chile, com 118,6 mil toneladas (+4,9%), Japão, com 114,4 mil toneladas (+22,4%), e Hong Kong, com 110,9 mil toneladas (+3,7%).
Exportações brasileiras de carne suína
g1/Kayan Albertin
“Houve uma mudança significativa no tabuleiro dos destinos de exportação. As Filipinas se consolidaram como maior importadora da carne suína do Brasil, e outros mercados, como Japão e Chile, assumiram protagonismo entre os cinco maiores importadores", ressalta o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
Isso demonstra a efetividade do processo de diversificação dos destinos da carne suína brasileira, o que reduz riscos, amplia oportunidades e reforça a presença do Brasil no mercado internacional, dando sustentação às expectativas positivas para este ano”, ressalta o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
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Anvisa proíbe venda de fórmulas infantis da Nestlé por risco de contaminação por bactéria

Produtos Nestlé suspensos
Nestlé/Reprodução
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a comercialização, a distribuição e o uso de alguns lotes de fórmulas infantis das marcas Nestogeno, Nan Supreme Pro, Nanlac Supreme Pro, Nanlac Comfor, Nan Sensitive e Alfamino, fabricadas pela Nestlé Brasil. A decisão consta da Resolução nº 32/2026, publicada nesta quarta-feira (7), e tem caráter preventivo.
Segundo a Anvisa, a medida foi adotada após a identificação do risco de contaminação por cereulide, uma toxina produzida pela bactéria Bacillus cereus. O aviso sobre o risco foi feito à agência pela Nestlé, que começou a recolher os lotes de forma voluntária.
A ingestão de alimentos contaminados pode provocar vômitos persistentes, diarreia e letargia —caracterizada por sonolência excessiva, lentidão de movimentos e do raciocínio, além de dificuldade de reação.
Recall global
A Nestlé informou que iniciou recolhimento voluntário dos produtos no Brasil e em outros países. A toxina foi detectada em itens provenientes de uma fábrica na Holanda, associada a um ingrediente fornecido por um fornecedor global de óleos terceirizados, o que levou à decisão de ampliar o recall de forma internacional.
No Brasil, a proibição atinge apenas alguns lotes das marcas citadas. Veja abaixo:
Lotes suspensos.
Anvisa
Lotes suspensos.
Anvisa
Orientações a pais e responsáveis
Verifique o número do lote impresso no rótulo das fórmulas infantis das marcas afetadas.
Não utilize nem ofereça o produto se ele pertencer a um dos lotes recolhidos. Os demais lotes não foram afetados.
Para trocas ou devoluções, procure o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da Nestlé indicado na embalagem.
Se a criança apresentar vômitos, diarreia ou sonolência excessiva após o consumo, procure atendimento médico. Ao buscar assistência, informe o alimento ingerido e, se possível, leve a embalagem.
A íntegra da Resolução nº 32/2026 pode ser consultada no Diário Oficial da União.
Segundo a empresa, consumidores que tiverem produtos dos lotes especificados devem suspender imediatamente seu uso e entrar em contato com a área de Atendimento ao Consumidor para a devolução do item e reembolso integral. Para isso, a empresa disponibiliza os canais falecom@nestle.com.br ou 0800 761 2500, atendimento 24 horas por dia, 7 dias por semana.
Nestlé vai reembolsar consumidores
Em nota, a Nestlé afirma que, até o momento, não há registro de casos confirmados de reações adversas associadas aos produtos incluídos no recall, em nenhuma parte do mundo.
Ainda de acordo com a empresa, os consumidores que possuírem produtos dos lotes afetados devem interromper imediatamente o uso e entrar em contato com o Atendimento ao Consumidor da Nestlé para devolução gratuita e reembolso integral.
"A Nestlé afirma que está atuando em cooperação com as autoridades competentes e reforça que qualidade e segurança dos alimentos são prioridades inegociáveis. Após a identificação da inconformidade, a empresa realizou uma investigação interna, que apontou uma falha em um ingrediente fornecido por um terceiro. O fornecedor foi notificado e os protocolos de controle de qualidade foram reforçados para evitar recorrências."
Anvisa também suspende panetones
Também nesta semana, a Anvisa determinou o recolhimento e a proibição da comercialização, distribuição e consumo de quatro lotes de panetones da marca D'Viez, contaminados por fungos.
Ainda foram suspensos produtos alimentícios que levam cogumelos sem autorização para uso em alimentos no Brasil. As medidas foram publicadas em resolução no Diário Oficial da União.
França limita importações agrícolas em resposta a protestos contra acordo UE-Mercosul

Acordo entre Mercosul e UE abre mercado consumidor gigantesco
A França decretou, nesta quarta-feira (7), a suspensão temporária das importações de certos produtos agrícolas, especialmente sul-americanos, que recebem tratamento com agrotóxicos proibidos na União Europeia.
A medida é vista como uma resposta à indignação dos agricultores franceses em relação ao acordo comercial UE-Mercosul. Ela já havia sido anunciada pelo governo do país no último domingo (4).
Com a iminência da assinatura do tratado, França e UE buscam maneiras de tranquilizar agricultores e pecuaristas, que temem o impacto da chegada de produtos agrícolas do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
Os ministros da Agricultura europeus devem se reunir na tarde desta quarta-feira em Bruxelas para abordar as preocupações do setor agrícola, que realiza protestos na França bloqueando estradas com tratores.
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A suspensão temporária de importações, que entrará em vigor na quinta-feira (8) por um período de um ano, deve receber também a aprovação da Comissão Europeia.
Abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas e até batatas, entre outros, não poderão mais entrar na França se contiverem cinco fungicidas e herbicidas proibidos na Europa e utilizados em frutas, verduras e cereais: mancozeb, tiofanato-metílico, carbendazim, glufosinato e benomil.
Dado o perfil dos produtos, a suspensão afeta "principalmente a América do Sul", embora "não seja um decreto dirigido contra a América do Sul, mas contra qualquer país" que processe frutas e vegetais com essas substâncias, afirmou o Ministério da Agricultura francês no início desta semana.
Os agrotóxicos citados pelo governo da França são liberados no Brasil, mas o g1 perguntou ao Ministério da Agricultura se o país utiliza essas substâncias na produção das frutas que devem ser atingidas. Não houve resposta até a última atualização desta reportagem.
O g1 fez os mesmos questionamentos à Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) e aguarda posicionamento.
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Agricultores despejam esterco e lixo em frente à casa de praia de Macron
O presidente francês Emmanuel Macron participa de cúpula de líderes da União Europeia em Bruxelas, Bélgica, em 18 de dezembro de 2025.
Reuters/Stephanie Lecocq
Pressão de agricultores
Bruxelas tem dez dias para analisar a suspensão estabelecida pela França, que pode ser aplicada antes da decisão final.
"Ao final desse período, a Comissão Europeia poderá optar por não se opor a ela e, portanto, mantê-la em vigor, ou estendê-la ao resto da UE (...) ou opor-se a ela", explicou o ministério.
O decreto, que se aplica a produtos importados de fora da UE, também exige que as empresas do setor alimentício implementem controles para garantir que os produtos importados não contenham as substâncias proibidas em questão.
O governo de Emmanuel Macron está sob pressão do setor agrícola, que recentemente realizou protestos significativos.
Agricultores protestam contra acordo entre União Europeia e Mercosul
Há também pressão política. Se Macron votar a favor do Mercosul, "ele corre o risco de enfrentar uma censura" de seu governo, alertou o líder conservador Bruno Retailleau sobre o acordo, que é rejeitado por todos os partidos.
Mas mesmo com a oposição francesa, a assinatura do tratado poderá ocorrer em 12 de janeiro, caso seja aprovado pela maioria qualificada do Conselho Europeu.
Para tranquilizar o setor, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs na terça-feira um financiamento adicional para os agricultores de cerca de 45 bilhões de euros (283 bilhões de reais), no âmbito de sua futura Política Agrícola Comum (PAC) 2028-2034.
Os agricultores europeus temem o impacto de uma entrada maciça de carne, arroz, mel e soja sul-americanos na Europa, considerados mais competitivos devido às suas normas de produção, em troca da exportação de veículos e máquinas europeias para o Mercosul.
EUA tentam apreender navio petroleiro ligado à Venezuela após perseguição no Atlântico

Trump afirma que Venezuela vai entregar até 50 milhões de barris de petróleo aos EUA
Os Estados Unidos tentam apreender um navio petroleiro ligado à Venezuela após uma perseguição que já dura mais de duas semanas pelo oceano Atlântico, segundo uma autoridade norte-americana ouvida pela agência Reuters nesta quarta-feira (7).
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De acordo com essa fonte, a operação ocorre depois que o navio — que inicialmente se chamava Bella-1 — conseguiu escapar de um bloqueio marítimo imposto pelos EUA a petroleiros que estão sob sanções.
Ainda segundo a autoridade, a embarcação também rejeitou tentativas de abordagem feitas pela Guarda Costeira americana.
A apreensão do navio pode elevar as tensões diplomáticas com a Rússia. A operação está sendo conduzida pela Guarda Costeira dos EUA em conjunto com as Forças Armadas do país, afirmou a autoridade, que falou sob condição de anonimato
Navio Nabarima, da estatal venezuelana de petróleo PDVSA, corre o risco de afundar com 1,3 milhão de barris de óleo cru no Golfo de Paria, que separa a Venezuela de Trinidad e Tobago
Divulgação/Fishermen and Friends of the Sea - FFOS
Brasil bate recorde em exportação de frango mesmo com gripe aviária

Exportação de carne de frango do Brasil tem recorde mesmo com gripe aviária
Adagri/ Divulgação
As exportações brasileiras de carne de frango totalizaram 5,324 milhões de toneladas em 2025, alta 0,6% em relação ao total exportado em 2024, estabelecendo novo recorde para o setor em ano marcado pelo primeiro caso de gripe aviária em granja comercial do país.
Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) na terça-feira (6).
O resultado foi consolidado pelos embarques realizados durante o mês de dezembro, que somaram 510,8 mil toneladas de carne de frango, avanço de 13,9% na comparação anual, disse a ABPA.
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"O ano foi marcado pela resiliência do setor e pela superação de um dos maiores desafios da história da avicultura nacional, com o registro de um foco, já superado, de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em aves comerciais", afirmou o presidente da ABPA, Ricardo Santin, em nota.
Os resultados, ainda que um pouco abaixo das projeções anteriores ao foco de aviária no Rio Grande do Sul (em maio), foram obtidos após o país conseguir controlar a doença sem registrar novos surtos em granjas comerciais, o que permitiu a retomada de mercados que impuseram embargos sanitários com alguma celeridade.
A receita total das exportações de 2025 alcançou US$9,790 bilhões, queda de 1,4% em relação ao registrado em 2024, apontou a ABPA.
Principal destino das exportações de carne de frango em 2025, os Emirados Árabes Unidos importaram 479,9 mil toneladas (+5,5% em relação a 2024), seguidos pelo Japão, com 402,9 mil toneladas (-0,9%), Arábia Saudita, com 397,2 mil toneladas (+7,1%), África do Sul, com 336 mil toneladas (+3,3%), e Filipinas, com 264,2 mil toneladas (+12,5%).
A China, que embargou a carne de frango do Brasil em boa parte do ano, por conta do foco de gripe aviária, perdeu posição de liderança entre os principais destinos. O embargo chinês já foi removido.
"O restabelecimento total dos embarques após os impactos da Influenza Aviária já sinaliza positivamente nos números das exportações. É o caso dos embarques para a União Europeia, que registraram alta de 52% nos volumes exportados em dezembro, e da China, que, em um curto período, já importou 21,2 mil toneladas", disse Santin.
Ele ressaltou que esses são indicadores que projetam "manutenção do cenário positivo para o ano de 2026".
Warner rejeita oferta de US$ 108,4 bilhões da Paramount por considerar negócio arriscado

Conselho da Warner Bros. recomenda que acionistas rejeitem oferta da Paramount
A Warner Bros. Discovery anunciou nesta quarta-feira (7) que seu conselho de administração rejeitou, por unanimidade, a oferta de US$ 108,4 bilhões (cerca de R$ 580 bilhões, na cotação atual) apresentada pela Paramount Skydance para a aquisição do estúdio.
Segundo a empresa, a proposta revisada em 22 de dezembro de 2025 não se enquadra como uma “proposta superior”, nos termos previstos no acordo de fusão firmado com a Netflix no início do mês. Com isso, a Warner recomendou que seus acionistas rejeitem a oferta.
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Após a Netflix anunciar um acordo de US$ 72 bilhões (cerca de R$ 382 bilhões) para comprar os estúdios de TV e cinema e a divisão de streaming da Warner, a Paramount Skydance apresentou uma oferta hostil de US$ 108,4 bilhões para assumir o controle da empresa.
🔎 Uma oferta hostil é uma tentativa de aquisição em que uma empresa tenta comprar outra sem o apoio da diretoria ou do conselho da empresa que está sendo alvo. Em vez de negociar "amigavelmente" com os executivos, quem faz a oferta vai direto aos acionistas, normalmente oferecendo um valor atrativo pelas ações para tentar assumir o controle.
Em dezembro, o cofundador da Oracle, Larry Ellison, entrou na disputa ao oferecer uma garantia pessoal de US$ 40,4 bilhões em financiamento via ações para sustentar a proposta de compra — um compromisso formal para cobrir eventuais lacunas no financiamento da operação.
Ainda assim, a decisão divulgada pela Warner nesta quarta-feira afirma que o conselho reafirmou seu apoio à proposta da Netflix e voltou a recomendar que os acionistas rejeitem a investida da Paramount Skydance.
Em comunicado, o presidente do conselho da Warner Bros. Discovery, Samuel A. Di Piazza Jr., afirmou que a proposta da Paramount oferece valor insuficiente e envolve riscos elevados, principalmente por depender de um grande volume de financiamento por dívida.
▶️ Financiamento por dívida é quando uma empresa usa empréstimos para bancar uma compra. No caso da Paramount, a aquisição da Warner dependeria de um volume muito alto de dinheiro emprestado, o que elevaria o endividamento e aumentaria o risco de o negócio não ser concluído.
Segundo a avaliação do conselho, a estrutura da proposta aumenta a incerteza quanto à conclusão do negócio e oferece pouca proteção aos acionistas caso a operação não seja concluída.
“A oferta da Paramount continua oferecendo valor insuficiente, pois depende de um volume elevado de financiamento por dívida. Isso aumenta os riscos de conclusão do negócio e reduz as garantias aos acionistas caso a transação não se concretize. Já o acordo vinculativo com a Netflix oferece mais valor e previsibilidade, sem os riscos e custos relevantes que a proposta da Paramount imporia aos investidores”, afirmou o presidente do conselho.
A Warner Bros. afirmou que a proposta da Paramount deixaria a empresa com uma dívida estimada em US$ 87 bilhões após a conclusão do negócio, o que tornaria a operação a maior aquisição já financiada majoritariamente por empréstimos.
Segundo o conselho, a Paramount teria de levantar um volume de recursos muito superior ao seu próprio tamanho, o que elevaria significativamente o risco da transação.
A Warner informou ainda que enviou uma carta aos investidores detalhando os motivos da decisão e reforçou que seguirá com o plano de fusão com a Netflix, considerado o caminho que oferece o melhor equilíbrio entre retorno e segurança.
Entenda a disputa envolvendo a Warner
Dias antes da divulgação da garantia financeira oferecida por Larry Ellison, o conselho da Warner Bros. Discovery já havia recomendado que os acionistas rejeitassem a proposta da Paramount.
Anunciado pela Netflix, o acordo avalia a Warner Bros. Discovery em cerca de US$ 82,7 bilhões, dos quais aproximadamente US$ 72 bilhões seriam pagos diretamente aos acionistas.
A operação permitiria à Netflix fortalecer sua produção própria e expandir sua atuação para áreas como games, eventos ao vivo e novos serviços, além de manter os lançamentos de filmes da Warner nos cinemas.
A investida da Paramount ocorreu poucos dias após o anúncio do acordo com a Netflix e foi classificada como hostil, por contrariar a recomendação do conselho da Warner.
Embora o valor por ação seja maior, o custo total da transação, incluindo dívidas, chega a US$ 108,4 bilhões, exigindo uma estrutura de financiamento mais complexa, o que levantou dúvidas no mercado.
A disputa envolve mais do que valores financeiros. Quem assumir o controle da Warner passará a deter um dos catálogos mais valiosos de Hollywood, com franquias de sucesso, produções da HBO e o HBO Max, em um cenário de forte concorrência no setor de streaming.
Leia a carta na íntegra
Prezados Acionistas,
Como é de seu conhecimento, ao final do ano passado o Conselho de Administração concluiu um amplo processo com o objetivo de maximizar o valor para os acionistas, que resultou na celebração de um acordo de fusão com a Netflix. Desde então, a Paramount Skydance (“PSKY”), uma das participantes desse processo, lançou uma oferta pública hostil para adquirir a Warner Bros. Discovery (WBD), posteriormente revisada em 22 de dezembro de 2025.
Após análise detalhada, o Conselho de Administração concluiu, por unanimidade, que a oferta revisada da PSKY continua inadequada. A proposta oferece valor insuficiente, apresenta incertezas relevantes quanto à capacidade de conclusão da transação e impõe riscos e custos significativos aos acionistas da WBD caso não seja finalizada. Diante disso, o Conselho recomenda unanimemente que os acionistas rejeitem a oferta da PSKY. Para uma avaliação completa dos fundamentos dessa recomendação, orientamos a leitura integral do Formulário 14D-9, incluindo a emenda apresentada nesta data.
A oferta da PSKY não oferece valor suficiente
O Conselho avaliou que a oferta da PSKY é inferior quando comparada à fusão com a Netflix, considerando os custos, riscos e incertezas envolvidos. Nos termos do acordo com a Netflix, os acionistas da WBD receberão uma contraprestação significativa, composta por US$ 23,25 em dinheiro e ações ordinárias da Netflix, com valor-alvo adicional baseado na cotação das ações da empresa no fechamento da transação, o que oferece potencial de criação de valor no longo prazo.
Além disso, os acionistas da WBD manterão participação na Discovery Global, uma empresa com escala relevante, presença global diversificada e ativos líderes nas áreas de esportes e notícias, além de flexibilidade estratégica e financeira para perseguir suas próprias iniciativas de crescimento.
O Conselho também considerou os custos diretos e a perda de valor associados à aceitação da oferta da PSKY. A WBD teria de arcar com uma taxa de rescisão de US$ 2,8 bilhões para encerrar o acordo com a Netflix, além de uma taxa adicional de US$ 1,5 bilhão relacionada à troca de dívida planejada e aproximadamente US$ 350 milhões em despesas adicionais com juros. No total, esses custos somariam cerca de US$ 4,7 bilhões, ou US$ 1,79 por ação. Na prática, isso reduziria substancialmente o valor líquido da taxa de rescisão regulatória da PSKY, de US$ 5,8 bilhões para apenas US$ 1,1 bilhão, em caso de fracasso da transação. O acordo com a Netflix, por sua vez, não impõe custos semelhantes à WBD.
Falta de certeza quanto à capacidade da PSKY de concluir a transação
O elevado volume de financiamento por dívida previsto na oferta da PSKY aumenta significativamente o risco de não conclusão da transação, especialmente quando comparado à estrutura mais segura da fusão com a Netflix. A PSKY, avaliada em cerca de US$ 14 bilhões em valor de mercado, busca realizar uma aquisição que exigiria aproximadamente US$ 94,65 bilhões em financiamento total — quase sete vezes o seu tamanho. Para isso, a empresa precisaria contrair mais de US$ 50 bilhões em dívida adicional junto a múltiplos parceiros financeiros.
Na prática, a operação proposta pela PSKY configura uma aquisição alavancada (LBO), que seria a maior já realizada, com dívida bruta estimada em US$ 87 bilhões e alavancagem próxima de sete vezes o EBITDA projetado para 2026, antes das sinergias. O Conselho avaliou que esse tipo de estrutura eleva substancialmente os riscos, pois depende da disposição contínua dos credores em honrar os compromissos de financiamento no fechamento do negócio. Mudanças no ambiente econômico, no setor ou no desempenho financeiro das empresas envolvidas podem comprometer esses acordos, como demonstram precedentes históricos.
Esses riscos são agravados pela situação financeira atual da PSKY, que possui classificação de crédito abaixo do grau de investimento, fluxo de caixa livre negativo e forte dependência do negócio tradicional de TV linear. Além disso, o prazo estimado para conclusão da transação, de 12 a 18 meses, amplia a exposição a incertezas e pressões financeiras adicionais.
O Conselho também destacou que as restrições operacionais impostas à WBD durante esse período poderiam prejudicar suas operações, limitar decisões estratégicas e abrir espaço para que a PSKY alegue a ocorrência de um “efeito adverso relevante”, o que poderia resultar na rescisão ou renegociação do acordo.
Em contraste, a Netflix possui valor de mercado próximo de US$ 400 bilhões, balanço sólido, classificação de crédito A/A3 e geração robusta de caixa. O acordo com a Netflix também garante maior flexibilidade operacional à WBD até a conclusão da transação. Por esses motivos, o Conselho reafirmou que a fusão com a Netflix permanece superior à oferta revisada da PSKY.
Consequências para os acionistas caso a PSKY não conclua a transação
Caso a PSKY não consiga concluir a oferta, os acionistas da WBD enfrentariam custos relevantes e potencial destruição de valor. As restrições operacionais impostas poderiam comprometer a posição competitiva da empresa, dificultar a retenção de talentos e impedir a execução de iniciativas estratégicas importantes, como a separação planejada da Discovery Global e da Warner Bros.
Além disso, a WBD ficaria impedida de concluir a troca de dívida planejada e de refinanciar seu empréstimo-ponte de US$ 15 bilhões sem o consentimento da PSKY, reduzindo significativamente sua flexibilidade financeira. Se a transação não fosse concluída, os acionistas permaneceriam com ações de uma empresa limitada em suas principais decisões por até 18 meses.
A compensação financeira prevista nesse cenário também foi considerada insuficiente. O valor líquido da taxa de rescisão regulatória, de US$ 1,1 bilhão, representa apenas 1,4% do valor total da transação, percentual considerado inadequado para compensar os potenciais danos aos negócios da WBD.
Por outro lado, caso a fusão com a Netflix não seja concluída por razões regulatórias, a WBD receberá uma taxa de rescisão de US$ 5,8 bilhões e seguirá executando iniciativas estratégicas voltadas à criação de valor no longo prazo.
A oferta da PSKY não é superior à fusão com a Netflix
Apesar de diversas interações e orientações claras fornecidas pelo Conselho, pela administração e por seus consultores, a PSKY não conseguiu apresentar uma proposta que superasse ou sequer se equiparasse ao acordo com a Netflix. Mesmo após ter tempo suficiente para analisar o acordo de fusão já firmado, a PSKY optou por manter uma proposta que preserva as fragilidades previamente apontadas.
O Conselho de Administração negociou um acordo com a Netflix que maximiza o valor e reduz riscos de forma consistente. Por isso, acreditamos unanimemente que essa fusão representa a melhor alternativa para os acionistas e seguimos focados em avançar com a transação para entregar valor sustentável no longo prazo.
Atenciosamente,
Conselho de Administração da Warner Bros. Discovery
Logotipo da Warner Bros. no Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions em Cannes
REUTERS/Eric Gaillard/Foto de Arquivo
Lula sanciona lei que proíbe descontos nos benefícios pagos pelo INSS, mas veta 'busca ativa' de aposentados lesados

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta quarta-feira (7) uma lei que proíbe descontos por associações em benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Em abril do ano passado, uma operação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) apontou o desvio de bilhões de reais de aposentadorias e pensões.
(CORREÇÃO: Ao publicar essa reportagem, o g1 errou ao informar que a lei determinava uma "busca ativa" nos aposentados lesados. O trecho, na realidade, foi vetado por Lula. A informação foi corrigida às 13h22 de 7 de janeiro de 2026.)
A lei sancionada por Lula, que foi aprovada no fim do ano passado pelo Congresso Nacional, também determinava uma "busca ativa a beneficiários lesados em decorrência de descontos indevidos e prevê o seu ressarcimento", mas esse trecho foi vetado pelo presidente.
"Em que pese a boa intenção do legislador, o dispositivo contraria o interesse público, pois atribui ao Instituto Nacional do Seguro Social - INSS competências que não lhe são próprias, de modo a expor a autarquia a riscos jurídicos e operacionais, além de custos extraordinários, sem a apresentação da devida estimativa de impacto orçamentário e financeiro", informou o governo, ao explicar as razões do veto.
O governo já está ressarcindo os valores aos beneficiários do INSS (entenda mais abaixo).
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"Verificada a ocorrência de desconto indevido de mensalidade associativa ou referente a pagamento de crédito consignado em benefício administrado pelo INSS, será devida a devolução integral do valor ao lesado", diz a lei, sancionada pelo presidente da República.
O texto acrescenta que a ocorrência de fraude deverá ser comunicada ao Ministério Público para eventuais providências.
Prevê ainda que a entidade associativa, a instituição financeira ou a sociedade de arrendamento mercantil que realizem desconto indevido serão obrigadas a restituir o valor integral atualizado ao beneficiário em até 30 dias.
Por conta da fraude apurada pela Polícia Federal e pela CGU, foi instaurada, no Congresso Nacional, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que, após mais de três meses de funcionamento, já ouviu mais de 25 testemunhas, incluindo ex-ministros da Previdência.
Os trabalhos deverão ser retomados após o recesso legislativo.
INSS cria regras para devolver descontos indevidos a herdeiros de aposentados e pensionistas que já morreram
Jornal Nacional/ Reprodução
Dólar tem primeira alta do ano e fecha em R$ 5,38, após dados de emprego dos EUA; Ibovespa cai

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar encerrou a sessão desta quarta-feira (7) com um avanço de 0,12%, cotado em R$ 5,3858. Essa foi a primeira alta da moeda em 2026. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou em queda de 1,03%, aos 161.975 pontos.
Em um dia mais esvaziado de indicadores no Brasil, as atenções dos mercados seguiu voltada para o exterior. Além dos desdobramentos envolvendo a Venezuela, os investidores também avaliaram os novos dados de emprego divulgados nos Estados Unidos.
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▶️ Nos EUA, o relatório da ADP indicou que a criação de vagas no setor privado ficou abaixo do esperado em dezembro. De acordo com o documento, foram abertos 41 mil postos de trabalho no mês passado, abaixo da previsão do mercado, de criação de 47 mil vagas.
Segundo economistas, a incerteza política — principalmente relacionada às tarifas de importação — deixou as empresas relutantes em aumentar seu quadro de funcionários. Alguns empregadores também estão integrando a inteligência artificial em determinadas funções, diminuindo a necessidade de mão de obra.
▶️ Ainda em relação ao mercado de trabalho americano, a pesquisa JOLTS de novembro, que mede vagas abertas, também registrou uma queda maior do que a esperada. Segundo o documento, os postos abertos caíram em 303 mil no mês, a cerca de 7,2 milhões. Nesse caso, a estimativa era que o país registrasse 7,6 milhões de empregos não preenchidos no período.
Os dados preparam o terreno para o relatório de empregos (payroll), previsto para sexta-feira (9), e aumenta as expectativas sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) nos juros americanos.
🔎 O mercado continua a precificar dois cortes nas taxas de juros dos EUA ao longo deste ano, o que aumenta a atenção sobre esses indicadores.
▶️ No cenário externo, os desdobramentos da ofensiva dos EUA à Venezuela continuam. Ontem, Donald Trump anunciou que autoridades interinas do país entregarão entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo “de alta qualidade e sancionado” aos EUA.
Já nesta quarta-feira, informações divulgadas pela agência Reuters indicaram que as autoridades da Venezuela e dos EUA já discutem sobre a retomada da exportação de petróleo bruto aos americanos.
▶️ No Brasil, a agenda é mais leve, com expectativa pelos dados do fluxo cambial semanal. Na véspera, foi divulgado que o país encerrou 2025 com superávit de US$ 68,293 bilhões na balança comercial, terceiro melhor resultado anual já registrado. A projeção para este ano é de saldo entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: -0,70%;
Acumulado do mês: -1,87%;
Acumulado do ano: -1,87%.
📈Ibovespa
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Acumulado da semana: +0,92%;
Acumulado do mês: +0,55%;
Acumulado do ano: +0,55%.
Petróleo da Venezuela aos EUA
Na véspera, o presidente Donald Trump afirmou que o governo interino da Venezuela concordou em entregar de 30 a 50 milhões de barris de petróleo “de alta qualidade” aos EUA. O anúncio foi feito em uma rede social.
Já nesta quarta-feira (7), o Departamento de Energia americano informou que as vendas do petróleo venezuelano já começaram e devem continuar por tempo indeterminado, destacando que toda a receita proveniente da venda da commodity do país será depositada em contas controladas pelos EUA.
Trump disse que o petróleo venezuelano será vendido a preço de mercado.
Ele afirmou ainda que será responsável por controlar o dinheiro obtido para garantir que os recursos sejam usados “em benefício do povo da Venezuela e dos EUA”.
“O petróleo será transportado por navios de armazenamento e levado diretamente a terminais de descarga nos Estados Unidos”, afirmou.
O total de petróleo que será entregue aos EUA corresponde a cerca de dois meses da produção atual venezuelana.
A declaração ocorre apenas alguns dias depois de uma ação militar americana na Venezuela que resultou na prisão do ditador Nicolás Maduro.
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Desde dezembro, a Venezuela acumula milhões de barris de petróleo em navios e tanques de armazenamento, sem conseguir exportá-los, devido a um bloqueio imposto por Trump. O embargo fez parte da pressão americana que resultou na queda de Maduro.
🔎 A produção venezuelana despencou nas últimas décadas, afetada pela má gestão e pela escassez de investimentos estrangeiros após a nacionalização do setor nos anos 2000. Com a ação dos EUA, parte do mercado avalia que o petróleo do país possa voltar a circular, ampliando a oferta da commodity no mercado internacional.
Bolsas globais
Em Wall Street, os mercados fecharam sem direção única nesta quarta-feira, conforme investidores avaliavam os novos dados de emprego e falas do presidente Donald Trump.
O Nasdaq Composite fechou em alta de 0,17%, com investidores voltando a direcionar suas carteiras para ações de tecnologia, enquanto os índices S&P 500 e Dow Jones recuaram 0,34% e 0,96%, respectivamente.
Os mercados europeus encerraram o dia praticamente estáveis, após uma sequência de recordes recentes. O destaque ficou com a inflação da zona do euro, que desacelerou para 2% em dezembro, atingindo a meta do Banco Central Europeu (BCE).
No fechamento, o índice STOXX 600 registrou leve variação negativa de 0,05%, a 604,99 pontos. Em Londres, o FTSE 100 caiu 0,74%, a 10.048,21 pontos. Em Frankfurt, o DAX avançou 0,92%, a 25.122,26 pontos.
Em Paris, o CAC 40 recuou 0,04%, a 8.233,92 pontos. Em Milão, o Ftse/Mib perdeu 0,43%, a 45.558,68 pontos. Em Madri, o Ibex-35 caiu 0,29%, a 17.596,40 pontos. Em Lisboa, o PSI20 teve baixa de 0,41%, a 8.479,08 pontos.
Já as bolsas asiáticas fecharam com desempenho misto.
Na China, os índices permaneceram próximos dos maiores níveis em mais de dez anos, apoiados por volumes de negociação mais altos e expectativas de crescimento dos lucros. Em Hong Kong, houve queda após três dias de alta.
No fechamento, os índices ficaram assim: Hang Seng -0,94% (26.458 pontos), Xangai SSEC +0,05% (4.085 pontos), CSI300 -0,29% (4.776 pontos), Nikkei -1,06% (51.961 pontos), Kospi +0,57% (4.551 pontos), Taiex -0,46% (30.435 pontos) e Straits Times +0,13% (4.746 pontos).
Dólar opera em baixa
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Investida de Trump na Venezuela tende a impulsionar nova dinâmica de petróleo na América Latina

Por que o petróleo da Venezuela é tão importante para os EUA
A Venezuela tem as maiores reservas mundiais de petróleo, com cerca de 17% do total.
Entretanto, desde a estatização do setor no país e a saída das companhias americanas e britânicas na era chavista, a capacidade de produção nacional despencou para cerca de 800 mil barris por dia – muito abaixo de concorrentes de peso como Arábia Saudita, Rússia e os próprios Estados Unidos.
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O economista Adriano Pires, sócio-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) e experiente especialista no mercado internacional de petróleo, vê um cenário favorável para os países detentores de reservas na América Central e do Sul ingressarem com força na corrida não só pelo óleo, como também pelo gás.
“Na Argentina, o governo de direita, do Milei, é alinhado a Trump. A Bolívia também recentemente teve uma eleição e a direita ganhou”, observa, ao lembrar que os investimentos e a produção de gás de La Paz também desmoronaram após a estatização dos campos pelo ex-presidente Evo Morales.
“Você tem a Guiana, grande estrela de produção de óleo, cujos dois principais investidores são as americanas ExxonMobil e Chevron. Tem a Colômbia, onde haverá eleições este ano e parece que o favorito é o candidato da direita, assim como no Chile, onde a direita venceu.”
No Brasil, o cenário eleitoral para 2026 aponta o presidente Lula como favorito à reeleição. O petista não esconde o apetite pela abertura de novas frentes de exploração de petróleo no país, que hoje é o sétimo maior produtor mundial.
Petrobras sob pressão
A volta dos americanos à Venezuela e de Caracas como protagonista do mercado mundial tende a estimular a competição internacional pela atuação na margem equatorial brasileira, colocando a Petrobras sob pressão.
Em 2025, após 12 anos, a companhia recebeu autorização para iniciar os estudos de prospecção em um dos quase 300 blocos identificados na área, ao norte do Brasil.
“Você vai ter empresas de petróleo que vão começar a se questionar: coloco dinheiro na Venezuela ou coloco na margem equatorial? Está sendo criado um concorrente para esses investimentos”, pontua Pires.
O provável aumento da oferta mundial de petróleo levará à queda ainda maior do preço do barril, hoje negociado em torno de US$ 60.
A diminuição do valor nos próximos dois anos já era antecipada pelos analistas, devido a uma oferta abundante e não acompanhada por aumento da demanda. A esperada alta da produção venezuelana acentua o fenômeno.
Aumento das vendas para a China
Mas, se por um lado as receitas das vendas vão cair, com impacto nas decisões de investimentos e fluxos de caixa, por outro a derrubada do regime de Nicolás Maduro cria uma oportunidade para a petroleira brasileira: aumentar as exportações para a China.
Pequim é o destino de 80% do petróleo venezuelano, a custos inferiores aos do mercado.
Adriano Pires ressalta que o Brasil está em curva ascendente de produção, passando dos menos de 4 milhões de barris por dia para uma expectativa de 5 milhões em 2027.
“Além disso, as empresas chinesas de petróleo que compraram campos aqui no Brasil já produzem 350 mil barris por dia, então o Brasil é cada vez mais um país hiperimportante para a China, no sentido de abastecimento de petróleo”, afirma o economista. “Aí eu não sei como é que o Trump vai olhar para isso.”
Para o especialista, o objetivo número 1 do presidente americano ao intervir na Venezuela foi barrar o acesso chinês ao petróleo do país e se tornar um player incontornável deste mercado.
“O que ele quer, na realidade, é ter um controle maior sobre as reservas de petróleo mundiais, para poder dar um xeque-mate na China, que hoje é a segunda maior consumidora de petróleo no mundo, e ao mesmo tempo criar uma espécie de mini-OPEP para ele. Ele pode agora sentar à mesa e ser um player que define níveis de produção e automaticamente níveis de preço no mercado internacional de petróleo”, indica Pires.
“No tabuleiro da geopolítica do petróleo, Trump passa a jogar com muito mais poder.”
Equipamentos com logo da PDVSA, empresa estatal venezuelana de produção de petróleo, em imagem registrada em Lagunillas, Venezuela.
Isaac Urrutia/Reuters/Foto de arquivo
Presidente interina da Venezuela nomeia novo chefe da área econômica

A presidente interina da Venezuela nomeou nesta terça-feira (6) o novo responsável pela equipe econômica, cargo que ela própria ocupava até a queda de Nicolás Maduro e que é considerado prioridade de sua gestão.
Este é o primeiro anúncio de mudança feito por Delcy Rodríguez à frente do governo. Calixto Ortega Sánchez foi nomeado vice-presidente da área econômica.
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Delcy era vice-presidente do país e a primeira na linha de sucessão, além de acumular o cargo de ministra de Hidrocarbonetos e a coordenação da política econômica.
O novo indicado presidiu o Banco Central da Venezuela entre 2018 e 2025. Antes disso, Ortega Sánchez atuou na indústria do petróleo.
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“Até o fim de 2026, esperamos consolidar os resultados de 2025 e avançar ainda mais”, disse Delcy Rodríguez à TV estatal, ao citar a estimativa de crescimento de 6,5% da Cepal para 2025.
O cenário econômico da Venezuela é considerado complexo, com uma desvalorização da moeda local próxima de 500%, o que reacende os temores de uma nova hiperinflação.
Ainda assim, especialistas revisaram para cima suas expectativas para 2026 com Delcy Rodríguez à frente do governo.
Delcy passou a conduzir a política econômica durante o período mais agudo da crise, quando promoveu a flexibilização de controles e liberou o uso do dólar.
A presidente interina assume o governo sob forte atenção de Donald Trump, que ordenou o bombardeio a Caracas que resultou na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, acusados de narcotráfico nos Estados Unidos.
O republicano já demonstrou interesse nas reservas de petróleo da Venezuela, enquanto Delcy defende uma relação baseada no equilíbrio e no respeito.
Especialistas avaliam que a nova administração pode abrir espaço para uma flexibilização do embargo em vigor desde 2019.
Vice-presidente e ministra do Petróleo da Venezuela, Delcy Rodríguez, fala à imprensa em Caracas, na Venezuela, em 10 de março de 2025.
Reuters
PDVSA sob pressão: como fica a petroleira estatal com a ofensiva dos EUA na Venezuela?

Como ficará o setor petrolífero na Venezuela?
As declarações do presidente Donald Trump sobre a intenção de “assumir” o setor petrolífero da Venezuela, após a operação que retirou Nicolás Maduro do poder, colocaram no centro do debate o futuro da estatal PDVSA.
A Venezuela concentra cerca de 17% das reservas comprovadas do planeta — mais de 300 bilhões de barris (veja mais abaixo) — e manteve por anos um quase monopólio do setor após a reestatização promovida pelo antecessor de Maduro, Hugo Chávez.
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Ao prender Maduro, Trump prometeu reestruturar a indústria petrolífera, com investimentos de bilhões de dólares de empresas americanas, e o destino dessas reservas passou a ser acompanhado de perto por governos, empresas e investidores.
A empolgação inicial levou as ações de petrolíferas americanas a dispararem. A Chevron, que mantém operações no país e é vista como uma das mais bem posicionadas, subiu 5,1% na segunda-feira. Conforme se percebeu que qualquer mudança levaria tempo, o movimento se inverteu: os papéis recuavam mais de 4% na terça.
Além dos impactos econômicos e geopolíticos, surge o debate sobre como a ofensiva de Trump pode redesenhar o papel da PDVSA e da Venezuela no mercado internacional de petróleo.
Segundo analistas ouvidos pelo g1, o movimento reflete menos uma mudança imediata na oferta global e mais a leitura do mercado diante de um novo cenário geopolítico.
O que acontece com a PDVSA?
Plataforma de perfuração em um poço de petróleo da PDVSA em Orinoco, perto de Cabrutica, Anzoátegui
Reuters
Apesar da ofensiva militar, a estatal venezuelana segue operando. Segundo informações da Reuters, as atividades de produção e refino continuam normalmente, sem danos às principais instalações, embora o porto de La Guaira tenha sido severamente afetado pelos ataques.
O principal desafio da empresa, no entanto, não é operacional de curto prazo, mas estrutural.
Welber Barral, sócio da BMJ Consultores Associados e ex-secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), afirma que a estatal foi enfraquecida ao longo dos anos.
“A PDVSA acabou sendo desmontada por falta de investimento. Hoje, exporta apenas um terço do volume registrado há 20 anos. É uma empresa sucateada por má administração, mas que ainda tem enorme potencial, porque detém grandes reservas”, diz.
➡️ Responsável pela exploração, produção, refino e exportação de petróleo, a Petróleos de Venezuela S.A. é o eixo de um setor que sustenta a economia do país há décadas. O petróleo e seus derivados respondem por cerca de 90% das receitas de exportação da Venezuela, o que torna a estatal central para as contas públicas.
➡️ Apesar de administrar as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, a PDVSA atravessa um longo processo de deterioração. Durante os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, a empresa sofreu forte interferência política, enfrentou casos recorrentes de corrupção, perdeu quadros técnicos e viu investidores estrangeiros deixarem o país.
➡️ O impacto foi direto na produção, que caiu mais de 70% desde o fim dos anos 1990. Problemas operacionais, como acidentes em oleodutos e refinarias, agravaram o quadro, enquanto sanções impostas pelos EUA — especialmente a partir de 2017 — restringiram o acesso da empresa a financiamento, tecnologia e mercados internacionais.
Ainda assim, a PDVSA conseguiu estabilizar a produção em torno de 1 milhão de barris por dia (veja mais abaixo), em parte graças a licenças especiais concedidas a algumas empresas estrangeiras, como a americana Chevron.
Diante da intervenção americana, Rafael Chaves, ex-diretor da Petrobras e professor da Escola Brasileira de Economia e Finanças (EPGE) da Fundação Getulio Vargas (FGV), avalia que a estatal venezuelana não deve perder relevância, mas deve mudar seu modelo de atuação, hoje marcado pelo isolamento.
“O cenário mais provável é a construção de um novo arranjo de regras, no qual a estatal passe a operar em parceria com empresas internacionais. Isso não representa um enfraquecimento. Pelo contrário, pode significar um fortalecimento, já que o isolamento e o monopólio tendem a fragilizar as empresas”, afirma.
O que Trump pretende e o papel das empresas americanas
Em coletiva de imprensa no sábado (3), Trump afirmou que os EUA pretendem “consertar” a indústria petrolífera venezuelana ao abrir o setor para grandes empresas americanas, o que permitiria recuperar a infraestrutura do país e recolocar o petróleo venezuelano no mercado internacional.
“Nossas gigantescas companhias petrolíferas vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura e começar a gerar lucro para o país”, disse o presidente americano, ao defender uma participação direta do capital privado na reestruturação do setor.
Em relatório, analistas do UBS BB pontuam que Trump defende que os EUA “administrem” a Venezuela durante um período de transição, com a produção de petróleo liderada por empresas americanas.
A proposta, segundo o documento, seria usar esse modelo para “recuperar prejuízos” acumulados ao longo das últimas décadas. Mesmo assim, isso não significaria uma estatização do setor. Para Rafael Chaves, a lógica é de mercado.
“Os EUA costumam operar com mercados, não com estatização. Quando Trump fala em ‘assumir’, ele se refere, provavelmente, à abertura para empresas privadas, como Exxon e Chevron”, explica.
Nesse contexto, Barral destaca o interesse das empresas americanas no petróleo venezuelano. Ele lembra que, durante o governo de Joe Biden, foram criadas exceções que permitiram a atuação limitada de algumas companhias dos Estados Unidos no país.
“Essa presença, no entanto, foi tímida, porque ninguém faz grandes investimentos sem segurança jurídica no país.”
Com o governo Trump, essas autorizações foram revogadas, levando muitas empresas a suspender suas operações na Venezuela. Ainda assim, Barral afirma que o interesse em retomar investimentos permanece. Para isso, o caminho mais provável seria a celebração de acordos com a PDVSA.
“Essas parcerias poderiam envolver a cessão de blocos ou outros formatos de parceria, para viabilizar a produção e a exportação de petróleo. O objetivo principal é exportar para o sul dos EUA, onde há muitas refinarias”, explica.
Por isso, a expectativa de abertura do mercado venezuelano impulsionou as ações das principais petrolíferas americanas desde segunda-feira (5).
Efeitos no mercado de petróleo
Analistas e especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que os desdobramentos na indústria petrolífera venezuelana tendem a ter impacto limitado sobre os preços internacionais do petróleo no curto prazo.
A principal razão é que a produção do país permanece em torno de 1 milhão de barris por dia, um volume bem abaixo de seu potencial histórico.
Para que a oferta aumente de forma relevante, seria necessário um processo longo de investimentos, reconstrução da infraestrutura e mudanças profundas na governança da PDVSA.
Além disso, o mercado global de petróleo já opera sob a expectativa de excesso de oferta e de uma demanda mais fraca em 2026, o que reduz a probabilidade de um impacto rápido ou significativo nos preços.
Na avaliação de Helder Queiroz, professor do Instituto de Economia da UFRJ e ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), mesmo um cenário otimista apontaria para uma recuperação gradual.
“Não há possibilidade de aumento rápido. Um retorno ao patamar de 3 milhões de barris por dia não ocorreria em menos de cinco anos”, afirma.
Ainda assim, uma eventual recuperação da produção venezuelana tornaria o mercado mais competitivo, pressionando o Brasil e a Petrobras a acelerar a exploração de suas reservas, de acordo com Rafael Chaves.
Para ele, a Petrobras segue relevante, mas precisa ganhar velocidade para transformar potencial energético em crescimento econômico.
O fator China e o redesenho geopolítico
A atuação dos EUA na Venezuela também envolve uma dimensão estratégica no cenário geopolítico. Segundo Gustavo Vasquez, gerente de petróleo e GLP da Argus, a China é hoje o principal destino do petróleo venezuelano, com compras em torno de 430 mil barris por dia, além de ser credora de cerca de US$ 12 bilhões em empréstimos garantidos por petróleo.
Nesse contexto, a leitura de especialistas é que Washington busca reduzir a influência de Pequim e de Moscou sobre o país sul-americano — o que pode levar outros países da região a reavaliar sua dependência desse financiamento.
Apesar disso, Barral, da BMJ, avalia que ainda não há uma estratégia americana claramente definida para o futuro da Venezuela. “Havia o objetivo de derrubar Maduro, mas não existe uma diretriz clara sobre o que fazer com o país depois disso.”
“Do ponto de vista geoestratégico, o principal interesse é afastar a Venezuela de alianças com Rússia, China e Irã. O país estava muito alinhado a esses atores, e há um interesse evidente em reduzir essa proximidade”, explica.
Na avaliação de analistas, a reação inicial dos mercados reflete mais uma leitura sobre o novo cenário político do que mudanças concretas na oferta de petróleo ou na estrutura da indústria venezuelana.
“O mercado ficou mais tenso no primeiro momento, mas os preços voltaram ao patamar das últimas semanas”, afirma Helder Queiroz, indicando que, por ora, o impacto é mais simbólico do que prático, à espera de definições sobre os próximos passos no tabuleiro geopolítico e energético.
Tanques com o logo da PDVSA em refinaria em Curaçao; foto de 22/04/2018
Andres Martinez Casares/Reuters
Vendas de elétricos e híbridos sobem 26% em 2025, e crescem 10 vezes mais que o mercado

João Pantoja/Rede Amazônica
A venda de carros elétricos e híbridos cresceu 26% em relação ao número de emplacamentos registrados em 2024. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (6) pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).
Segundo a entidade, foram vendidos 223.192 veículos eletrificados em 2025, ante 177.538 em 2024 e 93.927 em 2023. Na comparação com 2023, o avanço chega a 138%.
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O ano também foi marcado pela inauguração das fábricas da BYD e da GWM, além do início da fabricação nacional de modelos elétricos da Chevrolet, que prometem ampliar ainda mais as vendas em 2026. (veja mais abaixo)
O crescimento entre 2024 e 2025 já é expressivo por si só, mas ganha ainda mais destaque quando comparado à previsão de alta de apenas 2,5% para todo o mercado de automóveis da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
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Com isso, o segmento de veículos elétricos e híbridos deve crescer cerca de 10 vezes mais do que o mercado total, que inclui também os modelos movidos a combustão.
A ABVE não inclui na contagem os veículos com sistema híbrido leve, já que esse tipo de tecnologia não utiliza o motor elétrico para movimentar as rodas.
Alguns modelos com esse sistema são:
Fiat Pulse;
Fiat Fastback;
Peugeot 208;
Peugeot 2008;
Caoa Chery Tiggo 7 Pro;
Kia Sportage;
Land Rover Defender 110 e 130.
Ao incluir esse tipo de eletrificação no total, foram emplacados 282.252 veículos em 2025. Os híbridos leves responderam por 34% de todas as vendas.
A diferença de 59.060 unidades é superior ao volume registrado por todos os modelos com conjunto híbrido pleno (42.354 unidades).
Entre eles, estão:
Honda Civic;
Honda CR-V;
Toyota Corrolla;
Toyota Corolla Cross;
Toyota Rav4;
Ford Maverick;
Hyundai Kona;
GWM Haval H6;
GAC GS4.
“Ultrapassamos o marco simbólico dos 200 mil veículos eletrificados vendidos num único ano. Em 2016, tínhamos ficado felizes quando atingimos 1.091 unidades e agora, em 2025, chegamos a 223.912. O mercado aumentou 20.423% em apenas 10 anos!”, apontou Ricardo Bastos, presidente da ABVE.
Segundo a ABVE, os veículos eletrificados responderam por 9% das vendas de carros zero km em 2025.
Híbrido plug-in é o preferido do brasileiro
Mesmo com grande parte das vendas concentrada nos híbridos leves, os híbridos plug-in que registraram os maiores volumes. Neles, o motor elétrico move as rodas e garante menor consumo de combustível.
Veja quantos emplacamentos foram feitos por cada tecnologia:
Híbrido plug-in: 101.394 unidades emplacadas;
100% elétrico: 80.178 unidades emplacadas;
Híbrido leve 12V: 44.459 unidades emplacadas;
Híbrido pleno flex: 21.323 unidades emplacadas;
Híbrido pleno: 21.047 unidades emplacadas;
Híbrido leve 48V: 16.881 unidades emplacadas.
Brasil expandiu a fabricação local em 2025
Fábrica da BYD em Camaçari (BA)
divulgação/BYD
Em 2025, começaram a operar fábricas de três grandes marcas no Brasil, que devem ampliar a oferta e os emplacamentos de eletrificados no Brasil. A primeira foi a BYD, que inaugurou sua planta em Camaçari (BA), onde a Ford produzia veículos como o EcoSport.
Na unidade do Nordeste são produzidos:
BYD Dolphin Mini;
BYD Song Pro;
BYD King.
A GWM também assumiu e adaptou a unidade fabril que antes pertencia à Mercedes-Benz, em Iracemápolis (SP) — onde a marca alemã produzia modelos como o sedã Classe C e o SUV GLA.
A partir da planta no interior paulista, a fabricante chinesa produz:
GWM Haval H6;
GWM Haval H9;
GWM Poer P30.
Já a GM adotou uma estratégia diferente ao terceirizar a produção de seus modelos elétricos para a Comexport, em Horizonte (CE).
A partir dessa unidade saem modelos como:
Chevrolet Spark;
Chevrolet Captiva EV.
“Em resumo, os eletrificados são o setor mais inovador e dinâmico do mercado automotivo brasileiro, e o que mais investe em geração de emprego", disse o presidente da ABVE.
Fábrica da GWM em Iracemápolis (SP)
divulgação/GWM
Consignado CLT: sem garantia do FGTS regulamentada, empréstimos somam R$ 52 bilhões; abaixo do esperado pelo governo

Consignado CLT: para quem funciona melhor e como negociar com o banco
Aposta do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para baratear e estimular empréstimos ao setor privado, o crédito consignado ao trabalhador com carteira assinada começou em março de 2025 com a estimativa de movimentar R$ 100 bilhões em três meses.
No entanto, a expectativa não se confirmou. Segundo o próprio governo, foram emprestados R$ 52 bilhões por meio da modalidade até esta semana.
No lançamento, o Ministério do Trabalho disse que a regulamentação do saldo do FGTS dos trabalhadores como garantia aos empréstimos, um diferencial da modalidade, seria feita até 15 de junho de 2025.
Quase dez meses depois do início da linha de crédito, porém, o governo ainda não regulamentou o uso do FGTS nessa modalidade de empréstimos. A nova previsão do governo é que saia até junho de 2026.
Pegatroco/Divulgação
🔎 Os empréstimos são descontados da remuneração mensal do trabalhador, respeitado o limite legal da margem consignável (de até 35% da renda líquida para empréstimos e financiamentos).
🔎 Quando a garantia do FGTS estiver em vigor, todos os trabalhadores poderão usar até 10% do saldo do FGTS como garantia e, também, 100% da multa rescisória na demissão sem justa causa (que equivale a 40% do valor do saldo) — algo que contribuirá para baratear os juros e para estimular os bancos a emprestarem mais recursos.
"Importa destacar que a regulamentação do FGTS não interfere, neste momento, no fluxo de pagamento dos empréstimos da Plataforma Crédito do Trabalhador. Atualmente, quando o vínculo empregatício é encerrado, o contrato de crédito permanece ativo e pode ser retomado em um novo vínculo formal, mediante anuência do trabalhador. Até essa retomada, o trabalhador fica impedido de contratar novos empréstimos enquanto o contrato estiver pendente", informou o Ministério do Trabalho.
No crédito ao trabalhador, a busca pelos empréstimos pode ser feita por meio do aplicativo da Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital) ou, também, diretamente nas instituições financeiras.
Como funciona sem garantia do FGTS?
Sem a regulamentação do FGTS como garantia nas operações de crédito, o Ministério do Trabalho explicou que, em caso de demissão, acaba automaticamente o desconto em folha, pois não há mais remuneração vinculada ao contrato de trabalho.
E, na ausência de norma que autorize o uso do FGTS para quitação ou amortização automática, não há desconto do saldo de FGTS.
"O empregador pode descontar até 35% sobre o valor das verbas rescisórias, para pagamento do empréstimo existente do trabalhador desligado, recolhendo esse valor via FGTS Digital ou DAE. Se o valor da rescisão não for suficiente para quitar todo o empréstimo, a responsabilidade pelo restante é exclusiva do trabalhador junto ao banco", explicou o governo.
Além disso, segundo o governo:
o empréstimo fica vinculado ao CPF do trabalhador e na CTPS Digital. A CTPS Digital funciona como repositório de informação do vínculo e do contrato, e não como garantia. O empréstimo não se extingue com o fim do vínculo, apenas perde temporariamente o mecanismo de desconto automático.
caso o trabalhador seja contratado novamente com carteira assinada, ocorre o chamado "carregamento operacional". O novo empregador passa a ser informado, via sistemas oficiais (Dataprev/eSocial), da existência do contrato consignado. Nesse caso, o desconto em folha pode ser retomado, desde que haja margem consignável disponível; e o contrato esteja dentro das regras legais e operacionais vigentes.
No caso de o trabalhador não conseguir novo emprego formal, segundo o governo, o contrato continua existindo como obrigação financeira comum.
"O pagamento das parcelas passa a depender de negociação direta com a instituição financeira; ou mecanismos de cobrança previstos em contrato (sem desconto em folha). Não há, no modelo atual, execução automática via CTPS ou sistemas públicos, nem desconto compulsório fora da folha", acrescentou o Ministério do Trabalho.
Impacto no mercado de trabalho
Segundo o presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe Nogueira, há casos de trabalhadores que pedem demissão para quitar parte do empréstimo, ou até mesmo para parar de pagar o saldo remanescente, e exemplos que eles também deixam de procurar emprego formal para não ter o empréstimo debitado em seu salário.
"Eles estão optando por ficar no mercado informal de trabalho, onde o empréstimo não os impacta, não restringe a sua renda, e eles podem entrar nos benefícios sociais do governo e trabalhar informalmente. Isso está gerando mais o impacto no mercado de trabalho. Eles têm preferido ficar nos auxílios governamentais e no mercado informal de trabalho", disse.
Para o Ministério do Trabalho, o risco de o trabalhador evitar novo emprego formal para postergar a cobrança "não é considerado uma ameaça ao sistema, pois ele permanece impedido de acessar novos créditos e sofre impacto negativo em seu histórico financeiro, o que torna essa conduta pouco vantajosa".
Taxa de juros
De acordo com dados do Banco Central, a taxa média de juros do crédito consignado ao setor privado somou de 3,83% ao mês em novembro deste ano.
Essa é a taxa média dos bancos, mas há casos, segundo o ranking do Banco Central, que os juros chegam a mais de 7% ao mês (posição de dezembro).
A taxa média registrada em novembro ainda foi o dobro dos juros registrados no crédito com desconto em folha para aposentados (1,8% ao mês) e servidores públicos (1,78% ao mês) no mesmo período.
Veja as taxas médias de juros de outras linhas de crédito em novembro:
➡️ Crédito pessoal não consignado: 6,23% ao mês;
➡️ Cheque especial das pessoas físicas: 7,63% ao mês;
➡️ Cartão de crédito rotativo: 15,1% ao mês.
Flávio Roscoe, presidente da Fiemg, avaliou que as taxas de juros são muito altas e pediu que a regulamentação do FGTS como garantia aos empréstimos, que reduziria em tese o valor cobrado pelas instituições financeiras, "deve ser feita o mais rápido possível".
"Nós mesmos já mandamos sugestões para o Ministério do Trabalho para ter um limite ao percentual de taxa de juros, em conjunto com várias centrais sindicais que também corroboraram a nossa tese", disse Roscoe, da Fiemg.
Em março do ano passado, o governo publicou um decreto do presidente Lula que deixou a porta aberta para eventualmente, se julgar necessário, fixar um teto de juros ao consignado.
Em junho de 2025, o Ministério do Trabalho informou que estaria "monitorando" os bancos e que, em caso de abuso, poderia descredenciá-los de ofertar os empréstimos.
Desde então, nenhuma instituição financeira foi descredenciada e também não foi instituído um teto para as taxas de juros na modalidade de crédito.
Com tarifaço, Brasil amplia exportações para mais de metade de seus parceiros comerciais

O tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teve diferentes efeitos sobre a balança comercial brasileira em 2025.
Por um lado, as tarifas encareceram as vendas e reduziram as exportações brasileiras para os EUA ao longo do ano. Por outro, favoreceram a aproximação do Brasil com outros parceiros, ampliando o leque de destinos comerciais.
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Segundo dados da balança comercial brasileira, divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) na terça-feira (6), o Brasil ampliou as vendas para mais da metade de seus parceiros comerciais em 2025 (53,3%).
Além disso, mais de 40 países registraram recordes de compras de produtos brasileiros ao longo do ano. Entre os destaques estão Canadá, com crescimento de 14,8%, Índia (30,2%), Noruega (8,8%), Paquistão (132,6%), Paraguai (6,9%), Suíça (53,7%), Turquia (7,9%) e Uruguai (29,5).
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Veja abaixo a comparação do volume de vendas brasileiras entre 2024 e 2025 para cada país:
“Em meio às dificuldades geopolíticas, conseguimos conquistar novos mercados e ampliar os que já tínhamos.”, disse o vice-presidente e ministro de desenvolvimento, Geraldo Alckmin, em nota oficial.
Em 2025, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 68,3 bilhões (R$ 367,4 bilhões), resultado da diferença entre exportações e importações. Segundo o MDIC, as exportações somaram US$ 349 bilhões (cerca de R$ 1,9 trilhão) em 2025, um novo recorde mesmo com o tarifaço.
Já as exportações brasileiras para os EUA recuaram, passando de US$ 40,37 bilhões em 2024 para US$ 37,72 bilhões no ano passado — uma queda de 6,6%.
Com isso, o déficit comercial do Brasil com os americanos cresceu de forma expressiva, somando US$ 7,53 bilhões no ano passado.
Quais setores se destacaram?
Segundo o ministério, parte do resultado positivo das exportações brasileiras se deve ao volume recorde de vendas da indústria de transformação — setor que reúne atividades que transformam matérias-primas em produtos de maior valor agregado.
As exportações desse segmento totalizaram US$ 189 bilhões (cerca de R$ 1,02 trilhão).
Entre os principais destaques do setor estão as vendas recordes de:
carne bovina (US$ 16,6 bilhões);
carne suína (US$ 3,4 bilhões);
alumina (US$ 3,4 bilhões);
veículos automóveis para transporte de mercadorias (US$ 3,1 bilhões);
caminhões (US$ 1,8 bilhões);
café torrado (US$ 1,2 bilhões);
máquinas e aparelhos elétricos (US$ 1,0 bilhões);
máquinas e ferramentas mecânicas (US$ 729 milhões);
produtos de perfumaria (US$ 721 milhões);
cacau em pó (US$ 598 milhões);
instrumentos e aparelhos de medição (US$ 593 milhões); e
defensivos agrícolas (US$ 495 milhões).
Já na indústria extrativa, alguns produtos bateram recordes de embarque para outros países, como o minério de ferro (416 milhões de toneladas) e petróleo (98 milhões de toneladas), enquanto os bens agropecuários registraram um avanço de 3,4% em volume e 7,1% em valor.
O que esperar à frente?
Apesar de o Brasil ter negociado a retirada das tarifas de Trump para a maioria dos produtos, a medida só passou a valer em novembro. Com isso, muitos setores ainda sentem os efeitos negativos das tarifas, e o governo Lula (PT) ainda tem um caminho a percorrer nas negociações comerciais.
"[Agora] é vital que o governo brasileiro intensifique suas estratégias comerciais e desenvolva uma política de estado que promova a expansão das exportações, especialmente em produtos com maior valor agregado", afirma o economista e presidente da Corano Capital, Bruno Corano.
Segundo ele, as tarifas incentivaram muitos empresários brasileiros a buscar novos mercados, e esse movimento deve continuar nos próximos meses, à medida que cresce a necessidade de o governo brasileiro “aumentar a frequência das missões comerciais para fortalecer laços e explorar novas oportunidades”.
“A criação de uma política de Estado voltada à expansão das exportações é fundamental”, completa o economista, ao reiterar que o país pode precisar ajustar sua estratégia para ampliar a participação de produtos de maior valor agregado nas vendas externas.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, reage durante a foto de família com ministros durante uma reunião ministerial na residência oficial Granja do Torto, em Brasília
Adriano Machado/Reuters
Ano novo, emprego novo: saiba fazer um bom currículo usando IA — e o que dizem os especialistas

Emprego novo: Como fazer um bom currículo usando IA
Como mostrou o g1 nesta segunda-feira, uma pesquisa da Robert Half diz que 61% dos profissionais planejam procurar um novo emprego em 2026. E quem se habituou a usar a Inteligência Artificial (IA) para trabalhar, pode também usar a tecnologia para criar ou revisar o currículo de forma mais simples e estratégica.
Especialistas afirmam que mesmo as ferramentas gratuitas conseguem organizar bem as habilidades e experiências do profissional, mas também exigem atenção para evitar a inserção de erros e informações falsas.
Recrutadores reforçam que honestidade e revisão dos dados continuam sendo indispensáveis. A tecnologia pode ajudar a "turbinar" o currículo, mas o candidato precisa usá-la bem e de forma ética.
Veja as seguintes dicas abaixo.
Uso de IA x falta de informações 👩🏽💻
Tentar 'driblar robôs' tem riscos 🤖
Falta preparo das empresas ✍🏽
Como fazer um bom currículo usando IA 📝
Uso de IA x falta de informações 👩🏽💻
Ferramentas gratuitas como ChatGPT, Gemini, NotebookLM e Perplexity são boas alternativas na hora de preparar currículos, organizar informações, revisar textos ou tentar se destacar nos sistemas de triagem das empresas.
No entanto, é preciso cuidado para não levar recrutadores ou algoritmos ao engano. Nos últimos anos, cresceu no mercado de Recursos Humanos o uso de IA nos processos seletivos, tanto por candidatos quanto por empresas.
Hoje, a maioria das plataformas de recrutamento utilizam sistemas que comparam o currículo com a descrição da vaga para ranquear e encontrar, de forma automática, candidatos que se encaixem nas oportunidades divulgadas.
A Gupy, por exemplo, usa IA para cruzar requisitos como formação, experiência, habilidades, idiomas, competências técnicas, localização e aderência à vaga. Na prática, antes de o gestor analisar o currículo, o candidato passa por uma triagem automatizada.
Segundo Jhenyffer Coutinho, sócia e líder em Experiência das Pessoas Candidatas da Gupy, a melhor forma de ir bem nesse processo é preencher completamente todas as informações solicitadas.
“O erro mais comum é não colocar as informações básicas. Isso derruba muito o ranqueamento”, afirma a especialista da Gupy.
Dados da plataforma mostram que 35% dos currículos enviados não têm nenhuma habilidade cadastrada. Além disso, 64% trazem descrições de experiência com menos de 200 caracteres, o que também prejudica o desempenho nos sistemas de IA.
“Em uma plataforma em que não há limites para descrever sua jornada, quanto mais detalhes você coloca, mais elementos a tecnologia tem para encontrar no seu perfil”, explica Coutinho.
“Há muito mais chances de um texto de 1.500 caracteres trazer informações relevantes do que um de 500. A tecnologia não está contando caracteres, é apenas uma recomendação nossa”, conclui.
Isso significa que o currículo precisa ser estratégico, além de completo e objetivo, por isso usar a Inteligência Artificial pode ajudar a organizar melhor as informações e adequar para um melhor resultado nessa triagem.
Mas quem faz o currículo continua sendo a pessoa candidata. O currículo precisa refletir a sua história. A tecnologia é uma aliada, mas não substitui a autenticidade.
Tentar 'driblar robôs' tem riscos 🤖
Alguns candidatos têm tentado driblar os sistemas de seleção que utilizam Inteligência Artificial por meio do uso de palavras-chave invisíveis. Ou seja, inserem textos ocultos dentro do currículo com o objetivo de “fisgar” os algoritmos.
Segundo Juliana Maria, especialista em recrutamento e seleção, tentar burlar o sistema — como inserir iscas para enganar filtros — pode até gerar um avanço inicial, mas costuma resultar em desclassificação e prejuízo à reputação do candidato.
“Esses ‘truques’ para enganar a IA até podem fazer o candidato avançar na triagem inicial, mas não se sustentam. Quando a informação não é verdadeira, a inconsistência aparece na entrevista e pode levar à desclassificação e até ao bloqueio em processos futuros”, explica Juliana Maria.
Para a especialista, usar a IA de forma ética para organizar e enriquecer o currículo é válido, desde que as informações sejam verdadeiras, já que, no fim, o candidato precisará comprovar conhecimento e competências reais na prática. “O candidato deve revisar tudo. O uso de IA não dispensa o senso crítico”, afirma.
Joaquim Santini, pesquisador e palestrante sobre a vida organizacional, é ainda mais direto: “Se o candidato tenta enganar o sistema, ele deve ser desqualificado imediatamente. Esse comportamento coloca em risco a credibilidade dele e pode afetar futuras oportunidades.”
Segundo ele, mesmo que o candidato avance na triagem automatizada e nas entrevistas, a inconsistência aparece logo após a contratação. “Não dá para sustentar uma mentira por muito tempo. Em três ou seis meses, ele será desligado”, diz.
Falta preparo das empresas ✍🏽
Para Santini, o problema não está apenas nos candidatos, mas também na falta de preparo de muitas empresas e líderes. Parte dos recrutadores ainda não tem conhecimento suficiente sobre IA para conduzir entrevistas capazes de identificar inconsistências entre o currículo e a experiência real.
Ele defende que processos seletivos robustos precisam ir além da triagem automatizada, e investir em entrevistas técnicas e comportamentais bem estruturadas, conduzidas por gestores capacitados.
Existe um desequilíbrio claro entre o candidato que conhece minimamente a IA e recrutadores que não têm esse letramento básico. Sem entender como a IA funciona, o risco de erro na contratação aumenta.
O futuro do recrutamento, afirma o especialista, passa pela união entre tecnologia, ética, verificação rigorosa e aprendizado contínuo, tanto de candidatos quanto das empresas.
Como fazer um bom currículo usando IA 📝
Para Marcos Santos, especialista em Inteligência Artificial e análise preditiva de sistemas, as plataformas mais populares e acessíveis para criar um bom currículo são ChatGPT, Gemini e NotebookLM.
A principal recomendação é que o candidato carregue o currículo real e a descrição da vaga, pedindo apenas ajustes e melhorias — sempre revisando cuidadosamente o resultado para evitar “alucinações” da IA, como a inclusão de habilidades ou idiomas que a pessoa não domina.
“O currículo não é da IA. É da pessoa. A IA ajuda a tornar a história mais clara e direta”, afirma Santos.
Segundo ele, todas as tecnologias podem ajudar, desde que o candidato siga algumas diretrizes:
Sempre carregar o currículo real e pedir apenas sugestões de melhoria;
Informar à IA para não criar informações novas;
Conferir tudo com cuidado, já que a tecnologia pode inserir dados incorretos.
“Eu pedi ao ChatGPT que criasse um currículo com informações disponíveis na internet. O sistema afirmou que eu falava finlandês só porque já viajei algumas vezes à Finlândia e fiz posts sobre isso. A IA presumiu essa habilidade”, explica.
Marcos também recomenda o uso de IA para traduzir currículos para outros idiomas, como inglês ou espanhol, o que pode ajudar a economizar tempo e dinheiro. No entanto, ele alerta que o candidato nunca deve exagerar no nível de domínio do idioma.
Caso o texto fique muito fluente, ele sugere incluir um rodapé informando que a tradução foi feita com ajuda de IA, como gesto de transparência. “No final, os recrutadores querem um candidato autêntico, uma pessoa que seja exatamente o que diz ser”, afirma.
O especialista destaca que saber usar IA de forma consciente e responsável tende a se tornar um diferencial no mercado de trabalho.
Entre os principais cuidados estão:
Ser totalmente transparente com o recrutador;
Não listar tecnologias ou habilidades que não domina;
Evitar currículos genéricos demais;
Adaptar o texto à vaga, sem exageros ou falsidades;
Lembrar que o currículo deve refletir a trajetória real do candidato.
Para Juliana Maria, uma das principais recomendações é pedir primeiro que a IA gere um prompt completo, de acordo com o contexto do candidato — como transição de carreira, mudança de cidade ou foco em determinada área — antes de solicitar o currículo final.
Depois, o candidato deve preencher esse “prompt-modelo” com seus dados reais e só então pedir que a Inteligência Artificial execute a tarefa. “O nível de entrega fica muito mais robusto”, afirma.
Ela também sugere:
Criar modelos diferentes (mais descritivo, mais objetivo, mais simples, mais detalhado);
Testar os currículos em diferentes plataformas, já que cada sistema lê as informações de forma distinta;
Avaliar qual versão gera mais retorno.
“Cada IA de recrutamento lê de um jeito”, explica. Juliana ainda alerta para não deixar campos em branco nos portais de candidatura, como cidade, escolaridade e pretensão salarial, já que a ausência dessas informações pode levar o candidato para o fim da fila ou até à eliminação automática.
Para ela, recrutadores valorizam candidatos com vontade de aprender: “Coloque no currículo interesse por tecnologia e aprendizado contínuo, mas somente se isso for verdade.”
“Se o seu perfil está completo e bem estruturado, a Inteligência Artificial encontra exatamente o que procura”, conclui.
Veja abaixo o passo a passo prático das recomendações dos especialistas:
Defina seu objetivo (vaga, área, senioridade);
Peça à IA um prompt-modelo para o seu contexto e preencha com dados reais;
Carregue o currículo atual e a descrição da vaga, depois peça sugestões de ajuste;
Crie duas ou três versões do currículo e teste em plataformas diferentes;
Preencha todos os campos nos portais de candidatura;
Revise linha por linha, buscando exageros ou inconsistências;
Declare níveis reais de idiomas e tecnologias;
Evite truques como texto invisível ou códigos ocultos;
Inclua evidências de aprendizado contínuo;
Prepare-se para a entrevista com exemplos práticos que sustentem o currículo.
Currículo de sucesso: Dicas para impressionar no primeiro contato
Foto: Drazen Zigic/Freepik
Governo Lula aposta que EUA precisarão do Brasil nos planos de estabilização da Venezuela

Governo Lula faz a aposta de que o Brasil será necessário nos planos de estabilização da Venezuela
O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aposta de que o Brasil será um agente necessário nos planos de estabilização da Venezuela.
A medida é essencial para que os Estados Unidos consigam atrair empresas petrolíferas para o país da América do Sul, após o ataque norte-americano que capturou Nicolás Maduro e deixou um cenário de incerteza no governo venezuelano.
Assessores próximos do presidente brasileiro afirmaram ao blog que a estratégia do governo é manter uma boa relação entre Lula e Trump, além de um contato próximo com o novo comando do regime venezuelano, para atuar de forma mais intensa para ajudar na estabilização do país.
Trump e Lula mantiveram um encontro bilateral na Malásia, no domingo (26/10). O Brasil aguarda a redução das tarifas de importação sobre seus produtos.
Getty Images via BBC
As mesmas fontes afirmam que a relação com Trump é tão importante que a visita de Lula aos EUA no primeiro semestre deste ano segue nos planos do Planalto, mesmo depois da ação do governo Trump no último sábado (3), para retirar Nicolas Maduro do poder.
O convite foi feito por Donald Trump na última conversa telefônica dos dois presidentes, no final do ano passado.
A estratégia corre em paralelo, mas também cria arestas com o movimento da diplomacia brasileira de criticar o sequestro de Maduro como uma interferência inaceitável dos EUA na Venezuela.
Assessores próximos do presidente Lula reconhecem, no entanto, que manter boas relações com Donald Trump faz sentido na estratégia eleitoral do governo Lula, já que o presidente dos EUA tem escolhido candidatos e tentando interferir em eleições na América Latina – o que poderá ocorrer em outubro, nas eleições brasileiras.
China e México criam cotas para limitar importação de carne bovina: o que isso significa para o Brasil?

Carne: o que as cotas da China e do México significam para o BR?
A China e o México decidiram recentemente limitar a importação de carne bovina com a criação de cotas. A medida pode afetar o Brasil, que é o maior exportador do mundo e tem os dois países entre seus principais clientes.
As mudanças foram as seguintes:
China — neste ano, o Brasil poderá vender até 1,1 milhão de toneladas com a taxa atual de importação, de 12%, paga pelas empresas chinesas que comprarem a carne. O que exceder terá uma sobretaxa de 55%. A China é o principal cliente da carne brasileira e comprou cerca de 1,6 milhão de toneladas em 2025.
México — empresas do país poderão comprar até 70 mil toneladas de carne bovina do exterior sem imposto. O que ultrapassar esse limite será taxado em 20%. Até o anúncio, feito na última segunda-feira (5), não havia tarifa. O México foi destino de 113 mil toneladas da carne do Brasil em 2025.
➡️ Afinal, quais podem ser os efeitos dessas limitações para o agro e para os consumidores brasileiros? Vai aumentar a oferta de carne no país?
A inflação das carnes no Brasil acumulava 5% de alta em 12 meses, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de novembro.
Para economistas ouvidos pelo g1, a tendência para este ano é de que os preços se mantenham elevados, pelos seguintes motivos:
o Brasil vai abater menos gado em 2026, por causa do ciclo pecuário (saiba mais ao fim da reportagem);
eleições e Copa do Mundo podem manter a demanda pela carne em alta no mercado brasileiro;
mesmo com as novas limitações, as vendas para a China devem seguir com volumes altos porque o país não tem como suprir o consumo só com a produção local e o Brasil tem um preço muito competitivo;
ainda que haja redução das exportações, o que deixar de ir para China e México poderá ser realocado para outros países, como os EUA, que suspenderam recentemente o tarifaço.
Veja os maiores compradores da carne brasileira em 2025
Kayan Albertin/g1
Queda nas exportações não é certa
Entre as duas medidas restritivas, a cota definida pela China é a que mais preocupa analistas ouvidos pelo g1.
"A cota foi bem dura, mais ou menos umas 600 mil toneladas menor do que exportamos no ano passado", analisa Cesar Castro Alves, gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA.
No entanto, essa cota vai aumentar gradualmente ao longo dos três anos de validade da medida, lembra Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador da área de pecuária do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.
Ele entende que não existe garantia de que outros países consigam suprir o mesmo volume que o Brasil destina para o país asiático. Nem a própria China.
"A China pode estar dando um tiro no pé, porque a nossa carne é a carne mais barata", diz Carvalho.
O governo chinês implementou as cotas depois de iniciar uma investigação para entender se as importações estavam prejudicando o mercado doméstico de carne bovina.
"A produção [chinesa] cresceu, mas a importação cresceu mais. O consumo, a proporção da importação aumentou. Isso obviamente incomoda quem produz lá na China. Então, até para acenar para o produtor local, eles fizeram essa investigação e tomaram essa decisão", explica Castro.
Mas ele destaca que a produção bovina leva tempo para crescer e atingir uma produtividade competitiva. Por isso, neste primeiro momento, os chineses podem não dar conta da demanda. E, assim, as cotas poderão causar inflação no país asiático.
"(Haverá) Uma grande escassez de carne lá, porque os outros países não conseguiriam competir (com o Brasil)", diz Castro.
Já o México, que é um mercado ligado aos EUA, tem uma menor dependência de importação.
Contudo, os rebanhos mexicanos diminuíram por causa da contaminação da bicheira do Novo Mundo, que se alimenta da carne viva dos bois. A doença mortal é disseminada por moscas.
"[A doença] tem sido preocupante até para os EUA, porque ele [o México] são grandes vendedores de gado vivo também para os Estados Unidos", afirma Castro.
Por causa da doença, o analista acredita que faria sentido os mexicanos diversificarem seus fornecedores.
Para onde a carne brasileira pode ir
O Brasil bateu recorde nas exportações de carne bovina em 2025 mesmo com o tarifaço temporário imposto pelos Estados Unidos.
No ano, foram 3,50 milhões de toneladas, alta de 20,9% em relação a 2024. O volume exportado movimentou US$ 18,03 bilhões, cerca de 40,1% a mais do que o faturado no ano anterior.
A China foi o principal destino da carne bovina brasileira em 2025, respondendo por 48% do volume total exportado.
Sem ela e sem o tarifaço, os EUA são um dos principais destinos em potencial para a carne brasileira, aponta Castro, do Itaú BBA.
O primeiro motivo é que a carne continua cara nos supermercados norte-americanos e a produção do país segue em queda. Os EUA têm atualmente o menor rebanho desde a década de 60, relata Carvalho, da Esalq.
O gerente do Itaú BBA lembra ainda que outros países que são grandes exportadores de carne, como o Uruguai, podem precisar do produto para seu mercado interno e, portanto, comprar mais do Brasil.
Isso já vem acontecendo com a Argentina, que importou 20 vezes mais carne brasileira entre janeiro e outubro de 2025, na comparação com o mesmo período do ano anterior, como mostrou o g1.
Existe ainda a expectativa de abertura de novos mercados, como o Japão. Porém, Castro acredita que, se o país asiático se abrir para a carne brasileira, não comprará grandes volumes imediatamente.
"Há 20 anos o Brasil negocia e, sempre que inicia o comércio, os japoneses são bem cautelosos. Não deve chegar muito forte, se chegar", afirma Castro.
Para ele, o melhor caminho é ampliar os mercados que já são consumidores, como as Filipinas.
Já Carvalho, da Esalq, entende que é importante ampliar a cartela de clientes, para diminuir a dependência de grandes compradores, como a China.
Castro, do Itaú BBA aponta que o Brasil deveria negociar com os outros países que vendem para a China para pegar parte de suas cotas. O governo já sinalizou que deverá tentar esta estratégia.
Isso porque a China criou um limite específico para cada um dos seus principais fornecedores. O Brasil ficou com o maior volume, mas ainda abaixo do que vendeu para a China em 2025. Os demais têm cotas ligeiramente acima do que venderam para aquele mercado.
Veja as cotas anuais por país (por mil toneladas)
Em 2025, esses países fizeram o seguinte volume de vendas para a China:
Argentina: 436 mil toneladas;
Uruguai: 188 mil toneladas;
Nova Zelândia: 150 mil toneladas;
Austrália: 294 mil toneladas;
Estados Unidos: 55 mil toneladas.
Produção menor no Brasil
Além de não ser certo que as exportações de carne vão diminuir por conta das limitações da China e do México, os preços devem continuar elevados no Brasil em 2026 principalmente por causa da queda esperada na produção.
A explicação está no momento atual ciclo pecuário, que é de alta. Ele funciona assim:
alta do ciclo — quando há uma expectativa de alta nos preços do bezerro, os pecuaristas, em vez de abater as vacas, preferem mantê-las nas fazendas, para reprodução. Isso provoca um aumento nas cotações dos bovinos (boi gordo, bezerro, novilhas, boi magro, vaca gorda, etc.);
baixa do ciclo — quando as projeções do preço do bezerro começam a cair, um volume maior de fêmeas é encaminhado para os abates. Isso amplia a quantidade de carne no mercado, gerando uma queda nas cotações dos bovinos.
Castro, do Itaú BBA, afirma que, apesar de a previsão ser de mais oferta de bovinos no primeiro semestre deste ano, é provável que haja mais exportações nesse período, para preencher as cotas.
Já no segundo semestre, ainda que as vendas para o exterior percam ritmo, a oferta de bovinos deve ser menor. "Então, a gente continua trabalhando aqui com preços, na média, um pouco mais elevados", conclui.
Além disso, quase 80% de toda carne produzida no Brasil, fica no próprio país.
Carvalho concorda que os preços da carne bovina deverão se manter no patamar de 2025. E pontua que o próprio mercado interno terá demandas mais altas, motivadas por eventos como as eleições e a Copa do Mundo.
Carne bovina
Foto de David Foodphototasty na Unsplash
Carne bovina
Emerson Vieira/Unplash
Carne
Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil
Apreciadores de carne bovina têm à disposição uma variedade de cortes especiais de carne
Divulgação
Como vai ficar o preço da carne bovina em 2026
Mega-Sena, concurso 2.956: prêmio acumula e vai a R$ 10 milhões

G1 | Loterias - Mega-Sena 2956
O sorteio do concurso 2.956 da Mega-Sena foi realizado na noite desta terça-feira (6), em São Paulo. Nenhuma aposta acertou as seis dezenas, e o prêmio para o próximo sorteio acumulou em R$ 10 milhões.
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Veja os números sorteados: 10 - 18 - 21 - 24 - 43 - 47
5 acertos - 23 apostas ganhadoras: R$ 63.485,37
4 acertos - 2.703 apostas ganhadoras: R$ 890,44
O próximo sorteio da Mega será na quinta-feira (8).
Mega-Sena, concurso 2.956
Reprodução/Caixa
Como funciona a Mega-sena
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Bilhetes da Mega-Sena, em imagem de arquivo
Marcelo Brandt/G1
Sob críticas por imagens sexualizadas não consentidas, empresa de IA de Musk arrecada US$ 20 bi

Grok, inteligência artificial criada por Elon Musk
REUTERS/Dado Ruvic/Illustration
A xAI, empresa de inteligência artificial de Elon Musk, anunciou nesta terça-feira (6) que arrecadou US$ 20 bilhões (R$ 107,6 bilhões) em sua mais recente rodada de financiamento. O valor supera a meta inicial de US$ 15 bilhões e ocorre em meio a críticas direcionadas ao Grok, IA desenvolvida pela companhia.
A ferramenta tem sido alvo de pressão internacional por permitir a geração de imagens falsas sexualizadas não autorizadas de mulheres e de menores de idade por meio de uma configuração chamada “Modo Picante” (“Spicy Mode”).
Fundada por Musk, a xAI compete em um mercado de IA generativa cada vez mais saturado, no qual também se destacam nomes como OpenAI, Google e Anthropic.
Grok já exaltou Hitler em postagens e apagou conteúdo após denúncias
Musk lança Grok 3, inteligência artificial com 'capacidade de raciocínio potente'
Interesse de investidores segue alto
A volumosa rodada de financiamento evidencia o apetite contínuo dos investidores por IA, apesar das dúvidas sobre como obter retornos após os enormes investimentos que vêm sendo realizados.
Por que cada vez mais analistas falam em 'bolha' da inteligência artificial prestes a estourar
A rodada de investimento, que contou com um amplo número de interessados, atraiu capital da Valor Equity Partners, Stepstone Group, Fidelity Management & Research Company, Qatar Investment Authority, MGX e Baron Capital Group, entre outros, informou a empresa.
A gigante Nvidia também participou e apoiará a expansão da infraestrutura de computação da xAI, fornecendo seus cobiçados chips e software de IA.
Ao anunciar essa capitalização, a xAI destacou avanços significativos em 2025, incluindo a ativação do que afirma serem os maiores supercomputadores de IA do mundo.
Os data centers Colossus I e II da empresa, em Memphis, agora abrigam mais de um milhão de GPUs de alto desempenho. As GPUs, ou unidades de processamento gráfico, são os semicondutores da Nvidia que impulsionam o desenvolvimento da indústria de IA.
A empresa também lançou seus modelos de linguagem Grok 4 e Grok Voice, um agente de voz em tempo real que já está disponível nos veículos da Tesla.
Segundo a xAI, seus serviços alcançam aproximadamente 600 milhões de usuários ativos mensais por meio da plataforma X e dos aplicativos do Grok.
A empresa afirmou que atualmente está treinando o Grok 5.
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Venezuela enviou US$ 5,2 bilhões em ouro para a Suíça durante o governo de Maduro

A Venezuela transportou ouro avaliado em quase 4,14 bilhões de francos suíços (US$ 5,20 bilhões) para a Suíça durante os primeiros anos do governo do presidente deposto Nicolás Maduro, mostram dados alfandegários.
O país sul-americano enviou 113 toneladas métricas do metal precioso para a Suíça entre 2013 — quando Maduro assumiu o cargo — e 2016, segundo dados analisados pela Reuters.
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O ouro teve origem no Banco Central da Venezuela, informou a emissora suíça SRF, em um período em que o governo reduzia suas reservas de ouro para sustentar a economia.
Não houve exportações de ouro venezuelano para a Suíça de 2017, quando foram impostas sanções da União Europeia, até 2025, segundo os dados alfandegários.
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Maduro foi preso por forças especiais dos Estados Unidos em uma operação em Caracas em 3 de janeiro e enfrenta acusações em um tribunal de Nova York, incluindo tráfico de drogas e narco-terrorismo.
Na segunda-feira (5), a Suíça ordenou o congelamento de ativos mantidos no país por Maduro e 36 associados, mas não forneceu informações sobre o possível valor ou a origem desses recursos.
Não se sabe se há alguma ligação entre esses ativos e o ouro transferido do banco central.
O ouro, proveniente das reservas da Venezuela, provavelmente foi transferido para a Suíça para processamento, certificação e posterior transporte, informou a SRF.
A Suíça é um dos maiores centros mundiais de refino de ouro, abrigando cinco grandes refinarias.
Trump recua sobre acusação de que Maduro chefiava cartel
Redução das reservas
O Banco Central da Venezuela reduziu suas reservas de ouro para apoiar a economia do país e obter moeda forte diante das sanções dos EUA.
“Houve uma grande venda forçada por parte do Banco Central da Venezuela entre 2012 e 2016. Grande parte disso deve ter chegado à Suíça”, disse Rhona O’Connell, analista de mercados da StoneX.
“Depois disso, o ouro pode ter permanecido com contrapartes do setor financeiro ou sido vendido em pequenas barras para a Ásia ou para qualquer outra parte do mundo.”
As exportações de ouro para a Suíça caíram a zero em 2017, quando a União Europeia sancionou vários indivíduos venezuelanos acusados de violações de direitos humanos ou de minar a democracia. A Suíça adotou as sanções da UE no início de 2018.
As sanções não incluíam um embargo geral suíço às importações de ouro da Venezuela.
“Provavelmente houve uma queda acentuada nas exportações depois disso porque o Banco Central da Venezuela simplesmente ficou sem ouro”, afirmou O’Connell, da StoneX.
Nicolás Maduro discursa durante manifestação na Venezuela
Stringer/AFP
Venezuela concorda em entregar até 50 milhões de barris de petróleo para os EUA, diz Trump

Trump diz que Venezuela entregará milhões de barris de petróleo aos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (6) que o governo interino da Venezuela concordou em entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo “de alta qualidade” ao país. O anúncio foi feito em uma rede social.
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A declaração ocorre três dias depois de uma ação militar americana na Venezuela que resultou no sequestro do ditador Nicolás Maduro. Ao menos 55 militares venezuelanos e cubanos morreram na operação.
Trump disse que o petróleo venezuelano será vendido a preço de mercado. Ele afirmou ainda que será responsável por controlar o dinheiro obtido para garantir que os recursos sejam usados “em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos”.
“O petróleo será transportado por navios de armazenamento e levado diretamente a terminais de descarga nos Estados Unidos”, afirmou.
O total de petróleo que será entregue aos EUA corresponde a cerca de dois meses da produção atual venezuelana.
Mais cedo, a agência Reuters revelou que autoridades da Venezuela e dos Estados Unidos estão discutindo a exportação de petróleo bruto venezuelano para os americanos.
Segundo fontes ouvidas pela agência, um acordo para vender o petróleo parado da Venezuela às refinarias dos EUA redirecionaria embarques que antes seguiriam para a China.
Desde dezembro, a Venezuela acumula milhões de barris de petróleo em navios e tanques de armazenamento, sem conseguir exportá-los, devido a um bloqueio imposto por Trump. O embargo fez parte da pressão americana que resultou na queda de Maduro.
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Interesse dos EUA
Plataforma de perfuração em um poço de petróleo da PDVSA em Orinoco, perto de Cabrutica, Anzoátegui
Reuters
No sábado, logo após a prisão de Maduro, Trump afirmou que pretende abrir o setor petrolífero da Venezuela para a atuação de grandes companhias dos EUA.
“Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começar a gerar lucro para o país”, declarou.
As refinarias americanas na Costa do Golfo conseguem processar os tipos pesados de petróleo da Venezuela. Antes das primeiras sanções impostas por Washington, as companhias importavam cerca de 500 mil barris por dia.
Apesar de ter as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela produz pouco atualmente — cerca de 1 milhão de barris por dia — devido às sanções e a problemas de infraestrutura.
Segundo Arne Lohmann Rasmussen, analista da consultoria Global Risk Management, aumentar essa produção, como pretende Trump, não será um processo rápido, pois exige investimentos elevados e pode levar anos.
A dimensão do mercado de petróleo da Venezuela
Equipamentos com logo da PDVSA, empresa estatal venezuelana de produção de petróleo, em imagem registrada em Lagunillas, Venezuela.
Isaac Urrutia/Reuters/Foto de arquivo
A Venezuela concentra a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com capacidade estimada em cerca de 303 bilhões de barris, segundo a Energy Information Administration (EIA), órgão oficial de estatísticas energéticas dos Estados Unidos.
Esse volume coloca o país à frente de grandes produtores como a Arábia Saudita (267 bilhões de barris) e o Irã (209 bilhões). Boa parte do petróleo venezuelano, porém, é extrapesado, o que exige tecnologia e investimentos elevados para a extração.
🔎 Na prática, o potencial é enorme, mas segue subaproveitado devido à infraestrutura precária e às sanções internacionais, que restringem operações e acesso a capital.
Segundo a Statistical Review of World Energy, publicação anual do Instituto de Energia (EI), a produção de petróleo da Venezuela despencou nas últimas décadas, de um pico de 3,7 milhões de barris por dia em 1970 para um mínimo de 665 mil barris por dia em 2021.
No ano passado, a produção registrou leve recuperação, retornando a cerca de 1 milhão de barris por dia, o que representa menos de 1% da produção global de petróleo.
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Nestlé faz recall de lotes de fórmulas infantis em mais de 30 países por risco de toxina

Logo da Nestlé na sede da empresa em Vevey, na Suíça, em 25 de novembro de 2024.
REUTERS/Denis Balibouse
A Nestlé anunciou nesta terça-feira (6) um recall de alguns lotes de produtos de nutrição infantil, incluindo as fórmulas SMA, BEBA e NAN, principalmente na Europa, devido à possível contaminação por uma toxina que pode causar náuseas e vômitos.
A multinacional suíça informou que o recall abrange lotes vendidos em mais de 30 países, incluindo Europa, Ásia e Américas, devido à possível contaminação por cereulida, uma toxina produzida por algumas cepas da bactéria Bacillus cereus.
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Confira lista de países abaixo:
Áustria
Bélgica
Bulgária
República Tcheca
Dinamarca
Finlândia
França
Alemanha
Grécia
Hungria
Irlanda
Itália
Macedônia
Holanda
Noruega
Polônia
Portugal
Romênia
Sérvia
Eslováquia
Eslovênia
Espanha
Suécia
Suíça
Turquia
Reino Unido
Ucrânia
Argentina
México
Peru
“É improvável que a toxina seja desativada ou destruída pelo cozimento, pelo uso de água fervente ou durante a fabricação do leite infantil”, informou a agência de padrões alimentícios do Reino Unido (FSA).
“A cereulida pode causar sintomas de intoxicação alimentar que se desenvolvem rapidamente e incluem vômitos e cólicas estomacais”, disse Jane Rawling, chefe de incidentes da FSA.
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O recall, iniciado em menor escala em dezembro, aumenta a pressão sobre o novo presidente-executivo, Philipp Navratil, que tenta retomar o crescimento do grupo por meio de uma revisão do portfólio.
A Nestlé afirmou, no fim da segunda-feira, que nenhuma doença havia sido confirmada em relação aos produtos recolhidos.
Após a identificação de um problema de qualidade em um ingrediente fornecido por um dos principais parceiros, a Nestlé realizou “testes em todos os óleos de ácido araquidônico e nas misturas correspondentes usadas na produção de produtos de nutrição infantil potencialmente afetados”, segundo um porta-voz da empresa.
Com a conclusão dos testes, a Nestlé realizou o recall dos produtos afetados e passou a acionar fornecedores alternativos de óleo de ácido araquidônico, além de aumentar a produção em várias fábricas e acelerar a liberação de itens não afetados dos centros de distribuição para manter o abastecimento.
Maior recall da Nestlé, diz Áustria
O Ministério da Saúde da Áustria informou que o recall afeta mais de 800 produtos de mais de 10 fábricas da Nestlé e seria o maior da história da empresa. Um porta-voz da companhia disse não ser possível confirmar esses números.
A Nestlé divulgou os números dos lotes vendidos em vários países que não devem ser consumidos e afirmou que trabalha para minimizar impactos no fornecimento.
A empresa informou que identificou o risco potencial em uma fábrica na Holanda. Já a autoridade holandesa de segurança alimentar (NVWA) afirmou que a investigação mostrou que a matéria-prima contaminada foi usada em vários locais de produção, inclusive fora do país.
Problemas envolvendo fórmulas infantis podem causar impactos relevantes às empresas. A Reckitt, por exemplo, avalia opções — incluindo uma possível venda — para seus negócios com a Mead Johnson, que enfrenta centenas de ações judiciais nos Estados Unidos por alegações, negadas pela empresa, de que sua fórmula pode causar uma doença intestinal fatal em bebês prematuros.
A Nestlé, cujas ações caíram mais de 3% nas duas últimas sessões, controla quase um quarto do mercado global de nutrição infantil, estimado em US$ 92,2 bilhões, segundo o SkyQuest Technology Group.
A Nestlé não divulga dados específicos de vendas, mas as fórmulas infantis integram a divisão de Nutrição e Ciências da Saúde, responsável por 16,6% das vendas totais de 91,4 bilhões de francos suíços (US$ 115,4 bilhões) em 2024.
As suspeitas em torno de aposta que ganhou quase meio milhão de dólares com prisão de Maduro

Um usuário fez uma aposta de mais de US$ 32 mil (R$ 175 mil) pouco antes de Trump anunciar que o líder venezuelano estava sob custódia dos EUA
Getty Images via BBC
Um apostador ganhou quase meio milhão de dólares com a captura do presidente da Venezuela pouco antes de o fato ser anunciado oficialmente, levantando questionamentos sobre se alguém lucrou com informações privilegiadas sobre a operação dos EUA.
Apostas na Polymarket, uma plataforma movida a criptomoedas, de que Nicolás Maduro deixaria o poder até o fim de janeiro aumentaram nas horas que antecederam o anúncio feito no sábado (3/1) pelo presidente americano Donald Trump de que o líder venezuelano havia sido detido.
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Uma conta, que entrou na plataforma no mês passado e fez quatro apostas, todas relacionadas à Venezuela, lucrou mais de US$ 436 mil (R$ 2,3 milhões) a partir de uma aposta de US$ 32.537 (R$ 175 mil).
Ainda não está claro quem fez a aposta. A conta anônima tinha um identificador de blockchain, tecnologia de registro digital descentralizado, composto por letras e números.
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Dados da Polymarket mostram que, na tarde de sexta-feira (2/1), os operadores estimavam as chances de saída de Maduro em apenas 6,5%.
Mas elas haviam saltado para 11% pouco antes da meia-noite e dispararam nas primeiras horas de 3 de janeiro, indicando uma mudança repentina de posições pouco antes de Trump publicar na rede social Truth Social que Maduro estava sob custódia dos EUA.
A Polymarket não respondeu a um pedido de comentário.
"Essa aposta em particular tem todas as características de uma negociação baseada em informação privilegiada", disse Dennis Kelleher, diretor-executivo da Better Markets, grupo apartidário que defende a reforma financeira, à CBS, parceira da BBC nos EUA.
Um pequeno número de outros usuários da Polymarket também ganhou dezenas de milhares de dólares com apostas na captura de Maduro.
Maduro passa pela 1ª audiência em tribunal dos EUA e se diz inocente
Como é a regulamentação de apostas nos EUA
Alguns parlamentares começam a prestar atenção ao tema.
O congressista Ritchie Torres, democrata de Nova York, apresentou na segunda-feira um projeto de lei que busca proibir funcionários do governo de fazer negociações em mercados de previsão se tiverem "informações relevantes não públicas" relacionadas a uma aposta.
Os mercados de apostas ganharam popularidade nos EUA nos últimos anos, com empresas como Polymarket e Kalshi permitindo que usuários apostem em tudo, de esportes a política.
As principais empresas do setor atraíram centenas de milhões de dólares em apostas sobre o resultado da eleição presidencial dos EUA de 2024.
O setor foi alvo de fiscalização e questionamentos por parte de reguladores durante o governo Biden. Mas recebeu uma acolhida mais favorável durante a presidência de Trump.
Donald Trump Jr., filho do presidente, atua em funções de consultoria na Kalshi e na Polymarket.
A negociação com informação privilegiada é ilegal no mercado de ações, mas há menos regulamentações nos mercados de apostas.
Um porta-voz da Kalshi afirmou que o site "proíbe explicitamente qualquer forma de negociação com informação privilegiada, incluindo funcionários do governo negociando em mercados de previsão relacionados a atividades governamentais".
Último vencedor do bolão da Mega da Virada 2025 em Franco da Rocha se apresenta e saca prêmio milionário

Seis apostas vão dividir o maior prêmio da história da Mega da virada
O último dos vencedores da Mega da Virada 2025 de um bolão registrado em Franco da Rocha, na Grande São Paulo, se apresentou nesta terça-feira (6) à Caixa Econômica Federal para sacar o prêmio de mais de R$ 10 milhões referente à sua cota no jogo que acertou as seis dezenas.
Com isso, todas as 18 cotas deste bolão vencedor já tiveram o valor retirado.
Segundo a Caixa, o bolão de Franco da Rocha foi uma das seis apostas vencedoras da Mega da Virada 2025. O jogo tinha 14 números e foi montado pelo próprio dono da lotérica. Ao todo, eram 18 cotas, cada uma no valor de R$ 1.351,34 (leia mais abaixo).
O prêmio total do bolão foi de R$ 181.892.881,09, o que garantiu a cada cota um valor superior a R$ 10 milhões.
Mega-Sena bilhete volante Loterias
Millena Sartori/g1
Em nota, a Caixa informou que os apostadores das apostas individuais contempladas com o prêmio principal (seis acertos), registradas em Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP), todas feitas por canal eletrônico, já haviam se apresentado anteriormente para o recebimento do prêmio.
Em relação ao bolão de 10 cotas registrado na cidade de Ponta Porã (MS), todos os apostadores também já se apresentaram para o recebimento do prêmio.
O único que ainda não retirou o prêmio foi o ganhador da aposta simples realizada em João Pessoa (Paraíba).
O prazo para resgate do prêmio é de 90 dias após o sorteio. Como ele foi realizado em 1º de janeiro de 2026, é possível retirar a premiação até 1º de abril.
Bolão com 18 cotas foi um dos acertadores da Mega da Virada 2025
Reprodução
Como foi feita a aposta de Franco da Rocha
Valdeir da Silva Pereira, de 61 anos, proprietário da Lotérica Estrela de Bertioga, que fica no Centro da cidade, conta que fez o bolão no dia 1º de novembro. O jogo com 14 números custa R$ 18.018,00 - por isso, ele separou a aposta em 18 cotas — cada uma sai R$ 1.001 mais a tarifa de serviço de R$ 350,34.
Ele mandou, então, o bilhete num grupo de Whatsapp que tem com cerca de 50 clientes, mas apenas alguns compraram cotas. As demais foram vendidas diretamente no balcão da lotérica ao longo das semanas seguintes - sendo que a última só saiu dias antes do sorteio.
Na segunda-feira (29), ainda tinha essa última cota disponível. Eu ia viajar à tarde e pensei: 'Se ninguém comprar até lá, vou ficar com ela para mim', mas aí apareceu um cliente, viu os números e falou: 'Esse jogo é meu'.
Os números escolhidos são os que Valdeir costuma usar em jogos particulares dele e se referem a informações pessoais dele e da família, como datas de nascimento e de casamento. "Desta vez, pensei: vou jogar num bolão. E deu certo!", diz.
Depois do sorteio, o grupo de clientes no Whatsapp ficou alvoroçado e teve muita gente lamentando não ter comprado nenhuma cota.
O dia foi mais movimentado na lotérica em 2 de janeiro, com pessoas querendo fazer uma fezinha. Proprietário do local há 13 anos, Valdeir garante ser pé quente: "Aqui já tinham saído algumas quinas da Mega e o prêmio principal da Lotofácil. E espero continuar com essa sorte".
Dono da lotérica de Franco da Rocha com funcionários e bilhete premiado na Mega da Virada
Arquivo pessoal
Números sorteados
Após adiar o sorteio da Mega da Virada 2025 por problemas técnicos, a Caixa divulgou, na manhã de quinta-feira (1º), as dezenas que garantiram o maior prêmio da história da loteria: R$ 1,09 bilhão.
👉 Veja os números sorteados: 09 - 13 - 21 - 32 - 33 - 59
Números sorteados da Mega da Virada 2025
reprodução/Caixa
Além dos vencedores do prêmio principal, 3.921 apostas acertaram a quina e vão levar R$ 11.931,42 cada. Já os 308.315 ganhadores da quadra vão embolsar R$ 216,76 cada um.
As casas lotéricas que registraram os vencedores do prêmio máximo estão localizadas nas seguintes cidades:
João Pessoa (PB), com 1 aposta vencedora;
Ponta Porã (MS), com 1 aposta vencedora, com 10 cotas de um bolão;
Franco da Rocha (SP), com 1 aposta vencedora, com 18 cotas de um bolão.
As outras três apostas vencedoras foram registradas de forma eletrônica, sem a necessidade de uma casa lotérica física.
Saiu o resultado da Mega da Virada 2025
Veja abaixo perguntas e respostas sobre a Mega da Virada:
O que causou o atraso da Mega da Virada 2025?
Quais as chances de levar a bolada?
Existem bolinhas mais leves que outras?
Como o valor do prêmio é estipulado?
Veja os dez maiores prêmios da Mega da Virada
Como resgatar o prêmio?
Como foi o sorteio de 2024?
O que causou o atraso da Mega da Virada 2025?
A Caixa informou, após uma hora de atraso, que o sorteio da Mega da Virada 2025 seria realizado somente no dia 1° de janeiro de 2026.
O sorteio estava previsto para as 22h da última quarta-feira (31), com transmissão ao vivo pelas páginas da instituição nas redes sociais.
O prêmio, agora confirmado no valor de R$ 1,09 bilhão, gerou um movimento inédito nos canais de aposta, que chegou a 120 mil transações por segundo no canal digital e 4.745 transações por segundo nas unidades lotéricas.
Antes do sorteio da Mega da Virada 2025, outros jogos também sofreram atrasos. Às 17h11 do dia 31, o apresentador Pereira Júnior informou que Quina, Lotofácil, +Milionária, Lotomania e Super Sete teriam seus resultados divulgados mais tarde.
Às 23h25, durante a divulgação dos números da Mega da Virada, a apresentadora Nadiara Pereira informou que todos os sorteios serão realizados nesta quinta-feira.
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Quais as chances de levar a bolada?
Desde a primeira edição, em 2009, a Mega da Virada já contemplou 130 apostas que acertaram as seis dezenas. Os números mais sorteados ao longo da história são:
10 → 5 vezes
5, 33 e 36 → 4 vezes cada
3, 17, 20, 29, 34, 41, 56 e 58 → 3 vezes cada
A chance de acertar depende da quantidade de números escolhidos e do valor da aposta. Em uma aposta simples, com seis números, a probabilidade de ganhar o prêmio principal é de uma em mais de 50 milhões, segundo a Caixa Econômica Federal.
Ao apostar com 20 números, as chances aumentam para uma em 1.292. Veja a tabela abaixo:
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Existem bolinhas mais leves que outras?
Segundo a Caixa, todas as bolinhas utilizadas nos sorteios das Loterias são fabricadas em borracha maciça e possuem o mesmo peso e diâmetro, de 66 gramas e 50 milímetros, respectivamente.
"Essas características são verificadas regularmente para garantir a imparcialidade do processo", informou o banco.
A análise técnica das bolas utilizadas é realizada periodicamente, por um instituto de metrologia especializado, "para atestar a integridade e aleatoriedade dos sorteios, garantindo que cada bola possui a mesma condição física e a mesma probabilidade de ser sorteada", disse a Caixa.
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Como o valor do prêmio é estipulado?
Segundo a Caixa Econômica Federal, a maior parte do prêmio é formada pela arrecadação das apostas do próprio sorteio.
O valor da Mega da Virada também é reforçado pelos prêmios regulares acumulados ao longo do ano.
Na edição de 2025, estima-se que mais de R$ 1 bilhão seja destinado a programas sociais. Ao apostar, o brasileiro ajuda a financiar áreas essenciais como esporte, educação, cultura, segurança e seguridade social.
Pela legislação vigente, quase metade da arrecadação das Loterias Caixa é destinada a esses repasses. Mais detalhes podem ser consultados no site oficial das Loterias Caixa.
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Os maiores prêmios já pagos
2024: R$ 635,4 milhões
2023: R$ 588,8 milhões
2022: R$ 541,9 milhões
2021: R$ 378,1 milhões
2020: R$ 325,2 milhões
2017: R$ 306,7 milhões
2019: R$ 304,2 milhões
2018: R$ 302,5 milhões
2014: R$ 263,2 milhões
2015: R$ 246,5 milhões
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Como resgatar o prêmio?
O ganhador poderá retirar o prêmio em uma agência da Caixa. Para valores iguais ou superiores a R$ 10 mil, o pagamento ocorre em no mínimo dois dias úteis após a apresentação do vencedor na agência.
É necessário apresentar o bilhete premiado ou o comprovante da aposta, junto com um documento de identificação com foto e CPF.
A Caixa orienta que, caso o bilhete tenha sido emitido em uma lotérica, o ganhador deve preencher seus dados no verso antes de sair de casa.
Os dados exigidos são: nome completo, número do documento de identificação e CPF. Assim, segundo a instituição, o apostador assegura que ninguém mais retire o prêmio.
O prazo para retirada do prêmio é de 90 dias corridos após a data do sorteio. Depois disso, o valor é destinado ao Fundo de Financiamento Estudantil (FIES).
Para prêmios de até R$ 2.112,00, como nos demais concursos, o pagamento pode ser feito diretamente nas casas lotéricas.
Mega da Virada paga o maior prêmio da história em 2023
Edi Sousa/Ato Press/Estadão Conteúdo
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Como foi o sorteio de 2024?
O sorteio foi realizado na noite de 31 de dezembro, com prêmio de R$ 635.486.165,38.
Os números sorteados foram: 01 - 17 - 19 - 29 - 50 - 57
8 apostas acertaram os seis números. O prêmio foi de R$ 79.435.770,67 para cada;
2.201 apostas acertaram cinco números. O prêmio foi de R$ 65.895,79 para cada.
190.779 apostas acertaram quatro números. O prêmio foi de R$ 1.086,04 para cada.
Veja de onde são os ganhadores do prêmio máximo:
Brasília (DF), com 2 apostas vencedoras
Nova Lima (MG), com 1 aposta vencedora
Curitiba (PR), com 2 apostas vencedoras
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Venezuela e EUA já conversam sobre retomada da exportação de petróleo, diz agência

Autoridades da Venezuela e dos Estados Unidos já estão discutindo a exportação de petróleo bruto venezuelano para os americanos. A informação é da agência Reuters, citando cinco fontes dos governos, da indústria e do setor de transporte marítimo.
A Venezuela acumula milhões de barris de petróleo em navios e tanques de armazenamento, sem conseguir exportá-los por causa de um bloqueio imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em vigor desde dezembro.
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O embargo faz parte da crescente pressão americana sobre o governo de Nicolás Maduro — que resultou na prisão do líder venezuelano no último sábado (3).
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, um acordo para vender o petróleo parado da Venezuela às refinarias dos EUA redirecionaria os embarques que antes seguiriam para a China.
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O país asiático é o maior comprador da Venezuela na última década, especialmente desde que os americanos impuseram sanções a empresas envolvidas no comércio de petróleo venezuelano em 2020.
O fornecimento aumentaria o volume de petróleo venezuelano exportado para os EUA, um fluxo atualmente controlado pela petroleira americana Chevron — que opera na Venezuela por meio de joint ventures com a estatal PDVSA — sob autorização do governo dos EUA.
A Chevron exporta, atualmente, entre 100 mil e 150 mil barris de petróleo venezuelano por dia para os EUA. Nas últimas semanas, a empresa passou a ser vista como a única capaz de carregar e enviar o combustível do país sul-americano de forma contínua, em meio ao bloqueio.
A PDVSA já precisou reduzir a produção devido ao embargo dos EUA, pois está ficando sem espaço para armazenar o petróleo. Se não encontrar uma forma de exportar em breve, terá que cortar ainda mais a produção, disse uma das fontes da Reuters.
Interesse dos EUA
No sábado (3), logo após a prisão de Nicolás Maduro por forças americanas, o presidente Donald Trump afirmou que pretende abrir o setor petrolífero da Venezuela à atuação de grandes companhias dos EUA.
“Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera que está em péssimo estado e começar a gerar lucro para o país", declarou.
As refinarias americanas na Costa do Golfo conseguem processar os tipos pesados de petróleo da Venezuela. Antes das primeiras sanções impostas por Washington, as companhias importavam cerca de 500 mil barris por dia.
Apesar de ter as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela produz pouco atualmente, cerca de 1 milhão de barris por dia, devido às sanções e a problemas de infraestrutura.
De acordo com Arne Lohmann Rasmussen, analista da consultoria Global Risk Management, aumentar essa produção, como pretende Trump, não será um processo rápido, pois exige investimentos elevados e pode levar anos.
A dimensão do mercado de petróleo da Venezuela
A Venezuela concentra a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com capacidade estimada em cerca de 303 bilhões de barris, segundo a Energy Information Administration (EIA), órgão oficial de estatísticas energéticas dos Estados Unidos.
Esse volume coloca o país à frente de grandes produtores como Arábia Saudita (267 bilhões de barris) e Irã (209 bilhões). Boa parte do petróleo venezuelano, porém, é extrapesada, exigindo tecnologia avançada e investimentos elevados para sua extração.
🔎 Na prática, o potencial é enorme, mas segue subaproveitado devido à infraestrutura precária e às sanções internacionais que restringem operações e acesso a capital.
Segundo a Statistical Review of World Energy, publicação anual do Instituto de Energia (EI), a produção de petróleo da Venezuela despencou nas últimas décadas, de um pico de 3,7 milhões de barris por dia em 1970 para um mínimo de 665 mil barris por dia em 2021.
No ano passado, a produção registrou leve recuperação, retornando a cerca de 1 milhão de barris por dia, o que representa menos de 1% da produção global de petróleo.
Imagem mostra o presidente dos EUA, Donald Trump (E), em Washington, DC, em 9 de julho de 2025, e o presidente venezuelano, Nicolás Maduro (D), em Caracas, em 31 de julho de 2024.
AFP/Jim Watson
Dependência histórica do petróleo
O petróleo moldou a economia venezuelana ao longo do século XX. Após grandes descobertas nas décadas de 1920 e 1930, o país rapidamente se tornou um dos maiores produtores do mundo e, em 1960, ajudou a fundar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
Em 1976, o governo nacionalizou a indústria petrolífera e criou a PDVSA, transformando o setor em um monopólio estatal. Nas décadas seguintes, durante os governos de Hugo Chávez, grande parte da renda do petróleo foi destinada a programas sociais, reduzindo outros investimentos na economia.
Como resultado, entre 1998 e 2019, mais de 90% das exportações venezuelanas vieram do petróleo. Quando a produção caiu, o país passou a enfrentar sanções internacionais, agravando a crise econômica.
A queda acentuada nas receitas do petróleo também contribuiu para a explosão inflacionária na Venezuela. Segundo o Banco Central, em 2019 os preços subiram 344.510% — o que significa que produtos que custavam 1 unidade monetária passaram a custar cerca de 3.400 vezes mais.
União Europeia avança para assinar acordo com Mercosul após Itália sinalizar apoio

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, o presidente da França, Emmanuel Macron, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, se reúnem antes do encontro do G7++ durante a cúpula do G20 em Joanesburgo, na África do Sul, em 22 de novembro de 2025.
HENRY NICHOLLS/Pool via REUTERS
A Comissão Europeia parece ter conquistado o apoio crucial da Itália nesta terça-feira (6) para o fechamento do acordo de livre comércio com o Mercosul, abrindo caminho para que a União Europeia assine o tratado já na próxima semana.
Itália e França frustraram as expectativas de um acordo em dezembro, ao afirmar que não estavam prontas para apoiá-lo até que fossem resolvidos os temores dos agricultores sobre um possível influxo de commodities mais baratas do Mercosul, como carne bovina e açúcar.
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No entanto, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, recebeu com satisfação uma carta enviada pela Comissão nesta terça-feira que propõe acelerar o apoio de 45 bilhões de euros aos agricultores, descrevendo a iniciativa como um “passo positivo e significativo”.
O ministro italiano da Agricultura, Francesco Lollobrigida, afirmou que a União Europeia agora propõe aumentar os gastos com a agricultura italiana no período de 2028 a 2034, em vez de reduzi-los.
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Uma fonte da União Europeia disse posteriormente que a Itália votaria a favor do acordo comercial com o Mercosul em uma reunião marcada para sexta-feira.
A Comissão Executiva, apoiada por países como Alemanha e Espanha, tenta obter a ampla maioria de 15 Estados-membros, que representem 65% da população da União Europeia, necessária para autorizar a assinatura do acordo, possivelmente já em 12 de janeiro.
Acordo seria o maior da UE em termos de cortes tarifários
Eles afirmam que o acordo, negociado ao longo de 25 anos e que seria o maior da União Europeia em termos de redução de tarifas, é essencial para impulsionar exportações afetadas por impostos de importação dos Estados Unidos e reduzir a dependência da China, ao garantir acesso a minerais estratégicos.
Como Polônia e Hungria se opõem ao acordo e a França mantém uma posição crítica, o apoio da Itália torna-se um fator decisivo para que o tratado seja assinado.
A Comissão manteve discussões com os Estados-membros nas últimas duas semanas e o bloco está no caminho certo para assinar o acordo em breve, afirmou um porta-voz do Executivo.
O Executivo da União Europeia convidou os 27 ministros da Agricultura do bloco para uma reunião em Bruxelas na quarta-feira.
Os comissários europeus de Agricultura, Comércio e Saúde devem apresentar garantias sobre o futuro financiamento aos agricultores no âmbito da Política Agrícola Comum (PAC), incluindo um fundo de crise de 6,3 bilhões de euros no próximo orçamento da União Europeia.
A iniciativa da Comissão de fundir os fundos de coesão regional com os recursos da PAC no próximo orçamento de sete anos gerou preocupação entre países com forte setor agrícola.
A Comissão também analisará os controles de importação, incluindo os níveis máximos permitidos de resíduos de pesticidas, segundo relataram dois diplomatas da União Europeia.
“É um momento crítico para discutir as demandas dos agricultores”, afirmou um dos diplomatas.
Com tarifaço dos EUA, balança comercial tem superávit de US$ 68,3 bilhões em 2025, pior resultado em três anos

Balanço 2025: efeitos do tarifaço foram menores do que o esperado na economia; bolsa subiu e dólar recuou
Impactada pelo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a balança comercial brasileira registrou em 2025 um superávit de US$ 68,3 bilhões. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
🔎 O resultado é de superávit quando as exportações superam as importações. No sentido oposto, o saldo é de déficit.
Apesar de positivo, o saldo brasileiro com o exterior caiu 7,9% na comparação com o ano anterior, quando somou US$ 74,2 bilhões. Esse foi também o menor superávit da balança comercial brasileira em três anos.
👉🏽 Além do impacto do tarifaço norte-americano sobre as exportações brasileiras, outro fator que contribuiu para a redução do superávit no ano passado foi o aumento das importações — movimento que, segundo analistas, está ligado à continuidade do crescimento da economia.
No total, em 2025:
As exportações somaram US$ 348,7 bilhões, com alta de 3,9% pela média diária, na comparação com 2024;
Apesar dos efeitos do tarifaço, as vendas externas atingiram um recorde histórico anual em 2025;
As importações totalizaram US$ 280,4 bilhões, com alta de 7,1% pela média diária, em relação ao ano anterior;
As compras no exterior, segundo o governo, também alcançaram o maior patamar da série histórica.
Tarifaço dos Estados Unidos
Sob o impacto do tarifaço, as exportações brasileiras para os EUA recuaram, passando de US$ 40,37 bilhões em 2024 para US$ 37,72 bilhões no ano passado — uma queda de 6,6%, ou US$ 2,65 bilhões.
Com isso, o déficit comercial do Brasil com os americanos cresceu de forma expressiva, somando US$ 7,53 bilhões no ano passado. O avanço foi de quase 2.900% na comparação com 2024, quando o déficit foi de US$ 253 milhões.
Dados da série histórica do Ministério do Desenvolvimento mostram que o Brasil registra déficits comerciais consecutivos com os EUA desde 2009, há 17 anos. O resultado negativo de 2025 foi o pior desde 2022, em um intervalo de três anos.
Linha do tempo
O tarifaço do presidente Donald Trump foi implementado de forma gradual, com início em abril para todos os países, embora alguns produtos tenham recebido taxação mais elevada, como aço e alumínio.
Em agosto, foi anunciada uma sobretaxa específica de 50% para o Brasil. Ainda assim, foi divulgada uma extensa lista de exceções, com mais de 700 itens, incluindo suco de laranja, aeronaves, petróleo e fertilizantes.
Com o passar dos meses e a aproximação entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as negociações avançaram e, em novembro, os EUA retiraram do tarifaço outros produtos brasileiros, como carne bovina, café, açaí e cacau. Ainda assim, parte da pauta segue tarifada.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático - ASEAN em Kuala Lampur, Malásia.
Ricardo Stuckert/Presidência da República
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, disse que o Brasil vai seguir nas negociações para conseguir reduzir o impacto do tarifaço norte-americano.
Segundo ele, inicialmente, 37% das exportações brasileiras para os Estados Unidos eram afetadas pela alíquota mais alta, de 50%. Após recuos de Trump, isso caiu para 22% das vendas para o país norte americano.
“O trabalho continua e vai ser acelerado, para nós excluirmos mais produtos e reduzirmos mais alíquotas, até porque a tarifa média de entrada do produto estadunidense no Brasil é de 3,7%”, disse Alckmin.
Outros mercados
A situação da balança comercial brasileira no ano passado só não foi pior porque o país conseguiu ampliar as exportações para outros mercados, como China, Europa e Mercosul — especialmente a Argentina. Esse movimento ajudou a compensar os efeitos do tarifaço dos EUA.
Exportações para outros blocos e regiões em 2025:
China: +6%;
Mercosul: +26,6%;
Europa: +6,2%.
"Em meio às dificuldades geopolíticas, conseguimos conquistar novos mercados e ampliar os que já tínhamos. O resultado reflete também o conjunto de programas e ações do governo do presidente Lula para aumentar a produtividade e a competitividade de nossas empresas no exterior", afirmou Geraldo Alckmin.
Para 2026, o governo espera que o saldo da balança comercial irá se recuperar e fechar o ano entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões.
“Estamos otimistas, que mesmo num cenário geopolítico instável, vai crescer o comércio exterior”, declarou o vice-presidente.
Alckmin evitou responder se os Estados Unidos poderão aplicar sanções a países que mantiverem comércio com a Venezuela, após Trump capturar Maduro.
“Em relação à questão internacional, o presidente Lula tem com Trump um bom relacionamento. Tiveram vários encontros, conversas avançaram e nossa tarefa é avançar ainda mais”, respondeu Alckmin.
Sobre a expectativa para a Venezuela, ele disse que “torcemos que ela possa se recuperar, crescer”.
Petrobras paralisa perfuração da Foz do Amazonas após vazamento de fluido

Petrobras paralisa perfuração da Foz do Amazonas após vazamento
A Petrobras informou nesta terça-feira (6) que interrompeu a perfuração na Foz do Amazonas após identificar a perda de fluido em duas linhas auxiliares — tubulações de apoio que ligam o navio-sonda ao poço Morpho. O local está a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá.
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Segundo a estatal, o vazamento, identificado no domingo (4), foi imediatamente contido e isolado. A operação foi interrompida para que as tubulações fossem levadas à superfície, avaliadas e reparadas. O Ibama informou que já foi comunicado sobre o caso e que não houve vazamento de petróleo. (leia abaixo)
🔎 O material liberado foi o fluido de perfuração, conhecido como “lama”. Ele é usado para resfriar a broca, remover fragmentos de rocha e controlar a pressão do poço. Trata-se de um fluido à base de água, com aditivos de baixa toxicidade, comum em perfurações no mar.
"Não há problemas com a sonda ou com o poço, que permanecem em total condição de segurança. A ocorrência também não oferece riscos à segurança da operação de perfuração", informou a Petrobras.
Exploração da Foz do Amazonas: o que se sabe e o que falta saber sobre a operação
Infográfico mostra local de vazamento que fez Petrobras interromper perfuração na Foz do Amazonas.
Arte/g1
Em nota, a companhia afirmou ainda que adotou todas as medidas de controle e notificou os órgãos competentes. Acrescentou que o fluido “atende aos limites de toxicidade permitidos” e é biodegradável, sem risco ao meio ambiente ou à população.
O presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, afirmou que houve um problema de despressurização, que provocou o vazamento de um líquido conhecido como fluido hidráulico, de caráter biodegradável.
“Não há petróleo no vazamento. A sonda ainda não alcançou o petróleo. Isso só ocorrerá em fevereiro”, declarou Agostinho.
Segundo ele, a estatal mantém contato com o Ibama desde a segunda-feira (5), e o plano de emergência está funcionando conforme o previsto. “Nos próximos dias, a Petrobras fará os reparos e retomará os trabalhos.”
Em nota emitida na tarde desta terça, o Ibama informou que foi notificado pela Petrobras por meio do Sistema Nacional de Emergências Ambientais (Siema).
Segundo o instituto, a estatal declarou que as operações foram interrompidas, as linhas afetadas foram isoladas na superfície e a válvula de fundo foi mantida fechada. (leia a íntegra do comunicado abaixo)
Edifício-sede da Petrobras, no centro do Rio
Marcos Serra Lima/g1
Exploração da Foz do Amazonas
Em outubro de 2025, o Ibama autorizou a Petrobras a perfurar um poço em águas profundas na região da Foz do Amazonas, localizada na Margem Equatorial — que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte. O aval é exclusivo para pesquisa exploratória.
A atividade na região é duramente criticada por ambientalistas, enquanto especialistas em petróleo ressaltam sua importância para a produção.
A perfuração pela estatal começou imediatamente após o aval do Ibama. A previsão é que a exploração dure cerca de cinco meses. Os efeitos concretos da iniciativa, portanto, só poderão ser observados após esse período.
🔎 Nesta fase, não há produção de petróleo: trata-se exclusivamente de pesquisa exploratória. Apesar disso, a etapa é vista como uma derrota para aqueles que são contra a exploração na região.
Segundo a Petrobras, o processo prevê a coleta de dados geológicos para verificar a presença de petróleo e gás em escala comercial.
A perfuração é realizada no bloco FZA-M-059, localizado em mar aberto, a cerca de 175 km da costa do Amapá e 500 km da foz do Rio Amazonas, em uma área de águas profundas.
A área está localizada no extremo oeste da Margem Equatorial brasileira e tem cerca de 268 mil km², de acordo com a petroleira. A extensão abrange a plataforma continental, o talude e a região de águas profundas, até o limite entre as crostas continental e oceânica.
A Margem Equatorial é vista como uma das novas fronteiras de exploração de petróleo e gás no Brasil, com potencial para se tornar um novo “pré-sal”, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME).
Potencial exploratório
O governo estima que a Margem Equatorial teria reservas que permitiriam explorar 1,1 milhão de barris de petróleo diariamente. É mais do que a capacidade dos dois principais campos da Bacia de Santos: Tupi, com cerca de 850 mil barris por dia, e Búzios, que ultrapassou os 900 mil.
Segundo o MME, com isso, seria possível retirar até 10 bilhões de barris de petróleo da região. Atualmente, o Brasil tem uma reserva comprovada de 16,8 bilhões de barris — o que seria suficiente para manter o país sem precisar comprar petróleo de outros países até 2030.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) calcula que a Bacia da Foz do Amazonas possui um volume recuperável de 6,2 bilhões de barris de óleo equivalente. A estimativa faz parte de um estudo que compõe um projeto dedicado à análise das bacias sedimentares brasileiras.
Bruno Carazza fala sobre exploração da Bacia da Foz do Amazonas
Veja a íntegra da nota da Petrobras:
A Petrobras informa que, neste domingo (04/01), foi identificada perda de fluido de perfuração em duas linhas auxiliares que conectam a sonda de perfuração ao poço Morpho, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do estado do Amapá.
A perda do fluido de perfuração foi imediatamente contida e isolada. As linhas serão trazidas à superfície para avaliação e reparo.
Não há problemas com a sonda ou com o poço, que permanecem em total condição de segurança. A ocorrência também não oferece riscos à segurança da operação de perfuração.
A Petrobras adotou todas as medidas de controle e notificou os órgãos competentes. O fluido utilizado atende aos limites de toxicidade permitidos e é biodegradável, portanto não há dano ao meio ambiente ou às pessoas.
Veja a íntegra da nota do Ibama:
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) recebeu, no último domingo (04/01), Comunicação Inicial de Incidente da Petrobras sobre a perda de fluido de perfuração em duas linhas auxiliares que conectam a sonda de perfuração ao poço Morpho, localizado a cerca de 175 km da costa do Amapá.
Consta na Comunicação, enviada via Sistema Nacional de Emergências Ambientais (Siema), canal oficial de comunicação de acidentes, que durante a circulação de fluido de perfuração do poço (fluido de perfuração de base não aquosa) foi observado o indício de perda e, após inspeção, foi constatada descarga do fluido para o mar.
De acordo com a Petrobras, as operações foram interrompidas, as linhas afetadas foram isoladas em superfície e a válvula de fundo foi mantida fechada. Consequentemente, a descarga foi paralisada. As causas estão em apuração na área competente do Ibama, que acompanha o caso.
União Europeia concede benefícios a agricultores pelo acordo com o Mercosul

Lixo deixado por agricultores franceses em frente à casa de praia de Emmanuel Macron em Le Toquet, na França, em 19 de dezembro de 2025
BERNARD BARRON / AFP
A União Europeia (UE) ofereceu, nesta terça-feira (6), um incentivo aos agricultores insatisfeitos com o acordo comercial que o bloco planeja assinar com o Mercosul e com os planos de reformar os subsídios agrícolas ao setor.
A Comissão Europeia, braço Executivo do bloco, prevê modificar sua proposta orçamentária para 2028-2034 com o objetivo de permitir que os agricultores tenham acesso antecipado a cerca de 45 bilhões de euros (R$ 286 bilhões, na cotação atual).
A informação consta em uma carta assinada por sua presidente, Ursula von der Leyen.
O anúncio da Comissão ocorreu às vésperas de uma reunião especial de ministros da Agricultura em Bruxelas, destinada a responder às "preocupações" do setor.
Os agricultores de França e Itália, entre outros, temem o impacto da entrada maciça na Europa de carne, arroz, mel e soja sul-americanos, vistos como mais competitivos por suas normas de produção, em troca da exportação de veículos e maquinaria europeia ao Mercosul.
Juntamente com o Mercosul, a reforma da Política Agrícola Comum (PAC) 2028-2034 é um dos motivos de descontentamento dos agricultores.
A UE mencionou na segunda-feira que esperava assinar "em breve" o acordo de livre comércio com o bloco sul-americano, formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
A assinatura do acordo de livre comércio está prevista para 12 de janeiro. No entanto, Von der Leyen precisa primeiro do aval dos Estados-membros, que será votado na sexta-feira.
Agricultores franceses despejaram esterco e lixo em frente à casa de praia de Macron em protesto contra o Mercosul
Agricultores protestam contra acordo entre União Europeia e Mercosul
Uma reunião estava prevista em dezembro para assinar o pacto, mas as relutâncias da França e da Itália o impediram no último momento.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, aplaudiu a iniciativa.
"É um passo à frente positivo e importante nas negociações que conduzirão ao novo orçamento da UE", afirmou.
Ainda nesta terça, uma fonte da UE consultada pela agência de notícias Reuters disse que a Itália votará a favor do acordo comercial.
Vitória tem o metro quadrado mais caro do país entre as capitais

Jardim da Penha e Praia do Canto
Proeng/ Divulgação
Comprar um imóvel ficou mais caro no Brasil em 2025, e Vitória registrou uma das maiores altas entre as capitais. Hoje, a capital do Espírito Santo tem o metro quadrado mais caro do país entre elas.
Segundo o Índice FipeZAP, os imóveis residenciais subiram, em média, 6,52% em 2025, acima da inflação estimada em pouco mais de 4%. Em Vitória, a valorização foi ainda maior: 15,13% no ano, colocando a cidade entre as cinco capitais com maior alta.
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Além disso, Vitória lidera o ranking de preços entre as capitais brasileiras, com o metro quadrado custando, em média, R$ 14.108. Isso significa que um apartamento de 50 metros quadrados pode chegar a mais de R$ 700 mil.
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O aumento dos preços reflete o bom desempenho da economia e o mercado de trabalho aquecido, com a menor taxa de desemprego da série histórica, segundo o IBGE.
O levantamento do FipeZAP acompanha preços de imóveis em 56 cidades brasileiras e mostra que a alta foi generalizada em 2025.
Entre as capitais, além de Vitória, os maiores aumentos foram registrados em Salvador, com alta de mais de 16%, João Pessoa, Fortaleza e São Luís, todas com valorização acima de dois dígitos no ano.
Vitória tem o metro quadrado mais caro do país entre as capitais
Vitor Nogueira/Arquivo/PMV
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Já em algumas capitais, o avanço foi mais tímido. Brasília, Goiânia e Aracaju tiveram reajustes abaixo da inflação, o que representa, na prática, queda real nos preços dos imóveis.
No ranking de valores, depois de Vitória, aparecem Florianópolis, com o metro quadrado em torno de R$ 12.700, e São Paulo, perto de R$ 11.900 . Rio de Janeiro e Curitiba também figuram entre as capitais com os imóveis mais caros do país.
Na outra ponta, Pelotas, no Rio Grande do Sul, tem o metro quadrado mais barato entre as cidades pesquisadas, pouco acima de R$ 4.300.
De acordo com economistas, o cenário de valorização está ligado ao bom desempenho da economia e ao mercado de trabalho aquecido, que impulsionam a demanda por imóveis em todo o país.
Veja a variação das capitais na arte abaixo
Avanço nos preços dos imóveis residenciais em 2025, segundo o FipeZAP.
Arte/g1
O levantamento do FipeZAP acompanha preços de imóveis em 56 cidades brasileiras e mostra que a alta foi generalizada em 2025.
Entre as capitais, além de Vitória, os maiores aumentos foram registrados em Salvador, com alta de mais de 16%, João Pessoa, Fortaleza e São Luís, todas com valorização acima de dois dígitos no ano.
Ranking de valores
Já em algumas capitais, o avanço foi mais tímido. Brasília, Goiânia e Aracaju tiveram reajustes abaixo da inflação, o que representa, na prática, queda real nos preços dos imóveis.
No ranking de valores, depois de Vitória, aparecem Florianópolis, com o metro quadrado em torno de R$ 12.700, e São Paulo, perto de R$ 11.900. Rio de Janeiro e Curitiba também figuram entre as capitais com os imóveis mais caros do país.
Na outra ponta, Pelotas, no Rio Grande do Sul, tem o metro quadrado mais barato entre as cidades pesquisadas, pouco acima de R$ 4.300.
De acordo com economistas, o cenário de valorização está ligado ao bom desempenho da economia e ao mercado de trabalho aquecido, que impulsionam a demanda por imóveis em todo o país.
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México limita importação de carne bovina e suína com taxa zero, e Brasil deve ser impactado

México suspende isenção total de taxa de importação para carnes bovina e suína e Brasil deve ser impactado.
Foto de David Foodphototasty na Unsplash
O governo do México publicou na segunda-feira (5) duas resoluções que limitam a quantidade de importação de carnes bovina e suína sem imposto.
Até então, empresas mexicanas tinham direito a tarifa zero para compra desses alimentos do exterior independente de quantidade.
Agora, foram estabelecidas cotas, e os volumes que excederem esses limites vão passar a pagar taxa, o que deve impactar as exportações de países que vendem carne para o México, como o Brasil.
➡️De janeiro a novembro de 2025, a carne bovina foi o segundo maior produto exportado pelo Brasil para o México, enquanto a carne de porco foi o décimo, mostram dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
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A medida foi divulgada dias depois de a China, maior compradora de carne bovina brasileira, também limitar as importações do produto.
No México, a isenção de imposto de importação para carne bovina e suína estava prevista no Pacote contra a Inflação e a Carestia (Pacic), uma iniciativa do governo criada em 2022 para combater o aumento dos preços dos alimentos.
Essa política foi prorrogada este ano, mas diversos produtos passaram a ter cotas e tarifas.
Como fica agora
➡️Com a mudança, os mexicanos vão poder importar 70 mil toneladas de carne bovina sem pagar tarifa, mas o que exceder esse volume será taxado em 20%.
➡️No caso da carne suína, a cota livre de imposto será de 51 mil toneladas, enquanto o excedente pagará uma taxa de 16%.
A medida valerá até 31 dezembro deste ano.
Nas resoluções, o governo mexicano afirma que as cotas foram criadas para manter o "equilíbrio entre a oferta externa e a produção nacional".
A cota é voltada para os países de fora da América do Norte e com os quais o México ainda não tem acordo de comércio, esclareceu a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
"A cota basicamente deverá ser utilizada por Brasil, Chile e União Europeia", complementou a entidade, que representa os produtores de carne suína.
Já a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), do setor de bovinos, disse que está aguardando orientações do governo mexicano sobre como vai ser feita a distribuição das cotas.
O frango, no entanto, que é o principal produto exportado pelo Brasil para o México, continua com tarifa zerada, informou a ABPA.
Veja os maiores compradores da carne bovina brasileira em 2025
Kayan Albertin/g1
Veja os maiores compradores da carne suína brasileira em 2025
g1/Kayan Albertin
A importância do México para o Brasil
De janeiro a novembro de 2025, o México foi o sétimo maior destino das exportações brasileiras de carne suína, depois de Filipinas, Japão, China, Chile, Hong Kong e Singapura, segundo o Agrostat, do Ministério da Agricultura, considerando o valor das compras.
No setor de carne bovina, o México é o quinto maior cliente do Brasil, depois da China, EUA, União Europeia e Chile.
China também limitou importações
A decisão do México acontece quase uma semana depois de a China anunciar limites para a importação de carne bovina com o objetivo de proteger os produtores locais.
O país, que é o maior comprador do Brasil, anunciou a criação de cotas anuais para empresas comprarem o alimento de países estrangeiros, como o Brasil — o maior fornecedor.
Atualmente, importações de carne para a China têm taxa de 12%. Agora, o que exceder as cotas terá sobretaxa de 55%.
As medidas começaram a valer no dia 1º de janeiro de 2026, e têm duração de três anos.
Segundo o Ministério do Comércio da China, a cota total de importação para 2026 será de 2,7 milhões de toneladas. Esse limite vai aumentar ano a ano.
É um número próximo ao recorde de 2,87 milhões de toneladas compradas pela China em 2024, mas abaixo do volume importado nos primeiros 11 meses de 2025.
Ex-CEO da Hurb, João Ricardo é preso por uso de documento falso e tornozeleira descarregada

João Ricardo Mendes
Divulgação
João Ricardo Mendes, ex-CEO da Hurb, foi preso na noite de segunda-feira (5) no Aeroporto Regional de Jericoacoara, no litoral do Ceará, com documento falso e tornozeleira eletrônica descarregada. Ele foi liberado após passar por audiência de custódia na terça-feira (6).
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Conforme a Secretaria da Segurança Pública do Ceará, a ação ocorreu após funcionários de companhia aérea e da equipe de segurança aeroportuária identificarem suspeita de irregularidade na documentação durante o embarque.
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Os policiais militares foram chamados para averiguar a situação de um passageiro que tentava embarcar em um voo com destino a Guarulhos, em São Paulo.
Ex-CEO da Hurb, João Ricardo é preso por uso de documento falso e tornozeleira descarregad
"No local, durante a verificação da documentação apresentada, a equipe constatou que o documento de identidade era falso. Diante da confirmação da irregularidade, foi dada voz de prisão ao suspeito, que se encontrava utilizando tornozeleira eletrônica, a qual estava descarregada no momento da abordagem", informou a Secretaria da Segurança;
O homem foi conduzido à Delegacia Regional de Acaraú, onde foi instaurado o inquérito policial. Ele foi autuado com base no artigo 304 do Código Penal Brasileiro, que trata do uso de documento falso. Depois, passou por audiência de custódia, em Sobral, e foi liberado.
Ao g1, o advogado de defesa de João Ricardo, Vicente Donnici, disse que, na audiência de custódia, tanto o Ministério Público quanto o magistrado que analisou o caso concordaram com o pedido de soltura do empresário. "No momento, a prioridade é o restabelecimento de sua saúde plena, com acompanhamento médico adequado", disse.
Fundador e ex-CEO do Hurb é denunciado por furto de obras de arte
Prisão e soltura com tornozeleira em 2025
João Ricardo Mendes, ex-CEO da Hurb, deixou a prisão em agosto de 2025, após três meses detido preventivamente na Penitenciária Evaristo de Moraes, no Rio de Janeiro. Ele foi preso em abril acusado de furtar obras de arte de um hotel e um escritório no Rio.
Mendes teve que entregar o passaporte e está proibido de sair do Rio de Janeiro sem autorização judicial.
Na mesma decisão, a Justiça instaurou um incidente de insanidade mental para apurar a condição psicológica do empresário à época dos crimes. Conforme a defesa, ele sofre a evolução de um quadro de bipolaridade para psicose maníaco-depressiva.
Quem é João Ricardo Mendes
João Ricardo Mendes iniciou a carreira de empreendedor aos 18 anos, com uma barraca de bebidas na Praia do Pepê, no Rio de Janeiro. Em 2011, fundou o Hotel Urbano, depois mais tarde rebatizado como Hurb.
Em 2023, Mendes foi acusado de ameaças e ofensas a clientes em grupos de WhatsApp. Em alguns casos, chegou a divulgar dados pessoais de consumidores, sendo acusado de expô-los a situações de risco. Após a repercussão negativa, ele renunciou ao cargo de CEO da empresa.
O empresário também foi denunciado por um ex-funcionário, que o acusou de ameaças, injúria racial, humilhação e calúnia. Mais recentemente, um vídeo que circulou nas redes sociais mostrou Mendes correndo atrás do filho da atriz Luana Piovani com um lança-chamas de brinquedo. A atriz afirmou ter ficado “estarrecida” com as imagens.
Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:
Dólar cai pela quarta vez, abaixo dos R$ 5,40, com atenção à crise na Venezuela; Ibovespa tem alta

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar fechou em queda de 0,48% nesta terça-feira (6), cotado a R$ 5,3794. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subiu 1,11%, aos 163.664 pontos.
Os mercados continuam reagindo às tensões políticas na Venezuela, e à divulgação de dados econômicos e discursos no Brasil e nos Estados Unidos, que podem influenciar as projeções econômicas para 2026.
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▶️ O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a Venezuela não deve realizar eleições nos próximos 30 dias e sugeriu que o governo americano pode subsidiar esforços de empresas americanas de energia para reconstruir a indústria petrolífera venezuelana.
▶️ No Brasil, o resultado da balança comercial de 2025 teve pior resultado em três anos. Houve um um superávit de US$ 68,3 bilhões, queda de 7,9% na comparação com o ano anterior.
Sob impacto do tarifaço dos EUA, as exportações brasileiras aos americanos recuaram 6,6%, passando de US$ 40,37 bilhões para US$ 37,72 bilhões.
▶️ No cenário externo, além da divulgação do PMI de dezembro dos EUA — indicador que ajuda a medir o ritmo da atividade econômica —, investidores acompanham o discurso de Tom Barkin, presidente do Federal Reserve de Richmond, que pode dar pistas sobre o futuro dos juros americanos.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: -0,82%;
Acumulado do mês: -1,99%;
Acumulado do ano: -1,99%.
📈Ibovespa
C
Acumulado da semana: +1,95%;
Acumulado do mês: +1,58%;
Acumulado do ano: +1,58%.
EUA x Maduro
A prisão de Nicolás Maduro pelo governo dos EUA trouxe forte volatilidade aos mercados ontem (5) e deve seguir influenciando o humor dos investidores por alguns dias.
Além das incertezas geopolíticas com os ataques e ameaças dos americanos ao país latino-americano, há uma série de suposições sobre os possíveis impactos no petróleo.
Uma das primeiras afirmações feitas por Trump após a prisão de Maduro foi que os EUA controlariam o petróleo venezuelano e mandariam as petrolíferas americanas de volta ao país para "consertar a infraestrutura petrolífera que está em péssimo estado".
🔎 A produção venezuelana despencou nas últimas décadas, afetada pela má gestão e pela escassez de investimentos estrangeiros após a nacionalização do setor nos anos 2000. Com a ação dos EUA, parte do mercado avalia que o petróleo do país possa voltar a circular, ampliando a oferta da commodity no mercado internacional.
O republicano afirmou que os EUA estão em conflito com traficantes, e não diretamente com a Venezuela. Ele voltou a alegar que outros países estariam enviando criminosos e dependentes químicos para o território norte-americano.
Questionado sobre uma possível transição de poder na Venezuela, o presidente disse que o país precisará ser “consertado” antes da realização de novas eleições. Segundo ele, não há condições de organizar um pleito neste momento.
Autoridades da Venezuela e dos Estados Unidos já estão discutindo a exportação de petróleo bruto venezuelano para os americanos. A informação é da agência Reuters, citando cinco fontes dos governos, da indústria e do setor de transporte marítimo.
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, um acordo para vender o petróleo parado às refinarias dos EUA redirecionaria os embarques que antes iam para a China.
Bolsas globais
Wall Street subiu nesta terça-feira, com os investidores deixando de lado os temores de um impacto geopolítico mais amplo após forças dos EUA prenderem o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no fim de semana.
O S&P 500 subiu 0,62%, aos 6.944,55 pontos. O Nasdaq avançou 0,61%, para 23.537,96 pontos, enquanto o Dow Jones Industrial Average ganhou 1,02%, aos 49.476,54 pontos, aproximando-se da marca histórica de 50 mil.
As ações do setor de petróleo recuaram após os fortes ganhos da sessão anterior, com gigantes como ExxonMobil e Chevron caindo 2,3% e 4,5%, respectivamente. Em contrapartida, os papéis de chips avançaram com força, impulsionados por um novo otimismo em torno da inteligência artificial.
O CEO da Nvidia, Jensen Huang, discursou na Consumer Electronics Show (CES), em Las Vegas, e afirmou que futuros processadores de inteligência artificial incluirão uma nova camada de tecnologia de armazenamento.
A SanDisk saltou 23%, a Western Digital avançou 16%, a Seagate Technology ganhou 13% e a Micron Technology subiu quase 8%, com as quatro ações atingindo máximas históricas. Já a Moderna disparou 10% após o BofA Global Research elevar o preço-alvo da farmacêutica.
As bolsas europeias encerraram a terça-feira em alta, mantendo o ritmo positivo da sessão anterior e renovando recordes. O movimento foi sustentado pelo otimismo com a economia da região e pela continuidade do apetite por risco.
No fechamento, o Stoxx 600 subiu 0,63%, aos 605,56 pontos, após superar 600 pontos pela primeira vez na sessão anterior. O FTSE 100 ganhou 1,18%, aos 10.122,73 pontos; o DAX avançou 0,09%, aos 24.892,20 pontos; e o CAC 40 teve alta de 0,32%, aos 8.237,43 pontos.
Os principais índices da Ásia também fecharam em alta, impulsionados pelo desempenho das ações chinesas, que atingiram os maiores níveis em mais de uma década. O movimento contou com o apoio da valorização dos metais não ferrosos, do setor financeiro e do otimismo antes do Ano Novo Lunar.
Em Xangai, o índice SSEC subiu 1,50%, a 4.083 pontos, enquanto o CSI300 avançou 1,55%, a 4.790 pontos. O Hang Seng, em Hong Kong, ganhou 1,38%, a 26.710 pontos.
Em outros mercados, o Nikkei, em Tóquio, subiu 1,32%, a 52.518 pontos; o Kospi, em Seul, avançou 1,52%, a 4.525 pontos; o Taiex, em Taiwan, teve alta de 1,57%, a 30.576 pontos; e o Straits Times, em Cingapura, ganhou 1,27%, a 4.739 pontos.
Notas de dólar.
Rick Wilking/Reuters