Gasolina com 32% de etanol chega aos postos amanhã; veja como proteger seu carro

Conselho aprova aumento de etanol na gasolina de 30% para 32%
A partir deste sábado, 1º de agosto, a gasolina no Brasil deve ser comercializada com 32% de etanol. Antes, esse percentual era de 30%.
A mudança foi anunciada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em 14 de julho e terá validade de 180 dias, mas pode ser prorrogada uma vez por igual período.
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Segundo o conselho, a medida considera a volatilidade no mercado de petróleo e combustíveis, e ocorre em um momento em que o país enfrenta custos mais altos dos combustíveis fósseis, em meio à escalada da guerra no Oriente Médio.
Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que veículos antigos ou sem calibração específica podem apresentar aumento no consumo, corrosão e desgaste de componentes.
O Ministério Público Federal entrou com uma ação civil pública no fim de julho, pedindo a suspensão do aumento da mistura de etanol. O argumento do MPF é que os testes não foram realizados de forma conclusiva e que os impactos ambientais não foram devidamente considerados.
O g1 listou algumas dicas para que o motorista proteja dos efeitos do etanol o motor de carros que não são flex.
Medida vinha sendo estudada
Carros que não são flex podem sofrer com aumento da mistura de etanol na gasolina
Marcelo Camargo/Agência Brasil
A proposta de aumentar a proporção de etanol na gasolina vinha sendo discutida por integrantes do governo nos últimos meses. Especialistas, no entanto, avaliam que a mudança pode aumentar o risco de desgaste em motores mais antigos ou sem calibração específica para essa mistura.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) já havia defendido a realização de mais estudos antes da implementação da medida. (veja mais abaixo)
Segundo engenheiros, um dos principais desafios é a compatibilidade dos materiais, especialmente em veículos importados ou mais antigos, projetados para rodar apenas com gasolina e desenvolvidos para concentrações menores de etanol.
O CNPE refutou a possibilidade de que a nova mistura cause danos aos automóveis.
"No percurso dos testes, foram analisados aspectos como desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo de combustível e emissões, tanto em ambiente laboratorial quanto em condições reais de uso. De acordo com os resultados, a utilização do E32 apresentou comportamento equivalente ao observado com misturas de menor teor de etanol, sem impactos relevantes no funcionamento dos veículos, inclusive aqueles equipados com motores não flex", complementou nota do colegiado, formado por ministros e sociedade civil.
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) também afirma que o setor tem capacidade para atender à demanda adicional e que a medida pode reduzir a importação de gasolina e ampliar o uso de combustível renovável produzido no Brasil. (veja mais abaixo)
Como o etanol 'ataca' o motor
O etanol misturado à gasolina é do tipo anidro, ou seja, passa por um processo de desidratação na usina. Mesmo assim, ele tem capacidade de absorver água do ambiente e pode levá-la para o interior do motor.
A presença de água pode afetar componentes metálicos do motor que não foram projetados para essa condição. Além disso, a combinação de etanol e água aumenta a condutividade elétrica, favorecendo a corrosão eletroquímica.
Todos os componentes que entram em contato direto com o combustível precisam estar preparados para a nova concentração de etanol.
A lista engloba:
tanque;
boia;
bomba de combustível;
linhas de combustível metálicas ou plásticas;
bico injetor;
câmara de combustão;
pistões;
vedações.
Alguns desses componentes podem suportar a nova mistura, mas, segundo especialistas, a mudança exige testes detalhados para confirmar essa resistência.
"As principais avarias que podem ocorrer são corrosão ou desgaste nos componentes do sistema de injeção. Isso pode provocar falhas de funcionamento, aumento das emissões e do consumo e até danos mais graves, principalmente na bomba de combustível e nos injetores", explica Rogério Gonçalves, engenheiro e diretor de combustíveis da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA).
Maior concentração de etanol na gasolina pode aumentar desgastes de componentes do motor
Arte / g1
Segundo Gonçalves, como os automóveis mais antigos não foram projetados para esse percentual mais elevado de etanol, eles tendem a sofrer mais com a mudança, embora a reação varie de acordo com o motor.
O especialista afirma que o consumo tende a aumentar tanto nos modelos flex quanto nos veículos movidos exclusivamente a gasolina, devido ao menor poder calorífico do etanol em relação à gasolina.
🔎 O poder calorífico é a quantidade de energia que um combustível consegue fornecer na forma de calor. Um quilograma de etanol hidratado, vendido nos postos, fornece cerca de 6.300 quilocalorias (kcal). Já um quilograma de gasolina A, combustível puro produzido na refinaria, fornece cerca de 10.400 kcal.
Estimar com precisão o impacto no consumo é difícil porque diversos fatores influenciam o rendimento do veículo no dia a dia.
Embora seja possível estimar essa diferença com base na energia fornecida por cada combustível, a variação pode ser imperceptível para o motorista no uso cotidiano.
Gonçalves explica que os testes oficiais de consumo são realizados em laboratório, em ambiente controlado, com o veículo instalado em um dinamômetro, sob temperatura monitorada e seguindo um ciclo padronizado.
Chevrolet Onix ECO usa exclusivamente etanol no tanque
Divulgação / GM
Como proteger carro que não é flex
Segundo Marcos Passos, gerente de engenharia da PHINIA, alguns cuidados ajudam a preservar o sistema de combustível de veículos antigos ou importados, desenvolvidos para rodar apenas com gasolina ou com uma concentração menor de etanol.
Existem aditivos que podem ajudar em situações específicas, mas eles não tornam compatível com altos teores de etanol um veículo que não foi projetado para esse tipo de combustível, explica Passos.
Se houver incompatibilidade em mangueiras, juntas, vedadores, componentes de alumínio, tanque ou sistema de alimentação, o aditivo não elimina esse risco.
Entre os produtos que podem fazer diferença estão os estabilizadores de combustível, indicados principalmente para veículos que ficam muito tempo parados.
Aditivos para proteger motores a gasolina podem amenizar efeitos do aumento da mistura de etanol
Divulgação
Há também os inibidores de corrosão, presentes em alguns aditivos premium, que criam uma película de proteção sobre superfícies metálicas.
Por fim, há os aditivos limpadores do sistema de combustível, que removem depósitos acumulados em válvulas, bicos injetores e na câmara de combustão.
Velas mais resistentes
A substituição das velas de ignição não resolve diretamente os efeitos do aumento da concentração de etanol na gasolina.
“Porém, velas mais resistentes podem, em alguns casos, melhorar a confiabilidade da ignição, especialmente em motores mais antigos, importados ou que já apresentam dificuldade de partida”, diz o especialista.
O principal desafio está na compatibilidade dos materiais do sistema de combustível e na maior absorção de umidade provocada pelo etanol.
Troca das velas de ignição pode acontecer antes do previsto
Divulgação / Flacht Motorsport & Classic Center
As velas convencionais de níquel ou cobre são as mais comuns. Já as de platina têm eletrodos mais resistentes ao desgaste, enquanto as de irídio estão entre as melhores opções para muitos veículos modernos.
Quando houver modelos homologados para o motor, as velas de platina ou de irídio podem ser uma boa opção, por oferecerem maior durabilidade e uma ignição mais estável.
Essas velas normalmente custam mais do que as convencionais, segundo Vinicius Giungi, proprietário da Ben Imports, loja especializada na importação de peças automotivas.
"Mas também oferecem maior durabilidade quando aplicadas corretamente. A troca somente deve ser realizada por um modelo homologado para aquele motor, respeitando o grau térmico, o comprimento e o diâmetro da rosca, a folga dos eletrodos e o torque de instalação", explica Giungi.
Não é recomendado instalar uma vela mais fria ou mais quente apenas por causa do aumento do etanol.
"Uma vela muito fria pode acumular resíduos e provocar falhas, enquanto uma vela muito quente pode favorecer superaquecimento e pré-ignição. Uma folga incorreta também pode sobrecarregar as bobinas e aumentar as falhas de combustão", diz Giungi.
Instalar um filtro com elemento excessivamente restritivo ou acrescentar um segundo filtro sem um estudo técnico pode reduzir a vazão, causar perda de pressão e sobrecarregar a bomba de combustível.
Portanto, não basta que o filtro retenha partículas menores. Segundo o empresário, ele precisa manter todas as características exigidas pelo sistema.
Hábitos ajudam a reduzir o desgaste
Na maioria dos carros modernos, a mudança da gasolina com 27% de etanol para a mistura com 32% não exige mudanças na rotina de partida.
Os sistemas de injeção eletrônica normalmente conseguem compensar automaticamente essa pequena diferença na composição do combustível.
“Ligar o motor e aguardar entre 10 e 30 segundos antes de sair; evitar acelerar logo após a partida; dirigir suavemente nos primeiros minutos e usar o carro regularmente”, aconselha Passos.
Filtro de combustível merece atenção
Existem filtros de combustível específicos para etanol ou compatíveis com veículos flex. Esses componentes utilizam elementos filtrantes, vedações e carcaças adequados a esse combustível.
Nos veículos flex, a mudança da gasolina com 27% para 32% de etanol não causa impactos, já que eles foram projetados para trabalhar com combustíveis de alta concentração desse biocombustível.
Filtros de combustível
Divulgação
Já alguns veículos não flex têm margem para suportar essa variação, mas exigem atenção. Se o filtro foi desenvolvido para gasolina com 27% de etanol, o aumento da concentração pode afetar vedações, adesivos, resinas e componentes metálicos, devido ao maior potencial de corrosão e à absorção de água.
Nesses casos, pode ser necessária a substituição por filtros mais modernos, preparados para concentrações mais elevadas de etanol.
Passos explica que esses filtros oferecem maior resistência química, melhor retenção de partículas finas e maior capacidade de filtração. Isso também ajuda a reter resíduos que podem se desprender do tanque e das tubulações com a maior concentração de etanol, evitando que cheguem aos injetores de combustível.
"Instalar um filtro com elemento excessivamente restritivo ou acrescentar um segundo filtro sem estudo técnico pode diminuir a vazão, causar perda de pressão e sobrecarregar a bomba de combustível", diz Giungi.
Portanto, não basta que o filtro retenha partículas menores. Ele precisa manter todas as características exigidas pelo sistema, afirma o empresário.
Primeiros sinais de problema
Segundo Marcos Passos, os primeiros sinais costumam surgir antes de qualquer dano mais sério ao motor.
Na maioria dos casos, os problemas estão relacionados ao sistema de combustível, ao sistema de ignição ou à calibração do veículo.
Os sinais iniciais mais comuns são:
Dificuldade de partida, principalmente com o motor frio;
Marcha lenta instável;
Aumento perceptível do consumo de combustível.
Também podem surgir perda de desempenho, acelerações mais lentas, dificuldade nas retomadas, luz da injeção eletrônica acesa, cheiro de combustível, vazamentos, engasgos durante as acelerações e falhas sob carga.
Em carros antigos, também é importante observar, durante as revisões, sinais de corrosão em conexões metálicas, mangueiras endurecidas ou rachadas e resíduos no filtro de combustível.
Se o veículo passar a apresentar dificuldade de partida, marcha lenta irregular ou aumento perceptível do consumo após algumas semanas ou meses de uso da gasolina com 32% de etanol, a orientação é procurar assistência técnica especializada ou um mecânico de confiança para avaliar o sistema.
Manutenção de alguns carros pode ficar mais cara com aumento de etanol na gasolina
Divulgação
Revisões podem ficar caras
No mercado de manutenção, profissionais afirmam que os componentes mais suscetíveis à nova mistura são borrachas e mangueiras, que podem ressecar e apresentar vazamentos.
"Além disso, a bomba de combustível e os bicos injetores podem oxidar ou travar, porque o álcool facilita a corrosão dessas partes metálicas e plásticas", explica Fábio Rhoden, sócio-proprietário da oficina Flacht Motorsport & Classic Center.
O motorista pode perceber que o veículo está sentindo os efeitos da nova mistura logo nas primeiras horas do dia, diz Rhoden, quando o motor passa a demorar mais tempo para dar a partida de manhã.
O risco é maior nos veículos fabricados há 20 ou 30 anos, equipados com carburador ou sistemas de injeção eletrônica mais simples, que não conseguem ajustar automaticamente a mistura para essa proporção maior de etanol. Essa função é realizada pela ECU, o "cérebro" do motor.
A ECU (Unidade de Controle Eletrônico) é o computador que gerencia o funcionamento do motor em tempo real. Ela recebe informações de sensores que monitoram parâmetros como rotação, temperatura, quantidade de ar admitido, posição do acelerador e composição dos gases de escape.
Unidade de Controle Eletrônico (ECU) do motor a combustão é o cérebro do carro
Divulgação / Bosch
Com esses dados, a ECU compara o funcionamento do motor com os parâmetros de calibração desenvolvidos pela montadora e calcula, centenas de vezes por segundo, a quantidade ideal de combustível a ser injetada, o momento exato da ignição e o funcionamento de sistemas como o comando variável de válvulas e o turbocompressor.
Em seguida, envia comandos aos atuadores, como bicos injetores, bobinas e corpo de borboleta, ajustando continuamente o funcionamento do motor para equilibrar desempenho, consumo, emissões e durabilidade.
Nos veículos que não conseguem se ajustar à nova mistura, o motor trabalha em temperaturas mais elevadas e pode apresentar falhas frequentes. Já os modelos importados modernos sem tecnologia flex chegam ao limite de compensação da ECU e registram aumento expressivo no consumo.
"Os carros antigos (carburados ou com injeções simples) não conseguem se ajustar sozinhos para queimar tanto etanol", avisa Rhoden.
Além disso, esses veículos podem apresentar oscilação da marcha lenta, perda de potência e pequenos engasgos durante as acelerações.
A elevação do teor de etanol também pode acelerar o entupimento do filtro de combustível. O etanol desprende a sujeira acumulada no fundo do tanque.
Além disso, pode antecipar a troca das velas de ignição devido ao maior calor gerado na combustão. Essa "queima" das velas de ignição pode ocorrer quando o motor não foi projetado ou calibrado para funcionar com uma concentração maior de etanol na gasolina.
Nesses casos, a ECU pode não conseguir compensar corretamente a mudança na proporção da mistura ar-combustível.
Como o etanol tem características de combustão diferentes da gasolina e exige maior volume de combustível para atingir a mistura ideal, o motor pode operar com uma mistura mais pobre (mais ar do que combustível na câmara) ou apresentar falhas de combustão em determinadas condições.
Isso aumenta a carga sobre o sistema de ignição, fazendo com que as velas trabalhem sob maior esforço elétrico e térmico, o que acelera o desgaste e pode reduzir sua vida útil.
Na maioria dos casos, a vela não "queima" apenas pelo aumento do teor de etanol, mas por uma combinação de calibração inadequada, componentes incompatíveis e funcionamento do motor fora das condições para as quais foi desenvolvido.
Bolso pode sentir
E as consequências para o bolso podem ser pesadas. Segundo Vinicius Giungi, proprietário de Ben Imports e especializado na importação de componentes para carros, as peças mais procuradas normalmente são velas, bicos injetores, bombas de combustível de baixa e alta pressão, sensores do sistema de alimentação, corpo de borboleta, mangueiras e componentes de vedação.
As marcas que mais buscam esses componentes são Audi, BMW, Mercedes, Porsche, Land Rover e os Volkswagen importados, como o Golf GTI.
Segundo o empresário, vários reparadores e donos desses veículos reclamam de problemas associados ao aumento do etanol na gasolina.
“Esse é um tema recorrente entre proprietários e reparadores de veículos importados premium, principalmente modelos turbo, de injeção direta e veículos importados de forma independente”, explica.
Segundo Giungi, os defeitos mais comuns encontrados nos componentes do sistema de alimentação e injeção são:
Entupimento parcial ou total dos bicos injetores, causado por depósitos e impurezas que comprometem a pulverização do combustível;
desgaste prematuro das bombas de combustível (baixa e alta pressão), resultando em perda de pressão e falhas de alimentação;
ressecamento, endurecimento e perda de elasticidade de mangueiras e vedações, o que pode ocasionar vazamentos;
oxidação de conectores e terminais elétricos da bomba e dos injetores e boias de combustível, agravada pela umidade ou contaminação;
travamento ou funcionamento irregular de bicos injetores, prejudicando a pulverização e a dosagem do combustível;
baixa vida útil de velas de ignição.
Bico Injetor Bosch para Bmw 320 (F30) feita entre 2012 e 2019
Reprodução
Substituir alguns desses componentes sai caro. Cada bico injetor para BMW 320, fabricada entre 2012 e 2019, sai a partir de R$ 1.256 cada, e ainda é preciso somar a mão de obra.
A bomba de combustível de um Range Rover Evoque, feito entre 2011 e 2019, custa mais de R$ 1.900.
Giungi explica que os preços praticados por empresas que importam peças de maneira independente costumam ser significativamente mais competitivos do que os das concessionárias. E mesmo assim assustam.
“Trabalhamos com peças originais (OEM), produzidas pelos mesmos fabricantes que fornecem componentes para as montadoras na linha de produção”, explica.
Anfavea pede cautela
A Anfavea afirmou que é favorável aos biocombustíveis e reconhece o papel do etanol na descarbonização da frota brasileira de veículos leves.
Segundo Igor Calvet, presidente da entidade, a preocupação da indústria automobilística se restringe à necessidade de que qualquer aumento na mistura seja precedido por um cronograma rigoroso de testes.
"Nós temos discutido, na verdade, é que o aumento da mistura deve ser precedido de testes. Esse é o único ponto da Anfavea", explica Calvet.
Igor Calvet, presidente da Anfavea
Divulgação | Anfavea
O executivo explica que, de acordo com as normas técnicas e as regras da ABNT, a adoção de uma mistura com 32% de etanol exige ensaios de engenharia com margem de segurança para garantir que os motores suportem a abrasividade do combustível e que os sensores estejam calibrados conforme a legislação.
A manifestação sobre a importância dos testes foi feita em conjunto com o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças).
A entidade afirma que os testes adicionais são uma garantia para o consumidor. "A gente só queria ter a tranquilidade de que não haverá nenhum problema", diz Calvet.
Segundo o executivo, a indústria automotiva já produz veículos compatíveis com biocombustíveis, mas defende rigor técnico antes da adoção de novas políticas para combustíveis no país.
Indústria do etanol defende medida
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) afirmou em nota nesta terça-feira que a proposta de aumentar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% foi construída no âmbito do programa Combustível do Futuro, com participação de órgãos do governo, instituições de pesquisa e representantes dos setores automotivo, energético e regulatório.
Segundo a entidade, “a medida reforça a segurança energética do país ao ampliar a participação de uma fonte renovável produzida no Brasil, contribuindo para reduzir a dependência de importações de gasolina e aumentar a previsibilidade no abastecimento, especialmente em um cenário internacional marcado por volatilidade.”
A Unica diz que “o avanço para o E32 ocorre em linha com a trajetória histórica do Brasil, que já opera com misturas elevadas de etanol há anos, apoiado em uma das maiores frotas flex do mundo e em uma cadeia produtiva consolidada.”
A entidade diz que a proposta é baseada em estudos desenvolvidos no programa Combustível do Futuro, incluindo ensaios realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia, em São Paulo.
De acordo com a Unica, os testes avaliaram desempenho, consumo, dirigibilidade, partida a frio e funcionamento de veículos leves e motocicletas movidos exclusivamente a gasolina, representativos da frota brasileira.
Os resultados, segundo a entidade, indicaram que a ampliação da mistura para 32% é tecnicamente viável.
Sobre os veículos mais antigos, a Unica afirma que os estudos incluíram modelos movidos apenas a gasolina e que representam a frota brasileira.
Segundo a entidade, os ensaios não identificaram impactos em desempenho, dirigibilidade, partida ou funcionamento geral desses veículos.
A associação também diz que os testes não encontraram evidências de aumento de desgaste ou danos aos motores nas condições avaliadas e que os sistemas eletrônicos dos veículos analisados conseguiram ajustar automaticamente a mistura entre ar e combustível.
Segundo Luciano Rodrigues, diretor de inteligência setorial da Unica, os testes feitos com a especificação de E30 já contemplavam a possibilidade da mistura chegar até 32%. Na época, a legislação permitia que a bomba do posto apresentasse essa composição como margem de erro.
Agora, com o E32, segundo Rodrigues, não foi estabelecida a margem de 2 pontos percentuais e, portanto, o posto não pode vender gasolina com 34% de etanol.
A entidade também afirma que o setor tem capacidade para atender ao aumento da demanda por etanol anidro. Segundo a Unica, a necessidade adicional seria de cerca de 1 bilhão de litros por ano em relação ao E30, enquanto a produção prevista para a safra pode crescer cerca de 4 bilhões de litros, impulsionada pela expansão do etanol de milho e das usinas de cana-de-açúcar.
Segundo a associação, a ampliação da mistura também pode reduzir a importação de aproximadamente 800 milhões de litros de gasolina por ano e ampliar a participação de um combustível renovável produzido no Brasil.
“Além dos ganhos em segurança energética e competitividade, o E32 reforça uma das principais vantagens estratégicas do Brasil: a capacidade de expandir o uso de combustíveis renováveis em larga escala", afirma Evandro Gussi, presidente da UNICA.
Imposto de Renda 2026: Receita paga o 3º lote de restituição nesta sexta; veja se vai receber

A Receita Federal paga nesta sexta-feira (31) o terceiro lote de restituições do Imposto de Renda 2026. Serão pagos R$ 4,61 bilhões a 2,74 milhões de contribuintes. (veja aqui como consultar)
Do total de restituições desse lote:
839.464 restituições para contribuintes prioridade em razão da utilização da declaração pré-preenchida e/ou da opção de recebimento via PIX;
507.262 restituições serão pagas a contribuintes enquadrados em diferentes critérios de prioridade;
1.396.474 restituições referem-se a contribuintes sem enquadramento em categorias prioritárias.
Agora no g1
Veja o calendário da restituição do IR 2026
Os pagamentos das restituições do IRPF 2026 serão feitos em quatro lotes, segundo informações da Receita. Veja as datas dos pagamentos:
1º lote: 29 de maio
2º lote: 30 de junho
3º lote: 31 de julho
4º lote: 28 de agosto
Como fazer a consulta?
Imposto de renda
Marcos Serra/g1
O contribuinte pode verificar se vai receber neste lote por meio da página da Receita na internet. Basta clicar na opção "Meu Imposto de Renda" e, em seguida, em "Consultar a Restituição".
A página oferece orientações e os canais de prestação do serviço, permitindo uma consulta simplificada ou completa da situação da declaração, por meio do extrato de processamento, acessado no e-CAC. Caso identifique alguma pendência na declaração, o contribuinte pode retificá-la, corrigindo as informações.
A Receita Federal disponibiliza, também, aplicativo para tablets e smartphones que permite consultar diretamente nas bases da Receita Federal informações sobre liberação das restituições do IRPF e a situação cadastral de uma inscrição no CPF.
Em nota oficial, o Fisco afirma que "assume o compromisso de realizar pagamento de restituições apenas em conta bancária de titularidade do contribuinte". Assim, vale destacar que as rotinas de segurança da Receita impedem o pagamento caso ocorra erro nos dados bancários informados ou algum problema na conta de destino.
"Para não haver prejuízo ao contribuinte, a Receita oferece o serviço de reagendamento disponibilizado pelo Banco do Brasil pelo prazo de até um ano da primeira tentativa de crédito. Assim, o contribuinte poderá corrigir os dados bancários para uma conta de sua titularidade", afirma a nota.
Neste caso, o cidadão poderá reagendar o crédito dos valores pelo Portal BB, ou ligando para a Central de Relacionamento BB por meio dos telefones:
4004-0001 (capitais)
0800-729-0001 (demais localidades)
0800-729-0088 (telefone especial exclusivo para deficientes auditivos)
Ao utilizar esse serviço o contribuinte deve informar o valor da restituição e o número do recibo da declaração. Depois, é só aguardar a nova tentativa de crédito. Caso o contribuinte não resgate sua restituição dentro do prazo, precisará fazer um requerimento pelo Portal e-CAC.
Malha fina
Ao realizar a consulta, o contribuinte também poderá saber se há alguma pendência em sua declaração que impeça o pagamento da restituição, ou seja, se ele caiu na chamada "malha fina".
Para saber a situação de sua declaração do IR, o trabalhador deve buscar o Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC) da Receita Federal na internet.
Acesso se dá mediante o uso da conta gov.br, nos níveis prata ou ouro.
Contribuinte deve procurar, no serviço, por "declarações e demonstrativos".
Em seguida deve buscar o "Meu Imposto de Renda", e consultar a declaração de 2026.
O Fisco informará:
Se a declaração foi processada (situação regular);
Se há pendências (malha fina).
No caso de haver pendência, isso quer dizer que a declaração caiu na malha fina do leão, ou seja, foi retida por conta de divergências de dados com aqueles que o Fisco possui sobre o contribuinte.
Nesse caso, a inconsistência pode ser resultado de uma informação errada informada pelo próprio contribuinte, pela empresa na qual trabalha (fonte pagadora) ou até mesmo terceiros (prestadores de serviços).
Ao entrar no Centro Virtual de Atendimento, a Receita Federal informará qual a divergência na declaração retida em malha fina, e como resolver o problema.
No caso de o trabalhador ter informado um dado errado, ele deve enviar uma declaração retificadora para corrigir a informação. Assim que a isso for feito pelo trabalhador, sua declaração sai da malha fina.
No caso de a fonte pagadora, ou de uma prestadora de serviços (da qual o contribuinte incluiu uma nota fiscal em sua declaração) ter errado, o contribuinte deve aguardar a retificação da informação.
Governo libera R$ 5,7 bi no orçamento; Cidades, Transportes e Fazenda são os mais beneficiados

O governo federal publicou em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) na noite desta quinta-feira (30) o decreto que detalha a liberação de R$ 5,7 bilhões em gastos do Orçamento de 2026, anunciada na semana passada pela equipe econômica.
O texto atualiza a programação orçamentária e financeira da União após a revisão das estimativas de receitas e despesas feita no terceiro relatório bimestral de avaliação fiscal.
Para os ministérios, foram liberados R$4,5 bilhões, e entre os mais beneficiados estão:
Ministério das Cidades: R$ 1,2 bilhão;
Ministério dos Transportes: R$ 1,016 bilhão;
Ministério da Fazenda: R$ 540 milhões;
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação: R$ 336 milhões;
Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar: R$ 300 milhões;
Ministério da Educação: R$ 280 milhões.
As emendas parlamentares também foram contempladas com liberação de R$1,2 bilhão.
🔎 A autorização foi concedida porque o governo reestimou as despesas previstas para este ano e concluiu que havia espaço dentro do limite existente no chamado arcabouço fiscal, a regra para as contas públicas aprovada em 2023.
🔎 Pelas regras, o crescimento dos gastos não pode superar 2,5% ao ano em termos reais, ou seja, acima da inflação do ano anterior. E o governo também não pode ampliar as despesas acima de 70% do crescimento projetado pela arrecadação.
Agora no g1
A medida havia sido anunciada no último dia 24 pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento, juntamente com o relatório bimestral de receitas e despesas. Na ocasião, a equipe econômica informou que a revisão para baixo de algumas despesas obrigatórias abriu margem para ampliar os gastos discricionários, que são aqueles sobre os quais o governo tem maior poder de decisão.
Apesar da liberação de recursos, R$ 17,9 bilhões permanecem bloqueados no Orçamento deste ano. Os anexos do decreto mostram que esse montante continua sujeito a medidas de contenção distribuídas entre ministérios e emendas parlamentares.
Em maio, o governo havia informado uma contenção total de R$ 23,7 bilhões. Com a atualização das projeções fiscais, parte desses recursos pôde ser liberada, reduzindo o valor bloqueado
Gastos livres
A liberação de despesas ocorrerá nos chamados gastos livres dos ministérios, ou seja, aqueles que não são obrigatórios.
Nessa categoria estão despesas administrativas, investimentos, manutenção de universidades federais, funcionamento de agências reguladoras, emissão de passaportes, bolsas da Capes e do CNPq, fiscalização ambiental e combate ao trabalho escravo, entre outras ações.
💰 Já os gastos obrigatórios, que não podem ser alvo de bloqueio de recursos, envolvem, por exemplo, despesas com benefícios previdenciários, pensões, salário dos servidores públicos, abono e seguro-desemprego, entre outros.
Foto aérea mostra a Esplanada dos Ministérios com o Congresso ao fundo
Ana Volpe/Agência Senado
Revisão das despesas
A equipe econômica também reduziu projeções de despesas primárias para 2026. Entre os principais recuos estão:
pessoal e encargos sociais: R$ 4,2 bilhões;
benefícios previdenciários: R$ 3,2 bilhões;
Benefício de Prestação Continuada (BPC): R$ 3,2 bilhões.
Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, a redução nas estimativas relacionadas aos benefícios previdenciários está ligada ao ritmo de concessão desses benefícios.
Por outro lado, o governo aumentou as projeções de gastos com:
abono salarial e seguro-desemprego: R$ 1,6 bilhão;
saúde: R$ 3,4 bilhões.
Meta fiscal
Além de cumprir os limites de crescimento das despesas previstos no arcabouço fiscal, o governo também precisa atingir a meta fiscal definida pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
Para 2026, a meta é registrar superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a cerca de R$ 34,3 bilhões. Pela legislação, há uma faixa de tolerância de 0,25 ponto percentual para mais ou para menos.
Com a revisão das projeções de receitas e despesas anunciada na semana passada, o governo passou a estimar déficit primário de R$ 52 bilhões em 2026, ante uma previsão anterior de R$ 60,3 bilhões. Os anexos do decreto publicado nesta quinta-feira mantêm a projeção de déficit de cerca de R$ 52 bilhões para este ano.
Após ataque de IA da OpenAI, Anthropic diz que seus modelos também invadiram outras empresas

Claude, da Anthropic, está entre os assistentes de IA mais populares do mundo, rivalizando com ChatGPT e Gemini
Ryan Donegan/Flickr
A Anthropic informou nesta quinta-feira (30) que seu assistente de inteligência artificial Claude realizou ataques virtuais contra três empresas durante testes. Segundo a empresa, um erro de configuração permitiu que a ferramenta tivesse acesso à internet.
A revelação dos incidentes acontece dias após a OpenAI, dona do ChatGPT, informar que dois de seus modelos de IA encontraram formas de invadir um sistema e fizeram um ataque "sem precedentes".
🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1
Segundo a Anthropic, os ataques do Claude foram identificados após a análise de mais de 141 mil sessões de teste. A revisão começou a ser feita justamente após a divulgação do incidente com os modelos da OpenAI.
"O Claude comprometeu a infraestrutura das organizações afetadas usando técnicas básicas, como explorar senhas fracas e pontos de acesso não autenticados", disse a Anthropic.
Agora no g1
IA pode decidir atacar empresas? Entenda como foi a invasão 'sem precedentes' por modelo da OpenAI
Segundo a Anthropic, as invasões começaram em abril e envolveram o Claude Opus 4.7, o Claude Mythos 5 e um terceiro modelo de IA voltado para pesquisa, durante exercícios em que modelos são orientados a buscar informações ocultas em redes simuladas.
Os comandos indicavam para os modelos do Claude que eles não tinham acesso à internet, mas um mal-entendido com a empresa parceira Irregular deixou os sistemas conectados à internet, afirmou a Anthropic.
Em comunicado, a empresa disse que começou a revisar os registros em 23 de julho. No mesmo dia, suspendeu as avaliações depois de encontrar indícios de que o Claude poderia ter acessado a internet.
A companhia informou que identificou os três incidentes até 24 de julho e notificou as organizações afetadas em 27 de julho.
A Anthropic afirmou ainda que duas das empresas que sofreram os ataques não sabiam da atividade indevida antes de serem notificadas e que ainda buscava contato com a terceira companhia.
Vale tem lucro de US$ 1,37 bilhão no 2º trimestre, queda de 35%

Mineradora Vale.
Washington Alves/ Reuters
A mineradora Vale registrou lucro líquido de US$ 1,375 bilhão no segundo trimestre, queda de 35% em relação ao mesmo período do ano passado, informou a companhia nesta quinta-feira (30).
O resultado foi pressionado pela piora do desempenho financeiro, principalmente pelos efeitos da marcação a mercado de derivativos e pelo aumento dos tributos sobre o lucro.
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Em comunicados separados, a companhia também anunciou um novo programa de recompra de até 100 milhões de ações, informou o pagamento de US$ 1,7 bilhão em dividendos e juros sobre capital próprio e elevou o piso da faixa de estimativas para a produção de cobre e níquel em 2026.
O lucro líquido ficou abaixo da expectativa média dos analistas, de US$ 1,8 bilhão, segundo dados compilados pela LSEG.
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O lucro líquido proforma, que exclui itens não recorrentes, totalizou US$ 1,6 bilhão no segundo trimestre, queda de 26% em relação ao mesmo período do ano passado.
O resultado refletiu principalmente uma variação negativa de US$ 798 milhões na marcação a mercado de derivativos, diante de uma forte base de comparação com um ano antes.
Também houve impacto do aumento dos tributos sobre o lucro, influenciados sobretudo por uma variação negativa de US$ 326 milhões relacionada aos efeitos cambiais sobre prejuízos fiscais em subsidiárias.
Segundo a Vale, esses efeitos foram parcialmente compensados por um aumento de US$ 642 milhões no Ebitda proforma e pelo impacto da provisão da Samarco registrada no segundo trimestre de 2025, refletido nos resultados de equivalência patrimonial de coligadas e joint ventures.
"Entregamos resultados sólidos na comparação anual em todos os negócios, com o minério de ferro atingindo sua maior produção para um segundo trimestre desde 2018 e o cobre seu melhor segundo trimestre em nove anos", disse o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, no relatório financeiro da companhia.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado somou US$ 3,676 bilhões entre abril e junho, alta de 9% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo a empresa, o resultado foi impulsionado pelo avanço dos preços realizados e pelo aumento do volume de vendas.
A receita líquida de vendas totalizou US$ 10,498 bilhões no trimestre, alta de 19% em relação ao mesmo período do ano passado.
A Vale reiterou que as vendas cresceram em todos os negócios. Na comparação com o mesmo período do ano passado, as vendas de minério de ferro, cobre e níquel avançaram 3%, 10% e 7%, respectivamente.
O preço realizado dos finos de minério de ferro ficou em US$ 95 por tonelada, alta de 12% em relação ao segundo trimestre de 2025. Já o cobre teve preço realizado de US$ 14.062 por tonelada, um salto de 57%.
Na divisão de metais básicos, o Ebitda ajustado subiu 79%, para US$ 1,289 bilhão, impulsionado principalmente pelo cobre, cujo Ebitda avançou 91%, para US$ 1,026 bilhão. Já na unidade de Soluções de Minério de Ferro, o Ebitda ajustado cresceu 3%, para US$ 3,056 bilhões.
Novas estimativas
A Vale revisou suas projeções de produção de cobre e níquel para 2026. A estimativa para o cobre passou de 350 mil a 380 mil toneladas para 360 mil a 380 mil toneladas. Já a do níquel foi elevada de 175 mil a 200 mil toneladas para 185 mil a 200 mil toneladas. Segundo a empresa, a revisão reflete o forte desempenho operacional dos dois segmentos no primeiro semestre.
A companhia também reduziu suas estimativas de custo total de produção. Para o cobre, passou a prever um custo de até US$ 500 por tonelada, ante uma faixa de US$ 1.000 a US$ 1.500.
No níquel, a estimativa caiu para US$ 10.000 a US$ 11.500 por tonelada, frente aos US$ 12.000 a US$ 13.500 projetados anteriormente. Segundo a Vale, a revisão reflete perspectivas mais favoráveis para os preços dos produtos vendidos junto com o minério e ganhos operacionais.
O fluxo de caixa livre recorrente atingiu US$ 1,505 bilhão no trimestre, 49% acima do registrado um ano antes, impulsionado pelo maior Ebitda proforma e pelo menor pagamento de tributos. A dívida líquida expandida encerrou junho em US$ 16,677 bilhões, uma queda de US$ 1,1 bilhão em relação ao trimestre anterior.
Mega-Sena, concurso 3038: confira os números sorteados

Mega-Sena, concurso 3038: confira os números sorteados
O sorteio do concurso 3038 da Mega-Sena foi realizado na noite desta quinta (30), em São Paulo. O prêmio para as apostas que acertassem as seis dezenas seria de R$ 85.091.902,76. Entretanto, ninguém acertou e o prêmio para o próximo sorteio acumulou para R$ 100 milhões.
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Veja os números sorteados: 38 - 50 - 35 - 39 - 30 - 46
5 acertos: 41 apostas ganhadoras, R$ 64.733,96
4 acertos: 2.549 apostas ganhadoras, R$ 1.716,31
Mega-Sena 3038
Reprodução / Caixa
O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
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A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos.
Para apostar na Mega-Sena
Como funciona a Mega-Sena?
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Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Justiça homologa recuperação extrajudicial da Raízen e valida renegociação de R$ 61,4 bilhões

Logo da Raízen
Divulgação
A Justiça de São Paulo homologou nesta quinta-feira (30) o plano de recuperação extrajudicial da Raízen, que torna efetiva a renegociação de cerca de R$ 61,4 bilhões em dívidas financeiras da companhia com bancos e investidores. Em valores envolvidos, este é o maior processo de recuperação extrajudicial da história do país.
🔎 A recuperação extrajudicial é um acordo em que a empresa renegocia parte das dívidas diretamente com os credores. Depois que há adesão do percentual mínimo previsto em lei, o plano pode ser homologado pela Justiça, passando a valer para todos os credores abrangidos. O objetivo é conseguir mais prazo ou melhores condições de pagamento para reorganizar as finanças e evitar problemas mais graves, como a falência.
Segundo o comunicado divulgado pela empresa, a decisão foi tomada pela 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca Central de São Paulo e faz com que os termos do plano passem a valer para todos os credores abrangidos pela reestruturação.
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A companhia informou que o plano recebeu a adesão de 81,6% dos credores financeiros sem garantias específicas, percentual suficiente para a homologação judicial, e que nenhum credor apresentou contestação ao pedido.
"A homologação do Plano reforça a confiança dos stakeholders na solução consensual e estruturante do endividamento do Grupo Raízen, conciliando suas necessidades de liquidez de curto prazo com uma estrutura de capital adequada e sustentável no longo prazo."
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Plano de reestruturação
Com a homologação, a empresa dará sequência às medidas previstas no plano de reestruturação.
Entre elas está a possibilidade de alguns credores converterem parte dos valores que têm a receber em participação na companhia, por meio da emissão de units (conjunto de ações negociado na bolsa), além do recebimento de novos títulos de dívida garantidos.
A empresa também pretende realizar um aumento de capital entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões, que será integralizado pela Shell Brasil Petróleo e, caso confirme adesão, também pela Aguassanta Participações, empresa controlada pela família de Rubens Ometto, acionista controlador da Cosan.
Além disso, a Raízen prevê uma reorganização de sua estrutura, incluindo a separação dos negócios de distribuição de combustíveis e de energia, bem como a venda de ativos e outras medidas previstas no plano.
Segundo a companhia, a homologação também torna obrigatório o novo cronograma de pagamento das dívidas renegociadas para todos os credores abrangidos.
A empresa informou ainda que divulgará, oportunamente, as regras para que os credores possam escolher as opções de pagamento previstas no plano.
"A Raízen manterá seus acionistas e o mercado informados acerca de quaisquer desdobramentos relevantes relacionados a este tema. O plano segue disponibilizado no site de relações com investidores da companhia e no sistema da CVM [Comissão de Valores Mobiliários], nos termos da regulamentação aplicável", diz o comunicado.
Pedido de recuperação extrajudicial
Em março, a Raízen anunciou que havia pedido recuperação extrajudicial enquanto buscava um acordo com os credores para reestruturar suas dívidas e reforçar o caixa da companhia.
Segundo a empresa, a medida tinha como objetivo dar mais segurança às negociações e facilitar a reorganização do endividamento do grupo. Na época, a Raízen informou que as dívidas financeiras somavam cerca de R$ 65,1 bilhões, além de obrigações entre empresas do próprio grupo.
O pedido ocorreu em um momento de deterioração da situação financeira da companhia.
A Raízen afirmou que foi afetada por uma combinação de fatores, como o elevado volume de investimentos realizados nos últimos anos, condições climáticas adversas que prejudicaram as safras de cana-de-açúcar, oscilações nos preços do açúcar e juros elevados, que aumentaram o custo da dívida e pressionaram o caixa.
Ao fim de dezembro, a dívida líquida da empresa havia alcançado R$ 55,3 bilhões, segundo números divulgados anteriormente.
No terceiro trimestre da safra 2025/26, encerrado em dezembro de 2025, a Raízen registrou prejuízo de R$ 15,6 bilhões.
Desse total, R$ 11,1 bilhões foram resultado de um ajuste contábil que reduziu o valor de parte de seus ativos. Desconsiderando esse efeito, o prejuízo teria sido de aproximadamente R$ 4,5 bilhões.
BNDES aprova crédito de R$ 8 bilhões para Azul, Gol, Latam e Abaeté

Petrobras reduz em 14,2% preço do querosene de aviação
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou nesta quinta-feira (30) uma linha de crédito de até R$ 8 bilhões para reforçar as despesas de quatro companhias aéreas que operam voos domésticos no Brasil: Azul, Abaeté, Gol e Latam.
Os recursos, provenientes do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), poderão ser utilizados até dezembro de 2026.
A medida busca dar investimento rápido às empresas diante da forte alta nos custos do combustível de aviação, que quase dobrou entre abril e maio deste ano em consequência da escalada da guerra no Oriente Médio. A linha de financiamento é destinada às empresas de transporte aéreo regular doméstico.
Os financiamentos terão taxa de juros fixa de 4% ao ano, definida pelo Comitê Gestor do FNAC (CGFNAC), e prazo de até 60 meses para pagamento.
Avião passando bem perto de bar, em Goiânia, assusta e ao mesmo tempo impressiona clientes
Reprodução/Perfil do TikTok de Fernanda Leite
"São companhias que já foram fortemente impactadas pelos efeitos da pandemia e que agora enfrentam o aumento de custo no combustível de aviação devido à guerra no Oriente Médio", afirmou Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.
Petrobras reduz em 14,2% preço do querosene de aviação a partir de junho
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé França, disse que a iniciativa fortalece a sustentabilidade financeira das companhias. Já o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Juliano Noman, afirmou que o apoio é compatível com a relevância do setor para a economia.
Por que o combustível do avião está tão caro?
O custo do combustível de aviação disparou no primeiro semestre desse ano devido à escalada da guerra no Oriente Médio.
O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã elevou as cotações internacionais do petróleo, em meio ao temor de interrupções na oferta global da commodity, especialmente por causa dos riscos ao Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas de transporte de petróleo do mundo.
Como o preço do querosene de aviação (QAV) acompanha as oscilações do petróleo, a Petrobras reajustou o combustível em mais de 50% em abril. Embora tenha reduzido o preço em 14,2% em junho, o QAV ainda acumulava alta de 54,5% no ano, pressionando os custos das companhias aéreas.
De Volkswagen à BMW, crise se espalha nas montadoras alemãs

'Efeito China': preço médio do carro zero no Brasil tem a primeira queda em seis anos
Com a concorrência chinesa em ascensão, os lucros em queda e a popularização de veículos elétricos da China, gigantes automobilísticas alemãs planejam dezenas de milhares de demissões e revisão de estratégias.
A BMW anunciou na quarta-feira (29) o corte de até 8 mil postos de trabalho em todo o mundo, tornando-se a quinta montadora alemã a divulgar grandes reduções de pessoal. O setor automobilístico enfrenta crescente pressão da concorrência chinesa, especialmente no segmento de veículos elétricos.
Segundo a empresa sediada em Munique, as demissões afetarão cerca de 5% da força de trabalho global, que soma 154 mil funcionários. A BMW, proprietária também das marcas Mini e Rolls-Royce, afirmou que o impacto será maior sobre as operações na Alemanha.
Embora fosse considerada mais resistente à concorrência chinesa, a BMW alertou no mês passado que suas vendas na China estão caindo acentuadamente. A disputa no mercado de veículos elétricos com as montadoras do gigante asiático diminuíram o poder de precificação da alemã.
Logotipo da BMW em veículo exibido no Salão Internacional do Automóvel de Pequim (Auto China), em Pequim, na China.
Reuters
No ano passado, as entregas de veículos da montadora na China reduziram para o menor nível desde 2017. No trimestre encerrado em junho, o recuo foi de 30% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
As tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também contribuíram para as dificuldades, juntamente com o aumento dos preços da energia decorrente da guerra entre EUA, Israel e Irã e a expansão das fabricantes chinesas em outros mercados importantes, incluindo Europa, Ásia-Pacífico e América Latina.
Na quinta-feira, a empresa informou que o lucro líquido do segundo trimestre caiu 35%, para 1,2 bilhão de euros (R$ 7 bilhões), enquanto a receita recuou de 34 bilhões (R$ 199 bilhões) para 31 bilhões de euros (R$181 bilhões). A BMW revisou suas projeções para o restante do ano e alertou para uma "queda significativa" nos lucros.
Nem a Porsche escapa
Dois dias antes, a Porsche anunciara planos para cortar mais 5 mil empregos na Alemanha até o fim de 2035. O número corresponde a cerca de um em cada cinco funcionários da empresa.
A fabricante de carros esportivos informou que as novas medidas afetarão sua principal fábrica, em Stuttgart-Zuffenhausen, e seu centro de pesquisa e desenvolvimento na vizinha Weissach.
Fábrica da Porsche em Zuffenhausen, Alemanha
Divulgação / Porsche
No ano passado, a Porsche já previra a eliminação de 1,9 mil postos de trabalho na região até 2029 e o encerramento de 2 mil contratos temporários.
A empresa também vai adiar aumentos salariais, enquanto os bônus por desempenho passarão a estar mais diretamente vinculados aos lucros.
A Porsche, que pertence ao Grupo Volkswagen, mas opera com elevado grau de independência, também reduziu vagas em sua fábrica de Leipzig e está fechando três subsidiárias que empregam cerca de 500 pessoas.
No fim do ano passado, a Porsche tinha quase 41,8 mil funcionários, dos quais cerca de 85% estavam na Alemanha.
Cortes profundos na Volkswagen
A Volkswagen, maior montadora da Europa, dobrou no mês passado seu programa de redução de pessoal e anunciou planos para eliminar até 100 mil empregos. A empresa também pretende fechar quatro fábricas na Alemanha.
Os sindicatos e o estado da Baixa Saxônia, que detém 20% dos direitos de voto na companhia e tem poder de veto sobre decisões estratégicas, rejeitaram os novos planos. Inicialmente, a Volkswagen havia informado que reduziria 50 mil postos de trabalho.
A montadora é conhecida por seu quadro de pessoal inflado, com cerca de 630 mil funcionários em todo o mundo, ou 680 mil se consideradas as joint ventures chinesas.
O grupo sediado em Wolfsburg emprega aproximadamente 60% mais trabalhadores que a Toyota, apesar de produzir quantidade semelhante de veículos.
O grande contingente de funcionários, antes visto como símbolo da força industrial alemã, se transformou em peso financeiro diante da intensificação da concorrência das fabricantes chinesas de veículos elétricos.
Veículo elétrico Volkswagen ID. UNYX 08 em linha de produção na fábrica da Volkswagen Anhui, em Hefei, na China.
REUTERS/Florence Lo/Foto de arquivo
A Volkswagen mantém internamente mais etapas da produção do que os concorrentes, o que aumenta a demanda por mão de obra. Além disso, os custos de produção nas fábricas alemãs costumam ser até duas vezes maiores que os de seus rivais.
O avanço considerado lento da empresa no segmento de veículos elétricos também enfraqueceu suas vendas na China, mercado que já representou um terço das entregas globais, além da Europa.
Mercedes reduz quadro sem demissões
Em março do ano passado, a Mercedes-Benz acertou com seu conselho de trabalhadores um plano para economizar 5 bilhões de euros (R$ 29 bilhões) até 2027. No entanto, a empresa descartou demissões compulsórias em suas fábricas alemãs, defendendo que saídas voluntárias seriam suficientes para implementar as mudanças.
Até março deste ano, cerca de 5.500 funcionários das áreas administrativa, de pesquisa e desenvolvimento e de tecnologia da informação haviam aderido a programas de desligamento. Os trabalhadores da produção permaneceram protegidos.
No mês passado, a Mercedes adiou para 2027 o pagamento de um bônus a quase três quartos de sua força de trabalho na Alemanha e propôs ampliar a jornada semanal de 35 para 40 horas sem aumento salarial.
Mercedes-Benz VLE
Divulgação / Mercedes-Benz
Executivos da empresa indicaram que algumas funções poderão ser transferidas para outros países. Foram relatadas ainda reduções de pessoal nas operações da montadora na China.
Na terça-feira, a Mercedes afirmou ter registrado baixas contábeis superiores a 700 milhões de euros (R$ 4 bilhões) devido à forte concorrência na China. Embora o lucro líquido do segundo trimestre tenha crescido 13,5%, alcançando 1 bilhão de euros (R$ 6 bilhões), o lucro operacional da principal divisão de automóveis caiu um quarto, para 909 milhões de euros (R$ 5 bilhões).
Audi também sob pressão
A Audi, controlada pela Volkswagen, anunciou no ano passado planos para eliminar até 7,5 mil postos de trabalho na Alemanha até o fim de 2029.
A empresa descartou demissões compulsórias e informou que os cortes nas áreas administrativa e de pesquisa e desenvolvimento ocorrerão por meio de programas voluntários e aposentadorias antecipadas.
Linha de produção do Audi Q7 na cidade de Bratislava, capital da Eslováquia.
Divulgação / Audi
No entanto, no mês passado, a fábrica da Audi em Neckarsulm foi incluída pela controladora Volkswagen entre as unidades que poderão ser fechadas em 2030. A medida pode afetar cerca de 15 mil trabalhadores.
Contas do governo têm déficit de R$ 48,2 bilhões em junho
As contas do governo registraram um déficit primário de R$ 48,2 bilhões em junho, informou Tesouro Nacional nesta quinta-feira (30). 🔎 O déficit primário ocorre quando as receitas com tributos e impostos ficam abaixo das despesas do governo. Se as receitas ficam acima as despesas, o resultado é um superávit primário. Esses valores não englobam os juros da dívida pública. ➡️Houve uma piora na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando foi contabilizado um resultado negativo de R$ 46,3 bilhões (valor corrigido pela inflação). ➡️Esse também foi o pior resultado para meses de junho desde 2023, quando foi registrado um déficit primário de R$ 51,6 bilhões (com a correção). Receitas X despesas ➡️De acordo com números do Tesouro Nacional, o aumento de despesas influenciou o resultado negativo. Segundo o governo, os gas tiveram um aumento real (acima da inflação) de 9% em junho, para R$ 243,3 bilhões. Os principais aumentos foram: Despesas do Poder Executivo Sujeitas à Programação Financeira (+R$ 10,1 bilhões); Créditos Extraordinários (+R$ 2,8 bilhões); Benefícios Previdenciários (+R$ 2,1 bilhões); Abono e Seguro-Desemprego (+R$ 1,7 bilhão); Pessoal e Encargos Sociais (+R$ 1,3 bilhão). Já as receitas líquidas registraram alta real de 10,3% em junho deste ano, para R$ 195,2 bilhões. O bom comportamento da arrecadação, por sua vez, está relacionado com o crescimento da economia brasileira e, também, com os aumentos de impostos anunciados nos últimos anos pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além da arrecadação relativa à taxação e à alta do petróleo. Parcial do ano No acumulado dos seis primeiros meses deste ano, ainda segundo dados oficiais, as contas do governo registraram um déficit primário de R$ 92,2 bilhões, com alta de 717%. Isso representa piora na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foi registrado um saldo negativo de R$ 11,3 bilhões. A deterioração nas contas do governo na parcial deste ano está relacionada, principalmente, com a antecipação no cronograma de pagamento dos precatórios (valores referentes a sentenças judiciais) feita em março, que elevou o volume de despesas neste ano. 📈 Nos seis primeiros meses de 2026, houve um aumento real de 5,6% na receita líquida, após as transferências constitucionais a estados e municípios, totalizando R$ 1,26 trilhão (sem correção). 📈 Ao mesmo tempo, as despesas totais do governo somaram R$ 1,35 trilhão entre janeiro e junho deste ano, com uma alta real de 12,3% no período (valores nominais). Meta fiscal em 2026 Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões. De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central. Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 63,5 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais). Com a banda em torno da meta fiscal e abatimentos legais, a previsão oficial do governo é de que suas contas tenham um déficit de quase R$ 52 bilhões neste ano. Se os números se confirmarem, as contas do governo devem ficar negativas durante todo o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Os 'Bolsonaros de IA' que fazem campanha até contra Flávio nas redes sociais nesta eleição

Vídeos de IA se multiplicam nas redes de apoiadores de Bolsonaro no TikTok
Reprodução via BBC
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está há meses preso, atualmente em domiciliar, e proibido de usar redes sociais e fazer manifestações públicas e políticas, mas quem navega pelas redes sociais pode ter uma impressão diferente e acreditar que ele está em plena campanha nas eleições de 2026.
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"Gente, está difícil para nós", diz "Bolsonaro" chorando em um vídeo no TikTok. "Peço que apertem na cruz abaixo da minha foto e me ajudem a ganhar esta eleição."
Em outro, o ex-presidente aparece ao lado do filho Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência pelo PL, fazendo coro em um pedido de apoio. "Vamos mostrar nossa força e vencer ainda no primeiro turno", eles dizem.
"Bomba!", diz "Bolsonaro" em um terceiro vídeo. "Eu acabo de receber um alvará de liberdade para minha candidatura. Então, se você me apoia, aperta todos os botões ao lado e mande esse vídeo para três amigos."
Não se trata de Bolsonaro de verdade, é claro, mas de sua imagem, fabricada com inteligência artificial (IA), em vídeos direcionados aos seus eleitores.
São os chamado deepfakes, uma técnica que manipula ou cria vídeos, áudios e imagens falsas com alto grau de realismo. Eles servem para fazer pessoas parecerem dizer ou fazer coisas que nunca aconteceram.
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Um "Bolsonaro de IA" foi usado pelo próprio Flávio Bolsonaro ao lançar oficialmente sua candidatura. Na convenção do PL que oficializou seu nome, o senador exibiu um vídeo de menos de um minuto em que a imagem e voz do pai aparecem pedindo o apoio a seu "escolhido".
A peça começa informando que "isso que vocês estão vendo" não é Bolsonaro. "Isso é uma simulação da minha imagem e da minha voz feita com inteligência artificial", diz o avatar do ex-presidente.
"Peço que vocês recebam de braços abertos a pessoa que escolhi para me substituir, sangue do meu sangue, meu filho Flávio. Vem com fé, o Brasil tem futuro, e o futuro é Flávio Bolsonaro presidente", conclui a imagem de Bolsonaro.
Mas, bem além da convenção do PL, a BBC News Brasil também encontrou ao menos uma dezena de vídeos nas redes sociais em que o "Bolsonaro de IA" faz de um pedido de apoio ao filho a uma celebração por um falso "alvará de liberdade".
"Não vamos deixar o PT acabar com o Brasil", diz um dos vídeos com dezenas de milhares de visualizações.
Em uma amostra de como esse tipo de tecnologia permite mesmo simular qualquer coisa, até mesmo o impossível, também há vídeos em que "Bolsonaro" faz o papel contrário: critica Flávio ao dizer que ele "não tem condição de ser presidente" e faz campanha contra o filho e a favor do seu adversário.
"Venho nesse vídeo feito por IA pedir a todos vocês que não percam seu tempo em outubro votando no meu filho", diz um deles.
"Por estar inelegível até a volta de Jesus, eu resolvi indicar Flávio como um fantoche da minha candidatura. (...) Mas eu já me arrependi de ter indicado esse moleque. A melhor opção é o Lula mesmo."
Esses primeiros sinais de uma campanha que pode ser marcada pela utilização desta tecnologia mostram que a Justiça Eleitoral vai ter que deixar clara sua posição - e especialistas em direito eleitoral consultados pela reportagem discordam sobre o alcance das regras atuais.
O advogado Alberto Rollo, mestre pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), avalia que, neste momento de pré-campanha, as resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deixam dúvidas sobre o que é ou não permitido.
A resolução da Justiça eleitoral que estabelece regras das propagandas eleitorais (a 23.610, de 2019), veda expressamente o uso de deepfakes, independentemente se são usados para prejudicar ou favorecer candidaturas.
A proibição ocorre mesmo que haja autorização, sendo a pessoa viva, falecida ou fictícia.
"Mas a vedação está muito clara e objetiva quando se fala de propaganda eleitoral. Não pode e ponto. A questão é que, no momento, estamos fora do período de propaganda. A redação da resolução [do TSE] realmente está complicada e acho que gera dúvidas na fase de pré-campanha", avalia Rollo.
O período de campanha e propaganda eleitoral geral começa em 16 de agosto.
Já na avaliação de Fernando Neisser, professor de direito eleitoral da FGV/SP, não há dúvidas de que quem está produzindo e compartilhando vídeos de deepfake no contexto eleitoral já estão cometendo ilegalidade.
"Há uma jurisprudência firmada há bastante tempo que diz que todas as regras formais da propaganda que valem para o período eleitoral valem também no período pré-eleitoral", diz.
"Essa é uma regra que diz respeito à forma, ao tipo de tecnologia que está sendo usada, e não ao conteúdo. Então, não me resta dúvida, que isso vale também para o caso da convenção [do PL]. Não há área cinzenta", segue Neisser.
Vídeo na convenção já sob análise no TSE
Na convenção do PL, Flávio exibiu vídeo com avatar do pai
Nelson ALMEIDA / AFP via Getty Images/ BBC
Logo após a convenção em que Flávio exibiu o deepfake do pai, a Federação Brasil da Esperança, da qual o PT do presidente Lula faz parte, entrou com uma representação por propaganda eleitoral antecipada e uso irregular de inteligência artificial contra o PL e o candidato.
O presidente do TSE, o ministro Kassio Nunes Marques, foi o sorteado para ser o relator da ação.
Ao tribunal, os advogados da campanha de Flávio defenderam que a gravação não pretendeu enganar o público ou espalhar conteúdo falso.
Na avaliação do especialista Alberto Rollo, pelas regras que existem e pelo fato de o vídeo ser identificado com IA no início - portanto, sem "tentativa de enganar" -, não houve ilegalidade em termos eleitorais na exibição do deepfake de Bolsonaro.
Além de estarmos fora do período de propaganda, o advogado avalia que convenção é um "ato interno".
"É uma reunião interna dos partidos. Não é para o público externo, eleitor", avalia Rollo.
Fernando Neisser discorda. "É indiscutível que, quando você tem um material que é produzido para circular nas redes sociais, é irrelevante se o ambiente é interno ou externo. Segue sendo ilegal", diz.
Mas, além da investigação eleitoral, o caso de Bolsonaro se complica ainda mais porque o ex-presidente está preso e vetado de usar redes sociais, mesmo que por intermédio de terceiros.
Na terça-feira (28/7), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu 48 horas para a defesa do ex-presidente explicar se foi autorizado o uso de imagem e voz no vídeo exibido na convenção do PL.
Moraes explicou no documento que o ex-presidente está com os direitos políticos suspensos em razão da condenação criminal por golpe de Estado e também está proibido, desde julho de 2025, de utilizar redes sociais diretamente ou por intermédio de terceiros.
"A eventual concordância de Jair Messias Bolsonaro com a divulgação de um vídeo produzido por IA, e amplamente divulgado nas redes sociais, contendo sua imagem e declarações ostensivamente político-eleitorais constituiria nova e grave transgressão à decisão judicial, poucos dias após ser sancionado, e passível de reversão da prisão domiciliar humanitária para o regime fechado", escreveu Moraes.
Em resposta a Moraes, na quarta-feira (29/7), a defesa do ex-presidente informou que ele não autorizou a utilização de sua imagem e voz para a produção do vídeo.
Segundo a defesa, o presidente não teve contato com o filho porque está com o direito de visitas suspenso por 30 dias e Flávio está proibido de visitá-lo por 90 dias. Portanto, de acordo com os advogados, o ex-presidente não poderia ter autorizado o uso de sua imagem e voz
Em 15 de julho, Moraes havia suspendido, por 90 dias, o direito de Flávio a visitar o seu pai depois de ter lido, nas suas redes sociais, uma carta em que o pai pedia união da direita em torno da pré-candidatura do senador.
Em sua decisão, Moraes argumentou que leitura da carta por Flávio seria uma forma de burlar a restrição ao uso de redes sociais.
Caso a campanha de Flávio seja punida por uso de deepfake, isso poderia até levar a alguma condenação de abuso de poder político, sujeito a cassação do registro e mandato.
"Mas tem que configurar que teve deepfake, e não só uma uma vez. Toda jurisprudência do TSE, quando fala de abuso de poder político, fala em gravidade da conduta. Ou seja, teria que ter gravidade, condições de influenciar o pleito", diz Rollo.
Fernando Neisser avalia que a campanha "já merece punição", mas ainda não se pode falar de "abuso de poder político".
"Acho importante uma decisão reconhecendo que é ilegal, tirando conteúdo do ar e aplicando multa. E isso já fica como uma decisão, porque se a campanha decidir reiterar, aí sim vai poder se falar em abuso de poder e cassação de registro e inelegibilidade", conclui.
Em nota, o TSE informou à reportagem que não se manifestará sobre temas ou casos que possam vir a ser ou são objetos de análise na Justiça Eleitoral.
E os perfis nas redes sociais?
E as páginas que publicaram outros deepfakes de Bolsonaro. Elas podem ser responsabilizadas na Justiça?
Para Fernando Neisser, a proibição não diferencia candidatos de cidadãos comuns.
"O que se quer é um ambiente em que esse tipo de material não seja produzido e não circule, sob pena de que essas pessoas respondam por isso", diz.
Já Rollo avalia que, a partir de 16 de agosto, quando começa o período de propaganda eleitoral, esse conteúdo pode vir a ser enquadrado como irregular.
"As resoluções não trataram de todas as hipóteses concretas. E aí o brasileiro é invetivo, e a IA permite isso. Então, a Justiça acaba tendo que analisar caso a caso, o que é perigoso, porque permite interpretações", avalia Rollo.
O especialista prevê que pode acontecer nessa eleição algo parecido com à campanha à prefeitura de São Paulo em 2024, quando o candidato Pablo Marçal fazia campeonato de recortes de vídeos até com remuneração.
"A Justiça Eleitoral não estava preparada, aí começa a jurisprudência sobre engajamento artificial estimulado por prêmio. Então, tem que se atualizar todos os dias, com cuidado para não ser parcial."
Para Neisser, ainda não dá pra saber qual o volume de casos que a Justiça Eleitoral terá que analisar.
"A Justiça Eleitoral age por provocação. É natural que as próprias candidaturas selecionem casos que elas querem gastar tempo e esforço", diz o especialista, ressaltando que as campanhas não devem entrar com ações contra todo vídeo de deepfake, apenas em casos mais visíveis.
Na previsão de Rollo, a quantidade de casos será muito grande.
"Mas a Justiça tem técnicos ultrapreparados e tem ferramentas que vão ser usadas na fiscalização, mas acho que, pela quantidade que está se desenhando, aí talvez não se consiga efetividade de controlar 100% do que acontece nas redes. Vai escapar alguma coisa", prevê.
O TSE conta com um sistema em que a população pode alertar casos de desinformação eleitoral. As pessoa podem apontar "fatos notoriamente inverídicos ou descontextualizados com potencial para causar danos ao equilíbrio do pleito ou à integridade do processo eleitoral", inclusive com o uso de iA.
O tribunal também fechou acordos com as principais plataformas de redes sociais para ajudar no combate à desinformação durante a eleição geral de 2026. Os documentos incluem acordos de colaboração para detecção e mitigação do "uso enganoso de tecnologias digitais" no contexto das eleições, além de canais exclusivos para TSE enviar denúncias de conteúdos específicos.
Morar sozinho pesa no bolso: 6 em cada 10 jovens da geração Z ainda vivem de aluguel

Geração Z representa 48% dos contratados CLT no mês de abril em MG
Morar sozinho continua sendo um marco de independência, mas também um desafio financeiro, especialmente para os mais jovens. 62,6% dos integrantes da Geração Z que vivem sozinhos ainda moram de aluguel.
Enquanto isso, entre a Geração X e os Baby Boomers esse percentual cai para 29,1%, segundo uma pesquisa da Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, que entrevistou 6.063 pessoas pelo Brasil.
O levantamento também revela diferenças no perfil de consumo e mobilidade entre as gerações. Entre os entrevistados nascidos entre 1946 e 1980, o carro é o principal meio de transporte, citado por 38% dos respondentes. Já entre os jovens da Geração Z, o transporte público aparece em primeiro lugar, com 26%, seguido pelas motocicletas, com 23%.
Edifício Copan, em São Paulo, tem centenas de apartamentos para aluguel de temporada.
Fantástico
Independentemente da idade, porém, a percepção é de que o custo de vida aumentou. Entre quem mora sozinho, 71,4% dos integrantes da Geração X e dos Baby Boomers afirmaram sentir alta nas despesas nos últimos 12 meses. Na Geração Y, esse percentual é de 64,9%, enquanto entre a Geração Z chega a 55,2%.
"A sensação de que viver ficou mais caro é semelhante entre todas as gerações, indicando que a inflação dos gastos essenciais impacta praticamente todos que vivem sozinhos, independentemente da idade", afirma Aline Vieira, especialista em educação financeira na Serasa.
Morar sozinho ou com a família muda pouco a pressão financeira
Apesar de viver sozinho representar mais autonomia, administrar as próprias contas continua sendo um desafio. Entre quem mora sozinho, 25% consideram difícil organizar as despesas e outros 20% classificam essa tarefa como muito difícil.
O cenário praticamente se repete entre quem vive com familiares, como cônjuge, pais ou filhos: 25% relatam dificuldade e 20% dizem enfrentar muita dificuldade para manter as contas em dia.
A inflação dos gastos essenciais também afeta os dois grupos de forma semelhante. O supermercado foi apontado por 80% dos entrevistados como a despesa que mais pesou no orçamento no último ano. Em seguida aparecem as contas recorrentes da casa, como água, luz e internet, mencionadas por 51%.
Jovens no Brasil são mais ou menos conservadores do que os mais velhos? O que pesquisa descobriu sobre a geração Z
Getty Images / BBC
A principal diferença está nos custos com moradia. Entre quem vive sozinho, 34% apontam aluguel, financiamento ou condomínio entre os gastos que mais aumentaram, ante 27% daqueles que moram com familiares.
Essa pressão influencia diretamente a forma como o orçamento é organizado. Para quem mora sozinho, as prioridades financeiras são pagar as contas recorrentes da casa (75%), fazer compras de supermercado (74%) e arcar com as despesas de moradia (53%).
Entre quem vive com a família, a ordem de prioridades é semelhante, mostrando que o maior peso no orçamento continua concentrado nas despesas essenciais.
Caixa inicia nesta quinta depósito de R$ 13 bilhões do lucro do FGTS a 138 milhões de trabalhadores

A Caixa Econômica Federal iniciou nesta quinta-feira (30) o depósito nas contas dos trabalhadores dos R$ 13,04 bilhões relativos ao lucro do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) em 2025 a 138,2 milhões de trabalhadores com saldo em conta vinculada.
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As consultas podem ser feitas por meio do aplicativo do FGTS. Para os clientes da instituição financeira, é possível também acessar o extrato pelo Internet Banking.
No extrato do FGTS, o trabalhador poderá visualizar um lançamento com a descrição 'AC CRED DIST RESULTADO ANO BASE 12/2025', movimentação que representa o crédito da distribuição dos lucros do FGTS do ano passado.
➡️Uma calculadora do g1 mostra quanto cada trabalhador vai receber com a distribuição
A decisão sobre o pagamento foi formalizada durante reunião nesta terça-feira (28) do Conselho Curador do FGTS. O Conselho é formado por representantes do governo, dos patrões e dos trabalhadores.
App FGTS, aplicativo FGTS, saque aniversário, saque calamidade
Stephanie Fonseca/g1
No ano passado, o FGTS registrou resultado positivo de cerca de R$ 14,65 bilhões. O valor a ser distribuído representa 89% do lucro registrado no período.
Com a distribuição do lucro, a rentabilidade total das contas, em 2025, atingirá 6,90% — o que representa um ganho real (acima da inflação) de 2,53 pontos percentuais. No ano passado, o IPCA, a inflação oficial do país, somou 4,26%.
Pela proposta, o crédito será equivalente a um acréscimo de 1,87% na rentabilidade de cada conta, proporcional ao saldo individual.
Se um trabalhador tiver um saldo R$ 1 mil, por exemplo, terá um crédito, em sua conta vinculada, de R$ 18,68, e assim por diante.
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De acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), a remuneração do FGTS deve garantir, no mínimo, a correção pelo IPCA em todos os anos.
Quem tem direito ao depósito e como consultar o valor?
💲Todas as pessoas com contas (ativas ou inativas) vinculadas ao FGTS em 2025, com saldo em dezembro, terão direito a receber uma parcela dos lucros.
💲A divisão é proporcional ao saldo em cada conta. Quanto maior o saldo do trabalhador, mais ele irá receber de parte do lucro do FGTS.
💲Para calcular o valor a ser creditado, o trabalhador deve multiplicar o saldo existente na conta de FGTS em 31/12/2025 pelo índice de 0,01868341.
Histórico de distribuição
Confirmada a distribuição do lucro neste ano, o Conselho do FGTS manteve uma rotina que vigorou nos últimos anos.
Em 2025, o Conselho do FGTS aprovou a divisão de 95% do lucro obtido em 2024 aos trabalhadores. Ao todo, foram repassados R$ 12,9 bilhões.
Em 2024, o conselho do FGTS aprovou a distribuição de R$ 15,2 bilhões aos trabalhadores relativos a parte do lucro registrado no ano anterior. A decisão foi unânime.
Em 2023, o FGTS registrou um lucro recorde de R$ 23,4 bilhões. Mas, pela proposta do Ministério do Trabalho, somente parte desse valor, cerca de 65%, foi destinado aos trabalhadores.
Pra onde vai o dinheiro?
De acordo com as regras, os recursos serão depositados nas contas vinculadas dos trabalhadores no FGTS. Isso não quer dizer, entretanto, que eles poderão ser sacados de imediato.
Os valores poderão ser buscados quando houver, por exemplo:
demissão sem justa causa, pelo empregador;
término do contrato por prazo determinado;
rescisão por acordo entre trabalhador e empregador;
aposentadoria;
idade igual ou superior a 70 anos;
doenças graves (trabalhador ou dependente);
aquisição de casa própria, liquidação ou amortização de dívida ou pagamento de parte das prestações de financiamento habitacional;
saque-aniversário.
Veja todas possibilidades no site da Caixa Econômica Federal.
Conselho de Política Energética aprova novos leilões de gás; governo prevê redução de mais de 50% no preço para indústria

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou nesta quinta-feira (30) uma resolução que muda as regras para a comercialização do gás natural pertencente à União. E permite a venda direta do produto ao mercado livre por meio de leilões realizados pela Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA).
🔎 A PPSA é uma estatal vinculada ao Ministério de Minas e Energia responsável pela comercialização do gás natural da União.
O Ministério de Minas e Energia (MME) e a PPSA têm a expectativa de realizar o primeiro leilão ainda neste ano.
O comunicado do MME foi divulgado minutos antes do início do evento Reestruturação da Política de Comercialização do Gás Natural da União, realizado na sede da pasta.
Agora no g1
“A lei determinou que a PPSA tem a obrigação legal de maximizar a receita do óleo e do gás da União”, afirmou o ministro Alexandre Silveira.
Silveira faz afirmação preconceituosa em evento
A medida estabelece duas frentes de leilões: de curto prazo, entre 2026 e 2030, e de longo prazo, a partir de 2030.
Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), o objetivo é aumentar a oferta de gás no mercado brasileiro e reduzir o custo do insumo, principalmente para a indústria.
A resolução altera uma norma do CNPE de 2018 e estabelece que o gás comercializado pela União deverá ser destinado prioritariamente a segmentos da indústria de base que fazem uso intensivo do produto.
Entre os setores citados estão as indústrias química, petroquímica, de fertilizantes e siderúrgica. A destinação deverá observar as condições estabelecidas nos instrumentos de comercialização e os interesses da Política Energética Nacional.
Segundo o governo, a redução dos custos do insumo também poderá beneficiar outros segmentos da economia, como a geração termelétrica e o transporte por GNV.
O que muda?
Na prática, a principal mudança é a possibilidade de a PPSA colocar o gás natural da União diretamente no mercado livre por meio dos leilões.
Com a resolução, o governo pretende ampliar a oferta do produto no mercado, com prioridade para segmentos industriais intensivos no uso de gás.
O comunicado do MME afirma que o gás natural da União é vendido atualmente pelo que o ministério chama de “agente dominante – a Petrobras” no mercado brasileiro por cerca de US$ 12 por milhão de BTU.
Segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, com a nova política o produto poderá chegar à indústria por aproximadamente US$ 5 por milhão de BTU, uma redução superior a 50%.
O valor de US$ 5, no entanto, não é um preço definido pela resolução. Trata-se de uma estimativa do governo para o preço que poderá ser alcançado com as mudanças.
Em 2023, o CNPE criou um grupo de trabalho do programa Gás para Empregar para estudar formas de ampliar a oferta, reduzir a reinjeção de gás nos campos produtores e aperfeiçoar o funcionamento do mercado.
Segundo o MME, o grupo buscou identificar a participação de cada elo da cadeia na composição do preço final do gás — da produção, passando pelo escoamento, processamento e transporte, até a distribuição. Os relatórios produzidos pelo grupo apontaram a possibilidade de redução do preço de US$ 12 para cerca de US$ 5 por milhão de BTU.
Governo estima R$ 95 bilhões em investimentos
Estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) citados pelo ministério estimam que a resolução, em conjunto com medidas em andamento pela ANP, poderá gerar:
436 mil empregos, entre diretos e indiretos;
R$ 95 bilhões em investimentos;
R$ 79 bilhões de acréscimo no PIB;
R$ 9,3 bilhões a mais em arrecadação de impostos federais.
Criada em 2013, a PPSA é uma empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia
Luoman/Getty Images
CNPE aprova venda direta de gás natural da União, e governo prevê queda de 50% no preço para a indústria

Agora no g1
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão responsável por definir as diretrizes da política energética do país, aprovou nesta quinta-feira (30) uma resolução que autoriza a venda direta do gás natural pertencente à União no mercado livre.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, a medida pode reduzir em pelo menos 50% o preço desse gás para as indústrias que compram o produto nesse mercado.
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A decisão não trata do gás de cozinha (GLP), vendido em botijões, nem altera diretamente os preços pagos pelos consumidores residenciais.
♨️ Como o gás natural é usado por diversos setores da indústria, um custo menor pode reduzir as despesas de produção de empresas e, eventualmente, contribuir para preços menores de alguns produtos. Esse repasse, porém, depende de fatores como a concorrência entre empresas, os contratos de fornecimento e outros custos da cadeia produtiva.
A resolução muda uma norma em vigor desde 2018 e define como será feita a comercialização do gás natural da União pela Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), estatal ligada ao Ministério de Minas e Energia que administra a parcela de petróleo e gás pertencente ao governo nos contratos de partilha da produção do pré-sal.
Hoje, segundo o governo, esse gás é vendido no mercado brasileiro pela Petrobras. Com a nova regra, a expectativa é ampliar a concorrência e reduzir os preços.
"O Gás Natural da União, vendido pelo agente dominante -- a Petrobras -- no mercado brasileiro a cerca de US$12 por milhão de BTU, poderá chegar à indústria nacional a cerca de US$5 por milhão de BTU. Uma redução de mais de 50%", afirmou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em nota.
*Com informações da agência de notícias Reuters
Gás natural em Santa Catarina
SCGás/Divulgação
Brasil vê 'discriminação' em novas tarifas dos EUA e pede mediação da OMC

Brasil vê 'discriminação' em novas tarifas dos EUA e pede mediação da OMC
O documento que formaliza o pedido de consultas do Brasil junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) com relação à legalidade das sobretaxas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros menciona que as medidas são discriminatórias e unilaterais.
Segundo o governo brasileiro, a aplicação das tarifas viola regras básicas do comércio internacional. O documento foi enviado à entidade em 27 de julho, mas foi divulgado apenas nesta quinta-feira (30) por meio do site da OMC.
"O Brasil considera que os Estados Unidos agem de forma inconsistente com o Artigo I: do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994, porque impõe tarifas adicionais sobre produtos originários do Brasil como resultado da ação tarifária decorrente da Investigação da Seção 301 sobre o Brasil, enquanto não impõem tais tarifas sobre produtos similares originários de outros Membros da OMC", diz um dos trechos do documento traduzido para o português.
🔎 A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 é um mecanismo criado pelo Congresso dos EUA que permite ao governo americano investigar países cujas políticas ou práticas sejam consideradas prejudiciais ao comércio, às empresas ou aos exportadores dos EUA.
"Desde fevereiro de 2025, os Estados Unidos impuseram uma série de tarifas adicionais [...] em resposta a atos, políticas e práticas que os Estados Unidos caracterizam unilateralmente como não recíprocos, injustos, irracionais ou discriminatórios", diz outro ponto do documento traduzido.
O Brasil contesta especificamente as tarifas decorrentes de duas investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) com base na chamada Seção 301 da lei comercial americana.
A primeira resultou na imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros, em resposta a questionamentos dos EUA sobre políticas relacionadas ao comércio digital, aos serviços de pagamentos eletrônicos, à proteção da propriedade intelectual e ao combate ao desmatamento ilegal.
Já a segunda levou à aplicação de uma sobretaxa de 12,5%, sob a alegação de que o Brasil falhou em proibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado.
Somadas, essas medidas fazem com que os produtos de origem brasileira fiquem significativamente mais caros ao entrar no mercado americano.
Sem acordo com Brasil, EUA impuseram tarifas de 25% contra alguns produtos
Joao Oliveira/Zoonar/picture alliance
Detalhamento
Na defesa brasileira, o governo aponta que os Estados Unidos estão tratando o país de forma menos favorável do que outros parceiros comerciais.
O texto destaca que os EUA impuseram essas taxas extras a produtos brasileiros enquanto não aplicaram tarifas semelhantes a produtos similares de outros membros da OMC.
Além disso, o governo brasileiro alega que, no caso da investigação sobre trabalho escravo, os EUA aplicaram uma taxa inferior a outros países em comparação com a taxa de 12,5% imposta ao Brasil.
Outro ponto central da queixa é que Washington agiu de forma unilateral.
De acordo com o Brasil, os EUA buscaram punir o país se baseando em determinações próprias, ignorando os procedimentos padrão de solução de controvérsias da OMC, conhecidos como DSU.
O Brasil afirma que os EUA violaram o compromisso de recorrer às regras internacionais antes de aplicar sanções comerciais.
As tensões comerciais aumentaram desde fevereiro de 2025, quando os EUA começaram a impor uma série de tarifas sob um plano de "Comércio Recíproco".
Em julho de 2025, o Brasil já havia sido alvo de uma tarifa de 40% em certos produtos, o que elevou a sobretaxa total para 50% em alguns casos antes de mudanças judiciais nos EUA alterarem os fundamentos das cobranças.
Agora, com o pedido de consultas, o Brasil espera que os dois países cheguem a um acordo antes que o caso se torne uma disputa judicial prolongada em Genebra, na Suíça, onde fica a sede da OMC.
Recurso marca posição do Brasil
Integrantes da diplomacia do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que levar o tema à Organização Mundial do Comércio (OMC) tem caráter “simbólico” e serve para “marcar posição” diante dos Estados Unidos.
Isso porque a diplomacia brasileira defende o conceito do chamado multilateralismo, por meio do qual as divergências entre países, sejam políticas, militares ou econômicas, por exemplo, são resolvidas em organismos compostos por mediadores, como a própria OMC, a Organização das Nações Unidas e o Tribunal do Mercosul.
Para integrantes do Ministério das Relações Exteriores, contudo, o recurso não deve ter efeito prático porque a avaliação é que a OMC está paralisada e sem força para implementar uma eventual decisão contrária ao tarifaço. Assim, no governo Lula, não se prevê, neste momento, uma reversão.
"Mostra que é um recurso à mão. Simbólico, hoje em dia. Para marcar posição”, resumiu um integrante do governo a par da estratégia acerca do tarifaço.
Desde 2019, o órgão de apelação do principal mecanismo de resolução de disputas da OMC está paralisado, justamente por conta de Donald Trump, que, ainda no seu primeiro mandato, barrou a nomeação de novos juízes.
Assim, as chances de se chegar a um entendimento sobre as tarifas por meio da OMC são quase nulas.
Copa à venda? Novo plano comercial da Fifa enfrenta resistência global

A proximidade entre Gianni Infantino e Donald Trump alimenta questionamentos sobre conflitos de interesse no plano da Fifa de atrair investidores privados
Kai Pfaffenbach/REUTERS
"Enquanto vocês dividem, nós unimos", escreveu Gianni Infantino nas redes sociais em 27 de julho, em uma longa mensagem dirigida a seus críticos. Um dia depois, porém, o presidente da Fifa conseguiu unir diferentes setores do futebol internacional contra sua mais recente proposta.
Após reportagens publicadas pelos jornais britânicos The Times e Financial Times, a Fifa confirmou planos para criar uma nova subsidiária, a FIFA Forward Enterprise (FFE). A estrutura permitiria à entidade vender uma participação minoritária dos direitos comerciais da Copa do Mundo a investidores privados por cerca de 20 bilhões de dólares (R$ 102 bilhões).
Entre os potenciais investidores estaria a Thrive Eternal, empresa liderada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Agora no g1
Por que o projeto gera controvérsia?
Além das preocupações com possíveis conflitos de interesse decorrentes da proximidade entre Infantino e Trump, críticos apontam falta de transparência, riscos de corrupção e questionam se a Fifa tem legitimidade para tomar uma decisão dessa dimensão sem ampla consulta às entidades do futebol.
"A Copa do Mundo é um dos poucos eventos esportivos verdadeiramente globais, e isso envolve uma responsabilidade que vai além da maximização de receitas", afirmou Bret Myers, professor de negócios esportivos da Universidade Villanova, nos Estados Unidos, à DW.
A proposta segue um modelo comum nos esportes americanos, nos quais a participação de investidores privados é amplamente aceita. A Fórmula 1 passou por um processo semelhante após ser adquirida pela Liberty Media, em 2017. Greg Maffei, ex-presidente-executivo da companhia, atua atualmente como conselheiro comercial da Fifa no projeto da FFE.
"Os esportes da América do Norte operam há muito tempo sob uma lógica mais comercial, baseada em propriedade privada, valorização de franquias e presença de investidores", disse Myers. "No futebol, especialmente na Europa, clubes e competições ainda são vistos como instituições culturais, e não apenas como ativos comerciais."
A proposta de abrir parte dos direitos comerciais da Copa do Mundo renderia repasses a confederações
Markus Ulmer/Pressefoto Ulmer/picture alliance
Para muitos críticos, a principal preocupação é que a iniciativa represente o primeiro passo rumo a uma eventual privatização da principal competição do futebol mundial.
"Uma participação minoritária é muito diferente de abrir mão do controle", afirmou Myers. "Ainda assim, trata-se de uma mudança significativa na forma como a Copa do Mundo será financiada e explorada comercialmente."
Embora seja formalmente uma organização sem fins lucrativos, a Fifa acumula reservas estimadas em 8 bilhões de dólares (R$ 40 bilhões), impulsionadas pelos resultados da última Copa do Mundo.
Como a missão declarada da entidade é promover o desenvolvimento do futebol, e não maximizar lucros, críticos interpretam a medida também como uma tentativa de ampliar a influência política de Infantino. Outro foco de insatisfação é a ausência de consultas prévias às confederações continentais.
Como a Fifa pretende viabilizar a proposta?
A entidade afirma que os recursos serão reinvestidos no futebol. O principal incentivo oferecido às federações é um repasse linear de 20 milhões de dólares (R$ 102 milhões) para cada uma das 211 associações nacionais em 2027, valor que subiria para 24 milhões de dólares (R$ 122 milhões) em 2035.
As federações têm até 19 de setembro para informar se aceitam o plano. Caso contrário, esses valores poderão ser reduzidos ou até retirados.
"O presidente controla um enorme volume de recursos e os utiliza para recompensar quem lhe é leal e punir quem não o apoia", afirmou Miguel Maduro, ex-presidente do Comitê de Governança, Auditoria e Conformidade da Fifa.
Segundo ele, a falta de mecanismos eficazes de controle e fiscalização levanta dúvidas sobre a destinação dos recursos.
"A Fifa poderia fazer muitas coisas positivas com esse dinheiro. Mas não existe um sistema adequado de freios, contrapesos e prestação de contas que garanta que os recursos sejam bem utilizados pelas associações nacionais. Tudo o que aconteceu no passado me deixa desconfiado sobre como esse dinheiro acabará sendo gasto", disse.
Reação negativa
A resposta do futebol internacional foi majoritariamente crítica. Federações nacionais, dirigentes e grupos de torcedores rejeitaram a proposta, sobretudo pela falta de consultas prévias.
A Confederação Asiática de Futebol (AFC) afirmou não ter sido consultada e declarou decepção com a forma como o projeto foi apresentado. Ásia e África formam a principal base política de Infantino, reunindo 101 das 211 associações filiadas à Fifa.
Posições semelhantes foram adotadas por federações influentes, entre elas a Federação Alemã de Futebol (DFB).
"Uma linha está sendo ultrapassada. Existe um forte consenso entre as associações nacionais sobre esse tema, como pude constatar em conversas recentes com Aleksander Ceferin e outros colegas", afirmou Hans-Joachim Watzke, vice-presidente da DFB.
"Se o futebol europeu permanecer unido contra esses planos, isso terá grande peso."
A gestão de Infantino já esteve no centro de controvérsias envolvendo o calendário do futebol, a expansão de competições e medidas adotadas em Copas do Mundo, como pausas para hidratação
Foto: Marco Bader/HMB-Media/IMAGO
A Confederação das Associações de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) disse estar "profundamente preocupada" com a proposta.
Já a Confederação Africana de Futebol (CAF) convidou suas associaçõesa "examinar" o projeto da Fifa e a "participar do processo de consulta".
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) não se manifestaram até o momento. Anteriormente, a entidade sul-americana demonstrou apoio à reeleição de Infantino.
Quem lidera a oposição?
A União Associações Europeias de Futebol (Uefa) afirmou que "o futebol não pertence à Fifa para ser vendido". A manifestação ocorre em meio ao aumento das tensões entre as duas entidades nos últimos meses.
Segundo a imprensa europeia, a Uefa deve discutir o tema em uma reunião nos próximos dias.
Miguel Maduro apoia a posição da entidade europeia, mas argumenta que os problemas de governança vão além da atual gestão da Fifa.
"Não acredito que a Uefa enfrente problemas tão graves quanto os da Fifa, mas ela também possui falhas significativas de governança que precisam ser corrigidas", afirmou.
"Substituir apenas Infantino, sem mudar a estrutura que produz esse tipo de liderança, seria remover algumas maçãs estragadas e deixar a árvore intacta."
O que pode mudar no futebol?
As críticas da AFC e da Concacaf, responsável pelo futebol da América do Norte, Central e Caribe, podem reforçar a posição da Uefa em uma eventual articulação contra o projeto.
O episódio também pode estimular uma aliança entre confederações continentais para apoiar um adversário de Infantino nas próximas eleições da Fifa ou até levantar a possibilidade de boicotes a competições futuras.
Ainda assim, os valores prometidos às federações podem alterar o cenário político. Maduro avalia que esse tipo de resistência costuma perder força com o tempo.
"Na maioria das vezes, essas declarações surgem sob pressão da opinião pública. Depois, as organizações acabam não levando suas posições adiante", disse.
Segundo ele, a crescente oposição da Uefa também está ligada à defesa de seus próprios interesses econômicos, especialmente da Liga dos Campeões. Caso o projeto avance, Maduro acredita que a Fifa tentará ampliar ainda mais o alcance e a frequência de suas competições.
"Eles vão querer transformar o Mundial de Clubes na principal competição internacional entre clubes, superando a Liga dos Campeões. É isso que tentarão fazer porque estará alinhado aos seus interesses comerciais", afirmou.
Autor: Matt Pearson
Alta do petróleo ajuda e arrecadação federal soma R$ 264,4 bilhões em junho, novo recorde para o mês

A arrecadação do governo federal com impostos, contribuições e demais receitas somou R$ 264,4 bilhões em junho deste ano, informou nesta quinta-feira (30) a Receita Federal.
O resultado representa um aumento real de 7,7% na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando a arrecadação somou R$ 245,5 bilhões (valor corrigido pela inflação).
O valor também foi o maior já registrado para meses de junho desde o início da série histórica da Receita Federal em 1995 — ou seja, em 32 anos.
Agora no g1
➡️O recorde na arrecadação está relacionado com o crescimento da economia brasileira, com a tributação e alta no preço do petróleo e com os aumentos de impostos anunciados nos últimos anos pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Relembre alguns aumentos de impostos:
alta na tributação de fundos exclusivos (alta renda) e das "offshores" (exterior);
mudanças na tributação de incentivos (subvenções) concedidos por estados;
aumento de impostos sobre combustíveis feitos em 2023 e mantido desde então;
reoneração gradual da folha de pagamentos;
fim de benefícios para o setor de eventos (Perse);
início da taxação das bets;
aumento do IOF sobre crédito e câmbio;
alta na tributação dos juros sobre capital próprio.
"O acréscimo observado no período pode ser explicado, principalmente, pelo crescimento da arrecadação da contribuição previdenciária e pelos desempenhos das arrecadações do PIS/Cofins, do IRRF-Rendimentos do Capital, e do IRPJ e da CSLL. Destaca-se, ainda, recolhimentos atípicos de IRPJ e CSLL no mês de junho e a arrecadação de Imposto de Exportação sobre óleo bruto.
CCJ do Senado aprova PEC da autonomia financeira do Banco Central
Jornal Nacional/ Reprodução
Efeito petróleo
➡️Segundo a Receita Federal, a arrecadação recorde em junho também é resultado da tributação e da disparada do preço do petróleo.
Com um preço mais alto, resultado da guerra entre Estados Unidos e Irã, também subiram as receitas do governo com o produto, como "royalties" e extração.
Além disso, o Executivo estabeleceu uma taxação extra sobre exportações.
➡️Somente em junho, o imposto de exportação sobre o petróleo arrecadou R$ 3,8 bilhões e as receitas não administradas (que englobam royalties, concessões, permissões e cotas-parte e compensações financeiras pela exploração de recursos naturais, entre outros) tiveram aumento de R$ 1,2 bilhão. Além disso, boa parte da arrecadação de R$ 4 bilhões classificada como "atípica" em junho pelo Fisco decorre do aumento do preço do petróleo.
Primeiro semestre
Nos seis primeiros meses deste ano, ainda segundo dados oficiais, a arrecadação federal somou R$ 1,59 trilhão — sem a correção pela inflação.
Em valores corrigidos pela variação dos preços, a arrecadação totalizou R$ 1,6 trilhão de janeiro a junho, o que representa um crescimento real (acima da inflação) de 6,6% em relação ao mesmo período do ano passado, quando somou R$ 1,51 trilhão.
O montante também é o recorde para a arrecadação federal no período.
Meta fiscal em 2026
Assim como nos últimos anos, o governo espera contar com o aumento da arrecadação para tentar atingir a meta para as suas contas em 2026.
Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões.
De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central.
Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões.
O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 57,8 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais).
Na prática, portanto, a previsão é que o governo tenha um rombo de R$ 23,3 bilhões nos cofres públicos em 2026 – mesmo que, para o cálculo oficial da meta, apresente um resultado positivo.
Se os números se confirmarem, as contas do governo devem ficar negativas durante todo o terceiro mandato do presidente Lula.
Dívida pública federal sobe 2,6% em junho e atinge R$ 9,27 trilhões, diz Tesouro Nacional
A dívida pública federal cresceu 2,6% em junho, cerca de R$ 240 bilhões, e atingiu R$ 9,27 trilhões, informou nesta quarta-feira (29) a Secretaria do Tesouro Nacional. Em maio, o endividamento estava em R$ 9,03 trilhões. A dívida pública federal é a contraída pelo Tesouro Nacional para financiar o déficit orçamentário do governo federal, ou seja, pagar as despesas do governo acima da arrecadação com impostos e contribuições. De acordo com o Tesouro, a dívida subiu em junho por conta da emissão de R$ 149,6 bilhões em títulos públicos no mercado interno. Os resgates desses papéis somaram valor menor no mês passado: R$ 7,33 bilhões. O aumento, em junho, está relacionado com a emissão líquida (acima dos volume dos resgates) de R$ 142,25 bilhões em títulos públicos e, também, à apropriação de juros no valor de R$ 93,48 bilhões. Agora no g1 Segundo o governo, o custo médio das emissões em oferta pública da dívida pública apresentou redução, passando de 14,19%, em maio, para 14,20% ao ano em junho. Já o prazo médio da dívida pública apresentou queda, passando de 4,07 anos, em maio, para 4,01 anos, em junho. A chamada "reserva de liquidez' (disponibilidades de caixa destinadas exclusivamente ao pagamento da dívida) passou de passando de R$ 1,21 trilhão, em maio, para R$ 1,35 trilhão em junho — o equivalente a 8,33 meses de vencimentos. A previsão do Tesouro Nacional é que a dívida encerre o ano de 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões. O dado consta no Plano Anual de Financiamento (PAF), divulgado em janeiro deste ano.
Táxi sem volante da Amazon recebe autorização para operar comercialmente nos EUA

Zoox, táxi sem volantes e pedais da Amazon, recebe autorização para operar nos EUA
Divulgação / Zoox
A Zoox, empresa de veículos autônomos da Amazon, recebeu autorização do governo dos Estados Unidos para iniciar uma operação comercial limitada de seus robotáxis sem volante nem pedais.
A Zoox afirmou que a decisão da National Highway Traffic Safety Administration concede à empresa a aprovação federal para começar a cobrar por viagens, e que ela iniciará a cobrança pelo serviço em breve — primeiramente em Las Vegas, com a expansão para outros mercados à medida que cumprir diversas exigências estaduais.
A aprovação foi anunciada nesta quarta-feira (30) pela Administração Nacional de Segurança no Tráfego Rodoviário (NHTSA, na sigla em inglês).
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A decisão é considerada um marco para a indústria de carros autônomos porque permite que um veículo desenvolvido desde o início para funcionar sem motorista humano passe a operar comercialmente.
Até agora, a maioria das empresas do setor adaptava carros convencionais para incluir sistemas de direção autônoma.
Agora no g1
🤖 O robotáxi da Zoox tem formato semelhante ao de uma pequena cabine elétrica, com duas fileiras de assentos voltadas uma para a outra.
A empresa disputa espaço nesse mercado com concorrentes como a Waymo, da Alphabet (controladora do Google), e a Tesla, que também desenvolve veículos totalmente autônomos.
Zoox, táxi sem volantes e pedais da Amazon, recebe autorização para operar nos EUA
Divulgação / Zoox
2.500 veículos por ano
Em entrevista exclusiva à agência Reuters, o administrador da NHTSA, Jonathan Morrison, afirmou que a autorização permite que a Zoox coloque em operação comercial até 2.500 veículos por ano, durante os próximos dois anos.
Segundo ele, a agência concluiu que o sistema de direção autônoma da empresa oferece um nível de segurança equivalente ao exigido para veículos convencionais, mesmo sem volante ou pedais.
"Podemos afirmar claramente que os sistemas instalados no Zoox superam os requisitos equivalentes de desempenho de um veículo em conformidade", afirmou Morrison.
A autorização, no entanto, vem acompanhada de exigências extras. A Zoox terá de informar regularmente à NHTSA ocorrências como acidentes e paradas inesperadas nas vias públicas. Caso sejam identificados problemas relevantes de segurança, a autorização poderá ser suspensa.
"Temos a capacidade de retirar a isenção caso vejamos grandes problemas de segurança", disse Morrison.
Cabine do Zoox, táxi sem volantes e pedais da Amazon, que recebeu autorização para operar nos EUA
Divulgação / Zoox
Empresa já testa serviço em duas cidades
Atualmente, a Zoox realiza testes com passageiros em áreas de Las Vegas e São Francisco. Com a nova autorização federal, a empresa poderá começar a cobrar pelas viagens, desde que obtenha também as licenças exigidas pelos governos estaduais e municipais.
A NHTSA informou ainda que pretende elaborar os primeiros padrões federais específicos para sistemas de direção autônoma até o fim do governo Donald Trump. A agência também estuda revisar normas antigas, criadas para veículos conduzidos por pessoas, como a obrigatoriedade de volante, pedais e retrovisores.
Segurança continua sendo desafio
Apesar do avanço regulatório, a expansão dos robotáxis ainda enfrenta desafios relacionados à segurança.
Zoox, táxi sem volantes e pedais da Amazon, recebe autorização para operar nos EUA
Divulgação / Zoox
Neste mês, a NHTSA enviou uma carta às empresas do setor cobrando medidas imediatas para corrigir situações em que veículos autônomos interferiram no trabalho de policiais, bombeiros e equipes de resgate.
A agência também acompanha episódios em que robotáxis tiveram dificuldades para lidar com ônibus escolares parados, áreas de obras, cruzamentos movimentados, ruas alagadas e outras situações complexas do trânsito.
"Se continuarmos vendo problemas, não hesitaremos em usar toda a nossa autoridade fiscalizadora", afirmou Morrison.
Após receber a notificação da agência, a Zoox fez um recall de sua frota de 105 veículos autônomos para atualizar o software. Segundo a empresa, os robotáxis poderiam ter dificuldade para detectar fumaça densa, especialmente em situações de emergência.
Morrison deve apresentar nesta quinta-feira (30) os esforços da NHTSA para aumentar a segurança dos veículos autônomos durante o Simpósio de Transporte Automatizado da SAE International, em San Diego.
TCU identifica irregularidades em 82% dos repasses via 'emendas Pix' analisados em auditoria

Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) que analisou uma amostra de 100 transferências por emendas Pix, entre 2020 e 2024, identificou irregularidades em 82% dos repasses fiscalizados e 82,4% dos beneficiários.
As emendas foram destinadas a 73 municípios e dois estados (Pará e São Paulo). O volume de recursos auditados soma R$ 198,11 milhões.
🔎As chamadas "emendas Pix" foram criadas em 2019 e ficaram conhecidas assim pela dificuldade na fiscalização dos recursos, uma vez que os valores são transferidos por parlamentares diretamente para estados ou municípios, sem a necessidade de apresentação de projeto, convênio ou justificativa. Por isso,não há como fiscalizar onde o dinheiro será gasto na ponta.
Segundo os técnicos, o prejuízo total aos cofres públicos é estimado em R$ 49.074.851,75, o que representa 25% do total de recursos fiscalizados.
Agora no g1
A auditoria e o plano foram elaborados por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Dino é relator de ações na Corte que investigam suspeitas de irregularidades no repasse de emendas. O conteúdo será encaminhado para análise do magistrado.
➡️Nessa quarta-feira (29), o ministro determinou que a Presidência da República e as cúpulas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal apresentem, em até 10 dias, uma proposta de "matriz de responsabilidades" para o controle das emendas parlamentares.
➡️A decisão foi tomada no âmbito da ação que questiona se é constitucional o atual regime das emendas impositivas (aquelas que parlamentares decidem para onde vai e o governo federal é obrigado a pagar).
Entre as principais irregularidades apontadas pelo TCU estão:
Falhas na transparência e na rastreabilidade dos recursos;
Uma das causas é movimentação do dinheiro em contas correntes não específicas, além da ausência de envio de relatórios parciais ou finais de gestão ao sistema Transferegov.br.
O prejuízo estimado aos cofres públicos é de R$ 26.361.537,50.
Pagamentos de despesas sem documentação jurídica ou fiscal adequada;
gastos sem finalidade da transferência especial;
e pagamentos sem comprovação da quantidade ou da execução do objeto contratado;
Nesses casos, o dano ao erário foi estimado em R$ 14.956.667,94.
Fraudes em licitações e contratação de empresas declaradas inaptas;
Nesses casos, o TCU informou que não foi possível estimar o valor do prejuízo.
Inexecução total ou parcial das obras ou serviços e superfaturamento de preços, com prejuízo apurado de R$ 14.107.068,26.
Segundo o TCU, as irregularidades levaram à instauração de processos de tomada de contas especial para apurar responsabilidades e buscar o ressarcimento dos danos.
Câmara dos Deputados completa 200 anos com acervo histórico acessível a quem visita o Congresso
Jornal Nacional/ Reprodução
Outras falhas
A auditoria também identificou fragilidades no módulo de transferências especiais do sistema Transferegov.br.
Entre elas estão a aceitação de informações genéricas nos planos de trabalho, como a falta de detalhamento do objeto;
a possibilidade de alterações irrestritas de objetos, valores e metas;
inconsistências na apresentação dos saldos bancários, que podem induzir usuários ao erro.
Sobre isso, o TCU determinou que o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) atualize, em até 120 dias, os seus sistemas para impedir que os entes beneficiários alterem os dados dos planos de trabalho referentes às transferências realizadas entre 2020 e 2024 após o registro dessas informações. A decisão foi tomada na sessão plenária desta quarta-feira (29).
Associação repudia ataques de Paulo Figueiredo a jornalistas e veículos de comunicação

Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho, neto do ex-presidente da Ditadura militar João Baptista de Oliveira Figueiredo
Reprodução/YouTube
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) publicou na última quinta-feira (29) uma nota de repúdio contra os ataques proferidos pelo influenciador Paulo Figueiredo contra jornalistas e veículos de comunicação, principalmente "as declarações de conteúdo misógino" feitas à jornalista da Globo Miriam Leitão.
Segundo o órgão, as ofensas "ultrapassam os limites da liberdade de expressão e configuram grave incitação ao ódio e à intimidação de jornalistas".
"É inadmissível que profissionais da comunicação sejam alvo de discursos que buscam constrangê-los, desqualificá-los e estimulam a violência em razão do exercício de sua atividade", afirmou a Abert em nota.
"Ataques dessa natureza representam uma afronta à liberdade de imprensa, à dignidade da pessoa humana e ao direito da sociedade de receber informação livre, plural e independente."
Agora no g1
A associação ainda manifestou solidariedade à jornalista Miriam Leitão e aos profissionais atingidos e disse esperar que as autoridades competentes "adotem medidas cabíveis para apuração dos fatos e a responsabilização dos envolvidos".
A Abert também reafirmou seu compromisso com a defesa da liberdade de expressão, do livre exercício do jornalismo e da integridade de todos os profissionais da comunicação.
UE anuncia € 10 bilhões para financiar sete gigafábricas de IA e reduzir distância de EUA e China na tecnologia

Inteligência artificial do ChatGPT sai do controle e hackeia startup
A União Europeia (UE) vai financiar a construção de sete gigafábricas de inteligência artificial (IA) em países do bloco, em um investimento de € 10 bilhões (US$ 11,5 bilhões), informou a Comissão Europeia nesta quinta-feira (30).
A iniciativa faz parte dos esforços da UE para reduzir a distância tecnológica em relação aos Estados Unidos e à China.
A Comissão afirmou que pretende atrair pelo menos € 20 bilhões em investimentos privados para os projetos. Inicialmente, o plano previa a construção de cinco gigafábricas, mas o número foi ampliado para sete devido ao forte interesse dos países do bloco.
As instalações vão reunir processadores avançados de IA, softwares, tecnologia em nuvem, conectividade de alta velocidade e data centers. Elas serão somadas às 19 fábricas de IA que já existem em diferentes países da União Europeia.
Bandeiras da União Europeia
Stephanie Lecocq/Reuters
"O acesso à escala bruta do poder computacional dentro das gigafábricas de IA é uma necessidade estratégica para a Europa à medida que o desenvolvimento da IA acelera", afirmou Henna Virkkunen, chefe de tecnologia da União Europeia, em comunicado.
Empresas de tecnologia, provedores de serviços em nuvem, entidades públicas e investidores poderão formar consórcios ou veículos de propósito específico para se candidatar à participação nas gigafábricas.
O processo de inscrição termina em 12 de novembro. A Comissão espera anunciar os vencedores no início de 2027, e a previsão é que as instalações entrem em operação até 18 meses após a assinatura dos contratos.
As empresas AMD, Nvidia e Qualcomm assinaram cartas de intenção com a Comissão Europeia para fornecer chips aos grupos envolvidos nos projetos das gigafábricas.
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Desemprego cai para 5,4% no trimestre encerrado em junho, no menor nível para o período da série histórica

Desemprego fica em 5,4% no trimestre até junho
A taxa de desocupação ficou em 5,4% no trimestre encerrado em junho de 2026, a menor para esse período da série histórica, segundo a PNAD Contínua divulgada nesta quinta-feira (30) pelo IBGE.
Com o resultado, a taxa caiu 0,7 ponto percentual em relação ao trimestre de janeiro a março de 2026, quando estava em 6,1%. Na comparação com o mesmo período do ano passado (abril a junho de 2025), a queda foi de 0,4 ponto percentual, de 5,8% para 5,4%.
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No trimestre encerrado em junho, o Brasil tinha 5,9 milhões de pessoas desempregadas. O total caiu 10,9% em relação ao trimestre anterior, encerrado em março, quando havia 6,6 milhões de desempregados.
Na comparação com o mesmo período de 2025, o contingente de desempregados caiu 6,3%, o equivalente a 392 mil pessoas a menos em busca de trabalho.
Evolução do número de desempregados no país
Arte/g1
Já o total de pessoas ocupadas chegou a 103,1 milhões. Esse contingente cresceu 1,1% em relação ao trimestre anterior, o equivalente a 1,081 milhão de pessoas, e 0,7% na comparação com o mesmo período do ano passado, o que representa 742 mil pessoas a mais.
👷 A força de trabalho chegou a 108,9 milhões de pessoas, com alta de 0,3% em relação ao trimestre anterior, o equivalente a 363 mil pessoas. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o indicador permaneceu estável.
Com isso, o nível de ocupação — indicador que mede a parcela da população em idade de trabalhar que está empregada — ficou em 58,8%, com alta de 0,5 ponto percentual em relação ao trimestre anterior e estabilidade na comparação com o mesmo período do ano passado.
A taxa composta de subutilização ficou em 12,9% no trimestre encerrado em junho. O indicador caiu 1,4 ponto percentual em relação ao trimestre anterior e recuou 1,5 ponto percentual na comparação com o mesmo período do ano passado.
Ao todo, 14,7 milhões de pessoas estavam nessa condição. Em relação ao trimestre anterior, esse contingente caiu 10,1%, o equivalente a 1,642 milhão de pessoas. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a queda foi de 11,0%, ou 1,809 milhão de pessoas.
Evolução da taxa de desemprego no país
Arte/g1
Veja os destaques da pesquisa
Taxa de desocupação: 5,4%
População desocupada: 5,9 milhões de pessoas
População ocupada: 103,1 milhões
População fora da força de trabalho: 66,5 milhões
População desalentada: 2,3 milhões
Empregados com carteira assinada: 39,4 milhões
Empregados sem carteira assinada: 13,6 milhões
Trabalhadores por conta própria: 26,1 milhões
Entre os grupos que compõem esse indicador, 4,1 milhões de pessoas trabalhavam menos horas do que gostariam. Em relação ao trimestre anterior, houve redução de 290 mil pessoas.
A população fora da força de trabalho somou 66,5 milhões, mantendo-se estável em relação ao trimestre anterior e com alta de 1,5% na comparação com o mesmo período do ano passado, o equivalente a 971 mil pessoas a mais.
A população desalentada, formada por pessoas que desistiram de procurar emprego, ficou em 2,3 milhões. Em relação ao trimestre anterior, esse contingente caiu 14,7%, o equivalente a 395 mil pessoas.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, a queda foi de 17,0%. No trimestre encerrado em junho de 2025, havia 2,8 milhões de pessoas nessa condição.
🔎 Os desalentados são pessoas que gostariam de trabalhar, mas desistiram de procurar emprego por acharem que não encontrariam, por falta de qualificação ou de oportunidades na região onde moram, por exemplo.
Vínculos, informalidade e renda
O número de trabalhadores no setor privado somou 53 milhões no trimestre encerrado em junho.
Desse total, 39,4 milhões tinham carteira assinada, número que permaneceu estável tanto em relação ao trimestre anterior quanto na comparação com o mesmo período do ano passado.
Já os trabalhadores sem carteira assinada somaram 13,6 milhões, com alta de 2,2% em relação ao trimestre anterior, o equivalente a 288 mil pessoas a mais. Na comparação com o mesmo período de 2025, o contingente permaneceu estável.
No setor público, o número de ocupados chegou a 13,0 milhões, com alta de 2,6% em relação ao trimestre anterior e estabilidade na comparação anual.
Entre os trabalhadores por conta própria, o total foi de 26,1 milhões, estável tanto na comparação com o trimestre anterior quanto em relação ao mesmo período do ano passado.
O rendimento médio real habitual de todos os trabalhos foi estimado em R$ 3.738. O valor ficou estável em relação ao trimestre de janeiro a março de 2026 e cresceu 2,8% na comparação com o mesmo período do ano passado.
A massa de rendimento real habitual, que representa a soma dos rendimentos recebidos pelos trabalhadores, totalizou R$ 380,3 bilhões. O valor ficou estável em relação ao trimestre de janeiro a março de 2026 e cresceu 3,6% na comparação com o mesmo período do ano passado, um acréscimo de R$ 13,2 bilhões.
Emprego por setor
O número de trabalhadores cresceu em poucos setores na comparação com o trimestre anterior. As altas ficaram concentradas nas áreas de transporte e nos serviços ligados ao setor público. Nos demais setores, o número de trabalhadores permaneceu estável.
Entre os destaques do trimestre:
🚚 Transporte, armazenagem e correio: alta de 3,9% (mais 235 mil pessoas)
🏛️ Administração pública, defesa, educação, saúde e serviços sociais: alta de 2,6% (mais 489 mil pessoas)
Na comparação com o mesmo período do ano passado, o avanço do emprego também ficou concentrado nesses dois setores. Já os serviços domésticos registraram queda.
Os principais destaques foram:
🚚 Transporte, armazenagem e correio: alta de 4,9% (mais 293 mil pessoas)
🏛️ Administração pública, defesa, educação, saúde e serviços sociais: alta de 2,9% (mais 541 mil pessoas)
🏠 Serviços domésticos: queda de 5,0% (289 mil pessoas a menos)
Rendimento por setor
O rendimento médio mensal não aumentou em nenhum setor na comparação com o trimestre anterior. Pelo contrário, apenas um segmento registrou queda.
O destaque foi:
🏛️ Administração pública, defesa, educação, saúde e serviços sociais: queda de 2,8% (R$ 145 a menos)
Na comparação com o mesmo período do ano passado, três setores registraram aumento da renda, enquanto os demais permaneceram estáveis.
Os destaques foram:
🚚 Transporte, armazenagem e correio: alta de 4,3% (mais R$ 142)
🧰 Outros serviços: alta de 7,5% (mais R$ 211)
🏠 Serviços domésticos: alta de 4,0% (mais R$ 55)
*Reportagem em atualização
Carteira de trabalho vaga de emprego Sine Maceió
Jonathan Lins
Dólar fecha queda, de olho em dados econômicos e conflito entre EUA e Irã; Ibovespa sobe

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar fechou em queda nesta quinta-feira (30), com um recuo de 0,92%, cotado a R$ 5,0608. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, teve alta de 1,88%, aos 177.150 pontos.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1
▶️ Uma série de dados econômicos do Brasil e dos Estados Unidos tomaram conta da agenda de hoje. No Brasil, o destaque fica com a Pnad Contínua, que mostrou uma nova queda na taxa de desemprego, para 5,4% no segundo trimestre. Já no exterior, o foco fica com o PIB americano e o PCE, índice de inflação preferido do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) para guiar sua política de juros.
▶️ E por falar em Fed, investidores também repercutiram a decisão de juros da instituição, anunciada na véspera. O BC americano manteve a taxa inalterada na faixa de 3,50% e 3,75% ao ano, no menor nível desde setembro de 2022. A decisão veio em linha com o esperado pelo mercado e marcou a quinta reunião seguida em que o BC americano deixou os juros no mesmo nível.
▶️ A volta das tensões entre EUA e Irã também seguiram sob os holofotes. Na véspera, o presidente americano, Donald Trump, prometeu retaliações contra o Irã pelo ataque do país a militares americanos na Jordânia. Segundo o republicano, cinco projéteis foram interceptados.
Mesmo diante das tensões, o petróleo operava em queda nesta quinta-feira. Perto das 15h30, o barril do Brent, referência internacional, caía 1,45%, cotado a US$ 89,42. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, recuava 0,44% no mesmo horário, a US$ 84,09 o barril.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: -0,40%;
Acumulado do mês: -1,98%;
Acumulado do ano: -7,80%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: +1,78%;
Acumulado do mês: +2,98%;
Acumulado do ano: +9,94%.
EUA e Irã seguem no radar
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta quarta-feira (29) que os Estados Unidos atingiriam o Irã com "muita força" após um ataque contra militares americanos na Jordânia.
"Agora é a nossa vez", disse Trump a repórteres na Casa Branca. Ele afirmou que Washington veria se haveria um acordo em algum momento, "mas vamos atingi-los com muita força".
Mais cedo, em entrevista à Fox, o republicano havia prometido "dar uma surra" em Teerã em resposta.
Trump disse que o Irã lançou cinco mísseis balístico em direção a posições americanas, mas o sistema Patriot interceptou todos os projéteis.
Trump também afirmou ter sido informado sobre um ataque de drone contra navios-tanque ao largo do Egito, mas não informou como os EUA vão reagir.
Empresas de segurança marítima e o governo egípcio reportaram que a embarcação Energos Winter, que armazena Gás Natural Liquefeito (GNL) e pertence a uma empresa dos EUA, foi atingida por um drone no porto de Damieta.
Com isso, as preocupações sobre os efeitos diretos e indiretos da guerra voltam a tomar conta dos mercados. O principal temor é que o conflito continue a limitar o tráfego no Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo —, limitando a oferta global da commodity.
O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial
Bolsas globais
Em Wall Street, os principais índices americanos subiam nesta quinta-feira (30), impulsionados pelos resultados da Microsoft, que superaram as expectativas do mercado. Ao mesmo tempo, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) atingiram o maior patamar em 19 anos após o Fed manter as taxas de juros inalteradas.
Perto das 15h30, o Dow Jones subia 1,12%, o S&P 500 tinha alta de 1,47% e o Nasdaq Composite subia 2,57%.
Na Europa, a maioria dos índices fechou no azul, impulsionados por fortes resultados em setores cíclicos, como o financeiro e o industrial. O índice pan-europeu STOXX 600 subiu 0,8%, aos 649,95 pontos.
Entre os demais índices da região, o DAX, da Alemanha, teve alta de 0,60%, enquanto o CAC-40, da França, avançou 0,92%. O FTSE 100, do Reino Unido, foi na contramão e caiu 0,10%.
Na Ásia, as ações chinesas caíram nesta quinta-feira, em meio a uma forte onda de vendas nos setores de chips e transceptores ópticos.
O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, caiu 1,10%, enquanto o Índice de Xangai, o SSEC, recuou 0,6%.
Entre os demais índices da região, o Hang Seng, de Hong Kong, teve alta de 0,2% e o Nikkei, do Japão, subiu 0,71%. O Kospi, da Coreia do Sul, teve uma desvalorização de 1,23%.
*Com informações da agência de notícias Reuters.
Dólar
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Apesar do Desenrola 2.0, inadimplência bancária mantém recorde em junho
A taxa de inadimplência média total registrada pelos bancos nas operações de crédito permaneceu estável em 4,7% em junho, recorde histórico, informou nesta quinta-feira (30) o Banco Central (BC). O valor continuou no maior desde o início da série histórica revisada da autoridade monetária, em março de 2011. O indicador de inadimplência do Banco Central considera as operações com atraso superior a 90 dias, tanto das pessoas físicas quanto das empresas. No caso das pessoas físicas, a inadimplência permaneceu em 5,6% em junho, o maior patamar da série histórica. Já para as empresas, a inadimplência ficou estável 3,2% em no mês passado, o maior valor desde novembro de 2017 (3,3%). Governo estende Desenrola até agosto Desenrola 2.0 O recorde foi atingido no mês seguinte ao lançamento do "Novo Desenrola Brasil", também chamado de Desenrola 2.0, último programa de renegociação de dívidas lançado pelo governo, que começou em maio. Segundo o ministério da Fazenda, o programa já renegociou mais de R$ 22 bilhões e foram feitas cerca de 3,6 milhões de renegociações até o final de junho. Com isso, a dívida recuou de R$ 22 bilhões para cerca de R$ 4 bilhões. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou nesta semana que o governo federal decidiu prorrogar a adesão ao Desenrola 2.0 até 31 de agosto. Sem a extensão, o programa terminaria no começo de agosto. Endividamento De acordo com números do Banco Central, os indicadores de endividamento também continuaram em patamar elevado no mês de maio, apesar de uma queda marginal — o último disponível nesse indicador. A relação percentual entre o saldo das dívidas das famílias e a renda acumulada em doze meses recuou de 49,9% em abril para 49,8% em maio. Segundo a Serasa Experian — empresa de análise de crédito que reúne dados financeiros de consumidores e empresas — 82,8 milhões de brasileiros estavam endividados em março, o equivalente a 49% da população brasileira. 💸A empresa informou ainda que 47% dos débitos, que somaram R$ 557,7 bilhões em março, estão concentrados em instituições financeiras. Ou seja, essas dívidas estão no foco do Desenrola 2.0 – programa do governo lançado nesta semana.
O que brasileiros pensam de influenciadores que fazem publicidade de bets: 'Destruíram minha vida'

Pesquisa inédita mostra que 40% dos brasileiros não confiam ou passam a confiar menos em quem faz propaganda de bets
AFP VIA GETTY IMAGES/BBC
Foi quase impossível acompanhar a Copa do Mundo esse ano sem se deparar, pelo menos algumas vezes por dia, com o jogador Vini Jr. fantasiado de idoso, encarnando o personagem "Vini Sênior", em propaganda de uma casa de apostas.
O narrador Galvão Bueno também emprestou sua influência para anúncios do setor, assim como ex-jogadores como Cafu, Zinho, Renato Gaúcho e Túlio Maravilha.
Mas o que os brasileiros pensam de influenciadores, artistas e atletas que fazem propaganda de bets?
Segundo uma pesquisa inédita realizada pela organização não governamental inglesa More in Common, em parceria com o instituto de pesquisas Ipsos-Ipec, 51% dos brasileiros têm uma visão negativa de influenciadores que anunciam bets, enquanto 19% têm visão neutra e somente 9% têm uma impressão positiva dessas pessoas. Outros 21% não sabiam ou não responderam.
A pesquisa ouviu 2 mil pessoas de 16 anos ou mais de idade, em 130 municípios, entre os dias 4 e 8 de julho, e a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. A pergunta foi feita de forma aberta, colhendo respostas espontâneas, posteriormente categorizadas.
Da parcela de brasileiros que têm uma visão negativa sobre famosos que fazem propaganda de apostas, 22% avaliam que esses influenciadores são "irresponsáveis", "egoístas", "manipuladores" e "não têm ética".
Outros 17% afirmam que são más influências e exploram as pessoas, enquanto 8% acreditam que são pessoas que pensam apenas no próprio benefício, e 4% dizem que deixam de seguir essas pessoas, que elas deveriam ser punidas, ou as propagandas proibidas.
Em outra pergunta, com respostas fechadas, sobre como fazer propaganda de bets afeta a confiança dos entrevistados nos famosos, 40% disseram que não confiam ou passam a confiar menos em influenciadores, artistas e atletas que fazem propaganda de bets, enquanto 53% dizem que sua confiança não muda, 4% dizem que passam a confiar mais e 4% não sabiam ou não responderam.
Aqui, novamente, o percentual dos que não confiam ou passam a confiar menos nesses influenciadores é maior entre os mais escolarizados (48% entre quem tem ensino superior) e entre quem tem mais renda (46% entre os que ganham acima de cinco salários mínimos).
"Os dados sugerem um trade-off [uma troca] pouco percebido por quem aceita esses contratos: a receita imediata da publicidade de apostas é alta, mas a erosão de confiança é elevada e se concentra nas faixas de maior renda e escolaridade — aquelas de maior valor publicitário", avalia Pablo Ortellado, diretor-executivo da More In Common no Brasil.
"O influenciador troca, portanto, um ganho certo hoje, por um desgaste de reputação no público que sustenta sua própria capacidade de monetização no futuro", completa Ortellado, que também é professor no curso de Gestão de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP).
Em relatório publicado em 2024, o Itaú estimou os gastos do setor de apostas com marketing entre R$ 5,8 bilhões e R$ 8,8 bilhões.
"Esses números devem ser muito maiores em 2026: o patrocínio master da Série A do campeonato brasileiro de futebol cresceu 125% em dois anos e o setor de apostas passou a ser o terceiro maior anunciante da TV", observa o pesquisador.
Questionado sobre o resultado da pesquisa da More In Common, o presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), Plínio Lemos Jorge, diz que é preciso diferenciar influenciadores que promovem operadores autorizados pelo Ministério da Fazenda e aqueles que divulgam plataformas ilegais de apostas.
"Isso faz muita diferença na percepção do público. O mercado ilegal não observa as normas de publicidade estabelecidas pelo governo federal e pelo Conar [Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária]", observa Lemos Jorge.
"Com frequência, promove campanhas direcionadas a menores de idade, utiliza promessas enganosas de ganhos fáceis e desrespeita regras básicas de proteção ao consumidor. As operações policiais constantes contra esse grupo têm mostrado o risco", afirma.
O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), por sua vez, não respondeu a pedido de comentário até a publicação desta reportagem.
'Destruíram minha vida', diz apostador que tentou processar Virginia, Deolane e Carlinhos Maia
O cabeleireiro Isaac Pinto de Andrade, de 43 anos e morador de Campinas, vive um caso extremo dessa perda de confiança em influenciadores que fazem publicidade de bets.
Em junho deste ano, ele entrou na Justiça com uma ação contra três empresas de intermediação ligadas a plataformas de apostas, e contra os influenciadores Virginia Fonseca, Deolane Bezerra e Carlinhos Maia, a quem atribui parte da culpa por ter desenvolvido transtorno de jogo.
"Na primeira vez que entrei, acabei ganhando um prêmio muito alto, eu coloquei R$ 700 e, em menos de quatro horas, ganhei R$ 12 mil", lembra Andrade, em entrevista à BBC News Brasil.
"Aquilo foi surreal para mim e correspondeu muito ao que os influenciadores passavam, aquela facilidade [de ganhar dinheiro]. Depois de dois ou três meses, me percebi totalmente refém daquilo, hoje estou com a vida destruída, dilacerada por conta das consequências que isso me trouxe."
Isaac Pinto de Andrade entrou na Justiça contra Virginia Fonseca, Deolane Bezerra e Carlinhos Maia, após perder mais de R$ 100 mil com apostas
BBC
Andrade estima suas perdas financeiras em mais de R$ 100 mil. "Eu tinha casa própria, eu tinha um salão de beleza, eu era um cidadão de bem, mas perdi tudo isso em um período de dois anos."
O cabeleireiro afirma que sua intenção ao processar os influenciadores foi fazer com que eles refletissem sobre as consequências de suas ações.
"São pessoas que vieram ao mundo e foram agraciadas de alguma forma. E que, infelizmente, não põem a mão na consciência para saber as consequências que elas estão gerando na vida de pessoas comuns e simples", afirma.
"Então espero que eles repensem essas atitudes. Pessoas que já têm tudo — será que elas têm mesmo a necessidade de se associar a coisas que estão devastando o mundo?", questiona.
Na semana passada, o juiz responsável pelo caso excluiu duas das empresas e os três influenciadores do processo, extinguindo a ação em relação a eles, sem análise do mérito.
O juiz Bruno Gonçalves Mauro Terra, da 5ª Vara Cível da Comarca de Campinas, avaliou que duas das empresas citadas, por serem intermediadoras de pagamentos, "não mantiveram qualquer relação jurídica contratual ou obrigacional direta com o autor" e se limitaram a prestar serviços financeiros. E que Virginia, Deolane e Carlinhos Maia se limitaram "à veiculação de conteúdos em redes sociais, sem integrar a essência da relação jurídica de apostas objeto da demanda".
O juiz também declinou o pedido de Andrade para ter acesso à Justiça gratuita, argumentando que, se ele teve perdas financeiras superiores a R$ 100 mil em apostas, além de ter realizado aportes vultosos nas plataformas de jogos de azar, sua condição financeira é incompatível com o benefício.
A ação, no entanto, não foi integralmente extinta, e prossegue em relação a uma das empresas indicadas na petição inicial. A decisão também poderá ser objeto de recurso ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
Andrade se diz decepcionado com a decisão do juiz de excluir os influenciadores do processo, mas pretende seguir com a ação contra a empresa restante.
"Eu acredito que ele [o juiz] se baseou nos estudos dele, jamais vou julgar, mas não vou perder minha esperança e nem vou desistir", afirma.
As assessorias de imprensa de Virginia Fonseca e Deolane Bezerra disseram à BBC News Brasil que elas não se pronunciariam sobre o caso.
Já a defesa de Carlinhos Maia destaca, em nota, que a decisão do juiz reforça seu entendimento de que não há fundamento jurídico para atribuir ao influenciador responsabilidade pelos prejuízos alegados. A defesa diz que seguirá acompanhando o processo e "adotará medidas cabíveis caso haja recurso contra a decisão".
'Opinião pública dá espaço para endurecer regras sobre publicidade de bets'
Criada em 2016 na Inglaterra, a partir do assassinato da parlamentar trabalhista Jo Cox por um radical de direita, a More In Common é uma organização que se dedica a estudar a polarização política em diversos países do mundo.
Ortellado explica, porém, que o interesse da instituição em pesquisar a questão das bets no Brasil veio justamente do fato de este ser um dos poucos temas hoje que não divide a população.
"Todas as pesquisa têm mostrado que, seja de esquerda ou de direita, todos os eleitores odeiam bets", observa o diretor-executivo da More In Common.
"Todos acham que isso causa vício e endivida as famílias, não varia quase nada se a pessoa vota no Lula, ou vota no Bolsonaro."
Assim, Ortellado observa que há espaço político para um endurecimento maior das regras com relação à publicidade de casas de apostas no Brasil.
Rio de de Janeiro está entre as capitais que proibiram a publicidade de bets
AFP VIA GETTY IMAGES/BBC
Em julho, após a polêmica em torno dos anúncios de bets em jogos da Copa, o governo federal impôs novas regras para esse tipo de propaganda. Com a mudança, toda publicidade de empresas autorizadas deve passar a ser acompanhada de mensagens de advertência semelhantes às utilizadas em propagandas de cigarros, bebidas alcoólicas e medicamentos.
As novas regras também proíbem que as apostas sejam apresentadas como uma forma de investimento ou ganho fácil de dinheiro, a criação de senso de urgência para estimular apostas, e a utilização de comentaristas, especialistas ou influenciadores para induzir o público a apostar.
Em paralelo, ao menos cinco capitais e dois Estados também apresentaram medidas para restringir a publicidade de casas de apostas, incluindo Belo Horizonte e Rio de Janeiro (capital) e Rio Grande do Sul com legislações já aprovadas, e São Paulo (capital), Recife, Florianópolis e Paraná, com projetos de lei aguardando aprovação, segundo levantamento da Folha de S.Paulo.
"Essas mudanças são bem-vindas, mas não são suficientes", avalia Ortellado.
"Há modelos internacionais bem mais restritivos, incluindo restrições de horário e de veiculação em ambiente esportivo", exemplifica.
"O que nossas pesquisas mostram é que há grande apoio popular para um endurecimento — e apoio popular independente de coloração partidária."
Agora no g1
'Mais simbólico do que efetivo': por que o Brasil foi à OMC contra o tarifaço, mesmo com o órgão enfraquecido

Brasil aciona OMC contra novas tarifas impostas pelos Estados Unidos
Durante décadas, recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) foi o caminho usado por países para tentar resolver disputas comerciais. Nesta semana, o governo brasileiro acionou o órgão para contestar as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
O pedido ocorre em um cenário diferente do passado: após uma perda gradual de influência, o principal sistema de julgamento da OMC está praticamente paralisado, enquanto as maiores economias passaram a recorrer a vias políticas para defender seus interesses econômicos.
➡️ Na teoria, um país recorre à OMC quando considera que outro membro adotou uma medida que viola as regras do comércio internacional, como tarifas ou barreiras injustificadas. Mas, desde que os EUA bloquearam a nomeação de novos integrantes do Órgão de Apelação, as disputas até podem avançar, mas enfrentam dificuldades para chegar a uma decisão definitiva. (saiba mais abaixo)
Em resumo, o pedido apresentado pelo Brasil questiona as duas tarifas adotadas recentemente pelos EUA:
Uma delas é a tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros após uma investigação que apontou supostas práticas comerciais desleais.
A outra é a sobretaxa de 12,5% aplicada a mais de 60 parceiros comerciais dos americanos, relacionada ao comércio de produtos que utilizam trabalho forçado. (entenda melhor aqui)
Para especialistas ouvidos pelo g1, a aposta do Brasil não é obter uma resposta rápida para derrubar as tarifas, mas formalizar a contestação, fortalecer a posição diplomática do país e construir uma base jurídica que possa ser usada em futuras negociações comerciais.
Por que recorrer a uma organização enfraquecida?
🔎 Criada em 1995, a Organização Mundial do Comércio estabelece regras para o comércio internacional e oferece um mecanismo para que países contestem medidas consideradas incompatíveis com os acordos firmados entre seus membros.
Desde 2019, o principal sistema de recursos da OMC está praticamente paralisado. O Órgão de Apelação, responsável por revisar as decisões dos painéis de especialistas, perdeu o número mínimo de integrantes após os EUA bloquearem a nomeação de novos membros.
Para Roberto Uebel, professor de Relações Internacionais e coordenador do Núcleo de Estudos e Negócios Americanos da ESPM, esse cenário representa "o maior golpe já sofrido pela OMC em seus quase 30 anos de existência, a ida do Brasil é mais simbólica que efetiva".
Segundo ele, a situação aproxima a organização de um fórum meramente consultivo.
Operação de transporte de cargas em porto
Bruno Leão/ Sedecti
Uebel destaca ainda que o mundo vive um momento inusitado, em que uma grande potência se recusa a seguir lógicas econômicas e se fecha ao multilateralismo.
🔎 Multilateralismo é a cooperação entre vários países por meio de regras, instituições e acordos comuns para resolver problemas internacionais. A ideia é que decisões globais sejam tomadas por negociação coletiva, e não apenas pela imposição de uma única potência.
O enfraquecimento da OMC também reflete a mudança de postura das duas maiores potências econômicas do mundo. "Quando EUA e China deixam de colocá-la no centro das suas disputas, qualquer instituição perderia força", afirma o cientista político e professor da UFPI Elton Gomes.
Para ele, as tarifas adotadas pelo governo americano deixaram de ser apenas uma ferramenta comercial e passaram a funcionar como "pressão geopolítica preferida por eles para arrancar acordos e causar ônus a países ideologicamente rivais", servindo como uma espécie de munição para obter vantagens estratégicas em negociações.
O que o Brasil ganha com o processo?
Para Roberto Uebel, o principal efeito está na reafirmação de princípios. O Brasil aciona a OMC em defesa do multilateralismo, um dos pilares da política externa brasileira. É uma forma de afirmar que considera essas tarifas injustificadas e incompatíveis com as regras internacionais.
Já Elton Gomes ressalta a importância da construção de um registro jurídico.
"O Brasil não quer apenas receber normas. Ele procura contribuir para que elas sejam construídas. Cada disputa gera uma jurisprudência e um conjunto de documentos que podem balizar decisões futuras."
Ele lembra que, para o Brasil, atuar em instituições internacionais sempre foi uma forma de ampliar sua influência diante do peso militar das grandes potências.
Brasil já usou a OMC em outras disputas
O recurso atual segue uma estratégia que o Brasil já utilizou em outros conflitos comerciais na Organização Mundial do Comércio (OMC). Um dos casos mais emblemáticos foi a disputa contra os EUA por causa dos subsídios ao algodão, aberta em 2002.
Na época, o governo brasileiro argumentou que os repasses americanos aos produtores distorciam o mercado internacional ao reduzir artificialmente os preços do algodão e prejudicar os agricultores brasileiros.
Em 2004, a OMC deu ganho de causa ao Brasil. Após anos de recursos e discussões sobre o cumprimento da decisão, o país foi autorizado, em 2009, a aplicar sanções comerciais contra os EUA.
A retaliação, porém, nunca saiu do papel. Em 2010, os dois países firmaram um acordo provisório e, quatro anos depois, encerraram definitivamente o contencioso. O desfecho incluiu o pagamento de US$ 300 milhões pelos EUA ao Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), além de mudanças em programas americanos de apoio ao setor.
Sul de Minas concentra cidades entre líderes das exportações e importações de MG em 2026
Ana Torres/Sede
Também em 2002, o Brasil contestou na OMC os subsídios concedidos pela União Europeia aos produtores de açúcar. Três anos depois, o Órgão de Apelação confirmou que parte das medidas era incompatível com as regras do comércio internacional.
A decisão levou o bloco europeu a reformular sua política para o setor, reduzindo subsídios e ampliando o espaço para exportadores mais competitivos, como o Brasil.
Em outro contencioso de destaque, Brasil e Canadá se enfrentaram no setor aeronáutico. A disputa, iniciada ainda nos anos 1990, girava em torno dos incentivos concedidos às fabricantes Embraer e Bombardier e resultou em condenações para os dois países.
Em 2017, o Brasil voltou a questionar subsídios canadenses à Bombardier, mas encerrou o processo em 2021, depois que a empresa deixou o mercado de aviação comercial. A partir daí, os dois países passaram a buscar regras comuns de concorrência no âmbito da OCDE.
🔎 O histórico desses casos mostra que as disputas na OMC raramente terminam com a aplicação imediata de sanções comerciais. Na prática, as decisões do órgão costumam servir como instrumento de pressão para que os países alterem políticas consideradas incompatíveis com as regras internacionais ou negociem acordos bilaterais que ponham fim ao conflito.
"O fato de a OMC autorizar uma retaliação não significa que ela precise ser usada. Muitas vezes, o principal ganho está justamente no fortalecimento da posição negociadora", afirma Elton Gomes.
O que acontece agora?
O pedido apresentado pelo Brasil abre a primeira etapa do sistema de solução de controvérsias da OMC: as consultas entre os dois países.
Nessa etapa, Brasil e EUA tentam chegar a um acordo antes do julgamento.
Se não houver entendimento, o caso pode avançar para um painel de especialistas, que analisa os argumentos apresentados e verifica se as medidas adotadas estão de acordo com as regras comerciais. Os setores afetados também podem ser convocados.
Uma eventual decisão favorável ao Brasil ainda poderia enfrentar dificuldades na fase de recursos, já que o Órgão de Apelação da OMC não está funcionando plenamente.
Por isso, mesmo com o processo iniciado, uma solução definitiva pode levar meses ou anos.
Tarifaço: quais os riscos e ganhos se o Brasil adotar a reciprocidade? Entenda o que está em jogo
Reciprocidade fica como alternativa
Além da disputa na OMC, o governo brasileiro também avalia os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica.
🔎 O mecanismo é novo e permite responder a medidas consideradas prejudiciais adotadas por parceiros comerciais, mas especialistas avaliam que esse caminho deve ser usado com cautela.
Para Carla Beni, economista e professora da Fundação Getulio Vargas (FGV), a negociação deve ser a prioridade. Segundo ela, uma resposta baseada apenas em novas tarifas poderia gerar efeitos negativos para setores brasileiros.
"O objetivo não deve ser entrar em uma guerra tarifária. Existem mecanismos mais inteligentes, com medidas específicas para determinados setores", diz.
A economista afirma que respostas direcionadas podem evitar impactos maiores sobre empresas e consumidores brasileiros.
Um mundo menos globalizado?
O conflito entre Brasil e EUA ocorre em um momento de transformação do comércio internacional. O avanço de medidas unilaterais, como a adoção de tarifas por grandes economias, pressiona um sistema que, durante décadas, buscou ampliar regras comuns e reduzir barreiras comerciais.
"A globalização não acabou, mas estamos entrando em uma nova fase. Antes, a prioridade era produzir onde fosse mais barato. Hoje, empresas e governos também precisam considerar onde é mais seguro produzir e quais fornecedores oferecem maior estabilidade", afirma Paula Sauer, professora da FIA Business School.
Segundo a especialista, crises recentes, como a pandemia, conflitos internacionais e eventos climáticos extremos, mostraram os riscos de cadeias produtivas muito concentradas.
"O que estamos assistindo é uma transformação da lógica econômica do menor custo para a lógica do menor risco. As empresas passaram a aceitar pagar um pouco mais para reduzir a possibilidade de interrupções na produção", diz.
Nesse cenário, o Brasil busca atuar em diferentes frentes: mantém a defesa do multilateralismo, participa de negociações comerciais, como o acordo entre Mercosul e União Europeia, e tenta ampliar as relações com novos mercados.
Para especialistas, em um ambiente de maior disputa entre potências, diversificar parceiros se torna uma ferramenta para reduzir vulnerabilidades.
Tecnologia, carne e IA: o que empresas de Brasil e Coreia do Sul negociaram em reunião fechada

Presidente da Coreia do Sul encerra agenda no Brasil
Mais do que uma cerimônia de assinatura de acordos, o Brazil-Korea Business Roundtable foi estruturado como uma grande mesa de negociação entre os principais líderes empresariais dos dois países. O g1 acompanhou as discussões com exclusividade.
Mediados pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, cerca de 30 executivos brasileiros e sul-coreanos se revezaram em três painéis temáticos — manufatura e infraestrutura, indústrias avançadas e bens de consumo e distribuição — para apresentar diretamente aos chefes de Estado os principais gargalos, oportunidades de investimento e propostas de cooperação bilateral.
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Ao fim das apresentações, parte das discussões foi formalizada por meio da assinatura de memorandos de entendimento entre empresas e instituições dos dois países.
A divisão dos debates refletiu as prioridades da agenda econômica entre Brasil e Coreia do Sul. No primeiro bloco, executivos de empresas como Hyundai, Posco, LG Electronics, Hanwha Ocean, Vale, Suzano, Braskem, Inpasa, Tupy e HD Hyundai Construction Equipment discutiram projetos ligados à indústria, infraestrutura e transição energética.
vice-presidente brasileiro Geraldo Alckmin discursa durante uma mesa-redonda empresarial com líderes empresariais sul-coreanos e brasileiros em um hotel de São Paulo, em 28 de julho de 2026
Divulgação
Em seguida, representantes de Samsung Electronics, Embraer, Eurofarma, WEG, Stefanini, SK Biopharmaceuticals, NAVER, Korean Air e Korea Aerospace Industries concentraram as discussões em inteligência artificial, semicondutores, saúde, inovação e setor aeroespacial.
O último painel reuniu executivos de JBS, Minerva Foods, Ambev, Amorepacific, APR, Silicon2 e Korea Importers Association (KOIMA), com foco em alimentos, bebidas, cosméticos e distribuição.
A escolha desses setores chamou atenção por coincidir com áreas consideradas estratégicas pelo governo brasileiro no momento em que o país busca diversificar seus mercados externos após o aumento das tarifas impostas pelos EUA.
Proteínas animais e bebidas — dois dos segmentos preservados das novas tarifas americanas — estiveram entre os temas mais debatidos pelos executivos, que defenderam ampliar a presença brasileira na Coreia do Sul e acelerar acordos comerciais e sanitários.
Os EUA sequer foram citados durante os debates, embora Brasil e Coreia estejam sendo alvo de tarifas americanas. Após o encerramento do evento, durante entrevistas, Alckmin reiterou que Trump "não esteve na pauta".
Acordos anunciados ao final da mesa-redonda:
ApexBrasil × KOTRA: aprofundamento da cooperação comercial e de investimentos.
Embrapii × KIAT e Finep × KIAT: pesquisa, inovação, inteligência artificial e descarbonização.
Eurofarma × SK Biopharmaceuticals: parceria em neurociências, IA e terapias para epilepsia.
JBS × Highland Foods: expansão da presença da JBS na Coreia e em outros mercados estratégicos.
Embraer × Korea Aerospace Industries (KAI): cooperação para futuras parcerias no setor aeroespacial.
Minerva quer substituir EUA e Austrália
No painel de bens de consumo, o CEO da Minerva Foods, Fernando Queiroz, afirmou que a abertura do mercado sul-coreano para a carne bovina brasileira representa uma oportunidade para os dois países.
Segundo ele, a Coreia importa mais de 60% dos alimentos que consome e depende principalmente de Estados Unidos e Austrália para abastecer seu mercado. Já o rebanho brasileiro "soma mais de duas vezes a soma da Austrália e da Índia", disse.
"Nós podemos dar à Coreia segurança alimentar, controle da inflação — especialmente para as classes menos privilegiadas —, constância e diminuir a dependência de um mercado que não é promissor", afirmou.
O CEO afirmou que a mesa representou uma oportunidade para acelerar o acordo sanitário e viabilizar o fornecimento de carne bovina brasileira ao mercado sul-coreano.
A avaliação foi reforçada pelo presidente do conselho de administração da JBS, Jerry O’Callaghan, que destacou que a companhia já possui estrutura logística consolidada para atender ao mercado asiático e que a parceria pode ir além das proteínas animais.
Segundo ele, a empresa também produz biodiesel, colágeno utilizado pela indústria de cosméticos e ingredientes de alto teor proteico para alimentação humana.
"Já conhecemos bem o mercado, conhecemos a logística [...] atendemos subprodutos da nossa produção, como biocombustíveis — particularmente o biodiesel —, sebo bovino e colágeno, que serve como matéria-prima para os colegas aqui do setor de beleza", disse.
O’Callaghan acrescentou que o sorgo para consumo humano, com alto teor de proteína, "está bastante demandado pelos produtores".
As discussões sobre proteínas dialogaram diretamente com um dos memorandos assinados ao fim do encontro: a parceria estratégica entre a JBS e a sul-coreana Highland Foods para ampliar a cooperação comercial de longo prazo, expandir oportunidades de mercado e aumentar a presença dos produtos da companhia brasileira na Coreia e em outros mercados estratégicos.
Presidente do conselho de administração da JBS, Jerry O’Callaghan, (à direita), apertando a mão da fundadora e CEO da Highland Foods, Young Mi Youn (à esquerda)
Isabela Ortiz/g1
Ambev pede previsibilidade e segurança jurídica
Na mesma mesa, a vice-presidente da Ambev, Carla Crippa, afirmou que Brasil e Coreia já compartilham uma integração empresarial relevante, lembrando que a cervejaria brasileira faz parte do mesmo grupo controlador da sul-coreana OB. Segundo ela, cadeias produtivas complexas, como a de bebidas, dependem de um ambiente regulatório estável para sustentar investimentos de longo prazo.
"Para manter os investimentos de longo prazo, precisamos cada vez mais de previsibilidade e segurança jurídica nos nossos países", afirmou.
Já no painel de indústrias avançadas, a aproximação entre empresas de tecnologia e saúde também resultou em acordos concretos.
A Eurofarma e a SK Biopharmaceuticals firmaram um memorando para ampliar a colaboração em neurociências na América Latina, incluindo terapias para epilepsia, expansão do uso do medicamento cenobamato e aplicação de inteligência artificial em saúde.
Embraer e Korea Aerospace Industries (KAI), por sua vez, assinaram um acordo para identificar novas oportunidades de cooperação no setor aeroespacial.
Durante o evento, Alckmin lembrou que a Coreia do Sul foi o primeiro país asiático a adquirir o cargueiro KC-390, da Embraer, e mencionou o lançamento de um foguete sul-coreano previsto para setembro, a partir do Centro Espacial de Alcântara.
Marco Billi, CEO Internacional da Eurofarma (à direita), assina acordo com Donghoon Lee, CEO da SK Biopharmaceuticals Co. (à esquerda)
Isabela Ortiz/g1
EUA proíbem robôs humanoides chineses e ampliam disputa tecnológica com Pequim

Robôs humanoides ganham espaço na indústria, como fábricas de automóvel e centros de armazenamento
VCG/IMAGO
Os Estados Unidos anunciaram a proibição da importação de robôs humanoides e quadrúpedes fabricados no exterior, medida que deve, na prática, excluir fabricantes chineses do mercado americano e aumentar as tensões entre Washington e Pequim.
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A Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC, na sigla em inglês) informou nesta terça-feira (28/07) que dispositivos robóticos avançados produzidos fora do país representam riscos à segurança nacional e à cibersegurança.
A decisão se baseia nas conclusões de uma força-tarefa da Casa Branca, segundo a qual robôs fabricados no exterior podem criar ameaças cibernéticas à infraestrutura crítica do país e comprometer a segurança da população.
A FCC define os robôs abrangidos pela restrição como dispositivos móveis com peso superior a dois quilos que utilizam sensores, conectividade de rede e software para navegar de forma autônoma, incluindo a capacidade de evitar obstáculos.
Agora no g1
China lidera mercado de robôs humanoides
O mercado de robôs humanoides e quadrúpedes, conhecidos popularmente como "cães-robôs”, é considerado uma das principais áreas globais de crescimento tecnológico. Empresas americanas e chinesas disputam a liderança no desenvolvimento desses equipamentos.
A China, porém, ocupa posição dominante. Analistas do Barclays estimam que fabricantes chineses respondam por cerca de 85% do mercado global de robôs humanoides. Especialistas do Morgan Stanley projetam que o mercado chinês do setor poderá alcançar 15 bilhões de dólares (R$ 76,9 bilhões) até 2030.
"Os fabricantes chineses aumentaram a produção e reduziram custos mais rapidamente do que a maioria dos concorrentes estrangeiros”, afirmou Kangyuxiao Li, analista da Morningstar, à agência AP.
Nos Estados Unidos, empresas como a Figure AI já utilizam robôs humanoides em linhas de produção. A Tesla pretende iniciar neste ano a fabricação de seu robô Optimus.
Apesar disso, as exportações americanas ainda são limitadas. Segundo a consultoria Omdia, as empresas chinesas Unitree e AGIBOT venderam ao todo 10 mil robôs humanoides para o exterior em 2025, enquanto as exportações dos EUA permanecem na casa das centenas de unidades.
O presidente da FCC, Brendan Carr, afirmou que a medida também busca proteger as cadeias de suprimento consideradas estratégicas para o país.
Para Li, entretanto, as restrições não devem desacelerar de forma significativa o avanço da China no segmento. Segundo o analista, o tamanho da base industrial chinesa e as oportunidades em outros mercados de exportação tendem a compensar os efeitos da decisão americana.
Possíveis impactos diplomáticos
Além das consequências para a indústria, a proibição pode ter repercussões diplomáticas antes do encontro previsto entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, em setembro.
Washington já proibiu a entrada de drones fabricados na China e avalia impor restrições a modelos chineses de inteligência artificial de código aberto, citando preocupações com espionagem, vigilância e coleta de dados.
Recentemente, o Pentágono incluiu a Unitree e outras grandes empresas chinesas de tecnologia em uma lista de companhias que, segundo o governo americano, mantêm vínculos com as Forças Armadas chinesas. Pequim rejeitou a acusação.
Robôs quadrúpedes tipo também serão afetados pelas novas restrições anunciadas pelos EUA.
Tony Gutierrez/AP Photo/picture alliance
"É uma sequência constante de potenciais focos de tensão às vésperas da cúpula entre Trump e Xi”, afirmou Samm Sacks, pesquisadora sênior do centro de estudos New America, especializado em políticas de tecnologia da China.
Atualmente, a maior parte dos robôs humanoides é utilizada em ambientes industriais controlados, como fábricas de automóveis e centros de armazenamento. Robôs industriais estacionários permanecerão isentos da proibição. Dependendo da interpretação da norma, contudo, a definição adotada pela FCC também poderá abranger até aspiradores robóticos mais avançados.
Restrições também atingem inversores de energia
A FCC também incluiu inversores de energia fabricados no exterior na lista de equipamentos sujeitos a restrições. Esses dispositivos convertem a corrente contínua gerada por painéis solares em corrente alternada compatível com a rede elétrica.
A agência argumenta que equipamentos conectados à internet podem ser desativados remotamente ou utilizados para coleta de dados, representando riscos de segurança semelhantes aos atribuídos aos robôs.
Assim como ocorre no setor de robótica avançada, a medida deve afetar principalmente fabricantes chineses, que hoje dominam o mercado global de inversores para sistemas de energia solar.
Gigantes de tecnologia são as marcas mais usadas para aplicar golpes na internet; veja lista

Microsoft, LinkedIn e Google
Reuters/Gonzalo Fuentes; Shutter Speed/Unsplash; Reuters/Andrew Kelly
Gigantes de tecnologia estão entre as principais marcas usadas indevidamente por criminosos para aplicar golpes na internet. A informação aparece em um levantamento da empresa de segurança cibernética Check Point Software.
A Microsoft, o LinkedIn, o Google, a Apple e a Amazon são as que mais apareceram nas tentativas de golpe identificadas no segundo trimestre de 2026, segundo a empresa.
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As cinco companhias respondem por mais de metade das campanhas de phishing com marcas, um golpe que se aproveita da reputação de empresas para roubar dados e dinheiro por meio de e-mails e sites falsos, por exemplo.
O ChatGPT apareceu na lista pela primeira vez, indicando que ferramentas de inteligência artificial já estão no radar de criminosos. Um dos casos identificados envolveu uma mensagem falsa sobre uma suposta falha no pagamento da assinatura do serviço. (veja a lista completa abaixo)
Agora no g1
Estas são as marcas mais imitadas por criminosos em tentativas de golpes pela internet:
Microsoft (22,6%)
LinkedIn (11,6%)
Google (6,7%)
Apple (5,8%)
Amazon (5,2%)
Adobe (3,8%)
Facebook (1,9%)
WhatsApp (1,4%)
PayPal (1,3%)
ChatGPT (1,1%)
Para a Check Point Software, a concentração em poucas marcas merece atenção. "Os golpistas não estão espalhando seus esforços por milhares de marcas. Eles estão focados em um pequeno conjunto de nomes que quase todo mundo reconhece e usa diariamente", afirmou.
Os casos identificados no segundo trimestre incluem e-mails falsos sobre falhas no pagamento de serviços, páginas de login fraudadas e comunicações enganosas sobre atualizações de programas.
A empresa afirma que esse tipo de golpe funciona porque os criminosos se aproveitam da confiança dos usuários. "Se uma mensagem parece vir de uma marca que você já usa e confia, você baixa a guarda. Esse simples atalho psicológico é todo o modelo de negócios por trás do phishing de marca".
Como se proteger
Os golpistas tentam atrair vítimas por meio da sensação de urgência causada por mensagens falsas de falhas de pagamentos e alertas de segurança.
Mas essas mensagens podem apresentar alguns erros, como imagens distorcidos, botões que não funcionam e erros de digitação.
A Check Point Software recomenda ter ainda mais atenção ao receber mensagens em nome de uma das empresas do ranking. E sugere que, em vez de clicar em links que aparecem na mensagem, os usuários digitem o site da marca por conta própria no navegador.
A empresa também recomenda ativar a autenticação de dois fatores (veja como fazer). A proteção extra exige o uso de um segundo código além da senha para acessar a conta, o que protege seus dados em caso de vazamentos.
Justiça impede INSS de recusar benefícios a entregadores do iFood por falta de carteira assinada

Entregadores de aplicativos fazem protesto em frente à Câmara Municipal de São Paulo
Celso Tavares/G1
Uma decisão da Justiça do Trabalho determinou que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) passe a analisar, caso a caso, os pedidos de benefícios previdenciários de entregadores por aplicativo do iFood que sofrerem acidentes ou adoecerem em decorrência do trabalho.
A liminar tem alcance nacional, produz efeitos imediatos e impede que o instituto rejeite automaticamente os requerimentos pela ausência de carteira assinada ou de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT).
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A decisão foi concedida pela juíza Carla Teresa Baltazar da Silveira Porto, da 2ª Vara do Trabalho de Salvador, em ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) contra o iFood, a seguradora MetLife e o INSS. (veja abaixo o que dizem as partes)
A magistrada também determinou que o INSS não poderá negar benefícios apenas porque o entregador é classificado como parceiro ou trabalhador autônomo. Cada pedido deverá ser analisado com base nas provas apresentadas.
Agora no g1
Além de impedir as recusas automáticas, a decisão determina que o INSS crie um fluxo administrativo específico para reavaliar pedidos negados por esses motivos.
O instituto terá 30 dias para apresentar um relatório detalhando como funcionará esse procedimento, incluindo os canais de atendimento, os documentos aceitos e o procedimento para solicitar informações ao iFood e à MetLife.
Segundo o procurador do Trabalho Ilan Fonseca, autor da ação, os entregadores do iFood enfrentavam dificuldades para acessar a proteção previdenciária quando sofriam acidentes durante o trabalho.
"O entregador estava em um limbo jurídico. Quando sofre um acidente, não conta com proteção social nem da empresa, nem da seguradora contratada por ela, nem do INSS. Agora, pelo menos, cada pedido terá de ser analisado e decidido", afirmou.
Para garantir o cumprimento da liminar, a juíza fixou multa diária de R$ 10 mil para o iFood, a MetLife e o INSS em caso de descumprimento. O valor poderá chegar a R$ 300 mil para cada uma das empresas e a R$ 500 mil para o INSS.
A decisão também prevê multa de até R$ 5 mil por processo administrativo quando houver omissão injustificada na análise de um pedido individual de benefício.
A ação é resultado de uma investigação conduzida pelo MPT ao longo de mais de três anos, que incluiu entrevistas, inspeções no iFood, análise de documentos da empresa e do INSS, além da consulta a pesquisas sobre o trabalho por aplicativos.
Para o MPT, a falta de mecanismos adequados de registro contribui para a subnotificação dos casos e transfere ao Sistema Único de Saúde (SUS), à Previdência Social e às famílias dos trabalhadores os custos decorrentes dos acidentes e afastamentos.
A ação também questiona a efetividade do seguro oferecido pelo iFood por meio da MetLife. Segundo o MPT, as exigências burocráticas dificultariam o acesso dos trabalhadores às indenizações e não substituiriam a proteção oferecida pelo sistema previdenciário. Na prática, trabalhadores acidentados acabariam sem renda e dependeriam da rede de apoio formada por familiares e amigos.
Na ação, o MPT também pede a condenação do iFood e da MetLife ao pagamento de R$ 100 milhões por danos morais coletivos. Esse pedido ainda será analisado pela Justiça, após a apresentação das defesas e o julgamento dos recursos cabíveis.
A decisão tem caráter provisório. Segundo o MPT, a ação alcança todos os entregadores cadastrados no iFood no país enquanto a liminar permanecer em vigor.
O iFood, a MetLife e o INSS ainda podem recorrer, e a decisão poderá ser mantida, modificada ou revogada pelas instâncias superiores antes do julgamento definitivo da ação civil pública.
O que dizem as partes
Em nota enviada ao g1, o iFood informou que vai pedir a reconsideração da decisão da Vara do Trabalho de Salvador (BA).
A empresa alegou que a liminar foi concedida sem que tivesse a oportunidade de apresentar seus argumentos e sustentou que as obrigações impostas pela Justiça são incompatíveis com o modelo jurídico de autonomia que, segundo a plataforma, caracteriza a relação com os entregadores.
O iFood também afirmou que já oferece aos trabalhadores cadastrados benefícios como seguro contra acidentes, apoio psicológico e jurídico, auxílio em caso de afastamento por doença, incapacidade temporária ou invalidez permanente, além de seguro de vida e auxílio-funeral.
O INSS informou que ainda não foi oficialmente notificado e que "se manifestará oportunamente em relação ao mérito da decisão judicial".
Já a MetLife informou que, até o momento, não foi formalmente notificada da decisão judicial. A empresa acrescentou que, caso seja intimada, "analisará o conteúdo da decisão e adotará as medidas cabíveis, em conformidade com a legislação aplicável".
Entregadores de aplicativos fazem protesto em frente à Câmara Municipal de São Paulo
Celso Tavares/G1
Debate sobre o reconhecimento de vínculo
Para a advogada trabalhista Bárbara Ferrari, o principal efeito da decisão é obrigar o INSS a analisar os pedidos de benefícios previdenciários de entregadores acidentados de forma individualizada, sem recusá-los automaticamente. A liminar não cria novos direitos nem altera a natureza da relação entre plataformas e entregadores.
Ferrari afirma que a discussão sobre o reconhecimento de vínculo empregatício continua sendo tratada separadamente pela Justiça do Trabalho e depende da análise de cada caso.
"Não se pode interpretar essa decisão como uma mudança de entendimento sobre a natureza da relação entre plataformas e entregadores", completa.
Segundo o especialista em Direito Previdenciário, Danilo Schettini, a liminar reforça a obrigação de o INSS analisar cada caso com base nas provas apresentadas e também determina que o iFood e a MetLife forneçam informações que possam auxiliar na instrução dos processos administrativos.
"O trabalhador continua precisando cumprir os requisitos previstos na legislação previdenciária, como a qualidade de segurado, quando exigida para cada benefício", afirma.
O advogado explica que os entregadores poderão utilizar diferentes elementos para comprovar que o acidente ou adoecimento ocorreu durante o trabalho, como:
boletins de ocorrência;
laudos e prontuários médicos;
testemunhas;
fotos e vídeos;
registros do aplicativo;
histórico de corridas;
dados de geolocalização;
conversas com a plataforma.
Na avaliação de Schettini, embora os efeitos diretos da liminar alcancem apenas os casos abrangidos pela ação, o entendimento pode influenciar processos semelhantes envolvendo trabalhadores de outras plataformas digitais.
Caso seja mantida, a decisão também pode incentivar o INSS a adotar análises mais individualizadas em pedidos de benefícios apresentados por esses trabalhadores.
'Efeito China': preço médio do carro zero no Brasil tem a primeira queda em seis anos

'Efeito China': preço médio do carro zero no Brasil tem a primeira queda em seis anos
Um estudo da Bright Consulting mostra que, pela primeira vez em seis anos, o preço médio dos carros novos no Brasil subiu menos do que a inflação em 2026. O valor dos veículos zero km teve uma queda real — descontada a inflação — de 1,5% neste ano.
Nominalmente, o preço médio sugerido pelas montadoras subiu 1,4% e chegou a R$ 166,9 mil. Mas o reajuste ficou abaixo da inflação oficial acumulada no período, de 3,18%. Houve uma forte desaceleração em relação aos 5,5% registrados no ano anterior.
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De acordo com os analistas, a expansão das montadoras chinesas no país foi o principal fator por trás da queda dos preços, já que aumentou a competição no mercado brasileiro e forçou as fabricantes tradicionais a reduzirem suas margens.
💰 Por outro lado, a renda estagnada e os juros elevados do crédito veicular ainda mantêm a compra do automóvel zero km distante do bolso da maioria da população. (entenda os detalhes abaixo)
Margem para negociação
Segundo Cássio Pagliarini, sócio da Bright Consulting, a queda dos preços fica ainda mais evidente após a negociação na concessionária. O valor efetivamente pago no balcão — conhecido como preço de transação — caiu 3,5% em 2026, passando de R$ 157,6 mil para R$ 152,1 mil.
A diferença de quase R$ 15 mil entre a tabela oficial de fábrica e o preço final registrado na nota fiscal mostra o esforço do comércio para reduzir os estoques acumulados.
Essa diferença é viabilizada por bônus de fábrica, maior valorização do carro usado dado na troca e cortes pontuais nas taxas de financiamento.
Gráfico com os dados dos preços dos carros no Brasil
g1
Efeito China
Como previsto, a entrada agressiva de marcas chinesas no país começou a provocar impactos no mercado.
Segundo Antônio Jorge Martins, coordenador dos cursos da área automotiva da Fundação Getulio Vargas (FGV), as fabricantes chinesas se beneficiam principalmente da grande escala de produção em seu país de origem.
"Estamos falando de um mercado de cerca de 34 milhões de veículos por ano, 10 vezes maior do que o brasileiro. A BYD, por exemplo, fabricou cerca de 4 milhões de carros só em 2025. Essa escala fabulosa reduz drasticamente o custo médio por veículo", explica Martins.
Com mais de 140 marcas disputando espaço no mercado chinês — que já apresenta demanda enfraquecida e oferta ainda elevada —, a busca por rentabilidade em outros países virou prioridade para as fabricantes chinesas. Para ganhar espaço rapidamente no Brasil, a estratégia foi entrar com preços mais baixos.
🔍 O movimento já coloca o Brasil no topo: o país tornou-se o maior importador de carros chineses no primeiro semestre de 2026, com US$ 5,2 bilhões em compras. Do total, US$ 4,5 bilhões foram destinados a veículos elétricos e híbridos. Além da forte demanda por veículos mais tecnológicos, as montadoras anteciparam estoques antes do aumento das alíquotas do imposto de importação por aqui.
O professor da FGV aponta ainda que as fabricantes chinesas mudaram o jogo ao verticalizar a produção e fabricar internamente parte dos componentes mais importantes dos veículos, como as baterias. Isso elimina margens de intermediários e garante mais qualidade a um custo menor.
"Nos anos 90, os carros chineses sofriam com rejeição por falta de qualidade. Hoje, eles unem alto volume, controle da cadeia e muita tecnologia embarcada", destaca o professor da FGV.
Carro mais barato não é fácil de comprar
Apesar da queda no valor médio dos carros, a dificuldade de acesso ao financiamento ainda limita um avanço maior dos emplacamentos.
As taxas cobradas pelos bancos para o financiamento veicular ainda variam entre 18% e 22% ao ano. A expectativa do setor é de que o crédito só ganhe fôlego à medida que caia a taxa básica de juros (Selic), atualmente em 14,25%.
"Em momentos normais do mercado, cerca de 60% das vendas de carros no Brasil dependem de financiamento bancário. Quando o crédito fica caro, os bancos reduzem a concessão por receio da inadimplência", avalia Martins, da FGV.
BYD Atto 2 DM-i Flex é lançado oficialmente no Brasil
Divulgação / BYD
Por que a carpa nishikigoi pode valer até US$ 1,5 milhão?

Carpa colorida Nishikigoi já foi vendida por R$ 1,5 milhão; conheça o peixe
O nishikigoi, uma categoria de carpas coloridas valorizada pela beleza, já foi vendido por US$ 1,5 milhão. E não é apenas no exterior que o peixe alcança valores elevados: no Brasil, foi negociado por R$ 80 mil.
A palavra "nishikigoi" é formada pela junção de dois termos em japonês: "colorido intenso" e "carpa".
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Apenas 17 variedades de carpas coloridas são classificadas como nishikigoi, segundo normas da Zen Nippon Airinkai (ZNA), organização mundial dedicada a padronizar a criação da espécie.
Uma das características que o define é ter o desenho distribuído por todo o corpo, de forma equilibrada dos dois lados. O peixe também pode ter escamas ou couro.
Enquanto uma carpa comum custa, em média, R$ 30, o nishikigoi pode ser encontrado a partir de R$ 300. A fêmea vale ainda mais porque pode atingir tamanho maior e tem o corpo mais largo, o que destaca a estampa e torna o nado mais bonito.
Peixes que vencem competições também são mais valorizados. Por exemplo, uma carpa pequena com o valor de R$ 200 pode passar a valer R$ 3 mil após ser premiada.
Um dos fatores que tornam o nishikigoi mais caro é a alta procura diante da baixa oferta.
O crescimento desse mercado é impulsionado pela expansão do paisagismo de alto padrão, que utiliza lagos com peixes.
Rafael Caetano, programador, coleciona exemplares da categoria em casa e gasta cerca de R$ 1.000 por mês para mantê-los. O peixe mais caro da coleção custou R$ 20 mil.
"É a sensação, o que isso me traz, é difícil precificar", diz.
Ivan Miraldo, corretor de seguros, também investe em nishikigoi. Sua coleção, com 27 peixes, é avaliada em R$ 700 mil.
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Mega-Sena pode pagar R$ 86 milhões nesta quinta-feira; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-Sena?
O concurso 3.038 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 86 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta quinta-feira (30), em São Paulo.
No concurso da última terça (28), nenhuma aposta acertou os seis números e o prêmio acumulou. Veja os números sorteados: 02 - 11 - 22 - 30 - 51 - 54.
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O g1 passou a transmitir todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
FGTS distribuirá lucro de R$ 13 bilhões para trabalhadores nesta quinta; veja quem poderá sacar o valor

Lucro do FGTS será pago aos trabalhadores
Amanhã (31) a Caixa Econômica Federal começará a distribuir parte do lucro obtido pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em 2025, podendo beneficiar diversos trabalhadores. (Confira mais informações abaixo)
O repasse, aprovado pelo Conselho Curador do FGTS na última terça-feira (28), será de R$ 13,04 bilhões, o equivalente a 89% do lucro do fundo no ano passado. Ao todo, 138,2 milhões de trabalhadores com saldo em conta receberão os valores.
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Para calcular o valor que será creditado, o trabalhador deve multiplicar o saldo existente na conta do FGTS em 31 de dezembro de 2025 pelo índice 0,0186834.
Assim, quem tinha R$ 1 mil em uma conta do fundo no fim do ano passado, por exemplo, receberá, nessa mesma conta, R$ 18,68, e assim por diante.
Acesse a calculadora do g1 para simular o valor que você vai receber: CLIQUE AQUI
Veja abaixo perguntas e respostas sobre o lucro do FGTS:
Poderei sacar o valor depositado?
Quem tem direito a receber parte do lucro?
Quando o depósito vai ser feito?
Como posso consultar meu saldo?
O depósito é diferente em cada conta vinculada?
Qual é a rentabilidade?
Qual é a regra de distribuição?
Poderei sacar o valor depositado?
As possibilidades de saque do saldo do FGTS permanecem as mesmas. Ou seja, não haverá mudanças nas regras atuais.
O FGTS funciona como uma reserva financeira para trabalhadores com carteira assinada e pode ser usado em casos como demissão sem justa causa, compra da casa própria e outras situações, entre elas:
aposentadoria;
término do contrato por prazo determinado;
falecimento do empregador individual ou decretação de nulidade do contrato de trabalho;
falecimento do trabalhador;
outros casos específicos, como calamidade pública e doenças graves. (veja todas as situações aqui)
Quem tem direito a receber parte do lucro?
Todos os trabalhadores que tinham saldo em contas do FGTS (ativas ou inativas) em 31 de dezembro de 2025 têm direito a receber uma parcela do lucro.
Quando o depósito vai ser feito?
Os valores serão creditados nas contas do FGTS dos trabalhadores nesta sexta-feira (31).
Como posso consultar meu saldo?
A consulta pode ser feita pelo site da Caixa Econômica Federal ou pelo aplicativo FGTS, a partir do cadastro do trabalhador.
O depósito é diferente em cada conta vinculada?
Um mesmo trabalhador pode ter mais de uma conta do FGTS, referente a empregos diferentes. Por isso, o valor creditado é calculado separadamente para cada conta, com base no saldo existente em cada uma delas.
Quanto maior o saldo no FGTS, maior será o valor recebido da distribuição do lucro.
Qual é a rentabilidade?
Com a distribuição do lucro, a rentabilidade das contas do FGTS em 2025 será de 6,90%, o que representa um ganho real (acima da inflação) de 2,53 pontos percentuais.
Em 2025, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a inflação oficial do país, foi de 4,26%.
Com a aprovação da distribuição, o crédito equivale a um acréscimo de 1,87% na rentabilidade de cada conta, proporcional ao saldo individual.
Qual é a regra de distribuição?
Por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), a remuneração do FGTS deve garantir, no mínimo, a correção pela inflação medida pelo IPCA em todos os anos.
FGTS - Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
Lucas Figueira/G1
Viih Tube diz que vai 'fazer do limão uma limonada' após acordo com MPT envolvendo reality show

Viih Tube e Eliezer encerram reality com empregados e pagarão R$ 350 mil por dano moral
A influenciadora Viih Tube afirmou que vai “fazer do limão uma limonada” após o acordo firmado com o Ministério Público do Trabalho (MPT) envolvendo o reality show “As Patroas”.
Em vídeos publicados nos stories do Instagram, ela disse que terá que produzir conteúdos educativos sobre direitos trabalhistas como parte dos compromissos assumidos.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
Viih Tube e o marido, o também influenciador Eliezer, firmaram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o MPT e se comprometeram a encerrar o reality show, protagonizado por empregados domésticos da residência e exibido nas redes sociais.
Pelo acordo, o casal também deverá pagar R$ 350 mil por dano moral coletivo e retirar do ar, em até 48 horas, conteúdos considerados irregulares pelo órgão.
A manifestação de Viih Tube ocorreu apenas após a conclusão das negociações com o Ministério Público do Trabalho. Segundo a influenciadora, ela não poderia comentar o caso durante o período de apuração porque o acordo ainda estava sendo construído.
Ela afirmou que entende os questionamentos e as denúncias sobre o caso e pediu desculpas a quem se sentiu ofendido.
“Quero muito pedir desculpas para vocês que se sentiram ofendidos. A gente entende todos os questionamentos, todas as denúncias, tudo que todo mundo falou”, afirmou pelo Instagram.
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Dinheiro na privada e outras polêmicas: como era o reality de Viih Tube e Eliezer
No vídeo, Viih Tube disse que o casal apresentou ao MPT documentos relacionados à produção, como contratos de trabalho, informações sobre remuneração e roteiros do programa. Acrescentou que os materiais indicavam que as funcionárias tinham conhecimento da dinâmica do reality.
Apesar disso, a influenciadora reconheceu que a exposição gerou questionamentos e disse que a situação não poderia ser normalizada.
“Não tira o fato de que nós influenciamos pessoas. A gente tem uma audiência altíssima que não pode normalizar a situação que a gente colocou [essas pessoas]”, afirmou.
Como parte do acordo com o MPT, o casal deverá publicar três vídeos educativos sobre direitos dos empregados domésticos. Segundo a influenciadora, esses conteúdos serão uma forma de transformar a situação em uma ação de conscientização.
“Vamos fazer do limão uma limonada dessa situação com o MPT, para realmente instruir pessoas sobre os direitos e deveres de cada colaborador que você tem aí na sua casa, principalmente as domésticas”, afirmou.
Viih Tube explicou que os conteúdos não serão uma retomada do reality nem tratarão diretamente do caso, mas terão como objetivo orientar trabalhadores e empregadores sobre direitos e deveres trabalhistas.
“Eu ainda vou aparecer falando não sobre esse assunto diretamente, mas indiretamente, para que você também não seja pego de surpresa”, disse.
O g1 entrou em contato com os influenciadores Viih Tube e Eliezer, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem.
Reality de Viih Tube e Eliezer terá prêmio de mais de R$ 20 mil
Reprodução/YouTube
Entenda a decisão do MPT
O acordo encerrou a investigação aberta pelo Ministério Público do Trabalho para apurar possíveis violações relacionadas ao reality “As Patroas”.
O programa colocava 11 empregados domésticos do casal em uma competição com provas e desafios em troca de prêmios, como dinheiro e redução da jornada de trabalho. Entre as dinâmicas exibidas, havia uma prova em que participantes precisavam procurar moedas de plástico dentro de vasos sanitários e lixeiras.
Para o MPT, a exposição pública dos trabalhadores e o uso da imagem deles em uma produção com finalidade comercial levantaram questionamentos sobre possíveis violações de direitos trabalhistas.
Pelo TAC, os influenciadores se comprometeram a:
não produzir ou divulgar conteúdos que exponham empregados domésticos ou outros trabalhadores a situações humilhantes ou vexatórias;
não exigir ou incentivar a participação de funcionários em realities ou produções semelhantes;
garantir que futuras participações de trabalhadores em conteúdos audiovisuais sejam voluntárias e formalizadas por escrito;
não praticar retaliações contra empregados que recusem convites ou denunciem irregularidades.
Em caso de descumprimento das regras previstas no acordo, está prevista multa de R$ 50 mil por cláusula violada, além de R$ 5 mil por trabalhador prejudicado.
A indenização de R$ 350 mil por dano moral coletivo não será destinada diretamente às funcionárias envolvidas. O valor será encaminhado a um fundo público, como o Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD), utilizado para financiar projetos de interesse coletivo.
Reality não poderá mais mostrar rotina com funcionárias
Em outro story publicado após o pronunciamento, a influenciadora respondeu dúvidas dos seguidores sobre o pagamento da indenização e sobre a relação com as funcionárias.
Ela explicou que o dinheiro do dano moral coletivo não será repassado às trabalhadoras.
“E a pergunta que vocês mais me fizeram hoje foi se o dinheiro que vamos pagar pelos danos morais coletivos vai para as meninas aqui de casa. E não gente, não vai”, escreveu.
Ela também informou que o casal não poderá mais gravar ou publicar conteúdos mostrando a rotina com as empregadas domésticas, uma das medidas previstas no acordo.
“Não poderemos mais mostrar/gravar nossa rotina com elas, como um dos ajustes de conduta. Sei que amavam acompanhar e dávamos muitas risadas, mas preferi avisar para que não achassem que a gente que não quer mais gravar algo com elas”, afirmou.
Segundo ela, as funcionárias continuam bem e entenderam a decisão, embora tenham ficado tristes com o encerramento do reality.
Viih Tube esconde moeda de seu reality dentro do vaso sanitário.
Reprodução
Trump ameniza tom e mantém apoio a Warsh apesar de Fed não cortar juros: 'Ele é brilhante'

Presidente dos EUA, Donald Trump, faz discurso durante a cerimônia de posse do novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, na Sala Leste da Casa Branca, em Washington, D.C., EUA, em 22 de maio de 2026.
Reuters
O presidente Donald Trump afirmou nesta quarta-feira (29) que mantém o apoio a Kevin Warsh, seu escolhido para comandar o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, e classificou o dirigente como "brilhante".
O apoio vem mesmo após Warsh não entregar os cortes de juros que Trump deseja com urgência e diante das poucas perspectivas de uma redução das taxas no curto prazo.
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"Ele é um cara brilhante", disse Trump a repórteres no Salão Oval. "Eu sei que ele adoraria ver juros mais baixos, mas ele tem um conselho, e é um conselho político, e eles querem manter os juros altos. Mas nós enfrentamos os juros."
O Fed manteve nesta quarta-feira a taxa de juros dos EUA inalterada na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, menor nível desde setembro de 2022. A medida veio em linha com a expectativa do mercado financeiro.
Agora no g1
Kevin Warsh tomou posse em 22 de maio, quando iniciou oficialmente seu mandato de quatro anos após uma cerimônia na Casa Branca.
Em coletiva de imprensa após a decisão desta quarta-feira, Warsh não deu sinais sobre os próximos passos do Fed, mas adotou um discurso de combate à inflação — embora parte do mercado ainda tenha dúvidas sobre seu compromisso com essa postura.
"Começamos um novo capítulo. Entendam que mais de cinco anos de inflação acima da meta não podem ser corrigidos em nove semanas", disse Warsh.
"Este Fed não vai vacilar. Nossa credibilidade depende de cumprirmos nossos deveres e nossas responsabilidades", completou.
Essa foi a quinta reunião consecutiva em que o Fed decidiu manter os juros inalterados, sendo a segunda sob a liderança de Warsh. Durante a gestão de Jerome Powell, que se encerrou em 15 de maio, Trump adotava um tom muito mais crítico em relação ao banco central.
Em diversas ocasiões, o presidente americano aumentou a pressão após o Fed não anunciar cortes de juros. Ele chegou a chamar Powell de “mula”, “cabeça oca” e “estúpido”.
Desde o início de seu segundo mandato, o republicano argumenta que juros elevados encarecem o crédito e prejudicam a economia.
RELEMBRE A TRAJETÓRIA DE POWELL À FRENTE DO FED E O ATRITO COM DONALD TRUMP:
Pressão e ofensas de Trump: Superquarta terá última decisão de Powell à frente do Fed; relembre
* Com informações da agência de notícias Reuters
Sam Altman, da OpenAI, discute agente descontrolado com senadores dos EUA, enquanto Trump avalia controles para IA

IA pode decidir atacar empresas? Como foi a invasão 'sem precedentes' por modelo da OpenAI
O diretor-presidente da OpenAI, Sam Altman, afirmou nesta quarta-feira (29) que está se reunindo com senadores dos Estados Unidos para discutir os próximos modelos de inteligência artificial da empresa.
As conversas ocorrem após o presidente Donald Trump dizer que considera adotar "controles" sobre a IA, na esteira da divulgação, pela OpenAI, de que um de seus sistemas escapou do ambiente de contenção durante um teste de segurança.
"Estamos analisando controles", disse Trump a jornalistas no Salão Oval, ao ser questionado sobre o agente de IA que saiu do controle.
O presidente acrescentou, no entanto, que não pretende "restringir" as empresas de tecnologia de desenvolverem novos produtos de inteligência artificial.
O CEO da OpenAI, Sam Altman, já declarou diversas vezes que apoia uma maior regulamentação em torno da IA
Reuters
Altman e senadores
Altman, que está em Washington nesta semana, reuniu-se com os senadores Bernie Moreno e Jon Husted, segundo assessores dos parlamentares. Ele também foi visto entrando no gabinete do senador Raphael Warnock e deve se encontrar ainda com o senador Mark Warner, principal democrata do Comitê de Inteligência do Senado, informou um porta-voz de Warner à Reuters.
Questionado por jornalistas, Altman afirmou que discutiu "um pouco" o incidente envolvendo o ataque cibernético durante as reuniões com os senadores.
"Tivemos várias reuniões sobre o que aconteceu", disse o executivo, referindo-se ao episódio. Segundo ele, porém, o incidente não foi o foco principal dos encontros realizados nesta quarta-feira.
O ataque da IA
A visita de Altman ocorre dias depois de a OpenAI revelar que um de seus agentes de inteligência artificial escapou do ambiente de contenção durante um teste de segurança.
O sistema iniciou um ataque cibernético que comprometeu a infraestrutura da Hugging Face, plataforma amplamente utilizada por desenvolvedores para armazenar códigos e colaborar na criação de modelos de IA.
[bbc] Logo da empresa OpenAI, responsável pelo ChatGPT
Getty Images
O agente também invadiu os sistemas de um cliente de uma segunda empresa de tecnologia, a Modal Labs, sediada em Nova York, conforme revelou a Reuters.
O episódio reforçou preocupações de especialistas de que o avanço das capacidades da inteligência artificial já está ampliando os riscos à segurança cibernética. O caso também mostrou que até mesmo as principais desenvolvedoras de IA podem ser surpreendidas por vulnerabilidades que seus próprios modelos conseguem explorar.
SpaceX fecha contrato de US$ 1,6 bilhão com Força Espacial dos EUA para lançar satélites militares de mira

Nave Starship, da SpaceX, faz decolagem em 13ª missão de testes
A SpaceX recebeu, nesta quarta-feira (29), uma encomenda de US$ 1,6 bilhão (R$ 8,192 bilhões) da Força Espacial dos EUA para lançar 18 missões do Falcon 9 até 2027, transportando satélites do Pentágono destinados à detecção e ao rastreamento de objetos aéreos, informou o ramo militar.
As 18 missões foram atribuídas por meio de duas ordens de serviço no âmbito do principal programa de contratação de lançamentos, no qual a SpaceX, a United Launch Alliance, a Blue Origin e outras empresas americanas do setor de lançamentos competem pela obtenção de missões lucrativas.
Os lançamentos serão responsáveis por colocar em órbita satélites militares voltados ao sistema de direcionamento e rastreamento de alvos, reforçando a infraestrutura espacial de defesa das Forças Armadas norte-americanas.
A iniciativa amplia a participação da empresa de Elon Musk nos programas estratégicos de defesa espacial dos EUA e fortalece a infraestrutura militar baseada em satélites do país.
O novo acordo sucede outro grande contrato firmado entre a Força Espacial e a SpaceX em maio deste ano, no valor de US$ 2,29 bilhões (R$ 11,72 bilhões), destinado ao desenvolvimento do Backbone da Rede de Dados Espaciais (Space Data Network – SDN).
Decolagem em 13º voo de teste da Starship
Reprodução/SpaceX
O projeto prevê a criação de uma rede segura de comunicações via satélite capaz de conectar sensores militares e sistemas de armas em todo o mundo por meio de satélites em órbita baixa interligados.
Segundo a Força Espacial, a SDN permitirá a troca contínua, rápida e segura de dados entre diferentes plataformas militares, reduzindo o tempo de resposta das operações.
A SpaceX já desempenha um papel relevante na estratégia espacial dos Estados Unidos por meio das constelações Starlink e Starshield, utilizadas em comunicações militares e governamentais. Nos últimos anos, Washington intensificou os investimentos no setor espacial de defesa, com o Congresso autorizando bilhões de dólares para ampliar a capacidade de comunicações via satélite e incentivar a participação da iniciativa privada.
A expansão desses programas também está alinhada às prioridades do governo do presidente Donald Trump. Logo no início de seu mandato, em janeiro de 2025, Trump assinou um decreto para impulsionar o projeto Golden Dome ("Domo de Ouro"), um sistema nacional de defesa antimísseis criado para reforçar a proteção dos Estados Unidos contra ameaças balísticas, hipersônicas e de cruzeiro.
A ampliação da infraestrutura de satélites militares é considerada um dos pilares para o funcionamento desse sistema de defesa.
*Reportagem em atualização
Fed mantém juros dos EUA na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano pela 5ª reunião consecutiva

Prédio do Federal Reserve dos EUA em Washington, EUA (maio/2020)
Kevin Lamarque / Reuters
O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manteve a taxa de juros do país inalterada na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano — menor nível desde setembro de 2022. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (29), veio em linha com a expectativa do mercado financeiro.
Foi a quinta reunião consecutiva em que o banco central dos EUA manteve os juros no mesmo nível. A decisão foi influenciada, entre outros fatores, pela persistência da alta do petróleo, em meio à continuidade da guerra no Oriente Médio, o que reforça as preocupações do Fed com a inflação.
🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
Em um comunicado mais curto do que o de costume, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) afirmou, em sua decisão, que a atividade econômica segue se expandindo em ritmo sólido "apesar da elevada incerteza, decorrente, em parte, do conflito no Oriente Médio".
O presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que o comunicado não busca antecipar os próximos passos sobre as decisões de juros.
"Ele transmite apenas os fatos. Evita fazer previsões, uma escolha que consideramos especialmente prudente neste momento de incerteza", declarou em coletiva de imprensa após o anúncio.
➡️ A política de juros nos EUA tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível historicamente elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio. (leia mais abaixo)
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Esta é a 13ª decisão desde que Donald Trump assumiu como 47º presidente dos EUA, em 20 de janeiro de 2025. Desde a posse, houve três cortes de juros, em meio a um cenário econômico incerto, com conflitos geopolíticos e a guerra tarifária promovida pelo republicano.
É também a segunda decisão sob o comando de Kevin Warsh, indicado por Trump para presidir o banco central dos EUA. Warsh tomou posse em 22 de maio e iniciou oficialmente seu mandato de quatro anos após uma cerimônia na Casa Branca.
A troca de comando no Fed ocorreu após meses de atritos entre Trump e o então presidente da instituição, Jerome Powell. Desde o início de seu segundo mandato, o republicano defende que juros elevados encarecem o crédito e prejudicam a economia.
O que disse o Fomc
Em nota, o comitê afirmou que decidiu manter a taxa básica de juros dos EUA inalterada em apoio ao duplo mandato do Fed: controlar a inflação e promover o máximo emprego.
"O crescimento da produtividade e os investimentos em capital permanecem fortes. A criação de empregos acompanhou o crescimento da força de trabalho, e a taxa de desemprego mudou pouco", afirmou o colegiado.
Segundo o Fomc, a inflação segue acima da meta de 2%, "refletindo, em parte, choques de oferta que elevaram os preços em determinados setores, incluindo o de energia".
Ao citar a "elevada incerteza" causada pelo conflito no Oriente Médio, o comunicado termina afirmando que "o comitê entregará estabilidade de preços".
A decisão não foi unânime. Três dos 12 integrantes com direito a voto — Beth M. Hammack, Neel Kashkari e Lorie K. Logan — defenderam elevar os juros em 0,25 ponto percentual nesta reunião.
'O Fed não vai vacilar'
Presidente do Fed, Kevin Warsh, em coletiva de imprensa após decisão sobre juros nos EUA, em 29 de julho de 2026.
Reuters
Em coletiva de imprensa, Kevin Warsh afirmou seu compromisso com a estabilidade de preços e disse que a incerteza atual "não significa falta de clareza".
"Começamos um novo capítulo. Entendam que mais de cinco anos de inflação acima da meta não podem ser corrigidos em nove semanas", disse.
Segundo Warsh, o período prolongado de inflação elevada deixou uma "impressão difícil de desfazer" entre famílias, empresas e participantes do mercado: a de que a meta de inflação do Fed estaria, de alguma forma, acima do objetivo oficial de 2%.
"Não existe uma meta de inflação flexível. Não existe uma meta implícita flexível, não sob a supervisão deste comitê. Existe apenas uma meta, e ela é de 2%", declarou.
"Este Fed não vai vacilar. Nossa credibilidade depende de cumprirmos nossos deveres e nossas responsabilidades", completou.
Efeito dos juros no Brasil — e nos mercados
Os juros, ainda considerados elevados nos EUA, mantêm os rendimentos das Treasuries, os títulos públicos americanos, em níveis mais atraentes.
Por serem considerados os investimentos mais seguros do mundo, as Treasuries com rentabilidades elevadas despertam o interesse de investidores estrangeiros, que direcionam recursos aos EUA e fortalecem o dólar.
Em outra perspectiva: apesar de diversas variáveis interferirem nessa lógica, o movimento tende a reduzir o volume de investimentos estrangeiros no Brasil, desvalorizando o real em relação à moeda americana.
Além disso, o dólar em nível elevado aumenta a pressão sobre a inflação por aqui, com reflexos na manutenção de juros altos pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil.
Com juro alto, criação de empregos formais cai 25% e registra o pior 1º semestre em seis anos

A economia brasileira gerou 921,64 mil empregos formais no primeiro semestre deste ano, informou nesta quarta-feira (29) o Ministério do Trabalho e do Emprego.
O número representa uma queda de 25% na comparação com o mesmo período de 2025, quando foram abertas 1,23 milhão de vagas com carteira assinada.
Essa também foi o pior resultado na geração de empregos para os seis primeiros meses de um ano desde 2020 — quando foram fechadas milhão de vagas formais em meio à pandemia da Covid-19.
A comparação dos números com anos anteriores a 2020, segundo analistas, não é mais adequada porque o governo mudou a metodologia.
Ao fim de junho de 2026, ainda conforme os dados oficiais, o Brasil tinha saldo de 48,03 milhões de empregos com carteira assinada.
O resultado representa aumento na comparação com maio deste ano (47,88 milhões) e com relação a junho de 2025 (47,07 milhões).
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Juros altos
A forte queda na geração de empregos formais foi registrada em um contexto de juros básicos ainda altos, apesar de a autoridade monetária ter baixado a taxa em três reuniões seguidas.
Atualmente em 14,25% ao ano, a taxa Selic, fixada pelo Banco Central (BC), é a mais alta do mundo em termos reais (descontada a inflação para os próximos 12 meses) em um ranking da MoneYou com 40 nações.
Além do juro alto, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, também citou o efeito do tarifaço imposto pelos Estados Unidos e das guerras no Oriente Médio e na Ucrânia para a desaceleração do emprego formal neste ano.
"O comportamento da economia está desacelerando. Você tem, evidentemente, a contribuição negativa dos juros e tem também a contribuição do mister Trump, com os tarifaços, com as consequências da bagunça que cria em alguns setores da economia (...) São números positivos, levando em consideração os problemas que nós estamos enfrentando", declarou o ministro Luiz Marinho.
Ao manter os juros em patamar elevado, o Banco Central pontua que busca desacelerar a atividade como estratégia para conter a inflação.
Em suas considerações sobre o patamar da taxa de juros, o BC explica que acompanha "detidamente" o mercado de trabalho. Na ata da última reunião, o Copom avaliou que a "taxa de desemprego tem, recorrentemente, se mantido em patamares historicamente baixos enquanto os rendimentos reais médios têm mantido a tendência de elevação acima do crescimento da produtividade do trabalho".
"O Comitê segue atento ao debate sobre as dimensões corrente e estrutural do mercado de trabalho, enfatizando a necessidade do aprofundamento dessa análise para a avaliação dos padrões de transmissão dos níveis de ocupação para os rendimentos do trabalho e, finalmente, para os preços dos diversos setores da economia", acrescentou o BC.
Mês de junho
Somente em junho deste ano, segundo informações do Ministério do Trabalho, foram criadas 145,16 mil empregos formais.
Ao todo, segundo o governo federal, foram registradas em junho:
➡️2,22 milhões de contratações;
➡️2,07 milhões de demissões.
📈 O resultado representa recuo de 10,4% em relação a junho de 2025 — quando foram criados cerca de 162 mil empregos com carteira assinada.
👉🏽 Esse também foi o pior resultado para meses de junho desde 2020, ou seja, em seis anos. Veja os resultados para os meses de janeiro:
2020: 53,38 mil vagas fechadas;
2021: 318,2 mil empregos criados;
2022: 285,26 mil vagas abertas;
2023: 155,81 mil vagas abertas;
2024: 206,6 mil empregos criados
2025: 162 mil vagas abertas.
Empregos por setor
Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de junho de 2026 mostram que foram criados empregos formais nos cinco setores da economia.
Regiões do país
Os dados também revelam que foram abertas vagas nas cinco regiões do país no mês passado.
Salário médio de admissão
O governo também informou que o salário médio de admissão foi de R$ 2.404,34 em junho deste ano, o que representa alta real (descontada a inflação) em relação a maio de 2026 (R$ 2.387,44).
Na comparação com junho do ano passado, também houve aumento no salário médio de admissão. Naquele mês, o valor foi de R$ 2.376,95.
Caged x Pnad
Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados consideram os trabalhadores com carteira assinada, ou seja, não incluem os informais.
Com isso, os resultados não são comparáveis com os números do desemprego divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), coletados por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continua (Pnad).
Segundo dados oficiais, a taxa de desemprego no Brasil foi de 5,6% no trimestre encerrado em maio. De acordo com o IBGE, essa foi a menor taxa da série histórica para esse período.
El Niño: governo prevê gastar até R$ 1,3 bilhão para enfrentar secas, chuvas intensas e incêndios

O governo informou nesta quarta-feira (29) que prevê investir até R$ 1,3 bilhão em ações para enfrentar os impactos negativos do El Niño no Brasil, como, por exemplo, secas extremas, chuvas intensas e incêndios.
🔎O fenômeno climático, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, pode alterar o regime de chuvas e as temperaturas em diferentes partes do mundo. No Brasil, os efeitos podem afetar a agricultura, os recursos hídricos e aumentar a ocorrência de eventos extremos.
A informação foi divulgada durante reunião ministerial conduzida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
"O Brasil está preparado e pedindo a Deus que não aconteça. Se não acontecer, vamos ter melhor produção agrícola, energia, água, não queremos que aconteça. Nao está no nosso controle e nos preparamos", afirmou Lula.
Preço dos fertilizantes e El Niño podem deixar comida mais cara
O petista também defendeu a realização de reuniões com prefeitos para que a resposta aos possíveis impactos do fenômeno climático seja conjunta. "A chance de evitar desgraça é maior porque o prefeito esta no território", disse o presidente.
🔎Previsões das principais agências de meteorologia do mundo, confirmadas por agências brasileiras, preveem um El Niño muito forte neste ano, com elevação acima de dois graus na temperatura do Oceano Pacífico.
O plano de ação do governo envolve 24 ministérios, além de institutos de monitoramento e pesquisa, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Os recursos serão destinados a ações de abastecimento de alimentos, saúde, monitoramento hidrológico e fiscalização ambiental.
Entre as principais medidas previstas no plano, estão:
compra de 180 mil toneladas de milho e 310 mil toneladas de arroz;
reforço do combate a incêndios florestais;
aquisição de 350 mil cestas básicas;
Programa de Aquisição de Alimentos para agricultores da região Norte;
criação de um Centro de Informação em Saúde e Clima pelo SUS;
monitoramento do nível dos rios.
Segundo o governo federal, os recursos serão viabilizados a partir de uma folga no orçamento dos ministérios.
A estratégia também prevê uma articulação com os prefeitos, que serão procurados para conhecer o plano de ação e discutir a implementação das medidas de acordo com as necessidades de cada região.
Lula realizou uma reunião ministerial para tratar de medidas de enfrentamento ao El Niño
Reprodução/YouTube
Dinheiro na privada, prêmio de R$ 20 mil e outras polêmicas: como era o reality de Viih Tube e Eliezer

Viih Tube e Eliezer encerram reality com empregados e pagarão R$ 350 mil por dano moral
"Esse é, literalmente, o reality da nossa casa". Foi assim que Viih Tube apresentou ao público o reality show As Patroas, lançado em 30 de junho e estrelado pelos funcionários que trabalham na casa dela e do marido, Eliezer.
A proposta era transformar a rotina da casa em uma competição. Ao todo, 11 empregados domésticos disputavam um prêmio de R$ 20 mil em provas, desafios e missões que rendiam pontos e recompensas em dinheiro.
Mas o programa durou pouco. Menos de 24 horas após a estreia, o primeiro episódio foi retirado do YouTube em meio a críticas nas redes sociais.
O caso chegou ao Ministério Público do Trabalho (MPT), que abriu uma investigação para apurar possíveis violações de direitos trabalhistas.
Nesta quarta-feira (29), Viih Tube e Eliezer assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o órgão. Pelo acordo, comprometeram-se a encerrar o reality, retirar conteúdos considerados irregulares e pagar R$ 350 mil por dano moral coletivo.
Reality de Viih Tube e Eliezer terá prêmio de mais de R$ 20 mil
Reprodução/YouTube
O reality reunia profissionais que trabalhavam diretamente na casa do casal, entre eles babás, motorista e outros empregados domésticos.
Segundo as regras apresentadas por Viih Tube e Eliezer, a competição não teria eliminações tradicionais. Ao longo dos episódios, os participantes acumulavam pontos em provas e desafios, e o vencedor seria quem encerrasse a disputa com a maior pontuação.
Além do prêmio principal de R$ 20 mil, os participantes também podiam conquistar quantias em dinheiro e benefícios ao longo da temporada.
Viih Tube afirmou que foi a responsável pela criação do formato.
"Por incrível que pareça, fui eu [que tive a ideia]. O Eli é quem grava mais as meninas [funcionárias] no mercado, zoando elas. Eu adoro essa coisa de websérie, episódios, criar provas, cenários. A ideia foi minha e o Eli amou, palpitou comigo", disse.
Segundo a influenciadora, a proposta surgiu da convivência diária com os funcionários e do interesse em transformar situações da rotina da casa em conteúdo para as redes sociais.
Antes do início das atividades, os influenciadores explicaram uma das regras da competição: todos os funcionários deveriam participar dos dias de gravação.
Quem não comparecesse seria eliminado automaticamente da disputa pelo prêmio. O trecho chamou atenção durante a repercussão do caso e passou a ser citado por críticos do programa nas redes sociais.
Em representação encaminhada ao MPT, a deputada federal Erika Hilton afirmou que havia contradição entre a alegação de participação voluntária e a regra que previa a eliminação de quem não participasse das gravações.
Abaixo, relembre como o programa funcionava.
Primeira prova
A principal prova da estreia consistia em encontrar moedas escondidas em diferentes ambientes da residência.
Nas imagens, Viih Tube e Eliezer aparecem escondendo as moedas em diversos locais da casa. Algumas foram colocadas na sala e em outras áreas comuns. Outras, porém, acabaram escondidas em lugares que surpreenderam os próprios participantes.
Entre esses locais estavam um lago artificial, lixeiras de banheiro e até vasos sanitários.
Um dos momentos de maior repercussão ocorreu quando Anderson, motorista do casal, entrou em um banheiro à procura das moedas. Ao perceber que algumas moedas haviam sido colocadas dentro do vaso sanitário, ele reagiu:
"Misericórdia, né? Dentro do vaso? Pelo amor de Deus, não é possível."
Na sequência, ele também encontrou moedas na lixeira ao lado do vaso sanitário. Enquanto procurava as moedas, comentou: "Eu peguei de dentro do lixo. Cheio de papel, cheio de bosta."
O trecho viralizou nas redes sociais e se tornou um dos principais símbolos das críticas ao programa.
Antes da busca pelas moedas, os participantes enfrentaram outro desafio.
Uma funcionária foi escolhida por sorteio para cumprir uma missão secreta sem que os colegas percebessem. A tarefa consistia em inserir a palavra "esdrúxulo" em uma conversa ao longo do dia.
Caso ninguém percebesse o desafio, ela receberia R$ 2 mil. Se fosse descoberta, a quantia seria dividida entre os demais participantes.
O programa também contava com quadros como "Desafio CLT", "Patroa da Semana" e "Lavando Roupa Suja", que misturavam brincadeiras, provas de convivência e disputas por recompensas.
Prêmios incluíam dinheiro e benefícios no trabalho
As recompensas oferecidas pelo reality iam além do prêmio final.
A vencedora da primeira prova foi Vilma, uma das babás dos filhos do casal. Além da pontuação e dos R$ 1 mil acumulados, ela ganhou o direito de escolher uma recompensa adicional.
Entre as opções estavam:
uma sessão de massagem;
um jantar em restaurante;
começar a jornada de trabalho uma hora mais tarde durante a semana.
Em outras palavras, o programa combinava prêmios em dinheiro, benefícios pessoais e vantagens ligadas à rotina de trabalho dos participantes.
Fora do ar
A repercussão negativa começou poucas horas após a publicação do primeiro episódio.
Internautas questionaram principalmente a exposição pública dos funcionários e a competição entre pessoas subordinadas aos próprios empregadores.
O primeiro episódio foi retirado do YouTube menos de um dia após o lançamento. Mesmo assim, trechos continuaram circulando nas redes sociais, alimentando o debate que mais tarde resultou na investigação do Ministério Público do Trabalho.
Agora, com a assinatura do TAC, o reality será definitivamente encerrado.
Viih Tube e Eliezer encerram reality com empregados e pagarão R$ 350 mil por dano moral

Viih Tube e Eliezer encerram reality com empregados e pagarão R$ 350 mil por dano moral
Os influenciadores Viih Tube e Eliezer firmaram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT) e se comprometeram a encerrar o reality show "As Patroas", protagonizado por empregados domésticos do casal e exibido nas redes sociais.
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Como parte do acordo, eles também pagarão R$ 350 mil por dano moral coletivo e retirarão do ar, em até 48 horas, os conteúdos considerados irregulares.
O programa colocava 11 funcionários da residência para disputar provas em troca de prêmios, como dinheiro e redução da jornada de trabalho. Em uma das dinâmicas, os participantes precisavam procurar moedas de plástico dentro de vasos sanitários e lixeiras.
O MPT abriu investigação para apurar se o reality violava direitos trabalhistas ao expor publicamente os empregados e utilizar sua imagem com finalidade comercial. Os influenciadores participaram de uma audiência no início de julho, em Barueri (SP), onde foi firmado o acordo.
Segundo a procuradora do Trabalho Patrícia Mauad Patruni Isotton, o TAC representa uma oportunidade de conscientização sobre os direitos dos empregados domésticos.
"O acordo é resultado do diálogo entre o Ministério Público do Trabalho e os influenciadores, que demonstraram compreender a gravidade da situação e se comprometeram a reparar os danos causados. Mais do que encerrar o caso, esse é um momento de conscientização, inclusive para o público", afirmou.
Pelo acordo, Viih Tube e Eliezer se comprometem a não produzir nem divulgar conteúdos que exponham empregados domésticos ou outros trabalhadores a situações humilhantes ou vexatórias, ainda que haja consentimento dos participantes.
Também fica proibido exigir ou incentivar a participação de funcionários em realities ou produções semelhantes.
Caso algum trabalhador participe de futuros conteúdos audiovisuais, a adesão deverá ser totalmente voluntária, formalizada por escrito e sem qualquer prejuízo para quem optar por não participar.
O TAC também proíbe qualquer forma de retaliação contra empregados que recusarem convites ou denunciarem irregularidades.
Além da indenização, os influenciadores terão de publicar três vídeos educativos sobre os direitos dos empregados domésticos em suas redes sociais.
Em caso de descumprimento das obrigações previstas no acordo, a multa será de R$ 50 mil por cláusula violada, acrescida de R$ 5 mil por trabalhador prejudicado.
Vale destacar que a indenização não será paga diretamente aos trabalhadores envolvidos. O valor será destinado a um fundo público, como o Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD), para financiar projetos de interesse coletivo e prevenir novas violações.
O g1 procurou os influenciadores Viih Tube e Eliezer, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem.
Reality de Viih Tube e Eliezer terá prêmio de mais de R$ 20 mil
Reprodução/YouTube
'As Patroas', conheça o reality mal recebido pelos internautas
"Esse é o reality, literalmente, da nossa casa." Foi assim que Viih Tube anunciou, nas redes sociais, o reality "As Patroas", programa em que 11 funcionários da influenciadora e ex-BBB e de seu marido, Eliezer, disputariam um prêmio de R$ 20 mil.
O primeiro episódio foi publicado no dia 30 de junho, no canal da influenciadora no YouTube e nas redes sociais do casal. Menos de 24 horas depois, o conteúdo foi retirado do ar no Youtube após uma série de críticas relacionadas à exposição da relação entre empregadores e empregados.
Embora tenha sido removido do YouTube, o conteúdo continua disponível no Instagram e no TikTok. Alguns dias depois, no dia 2 de julho, Viih Tube e Eliezer publicaram o segundo episódio do reality, que aborda temas como a precarização do trabalho e a escala 6x1.
Seu chefe pode te filmar?
A repercussão do reality levantou uma discussão sobre os limites legais quando a relação de trabalho se transforma em entretenimento.
Afinal, até onde um empregador pode expor seus funcionários? É possível exigir a participação? Um termo de uso de imagem é suficiente? E se o trabalhador desistir das gravações?
Para a advogada trabalhista Paula Borges, especialista em Direito do Trabalho do Ferraz dos Passos Advocacia e Consultoria, o caso envolve duas relações distintas: o contrato de trabalho e a participação em um produto de entretenimento.
Segundo ela, o vínculo empregatício, por si só, não autoriza a exploração comercial da imagem do trabalhador.Termo de imagem não basta
De acordo com a especialista, um simples termo de autorização de uso de imagem não é suficiente para viabilizar esse tipo de iniciativa.
Segundo ela, seria necessário um contrato específico, separado do vínculo empregatício, prevendo a participação no reality, remuneração pelo uso da imagem, consentimento livre e informado do trabalhador e o cumprimento das regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Além disso, a participação deve ser efetivamente voluntária. "A atividade não faz parte das funções para as quais o trabalhador foi contratado. Por isso, a recusa não pode gerar punições, perda de benefícios ou até uma demissão. Qualquer consequência negativa na relação de emprego é ilegal", afirma.
O contrato de prestação de serviços não se estende à exploração da imagem sem relação com a função para a qual ele foi contratado. Como há proveito econômico direto para o empregador, é necessário um tratamento contratual específico, remunerado e separado do vínculo de emprego.
Termo de imagem não basta
De acordo com a especialista, um simples termo de autorização de uso de imagem não é suficiente para viabilizar esse tipo de iniciativa.
Segundo ela, seria necessário um contrato específico, separado do vínculo empregatício, prevendo a participação no reality, remuneração pelo uso da imagem, consentimento livre e informado do trabalhador e o cumprimento das regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Além disso, a participação deve ser efetivamente voluntária. "A atividade não faz parte das funções para as quais o trabalhador foi contratado. Por isso, a recusa não pode gerar punições, perda de benefícios ou até uma demissão. Qualquer consequência negativa na relação de emprego é ilegal", afirma.
Na avaliação da advogada, esse é justamente um dos pontos mais delicados do caso. "Na relação de trabalho, o funcionário pode sentir que precisa aceitar o convite por medo de desagradar o empregador ou sofrer alguma consequência, mesmo que ninguém faça uma ameaça direta. Por isso, a decisão de participar precisa ser realmente livre e sem qualquer tipo de pressão", completa.
Não quer participar? Funcionário pode desistir
Paula Borges afirma que o trabalhador pode desistir da participação a qualquer momento, já que o direito à imagem é um direito da personalidade e sua autorização pode ser revogada. Ela acrescenta que, caso o conteúdo exponha o funcionário a situações humilhantes ou constrangedoras, o empregador poderá responder judicialmente.
"A Justiça do Trabalho já possui entendimento consolidado de que obrigar empregados a participar de vídeos, brincadeiras ou situações potencialmente vexatórias extrapola os limites do poder diretivo do empregador e pode gerar indenização por danos morais", afirma.
Viih Tube esconde moeda de seu reality dentro do vaso sanitário.
Reprodução
Democratas pedem investigação sobre plano da Trump Media de vender acesso antecipado a posts de Trump

Donald Trump, presidente dos EUA, segura cópia impressa de uma de suas publicações na Truth Social, em 8 de julho de 2026
AFP/Saul Loeb
Os senadores democratas Elizabeth Warren e Adam Schiff solicitaram à SEC, órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos, que investigue se o plano da Trump Media de vender acesso antecipado às publicações do presidente Donald Trump nas redes sociais viola a legislação.
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O pedido consta em uma carta obtida pela Reuters. A Trump Media é a controladora da Truth Social, rede social criada por Trump.
Neste mês, a empresa anunciou um serviço de dados pago, chamado Truth API, que dará a corretoras acesso mais rápido às publicações das dez contas mais influentes da plataforma, entre elas a do presidente norte-americano.
A carta enviada pelos senadores nesta terça-feira aumenta a pressão sobre o novo produto e também sobre eventuais empresas de Wall Street que tenham adquirido o serviço. Na avaliação de fontes do mercado ouvidas pela Reuters, a iniciativa pode ampliar riscos legais, políticos e regulatórios.
Agora no g1
"Isso parece ser um abuso escandaloso do cargo de presidente para benefício pessoal, que prejudica os investidores comuns e a integridade dos mercados, ao mesmo tempo em que enriquece Wall Street e outros participantes privilegiados e abastados", escreveram Warren e Schiff em carta dirigida ao presidente da SEC, Paul Atkins.
Um porta-voz da SEC e o próprio Atkins — um republicano defensor do livre mercado indicado por Trump e que, em geral, tem adotado uma postura mais branda na fiscalização do mercado — confirmaram o recebimento da carta, mas se recusaram a comentar o assunto.
A Casa Branca encaminhou os pedidos de comentário à Trump Media, que não respondeu até o momento.
Acesso antecipado mediante pagamento
Segundo reportagens da Reuters e de outros veículos, a Trump Media discutiu cobrar até US$ 100 mil por mês pelo acesso ao Truth API.
As publicações de Trump nas redes sociais já provocaram oscilações no mercado financeiro, e a velocidade para acessar esse tipo de informação pode representar vantagem para corretoras, fundos de hedge e outras empresas que negociam ativos com base em notícias.
Trump, que controla cerca de 41% da Trump Media por meio de um fundo administrado por seus filhos, poderá ser beneficiado financeiramente pelo novo modelo de negócios. A empresa informou que já fechou contratos com clientes antes do lançamento oficial do serviço, previsto para 1º de agosto, mas não revelou os nomes dos compradores.
Na avaliação de Warren e Schiff, o Truth API é mais um exemplo da mistura entre os interesses empresariais de Trump e suas funções como presidente, levantando questionamentos éticos. Eles lembram que, no mês passado, Trump informou ter recebido mais de US$ 1,4 bilhão no último ano com os projetos de criptomoedas de sua família.
Embora empresas de tecnologia normalmente possam vender acesso antecipado a dados para clientes, mesmo que isso beneficie alguns participantes do mercado, especialistas em ética afirmam que o caso do Truth API é diferente. Isso porque as publicações de Trump podem conter informações de interesse público relacionadas ao exercício da Presidência, o que, segundo eles, exigiria divulgação ampla e simultânea.
Os senadores também destacaram que Trump já utilizou a Truth Social para recomendar ações de empresas como Citigroup, Intel e Palantir. Na avaliação deles, a comercialização de acesso antecipado a essas publicações pode aumentar o risco de uso de informação privilegiada e comprometer a confiança dos investidores na igualdade de condições do mercado.
OpenAI diz que ataque de sua IA atingiu mais alvos do que se sabia

OpenAI diz que ataque de sua IA atingiu mais alvos do que se sabia
Getty Images via BBC
A OpenAI, criadora do ChatGPT, revelou que o ataque cibernético realizado por alguns de seus modelos de inteligência artificial mais avançados atingiu mais de uma empresa.
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Acreditava-se que a Hugging Face, uma espécie de biblioteca digital de tecnologia muito usada por desenvolvedores, era a única vítima do ataque sem precedentes. Mas a OpenAI agora admitiu que seu bot atacou diversos "serviços disponíveis publicamente".
A IA descontrolada encontrou quatro logins online que lhe permitiram acessar quatro serviços distintos e não identificados.
Enquanto isso, em uma reunião de emergência com centenas de profissionais de segurança cibernética, a Hugging Face descreveu como foi estar do outro lado do primeiro ataque de IA totalmente autônomo do mundo.
Agora no g1
A empresa descreveu que a IA operou em velocidade sobre-humana, mas também tomou decisões estranhas e cometeu erros que nenhum hacker humano teria cometido.
A Hugging Face, que funciona como uma loja de aplicativos para ferramentas de IA, afirmou que os agentes hackers trabalharam incansavelmente com milhares de métodos diferentes testados simultaneamente.
A empresa revelou pela primeira vez que havia sido hackeada por alguém usando uma IA autônoma poderosa em 16 de julho e denunciou o caso à polícia.
Quase uma semana depois, a OpenAI admitiu que foi sua IA que escapou de um ambiente fechado e atacou a Hugging Face por conta própria durante um teste.
A IA estava tentando encontrar as respostas para um teste de hacking que havia sido elaborado pela OpenAI e atacou a Hugging Face.
Nesta quarta-feira (29/07), a OpenAI atualizou sua declaração para incluir o detalhe adicional de que o ataque foi além do que se pensava inicialmente.
"Os modelos identificaram e usaram credenciais expostas publicamente em nível de conta em outros serviços disponíveis publicamente. Isso inclui quatro contas em quatro serviços como parte do incidente com a Hugging Face", disse a empresa.
A OpenAI não esclareceu se, com "serviços disponíveis publicamente", estava se referindo a empresas.
Comportamentos desajeitados
Na terça-feira (28), a Cloud Security Alliance (CSA), associação do setor, publicou um relatório baseado em uma reunião de emergência com a Hugging Face realizada na semana anterior — relatório esse que a própria Hugging Face revisou.
"Os agentes seguiram rotas ineficientes e exibiram comportamentos desajeitados que nenhum humano escolheria", escreveu a CSA.
Ainda segundo o relatório, os agentes repetiram ações que já haviam concluído — um sinal de uma IA perdendo o fio da meada e o contexto.
Eles também teriam alucinado com uma série de comandos e textos incoerentes, agido de forma descuidada e não apagado seus rastros adequadamente.
Mas, em meio aos erros e comportamentos estranhos, a Hugging Face alertou que os agentes de IA também fizeram movimentos técnicos brilhantes e foram capazes de se adaptar rapidamente a novos cenários durante o ataque, que durou vários dias.
Jurassic Park
Foram necessários três dias para que os agentes fossem descobertos dentro da rede de TI da Hugging Face, e os especialistas em IA e segurança cibernética da empresa levaram várias horas para conter e expulsar os invasores — algo com que empresas comuns teriam dificuldades.
A empresa não revelou o custo do ataque, mas afirmou que a equipe trabalhou por muitas horas para reconstruir cerca de um terço de sua infraestrutura.
A Hugging Face foi elogiada por sua transparência ao relatar o ocorrido ao setor de IA e segurança cibernética.
A CSA alertou que o incidente demonstra que os agentes de IA "encontraram um meio" — uma referência à frase "a vida encontra um meio", dita pelo personagem Dr. Ian Malcolm, no filme Jurassic Park, em relação à capacidade da natureza de se adaptar.
"Eles são orientados por objetivos, definem suas próprias submetas, adaptam-se em tempo real para contornar defesas e operam com uma persistência na velocidade de uma máquina que pode sobrepujar operações manuais", diz o relatório.
OpenAI diz que ataque de sua IA atingiu mais alvos do que se sabia
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O oficial de segurança cibernética Ritesh Patel, que participou da reunião de emergência da Hugging Face com cerca de 450 outras pessoas, afirma que o setor está trabalhando arduamente para lidar com a nova ameaça de agentes de IA maliciosos.
"Esta é a realidade dos agentes autônomos movidos por modelos de ponta: eles são implacavelmente persistentes, às vezes extremamente ruidosos e tentarão todos os caminhos possíveis para atingir seu objetivo, o que pode facilmente sobrecarregar as defesas tradicionais", disse ele.
A hacker ética Valentina Palmiotti — mais conhecida como Chompie — analisou o relatório da CSA e afirma que a maneira como os agentes hackeiam pode parecer aleatória, mas é claramente eficaz.
"Eles lançam um monte de coisas e veem o que funciona", disse ela.
"Mas eles também não se entediam, não dormem e podem ser infinitamente tenazes."
Comportamento descontrolado
Esta não é a primeira vez que agentes de IA demonstram comportamento "descontrolado".
O relatório da CSA cita exemplos anteriores, como o de setembro de 2024, quando um modelo anterior do ChatGPT "escapou" para obter uma resposta necessária para outro teste.
Esse evento foi contido nos próprios sistemas de TI da OpenAI, observou a CSA.
Mas, segundo o documento, o comportamento "descontrolado" "é a norma, não a exceção".
O relatório também alerta os profissionais de segurança cibernética em todo o mundo sobre a necessidade de se adaptarem ao novo normal de enxames de agentes de IA trabalhando rapidamente de maneiras estranhas e desajeitadas, o que pode levar a mais violações de segurança.
O documento ainda instou pessoas que usam ou desenvolvem agentes de IA a serem responsáveis na forma como os controlam, defendendo alguma maneira para que os defensores da segurança cibernética descubram quem é o proprietário final dos agentes, a fim de aumentar a transparência.
Relatórios anteriores sugerem que a OpenAI levou quatro dias para perceber que sua IA havia hackeado a Hugging Face.
A OpenAI afirmou que divulgará em breve as conclusões de sua própria investigação para ajudar as pessoas a aprenderem com o ocorrido.
Reportagem adicional de Osmond Chia
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Brasil e Argentina já estiveram em guerra?

Caçadores brasileiros repelindo a cavalaria argentina na Batalha de Passo do Rosário, em tela de José Washt Rodrigues de 1937
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A rivalidade entre brasileiros e argentinos é recheada de episódios que transcendem as piadas, as provocações de parte a parte e o mundo do futebol.
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Muito antes das rusgas provocadas por declarações públicas do atual presidente de direita radical Javier Milei, os dois mais importantes países sul-americanos já lutaram em lados opostos em duas guerras, viveram tensões por conta de fronteiras e um século 20 de constantes estranhamentos e atritos — praticamente uma longa guerra fria, só plena e oficialmente pacificada com a assinatura do tratado que criaria o Mercosul, em 1991.
"Conflitos entre Brasil e Argentina remetem ao período em que ambos os países ainda não eram nações, quando portugueses e espanhóis, colonos, bandeirantes, jesuítas e povos originários, já conflitavam acerca de interesses principalmente na região da Bacia do Prata", lembra o historiador Victor Missiato, pesquisador no Instituto Mackenzie.
"Brasil e Argentina já estiveram em guerra, e foram duas", afirma o historiador Fábio Ferreira, professor na Universidade Federal Fluminense (UFF) e criador do canal no YouTube e da revista Tema Livre.
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Mas ele faz uma ressalva importante: na época, a Argentina ainda não era um Estado nacional constituído como hoje — e o Brasil era um império.
A primeira guerra de fato entre os dois países remonta a uma época em que o Brasil era um império recém-independente de Portugal e a Argentina ainda não havia se organizado em um Estado federativo — vivia uma longa guerra civil, concluída apenas em 1861 em consequência da sua independência da Espanha. Desta forma, oficialmente a contenda foi protagonizada pelo Império do Brasil contra as Províncias Unidas do Rio da Prata.
Embarque da Divisão de Voluntários Reais para a Cisplatina em 1816, em tela de Debret feita em1825
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O Uruguai como tampão
Esta pioneira disputa bélica entre Brasil e Argentina foi a Guerra da Cisplatina. Historiadores argentinos, aliás, costumam chamar o episódio de Guerra do Brasil ou de Guerra Argentino-Brasileira. O episódio ocorreu entre 1825 e 1828. Em disputa, estava o controle da Província Cisplatina, território hoje correspondente em grande parte ao Uruguai.
Em linhas gerais, a raiz da questão está no fato de que a Cisplatina havia sido incorporada pelo então Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, em 1821.
"A região estava em processo de intensa guerra civil desde 1810", diz Ferreira. O governo português havia conquistado a região porque se preocupava tanto com a navegação nos rios de lá quanto com a "própria integridade territorial" do Brasil, pontua o historiador. Os portugueses se aliaram com elites locais e puseram um governador em Montevidéu.
"Com a Independência do Brasil, houve uma divisão: para onde iria a Cisplatina", conta Ferreira. "Diversos grupos não queriam a manutenção do vínculo com o Império do Brasil."
Mas a anexação da região se manteve depois da independência brasileira de Portugal. Em 1825, contudo, uma insurreição sulista, organizada por um grupo chamado de Trinta e Três Orientais, proclamou a separação da província.
Ferreira explica que houve apoio do governo de Buenos Aires e campanhas militares buscando essa desvinculação do império brasileiro. Depois de apenas observar por um tempo, o imperador Pedro 1º (1798-1834) declarou guerra aos argentinos.
Passagem do Tonelero durante a Guerra do Prata (1851-52), em tela de Eduardo de Martino feita em 1880
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Pesquisador do período imperial brasileiro e autor de livros sobre personagens dessa época, o youtuber Paulo Rezzutti acredita que "a rivalidade histórica entre Espanha e Portugal" pelo controle do Rio da Prata acabou sendo herdada pelos países sul-americanos — e isso incensou o início do conflito cisplatino. "É a mesma rivalidade geopolítica histórica que acabou sendo incorporada pelas populações em geral", comenta ele.
Houve batalhas terrestres e operações navais no Atlântico Sul e no estuário platino. O desfecho veio com a interferência britânica — os ingleses tinham interesses comerciais no equilíbrio de poder regional. O resultado foi a criação de um novo país, o Uruguai.
"O acordo de paz, em 1828, criou o que depois se tornaria a República Oriental do Uruguai", diz Ferreira.
"Muitos chamam a solução de 'criação de um país-tampão', justamente para estancar a rivalidade entre Brasil e Argentina pelo controle da região do Prata", comenta Missiato.
Para ele, embora nenhum dos dois países tenha conquistado o território em disputa, a situação foi mais benéfica para a Argentina, que não só afastou o Brasil daquele entorno como passou a ter uma proximidade cultural e linguística maior com o novo país.
Contra Rosas
Entre 1851 e 1852, houve um novo conflito bélico que opôs Brasil e Argentina: a Guerra do Prata.
A contenda foi desencadeada pela ascensão do oficial militar Juan Manuel de Rosas (1793-1877) como ditador argentino e sua vontade de manter Paraguai e Uruguai sob suas esferas de influência, deixando o Brasil de escanteio — no horizonte de seus planos estava a eventual recriação de uma unidade política regional semelhante ao antigo Vice-Reinado da Prata.
Sob o pretexto de que isso feria a soberania do império, já que tais planos incluiriam terras da então província do Rio Grande do Sul, a corte do Rio de Janeiro declarou guerra. Formou-se uma aliança com Uruguai, Paraguai e forças argentinas contrárias ao ditador.
"Essa aliança pretendia derrubar o governo de Rosas", resume Ferreira. Depois de diversas batalhas, a de Monte Caseros, em 1852, marcou o fim da guerra, com vitória para os aliados contra os argentinos.
"Com isso, o Brasil evitou uma expansão territorial argentina que estava no radar do presidente Rosas", diz Missiato. O ditador deposto conseguiu fugir e exilou-se no Reino Unido, onde passaria o resto da vida.
Na década seguinte, ambos os países estiveram no mesmo time. Era a Guerra do Paraguai, conflito que durou de 1864 a 1870, em que Brasil, Argentina e Uruguai lutaram contra o Paraguai. Missiato lembra, entretanto, que nem tudo foi amizade entre brasileiros e argentinos — "houve conflitos diplomáticos" em diversos momentos entre os países.
Pelas fronteiras
O outro grande incidente entre os dois países data de um período em que ambos já eram Estados plenamente constituídos e republicanos.
Ferreira salienta que, se for considerado esse período em que ambas as nações estavam plenamente constituídas, também é possível dizer que Brasil e Argentina nunca estiveram em guerra armada. "Isso não significa que não houve desconfianças múltiplas e interesses conflitantes", ressalta.
Neste terceiro episódio, portanto, o atrito não chegou às armas. Entre 1890 e 1895, Brasil e Argentina empreenderam uma disputa pela posse de parte dos hoje Estados brasileiros de Santa Catarina e Paraná. O episódio ficou conhecido como Questão de Palmas. "Os dois países discordavam quanto aos limites territoriais", contextualiza Ferreira. "As fronteiras ainda estavam indefinidas."
Na realidade, não havia consenso sobre uma extensa área de terras no oeste desses Estados. Argentinos citavam o Tratado de Madri, de 1750, para argumentar que a fronteira seria no curso dos rios Chapecó e Chopim. O Brasil não concordava. Para demarcar posição, o governo imperial de Pedro 2º (1825-1891) mandou fundar ali duas colônias militares em 1882.
Depois da proclamação da República, o então ministro das Relações Exteriores Quintino Bocaiúva (1836-1912) chegou a assinar um acordo que previa a divisão da região entre as duas nações. Mas o documento acabou rechaçado pelo Congresso, que entendia que o diplomata havia extrapolado suas atribuições e cedendo demais ao país vizinho.
O caso foi submetido à arbitragem internacional e o encarregado de decidir foi o então presidente dos Estados Unidos, Grover Cleveland (1837-1908). Para defender os interesses brasileiros, foi nomeado o diplomata e advogado José Paranhos Júnior (1845-1912), o Barão do Rio Branco. "Ele teve papel fundamental para essa conquista", ressalta Missiato.
Rio Branco preparou um amplo arrazoado em seis volumes em torno do argumento de que, a partir do princípio do uti possidetis — ou seja, quem de fato ocupa, tem a posse — aquelas terras deveriam ser consideradas brasileiras. Vitória do Brasil.
Passagem do Tonelero durante a Guerra do Prata (1851-52), em litografia de Alejandro Bernheim e Carlos Penutti
Domínio público
Quase guerra
Ao longo do século 20 a relação entre os dois países também teve episódios de atritos mais intensos. "Mas as coisas ganharam contornos mais burocráticos e diplomáticos", diz Missiato.
"No início do século passado, quando o Brasil empreendeu seu rearmamento naval, houve insatisfação de setores políticos argentinos. Mas isso não significou rompimento nas relações", lembra Ferreira.
Mas quase houve guerra. Conforme conta a historiadora Érica Cristina Alexandre Winand, em sua tese de doutorado defendida em 2010 na Universidade Estadual Paulista (Unesp), o episódio ocorreu na presidência de Figueroa Alcorta, entre 1906 e 1910, quando foi ministério das Relações Exteriores da Argentina o jurista Estanislao Zeballos (1854-1923) — "declarado antibrasileirista", ressalta ela.
Utilizando-se do jornal do qual havia sido um dos fundadores, o La Prensa, ele patrocinou uma campanha de hostilidades ao Brasil, argumentando que o "ultraprotecionismo" econômico que estaria sendo praticado pelos brasileiros estava "desmoronando a economia" da Argentina.
Em carta do próprio Zeballos, ele admitia que havia sugerido ao governo argentino que formalizasse um pedido de "partilha da esquadra" brasileira e, em caso de negativa ou de não resposta em oito dias, o Rio de Janeiro seria invadido. "Segundo os ministros da Guerra e da Marinha era um ponto estudado e fácil, pela situação indefesa do Brasil", escreveu ele.
O ministro foi forçado a renunciar. "Até o apaziguador Rio Branco estava consciente de que a alternativa à saída de Zeballos era a guerra contra a Argentina", diz a historiadora, na tese.
Tensões, Itaipu e energia nuclear
Durante a Segunda Guerra, quando o Brasil se alinhou ao lado dos Aliados, em 1942, houve animosidades. Os argentinos desconfiavam que o Brasil fosse um títere dos norte-americanos a buscar influências no sul. A Argentina só deixaria a neutralidade na Segunda Guerra em 1944 — também contra o Eixo. "Eles nos viam como espécie de agentes dos Estados Unidos na América do Sul", comenta o historiador Ferreira.
Outro momento de intensas rusgas foi quando o Brasil construía a Usina de Itaipu, de 1975 a 1982. Nos escaninhos dos poderes, circulava o temor de que, em eventual conflito, os brasileiros poderiam abrir as comportas da usina completamente — e isso supostamente inundaria Buenos Aires.
Para o historiador Missiato, foi um momento de tensão diplomática que gerou uma corrida discursiva e tecnológica. Era um período em que ambos os países desenvolviam seus programas nucleares — para fins meramente de utilizar a tecnologia para obtenção de energia elétrica, ressalte-se.
Mas, nessa verdadeira guerra fria entre Brasil e Argentina, não faltavam desconfianças de parte a parte. Diversas tratativas diplomáticas e conversas entre lideranças foram necessárias. Como diz a historiadora Winand, "fazia-se premente ampliar as bases da confiança mútua e da transparência neste campo, a fim de eliminar suspeitas de agressão mútua". Em sua tese, ela classifica a questão nuclear entre os dois países de "sutil".
Ferreira ressalta que as disputas entre Brasil e Argentina também sempre tiveram em seu cerne o desejo de ambos os países de "influenciar os destinos dos vizinhos", assumindo posição de hegemonia no continente sul-americano.
"Tudo parecia resolvido com a redemocratização", afirma Missiato, lembrando que os então presidentes brasileiro José Sarney e argentino Raúl Alfonsín (1927-2009) iniciaram a aproximação que desencadearia no Mercosul na década seguinte.
A amizade entre Brasil e Argentina seria selada em 1991, finalmente. "A rivalidade histórica se diluiu após o tratado", afirma Missiato.
Resta saber se resistirá ao episódio desencadeado pelas farpas do atual presidente argentino. "Menos de 100 anos depois da Questão de Palmas houve a assinatura do Mercosul. Se analisarmos do ponto de vista historiográfico, em um período relativamente curto, passamos a estar unidos", analisa Ferreira. "Que a rivalidade entre Brasil e Argentina se restrinja apenas ao futebol."
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Alerta de tempestade e ventania: saiba se o seguro do seu carro cobre danos nesses casos

Carros presos em alagamento em Santo André, na Grande SP
Reprodução/TV Globo
A Defesa Civil do Estado de São Paulo enviou um alerta severo para a região após os ventos ultrapassarem o previsto. E o Centro de Monitoramento da Defesa Civil Estadual (CMDEC) divulgou nesta terça-feira (28) um Aviso Hidrometeorológico para inundações de cidades às margens de cinco rios do Rio Grande do Sul para os próximos dias.
O g1 falou com especialistas para entender quais são os direitos do motorista ao acionar o seguro em casos de danos causados pela chuva e desastres naturais.
Para o mercado segurador, o período de chuvas é marcado por um aumento no volume de sinistros (casos em que ocorre um prejuízo ao bem segurado que esteja especificado na apólice) e de indenizações — principalmente no que diz respeito aos seguros de automóveis.
Mas alguns acidentes ou ocorrências podem não estar cobertos pelo seguro. Tudo depende do que o cliente contratou e de como o dano aconteceu.
Previsão de chuva forte e inundação para o Rio Grande do Sul
Quais os tipos de cobertura existentes em um seguro automóvel?
O seguro automóvel é um tipo de proteção patrimonial, que pode ser contratada diretamente com uma seguradora, com uma corretora de seguros ou com um corretor registrado na Superintendência de Seguros Privados (Susep).
Esse produto serve para proteger o carro segurado de eventuais prejuízos que possam acontecer no dia a dia, como uma colisão entre veículos ou casos de roubo, furto ou enchentes.
Existem vários tipos de cobertura que podem ser contratadas em um seguro automóvel. O seguro total (também conhecido pelo setor como seguro compreensivo) é a opção mais completa — e mais cara — oferecida pelo mercado.
Normalmente, essa opção costuma oferecer cobertura contra:
Colisão (perda total ou parcial);
Colisão com seguro contra terceiros;
Roubo e furto;
Desastres naturais; entre outros.
E é a cobertura contra desastres naturais que costuma indenizar os segurados nos períodos de chuva. Ela pode incluir proteção contra danos causados por enchentes, chuvas de granizo, quedas de árvores ou muros e ventos fortes, por exemplo.
É preciso, no entanto, que o cliente esteja atento na hora da contratação do seguro para ter certeza de quais riscos e danos estão previstos na apólice.
“O mercado segurador cada vez mais tem os chamados produtos de entrada, que eventualmente têm algum tipo de restrição de cobertura, mas ajudam a resolver os problemas mais procurados pelos clientes”, disse o diretor de automóvel da Porto Seguro, Jaime Soares.
“Mas o preço do seguro às vezes fica muito barato exatamente porque vem com restrição de cobertura. Então é fundamental que o consumidor entenda qual oferta está recebendo”, acrescentou.
Os chamados seguros de entrada são produtos mais baratos, que possibilitam a personalização pelo cliente. Nesse caso, o segurado opta por quais coberturas gostaria de ter em seu veículo e paga o preço proporcional.
Quais os danos normalmente cobertos pela apólice?
Os danos que podem ser indenizados pela apólice dependem das coberturas compradas pelo cliente na hora da contratação do seguro.
São chamados de sinistros todos os acidentes ou ocorrências que estejam especificados na apólice. É nesse documento que estão registrados os direitos e obrigações do segurado e da seguradora, bem como as informações do seguro contratado, as coberturas e franquias.
Caso o seu carro fique preso em uma enchente devido às chuvas e sofra algum dano, por exemplo, é preciso que você tenha contratado a cobertura contra desastres naturais para que seu caso seja considerado um sinistro e você possa pedir indenização à seguradora.
Mas, se o seu seguro só cobre casos de colisão entre veículos ou de roubo e furto, você pode ter que arcar com o prejuízo.
O cliente pode avisar a seguradora que houve um sinistro em até um ano da ocorrência. Depois desse prazo, o segurado perde o direito à indenização.
Além disso, há responsabilidade dos clientes em não gerar o chamado agravante de risco. Segundo a vice-presidente da comissão de seguro automóvel da Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg), Keila Farias, agravar o risco é aumentar a probabilidade de ocorrência de dano no bem segurado.
“No caso de uma enchente, por exemplo, agravar o risco seria tentar passar com o carro em uma rua que está alagada e impedida para o trânsito”, exemplificou.
Nesses casos, ao tentar passar por uma rua alagada, que esteja com água na metade da altura do pneu para cima, o veículo tende a perder a aderência no asfalto, aumentando o risco de dano. Caso isso aconteça, o segurado corre o risco de ter que arcar com o prejuízo, mesmo tendo contratado a cobertura contra enchentes e inundações.
“Se você tenta passar o carro por uma rua que esteja alagada, primeiro você está colocando em risco sua própria vida. E, se for comprovado [que o cliente tentou passar pela via alagada], a pessoa acaba perdendo a cobertura, já que forçou uma situação [de dano]”, afirmou Soares, da Porto.
Veja técnica para 'ressuscitar' carro com sujeira incrustada
Quanto custa um seguro automóvel?
O preço desse produto varia conforme a quantidade de coberturas contratadas na apólice – assim, quanto mais coberturas, mais caro tende a ficar o seguro. Além disso, esse custo também pode variar a depender:
da idade e do gênero do condutor;
da região em que ele mora e trabalha;
do tipo de carro; entre outros condicionantes.
Em abril de 2026, os preços do seguro de automóveis recuaram 2,2% em comparação ao ano anterior. Os números são do Índice de Preços do Seguro de Automóvel (IPSA), elaborado pela TEx, plataforma de inteligência de dados.
Como acionar o seguro auto em caso de sinistro?
A principal maneira de acionar o seguro do carro em caso de sinistro é contatando a seguradora por um de seus canais de comunicação. A forma mais comum é pelo telefone, disponibilizado no site oficial da seguradora ou na apólice.
Algumas seguradoras já fazem toda a comunicação com o cliente, incluindo o acionamento do sinistro, por meio de aplicativos de mensagem.
Nos casos em que o carro fica preso em uma enchente, os especialistas orientam a redobrar a atenção e tentar encontrar um lugar seguro para abrigo.
“A principal orientação é evitar regiões de risco e picos de alagamento”, disse Farias, da Fenseg.
“Mas se foi inevitável e a situação acabou acontecendo, a pessoa precisa tentar sair do carro em segurança, e esperar baixar a água em um lugar seguro. Ele pode até tentar avisar a seguradora na hora, mas dificilmente será possível tirar o carro antes de a água baixar”, completou. “Depois é só esperar o guincho chegar.”
Mais de mil profissionais da indústria de IA pedem freio no avanço da tecnologia; temor é perder o controle

Modelo de IA da OpenAI agiu por conta própria e lançou ataque
Mais de mil funcionários das principais empresas de Inteligência Artificial, incluindo o CEO da Anthropic, Dario Amodei, assinaram uma petição para que o governo dos Estados Unidos ajude a frear a publicação dos modelos mais avançados de IA.
A petição, com o título "Pacing the frontier", solicita que "o governo dos Estados Unidos apoie um esforço internacional para desenvolver as ferramentas técnicas e de governança necessárias para controlar deliberadamente o ritmo da fronteira do desenvolvimento da IA automatizada".
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Entre os signatários estavam o diretor de pesquisas da OpenAI, o líder de estratégia da DeepMind, empresa de IA subsidiária do Google, e o cientista-chefe da Meta AI.
"As empresas líderes em IA no mundo acreditam que podem estar perto de automatizar a pesquisa em IA. É difícil prever exatamente o quanto isto vai acelerar o progresso da IA, mas há um risco real de que a capacidade de desenvolvimento avance além da nossa habilidade de compreender ou controlar os sistemas resultantes", afirma a petição.
➡️Embora Sam Altman, CEO da OpenAI, não tenha assinado a petição, ele afirmou em uma entrevista publicada na terça-feira que os desenvolvedores de modelos de IA terão que frear voluntariamente os rápidos avanços para que a sociedade possa acompanhá-los.
IA agindo por "conta própria" reforçou o alerta
A empresa de Altman, que desenvolveu o ChatGPT, observou recentemente dois de seus modelos executando ciberataques de forma autônoma, contornando os protocolos de segurança concebidos para evitar tais incidentes.
A OpenAI revelou na semana passada que, durante testes recentes, dois modelos saíram de seu ambiente de confinamento, conectaram-se à internet e invadiram o Hugging Face, um repositório de código compartilhado de IA.
"Talvez precisemos controlar o ritmo do desenvolvimento da IA para dar tempo suficiente para que a sociedade se consolide em torno de alguns destes novos níveis de capacidade" declarou Altman no podcast "Invest like the best", publicado na terça-feira.
"Este é o primeiro tipo de incidente de segurança que eu senti de forma muito visceral", declarou sobre o ciberataque. Relembre o caso na matéria abaixo:
Dólar e Ibovespa fecham em queda, após Fed manter juros inalterados

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar fechou em queda nesta quarta-feira (29), com um recuo de 0,27%, cotado a R$ 5,1080. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, teve perdas de 1,52%, aos 173.885 pontos.
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▶️ A nova decisão de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) foi o principal destaque da sessão. A instituição manteve a taxa inalterada na faixa de 3,50% e 3,75% ao ano, no menor nível desde setembro de 2022. A decisão veio em linha com o esperado pelo mercado e marcou a quinta reunião seguida em que o BC americano deixou os juros no mesmo nível. Saiba mais.
▶️ As tensões no Oriente Médio também seguiram no radar. Na véspera, o Irã acusou os EUA de ter bombardeado o seu território. A acusação acontece um dia após a guarda Revolucionária iraniana ter lançado um ataque surpresa contra uma base americana na Jordânia.
Com o novo aumento das tensões, os preços do petróleo voltaram a subir. O barril do Brent, referência internacional, teve alta de 8,25%, cotado a US$ 91,03. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, subiu 7,09%, a US$ 84,88 o barril.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: +0,53%;
Acumulado do mês: -1,06%;
Acumulado do ano: -6,94%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: +0,08%;
Acumulado do mês: +1,26%;
Acumulado do ano: +7,92%.
Tensões renovadas no Oriente Médio
O Irã acusou os Estados Unidos de ter lançado um bombardeio contra seu território nesta quarta-feira (29). Caso confirmado, o ataque seria o primeiro feito pelos EUA contra o Irã nesta semana. Segundo Teerã, a cidade de Piranshahr, no noroeste, foi atingida.
A acusação ocorre um dia após a Guarda Revolucionária iraniana ter lançado um ataque surpresa contra uma base americana na Jordânia, rompendo um período de alguns dias sem ataques no Oriente Médio. Segundo o Exército dos EUA, todos os mísseis iranianos foram interceptados.
"Às 17h45 ET de hoje (18h45 em Brasília), forças da Guarda Revolucionária Islâmica lançaram vários mísseis balísticos a partir do Irã em uma tentativa de ataque surpresa contra forças dos EUA baseadas no Oriente Médio. Todos os mísseis iranianos foram interceptados com sucesso. As forças dos EUA permanecem vigilantes e em alto estado de prontidão", disse uma nota divulgada pelo Comando Central (CentCom) americano.
Em resposta, os EUA e a Arábia Saudita lançaram ataques em conjunto contra militantes pró-Irã baseados no Iraque. Na madrugada desta quarta (29), a Autoridade de Mobilização Popular do Iraque disse que registrou diversas mortes e feridos nos ataques.
Com isso, as preocupações sobre os efeitos diretos e indiretos da guerra voltam a tomar conta dos mercados. O principal temor é que o conflito continue a limitar o tráfego no Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo —, limitando a oferta global da commodity.
O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial
Bolsas globais
Em Wall Street, os principais índices americanos operavam mistos, conforme investidores repercutiam a decisão de juros do Fed.
No fechamento, o Dow Jones teve queda de 2,14% e o S&P 500 caiu 1,50%, enquanto o Nasdaq Composite recuou 0,48%.
Já na Europa, a maioria das bolsas fechou em queda, conforme investidores seguiam cautelosos com o quadro de juros nos EUA e novos resultados corporativos de empresas de tecnologia. O índice pan-europeu STOXX 600 caiu 0,30%, aos 645,01 pontos.
Entre os principais índices da região, o DAX, da Alemanha, recuou 0,01%, enquanto o CAC-40, da França, teve perdas de 0,60%. O FTSE 100, do Reino Unido, avançou 0,14%.
Na Ásia, as ações chinesas fecharam em alta, conforme investidores passaram a se concentrar em setores voltados para o consumo.
O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, subiu 2%, enquanto o Índice de Xangai, o SSEC, avançou 0,70%.
Entre os demais índices da região, o Hang Seng, de Hong Kong, teve alta de 2%. Na contramão, o Nikkei, do Japão, recuou 1,49% e o Kospi, da Coreia do Sul, teve uma desvalorização de 5,89%.
*Com informações da agência de notícias Reuters.
Notas de dólar.
Luisa Gonzalez/ Reuters
Anac limita venda de passagens de empresa argentina após cancelamento de 79% dos voos no Brasil

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou nesta quarta-feira (29) ter limitado a venda de passagens da companhia aérea argentina Flybondi no Brasil após identificar uma sequência de cancelamentos de voos, redução das operações e problemas no atendimento aos passageiros.
A decisão foi tomada por meio de medida cautelar e entrou em vigor nesta quarta. Segundo a agência, entre 1º e 27 de julho, a empresa cancelou 79% dos voos registrados no país.
De acordo com a Anac, a fiscalização apontou indícios de deterioração da capacidade operacional da companhia e riscos de prejuízos aos consumidores.
Com a medida, a Flybondi fica impedida de vender passagens para destinos brasileiros ainda não atendidos efetivamente por sua operação: Florianópolis (SC), Maceió (AL) e Salvador (BA) (leia mais abaixo).
Agora no g1
Além disso, a empresa não poderá ampliar a malha aérea cadastrada junto à Anac. Na prática, a companhia está proibida de incluir novos destinos, frequências ou operações no Brasil.
A agência também determinou a suspensão da venda de passagens para a rota Buenos Aires-Rio de Janeiro (Galeão) a partir de 3 de agosto de 2026, caso a empresa não comprove, até essa data, a adoção de ajustes operacionais capazes de garantir a regularidade do serviço.
Avião da companhia aérea low cost FlyBondi, da Argentina
Divulgação
Motivos da decisão
Segundo a Anac, o monitoramento das operações identificou uma sequência de cancelamentos de voos, divergências entre a programação cadastrada e os voos efetivamente realizados e aumento no número de reclamações de passageiros.
Os dados analisados pela agência também indicam queda contínua na quantidade de operações realizadas pela companhia ao longo de 2026 e aumento dos cancelamentos.
A fiscalização apontou ainda problemas relacionados ao atendimento aos consumidores, incluindo dificuldades nos canais de comunicação, reclamações sobre reembolsos, alterações de voos e assistência a passageiros afetados.
Passagens já emitidas
A decisão não afeta as passagens já compradas pelos passageiros.
Em caso de cancelamento de voo, a Flybondi continua responsável pela assistência aos clientes e por oferecer opções de reacomodação gratuita ou reembolso integral. Segundo a Anac, o reembolso deve ser feito em até sete dias após a solicitação.
Restrição pode ser revista
A Anac informou que a restrição poderá ser revista ou revogada caso a companhia apresente medidas capazes de restabelecer a regularidade das operações e afastar os riscos identificados pela fiscalização.
Segundo a agência, a análise levará em conta documentos e informações que comprovem capacidade operacional, atendimento adequado aos passageiros e cumprimento das obrigações regulatórias.
A Flybondi é uma companhia aérea de baixo custo da Argentina e opera rotas entre cidades argentinas e destinos brasileiros.
A empresa já foi alvo de medidas da Anac anteriormente relacionadas a atrasos e cancelamentos em suas operações no Brasil.
BMW vai cortar milhares de empregos na Alemanha até 2027

Logotipo da BMW em veículo exibido no Salão Internacional do Automóvel de Pequim (Auto China), em Pequim, na China.
Reuters
A BMW anunciou nesta quarta-feira (29) que vai cortar milhares de empregos na Alemanha até o fim de 2027 por meio de um programa de demissão voluntária.
A empresa é a mais recente montadora alemã a reduzir seu quadro de funcionários diante da queda dos lucros e da demanda fraca.
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O programa de desligamento, negociado entre a montadora e o conselho de trabalhadores, será direcionado às áreas de administração e desenvolvimento, sem atingir as operações de produção, informou um porta-voz da empresa.
Segundo uma fonte familiarizada com o assunto, o número total de funcionários deve ser reduzido em cerca de 8 mil pessoas.
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Com sede em Munique, a BMW emprega atualmente cerca de 150 mil pessoas em todo o mundo.
Outras montadoras alemãs, como Volkswagen e Mercedes-Benz, também anunciaram acordos para eliminar dezenas de milhares de postos de trabalho.
O setor automotivo do país enfrenta pressão devido aos altos custos da transição para veículos elétricos, à forte concorrência das fabricantes chinesas e às tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Na segunda-feira (27), a Porsche, que faz parte do Grupo Volkswagen, ampliou seu plano de reestruturação e anunciou que pretende reduzir cerca de 20% de sua força de trabalho até 2035.
Também nesta quarta-feira, milhares de trabalhadores protestaram na fábrica da Audi em Neckarsulm, outra marca do Grupo Volkswagen. A unidade está entre as quatro fábricas alemãs ameaçadas de fechamento pelos planos de reestruturação da empresa.
Trabalhadores protestam em fábrica da Audi, em Neckarsulm, na Alemanha, uma das unidades ameaçadas de fechamento pelos planos de reestruturação da controladora Volkswagen.
Reuters
A BMW, que até recentemente era vista como uma das montadoras mais estáveis do setor, reduziu em junho sua previsão de lucro para este ano, citando um desempenho na China abaixo do esperado. As vendas de veículos no país vêm caindo acentuadamente nos últimos meses.
Após esse anúncio, o presidente-executivo, Milan Nedeljkovic, afirmou que a empresa aceleraria e intensificaria seus esforços para reduzir custos.
Nesta quarta-feira, durante uma assembleia de trabalhadores em Munique, Nedeljkovic disse aos funcionários que as regras do setor automotivo mudaram de forma significativa e, com isso, também mudou a base do modelo de negócios da BMW, segundo um participante da reunião.
O executivo alertou que a empresa enfrentará um período desafiador, mas afirmou que as medidas são necessárias para tornar a BMW mais lucrativa, de acordo com a fonte.
A montadora divulgará os resultados do segundo trimestre nesta quinta-feira (30).
Benefícios do PIX superam custos impostos ao Brasil pelas tarifas de Trump, diz Nobel de Economia

Joseph Stiglitz foi economista-chefe do Banco Mundial e ganhador do prêmio Nobel de Economia em 2001
AFP VIA GETTY IMAGES
Para o economista americano Joseph Stiglitz, ganhador do Nobel de Economia e professor da Universidade Columbia, as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil são motivadas por uma tentativa de punir o país por buscar maior independência digital e por resistir a pressões políticas externas.
Em entrevista à BBC News Brasil, ele afirma que o governo de Donald Trump se opõe ao avanço da autonomia tecnológica e financeira brasileira e, mais especificamente, ao PIX.
Segundo Stiglitz, Washington "não gosta da ideia de que o Brasil tenha seu próprio sistema de pagamentos, independente da Visa e da Mastercard", e está, na prática, defendendo os interesses corporativos americanos ao incluir o PIX na lista de motivos para taxar as exportações brasileiras.
Apesar da escalada das tensões, ele avalia que os custos econômicos das tarifas tendem a ser limitados e faz uma defesa enfática do PIX, afirmando que os benefícios proporcionados pelo sistema de pagamento brasileiro são "quase certamente muito maiores" do que os prejuízos decorrentes das medidas americanas.
O Nobel de Economia afirma ainda que o presidente americano está usando barreiras comerciais para pressionar países que resistem aos seus interesses políticos e econômicos, entre eles o Brasil.
"Na visão de Trump, é uma audácia se levantar e dizer 'não vamos abrir mão da nossa democracia só para obter melhores condições tarifárias, não vamos capitular'. E ele espera que todos, internacionalmente e internamente, capitulem", diz o economista.
"E eu preciso parabenizar o Brasil por não ter capitulado."
Preciso parabenizar o Brasil por não ter cedido às pressões de Trump, disse Nobel de Economia
ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/AFP via Getty Images/BBC
Na conversa com a BBC News Brasil, Joseph Stiglitz ainda classificou as justificativas apresentadas pelo governo de Donald Trump como uma "farsa desonesta" e sustentou que a estratégia tarifária americana pode acabar enfraquecendo a posição dos Estados Unidos e fortalecendo a influência da China na economia global.
Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista.
BBC News Brasil - Na sua visão, as tarifas implementadas pelos Estados Unidos contra o Brasil são baseadas nas conclusões pragmáticas obtidas por meio das investigações sobre práticas comerciais e combate ao trabalho forçado ou existem também motivações políticas?
Joseph Stiglitz - É tudo uma questão política. Não se trata, especialmente, da suposta questão do trabalho forçado, que é uma vergonha para os Estados Unidos. Enquanto alguns países tiveram aumento de 1%, outros tiveram redução de 1% ou 2% [em relação às tarifas impostas previamente, derrubadas pela Suprema Corte]. É incrível que haja esse grau de correlação entre o extenso trabalho forçado ao redor do mundo e as tarifas que Trump impôs, que não têm nada a ver com trabalho forçado. É uma farsa. Uma farsa desonesta que deveria ser motivo de vergonha.
Há outros aspectos interessantes: grande parte do trabalho forçado está associado à importação de mercadorias da China, na região de Uigur, mas a China não teve um aumento significativo ou maior que o de outros países, foi de 1% ou 2%. Seria de se esperar que, se a preocupação fosse realmente com o trabalho forçado, as tarifas mais altas fossem contra a fonte do trabalho forçado na China. Mas não foi o caso.
Há ainda mais constrangimento: os Estados Unidos submetem cidadãos americanos a trabalho forçado em larga escala, utilizando prisioneiros. Isso é permitido pela 13ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos, e é algo muito extenso e significativo. No entanto, ele [Trump] não está fazendo nada a respeito. Portanto, fica muito claro: não se trata de trabalho forçado. Trata-se da agenda política de Trump associada à imposição de tarifas em todo o mundo.
Agora, no caso do Brasil, há alguns aspectos específicos. Ele [Trump] não gosta da ideia de que o Brasil deseje ter, digamos… independência digital. Ele não gosta da ideia de que o Brasil tenha seu próprio sistema de pagamentos, independente da Visa e da Mastercard. Ou seja, ele está simplesmente servindo aos interesses corporativos americanos. Novamente, é constrangedor.
[As tarifas] não se baseiam nos princípios comerciais estabelecidos há muito tempo, são apenas um ataque ao Brasil porque, assim como a Índia e vários outros, o país decidiu que é bom ter meios de pagamento de baixo custo disponíveis para seus cidadãos.
Há outro elemento no Brasil, que remonta às tarifas impostas originalmente e que é totalmente político. Trump queria apoiar Jair Bolsonaro, que em 8 de janeiro [de 2023] fez algo análogo ao que ele fez em 6 de janeiro [de 2021], tentando impedir a transição pacífica de poder, o elemento essencial de uma democracia. Então, Trump está mais uma vez dizendo que não acredita realmente na democracia.
BBC News Brasil - Essa combinação de fatores também fez com que o Brasil fosse o primeiro país a ser atingido por essa nova onda de tarifas?
Stiglitz - Sim, acho que demonstra animosidade contra o Brasil. Pode-se dizer que, na visão dele [Trump], é uma audácia se levantar e dizer 'não vamos abrir mão da nossa democracia só para obter melhores condições tarifárias, não vamos capitular'. E ele espera que todos, internacionalmente e internamente, capitulem. Nos Estados Unidos, minha própria universidade capitulou. Harvard não. Alguns escritórios de advocacia capitularam, outros não. E eu preciso parabenizar o Brasil por não ter capitulado.
BBC News Brasil - Nas redes sociais, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que as tarifas seriam consequência do comportamento do presidente Lula, que teria priorizado o seu próprio ego em detrimento de um acordo. Qual a sua opinião sobre esses comentários?
Stiglitz - Bem, Rubio está defendendo Trump. Mas, de certa forma, [as tarifas] foram uma consequência do Brasil se opor a Trump. E Trump não gosta que as pessoas o enfrentem. Ele atacou [a universidade de] Harvard quando ela se opôs, quando não capitulou.
Mas, por outro lado, ele não atacou a China, porque a China estava disposta a enfrentá-lo e, pode-se dizer, tinha as cartas na manga no controle das terras raras e minerais, e estava disposta a usar essas vantagens estratégicas.
Mas eu acho que o mundo como um todo, a União Europeia [UE], o Reino Unido, o Japão, cometeram um grande erro ao capitular aos caprichos de Donald Trump. Isso é ruim para a nova ordem nacional. Aqui na Europa, o único país que não capitulou fortemente foi a Espanha. Ele ameaçou aplicar tarifas especiais, mas não o fez, pois é muito difícil para ele fazer isso, por causa da participação da Espanha na UE. Mas esse tipo de protesto contra aqueles que não capitulam é o que se espera de uma figura autoritária como Donald Trump.
"Os benefícios do sistema de pagamentos que ele quer destruir [Pix] são quase certamente muito maiores do que os custos que estão sendo impostos ao Brasil", diz Stiglitz sobre tarifas dos EUA
Marcello Casal Jr/Agência Brasil
BBC News Brasil - Quais poderiam ser as consequências econômicas dessa nova onda de tarifas para o Brasil?
Stiglitz - Na maior parte dos casos, não acho que haverá um impacto tão grande quanto os Estados Unidos esperam e quanto Trump deseja. O motivo é que grande parte das exportações brasileiras são commodities e, quando um país aplica tarifas contra commodities, estas são redirecionadas. Então, se os EUA não compram determinada commodity do Brasil, o Brasil envia mais para outro país, e esse país compra um pouco menos de um terceiro país. Portanto, trata-se de um rearranjo dos fluxos comerciais. Isso interfere na eficiência global, mas o efeito líquido é relativamente pequeno. E é por isso que o Brasil não deve se preocupar demais.
E os benefícios do sistema de pagamentos que ele quer destruir [PIX] são quase certamente muito maiores do que os custos que estão sendo impostos ao Brasil. E não há a menor possibilidade de um país abrir mão da sua democracia simplesmente porque uma figura autoritária como Donald Trump diz que, a menos que você faça isso, ele vai impor tarifas. A democracia é muito mais importante. E sabemos que Donald Trump está atropelando o Estado de Direito e a democracia, tanto em âmbito nacional quanto internacional.
BBC News Brasil - E considerando que agora outros 59 parceiros comerciais dos EUA também foram alvo de tarifas, quais poderiam ser as consequências em todo o mundo?
Stiglitz - Se observarmos o padrão das tarifas impostas, veremos que, com algumas exceções, como o Brasil, há pouca diferença em relação ao que já existia antes, o que não representará um trauma adicional para a ordem global.
Trump minou a arquitetura econômica global e a ordem global, e acho que isso tem um custo enorme. Aliás, devo acrescentar que não apenas as tarifas originais foram declaradas ilegais nos Estados Unidos pela Suprema Corte, mas também as tarifas que ele impôs posteriormente, que expiraram agora, e para as quais as novas tarifas servem de substitutas, também foram declaradas ilegais. E eles persistiram porque o processo piloto continuou.
Mas, assim como as primeiras tarifas tiveram que ser reembolsadas, as segundas tarifas também terão que ser reembolsadas. E há muitos questionamentos, processos já foram movidos... É muito claro que essas tarifas não seguem as intenções da Seção 301, ele está usando isso como uma lenda. Mas espero que os tribunais percebam que, ao fazer isso, ele não está realmente administrando a lei da maneira correta. É mais um exemplo de Trump atropelando o Estado de Direito.
BBC News Brasil - A atual estratégia americana pode estar empurrando os parceiros comerciais dos EUA para a China?
Stiglitz - Ela está mudando a ordem global, não apenas a econômica, mas também a política, e está fortalecendo a posição da China, sem dúvida. Os Estados Unidos não são mais um aliado confiável ou um parceiro comercial confiável. Quanto mais dependente dos Estados Unidos um país está, mais vulnerável se torna aos caprichos de Donald Trump. Portanto, nenhum país racional desejaria se tornar dependente dos Estados Unidos, seja para insumos, produtos ou qualquer outro propósito. Ironicamente, na área de relações internacionais, a China provou ser mais estável e mais aderente ao Estado de Direito.
BBC News Brasil - O fato de essas tarifas serem relativamente menos agressivas do que as que ele anunciou no ano passado diz algo sobre o poder e os limites da estratégia do governo Trump?
Stiglitz - A maioria dos americanos agora acredita, corretamente, que as tarifas são pagas pelos próprios consumidores americanos. Isso significa que, ao contrário de Trump, que diz que são os outros países que estão pagando, eles sabem que estão pagando por isso. Considerando o aumento de preços resultante da guerra com o Irã, os americanos não estão satisfeitos com as políticas econômicas do governo Trump.
Portanto, obviamente houve uma ampla reação negativa. Da mesma forma, o Congresso, pela Constituição, tem o direito exclusivo de impor impostos — e tarifas são impostos, são impostos para produtos importados. E ele [Trump] está tentando fingir que essa autoridade foi delegada a ele, o que não é verdade. Isso também limita seu poder.
Então, acho que tanto a economia quanto a política estão militando contra esse abuso de poder presidencial por Donald Trump.
Por que o PIX, meio mais usado por pequenos negócios, virou pretexto dos EUA no tarifaço
Vacas monitoradas por IA viram garantia de empréstimos em operação inédita no Brasil

Vacas monitoradas por IA viram garantia de empréstimos em operação inédita no Brasil
Divulgação Cowmed
Para quem é do campo, usar animais como garantia em empréstimos bancários não é novidade. Mas uma nova tecnologia pode tornar esse modelo mais atrativo para as instituições financeiras: o monitoramento de vacas leiteiras.
O Brasil realizou a primeira operação de crédito registrada na B3 com um rebanho tokenizado como garantia.
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Com o token, o banco passa a ter acesso às informações coletadas por um colar que monitora a saúde e a localização de cada vaca, o que dá mais segurança ao credor, explica Humberto Brenner, diretor da Target FIDC, empresa responsável pela operação.
No empréstimo pioneiro no país, 10 animais foram avaliados em R$ 120 mil, permitindo a liberação de R$ 100 mil para a fazenda Engenho Velho, em Belo Horizonte (MG).
Agora no g1
O especialista explica que operações com animais sempre foram "um patinho feio dentro do sistema financeiro". Segundo ele, uma vaca avaliada em R$ 20 mil costumava equivaler a apenas R$ 8 mil em garantia, por causa dos riscos atribuídos.
"O agente financeiro não tinha como saber onde estava aquele animal nem qual era a condição sanitária dele. Por conta dessas incertezas, ele começa a aplicar penalidades à operação, seja reduzindo o valor da garantia, seja aumentando o custo, como forma de compensar o risco", explica.
O uso de animais como garantia costuma ocorrer em empréstimos menores, voltados ao custeio da safra ou ao capital de giro, por exemplo. "O produtor rural prefere deixar a propriedade como garantia em operações maiores. Não faz sentido usar uma matrícula que vale R$ 10 milhões em uma operação de capital de giro de R$ 300 mil", afirma.
Como funciona a tecnologia?
Vacas monitoradas por IA viram garantia de empréstimos em operação inédita no Brasil
Divulgação / Cowmed
O colar com inteligência artificial foi desenvolvido pela Cowmed e é o primeiro voltado para vacas leiteiras. O equipamento monitora o comportamento do animal, incluindo alimentação, descanso, ruminação, respiração, temperatura e localização.
Com base nesses dados, a inteligência artificial consegue prever se o animal está saudável ou desenvolvendo alguma doença. Em caso de enfermidade, também é capaz de identificar se ele está sendo tratado e se apresenta melhora ou piora do quadro.
"É como um smartwatch no pescoço da vaca, só que muito mais avançado", explica Thiago Martins, CEO da Cowmed.
Embora as informações também sejam utilizadas pelo banco, o produto é contratado pelo pecuarista para auxiliar no manejo dos animais.
João Guilherme Brenner, proprietário da fazenda Engenho Velho, afirma que usa o colar nos animais há 10 anos. Segundo ele, os dados são consultados diariamente pelos veterinários. A novidade, agora, foi a tokenização.
"O proprietário seleciona os animais, envia para a tokenização e as informações seguem automaticamente para a plataforma. Dentro da blockchain, é criado um código único e inviolável, que permite à instituição financeira acessar os dados e rastrear esse ativo", informa o CEO da Cowmed.
O token registrado na B3 também impede que o mesmo animal seja usado como garantia em empréstimos diferentes.
"Nós entendemos que, para o produtor ter o máximo de eficiência, ele precisava escutar a vaca. É a vaca que tem que nos dizer se ela está apta a reproduzir, se ela está saudável ou não, se ela está gostando da comida ou não", diz Martins.
O colar também permite rastrear a produção de leite, pois reúne todo o histórico da vida produtiva do animal.
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E se o animal morrer?
O banco tem acesso ao painel com informações sobre a saúde do gado. Se um animal morrer, a instituição é informada, e cabe ao produtor repor a cabeça, dependendo do quanto da dívida já foi quitado.
Brenner, diretor da Target FIDC, explica que o contrato estabelece uma razão de garantia de 1,2. Por isso, foi necessário oferecer R$ 120 mil em animais para obter um empréstimo de R$ 100 mil.
Assim, conforme a dívida é quitada, é preciso manter a equivalência de 1,2 em relação ao saldo devedor. Por isso, se uma vaca morrer depois de parte da dívida já ter sido paga, talvez não seja necessário repor o animal.
"A minha visão é que o mercado financeiro vai compreender que essa operação é muito melhor do que uma garantia com automóvel e até do que uma garantia com imóvel", afirma Brenner.
Segundo ele, no caso do automóvel, o banco não sabe onde o bem está nem em que estado de conservação se encontra. Além disso, se o veículo for retomado pela instituição financeira, pode permanecer por muito tempo em um pátio, deteriorando-se até ser leiloado.
Já o imóvel, apesar de ser considerado um "padrão ouro de garantia", exige que o banco tome o bem do proprietário, e dificilmente surgem compradores em leilões dispostos a pagar seu valor de mercado.
"O gado tem uma liquidez muito maior. Como é praticamente uma commodity, basta reduzir um pouco o preço para vender, com todo o histórico de sanidade. Então, fica muito mais fácil", diz.
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Aprovado em 1º lugar no CNU 2025, candidato é impedido de tomar posse por formação 'incompatível'

Aprovado em 1º lugar no CNU 2025 tem posse negada por divergência sobre a formação
Estudar por seis meses, conquistar o primeiro lugar em uma vaga única na segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado (CNU) e, ainda assim, não conseguir tomar posse no tão sonhado cargo público. Essa foi a situação vivida pelo jornalista Ícaro Silva Jatobá, de 31 anos.
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Aprovado para uma vaga do Ministério da Saúde, ele foi impedido de assumir a função após o Instituto Nacional de Câncer (INCA) entender que sua graduação em Jornalismo não atendia ao requisito de escolaridade previsto no edital.
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Depois de obter a maior nota na redação entre os candidatos ao cargo e ser nomeado, Jatobá acreditava ter garantido a vaga. A surpresa veio na etapa de entrega dos documentos, quando foi informado de que o diploma de Jornalismo não seria considerado compatível com a formação exigida.
A vaga era para Analista em Ciência e Tecnologia – Classe A-I, especialidade Informação e Comunicação, com atuação na sede do INCA, no Rio de Janeiro.
O edital exigia diploma de graduação em Tecnologia da Informação, Comunicação Visual ou "áreas afins", mas não informava quais cursos se enquadravam nessa última categoria. Impedido de tomar posse, o jornalista recorreu à Justiça para contestar a decisão.
Em nota enviada ao g1, o INCA afirmou que "o indeferimento decorreu da conclusão de que não foi comprovado o atendimento ao requisito de escolaridade previsto no edital". (leia a íntegra da nota ao fim da reportagem)
Segundo o instituto, a decisão seguiu os critérios estabelecidos no edital do CNU e considerou as atribuições do cargo, a formação apresentada pelo candidato e referências oficiais, como a classificação do CINE Brasil, do Inep.
O órgão informou que a especialidade exige conhecimentos voltados principalmente para comunicação visual, design gráfico, desenvolvimento web e tecnologias aplicadas à comunicação e, por isso, concluiu que a graduação em Jornalismo não atendia ao requisito exigido para a vaga.
O jornalista Ícaro Silva Jatobá teve a posse negada após o INCA entender que sua graduação não atendia aos requisitos do edital.
Arquivo Pessoal
O que aconteceu?
Formado em Jornalismo, com mestrado e doutorado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Jatobá afirma ter atuado por cerca de 10 anos nas áreas de comunicação visual e editorial, desenvolvendo atividades como editoração, produção gráfica, elaboração de newsletters e gestão de conteúdos digitais.
Ele conta que decidiu prestar o Concurso Público Nacional Unificado após sucessivas tentativas sem sucesso em outros concursos. Em 2025, depois de enfrentar a perda de um familiar, o fim de um relacionamento e a demissão do emprego, resolveu dedicar-se integralmente aos estudos.
"Eu coloquei essa vaga como primeira opção e jamais imaginei que seria aprovado, porque era uma vaga concorrida por candidatos do Brasil inteiro", relembra.
Jatobá afirma que a expressão "áreas afins", utilizada no edital, gerou dúvidas entre os candidatos desde a publicação do documento. Para esclarecer a dúvida, chegou a procurar a Fundação Getulio Vargas (FGV), banca organizadora do concurso, e também o Ministério da Saúde, por meio da Lei de Acesso à Informação.
Em resposta, a FGV informou que, nos casos em que o edital prevê "áreas afins", cabe ao órgão responsável pela vaga analisar, no momento da posse, se a formação apresentada atende aos requisitos do cargo.
A banca acrescentou que é responsabilidade do candidato se inscrever apenas em vagas cuja formação considere compatível com o edital.
O jornalista também consultou a Tabela de Áreas do Conhecimento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que organiza as áreas de pesquisa científica. Segundo ele, a classificação indicava proximidade entre Jornalismo e Comunicação Visual.
Em resposta, o Ministério da Saúde afirmou que a tabela do CNPq não serve para estabelecer equivalência entre cursos de graduação, mas apenas para classificar áreas do conhecimento voltadas à pesquisa.
Para justificar a inscrição, Jatobá diz que também levou em consideração disciplinas cursadas na graduação, como produção gráfica, fotografia, editoração, diagramação e comunicação visual.
Além disso, cita uma transmissão ao vivo do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) em que representantes da pasta afirmaram que a expressão "áreas afins" não era uma novidade no CNU e que a compatibilidade deveria ser analisada com base na relação entre o conteúdo do curso e a formação exigida para o cargo.
jornalista Ícaro Silva Jatobá teve a posse negada após o INCA entender que sua graduação não atendia aos requisitos do edital.
Arquivo Pessoal
Negativa veio após a nomeação
Jatobá foi desclassificado depois de ser nomeado, realizar os exames admissionais, entregar toda a documentação exigida e gastar mais de R$ 1 mil com exames e procedimentos médicos necessários para a posse.
A decisão foi baseada na classificação do CINE Brasil (Classificação Internacional Normalizada da Educação Adaptada para Cursos de Graduação do Brasil), do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), utilizada para organizar os cursos superiores no país.
Embora reconheça que Jornalismo integra a área da Comunicação, o INCA entendeu que a formação é voltada principalmente à produção e à difusão da informação. Na nota técnica, o instituto afirma ainda que a expressão "áreas afins", prevista no edital, não permite enquadrar automaticamente qualquer graduação da área de Comunicação.
Segundo o documento, é necessário demonstrar compatibilidade entre a formação acadêmica e as atribuições do cargo. O parecer também conclui que o mestrado e o doutorado apresentados pelo candidato não suprem o requisito de escolaridade exigido para a vaga.
Para Jatobá, o edital não estabelecia critérios objetivos para definir quais cursos seriam considerados "áreas afins" nem restringia a vaga a graduados em Comunicação Visual.
"A minha preocupação é a segurança jurídica. Se houvesse um entendimento específico sobre áreas afins, isso deveria estar definido antes da prova", afirma.
Após a negativa, o jornalista apresentou recurso administrativo, que também foi rejeitado. "O concurso já avaliou a capacidade técnica por meio das provas. A questão é se a minha formação pode ser considerada uma área afim", diz.
Com o esgotamento da fase administrativa, Jatobá ingressou na Justiça pedindo a reversão da decisão. Entre os pedidos estão a reserva da vaga ou a posse provisória até o julgamento do processo.
Debate sobre segurança jurídica
Segundo Adriane Fauth, professora de Direito Constitucional do Estratégia Concursos, casos como esse não são frequentes, mas podem ocorrer em seleções para cargos técnicos e especializados.
Ela explica que o problema surge quando o edital exige formação em "área afim" ou "área correlata", mas não informa de maneira clara quais cursos são aceitos.
"O candidato passa por todas as etapas, é aprovado, nomeado e só descobre no momento da posse que sua graduação não foi considerada compatível. Essa situação fere princípios importantes dos concursos públicos, como a segurança jurídica, a transparência e a igualdade entre os candidatos", afirma.
A especialista ressalta que a administração pública pode verificar se a formação atende aos requisitos da vaga, mas essa análise deve seguir critérios objetivos e ser devidamente justificada.
Quando há divergência, o caso pode ser levado à Justiça, que avaliará se a decisão respeitou as regras do edital e foi razoável e proporcional.
Já o juiz Renato Borelli, coordenador do Gran Concursos, afirma que esse tipo de conflito é relativamente comum quando o edital utiliza expressões amplas, como "área afim", "área correlata" ou "formação compatível", sem especificar quais graduações atendem ao requisito.
Isso ocorre porque muitos editais utilizam conceitos genéricos, sem definir previamente quais graduações atendem ao requisito. Os conflitos costumam surgir quando o curso do candidato não aparece expressamente no edital ou quando a administração adota uma interpretação mais restritiva apenas na fase de posse.
Segundo ele, a eliminação na fase de posse não é necessariamente legal. O candidato deve ter a oportunidade de apresentar documentos que comprovem a compatibilidade da formação, como diploma, histórico escolar, ementas das disciplinas, pareceres técnicos e manifestações da universidade.
"Negar ao candidato a oportunidade de apresentar esses documentos pode comprometer o direito de defesa, principalmente quando a discussão depende de uma análise técnica", diz.
No caso de Jatobá, Borelli destaca que o jornalista procurou esclarecimentos junto à banca organizadora, ao Ministério da Gestão e ao Ministério da Saúde antes da posse, mas não recebeu uma resposta definitiva.
Para o juiz, isso pode reforçar a contestação judicial, pois demonstra que o candidato tentou esclarecer a situação ainda durante o concurso. O especialista lembra que não existe, no âmbito federal, uma regra única que determine quais cursos podem ser considerados "áreas afins" em concursos públicos.
Para essa análise, a administração pode recorrer a referências como as classificações do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), além das diretrizes dos cursos de graduação, dos projetos pedagógicos das universidades e de pareceres técnicos.
"Não basta dizer que determinada graduação não é considerada área afim. A administração precisa explicar quais critérios utilizou e por que os documentos apresentados pelo candidato não foram suficientes. Quando o edital usa um conceito amplo, essa interpretação também precisa ser bem fundamentada", conclui.
O que dizem os envolvidos
Em nota enviada ao g1, o INCA afirmou que a negativa de posse seguiu os critérios previstos no edital do Concurso Público Nacional Unificado (CNU) e teve como objetivo verificar se o candidato atendia ao requisito de escolaridade exigido para o cargo.
Segundo o instituto, a análise considerou as atribuições da função, o conteúdo da graduação apresentada, as competências desenvolvidas ao longo do curso e a classificação dos cursos superiores do CINE Brasil, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
O órgão informou que a especialidade exige conhecimentos voltados principalmente para comunicação visual, design gráfico, desenvolvimento web, arquitetura da informação, interfaces digitais, produção multimídia e tecnologias aplicadas à comunicação.
Com base nesses critérios, concluiu que a graduação em Jornalismo não apresentava compatibilidade suficiente com as competências exigidas para o cargo.
O INCA ressaltou, porém, que a decisão não representa um entendimento geral de que Jornalismo não seja uma área afim da Comunicação. Segundo a nota, a análise se restringiu ao caso concreto e aos requisitos específicos da especialidade.
"O INCA não adotou entendimento de caráter geral acerca da afinidade entre a graduação em Jornalismo e a área de Comunicação e Informação. A análise realizada restringiu-se exclusivamente ao caso concreto e à verificação do atendimento ao requisito específico previsto para a especialidade objeto do concurso", informou.
O instituto afirmou ainda que não recebeu orientação do Ministério da Saúde nem do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) sobre quais cursos deveriam ser considerados áreas afins. A avaliação, segundo o órgão, foi realizada pela área técnica responsável.
O INCA informou também que o recurso administrativo apresentado pelo candidato foi analisado pela Direção-Geral da instituição. Após reavaliar os argumentos e o parecer técnico, o órgão manteve o indeferimento da posse por entender que o requisito de escolaridade previsto no edital não havia sido cumprido.
Por fim, o instituto afirmou que a decisão não teve como objetivo avaliar a qualidade da graduação em Jornalismo nem a capacidade profissional do candidato, mas apenas verificar o cumprimento das exigências previstas para aquela especialidade. (leia a íntegra da nota ao fim da reportagem)
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) informou que acompanha o caso com preocupação e considera que a situação extrapola uma discussão individual, ao levantar dúvidas sobre a segurança jurídica nos concursos públicos.
Para a entidade, o edital não definiu de forma objetiva quais cursos seriam considerados "áreas afins". A Fenaj afirma ainda que a interpretação adotada pelo INCA desconsidera a regulamentação da profissão e competências atualmente exercidas por jornalistas, como comunicação visual, editoração e produção multimídia.
Procurado pelo g1, o Ministério da Saúde informou que o Concurso Público Nacional Unificado é coordenado pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.
O MGI, por sua vez, afirmou que questionamentos sobre os requisitos para a posse deveriam ser encaminhados ao INCA.
A Fundação Getulio Vargas (FGV), banca organizadora do concurso, não respondeu aos pedidos de posicionamento enviados pela reportagem até a publicação deste texto.
Veja na íntegra o posicionamento do INCA
"1. Qual foi o fundamento técnico e jurídico para o indeferimento da posse do candidato?
A análise realizada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) observou estritamente os critérios estabelecidos no Edital ENAP nº 114/2025 – Concurso Público Nacional Unificado (CNU), em respeito aos princípios da legalidade, da vinculação ao edital, da isonomia, da motivação e da segurança jurídica que regem a Administração Pública.
A verificação teve por objeto exclusivamente o atendimento ao requisito específico de escolaridade exigido para investidura no cargo de Analista em Ciência e Tecnologia – Especialidade Informação e Comunicação, cujo edital prevê diploma de graduação em Tecnologia da Informação ou Comunicação Visual e áreas afins.
A análise técnica considerou, entre outros aspectos, as atribuições da especialidade, o conteúdo predominante da formação apresentada, as competências desenvolvidas ao longo do curso e a classificação oficial dos cursos superiores constante do CINE Brasil/INEP.
À luz desses parâmetros, concluiu-se que, no caso concreto, não restou demonstrada aderência substancial entre o núcleo formativo predominante da graduação apresentada e as competências técnicas exigidas para o exercício das atividades previstas para a especialidade, que compreendem, predominantemente, atividades relacionadas à comunicação visual, design gráfico, desenvolvimento web, arquitetura da informação, interfaces digitais, produção multimídia e tecnologias aplicadas à comunicação.
Assim, o indeferimento decorreu da conclusão de que não foi comprovado o atendimento ao requisito de escolaridade previsto no edital.
2. Quem é o responsável por definir se determinado curso de graduação é considerado área afim ao previsto no edital?
A definição dos requisitos de escolaridade é estabelecida pelo edital do concurso público.
O Edital ENAP nº 114/2025 foi elaborado no âmbito do Concurso Público Nacional Unificado (CNU), com a participação dos órgãos demandantes e sob coordenação do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).
A estrutura do certame, organizada em blocos temáticos, demandou a padronização da descrição dos requisitos de escolaridade para os cargos e especialidades, razão pela qual o edital adotou, em diversos casos, a expressão "áreas afins".
Por se tratar de conceito que demanda aferição à luz das atribuições específicas de cada cargo, competiu ao INCA, no momento da posse, realizar a análise técnica da compatibilidade entre a formação apresentada e as exigências previstas no edital.
No caso em questão, essa análise foi realizada pela área técnica competente do INCA, no caso a COGEP E A COENS, com base nas atribuições da especialidade previstas no edital, nas competências desenvolvidas pela formação apresentada e em parâmetros oficiais de classificação dos cursos superiores, como o CINE Brasil, elaborado pelo INEP.
3. O entendimento adotado foi do próprio INCA ou há orientação do Ministério da Saúde e/ou do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI)?
Não houve orientação específica do Ministério da Saúde ou do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) determinando interpretação acerca da inclusão ou exclusão de determinada graduação para fins de atendimento ao requisito previsto no edital.
A análise foi realizada pelo INCA no exercício de sua competência para verificar o cumprimento dos requisitos de investidura, observando exclusivamente as disposições do edital e a documentação apresentada pelo candidato.
Importa registrar que a metodologia empregada é compatível com o entendimento de que a aferição das "áreas afins" deve considerar a correspondência entre a formação acadêmica e as atribuições do cargo, tendo a divergência ocorrido apenas quanto à conclusão técnica alcançada no caso concreto.
4. O órgão considera que a graduação em Jornalismo não possui afinidade com a área de Comunicação e Informação? Se sim, por quê?
O INCA não adotou entendimento de caráter geral acerca da afinidade entre a graduação em Jornalismo e a área de Comunicação e Informação.
A análise realizada restringiu-se exclusivamente ao caso concreto e à verificação do atendimento ao requisito específico previsto para a especialidade objeto do concurso.
Embora a graduação em Jornalismo e a Comunicação Visual integrem o amplo campo das Ciências da Comunicação, a aferição da expressão "áreas afins", constante do edital, exigiu a análise da correspondência entre o conteúdo predominante da formação acadêmica e as atribuições específicas do cargo.
No caso analisado, concluiu-se que as competências técnicas predominantes exigidas para a especialidade — relacionadas à comunicação visual, design gráfico, interfaces digitais, desenvolvimento web, arquitetura da informação, produção multimídia e tecnologias aplicadas à comunicação — não apresentaram aderência substancial ao núcleo formativo predominante do curso apresentado.
Essa conclusão refere-se exclusivamente ao atendimento do requisito editalício para essa especialidade específica, não representando qualquer avaliação sobre a relevância da profissão de jornalista ou sobre a capacidade de seus profissionais.
5. O candidato ainda pode apresentar recurso administrativo ou há outra possibilidade de revisão da decisão?
O candidato exerceu o direito ao contraditório e à ampla defesa no âmbito administrativo, tendo apresentado recurso contra a decisão inicial.
O recurso foi regularmente analisado pela Direção-Geral do INCA, que, após reexame dos fundamentos apresentados e da manifestação técnica constante dos autos, decidiu manter o entendimento da área técnica quanto ao não atendimento do requisito de escolaridade previsto no edital para a especialidade em questão.
Assim, a matéria foi apreciada nas instâncias administrativas competentes no âmbito desta Instituição, encontrando-se esgotada a análise administrativa do caso.
6. Caso haja outras informações que considerem relevantes para contextualizar o caso.
O INCA esclarece que a análise realizada não teve por finalidade avaliar a capacidade profissional do candidato, a qualidade da formação em Jornalismo ou a relevância dessa profissão.
A decisão administrativa limitou-se à verificação objetiva do atendimento ao requisito específico de escolaridade previsto no Edital ENAP nº 114/2025 para a especialidade Informação e Comunicação, em observância aos princípios da legalidade, da vinculação ao edital, da isonomia e da segurança jurídica.
Cumpre esclarecer, ainda, que os requisitos de escolaridade constantes do Edital ENAP nº 114/2025 foram definidos no contexto da elaboração do Concurso Público Nacional Unificado, com a participação dos órgãos envolvidos, entre eles o INCA e o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).
A atuação do INCA, no momento da posse, restringiu-se à verificação técnica do atendimento aos requisitos estabelecidos no edital, mediante análise da compatibilidade da formação apresentada com as exigências previstas para a especialidade".
Veja na íntegra o posicionamento da FENAJ
"A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) acompanha com preocupação o caso do jornalista Ícaro Jatobá, aprovado em primeiro lugar no Concurso Público Nacional Unificado (CNU 2025) para o cargo de Analista em Ciência e Tecnologia – Especialidade Informação e Comunicação, do Ministério da Saúde, cuja posse foi negada sob alegação de incompatibilidade entre sua formação em Jornalismo e os requisitos previstos no edital.
Para a FENAJ, a situação ultrapassa um caso individual e levanta uma discussão relevante sobre o reconhecimento das atribuições profissionais dos jornalistas e a necessidade de segurança jurídica nos concursos públicos.
O edital do certame estabeleceu como requisito formação em “Tecnologia da Informação ou Comunicação Visual e áreas afins”, sem apresentar definição objetiva sobre quais cursos seriam considerados compatíveis. Após a aprovação, nomeação e apresentação da documentação, foi adotada interpretação restritiva que desconsiderou a formação em Comunicação Social – Jornalismo como área afim.
A FENAJ elaborou parecer técnico-jurídico sobre o caso e entende que a interpretação adotada não observa a regulamentação profissional vigente nem a realidade contemporânea da atividade jornalística.
O Decreto nº 83.284, de 13 de março de 1979, que regulamenta a profissão, reconhece expressamente atividades como diagramação, ilustração, fotografia, edição e produção audiovisual como integrantes do exercício profissional do jornalista. A legislação demonstra que a profissão não se restringe à produção textual ou à difusão de informações, abrangendo também atividades relacionadas à comunicação visual, editoração, organização gráfica e linguagens multimídia
As Diretrizes Curriculares e a atividade jornalística passaram por profundas transformações ao longo das últimas décadas. Hoje, jornalistas atuam em ambientes digitais integrados e desenvolvem competências relacionadas à produção multimídia, design da informação, edição de imagens, plataformas digitais, produtos audiovisuais e comunicação visual aplicada.
A Federação considera preocupante a adoção de interpretações excessivamente restritivas sobre o conceito de “áreas afins”, especialmente quando o próprio edital não apresenta critérios claros e objetivos. A ausência dessa delimitação pode gerar insegurança jurídica e resultar em exclusão indevida de candidatos cuja formação possui aderência material às atribuições do cargo.
A jurisprudência dos tribunais superiores também tem reconhecido que a análise da formação acadêmica deve considerar a compatibilidade efetiva entre as competências adquiridas e as funções a serem desempenhadas, evitando formalismos excessivos e interpretações que restrinjam indevidamente o acesso ao serviço público.
A FENAJ reafirma seu compromisso com a defesa da profissão e seguirá acompanhando situações que possam afetar direitos profissionais dos jornalistas brasileiros.
Casos como este reforçam a necessidade de editais mais claros, critérios objetivos e respeito à diversidade de competências que caracterizam a formação e o exercício profissional do Jornalismo contemporâneo."
CNU 2025: listas de classificação e espera são divulgadas
Crescer sem quebrar: como organizar as finanças e não perder dinheiro no negócio

Crescer sem quebrar: como organizar as finanças do negócio
Muitos empreendedores conseguem aumentar as vendas, mas nem sempre veem o dinheiro sobrar no caixa. Isso acontece porque o crescimento do negócio nem sempre é acompanhado por uma gestão financeira eficiente.
Segundo Ênio Duarte Pinto, gerente de relacionamento com o cliente do Sebrae, crescer de forma sustentável exige organização e controle sobre as finanças da empresa. Para isso, o primeiro passo é abandonar a gestão amadora.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
Para o especialista, o sucesso empresarial passa por três fatores principais: profissionalizar a gestão, conhecer profundamente o mercado em que atua e desenvolver comportamentos empreendedores que ajudem na tomada de decisões.
Na prática, isso significa acompanhar de perto indicadores financeiros e manter controles gerenciais atualizados. Entre eles estão o caixa diário, o fluxo de caixa, as contas a pagar e a receber e, quando necessário, o controle de estoque.
Essas ferramentas ajudam o empreendedor a entender a real situação do negócio e planejar os próximos passos.
“Quando você vende, compra ou contrata, impacta diretamente as finanças da empresa. Por isso, é fundamental ter controles gerenciais que permitam enxergar o que está acontecendo no negócio”, explica Duarte Pinto.
Com informações organizadas, o empreendedor deixa de tomar decisões baseadas em achismos e passa a agir com mais segurança. O resultado é uma gestão mais profissional, capaz de sustentar o crescimento da empresa sem comprometer a saúde financeira do negócio.
MEI facilita a emissão de notas fiscais
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Amortização do financiamento: veja como economizar juros e quitar o imóvel mais cedo
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Como quitar o financiamento da casa mais rápido?
Amortizar o financiamento imobiliário pode reduzir o prazo da dívida e gerar economia com juros. A estratégia mais indicada depende do objetivo de cada mutuário.
Quem quer quitar o imóvel mais cedo costuma se beneficiar mais da redução do prazo do contrato. Já quem precisa aliviar o orçamento pode optar pela redução do valor das prestações, mantendo o prazo original.
Mesmo sem uma quantia elevada, amortizações mensais podem acelerar a quitação. Em uma simulação, acrescentar um valor fixo à prestação reduziu o prazo do financiamento de 30 para cerca de 15 anos. A orientação é preservar a reserva de emergência antes de antecipar o pagamento da dívida.
Toda semana, o g1 Explica descomplica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando o impacto de tudo isso no seu bolso.
As armas do Brasil na guerra comercial de Trump - O Assunto #1771

Ao longo de julho, os Estados Unidos anunciaram duas bombas tarifárias contra o Brasil: a primeira de 25%, resultado da investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre supostas práticas desleais da economia brasileira; a segunda de 12,5%, aplicada contra o Brasil e outros países que, de acordo com o USTR, não fiscalizaram adequadamente o emprego de trabalho forçado. O governo brasileiro criticou as medidas e anunciou ações para enfrentar o tarifaço turbinado: na economia interna, prometeu um pacote de R$ 18,5 bilhões para os setores mais afetados; na esfera internacional, levou as sobretaxas para arbitragem da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Neste episódio, Victor Boyadjian entrevista a economista Monica de Bolle, que fala diretamente de Washington. Monica analisa que respostas o Brasil pode esperar da OMC e explica outros artifícios que podem ser adotados pelo país: como a Lei de Reciprocidade e até mecanismos legais de retaliação em setores estratégicos para os americanos.
Convidada: Monica de Bolle, pesquisadora sênior do Peterson Institute for International Economics, em Washington (EUA).
O podcast O Assunto é produzido por: Luiz Felipe Silva, Sarah Resende, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti, Stéphanie Nascimento e Guilherme Gama. Apresentação: Victor Boyadjian.
A lista de vulnerabilidades dos Estados Unidos
O que você precisa saber:
Governo Lula aciona OMC contra tarifaço de Trump, diz Itamaraty
Tarifaço de Trump expõe limites do Brasil para elevar participação no comércio global
Tarifaço: diplomacia vê possível recurso à OMC como ‘simbólico’ e para ‘marcar posição’ do Brasil diante dos EUA
Tarifaço de Trump: veja a cronologia e como ficam as novas tarifas para o Brasil
Após tarifaço de Trump, Lula discute acordo China-Mercosul com Xi Jinping
EUA vão prorrogar sobretaxa aplicada ao Brasil desde julho de 2025; medida não tem efeito prático
Míriam Leitão: 'Negociação não é alternativa à firmeza; é consequência dela', diz Philip Yang, ex-diplomata que defende retaliação do Brasil a tarifaço dos EUA
O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio. No YouTube, o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações.
Tarifaço redesenha mapa das exportações brasileiras; vendas para a China bateram recorde
Jornal Nacional/ Reprodução
FGTS distribuirá lucro de R$ 13 bilhões para trabalhadores; veja quem tem direito e como consultar valor

Lucro do FGTS será pago aos trabalhadores
A Caixa Econômica Federal começa a distribuir, na sexta-feira (31), parte do lucro obtido pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em 2025, podendo beneficiar diversos trabalhadores. (Confira mais informações abaixo)
O repasse, aprovado pelo Conselho Curador do FGTS nesta terça-feira (28), será de R$ 13,04 bilhões, o equivalente a 89% do lucro do fundo no ano passado. Ao todo, 138,2 milhões de trabalhadores com saldo em conta receberão os valores.
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Para calcular o valor que será creditado, o trabalhador deve multiplicar o saldo existente na conta do FGTS em 31 de dezembro de 2025 pelo índice 0,0186834.
Assim, quem tinha R$ 1 mil em uma conta do fundo no fim do ano passado, por exemplo, receberá, nessa mesma conta, R$ 18,68, e assim por diante.
Acesse a calculadora do g1 para simular o valor que você vai receber: CLIQUE AQUI
Veja abaixo perguntas e respostas sobre o lucro do FGTS:
Poderei sacar o valor depositado?
Quem tem direito a receber parte do lucro?
Quando o depósito vai ser feito?
Como posso consultar meu saldo?
O depósito é diferente em cada conta vinculada?
Qual é a rentabilidade?
Qual é a regra de distribuição?
Poderei sacar o valor depositado?
As possibilidades de saque do saldo do FGTS permanecem as mesmas. Ou seja, não haverá mudanças nas regras atuais.
O FGTS funciona como uma reserva financeira para trabalhadores com carteira assinada e pode ser usado em casos como demissão sem justa causa, compra da casa própria e outras situações, entre elas:
aposentadoria;
término do contrato por prazo determinado;
falecimento do empregador individual ou decretação de nulidade do contrato de trabalho;
falecimento do trabalhador;
outros casos específicos, como calamidade pública e doenças graves. (veja todas as situações aqui)
Quem tem direito a receber parte do lucro?
Todos os trabalhadores que tinham saldo em contas do FGTS (ativas ou inativas) em 31 de dezembro de 2025 têm direito a receber uma parcela do lucro.
Quando o depósito vai ser feito?
Os valores serão creditados nas contas do FGTS dos trabalhadores nesta sexta-feira (31).
Como posso consultar meu saldo?
A consulta pode ser feita pelo site da Caixa Econômica Federal ou pelo aplicativo FGTS, a partir do cadastro do trabalhador.
O depósito é diferente em cada conta vinculada?
Um mesmo trabalhador pode ter mais de uma conta do FGTS, referente a empregos diferentes. Por isso, o valor creditado é calculado separadamente para cada conta, com base no saldo existente em cada uma delas.
Quanto maior o saldo no FGTS, maior será o valor recebido da distribuição do lucro.
Qual é a rentabilidade?
Com a distribuição do lucro, a rentabilidade das contas do FGTS em 2025 será de 6,90%, o que representa um ganho real (acima da inflação) de 2,53 pontos percentuais.
Em 2025, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a inflação oficial do país, foi de 4,26%.
Com a aprovação da distribuição, o crédito equivale a um acréscimo de 1,87% na rentabilidade de cada conta, proporcional ao saldo individual.
Qual é a regra de distribuição?
Por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), a remuneração do FGTS deve garantir, no mínimo, a correção pela inflação medida pelo IPCA em todos os anos.
FGTS - Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
Lucas Figueira/G1
Anúncio dos EUA de prorrogar medidas contra Brasil ocorre após pedidos de aliados da família Bolsonaro por mais sanções

EUA acusam Brasil de perseguir Bolsonaro
A nova decisão do governo do presidente norte-americano Donald Trump de prorrogar a ordem executiva que impôs o tarifaço de 50% a produtos do Brasil tem a digital do grupo próximo à família Bolsonaro nos Estados Unidos e demonstra que mais sanções por motivações políticas podem ter como alvo brasileiros.
Nas últimas semanas, mesmo depois dos Estados Unidos anunciarem duas novas tarifas ao Brasil – de 25% e de 12,5% – pessoas próximas à família Bolsonaro afirmaram ao blog que seguiam em tratativas com o governo Trump para que mais sanções fossem adotadas, preferencialmente contra indivíduos no Brasil.
A renovação por mais um ano da ordem executiva, assinada originalmente em 30 de julho de 2025, que permitiu o tarifaço de 50% contra produtos brasileiros não tem efeito prático, porque foi derrubada na Suprema Corte dos EUA.
RELEMBRE: Tarifaço derrubado: quais os próximos passos e como a decisão pode afetar o Brasil
Entretanto, a decisão manda uma mensagem política ao tocar mais uma vez em censura e no que alega ser uma perseguição a um ex-presidente – uma clara menção à condenação de Jair Bolsonaro.
No comunicado desta terça, o governo Trump voltou a fazer uma série de acusações contra o governo brasileiro.
No comunicado desta terça, o governo Trump voltou a fazer uma série de acusações contra o governo brasileiro.
A Casa Branca alega que o Brasil adota práticas que "interferem na economia dos Estados Unidos, infringem os direitos de livre expressão de cidadãos norte-americanos, violam os direitos humanos e minam o interesse dos EUA em proteger seus cidadãos e empresas".
Além disso, acusa membros do governo brasileiro de "perseguir politicamente um ex-presidente, sua família e seus apoiadores", em uma referência a Jair Bolsonaro.
Cita ainda o Supremo Tribunal Federal (STF) como "promotor de censura", menciona "prisão de pessoas que exercem a liberdade de expressão" e "censura de conteúdos na internet".
Trump fala sobre o tarifaço
Kevin Lamarque/Reuters
Investidas da família Bolsonaro
Em 2025, pessoas próximas à família Bolsonaro, além do próprio ex-deputado Eduardo Bolsonaro, comemoraram medidas contra o Brasil.
LEIA MAIS: Eduardo Bolsonaro posta agradecimento a Trump após tarifaço dos EUA contra o Brasil
Além do cancelamento de vistos de autoridades do governo Lula e a aplicação da Lei Magnitski contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, o Brasil também levou um tarifaço de 50% sobre suas exportações aos EUA.
Com a aplicação da Magnitski, todos os eventuais bens de Moraes, da esposa e de uma empresa pertencente ao casal nos EUA estavam bloqueados. Em dezembro do ano passado, o governo americano retirou o ministro da lista de sancionados.
🔎 Cidadãos americanos estavam proibidos de realizar qualquer transação que envolvia bens ou interesses em propriedade de Moraes ou esposa, seja nos EUA ou em trânsito, incluindo fornecer ou receber fundos, bens ou serviços.
Governo Trump proíbe novos robôs humanoides chineses para proteger desenvolvimento de IA nos EUA

Robôs humanoides são exibidos durante o lançamento do robô humanoide U1, produzido pela UWORLD, uma marca da UBTECH Robotics, em Shenzhen, na província de Guangdong, na China, em 30 de junho de 2026.
Adek Berry/AFP
Os Estados Unidos divulgaram nesta terça-feira (28) medidas que restringem a importação de novos robôs e inversores de energia chineses. Segundo o governo de Donald Trump, o objetivo é proteger o avanço da inteligência artificial (IA) no país contra riscos à segurança nacional e trazer de volta indústrias estratégicas com forte potencial de crescimento.
As regras, divulgadas pela Comissão Federal de Comunicações (FCC), proíbem a importação de novos robôs humanoides e quadrúpedes fabricados na China, além de inversores de energia conectados — equipamentos que permitem a integração de fontes renováveis e baterias às redes elétricas e aos sistemas de data centers.
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As restrições indicam que o governo Trump busca proteger a cadeia de produção ligada à inteligência artificial nos EUA contra riscos de interrupções, roubo de dados e ataques cibernéticos atribuídos à China, além de incentivar empresas a transferirem suas fábricas para o país.
“Esses dispositivos poderiam criar vulnerabilidades na cadeia de suprimentos que poderiam prejudicar a segurança econômica e nacional dos EUA e gerar um risco à segurança cibernética que ameaçaria a infraestrutura crítica americana”, afirmou a comissão em comunicado.
Agora no g1
“A FCC continuará a fazer sua parte para proteger as cadeias de suprimentos críticas dos Estados Unidos”, acrescentou o presidente da FCC, Brendan Carr, em nota à imprensa.
A embaixada da China em Washington não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.
Robôs humanoides, equipados com “cérebros” baseados em IA, devem ser amplamente adotados nos setores de consumo e industrial, segundo previsões de analistas. Ao mesmo tempo, a rápida expansão dos data centers nos EUA dependerá de fontes confiáveis de inversores de energia.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, alertou que empresas chinesas de IA podem sofrer sanções dos EUA por suposto roubo de propriedade intelectual americana.
Autoridades norte-americanas também buscam evitar um cenário semelhante ao dos minerais de terras raras — insumos essenciais para a fabricação de tecnologias e amplamente controlados pela China. Pequim tem usado esse domínio para obter vantagens no cenário internacional.
FCC deve isentar fornecedores não chineses
Após as medidas anunciadas nesta terça-feira, a expectativa é que a FCC isente muitos fornecedores não chineses das restrições, assim como fez com as recentes proibições envolvendo drones e roteadores estrangeiros, segundo quatro fontes ouvidas pela Reuters.
As medidas entraram em vigor assim que foram publicadas e se aplicam apenas a modelos de robôs e inversores que ainda não chegaram ao mercado. No entanto, a FCC também tem autoridade para revogar autorizações de venda de modelos já aprovados para comercialização nos EUA.
O presidente Donald Trump é apontado como responsável por ampliar a atenção internacional sobre o desafio tecnológico representado pela China durante seu primeiro mandato, ao reforçar preocupações sobre o roubo de propriedade intelectual por empresas chinesas e possíveis casos de espionagem estatal envolvendo gigantes chinesas de telecomunicações, como a Huawei.
Mas, até o momento, Trump tem adotado uma abordagem mais moderada em seu segundo mandato, apesar do uso agressivo de controles de exportação sobre minerais de terras raras por Pequim no ano passado.
Fabricante chinês de robôs na mira
A expectativa é que a proibição afete a Unitree, líder mundial no segmento de robôs humanoides, com pouco menos de um quinto da participação no mercado global, segundo a Counterpoint Research.
A empresa, uma das três companhias chinesas que dominam um setor emergente e em rápida expansão, foi recentemente incluída na lista do Pentágono de supostas empresas chinesas apoiadas pelas Forças Armadas, um possível sinal de medidas mais duras por parte dos EUA.
A Unitree firmou recentemente uma parceria com a Nvidia para usar o chip Blackwell, de última geração, da fabricante de chips de IA como o “cérebro” de um de seus robôs. A Nvidia afirmou que os dados coletados pelos robôs permanecerão nos EUA e que os principais clientes da Unitree são instituições acadêmicas e de pesquisa americanas.
Defensores de uma postura mais dura em relação à China temem que os robôs possam ser usados para espionar setores estratégicos dos EUA, coletando dados para Pequim ou comprometendo funções essenciais.
Os robôs “coletam dados que poderiam ser usados por agentes mal-intencionados para vigiar americanos, aprimorar as capacidades de serviços de inteligência estrangeiros ou assumir o controle remoto dos equipamentos”, disse a FCC nesta terça-feira.
A China é a maior fabricante mundial de inversores, com o setor liderado pela Sungrow Power Supply e pela Huawei, empresas que já sofrem pesadas sanções dos EUA. Pequim vem ampliando sua presença no mercado ocidental de inversores ao reduzir os preços.
A Unitree, a Sungrow e a Huawei não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.
Mega-Sena, concurso 3037: confira os números sorteados

Mega-Sena, concurso 3037: confira os números sorteados
O sorteio do concurso 3037 da Mega-Sena foi realizado na noite desta terça (28), em São Paulo. Nenhuma aposta acertou as seis dezenas e prêmio acumulado para o próximo sorteio está estimado em R$ 86 milhões.
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Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp
Veja os números sorteados: 11 - 30 - 02 - 51 - 54 - 22
Nenhuma aposta acertou as seis dezenas
38 apostas acertaram 5 dezenas e levaram R$ 63.121,17 cada
3.447 apostas acertaram as 4 dezenas e levaram R$ 1.147,01 cada
Mega-Sena, concurso 3037
Reprodução / Caixa
O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
Acompanhe os sorteios no site do g1
Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube
A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos.
Para apostar na Mega-Sena
Como funciona a Mega-Sena?
A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
'Não queremos perder o mercado americano', diz presidente da ApexBrasil ao anunciar plano de diversificação

Tarifas dos EUA ameaçam exportação de mel e preocupam produtores no Piauí
Laudemir Müller, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), afirmou que a estratégia comercial do Brasil, neste momento, não é abandonar o mercado norte-americano, mas ampliar a presença brasileira em outros destinos.
"Não queremos perder o mercado americano. Estamos trabalhando para aumentar nossa participação nos produtos que foram isentos, mas, ao mesmo tempo, fazendo um trabalho forte de diversificação", afirmou.
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Durante o evento Brazil-Korea Business Roundtable, realizado nesta terça-feira (28), em São Paulo, Müller foi questionado sobre a estratégia brasileira para reduzir a dependência de mercados específicos, como o norte-americano.
Além de demonstrar otimismo com a balança comercial e com futuras parcerias, ele anunciou que a agência lançará, em 11 de agosto, um plano de diversificação voltado aos setores afetados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Segundo ele, a iniciativa reunirá ações específicas para ampliar a presença de produtos brasileiros em novos mercados, com base em estudos de inteligência comercial realizados em parceria com entidades setoriais e representantes do setor produtivo.
"No dia 11, em São Paulo, vamos lançar um plano de diversificação junto com os setores empresariais. Para cada um dos 43 setores afetados pelas tarifas, vamos apontar quais são as prioridades e onde vamos investir para ampliar a diversificação dos mercados", afirmou.
ApexBrasil quer reduzir concentração de exportações
Presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller (à direita), ao lado de Márcio Elias Rosa, Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (à esqueda), durante evento Brazil-Korea Business Roundtable.
Isabela Ortiz/g1
Müller explicou que a estratégia faz parte de um movimento mais amplo da ApexBrasil para reduzir a concentração das exportações brasileiras e ampliar a presença do país em mercados considerados estratégicos.
"É isso que a gente vai acelerar daqui para frente: trabalhar para diversificar os nossos parceiros e os nossos mercados", disse.
De acordo com o presidente da agência, esse processo já começou entre as empresas que exportam para os EUA. Segundo ele, 72% das 2,4 mil companhias atendidas pela ApexBrasil e que vendem para o mercado americano já passaram a atuar em pelo menos um destino adicional, como forma de reduzir riscos.
A instabilidade no comércio internacional tem levado empresas e governos a buscar parceiros considerados mais previsíveis.
"Essa instabilidade no comércio internacional não ajuda as empresas. Ela faz com que todo mundo reveja quem são os seus parceiros e trabalhe a diversificação. Bons parceiros, estáveis, confiáveis e capazes de desenvolver uma relação de longo prazo", disse.
Coreia do Sul é a nova galinha dos ovos de ouro?
China reconhece que Brasil está livre da febre aftosa e suspende restrições à exportação de carne bovina brasileira
Jornal Nacional/ Reprodução
Ao citar a Coreia do Sul como exemplo dessa estratégia, Müller afirmou que o país asiático oferece oportunidades relevantes para ampliar as exportações brasileiras, especialmente nos setores de alimentos, biocombíveis, minerais críticos e tecnologia.
Hoje, o Brasil responde por cerca de 1% das importações sul-coreanas, apesar de a Coreia importar aproximadamente US$ 600 bilhões por ano.
O presidente da ApexBrasil acrescentou que o objetivo brasileiro é atrair investimentos para desenvolver a cadeia de minerais críticos no país, em vez de apenas exportar matérias-primas.
"O Brasil espera construir a cadeia de minerais críticos e raros aqui. Para isso, precisamos principalmente de investimento internacional e de mercado. A Coreia tem tecnologia, capital e demanda, o que torna esse diálogo estratégico", afirmou.
Atitude de Milei é 'lamentável' e um desserviço à Argentina, diz Alckmin

Atitude de Milei é 'lamentável', diz Alckmin
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, classificou nesta terça-feira (28) como "lamentáveis" as declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, contra o governo brasileiro e afirmou que a postura não compromete o avanço da integração econômica do Mercosul.
Segundo ele, o bloco vive um momento favorável, com acordos comerciais já concluídos com Singapura, os países da EFTA e a União Europeia, além do interesse da Coreia do Sul em avançar nas negociações de um acordo.
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"É lamentável. Um presidente de um país vizinho e amigo presta um desserviço ao seu próprio país ao se envolver de maneira absolutamente grosseira nos assuntos internos do Brasil."
A declaração foi dada ao final do evento Brazil-Korea Business Roundtable, em São Paulo, que tratou de novos acordos de cooperação em comércio, tecnologia e investimentos com a Coreia do Sul.
A iniciativa, organizada pela ApexBrasil e pela Federação das Indústrias da Coreia (FKI), integra a agenda da visita oficial do presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, e busca aprofundar a parceria econômica entre os dois países.
O evento também teve presença do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, além de representantes dos dois governos e empresários dos setores automotivo, de tecnologia, saúde, alimentos e indústria pesada.
"Esse pode ser o momento em que nossos dois países, usando a metáfora de nossa cooperação espacial, podem decolar e mirar objetivos mais altos", afirmou Alckmin.
Em 2025, o comércio bilateral movimentou US$ 10,8 bilhões, enquanto os investimentos sul-coreanos no Brasil somam US$ 8,9 bilhões. "Nós podemos dar a meta de quase dobrar isso", disse Alckmin.
Na abertura do encontro, Alckmin destacou que os sete memorandos assinados na segunda-feira (27), em Brasília, nas áreas de minerais críticos, educação, audiovisual, esportes, energia, tecnologia industrial, atividades espaciais e segurança de redes representam uma oportunidade para ampliar a cooperação entre os dois países.
O vice-presidente também mencionou a visita sanitária exigida pela Coreia do Sul a produtores de carne no Brasil. "O Brasil tem o maior rebanho comercial do mundo, com alta sustentabilidade e rigor sanitário. Estamos muito otimistas com a visita sanitária agora em agosto", disse.
Vice-presidente Geraldo Alckmin participa do Brazil-Korea Business Roundtable, em São Paulo
Isabela Ortiz/g1
A Coreia no Brasil
Sobre as negociações entre Mercosul e Coreia do Sul, Alckmin disse que as duas partes pretendem intensificar o diálogo e informou que o Brasil iniciou consultas internas sobre o tema.
O vice-presidente defendeu ainda o fortalecimento da cooperação em infraestrutura, tecnologia e minerais críticos. Segundo ele, o Brasil quer deixar de apenas exportar matérias-primas e avançar para uma parceria baseada em industrialização, transferência de tecnologia e engenharia compartilhada.
"Não queremos apenas exportar minério bruto. Queremos processar, industrializar e investir juntos ao longo da cadeia", afirmou.
Alckmin também destacou o potencial do Brasil para receber investimentos em inteligência artificial e centros de dados, citando como vantagens competitivas a matriz elétrica predominantemente renovável, a disponibilidade de água e a estabilidade regulatória.
Na área aeroespacial, Alckmin lembrou que a Coreia do Sul foi o primeiro país asiático a adquirir o cargueiro KC-390, da Embraer, e mencionou o lançamento de um foguete sul-coreano previsto para setembro, a partir do Centro Espacial de Alcântara.
40% do café consumido na Coreia é brasileiro
O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, afirmou que o cenário internacional exige previsibilidade para o avanço das relações comerciais e defendeu o fortalecimento da parceria entre Brasil e Coreia do Sul.
"Vemos, cada vez mais, um cenário de fragmentação. O que nós precisamos é estabilidade, confiança e crescimento", disse.
A Coreia importa cerca de US$ 600 bilhões por ano, mas o Brasil responde por aproximadamente 1% desse mercado, o que, segundo Müller, demonstra o potencial de crescimento da participação brasileira.
Ele destacou que há espaço para ampliar a cooperação em diversos setores, como proteínas animais, frutas, café, biocombustíveis, aeronáutica, defesa, mineração, minerais críticos, indústrias farmacêutica e química e tecnologia.
Ao comentar o comércio de café, Müller afirmou que cerca de 40% do café consumido na Coreia do Sul é do tipo especial e produzido no Brasil. Ele ressaltou que o país asiático é um dos maiores consumidores per capita da bebida.
"O governo coreano pode continuar contando com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações do Brasil nessa relação tão importante junto às empresas brasileiras e ao setor privado", concluiu.
Elias Rosa projeta expansão da IA com a Coreia do Sul
Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, durante o programa “Bom Dia, Ministro”, na EBC
Júlio César Silva/MDIC
O ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa, citou a atuação de empresas sul-coreanas instaladas no Brasil, como Samsung, LG e Posco, e destacou os investimentos e a geração de empregos no país. Também mencionou as parcerias já existentes nos setores de petróleo, defesa e construção naval, além da cooperação entre a Embraer e a Korea Aerospace Industries (KAI).
Ao abordar a área de inovação, Elias Rosa afirmou que inteligência artificial e soberania digital estão entre as prioridades do governo brasileiro e disse que o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial tem objetivos alinhados aos interesses da Coreia do Sul.
Ele também colocou o ministério à disposição para aprofundar o diálogo sobre propriedade intelectual, tema que, segundo o ministro, foi apresentado como uma preocupação da delegação sul-coreana.
Durante o discurso, Elias Rosa também ressaltou oportunidades de cooperação em descarbonização, biocombustíveis e agronegócio. Citou iniciativas de empresas do setor de proteína animal e destacou que o etanol, o bioetanol e o biogás combinam competitividade econômica e redução das emissões de gases de efeito estufa.
"O etanol, o bioetanol e o biogás têm competitividade porque oferecem sustentabilidade e menor emissão de gases de efeito estufa, além de um custo mais baixo quando associados aos combustíveis fósseis", afirmou.
O ministro também apontou potencial para ampliar a integração no setor de cosméticos. Segundo ele, a indústria brasileira ainda exporta pouco para a Coreia do Sul, apesar da relevância do mercado do país, o que abre espaço para uma parceria maior entre os dois países.
Parceria não é retaliação contra os EUA
vice-presidente brasileiro Geraldo Alckmin discursa durante uma mesa-redonda empresarial com líderes empresariais sul-coreanos e brasileiros em um hotel de São Paulo, em 28 de julho de 2026
Divulgação
Questionado se a relação comercial com a Coreia do Sul foi influenciada pelas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos, Alckmin respondeu que o tema não foi discutido durante a reunião.
"Não falaram sobre o Trump. Não esteve na pauta. A pauta foi apenas Brasil e Coreia do Sul", afirmou.
Alckmin destacou que o Mercosul vive um momento positivo e lembrou a conclusão de acordos comerciais com Singapura, os países da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e a União Europeia. Também afirmou que a Coreia do Sul mantém interesse em avançar nas negociações de um acordo comercial com o bloco.
Alckmin acrescentou que o Brasil continuará negociando para reverter as tarifas consideradas injustas impostas pelos Estados Unidos e ressaltou que o país "não saiu da mesa de negociação".
A estratégia do governo está baseada em três pilares:
apoiar as empresas afetadas;
diversificar mercados; e
manter as negociações diplomáticas.
Ao comentar a possibilidade de adoção da chamada reciprocidade comercial, Alckmin afirmou que a medida não deve ser interpretada como retaliação. "Reciprocidade é uma possibilidade. Não é retaliação", disse.
"O Brasil defende o multilateralismo e regras para o comércio internacional. Abrir mercados beneficia a sociedade com produtos melhores, mais baratos e maior competitividade", concluiu.
Governo prorroga adesão ao Desenrola 2.0 até 31 de agosto; programa renegocia dívidas

Governo prorroga adesão ao Desenrola 2.0 até 31 de agosto
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (28) que o governo federal vai prorrogar a adesão ao Desenrola 2.0 até 31 de agosto, fim do prazo da medida provisória (MP) que criou o programa.
Segundo o ministério da Fazenda, o programa já renegociou mais de R$ 22 bilhões e foram feitas cerca de 3,6 milhões de renegociações até o final de junho. Com isso, a dívida recuou de R$ 22 bilhões para cerca de R$ 4 bilhões.
De acordo com o ministro, a ampliação do prazo vai permitir que mais pessoas acessem ao programa, inclusive quem está em busca de crédito para compra de carros e motos.
"Esse prazo adicional vai ser importante, inclusive, para que as pessoas que hoje estão tendo de acessar os programas de moto, carro, para trocar a sua moto, o seu carro, possam resolver eventuais pendências previamente, que é usar o desenrola, para depois se enquadrar nas condições para as operações de carro e moto e também poderem fazer jus a essas obrigações", afirmou o ministro.
A prorrogação do programa será formalizada em um ato, que será publicado até esta sexta-feira (31).
RELEMBRE: Desenrola 2.0: governo vai usar dinheiro esquecido em bancos para garantir renegociação de dívidas
Além disso, Durigan afirmou que a prorrogação não vai demandar novos aportes do Fundo de Garantia de Operações (FGO) e não terá impacto econômico para o governo.
Até o momento, segundo o ministro, mais de 9 milhões de famílias já usaram o programa. Com a prorrogação do Desenrola, a expectativa é que, no total, 10 milhões de famílias sejam beneficiadas.
Ainda segundo ele, mais de 1,6 milhão de pessoas que aderiram ao programa estão pagando de forma parcelada.
Desenrola 2.0
Lançado em maio, o programa prevê a renegociação de dívida, com descontos, e troca por uma dívida mais barata, tendo como público-alvo os brasileiros que ganham até cinco salários-mínimos, ou seja, R$ 8.105.
Nele, são renegociadas dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 que estejam atrasadas entre 90 dias e 2 anos, com cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC).
➡️ Os juros são de, no máximo, 1,99% ao mês, com descontos de 30% a 90% no valor principal da dívida. Os descontos variarão de acordo com a linha de crédito e com o prazo. Será disponibilizada uma calculadora para os trabalhadores saberem o desconto.
Além disso, o trabalhador também poderá usar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar suas dívidas.
Pelas regras, será possível usar até 20% do saldo disponível do FGTS, ou até R$ 1 mil (o que for maior), para pagar débitos.
Prazo para renegociar dívidas no Desenrola Brasil termina nesta segunda (20)
Luis Lima Jr./Fotoarena/Estadão Conteúdo
LEIA TAMBÉM: Governo lança ‘Desenrola 2.0’: programa prevê renegociação de dívidas e uso do FGTS
➡️O governo está usando um fundo com recursos públicos para oferecer garantias às instituições financeiras, ou seja, o dinheiro da União vai cobrir eventual calote dos tomadores de crédito. Foram transferidos R$ 5,7 bilhões até o fim de maio, mas a operação está sendo investigada pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
IA da OpenAI invadiu outra empresa antes de fazer ataque 'sem precedentes'

IA pode decidir atacar empresas? Como foi a invasão 'sem precedentes' por modelo da OpenAI
O ataque virtual "sem precedentes" realizado por modelos de inteligência artificial da OpenAI, dona do ChaGPT, exigiu a invasão de um sistema intermediário mantido por outra empresa, informou a Reuters nesta terça-feira (28).
A infraestrutura de um cliente da empresa de tecnologia Model Labs foi usada pelos modelos de IA da OpenAI para comprometer o sistema da Hugging Face, uma plataforma para compartilhamento de modelos de inteligência artificial.
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"Estamos cientes de que um cliente da Modal publicou um ponto de acesso sem autenticação que permitia a qualquer pessoa na internet usar seus ambientes isolados de execução de código", disse Akshat Bubna, diretor de tecnologia da Model Labs, em comunicado.
A Hugging Face disse na segunda-feira (27) que um agente malicioso explorou um ambiente de teste controlado "hospedado na infraestrutura de um provedor terceirizado", mas não havia revelado o nome da empresa.
O logotipo da OpenAI é visto em um telefone celular em frente a uma tela de computador que exibe a tela inicial do ChatGPT
AP/Michael Dwyer, Arquivo
Ainda segundo a Hugging Face, esse ambiente controlado foi transformado em uma plataforma de lançamento de ataques que permitiu uma invasão durante dois dias e meio à sua infraestrutura.
A Model Labs afirmou que a ação na conta de seu cliente foi explorada por um agente malicioso e que sua plataforma principal não foi comprometida.
IA pode decidir atacar empresas? Entenda como foi a invasão 'sem precedentes' por modelo da OpenAI
Como aconteceu a invasão?
A OpenAI revelou que o GPT-5.6 Sol, lançado no início de julho, e em um modelo ainda não divulgado conseguiram invadir o sistema da Hugging Face, uma plataforma para compartilhamento de modelos de inteligência artificial.
A própria Hugging Face já havia revelado na última quinta-feira (16) que detectou uma invasão feita por um agente de IA. A empresa afirmou que ação permitiu acesso indevido a dados e credenciais.
O incidente aconteceu durante testes em que OpenAI faz os modelos de IA buscarem falhas em outros sistemas para melhorarem suas capacidade de segurança.
Esses experimentos costumam acontecer em ambientes controlados, mas com uma versão sem as barreiras de proteção que costumam existir em modelos disponíveis para usuários comuns.
Em seu comunicado, a OpenAI afirmou que o GPT-5.6-Sol e o sistema que ainda será lançado atuaram em conjunto para encontrar brechas no ambiente de pesquisa da empresa e na infraestrutura da Hugging Face.
A Hugging Face, por sua vez, disse que sua plataforma executou dois códigos enviados por um agente de IA, que então conseguiu aumentar suas permissões na infraestrutura da empresa e obter credenciais para atacar outros sistemas internos.
Esse tipo de ataque deverá se tornar mais comum com o avanço de modelos de IA que entendem de cibersegurança, avaliou a OpenAI ao revelar o ataque. "Consideramos este um incidente cibernético sem precedentes, envolvendo recursos de última geração", afirmou.
Para a Hugging Face, a invasão alerta para o cenário de ataques virtuais conduzidos por agentes como já vinha sendo projetado por especialistas. "Foi diferente de tudo que havíamos enfrentado antes", disse a companhia, em sua primeira manifestação sobre o caso.
Alckmin fala em dobrar comércio com a Coreia do Sul após novos acordos: 'É uma necessidade estratégica'

Vice-presidente Geraldo Alckmin participa do Brazil-Korea Business Roundtable, em São Paulo
Isabela Ortiz/g1
Brasil e Coreia do Sul assinaram nesta terça-feira (28) novos acordos de cooperação em comércio, tecnologia e investimentos durante o Brazil-Korea Business Roundtable, em São Paulo. "Aproximar-nos não é uma opção conveniente, é uma necessidade estratégica", afirmou o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.
"Esse pode ser o momento em que nossos dois países, usando a metáfora de nossa cooperação espacial, podem decolar e mirar objetivos mais altos", afirmou Alckmin.
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A iniciativa, organizada pela ApexBrasil e pela Federação das Indústrias da Coreia (FKI), integra a agenda da visita oficial do presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, e busca aprofundar a parceria econômica entre os dois países.
Em 2025, o comércio bilateral movimentou US$ 10,8 bilhões, enquanto os investimentos sul-coreanos no Brasil somam US$ 8,9 bilhões. "Nós podemos dar a meta de quase dobrar isso", disse Alckmin.
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O evento também teve presença do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, além de representantes dos dois governos e empresários dos setores automotivo, de tecnologia, saúde, alimentos e indústria pesada.
Na abertura do encontro, Alckmin destacou que os sete memorandos assinados na segunda-feira (27), em Brasília, nas áreas de minerais críticos, educação, audiovisual, esportes, energia, tecnologia industrial, atividades espaciais e segurança de redes representam uma oportunidade para ampliar a cooperação entre os dois países.
O vice-presidente também mencionou a visita sanitária exigida pela Coreia do Sul a produtores de carne no Brasil. "O Brasil tem o maior rebanho comercial do mundo, com alta sustentabilidade e rigor sanitário. Estamos muito otimistas com a visita sanitária agora em agosto", disse.
A Coreia no Brasil
Sobre as negociações entre Mercosul e Coreia do Sul, Alckmin disse que as duas partes pretendem intensificar o diálogo e informou que o Brasil iniciou consultas internas sobre o tema.
O vice-presidente defendeu ainda o fortalecimento da cooperação em infraestrutura, tecnologia e minerais críticos. Segundo ele, o Brasil quer deixar de apenas exportar matérias-primas e avançar para uma parceria baseada em industrialização, transferência de tecnologia e engenharia compartilhada.
"Não queremos apenas exportar minério bruto. Queremos processar, industrializar e investir juntos ao longo da cadeia", afirmou.
Alckmin também destacou o potencial do Brasil para receber investimentos em inteligência artificial e centros de dados, citando como vantagens competitivas a matriz elétrica predominantemente renovável, a disponibilidade de água e a estabilidade regulatória.
Na área aeroespacial, Alckmin lembrou que a Coreia do Sul foi o primeiro país asiático a adquirir o cargueiro KC-390, da Embraer, e mencionou o lançamento de um foguete sul-coreano previsto para setembro, a partir do Centro Espacial de Alcântara.
40% do café consumido na Coreia é brasileiro
O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, afirmou que o cenário internacional exige previsibilidade para o avanço das relações comerciais e defendeu o fortalecimento da parceria entre Brasil e Coreia do Sul.
"Vemos, cada vez mais, um cenário de fragmentação. O que nós precisamos é estabilidade, confiança e crescimento", disse.
A Coreia importa cerca de US$ 600 bilhões por ano, mas o Brasil responde por aproximadamente 1% desse mercado, o que, segundo Müller, demonstra o potencial de crescimento da participação brasileira.
Ele destacou que há espaço para ampliar a cooperação em diversos setores, como proteínas animais, frutas, café, biocombustíveis, aeronáutica, defesa, mineração, minerais críticos, indústrias farmacêutica e química e tecnologia.
Ao comentar o comércio de café, Müller afirmou que cerca de 40% do café consumido na Coreia do Sul é do tipo especial e produzido no Brasil. Ele ressaltou que o país asiático é um dos maiores consumidores per capita da bebida.
"O governo coreano pode continuar contando com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações do Brasil nessa relação tão importante junto às empresas brasileiras e ao setor privado", concluiu.
Elias Rosa projeta expansão da IA com a Coreia do Sul
Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, durante o programa “Bom Dia, Ministro”, na EBC
Júlio César Silva/MDIC
O ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa, citou a atuação de empresas sul-coreanas instaladas no Brasil, como Samsung, LG e Posco, e destacou os investimentos e a geração de empregos no país. Também mencionou as parcerias já existentes nos setores de petróleo, defesa e construção naval, além da cooperação entre a Embraer e a Korea Aerospace Industries (KAI).
Ao abordar a área de inovação, Elias Rosa afirmou que inteligência artificial e soberania digital estão entre as prioridades do governo brasileiro e disse que o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial tem objetivos alinhados aos interesses da Coreia do Sul.
Ele também colocou o ministério à disposição para aprofundar o diálogo sobre propriedade intelectual, tema que, segundo o ministro, foi apresentado como uma preocupação da delegação sul-coreana.
Durante o discurso, Elias Rosa também ressaltou oportunidades de cooperação em descarbonização, biocombustíveis e agronegócio. Citou iniciativas de empresas do setor de proteína animal e destacou que o etanol, o bioetanol e o biogás combinam competitividade econômica e redução das emissões de gases de efeito estufa.
"O etanol, o bioetanol e o biogás têm competitividade porque oferecem sustentabilidade e menor emissão de gases de efeito estufa, além de um custo mais baixo quando associados aos combustíveis fósseis", afirmou.
O ministro também apontou potencial para ampliar a integração no setor de cosméticos. Segundo ele, a indústria brasileira ainda exporta pouco para a Coreia do Sul, apesar da relevância do mercado do país, o que abre espaço para uma parceria maior entre os dois países.
Parceria não é retaliação contra os EUA
Questionado se a relação comercial com a Coreia do Sul foi influenciada pelas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos, Alckmin respondeu que o tema não foi discutido durante a reunião.
"Não falaram sobre o Trump. Não esteve na pauta. A pauta foi apenas Brasil e Coreia do Sul", afirmou.
Alckmin destacou que o Mercosul vive um momento positivo e lembrou a conclusão de acordos comerciais com Singapura, os países da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e a União Europeia. Também afirmou que a Coreia do Sul mantém interesse em avançar nas negociações de um acordo comercial com o bloco.
Alckmin acrescentou que o Brasil continuará negociando para reverter as tarifas consideradas injustas impostas pelos Estados Unidos e ressaltou que o país "não saiu da mesa de negociação".
A estratégia do governo está baseada em três pilares:
apoiar as empresas afetadas;
diversificar mercados; e
manter as negociações diplomáticas.
Ao comentar a possibilidade de adoção da chamada reciprocidade comercial, Alckmin afirmou que a medida não deve ser interpretada como retaliação. "Reciprocidade é uma possibilidade. Não é retaliação", disse.
"O Brasil defende o multilateralismo e regras para o comércio internacional. Abrir mercados beneficia a sociedade com produtos melhores, mais baratos e maior competitividade", concluiu.
Receita atualiza informações e lista 22 empresas classificadas como devedoras contumazes

A Receita Federal informou nesta terça-feira (28) que subiu para 22 o número de empresas classificadas como devedoras contumazes, ou seja, aquelas que deixam de pagar tributos de forma planejada e recorrente para obter vantagem competitiva e driblar a legislação tributária.
A classificação foi criada para identificar empresas que fazem do não pagamento de impostos uma estratégia de negócio.
🔎O objetivo da lista é combater a inadimplência tributária considerada substancial, reiterada e injustificada, além de fortalecer a conformidade fiscal, estimular a concorrência leal entre empresas e ampliar a transparência das ações da administração tributária, de acordo com o Fisco.
🖥️A relação de devedores contumazes é pública e está disponível no site da Receita Federal. A lista é atualizada periodicamente e reúne apenas empresas que concluíram todo o processo administrativo previsto na legislação complementar e tiveram o enquadramento formalizado.
Segundo a Receita, estão na lista:
MENENDEZ AMERINO & CIA LTDA
BELLAVANA INDUSTRIA, COMERCIO, IMPORTACAO, EXPORTACAO DE TABACOS LTDA
CIBAHIA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA
EAGLE DISTRIBUIDORA DE CIGARROS LTDA
MITKA COMERCIAL E EXPORTACAO LTDA
CERBA DESTILARIA DE ALCOOL LTDA - EM RECUPERACAO JUDICIAL
Q&B SERVICOS S.A.
DISCOM DISTRIBUIDORA DE COMBUSTIVEIS E COMERCIO LTDA
XODO COMERCIAL LTDA
R5 COMERCIO E SERVICOS LTDA
PANTERA DISTRIBUIDORA DE COMBUSTIVEIS S/A
COMPANHIA USINA DO OUTEIRO
BIO VIDA PRODUCAO E COMERCIO DE BIODIESEL LTDA
POSTOS WK JARAGUA LTDA
ARAGUAIA DISTRIBUIDORA DE COMBUSTIVEIS S/A
ALCOOLBRAS - ALCOOL DO BRASIL DISTRIBUIDORA DE COMBUSTIVEIS LTDA
USINA SAO PAULO ENERGIA E ETANOL S.A.
COSME E LAVOR LTDA - EM RECUPERACAO JUDICIAL
MAERSK FPSO BRASIL SERVICOS DE PRODUCAO MARITIMOS LTDA
POSTO LIDER LTDA
AUTO POSTO NAGOYA LTDA
MINAS PETRO COMERCIO DE DERIVADOS DE PETROLEO LTDA
Agora no g1
As duas primeiras, Menendez Amerino e Bellavana Indústria, Comércio, Importação, Exportação de Tabacos, do setor fumageiro, estavam na primeira divulgação da Receita Federal.
Segundo a Receita, a lista é dinâmica e continuará sendo ampliada à medida que novos processos administrativos forem concluídos.
Atualmente, as empresas listadas pertencem, principalmente, aos setores de cigarros e combustíveis. De acordo com o Fisco, há previsão de estender a fiscalização para outros segmentos da economia com histórico de inadimplência tributária, que ainda estão em análise.
"Embora não haja cronograma definido, novas notificações deverão ocorrer ao longo dos próximos meses", informou a Receita Federal, em nota.
A fachada da Superintendência da Receita Federal.
Pillar Pedreira/Agência Senado
Governo Trump alega que Brasil interfere na economia dos EUA e prorroga sanções por 1 ano

Trump renova lei de emergência contra Brasil
O governo dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (28) a prorrogação por mais um ano da ordem executiva assinada contra o Brasil no dia 30 de julho de 2025, com base na chamada Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional.
O anúncio desta terça, porém, não tem efeito prático com relação ao tarifaço. Isso porque a medida de 2025, que impunha uma tarifa de 50% sobre os produtos importados do Brasil, acabou derrubada pela Suprema Corte.
Em entrevista ao Jornal Nacional, o ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) Roberto Azevêdo explica que o efeito é político.
"A Suprema Corte reverteu a autoridade do presidente de atuar na área tarifária, mas continuam, por exemplo, as sanções financeiras que foram aplicadas contra autoridades brasileiras."
👉 As tarifas atuais em vigor contra o Brasil são resultado de outro mecanismo: uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 — instrumento que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países.
Roberto Azevêdo explica, no entanto, que "tudo que não é tarifário continua valendo" - por exemplo, sanções financeiras contra autoridades brasileiras, embargo ou congelamento de bens.
Acusações contra o governo brasileiro
O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta enquanto discursa sobre a economia no Campo de Provas da General Motors em Milford, Michigan, EUA
REUTERS/Carlos Osorio
No comunicado desta terça, o governo Trump voltou a fazer uma série de acusações contra o governo brasileiro.
A Casa Branca alega que o Brasil adota práticas que "interferem na economia dos Estados Unidos, infringem os direitos de livre expressão de cidadãos norte-americanos, violam os direitos humanos e minam o interesse dos EUA em proteger seus cidadãos e empresas";
acusa membros do governo brasileiro de "perseguir politicamente um ex-presidente, sua família e seus apoiadores", em uma referência a Jair Bolsonaro;
e cita o STF como "promotor de censura", menciona "prisão de pessoas que exercem a liberdade de expressão" e "censura de conteúdos na internet".
O Itamaraty ainda não se manifestou sobre o comunicado.
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O que é uma ordem executiva?
Essa medida funciona como um instrumento do governo federal que não requer aprovação do Congresso.
Segundo a BBC, uma ordem executiva precisa funcionar nos limites da lei, sendo, em teoria, cada uma delas revisada pelo Gabinete de Assessoria Jurídica quanto à forma e legalidade – porém, isso nem sempre acontece.
Se uma ordem for considerada fora dos limites do que é aceitável, ela poderá estar sujeita a uma revisão legal. O Congresso também pode aprovar uma lei para anular a ordem executiva, mas o presidente ainda tem poder de veto sobre essa lei.
VEJA O COMUNICADO DO GOVERNO DOS EUA NA ÍNTEGRA:
CONTINUAÇÃO DA EMERGÊNCIA NACIONAL EM RELAÇÃO AO BRASIL
Em 30 de julho de 2025, por meio da Ordem Executiva 14323, declarei emergência nacional em relação ao Brasil, nos termos da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, para enfrentar a ameaça incomum e extraordinária, cuja origem está total ou substancialmente fora dos Estados Unidos, à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos, representada pelas políticas, práticas e ações do Governo do Brasil que interferem na economia dos Estados Unidos, restringem os direitos à liberdade de expressão de pessoas dos Estados Unidos, violam os direitos humanos e prejudicam o interesse dos Estados Unidos em proteger seus cidadãos e empresas.
Membros do Governo do Brasil também estão perseguindo politicamente um ex-Presidente do Brasil, sua família e seus apoiadores, o que está contribuindo para o deliberado enfraquecimento do Estado de Direito no Brasil, para a intimidação por motivação política naquele país e para abusos de direitos humanos.
Determinadas atividades, como a censura promovida pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil e a prisão de pessoas que exercem a liberdade de expressão, bem como a censura de conteúdos na internet, continuam a representar uma ameaça incomum e extraordinária, cuja origem está total ou substancialmente fora dos Estados Unidos, à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos.
Por esse motivo, a emergência nacional declarada na Ordem Executiva 14323, de 30 de julho de 2025, deve permanecer em vigor após 30 de julho de 2026. Portanto, em conformidade com a seção 202(d) da Lei de Emergências Nacionais (National Emergencies Act – 50 U.S.C. 1622(d)), estou prorrogando por mais um ano a emergência nacional em relação ao Brasil declarada na Ordem Executiva 14323.
Este aviso será publicado no Federal Register e encaminhado ao Congresso.
CASA BRANCA,
28 de julho de 2026.
VÍDEOS: agora no g1
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Avião de rota mais longa do mundo bate recorde com voo direto de 24 horas
Avião que fará rota mais longa do mundo faz voo direto de 24 horas
O avião projetado para fazer a rota comercial mais longa do mundo bateu um recorde nesta terça-feira (24) ao completar um voo direto de 24 horas e 24 minutos, informou a fabricante europeia Airbus.
Segundo a companhia, a aeronave A350-1000ULR fez um trajeto de 23.075 km, entre Melbourne, na Austrália, e Toulouse, na França. Para isso, cruzou três continentes, dois oceanos e acompanhou o nascer e o pôr do sol duas vezes.
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A Airbus tem um acordo para vender 12 unidades do A350-1000ULR para companhia aérea australiana Qantas, que será capaz de fazer voos sem paradas entre a Austrália e destinos como o Reino Unido e os Estados Unidos.
O voo comercial mais longo em operação neste momento é o da Singapore Airlines, entre Singapura e Nova York, com aproximadamente 15.350 km e mais de 18 horas de duração. O voo entre Sidney, na Austrália, e Londres, no Reino Unido, por exemplo, alcançaria 18.500 km.
A350-1000ULR, da Airbus, durante voo de mais de 24 horas de duração
Divulgação/Airbus
Qual é o segredo dos aviões que conseguem ficar mais de 18 horas no ar?
A aeronave identificada pelo código MSN707 já tinha completado na última sexta-feira (24) um voo de 19 horas e 12 minutos no sentido inverso, de Toulouse e Melbourne. Seu primeiro voo de teste foi feito no início de junho, com um voo de 3 horas e 43 minutos.
O A350-1000ULR (ULR é a sigla em inglês para "alcance ultralongo") é uma variação do A350-1000. Uma das diferenças para a versão padrão é um tanque adicional com capacidade para mais 20 mil litros de combustível, o que aumenta a autonomia em mais de 1.800 km, segundo a Airbus.
Após atrasos na entrega, a Qantas espera começar a operação comercial da aeronave em outubro de 2027 – o prazo inicial para inaugurar a rota era 2025 e já tinha sido adiado para o final de 2026.
O investimento faz parte do que a empresa chamou de Projeto Sunrise ("nascer do sol"). Ele ganhou esse nome porque, devido à diferença do fuso horário entre a Austrália e o restante do mundo, os passageiros poderão ver o nascer do sol duas vezes nos voos mais longos.
A350-1000ULR, da Airbus, durante voo de mais de 24 horas de duração
Divulgação/Airbus
Como será o voo mais longo do mundo
A Qantas informou em 2025 que, para oferecer mais conforto, levará até 238 passageiros por voo, abaixo dos cerca de 300 lugares da versão padrão da aeronave.
O projeto da Qantas inclui uma zona de bem-estar com opções para passageiros alongarem as pernas, se alimentarem e se hidratarem. Além disso, todos terão acesso a Wi-Fi durante o voo.
O avião terá 6 assentos na primeira classe, 52 na classe executiva, 40 na classe econômica premium e 140 na classe econômica. Saiba mais sobre cada uma delas:
Primeira classe com quarto privativo com poltrona reclinável, cama, TV de 32", seis áreas para armazenar objetos, guarda-roupa e espaço para trabalhar e comer;
Classe executiva com poltrona larga de 2 metros de comprimento (que pode virar cama), TV de 18", mesa de apoio, carregador sem fio, área de armazenamento e opção para fechar a cabine;
Classe econômica premium com apoios para pernas e cabeça, tela de 13,3" e porta-luvas pessoal;
Classe econômica com apoio para cabeça, espaço extra para pernas, tela de 13,3".
A empresa também disse ter trabalhado com especialistas em sono para reduzir os efeitos do jet lag com a adoção de iluminação e horários de refeição mais adequados.
Primeira classe do avião do projeto Sunrise
Divulgação/Qantas
Zona de bem-estar do avião do projeto Sunrise
Divulgação/Qantas
Classe executiva do avião do projeto Sunrise
Divulgação/Qantas
Classe econômica premium do avião do projeto Sunrise
Divulgação/Qantas
Classe econômica do avião do projeto Sunrise
Divulgação/Qantas
OpenAI pode desacelerar avanço da IA após agente escapar e realizar ciberataque, diz Sam Altman

Começa julgamento sobre OpenAI que coloca Elon Musk e Sam Altman um contra o outro
Os grandes desenvolvedores de modelos de inteligência artificial podem ser obrigados a desacelerar seus avanços "para dar tempo à sociedade diante destas novas capacidades", estimou nesta terça-feira (28) Sam Altman, diretor executivo da OpenAI, recentemente envolvida em um ciberataque.
Dois sistemas de IA da empresa de Altman realizaram um ciberataque por iniciativa própria: escaparam do seu ambiente fechado e se conectaram à internet para invadir a biblioteca de modelos de IA online Hugging Face em busca de informações.
Agente de IA da OpenAI invadiu sistema do Hugging Face e empresa só percebeu dias depois, diz investigação
"É o primeiro incidente de (ciber)segurança que me provocou uma reação visceral", reconheceu Altamn em uma entrevista para o podcast "Invest Like The Best", publicada nesta terça-feira; "e me surpreende um pouco que isso não tenha causado o mesmo efeito em mais pessoas", acrescentou.
Embora não seja a primeira vez que um modelo de IA escapa do controle de seus desenvolvedores, este é considerado o incidente mais grave.
O CEO da OpenAI, Sam Altman, já declarou diversas vezes que apoia uma maior regulamentação em torno da IA
Reuters
Sociedade precisa aprender a lidar com a IA
Altman revelou que, após ter conhecimento do ataque, a OpenAI suspendeu os testes "para entender como conseguir confinar" seus sistemas em testes, que em princípio estão isolados da internet.
"Mas, a longo prazo, surge a pergunta sobre o que fazer caso nos deparemos com um novo ritmo de avanço" da IA, explicou, em um contexto em que "poderíamos ter que desacelerar o ritmo de desenvolvimento da IA para dar tempo suficiente à sociedade para lidar com essas novas capacidades".
Em uma mensagem publicada no início de junho, o diretor-geral da Anthropic,
Dario Amodei, cofundador e CEO da Anthropic, foi vice-presidente de pesquisa da OpenAI
Getty Images
, havia considerado que seria "positivo" frear o desenvolvimento da IA para dar tempo "de compreender melhor suas imensas consequências".
Para Altman, esta eventual desaceleração no desenvolvimento da IA deve evitar que ela favoreça um ou vários grupos do setor: "Isso vai exigir trabalho", advertiu, "e é importante encontrar a fórmula adequada".
Visa planeja demitir mais de 2 mil funcionários com aprofundamento de pressão por eficiência

Vítima diz que diácono não é 'exemplo' após demissão por assédio, na Paraíba
A Visa planeja cortar 7% de sua força de trabalho, ou cerca de 2.600 empregos, informou um porta-voz da empresa nesta terça-feira (28), à medida que a processadora de pagamentos busca se tornar mais eficiente, cerca de seis meses após uma medida semelhante tomada por sua principal concorrente.
Os cortes de pessoal afetarão principalmente as equipes de tecnologia e de produtos.
“Tenho profunda convicção de que estamos fazendo o que é certo para a Visa, nossos clientes e nossos parceiros, à medida que continuamos a nos concentrar em promover a eficiência em toda a empresa, a fim de reinvestir em nossas oportunidades de maior potencial”, escreveu o presidente-executivo, Ryan McInerney, em um memorando aos funcionários, cujos trechos foram confirmados pelo porta-voz da empresa.
Mais cedo neste ano, a concorrente Mastercard anunciou planos de demitir 4% de sua força de trabalho global, citando a necessidade de reorientar os investimentos em diferentes áreas. A empresa Block também informou, em fevereiro, que cortaria quase metade de sua força de trabalho, ou seja, 4.000 empregos.
-HN- Cartões de crédito da bandeira VISA
Jason Reed/Reuters
McInerney afirmou que a Visa deve continuar evoluindo em sua forma de operar para aproveitar oportunidades de crescimento e se manter à frente das mudanças do setor, com a IA desempenhando um papel fundamental na aceleração dessa transformação.
A IA é responsável?
As demissões em massa ressaltam como as empresas estão começando a traduzir os investimentos em inteligência artificial em mudanças na força de trabalho, aumentando as preocupações entre trabalhadores e economistas de que a tecnologia possa substituir empregos, ainda que impulsione a produtividade e a lucratividade.
A IA ajudou a reduzir tarefas repetitivas e a acelerar o desenvolvimento de produtos, mas não foi o único fator por trás da decisão, de acordo com a Bloomberg News, que foi a primeira a noticiar as demissões em massa, citando uma pessoa a par do raciocínio da empresa.
Inteligência artificial ganha espaço como diferencial competitivo nas empresas
Inteligência Artificial
De acordo com o relatório anual da empresa para 2025, a Visa contava com cerca de 34.100 funcionários no ano fiscal de 2025, um aumento de 8% em relação ao ano anterior.
“Não consideramos isso um evento significativo, pois se trata apenas de uma das empresas mais bem administradas do mundo ajustando seu quadro de funcionários e custos e realocando dinheiro e recursos para áreas de maior crescimento e retorno”, afirmaram analistas da Evercore ISI em uma nota.
Brasil avalia acionar OMC contra veto da União Europeia à carne brasileira e vê motivação política

União Europeia confirma veto à compra da carne brasileira
Além da disputa contra o tarifaço imposto pelos Estados Unidos, o governo brasileiro também avalia recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar a decisão da União Europeia (UE) de barrar as exportações de carne do Brasil.
Em junho, a UE publicou um documento oficializando a sua decisão de excluir o Brasil da lista de países que podem exportar produtos de origem animal para países do bloco europeu.
Segundo a publicação, o Brasil foi excluído por não ter apresentado à Comissão Europeia as informações necessárias para comprovar que sua produção atende às exigências da UE sobre o uso de antimicrobianos.
🔎Antimicrobianos são substâncias usadas para tratar e prevenir infecções em animais. Alguns desses medicamentos também podem funcionar como promotores de crescimento.
Na lista de 2024, o Brasil aparecia como autorizado a exportar carne bovina, de frango e de cavalo, além de tripas, peixe e mel. Agora, o país aparece excluído da lista de todos esses produtos.
Carne bovina não está incluída na nova tarifa de 25%
Eraldo Peres/AP Photo/picture alliance via DW
Desde a decisão, o Ministério da Agricultura e o setor privado buscam soluções técnicas para oferecer as garantias que os europeus solicitaram, ou seja, visitas técnicas presenciais aos criadouros.
Outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, seguem autorizados para exportar para a UE.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, as perdas podem chegar a US$ 2,4 bilhões por ano (cerca de R$ 12,3 bilhões, com base na cotação atual do dólar). A medida, que retira o país da lista de exportadores autorizados, entra em vigor em setembro.
Em documento enviado ao Congresso Nacional, o Itamaraty afirma que ainda prioriza as negociações para tentar reverter a decisão, mas não descarta recorrer aos mecanismos de solução de controvérsias da OMC e do acordo entre Mercosul e União Europeia.
O ministério também afirma identificar uma motivação política por trás da medida.
Segundo o documento, setores europeus historicamente contrários ao acordo comercial entre Mercosul e União Europeia passaram a defender sua adoção, o que, na avaliação do governo brasileiro, indica que a exclusão do Brasil da lista de exportadores "também possui uma dimensão política", independentemente da justificativa técnica apresentada pelas autoridades europeias.
Lucro do FGTS: calculadora mostra quanto você vai receber com a distribuição de R$ 13 bilhões

Lucro do FGTS será pago aos trabalhadores
A Caixa Econômica Federal começa a distribuir, na sexta-feira (31), parte do lucro obtido pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em 2025.
Acesse a calculadora do g1 para simular o valor que você vai receber: CLIQUE AQUI
O repasse, aprovado pelo Conselho Curador do FGTS nesta terça-feira (28), será de R$ 13,04 bilhões, o equivalente a 89% do lucro do fundo no ano passado. Ao todo, 138,2 milhões de trabalhadores com saldo em conta receberão os valores.
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Para calcular o valor que será creditado, o trabalhador deve multiplicar o saldo existente na conta do FGTS em 31 de dezembro de 2025 pelo índice 0,0186834.
Assim, quem tinha R$ 1 mil em uma conta do fundo no fim do ano passado, por exemplo, receberá, nessa mesma conta, R$ 18,68, e assim por diante.
Veja abaixo perguntas e respostas sobre o lucro do FGTS:
Poderei sacar o valor depositado?
Quem tem direito a receber parte do lucro?
Quando o depósito vai ser feito?
Como posso consultar meu saldo?
O depósito é diferente em cada conta vinculada?
Qual é a rentabilidade?
Qual é a regra de distribuição?
Poderei sacar o valor depositado?
As possibilidades de saque do saldo do FGTS permanecem as mesmas. Ou seja, não haverá mudanças nas regras atuais.
O FGTS funciona como uma reserva financeira para trabalhadores com carteira assinada e pode ser usado em casos como demissão sem justa causa, compra da casa própria e outras situações, entre elas:
aposentadoria;
término do contrato por prazo determinado;
falecimento do empregador individual ou decretação de nulidade do contrato de trabalho;
falecimento do trabalhador;
outros casos específicos, como calamidade pública e doenças graves. (veja todas as situações aqui)
Quem tem direito a receber parte do lucro?
Todos os trabalhadores que tinham saldo em contas do FGTS (ativas ou inativas) em 31 de dezembro de 2025 têm direito a receber uma parcela do lucro.
Quando o depósito vai ser feito?
Os valores serão creditados nas contas do FGTS dos trabalhadores nesta sexta-feira (31).
Como posso consultar meu saldo?
A consulta pode ser feita pelo site da Caixa Econômica Federal ou pelo aplicativo FGTS, a partir do cadastro do trabalhador.
O depósito é diferente em cada conta vinculada?
Um mesmo trabalhador pode ter mais de uma conta do FGTS, referente a empregos diferentes. Por isso, o valor creditado é calculado separadamente para cada conta, com base no saldo existente em cada uma delas.
Quanto maior o saldo no FGTS, maior será o valor recebido da distribuição do lucro.
Qual é a rentabilidade?
Com a distribuição do lucro, a rentabilidade das contas do FGTS em 2025 será de 6,90%, o que representa um ganho real (acima da inflação) de 2,53 pontos percentuais.
Em 2025, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a inflação oficial do país, foi de 4,26%.
Com a aprovação da distribuição, o crédito equivale a um acréscimo de 1,87% na rentabilidade de cada conta, proporcional ao saldo individual.
Qual é a regra de distribuição?
Por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), a remuneração do FGTS deve garantir, no mínimo, a correção pela inflação medida pelo IPCA em todos os anos.
FGTS - Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
Lucas Figueira/G1
Apple chega a valer US$ 5 trilhões durante pregão e ultrapassa Nvidia

Modelos da linha iPhone 17 em loja da Apple em Taiwan, em foto de 19 de setembro de 2025
Reuters/Ann Wang
Na abertura do mercado de ações, na manhã desta terça-feira (28), a Apple chegou a superar a Nvidia por um breve período.
Na abertura do pregão, as ações da Apple foram negociadas a US$ 340,03 e chegaram a atingir a máxima de US$ 342,89.
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Esta foi a primeira vez que a empresa comandada por Tim Cook superou a marca, atingindo a alta de US$ 5,036 trilhões em valor de mercado, patamar que até então havia sido alcançado apenas pela Nvidia.
Neste ano, as ações da Apple acumulam alta de 24%, desempenho que supera o das demais empresas do setor de tecnologia.
Agora no g1
Segundo a agência Reuters, o desempenho positivo das ações da Apple é impulsionado por dois fatores principais:
A demanda por seus produtos segue elevada, incluindo o iPhone e computadores como o Mac mini e o iMac;
Após não apresentar uma solução de inteligência artificial à altura das concorrentes, a empresa optou por adotar uma tecnologia desenvolvida pelo Google para aprimorar as respostas oferecidas aos usuários.
Outro fator que contribuiu para a valorização de mercado da Apple é um programa de assinatura de produtos da marca, disponível apenas nos Estados Unidos. Por meio dele, os consumidores podem pagar a partir de US$ 17,99 por mês para utilizar um iPhone, US$ 11,99 mensais para um Apple Watch ou iPad, e US$ 24,99 por um Mac.
Os planos têm duração de 12 ou 24 meses. Ao fim do contrato, o cliente pode renovar a assinatura e receber uma versão mais recente do aparelho ou adquirir o modelo que já utiliza. Também é possível devolver o dispositivo e encerrar os pagamentos mensais.
É #FAKE que fabricante de geladeiras Brastemp e Consul vai fechar fábrica no Brasil

É #FAKE que fabricante de geladeiras Brastemp e Consul vai fechar fábrica no Brasil
Reprodução
Circulam nas redes sociais publicações alegando que a fabricante das marcas Brastemp e Consul anunciou o fechamento de uma fábrica no Brasil. É #FAKE.
Selo Fake (Horizontal)
g1
🔴 Como são os posts?
As publicações circulam desde o início do mês de julho no X, Facebook e Instagram, e exibem uma foto de uma fábrica com o texto: "Fabricante das geladeiras Brastemp e Consul anuncia fechamento de fábrica".
Veja dois exemplos de legendas: "📍 Brasil à beira do abismo 🇧🇷❌🇧🇷 Fabricante das geladeiras Brastemp e Consul anuncia fechamento de fábrica" e "O Brasil está voando... Para o precipício".
Mas isso não é verdade: os posts omitem que o fechamento é de uma fábrica no México, divulgado em 1° de julho. Ao Fato ou Fake, a Whirlpool, dona da Consul e da Brastemp, esclareceu que o anúncio não tem nenhuma relação com as fábricas do Brasil, localizadas em Joinville (SC), Manaus (AM) e Rio Claro (SP) — leia mais abaixo.
⚠️ Por que #É FAKE?
Em nota enviada por e-mail ao Fato ou Fake, a Whirlpool desmentiu as alegações:
"O anúncio prevê o fechamento gradual da fábrica de Apodaca, no México, e não de suas unidades no Brasil".
Segundo a empresa, a produção de Apodaca será descontinuada gradualmente, com previsão de fechamento até o segundo trimestre de 2027.
A fabricação de refrigeradores será transferida para a unidade em Ramoz Arizpe, também no México.
"A Whirlpool Corporation revisa regularmente sua estrutura de manufatura para garantir que a empresa permaneça ágil, resiliente e posicionada para atender aos consumidores e parceiros varejistas. Como parte dessa revisão, foi tomada a decisão de consolidar as operações do México a fim de melhorar a eficiência e fortalecer nossa rede de fabricação".
Além do fechamento no México, a Whirlpool já havia comunicado o encerramento de atividades na fábrica de Pilar, na Argentina, em abril deste ano.
A produção foi transferida para a unidade de Rio Claro, no interior de São Paulo, onde a empresa anunciou um investimento de R$ 300 milhões e a abertura de 200 vagas de emprego.
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X Money: rede social de Elon Musk lança serviço de pagamentos e conta digital para assinantes nos EUA

Rede social X, do bilionário Elon Musk
AP Photo/Rick Rycroft
A rede social X, de Elon Musk, lançou nesta segunda-feira (27) o X Money, serviço financeiro que reúne conta digital, carteira virtual, transferências entre usuários e cartão de débito Visa.
Inicialmente, a novidade estará disponível apenas para assinantes dos planos Premium e Premium+ nos Estados Unidos.
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O lançamento marca mais um passo na estratégia de Musk de transformar o X em um "superapp", concentrando diferentes serviços em uma única plataforma. Em 2023, o empresário afirmou que, "se envolver dinheiro, estará na nossa plataforma".
🔍 Segundo informações da empresa, o X Money permitirá fazer transferências instantâneas entre usuários da rede social sem cobrança de taxas, receber salário por depósito direto, sacar dinheiro em caixas eletrônicos, emitir cheques eletrônicos e realizar transferências bancárias.
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Os clientes também poderão adicionar o cartão virtual ao Apple Pay e a outras carteiras digitais compatíveis.
De acordo com a companhia, a conta renderá até 6% ao ano (APY) sobre o saldo. O rendimento máximo será automático para assinantes Premium+, enquanto usuários Premium precisarão cumprir requisitos, como receber depósitos diretos qualificados. Além disso, o cartão X oferecerá 3% de cashback em compras elegíveis.
O serviço também promete antecipar em até dois dias o recebimento de salários por depósito direto e reembolsar tarifas cobradas por caixas eletrônicos, inclusive em saques internacionais.
Embora o X Money não seja um banco, o dinheiro dos usuários ficará depositado no Cross River Bank, instituição americana participante do sistema de garantia de depósitos dos EUA.
Além disso, a empresa afirma que os recursos poderão ter cobertura de até US$ 10 milhões (R$ 55,6 milhões), uma vez que o saldo é distribuído automaticamente entre diferentes bancos participantes, ampliando o limite de proteção normalmente oferecido por uma única instituição.
Disponibilidade
Elon Musk quer transformar o X em um "superapp", com serviços financeiros, mensagens e conteúdo em uma única plataforma.
Reprodução/X
Para usar o X Money, será necessário ter pelo menos 18 anos, residir nos EUA, possuir uma conta ativa na plataforma e passar por verificação de identidade.
A empresa informou que o serviço está sendo disponibilizado gradualmente para assinantes Premium e Premium+ no país e que avisará os usuários quando a funcionalidade estiver disponível em suas contas.
Até o momento, não há previsão de lançamento do serviço em outros países, incluindo o Brasil.
O sistema de pagamentos digitais do X foi anunciado pela primeira vez em março deste ano.
Musk comprou o Twitter em 2022 por US$ 44 bilhões (cerca de R$ 227 bilhões, na cotação atual) e rebatizou a plataforma como X.
Desde a aquisição, o bilionário tem afirmado que pretende transformar a rede social em um único serviço recursos como mensagens, transmissões ao vivo, vídeos, pagamentos e outros serviços financeiros.
Conselho autoriza pagamento de R$ 13 bilhões do lucro do FGTS a 138 milhões de trabalhadores

O Conselho Curador do FGTS autorizou o pagamento de R$ 13,04 bilhões relativos ao lucro do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) em 2025 a 138,2 milhões de trabalhadores com saldo em conta vinculada.
A decisão sobre o pagamento foi formalizada durante reunião nesta terça-feira (28). O Conselho é formado por representantes do governo, dos patrões e dos trabalhadores.
➡️Os valores serão creditados nas contas vinculadas dos trabalhadores até 31 de agosto de 2026. As consultas serão liberadas no site da Caixa ou pelo aplicativo do FGTS no celular.
App FGTS, aplicativo FGTS, saque aniversário, saque calamidade
Stephanie Fonseca/g1
No ano passado, o FGTS registrou resultado positivo de cerca de R$ 14,65 bilhões. O valor a ser distribuído representa 89% do lucro registrado no período.
Com a distribuição do lucro, a rentabilidade total das contas, em 2025, atingirá 6,90% — o que representa um ganho real (acima da inflação) de 2,53 pontos percentuais. No ano passado, o IPCA, a inflação oficial do país, somou 4,26%.
Pela proposta, o crédito será equivalente a um acréscimo de 1,87% na rentabilidade de cada conta, proporcional ao saldo individual.
Se um trabalhador tiver um saldo R$ 1 mil, por exemplo, terá um crédito, em sua conta vinculada, de R$ 18,68, e assim por diante.
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De acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), a remuneração do FGTS deve garantir, no mínimo, a correção pelo IPCA em todos os anos.
Quem tem direito ao depósito e como consultar o valor?
💲Todas as pessoas com contas (ativas ou inativas) vinculadas ao FGTS em 2025, com saldo em dezembro, terão direito a receber uma parcela dos lucros.
💲A divisão é proporcional ao saldo em cada conta. Quanto maior o saldo do trabalhador, mais ele irá receber de parte do lucro do FGTS.
💲Para calcular o valor a ser creditado, o trabalhador deve multiplicar o saldo existente na conta de FGTS em 31/12/2025 pelo índice de 0,01868341.
Histórico de distribuição
Confirmada a distribuição do lucro neste ano, o Conselho do FGTS manteve uma rotina que vigorou nos últimos anos.
Em 2025, o Conselho do FGTS aprovou a divisão de 95% do lucro obtido em 2024 aos trabalhadores. Ao todo, foram repassados R$ 12,9 bilhões.
Em 2024, o conselho do FGTS aprovou a distribuição de R$ 15,2 bilhões aos trabalhadores relativos a parte do lucro registrado no ano anterior. A decisão foi unânime.
Em 2023, o FGTS registrou um lucro recorde de R$ 23,4 bilhões. Mas, pela proposta do Ministério do Trabalho, somente parte desse valor, cerca de 65%, foi destinado aos trabalhadores.
Pra onde vai o dinheiro?
De acordo com as regras, os recursos serão depositados nas contas vinculadas dos trabalhadores no FGTS. Isso não quer dizer, entretanto, que eles poderão ser sacados de imediato.
Os valores poderão ser buscados quando houver, por exemplo:
demissão sem justa causa, pelo empregador;
término do contrato por prazo determinado;
rescisão por acordo entre trabalhador e empregador;
aposentadoria;
idade igual ou superior a 70 anos;
doenças graves (trabalhador ou dependente);
aquisição de casa própria, liquidação ou amortização de dívida ou pagamento de parte das prestações de financiamento habitacional;
saque-aniversário.
Veja todas possibilidades no site da Caixa Econômica Federal.
WhatsApp Web ganha chamadas de vídeo e áudio; veja como vai funcionar

Chamadas de vídeo no WhatsApp Desktop
Divulgação/WhatsApp
O WhatsApp anunciou nesta terça-feira (28) que sua versão Web, usada em navegadores, passou a suportar chamadas de vídeo e áudio. A plataforma disse que a atualização está sendo liberada aos poucos e ficará disponível para todos em breve.
Com a mudança, é possível conversar pelo computador sem baixar nenhum aplicativo. O WhatsApp Web também ganha recursos de outras versões, como compartilhamento de tela e reações, além de uma aba com o histórico de ligações.
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Como acontece com as demais mensagens no WhatsApp, chamadas feitas em navegadores são protegidas com criptografia de ponta a ponta, impedindo que elas sejam acessadas por terceiros.
O aplicativo também passou a oferecer a opção de transferir a ligação para outros dispositivos, o que deve ajudar quem conversa em movimento. Com o recurso, é possível passar do dispositivo móvel para o computador – e vice-versa – sem deixar a chamada.
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Outra mudança é a sala de espera para liberar a entrada de pessoas na chamada. O recurso é parecido com o que existe em outros serviços de chamadas online e pode ser usado ao criar um link de ligação com a opção "Exigir aprovação para participar".
Ainda segundo o WhatsApp, a qualidade das chamadas de vídeo melhorou para mostrar imagens em alta definição logo no início da conversa. Além disso, o serviço liberou um recurso de supressão de ruído para fazer a voz de quem está falando ficar nítida mesmo em ambientes barulhentos.
Na última quarta-feira (22), o aplicativo também anunciou mudanças nas versões para iPad e para carros com os sistemas de multimídia CarPlay e Android Auto, que ficaram mais parecidas com a versão para celular.
IPCA-15: prévia da inflação sobe 0,06% em julho puxada por energia elétrica

IPCA-15 desacelera e vem abaixo das projeções
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, registrou uma alta de 0,06% em julho. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado representa uma desaceleração em comparação ao mês anterior, quando o indicador teve alta de 0,41%, e veio bem abaixo das projeções — segundo pesquisas feitas pela Reuters, economistas previam uma alta de 0,20% para o período. Com isso, o índice acumula alta de 3,51% no ano e de 4,52% em 12 meses.
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O grupo de Habitação registrou a maior variação e o maior impacto no IPCA-15, com um avanço de 0,97% no mês. A alta foi puxada principalmente pelos preços de energia elétrica residencial, que subiu 3,03%, sendo o principal impacto individual no mês.
Além da bandeira tarifária amarela, que tem cobrança adicional de R$ 1,885 para cada 100 Kwh consumidos, os preços de energia elétrica também contaram com reajustes tarifários em diversos estados, como Curitiba, Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Reajustes nas taxas de água e esgoto também ajudam a explicar a alta dos preços no grupo Habitação.
Entre os demais grupos que registraram alta, destaque para Saúde e cuidados pessoais (0,28%), influenciado por produtos de higiene pessoal (0,51%) e Transportes (0,11%), que teve impacto da alta de 11,70% em passagens aéreas.
O grupo de Alimentação e bebidas, que foi um dos principais motores de alta do IPCA-15 no mês passado, registrou queda de 0,66% em julho, puxado pela redução nos preços de alimentação no domicílio. (entenda mais abaixo)
Comparação mensal do IPCA-15 de julho.
Arte/g1
Veja abaixo a variação dos grupos em julho
Alimentação e bebidas: -0,66%;
Habitação: 0,97%;
Artigos de residência: 0,19%;
Vestuário: -0,33%;
Transportes: 0,11%;
Saúde e cuidados pessoais: 0,28%;
Despesas pessoais: 0,08%;
Educação: -0,04%;
Comunicação: -0,02%.
Agora no g1
Alimentos para consumo em casa ficam mais baratos
A queda de 1,14% na alimentação no domicílio foi puxada, principalmente, pelos recuos nos preços:
🍅 do tomate (19,95%);
🥔 da batata-inglesa (-10,03%); e
☕ do café moído (-3,13%).
Já do lado das altas, o destaque fica com a cebola e o pão francês, que tiveram altas de 7,10% e 0,65%, respectivamente.
A alimentação fora do domicílio, por outro lado, saiu de uma alta de 0,40% em junho para um avanço de 0,55% em julho, puxada pela aceleração nos preços da refeição, que saiu de 0,39% para 0,66%. O lanche, por sua vez, desacelerou de 0,45% em junho para 0,30% em julho.
Acumulado em 12 meses do IPCA-15 de julho.
Arte/g1
Queda dos combustíveis ajuda a conter preços
Apesar da alta do grupo Transportes, puxado pelo avanço nos preços das passagens aéreas, os preços dos combustíveis registraram uma queda de 0,90% na prévia da inflação deste mês. Veja abaixo:
⛽ Etanol: -2,50%
⛽ Gasolina: -0,68%
⛽ Óleo diesel: -1,32%
⛽ Gás veicular: -0,97%
Os preços dos combustíveis registraram fortes altas no primeiro semestre, em reflexo à guerra travada entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã. Isso porque o conflito acabou fechando o Estreito de Ormuz, canal por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo.
Inflação.
ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Dólar e Ibovespa fecham em alta, com expectativa por negociações entre EUA e Irã

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar fechou em alta nesta terça-feira (28), com um avanço de 0,20%, cotado a R$ 5,1216. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, também ficou no positivo, com ganhos de 0,70%, aos 176.565 pontos.
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▶️ Investidores seguem na expectativa pelas negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã. Na véspera, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que decidiu suspender os ataques para dar mais uma chance às tratativas, mas disse que pode retomar uma ação militar ainda mais forte caso a saída diplomática fracasse. Mais cedo, no entanto, Teerã havia afirmado que não havia nenhuma negociação em andamento.
O alívio das tensões no Oriente Médio continua a reduzir os preços do petróleo no mercado internacional. Perto das 15h30, o barril do Brent, referência internacional, caía 4,80%, cotado a US$ 84,12. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, tinha queda de 4,19% no mesmo horário, a US$ 79,15 o barril.
▶️ No Brasil, os atritos recentes entre representantes do governo e o presidente argentino, Javier Milei, seguem no radar. No último sábado (25), Milei participou do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência e fez críticas ao presidente Lula (PT) e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Em resposta, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, comparou as duas economias e chamou o presidente argentino de "palhaço".
▶️ Na agenda de indicadores, destaque para o IPCA-15 (índice considerado a prévia da inflação). O indicador ficou em 0,06% em julho, bem abaixo do esperado pelo mercado. Além disso, investidores seguem à espera da decisão de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), prevista para amanhã. A expectativa é que a instituição mantenha as taxas americanas inalteradas.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: +0,80%;
Acumulado do mês: -0,80%;
Acumulado do ano: -6,69%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: +1,45%;
Acumulado do mês: +2,64%;
Acumulado do ano: +9,58%.
Pausa nas tensões no Oriente Médio
Irã e Estados Unidos deram uma pausa na troca de ataques. Na véspera, o presidente americano, Donald Trump, chegou a afirmar que suspendeu a ofensiva para dar mais uma chance às negociações de paz, mas, segundo Teerã, não há tratativas em andamento.
Segundo o Irã, as negociações em que o país está envolvido são com o Omã e dizem respeito à gestão do Estreito de Ormuz, canal por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo.
De acordo com a agência de notícias Reuters, Omã teria apresentado a Teerã uma proposta para criar um mecanismo regional conjunto de gestão do canal. A iniciativa conta com o apoio de países da região e tem como referência o modelo adotado no Estreito de Malaca, passagem marítima que conecta os oceanos Índico e Pacífico e é considerada uma das artérias mais importantes do comércio global.
Pelo plano omanita, países e empresas que utilizam o Estreito de Ormuz fariam contribuições voluntárias para financiar a segurança da navegação, a proteção ambiental e operações de busca e salvamento. A proposta também prevê uma gestão compartilhada da via marítima e não daria ao Irã controle exclusivo sobre o estreito, segundo a Reuters.
O tráfego ainda limitado pelo canal continua a trazer preocupações para a oferta global da commodity. Ainda assim, o alívio das tensões ainda traz um dia de alívio nos preços nesta terça-feira (28).
O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial
Bolsas globais
Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street fecharam mistos nesta terça-feira, refletindo um clima de cautela nos mercados globais em relação às ações de chips de inteligência artificial e em meio à expectativa pela decisão de juros do Fed.
No encerramento do pregão, o Dow Jones subiu 1,03%, enquanto o S&P 500 avançou 0,21% e o Nasdaq Composite teve perdas de 0,22%.
O mesmo movimento aconteceu na Europa, cujos índices fecharam entre altas e baixas. O alemão DAX teve alta de 0,10%, enquanto o francês CAC-40 subiu 0,53% e o britânico FTSE 100 avançou 0,49%.
Na Ásia, as ações chinesas caíram para a menor cotação em uma semana nesta terça-feira, impulsionadas por mais uma queda no setor de tecnologia, à medida que investidores seguem preocupados com o aumento da produção de chips e os gastos elevados com infraestrutura de inteligência artificial.
O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, caiu 2,83%, enquanto o Índice de Xangai, o SSEC, fechou em queda de 1,16%.
Entre os demais índices da região, o Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,41% e o Nikkei, do Japão, teve perdas de 3,95%. O Kospi, da Coreia do Sul, teve uma desvalorização de 10,84% e chegou a acionar o circuit breaker na sessão.
🔎 Circuit breaker é uma interrupção temporária das negociações na bolsa quando as ações caem muito em pouco tempo. O objetivo é conter movimentos de pânico e dar mais tempo para investidores avaliarem o cenário.
*Com informações da agência de notícias Reuters.
Cédulas de dólar
John Guccione/Pexels
Com dólar mais baixo, gastos de brasileiros no exterior batem recorde no 1º semestre

Gastos de brasileiros no exterior batem recorde no 1º semestre de 2026
Os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 12,61 bilhões no primeiro semestre deste ano, informou o Banco Central (BC) nesta terça-feira (28).
Isso representa um crescimento de 22,5% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando somaram US$ 10,3 bilhões.
Esse também é o maior valor para os seis primeiros meses de um ano desde o início da série histórica do BC, em 1995.
➡️ O aumento de gastos no exterior acontece em um momento de queda na cotação da moeda norte-americana, o que barateia as viagens para outros países.
Passagens, despesas com hotéis e gastos com produtos e serviços no exterior, por exemplo, são influenciados ou cotados em moeda estrangeira.
Com isso, quando o dólar está mais baixo, os brasileiros acabam tendo gastos menores com esses itens.
Nesta segunda-feira (27), o dólar fechou em alta de 0,60%, cotado a R$ 5,11. Mesmo assim, no ano, o recuo acumulado foi de 6,87%.
A queda do dólar acontece em meio à tensões no Oriente Médio. A percepção do mercado é de que o Brasil, por ser um exportador de petróleo, se encontra em situação melhor do que outras economias e que a venda do produto contribui para o ingresso de divisas no país (valorizando o real).
➡️Ao mesmo tempo, a economia brasileira segue registrando crescimento, apesar da desaceleração. A atividade econômica é outro fator que costuma influenciar os gastos lá fora.
Movimento no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.
Paulo Pinto/Agência Brasil
Contas externas
Ainda de acordo com o BC, o déficit das contas externas brasileiras recuou 16,34% no primeiro semestre deste ano.
🔎 O termo déficit indica que as despesas foram maiores do que as receitas no período.
Segundo a instituição, a conta de transações correntes registrou saldo negativo de US$ 27,47 bilhões nos seis primeiros meses deste ano, em comparação com um rombo de US$ 32,85 bilhões no mesmo período do ano passado.
O resultado em transações correntes, um dos principais indicadores sobre o setor externo do país, é formado por:
balança comercial: que é o comércio de produtos entre o Brasil e outros países;
serviços: adquiridos por brasileiros no exterior; e
rendas: remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para o exterior.
O Banco Central costuma explicar que o tamanho do rombo das contas externas está relacionado com o crescimento da economia.
Quando cresce, o país demanda mais produtos do exterior e realiza mais gastos com serviços também. Com a desaceleração da economia, o déficit tende a diminuir.
Investimentos diretos sobem
O BC também informou que os investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira registraram aumento no primeiro semestre de 2026.
Os estrangeiros trouxeram US$ 47 bilhões em investimentos entre janeiro e junho de 2026, contra US$ 35,4 bilhões no mesmo período do ano passado.
Mesmo com a queda, foram suficientes para financiar o déficit em transações correntes registrado nos dois primeiros meses deste ano.
Como centenas de conversas privadas com chat de IA Claude acabaram disponíveis publicamente

Homem processa OpenAI e diz que ChatGPT reforçou delírio de que era Jesus Cristo
Centenas de conversas de usuários com o popular chatbot de inteligência artificial (IA) da Anthropic, Claude, foram encontrados abertos para praticamente qualquer pessoa online.
Os links para os chats, alguns dos quais incluíam informações pessoais e profissionais, apareciam se um usuário de um mecanismo de busca como o Google usasse um termo de pesquisa específico do site.
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As buscas mostraram que conversas do Claude, nas quais um usuário havia decidido "compartilhar" um link, foram salvas por mecanismos de busca como o Google, tornando-as acessíveis ao público em geral.
A possibilidade de pesquisar os registros de bate-papo foi removida durante o fim de semana, mas muitos foram salvos e amplamente compartilhados online.
Uma porta-voz da Anthropic afirmou que os usuários do Claude mantêm o controle sobre se e quando compartilhar as conversas que tiveram com o chatbot.
Ela disse que os links para as conversas "não eram previsíveis ou detectáveis, a menos que as pessoas optassem por compartilhá-los por conta própria".
"Quando alguém compartilha uma conversa, está tornando esse conteúdo publicamente acessível e, como outros conteúdos públicos da web, ele pode ser arquivado por serviços de terceiros", acrescentou a porta-voz.
A opção de compartilhamento do Claude informa ao usuário que "qualquer pessoa com o link" pode visualizar o conteúdo, mas não afirma explicitamente que o link pode acabar nos resultados de pesquisa no Google.
Usuários do Reddit descobriram inicialmente os chats disponíveis publicamente, que abrangiam mais de 200 conversas com o Claude em pelo menos 25 páginas de resultados de pesquisa — algumas ocorridas há apenas algumas semanas.
Nas conversas, os usuários solicitaram que o chatbot respondesse a uma ampla gama de tópicos.
Em uma conversa de abril, um usuário pediu ao chat que redigisse uma postagem de blog inédita sobre segurança na nuvem, incluindo detalhes de um projeto corporativo.
Em outra, do mês passado, um usuário perguntou ao Claude como "se tornar a Raposa de Nove Caudas?", antes de esclarecer que queria se transformar literalmente de humano na criatura.
O Claude primeiro tentou mostrar ao usuário uma imagem gerada por IA, alegando que ele havia recebido "poderes de raposa totalmente funcionais!".
Outras conversas com o Claude incluíram usuários buscando ajuda com seus currículos, incluindo nomes, informações de contato e histórico profissional.
Alguns usuários chegaram a realizar o que parecia ser pesquisa confidencial para seus trabalhos, como na área da saúde, incluindo transcrições de conversas privadas.
Quando a OpenAI enfrentou, no ano passado, um problema quase idêntico com a disponibilização pública dos registros de bate-papo do ChatGPT, a empresa acabou alterando a forma como esses registros eram acessados.
O Grok, o chatbot de IA do X, plataforma social pertencente a Elon Musk, também teve centenas de milhares de registros de bate-papo disponibilizados publicamente no ano passado por meio de buscas online.
Um porta-voz do Google esclareceu à BBC que a empresa não controla "quais páginas são tornadas públicas na web", afirmando que essa ação parte dos próprios sites.
"Oferecemos aos proprietários de sites controles claros para que decidam se as páginas podem ser rastreadas ou indexadas, e sempre respeitamos essas diretrizes."
Como a indexação dos registros de bate-papo não está mais ocorrendo nos resultados de busca, é provável que a Anthropic tenha usado ferramentas disponíveis para bloquear rapidamente os links dos registros de bate-papo nos resultados de pesquisa.
O processo do Google para que um proprietário de site bloqueie um link é simples, mas deve ser iniciado pelo próprio proprietário do site.
Outros mecanismos de busca, como Bing, Brave e DuckDuckGo, nos quais os registros de bate-papo do Claude também apareceram, foram contatados para comentar, mas não haviam se manifestado até a publicação desta reportagem.
O chatbot Claude, da Anthropic, está entre os mais populares, rivalizando com o ChatGPT e o Gemini
Reuters via BBC
Johnson & Johnson oferece R$ 28 bilhões para encerrar processos que ligam uso de talco a câncer

Johnson & Johnson
via BBC
A Johnson & Johnson (J&J) ofereceu-se para pagar até US$ 5,5 bilhões (R$ 28 bilhões) para resolver dezenas de milhares de processos nos EUA que alegam que seu talco para bebês e outros produtos que contêm talco causam câncer de ovário.
O acordo histórico proposto visa encerrar uma longa batalha judicial que pesa sobre a gigante da área da saúde sediada em Nova Jersey há anos.
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A J&J negou que seus produtos à base de talco causem câncer e alterou a fórmula de seu talco para bebês, amplamente utilizado.
Erik Haas, vice-presidente de litígios da firma, afirmou na segunda-feira que as alegações são "infundadas" e que a J&J estava disposta a chegar a um acordo para resolver definitivamente a questão.
Agora no g1
A J&J afirmou que o acordo abrangerá cerca de 76 mil casos, totalizando a maioria das reivindicações restantes relacionadas ao talco. A empresa disse que oferecerá até US$ 3 bilhões (R$ 15,4 bilhões) no próximo ano, sem pagamentos adicionais devidos antes de 2028.
A proposta precisa ser aceita por escritórios de advocacia que representam 95% dos casos de câncer de ovário em tribunais estaduais e federais antes de ser finalizada, afirmou a J&J.
Em comunicado, Haas afirmou estar confiante de que "teria, em última instância, prevalecido em um processo judicial mais aprofundado", assim como ocorreu na maioria dos casos julgados até o momento.
Ele acrescentou que a resolução proposta "permite que a empresa deixe este assunto para trás" e possibilita que a J&J "continue focada em sua missão de desenvolver medicamentos e dispositivos que salvam vidas".
Os processos judiciais contra a J&J por causa de seu pó para bebês à base de talco começaram já em 2009.
No início de julho, um tribunal federal concedeu uma vitória à empresa ao questionar a capacidade das demandantes individuais de demonstrar que o talco foi a causa direta de seu câncer de ovário.
🔍 O talco é um mineral natural composto de magnésio, silício, oxigênio e hidrogênio, conhecido por sua textura semelhante à de sabão e frequentemente usado em talco para bebês.
A empresa enfrentou processos judiciais movidos por consumidores e seus familiares que alegam que os produtos de talco da J&J causaram câncer devido à contaminação por amianto.
O talco é extraído da terra e encontrado em veios próximos aos do amianto, um material conhecido por causar câncer.
A J&J negou repetidamente as alegações e, em seu comunicado mais recente, afirmou: "Estudos mostram que o talco é seguro, não contém amianto e não causa câncer."
Em 2022, a J&J anunciou que deixaria de fabricar e vender seu pó para bebês à base de talco em todo o mundo.
O anúncio foi feito mais de dois anos depois de a empresa ter encerrado as vendas do produto nos EUA.
"Como parte de uma avaliação global do nosso portfólio, tomamos a decisão comercial de fazer a transição para um portfólio de talco para bebês totalmente à base de amido de milho", disse a J&J na época.
Justa causa por trabalhar 4 minutos a mais: quando fazer hora extra pode virar motivo de demissão?

Justiça anula justa causa de funcionário demitido por ficar 4 minutos a mais no trabalho
A Justiça do Trabalho reverteu a demissão por justa causa de um funcionário de uma empresa do ramo alimentício, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Ele havia sido dispensado após registrar quatro minutos além do limite da jornada.
Segundo o processo, o relógio de ponto ficava no vestiário, distante do setor onde o empregado trabalhava. O funcionário afirmou que o tempo excedente foi gasto justamente no deslocamento até o equipamento para registrar o fim do expediente.
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A versão foi confirmada por um representante da própria empresa, que declarou que o trajeto entre o posto de trabalho e o relógio de ponto levava cerca de cinco minutos. Ele também reconheceu que o empregado não teria ultrapassado o limite da jornada se o equipamento estivesse instalado mais próximo.
O nome da empresa não foi divulgado pelo Judiciário. Ao analisar o caso, o juiz da 5ª Vara do Trabalho de Uberlândia, Celso Alves Magalhães, concluiu que os minutos excedentes eram insignificantes e decorreram do deslocamento até o local de registro de ponto.
Para o magistrado, não houve intenção do trabalhador de descumprir as regras da empresa. A decisão foi mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG), mas ainda cabe recurso ao Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Quatro minutos a mais no trabalho podem render justa causa? Entenda
Reprodução/Magnific (antes Freepik)
🤔 O caso levantou dúvidas entre trabalhadores e empregadores: afinal, quando fazer horas extras pode levar à demissão? Em quais situações o descumprimento da jornada pode resultar em justa causa?
Ouvidos pelo g1, advogados trabalhistas explicam o que diz a legislação e quais critérios costumam ser levados em conta pela Justiça.
Horas extras sem autorização dão justa causa?
Segundo Vivian De Camilis, especialista em Direito do Trabalho, fazer horas extras sem autorização da empresa, por si só, não é motivo para demissão por justa causa.
A advogada explica que é preciso analisar o contexto, como a frequência da prática, se o trabalhador tinha conhecimento prévio da proibição e se a punição aplicada foi proporcional.
"Fazer hora extra sem autorização, por si só, não é motivo para justa causa. É preciso avaliar todo o contexto do caso", afirma.
Embora a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) não exija autorização prévia para a realização de horas extras, Vivian ressalta que as empresas podem estabelecer essa exigência em regulamentos internos ou em normas coletivas.
"Nesses casos, o descumprimento da regra pode gerar sanções disciplinares", explica. A especialista destaca que há diferença entre permanecer alguns minutos além da jornada para concluir uma tarefa e fazer horas extras de forma recorrente sem autorização.
Segundo ela, o que pesa na análise não é apenas o tempo excedido, mas a repetição do comportamento e o fato de o trabalhador saber que precisava de autorização.
O problema não é trabalhar alguns minutos a mais, mas repetir esse comportamento mesmo sabendo que a empresa exige autorização para fazer horas extras. Nesses casos, a conduta pode ser considerada uma desobediência às regras internas.
Mesmo nessas situações, a demissão por justa causa não costuma ser a primeira medida adotada. Segundo Vivian De Camilis, o mais comum é que a empresa aplique punições de forma gradual, começando por advertências e, caso a prática persista, suspensões antes de chegar à demissão.
"Em geral, a Justiça entende que a empresa deve aplicar as penalidades de forma gradual. Se o trabalhador já recebeu advertências e suspensões pela mesma conduta e continua descumprindo as regras, a justa causa ganha mais respaldo. Quando esse histórico não existe, a demissão costuma ser considerada desproporcional", afirma.
Danilo Schettini, especialista em Direito do Trabalho, lembra que a CLT prevê uma margem de tolerância para pequenas variações no registro de ponto. Pela legislação, diferenças de até cinco minutos por marcação, limitadas a 10 minutos no total por dia, não são consideradas horas extras para fins de pagamento.
No entanto, ele ressalta que essa regra não foi o principal fundamento da decisão da Justiça no caso de Minas Gerais.
"A discussão não era o pagamento de horas extras, mas a aplicação da justa causa. Ainda assim, o fato de o excesso ter sido de apenas quatro minutos reforçou o entendimento de que a conduta tinha reduzida gravidade", afirma.
Segundo o especialista, para que uma demissão por justa causa seja considerada válida, a empresa precisa comprovar que:
havia uma regra proibindo horas extras sem autorização;
o trabalhador conhecia essa regra;
ele descumpriu a orientação;
o descumprimento foi grave;
a demissão foi proporcional à infração.
"Além disso, cabe à empresa demonstrar que a justa causa foi aplicada corretamente", afirma.
Segundo Schettini, a Justiça do Trabalho costuma reverter a demissão por justa causa quando a empresa não consegue comprovar a falta cometida pelo trabalhador, quando a punição é considerada exagerada ou quando o episódio foi isolado e sem indícios de má-fé.
Foi justamente o que ocorreu no caso julgado em Minas Gerais. Para a Justiça, os quatro minutos registrados além da jornada foram consequência do tempo necessário para o trabalhador caminhar até o relógio de ponto.
Além disso, entendeu que ele não agiu de forma intencional ao descumprir as regras da empresa.
O advogado explica que é importante diferenciar um episódio pontual de um comportamento repetido. Ficar alguns minutos a mais no trabalho pode acontecer por motivos do dia a dia, como terminar uma tarefa ou se deslocar até o local de registro do ponto.
Já quando o empregado faz horas extras sem autorização de forma frequente, mesmo sabendo que isso é proibido pela empresa, ele pode sofrer punições. Se já tiver recebido advertências ou suspensões pelo mesmo motivo, a aplicação da justa causa ganha mais respaldo.
Schettini acrescenta que a empresa pode proibir que os funcionários permaneçam no local de trabalho depois do fim da jornada para evitar horas extras não autorizadas, reduzir custos e prevenir acidentes. Ainda assim, cada caso deve ser analisado individualmente.
Se o trabalhador permaneceu alguns minutos a mais em uma situação excepcional, como para concluir uma atividade necessária, dificilmente uma punição severa será considerada adequada. Já quando isso acontece com frequência, apesar das orientações da empresa, podem ser aplicadas medidas disciplinares.
Quais situações podem gerar demissão por justa causa?
A demissão por justa causa só deve ser aplicada quando a conduta do empregado for grave o suficiente para tornar inviável a continuidade da relação de emprego, explica Maurício Sampaio da Cunha, advogado trabalhista e sócio do Badaró Almeida & Advogados Associados.
Segundo ele, além do descumprimento de regras relacionadas à jornada, a CLT prevê hipóteses como ato de improbidade, insubordinação, abandono de emprego, embriaguez em serviço e violação de segredo da empresa, entre outras.
Segundo Adriana Faria, advogada especializada em Direito do Trabalho do escritório Rodrigues Faria Advogados, entre elas estão:
Ato de improbidade (como roubo, furto ou desvio de dinheiro);
Incontinência de conduta ou mau procedimento (comportamento inadequado, ofensivo ou imoral);
Negociação habitual por conta própria ou de terceiros, sem autorização do empregador;
Concorrência desleal com a empresa;
Embriaguez habitual ou durante o serviço;
Indisciplina ou insubordinação;
Abandono de emprego;
Assédio moral ou sexual;
Agressão física ou verbal;
Divulgação de segredos da empresa.
A advogada trabalhista Djulia Raphaella explica que, em regra, a Justiça do Trabalho espera que as empresas adotem punições de forma gradual, com advertências e suspensões antes da justa causa.
No entanto, essa gradação pode ser dispensada em situações de maior gravidade, como casos de furto, fraude, agressão física ou assédio. A especialista ressalta ainda que nem toda irregularidade relacionada à jornada é suficiente para justificar a demissão por justa causa.
Segundo ela, fraudes no registro de ponto, adulteração dos controles de jornada, registro de ponto por outra pessoa e atrasos frequentes e injustificados podem configurar falta grave, mas a análise depende das circunstâncias de cada caso.
Ao comentar a decisão da Justiça em Minas Gerais, Djulia afirma que o entendimento não autoriza os trabalhadores a descumprirem as regras da empresa sobre jornada.
A decisão não significa que o empregado está autorizado a permanecer trabalhando além do horário ou a descumprir as regras da empresa. O que a Justiça concluiu foi que, nesse caso específico, não havia gravidade suficiente para justificar a justa causa.
Segundo a advogada, o excesso foi de apenas quatro minutos, parte desse tempo foi gasto no deslocamento até o relógio de ponto e não houve prova de que o trabalhador tenha agido de forma intencional.
"Isso não impede que, em situações mais graves ou quando houver repetição da conduta, a justa causa seja considerada válida", completa.
Traição no trabalho dá justa causa? Entenda o que diz a lei
Mega-Sena pode pagar R$ 78 milhões nesta terça-feira; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-Sena?
O concurso 3.030 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 78 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta terça-feira (28), em São Paulo.
No concurso do último domingo (27), nenhuma aposta acertou os seis números e o prêmio acumulou. Veja os números sorteados: 05 - 12 - 21 -33 - 43 - 50.
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O g1 passou a transmitir todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Move Motoapp: 7 dicas para conseguir aprovação no financiamento para entregadores e mototaxistas

Motos flex e elétricas entram no programa Move Brasil
arte/g1
A partir desta semana, os entregadores e mototaxistas que fizeram o cadastro e atendem aos requisitos do programa Move Brasil Entregadores e Motoapp podem procurar instituições financeiras e solicitar um financiamento para a compra de motocicletas e bicicletas, elétricas ou não.
A linha de crédito, operada pela Caixa Econômica Federal, tem juros subsidiados pelo governo por meio do Fundo de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS) e garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO).
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A previsão do governo é de financiar 100 mil motos, motonetas ou ciclomotores.
O programa promete juros menores para a aquisição de motos, ciclomotores ou bicicletas que atendam aos seguintes critérios:
Motor de até 160 cilindradas ou até 7.500 watts no caso de modelos elétricos;
Bicicletas elétricas de até 1.000 watts;
Ser do tipo flex (modelos apenas a gasolina ou híbridos não são aceitos);
Ser zero km, já que o programa não inclui veículos usados;
A moto deve ser fabricada no Brasil ou ter projeto de produção nacional em andamento.
Agora no g1
Apesar das condições facilitadas, os candidatos precisam passar por uma etapa crucial: o crivo dos bancos.
Como o financiamento depende da análise individual de risco de cada banco parceiro, o trabalhador autônomo precisa se preparar estrategicamente para não ter o crédito negado.
Para entender como entregadores e mototaxistas podem aumentar as chances de aprovação, o g1 consultou especialistas em planejamento financeiro.
1. Mostre que você tem capacidade de pagamento
O primeiro passo fundamental para conquistar a confiança das instituições parceiras é provar que você consegue arcar com o compromisso assumido.
Segundo Henrique Soares, planejador financeiro pela Planejar, a melhor forma é manter as contas em dia, evitar atrasos recorrentes e reduzir o nível geral de endividamento. E manter organizada a documentação de comprovação de renda é essencial.
“Ajuda a dar uma entrada maior para o veículo, porque isso reduz o valor financiado e, consequentemente, o risco para a instituição financeira", detalha o planejador.
Antes de solicitar formalmente o crédito, vale revisar eventuais pendências cadastrais e verificar a real situação do seu CPF nos órgãos de proteção ao crédito, como o Serasa.
2. Cuide do seu score de crédito
O score, segundo o especialista, funciona como um dos principais termômetros utilizados pelas instituições para mensurar o risco de inadimplência de cada consumidor.
Ele não deve ser encarado como o único critério da avaliação, mas tem um papel central ao ajudar o banco a entender todo o histórico financeiro daquele cliente.
🔎 De forma geral, quanto melhor for o seu histórico de pagamentos e menor for a incidência de atrasos, maiores tendem a ser as chances de aprovação da proposta e melhores podem ser as condições de taxas oferecidas.
3. Fique atento ao comprometimento da renda
O comprometimento da renda é um dos fatores mais analisados no processo de concessão de crédito, explica Soares.
O banco precisa avaliar detalhadamente se a parcela cabe no orçamento sem comprometer excessivamente a capacidade de subsistência e pagamento do cliente.
Por isso, o especialista reforça que, mais importante do que saber qual o teto do valor máximo que pode ser financiado, é entender perfeitamente qual parcela pode ser paga de forma sustentável no longo prazo.
4. Organize os comprovantes (mesmo sem contracheque)
Por se tratar de um trabalho autônomo, não existe um contracheque ou holerite tradicional, mas isso não deve ser um impedimento para buscar o benefício do Move Brasil.
Os bancos já adotam como critério a análise da movimentação financeira de profissionais independentes. Para facilitar e agilizar a análise de crédito, reúna a seguinte documentação:
Declaração do Imposto de Renda;
Extratos bancários recentes;
Histórico completo de movimentação da conta corrente;
Comprovantes e relatórios consolidados de recebimentos emitidos pelas plataformas de aplicativo.
Quanto mais organizada estiver essa documentação, mais fácil tende a ser a análise realizada pela mesa de crédito.
5. Use o relacionamento com o seu banco a seu favor
Se você já movimenta dinheiro ou possui conta em uma instituição financeira específica, começar a busca por ela pode facilitar bastante a aprovação.
Ter um relacionamento prévio ajuda porque a instituição já detém um histórico consolidado dos seus hábitos financeiros, diz o especialista.
“Quando o banco consegue visualizar entrada de renda, comportamento de pagamento e relacionamento ao longo do tempo, a análise tende a ser mais completa”, explica.
🔎 Isso não é garantia automática de aprovação, mas contribui diretamente para uma avaliação mais precisa e justa do perfil de crédito do entregador ou mototaxista.
6. Evite os erros mais comuns
Muitas das negativas de crédito acontecem por falhas recorrentes que poderiam ser sanadas na fase de planejamento.
Os principais motivos de reprovação identificados pelo mercado incluem:
Renda declarada incompatível com o valor solicitado para o veículo;
Excesso de endividamento e outras linhas de crédito simultâneas;
Histórico recente de contas atrasadas ou restrições cadastrais ativas;
Falta de documentação adequada e comprovações inconsistentes.
Outro deslize muito frequente apontado pelo planejador é escolher modelos de veículos com parcelas muito próximas do limite máximo do próprio orçamento mensal.
"O ideal é buscar um financiamento que caiba com folga no orçamento, considerando não apenas a parcela, mas também custos como combustível, seguro, manutenção e até períodos de menor faturamento", ressalta Soares.
7. Faça uma preparação para o 'sim'
Para quem pretende solicitar o financiamento do Move Brasil, a preparação ideal deve começar bem antes do envio do pedido formal.
A recomendação prática do planejador financeiro é organizar rigorosamente os documentos, reduzir ao máximo as dívidas existentes, regularizar pendências no CPF e focar na construção de uma reserva financeira.
Isso servirá tanto para aumentar o valor de entrada do veículo quanto para proteger o entregador contra imprevistos de manutenção.
“Também é importante acompanhar a própria renda ao longo dos meses para entender qual parcela realmente cabe no orçamento”, aconselha.
Segundo Soares, o financiamento facilitado é uma ferramenta importante para a aquisição de um veículo de trabalho, mas a aprovação do crédito é apenas o passo inicial.
“O mais importante é garantir que essa dívida seja sustentável ao longo do tempo”, diz.
Juros menores
"A taxa do programa, entre 11,5% e 12,5% ao ano, é menos da metade da taxa média de mercado para aquisição de veículos para pessoa física", explica Carlos Castro, planejador financeiro CFP pela Planejar.
A estratégia de poupança continua sendo o melhor caminho para quem quer economizar de verdade.
Mesmo com taxa subsidiada, dar a maior entrada possível continua sendo a regra. “O juro, ainda que menor, é composto e incide sobre todo o saldo devedor", explica.
🔎 A lógica financeira, segundo Castro, é simples e implacável: reduzir o principal sempre reduz o custo total da operação.
Faça as suas contas
O consumidor tem direito a ter todas as informações claras no momento de adquirir um financiamento.
O g1 já mostrou quais são as obrigações dos vendedores ao apresentar um financiamento, quais são os direitos do consumidor e como calcular o custo real de um empréstimo para evitar um mau negócio na compra de um veículo.
O consumidor tem direito à informação adequada e clara sobre todos os elementos relevantes da contratação, especialmente preço, encargos, juros, custo efetivo total e consequências econômicas do negócio”, explica Jefferson Leão, advogado da Poliszezuk Advogados.
🔎 O chamado custo efetivo total (CET) representa o valor real de um financiamento. Ele inclui juros, tarifas, impostos e quaisquer outras despesas da operação.
Segundo Leão, omitir informações durante a negociação verbal e apresentá-las apenas no contrato, de forma a confundir o consumidor, é uma prática vedada pela lei. Assim, é necessário que todos os custos e informações estejam claros, tanto na conversa quanto na documentação.
Brasil x Argentina: veja as diferenças entre as economias em 8 gráficos

Ministro da Fazenda diz que Brasil está melhor que a Argentina e chama Milei de 'palhaço'
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (27) que a economia brasileira está em situação melhor do que a da Argentina e classificou o presidente do país vizinho, Javier Milei, de "palhaço".
A declaração ocorreu após Milei viajar ao Brasil para participar, no sábado (25), do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. No evento, o argentino fez críticas ao presidente Lula (PT) e chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de "lixo careca".
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A comparação entre as economias dos dois países passou a alimentar o debate entre esquerda e direita, que buscam nos indicadores econômicos argumentos para defender quais governos ou linhas políticas apresentam melhores resultados.
Para especialistas ouvidos pelo g1, porém, colocar Brasil e Argentina lado a lado exige cautela: as duas economias têm diferenças importantes de tamanho, estrutura produtiva e trajetória de inflação e estabilidade econômica.
"A situação das duas economias hoje não é estritamente comparável, porque a Argentina vive um cenário similar ao que o Brasil enfrentava em meados da década de 1990", afirma Fabio Giambiagi, pesquisador associado do FGV Ibre, em referência ao processo de combate à inflação.
Ainda assim, alguns indicadores ajudam a entender a dinâmica de cada país. Inflação, desemprego, pobreza, dívida pública, reservas internacionais e Produto Interno Bruto (PIB) revelam os principais contrastes entre as duas economias.
Entenda abaixo, em 8 gráficos, as diferenças.
1. Inflação
Inflação Brasil e Argentina
Arte/g1
Uma das principais diferenças entre os países hoje está na inflação. Enquanto o Brasil controlou a alta dos preços com o Plano Real, na década de 1990, a Argentina ainda enfrenta inflação elevada, apesar da forte desaceleração registrada nos últimos meses.
🔎 O índice de preços argentino encerrou 2025 com alta de 31,5%, o menor patamar desde 2017. Ainda assim, ficou muito acima da inflação brasileira, que fechou o ano em 4,26%.
Ao afirmar que a economia brasileira está em situação melhor, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, citou a inflação como um dos indicadores que sustentam essa avaliação.
O economista-chefe da consultoria Análise Econômica, André Galhardo, explica que a inflação elevada na Argentina tem diversas causas, mas destaca a forte oscilação do peso argentino em relação ao dólar como um dos principais fatores.
"A Argentina tem uma moeda muito desvalorizada e é bastante exposta aos choques da economia internacional por depender das exportações. Com isso, a desvalorização recorrente do peso acaba pressionando a inflação", diz.
Segundo ele, o Brasil também está suscetível a esses movimentos, mas a inflação se mantém controlada e está "em níveis baixos para os padrões brasileiros".
Na Argentina, a inflação atingiu o pico em abril de 2024, quando o índice de preços acumulado em 12 meses chegou a 289,4%. O resultado ocorreu em meio ao ajuste do governo Milei, que incluiu a retirada de subsídios para reduzir o desequilíbrio das contas públicas.
2. Desemprego
Desemprego Brasil e Argentina
Arte/g1
A trajetória do desemprego seguiu movimentos semelhantes nos dois países, mas com taxas mais altas no Brasil nos últimos anos, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).
🔎 O gráfico acima utiliza dados do FMI para manter a mesma metodologia na comparação entre os países. Por isso, os números podem diferir dos divulgados pelo IBGE e pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), da Argentina.
Por lá, a desocupação vinha em queda até 2023. Após o chamado Plano Motosserra, de Milei — que incluiu cortes de gastos públicos e medidas de ajuste —, a economia retraiu. Nesse cenário, o mercado de trabalho perdeu força e o desemprego passou a subir.
Para o FMI, a economia argentina avançou no processo de estabilização, mas a geração de empregos se tornou um dos principais desafios. A avaliação foi feita pela diretora-gerente da instituição, Kristalina Georgieva, durante visita ao país nesta segunda-feira (27).
“O desemprego na Argentina não é alto na comparação internacional, mas muitas pessoas trabalham na economia informal”, afirmou.
“As pequenas e médias empresas geram a maioria dos empregos. Devemos facilitar o acesso delas ao financiamento para que possam crescer e contratar mais trabalhadores”, acrescentou a chefe do FMI.
No Brasil, o mercado de trabalho passou por uma recuperação após a crise econômica de 2015 e 2016 e a pandemia de Covid-19. Em 2025, o país registrou a menor taxa média de desemprego da série histórica.
Ainda assim, a informalidade também continua como um dos principais desafios. “É um problema comum à maioria dos países em desenvolvimento”, afirma André Galhardo, da Análise Econômica.
3. Pobreza
População abaixo da linha da pobreza: Brasil e Argentina
Arte/g1
Um índice de pobreza calculado pelo Banco Mundial aponta que 26,2% da população brasileira vivia abaixo da linha de pobreza social em 2024, contra 24,1% na Argentina. (veja a trajetória acima)
🔎 Esses números aparecem no gráfico acima, elaborado com base em dados do Banco Mundial, que ajusta a linha de pobreza ao nível de renda de cada país. Essa base foi utilizada para permitir a comparação entre Brasil e Argentina a partir de uma mesma metodologia.
🔎 Os dados oficiais do IBGE, no Brasil, e do Indec, na Argentina, utilizam metodologias próprias e, por isso, os resultados são diferentes. Pelos dados desses institutos, a parcela da população abaixo da linha de pobreza é menor no Brasil do que na Argentina.
Veja a diferença:
Dados recentes do IBGE apontam que o Brasil atingiu, em 2024, os menores níveis de pobreza e extrema pobreza da série histórica.
Segundo o instituto, a proporção de pessoas em situação de pobreza caiu de 27,3%, em 2023, para 23,1%, em 2024 — uma redução de 8,6 milhões de brasileiros nessa condição.
🔎 Para calcular o indicador, o IBGE considera como pobres os domicílios com renda inferior a US$ 6,94 por pessoa ao mês.
Já na Argentina, a pobreza aumentou inicialmente após o impacto econômico do Plano Motosserra, mas recuou posteriormente com a melhora de alguns indicadores econômicos.
Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), a taxa caiu no segundo semestre de 2025 para 28,2% da população, e atinge o equivalente a cerca de 8,5 milhões de pessoas.
4. PIB em paridade de poder de compra
PIB Brasil e Argentina em paridade de poder de compra
Arte/g1
A economia brasileira é cerca de três vezes maior que a argentina quando considerado o PIB em paridade de poder de compra (PPP, na sigla em inglês), indicador que leva em conta as diferenças de preços entre os países.
Uma das explicações está no tamanho da economia brasileira: o Brasil tem uma população muito maior, um mercado consumidor mais amplo e uma estrutura produtiva mais diversificada, com destaque para serviços, indústria, agronegócio e energia.
Outro fator é a trajetória econômica da Argentina, marcada por décadas de inflação elevada e instabilidade, que reduziram o peso da economia do país em algumas comparações internacionais.
Galhardo, da Análise Econômica, lembra que o país já enfrentava desequilíbrios macroeconômicos antes da pandemia. “A alta dívida externa e a dependência do dólar tornam a Argentina mais vulnerável a crises e dificultam a recuperação da economia”, diz.
5. Evolução do PIB brasileiro
Evolução do PIB brasileiro ano a ano, até 2025
Arte/g1
O PIB do Brasil fechou 2025 com alta de 2,3%, puxado pela agropecuária, no quinto ano consecutivo de crescimento. O resultado, porém, mostrou desaceleração em relação aos anos anteriores.
Na avaliação de economistas, um dos desafios para o crescimento sustentável é o equilíbrio das contas públicas. A expectativa é que uma melhora no cenário fiscal possa abrir espaço para a redução dos juros e favorecer a atividade econômica.
Para 2026, economistas do mercado financeiro projetam nova desaceleração, com crescimento de 1,99%.
6. Evolução do PIB argentino
PIB da Argentina
Arte/g1
O PIB da Argentina cresceu 4,4% em 2025, segundo o Indec. O resultado representou uma recuperação em relação a 2024, quando a economia retraiu 1,3%, conforme valores revisados.
Foi o primeiro avanço do PIB sob a gestão de Milei, que assumiu o cargo em dezembro de 2023. Foi também a primeira alta desde 2022, ano em que o país cresceu 6%, durante o governo de Alberto Fernández.
Para especialistas ouvidos pelo g1, embora o resultado do PIB tenha sido positivo, ele ainda apresenta desafios estruturais, com crescimento concentrado em setores específicos e consumo interno ainda fraco — ou seja, os argentinos seguem consumindo pouco. (leia mais)
7. Dívida em relação ao PIB
Brasil e Argentina: dívida em relação ao PIB
Arte/g1
A dívida pública é elevada nos dois países, mas os desafios em relação às contas aparecem em contextos diferentes. Na Argentina, o endividamento se soma a um histórico de crises fiscais, dificuldades de financiamento e vulnerabilidade externa.
No Brasil, a principal pressão vem do aumento das despesas públicas e da trajetória de crescimento da dívida, embora o país tenha maior acesso ao mercado e mais reservas para enfrentar choques. (leia mais abaixo)
Federico Servideo, diretor-presidente da Câmara de Comércio Argentino-Brasileira de São Paulo, ressalta que, sob Milei, a Argentina adotou um forte ajuste nas contas públicas, com cortes de gastos e geração de superávit primário (receitas maiores que as despesas) no curto prazo.
"Já o Brasil enfrenta um cenário de maior pressão fiscal, com aumento das despesas e crescimento da dívida pública", destaca.
Dados compilados pelo FMI mostram que a dívida bruta do governo brasileiro chegou a 93,3% do PIB, enquanto a da Argentina ficou em 80,3%. O indicador mede o total de obrigações do governo em relação ao tamanho da economia.
Para estabilizar ou reduzir a dívida, um país precisa gerar resultado fiscal positivo — ou seja, arrecadar mais do que gasta antes do pagamento dos juros da dívida.
Após o ajuste promovido por Milei, a Argentina voltou a registrar superávits fiscais. No Brasil, o governo tem registrado déficits primários nos últimos anos, com despesas superiores às receitas.
8. Reservas Internacionais
Reservas internacionais de Brasil e Argentina
Arte/g1
Com US$ 360,9 bilhões, o Brasil possui um volume de reservas internacionais muito superior ao da Argentina, que tem US$ 49 bilhões. Esse colchão de dólares ajuda o país a enfrentar momentos de turbulência nos mercados e reduz a exposição a choques externos.
A diferença também aparece no risco de crédito. Pelo CDS de 5 anos (Credit Default Swap), um dos indicadores usados pelo mercado para medir a percepção de risco de um país, a Argentina aparece em um patamar muito superior ao Brasil: 1.030,95 pontos, contra 124,40 pontos.
🔎 O CDS funciona como uma espécie de seguro contra um eventual calote da dívida. Quanto maior o indicador, maior a desconfiança dos investidores e, em geral, maior o custo para o país captar recursos no mercado.
"O Brasil tem como vantagem uma maior disponibilidade de reservas em dólares, uma dívida emitida majoritariamente em moeda local e desemprego controlado. Por outro lado, enfrenta desafios fiscais, com a trajetória de aumento da dívida pública", analisa Servideo, da Câmara de Comércio Argentino-Brasileira.
Conforme mostrou o g1, o acúmulo de reservas internacionais ainda é um dos desafios de Milei. Desde janeiro de 2025, porém, o Banco Central da Argentina (BCRA) aumentou em US$ 20,7 bilhões seu estoque.
Lula e Milei durante encontro do Mercosul
Luis ROBAYO / AFP
Presidente do BRB se reúne com Galípolo no Banco Central

Presidentes do BRB, Nelson Antônio de Souza, e do Banco Central, Gabriel Galípolo, em imagens de arquivo
BRB/Divulgação e Raphael Ribeiro/Banco Central
O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, se reuniu na tarde desta segunda-feira (27) com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
A pauta do encontro inclui a tentativa do BRB e do governo do Distrito Federal de destravar o empréstimo bilionário de socorro ao Banco de Brasília – e dos balanços da instituição, atrasados desde o fim do ano passado.
No último dia 14, a governadora do DF, Celina Leão, participou de reunião similar com Nelson e Galípolo na sede do BRB. O grupo saiu sem dar entrevistas e, depois, o governo classificou o encontro como uma "reunião técnica".
Até as 16h30, Nelson Antônio de Souza e a diretora-executiva de Controles e Riscos (DICOR) do BRB, Ana Paula Teixeira de Sousa, seguiam na sede do Banco Central.
União e Governo do DF fecham acordo pra socorrer BRB
O BRB entrou em apuros após transações malsucedidas com o Banco Master, de Daniel Vorcaro. A lei que autoriza o acordo firmado no Supremo Tribunal Federal (STF) para viabilizar o empréstimo de R$ 6,6 bilhões foi sancionada no dia 24 de junho.
O governo do DF é o acionista controlador do banco e utiliza o BRB para operar mais de 30 programas sociais, oferecer crédito habitacional e até para operar a folha de pagamento do funcionalismo distrital;
Por isso, cabe ao Executivo local garantir que o banco funcione dentro das regras do sistema financeiro do país – o que foi comprometido pelas supostas fraudes nas transações com o Master.
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Na manhã desta segunda-feira (27), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em declaração à Rádio Jornal, de Pernambuco, afirmou que "[o banco], basicamente, passou R$ 12 milhões para o Master e recebeu guardanapo, papel que não valia nada".
Por que o BRB está em crise?
Fachada do banco BRB.
Reprodução/TV Globo
A atual crise do BRB está ligada às negociações e operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões segundo dados do próprio banco.
Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero e apontou um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias – incluindo boa parte dessas transações.
Em abril deste ano, uma nova fase da investigação levou à prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. A PF afirma que ele teria permitido negócios com o Master sem lastro e sem seguir práticas adequadas de governança.
O BRB estima que pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos do Master comprados pelo BRB são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação. Na prática, "crédito podre" que pode se transformar em um rombo no patrimônio do banco.
O governo diz que consegue recuperar R$ 2,2 bilhões para cobrir parte desses títulos ruins com outras medidas – mas precisaria de um empréstimo para os outros R$ 6,6 bilhões.
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Brasil e Coreia do Sul aceleram negociações por acordo comercial com o Mercosul

Lula cita doramas e 'Guerreiras do K-Pop' ao lado do presidente da Coreia do Sul
Brasil e Coreia do Sul concordaram em acelerar as negociações para um possível acordo comercial entre o país asiático e o Mercosul. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (27) pelos presidentes dos dois países durante uma cerimônia em Brasília.
O Brasil tem buscado ampliar acordos comerciais, seja de forma individual ou por meio do Mercosul - bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai - para diversificar seus mercados em um momento em que enfrenta tarifas impostas pelos Estados Unidos, um de seus principais parceiros comerciais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que Brasil e Coreia do Sul vão criar um grupo de trabalho para dar mais rapidez às negociações. Já o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, disse que um acordo com o Mercosul é uma prioridade e precisa avançar com urgência.
Nos últimos anos, o Mercosul fechou acordos comerciais com parceiros como a União Europeia e os quatro países que integram a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA): Suíça, Islândia, Liechtenstein e Noruega.
Presidente Lula se encontrou com o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, durante cúpula do G20 em novembro de 2025.
Ricardo Stuckert/PR
Mais cedo, nesta segunda-feira, Lula conversou por telefone com o presidente da China, Xi Jinping. Segundo o presidente brasileiro, os dois também defenderam o avanço das negociações para um possível acordo comercial entre a China e o Mercosul.
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Durante a cerimônia em Brasília, Lula anunciou ainda que o Brasil receberá, no próximo mês, uma missão técnica da Coreia do Sul para avaliar as condições sanitárias dos frigoríficos brasileiros, etapa importante para ampliar as exportações de carne ao país asiático.
Os dois líderes também concordaram em ampliar a cooperação na área de minerais estratégicos, usados na produção de tecnologias como baterias, veículos elétricos e equipamentos eletrônicos.
O encontro aconteceu cinco meses depois de Lula participar de uma cúpula com Lee Jae Myung, em Seul, capital da Coreia do Sul.
Principais pontos discutidos entre Brasil e Coreia do Sul:
Grupo de trabalho para acelerar as negociações entre Coreia e Mercosul;
Acordo de livre comércio;
Missão técnica sul-coreana sobre condições sanitárias no Brasil, em agosto;
Cooperação na área de minerais estratégicos;
Reforço da parceria comercial, de investimentos e cadeias produtivas.
Porsche anuncia corte de 5 mil postos de trabalho

Fábrica da Porsche em Zuffenhausen, Alemanha
Divulgação / Porsche
A fabricante alemã de carros esportivos Porsche anunciou nesta segunda-feira (27/07) um novo plano de reestruturação que prevê o corte de 5 mil postos de trabalho até 2035.
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A medida foi acordada entre a direção da empresa e os representantes dos trabalhadores e faz parte de uma estratégia para aumentar a competitividade da montadora em um cenário marcado por queda nas vendas, especialmente na China, custos elevados e forte concorrência internacional.
O novo programa amplia uma série de medidas de redução de custos já colocadas em prática pela subsidiária da Volkswagen.
No início do ano, a Porsche havia anunciado a eliminação de cerca de 3.900 empregos, além de outros 500 postos de trabalho.
Segundo a empresa, as novas reduções ocorrerão sem demissões por motivos operacionais, ou seja, sem demissões compulsórias.
Agora no g1
De acordo com o comunicado conjunto da direção e do conselho de fábrica, os funcionários deixarão a empresa principalmente por meio de aposentadorias graduais, desligamentos naturais e acordos voluntários de rescisão.
Ao mesmo tempo, parte dos aumentos salariais previstos será suspensa até 2035, os bônus de Natal serão reduzidos e a remuneração variável passará a depender mais diretamente dos resultados da companhia.
A Porsche limitará o número de dias de trabalho remoto a oito por mês, abaixo dos doze atualmente permitidos. Além disso, uma parcela significativa da alta gerência abrirá mão de reajustes salariais previstos para 2027 e 2028.
Garantia de empregos e investimentos
Apesar dos cortes, a montadora prorrogou até 2035 o acordo de garantia das unidades produtivas na Alemanha. Com isso, ficam excluídas demissões por razões operacionais durante esse período.
A empresa também anunciou investimentos de 2,1 bilhões de euros nas instalações de Zuffenhausen, onde produz modelos como o 911 e o Taycan, e no centro de desenvolvimento de Weissach.
Segundo a direção, os investimentos são fundamentais para preparar a Porsche para as transformações tecnológicas e as mudanças do mercado automotivo.
Linha de montagem de carroceria do Porsche Macan elétrico em Leipzig, Alemanha
Divulgação / Porsche
Pressão sobre o Grupo Volkswagen
As medidas da Porsche acontecem em um momento de crescente pressão sobre todo o Grupo Volkswagen.
Nos últimos anos, as montadoras alemãs têm enfrentado dificuldades para manter sua rentabilidade diante da desaceleração econômica, da concorrência cada vez mais forte das fabricantes chinesas de veículos elétricos e das incertezas comerciais nos mercados internacionais.
A crise também afeta a Audi, outra marca do grupo. A empresa, sediada em Ingolstadt, anunciou recentemente uma revisão de suas projeções financeiras para 2026 e segue implementando um programa que prevê a eliminação de até 7.500 empregos até 2029.
Durante a apresentação dos resultados semestrais da Audi, o diretor financeiro Jürgen Rittersberger afirmou que as medidas de economia já adotadas tiveram efeitos positivos, mas não são suficientes diante dos desafios atuais.
Segundo ele, a empresa precisa se tornar mais eficiente, reduzir custos estruturais e acelerar os processos de tomada de decisão.
Linha de produção do Audi Q7 na cidade de Bratislava, capital da Eslováquia.
Divulgação / Audi
Vendas em queda na China
A desaceleração do mercado chinês continua sendo uma das principais preocupações das montadoras alemãs.
Tanto Audi quanto Porsche registraram queda nas vendas no país asiático, hoje um dos mercados mais importantes para a indústria automotiva mundial.
A situação também impactou os resultados financeiros da Volkswagen. O grupo registrou uma forte redução dos lucros no segundo trimestre e revisou suas expectativas para o restante do ano.
Apesar das dificuldades, o presidente-executivo da Volkswagen, Oliver Blume, insiste que o fechamento de fábricas deve ser evitado.
Em declarações recentes, ele afirmou que existem alternativas mais eficientes para recuperar a competitividade das marcas do grupo e classificou o encerramento de unidades produtivas como "o último recurso".
Prompt injection: entenda o 'código secreto' que professor usou para flagrar uso de IA em trabalho

Professor cria ‘armadilha’ para descobrir quem usou IA e reprova 32 de 35 alunos
Um professor universitário viralizou nas redes sociais ao contar que reprovou 32 de 35 alunos em uma avaliação depois de criar uma "armadilha" para identificar quem havia usado inteligência artificial (IA) na atividade.
Em uma série de vídeos publicada no TikTok, o historiador Jason Gibson, professor da Alcorn State University, no Mississipi (EUA), explicou que as turmas tinham de escrever uma redação sobre a Revolução Industrial.
No enunciado elaborado por ele e enviado on-line, havia uma frase escondida, escrita em letras brancas sobre um fundo também branco. A instrução dizia que a palavra “Madagascar” deveria aparecer em algum trecho do texto, em um contexto completamente sem sentido.
Quem apenas lesse o comando na tela não conseguiria enxergar a frase. Já quem copiasse o enunciado inteiro e o colasse no ChatGPT, por exemplo, “levaria junto” a instrução oculta sobre Madagascar.
Como resultado, as redações apresentaram frases como:
"Madagascar flutua de lado durante a tarde."
"A bicicleta roxa de Madagascar sussurra para o teto."
"Madagascar foi a um jogo de basquete usando uma torradeira."
"Ficou mais do que evidente que os alunos nem voltaram para reler as respostas", disse Gibson no TikTok.
Professor Dr. Jason Gibson criou um artifício para detectar uso de IA em avaliação
Reprodução/Redes sociais
O que é o Prompt Injection?
Prompt injection é uma técnica maliciosa em que textos enganosos são usados para manipular as respostas de assistentes de IA.
O objetivo é forçar esses sistemas a realizar ações indevidas ou deixar de fazer verificações de segurança, por exemplo.
Hackers já usaram a tática para tentar fazer com que sistemas revelem dados confidenciais de empresas ou ignorem controles de segurança criados por seus desenvolvedores.
Há também a injeção direta, em que comandos mal-intencionados são enviados diretamente na caixa de texto do assistente.
Os ataques de prompt injection foram identificados em 2022, quando pesquisadores da empresa americana de cibersegurança Preamble encontraram falhas em grandes modelos de linguagem e alertaram empresas de forma privada.
No mesmo ano, outros pesquisadores tornaram o risco público. Desde então, a injeção de comandos é vista com preocupação pelo setor de cibersegurança.
Juiz multa advogadas em R$ 84 mil por 'código secreto' para enganar IA e sabotar processo
Pessoa digitando computador
FreePik
Amazon quer lançar mais de 5 mil satélites para levar sinal de internet direto a celulares

Sistema Amazon Leo em exposição durente o evento Future EMEA 2026 em Dartford, no Reino Unido
REUTERS/Toby Shepheard
A Amazon Leo propôs nesta segunda-feira (27) uma constelação de até 5.105 satélites para oferecer conectividade direta entre satélites e smartphones para chamadas de voz e transmissão de dados. As informações são da Reuters.
A empresa entra na disputa com outras operadoras que desenvolvem serviços celulares via satélite.
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A rede proposta permitirá chamadas de voz, envio de mensagens, acesso à internet e serviços de emergência em regiões fora da cobertura das redes celulares terrestres.
O início da implantação dos satélites está previsto para 2028.
A empresa apresentou um pedido à Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC, na sigla em inglês) solicitando aprovação rápida do projeto. A FCC não comentou imediatamente o pedido.
O serviço será oferecido em parceria com operadoras de telefonia móvel em diferentes países e utilizará o espectro de satélite da Globalstar, empresa que a Amazon concordou em comprar no início deste ano.
Amazon traz Alexa+ ao Brasil e aposta em IA como o ChatGPT para renovar assistente virtual
Expansão dos planos com satélites
A Globalstar fornece conectividade direta entre dispositivos para milhões de usuários de aparelhos da Apple, permitindo mensagens de emergência, compartilhamento de localização e assistência em estradas quando não há cobertura das redes terrestres.
A iniciativa amplia os planos da Amazon para além da internet via satélite e aumenta a concorrência no mercado de conectividade direta para smartphones com a SpaceX, a AST SpaceMobile e a Lynk Global, que também desenvolvem serviços de comunicação entre satélites e celulares.
A crescente escassez de capacidade para lançamentos de foguetes, no entanto, tornou-se uma das principais limitações para a implantação da nova geração de constelações de satélites.
A Amazon Leo anunciou parcerias com Vodafone, DirecTV, Herotel e a National Broadband Network, da Austrália.
A Amazon Leo está implantando seu sistema de internet via satélite de primeira geração e já possui cerca de 390 satélites em órbita.
A empresa pretende iniciar a oferta do serviço fixo nas primeiras faixas de cobertura ainda este ano.
Em março, o presidente da FCC, rejeitou as críticas da Amazon ao plano da SpaceX, de Elon Musk, de lançar uma constelação com até 1 milhão de satélites.
A SpaceX contrói e opera os foguetes e a infraestrutura de lançamento que dão suporte à sua subsidiária Starlink
Getty Images
"Acho que a Amazon deveria se concentrar em colocar sua própria casa em ordem com seus lançamentos e sua própria constelação de satélites, em vez de se preocupar com outras empresas que já estão lançando satélites no ritmo e na frequência da SpaceX", disse Carr.
Brasil pode perder mais de US$ 500 milhões com bloqueio da União Europeia

Carne bovina.
Eraldo Peres/AP Photo/picture alliance via DW
O Brasil pode perder mais de US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) em exportações para a União Europeia caso entre em vigor, em 3 de setembro, o embargo aprovado pelo bloco.
O embargo, já ratificado pela União Europeia, afeta as exportações brasileiras de carne bovina, mel e pescados. O bloco alega que o Brasil não possui mecanismos de controle considerados suficientes para monitorar o uso de antimicrobianos nessas cadeias produtivas.
A Associação Brasileira da Indústria de Carnes (Abiec) estima perdas de US$ 504 milhões (R$ 2,6 bilhões) em exportações para o mercado europeu apenas até o fim deste ano. Se o embargo continuar em 2027, o impacto ultrapassaria US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões).
No setor de mel, a Abemel (Associação Brasileira dos Exportadores de Mel) calcula que cerca de US$ 4 milhões (R$ 20,3 milhões) deixem de ser exportados para a União Europeia entre setembro e dezembro.
Agora no g1
O impacto também poderia atingir o setor de pescados. Embora o Brasil não exporte para a União Europeia desde 2017, o segmento diz estar próximo de retomar as vendas ao bloco. Segundo a Abipesca (Associação Brasileira da Indústria de Pescados), o embargo pode impedir a entrada de até US$ 100 milhões (R$ 506,6 milhões) em receitas de exportação no próximo ano.
Protecionismo europeu
Embora a União Europeia afirme que o bloqueio está relacionado à fiscalização do uso de antimicrobianos, empresários dos setores afetados sustentam que a medida tem motivação protecionista.
➡️ Protecionismo é um conjunto de medidas adotadas por um país para favorecer sua produção interna e dificultar a entrada de concorrentes estrangeiros. Entre elas estão tarifas de importação, restrições comerciais e subsídios para empresas locais.
O sistema de defesa agropecuária do Brasil, ligado ao Ministério da Agricultura, tem um dos menores índices de rechaço do mundo. O indicador mede a quantidade de produtos recusados pelo país importador após inspeções sanitárias e de qualidade. No caso brasileiro, esse índice é próximo de zero.
Segundo empresários dos setores afetados, a pressão política e de produtores locais da União Europeia pode ser a verdadeira razão para a medida. A carne bovina brasileira, por exemplo, tem ampla oferta e preços competitivos, o que pode gerar preocupação entre produtores europeus.
O presidente da Abipesca, Eduardo Lobo, ressalta que, no caso dos pescados, os antimicrobianos citados pela decisão da UE não são utilizados. “Nosso maior volume de exportação é a pesca extrativa, o produto mais natural que existe das águas oceânicas e continentais”, afirma.
O mesmo argumento é usado para o mel brasileiro exportado, descrito pelo setor como um produto orgânico e, portanto, livre do uso de antibióticos.
Mesmo no caso da carne bovina, a União Europeia não apontou a presença desses antimicrobianos nos produtos exportados pelo Brasil.
O argumento do bloco é que os mecanismos brasileiros de monitoramento e fiscalização não seriam suficientes para atender às exigências europeias. Na avaliação das entidades do setor, trata-se de uma questão de controle e fiscalização, e não de contaminação dos produtos.
Mercado europeu de mel e carne bovina tem crescido
Em 2025, as exportações de carne bovina para a União Europeia representaram 3,68% do volume exportado pelo setor, mas responderam por cerca de 6% da receita. O volume embarcado cresceu 7,2% em relação ao ano anterior.
A União Europeia concentra suas compras em cortes nobres de maior valor agregado, como filé mignon, contrafilé e alcatra.
Os principais compradores europeus de carne bovina brasileira são os Países Baixos, que movimentaram US$ 382,8 milhões (R$ 1,94 bilhão) no ano passado, e a Itália, com US$ 374,2 milhões (R$ 1,90 bilhão). Espanha, Alemanha e Bélgica vêm na sequência.
No setor do mel, a participação da União Europeia nas exportações também gira em torno de 5%, percentual semelhante ao da carne bovina. Em 2025, as vendas para o bloco geraram um faturamento de US$ 6,2 milhões (R$ 31,4 milhões). Os principais destinos do produto dentro da UE foram Alemanha, Países Baixos, Bélgica e Itália.
No primeiro semestre deste ano, o faturamento com as exportações de mel para a União Europeia quase dobrou em relação ao mesmo período do ano passado: passou de US$ 3,18 milhões (R$ 16,1 milhões) para US$ 6,35 milhões (R4 32,2 milhões).
O presidente da Abemel, Renato Azevedo, destaca que, para além do volume exportado, o bloqueio interromperia o trabalho de diversificação de mercado que vem sendo feito.
“Acaba sendo um balde de água fria nos esforços dos exportadores, que já estavam colhendo frutos de um trabalho de ampliação de mercado”, afirma.
O tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre itens brasileiros é outro fator que faz aumentar a preocupação com a possibilidade de bloqueio da União Europeia.
Embora carne bovina, pescados e mel tenham ficado isentos das sobretaxas norte-americanas, a incerteza e a instabilidade que cercam a relação entre Brasil e Estados Unidos preocupam os setores que viam o mercado europeu como uma garantia.
Negociações com o setor de pescados podem ser interrompidas
O embargo previsto para entrar em vigor em setembro também afetaria o setor de pescados. Desde 2017, o Brasil está impedido de exportar esses produtos para a União Europeia por questões sanitárias.
A reabertura do mercado europeu, porém, poderia acontecer em breve. Após quase uma década de negociações e adaptações para retomar as exportações, a União Europeia realizou, em junho deste ano, uma nova auditoria em embarcações e indústrias brasileiras.
Representantes do setor de pescados estão otimistas de que a auditoria resulte em um parecer favorável ao Brasil. A expectativa é que o resultado seja divulgado até o fim deste ano.
No entanto, se o embargo entrar em vigor em setembro, a retomada das exportações de pescados para o bloco poderá ser comprometida.
Com uma possível reabertura do mercado europeu, a Abipesca (Associação Brasileira da Indústria de Pescados) estima um acréscimo de US$ 100 milhões (R$ 506,6 milhões)nas exportações em 2027. O valor representaria um crescimento de cerca de 30% para o setor, que atualmente exporta principalmente para China e Estados Unidos.
“Se nosso setor viesse a ser habilitado agora, a gente ia ter um reflexo com a desabilitação logo em seguida”, explica o presidente da Abipesca, Eduardo Lobo.
“Acreditamos que o governo e os setores afetados vão conseguir sanar e entregar à UE o cumprimento das exigências. O setor de pescados tem uma confiança muito grande na Secretaria de Defesa Agropecuária”, acrescenta.
Governo federal tenta negociação
Três dias após a ratificação da medida, em 6 de junho, o governo federal submeteu à União Europeia um novo plano de fiscalização de antibióticos.
A próxima reunião do bloco europeu, na qual o documento poderá ser avaliado, está prevista apenas para novembro, cerca de dois meses após o início do embargo.
Até o momento, as autoridades europeias não apresentaram uma manifestação conclusiva sobre a documentação encaminhada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.
No documento, o Ministério detalhou os mecanismos oficiais de fiscalização e as garantias oferecidas pelo governo para cada uma das cadeias produtivas abrangidas pela regulamentação europeia, incluindo carne bovina, carne de aves, ovos, mel e produtos da pesca.
O objetivo foi demonstrar que o sistema brasileiro atende aos requisitos sanitários estabelecidos pelo bloco.
Após onda de incêndios, veja como uma raça de vaca quase esquecida ajuda a Espanha a reduzir queimadas

Incêndios florestais atingem Espanha e França
Na Espanha, uma raça bovina quase esquecida está voltando aos campos com uma nova missão: ajudar no manejo das áreas rurais e reduzir o risco de incêndios florestais.
A vaca Cachena, pequena, resistente e adaptada a terrenos montanhosos, está sendo reintroduzida por agricultores da Galícia, região no noroeste do país, para consumir plantas que podem servir de combustível para as chamas.
🔍A Europa enfrenta uma das temporadas mais severas de incêndios dos últimos anos. Na Espanha, mais de 77 mil hectares já foram queimados em 2026 em meio a calor intenso e tempo seco.
Conhecida localmente como "vaca-cabra", a Cachena é considerada a menor raça bovina da Península Ibérica. O apelido vem do porte reduzido, dos chifres longos e da capacidade do animal de circular por áreas de difícil acesso.
A raça também é conhecida pela rusticidade e pela habilidade de se alimentar de diferentes tipos de vegetação, característica que passou a ser valorizada por produtores em áreas com maior risco de incêndios.
Incêndios florestais forçam saída de 330 mil pessoas na França e Espanha
Vacas da raça Cachena na Serra do Galineiro, em Gondomar, Espanha
REUTERS/Miguel Vidal Leia mais em: https://forbes.com.br/forbes-agro/2026/07/agricultores-da-espanha-reintroduzem-ovelhas-e-vacas-nativas-para-que-comam-plantas-inflamaveis/
Do abandono rural ao retorno dos rebanhos
O retorno da Cachena está ligado às mudanças no campo espanhol nas últimas décadas. O avanço de plantações de pinheiros e eucaliptos para uso industrial, combinado ao abandono de áreas rurais, deixou terrenos sem manejo e favoreceu o crescimento de plantas que podem acelerar a propagação do fogo.
Após um incêndio que atingiu a comunidade de Vincios, na Galícia, em 2017, associações locais passaram a recuperar uma prática antiga: usar animais nativos para controlar a vegetação.
Além das vacas Cachena, produtores utilizam cabras e ovelhas, que ajudam a consumir arbustos e outras plantas presentes nas áreas rurais.
Vacas da raça Cachena na Serra do Galineiro, em Gondomar, Espanha
REUTERS/Miguel Vidal
Raça nativa volta a crescer na Galícia
A estratégia também ajudou a recuperar animais tradicionais que perderam espaço no campo espanhol.
Segundo a associação regional BOAGA, o número de animais nativos na Galícia passou de pouco mais de 1.800 no fim dos anos 1990 para mais de 30 mil no início de 2026.
No caso da Cachena, o rebanho cresceu de cerca de 400 animais para aproximadamente 8 mil.
O governo regional criou incentivos para estimular produtores a manter animais jovens no rebanho, enquanto iniciativas locais ajudaram a ampliar a reprodução da raça.
Vacas com GPS ajudam no controle das áreas rurais
Em algumas comunidades, os animais circulam livremente com coleiras de GPS, sem a necessidade de cercas tradicionais.
Segundo produtores locais, a criação mantém a vegetação em níveis controlados sem eliminar completamente o ambiente natural. O objetivo é reduzir o acúmulo de plantas que podem favorecer o avanço das chamas.
*Contém informações da Reuters
Nova Chevrolet S10 Trail Boss tem suspensão reforçada e pneus para uso no fora de estrada

Chevrolet S10 Trail Boss
Divulgação / GM
A Chevrolet apresentou neste domingo (26) a nova S10 Trail Boss, versão voltada para quem busca maior capacidade no fora de estrada. Preço de lançamento é de R$ 341.290.
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O principal diferencial está no conjunto de suspensão exclusivo, desenvolvido em parceria com a Ironman, e nos pneus Pirelli Scorpion All Terrain de 18 polegadas. As rodas são exclusivas da versão.
A suspensão recebeu molas e amortecedores específicos para esta configuração. Com isso, a picape ficou 3 cm mais alta, o que melhora a capacidade para enfrentar terrenos irregulares.
Jetour T2 4x4 tenta repetir boas vendas do GWM Haval H9
Segundo a fabricante, a geometria também foi recalibrada para equilibrar o desempenho no off-road e o uso diário.
Além das mudanças mecânicas, a Trail Boss traz visual exclusivo. A versão adota grade dianteira e para-choque traseiro com acabamento preto brilhante, molduras dos para-lamas mais largas, adesivos no capô e na tampa traseira, além de emblemas específicos.
Na cabine, os bancos recebem acabamento exclusivo e detalhes escurecidos.
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A picape também passa a oferecer de série o protetor de caçamba Multiflex e o santantônio estendido. O protetor conta com pontos para instalação de organizadores, ganchos e outros acessórios para facilitar a fixação da carga.
A Trail Boss ocupa uma posição acima da versão Z71 dentro da linha S10 quando o assunto é capacidade para rodar fora do asfalto.
A base do projeto foi a série especial S10 100 Anos, lançada anteriormente pela marca.
Mesmo motor
A S10 Trail Boss mantém o conjunto mecânico das demais versões da picape. O modelo é equipado com motor 2.8 turbodiesel de 207 cv de potência e 52 kgfm de torque, sempre combinado ao câmbio automático de oito marchas e à tração 4x4 com reduzida.
A versão também traz os modos de condução Off-Road e Normal, além de bloqueio eletrônico do diferencial traseiro.
Segundo a Chevrolet, a calibração da suspensão exclusiva foi desenvolvida para trabalhar em conjunto com esse conjunto mecânico e ampliar a capacidade da picape em pisos de baixa aderência e obstáculos.
Chevrolet S10 Trail Boss tem detalhes de acabamento exclusivos
Divulgação / GM
Entre os equipamentos de série, a Trail Boss oferece painel de instrumentos digital de 8 polegadas e central multimídia MyLink com tela de 11 polegadas, compatível com Android Auto e Apple CarPlay sem fio.
O modelo também conta com carregador de celular por indução, ar-condicionado digital automático, bancos com revestimento específico e seis airbags.
A lista inclui ainda alerta de colisão frontal, frenagem automática de emergência, alerta de saída de faixa, monitoramento de ponto cego, alerta de tráfego cruzado traseiro, assistente de permanência em faixa, controle de cruzeiro adaptativo, câmera de ré de alta definição, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, além de sistema de monitoramento da pressão dos pneus.
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Mercado reduz pela 4ª semana seguida estimativa de inflação em 2026, que cai para 5,12%

O mercado financeiro reduziu novamente sua estimativa para a inflação em 2026, que caiu para 5,12%. Esta é a quarta semana seguida de recuo.
As expectativas fazem parte do "Boletim Focus", divulgado nesta segunda-feira (27) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras.
A queda na estimativa de inflação acontece apesar da retomada da guerra no Oriente Médio, que elevou o preço do petróleo, com potencial de pressionar a inflação brasileira (via aumento dos combustíveis).
➡️ Para 2026, a estimativa de inflação caiu de 5,15% para 5,12%;
➡️ Para 2027, a expectativa subiu de 4,20% para 4,22%;
➡️ Para 2028, a previsão subiu de 3,78% para 3,80%;
➡️ Para 2029, a estimativa continuou em 3,50%.
Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%.
🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento.
Agora no g1
Corte dos juros
Mesmo com aumento da projeção de inflação para 2028 (objetivo no qual o BC está mirando para calibrar a taxa de juros), o mercado financeiro continua projetando da Selic.
Atualmente, a taxa está em 14,25% ao ano — após três cortes neste ano.
A estimativa do mercado para a taxa Selic ao fim de 2026 permaneceu em 14% ao ano na última semana, embutindo uma última redução da taxa neste ano, em agosto.
Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado permaneceu em 12% ao ano.
Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas continuou 10,50% ao ano.
Inflação de junho é a menor para o mês em 3 anos, mas ainda está acima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central
Jornal Nacional/ Reprodução
Atividade econômica
Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, a estimativa do mercado permaneceu em 1,99%.
O resultado oficial do PIB do ano passado foi uma expansão de 2,3%, conforme divulgação oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
➡️ O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir o desempenho da economia.
Para 2027, a projeção de crescimento do PIB caiu de 1,65% para 1,60%.
Taxa de câmbio
O mercado financeiro manteve sua estimativa para a taxa de câmbio ao fim deste ano em R$ 5,20 por dólar.
Para o fechamento de 2027, a projeção dos economistas dos bancos subiu de R$ 5,28 para R$ 5,29 por dólar.
China critica novas tarifas dos EUA e se aproxima do Brasil em meio à tensão comercial

Lula e Xi falam em acelerar tratativa de acordo China-Mercosul
O Ministério do Comércio da China afirmou nesta segunda-feira (27) que se opõe "firmemente" às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos chineses sob a justificativa de combate ao trabalho forçado. Pequim classificou as medidas como "injustificadas" e pediu a retirada das taxas adicionais.
A manifestação ocorre após os EUA anunciarem tarifas de 10% e 12,5% sobre produtos de 60 parceiros comerciais. Entre os atingidos estão a União Europeia, que recebeu a taxa de 10%, o Brasil e a China, ambos com uma alíquota de 12,5%.
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Segundo Washington, os países atingidos não adotaram medidas suficientes para restringir importações associadas ao trabalho degradante.
Pequim rejeitou a acusação e reagiu criticando o histórico dos próprios EUA na área trabalhista. O ministério afirmou que Washington voltou a recorrer à Seção 301 para justificar uma investigação comercial e impor tarifas unilaterais com base em acusações de trabalho forçado.
Em nota, o órgão classificou a medida como "um ato típico de unilateralismo e protecionismo" e afirmou que a China mantém uma ampla estrutura de leis trabalhistas.
O governo chinês também acusou os EUA de não terem ratificado a Convenção sobre Trabalho Forçado de 1930 e de utilizarem o tema de forma política.
Apesar de alertar que reserva o direito de "tomar todas as medidas necessárias", Pequim indicou disposição para manter o diálogo "baseado em respeito mútuo, igualdade e benefício mútuo".
O ministério afirmou que os EUA haviam se comprometido, em negociações anteriores, a limitar eventuais tarifas adicionais a 20%.
Como a nova taxa aplicada à China ficou em 12,5%, Pequim indicou que ainda vê espaço para manter a trégua comercial e avançar nas conversas antes da possível visita do presidente Xi Jinping a Washington, prevista para setembro.
China também critica possível investigação dos EUA sobre inteligência artificial
Além das tarifas, a China criticou a possibilidade de os Estados Unidos abrirem uma investigação sobre o setor chinês de inteligência artificial.
Pequim acusou Washington de promover um "hegemonismo por IA" e de recorrer a medidas unilaterais para conter o avanço tecnológico chinês.
O governo também condenou o que chamou de "difamação" e ameaças de sanções contra empresas do setor.
O governo chinês afirmou que acompanhará os desdobramentos e prometeu adotar "todas as medidas necessárias" para proteger os direitos e interesses de suas empresas. A reação amplia a lista de atritos entre as duas maiores economias do mundo, que já disputam espaço em áreas como comércio, semicondutores e inteligência artificial.
Lula e Xi Jinping em encontro em 2025
Getty Images via BBC
Apoio ao Brasil em meio a pressões dos EUA
As críticas à política comercial e tecnológica dos EUA ocorrem em um momento de reforço dos laços diplomáticos e econômicos entre China e Brasil. Na noite de domingo (26), Xi Jinping conversou por telefone por mais de uma hora com o presidente Lula.
Na conversa, Xi afirmou a Lula que valoriza o status internacional do Brasil e garantiu suporte político ao país "na defesa de sua soberania e independência, na oposição à interferência externa e na contribuição para a manutenção da paz e da estabilidade regional e mundial".
Pequim acrescentou que, "diante de novas circunstâncias e desafios", ambas as nações devem se posicionar "firmemente do lado certo da história".
Brasil e China aceleram discussão sobre acordo com o Mercosul
Em meio ao aumento das tensões comerciais com os EUA, especialistas avaliam que a diversificação de mercados se torna ainda mais estratégica para países exportadores como o Brasil.
A ampliação dos destinos das exportações reduz a dependência de um único parceiro comercial e ajuda a amortecer os impactos de tarifas e disputas geopolíticas sobre setores mais expostos ao mercado americano.
Em nota divulgada pelo Palácio do Planalto, o governo brasileiro informou que a conversa tratou da "implementação das sinergias entre os projetos nacionais de desenvolvimento dos dois países", sem citar abertamente o pacote tarifário imposto pelo governo de Donald Trump.
Para mitigar a dependência e amortecer os impactos do protecionismo americano, os dois presidentes concordaram sobre a urgência de acelerar as negociações para a criação de um acordo comercial entre o Mercosul e a China, prevendo as flexibilidades necessárias para o bloco sul-americano.
*Com informações da Reuters
'Taxa das blusinhas': ministro da Fazenda monitora de perto impacto e pode propor a Lula retorno da taxação

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, admitiu que as encomendas internacionais estão subindo após o fim da chamada "taxa das blusinhas", mas acrescentou que a equipe econômica está acompanhando de perto os dados e que pode propor ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o retorno da taxação.
Durante entrevista para a "Rádio Jornal", de Pernambuco, ele disse que o governo zerou a tributação para fazer um período de "amostragem" e ver o impacto na economia brasileira.
"A gente tem visto que tem aumentado a importação desses produtos. Como a gente tem todo controle, a qualquer momento que a gente perceber que está fora do padrão e gerando falta de isonomia para a produção nacional, é possível propor ao presidente uma mudança desse cenário", declarou Durigan.
De acordo com a Receita Federal, o número de encomendas internacionais disparou após o fim da chamada taxa das blusinhas — que tributava com a cobrança de imposto de importação as compras com valor abaixo de US$ 50 com alíquota de 20%.
Agora no g1
A revogação da taxa foi feita em maio por meio de Medida Provisória, que tem força de lei assim que é publicada no "Diário Oficial da União" (DOU). Entretanto, para continuar em vigor após os 120 dias de validade, terá de ser aprovada pelo Congresso Nacional, que pode manter, barrar ou alterar a medida.
Por conta disso, produtores nacionais e importadores já se movimentam no Congresso Nacional, e até mesmo na Justiça, para defender seus interesses.
A "taxa das blusinhas" era reprovada por grande parte dos consumidores brasileiros por encarecer produtos populares de baixo valor e reduzir a atratividade de plataformas internacionais.
Críticos argumentavam também que turistas de viagens internacionais tinham vantagem ao não recolher o tributo em determinada cota de compras ao voltar ao país.
Ministro da Fazenda, Dario Durigan
Washington Costa/MF
Entidades se manifestam
O Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), que reúne os varejistas brasileiros, como Americanas, Dafiti, Centauro, Casas Bahia, Lojas Renner e Magazine Luiza, entre outros, informou que sondagem feita junto ao mercado indica que os resultados do mês de junho devem mostrar retração no volume de vendas no varejo em alguns setores por conta da Copa do Mundo.
"Porém, a queda de vendas também deverá ser registrada em outros setores devido ao expressivo aumento das vendas por plataformas eletrônicas on-line estrangeiras, que estão com o benefício de zero no Imposto de Importação, o que num segundo momento deverá refletir ainda mais na redução do emprego e dos investimentos futuros", acrescentou o IDV.
Em junho, as Frentes Parlamentares Comércio e Serviços, do Ambiente de Negócios, Pelo Brasil Competitivo e de Defesa da Propriedade Intelectual e de Combate à Pirataria, entre outras, divulgaram uma manifestação sobre o tema.
"Defender a isonomia tributária não significa defender privilégios. Significa assegurar que todos os agentes econômicos estejam sujeitos às mesmas regras e contribuam de forma equivalente para o desenvolvimento do país. É justamente por isso que defendemos um princípio simples, compreensível e justo: Se baixar para estrangeiro, tem que baixar para brasileiro", diz o documento.
Já a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que reúne empresas de tecnologia prestadoras de serviços e importadores, como Alibaba, Amazon e Shein, entre outros, avaliou ser "natural e esperada" a alta registrada nas importações de baixo valor após a revogação da taxa das blusinhas.
A entidade ressalta, no entanto, que esse movimento de maior demanda deve ser analisado com "cautela". Diz que a antecipação de compras era esperada diante da isenção do imposto, mas que, segundo especialistas, é necessária uma janela de, no mínimo, seis meses para avaliar se o atual crescimento se sustentará.
"A isenção do imposto federal é um avanço para a democratização do consumo, pois promove inclusão social, reduz desigualdades e movimenta a economia (...) Os dados, em geral, evidenciam o impacto desproporcional da tributação sobre os consumidores de menor renda, mostram a complementariedade entre plataformas e o varejo brasileiro, além de reforçar a importância de garantir segurança jurídica e previsibilidade para o e-commerce internacional", acrescentou a Amobitec.
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