Senado dos EUA aprova Kevin Warsh como presidente do banco central americano

Kevin Warsh, nomeado por Donald Trump para presidir o Federal Reserve, em foto de 21 de abril de 2026
Reuters/Kevin Lamarque
O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta quarta-feira (13) a indicação de Kevin Warsh para o cargo de presidente do Federal Reserve.
O advogado e financista de 56 anos assumirá o comando no comando do banco central dos EUA, que enfrenta uma alta da inflação, o que pode dificultar cortes nas taxas de juros defendidos por Donald Trump.
A votação ficou em 54 a 45 e ficou marcada como a confirmação mais partidária da história para um presidente do Fed no Senado dos EUA. Apenas um democrata, John Fetterman, votou com a maioria republicana.
Sua posse para o mandato de quatro anos no comando do Fed e para um mandato simultâneo de 14 anos como diretor do Fed, aprovado pelo Senado na terça-feira (12), aguarda as assinaturas finais da Casa Branca na documentação enviada pelo Senado.
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Trump está na China para reuniões com o presidente Xi Jinping e "pretende assinar a documentação o mais rápido possível para restaurar a confiança na tomada de decisões do Fed", disse uma autoridade da Casa Branca.
Warsh assumirá no lugar do atual presidente do Fed, Jerome Powell, cujo mandato termina na sexta-feira (15). Powel permanecerá como diretor do banco central americano, enquanto Stephen Miran, atualmente o maior defensor dos cortes nas taxas de juros americanas, dará lugar a Warsh.
Com expectativa de presidir a próxima reunião do Fed, em 16 e 17 de junho, Warsh se junta ao banco central num momento em que os formuladores de políticas estão envolvidos em um debate vigoroso sobre a direção das taxas de juros.
Algumas autoridades estão preocupadas com o fato de a inflação estar se expandindo, mesmo além do impacto das tarifas do governo Trump e do aumento dos preços do petróleo decorrente da guerra do Irã.
Um índice de preços ao produtor, componente-chave da inflação geral, aumentou 6% em abril em relação ao ano anterior, informou o Departamento do Trabalho nesta quarta-feira.
Esse é o ritmo mais rápido desde dezembro de 2022, quando o Fed lutava contra um aumento recorde de 40 anos nos preços com aumentos acentuados das taxas.
Os analistas projetam um aumento de 3,8% no índice de inflação PCE em abril, afastando-se ainda mais da meta do Fed de 2%.
Divisão partidária
A votação apertada sobre Warsh marca um desafio para o Fed, cujos líderes costumam ser aprovados em votações simbólicas ou com amplo apoio bipartidário.
Até então, a votação mais partidária sobre um presidente do banco central americano tinha acontecido em 2014, quando Janet Yellen foi aprovada com 56 votos favoráveis e 26 contrários. Na ocasião, 11 republicanos se juntaram à maioria democrata.
Trump tem instigado o banco central a reduzir as taxas de juros e empreendeu o que Powell chama de uma "série de ataques legais" sobre o banco central. Isso inclui uma tentativa de demitir a diretora do Fed Lisa Cook, no ano passado. O Departamento de Justiça de Trump também lançou uma investigação criminal contra Powell, que foi abandonada por enquanto, mas deixou a porta aberta para ser retomada.
Foram esses ataques que levaram alguns democratas a votar "não", apesar de acharem que Warsh era qualificado para o cargo.
"Tenho sérias preocupações sobre se ele conseguirá permanecer totalmente independente diante da pressão política da Casa Branca", disse um desses senadores, Mark Warner. "Espero que, como chairman, ele prove que essas preocupações são infundadas e demonstre claramente que defenderá a independência do Fed, seguirá os dados e colocará a estabilidade de longo prazo da economia norte-americana acima dos caprichos deste ou de qualquer outro presidente."
A decisão de Powell de contrariar a tradição e permanecer no Fed além do final de seu mandato de chair, pelo menos até que a investigação do DOJ seja definitivamente encerrada, foi motivada de forma semelhante pela preocupação de que o Fed continue a ser capaz de definir as taxas de juros sem pressões políticas.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, que se juntou a Trump ao criticar o Fed de Powell, deu as boas-vindas à liderança de Warsh "em uma instituição que precisa de responsabilidade, orientação política sólida e um senso renovado de propósito para ajudar a guiar nossa economia".
Trump espera que Warsh defenda taxas mais baixas, e Warsh expressou apoio à opinião de Trump. Ainda assim, ele disse aos senadores em sua audiência de confirmação no mês passado que não havia feito nenhuma promessa em relação às taxas, embora tenha prometido fazer grandes mudanças, incluindo maior cooperação com o governo em questões de política não monetária.
Warsh não é estranho à discórdia dentro do Fed. Como diretor do Fed durante o mandato de Ben Bernanke como chair, ele expressou reservas sobre a política, embora tenha deixado a diretoria em 2011 antes de proferir qualquer voto dissidente.
Em sua audiência de confirmação, ele disse aos senadores que vê com bons olhos uma "briga de família" no Fed, à medida que os formuladores de políticas elaboram a resposta correta da política monetária às condições econômicas.
Samsung não chega a acordo salarial com sindicato na Coreia do Sul; governo tenta evitar greve

Loja da Samsung em Seul, na Coreia do Sul
Reuters/Kim Hong-Ji
A Samsung Electronics e o sindicato que representa seus funcionários na Coreia do Sul não chegaram a um acordo salarial em uma negociação realizada nesta quarta-feira (13).
A indefinição aumenta o risco de uma greve que ameaça não apenas a produção de chips e a posição da gigante dos semicondutores, mas também a economia sul-coreana, que depende da exportação.
O impasse ocorre após uma maratona de negociações mediadas pelo governo na segunda (11) e na terça-feira (12).
Funcionários da Samsung reclamam por terem recebido bônus menor do que a SK Hynix, concorrente na fabricação de semicondutores, e planejam greve de 18 dias a partir de 21 de maio caso as suas reivindicações não sejam atendidas.
Mais de 50 mil trabalhadores podem entrar em greve, segundo alerta do sindicato. A interrupção pode atrasar entregas, aumentar ainda mais os preços de semicondutores e beneficiar concorrentes.
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O representante sindical Choi Seung-ho afirmou que a Samsung rejeitou a demanda por mudanças no sistema de remuneração, que inclui a eliminação de um teto para o bônus.
Segundo ele, o sindicato não tem planos de retomar negociações antes da data da greve, mas avaliaria "uma proposta adequada" caso ela seja apresentada pela empresa.
A Samsung lamentou o fracasso das negociações e disse que vai manter um "diálogo sincero" com o sindicato para evitar o que classificou como "pior cenário possível".
O governo sul-coreano convocou uma reunião de emergência como ministros relacionados ao tema. O primeiro-ministro Kim Min-seok instruiu o governo a gerenciar a situação de perto "considerando a gravidade do impacto sobre a economia nacional".
Ele também pediu "apoio proativo para garantir que o diálogo entre o sindicato e a administração possa continuar, para que isso não leve a uma greve em nenhuma circunstância".
A Comissão Nacional de Relações Trabalhistas, que atuou como mediadora, afirmou ter apresentado alternativas, mas decidiu encerrar as discussões "devido à grande divergência entre as posições de ambas as partes e ao pedido do sindicato para suspender as negociações".
A economia tem se tornado cada vez mais dependente das crescentes exportações de chips. Os semicondutores foram responsáveis por 37% das exportações do país em abril, acima dos 20% registrados no ano anterior, de acordo com dados do governo.
Estudantes que aderirem ao Desenrola Fies ficarão proibidos de fazer apostas online, diz Fazenda

Desenrola Fies renegocia dívidas de parcelas atrasadas
O secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou nesta quarta-feira (13) que estudantes que aderirem ao programa de renegociação de dívidas do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), o Desenrola Fies, ficarão proibidos de fazer apostas online, nas chamadas bets.
A partir desta quarta, estudantes com dívidas do Fies passaram a poder renegociar o que devem com descontos. A renegociação, no âmbito da nova versão do Desenrola lançada pelo governo, deverá ser feita nos canais de atendimento da Caixa Econômica Federal ou do Banco do Brasil.
Ceron falou sobre a restrição para apostas online durante entrevista de anúncio de uma medida para conter aumento do preço da gasolina e do diesel.
A previsão de proibição de apostas online para quem aderir ao Desenrola Fies será incluída na medida provisória que prevê subsídio a combustíveis.
A expectativa do Ministério da Educação é que mais de 1 milhão de estudantes renegociem suas dívidas.
Regras gerais do Desenrola Fies:
podem participar estudantes com contratos firmados até 2017;
os contratos precisam estar em fase de amortização (com pagamentos iniciados) em 4 de maio de 2026; e
a negociação pode ser feita até 31 de dezembro de 2026.
O programa oferece condições diferentes dependendo do tempo de atraso e do perfil dos estudantes.
Veja:
nos contratos com atraso entre 90 e 360 dias, será possível obter desconto de 100% dos juros e das multas e uma redução adicional de 12% sobre o valor principal da dívida nos pagamentos à vista, ou desconto de 100% dos encargos (juros e multas) nos pagamentos parcelados em até 150 vezes;
para dívidas com atraso superior a 360 dias, estudantes que não estão inscritos no CadÚnico poderão conseguir desconto de até 77% do valor total da dívida, os que estão inscritos no CadÚnico poderão ter desconto de até 99%. Nos dois casos, será preciso liquidar integralmente o saldo devedor;
os estudantes com os contratos em dia ou com atrasos de até 90 dias poderão ter desconto de 12% do valor consolidado da dívida nos pagamentos à vista.
Ainda segundo as regras do programa, o não pagamento de três parcelas consecutivas ou de cinco alternadas da dívida renegociada resultará na suspensão do desconto.
Nessas situações, o valor correspondente ao desconto será reincorporado ao saldo devedor do financiamento.
Dividas somaram mais de R$ 90 bilhões
De acordo com dados do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, encaminhado pelo governo federal ao Congresso Nacional em abril, as dívidas do Fies alcançaram R$ 90 bilhões no fim do ano passado.
Desse total, R$ 61 bilhões estão relacionados a débitos vencidos há mais de um ano.
Rogério Ceron, secretário-executivo da Fazenda
Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda
Governo federal anuncia medida para conter aumento do preço da gasolina e do diesel

Governo anuncia medida para conter aumento do preço da gasolina e do diesel
O governo federal anunciou, nesta quarta-feira (13), mais uma medida provisória (MP) com ações para conter a alta dos combustíveis, mais especificamente a gasolina e o diesel, produzidos no Brasil ou importados.
A MP prevê um benefício tributário na Cide e do PIS/Cofins, tributos federais que incidem sobre os combustíveis. A nova subvenção terá início pela gasolina, que ainda não foi alvo de nenhuma medida para conter o aumento de preço, mas, de acordo com o governo, pode se estender ao diesel.
O desconto no imposto não poderá ultrapassar o teto dos tributos federais. Atualmente, esses valores são:
R$ 0,89 por litro na gasolina, o que inclui PIS/Cofins e Cide; e
R$ 0,35 de PIS/Cofins por litro de óleo diesel, que já teve sua tributação suspensa em março por uma outra MP. A medida anunciada nesta quarta pode valer para o diesel quando a MP de março, com duração prevista para abril e maio, deixar de ser aplicada.
💰 Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, a medida tem neutralidade fiscal, ou seja, não pressiona os cofres públicos. Ele calcula que o custo da medida ficará entre R$2,7 bilhões a R$3 bilhões por mês, somando os valores da gasolina e diesel.
💵 Segundo Moretti, um ato do Ministério da Fazenda, que será publicado nos próximos dias, trará os valores da subvenção. Para a gasolina, o ministro estima que o valor deve ficar entre R$0,40 a R$0,45. O do diesel deve ser de R$0,35.
"Como a receita da União por meio de dividendos, royalties e participação tem crescido com o aumento da cotação do petróleo no mercado internacional, a medida será neutra do ponto de vista fiscal", justificou o governo.
Com as mudanças, o governo pretende diminuir o impacto do aumento do preço do petróleo a cinco meses das eleições de outubro, que disparou após o início do ataque dos Estados Unidos e Israel ao Irã, no custo dos combustíveis.
🔎 Medidas provisórias têm força de lei assim que são publicadas no "Diário Oficial da União", com validade por 60 dias, podendo ser prorrogadas por igual período. Para continuar valendo, precisam ser aprovadas pelo Congresso Nacional.
O valor será pago aos produtores e importadores por meio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
A medida funcionará como um cashback para amortizar eventuais aumentos de preços pela retirada do tributo.
"Hoje, quando olhamos o setor de combustíveis, regime tributário é monofásico e pago na refinaria ou importador. O que estamos fazendo aqui é, para gasolina e diesel rodoviário, ela – o produtor ou importador – paga o tributo para Receita Federal. Quando ela paga esse valor, a gente devolve esse tributo como uma subvenção. Essa devolução é uma espécie de cashback capaz de absorver eventuais choques de preço dos combustíveis", explicou Moretti.
Ainda segundo o ministro, o desconto precisará estar destacado na nota fiscal eletrônica. O pagamento às empresas, seja produtor ou importador, será feito em até 30 dias.
Arrecadação com alta do petróleo
A iniciativa ocorre em meio à paralisação, na Câmara dos Deputados, da tramitação do projeto de lei complementar que autoriza o uso de receitas extraordinárias do petróleo para reduzir tributos sobre combustíveis. A proposta foi encaminhada pelo Executivo ao Congresso em abril.
Os próprios ministros da Fazenda e Planejamento entraram em campo para tentar sensibilizar os presidentes da Câmara, onde atualmente o texto se encontra, e do Senado Federal sobre o projeto. No entanto, Moretti admite que a tramitação pode não ocorrer na velocidade que a situação demanda.
"Como nós temos trabalhado com esse conceito de mecanismo para amortecer choques, tem o risco de não ter os instrumentos em mãos para agir com tempestividade", afirmou ele.
Segundo o ministro, não se trata de uma despesa temporária, ou seja, não requer uma compensação, mas precisa ser inscrita dentro do espaço fiscal.
O projeto que está parado estabelece a possibilidade de reduzir impostos sobre diesel, gasolina, etanol e biodiesel sempre que houver aumento extraordinário da arrecadação decorrente da alta nas cotações internacionais do petróleo.
Assim, quando houver aumento de receita, o montante seria utilizado para reduzir tributos sobre combustíveis, como PIS/Cofins e Cide-gasolina.
A medida provisória anunciada agora ocorre em momento de forte pressão sobre a Petrobras, que fixa os preços dos combustíveis no Brasil.
Cálculo da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom) indica uma defasagem de 39% no diesel e de 73% na gasolina em relação aos preços internacionais dos produtos.
Nesta semana, durante conferência para comentar os resultados da estatal no primeiro trimestre, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, informou que está previsto um reajuste de preços para “já já”.
Na ocasião, ela acrescentou que a empresa e o governo já estavam trabalhando em uma medida para amenizar os efeitos do reajuste sobre a população.
Preço da gasolina sobe e chega a R$ 6,39 em postos do Piauí
Divulgação
Fim da paridade
Em 2023, no início do terceiro mandato do presidente Lula, a Petrobras anunciou o fim da paridade de preços do petróleo – e dos combustíveis derivados, como gasolina e diesel – com o dólar e o mercado internacional, que estava em vigor desde 2016.
Com a mudança, os reajustes de combustíveis passaram a evitar o repasse para os preços internos da "volatilidade conjuntural das cotações internacionais e da taxa de câmbio".
Em um momento de alta nos preços do petróleo e dos combustíveis por conta da guerra no Oriente Médio, a demora no repasse aos preços internos contém a inflação no país e, também, impede um lucro maior da Petrobras.
Brasil vai enviar informações para UE para resolver veto à carne, diz Ministério

Miriam Leitão: reação a veto da UE contra carne brasileira está sendo imediata
O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua disse nesta quarta-feira (13) que a União Europeia vai detalhar quais são as exigências de importação de carne que, na visão do bloco, ainda não são cumpridas pelo Brasil.
Segundo o secretário, isso ficou acertado em uma reunião em Bruxelas, onde fica a sede da União Europeia. Nesse encontro, o embaixador do Brasil junto ao bloco, Pedro Miguel da Costa e Silva, se reuniu com representantes do órgão sanitário europeu.
➡️ Contexto: a UE atualizou na terça-feira (12) a lista de países que cumprem suas regras contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária e excluiu o Brasil. A lista define quais países podem continuar exportando carne para o bloco a partir de 3 de setembro.
"Em duas semanas, o Brasil já deve responder com as medidas que estão sendo tomadas e dando garantias de que as novas regras serão cumpridas antes do prazo", disse Rua.
De acordo com Rua, ficou decidido ainda que a União Europeia vai tratar cada produto (como carne bovina, frangos, ovos e mel) separadamente, o que deve acelerar o processo de resolução, avaliou.
O secretário disse ainda que, no encontro com representantes da UE, o Brasil mostrou descontentamento com a decisão. "O Brasil colocou que bons parceiros devem ser tratados como bons parceiros. E isso envolve comunicação, não ser pego de surpresa. Esse é um recado importante", destacou.
Governo quer reverter a decisão da UE de vetar compra de carne brasileira
O que aconteceu
Segundo a UE, o Brasil foi excluído por não fornecer garantias sobre a não utilização de antimicrobianos na pecuária. Outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, seguem autorizados.
Na lista de 2024, o Brasil aparecia como autorizado a exportar carne bovina, de frango e de cavalo, além de tripas, peixe e mel.
➡️ Antimicrobianos são substâncias usadas para tratar e prevenir infecções em animais. Alguns desses medicamentos também podem funcionar como promotores de crescimento.
Segundo a porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Eva Hrncirova, para voltar à lista, "o Brasil deve garantir o cumprimento dos requisitos da União relativos à utilização de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais dos quais provêm os produtos exportados".
"Assim que a conformidade for demonstrada, a UE poderá autorizar ou retomar as exportações", afirmou, acrescentando que o bloco vem colaborando com as autoridades brasileiras sobre o tema.
Por outro lado, o governo brasileiro disse que recebeu com "surpresa" a notícia.
Proibição de antimicrobianos
A União Europeia proíbe os antimicrobianos que são utilizados também para crescimento dos animais, explica Leonardo Munhoz, doutor em direito agroambiental e advogado no VBSO.
São eles:
virginiamicina;
avoparcina;
cacitracina;
tilosina;
espiramicina;
avilamicina.
Em abril, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria que proíbe a importação, fabricação, comercialização e uso de alguns antimicrobianos usados como melhoradores de desempenho, incluindo avoparcina e virginiamicina.
Para voltar à lista da UE, o Brasil tem dois caminhos: restringir legalmente o uso dos demais medicamentos mencionados ou garantir que a carne exportada não contenha essas substâncias.
A segunda opção não é fácil de aplicar, pois depende da rastreabilidade do produto, é mais demorada e custosa, aponta Munhoz.
Assim que for comprovado que a pecuária brasileira não usa esses antimicrobianos, o país poderá voltar a exportar, mesmo que isso ocorra após setembro.
Segundo o pesquisador, já se sabia que a União Europeia planejava essas restrições desde 2019.
"Gera preocupação relevante para o agro porque a União Europeia é um mercado estratégico para proteínas animais e porque essas exigências podem impactar rastreabilidade, certificação sanitária e compliance exportador", afirma o pesquisador.
A União Europeia é o terceiro maior destino da carne bovina brasileira em valor exportado, depois de China e Estados Unidos, segundo dados do Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura. Para carnes em geral, o bloco é o segundo maior mercado, atrás da China.
O que disse o setor
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) disse que o Brasil segue "plenamente habilitado a exportar carne bovina ao mercado europeu" e que "o eventual impedimento às exportações somente ocorrerá caso as garantias e adequações requeridas pelas autoridades europeias não sejam apresentadas até a data estabelecida".
"O setor privado tem trabalhado em parceria com o Ministério da Agricultura na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias [...]. Há, inclusive, previsão de missão europeia ao Brasil no segundo semestre para avanço e conclusão desse processo técnico."
"A carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios dos principais mercados internacionais, com rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente. Atualmente, o Brasil exporta para mais de 170 países, sustentado por um dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo", destacou a entidade.
Já a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) disse que, com o apoio do governo, "prestará todos os esclarecimentos necessários à União Europeia"
"É importante enfatizar: o Brasil cumpre integralmente todos os requisitos da União Europeia, inclusive no que tange aos regulamentos sobre antimicrobianos. É o que o Brasil demonstrará às autoridades sanitárias europeias."
"O setor brasileiro reforça que o país possui estruturas sanitárias e de controle produtivo robustas, com rígidos protocolos de rastreabilidade, monitoramento veterinário e uso responsável de medicamentos, em linha com referências internacionais de saúde animal e segurança dos alimentos", destacou a ABPA.
O presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), Renato Azevedo, afirmou ao g1 que a notícia "pegou de surpresa" o setor. "Entendo que isso é algo político, visto que há uma grande pressão dos europeus para barrar produtos brasileiros depois do acordo do Mercosul", afirmou.
"Para o mel, é totalmente descabido falar em risco de uso excessivo de antibióticos, considerando que o Brasil é o principal produtor de mel orgânico do mundo", destacou Azevedo.
A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abepesca), por sua vez, diz que não exporta para UE desde 2016.
A Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) disse que a medida é preocupante, principalmente "considerando que o Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia entrou em vigor no início deste mês".
A entidade irá buscar participar dos diálogos com autoridades europeias para reverter a medida.
A Frente Parlamentar da Agropecuária disse que, considerando o acordo comercial entre os dois blocos, "vê com preocupação qualquer tentativa de transformar exigências regulatórias em barreiras políticas ou comerciais contra a competitividade da produção brasileira".
A bancada afirmou que acompanhará o tema junto ao setor e às autoridades competentes.
Acordo Mercosul e União Europeia
A publicação da lista ocorre 12 dias após a assinatura de um acordo de livre comércio com os países do Mercosul, criticado por agricultores e ambientalistas europeus, especialmente na França.
A medida desta terça-feira não tem relação com o acordo, afirma Munhoz. A lista é uma regulamentação sanitária, ou seja, uma exigência que qualquer país pode adotar para garantir a segurança dos alimentos consumidos pela população.
O acordo entrou em vigor em 1º de maio, em caráter provisório, e aguarda uma decisão judicial na Europa sobre sua legalidade.
"Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo. Portanto, é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos. A decisão tomada hoje demonstra que o sistema europeu de controle funciona", afirmou o comissário europeu para a Agricultura, Christophe Hansen.
Carne bovina
Tiago Ghizoni/ NSC /Arquivo
Poupança para a liberdade: O que as cadernetas de escravizados revelam sobre a busca por alforria no século XIX

Homens e mulheres escravizados trabalhando em fazenda de café no Brasil
NY Public Library
O Brasil completa nesta quarta-feira, 13 de maio, 138 anos da assinatura da Lei Áurea — decreto que aboliu a escravidão no Brasil. Um levantamento recente em cima de 158 cadernetas de poupança de pessoas escravizadas preservadas pela Caixa Econômica Federal mostra que a liberdade foi, em muitos casos, poupada real a real e não concedida por decreto. Real é o singular de réis, moeda da época.
A pesquisa da Caixa é uma resposta à ação do Ministério Público Federal, de 2025, que intima a Caixa a explicar o destino de poupanças de escravizados. O resultado foi o levantamento de 158 cadernetas de poupança de pessoas escravizadas, datadas entre 1861 e 1888, que funcionam como testemunhas de uma luta financeira pela liberdade.
Um marco nessas trajetórias foi o decreto nº 5.594 de 1874, que permitiu que pessoas escravizadas abrissem contas de poupança independentemente da permissão de seus senhores. Esse direito jurídico possibilitou que o "pecúlio" — o valor acumulado pelo próprio escravizado — fosse protegido e utilizado para o objetivo final: a compra da alforria.
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Planos e trajetórias
As cadernetas mostram que a liberdade era um projeto planejado. Theobaldo, descrito como "pardo", acumulou mais de 522$300 réis entre 1875 e 1881, valor destinado integralmente a indenizar seu antigo senhor via Fundo de Emancipação.
Caso semelhante foi o de Custódia, que, após cinco anos de depósitos constantes, conseguiu retirar seu saldo para conquistar o mesmo objetivo.
Há também relatos de negociações diretas e complexas: Joanna, escravizada em Cuiabá, transferiu seu direito sobre a caderneta ao seu senhor, José da Silva Rondon, após receber sua liberdade pelo valor de 600$000 réis, o preço estipulado em sua matrícula.
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Já Antonia, identificada como "cabra", retirou seu saldo de 134$100 réis apresentando fisicamente sua Carta de Liberdade à instituição, encerrando assim sua trajetória de dependência financeira.
Para além da conquista individual, as cadernetas registram histórias de solidariedade familiar. A africana liberta Izabel Viegas Muniz transferiu todo o seu saldo para o filho Manoel, ainda escravizado, visando especificamente beneficiar a liberdade dele.
Outro registro é o de Francisco das Chagas e Oliveira, que abriu uma conta com o propósito declarado de comprar a alforria de sua esposa, Thereza.
Os registros utilizam terminologias da época para reafirmar o lugar social desses indivíduos. Mais da metade dos titulares do levantamento possui marcadores de cor ou origem, como "crioulo(a)", "pardo(a)", "cabra" e "africano(a)".
Cartas de alforria usadas para conceder liberdade aos escravos de Sorocaba
Fabrício Rocha/g1
Críticas ao levantamento
O trabalho apresentado pela Caixa, no entanto, é considerado insuficiente por especialistas e pelo Ministério Público Federal. De acordo com pareceres de Thiago Alvarenga e da historiadora Keila Grinberg, o relatório apresenta falhas metodológicas, lacunas documentais e um recorte geográfico limitado.
Entre os principais problemas apontados estão o foco em cadernetas, ignorando os registros contábeis contínuos; o viés de sobrevivência, já que as cadernetas preservadas são, em sua maioria, as que foram liquidadas; e a omissão dos chamados "livros de contas correntes", a série documental mais robusta da época para rastrear o fluxo financeiro.
Soma-se a isso a limitação geográfica: 128 das 158 cadernetas identificadas são da província de Mato Grosso, o que é visto como pouco representativo do fenômeno nacionalmente.
Keila Grinberg observa ainda que, no final do século XIX, a população liberta nem sempre era identificada por cor ou origem nos registros, o que torna imprecisa qualquer estimativa sobre o total de poupadores com origem na escravidão.
O que o MPF cobra
Diante dessas críticas, o procurador Julio José Araujo Junior determinou que a Caixa informe a composição de sua equipe e a quantidade total de livros de conta corrente em seu acervo. Também foram solicitadas visitas técnicas do Arquivo Nacional e do IPHAN para fiscalizar a preservação e organização desses documentos.
A investigação busca entender se os valores abandonados foram incorporados ao patrimônio institucional da Caixa e quais mecanismos existiam para devolução ou encerramento dessas contas após a morte dos titulares. Alvarenga argumenta que a informação de liquidação, isoladamente, não permite identificar quem realizou o saque ou qual foi o destino final dos recursos.
SAIBA MAIS
Como bancos ingleses lucraram com a escravidão no Brasil
História apagou o quanto os africanos escravizados enriqueceram o Brasil, diz Laurentino Gomes
Como a escravidão, crime mais grave contra a humanidade, ainda impacta o Brasil e o mundo
O ASSUNTO #1690: Escravidão: o mais grave crime contra a humanidade
O contexto internacional
O caso ocorre em meio ao avanço do debate global sobre reparações ligadas à escravidão. Nos últimos anos, bancos europeus e norte-americanos reconheceram vínculos históricos com o tráfico atlântico. Universidades dos Estados Unidos criaram fundos de reparação e programas voltados a descendentes de pessoas escravizadas. No Caribe, a Caricom mantém uma plataforma diplomática de reivindicação reparatória contra antigas potências coloniais.
Em 2023, o Banco do Brasil reconheceu publicamente sua responsabilidade histórica relacionada à escravidão.
Ainda assim, o Brasil nunca implementou políticas estruturadas de reparação econômica voltadas especificamente aos descendentes da população escravizada.
Entre as propostas debatidas estão a criação de fundos de memória, investimentos em políticas públicas, preservação documental e programas coletivos de reparação social.
Outlook saiu do ar? Usuários relatam instabilidade em serviço da Microsoft

Microsoft Outlook é um sistema de software de gerenciamento de informações pessoais da Microsoft
Gonzalo Fuentes/ Reuters
Usuários relataram instabilidade no Outlook e em outros serviços do Microsoft 365 — como Word, Excel e PowerPoint — nesta quarta-feira (13), com dificuldades para acessar contas, enviar mensagens e carregar a caixa de entrada.
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As reclamações sobre os serviços da Microsoft cresceram nas redes sociais e em plataformas de monitoramento de falhas, indicando possíveis problemas no sistema da empresa.
Segundo o Downdetector, site que reúne relatos de instabilidade em diversos países, os problemas começaram por volta das 11h (horário de Brasília). O pico de notificações foi registrado às 11h30, com mais de 740 reclamações.
Usuários relatam instabilidade em serviço da Microsoft
Downdetector/ Reprodução
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O g1 procurou a Microsoft para comentar a instabilidade. Em nota, a empresa afirmou que identificou um problema em parte de sua infraestrutura de rede na América do Sul, que estaria causando interrupções intermitentes em links da companhia.
Segundo a Microsoft, recursos adicionais foram disponibilizados para mitigar o impacto, e os sistemas de monitoramento indicam melhora na estabilidade. A empresa informou ainda que seguirá acompanhando a situação e poderá adotar novas medidas corretivas, se necessário.
"Identificamos uma parte de nossa infraestrutura de rede na América do Sul que estava causando interrupções intermitentes em outros links de rede na região. Ampliamos e disponibilizamos recursos adicionais, e nossa telemetria indica que isso mitigou o impacto. Continuaremos monitorando a situação e adotaremos medidas de correções adicionais, caso necessário", afirmou a empresa em nota.
No X, antigo Twitter, diversos usuários recorreram às redes sociais para relatar falhas e lentidão nos serviços, principalmente no Outlook. Veja algumas publicações sobre o problema:
Initial plugin text
Initial plugin text
Initial plugin text
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O embate sobre a carne brasileira na UE: protecionismo ou questão de saúde pública?

União Europeia veta importações de carne e produtos de origem animal do Brasil
A decisão tomada ontem (12 de maio) pela Comissão Europeia, que exclui o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, abala os alicerces da diplomacia comercial.
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Embora Bruxelas justifique a medida sob o guarda-chuva da saúde pública e do combate à resistência antimicrobiana (RAM), o cenário político sugere uma manobra desenhada para acalmar o convulso setor agrário europeu após a assinatura do acordo com o Mercosul.
A União Europeia sustenta que o Brasil descumpre as regras que exigem produtos totalmente livres de agentes antimicrobianos usados para engorda.
A resistência aos antibióticos é, sem dúvida, uma ameaça global legítima que a UE busca mitigar garantindo o uso prudente em animais. No entanto, surge uma vulnerabilidade na proporcionalidade da sanção: enquanto o Brasil é vetado, seus sócios de Mercosur — Argentina, Paraguai e Uruguai — permanecem na lista de países autorizados.
É necessário entender que a UE não questiona apenas a presença de substâncias, mas a robustez do sistema de rastreabilidade brasileiro. O Brasil defende que possui um sistema sanitário internacionalmente reconhecido, com 40 anos de história exportadora para o bloco.
Todavia, a disparidade no tratamento frente aos vizinhos sugere que a medida é uma barreira técnica aplicada ao ator com maior volume de mercado, buscando um impacto macroeconômico que os outros sócios não representam.
Governo recebe com 'surpresa' veto a carnes brasileiras pela UE e tentará reverter decisão
Bruxelas satisfaz as demandas do lobby agrário da UE
Para compreender este veto, é imprescindível olhar para o interior das fronteiras europeias. Nos últimos anos, agricultores protestaram contra a concorrência de potências agropecuárias com menores custos de produção.
Ao vetar a carne brasileira sob uma premissa sanitária, Bruxelas consegue satisfazer as demandas do lobby agrário sem invalidar formalmente os tratados de livre comércio. O momento da proibição é chave: chega apenas 12 dias após a entrada em vigor do acordo comercial Mercosul-UE,negociado durante um quarto de século.
Uma ‘bofetada política’ em Lula
Para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, isso é percebido como uma “bofetada” política, dado que o mandatário investiu um capital político notável para fechar o pacto.
A sensação em Brasília é que a UE utilizou o acordo para garantir benefícios industriais, para imediatamente depois fechar a porta à proteína animal brasileira.
Se o veto entrar em vigor, as perdas serão massivas. Em 2025, o Brasil exportou para a UE mais de 370.000 toneladas de carne bovina, com valor de 1,8 bilhão de dólares.
Mas o impacto não é unidirecional. Ao eliminar o maior exportador mundial de proteína animal,a oferta na Europa cairá inevitavelmente, o que pressionará os preços para o consumidor final.
Este é um ponto crítico: a Comissão Europeia está sacrificando o poder de compra de seus cidadãos urbanos para proteger a base eleitoral do campo.
O Brasil não aceitou a decisão passivamente. O governo anunciou que apresentará seus argumentos técnicos imediatamente para reverter a medida. Além das reuniões diplomáticas, o caso tem um percurso legal claro. A legalidade do acordo Mercosul-UE e seus protocolos está sujeita à interpretação do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE).
Se o Brasil provar que seu sistema é equivalente ao europeu, a medida poderá ser catalogada como uma barreira comercial arbitrária perante a Organização Mundial do Comércio (OMC).
Moeda de troca para comprar a paz social no campo europeu
O conflito transcende o sanitário. Embora a rastreabilidade seja um desafio técnico real, a severidade do veto e sua coincidência com o calendário político sugerem que a carne brasileira tornou-se moeda de troca para comprar a paz social no campo europeu.
Brasília deve agora transformar retórica em provas técnicas, enquanto a UE deverá justificar por que padrões (ou “cláusulas espelho”) aplicados ao Brasil não parecem ser tão urgentes para outros fornecedores globais.
Armando Alvares Garcia Júnior não presta consultoria, trabalha, possui ações ou recebe financiamento de qualquer empresa ou organização que poderia se beneficiar com a publicação deste artigo e não revelou nenhum vínculo relevante além de seu cargo acadêmico.
Trump e Xi avaliam cortes de tarifas sobre US$ 30 bilhões de importações de EUA e China

Presidente dos EUA, Donald Trump, durante evento na Casa Branca em 11 de maio de 2026.
REUTERS/Evelyn Hockstein
Os Estados Unidos e a China devem avançar nesta semana, ainda que lentamente, rumo a um mecanismo de comércio administrado para bens não sensíveis, com cada lado identificando cerca de US$ 30 bilhões em produtos sobre os quais poderiam reduzir tarifas e vender um ao outro, sem ultrapassar limites de segurança nacional.
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O chamado "Conselho de Comércio" foi abordado pela primeira vez pelo representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, em março, como um acordo fundamental a ser entregue na cúpula desta semana entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping.
Trump desembarcou em Pequim nesta quarta-feira (13) e terá uma agenda de reuniões com Xi. Acompanhe as últimas notícias ao vivo.
Os contornos do plano permanecem vagos, mas uma mudança importante em relação aos diálogos anteriores está clara: Washington não está mais exigindo que Pequim mude seu modelo econômico orientado pelo Estado e pela exportação para se tornar mais parecido com o modelo dos EUA, orientado pelo mercado e pelo consumidor.
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Em vez disso, o esforço está concentrado em metas comerciais numéricas em setores não estratégicos e na manutenção de tarifas amplas e controles de exportação sobre tecnologias sensíveis à segurança nacional.
Abordagem adaptativa
"Não se trata de uma situação em que vamos fazer com que a China mude sua forma de governar, de administrar sua economia", disse Greer à Fox Business Network na semana passada. "Tudo isso está embutido no sistema deles, mas acho que existe um mundo em que descobrimos onde podemos otimizar o comércio entre a China e os Estados Unidos para obter mais equilíbrio."
Ele comparou o mecanismo a um "adaptador" de tomada que pode ajudar a conectar dois sistemas econômicos incompatíveis.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, reuniram-se na quarta-feira por três horas em Incheon, na Coreia do Sul, para estabelecer as bases finais das propostas econômicas que Trump e Xi discutirão em Pequim. Mas as duas principais autoridades econômicas não emitiram qualquer declaração sobre a reunião preliminar.
Quatro pessoas familiarizadas com os objetivos do governo Trump disseram que esperavam um acordo de redução de barreiras comerciais de US$ 30 bilhões de cada lado para lançar o novo mecanismo. Mas não está claro se algum produto específico será definido por Trump e Xi, ou se isso será alcançado em reuniões posteriores.
Ex-negociadora do Escritório do Representante de Comércio dos EUA, Wendy Cutler, que dirige o Asia Society Policy Center em Washington, disse que ambos os lados "estão se unindo" em torno de uma cesta de mercadorias de US$ 30 bilhões a US$ 50 bilhões para redução de tarifas ou outras barreiras.
"A cesta não sensível é agora uma parte muito pequena de nosso comércio geral com a China. Portanto, talvez esse Conselho de Comércio comece com isso" e se expanda no futuro, disse Cutler em um fórum virtual da Asia Society na terça-feira.
O comércio bidirecional de mercadorias entre os EUA e a China diminuiu 29%, passando de US$ 582 bilhões em 2024 para US$ 415 bilhões, com o déficit comercial norte-americano caindo quase 32%, para US$202 bilhões em 2025, o menor valor em duas décadas, de acordo com dados do Departamento do Censo dos EUA.
O escritório do Representante Comercial dos EUA e o Tesouro norte-americano não quiseram comentar mais sobre o mecanismo proposto antes da cúpula em Pequim.
A China evitou usar o apelido de Conselho de Comércio e disse em março que os dois lados haviam "concordado em explorar o estabelecimento de mecanismos de trabalho para expandir a cooperação econômica e comercial", sem mais detalhes.
Energia e agricultura em foco
Com o objetivo dos EUA de aumentar as vendas de energia e produtos agrícolas para a China, as tarifas de Pequim sobre essas commodities são uma possibilidade.
A China mantém uma tarifa geral extra de 10% sobre todas as importações dos EUA, igualando a atual tarifa temporária de 10% dos norte-americanos sobre os produtos chineses.
Além dessa tarifa e das taxas pré-existentes de "nação mais favorecida", Pequim impõe tarifas retaliatórias sobre as importações dos EUA de 10% sobre o petróleo bruto, 15% sobre o gás natural liquefeito, 15% sobre o carvão e até 55% sobre a carne bovina.
Os EUA mantêm tarifas de 7,5% sobre uma série de produtos de consumo chineses impostas em 2019, no auge da guerra comercial com a China no primeiro mandato de Trump. Isso inclui televisores de tela plana, dispositivos de memória flash, alto-falantes inteligentes, fones de ouvido Bluetooth, roupas de cama e impressoras multifuncionais, além de vários tipos de calçados. A tarifa global temporária de 10% dos EUA, prevista para expirar em julho, se soma a essas taxas.
Trump e Xi Jinping se encontram em Busan, na Coreia do Sul, nesta quinta-feira (30).
Reuters/Evelyn Hockstein
Taxa das blusinhas: veja quanto cada estado cobra em ICMS na importação; alíquotas variam de 17% a 20%

O que muda com o fim da ‘taxa das blusinhas’
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta terça-feira (12) a revogação da chamada "taxa das blusinhas", ou seja, da cobrança de 20% em imposto de importação sobre compras internacionais abaixo de US$ 50. A medida acontece a cinco meses das eleições de 2026.
Apesar do fim da cobrança do imposto de importação do governo federal, os estados seguem taxando as importações de pequeno valor por meio do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), com uma alíquota que varia de 17% a 20%.
Isso quer dizer que somente parte da taxação, aquela relativa à União, foi revogada, permanecendo em vigor a tributação imposta pelos estados. Como as alíquotas são diferentes, a taxação varia de estado para estado.
Em dez unidades da federação, a taxação foi elevada de 17% para 20% há pouco mais de um ano, em abril de 2025. A decisão havia sido tomada em dezembro de 2024, pelo Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda (Comsefaz), mas passou a valer em abril.
"Essa mudança [aumento de alíquota] reforça o compromisso dos estados com o desenvolvimento da indústria e do comércio nacional, promovendo uma tributação mais justa e contribuindo para a proteção do mercado interno frente aos desafios de um cenário globalizado", afirmou o comitê, no fim de 2024.
Em 2024, os estados chegaram a avaliar um aumento do ICMS para 25% em todo o país – mas a decisão acabou sendo adiada.
Segundo os governos estaduais, o aumento na tributação visava garantir "isonomia competitiva entre produtos importados e nacionais, promovendo o consumo de bens produzidos no Brasil".
Veja quanto cada estado cobra em ICMS:
Alíquota cobrada por cada estado na importação de produtos de baixo valor
Reprodução de site do Comsefaz
Fim da taxa das Blusinhas
Nos quatro primeiros meses de 2026, o governo arrecadou R$ 1,78 bilhão com imposto de importação sobre encomendas internacionais, segundo a Receita Federal. O valor representa alta de 25% em relação ao mesmo período de 2025 e recorde para o período.
➡️ A taxa das blusinhas entrou em vigor em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional, criando imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 no programa Remessa Conforme.
➡️ Posteriormente, dez estados elevaram o ICMS sobre essas compras de 17% para 20%, com a mudança entrando em vigor em abril do ano passado.
➡️ Na semana passada, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, admitiu que o fim da “taxa das blusinhas” estava em discussão no governo. O imposto foi criado na gestão de Fernando Haddad à frente da pasta.
Nesta terça-feira (12), o governo anunciou o fim da chamada taxa das blusinhas, como ficou conhecido o imposto de importação de 20% cobrado sobre compras internacionais de até US$ 50 feitas por meio do programa Remessa Conforme.
A medida foi formalizada em uma Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e em uma portaria do Ministério da Fazenda, com publicação no “Diário Oficial da União” nesta terça-feira (12). Segundo o governo, a isenção entrou em vigor já nesta terça (12).
Estados seguem taxando as importações de pequeno valor por meio do ICMS
Getty Images via BBC
Alckmin diz que veto a carnes deve 'se equacionar' e defende padrão sanitário brasileiro

O vice-presidente Geraldo Alckmin defendeu nesta quarta-feira (13) o padrão sanitário do Brasil e afirmou acreditar que o veto à importação de carne brasileira pela União Europeia (UE) deve "se equacionar".
O veto foi anunciado nesta terça (12) e está ligado às exigências sanitárias da UE sobre o uso de antimicrobianos na pecuária.
A fala de Alckmin ocorreu durante o 4 º Congresso da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), em Brasília.
"Tivemos, com os Estados Unidos, o tarifaço, mas está bem equacionado, bem encaminhado e temos ainda a seção 301 [investigação comercial dos EUA] que nos preocupa, mas, nesses 30 dias agora, vão ter reuniões importantes entre os representantes do Brasil e dos EUA", afirmou.
Alckmin ressaltou os acordos firmados pelo Mercosul com Singapura, com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA, sigla em inglês), Suíça, Noruega, e Islândia e com a União Europeia (UE).
RELEMBRE: Governo recebe com 'surpresa' veto a carnes brasileiras pela UE e tentará reverter decisão
União Europeia veta importações de carne e produtos de origem animal do Brasil
O vice-presidente enfatizou a abrangência do acordo Mercosul-UE como o maior entre blocos do mundo.
"Estamos falando de US$ 22 trilhões de mercado e, claro, que tinha uma resistência na União Europeia e, principalmente, um receio do acordo com a questão do agro", mencionou.
Alckmin ponderou, contudo, que o pacto está "bem formatado" com salvaguardas para os dois lados.
"Entrou em vigência provisória a partir de 1º de maio e acho que essa questão vai se equacionar. Até como colocou bem o ministro André de Paula, nós somos um exemplo para o mundo de cuidado sanitário, tanto em proteína animal, como proteína vegetal", prosseguiu.
Geraldo Alckmin, vice-presidente da República
Cadu Gomes/VPR
Carne barrada
A decisão da União Europeia de barrar a importação de carne bovina brasileira abriu uma nova frente de tensão entre o bloco europeu e o agronegócio brasileiro.
Segundo autoridades europeias, o Brasil não apresentou garantias consideradas suficientes sobre o controle de substâncias utilizadas na criação animal.
Dessa forma, UE publicou uma atualização da lista de países que cumprem suas regras contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária e excluiu o Brasil.
➡️ A lista define quais países cumprem as normas sanitárias do bloco e poderão continuar exportando carne e outros produtos de origem animal para a Europa a partir de 3 de setembro.
Segundo a UE, o Brasil foi excluído por não fornecer garantias sobre a não utilização de antimicrobianos na pecuária. Outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, seguem autorizados.
➡️ Antimicrobianos são substâncias usadas para tratar e prevenir infecções em animais. Alguns desses medicamentos também podem funcionar como promotores de crescimento.
O governo brasileiro, porém, rebateu a avaliação e afirmou que o país adota padrões sanitários reconhecidos internacionalmente.
Em resposta, o governo afirmou ter recebido a decisão “com surpresa” e informou que pretende atuar diplomaticamente para tentar reverter o veto antes da entrada em vigor das restrições, prevista para 3 de setembro.
Um dos motivos, é pelo Brasil já ter normas públicas que proíbem as substâncias questionadas
A medida atinge também produtos como por exemplo, carne de frango, ovos, mel e pescados, mas a principal preocupação está na carne bovina por ser um dos itens de maior valor agregado exportados pelo Brasil.
Entenda a reviravolta na "taxa das blusinhas", agora zerada

O que é a 'taxa das blusinhas', que Lula cancelou após quase dois anos?
Chegou ao fim a apelidada "taxa das blusinhas", conforme Medida Provisória (MP) assinada pela presidente Luiz Inácio Lula da Silva na terça-feira (12).
Foram quase dois anos de cobrança de 20% de imposto sobre compras internacionais de até 50 dólares (o equivalente hoje a cerca de R$ 245), com objetivo de combater o contrabando e forçar a regularização das plataformas de comércio online.
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"O contrabando, que era uma marca presente nesse setor, foi eliminado. Agora, o setor regularizado vai poder usufruir dessa isenção sobre esses produtos", afirmou o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron.
Pacotes de roupas em uma fábrica da Shein em Guangzhou, província de Guangdong, China, em 1º de abril de 2025.
Reuters
O governo também argumentou que a revogação beneficia a população de baixa renda, que recorre ao varejo online de baixo custo. A decisão foi celebrada pela Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que reúne gigantes do setor.
Mas desagradou a indústria brasileira. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o fim da cobrança "cria vantagem para fabricantes estrangeiros em detrimento da produção nacional", impactando desproporcionalmente micro e pequenas empresas.
Já entidades do setor têxtil destacaram que a medida poderia colocar empregos em risco e negativamente impactar a arrecadação pública.
Por que foi criada a "taxa das blusinhas"?
A cobrança no Brasil foi iniciada em agosto de 2024, no âmbito do Programa Remessa Conforme (PRC). Embora tenha se popularizado como "taxa das blusinhas", o imposto não valia só para roupas ultrabaratas. Estavam incluídas diversas mercadorias de baixo valor encomendadas do exterior por pessoas físicas no Brasil.
A cobrança veio em reação ao crescimento do comércio online, alavancado durante a pandemia de covid-19 por empresas como AliExpress, Shein, Amazon, Alibaba e Shopee. Segundo a Receita Federal, chegavam, à época, entre 500 e 800 mil compras internacionais ao Brasil por dia.
Segmentos da indústria nacional levaram a pauta a Brasília, argumentando que havia competição desleal entre produtos vendidos dentro do país e pelas gigantes globais do comércio online.
Mesmo sancionada por Lula, a medida nunca pareceu convencê-lo. O presidente chamou de "irracional" tributar as classes média e baixa, que compram do exterior sem sair do país, enquanto as classes média e alta têm maior margem para fazer compras isentas de imposto em viagens internacionais.
A cobrança gerou resultados?
Com a iniciativa, o objetivo da Receita Federal era certificar empresas de comércio eletrônico, aplicar o imposto já no ato da compra e reduzir o tempo que as mercadorias ficam estacionadas nas alfândegas. Desde então, 45 empresas obtiveram a certificação.
Até 2024, as importações de até 50 dólares estavam sujeitas apenas ao Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços, que vai para os cofres estaduais. Somou-se, a partir de então, a taxa federal de 20% para estas compras.
A tributação foi impopular. Em contrapartida, a arrecadação pública com o imposto, acumulada desde o início do programa, gira em torno de R$ 10 bilhões.
De acordo com a Receita Federal, entre 2024 e 2025, o imposto arrecadado foi de R$ 7,8 bilhões. Já nos primeiros quatro meses de 2026, o valor foi de R$ 1,78 bilhão, com alta de 25% em relação ao mesmo período do ano passado.
Além disso, segundo levantamento da CNI, a medida resultou em R$ 4,5 bilhões em importações evitadas, aumentando a movimentação da economia brasileira. A confederação estimou ainda os empregos preservados em 135,8 mil.
Celular com aplicativo da chinesa Shein
DANIEL CYMBALISTA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Quem não gostou do imposto?
Mas nem todos enxergam a redução das importações como positiva. Em debate na Câmara dos Deputados em outubro, representantes do setor de mobilidade de transporte internacional reclamaram de um freio de investimentos, com cancelamentos de planos de expansão e perdas financeiras para empresas.
Já a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), afirmou que a "taxa das blusinhas" impactava os estados mais pobres do Brasil. "É o consumidor que tem de estar no centro dessa discussão", disse. À época, era debatido um projeto de lei, de autoria do deputado Kim Kataguiri (União-SP), para pôr fim ao imposto.
Em março, a pesquisa Latam Pulse Brasil, da Atlas Intel, apontou que 62% dos brasileiros achavam que a "taxa da blusinha" havia sido um erro de Lula – o maior percentual dentre 14 decisões avaliadas. A manutenção ou revogação da medida vinha dividindo membros do alto escalão do governo.
Segundo apurou o jornal Folha de São Paulo, a decisão de Lula em derrubar o imposto teria sido política, em vista das eleições deste ano.
Como fica agora?
Quase setenta entidades do varejo, que se posicionaram em abril contra um futuro fim da "taxa das blusinhas", previram que o comércio investiria R$ 100 bilhões este ano no Brasil. "Este investimento estaria ameaçado caso houvesse um retrocesso nos passos já dados rumo à isonomia tributária," disse o texto publicado no portal Jota.
Para compras de valor superior, a tributação continuará fixada em 60%, cobrada no ato da compra em sites certificados pelo PRC. Nestas plataformas, o consumidor ganha, entretanto, o equivalente a 20 dólares de desconto. Há também cobrança do ICMS.
Pela MP assinada na terça-feira, o imposto para as compras de até 50 dólares será zerado, enquanto permanecerão os 60% para as demais importações.
Para sites sem a certificação do programa, todas as importações por pessoas físicas, de qualquer valor, estão sujeitas ao imposto federal de 60%, mais ICMS. Nestes casos, a tributação é cobrada depois da compra.
Governo anuncia fim da taxa das blusinhas
Opep reduz previsão de crescimento de consumo global por petróleo em 2026

Opep reduz previsão de crescimento da demanda global por petróleo em 2026
Jornal Nacional/ Reprodução
A Opep reduziu nesta quarta-feira (13) sua previsão de crescimento da demanda global por petróleo em 2026, juntando-se a outras instituições, como a Agência Internacional de Energia (IEA), que também cortaram suas expectativas devido à guerra com o Irã.
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A demanda global deve ficar, em média, em 104,57 milhões de barris por dia no segundo trimestre, abaixo da previsão de 105,07 milhões de barris por dia divulgada no mês passado.
O relatório anterior já havia reduzido a estimativa para o segundo trimestre em 500 mil barris por dia.
O grupo vê um impacto menor sobre a demanda do que a IEA, que, mais cedo, aumentou sua estimativa de queda no consumo de petróleo neste ano. A Opep afirmou que o consumo deve se recuperar mais adiante e elevou sua previsão de crescimento da demanda para 2027.
A guerra fechou efetivamente o Estreito de Ormuz, uma rota global estratégica para o petróleo, reduzindo milhões de barris da produção do Oriente Médio e provocando uma disparada nos preços dos combustíveis.
Imagens mostram estrago em navio sul-coreano atacado no Estreito de Ormuz
A alta está afetando consumidores e empresas, além de levar governos a adotarem medidas para preservar os estoques.
“O crescimento econômico global continua mostrando resiliência neste ano, apesar das tensões geopolíticas, particularmente no Oriente Médio”, afirmou a Opep, mantendo inalteradas suas previsões para o crescimento da economia.
Para 2027, a Opep espera que a demanda por petróleo aumente em 1,54 milhão de barris por dia, alta de 200 mil barris por dia em relação à previsão anterior.
A Opep+, grupo que reúne a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados como a Rússia, havia concordado em retomar os aumentos de produção a partir de abril, mas o fechamento do Estreito de Ormuz tornou impossível cumprir o acordo. O relatório afirmou que a produção caiu ainda mais em abril.
A produção de petróleo bruto da Opep+ ficou em média em 33,19 milhões de barris por dia em abril, queda de 1,74 milhão de barris por dia em relação a março, segundo o relatório, que cita fontes secundárias usadas pela Opep para monitorar sua produção.
O número de abril inclui os Emirados Árabes Unidos, que deixaram a Opep em 1º de maio.
Dona da Tok&Stok e da Mobly troca comando da empresa um dia após pedir recuperação judicial

Loja da Tok&Stok em shopping de Ribeirão Preto, SP
Reprodução/Tok&Stok
O Grupo Toky anunciou nesta quarta-feira (13) reestruturação de sua diretoria executiva, incluindo a troca do presidente-executivo, um dia após a controladora das empresas de varejo de casa e decoração Mobly e Tok&Stok pedir recuperação judicial.
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Segundo o comunicado divulgado pelo grupo, André Ferreira Peixoto assumirá o cargo de presidente-executivo no lugar de Victor Pereira Noda.
Fabio Ferrante será o novo diretor financeiro e de relações com investidores, substituindo Marcelo Rodrigues Marques, enquanto Daniel Passos de Melo ocupará a diretoria de operações e sistemas logísticos no lugar de Mário Fernandes Filho.
Noda, Marques e Fernandes Filho, fundadores da companhia, permanecerão no conselho de administração do grupo e da Estok Comércio e Representações S.A.
Vídeos em alta no g1
"A transição ora comunicada não acarreta qualquer alteração significativa na estratégia de longo prazo, nos compromissos assumidos perante os acionistas e o mercado, ou na condução dos negócios da companhia", afirmou o grupo.
A holding divulgou na nesta terça-feira (12) que entrou com pedido de recuperação judicial, citando dívida superior a R$1 bilhão.
🔎 Recuperação judicial é um processo em que uma empresa com dificuldades financeiras pede proteção à Justiça para renegociar dívidas e evitar a falência, enquanto continua funcionando normalmente.
Segundo a empresa, a decisão foi tomada após dificuldades enfrentadas pelo setor de móveis e decoração, como juros altos, aumento do endividamento das famílias e crédito mais restrito.
A companhia afirmou que esse cenário reduziu as vendas e afetou o caixa do grupo.
O Grupo Toky também disse que vinha negociando a reestruturação das dívidas da Tok&Stok com credores, mas que o endividamento continuou crescendo.
"Apesar dos esforços empregados pela administração na negociação da reestruturação do endividamento junto aos credores da controlada Tok&Stok, o alto endividamento do grupo persiste e vem se agravando", afirmou em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A companhia afirmou que o objetivo do pedido é preservar as operações, manter os serviços e criar condições para renegociar as obrigações financeiras.
O processo foi protocolado na Justiça de São Paulo e está sob segredo de justiça.
Ainda na segunda-feira (11), antes do anúncio de recuperação judicial, o grupo informou que quatro fundos da gestora SPX Capital estão em fase avançada de negociações para vender toda a participação que possuem na empresa, incluindo ações e bônus de subscrição.
Dona da Tok&Stok e da Mobly pede recuperação judicial com dívida de R$ 1,1 bilhão
O que é o Grupo Toky
O Grupo Toky foi criado em 2024 após a união entre a Mobly e a Tok&Stok, duas marcas tradicionais do setor de móveis e decoração no Brasil.
A fusão deu origem a um dos maiores grupos de varejo de casa e decoração da América Latina, combinando operações físicas e digitais.
A Mobly foi fundada em 2011 por Victor Pereira Noda, Marcelo Rodrigues Marques e Mário Carlos Fernandes Filho, com foco em vendas online de móveis e itens de decoração.
A empresa recebeu investimentos da Rocket Internet e expandiu sua atuação para lojas físicas, contando atualmente com 11 unidades entre megastores, outlets e lojas compactas.
Já a Tok&Stok foi fundada em 1978 pelos franceses Régis e Ghislaine Dubrule. A marca ganhou espaço no mercado brasileiro ao apostar em móveis modernos, modulares e acessíveis, acompanhando o crescimento da classe média urbana e do mercado de apartamentos no país.
O grupo também reúne a marca Guldi, voltada ao segmento de colchões.
*Com informações da agência de notícias Reuters
Fim da taxa das blusinhas opõe varejo nacional e importadores; veja argumentos a favor e contra

Governo Federal anuncia fim da taxa das blusinhas
A revogação da chamada "taxa das blusinhas" pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu nova frente de batalha entre os representantes do varejo nacional e os importadores.
Anunciada nesta semana, em um ano eleitoral, a medida elimina a cobrança de 20% em imposto de importação sobre compras internacionais abaixo de US$ 50 que havia sido instituída em agosto de 2024, mas mantém o programa Remessa Conforme — que regularizou a compra desses produtos no exterior.
Apesar do fim do imposto de importação, os estados mantiveram sua tributação, por meio do ICMS, enre 17% e 20%. Essa cobrança permanece.
🔎Iniciada em 2024 e encerrada neste ano, a taxação foi uma resposta do governo e do Congresso a um pedido de segmentos da indústria nacional, após o aumento das compras digitais durante a pandemia, e diante da diferença de carga tributária entre produtos nacionais e os importados nas plataformas online.
➡️Controversa, a "taxa das blusinhas" era reprovada por grande parte dos consumidores brasileiros principalmente por encarecer produtos populares de baixo valor e reduzir a atratividade de plataformas internacionais.
➡️Críticos argumentavam que turistas de viagens internacionais tinham vantagem ao não recolher o tributo.
Diante do novo capítulo sobre a taxa das blusinhas, o g1 foi atrás dos argumentos dos varejistas nacionais, defensores da medida, e dos importadores — que lutavam pelo fim da cobrança.
➡️A revogação da taxa foi feita por meio de Medida Provisória, que tem força de lei. Entretanto, terá de ser confirmada posteriormente pelo Congresso Nacional, onde todos posicionamentos, a favor e contra, serão novamente mencionados.
GETTY IMAGES via BBC
Manifesto do varejo brasileiro
No início do mês passado, quando rumores de que o governo iria revogar a taxa das blusinhas já circulavam pelos corredores do poder em Brasília, representantes dos setores produtivo, do comércio e varejistas divulgaram um manifesto cobrando a manutenção da taxa das blusinhas.
Assinado por 53 entidades, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) e centrais sindicais, como a União Geral dos Trabalhadores (UGT), o manifesto aponta que a taxação é mais alta no Brasil, favorecendo produtores estrangeiros.
"As plataformas estrangeiras operam com carga de cerca de 45%, aproximadamente metade dos 90% incidentes sobre o varejo e a indústria nacionais. Ainda assim, os avanços recentes, apoiados por diferentes correntes políticas, devem ser preservados [com a manutenção da taxa das blusinhas]", diz o manifesto do setor produtivo.
Diz ainda que:
➡️Considerando o período entre agosto de 2024 e o final do primeiro semestre de 2025, ao menos quatro segmentos do comércio, como têxtil e calçados, eletroeletrônicos, móveis e eletrodomésticos, além de material de construção e artigos de uso pessoal e doméstico, passaram de cenários de retração ou baixo crescimento para expansão real, já descontada a inflação.
➡️Houve significativa geração de empregos. Segundo dados do Ministério do Trabalho, o Comércio criou, desde 2023, quando foi lançado o Remessa Conforme, até dezembro de 2025, 860 mil novos empregos diretos e outros 1,5 milhão de novas vagas na cadeia produtiva.
"Já na indústria, no mesmo período, foram criados 578 mil novos empregos diretos e outros milhares de indiretos. Indústria e varejo contribuíram, assim, para que o Brasil atingisse o menor desemprego da sua história: 5,1%, ao final de 2025", acrescenta.
➡️Aumento de investimentos. A previsão, antes do fim da taxa das blusinhas, era de que apenas o Comércio investisse neste ano R$ 100 bilhões no Brasil.
"Este investimento estaria ameaçado caso houvesse um retrocesso nos passos já dados rumo à isonomia tributária".
➡️Para os varejistas nacionais, o consumidor também foi beneficiado pela redução da disparidade tributária entre plataformas internacionais de e-commerce e o setor produtivo nacional.
"O fortalecimento da produção local ampliou a oferta de produtos com qualidade assegurada, assistência técnica e conformidade com normas nacionais de segurança, trabalho, meio ambiente e saúde, o que não ocorre com parte relevante dos itens vendidos por plataformas estrangeiras".
➡️Foi registrado forte incremento da arrecadação de impostos, com recorde de R$ 5 bilhões arrecadados em 2025 e novo crescimento nos quatro primeiros meses deste ano, além de valor semelhante para os estados no ano passado.
"Considerada a inevitável perda de vendas da indústria e do varejo com uma eventual revogação da medida de isonomia tributária, a redução total da arrecadação federal atingiria perto de R$ 42 bilhões anuais".
➡️Os varejistas avaliam que a taxação gerou desenvolvimento nacional.
"Não à toa, em 2025, vários países seguiram o exemplo brasileiro e passaram a cobrar impostos sobre os produtos exportados por esses gigantes bilionários do e-commerce. O exemplo maior são os EUA, mas o mesmo ocorreu na América Latina (Equador, México, Uruguai), Europa (Turquia) e mesmo na Ásia (Índia, Indonésia)", diz o manifesto.
"Na mesma linha, a União Europeia, que em 2021 acabou com a isenção do IVA para encomendas de até 22 euros, começa em junho a cobrar imposto de importação sobre produtos de até 150 euros", prossegue.
➡️A Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) defende que a Presidência do Congresso devolva a Medida Provisória do governo que isenta de impostos o "e-commerce" internacional. Argumenta que a medida, se mantida, gera uma concorrência desleal que destrói empregos no Brasil e sabota a economia nacional.
Estudo de importadores
Estudo divulgado em abril pela Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que reúne empresas de tecnologia prestadoras de serviços e importadores, como Alibaba, Amazon e Shein, entre outros, diz que a taxa das blusinhas não impacta empregos e renda.
De autoria da consultoria Global Intelligence and Analytics, de Lucas Ferraz, ex-secretário de Comércio Exterior no governo Bolsonaro, o documento diz que a implementação da chamada “taxa das blusinhas” resultou em aumento de preços ao consumidor no varejo nacional, sem contrapartidas claras em geração de emprego e renda.
"A medida reduziu a demanda por produtos importados de menor valor no e-commerce internacional, com impacto negativo especialmente sobre o consumo das classes de menor renda (...) Os efeitos observados indicam que os benefícios da medida foram absorvidos principalmente pelas empresas do varejo nacional por meio do aumento de preços em bens de consumo", acrescenta o estudo, divulgado pela Amobitec.
Informa ainda que:
➡️Os produtos do varejo nacional com maiores aumentos de preços em um ano da tarifa foram: cosméticos (17%), bijuterias (16%), papelaria (13%), calçados (9%) e vestuário (7,1%).
Somente em brinquedos a elevação do valor foi pouco perceptível.
"Os valores majorados pressionaram a inflação de 5,23% divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística no período", diz o estudo.
➡️Mesmo após a implementação da “taxa das blusinhas”, tanto o nível de emprego quanto o nível salarial evoluíram da mesma forma no varejo nacional, seja para setores que foram protegidos pela nova taxação ou não, sugerindo que a taxa, por si, não foi fator de estímulo específico para os setores protegidos.
➡️A partir da implementação da taxa das blusinhas, a demanda com origem no Brasil por esses produtos no e-commerce internacional registrou queda média de 19,4% até julho de 2025, segundo o estudo.
"Os consumidores mais afetados foram aqueles das classes de menor renda — D e E, com renda mensal de até R$ 3,5 mil, e C, com até R$ 10,8 mil — que representam 67,5% do público total", diz o documento.
➡️O acesso restrito a produtos mais baratos e o aumento da inflação implicam diretamente na redução do poder de compra, afetam especialmente a população de baixa renda e ampliam as desigualdades sociais.
➡️Segundo o economista Lucas Ferraz, que coordenou o estudo, o sucesso da importação via e-commerce deve-se à ampliação das possibilidades de consumo, a preços mais acessíveis, para milhões de brasileiros, sobretudo os mais pobres.
"A democratização do acesso aos produtos favorece a competitividade, a bancarização e a modernização do varejo. A análise dos dados sugere que não houve repasse dos ganhos da proteção comercial aos trabalhadores atingidos pela medida, uma vez que não houve contrapartida em termos de aumento de salários e empregos nos setores protegidos pela 'taxa das blusinhas'. Por outro lado, os dados sugerem que houve aumento dos preços e diminuição dos volumes importados, e da concorrência, nestes mesmos setores, com provável aumento das margens de lucro e queda de bem-estar concentrada nas classes sociais mais pobres do país', avaliou Lucas Ferraz.
➡️As empresas associadas à Amobitec reiteram a importância e apoio ao Programa Remessa Conforme do governo brasileiro e colocam-se à disposição do Poder Legislativo para seguir dialogando e demonstrando os impactos negativos proporcionados pela “taxa das blusinhas”.
Mega-Sena 30 anos: prêmio de sorteio especial sobe para R$ 200 milhões; concurso não acumula

Volantes da Mega-Sena
Rafa Neddermeyer / Agência Brasil
A Caixa Econômica Federal aumentou a estimativa do prêmio do concurso especial de 30 anos da Mega-Sena para R$ 200 milhões. O sorteio será realizado às 11h no dia 24 de maio.
Inicialmente, o concurso de número 3.010 tinha prêmio estimado em R$ 150 milhões, segundo anúncio divulgado pela Caixa em abril.
Segundo as regras divulgadas pela Caixa, o prêmio do sorteio especial não acumula, então se ninguém acertar as seis dezenas, o valor principal será dividido entre os apostadores que acertarem a quina.
Se ainda assim não houver vencedores suficientes, seguirá para a quadra, aumentando as chances de alguém acertar a sequência de números.
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As apostas podem ser feitas até às 22h (horário de Brasília) do dia 23 de maio pelo aplicativo Loterias Caixa, pelo portal Loterias Caixa ou em qualquer lotérica do país. Clientes do banco também podem fazer suas apostas pelo internet banking.
O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
Acompanhe os sorteios no site do g1
Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube
A Caixa ainda informou que a partir de domingo (17) todas as apostas na modalidade da Mega-Sena passarão a ser exclusivas para a Mega 30 anos.
Como jogar na Mega 30 anos:
Para jogar, basta marcar de 6 a 20 números dentre os 60 disponíveis nos volantes ou deixar que o sistema escolha as dezenas, por meio da Surpresinha. A aposta simples custa R$ 6.
Quem aposta também pode escolher participar do concurso por meio de bolões, preenchendo o campo específico no volante.
Pela primeira vez, os bolões online poderão ser comprados até uma hora antes do sorteio.
Como funciona a Mega-Sena?
Três décadas da Mega-sena
Criada em 1996, a Mega-Sena já movimentou mais de R$ 115 bilhões ao longo de três décadas.
De acordo com a Caixa, 980 apostas já receberam prêmios milionários desde a criação da loteria. O maior prêmio pago em um concurso regular da Mega-Sena — sem considerar a Mega da Virada — foi de R$ 317,8 milhões, em outubro de 2022.
Nissan reduz prejuízo, mas segue no vermelho e corta custos

Um trabalhador passa por uma linha de SUVs Infiniti na linha de produção da fábrica de montagem de veículos da Nissan em Smyrna.
AP Photo/Kristin M. Hall
A montadora japonesa Nissan reduziu suas perdas no ano fiscal encerrado em março, mas permaneceu no vermelho, pressionada pelas tarifas dos Estados Unidos, pela inflação e pela concorrência cada vez mais forte.
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A Nissan Motor Co., sediada na cidade portuária de Yokohama, registrou prejuízo de 533 bilhões de ienes (US$ 3,4 bilhões), menor do que os 670,9 bilhões de ienes em perdas registrados no ano fiscal anterior.
As vendas anuais da empresa caíram 5%, para 12 trilhões de ienes (US$ 76 bilhões). O presidente-executivo Ivan Espinosa afirmou que a Nissan está avançando de forma consistente e já vê “sinais claros” de recuperação.
“Superamos a fase de recuperação e estamos entrando em um período de crescimento”, disse. “Vamos aproveitar esse momento com uma gestão rigorosa de custos e uma execução mais rápida de produtos, impulsionando vendas e lucratividade.”
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No trimestre entre janeiro e março, a Nissan teve prejuízo líquido de 282,9 bilhões de ienes (US$ 1,8 bilhão), ante perdas de 676 bilhões de ienes no mesmo período do ano anterior. As vendas trimestrais recuaram quase 2%, para 3,43 trilhões de ienes (US$ 22 bilhões).
A Nissan afirmou que segue trabalhando em cortes de custos e outras medidas para voltar à lucratividade. Segundo a empresa, o lucro operacional ficou acima do esperado, e a expectativa é de melhora nos resultados neste ano com o lançamento de novos modelos.
A montadora, responsável por veículos como o Altima, o SUV Pathfinder, o elétrico Leaf e os modelos de luxo Infiniti, vendeu 3,15 milhões de veículos globalmente no ano fiscal encerrado em 31 de março.
Apesar do discurso otimista dos executivos sobre o plano de recuperação, a situação financeira da empresa é considerada uma das piores dos últimos anos. A Nissan está cortando milhares de empregos e já vendeu o prédio de sua sede.
A companhia prevê voltar ao lucro no ano fiscal encerrado em março de 2027, com ganho líquido estimado em 20 bilhões de ienes (US$ 127 milhões).
As montadoras japonesas enfrentam dificuldades diante da forte concorrência das fabricantes chinesas, que vêm dominando mercados asiáticos.
Nos últimos anos, houve negociações para uma possível fusão parcial entre a Nissan e a rival japonesa Honda Motor Co., que também enfrenta desafios, mas as conversas fracassaram. Apesar disso, ainda podem surgir parcerias pontuais entre as empresas.
As ações da Nissan, que oscilaram bastante ao longo do último ano, fecharam o dia em alta de 4%.
Dólar dispara 2,3% e fecha a R$ 5 após vazamento de conversa entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro

Áudio de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro; ouça
O dólar disparou e fechou em alta de 2,31% nesta quarta-feira (13), cotado a R$ 5,0085. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 1,80%, aos 177.098 pontos.
O mercado reagiu ao vazamento de conversas entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As mensagens mostram que Vorcaro ajudou a financiar um filme sobre Jair Bolsonaro e que Flávio pressionou o banqueiro pela liberação dos pagamentos.
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▶️ As informações foram reveladas nesta quarta-feira pelo portal Intercept Brasil, que teve acesso a mensagens trocadas entre os dois e a um áudio enviado por Flávio ao banqueiro em setembro do ano passado. (ouça no vídeo acima)
▶️ A TV Globo confirmou com investigadores e pessoas com acesso às informações a existência do áudio e do conteúdo da reportagem.
▶️ Segundo o Intercept, Vorcaro chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção do filme "Dark Horse" entre fevereiro e maio de 2025. O dinheiro, de acordo com o site, foi transferido para um fundo nos Estados Unidos de um aliado de outro filho do ex-presidente, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
▶️ Após a revelação do caso, Flávio confirmou ter pedido a Vorcaro que financiasse um filme sobre seu pai, mas negou irregularidades e afirmou que não tem “relações espúrias” com o dono do Banco Master.
🤔 Mas por que o dólar disparou e a bolsa caiu? O mercado avalia que o caso pode prejudicar a imagem de Flávio na corrida eleitoral e, portanto, reduzir suas chances de vitória. Essa leitura influencia as expectativas dos investidores, que entendem que uma menor probabilidade de mudança de governo pode reduzir a perspectiva de ajustes mais fortes nas contas públicas. Nesse cenário, houve pressão sobre o dólar e impacto negativo sobre o Ibovespa.
Dólar dispara 2,3% e fecha a R$ 5 após vazamento de conversa entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro
▶️ Mais cedo, nova pesquisa eleitoral mostrou que Lula voltou a aparecer numericamente à frente de Flávio Bolsonaro nas intenções de voto para um eventual segundo turno, embora os dois permaneçam em empate técnico.
▶️ Lula aparece com 42% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 41%. Na sondagem anterior, divulgada em abril, o senador liderava, após ambos terem empatado com 41% em março.
▶️ No cenário global, o encontro entre os presidentes Donald Trump, dos EUA, e Xi Jinping, da China, concentra as atenções do mercado financeiro. As conversas acontecem em meio a tensões entre as duas maiores economias do mundo, e a expectativa é que Trump pressione o governo chinês a abrir o país para empresas americanas. (entenda mais abaixo)
▶️ A guerra no Oriente Médio também segue na mira dos investidores. Em meio às tentativas de negociação de paz entre os EUA e o Irã, Reino Unido informou que vai contribuir para uma missão multinacional de defesa com o objetivo de assegurar a navegação no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo.
▶️ De volta ao Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória que zera a cobrança de tributos federais sobre compras internacionais de até US$ 50 feitas em plataformas de comércio eletrônico.
🔎 A chamada “taxa das blusinhas” havia sido criada por lei em 2024, com alíquota de 20% para encomendas nesse valor, em uma tentativa de conter a entrada de produtos importados e reduzir a concorrência com a indústria nacional, especialmente de empresas chinesas.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: +2,34%;
Acumulado do mês: +1,15%;
Acumulado do ano: -8,75%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: -3,81%;
Acumulado do mês: -5,46%;
Acumulado do ano: +9,91%.
Encontro entre potências
A viagem do presidente americano, Donald Trump, com um grupo de executivos para a China fica no centro das atenções dos mercados financeiros nesta quarta-feira. Esse é o primeiro encontro bilateral entre os dois países desde 2017.
O encontro do republicano com o presidente chinês, Xi Jinping, acontece em meio a tensões ente as duas principais potências econômicas do mundo — incluindo acusações de Trump de que a China estaria realizando testes nucleares.
O principal objetivo da visita, segundo já afirmou o presidente dos EUA, é tentar fazer com que a China abra mais seu mercado para empresas americanas, mas outros temas também devem ganhar destaque durante a estadia de Trump em Pequim. Entre eles:
a prorrogação da trégua alcançada em outubro na guerra das tarifas;
a guerra com o Irã — Trump quer pressionar Pequim a utilizar sua influência para contribuir para uma saída da crise no Golfo;
a relação dos dois países com Taiwan;
a disputa sobre inteligência artificial e a produção de chips, entre outros.
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Guerra no Oriente Médio segue na mira
As chances de um cessar-fogo entre Irã e os EUA diminuíram após Donald Trump afirmar que a trégua está “respirando por aparelhos”.
O Irã rejeitou a proposta americana para encerrar o conflito e exigiu o fim da guerra, compensações pelos danos e o fim do bloqueio naval dos EUA.
🔎As tensões na região continuam a mexer com os preços do petróleo no mercado internacional: o barril do Brent ultrapassou US$ 107 com o temor de interrupções no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e gás.
Autoridades iranianas mantiveram o tom duro e afirmaram que o país pode ampliar seu programa nuclear caso volte a ser atacado.
Enquanto isso, os EUA anunciaram novas sanções contra empresas e pessoas acusadas de ajudar o Irã a vender petróleo para a China.
Eleições e taxa das blusinhas
O cenário político brasileiro também fica no radar, em meio à proximidade cada vez maior das eleições presidenciais, que acontecem em outubro neste ano.
Uma nova pesquisa da Quaest, divulgada hoje, mostrou o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) empatados tecnicamente em um cenário de 2º turno. Lula voltou a ficar à frente numericamente, com 42% das intenções de voto. Flávio tem 41%.
Na pesquisa anterior da Quaest, de abril, era o senador quem aparecia à frente. Em março, eles estavam numericamente empatados, com 41% cada. O presidente tinha uma vantagem de dez pontos em dezembro, que depois caiu para sete pontos e janeiro e cinco em fevereiro.
"É o terceiro mês consecutivo em que vemos um empate técnico entre Lula e Flávio. As movimentações acontecem todas na margem de erro, sugerindo um cenário bastante competitivo até aqui", afirmou o diretor da Quaest, Felipe Nunes.
Além disso, o presidente Lula anunciou, ontem, o fim da chamada taxa das blusinhas. O termo é utilizado para se referir ao imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, cobrado através do programa Remessa Conforme.
A medida não muda regras do ICMS, um imposto estadual que também é cobrado nessas compras. Em abril, dez estados elevaram a alíquota do ICMS para essas compras de 17% para 20%.
A cobrança foi iniciada em agosto de 2024, após aprovação de uma lei pelo Congresso Nacional, que foi sancionada por Lula. Empresas brasileiras que competem com os produtos importados defendiam a manutenção da taxa.
A mudança foi vista como uma medida eleitoreira e coloca atenção ao quadro fiscal do país, uma vez que também representa uma perda de arrecadação para o governo.
Mercados globais
Em Wall Street, os três principais índices americanos fecharam sem direção única nesta quarta-feira (13), conforme investidores repercutiam novos dados de inflação ao produtor nos EUA.
Os dados vieram acima do esperado e voltaram a reforçar a perspectiva de que o Federal reserve (Fed, o banco central dos EUA) deve manter os juros elevados por mais tempo.
O Dow Jones registrou queda de 0,14%, enquanto o S&P 500 subiu 0,5% e o Nasdaq avançou 1,20%.
Já na Europa, as principais bolsas fecharam em alta. O índice alemão DAX subiu 0,76%, enquanto o francês CAC 40 avançou 0,35%. Já o FTSE 100, de Londres, avançou 0,58%.
Na Ásia as ações de Xangai atingiram as máximas em 11 anos nesta quarta-feira, conforme investidores aproveitavam a queda antecipada do setor de tecnologia antes da reunião entre os líderes dos EUA e da China.
O índice Shangai Composite subiu 0,7%, atingindo o nível mais alto desde julho de 2015. Já em Hong Kong, o índice Hang Seng avançou 0,2%, e o japonês Nikkei teve ganhos de 0,8%.
Dólar
Reuters/Lee Jae-Won/Foto de arquivo
Trump quer pressionar Xi Jinping a abrir a China para empresas americanas durante viagem ao país

Trump quer pressionar Xi Jinping a abrir a China para empresas americanas
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chega nesta quarta-feira (13) a Pequim com um grupo de executivos e o objetivo de pedir a seu homólogo Xi Jinping que "abra" o mercado chinês para as empresas americanas, em seu primeiro encontro bilateral desde 2017.
O republicano viaja com Elon Musk, CEO da Tesla e da SpaceX e homem mais rico do mundo. Também estão presentes Tim Cook (Apple) e Kelly Ortberg (Boeing).
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Jensen Huang, CEO do grupo americano de semicondutores Nvidia, se uniu ao grupo durante uma escala no Alasca.
"Pedirei ao presidente Xi, um líder de extraordinária distinção, que 'abra' a China para que estas pessoas brilhantes possam fazer sua mágica e ajudar a levar a República Popular a um nível ainda mais elevado!", escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
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"A China dá as boas-vindas ao presidente Trump em sua visita de Estado à China", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, em uma entrevista coletiva. "A China está disposta a colaborar com os Estados Unidos para ampliar a cooperação e administrar as diferenças", acrescentou.
Esta é a primeira visita à China de um presidente dos Estados Unidos desde uma viagem de Trump durante seu primeiro mandato, em 2017. Os dois líderes passarão muito tempo juntos em uma agenda que inclui recepções, banquetes, almoços e reuniões bilaterais.
Uma das principais questões será a prorrogação da trégua alcançada em outubro na guerra das tarifas.
Os países mantêm muitas divergências, incluindo terras raras, semicondutores, propriedade intelectual e a questão de Taiwan.
Trump (presidente dos EUA) e Xi Jinping (presidente da China)
AFP
'Longa conversa' sobre o Irã
A guerra com o Irã, iniciada em 28 de fevereiro pelo ataque conjunto de Israel e dos Estados Unidos contra a República Islâmica, abalou a economia mundial e o mercado de energia em particular.
Segundo o governo americano, Trump quer pressionar Pequim, um parceiro estratégico e econômico fundamental de Teerã, a utilizar sua influência e contribuir para uma saída da crise no Golfo.
O presidente republicano tem tentado pôr fim às compras de petróleo iraniano por parte da China com diversas sanções, medidas condenadas pelo governo de Pequim, mas que não provocaram uma crise diplomática aberta.
"Teremos uma longa conversa" sobre o Irã, disse Trump na terça-feira aos jornalistas na Casa Branca. Pouco depois, porém, acrescentou que "não precisa de ajuda com o Irã".
Segundo Trump, a China, principal importadora de petróleo iraniano, não causou "problemas" desde que os Estados Unidos implementaram, em meados de abril, o bloqueio aos portos iranianos.
"Nos damos bem" com Xi Jinping, declarou. "Acho que verá que coisas boas vão acontecer", acrescentou.
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Na terça-feira, o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, pediu ao Paquistão que "intensifique" os esforços de mediação entre Teerã e Washington, segundo a agência estatal Xinhua.
Estados Unidos e China travam, há alguns anos, uma competição feroz nos campos estratégico, tecnológico e econômico.
"A cúpula parecerá cordial na superfície, mas, no plano tático, será uma partida de rúgbi em que cada parte vai querer levar vantagem", explicou Melanie Hart, especialista em China do Atlantic Council.
Em 2025, após o retorno de Donald Trump à Casa Branca, as duas superpotências travaram uma guerra comercial acirrada, com repercussões globais, e a imposição mútua de tarifas exorbitantes, além de múltiplas restrições.
Paralelamente à reunião de cúpula na China, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, se reuniram na Coreia do Sul para "consultas econômicas e comerciais", informou a imprensa de Pequim.
As partes tiveram uma "conversa franca, profunda e construtiva sobre a resolução de questões econômicas e comerciais de interesse mútuo e a ampliação da cooperação prática", destacou a Xinhua.
A cidade futurista em '8D' que mostra como a China se transformou desde a última visita de Trump

Trump visitou Pequim pela última vez em 2017
Getty Images via BBC
Quando o líder da China, Xi Jinping, receber seu colega americano em Pequim nesta semana, Donald Trump se lembrará de sua última visita em 2017 — ele foi internsamente cortejado, com um jantar na Cidade Proibida, uma honra que nenhum presidente dos EUA antes dele havia recebido.
A recepção desta semana promete ser igualmente grandiosa, incluindo uma parada em Zhongnanhai, o exclusivo complexo de acesso restrito onde a principal liderança da China vive e trabalha. A agenda também será igualmente espinhosa, com o Irã sendo uma nova fonte de tensão, ao lado do comércio, da tecnologia e de Taiwan.
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Mas muita coisa mudou à medida que Trump retorna a uma China mais forte e muito mais assertiva. Agora, em um terceiro mandato sem precedentes, um ambicioso Xi vem avançando com planos para “novas forças produtivas” com pesados investimentos em energia renovável, robótica e inteligência artificial.
Se o presidente americano e seu governo quiserem ver uma amostra do futuro que Pequim vem buscando na última década, eles precisam olhar além do centro imponente da capital, onde passarão a maior parte do tempo.
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No remoto e acidentado norte, a energia solar e eólica agora domina vastas paisagens. No sul industrioso, a automação está remodelando fábricas e cadeias de suprimentos, e megacidades como Chongqing se tornaram tema recorrente nos feeds de influenciadores nas redes sociais.
Bilhões em financiamento estatal transformaram Chongqing, um centro industrial arenoso no sudoeste, em um símbolo poderoso de uma China em mudança que está adotando novas tecnologias, novos negócios e um novo adjetivo — descolado — enquanto tenta mostrar ao mundo uma face mais amigável.
Em 2017, a China estava tentando provar que estava em pé de igualdade com os EUA, diz Ali Wyne, consultor sênior de pesquisa e defesa das relações EUA-China no International Crisis Group.
“Acho que a delegação chinesa, compreensivelmente, gastou um enorme esforço diplomático tentando transmitir a impressão de que o presidente Xi estava no mesmo nível geopolítico que o presidente Trump. O que eu acho impressionante é que, desta vez, essa afirmação não é necessária por parte dos chineses.”
Washington agora reconhece a China como “potência quase equivalente”, diz Wyne, que descreve Pequim como “indiscutivelmente o concorrente mais poderoso que os Estados Unidos enfrentaram em sua história”.
A estação de metrô de Liziba é famosa entre visitantes com imagem de prédio que 'engole' o trem Crédito: Getty Images
'America First' versus estratégia de longo prazo da China
Trump, por sua vez, pode muito bem ser o líder estrangeiro mais inconstante que a China já encontrou. Ele até tem um apelido aqui — Chuan Jianguo, que significa “Trump, o construtor da nação”. Online, muitos chineses acreditam que suas políticas polêmicas e guerras comerciais ajudaram a ascensão da China ao enfraquecer a posição global dos Estados Unidos.
“Ele não se importa nem um pouco com as consequências”, diz um homem de meia idade em férias em Chongqing. “Ele deveria saber que compartilhamos o mesmo mundo. É uma aldeia global. Ele nem sempre deve colocar a América em primeiro lugar.”
Ele diz que não quer compartilhar seu nome, enquanto se amontoa com a multidão em um mirante para ver o horizonte vertical e sobreposto, iluminado por neon de Chongqing.
Turistas tentando tirar uma foto do famoso horizonte de Chongqing
via BBC
“A China vem criando estratégias voltadas para o futuro há décadas”, acrescenta, enquanto a “capital cyberpunk” mundial se ilumina atrás dele ao entardecer.
Chongqing foi esculpida nas montanhas porque os construtores não tinham para onde ir além de construir para cima. As estradas sobem e contornam encostas íngremes, enquanto o metrô serpenteia por baixo e depois atravessa camadas de edifícios. Tudo se sobrepõe para criar o que os jornalistas de viagens apelidaram de cidade “8D” da China.
Assim como os turistas empoleirados acima, os visitantes dos barcos abaixo tentam tirar a melhor foto: a paisagem vertical que paira sobre o rio Yangtze em tons de azul elétrico, magenta e vermelho.
Esta é uma cidade que oferece uma janela para a tentativa de Pequim de rivalizar com o poder americano em mais de uma maneira. A China vem aprimorando seu poder brando e oferecendo aos turistas estrangeiros a entrada sem visto. Cerca de dois milhões deles colocaram Chongqing em sua lista imperdível no ano passado, ao lado de Pequim e Xangai.
Mas o crescimento espetacular de Chongqing tem um preço. Sua construção envolveu um dos maiores esforços sustentados de construção urbana da história moderna. E o governo local, com uma população de mais de 30 milhões de pessoas, está agora fortemente endividado. Uma economia lenta e um setor imobiliário em dificuldades não estão ajudando.
Além do horizonte futurista da cidade, há bairros mais antigos onde os trabalhadores separam pacotes ou vendem frutas e vegetais na esperança de ganhar alguns dólares por dia. As tarifas de Trump e agora a guerra entre EUA e Israel no Irã estão pressionando pontos sensíveis da economia chinesa, à medida que os preços das casas caem, o desemprego aumenta e o baixo consumo persiste.
Apesar de tudo isso, o controle autoritário do Partido Comunista Chinês permaneceu firme. Muitos chineses hesitam em falar de política e, embora tenham uma mensagem para Trump, não quiseram compartilhar seu nome.
“Quero dizer a Donald Trump que pare de agitar as coisas”, diz uma manicure cujos investimentos sofreram devido à desaceleração da economia global após a crise no Oriente Médio.
Apesar de sua ascensão, Chongqing ainda tem muitos trabalhadores lutando para ganhar a vida
via BBC
Ainda assim, alguns jovens veem os EUA como um farol de liberdade e oportunidade.
“Quando penso nos EUA, penso nisso: liberdade e as pessoas de lá podem encontrar sua personalidade e descobrir seu potencial”, diz uma estudante de moda em férias com sua amiga.
“É um país cheio de criatividade e sabedoria, e muitos jovens chineses gostariam de estudar lá.”
Isso se tornou um sonho mais incerto por causa dos laços tensos entre as duas superpotências nos últimos anos. Mas isso também fez com que engenheiros chineses impulsionassem a inovação em casa.
A corrida: de robôs a EVs
Em um laboratório principal de dois andares em um dos muitos novos centros de negócios em Chongqing, um grupo de crianças do jardim de infância ri de alegria enquanto observam um peixe-robô nadar ao redor do tanque.
Outros robôs humanóides ganham vida e exibem seus movimentos de kung-fu ou dança descolada. As crianças estão ansiosas para se exibirem para as câmeras da BBC e a professora as ajuda a praticar inglês, fazendo-as repetir em uníssono: “Esse robô sabe dançar!”
A China já tem o maior número de robôs industriais em suas fábricas, e o estado planeja investir cerca de 400 bilhões de dólares em robótica somente neste ano.
Chongqing, que se encontra no centro desse investimento, pretende se tornar o Vale do Silício do oeste da China. Mas aqui e em todo o país, a robótica chinesa pode precisar da ajuda americana.
Os robôs precisam de um cérebro que funcione rapidamente e é por isso que a China deseja comprar mais chips de IA de ponta da empresa norte-americana Nvidia. Isso pode ser um obstáculo na reunião desta semana.
Em 2022, o governo Biden tentou frear a IA e a robótica chinesas negando-lhes semicondutores de ponta. O presidente Trump relaxou essa política. No ano passado, ele abriu caminho para a Nvidia começar a vender alguns de seus chips avançados para a China, mas não os mais avançados.
Enquanto a China e os EUA lutam pela supremacia tecnológica, os analistas acreditam que há uma preocupação maior com a ascensão da IA.
Alguns temem que um malfeitor com um laptop em um bunker em qualquer lugar possa hackear os serviços de saúde ou encontrar códigos de lançamento nuclear, e argumentam que este é um momento para os dois líderes pensarem no bem maior, e não na grande competição de poder entre as grandes potências.
A China tem o maior número de robôs industriais em suas fábricas
via BBC
A concorrência certamente ditará a agenda. A China já está fazendo todo o possível para garantir que não confie nos EUA como seu principal parceiro comercial.
As exportações da China para os EUA caíram cerca de 20% nos últimos anos e os Estados Unidos são agora o terceiro maior parceiro comercial da China, atrás do Sudeste Asiático e da União Europeia.
A pompa da última visita de Trump não impediu que os EUA impusessem tarifas enormes sobre produtos chineses e Pequim aprendeu a lição.
Quando Trump se tornou o líder presidencial em 2024, as autoridades chinesas começaram a trabalhar. Eles participaram de reuniões de think tanks em Washington quando mais uma vez o ouviram avisar que iria coibir o que considerava práticas comerciais chinesas injustas.
Quando as tarifas chegaram no ano passado, a China foi o único país que não recuou. Se a frágil trégua comercial se manterá ou levará a um acordo mais substantivo, é a grande questão desta semana. Mas o último ano certamente encorajou Pequim.
“Não dependemos do mercado dos EUA”, diz Lucia Chen, que vende carros elétricos para a Sahiyoo, uma empresa em Chongqing, que é uma cidade-chave nessa busca pela autossuficiência. Chongqing lidera o país na fabricação de automóveis, sustentando a posição da China como a maior montadora do mundo.
Xi pediu ligações ferroviárias diretas daqui através da Ásia Central para a Europa, que custam cerca de 5 bilhões de dólares, e Chen considera essa ligação ferroviária útil para vender mais mercadorias aos clientes.
“Estou bastante otimista sobre o desenvolvimento futuro da indústria de veículos elétricos de Chongqing”, diz ela em um passeio pela fábrica. “Minha família e amigos mudaram de carros a combustível para veículos elétricos. Por causa da guerra do Irã, os preços da gasolina aumentaram muito e muitos compradores estão considerando um veículo elétrico pela primeira vez.”
Mesmo com a crise no Oriente Médio se arrastando, Trump está vindo para a China em parte para tentar acabar com a guerra. Ele espera a ajuda da China para intermediar um acordo com seu amigo Teerã — mais um sinal do papel agora fundamental de Pequim no cenário mundial.
O presidente dos EUA também gosta de se gabar de ter um bom relacionamento com Xi e pode achar que pode negociar com o líder da China.
Ele também vai querer algo tangível desta cúpula e, se vier a Pequim e conseguir sair dizendo que convenceu os chineses a comprar mais produtos americanos, poderá ver isso como uma vitória.
Um vislumbre do futuro?
Para a China, a vitória pode estar em uma visita de estado tranquila e bem coreografada.
Um acordo comercial seria um grande alívio, mas mesmo sem isso, uma visita presidencial dos EUA após quase uma década aprimora a mensagem de Xi de que a China está aberta aos negócios e ao mundo.
“Sinto que a China está ficando cada vez mais conectada ao mundo, mais integrada à comunidade internacional”, diz um fotógrafo em Chongqing.
“Era muito difícil para mim ver pessoas com cabelos loiros como você no passado - mas agora eu conheço muitos estrangeiros. Somos todos como uma família.”
Ele é um dos muitos que atendem a uma estranha economia local que surgiu aqui. Na beira do rio, do outro lado de onde um trem local entra em uma das torres residenciais, uma fila de visitantes fica de boca aberta.
A moda viral de 'comer trens em Chongqing' em ação
via BBC
Uma mulher está gritando instruções para o marido tirar a foto da maneira certa quando o trem começa a chegar — ela mastiga como se tivesse terminado uma refeição deliciosa. Parece uma tendência ridícula, mas “comer trem em Chongqing” é viral.
Um homem - com mais de 70 anos - brinca que participar desse espetáculo nas redes sociais o está ajudando a “ficar mais jovem de coração”.
Essa é a China que Xi quer que o mundo veja mais enquanto ele tenta se retratar como um farol de estabilidade, em contraste com um Trump imprevisível.
Já há cerca de um ano desde que Trump chegou ao poder, a ordem mundial mudou notavelmente, fortalecendo a mão de Pequim.
Sua abordagem “America First” fez com que aliados e rivais se recuperassem de tarifas que vão e voltam, enquanto Pequim estendia o tapete vermelho para um desfile de líderes políticos do Ocidente, incluindo Reino Unido, Canadá e Alemanha.
Claro, isso está longe de ser o quadro completo. Também há vigilância generalizada, controle estatal estrito sobre todos os meios de comunicação e qualquer tipo de dissidência ou crítica contra o governo ou os líderes do país não é tolerado.
Mas em Chongqing, muitos visitantes veem o que pode parecer uma cena cinematográfica do futuro.
A transformação da cidade pode ser lida como uma história de sucesso ou um sinal de alerta. De qualquer forma, oferece ao mundo — e a Donald Trump — uma prévia do que a China espera que esteja por vir.
Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação.
Os impactos da decisão da UE de barrar a carne brasileira

União Europeia veta importações de carne e produtos de origem animal do Brasil
O governo do Brasil se declarou surpreso com a retirada do país da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano para a União Europeia, anunciada nesta terça-feira (12/05).
Os ministérios das Relações Exteriores, da Agricultura e Pecuária e do Desenvolvimento afirmaram que vão tomar todas as medidas necessárias para reverter essa decisão.
Já o embaixador do Brasil junto à União Europeia, Pedro Miguel da Costa e Silva, declarou que vai buscar esclarecimentos já nesta quarta-feira, numa reunião com autoridades da União Europeia da área de saúde animal.
Qual o impacto para o Brasil?
A decisão da UE não tem um impacto imediato, pois entra em vigor em 3 de setembro. No momento não há qualquer proibição em vigor, e o Brasil continua exportando carne e outros produtos de origem animal para a UE.
Se não for revertida até a data limite, a decisão significaria uma perda anual de cerca de 1,8 bilhão de dólares para os exportadores brasileiros, segundo números do Ministério da Agricultura.
Isso não significa que haveria uma queda no preço das carnes para os brasileiros, pois os exportadores podem redirecionar a carne destinada à exportação para um outro país – a UE não é nem de longe o principal destino.
Além da carne bovina, o principal produto de origem animal que o Brasil exporta para a UE, a medida pode afetar exportações de aves, ovos, mel, peixes, equinos e produtos derivados de origem animal.
Qual a importância da UE?
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a União Europeia foi o quarto maior destino da carne bovina brasileira em 2025, com 128,9 mil toneladas, num valor total de 1,06 bilhão de dólares. Quase metade do que o Brasil exporta vai para a China, e o segundo maior comprador são os Estados Unidos.
Em 2025, a China respondeu por 48% do volume total exportado, com 1,68 milhão de toneladas, que somaram 8,90 bilhões de dólares. Em seguida vêm os Estados Unidos, com 271,8 mil toneladas e 1,64 bilhão de dólares.
Já na carne de frango, a União Europeia foi apenas o oitavo maior comprador em 2025, com 233 mil toneladas exportadas, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), num total de 302 milhões de dólares. O ranking é liderado pelos Emirados Árabes Unidos, que importaram 479,9 mil toneladas.
A UE é o décimo destino de ovos brasileiros, com 301 toneladas, segundo a ABPA. Apenas 1% da produção brasileira de ovos é destinada ao exterior.
Qual a reclamação da UE?
A UE não reclamou que a carne brasileira esteja contaminada. O bloco europeu afirmou ter adotado a medida porque o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária.
A questão é regulatória e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.
A UE considera que o Brasil ainda não demonstrou de forma suficiente que essas substâncias deixaram de ser usadas ao longo de toda a cadeia produtiva animal destinada à exportação.
O que são os antimicrobianos de que a UE reclama?
Antimicrobianos são medicamentos usados para combater microrganismos como bactérias, vírus, fungos e parasitas. Na pecuária, essas substâncias podem servir tanto para tratar doenças quanto para estimular o crescimento dos animais e aumentar a produtividade.
A União Europeia proíbe especialmente o uso de antimicrobianos que também são importantes para tratamentos médicos em humanos. O objetivo é evitar a chamada resistência antimicrobiana, situação em que bactérias passam a resistir aos medicamentos.
Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
Dá para reverter?
Sim, para voltar à lista de países autorizados a exportar para a UE, "o Brasil deve garantir o cumprimento dos requisitos relativos à utilização de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais dos quais provêm os produtos exportados", afirmou uma porta-voz da Comissão Europeia à agência de notícias Lusa.
"Assim que a conformidade for demonstrada, a UE poderá autorizar ou retomar as exportações", disse. Ela acrescentou que a Comissão Europeia tem colaborado estreitamente com as autoridades brasileiras sobre essa questão.
O Brasil tem dois caminhos para reverter a situação: ampliar as restrições legais aos medicamentos restantes ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam essas substâncias.
A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.
A ABPA comunicou que o Brasil já cumpre todos os requisitos da União Europeia, inclusive os sobre antimicrobianos, e que vai demonstrar isso às autoridades sanitárias europeias.
Já a Abiec afirmou que a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios dos principais mercados internacionais, "com rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.
A UE já proibiu a carne brasileira antes?
Sim, várias vezes. Em 2008, por exemplo, a UE decretou um embargo à carne bovina, alegando que o Brasil havia deixado de introduzir medidas mais rigorosas relativas à segurança de alimentos.
Em 2017, a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, provocou turbulências no mercado interno e de exportação de carne. A UE e vários países impuseram restrições parciais ou totais às importações do produto.
Carne bovina
Cindie Hansen/Unplash
Quaest: 38% consideram que Desenrola vai ajudar muito as famílias endividadas e 27% acham que vai ajudar pouco

Quaest: 1º turno, 2º turno e avaliação do governo
Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (13) mostra que 38% dos brasileiros avaliam que o novo programa Desenrola do governo federal vai ajudar muito as pessoas a saírem da situação de endividamento. Outros 27% dizem que deve ajudar um pouco, enquanto 33% afirmam que não vai ajudar.
Veja os números:
Quaest: O Desenrola 2.0 vai ajudar as pessoas a sair das dívidas ou não?
Arte/g1
Vai ajudar muito: 38%
Vai ajudar um pouco: 27%
Não vai ajudar: 33%
Não sabem/não responderam: 2%
Lançado pelo governo Lula na semana passada, o Desenrola 2.0 é voltado para brasileiros endividados com o sistema bancário, com renda mensal de até cinco salários-mínimos, o equivalente a R$ 8.105, e com dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026.
A dívida renegociada terá descontos entre 30% e 90%, com taxa de juros máxima de 1,99% ao mês. Também será permitido ao trabalhador usar 20% do saldo da conta do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), ou até R$ 1 mil, para pagar parcial ou integralmente dívidas.
Nesta segunda-feira (11), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que o Desenrola 2.0 já está próximo de R$ 1 bilhão em valores renegociados.
Segundo a Quaest, 57% dos entrevistados já tinham ouvido falar do Desenrola 2.0, enquanto 43% afirmaram que ficaram sabendo do programa recentemente.
Quaest 2º turno: Lula tem 42%; Flávio Bolsonaro, 41%, em empate técnico
Veja os números:
Quaest: Conhecimento sobre o Desenrola 2.0 (maio/2026)
Arte/g1
Já tinha ouvido falar: 57%
Ficou sabendo agora: 43%
Com o endividamento das famílias em níveis recordes e metade dos brasileiros inadimplentes, segundo dados mais recentes, a pressão das dívidas mobiliza o governo e se tornou um tema da disputa presidencial de 2026.
O percentual de endividados atingiu 80,4% em março, maior nível da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Lula assina medida provisória do Desenrola 2.0.
Ricardo Stuckert/ Presidência da República
Dados do Banco Central (BC) mostram que quase metade da renda dos brasileiros está comprometida com dívidas como cartão de crédito, empréstimos e financiamentos. O nível de endividamento no sistema financeiro se aproxima do registrado em 2022, no fim do governo Jair Bolsonaro (PL).
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 8 e 11 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
Proibição de jogos online
A pesquisa também questionou os entrevistados sobre a proposta de proibir que beneficiários do programa façam apostas online por um período: 79% disseram ser a favor da medida, enquanto 16% se declararam contra.
Veja os números:
Quaest: Opinião sobre proibição de apostas online e adesão ao Desenrola 2.0
Arte/g1
A favor da proibição: 79%
Contra a proibição: 16%
Não sabem/não responderam: 5%
Segundo o diretor da Quaest, Felipe Nunes, há uma forte relação entre o endividamento e o vício em jogos online, principalmente entre os homens. Pesquisas qualitativas têm mostrado que 29% dos entrevistados relataram ter começado a apostar para tentar pagar contas, e 27% buscavam renda extra. Entre os inadimplentes, 46% apostam — incluindo quem já está com o nome negativado.
Segundo a pesquisa da Quaest divulgada nesta quarta, 50% consideram que o Desenrola 2.0 é uma boa ideia, porque ajuda quem está endividado a sair do vermelho. Outros 22% avaliam que ajuda apenas em parte, enquanto 23% dizem que é uma má ideia, por estimular o endividamento.
Veja os números:
Quaest: Opinião sobre o Desenrola 2.0 (maio/2026)
Arte/g1
Boa ideia: 50%
Ajuda um pouco: 22%
Má ideia: 23%
Não sabem/não responderam: 5%
SAIBA MAIS
Quaest 1º turno: Lula lidera com 39%, seguido por Flávio Bolsonaro com 33%; Caiado e Zema têm 4% cada
Quaest 2º turno: Lula tem 42%, e Flávio Bolsonaro, 41%
Quaest: para 46%, escândalo do Master afeta negativamente governos Lula e Bolsonaro, Supremo, Congresso e BC
Quaest: para 43%, Lula saiu mais forte após encontro com Trump
Quaest: 49% desaprovam e 46% aprovam o governo Lula
É #FAKE que Coca-Cola diminuiu tamanho de garrafas por causa do governo Lula; ajuste faz parte de nova estratégia global da empresa

Redução de embalagens anunciada pela Coca-Cola não tem a ver com o governo Lula
g1
Circulam nas redes sociais publicações alegando que a Coca-Cola vai reduzir o tamanho de garrafas no Brasil por causa da "perda do poder de compra da população" no governo Lula (PT). É #FAKE.
Selo Fake (Horizontal)
g1
🔴 Como são os posts?
Publicados no X, Threads e Instagram, eles associam ao governo Lula a decisão da Coca-Cola de diminuir o tamanho de garrafas no Brasil. Uma das imagens exibidas nas postagens tem o seguinte enunciado: "Coca-Cola reduz a garrafa de 2 litros para 1,25 litros para o brasileiro conseguir comprar em meio à perda do poder de compra".
Veja outros dois exemplos de legendas de publicações que viralizaram: "Efeito Lula: até a Coca-Cola diminuiu. Menos produto, mesmo preço. O brasileiro paga mais pra levar menos e ainda dizem que está tudo bem"; e "Você vai pagar o mesmo preço, mas vai levar menos produto. Essa estratégia se chama REDUFLACÃO, uma forma de enganar o consumidor pra que ele não se assuste com os preços e pare de consumir. Governo Lula quebrou o Brasil. Meu problema com quem vota no PT é que ele me arrasta pra lama junto com ele".
Mas isso não é verdade. Procurada pelo Fato ou Fake, a assessoria de imprensa Coca-Cola negou qualquer redução no tamanho de embalagens no Brasil e rejeitou que a medida esteja vinculada ao cenário político nacional: "A empresa não vai acabar com a Coca-Cola de 2 litros, nem suspender operações. O que existe é um ajuste na estratégia global de embalagens, para atender todos os bolsos e ocasiões de consumo". Leia mais abaixo.
Ao jornal "The Wall Street Journal", o brasileiro Henrique Braun, que passou a ocupar em março o cargo de presidente global da Coca-Cola, revelou que a companhia pretende levar às prateleiras opções de embalagens menores para sustentar as vendas em meio à alta da inflação e à queda do poder de compra nos Estados Unidos. Um desses novos produtos é, justamente, a embalagem de 1,25 litros, que será oferecida no país.
Em 3 de abril, a empresa divulgou resultados financeiros trimestrais acima da expectativa no meses iniciais de 2026. No Brasil, que integra a divisão da América do Sul, o volume de vendas cresceu 3,6%. A receita somou cerca de US$ 1,2 bilhão, alta de 5% na comparação anual.
⚠️ Por que #É FAKE?
Em nota enviada por e-mail ao Fato ou Fake, a Coca-Cola afirmou:
" A empresa não vai acabar com a Coca-Cola de 2 litros. A Coca-Cola, no Brasil e no mundo, foca em oferecer ao consumidor um portfólio amplo e flexível, com diferentes opções de bebidas, com ou sem açúcar e com menos calorias, além de variados tipos de embalagens e faixas de preço, atendendo a diferentes ocasiões de consumo e contextos de mercado. Essa é uma estratégia adotada pela companhia há muitos anos, recentemente reforçada em comunicado global".
Sobre a embalagem de 1,25 litro, mencionada em uma das publicações falsas, a empresa informa que o produto não terá comercialização no Brasil: "A embalagem de 1,25 já fez parte do portfólio do Sistema Coca-Cola por volta de 2010, de forma pontual em algumas regiões, mas foi descontinuada por decisão operacional. Atualmente, não há previsão de retorno ou de lançamento desse formato no Brasil, apenas em outros mercados, como os Estados Unidos".
Finalmente, com relação ao mercado nacional a resposta cita: "No Brasil, seguem disponíveis no mercado: garrafas de vidro retornáveis de 200mL, 290mL e 1L; garrafa de vidro não retornável 250mL; garrafa PET 200mL, 500mL e 600mL (com variação por região), além de 1L, 1,5L, 2L, 2,25L, 2,5L e 3L; PET retornável 2L e 1L (em regiões pontuais); e latas 220mL, 310mL e 350mL".
Redução de embalagens anunciada pela Coca-Cola não tem a ver com o governo Lula
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ENTREVISTA: Baldy diz que BYD quer ser líder de mercado até 2030 e vê ‘medo’ na reação de rivais

BYD quer ser a marca que mais vende carros do Brasil em 2030
Em entrevista exclusiva ao g1, o vice-presidente sênior da BYD, Alexandre Baldy, foi direto ao ponto: a meta é vender 600 mil carros por ano e colocar a marca no topo das vendas no Brasil até o fim desta década.
A declaração é ousada, mas o desempenho recente da empresa indica que a meta não deve ser subestimada. A BYD iniciou as vendas de carros no Brasil em 2022, com os modelos Tan e Han, e sequer figurava entre as 21 fabricantes que mais venderam veículos no país.
No ano seguinte, chegou o hatch Dolphin. A partir daí, a trajetória mudou.
Em 2023, foram 17.937 unidades vendidas e o 15º lugar, à frente de RAM (16.951) e BMW (15.108).
Em 2024, a marca registrou 76.811 emplacamentos e alcançou o 10º lugar, superando Caoa Chery (60.929), Ford (48.311) e Citroën (33.885).
Em 2025, foram 112.814 unidades vendidas e o 8º lugar, à frente de Honda (103.460) e Nissan (77.808).
Com pouco mais de 100 mil unidades vendidas no ano passado, a BYD precisa multiplicar seus emplacamentos por seis para atingir a meta da diretoria. A Fiat, líder em 2025, registrou 533.710 veículos emplacados — volume 4,7 vezes maior que o da chinesa.
Aos poucos, porém, a montadora vai incomodando as líderes: nas vendas no varejo — quando o carro é vendido com intermediação da concessionária — o BYD Dolphin Mini foi o veículo mais vendido do Brasil neste ano, superando modelos populares como Volkswagen Tera, Chevrolet Onix e Hyundai Creta.
Veja os 10 carros mais vendidos no varejo, entre janeiro e abril de 2026:
BYD Dolphin Mini: 18.052 emplacamentos;
Hyundai Creta: 17.197 emplacamentos;
Volkswagen Tera: 15.495 emplacamentos;
Fiat Strada: 14.461 emplacamentos;
Chevrolet Tracker: 14.349 emplacamentos;
Volkswagen Nivus: 13.683 emplacamentos;
BYD Song: 13.495 emplacamentos;
Volkswagen Polo: 12.778 emplacamentos;
Hyundai HB20: 11.217 emplacamentos;
Chevrolet Onix: 11.142 emplacamentos.
A tendência é de aceleração com o início da operação plena da fábrica de Camaçari (BA).
“Quando a gente fala que vai fabricar 600 mil carros em solo brasileiro, é para atender a América Latina, sim, mas o nosso objetivo é que a gente possa chegar até 2030 como marca número 1 de vendas de carros aqui no mercado brasileiro”, afirma Baldy.
No Brasil, apenas um complexo industrial tem capacidade semelhante: a fábrica da Stellantis, em Betim (MG), que pode produzir até 650 mil veículos por ano e reúne marcas como Fiat e Peugeot. Além de atender ao mercado interno, o complexo também exporta para mais de 30 países.
Para Baldy, a unidade de Camaçari deve cumprir papel semelhante em menos de cinco anos.
Ao g1, o político que virou executivo também faz críticas a concorrentes e à Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), com quem trava uma disputa sobre carga tributária e concorrência desde a chegada da empresa ao país.
Veja a entrevista de Alexandre Baldy, na íntegra, no vídeo abaixo.
g1 Carros entrevista Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD do Brasil
A seguir, clique nos links para assistir aos cortes com os principais destaques.
Embate com a Anfavea sobre Importação;
Marcas tradicionais deram 'tapa na cara' do consumidor;
BYD Dolphin Mini custa menos para manter que uma moto;
Críticas ao boicote ao Salão do Automóvel;
Polêmica sobre tecnologia de carregamento e "ignorância".
g1 entrevista o vice-presidente sênior da BYD, Alexandre Baldy
Kaique Mattos / g1
Embate com a Anfavea sobre Importação
Embate com a Anfavea sobre Importação
Até a publicação desta reportagem, a BYD concentra a produção em kits que chegam quase prontos do exterior. Esses conjuntos são montados na fábrica da empresa na Bahia e, depois, os veículos são entregues aos clientes.
“É impraticável qualquer indústria automobilística vir para o Brasil investir bilhões de reais e não começar pelo regime de montagem. Não existe, não existiu”, aponta Baldy.
Esse tipo de montagem tinha carga tributária menor em comparação aos impostos pagos por outras montadoras no Brasil, o que gerou atritos no setor. O tema motivou uma carta assinada por fabricantes, com apoio da Anfavea.
“O presidente da Anfavea esteve lá na nossa inauguração. Eles sabe o tamanho do nosso investimento. Então, quer dizer, nós somaremos à Anfavea sendo contrários ao regime de montagem”, disse
A pressão surtiu efeito: o governo antecipou a recomposição do imposto de importação, que passou a 35% para todos. A BYD afirma que pretende avançar para a fabricação completa dos veículos, mas ainda não informou quando isso deve ocorrer.
“Você começa com o regime de montagem, como é conhecido como SKD. Aí você ultrapassa esse momento e vai para um regime de mais a fabricação de alguns componentes, até você chegar na fabricação completa, e esta é a motivação do nosso investimento no Brasil”, aponta o executivo.
Segundo Baldy, os kits devem chegar cada vez menos prontos, com a inclusão gradual de etapas realizadas no Brasil, como soldagem, moldagem de peças e pintura.
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Marcas tradicionais deram 'tapa na cara' do consumidor
Marcas tradicionais deram 'tapa na cara' do consumidor
Baldy afirmou que a chegada da BYD ao Brasil provocou reação das montadoras tradicionais, principalmente por causa da estratégia de preços mais baixos. Na prática, o lançamento do Dolphin desencadeou um “efeito dominó” nos preços de alguns carros elétricos.
Baldy deu outro nome ao fenômeno. “Eu não vou dizer que seja de indignação, isso é medo, porque quando nós chegamos no Brasil, foi um tapa na cara, promovido pelos nossos concorrentes”, disse Baldy.
Alguns modelos tiveram redução de preço, especialmente após a chegada do Dolphin Mini:
Renault Kwid E-Tech: de R$ 149.990 para R$ 99.990;
JAC E-JS1: de R$ 164.900 para R$ 154.900;
Caoa Chery iCar: de R$ 149.990 para R$ 139.990;
Peugeot e-2008: de R$ 259.990 para R$ 159.990.
“Qual que é a sensação do consumidor em relação a esse tipo de atitude. Então nós promovemos no Brasil um verdadeiro chacoalho na indústria automobilística”, aponta Baldy.
g1 entrevista o vice-presidente sênior da BYD, Alexandre Baldy
Kaique Mattos / g1
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BYD Dolphin Mini custa menos para manter que uma moto
BYD Dolphin Mini custa menos para manter que uma moto
Em uma das declarações mais polêmicas da entrevista, Baldy afirmou que o Dolphin Mini tem custo de uso menor do que motocicletas populares.
“O nosso BYD Dolphin Mini, é mais econômico que andar numa moto. Se você comparar com uma moto, seja uma Honda Biz ou uma Honda CG, é mais barato você dirigir um BYD Dolphin Mini. Você gasta com 20.000 km R$ 380 para fazer uma revisão”, apontou o executivo.
O carro, porém, exige um investimento inicial muito mais alto: o Dolphin Mini custa R$ 119.990 — valor suficiente para comprar nove unidades da Honda Biz zero quilômetro, cada uma por R$ 13.240.
g1 entrevista o vice-presidente sênior da BYD, Alexandre Baldy
Kaique Mattos / g1
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Críticas ao boicote ao Salão do Automóvel
Críticas ao boicote ao Salão do Automóvel
O Salão do Automóvel de São Paulo ficou sete anos sem ser realizado e retornou em 2025 com formato semelhante ao das edições anteriores, mas com menos marcas de destaque do setor.
Participaram empresas como BYD, Denza, Caoa Chery e Changan, além de Fiat, Jeep, Peugeot, RAM, GAC, Geely, Honda e Hyundai, mas as ausências chamaram ainda mais atenção.
Ficaram de fora marcas tradicionais como Ford, Chevrolet, Volkswagen, Nissan, Audi, Porsche, Mercedes-Benz e BMW.
Para Baldy, a postura de grandes marcas — que pedem mudanças fiscais ao governo e depois não participam do evento — foi “ridícula”.
“Quando é para reclamar em benefício de proteção própria, tudo se une ali na Anfavea e correm para fazer os pleitos que são necessários no governo. Então, acho que isso é um pouco desleal”.
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Polêmica sobre tecnologia de carregamento e "ignorância"
Polêmica sobre tecnologia de carregamento e "ignorância"
Até fevereiro de 2026, a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) aponta a existência de 21.061 eletropostos no Brasil. Desse total, 14.582 são de recarga lenta, em que um carro elétrico leva cerca de oito horas para completar a carga.
Os carregadores rápidos representam menos da metade do total, com 6.479 pontos no país. Neles, os veículos conseguem recarregar em menos de uma hora.
Apesar do crescimento no número de pontos, ainda há grandes regiões sem infraestrutura de recarga, e poucas marcas investem na expansão da rede.
Na década passada, o grupo Volkswagen criou rotas com carregadores, como na Rodovia Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro. Mais recentemente, a Volvo avançou ao conectar outros centros urbanos.
Baldy rebate as críticas de que a BYD não investiu. “aqueles que comentam ou que fazem esse tipo de comentário ou desconhecem a tecnologia ou são ignorantes”, disse.
g1 entrevista o vice-presidente sênior da BYD, Alexandre Baldy
Kaique Mattos / g1
Ele destacou a chegada de carregadores ultrarrápidos ao Brasil, com a promessa de recuperar cerca de 400 quilômetros de autonomia em apenas cinco minutos de recarga.
“As nossas concessionárias Denza terão os carregadores super rápidos instalados já nesse ano de 2026 e outros pontos que nós estamos hoje discutindo para serem hubs de carregamento para oferecerem inclusive este nosso carregador super rápido”, disse Baldy.
Os modelos da Denza, submarca de luxo da BYD, são compatíveis com esses carregadores ultrarrápidos.
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Dívida e juros: por que deixar para pagar depois custa tão caro?
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Dívida e juros: por que deixar para pagar depois custa tão caro?
Uma dívida pequena, como uma fatura atrasada ou uma conta deixada para depois, pode rapidamente se transformar em um problema difícil de controlar. Isso ocorre porque, ao atrasar ou parcelar o pagamento, o valor passa a crescer com a incidência de juros.
Esse crescimento é conhecido como “juros sobre juros”, quando a taxa incide sobre um valor que já foi corrigido anteriormente. Com o tempo, a dívida pode aumentar de forma acelerada, especialmente em casos de taxas altas, pagamento apenas do mínimo ou adiamento.
Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.
Fim da 'taxa das blusinhas' ameaça empregos e cria concorrência desleal, dizem entidades da indústria

O que é a 'taxa das blusinhas', que Lula cancelou após quase dois anos?
Entidades do setor de varejo e da indústria reagiram à decisão do governo federal de encerrar a chamada "taxa das blusinhas", nome dado ao imposto de importação de 20% cobrado sobre compras internacionais de até US$ 50 feitas por meio do programa Remessa Conforme.
Apesar de especialistas ressaltarem que a medida terá impacto imediato nos preços para o consumidor, o setor demonstra preocupação com as empresas brasileiras e empregos.
🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
A Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) classificou a medida como um “grave retrocesso econômico” e um “ataque direto à indústria e ao varejo nacional”.
Segundo a entidade, o fim da tributação prejudica empresas brasileiras, especialmente micros e pequenas companhias, que "investem e sustentam a arrecadação do país".
"É inadmissível que, enquanto o setor produtivo nacional enfrenta uma das maiores cargas tributárias do mundo, juros elevados, custos operacionais crescentes e um ambiente regulatório extremamente complexo, empresas internacionais continuem recebendo privilégios artificiais para avançar sobre o mercado brasileiro", afirmou a associação.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) alertou que a medida vai "aprofundar a concorrência desigual" enfrentada pelas empresas brasileiras, principalmente pequenos e médios negócios.
"A medida que a ampliar a assimetria competitiva entre a indústria nacional e plataformas internacionais de comércio eletrônico", disse a Federação.
Além disso, a entidade reforçou um estudo publicado antes da implementação da taxação em 2024. Segundo a pesquisa da FIEMG, a manutenção daquele cenário [sem as taxas] poderia provocar a perda de 1,1 milhão de empregos e a redução de R$ 99 bilhões no faturamento do setor produtivo nacional.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reforçou o aspecto prejudicial da medida à indústria brasileiras e desenvolvimento do país. Entendida como um "retrocesso", o fim da 'taxação das blusinhas' é vista pela entidade como uma decisão que amplia a desigualdade entre empresas nacionais e estrangeiras.
“Permitir a entrada de importações de até 50 dólares sem tributação é o mesmo que financiar a indústria de países como a China, principal exportador de produtos de baixo valor para o Brasil, especialmente no setor têxtil. O prejuízo é direto a quem fabrica e comercializa em território brasileiro”, afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Em abril, mais de 50 entidades lançaram um manifesto contra o fim da taxação, possibilidade que já era ventilada pelo governo na época.
O texto foi assinado por entidades como Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), AbLos (Associação Brasileira dos Lojistas Satélites de Shoppings), Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos), ABVTex (Associação Brasileira de Varejo Têxtil), Anamaco (Associação Nacional Comerciantes Material Construção), CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), CNI e IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo), entre outras.
O manifesto ressaltou que a criação da taxa "criaram empregos e ampliaram investimentos e R$ 42 bilhões adicionais por ano passaram a ser recolhidos para União".
O documento também afirmou que a cobrança beneficiava setores além do de vestuário, como eletrônicos, materiais de construção e produtos para pets.
O manifesto cita a pesquisa do Instituto Locomotiva, que indicou que após a implementação da taxa, 12% dos consumidores deixaram de comprar em plataformas estrangeiras, optando pelas lojas e sites do varejo em atuação no Brasil. Outros 36% reduziram as compras nos sites estrangeiros, enquanto a maioria (52%) manteve (34%) ou ampliou (18%) o consumo nestas plataformas.
"A previsão é de que apenas o Comércio invista este ano R$ 100 bilhões no Brasil. Este investimento estaria ameaçado caso houvesse um retrocesso nos passos já dados rumo à isonomia tributária. Já o fim da ‘taxa das blusinhas’ não traria nenhum investimento novo para o Brasil, já que estas plataformas internacionais quase nada aplicaram no País até hoje, embora tenham faturado por aqui, entre 2023 e 2025, R$ 40 bilhões", ressaltou o manifesto, divulgado em abril.
Em nota, a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e Combate à Pirataria (FPI) disse que a medida “enfraquece a indústria nacional” e "amplia a concorrência desleal com empresas brasileiras, que seguem submetidas a uma alta carga tributária".
“Não existe competitividade quando o empresário brasileiro paga impostos altos e o produto importado entra sem tributação. Isso prejudica empregos, produção nacional e o comércio formal”, afirmou o presidente da frente, deputado Julio Lopes (PP-RJ).
Fim da taxação
A medida foi formalizada em uma Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e em uma portaria do Ministério da Fazenda, com publicação no “Diário Oficial da União” nesta terça-feira (12). Segundo o governo, a isenção entrou em vigor já nesta terça (12).
Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que o fim do imposto deve ter impacto imediato nos preços. Na prática, a medida afeta diretamente compras internacionais feitas em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress.
"O efeito tende a ser imediato, com produtos importados — muitos deles vindos da China — ficando mais baratos sem a incidência desse imposto”, diz Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.
“Isso se soma à valorização do real frente ao dólar, já que grande parte desses produtos é cotada na moeda americana”, acrescenta. Como mostrou o g1, o dólar fechou a R$ 4,89 nesta terça-feira, no menor nível em mais de dois anos, acumulando queda de 10,81% em 2026.
O especialista em comércio exterior Jackson Campos afirma que a medida deve valer para cargas que chegarem ao Brasil já nesta quarta.
“Com o fim do imposto de importação, a cobrança ficará restrita ao ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços]. Com isso, o preço final tende a cair imediatamente. Os e-commerces também vão se ajustar rapidamente para retirar a cobrança no momento da compra”, afirma.
A mudança na prática
Jackson Campos explica o que muda nos cálculos. Veja o detalhamento abaixo.
Como era a cobrança com a taxa das blusinhas
👗 EXEMPLO: uma compra de US$ 50 passava a custar US$ 60 com o imposto de importação de 20%. Depois, com a cobrança de 17% de ICMS sobre esse valor, o total chegava a US$ 72,29 — ou R$ 354 pela cotação do dólar desta terça.
Como fica com o fim da taxa das blusinhas
👗EXEMPLO: sem o imposto de importação de 20%, uma compra de US$ 50 terá apenas a cobrança do ICMS de 17% (ou de 20%, em alguns estados). Como o imposto estadual é calculado “por dentro”, o total da compra será de US$ 60,24 — ou cerca de R$ 295.
🔎 O imposto “por dentro” significa que o ICMS já faz parte do preço final da compra. Por isso, nesse caso, os US$ 50 são divididos por 0,83 — e não apenas acrescidos em 17%. É que o imposto também incide sobre ele mesmo. Assim, o total chega a US$ 60,24.
Ou seja, na prática, um mesmo produto pode cair de R$ 354 para R$ 295 com o fim da taxa das blusinhas.
Impacto para a indústria nacional
O economista-chefe da consultoria Análise Econômica, André Galhardo, avalia que, embora o fim da “taxa das blusinhas” beneficie os consumidores, a medida tende a prejudicar empresas brasileiras.
Segundo ele, o imposto criado em 2024 funcionava como uma proteção para a indústria nacional, especialmente o setor de moda, ao dificultar a entrada de produtos importados mais baratos e estimular o consumo de itens produzidos no Brasil.
“Do ponto de vista macroeconômico, a medida ajudava a defender empregos nacionais e foi relevante para o país”, afirma.
“Não por acaso, países da União Europeia e os próprios Estados Unidos também passaram a taxar remessas de pequeno valor recentemente, justamente para tentar reduzir essa enxurrada de produtos asiáticos baratos, principalmente eletrônicos, roupas e acessórios”, acrescenta.
Empresas brasileiras criticaram a decisão anunciada nesta terça-feira pelo governo e classificaram a medida como um “grave retrocesso econômico” e um “ataque à indústria e ao varejo nacional”. (leia mais abaixo)
Relembre a criação da taxa e a arrecadação
Nos quatro primeiros meses de 2026, o governo arrecadou R$ 1,78 bilhão com imposto de importação sobre encomendas internacionais, segundo a Receita Federal. O valor representa alta de 25% em relação ao mesmo período de 2025 e recorde para o período.
➡️ A taxa das blusinhas entrou em vigor em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional, criando imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 no programa Remessa Conforme.
➡️ Posteriormente, dez estados elevaram o ICMS sobre essas compras de 17% para 20%, com a mudança entrando em vigor em abril do ano passado.
➡️ Na semana passada, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, admitiu que o fim da “taxa das blusinhas” estava em discussão no governo. O imposto foi criado na gestão de Fernando Haddad à frente da pasta.
➡️ A medida era criticada por consumidores por encarecer produtos importados baratos vendidos em plataformas internacionais.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Ricardo Stuckert/PR
Ajuda para contas públicas
O dinheiro arrecadado pela "taxa das blusinhas" ajudava a equipe econômica a buscar as metas para as contas públicas.
Em 2025, por exemplo, a Receita Federal arrecadou R$ 5 bilhões com esse imposto, novo recorde.
Nos quatro primeiros meses deste ano, avançou para R$ 1,78 bilhão, superando o valor registrado no mesmo período do ano passado.
A alta na arrecadação ajuda o governo a tentar atingir a meta fiscal deste ano, que é de um superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões.
De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central.
Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões
O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 63,5 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais).
Com a banda em torno da meta fiscal e abatimentos legais, a previsão oficial do governo é de que suas contas tenham um déficit de quase R$ 60 bilhões neste ano.
Se os números se confirmarem, as contas do governo devem ficar negativas durante todo o terceiro mandato do presidente Lula (PT).
* Com informações da equipe do g1 e da TV Globo em Brasília.
De renda extra a negócio próprio: como transformar uma ideia em uma empresa sua

Guia do empreendedor: Renda extra vs negócio principal
Começar com uma renda extra tem sido o primeiro passo para quem quer empreender e aumentar a renda mensal. Cada vez mais pessoas apostam em ideias simples — como produção de alimentos, prestação de serviços ou vendas on-line — para complementar o orçamento.
Em muitos casos, o que começa como atividade paralela acaba se transformando no negócio principal, com potencial de faturar mais de R$ 5 mil por mês. Mas especialistas alertam que não basta ter uma boa ideia.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
O processo exige validação: é preciso testar o produto, entender se há demanda e ouvir o cliente antes de investir mais dinheiro. Começar pequeno ajuda a reduzir riscos e evitar prejuízos.
Criar um MVP (Minimum Viable Product), ou produto mínimo viável, ajuda a sair do “achismo” e a verificar, na prática, se o negócio tem chances reais de dar certo.
Neste vídeo, o g1 mostra como transformar uma renda extra em negócio principal, com dicas de especialistas sobre planejamento, testes e crescimento sustentável — e explica os principais cuidados para dar esse passo sem comprometer o orçamento.
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O empreendedorismo feminino em SC já representa quase meio milhão de empresas
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Governo estuda medidas para aliviar efeitos da reforma tributária sobre o setor aéreo

Diante de estimativas de que os custos das companhias aéreas podem triplicar caso a reforma tributária para o setor seja mantida nos moldes atuais, o governo federal estuda medidas para reduzir os impactos sobre as empresas e evitar reflexos no preço das passagens aéreas.
🔎Aprovada em 2023 e sancionada em 2025, a Reforma Tributária passa por um período de teste neste ano. A partir de janeiro de 2027, entra em vigor com a substituição do PIS/Cofins pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). A substituição do ICMS e do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) se dará de forma gradual a partir de 2029 até 2033.
A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) estima que a carga tributária do setor seja triplicada, "elevando ainda mais o custo das operações e comprometendo a competitividade das empresas, a demanda e a conectividade do Brasil".
"Hoje, a aviação brasileira possui 60% dos custos atrelados ao dólar, o que representa um cenário desafiador para o crescimento da indústria. O texto da reforma tributária aprovado pelo Congresso pode tornar o cenário ainda mais complexo", afirmaram em nota.
Vídeos em alta no g1
Uma das propostas do governo mira a aviação regional.
A proposta em estudo prevê que o acesso à redução de 40% nas alíquotas do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e CBS, benefício previsto em lei para voos regionais, seja definido com base em toda a malha aérea operada pela companhia, e não apenas em trechos isolados.
Segundo o secretário de Aviação Civil do Ministério de Portos e Aeroportos, Daniel Longo, a ideia é reconhecer que a aviação regional funciona de forma integrada, e não fragmentada.
“Em vez de analisar rota por rota, a ideia é olhar para a malha como um todo. Se a empresa tiver uma operação predominantemente regional, ela poderá acessar o desconto tributário de 40%”, explicou ele, ao g1.
🛫A proposta busca estimular as companhias a ampliarem a regionalização de suas operações.
Pelo modelo em discussão, seriam consideradas empresas aéreas regionais aquelas com pelo menos 50% da oferta de assentos destinada a rotas regionais.
O enquadramento permitiria a aplicação mais ampla do benefício tributário, criando condições para que receitas obtidas em rotas mais rentáveis ajudem a sustentar a expansão e a manutenção de voos em áreas menos atendidas do país.
Imposto seletivo e transporte internacional
Em relação ao imposto seletivo, a proposta em discussão prevê a isenção dos tributos para aeronaves com maior eficiência ambiental.
✈️ A medida busca estimular as companhias aéreas a renovarem suas frotas com modelos mais modernos e menos poluentes.
De acordo com o secretário de Aviação Civil, Daniel Longo, a proposta é que aeronaves que possuem parâmetros mais eficientes, do ponto de vista ambiental, no mercado, sejam isentas do imposto.
Aviões no pátio do Aeroporto de Natal
Alex Régis/Zurich Airport
“Isso para incentivar as empresas aéreas nos processos de renovação de frota a focarem naquelas aeronaves mais modernas e ambientalmente menos poluentes”, explicou Longo.
Segundo ele, o tema vem sendo tratado em conjunto com o Ministério da Fazenda e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
✈️ Em relação aos voos internacionais, o governo analisa uma nota técnica da Anac que pode abrir caminho para a adoção do princípio da reciprocidade na cobrança de tributos.
A proposta busca reconhecer a prevalência dos acordos internacionais de serviços aéreos sobre a legislação tributária brasileira. Na prática, a avaliação é de que esses acordos poderiam afastar a incidência do novo tributo sobre operações internacionais.
MPF pede suspensão imediata do maior leilão de energia da história do Brasil; associação diz que preço da energia deve subir

Torres de transmissão de energia
REUTERS/Manon Cruz
O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça Federal a suspensão imediata dos atos de homologação e assinatura de contratos dos Leilões de Reserva de Capacidade de 2026 (LRCAPs 2026), alegando irregularidades no processo conduzido pelo governo federal.
A ação do MPF se soma a questionamentos apresentados por associações do setor, como a Abraenergias e o Sindienergia-RN, que apontam supostas falhas concorrenciais e impactos tarifários elevados nos LRCAPs 2026.
A Abraenergias afirma que a manutenção dos leilões pode gerar “prejuízo bilionário, estimado em R$ 500 bilhões”, com impacto direto nas tarifas de energia e na economia nacional.
A ação foi apresentada nesta semana e mira diretamente o certame organizado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Segundo o MPF, o modelo adotado para os leilões pode gerar impactos bilionários aos consumidores de energia elétrica, além de favorecer termelétricas movidas a combustíveis fósseis sem justificativa técnica suficiente.
O órgão também questiona a falta de transparência e possíveis falhas nos estudos que embasaram a realização do certame.
Na ação, os procuradores argumentam que os leilões podem comprometer a modicidade tarifária, princípio que busca garantir tarifas mais baixas para os consumidores. Isso pode ocorrer, segundo os procuradores, em caso de contratação de usinas com custo elevado e menos eficientes. O MPF sustenta ainda que há risco de danos ambientais e econômicos caso os contratos avancem antes da análise completa das irregularidades apontadas.
Os LRCAPs são mecanismos utilizados pelo governo para garantir capacidade adicional de geração de energia ao sistema elétrico nacional, especialmente em momentos de maior demanda ou risco de escassez hídrica. O leilão de 2026 prevê a contratação de potência de usinas termelétricas e outros empreendimentos para reforçar a segurança energética do país nos próximos anos.
O MPF pede que a Justiça conceda uma liminar suspendendo imediatamente qualquer homologação dos resultados e a assinatura dos contratos até que sejam esclarecidos os questionamentos levantados na ação.
Entre os pontos citados pelo órgão estão:
possível ausência de estudos técnicos adequados;
risco de aumento nas tarifas de energia;
contratação considerada excessiva de térmicas;
impactos ambientais associados ao aumento do uso de combustíveis fósseis;
violação aos princípios da transparência e da eficiência administrativa.
Maior leilão de energia do Brasil
O Brasil negociou, em leilão no mês de março, 19 gigawatts (GW) em novos contratos para usinas termelétricas e hidrelétricas, garantindo negócios para empresas como Petrobras, Eneva, Axia e Copel. Foi a maior contratação já realizada pelo setor elétrico do país.
Ao todo, 100 empreendimentos, novos e existentes, foram contratados, somando cerca de R$ 64,5 bilhões em investimentos, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) com base em informações das empresas.
A nova capacidade, equivalente a quase 10% do parque instalado atual, busca garantir a segurança no fornecimento de energia já a partir deste ano.
Com o crescimento das energias eólica e solar nos últimos anos, o país passou a precisar também de usinas que possam entrar em operação rapidamente quando houver queda na geração dessas fontes, que variam conforme o clima.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
O leilão viabilizou a recontratação de várias termelétricas já existentes, como Norte Fluminense e Santa Cruz, da Âmbar Energia (do grupo J&F), além de Nova Piratininga, Juiz de Fora, Seropédica, Termomacaé e Termobahia, da Petrobras.
Também foram contratadas usinas flutuantes a gás da turca Karpowership, além de projetos a carvão mineral da Eneva em Itaqui e Pecém.
Na área hidrelétrica, empresas como Axia, Engie Brasil, Copel e a chinesa SPIC garantiram contratos para instalar novas máquinas em usinas já existentes.
Esse foi o maior leilão de geração de energia já realizado no Brasil, tanto em volume quanto em investimentos. O recorde anterior havia sido em 2009, com o leilão da hidrelétrica de Belo Monte, de 11 GW de potência.
Já o único leilão de capacidade realizado até então, em 2021, contratou 4,6 GW e garantiu R$ 5,98 bilhões em investimentos.
*Com informações da Reuters.
Por que encontro entre Trump e Xi deve definir relação entre superpotências por anos

O que esperar do encontro entre Trump e Xi Jinping na China
A segurança na histórica Praça Tiananmen, em Pequim, foi reforçada nos últimos dias, com rumores nas redes sociais sobre um desfile especial ou algum grande evento.
Os preparativos para este grande evento começaram em tom discreto, mas a China parece estar pronta para realizar um espetáculo para receber o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A visita de Estado na quinta e sexta-feira (14 e 15/5) incluirá negociações, um banquete e uma visita ao Templo do Céu, um complexo de templos imperiais onde os imperadores rezavam por boas colheitas.
E tanto Trump quanto o presidente chinês Xi Jinping esperam que a visita dê frutos. Esta cúpula entre os dois líderes mais poderosos do mundo está prevista para ser um dos encontros mais importantes em anos.
Por meses, as relações entre EUA e China foram uma prioridade menor para Trump. Seu foco tem sido a guerra em curso com o Irã, as operações militares no Hemisfério Ocidental e as preocupações domésticas.
Mas tudo isso muda nesta semana. O futuro do comércio global, as crescentes tensões em Taiwan e a competição em tecnologias avançadas estão em jogo.
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Do ponto de vista econômico, a guerra comercial em curso com os EUA e o conflito no Irã podem ser más notícias para Xi, mas ideologicamente e politicamente são um presente, e ele sentirá que está em uma posição de vantagem.
Essa visita pode estabelecer as bases para futuras cooperações — ou conflitos — nos próximos anos.
Um interlocutor do Irã?
Trump e Xi Jinping se encontram em Busan, na Coreia do Sul, nesta quinta-feira (30).
Reuters/Evelyn Hockstein
A China está tentando discretamente agir como pacificadora na guerra, que já está em seu terceiro mês. Pequim se juntou ao Paquistão como mediadora na guerra EUA-Israel contra o Irã.
Autoridades em Pequim e Islamabad apresentaram em março um plano de cinco pontos com o objetivo de estabelecer um cessar-fogo e reabrir o Estreito de Ormuz. E nos bastidores, as autoridades chinesas estão sutilmente incentivando que os iranianos venham para a mesa de negociações.
Não há dúvida, apesar de sua constante demonstração de força, de que a China está ansiosa pelo fim dessa guerra.
A economia chinesa já está enfrentando crescimento mais lento e desemprego maior. O aumento dos preços do petróleo fez subir o custo de itens feitos com petroquímicos, desde têxteis até plásticos. Para alguns produtores na China, os custos aumentaram em 20%.
A China tem reservas de petróleo invejáveis, e a liderança que assumiu em energias renováveis e carros elétricos isolou o país dos piores efeitos da crise de combustível. Mas a guerra está causando mais dor a uma economia desacelerada que depende fortemente de exportações. No entanto, se a China intervier para ajudar os EUA, ainda vai querer algo em troca.
A visita do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, a Pequim na semana passada parecia destinada a mostrar o tipo de influência que a China tem no Oriente Médio.
Os EUA estavam observando de perto. “Espero que os chineses digam a ele o que precisa ser dito”, disse o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. “Que o que você está fazendo no Estreito está fazendo com que você fique globalmente isolado. Você é o vilão aqui.”
Os EUA também tentaram convencer a China a não bloquear uma nova resolução do Conselho de Segurança da ONU condenando os ataques do Irã a navios que tentam transitar por Ormuz, depois que chineses e russos vetaram uma proposta anterior.
“Acho que se vamos trazer o Irã de volta à mesa de negociações de forma duradoura, acho que os EUA reconhecem que a China desempenhará algum papel”, diz Ali Wyne, consultora para relações EUA-China do International Crisis Group.
Trump, por sua vez, parece não se preocupar com a estreita relação da China com Teerã. Embora os EUA tenham recentemente sancionado uma refinaria com sede na China para transportar petróleo iraniano, o presidente minimizou na semana passada qualquer apoio chinês ao Irã durante o conflito.
“É o que é, certo?” ele disse a um jornalista americano. “Também fazemos coisas contra eles.”
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O futuro de Taiwan
Bandeiras dos EUA e de Taiwan são vistas em São Francisco
REUTERS/Stephen Nellis
O governo Trump tem enviado sinais contraditórios quando se trata de Taiwan.
Em dezembro passado, os EUA anunciaram um acordo de armas de US$ 11 bilhões com Taiwan, enfurecendo o governo chinês no processo. Trump, no entanto, minimizou a disposição dos EUA em defender Taiwan, que a China reivindica como seu próprio território.
“Ele considera que é parte da China”, disse Trump sobre Xi, “e isso depende dele, o que ele vai fazer”.
Ele também disse que Taiwan não reembolsa adequadamente os EUA por suas garantias de segurança, acrescentando que “não nos dá nada”. No ano passado, ele impôs uma tarifa de 15% sobre Taiwan e a acusou de ter tirado dos EUA a produção de semicondutores.
Na semana passada, Rubio disse que Taiwan será um tema da visita, embora o objetivo seja garantir que o assunto não se torne uma fonte de nova tensão entre as duas superpotências.
“Não precisamos que nenhum evento desestabilizador ocorra em relação a Taiwan ou a qualquer lugar do Indo-Pacífico”, disse ele. “E eu acho que isso é para o benefício mútuo dos EUA e dos chineses.”
Por sua vez, a China sinalizou que Taiwan é uma prioridade nessas negociações. O ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, disse na semana passada que esperava que os EUA fizessem as “escolhas certas” durante uma ligação com Rubio.
Pequim vem aumentando sua pressão militar enviando aviões de guerra e embarcações navais por Taiwan quase diariamente.
Alguns analistas acreditam que as autoridades chinesas podem estar pressionando por uma mudança de linguagem no texto sobre Taiwan, que foi cuidadosamente redigido em 1982. A política mais recente de Washington é que o país não apoia a independência de Taiwan. Pequim poderia pressionar por palavras mais fortes, como “os EUA se opõem à independência de Taiwan”?
“Eu simplesmente não acho que o presidente Xi aceite isso”, diz John Delury, membro do Centro de Relações EUA-China da Asia Society. “Mesmo que Trump diga algo meio fora do script que pareça alguma capitulação em relação a Taiwan, porque ele não é tão cuidadoso com o uso da linguagem, os chineses sabem que é melhor não dar muito peso a isso, porque ele pode reverter com uma postagem no Truth Social uma semana depois.”
Negociações comerciais críticas
Trump sofreu derrota após tribunal bloquear tarifaço anunciado no começo de abril
Carlos Barria/Reuters
Durante grande parte de 2025, os EUA e a China pareciam estar à beira de uma nova guerra comercial, que poderia abalar as bases da economia global.
Trump repetidamente aumentou e reduziu as tarifas sobre o maior parceiro comercial da América, às vezes atingindo taxas de mais de 100%.
A China respondeu reduzindo as exportações de minerais de terras raras para os EUA e a compra de exportações agrícolas americanas, atingindo agricultores em Estados-chave que votaram em Trump.
A temperatura esfriou consideravelmente desde que Trump e Xi se encontraram cara a cara na Coreia do Sul em outubro passado. A decisão da Suprema Corte de fevereiro que limitou o poder unilateral do presidente sobre tarifas também ajudou a reprimir os instintos comerciais mais voláteis de Trump.
No entanto, Trump e Xi ainda terão muito o que falar durante a cúpula de Pequim. O líder americano pressionará para aumentar as compras chinesas de produtos agrícolas dos EUA.
A China certamente pressionará os EUA a desistirem de uma investigação comercial anunciada recentemente sobre práticas comerciais injustas que poderiam dar a Trump a capacidade de reimpor tarifas mais altas sobre produtos chineses.
Isso será complicado para o lado americano.
“Pode ser difícil para os EUA desistirem das investigações de todas as práticas comerciais chinesas desleais, considerando o quão disseminadas e distorcidas elas ainda são”, diz Michael O'Hanlan, do Instituto Brookings, um think tank com sede em Washington.
O governo Trump também está convidando os CEOs da Nvidia, Apple, Exxon, Boeing e outras grandes empresas para acompanhá-lo nesta visita, de acordo com a Reuters.
Embora a China não dependa mais tanto dos EUA para o comércio quanto durante o primeiro mandato de Trump como presidente, Xi vai querer que este encontro corra bem, já que a China precisa de estabilidade na economia global.
Atualmente, a China é o principal parceiro comercial de mais de 120 países, mas Xi sabe que não pode parecer confiante demais durante a visita de Trump.
“Desde que a visita prossiga sem problemas e Trump conclua que foi tratado com respeito, a calma instável no relacionamento bilateral perdurará. Se, por outro lado, Trump sair se sentindo desrespeitado ou menosprezado, ele poderá mudar de ideia”, diz Ryan Hass, do Instituto Brookings.
O futuro da IA
China anunciou uma série de tarifas sobre produtos dos EUA em retaliação ás tarifas de Trump.
Reuters
A China está em uma corrida para dominar o futuro. Ela está investindo pesadamente em IA e robôs humanoides. Isso faz parte do que Xi descreve como “novas forças produtivas” que ele espera impulsionem a economia da China.
Muitos formuladores de políticas dos EUA, no entanto, acreditam que a política oficial chinesa é cooptar ou roubar completamente a tecnologia dos EUA para promover suas indústrias domésticas. Isso levou a restrições à exportação dos microprocessadores mais recentes, por exemplo, apesar das objeções dos fabricantes americanos.
A resolução bem-sucedida para a espinhosa questão da propriedade e operação chinesas do popular aplicativo de mídia social TikTok foi um raro final feliz para as interações entre EUA e China sobre tecnologia, que frequentemente são assoladas por acusações e suspeitas.
Essa dinâmica está se manifestando na corrida para desenvolver sistemas de IA, talvez o principal novo desenvolvimento tecnológico dos tempos modernos. A questão é complicada por acusações dos EUA de que empresas chinesas como a DeepSeek estão roubando a inteligência artificial americana.
“Um capítulo inicial de uma guerra fria da IA está surgindo”, diz Yingyi Ma, do Brookings Institute.
“A Casa Branca acusou a China de roubo em 'escala industrial' de modelos americanos de IA, enquanto Pequim teria agido para impedir que a Meta adquirisse a Manus, uma startup de IA fundada na China agora com sede em Singapura. A disputa mais profunda não é sobre quem copia qual modelo, mas sobre o talento capaz de construir a próxima geração de IA de ponta.”
Os robôs da China são capazes de dar um espetáculo, fazendo movimentos de Kung Fu e correndo mais rápido do que humanos durante uma maratona em Pequim.
Mas, embora as empresas chinesas pareçam ser hábeis em construir os corpos desses robôs, muitas ainda estão trabalhando na programação do cérebro de suas novas criações. Para construir o que há de melhor, as empresas chinesas precisam de chips de computador de última geração, e eles são fabricados nos EUA.
É aqui que Pequim poderia usar sua influência sobre terras raras, um setor crítico que Trump cobiça abertamente. A China processa cerca de 90% dos minerais de terras raras do mundo, que são essenciais para toda a tecnologia moderna, de smartphones a parques eólicos, passando por motores a jato.
Assim, pode haver um acordo a ser feito. Os EUA podem ter terras raras chinesas em troca de chips de ponta. Isso é uma espécie de "Estreito de Ormuz da China" — ela pode interromper o fornecimento a qualquer momento.
Apesar de todo o terreno de políticas a ser coberto pelas duas partes, a visita de Trump será uma passagem rápida, com reuniões e eventos programados para quinta e sexta-feira.
Pode não haver muito tempo para os dois líderes chegarem a acordos profundos, mas mesmo um encontro tão breve pode definir a trajetória das negociações — e das relações — entre as duas superpotências por muitos anos.
VÍDEOS: mais assistidos do g1
Estudantes com dívidas do Fies podem renegociar contratos a partir desta quarta; descontos chegam a 99%
Prós e contras do Desenrola 2.0 Estudantes com dívidas do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) poderão renegociar o que devem a partir desta quarta-feira (13) A renegociação será no âmbito da nova versão do Desenrola, lancada na última segunda-feira (4) pelo governo federal, e deverá ser feita nos canais de atendimento da Caixa Econômica Federal ou do Banco do Brasil. 🎯A medida não prevê a utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para abatimento das dívidas, como acontece em outras renegociações do Desenrola. 💰De acordo com as regras da renegociação, os contratos em atraso poderão ser quitados com descontos de até 99% sobre o valor total da dívida. O desconto máximo estará disponível para estudantes inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), com dívidas vencidas há mais de 360 dias (veja detalhes abaixo). A expectativa do Ministério da Educação é que mais de 1 milhão de estudantes renegociem suas dívidas. Regras gerais do Desenrola Fies: podem participar estudantes com contratos firmados até 2017; os contratos precisam estar em fase de amortização (com pagamentos iniciados) em 4 de maio de 2026; e a negociação pode ser feita até 31 de dezembro de 2026. O programa oferece condições diferentes dependendo do tempo de atraso e do perfil dos estudantes. Veja: nos contratos com atraso entre 90 e 360 dias, será possível obter desconto de 100% dos juros e das multas e uma redução adicional de 12% sobre o valor principal da dívida nos pagamentos à vista, ou desconto de 100% dos encargos (juros e multas) nos pagamentos parcelados em até 150 vezes; para dívidas com atraso superior a 360 dias, estudantes que não estão inscritos no CadÚnico poderão conseguir desconto de até 77% do valor total da dívida, os que estão inscritos no CadÚnico poderão ter desconto de até 99%. Nos dois casos, será preciso liquidar integralmente o saldo devedor; os estudantes com os contratos em dia ou com atrasos de até 90 dias poderão ter desconto de 12% do valor consolidado da dívida nos pagamentos à vista. Ainda segundo as regras do programa, o não pagamento de três parcelas consecutivas ou de cinco alternadas da dívida renegociada resultará na suspensão do desconto. Nessas situações, o valor correspondente ao desconto será reincorporado ao saldo devedor do financiamento. Dividas somaram mais de R$ 90 bilhões De acordo com dados do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, encaminhado pelo governo federal ao Congresso Nacional em abril, as dívidas do Fies alcançaram R$ 90 bilhões no fim do ano passado. Desse total, R$ 61 bilhões estão relacionados a débitos vencidos há mais de um ano.
'Taxa das blusinhas’: o que muda com o fim do imposto sobre compras internacionais de até US$ 50

O que é a 'taxa das blusinhas', que Lula cancelou após quase dois anos?
O governo federal anunciou o fim da chamada taxa das blusinhas, nome dado ao imposto de importação de 20% cobrado sobre compras internacionais de até US$ 50 feitas por meio do programa Remessa Conforme.
A iniciativa foi formalizada em uma Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e em uma portaria do Ministério da Fazenda, divulgadas no “Diário Oficial da União” nesta terça-feira (12). A isenção entrou em vigor após a publicação.
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Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que o fim do imposto deve ter impacto imediato nos preços. Na prática, a medida afeta diretamente compras internacionais feitas em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress.
"O efeito tende a ser imediato, com produtos importados — muitos deles vindos da China — ficando mais baratos sem a incidência desse imposto”, diz Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.
“Isso se soma à valorização do real frente ao dólar, já que grande parte desses produtos é cotada na moeda americana”, acrescenta. Como mostrou o g1, o dólar fechou a R$ 4,89 nesta terça-feira, no menor nível em mais de dois anos, acumulando queda de 10,81% em 2026.
O especialista em comércio exterior Jackson Campos afirma que a medida deve valer para cargas que chegarem ao Brasil já nesta quarta.
“Com o fim do imposto de importação, a cobrança ficará restrita ao ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços]. Com isso, o preço final tende a cair imediatamente. Os e-commerces também vão se ajustar rapidamente para retirar a cobrança no momento da compra”, afirma.
A mudança na prática
Jackson Campos explica o que muda nos cálculos. Veja o detalhamento abaixo.
Como era a cobrança com a taxa das blusinhas
👗 EXEMPLO: uma compra de US$ 50 passava a custar US$ 60 com o imposto de importação de 20%. Depois, com a cobrança de 17% de ICMS sobre esse valor, o total chegava a US$ 72,29 — ou R$ 354 pela cotação do dólar desta terça.
Como fica com o fim da taxa das blusinhas
👗EXEMPLO: sem o imposto de importação de 20%, uma compra de US$ 50 terá apenas a cobrança do ICMS de 17% (ou de 20%, em alguns estados). Como o imposto estadual é calculado “por dentro”, o total da compra será de US$ 60,24 — ou cerca de R$ 295.
🔎 O imposto “por dentro” significa que o ICMS já faz parte do preço final da compra. Por isso, nesse caso, os US$ 50 são divididos por 0,83 — e não apenas acrescidos em 17%. É que o imposto também incide sobre ele mesmo. Assim, o total chega a US$ 60,24.
Ou seja, na prática, um mesmo produto pode cair de R$ 354 para R$ 295 com o fim da taxa das blusinhas.
Impacto para a indústria nacional
O economista-chefe da consultoria Análise Econômica, André Galhardo, avalia que, embora o fim da “taxa das blusinhas” beneficie os consumidores, a medida tende a prejudicar empresas brasileiras.
Segundo ele, o imposto criado em 2024 funcionava como uma proteção para a indústria nacional, especialmente o setor de moda, ao dificultar a entrada de produtos importados mais baratos e estimular o consumo de itens produzidos no Brasil.
“Do ponto de vista macroeconômico, a medida ajudava a defender empregos nacionais e foi relevante para o país”, afirma.
“Não por acaso, países da União Europeia e os próprios Estados Unidos também passaram a taxar remessas de pequeno valor recentemente, justamente para tentar reduzir essa enxurrada de produtos asiáticos baratos, principalmente eletrônicos, roupas e acessórios”, acrescenta.
Empresas brasileiras criticaram a decisão anunciada nesta terça-feira pelo governo e classificaram a medida como um “grave retrocesso econômico” e um “ataque à indústria e ao varejo nacional”. (leia mais abaixo)
Relembre a criação da taxa e a arrecadação
Nos quatro primeiros meses de 2026, o governo arrecadou R$ 1,78 bilhão com imposto de importação sobre encomendas internacionais, segundo a Receita Federal. O valor representa alta de 25% em relação ao mesmo período de 2025 e recorde para o período.
➡️ A taxa das blusinhas entrou em vigor em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional, criando imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 no programa Remessa Conforme.
➡️ Posteriormente, dez estados elevaram o ICMS sobre essas compras de 17% para 20%, com a mudança entrando em vigor em abril do ano passado.
➡️ Na semana passada, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, admitiu que o fim da “taxa das blusinhas” estava em discussão no governo. O imposto foi criado na gestão de Fernando Haddad à frente da pasta.
➡️ A medida era criticada por consumidores por encarecer produtos importados baratos vendidos em plataformas internacionais.
O que muda com o fim da ‘taxa das blusinhas’
Empresas brasileiras criticam fim da taxa
A Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) classificou a medida como um “grave retrocesso econômico” e um “ataque direto à indústria e ao varejo nacional”.
Segundo a entidade, o fim da tributação prejudica empresas brasileiras, especialmente micros e pequenas companhias, que "investem e sustentam a arrecadação do país".
"É inadmissível que, enquanto o setor produtivo nacional enfrenta uma das maiores cargas tributárias do mundo, juros elevados, custos operacionais crescentes e um ambiente regulatório extremamente complexo, empresas internacionais continuem recebendo privilégios artificiais para avançar sobre o mercado brasileiro", afirmou a associação.
Em nota, a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e Combate à Pirataria (FPI) disse que a medida “enfraquece a indústria nacional” e "amplia a concorrência desleal com empresas brasileiras, que seguem submetidas a uma alta carga tributária".
“Não existe competitividade quando o empresário brasileiro paga impostos altos e o produto importado entra sem tributação. Isso prejudica empregos, produção nacional e o comércio formal”, afirmou o presidente da frente, deputado Julio Lopes (PP-RJ).
Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou ser um "retrocesso" e uma decisão que amplia a desigualdade entre empresas nacionais e estrangeiras.
“Permitir a entrada de importações de até 50 dólares sem tributação é o mesmo que financiar a indústria de países como a China, principal exportador de produtos de baixo valor para o Brasil, especialmente no setor têxtil. O prejuízo é direto a quem fabrica e comercializa em território brasileiro”, afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Ricardo Stuckert/PR
Ajuda para contas públicas
O dinheiro arrecadado pela "taxa das blusinhas" ajudava a equipe econômica a buscar as metas para as contas públicas.
Em 2025, por exemplo, a Receita Federal arrecadou R$ 5 bilhões com esse imposto, novo recorde.
Nos quatro primeiros meses deste ano, avançou para R$ 1,78 bilhão, superando o valor registrado no mesmo período do ano passado.
A alta na arrecadação ajuda o governo a tentar atingir a meta fiscal deste ano, que é de um superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões.
De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central.
Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões
O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 63,5 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais).
Com a banda em torno da meta fiscal e abatimentos legais, a previsão oficial do governo é de que suas contas tenham um déficit de quase R$ 60 bilhões neste ano.
Se os números se confirmarem, as contas do governo devem ficar negativas durante todo o terceiro mandato do presidente Lula (PT).
* Com informações da equipe do g1 e da TV Globo em Brasília.
Taxa das blusinhas: imposto revogado por Lula arrecadou mais de R$ 9 bi em menos de dois anos

O que é a 'taxa das blusinhas', que Lula cancelou após quase dois anos?
O governo federal arrecadou cerca de R$ 9,6 bilhões em imposto de importação com as encomendas internacionais nos quase três anos em que a medida esteve em vigor.
Nesta terça-feira (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou o fim da chamada taxa das blusinhas. A mudança foi viabilizada por uma medida provisória assinada por Lula e por um decreto regulamentando a medida pelo Ministério da Fazenda.
➡️ A "taxa das blusinhas", termo usado para se referir ao programa Remessa Conforme, é uma alíquota de 20% em imposto de importação sobre as encomendas internacionais com valores abaixo de US$ 50.
A cobrança foi iniciada em agosto de 2024, após aprovação de uma lei pelo Congresso Nacional, que foi sancionada por Lula. Empresas brasileiras que competem com os produtos importados defendiam a manutenção da taxa.
🔎 A taxação foi uma resposta do governo e do Congresso a um pedido de segmentos da indústria nacional, após o aumento das compras digitais durante a pandemia, e diante da diferença de carga tributária entre produtos nacionais e os importados nas plataformas online.
O argumento era de que havia desigualdade tributária entre os produtos vendidos no Brasil e os itens importados comercializados por marketplaces estrangeiros. No período, a taxação rendeu aos cofres públicos R$ 2,88 bilhões.
Embora tenha sancionado, o presidente Lula classificou a medida como “irracional”.
Apenas nos primeiros quatro meses deste ano, a cobrança arrecadou quase R$ 1,8 bilhão aos cofres públicos.
O valor representa um crescimento de 25% em relação ao mesmo período de 2025, quando a arrecadação somou R$ 1,43 bilhão. O valor é um recorde para o período.
No acumulado de 2025, a Receita Federal arrecadou R$ 5 bilhões com o imposto.
Pacotes de roupas em uma fábrica da Shein em Guangzhou, província de Guangdong, China, em 1º de abril de 2025.
Reuters
Ao anunciar a revogação da medida nesta terça-feira (12), o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou que a taxação ajudou a regularizar o setor e combater irregularidades nas importações.
“Foi um avanço importante, lembrando que isso só foi possível depois de um avanço muito significativo para regularizar o setor e combater o contrabando, que era uma marca presente nesse segmento”, declarou Ceron em entrevista coletiva no Palácio do Planalto.
Segundo ele, o fim da cobrança deve beneficiar principalmente a população de menor renda, que utiliza plataformas internacionais para adquirir produtos de uso cotidiano a preços mais baixos.
Ajuda para contas públicas
A "taxa das blusinhas" também rendeu recursos aos cofres públicos, ajudando a equipe econômica a buscar as metas para as contas públicas.
A alta na arrecadação ajuda o governo a tentar atingir a meta fiscal deste ano, que é de um superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões.
De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central.
Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões.
O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 63,5 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais).
Com a banda em torno da meta fiscal e abatimentos legais, a previsão oficial do governo é de que suas contas tenham um déficit de quase R$ 60 bilhões neste ano.
Se os números se confirmarem, as contas do governo devem ficar negativas durante todo o terceiro mandato do presidente Lula.
Mega-Sena acumula e prêmio vai a R$ 60 milhões; veja números do concurso 3.007

Mega-Sena, concurso 3.007: confira os números sorteados
O sorteio do concurso 3.007 da Mega-Sena foi realizado na noite desta terça-feira (12), em São Paulo. O prêmio para as apostas que acertassem as seis dezenas era de R$ 50.2 milhões. Ninguém levou a faixa principal, e o prêmio acumulou para R$ 60 milhões.
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Veja os números sorteados: 17 - 19 - 27 - 32 - 38 - 44
5 acertos: 89 apostas ganhadoras, R$ 23.778,68
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O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
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A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados.
Para apostar na Mega-Sena
Resultado do concurso 3007 da Mega-Sena.
Reprodução / Caixa
A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
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Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Como funciona a Mega-Sena?
O que é a 'taxa das blusinhas', que Lula cancelou após quase dois anos?

Governo anuncia fim da taxa das blusinhas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta terça-feira (12) o fim da chamada taxa das blusinhas. A medida passa a valer na quarta-feira (12).
➡️ A "taxa das blusinhas", termo usado para se referir ao programa Remessa Conforme, é uma alíquota de 20% em imposto de importação sobre as encomendas internacionais com valores abaixo de US$ 50 — a cobrança foi iniciada em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional.
A partir de quarta as compras até este valor não pagarão imposto, de acordo com o Rogério Ceron, secretário-executivo do Ministério da Fazenda. A mudança foi realizada em uma Medida Provisória (MP) que será publicada no "Diário Oficial da União".
Medida durou quase dois anos
A cobrança foi iniciada em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional e sancionada por Lula. Empresas brasileiras que competem com os produtos importados defendiam a manutenção da taxa.
Apenas nos quatro primeiros meses de 2026, o governo arrecadou R$ 1,78 bilhão em imposto de importação com as encomendas internacionais, segundo a Secretaria da Receita Federal.
Isso representa um crescimento de 25% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando somou R$ 1,43 bilhão. Também representa novo recorde para janeiro a abril.
➡️ Em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional, o governo passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, que até então estavam isentas para empresas dentro do programa Remessa Conforme.
Aliexpress, Shein, Shopee e outras lojas afetadas
Além do imposto de importação, dez estados elevaram sua tributação, por meio do ICMS, também para 20%, com validade em abril do ano passado.
🔎 A taxação foi uma resposta do governo e do Congresso a um pedido de segmentos da indústria nacional, após o aumento das compras digitais durante a pandemia, e diante da diferença de carga tributária entre produtos nacionais e os importados nas plataformas online.
➡️ À época, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o texto aprovado pelo Legislativo, apesar de ter classificado a decisão como "irracional". A medida foi defendida pela indústria brasileira.
➡️ Na última semana, entretanto, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, admitiu que o fim da chamada "taxa das blusinhas" está em discussão dentro do governo.
"Hoje oposição tem trazido o tema de volta. Dentro do governo, há ministros que defendem que reveja [a taxa das blusinhas]. A gente tem que fazer o debate racional. Eu não tenho tabu em relação aos temas, desde que a gente preserve os avanços que a gente atingiu. O programa Remessa Conforme é algo que eu não abro mão. Está sendo discutido [o fim da taxa das blusinhas]", declarou Durigan.
➡️ Controversa, a "taxa das blusinhas" é reprovada por parte dos consumidores brasileiros principalmente por encarecer produtos populares de baixo valor e reduzir a atratividade de plataformas internacionais. Críticos argumentam que turistas de viagens internacionais têm vantagem ao não recolher o tributo.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Ricardo Stuckert/PR
Lula acaba com taxa das blusinhas; compras internacionais de até US$ 50 não pagarão imposto federal

Governo anuncia fim da taxa das blusinhas; compras internacionais de até U$ 50 deixam de pagar imposto federal
O governo federal anunciou o fim da chamada taxa das blusinhas. O termo é utilizado para se referir ao imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, cobrado através do programa Remessa Conforme.
A mudança, feita a menos de cinco meses das eleições, será formalizada em uma Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e regulamentada por uma portaria do Ministério da Fazenda.
As medidas foram publicadas em edição extra do "Diário Oficial da União" (DOU).
"A isenção de impostos federais será formalizada em portaria ministerial e publicada na mesma edição do Diário Oficial da União que traz a MP ainda na noite desta terça-feira, dia 12, e passa a valer a partir da quarta-feira, dia 13", informou o governo.
A medida não muda regras do ICMS, um imposto estadual que também é cobrado nessas compras. Em abril, dez estados elevaram a alíquota do ICMS para essas compras de 17% para 20%.
"Temos a satisfação de anunciar que foi zerado a tributação sobre a importação, a famosas taxa das blusinhas. Ela foi zerada a partir de hoje. Presidente,todas as compras até US$50 para pessoas físicas estão com tributo zerado. Então, é um avanço importante", afirmou a ministra Miriam Belchior.
A cobrança foi iniciada em agosto de 2024, após aprovação de uma lei pelo Congresso Nacional, que foi sancionada por Lula. Empresas brasileiras que competem com os produtos importados defendiam a manutenção da taxa.
🔎 A taxação foi uma resposta do governo e do Congresso a um pedido de segmentos da indústria nacional, após o aumento das compras digitais durante a pandemia, e diante da diferença de carga tributária entre produtos nacionais e os importados nas plataformas online.
Governo abre mão de arrecadação
Apenas nos quatro primeiros meses de 2026, o governo arrecadou R$ 1,78 bilhão em imposto de importação com as encomendas internacionais, segundo a Secretaria da Receita Federal.
Isso representa um crescimento de 25% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando somou R$ 1,43 bilhão. Também representa novo recorde para janeiro a abril.
➡️ Em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional, o governo passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, que até então estavam isentas para empresas dentro do programa Remessa Conforme.
Além do imposto de importação, dez estados elevaram sua tributação, por meio do ICMS, também para 20%, com validade em abril do ano passado.
➡️ À época, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o texto aprovado pelo Legislativo, apesar de ter classificado a decisão como "irracional". A medida foi defendida pela indústria brasileira.
➡️ Na última semana, entretanto, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, admitiu que o fim da chamada "taxa das blusinhas" estava em discussão dentro do governo.
"Hoje oposição tem trazido o tema de volta. Dentro do governo, há ministros que defendem que reveja [a taxa das blusinhas]. A gente tem que fazer o debate racional. Eu não tenho tabu em relação aos temas, desde que a gente preserve os avanços que a gente atingiu. O programa Remessa Conforme é algo que eu não abro mão. Está sendo discutido [o fim da taxa das blusinhas]", declarou Durigan.
➡️ Controversa, a "taxa das blusinhas" é reprovada por parte dos consumidores brasileiros principalmente por encarecer produtos populares de baixo valor e reduzir a atratividade de plataformas internacionais. Críticos argumentam que turistas de viagens internacionais têm vantagem ao não recolher o tributo.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Ricardo Stuckert/PR
Empresas brasileiras defendem o imposto
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que mudança "será prejudicial à indústria brasileira e ao desenvolvimento econômico do país".
“Permitir a entrada de importações de até 50 dólares sem tributação é o mesmo que financiar a indústria de países como a China, principal exportador de produtos de baixo valor para o Brasil, especialmente no setor têxtil. O prejuízo é direto a quem fabrica e comercializa em território brasileiro”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
A Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) disse que a medida é um "grave retrocesso econômico e um ataque direto à indústria, ao varejo nacional".
"Ao abrir mão da tributação das plataformas estrangeiras, o governo escolhe penalizar as empresas brasileiras, especialmente as micros e pequenas, que produzem, empregam, investem e sustentam a arrecadação do país. É inadmissível que, enquanto o setor produtivo nacional enfrenta uma das maiores cargas tributárias do mundo, juros elevados, custos operacionais crescentes e um ambiente regulatório extremamente complexo, empresas internacionais continuem recebendo privilégios artificiais para avançar sobre o mercado brasileiro", afirmou a associação.
Em nota, a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e Combate à Pirataria (FPI) disse que "a medida enfraquece a indústria nacional e amplia a concorrência desleal com empresas brasileiras, que seguem submetidas a uma alta carga tributária".
“Não existe competitividade quando o empresário brasileiro paga impostos altos e o produto importado entra sem tributação. Isso prejudica empregos, produção nacional e o comércio formal”, afirmou o presidente da frente, deputado Julio Lopes (PP-RJ).
Ajuda para contas públicas
O dinheiro arrecadado pela "taxa das blusinhas" ajudava a equipe econômica a buscar as metas para as contas públicas.
Em 2025, por exemplo, a Receita Federal arrecadou R$ 5 bilhões com esse imposto, novo recorde.
Nos quatro primeiros meses deste ano, avançou para R$ 1,78 bilhão, superando o valor registrado no mesmo período do ano passado.
A alta na arrecadação ajuda o governo a tentar atingir a meta fiscal deste ano, que é de um superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões.
De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central.
Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões
O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 63,5 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais).
Com a banda em torno da meta fiscal e abatimentos legais, a previsão oficial do governo é de que suas contas tenham um déficit de quase R$ 60 bilhões neste ano.
Se os números se confirmarem, as contas do governo devem ficar negativas durante todo o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Impacto nos Correios
A cobrança do imposto também causou impacto nos Correios. A participação das receitas com a distribuição de encomendas internacionais nas contas dos Correios caiu de 22% em 2023 para 7,8% em 2025, segundo as demonstrações financeiras da estatal.
A queda está relacionada à criação do programa Remessa Conforme, do Ministério da Fazenda, que encerrou o monopólio dos Correios na distribuição de encomendas internacionais no Brasil e reduziu a receita da empresa nos últimos dois anos.
Em 2024, a estatal tinha registrado uma receita de R$ 3,9 bilhões com encomendas internacionais, já com uma redução de R$ 530 milhões para 2023.
Em 2025 o valor caiu para R$ 1,3 bilhão, com uma redução de R$ 2,6 bilhões em relação ao ano anterior.
Um documento produzido pela Diretoria Econômico-Financeira (Diefi) da instituição aponta que a criação do programa "Remessa Conforme" escancarou os problemas econômico-financeiros da empresa.
"A redução da participação de mercado no segmento de encomendas internacionais, que até agosto de 2024 representava uma espécie de “monopólio” para os Correios, evidenciou a ausência de reposicionamento negocial da Empresa, diante das transformações do comportamento da sociedade", afirmou o documento assinado pela diretora Loiane de Carvalho Bezerra de Macedo.
Escala 6x1: Durigan diz que é 'radicalmente contra' compensar empresas em caso de redução de jornada

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que é "radicalmente contra" compensar o setor produtivo caso prospere alguma das proposições no Congresso que preveem o fim da escala 6x1. Para ele, "a titularidade da hora do trabalho não é do empregador".
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, em audiência na comissão especial da Câmara dos Deputados
Renato Araújo/Câmara dos Deputados
"A gente tem tratado da 6x1, com redução de horas trabalhadas na semana, sem redução de salário, e muita gente fala em indenização, em compensação. Eu sou radicalmente contra isso”, afirmou Durigan, que participa de audiência na Câmara dos Deputados sobre o tema.
“Não cabe indenização. Quando a gente reconhece ganhos geracionais, isso não é só Brasil que faz, isso é um debate mundial, outros países fazem, fazem melhor que a gente e fizeram há muitos anos e não coube indenização para quem não é o titular da hora de trabalho”, argumentou o ministro.
Vídeos em alta no g1
Propostas em debate
A comissão especial está discutindo duas PECs:
uma proposta pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) no ano passado, que prevê a redução da jornada de trabalho para quatro dias por semana, com prazo de 360 dias para entrada em vigor da nova regra;
a segunda PEC é de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e foi apresentada em 2019. O texto reduz a jornada de trabalho a 36 horas semanais, com prazo de 10 anos para entrada da norma em vigor.
🔎 Paralelamente, o governo Lula apresentou um projeto de lei — instrumento diferente de uma PEC e que não altera a Constituição – que prevê a redução do limite de jornada de trabalho semanal para 40 horas e reduz a escala de 6 para 5 dias de trabalho, com dois dias de descanso remunerado.
Representantes do setor produtivo consideram que a redução da jornada de trabalho implica aumento de custos para o empregador, com prejuízos à competitividade das empresas e impactos sobre a geração de novas vagas.
Na avaliação de economistas, o debate no governo federal e no Congresso Nacional precisa ser acompanhado de discussões sobre ganhos de produtividade que, segundo eles, virão principalmente com o aumento da qualificação dos trabalhadores, inovação e investimentos em melhorias em infraestrutura e logística.
Governo recebe com 'surpresa' veto a carnes brasileiras pela UE e tentará reverter decisão

União Europeia veta importações de carne e produtos de origem animal do Brasil
O governo disse que recebeu com "surpresa" a retirada do Brasil da lista de países que podem exportar carnes e produtos de origem animal para a União Europeia. Em nota conjunta, os Ministérios da Agricultura, do Comércio Exterior e das Relações Exteriores disseram que vão tentar reverter a decisão.
"O Governo do Brasil tomará prontamente todas as medidas necessárias para reverter essa decisão, voltar à lista de países autorizados, e garantir o fluxo de vendas desses produtos para o mercado europeu, para o qual exporta há 40 anos", diz o comunicado.
➡️ A lista define quais países cumprem as normas sanitárias do bloco e poderão continuar exportando carne e outros produtos de origem animal para a Europa a partir de 3 de setembro.
O chefe da Delegação do Brasil junto à União Europeia realizará uma reunião com as autoridades sanitárias da União Europeia na quarta-feira (13), para discutir o assunto, informou a nota.
Segundo a UE, o Brasil foi excluído por não fornecer garantias sobre a não utilização de antimicrobianos na pecuária, informou a agência de notícias France Presse. Outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, seguem autorizados.
➡️ Antimicrobianos são substâncias usadas para tratar e prevenir infecções em animais. Alguns desses medicamentos também podem funcionar como promotores de crescimento.
O governo brasileiro afirma que o país possui um "sistema sanitário robusto e de qualidade internacional reconhecida".
Sem União Europeia, Brasil pode deixar de exportar quase US$ 2 bilhões em carnes
Em entrevista à agência Lusa, a porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Eva Hrncirova, confirmou que o Brasil não está na lista e poderá deixar "de exportar para a UE mercadorias como bovinos, equinos, aves, ovos, aquicultura, mel e invólucros".
A lista foi publicada nessa terça-feira (12), mas passará a ter efeito legal quando a UE publicá-la em seu diário oficial.
De acordo com a porta-voz da UE, para voltar à lista, "o Brasil deve garantir o cumprimento dos requisitos da União relativos à utilização de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais dos quais provêm os produtos exportados".
"Assim que a conformidade for demonstrada, a UE poderá autorizar ou retomar as exportações", afirmou, acrescentando que o bloco vem colaborando com as autoridades brasileiras sobre o tema.
Na lista de 2024, o Brasil aparecia como autorizado a exportar carne bovina, de frango e de cavalo, além de tripas, peixe e mel.
Veto da UE à carne do Brasil: veja perguntas e respostas sobre a decisão
Proibição de antimicrobianos
A União Europeia proíbe os antimicrobianos que são utilizados também para crescimento dos animais, explica Leonardo Munhoz, pesquisador do Centro de Bioeconomia da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
São eles:
virginiamicina;
avoparcina;
cacitracina;
tilosina;
espiramicina;
avilamicina.
Em abril, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria que proíbe a importação, fabricação, comercialização e uso de alguns antimicrobianos usados como melhoradores de desempenho, incluindo avoparcina e virginiamicina.
Para voltar à lista da UE, o Brasil tem dois caminhos: restringir legalmente o uso dos demais medicamentos mencionados ou garantir que a carne exportada não contenha essas substâncias.
A segunda opção não é fácil de aplicar, pois depende da rastreabilidade do produto, é mais demorada e custosa, aponta Munhoz.
Assim que for comprovado que a pecuária brasileira não usa esses antimicrobianos, o país poderá voltar a exportar, mesmo que isso ocorra após setembro.
Segundo o pesquisador, já se sabia que a União Europeia planejava essas restrições desde 2019.
"Gera preocupação relevante para o agro porque a União Europeia é um mercado estratégico para proteínas animais e porque essas exigências podem impactar rastreabilidade, certificação sanitária e compliance exportador", afirma o pesquisador.
A União Europeia é o terceiro maior destino da carne bovina brasileira em valor exportado, depois de China e Estados Unidos, segundo dados do Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura. Para carnes em geral, o bloco é o segundo maior mercado, atrás da China.
O que diz o setor
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) disse que o Brasil segue "plenamente habilitado a exportar carne bovina ao mercado europeu" e que "o eventual impedimento às exportações somente ocorrerá caso as garantias e adequações requeridas pelas autoridades europeias não sejam apresentadas até a data estabelecida".
"O setor privado tem trabalhado em parceria com o Ministério da Agricultura na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias [...]. Há, inclusive, previsão de missão europeia ao Brasil no segundo semestre para avanço e conclusão desse processo técnico."
"A carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios dos principais mercados internacionais, com rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente. Atualmente, o Brasil exporta para mais de 170 países, sustentado por um dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo", destacou a entidade.
Já a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) disse que, com o apoio do governo, "prestará todos os esclarecimentos necessários à União Europeia"
"É importante enfatizar: o Brasil cumpre integralmente todos os requisitos da União Europeia, inclusive no que tange aos regulamentos sobre antimicrobianos. É o que o Brasil demonstrará às autoridades sanitárias europeias."
"O setor brasileiro reforça que o país possui estruturas sanitárias e de controle produtivo robustas, com rígidos protocolos de rastreabilidade, monitoramento veterinário e uso responsável de medicamentos, em linha com referências internacionais de saúde animal e segurança dos alimentos", destacou a ABPA.
O presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), Renato Azevedo, afirmou ao g1 que a notícia "pegou de surpresa" o setor. "Entendo que isso é algo político, visto que há uma grande pressão dos europeus para barrar produtos brasileiros depois do acordo do Mercosul", afirmou.
"Para o mel, é totalmente descabido falar em risco de uso excessivo de antibióticos, considerando que o Brasil é o principal produtor de mel orgânico do mundo", destacou Azevedo.
A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abepesca), por sua vez, diz que não exporta para UE desde 2016.
A Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) disse que a medida é preocupante, principalmente "considerando que o Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia entrou em vigor no início deste mês".
A entidade irá buscar participar dos diálogos com autoridades europeias para reverter a medida.
Vietnã habilitou frigorífico de MS para exportar carne bovina.
Reprodução
Comissão de Segurança da Câmara aprova projeto que autoriza uso do FGTS para comprar arma de fogo

Projeto autoriza uso do FGTS para comprar armas
A Comissão de Segurança Pública da Câmara aprovou nesta terça-feira (12) um projeto que autoriza o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviços (FGTS) para comprar armas de fogo.
O projeto foi aprovado em cerca de um minuto, sem discussão dos parlamentares.
A proposta agora seguirá para as comissões de Finanças e Tributação, de Trabalho e Constituição e Justiça. Como tramita em regime conclusivo pelos colegiados, o projeto pode ir direto ao Senado, sem passar pelo plenário, caso não haja recurso.
Educação Financeira: saiba o que é o FGTS e como ele funciona
Saque no dia de aniversário
O texto é de autoria do deputado Marcos Pollon (PL-MS) e foi relatado na comissão pelo deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP), que se posicionou favorável à proposta.
O texto autoriza o saque de contas vinculadas ao fundo por trabalhador ativo para compra de armas.
O valor do saque deverá ser igual ao preço da arma, da cota anual de munições correspondentes à arma adquirida e acessórios essenciais à sua guarda segura do armamento.
Projeto de Lei quer permitir usar o saldo do FGTS para comprar armas e munições.
Adobe Stock
Segundo a proposta, o saque poderá ser feito todos os anos no dia do aniversário do trabalhador ou no dia útil subsequente.
Para sacar o dinheiro, o trabalhador precisará apresentar uma autorização válida para compra da arma e comprovante de regularidade nos sistemas de controle da Polícia Federal ou do Exército.
A proposta não amplia as regras do saque-aniversário, mas cria uma mobilidade de saque que usa a data do aniversário do trabalhador como referência para a nova lei.
A proposta também estabelece que o trabalhador precisará cumprir todas as exigências previstas na legislação atual, como comprovação de capacidade técnica e psicológica, além da ausência de antecedentes criminais.
FGTS é um seguro para o trabalhador.
Stephanie Fonseca/g1
O autor do projeto argumenta que o alto custo para aquisição de armas legalizadas dificulta o acesso da população de baixa renda. O FGTS foi criado para proteger o trabalhador em situações específicas, como demissão sem justa causa, aposentadoria, doenças graves e compra da casa própria.
Críticos da proposta questionam o uso do fundo para aquisição de armamentos e defendem que os recursos mantenham a finalidade original de proteção social.
O que é o FGTS e como funciona
O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) é um direito do trabalhador com carteira assinada e só pode ser sacado mediante condições específicas, como compra da casa própria ou na aposentadoria.
Enquanto ele não é retirado pelo trabalhador, fica depositado na Caixa Econômica Federal, com rendimento geralmente abaixo da poupança, e é usado em programas de habitação, por exemplo.
Consumo de vinho no Brasil bate recorde em 2025 e avança na contramão do mercado global

O Brasil foi um dos poucos destaques positivos no mercado mundial de vinhos em 2025. Enquanto o consumo global recuou 2,7%, o país registrou o maior volume de consumo de sua história, segundo estimativas divulgadas nesta terça-feira (12) pela Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV).
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Segundo maior mercado da América do Sul, o Brasil consumiu 4,4 milhões de hectolitros no ano passado. Um hectolitro equivale a 100 litros. O resultado representa um aumento de 41,9% em relação a 2024, quando o consumo havia sido excepcionalmente baixo.
No mundo, o consumo de vinho somou 208 milhões de hectolitros em 2025. De acordo com a OIV, as compras globais vêm encolhendo de forma contínua e já acumulam queda de 14% desde 2018.
Entre os principais mercados, a tendência foi predominantemente de retração. Na Argentina, o consumo caiu pelo quinto ano seguido, recuando 2,6% em relação a 2024, para 7,5 milhões de hectolitros.
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Entre os dez maiores consumidores do mundo, apenas Portugal apresentou crescimento no ano passado, impulsionado pela demanda interna.
Segundo a OIV, a redução do consumo reflete mudanças nos hábitos dos consumidores e, desde a pandemia de covid-19, também a perda de poder de compra das famílias e o aumento dos custos e dos preços.
Três países tiveram papel importante nesse movimento: Estados Unidos, França e China.
Os Estados Unidos, que durante muitos anos lideraram o mercado mundial de vinhos, reduziram o consumo em 4,3% em 2025, para 31,9 milhões de hectolitros.
Na França, principal mercado da União Europeia, a queda foi de 3,2%, para 22 milhões de hectolitros, mantendo uma trajetória de redução observada há várias décadas.
Na União Europeia, responsável por 48% do consumo global, a Itália também registrou retração, de 9,4%, para 20,2 milhões de hectolitros. Alemanha e Espanha seguiram a mesma tendência.
Ao lado do Brasil, o Japão esteve entre os poucos países que apresentaram aumento no consumo de vinho em 2025.
A China, por sua vez, perdeu posições no ranking mundial. Atualmente, é o 11º maior consumidor de vinho, depois de ocupar a sexta colocação em 2020. Desde 2018, o país vem reduzindo suas compras de forma contínua.
Brasil também amplia área de vinhedos
O avanço brasileiro não se limitou ao consumo. O país também ampliou a área dedicada ao cultivo de uvas para vinho, em contraste com a tendência de retração observada em diversos produtores internacionais.
A Espanha, que possui a maior área de vinhedos do mundo, somava 919 mil hectares em 2025, uma redução de 1,3% em relação ao ano anterior.
Na América do Sul, a Argentina manteve a trajetória de queda iniciada em 2015 e encerrou 2025 com 196 mil hectares, 1,9% abaixo do registrado em 2024.
O Chile também continuou encolhendo sua área cultivada. Em 2025, os vinhedos do país ocuparam 154 mil hectares, uma queda de 3,7% no ano. Desde 2019, a área total recuou 27%.
Na direção oposta, o Brasil expandiu sua área de vinhedos pelo quinto ano consecutivo, alcançando 91 mil hectares em 2025, um crescimento de 9,6% na comparação com o ano anterior.
Garrafeira dos Sócios, um vinho tinto português especial.
Divulgação.
Sem a União Europeia, Brasil pode deixar de exportar quase US$ 2 bilhões ao ano em carnes

União Europeia veta importações de carne e produtos de origem animal do Brasil
A União Europeia (UE) publicou, nesta terça-feira (12), uma atualização da lista de países que cumprem suas regras contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária e excluiu o Brasil.
➡️ A lista define quais países cumprem as normas sanitárias do bloco e poderão continuar exportando carne e outros produtos de origem animal para a Europa a partir de 3 de setembro.
Segundo a UE, o Brasil foi excluído por não fornecer garantias sobre a não utilização de antimicrobianos na pecuária, informou a agência de notícias France Presse.
A União Europeia é o segundo maior mercado para carnes brasileiras em valor, atrás apenas da China, segundo dados da Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura.
Em 2025, o bloco comprou 368,1 mil toneladas de produtos, em negócios que somaram US$ 1,8 bilhão.
➡️ Considerando apenas a carne bovina, o Brasil arrecadou US$ 1,048 bilhão com o bloco, com um total de 128 mil toneladas exportadas. O produto é o mais relevante da categoria nas vendas aos europeus em valor e representa o terceiro maior destino da carne bovina brasileira, atrás de China e Estados Unidos.
➡️ A comercialização de carne de frango para a União Europeia, em 2025, atingiu US$ 762 milhões e 230 mil toneladas.
➡️ Outros produtos também devem ser impactados. O mel somou US$ 6 milhões em exportações, com volume de mil toneladas.
Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Brasil não exporta carne suína para a União Europeia.
Por que o Brasil ficou de fora?
A União Europeia proíbe o uso de antimicrobianos na pecuária. Antimicrobianos são substâncias usadas para tratar e prevenir infecções em animais. Alguns desses medicamentos também podem funcionar como promotores de crescimento.
Em entrevista à agência Lusa, a porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Eva Hrncirova, confirmou que o Brasil não está na lista e poderá deixar "de exportar para a UE mercadorias como bovinos, equinos, aves, ovos, aquicultura, mel e invólucros".
De acordo com a porta-voz da UE, para voltar à lista, "o Brasil deve garantir o cumprimento dos requisitos da União relativos à utilização de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais dos quais provêm os produtos exportados".
"Assim que a conformidade for demonstrada, a UE poderá autorizar ou retomar as exportações", afirmou, acrescentando que o bloco vem colaborando com as autoridades brasileiras sobre o tema.
Em nota conjunta, os Ministérios da Agricultura, do Comércio Exterior e das Relações Exteriores disseram que vão tentar reverter a decisão.
O chefe da Delegação do Brasil junto à União Europeia realizará uma reunião com as autoridades sanitárias da União Europeia na quarta-feira (13), para discutir o assunto, informou o comunicado.
Segundo Leonardo Munhoz, doutor em direito agroambiental e advogado no VBSO, os antimicrobianos proibidos são:
virginiamicina;
avoparcina;
cacitracina;
tilosina;
espiramicina;
avilamicina.
Em abril, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria que proíbe a importação, fabricação, comercialização e uso de alguns antimicrobianos usados como melhoradores de desempenho, incluindo avoparcina e virginiamicina.
Para voltar à lista da UE, o Brasil tem dois caminhos: restringir legalmente o uso dos demais medicamentos mencionados ou garantir que a carne exportada não contenha essas substâncias.
A segunda opção não é fácil de aplicar, pois depende da rastreabilidade do produto, é mais demorada e custosa, aponta Munhoz.
Assim que for comprovado que a pecuária brasileira não usa esses antimicrobianos, o país poderá voltar a exportar, mesmo que isso ocorra após setembro.
Segundo o pesquisador, já se sabia que a União Europeia planejava essas restrições desde 2019.
"Gera preocupação relevante para o agro porque a União Europeia é um mercado estratégico para proteínas animais e porque essas exigências podem impactar rastreabilidade, certificação sanitária e compliance exportador", afirma o pesquisador.
Acordo Mercosul e União Europeia
A publicação da lista ocorre 12 dias após a assinatura de um acordo de livre comércio com os países do Mercosul, criticado por agricultores e ambientalistas europeus, especialmente na França.
A medida desta terça-feira não tem relação com o acordo, afirma Munhoz. A lista é uma regulamentação sanitária, ou seja, uma exigência que qualquer país pode adotar para garantir a segurança dos alimentos consumidos pela população.
O acordo entrou em vigor em 1º de maio, em caráter provisório, e aguarda uma decisão judicial na Europa sobre sua legalidade.
"Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo. Portanto, é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos. A decisão tomada hoje demonstra que o sistema europeu de controle funciona", afirmou o comissário europeu para a Agricultura, Christophe Hansen.
Carne bovina de MT
Assessoria
Veto da UE à carne do Brasil: veja perguntas e respostas sobre a decisão

União Europeia veta importações de carne e produtos de origem animal do Brasil
A União Europeia excluiu, nesta terça-feira (12), o Brasil da lista de países que cumprem suas regras contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária.
➡️ A lista define quais países cumprem as normas sanitárias do bloco e poderão continuar exportando carne e outros produtos de origem animal para a Europa, a partir de 3 de setembro.
Entenda abaixo o que mudou, quais produtos podem ser impactados, o que dizem o governo e os setores envolvidos e como o Brasil pode tentar reverter a situação.
Por que o Brasil ficou fora da lista?
Segundo a União Europeia, o Brasil foi excluído por não fornecer garantias sobre a não utilização de antimicrobianos na pecuária. Outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, seguem autorizados.
Quais produtos podem ser afetados?
Segundo a porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Eva Hrncirova, o Brasil poderá deixar de exportar para a UE mercadorias como bovinos, equinos, aves, ovos, aquicultura, mel e invólucros.
O que são antimicrobianos?
Antimicrobianos são substâncias usadas para tratar e prevenir infecções em animais. Alguns desses medicamentos também podem funcionar como promotores de crescimento.
Quais antimicrobianos são proibidos pela União Europeia?
Segundo Leonardo Munhoz, doutor em direito agroambiental e advogado no VBSO, a União Europeia proíbe antimicrobianos que também são utilizados para crescimento dos animais. São eles:
virginiamicina;
avoparcina;
cacitracina;
tilosina;
espiramicina;
avilamicina.
Como resolver?
Segundo a porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Eva Hrncirova, o Brasil precisa garantir o cumprimento das regras da União Europeia sobre o uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais dos quais provêm os produtos exportados.
Ela afirmou que, assim que a conformidade for demonstrada, a UE poderá autorizar ou retomar as exportações.
Como o Brasil pode reverter a situação?
Segundo Leonardo Munhoz, o Brasil tem dois caminhos para voltar à lista da União Europeia:
restringir legalmente o uso dos demais antimicrobianos mencionados pela UE;
ou garantir que a carne exportada não contenha essas substâncias.
Em abril, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria que proíbe a importação, fabricação, comercialização e uso de alguns antimicrobianos usados como melhoradores de desempenho, incluindo avoparcina e virginiamicina.
O pesquisador afirma que a segunda opção é mais difícil de aplicar porque depende da rastreabilidade do produto, além de ser mais demorada e custosa.
Segundo ele, assim que for comprovado que a pecuária brasileira não usa esses antimicrobianos, o país poderá voltar a exportar, mesmo que isso ocorra depois de setembro.
O que diz o Ministério da Agricultura?
O governo brasileiro disse que recebeu com "surpresa" a retirada do Brasil da lista de países que podem exportar carnes e produtos de origem animal para a União Europeia.
Em nota conjunta, os Ministérios da Agricultura, do Comércio Exterior e das Relações Exteriores disseram que vão tentar reverter a decisão.
O chefe da Delegação do Brasil junto à União Europeia realizará uma reunião com as autoridades sanitárias da União Europeia na quarta-feira (13), para discutir o assunto, informou a nota.
O que dizem os setores?
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) disse que o Brasil segue "plenamente habilitado a exportar carne bovina ao mercado europeu" e que "o eventual impedimento às exportações somente ocorrerá caso as garantias e adequações requeridas pelas autoridades europeias não sejam apresentadas até a data estabelecida".
"O setor privado tem trabalhado em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias [...]. Há, inclusive, previsão de missão europeia ao Brasil no segundo semestre para avanço e conclusão desse processo técnico."
"A carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios dos principais mercados internacionais, com rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente. Atualmente, o Brasil exporta para mais de 170 países, sustentado por um dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo", destacou a entidade.
Já a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) disse que, com o apoio do governo, "prestará todos os esclarecimentos necessários à União Europeia"
"É importante enfatizar: o Brasil cumpre integralmente todos os requisitos da União Europeia, inclusive no que tange aos regulamentos sobre antimicrobianos. É o que o Brasil demonstrará às autoridades sanitárias europeias."
"O setor brasileiro reforça que o país possui estruturas sanitárias e de controle produtivo robustas, com rígidos protocolos de rastreabilidade, monitoramento veterinário e uso responsável de medicamentos, em linha com referências internacionais de saúde animal e segurança dos alimentos", destacou a ABPA.
O presidente da Abemel, Renato Azevedo, disse que a notícia “pegou de surpresa” o setor. Ele afirmou entender que a decisão tem caráter político, diante da pressão dos europeus para barrar produtos brasileiros depois do acordo do Mercosul.
A Abepesca informou que não exporta para a União Europeia desde 2016.
A Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) disse que a medida é preocupante, principalmente "considerando que o Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia entrou em vigor no início deste mês".
A entidade irá buscar participar dos diálogos com autoridades europeias para reverter a medida.
A Frente Parlamentar da Agropecuária disse que, considerando o acordo comercial entre os dois blocos, "vê com preocupação qualquer tentativa de transformar exigências regulatórias em barreiras políticas ou comerciais contra a competitividade da produção brasileira".
A bancada afirmou que acompanhará o tema junto ao setor e às autoridades competentes.
A restrição tem a ver com o acordo UE-Mercosul?
A publicação da lista ocorre 12 dias após a assinatura de um acordo de livre comércio com os países do Mercosul, que é duramente criticado por agricultores e ambientalistas europeus, especialmente na França.
Mas, segundo Leonardo Munhoz, o veto não não tem relação com o acordo. Ele afirma que a lista é uma regulamentação sanitária, ou seja, uma exigência que qualquer país pode adotar para garantir a segurança dos alimentos consumidos pela população.
Qual a importância da União Europeia para o Brasil?
Segundo dados do Agrostat citados no texto, a União Europeia é o terceiro maior destino da carne bovina brasileira em valor exportado, depois de China e Estados Unidos. Para carnes em geral, o bloco é o segundo maior mercado, atrás da China.
Segundo a UE, o Brasil foi excluído por não fornecer garantias sobre a não utilização de antimicrobianos na pecuária, informou a agência de notícias France Presse. Outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, seguem autorizados.
Carne bovina
Foto de David Foodphototasty na Unsplash
Tribunal de apelações dos EUA retoma tarifaço global de 10% de Trump

Foto de arquivo: Trump mostra tabela do tarifaço em 2 de abril de 2025
Reuters/Carlos Barria/File Photo
Um tribunal de apelações dos Estados Unidos suspendeu temporariamente nesta terça-feira (12) uma decisão de instância inferior contra a tarifa global de 10% imposta pela administração do presidente Donald Trump sob a Seção 122 da Lei de Comércio.
Com a decisão, as tarifas seguem em vigor, inclusive para três importadores que haviam conseguido na Justiça a suspensão das taxas, segundo a agência Reuters.
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Justiça americana considera ilegal o tarifaço de Donald Trump
A decisão desta terça-feira é mais um capítulo da disputa judicial em torno do chamado “tarifaço” de Trump.
Na semana passada, a Corte de Comércio Internacional dos EUA havia considerado ilegal a tarifa global de 10% aplicada sobre importações. O entendimento dos juízes foi de que Trump não tinha autoridade legal para impor esse aumento amplo nas taxas usando a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974.
O placar foi de 2 votos a 1. Apesar disso, os efeitos da decisão ficaram limitados apenas aos autores da ação: duas pequenas empresas americanas e o estado de Washington.
Após a derrota, o governo Trump recorreu da decisão. Agora, o tribunal de apelações suspendeu temporariamente o entendimento da corte inferior e manteve as tarifas em vigor enquanto o caso continua sendo analisado.
A atual tarifa de 10% foi criada por Trump em fevereiro, depois de outra derrota judicial importante.
Na ocasião, a Suprema Corte dos EUA decidiu que o presidente havia extrapolado seus poderes ao impor tarifas globais usando uma lei de emergência nacional de 1977. Os ministros entenderam que apenas o Congresso americano pode aprovar tarifas amplas sobre produtos importados.
Depois dessa decisão, Trump mudou de estratégia e passou a usar a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974 como base legal para manter as taxas.
O governo argumenta que as tarifas são necessárias para combater desequilíbrios comerciais dos EUA. Já os críticos afirmam que a lei não foi criada para permitir um tarifaço amplo sobre importações.
As tarifas atuais têm caráter temporário e devem expirar em 24 de julho, caso não sejam prorrogadas pelo Congresso americano.
A disputa acontece em meio às tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China e poucos dias antes de uma reunião prevista entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim.
Além da batalha judicial, o tarifaço também abriu uma disputa bilionária. Segundo estimativas da Universidade da Pensilvânia, empresas afetadas pelas tarifas podem pedir reembolsos que chegariam a US$ 175 bilhões, além de juros.
Até abril, cerca de 56,5 mil importadores já haviam concluído etapas para receber reembolsos eletrônicos, em um total de US$ 127 bilhões, segundo dados da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA.
Parlamentares democratas têm pressionado empresas para que eventuais devoluções sejam usadas para reduzir preços aos consumidores, e não para recompras de ações ou bônus a executivos.
Petrobras planeja elevar preço da gasolina, mas avalia concorrência com etanol, diz CEO

Presidente da Petrobras, Magda Chambriard na refinaria da Petrobras Gabriel Passos (REGAP)
Washington Alves/Reuters
A Petrobras avalia elevar "já, já" o preço da gasolina vendida às distribuidoras, mas quer ter segurança de que o reajuste não comprometerá sua participação no mercado diante da concorrência com o etanol, afirmou nesta terça-feira (12) a presidente da estatal, Magda Chambriard.
"Nós estamos agora tratando desse aumento de gasolina, mas sempre de olho no nosso 'market share' e na evolução do mercado do etanol", disse a executiva, em videoconferência com analistas de mercado.
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Isso porque a preocupação da empresa é evitar que um aumento mais forte da gasolina torne o etanol competitivo para o consumidor, reduzindo as vendas do combustível fóssil nos postos.
"Nós estamos tratando disso, vai acontecer já um aumento de preço da gasolina, mas nós temos que ter certeza que esse mercado almejado continua nosso."
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Segundo Chambriard, essa análise se tornou ainda mais importante porque o preço do etanol recuou nos últimos 15 duas, impulsionado pelo avanço da produção e pelo início da safra de cana-de-açúcar.
Com o biocombustível mais barato, muitos motoristas podem optar por abastecer com etanol em vez de gasolina, dependendo da diferença de preços entre os dois combustíveis.
Reavaliar os preços é 'tarefa' da Petrobras
Na véspera, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, admitiu que, diante da disparada do petróleo causada pela guerra no Oriente Médio, há uma necessidade da Petrobras reavaliar continuamente os preços dos combustíveis no Brasil.
A declaração foi dada após encontro em Brasília com a presidente da empresa, Magda Chambriard. O governo é o controlador da Petrobras, que também tem ações negociadas na Bolsa de Valores.
Questionado se seria possível a estatal segurar por mais tempo a defasagem de 30% no diesel e de 65% na gasolina em relação aos preços internacionais dos produtos, conforme cálculo da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom), Durigan afirmou que esse é um "tema da Petrobras".
"Eu não discuto isso com a Petrobras. O que eu tenho sentido é que há uma necessidade da Petrobras ir reavaliando esses preços. [...] E o que Estado tem que fazer é, na medida em que a gente vê a guerra aumentando o custo no país, aumentando os preços, tem que se preparar, porque o Brasil não quer ser sócio da guerra", declarou o ministro da Fazenda.
*Com informações da agência de notícias Reuters
Petrobras mira autossuficiência em diesel e gasolina até 2031

Refinaria Alberto Pasqualini da Petrobras em Canoas
Diego Vara/Reuters
A Petrobras pode incluir, em seu próximo plano de negócios para o período de 2027 a 2031, iniciativas para produzir 100% da demanda de diesel e gasolina do Brasil, afirmou nesta terça-feira a presidente da estatal, Magda Chambriard.
Durante uma videoconferência para comentar os resultados trimestrais, Magda Chambriard disse que a empresa está avaliando projetos capazes de ir além da meta atual, que prevê a produção de 85% da demanda brasileira de diesel até 2030.
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"Com a guerra, com os resultados alcançados pela companhia e pela confiança que o mercado brasileiro tem na Petrobras, estamos tratando de forma segura e rentável analisar a oportunidade que muito provavelmente virá no nosso próximo plano de negócio de atingir a autossuficiência brasileira em diesel (e gasolina)", disse a executiva.
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Ela acrescentou que o governo brasileiro tem reconhecido o papel da Petrobras em fornecer combustíveis a preços acessíveis ao mercado interno.
"Essa parceria da Petrobras com o governo brasileiro tem sido, eu posso afirmar aos senhores, proveitosa para a Petrobras e proveitosa para a sociedade brasileira", disse.
União Europeia vetará importações de carne do Brasil a partir de setembro

União Europeia veta importações de carne e produtos de origem animal do Brasil
A União Europeia (UE) publicou, nesta terça-feira (12), uma atualização da lista de países que cumprem suas regras contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária e excluiu o Brasil.
➡️ A lista define quais países cumprem as normas sanitárias do bloco e poderão continuar exportando carne e outros produtos de origem animal para a Europa a partir de 3 de setembro.
A medida passará a ter efeito legal quando a UE publicá-la em seu diário oficial.
Segundo a UE, o Brasil foi excluído por não fornecer garantias sobre a não utilização de antimicrobianos na pecuária, informou a agência de notícias France Presse. Outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, seguem autorizados.
➡️ Antimicrobianos são substâncias usadas para tratar e prevenir infecções em animais. Alguns desses medicamentos também podem funcionar como promotores de crescimento.
Em entrevista à agência Lusa, a porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Eva Hrncirova, confirmou que o Brasil não está na lista e poderá deixar "de exportar para a UE mercadorias como bovinos, equinos, aves, ovos, aquicultura, mel e invólucros".
De acordo com a porta-voz da UE, para voltar à lista, "o Brasil deve garantir o cumprimento dos requisitos da União relativos à utilização de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais dos quais provêm os produtos exportados".
"Assim que a conformidade for demonstrada, a UE poderá autorizar ou retomar as exportações", afirmou, acrescentando que o bloco vem colaborando com as autoridades brasileiras sobre o tema.
O governo brasileiro disse que recebeu com "surpresa" a retirada do Brasil da lista. Em nota conjunta, os Ministérios da Agricultura, do Comércio Exterior e das Relações Exteriores disseram que vão tentar reverter a decisão.
O chefe da Delegação do Brasil junto à União Europeia realizará uma reunião com as autoridades sanitárias da UE nesta quarta-feira (13), para discutir o assunto.
Na lista de 2024, o Brasil aparecia como autorizado a exportar carne bovina, de frango e de cavalo, além de tripas, peixe e mel.
Proibição de antimicrobianos
A União Europeia proíbe os antimicrobianos que são utilizados também para crescimento dos animais, explica Leonardo Munhoz, doutor em direito agroambiental e advogado no VBSO.
São eles:
virginiamicina;
avoparcina;
cacitracina;
tilosina;
espiramicina;
avilamicina.
Em abril, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria que proíbe a importação, fabricação, comercialização e uso de alguns antimicrobianos usados como melhoradores de desempenho, incluindo avoparcina e virginiamicina.
Para voltar à lista da UE, o Brasil tem dois caminhos: restringir legalmente o uso dos demais medicamentos mencionados ou garantir que a carne exportada não contenha essas substâncias.
A segunda opção não é fácil de aplicar, pois depende da rastreabilidade do produto, é mais demorada e custosa, aponta Munhoz.
Assim que for comprovado que a pecuária brasileira não usa esses antimicrobianos, o país poderá voltar a exportar, mesmo que isso ocorra após setembro.
Segundo o pesquisador, já se sabia que a União Europeia planejava essas restrições desde 2019.
"Gera preocupação relevante para o agro porque a União Europeia é um mercado estratégico para proteínas animais e porque essas exigências podem impactar rastreabilidade, certificação sanitária e compliance exportador", afirma o pesquisador.
A União Europeia é o terceiro maior destino da carne bovina brasileira em valor exportado, depois de China e Estados Unidos, segundo dados do Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura. Para carnes em geral, o bloco é o segundo maior mercado, atrás da China.
O que diz o setor
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) disse que o Brasil segue "plenamente habilitado a exportar carne bovina ao mercado europeu" e que "o eventual impedimento às exportações somente ocorrerá caso as garantias e adequações requeridas pelas autoridades europeias não sejam apresentadas até a data estabelecida".
"O setor privado tem trabalhado em parceria com o Ministério da Agricultura na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias [...]. Há, inclusive, previsão de missão europeia ao Brasil no segundo semestre para avanço e conclusão desse processo técnico."
"A carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios dos principais mercados internacionais, com rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente. Atualmente, o Brasil exporta para mais de 170 países, sustentado por um dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo", destacou a entidade.
Já a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) disse que, com o apoio do governo, "prestará todos os esclarecimentos necessários à União Europeia"
"É importante enfatizar: o Brasil cumpre integralmente todos os requisitos da União Europeia, inclusive no que tange aos regulamentos sobre antimicrobianos. É o que o Brasil demonstrará às autoridades sanitárias europeias."
"O setor brasileiro reforça que o país possui estruturas sanitárias e de controle produtivo robustas, com rígidos protocolos de rastreabilidade, monitoramento veterinário e uso responsável de medicamentos, em linha com referências internacionais de saúde animal e segurança dos alimentos", destacou a ABPA.
O presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), Renato Azevedo, afirmou ao g1 que a notícia "pegou de surpresa" o setor. "Entendo que isso é algo político, visto que há uma grande pressão dos europeus para barrar produtos brasileiros depois do acordo do Mercosul", afirmou.
"Para o mel, é totalmente descabido falar em risco de uso excessivo de antibióticos, considerando que o Brasil é o principal produtor de mel orgânico do mundo", destacou Azevedo.
A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abepesca), por sua vez, diz que não exporta para UE desde 2016.
A Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) disse que a medida é preocupante, principalmente "considerando que o Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia entrou em vigor no início deste mês".
A entidade irá buscar participar dos diálogos com autoridades europeias para reverter a medida.
A Frente Parlamentar da Agropecuária disse que, considerando o acordo comercial entre os dois blocos, "vê com preocupação qualquer tentativa de transformar exigências regulatórias em barreiras políticas ou comerciais contra a competitividade da produção brasileira".
A bancada afirmou que acompanhará o tema junto ao setor e às autoridades competentes.
Acordo Mercosul e União Europeia
A publicação da lista ocorre 12 dias após a assinatura de um acordo de livre comércio com os países do Mercosul, criticado por agricultores e ambientalistas europeus, especialmente na França.
A medida desta terça-feira não tem relação com o acordo, afirma Munhoz. A lista é uma regulamentação sanitária, ou seja, uma exigência que qualquer país pode adotar para garantir a segurança dos alimentos consumidos pela população.
O acordo entrou em vigor em 1º de maio, em caráter provisório, e aguarda uma decisão judicial na Europa sobre sua legalidade.
"Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo. Portanto, é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos. A decisão tomada hoje demonstra que o sistema europeu de controle funciona", afirmou o comissário europeu para a Agricultura, Christophe Hansen.
Carne bovina
Foto de David Foodphototasty na Unsplash
BC comunica vazamento de dados de 46 chaves PIX de clientes da Credifit Sociedade de Crédito

O Banco Central (BC) informou que ocorreu um incidente segurança com dados pessoais vinculados a chaves PIX de 46 pessoas com conta na Credifit Sociedade de Crédito, em razão de "falhas pontuais em sistemas dessa instituição".
De acordo com comunicado do BC divulgado na última sexta-feira (9), não foram expostos dados sensíveis, tais como senhas, informações de movimentações ou saldos financeiros em contas transacionais, ou quaisquer outras informações sob sigilo bancário.
"As informações obtidas são de natureza cadastral, que não permitem movimentação de recursos, nem acesso às contas ou a outras informações financeiras", acrescentou o Banco Central.
O BC explicou, ainda, que as pessoas que tiveram seus dados cadastrais obtidos a partir do incidente serão notificadas exclusivamente por meio do aplicativo ou pelo internet banking de sua instituição de relacionamento.
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"Nem o BC nem as instituições participantes usarão quaisquer outros meios de comunicação aos usuários afetados, tais como aplicativos de mensagens, chamadas telefônicas, SMS ou e-mail", informou o Banco Central.
O Banco Central informou, ainda, que foram adotadas as ações necessárias para a apuração detalhada do caso e serão aplicadas as medidas sancionadoras previstas na regulação vigente.
Dados pessoais vinculados a chaves PIX de 46 pessoas com conta na Credifit Sociedade de Crédito foram afetados
Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Dona da Tok&Stok e da Mobly pede recuperação judicial com dívida de R$ 1,1 bilhão

Loja da Tok&Stok em shopping de Ribeirão Preto, SP
Reprodução/Tok&Stok
O Grupo Toky, dono das marcas Tok&Stok e Mobly, informou nesta terça-feira (12) que entrou com pedido de recuperação judicial para tentar reorganizar suas dívidas e evitar um agravamento da crise financeira. Segundo o processo, a dívida total da companhia é de cerca de R$ 1,1 bilhão.
Segundo a empresa, a decisão foi tomada após dificuldades enfrentadas pelo setor de móveis e decoração, como juros altos, aumento do endividamento das famílias e crédito mais restrito.
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A companhia afirmou que esse cenário reduziu as vendas e afetou o caixa do grupo.
O Grupo Toky também disse que vinha negociando a reestruturação das dívidas da Tok&Stok com credores, mas que o endividamento continuou crescendo.
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"Apesar dos esforços empregados pela administração na negociação da reestruturação do endividamento junto aos credores da controlada Tok&Stok, o alto endividamento do grupo persiste e vem se agravando", afirmou em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
🔎 Recuperação judicial é um processo em que uma empresa com dificuldades financeiras pede proteção à Justiça para renegociar dívidas e evitar a falência, enquanto continua funcionando normalmente.
A companhia afirmou que o objetivo do pedido é preservar as operações, manter os serviços e criar condições para renegociar as obrigações financeiras.
O processo foi protocolado na Justiça de São Paulo e está sob segredo de justiça.
Ainda nesta segunda-feira (11), antes do anúncio de recuperação judicial, o grupo informou que quatro fundos da gestora SPX Capital estão em fase avançada de negociações para vender toda a participação que possuem na empresa, incluindo ações e bônus de subscrição.
Em meio às negociações, dois integrantes do conselho de administração deixaram seus cargos: Fernando Porfirio Borges e Felipe Fonseca Pereira, segundo comunicados divulgados pela companhia.
'Risco de dano irreparável'
No pedido de recuperação judicial protocolado na Justiça de São Paulo, o Grupo Toky solicitou medidas urgentes para evitar o colapso das operações e garantir a continuidade das atividades, citando "risco de dano irreparável" nas operações da companhia.
Um dos principais pedidos da empresa é a liberação imediata de cerca de R$ 77 milhões em valores de vendas feitas no cartão de crédito que estão retidos pela SRM Bank.
Segundo o grupo, o bloqueio desses valores afetou o caixa da empresa e colocou em risco pagamentos básicos, como salários de mais de 2 mil funcionários.
A companhia também pediu à Justiça a suspensão, por 180 dias, de cobranças e ações por dívidas enquanto tenta renegociar os débitos com credores (o chamado “stay period”).
Outro ponto do pedido é a manutenção de contratos e serviços considerados essenciais para o funcionamento da empresa.
O grupo quer impedir interrupções em operações de logística, transporte, sistemas digitais, computação em nuvem, energia elétrica e abastecimento de água.
Na petição, o Grupo Toky afirma que enfrenta dificuldades financeiras desde a pandemia de Covid-19, período em que fechou mais de 17 lojas. Segundo a empresa, juros altos, inflação persistente, crédito mais restrito e a queda na compra de bens duráveis, como móveis, agravaram a crise do setor.
Em 2023, a Tok&Stok tentou reorganizar as finanças com a renegociação de cerca de R$ 339 milhões em dívidas bancárias, um acordo de reestruturação tecnológica com a Domus Aurea e um aporte de R$ 100 milhões feito pelos acionistas. Apesar disso, a recuperação não avançou como esperado.
Desde então, o grupo passou a buscar novas formas de reestruturação financeira, incluindo recuperação extrajudicial e, agora, recuperação judicial.
O processo também cita como credores e parceiros instituições financeiras, empresas de tecnologia, logística e concessionárias de serviços essenciais.
O que é o Grupo Toky
O Grupo Toky foi criado em 2024 após a união entre a Mobly e a Tok&Stok, duas marcas tradicionais do setor de móveis e decoração no Brasil.
A fusão deu origem a um dos maiores grupos de varejo de casa e decoração da América Latina, combinando operações físicas e digitais.
A Mobly foi fundada em 2011 por Victor Pereira Noda, Marcelo Rodrigues Marques e Mário Carlos Fernandes Filho, com foco em vendas online de móveis e itens de decoração.
A empresa recebeu investimentos da Rocket Internet e expandiu sua atuação para lojas físicas, contando atualmente com 11 unidades entre megastores, outlets e lojas compactas.
Já a Tok&Stok foi fundada em 1978 pelos franceses Régis e Ghislaine Dubrule. A marca ganhou espaço no mercado brasileiro ao apostar em móveis modernos, modulares e acessíveis, acompanhando o crescimento da classe média urbana e do mercado de apartamentos no país.
O grupo também reúne a marca Guldi, voltada ao segmento de colchões.
Preço dos alimentos em abril: o que ficou mais caro e o que ficou mais barato no mês

IPCA: inflação desacelera para 0,67% em abril
A alta de 1,34% no preço dos alimentos em abril teve o maior impacto na inflação do mês, que subiu 0,67% em relação a março, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta terça-feira (12).
Apesar disso, o ritmo de aumento do preço dos alimentos desacelerou em relação a março, quando o grupo havia registrado alta de 1,56%.
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⬆️ Os alimentos consumidos em casa ficaram 1,64% mais caros e tiveram o maior impacto na inflação de abril. A alta foi puxada pelo encarecimento da cenoura (26,63%), do leite longa vida (13,66%), da cebola (11,76%), do tomate (6,13%) e das carnes (1,59%).
⬇️ Por outro lado, o café moído (-2,30%) e o frango em pedaços (-2,14%) tiveram algumas das maiores quedas de preço do mês.
Já a alimentação fora de casa subiu em ritmo mais lento, com alta de 0,59%. O preço do lanche desacelerou, passando de 0,89% em março para 0,71% em abril. A refeição, por outro lado, teve leve aceleração, de 0,49% para 0,54% no mesmo período.
☕A tendência é que o preço do café continue desacelerando ao longo deste ano, diante da expectativa de uma colheita maior no Brasil. Segundo economistas ouvidos pelo g1 em abril, o aumento da produção vai ajudar a aliviar os preços, mas dificilmente o produto voltará ao patamar de seis anos atrás.
🥩 Já a inflação das carnes subiu impulsionada pelo aumento do preço da carne bovina, que deve continuar em alta no ano. Isso porque a quantidade de bovinos disponíveis para abate vem diminuindo, após um ano de produção recorde.
Alimentos que mais encareceram em abril, em relação a março de 2026.
Arte/g1
Alimentos que mais baratearam em abril, em relação a março de 2026.
Arte/g1
Como foi a inflação em abril
No mês, a inflação subiu 0,67%, uma desaceleração em relação a março, quando os preços haviam avançado 0,88%.
Já na comparação com os últimos 12 meses, a trajetória foi de aceleração: a inflação passou de 4,14% até março para 4,39% em abril. No mesmo mês do ano passado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, havia registrado variação mensal de 0,43%.
🎯 Mesmo com esse resultado, o índice segue dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para 2026, o objetivo é manter o IPCA em 3%, com limite máximo de 4,5%. Desde o ano passado, essa meta passou a ser contínua — isso significa que o cumprimento é acompanhado mês a mês com base na inflação acumulada em 12 meses.
O grupo Alimentação e bebidas foi o que mais pressionou a inflação de abril, respondendo sozinho por 0,29 ponto percentual do IPCA. Na sequência, apareceu Saúde e cuidados pessoais, com impacto de 0,16 ponto percentual.
Juntos, os dois grupos concentraram a maior parte da alta dos preços no mês e foram responsáveis por cerca de 67% do resultado do mês.
Veja o resultado dos grupos do IPCA:
Alimentação e bebida: 1,34%;
Habitação: 0,63%;
Artigos de residência: 0,65%;
Vestuário: 0,52%;
Transportes: 0,06%;
Saúde e cuidados pessoais: 1,16%;
Despesas pessoais: 0,35%;
Educação: 0,06%;
Comunicação: 0,57%.
O que influenciou os preços
Segundo Fernando Gonçalves, gerente do IPCA no IBGE, a alta dos alimentos em abril foi influenciada por dois fatores principais: a menor oferta de alguns produtos e o aumento do custo do transporte.
Produtos como cenoura, cebola e tomate tiveram oferta mais limitada, o que ajudou a elevar os preços. Ao mesmo tempo, a alta de 1,80% dos combustíveis encareceu o frete, já que grande parte da produção agrícola é transportada por caminhões movidos a diesel, que subiu 4,46%.
“Os combustíveis sendo mais caros acabam influenciando o preço do frete. E, chegando no transporte, obviamente isso chega para o consumidor final no preço que ele vai pagar lá no balcão."
Por outro lado, alguns itens ajudaram a reduzir a pressão sobre a inflação, como maçã, café moído e frango em pedaços. No caso da maçã, Gonçalves explicou que a queda de preços foi favorecida pelo aumento da oferta, impulsionado pelo avanço da colheita.
Preço dos alimentos em abril: o que ficou mais caro e o que ficou mais barato
Celso Tavares/g1
Dólar tem leve alta e fecha a R$ 4,89, após inflação dos EUA marcar maior alta em três anos; Ibovespa cai

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar fechou em leve alta de 0,09% nesta terça-feira (12), cotado a R$ 4,8955. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou em queda de 0,86%, aos 180.342 pontos.
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▶️ Nos Estados Unidos, o principal destaque ficou com os novos dados de inflação. Segundo dados do Departamento do Trabalho americano, o índice de preços ao consumidor do país marcou o maior avanço em três anos, impulsionado pelo aumento de custos de alimentos e de energia, com a guerra no Irã. (entenda mais abaixo)
▶️ As tensões entre os EUA e o Irã no Oriente Médio também mexeu com os mercados. Teerã pediu o fim do conflito e garantias contra novos ataques, enquanto o presidente Donald Trump classificou a resposta iraniana como “inaceitável” antes de viajar para a China para se reunir com Xi Jinping.
Perto das 17h, o petróleo tipo Brent (referência internacional) tinha alta de 3,38%, cotado a US$ 107,73 por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos Estados Unidos, tinha alta de 4,32%, a US$ 102,31 por barril.
▶️ Já no Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a inflação oficial do Brasil em abril. O dado, calculado pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou para 0,67% no mês. Os alimentos continuam sendo a principal pressão sobre os preços. (veja mais abaixo)
▶️ Por fim, o balanço financeiro da Petrobras também ficou no radar. Na segunda-feira (10), a estatal reportou um lucro líquido de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre deste ano, queda de 7,2% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado ainda reflete apenas parte da alta do petróleo causada pela guerra no Oriente Médio.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: +0,03%;
Acumulado do mês: -1,14%;
Acumulado do ano: -10,81%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: -2,05%;
Acumulado do mês: -3,72%;
Acumulado do ano: +11,93%.
Guerra no Oriente Médio afeta inflação americana
Os preços ao consumidor dos Estados Unidos subiram em ritmo acelerado em abril, pelo segundo mês consecutivo. O movimento foi impulsionado pelos custos mais altos de alimentos e de energia — este último como resultado da guerra no Irã.
Segundo dados do Departamento do Trabalho americano, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês), registrou um avanço de 0,6% no mês passado, após um aumento de 0,9% em março. A alta veio em linha com o esperado pelos analistas do mercado financeiro, segundo a Reuters.
Nos 12 meses até abril, o IPC subiu 3,8%. Esse foi o maior aumento anual desde maio de 2023 e seguiu uma alta de 3,3% em março.
Os preços do petróleo ultrapassaram os US$ 100 por barril em março, após os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã. O movimento se refletiu imediatamente no aumento dos preços da gasolina, do diesel e da querosene de aviação.
Além disso, os preços de alimentos subiram 0,5% em abril nos EUA, após permanecerem estáveis em março. A inflação nos supermercados, por sua vez, avançou 0,7%, impulsionada por um aumento de 2,7% nos preços de carne bovina.
A forte alta do CPI reforça a perspectiva de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) deve manter os juros do país elevados por mais tempo. Em sua última reunião, o BC americano deixou as taxas inalteradas na faixa de 3,50% a 3,75%.
Inflação desacelera no Brasil
A inflação oficial do Brasil desacelerou em abril, mas os alimentos continuam pesando no bolso do consumidor. O índice ficou em 0,67% no mês, abaixo dos 0,88% registrados em março, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Mesmo com a desaceleração mensal, a inflação acumulada em 12 meses subiu de 4,14% para 4,39%.
Os maiores aumentos vieram dos grupos de alimentação e bebidas, que subiu 1,34%, e saúde e cuidados pessoais, com alta de 1,16%. Juntos, eles responderam por cerca de 67% da inflação de abril.
Entre os outros grupos, habitação avançou 0,63%, vestuário 0,52% e transportes teve alta mais leve, de 0,06%.
Resultados da Petrobras
A Petrobras teve lucro de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 7,2% em relação ao mesmo período do ano passado.
Apesar disso, o resultado mais que dobrou na comparação com o fim de 2025.
A alta do preço do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, ajudou os resultados da empresa.
A petroleira também aumentou a produção de petróleo e as vendas de combustíveis, como diesel e gasolina.
💰Além disso, a estatal aprovou o pagamento de R$ 9 bilhões em dividendos aos acionistas, o equivalente a R$ 0,70 por ação.
Cessar-fogo no Oriente Médio "respira por aparelhos"
As chances de um cessar-fogo entre Irã e os EUA diminuíram após Donald Trump afirmar que a trégua está “respirando por aparelhos”.
O Irã rejeitou a proposta americana para encerrar o conflito e exigiu o fim da guerra, compensações pelos danos e o fim do bloqueio naval dos EUA.
🔎A tensão também elevou o preço do petróleo: o barril do Brent ultrapassou US$ 107 com o temor de interrupções no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e gás.
Autoridades iranianas mantiveram o tom duro e afirmaram que o país pode ampliar seu programa nuclear caso volte a ser atacado.
Enquanto isso, os EUA anunciaram novas sanções contra empresas e pessoas acusadas de ajudar o Irã a vender petróleo para a China.
Trump deve chegar à China nesta quarta-feira (13) para se reunir com Xi Jinping, e a crise no Oriente Médio deve estar entre os temas discutidos
Mercados globais
Após dados de inflação nos EUA virem acima do esperado, as bolsas de Wall Street encerraram sem direção única.
Enquanto o Dow Jones subiu 0,11%, o S&P 500 caiu 0,16% e o Nasdaq recuou 0,71%.
Na Europa, as bolsas fecharam em queda. O índice alemão DAX recuou 1,54%, enquanto o francês CAC 40 caiu 0,45%. Já o FTSE 100, de Londres, encerrou o dia perto da estabilidade, com leve alta de 0,04%.
As bolsas da Ásia fecharam mistas nesta terça-feira, com investidores atentos ao encontro entre Donald Trump e Xi Jinping nesta semana.
Na China, os índices recuaram após fortes altas recentes: Xangai caiu 0,25% e Hong Kong perdeu 0,22%. Já o Japão avançou 0,52%. A maior queda foi na Coreia do Sul, onde o índice Kospi recuou 2,29%.
Funcionário de banco em Jacarta, na Indonésia, conta notas de dólar, em 10 de abril de 2025.
Tatan Syuflana/ AP
IPCA: inflação desacelera para 0,67% em abril, mas alimentos seguem como principal pressão

IPCA: inflação desacelera para 0,67% em abril
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, subiu 0,67% em abril, segundo dados divulgados nesta terça-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado mostra uma desaceleração em relação a março, quando os preços haviam avançado 0,88%.
🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
Já na comparação com os últimos 12 meses, a trajetória foi de aceleração: a inflação passou de 4,14% até março para 4,39% em abril. No mesmo mês do ano passado, o IPCA havia registrado variação mensal de 0,43%.
🎯 Mesmo com esse resultado, o índice segue dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para 2026, o objetivo é manter o IPCA em 3%, com limite máximo de 4,5%. Desde o ano passado, essa meta passou a ser contínua — isso significa que o cumprimento é acompanhado mês a mês com base na inflação acumulada em 12 meses.
O grupo Alimentação e bebidas foi o que mais pressionou a inflação de abril, respondendo sozinho por 0,29 ponto percentual do IPCA. Na sequência, apareceu Saúde e cuidados pessoais, com impacto de 0,16 ponto percentual.
Juntos, os dois grupos concentraram a maior parte da alta dos preços no mês e foram responsáveis por cerca de dois terços (67%) do resultado do índice.
Segundo Fernando Gonçalves, gerente do IPCA no IBGE, a pressão dos alimentos refletiu uma combinação de menor oferta de alguns produtos e aumento nos custos de transporte.
“Os combustíveis sendo mais caros acabam influenciando o preço do frete. E, chegando no transporte, obviamente isso chega para o consumidor final no preço que ele vai pagar lá no balcão.”
Veja o resultado dos grupos do IPCA:
Alimentação e bebida: 1,34%;
Habitação: 0,63%;
Artigos de residência: 0,65%;
Vestuário: 0,52%;
Transportes: 0,06%;
Saúde e cuidados pessoais: 1,16%;
Despesas pessoais: 0,35%;
Educação: 0,06%;
Comunicação: 0,57%.
🍽️ Alimentação segue pressionando inflação
O grupo Alimentação e bebidas subiu 1,34% em abril e acumula alta de 3,44% nos quatro primeiros meses de 2026, mantendo-se como o principal fator de pressão sobre a inflação no período.
Preço dos alimentos em abril: o que ficou mais caro e o que ficou mais barato no mês
Dentro de casa, os preços dos alimentos consumidos no domicílio avançaram 1,64%. As maiores altas foram registradas em produtos bastante presentes no dia a dia dos brasileiros:
Alimentos que mais encareceram em abril, em relação a março de 2026.
Arte/g1
Nem todos os itens, porém, ficaram mais caros no mês. Alguns produtos tiveram queda de preço:
Alimentos que mais baratearam em abril, em relação a março de 2026.
Arte/g1
Já a alimentação fora do domicílio — que inclui gastos com restaurantes, lanchonetes e estabelecimentos semelhantes — teve alta de 0,59% em abril.
Os lanches continuaram subindo, mas em ritmo um pouco menor, passando de 0,89% em março para 0,71% em abril. No caso das refeições, como almoços e jantares, a variação foi de 0,49% para 0,54% no mesmo período.
O grupo Saúde e cuidados pessoais subiu 1,16% em abril, tornando-se o segundo principal fator de pressão sobre a inflação no mês.
A alta foi puxada principalmente por itens bastante presentes no dia a dia dos consumidores:
💊 Produtos farmacêuticos: 1,77%
🧴 Artigos de higiene pessoal: 1,57%
🌸 Perfumes: 1,94%
No caso dos medicamentos, o avanço dos preços ocorreu após a autorização para reajustes de até 3,81%, em vigor desde 1º de abril.
Já os produtos de higiene pessoal também contribuíram para elevar o índice, com destaque para os perfumes, que registraram a maior alta dentro dessa categoria.
✈️ Queda das passagens aéreas reduz pressão dos transportes
O grupo Transportes praticamente ficou estável em abril, com alta de apenas 0,06%, após ter avançado 1,64% em março. A desaceleração foi provocada principalmente pela forte queda das passagens aéreas, que ficaram 14,45% mais baratas no período.
Também contribuíram para aliviar a inflação as reduções nas tarifas de ônibus urbanos e de metrô, refletindo a adoção de gratuidades e descontos em domingos e feriados em diversas capitais do país.
Por outro lado, os combustíveis continuaram em alta e impediram uma queda mais acentuada do grupo. Os principais movimentos foram:
⛽ Gasolina: 1,86%
🚛 Óleo diesel: 4,46%
🌽 Etanol: 0,62%
🚗 Gás veicular: -1,24%
Mesmo com alta menor do que a registrada em março, a gasolina continuou sendo o item com maior impacto individual sobre o IPCA de abril, respondendo sozinha por 0,10 ponto percentual do índice.
Outros serviços de transporte também ficaram mais caros, como o ônibus intermunicipal e as corridas de táxi, influenciados por reajustes tarifários em algumas cidades.
Consumidores estão sentindo no bolso o aumento no preço dos alimentos em supermercados.
Rede Amazônica
BC aponta R$ 10,6 bilhões em 'dinheiro esquecido' em março; bancos devem repassar nesta terça parte dos recursos ao governo

O Banco Central (BC) informou nesta terça-feira (12) que ainda existem, nas instituições financeiras, R$ 10,57 bilhões em "recursos esquecidos" pelos clientes.
O balanço considera valores contabilizados até março deste ano.
Deste total:
R$ 8,13 bilhões são recursos de 45,3 milhões de pessoas físicas;
R$ 2,43 bilhões são valores de 5,04 milhões de empresas.
Vídeos em alta no g1
Até o momento, o Banco Central informou que já foram devolvidos R$ 14,55 bilhões em recursos que estavam esquecidos nas instituições financeiras.
O sistema do BC permite consultar se pessoas físicas (inclusive falecidas) e empresas deixaram valores para trás em bancos, consórcios ou outras instituições.
Dinheiro esquecido: atualizações mensais do BC podem revelar valores na conta de quem não tinha
Reprodução/TV Globo
Governo vai pegar parte do dinheiro
No começo deste mês, o governo informou que vai usar de R$ 5 bilhões a R$ 8 bilhões em recursos esquecidos pelos trabalhadores nos bancos para viabilizar descontos no Desenrola 2.0 – novo programa de renegociação de dívidas.
Esse dinheiro irá para um fundo público, o FGO, para oferecer garantias às instituições financeiras, ou seja, parte do dinheiro desse fundo vai cobrir eventual calote dos tomadores de crédito.
"Os recursos não reclamados serão utilizados para o FGO garantir operações do próprio sistema financeiro. Haverá segregação de 10% do saldo transferido que ficará disponível para cobrir eventuais pedidos de resgate [pelos correntistas]", informou o governo.
➡️O Ministério da Fazenda argumenta que esses recursos, que hoje estão nas tesourarias das instituições financeiras, "passarão a gerar benefícios para todo o sistema financeiro, em especial para as famílias que renegociarem suas dívidas".
➡️De acordo com portaria publicada na última terça-feira (5), a transferência de recursos ao fundo público (FGO) será realizada pelas instituições financeiras em um prazo de cinco dias úteis, ou seja, até esta terça-feira (12).
➡️O governo também informou que será lançado um edital de chamamento público para os correntistas.
➡️Assim que publicado, o edital irá prever um prazo de 30 dias corridos para que clientes dos bancos possam contestar a transferência realizada pelo governo ao fundo do Desenrola 2.0. Eles deverão apresentar documentação necessária.
"Uma vez realizada a transferência, o Ministério da Fazenda, com apoio do FGO, publicará edital de chamamento público no Diário Oficial da União, que trará link para acesso a sistema de informações, em ambiente restrito e com acesso individualizado, no qual será possível consultar, dentre outros, sobre os montantes transferidos, a instituição responsável, a agência e número da conta", diz o Ministério da Fazenda.
Como consultar o dinheiro esquecido
O único site no qual é possível fazer a consulta e saber como solicitar a devolução dos valores para pessoas jurídicas ou físicas, incluindo falecidas, é o https://valoresareceber.bcb.gov.br.
🔑Via sistema do Banco Central, os valores só serão liberados para aqueles que fornecerem uma chave PIX para a devolução.
📞Caso não tenha uma chave cadastrada, é preciso entrar em contato com a instituição para combinar a forma de recebimento. Outra opção é criar uma chave e retornar ao sistema para fazer a solicitação.
💰No caso de valores a receber de pessoas falecidas, é preciso ser herdeiro, testamentário, inventariante ou representante legal para consultá-los. Também é necessário preencher um termo de responsabilidade.
Após a consulta, é preciso entrar em contato com as instituições nas quais há valores a receber e verificar os procedimentos.
Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Pedido automático
Desde maio do ano passado, o BC informou que é possível habilitar uma solicitação automática de resgate de valores a receber.
A novidade, segundo a instituição, é que a adesão ao novo serviço é facultativa.
Agora, quem quiser, pode automatizar as solicitações. As demais funcionalidades do sistema continuam iguais.
"O propósito é facilitar ainda mais a vida do cidadão, que não precisará consultar o sistema periodicamente nem registrar manualmente a solicitação de cada valor que existe em seu nome", informou o Banco Central, na ocasião.
Entenda
Para habilitar, é necessário acessar o SVR com uma conta gov.br de nível prata ou ouro e verificação em duas etapas ativadas.
A solicitação automática é exclusiva para pessoas físicas e está disponível apenas para quem possui chave PIX do tipo CPF. Quem ainda não possui essa chave deve cadastrá-la junto à sua instituição financeira.
O cidadão não receberá aviso do Banco Central quando algum valor for devolvido. O crédito será feito diretamente pela instituição financeira na conta do cidadão.
As instituições financeiras que não aderiram ao termo de devolução via PIX continuarão exigindo solicitação manual. Isso também se aplica a valores oriundos de contas conjuntas.
🚨Atenção: o governo não entra em contato solicitando dados pessoais ou informações extras para a devolução dos recursos por mensagem ou ligação telefônica. Fique atento e se proteja de golpes.
Ferramenta de segurança
Em fevereiro, o Banco Central mudou a verificação de segurança do Sistema Valores a Receber para evitar fraudes.
📱O acesso continua a ser feito com a conta "gov.br", nível prata ou ouro. Mas o aplicativo passou a exigir duas etapas de verificação de segurança.
📲Quem não tem o gov.br no celular, precisa primeiro baixar o aplicativo. Depois, é necessário preencher as informações e fazer a validação facial para liberar as duas etapas.
🗝O acesso ao sistema de valores é com o CPF e a senha.
Em seguida, o sistema vai pedir um código de acesso que precisa ser gerado no aplicativo.
Projeto autoriza uso do FGTS para comprar armas; texto será analisado em comissão de segurança da Câmara

Educação Financeira: saiba o que é o FGTS e como ele funciona
Um projeto de lei em análise na Câmara dos Deputados pretende autorizar trabalhadores a usar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para comprar armas de fogo.
A proposta de autoria do deputado Marcos Pollon (PL-MS) deve ser analisada nesta quarta-feira (12) pela Comissão de Segurança Pública da Casa. A relatoria do projeto é do deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP) e o parecer é a favor da proposta.
O texto prevê que o saque possa ser feito uma vez por ano, na data de aniversário do trabalhador – ou no dia útil subsequente – mediante apresentação de autorização válida para compra da arma e comprovante de regularidade nos sistemas de controle da Polícia Federal ou do Exército.
➡️ A proposta não amplia as regras do saque-aniversário (entenda mais abaixo), mas cria uma mobilidade de saque que usa a data do aniversário do trabalhador como referência para a nova lei.
Projeto de Lei quer permitir usar o saldo do FGTS para comprar armas e munições.
Adobe Stock
Segundo o projeto, o dinheiro poderá ser usado para adquirir a arma, munições e acessórios considerados essenciais para armazenamento seguro.
A proposta também estabelece que o trabalhador precisará cumprir todas as exigências previstas na legislação atual, como comprovação de capacidade técnica e psicológica, além da ausência de antecedentes criminais.
O autor do projeto argumenta que o alto custo para aquisição de armas legalizadas dificulta o acesso da população de baixa renda.
O FGTS foi criado para proteger o trabalhador em situações específicas, como demissão sem justa causa, aposentadoria, doenças graves e compra da casa própria.
Críticos da proposta questionam o uso do fundo para aquisição de armamentos e defendem que os recursos mantenham a finalidade original de proteção social.
Se aprovado na Comissão de Segurança Pública, o texto ainda precisará passar por outras comissões da Câmara antes de seguir para análise do Senado.
FGTS é um seguro para o trabalhador.
Stephanie Fonseca/g1
O que é o FGTS e como funciona
O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) é um direito do trabalhador com carteira assinada e só pode ser sacado mediante condições específicas, como compra da casa própria ou na aposentadoria.
Enquanto ele não é retirado pelo trabalhador, fica depositado na Caixa Econômica Federal, com rendimento geralmente abaixo da poupança, e é usado em programas de habitação, por exemplo.
Veja abaixo mais detalhes sobre o Fundo de Garantia.
O que é
O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) foi criado com o objetivo de proteger o trabalhador demitido sem justa causa, mediante a abertura de uma conta vinculada ao contrato de trabalho. Assim, o trabalhador pode ter mais de uma conta de FGTS, incluindo a do emprego atual e dos anteriores.
Até o dia 7 de cada mês, os empregadores devem depositar em contas abertas na Caixa Econômica Federal, em nome dos empregados, o valor correspondente a 8% do salário de cada funcionário. Quando a data não cair em dia útil, o recolhimento deve ser antecipado.
Para os contratos de trabalho de aprendizagem, o percentual é reduzido para 2%. No caso de trabalhador doméstico, o recolhimento é correspondente a 11,2%, sendo 8% a título de depósito mensal e 3,2% a título de antecipação do recolhimento rescisório.
O FGTS é pago sobre salários, abonos, adicionais, gorjetas, aviso prévio, comissões e 13º salário.
Esses depósitos mensais pertencem aos empregados que, em situações específicas (veja mais abaixo), podem sacar o total. O fundo não acarreta desconto no salário, pois se trata de uma obrigação do empregador.
Ouça o podcast: como funciona o FGTS
Ouça o podcast: FGTS como reserva financeira no desemprego
Quem tem direito
Trabalhadores regidos pela CLT, trabalhadores rurais, empregados domésticos, temporários, avulsos, safreiros (operários rurais que trabalham apenas no período de colheita) e atletas profissionais.
O que é uma conta inativa
Uma conta do FGTS fica inativa quando deixa de receber depósitos da empresa devido à extinção ou rescisão do contrato de trabalho. No entanto, o trabalhador poderá sacar esse dinheiro desde que esteja nas condições de retirada ou quando o governo autorizar o saque, como ocorreu em 2017.
Rendimento
Todo dia 10 as contas do FGTS recebem atualização monetária mensal (com base nos parâmetros fixados para atualização dos saldos dos depósitos de poupança, que é a Taxa Referencial) e juros de 3% ao ano.
Além disso, desde 2016, há a distribuição do lucro do FGTS para os trabalhadores. O percentual de distribuição é de 50% do lucro líquido do exercício anterior. Os valores creditados nas contas dos trabalhadores são proporcionais ao saldo da conta vinculada apurada no dia 31 de dezembro do ano anterior. Ou seja, mesmo que o dinheiro já tenha sido sacado, o valor será creditado nesta mesma conta.
Além da correção pela Taxa Referencial (TR) e juros de 3% ao ano, o FGTS também distribui parte do lucro anual do fundo aos trabalhadores, conforme decisão do Conselho Curador. O resultado distribuído não conta para o pagamento da multa rescisória de 40%.
Multa dos 40%
Quando o trabalhador é demitido sem justa causa, ele tem direito a receber o saldo do FGTS que foi depositado pelo empregador durante a vigência do contrato de trabalho mais a multa rescisória de 40% em cima desse valor total.
Mesmo que uma parte do dinheiro do FGTS seja sacada, independente da razão, os 40% são calculados em cima do total que a empresa depositou ao longo do contrato de trabalho, e não sobre o valor que restou após o saque realizado.
Quem é demitido por justa causa não tem direito ao saque do FGTS nem à multa dos 40%. Ele deve se enquadrar nas situações que permitem o saque (veja abaixo). Da mesma forma, quem pede demissão também não tem direito ao saque do FGTS nem à multa – também deve obedecer às hipóteses que autorizam o saque.
Reforma trabalhista
A reforma trabalhista criou a possibilidade da demissão por comum acordo, que dá direito ao trabalhador de sacar 80% do que foi depositado de FGTS e a 20% da multa rescisória sobre o valor total (e não sobre os 80%). Os 20% que não forem sacados poderão ser retirados dentro das regras gerais de saques do fundo.
Quando o saque é permitido
Na demissão sem justa causa;
No término do contrato por prazo determinado;
Na rescisão do contrato por extinção total da empresa; supressão de parte de suas atividades; fechamento de quaisquer de seus estabelecimentos, filiais ou agências; falecimento do empregador individual, empregador doméstico ou decretação de nulidade do contrato de trabalho;
Na rescisão do contrato por culpa recíproca ou força maior;
Na rescisão por acordo entre o trabalhador e a empresa. Nesse caso, ele tem direito de sacar 80% do saldo da conta do FGTS;
Na aposentadoria;
No caso de necessidade pessoal, urgente e grave, decorrente de desastre natural causado por chuvas ou inundações que tenham atingido a área de residência do trabalhador, quando a situação de emergência ou o estado de calamidade pública for assim reconhecido, por meio de portaria do governo federal;
Na suspensão do trabalho avulso por prazo igual ou superior a 90 dias;
No falecimento do trabalhador;
Quando o titular da conta vinculada tiver idade igual ou superior a 70 anos;
Quando o trabalhador ou seu dependente for portador do vírus HIV;
Quando o trabalhador ou seu dependente estiver com câncer;
Quando o trabalhador ou seu dependente estiver em estágio terminal, em razão de doença grave;
Quando o trabalhador permanecer por 3 anos ininterruptos fora do regime do FGTS (sem emprego com carteira assinada), com afastamento a partir de 14/07/1990, podendo o saque, neste caso, ser efetuado a partir do mês de aniversário do titular da conta;
Quando a conta vinculada permanecer por três anos ininterruptos sem crédito de depósitos e o afastamento do trabalhador ter ocorrido até 13/07/1990;
Para aquisição da casa própria, liquidação ou amortização de dívida ou pagamento de parte das prestações de financiamento habitacional concedido no âmbito do SFH – nesse caso, é preciso ter 3 anos sob o regime do FGTS; não ser titular de outro financiamento no âmbito do SFH; não ser proprietário de outro imóvel;
Na amortização, liquidação de saldo devedor e pagamento de parte das prestações adquiridas em sistemas imobiliários de consórcio.
Saque-aniversário
Criado em 2019, o saque-aniversário permite ao trabalhador retirar, uma vez por ano, parte do saldo disponível em suas contas do fundo no mês de nascimento. A adesão é opcional .
Já no saque-aniversário, o trabalhador passa a ter direito a retiradas anuais de parte do saldo do fundo, mas abre mão do saque integral em caso de demissão sem justa causa. Nessa situação, ele poderá sacar apenas a multa rescisória, sem acesso ao restante do dinheiro depositado na conta do FGTS. O saldo continua disponível apenas em situações previstas em lei, como aposentadoria, compra da casa própria ou doenças graves.
A mudança para o saque-aniversário pode ser feita pelo aplicativo do FGTS ou em agências da Caixa Econômica Federal. Segundo a Caixa, a primeira adesão tem efeito imediato. Porém, caso o trabalhador decida voltar ao saque-rescisão, a alteração não ocorre automaticamente.
Pelas regras atuais, o retorno ao modelo tradicional só passa a valer no primeiro dia do 25º mês após o pedido de mudança, desde que não exista operação de antecipação do saque-aniversário contratada. Esse período é chamado de carência e vale para qualquer nova alteração de modalidade após a primeira adesão.
A opção escolhida pelo trabalhador vale para todos os contratos de trabalho vinculados ao FGTS. Isso significa que, mesmo em caso de novo emprego, o trabalhador continua na modalidade de saque-aniversário até solicitar a mudança e cumprir o prazo de carência previsto em lei.
Onde o dinheiro do FGTS é usado
Enquanto o dinheiro não é sacado pelo trabalhador, ele é usado pelo governo para financiar projetos de habitação popular, infraestrutura e saneamento básico.
Como consultar o saldo
O FGTS é uma espécie de poupança forçada que o empregador faz para o trabalhador. Por isso, é importante que o saldo seja monitorado para verificar se os depósitos estão sendo efetuados.
A consulta ao saldo pode ser feita pessoalmente, no balcão de atendimento de agências da Caixa, no site da Caixa ou pelo aplicativo FGTS. Há ainda a opção de receber os extratos pelos Correios, por e-mail ou por SMS - clique aqui para ver todas as opções.
Veja como consultar o saldo de contas ativas ou inativas
O que fazer se a empresa não depositou
Ao descobrir que o dinheiro não foi depositado, o trabalhador pode entrar em contato com a empresa e cobrar o depósito dos valores atrasados.
Se não houver acordo, ele pode buscar auxílio nas Superintendências Regionais do Trabalho (antigas DRTs), agências ou gerências do Ministério do Trabalho ou ainda no sindicato da sua categoria para formalizar denúncia, que pode ser anônima. A rede de atendimento está disponível no site do Ministério do Trabalho. Os documentos necessários são apenas carteira de trabalho, número do PIS e o extrato da conta vinculada do FGTS.
O trabalhador também pode fazer uma denúncia ao Ministério Público do Trabalho (MPT) ou ingressar com reclamação na Justiça do Trabalho.
Na Justiça do Trabalho, o trabalhador pode entrar com uma ação até dois anos após o desligamento da empresa. E ele pode cobrar até cinco anos de FGTS não depositado.
Já a denúncia ao Ministério do Trabalho pode ser feita mesmo após esse período do desligamento, pois a fiscalização trabalhista pode cobrar o FGTS irregular a qualquer tempo, não se restringindo ao prazo prescricional da Justiça do Trabalho.
Nos casos em que a empresa não existe mais, o trabalhador também pode ingressar com uma ação na Justiça do Trabalho e requerer o pagamento do FGTS devido.
eBay rejeita oferta de compra de US$ 56 bilhões feita pela GameStop

Ebay
Beck Diefenbach/Reuters
A empresa de comércio eletrônico eBay rejeitou nesta terça-feira (12) uma oferta de compra de US$ 56 bilhões feita pela varejista de videogames GameStop, segundo informações da Reuters. A companhia afirmou que tem dúvidas sobre a capacidade de financiamento da operação.
A proposta, considerada ousada pelo mercado, previa pagamento em dinheiro e ações. O negócio chama atenção porque o valor de mercado da eBay é quase quatro vezes maior que o da GameStop, algo incomum em aquisições desse porte.
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"Concluímos que sua proposta não é nem credível nem atraente", disse o presidente do conselho do eBay, Paul Pressler. "O conselho do eBay está confiante de que a empresa, sob a atual equipe de gestão, está bem posicionada para continuar impulsionando o crescimento sustentável."
Mesmo após a rejeição, o CEO da GameStop, Ryan Cohen, afirmou recentemente que pode levar a proposta diretamente aos acionistas da eBay, o que abriria espaço para uma tentativa mais agressiva de compra.
Investidores e analistas já demonstravam ceticismo em relação ao acordo. As ações da eBay seguem sendo negociadas abaixo do valor oferecido pela GameStop, indicando que o mercado vê dificuldades para que a operação avance.
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A reação também foi negativa entre parte dos investidores da GameStop. Michael Burry, conhecido pelo filme “The Big Short”, vendeu toda sua participação na companhia após o anúncio da proposta.
Ele criticou a estratégia e alertou para riscos como aumento do endividamento e diluição dos acionistas.
Aposta para disputar espaço com a Amazon
A oferta bilionária foi apresentada no início deste mês e avaliava a eBay em cerca de US$ 56 bilhões. Antes mesmo da proposta, a GameStop já vinha comprando ações da empresa e acumulou quase 5% de participação, incluindo derivativos.
Em entrevista ao Wall Street Journal, Ryan Cohen afirmou ver potencial para transformar a eBay em uma empresa avaliada em “centenas de bilhões de dólares” e capaz de competir diretamente com a Amazon.
O plano inclui cortar cerca de US$ 2 bilhões em custos anuais já no primeiro ano após a aquisição para aumentar a lucratividade da companhia.
Outro ponto central da estratégia é usar as cerca de 1.600 lojas físicas da GameStop nos Estados Unidos para apoiar as operações da eBay, funcionando como pontos de retirada, envio e autenticação de produtos, além de integrar melhor as vendas online e físicas.
Para financiar a operação, a GameStop afirma que poderia levantar até US$ 20 bilhões em dívidas com apoio do TD Securities, além de emitir novas ações.
O 'xadrez do petróleo' com que Trump pressiona a China — e os limites dessa estratégia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o presidente chinês, Xi Jinping
AFP via Getty Images/BBC
Pressão sobre a Venezuela, bloqueio do petróleo iraniano no estreito de Ormuz , movimentações no entorno do estreito de Malaca. Nos últimos meses, os Estados Unidos intensificaram sua atuação em pontos estratégicos das rotas globais de energia e comércio, ampliando sua presença em diferentes frentes da disputa geopolítica atual.
Mas o que parecem ser, à primeira vista, crises distintas, com dinâmicas próprias, pode indicar um padrão observado em conjunto: o uso crescente do controle sobre gargalos marítimos, fornecedores de petróleo e corredores comerciais como instrumento de pressão na disputa estratégica com a China.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse em 1º de maio que sua viagem a Pequim nesta semana, entre 13 e 15 de maio, será "incrível". Será a primeira viagem de um presidente americano à China em quase uma década.
Em sua bagagem, porém, Trump levará mais do que uma agenda diplomática: a visita de Estado será, inevitavelmente, marcada por um cenário de tensões ampliadas que se estende do Oriente Médio à América Latina e ao Sudeste Asiático.
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Após um primeiro ano de governo marcado por uma escalada da guerra comercial com Pequim, a primeira viagem de Trump à China desde seu retorno à Casa Branca tende a funcionar como um teste para a capacidade dos dois países de administrar tensões crescentes sem romper canais de diálogo.
Na véspera das declarações de Trump, autoridades dos dois países já haviam sinalizado essa preocupação.
Em 30 de abril, o chanceler chinês conversou por telefone com o secretário de Estado dos Estados Unidos sobre os preparativos da visita, além de discutir temas sensíveis como Taiwan e o Oriente Médio.
O gesto foi interpretado como uma tentativa de manter a comunicação aberta em um momento de incerteza crescente e de evitar que crises paralelas contaminem diretamente a relação bilateral.
O que conecta Venezuela, Ormuz e Malaca
Segundo analistas ouvidos pela BBC News Brasil, esse contexto ajuda a entender por que os movimentos recentes dos Estados Unidos vão além de episódios isolados e incidem diretamente sobre um dos pontos mais sensíveis da economia chinesa: o abastecimento de energia.
Antes da crise mais recente no Golfo Pérsico, cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã tinham como destino a China. Ao interferir nesse fluxo, os Estados Unidos não apenas pressionam Teerã, mas também ampliam a volatilidade em um mercado cujos efeitos são sentidos muito além da Ásia, com impacto sobre preços globais de energia, cadeias de abastecimento e inflação em diferentes regiões do mundo.
A pressão sobre a Venezuela, em uma ofensiva que culminou na captura de Nicolás Maduro, segue lógica semelhante ao atingir outro fornecedor relevante de petróleo para Pequim, enquanto as movimentações no Sudeste Asiático ampliam a atenção sobre rotas marítimas críticas para o abastecimento chinês.
A questão central é até que ponto essas ações refletem uma estratégia deliberada de pressão sobre a China ou se são, sobretudo, respostas a crises regionais que acabam produzindo efeitos colaterais globais.
Para o cientista político Mauricio Santoro, as duas interpretações não são excludentes. Segundo ele, os Estados Unidos vivem há pelo menos uma década um período marcado por instabilidade política interna, polarização e decisões frequentemente erráticas. Ainda assim, há um elemento que atravessa governos e partidos: a percepção de que a ascensão da China representa uma ameaça estratégica.
"Existe realmente um tema de política pública que une o Partido Democrata e o Partido Republicano: a preocupação com a China", afirma.
"A ascensão chinesa é vista como uma ameaça aos interesses dos Estados Unidos, e isso tem levado a uma série de iniciativas para criar obstáculos ao desenvolvimento econômico da China."
Nesse contexto, ações militares indiretas, sanções econômicas e pressões diplomáticas passam a ser mobilizadas de forma combinada. Ainda que não tenham a China como alvo imediato, acabam afetando diretamente seus interesses, afirma Santoro, colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha.
"Eu não diria que a China é a motivação essencial dessas ações, mas ela é parte desse cálculo", diz
Quando a disputa sai do comércio e vai para as rotas de energia
Antes da crise mais recente no Golfo Pérsico, cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã tinham como destino a China.
REUTERS/Evelyn Hockstein/File Photo via BBC
Para o analista Lucas Leite, o cenário atual não corresponde exatamente a um plano único e coordenado. O que emerge, segundo ele, é um conjunto de decisões que convergem sobre as mesmas vulnerabilidades. Professor de Relações Internacionais da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Leite descreve esse movimento como uma forma de "pressão por fricção".
"Essas ações, juntas, servem para pressionar a China em seu ponto de maior vulnerabilidade estrutural, que é o abastecimento de energia. Mas não está claro se isso é um plano deliberado, integrado ou é uma convergência de coisas distintas", afirma.
Segundo ele, o ponto central não está na intenção declarada de Washington, mas no efeito acumulado dessas decisões, que, na prática, encarecem o acesso da China à energia e aumentam a incerteza sobre suas rotas de abastecimento.
Esse deslocamento da disputa — do campo das tarifas e sanções econômicas para o controle de rotas marítimas, cadeias de abastecimento e pontos estratégicos do comércio global — reflete um desequilíbrio crescente entre as duas potências.
De um lado, a China avança rapidamente em setores como comércio internacional, indústria e tecnologia de ponta. De outro, os Estados Unidos ainda mantêm uma vantagem significativa no campo militar, especialmente na capacidade de projetar poder global por meio de sua Marinha.
"É muito nítido o quanto os Estados Unidos estão perdendo terreno para a China em áreas como comércio e tecnologia", afirma Santoro.
"Fica muito grande essa tentação de usar o poder militar, de usar essa coerção, para tentar obter resultados econômicos."
O 'dilema de Malaca' e a vulnerabilidade chinesa
É nesse ponto que entram os chamados "chokepoints" — gargalos marítimos por onde passa uma parte significativa do comércio global de energia. Entre eles, os estreitos de Ormuz e Malaca ocupam posições centrais.
Ormuz conecta os produtores de petróleo do Golfo aos mercados globais e responde por cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo transportado por via marítima. Já Malaca, localizado entre Malásia, Indonésia e Singapura, liga o Oceano Índico ao Mar do Sul da China e funciona como uma artéria vital para a economia chinesa: mais de 80% das importações de petróleo do país passam por esse corredor marítimo.
Essa dependência ficou conhecida como o "Dilema de Malaca", expressão popularizada em 2003 pelo então presidente chinês, Hu Jintao, para descrever o temor de Pequim de que uma potência rival possa interromper o fluxo de energia nessa rota crítica.
"A China sabe que há uma vulnerabilidade histórica no seu acesso ao mar", explica Santoro.
"Embora tenha um litoral muito extenso, esse acesso depende de pontos de estrangulamento que podem ser explorados em um cenário de conflito."
Esse temor voltou ao centro do debate estratégico nos últimos meses. Em abril, os Estados Unidos firmaram com a Indonésia uma parceria de cooperação de defesa e passaram a negociar maior acesso ao espaço aéreo do país, ampliando sua capacidade de vigilância sobre o estreito.
Para analistas, o movimento não implica controle direto da rota, mas reforça a capacidade americana de monitorar e, em um cenário extremo, influenciar o fluxo marítimo.
A aproximação entre Washington e Jacarta, porém, também expôs resistências internas na Indonésia, que historicamente adota uma política externa de neutralidade e evita se alinhar de forma explícita às disputas entre grandes potências.
"O ponto não é fechar o estreito, mas mostrar que ele pode ser pressionado. Isso já é suficiente para gerar custo e incerteza", diz Leite.
Pressão por fricção, não por estrangulamento
A geografia reforça essa lógica. Em seu trecho mais estreito, o estreito de Malaca tem pouco mais de 2 km de largura, o que o torna particularmente sensível a interrupções. No entanto, essa vulnerabilidade não significa que a China esteja à beira de um colapso em caso de crise. Segundo Leite, a China desenvolveu mecanismos de resiliência que reduzem o impacto de crises externas.
"A China tem reservas estratégicas muito grandes, uma frota de petroleiros paralela e vem acelerando a transição energética", afirma.
Hoje, veículos elétricos e híbridos já representam mais da metade das vendas no país, reduzindo gradualmente a dependência de combustíveis fósseis. Na prática, isso significa que a pressão americana tende a gerar impacto, mas não necessariamente um colapso.
"O que acontece é uma fricção. O petróleo fica mais caro, a logística mais complicada, mas não há um estrangulamento sistêmico."
Os efeitos já são visíveis: aumento de preços, ajustes nas cadeias de importação e pressão sobre refinarias independentes, especialmente aquelas que dependem de petróleo sancionado. Mas, até agora, esses efeitos têm sido administrados.
O contra-ataque chinês dos minerais críticos
Ao mesmo tempo, a China dispõe de instrumentos próprios de pressão. Pequim domina cerca de 70% da extração e 90% do processamento global de minerais críticos, insumos essenciais para setores como tecnologia, defesa e energia limpa. Essa posição dominante oferece uma poderosa alavanca de negociação.
"Essa dependência dos Estados Unidos em relação aos minerais chineses é, no curto prazo, mais difícil de contornar do que a dependência da China em relação ao petróleo", avalia Leite.
Além disso, a China tem buscado reduzir sua exposição ao sistema financeiro internacional dominado pelos EUA, ampliando o uso do yuan em transações energéticas e mantendo relações comerciais com países sob sanção.
Diante disso, cresce o risco de que a estratégia americana produza efeitos adversos. Para Santoro, o uso da força militar como instrumento econômico tende a aumentar a instabilidade global, ainda que não garanta ganhos estratégicos claros.
"Será que isso vai dar resultado ou só vai criar um mundo mais instável, mais violento e mais imprevisível? Por enquanto, está criando simplesmente uma situação de caos."
Entre pressão e negociação
Nesse contexto, a visita de Trump a Pequim se torna um teste importante. De um lado, os Estados Unidos ampliam seus instrumentos de pressão. De outro, Pequim demonstra capacidade de absorver custos e se adaptar a um ambiente mais adverso.
O encontro pode indicar até que ponto essa estratégia de pressão sobre as rotas energéticas será usada como ferramenta de negociação ou se tende a se consolidar como um fator permanente de tensão.
No fim, a disputa entre Estados Unidos e China já não se limita a tarifas ou tecnologia. Ela passa também pelas rotas do petróleo, pelos gargalos marítimos e pela capacidade de transformar fluxos comerciais e energéticos em instrumentos de pressão.
Mas, como mostram os eventos recentes, pressionar nem sempre significa controlar — e o custo dessa estratégia pode acabar sendo compartilhado por todos.
Embraer negocia avião militar C-390 para a Colômbia e o Chile, afirma CEO

Embraer busca ampliar mercado do cargueiro C-390
A fabricante de aviões Embraer está em negociações com a Colômbia e o Chile para possíveis encomendas de suas aeronaves de transporte militar C-390, enquanto aumenta a produção para atender ao crescente interesse internacional, disse o presidente-executivo da empresa, Francisco Gomes Neto.
O Brasil é o único país da América Latina que opera a aeronave, e novos acordos na região ajudariam a Embraer em seu objetivo de impulsionar as vendas externas do C-390, um importante concorrente do C-130 Hércules da Lockheed Martin .
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As campanhas de vendas na América Latina podem demorar mais para serem concluídas do que em outras regiões devido às aprovações orçamentárias e aos processos de aquisição, disse Gomes Neto em entrevista na última sexta-feira (8), acrescentando que a Embraer vê o C-390 como uma boa opção para ambos os países.
"São campanhas que na América Latina às vezes demoram até um pouco mais do que o normal. Mas eles têm necessidade, gostam do avião, têm uma relação muito próxima com a Força Aérea Brasileira de colaboração, então é uma oportunidade", disse ele.
A Embraer pode conseguir fechar um acordo com a Colômbia mais rapidamente do que com o Chile. O presidente colombiano, Gustavo Petro, que está tentando modernizar a frota militar do país, criticou os entraves burocráticos que atrasaram seus planos após a queda de um C-130 em março, que matou 70 pessoas.
"A Colômbia pode ser uma campanha de curto prazo por causa desses eventos", disse Gomes Neto. "Acho que a campanha no Chile é de médio prazo."
A Embraer apresentou o C-390 ao presidente chileno José Antonio Kast na feira aeronáutica FIDAE do país, no mês passado.
Embraer tem melhor 1º trimestre da história com receita recorde de R$ 7,6 bilhões
C-390 Millennium
Reprodução/Embraer
Aumento da produção
Na semana passada, a Embraer anunciou uma encomenda de até 20 aeronaves C-390 dos Emirados Árabes Unidos, sua primeira venda desse modelo no Oriente Médio. Segundo Gomes Neto, a encomenda ocorreu um pouco antes do previsto, em meio à guerra envolvendo os EUA e Israel contra o Irã.
O presidente-executivo afirmou que existe uma percepção positiva em relação à aeronave em nível global, com uma dúzia de países que já a selecionaram e a produção aumentando à medida que as cadeias de suprimentos se recuperam das restrições pós-pandemia.
"Até 2030, chegaremos a 10 aeronaves, o que sustenta todas as campanhas de vendas em que temos trabalhado", disse Gomes Neto, observando que a produção deste ano deverá totalizar seis jatos. "A cadeia de suprimentos está reagindo, engrenando. Estamos azeitando mais a cadeia de suprimentos."
(Edição de Paulo Simão)
Cargueiro C-390, da Embraer, foi vendido aos Emirados Árabes na última semana.
Embraer/Divulgação
Aeronave multimissão
O C-390 Millennium é um cargueiro militar multimissão, capaz de atuar tanto em operações militares quanto em missões humanitárias, como transporte de cargas, evacuação médica e combate a incêndios.
A aeronave também pode ser utilizada para reabastecimento em voo, funcionando tanto como tanque quanto como receptora de combustível.
Segundo a Embraer, o modelo foi desenvolvido no século XXI e se diferencia pela versatilidade. Com a instalação de kits específicos, a mesma aeronave pode alternar entre diferentes tipos de operação.
O C-390 tem capacidade para transportar até 26 toneladas e já foi selecionado por 12 países. A fabricante afirma que a frota em operação apresenta taxa de conclusão de missão superior a 99%.
Crise financeira, dívida e juros altos: o que a situação da Cosan tem a ver com o IPO da Compass

Cosan
Divulgação
A Compass, empresa de gás e energia que tem participação na Comgás, estreou nesta segunda-feira (11) na bolsa brasileira. A operação marca mais uma tentativa da Cosan, sua controladora, de enfrentar a crise financeira que prejudica seus resultados há mais de dois anos.
O início da crise na Cosan, holding brasileira de infraestrutura e energia, foi silencioso e começou com uma série de decisões estratégicas tomadas pela antiga gestão entre o fim de 2022 e o início de 2023.
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Naquele momento, a empresa já enfrentava alto endividamento para financiar investimentos em expansão e aquisições. E rapidamente o modelo de negócio não se mostrou sustentável.
Em 2024, as dívidas começaram a pesar, e a empresa passou a enfrentar problemas financeiros, estratégicos e operacionais.
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Um tiro no pé
A estratégia de usar dívida como ferramenta de investimento explica parte dos problemas atuais da Cosan. Um dos episódios mais marcantes ocorreu no quarto trimestre de 2022, quando a empresa decidiu comprar uma participação relevante na Vale.
A ideia era investir em empresas consolidadas que atuam em setores nos quais o Brasil tem vantagem competitiva. Para isso, a dívida bruta da companhia subiu 30%, para R$ 70,7 bilhões.
A expectativa era ganhar com a valorização das ações e o recebimento de dividendos da Vale, além de conquistar alguma influência estratégica nas decisões da mineradora.
Mas o desempenho da Vale foi fraco em 2024. As ações da empresa caíram 23,2% no ano, por conta do recuo de 15% no preço do minério de ferro no mercado internacional.
Além disso, a alta da taxa básica de juros no país também prejudicou a Cosan. A dívida contraída para comprar a participação na Vale ficou mais cara, e o investimento passou a gerar mais custos do que retorno.
Com isso, a Cosan não demorou a anunciar uma “adequação” na participação na Vale. Em abril de 2024, a companhia vendeu mais de 33 milhões de ações da mineradora, levantando cerca de R$ 2 bilhões.
Isso ocorreu ao mesmo tempo dos primeiros sinais de deterioração financeira da Raízen, empresa fundada em 2011 em parceria entre Cosan e Shell. (entenda mais abaixo)
A Cosan reportou prejuízo líquido de R$ 9,4 bilhões em 2024 e encerrou o ano sinalizando a venda total de sua participação na Vale para reduzir o endividamento.
Na ocasião, o então vice-presidente financeiro, Rodrigo Araújo, afirmou que a empresa havia registrado ganhos contábeis de R$ 5 bilhões com a participação. As ações, porém, foram vendidas por valor inferior ao registrado em balanço.
Enquanto isso, na Raízen....
A Raízen estreou na bolsa em 2021 com uma estratégia semelhante, baseada em um ritmo acelerado de investimentos para expansão. Nos anos seguintes, porém, também teve dificuldade para manter esse modelo.
Além dos efeitos da alta dos juros, a companhia passou a registrar piora nos resultados financeiros e operacionais a partir de 2024 — em parte por causa de eventos climáticos que afetaram a produtividade agrícola.
No ano-safra 2023/24 — entre abril de 2023 e março de 2024 —, a Raízen reportou lucro líquido de R$ 614,2 milhões, queda de 75,5% em relação ao ciclo anterior.
No ano-safra 2024/25, a Raízen registrou prejuízo de R$ 4,2 bilhões.
Dados mais recentes apontam prejuízo de R$ 19,8 bilhões nos nove primeiros meses do ano-safra 2025/26.
Diante do agravamento do cenário, a empresa entrou com pedido de recuperação extrajudicial em março deste ano, com mais de R$ 65 bilhões em dívidas. A deterioração da Raízen impactou diretamente os resultados da Cosan.
E o IPO da Compass?
Uma das saídas para a crise financeira da Cosan foi o IPO da Compass. Diferentemente de outras estreias na bolsa, a operação não buscou expansão, mas reforçar o caixa e aliviar a pressão financeira sobre a holding.
Com a operação, a Cosan reduziu sua participação na Compass de 88% para cerca de 75%.
Tesouro Reserva, Selic, CDB ou poupança: qual rende mais? Veja simulações com R$ 1 mil

Tesouro Reserva: Tesouro Nacional lança novo investimento que poderá ser negociado 24 horas por dia
O Tesouro Direto, plataforma do governo federal para investimentos em títulos públicos, lançou nesta segunda-feira (11) o Tesouro Reserva, novo tipo de aplicação voltado a quem busca uma alternativa simples, com possibilidade de resgate a qualquer momento e rendimento previsível.
Criado como alternativa à poupança, aos CDBs (Certificados de Depósito Bancário) e às caixinhas digitais dos bancos, o Tesouro Reserva permite aplicações a partir de R$ 1 e tem rendimento ligado à Selic, a taxa básica de juros da economia.
🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
Por enquanto, o título está disponível apenas para clientes do Banco do Brasil (BB). A oferta nas demais instituições financeiras dependerá da adesão e da implementação do produto por cada banco. (veja detalhes mais abaixo)
Mas qual investimento rende mais?
Thaísa Durso, educadora financeira da Rico, elaborou a pedido do g1 um levantamento comparando os rendimentos do Tesouro Reserva, dos CDBs que pagam 100% do CDI, do Tesouro Selic e da poupança.
🔎 Os cálculos consideram a Selic em 14,50% ao ano e a tabela regressiva do Imposto de Renda (IR) aplicada aos produtos tributáveis (Tesouro e CDBs). Nesse cenário, o Tesouro Reserva e o Tesouro Selic aparecem empatados na liderança, enquanto a poupança rende bem menos. Veja:
Tesouro Reserva, Selic, CDB ou poupança: qual rende mais? Veja simulações
Arte/g1
O levantamento mostra pouca diferença entre os rendimentos do Tesouro Reserva, do Tesouro Selic e de um CDB que paga 100% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) — taxa de referência dos empréstimos entre bancos, estimada em 14,4% ao ano.
📈 No caso dos CDBs, a rentabilidade pode variar conforme o percentual do CDI oferecido pela instituição financeira. Alguns papéis pagam, por exemplo, 110% do CDI, o que aumenta os ganhos do investidor. Quanto maior, contudo, maior o risco.
Thaísa Durso explica que Tesouro Reserva e Tesouro Selic têm a mesma rentabilidade quando o investidor aplica e resgata o dinheiro ao fim do período, mas a principal diferença está na experiência do investidor.
“O Tesouro Selic sofre marcação a mercado, o que pode gerar pequenas oscilações no valor antes do resgate. Já o Tesouro Reserva elimina esse efeito, oferecendo previsibilidade total — um ponto importante para quem precisa de liquidez sem surpresas”, diz.
Em todos os cenários simulados, a poupança, com retorno de pouco mais de 8% ao ano, aparece na última posição. Em 10 anos, a diferença em relação aos títulos do Tesouro chega a R$ 1.255,04, segundo o levantamento.
A educadora financeira destaca que Tesouro Reserva, Tesouro Selic e CDBs acompanham de perto a taxa básica de juros, enquanto a poupança tende a render menos, mesmo com a isenção de Imposto de Renda.
Os títulos do Tesouro e os CDBs seguem tabela regressiva de IR.
🔎 A alíquota começa em 22,5% para aplicações de até 180 dias e cai gradualmente até 15% para investimentos mantidos por mais de dois anos. Também há cobrança de IOF em resgates feitos nos primeiros 30 dias. Após esse prazo, o imposto deixa de ser aplicado.
Thaísa Durso, da Rico, destaca que a principal diferença entre os produtos está no emissor e na estrutura: os títulos do Tesouro têm risco soberano, por serem garantidos pelo governo federal, enquanto os CDBs têm risco bancário, mitigado pela cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
“O Tesouro Reserva se destaca por oferecer liquidez 24 horas por dia, inclusive em fins de semana, com liquidação via PIX e sem marcação a mercado, garantindo previsibilidade total. O Tesouro Selic, por sua vez, tem liquidez diária em dias úteis, com oscilações mínimas por ser pós-fixado”, diz.
Veja abaixo perguntas e respostas sobre o novo Tesouro Reserva.
O que é o Tesouro Reserva?
Quais as condições de aplicação e resgate?
Qual a rentabilidade e o risco?
Onde e como investir?
Por que concorre com CDBs?
Quais são as taxas e impostos?
Novo título do Tesouro Direto permite aplicações a partir de R$ 1
Jornal Nacional/ Reprodução
O que é o Tesouro Reserva?
É um novo título de dívida pública do Tesouro Direto, plataforma do governo federal para investimentos em papéis públicos. Segundo o Ministério da Fazenda, o produto foi criado para formação de reserva financeira, “com foco em simplicidade e previsibilidade”.
Quais as condições de aplicação e resgate?
O Tesouro Reserva tem investimento mínimo de R$ 1. Segundo especialistas, isso democratiza e facilita o acesso por investidores iniciantes.
O sistema permite investir e resgatar o dinheiro a qualquer hora do dia, todos os dias da semana, inclusive com possibilidade de transferência via PIX. A única exceção é o intervalo entre 0h e 1h, todos os dias.
"Isso aproxima o Tesouro Direto da experiência que hoje o investidor já encontra nas fintechs [bancos e plataformas digitais]", avalia Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.
O vencimento do papel é de 3 anos, mas o resgate pode ser feito a qualquer momento, sem descontos.
Qual a rentabilidade e o risco?
O novo título tem rendimento atrelado à Selic, a taxa básica de juros da economia, atualmente em 14,50% ao ano. A rentabilidade é equivalente a 100% da taxa.
Por ser um título público de renda fixa emitido pelo governo federal, o investimento é considerado de baixo risco. Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, o produto mira quem “quer rentabilidade, mas também quer segurança”.
🔎 O investimento não está sujeito à volatilidade diária típica da chamada marcação a mercado — mecanismo que faz o valor de títulos oscilar diariamente conforme mudam as expectativas do mercado para os juros e a inflação.
Na prática, isso significa que o valor aplicado não sofrerá oscilações no momento da compra ou do resgate, trazendo mais previsibilidade ao investidor.
Onde e como investir?
O investimento já está disponível para clientes do Banco do Brasil, que desenvolveu o produto em parceria com a Secretaria do Tesouro Nacional.
Segundo o Ministério da Fazenda, a oferta do título em outras instituições financeiras dependerá da adesão e implementação por parte de cada banco.
A pasta acrescenta que, para investir, o processo segue o fluxo tradicional do Tesouro Direto: o cliente do Banco do Brasil deve acessar a área do Tesouro Direto no aplicativo de investimentos, selecionar o Tesouro Reserva, definir o valor da aplicação e confirmar a operação.
Nos demais bancos, a operação deverá funcionar de forma semelhante após a disponibilização do título.
Por que concorre com CDBs?
Por ser um investimento prático, com valor mínimo baixo, resgate a qualquer momento e rendimento atrelado à Selic, o Tesouro Reserva se torna uma alternativa interessante aos CDBs, às caixinhas digitais e à poupança, dizem especialistas.
“O desafio será competir com o retorno de CDBs, LCIs e LCAs, que muitas vezes são mais atrativos e não têm taxas”, diz Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos.
Relembre os conceitos de CDBs, LCIs, LCAs e caixinhas digitais:
💰Os CDBs são investimentos de renda fixa em que o cliente empresta dinheiro ao banco em troca de juros.
🏠 As LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) são títulos de renda fixa usados pelos bancos para financiar o setor imobiliário, geralmente isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas.
🌾 As LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) funcionam de forma semelhante às LCIs, mas os recursos são direcionados ao financiamento do agronegócio.
🐷 Já nas caixinhas digitais, o banco organiza e aplica automaticamente o dinheiro do cliente em investimentos de renda fixa voltados a objetivos específicos.
Marcos Praça, da ZERO Markets, tem a mesma leitura. Ele avalia que o Tesouro Reserva tende a ser uma alternativa competitiva para a reserva de emergência, principalmente pela combinação entre segurança, rapidez no saque e previsibilidade.
"Em um ambiente de juros ainda altos no Brasil, produtos atrelados à Selic continuam muito atrativos para o investidor conservador", conclui.
Quais são as taxas e impostos?
Como qualquer investimento do Tesouro Direto, o Tesouro Reserva também está sujeito à tabela regressiva do Imposto de Renda aplicada aos investimentos de renda fixa.
Nesse modelo, a alíquota começa em 22,5% para aplicações de até 180 dias e cai gradualmente até 15% para investimentos mantidos por mais de dois anos.
Até 180 dias de investimento, 22,5%;
De 181 a 360 dias de investimento, 20%;
De 361 a 720 dias de investimento, 17,5%;
Acima de 720 dias, 15%.
🔎 O Imposto de Renda incide apenas sobre os rendimentos do investimento, e não sobre o valor total aplicado. Por exemplo: se uma pessoa investir R$ 1.000 e, após um período, o saldo subir para R$ 1.100, o IR será cobrado somente sobre os R$ 100 de ganho.
Além do IR, também há cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em caso de resgate nos primeiros 30 dias da aplicação. Após esse período, o imposto deixa de ser aplicado.
Além disso, o investimento tem taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano. No entanto, aplicações de até R$ 10 mil são isentas dessa cobrança.
Caverna subterrânea e fungos naturais ajudam produtor a criar queijos premiados em Goiás

Produtor goiano matura queijos em caverna
O produtor rural de Guapó (GO) João Vicente Borges vem chamando a atenção no mercado gastronômico ao utilizar uma caverna subterrânea para maturar queijos artesanais.
O método, que usa diferentes tipos de fungos naturais para aprimorar o sabor e a aparência dos produtos, já rendeu diversos prêmios nacionais e internacionais à fazenda.
Há quase 20 anos, Borges administra a propriedade que pertenceu aos avós dele. A família sempre trabalhou com pecuária leiteira, mas em 2017 ele decidiu investir na produção de queijos finos.
Hoje, com um rebanho de 50 vacas das raças pardo suíço e holandesa, a queijaria processa cerca de 600 litros de leite por dia.
🧀 O grande diferencial dos queijos está na etapa final de maturação. Depois de passarem por câmaras frias, onde ocorre a formação da casca e o desenvolvimento inicial dos fungos, as peças são levadas para uma caverna construída a 5 metros de profundidade.
O ambiente tem paredes de pedra e chão coberto por pedriscos, o que ajuda a manter a umidade do ar em torno de 80% e a temperatura entre 14°C e 16°C. Segundo o produtor, essas são as condições ideais para que pelo menos seis tipos de fungos naturais e benéficos se desenvolvam nos queijos.
Entre eles está o penicillium roqueforti, responsável pelo sabor característico do gorgonzola, além do fungo conhecido popularmente como “pelo de gato”.
Queijos diferentes e sabores inusitados
A fazenda produz atualmente nove tipos de queijos, com períodos de maturação que variam de alguns dias a vários meses — ou até anos. Além do tempo e das condições naturais da caverna, Borges aposta em receitas diferentes para criar sabores exclusivos.
Entre os destaques da produção está o queijo na cerveja, que fica imerso em cerveja preta por 48 horas e ganha uma tonalidade caramelizada.
Outro exemplo é o Foguinho, queijo flambado no whisky e maturado por 60 dias. A linha também inclui o Do Cerrado, receita inspirada no sabor do pequi, mesmo sem utilizar o fruto na composição. Já o Bálsamo é uma das peças mais valorizadas da produção e chega a pesar cerca de 2,5 kg.
Atualmente, a caverna armazena até 8 mil peças de queijo. Com o Selo Arte — certificação que permite a comercialização interestadual de produtos artesanais de origem animal —, a fazenda vende cerca de 2 mil queijos por mês para diferentes estados do país.
“Todos os nossos queijos já foram premiados, muitos deles mais de uma vez. Isso mostra que conseguimos manter a qualidade da produção”, afirma João Vicente, que já planeja expandir o negócio.
Caverna subterrânea e fungos naturais ajudam produtor goiano a criar queijos exclusivos
Reprodução/Globo Rural
Cade analisa se houve irregularidades na venda de mina de terras raras para empresa dos EUA

Mina de terras raras em Minaçu (GO) é alvo de acordo bilionário entre empresa brasileira e americana; operação prevê expansão da produção e fornecimento por 15 anos
Divulgação/Serra Verde
A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (SG/Cade) instaurou um procedimento administrativo para apuração de ato de concentração (APAC) envolvendo a Serra Verde Pesquisa e Mineração S.A. (Serra Verde), em Goiás, e a USA Rare Earth, Inc. (USAR).
🔎 O procedimento de Apuração de Ato de Concentração (APAC) no Cade investiga fusões, aquisições ou associações de empresas consumadas sem a devida aprovação prévia do órgão.
➡️ A empresa americana USA Rare Earth firmou um acordo para adquirir participação na mineradora Serra Verde, responsável por uma mina de terras raras em Minaçu, no norte de Goiás, em uma transação avaliada em cerca de US$ 2,8 bilhões.
➡️O negócio prevê a combinação das operações das duas companhias para criar uma cadeia completa de produção — da extração à fabricação de ímãs — fora da Ásia, região que hoje domina esse mercado.
Conforme o Cade, o processo busca entender se a combinação de negócios da Serra Verde e da USAR e o acordo de fornecimento informados configurariam ato de concentração. Caso o Conselho entenda que sim, será realizada uma avaliação se seria caso de notificação obrigatória ou, se as empresas deveriam ter submetido a operação a verificação de possível impactos concorrenciais.
Após o acordo com a empresa USA Rare Earth pela venda da mina por US$ 2,8 bilhões, a mineradora foi alvo de críticas por parte de autoridades, que questionaram a negociação com "recursos do subsolo brasileiro que pertencem à União".
"A abertura do APAC não significa necessariamente que os atos deverão ser notificados ou que haja problemas concorrenciais. Ao final de sua apuração, a Superintendência-Geral poderá decidir pelo seu arquivamento, pela consumação da operação, ou pela abertura de processo administrativo", divulgou o Conselho.
Mina de terras raras vendida a empresa dos EUA por US$ 2,8 bilhões em Goiás: o que muda na prática?
O acordo entre a mineradora goiana e a empresa dos EUA cria uma empresa multinacional com oito operações, no Brasil, EUA, França e Reino Unido, ressaltou o Cade. Dessa forma, a empresa passa a ter operações ativas em toda a cadeia de suprimento de terras leves e pesadas.
Além disso, a Serra Verde assinou um contrato de 15 anos para destinar 100% da produção de sua Fase I a uma Sociedade de Propósito Específico (SPE). A empresa é financiada por agências governamentais dos Estados Unidos e capital privado, garantindo preços mínimos para suas terras raras magnéticas.
Mina de terras raras vendida a empresa dos EUA por US$ 2,8 bilhões em Goiás
Mineradora se defende de críticas
Segundo a empresa, o material exportado é rico em elementos estratégicos como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, fundamentais para a produção de ímãs permanentes usados em veículos elétricos, turbinas eólicas e outras tecnologias de energia limpa.
"Ao longo dos últimos 16 anos, a empresa investiu mais de US$ 1 bilhão para construir uma operação integrada de mineração e processamento que transforma o minério em um produto intermediário de maior valor agregado: o Carbonato Misto de Terras Raras de alta pureza", disse a Serra Verde ao g1.
"Ainda não dispomos da tecnologia necessária para separar terras raras em escala industrial. No entanto, a combinação com a USA Rare Earth nos dá acesso a essa tecnologia, e definiremos o local para a separação após a realização de uma análise técnica e econômica completa. A separação no Brasil está sendo avaliada", afirmou a mineradora.
🔎 As "terras raras" são um grupo de 17 elementos químicos conhecidos por suas propriedades magnéticas e condutoras únicas. Apesar do nome, eles não são necessariamente "raros" na crosta terrestre, mas são extremamente difíceis de serem encontrados em concentrações puras e de difícil extração mineral.
A Serra Verde é a única mineradora fora da Ásia a produzir em escala comercial quatro elementos magnéticos essenciais. O depósito de argila iônica em Minaçu, onde os minerais são extraídos, é um dos maiores do mundo, e possui um diferencial devido aos impactos ambientais relativamente baixos.
Em entrevista ao g1, Ricardo Grossi, presidente e diretor de operações da Serra Verde, informou que a negociação não irá promover mudanças imediatas na operação no Brasil e que a gestão local segue inalterada.
“A mina e a planta em Minaçu seguem operando normalmente, sob a liderança da equipe atual, com continuidade da estratégia já em curso. A operação permanece focada no ramp-up e na expansão previstos, e a gestão local segue inalterada. Ao mesmo tempo, o acordo fortalece a empresa ao dar acesso à tecnologia ao longo de toda a cadeia produtiva e maior integração global, sem alterar o dia a dia da operação”, explicou.
Após a negociação, o foco da mineradora continua sendo a execução do projeto de otimização e expansão para elevar a produção para 6,4 mil toneladas por ano de óxidos de terras raras até o fim de 2027.
“Depois disso, a empresa combinada estará em uma posição mais forte para crescer e investir, potencialmente criando novas funções e promovendo um desenvolvimento econômico significativo em torno de Minaçu”, destacou Grossi.
Exportações já realizadas
A mineradora iniciou sua produção comercial em janeiro de 2024. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em 2025, foram exportadas quase 678 toneladas de terras raras para a China.
No entanto, em 2026, Goiás exportou apenas 2 toneladas para os Estados Unidos, com valor de US$ 67 mil. No ano passado, foram exportados 51 kg para os norte-americanos.
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Negociação com a empresa norte-americana
Mineração Serra Verde é considerada a única operação fora da Ásia a produzir, em escala, os quatro elementos magnéticos essenciais de terras raras
Divulgação/Serra Verde
A negociação foi anunciada pela USA Rare Earth no dia 20 de abril e prevê a combinação das operações das duas companhias para liderar toda a cadeia produtiva, desde a extração das terras raras, às etapas de separação, processamento dos elementos, até a fabricação de ímãs permanentes.
Do montante de US$ 2,8 bilhões, US$ 300 milhões serão pagos em dinheiro e o restante em ações. Além da aquisição, o acordo inclui um contrato de fornecimento de 15 anos. Também serão estabelecidos preços mínimos para os minerais, o que garante previsibilidade de receita e reduz riscos para a operação.
Impasses
Na sexta-feira (24), o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o subsolo do território brasileiro pertence à União e que cabe a ela regulamentar a exploração de terras raras e minerais críticos.
Em entrevista à emissora governamental Canal Gov, ele ressaltou que o memorando de entendimento entre o governo de Goiás e os Estados Unidos para a exploração de terras raras no estado tem um vício de inconstitucionalidade e "não se sustenta".
O acordo também é alvo de uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF). O partido Rede Sustentabilidade solicitou à Corte que avalie se a operação fere a Constituição Federal e, caso se confirme, a suspenda.
No final da tarde desta sexta-feira (24), o partido, em conjunto com a deputada federal Heloísa Helena (Rede-RJ), ingressou com uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF). O grupo argumenta que a estruturação da nova empresa precisa ser avaliada porque recursos minerais estratégicos são bens estes pertencentes à União.
Além disso, deputados do PSOL chegaram a protocolar, na última quarta-feira (22), uma representação na Procuradoria-Ge'ral da União (PGR) questionando a legalidade da aquisição da mineradora Serra Verde pela empresa americana USA Rare Earth.
Mineradora Serra Verde explora quatro elementos de terras raras em Minaçu.
Arte/g1
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Mega-Sena pode pagar R$ 52 milhões nesta terça-feira; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-Sena?
O concurso 3.006 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 52 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta terça-feira (12), em São Paulo.
Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp
No concurso do último sábado (9), ninguém acertou as seis dezenas.
O g1 passou a transmitir todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
Acompanhe os sorteios no site do g1
Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube
A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Dinheiro esquecido: governo quer usar parte dos R$ 10,5 bilhões deixados em bancos para financiar Desenrola 2.0

Bancos têm até esta terça (12) para enviar 'dinheiro esquecido' de clientes ao governo
As instituições financeiras têm até esta terça-feira (12) para transferir a um fundo público os recursos esquecidos pelos correntistas em suas contas.
A determinação consta em portaria publicada na última semana pelo governo para regulamentar o Desenrola 2.0.
Balanço divulgado no mês passado pelo Banco Central mostra que ainda existem, nas instituições financeiras, R$ 10,55 bilhões em "recursos esquecidos" por 47 milhões de clientes. Deste total:
R$ 8,15 bilhões são recursos de 47 milhões de pessoas físicas;
R$ 2,4 bilhões são valores de 5,06 milhões de empresas.
Como consultar o dinheiro esquecido
O único site no qual é possível fazer a consulta e saber como solicitar a devolução dos valores para pessoas jurídicas ou físicas, incluindo falecidas, é o https://valoresareceber.bcb.gov.br.
LEIA TAMBÉM: BC aponta R$ 10,6 bilhões em 'dinheiro esquecido' em março; bancos devem repassar nesta terça parte dos recursos ao governo
Bancos têm até esta terça para transferir dinheiro esquecido das contas de correntistas.
Marcello Casal Jr/Agência Brasil
No começo deste mês, o governo informou que vai usar de R$ 5 bilhões a R$ 8 bilhões em recursos esquecidos pelos trabalhadores nos bancos para viabilizar descontos no Desenrola 2.0 – novo programa de renegociação de dívidas.
Esse dinheiro irá para um fundo público, o FGO, para oferecer garantias às instituições financeiras, ou seja, parte do dinheiro desse fundo vai cobrir eventual calote dos tomadores de crédito.
"Os recursos não reclamados serão utilizados para o FGO garantir operações do próprio sistema financeiro. Haverá segregação de 10% do saldo transferido que ficará disponível para cobrir eventuais pedidos de resgate [pelos correntistas]", informou o governo.
➡️O Ministério da Fazenda argumenta que esses recursos, que hoje estão nas tesourarias das instituições financeiras, "passarão a gerar benefícios para todo o sistema financeiro, em especial para as famílias que renegociarem suas dívidas".
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Desenrola Brasil
Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda
Prazos para reaver o dinheiro
➡️De acordo com portaria publicada na última terça-feira (5), a transferência de recursos ao fundo público (FGO) será realizada pelas instituições financeiras em um prazo de cinco dias úteis, ou seja, até esta terça-feira (12).
➡️O governo também informou que será lançado um edital de chamamento público para os correntistas. Assim que publicado, o edital irá prever um prazo de 30 dias corridos para que clientes dos bancos possam contestar a transferência realizada. Eles deverão apresentar documentação necessária.
"Uma vez realizada a transferência, o Ministério da Fazenda, com apoio do FGO, publicará edital de chamamento público no Diário Oficial da União, que trará link para acesso a sistema de informações, em ambiente restrito e com acesso individualizado, no qual será possível consultar, dentre outros, sobre os montantes transferidos, a instituição responsável, a agência e número da conta", diz a portaria publicada pelo Ministério da Fazenda.
Uma vez apresentada a contestação dos correntistas, os valores serão revertidos pelo fundo aos bancos, que farão a devolução dos recursos aos seus correntistas, em até 15 dias úteis. Esse valor será corrigido pelo IPCA-15.
"Decorrido o prazo [de 30 dias úteis a partir da abertura do chamamento público], os valores transferidos não contestados ficarão incorporados de forma definitiva ao patrimônio do FGO [o fundo público que vai funcionar como garantia dentro do Desenrola 2.0]", informou o governo, por meio da portaria publicada no Diário Oficial da União.
Escala 6x1: Após unificação de propostas, ministros serão ouvidos pela comissão que analisa o assunto

A comissão especial que analisa as propostas de redução da jornada de trabalho entra na segunda semana de atividades na Câmara com a presença de ministros do governo Lula e a intensificação do engajamento do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Trabalhadores pedem fim da escala 6x1 em ato realizado em Belo Horizonte
TV Globo/ Reprodução
Motta chegou a convocar sessões de segunda a sexta e publicou vídeo citando o tema no Dia das Mães.
Na última quarta (6), o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, compareceu a uma audiência na comissão. Nesta semana, são esperados o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos.
Durigan vai discutir aspectos econômicos sobre a redução da jornada de trabalho nesta terça-feira (12). Já Boulos participará de audiência na quarta-feira (13) sobre os aspectos sociais e diálogo social para redução da jornada de trabalho.
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Tema prioritário para o governo
O comparecimento dos ministros mostra a articulação do governo para aprovar o tema, apontado como uma das prioridades de Lula para este ano de eleições. A ideia é votar o texto no colegiado dia 26 de maio e, no plenário, dia 27.
O Palácio do Planalto conta ainda com a boa vontade de Motta. O presidente da Câmara fez questão de realizar a primeira reunião externa da comissão na Assembleia Legislativa da Paraíba, seu estado.
Presidente da Câmara, Hugo Motta realizou evento sobre proposta de redução da escala 6x1 em João Pessoa
Josemar Gonçalves / Câmara dos Deputados
Na oportunidade, Motta reforçou que o ambiente para aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) na Câmara é favorável e que as particularidades de cada setor serão consideradas.
Sessões todos os dias
Outra estratégia adotada pelo presidente da Câmara para acelerar a aprovação da proposta é convocar sessões de votações todos os dias.
🔎O prazo para apresentar emendas ao texto na comissão especial é contado em sessões do plenário. Segundo o regimento, os parlamentares têm dez sessões para sugerir acréscimos ou retiradas de trechos ao texto. Depois dessas dez sessões, a proposta já pode ser votada na comissão especial e seguir para o plenário. Por isso, a estratégia de convocar sessões todos os dias permite que a PEC seja votada com mais celeridade na comissão.
Motta convocou sessões para segunda e sexta-feira nesta semana, o que não é muito usual, já que os parlamentares costumam estar fora de Brasília.
Audiência da comissão especial que analisa as propostas de redução da jornada de trabalho realizada em 6 de maio
Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Além disso, para facilitar o atingimento de quórum, o presidente da Câmara permitiu os trabalhos remotos – quando os parlamentares podem registrar presença e votar por aplicativo.
Com a sessão realizada nesta segunda (11), já se passaram seis encontros desde que a comissão foi instalada. As dez sessões poderão ser alcançadas já na sexta-feira (15).
Dia das Mães
Motta também aproveitou o Dia das Mães para pressionar pela aprovação do texto. Em tom que antecipa o clima eleitoral, o presidente da Câmara ligou a aprovação da PEC a uma maior convivência das mães com seus filhos.
Nas redes sociais, Motta afirmou que a pauta não é apenas econômica, mas “sobre a defesa da família brasileira”.
“O trabalho é digno, mas a ausência nos momento que não voltam mais dói na alma das famílias”, afirmou. “Não é apenas uma pauta econômica, é uma pauta humana”.
Cronograma
O relator na comissão especial, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), planejou o trabalho da comissão em 11 reuniões, com encontros às terças e quartas em Brasília e audiências nos estados às quintas.
Relator na comissão especial, deputado Leo Prates (Republicanos-BA)
Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
O cronograma prevê a realização de cinco audiências públicas com os temas:
diagnósticos sobre o uso do tempo para o trabalho;
aspectos econômicos sobre a redução da jornada de trabalho;
aspectos sociais e a importância do diálogo social para a redução da jornada de trabalho no Brasil;
limites e possibilidades para a redução da jornada de trabalho – perspectiva dos empregadores;
limites e possibilidades para a redução da jornada de trabalho – perspectiva da classe trabalhadora.
A apresentação e a leitura do relatório está prevista para o dia 20 de maio. Também está no cronograma a realização de seminários em Belo Horizonte e São Paulo.
Propostas em debate
A comissão especial está discutindo duas PECs:
uma proposta pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) no ano passado, que prevê a redução da jornada de trabalho para quatro dias por semana, com prazo de 360 dias para entrada em vigor da nova regra;
a segunda PEC é de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e foi apresentada em 2019. O texto reduz a jornada de trabalho a 36 horas semanais, com prazo de 10 anos para entrada da norma em vigor.
🔎 Paralelamente, o governo Lula apresentou um projeto de lei — instrumento diferente de uma PEC e que não altera a Constituição – que prevê a redução do limite de jornada de trabalho semanal para 40 horas e reduz a escala de 6 para 5 dias de trabalho, com dois dias de descanso remunerado.
Economistas e empresários têm citado a baixa produtividade da economia brasileira como um dos argumentos contrários ao fim da escala 6x1
Tomaz Silva/Agência Brasil
Representantes do setor produtivo consideram que a redução da jornada de trabalho implica aumento de custos para o empregador, com prejuízos à competitividade das empresas e impactos sobre a geração de novas vagas.
Na avaliação de economistas, o debate no governo federal e no Congresso Nacional precisa ser acompanhado de discussões sobre ganhos de produtividade que, segundo eles, virão principalmente com o aumento da qualificação dos trabalhadores, inovação e investimentos em melhorias em infraestrutura e logística.
Copa do Mundo 2026: golpistas clonam site da FIFA para enganar brasileiros em busca de ingressos

Golpistas clonam site da FIFA para enganar brasileiros em busca de ingressos pra Copa
Faltam menos de 30 dias para a Copa do Mundo de 2026, e criminosos já aproveitam o interesse pelo campeonato para aplicar golpes com sites falsos da FIFA, incluindo versões em português.
Ao menos cinco páginas fraudulentas foram criadas nas últimas semanas, segundo a empresa de segurança digital ESET.
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Os sites têm versões em português e incluem até opções de ingressos para a partida entre Brasil e Marrocos, marcada para 13 de junho.
De acordo com a ESET, os sites falsos aparecem em buscadores, como o Google, e também são divulgados em redes sociais, WhatsApp, SMS e e-mail.
FOTO DE ARQUIVO: O logotipo da Copa do Mundo da FIFA de 2026 de Nova York/Nova Jersey é revelado durante o evento de lançamento na Times Square, em Nova York, nos Estados Unidos, em 18 de maio de 2023.
Reuters/Brendan McDermid/Foto de arquivo
As páginas, às quais o g1 teve acesso, reproduzem com alto nível de fidelidade o design do site oficial da FIFA, incluindo logotipo, identidade visual e até o fluxo de compra de ingressos. Também oferecem hospedagem e itens relacionados à Copa do Mundo, como camisetas.
O g1 procurou a FIFA, que afirmou que sempre incentiva os torcedores a comprarem ingressos apenas pelo FIFA.com/tickets, a fonte oficial e preferencial de ingressos para a Copa do Mundo.
“Os torcedores são fortemente aconselhados a permanecer atentos, evitar plataformas não oficiais e recorrer exclusivamente aos canais oficiais da FIFA para a compra de ingressos e pacotes de hospitalidade”, diz a organização, em nota.
Como funciona
Na página original, a FIFA solicita que o usuário faça login antes de acessar a compra de ingressos. No site falso visto pelo g1, o mesmo procedimento é reproduzido em uma página praticamente idêntica.
A principal diferença é que a plataforma original permite acesso com contas do Google ou da Apple, enquanto a versão fraudulenta aceita apenas dados preenchidos manualmente em um formulário — um detalhe que pode indicar tentativa de golpe.
Comparação site fake e site original da FIFA.
Reprodução
O g1 também notou que o site falso oferece a opção "português" no campo "Linguagem de Comunicação Preferida". Já a página oficial da FIFA disponibiliza apenas inglês, alemão, francês e espanhol.
Outro ponto que chama atenção é que o jogo entre Brasil e Marrocos aparece no site falso com ingressos supostamente em promoção, de US$ 2.205 por US$ 1.696. No site oficial da FIFA, porém, não há mais bilhetes disponíveis para essa partida. (veja a comparação na imagem acima).
Como se proteger
Site falso tenta imitar o original da FIFA para a copa do mundo
Reprodução
Esse tipo de golpe é conhecido como typosquatting. Criminosos criam endereços muito parecidos com os de sites verdadeiros e clonam o visual das páginas originais.
A vítima pode cair no golpe ao cometer um erro de digitação ou não perceber pequenas alterações no endereço, que costuma ser quase idêntico ao verdadeiro. A estratégia inclui trocar letras e símbolos por caracteres semelhantes, como "l" (L minúsculo) por "I" (i maiúsculo) ou substituir "m" por "rn".
Em alguns casos, ataques de typosquatting são potencializados com anúncios online. A semelhança no endereço confunde a vítima, que clica no anúncio sem perceber que está indo para um site falso.
O primeiro ponto a observar é o endereço do site (URL). Páginas de grandes empresas costumam usar domínios conhecidos, sem variações suspeitas.
O site oficial da FIFA, por exemplo, termina em ".com", enquanto um dos fraudulentos identificados usa a extensão ".shop" e ".store".
Só que outro site falso identificado pela ESET também termina em ".com", assim como o original, mas começa com "www.wc26", o que pode indicar golpe. O endereço oficial da FIFA para venda de ingressos é "www.fifa.com".
Site falso imitando o da FIFA tem problema de design com ícones muito pequenos.
Reprodução
Também vale analisar a estrutura da página. Golpistas podem copiar o visual de sites oficiais, mas pequenas inconsistências podem denunciar a fraude. Em um dos links fakes visto pelo g1, o chat de ajuda ao usuário exibia mensagens em um idioma que parecia japonês ou chinês.
Outro alerta é o senso de urgência criado pelos criminosos. Páginas fraudulentas costumam exibir mensagens como "últimas unidades" ou cronômetros de contagem regressiva para pressionar a vítima a concluir a compra rapidamente.
Também é importante desconfiar de preços muito abaixo do mercado. Criminosos costumam anunciar ingressos e produtos com descontos exagerados para atrair vítimas.
"A combinação entre paixão pelo futebol, ansiedade por ingressos e aparência legítima dos sites cria um ambiente extremamente favorável para golpes. Além do prejuízo financeiro, existe também o risco de roubo de identidade e comprometimento de contas pessoais caso o usuário reutilize senhas em outros serviços", explica Thales Santos, especialista em segurança da informação da ESET Brasil.
Golpistas criam páginas falsas para vender ingressos de shows do BTS no Brasil
Chocolate ou ‘sabor chocolate’?: nova lei fixa regras e define categorias; veja quais são

Lula sanciona lei que endurece regras para a fabricação de chocolate
Uma lei que aumenta a quantidade de cacau na receita do chocolate foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na segunda-feira (11). O texto também especifica as definições dos diferentes tipos do produto, o que não era previsto na legislação anterior.
Mas isso pode não impactar de fato a indústria. Com o aumento do preço do cacau nos últimas anos, os fabricantes têm popularizado os produtos "sabor chocolate", que têm uma quantidade inferior do ingrediente. (saiba mais abaixo.)
Nem esse termo, no entanto, é definido por lei. A nova regra determina apenas que o produto vendido não pode enganar o consumidor, ou seja, dizer que é de fato chocolate quando não for.
As regras passam a valer daqui um ano.
Confira como ficou:
🍫 Chocolate: produto obtido a partir da mistura de massa de cacau, cacau em pó ou manteiga de cacau com outros ingredientes, contendo o mínimo de 35% de sólidos totais de cacau, dos quais ao menos 18% devem ser manteiga de cacau e 14% devem ser isentos de gordura.
O texto que havia sido aprovado no Senado mencionava "chocolate amargo ou meio amargo", mas a definição foi alterada na Câmara.
Na legislação anterior, que era de 2022, poderia ser considerado chocolate quando o produto tivesse a partir de 25% de sólidos totais de cacau, como massa, pasta, liquor, pó ou manteiga, com outros ingredientes.
🍫 Chocolate branco: produto isento de matérias corantes, composto por manteiga de cacau e outros ingredientes, contendo o mínimo de 20% de manteiga de cacau e o mínimo de 14% de sólidos totais de leite.
Esse tipo do doce era a única variação que tinha definição na lei anterior. Ela já determinava 20% de sólidos totais de manteiga de cacau, mas não determinava a porcentagem sólidos totais de leite.
🍫 Chocolate em pó: produto obtido pela mistura de açúcar ou edulcorante ou outros ingredientes com cacau em pó, contendo o mínimo de 32% de sólidos totais de cacau.
🍫 Chocolate ao leite: produto composto por sólidos de cacau e outros ingredientes, contendo o mínimo de 25% de sólidos totais de cacau e o mínimo de 14% de sólidos totais de leite ou seus derivados;
🍫 Chocolate doce: produto composto de sólidos de cacau e de outros ingredientes, que contém, no mínimo, 25% de sólidos totais de cacau, sendo que pelo menos 18% tem que ser de manteiga de cacau e 12% isentos de gordura.
🍫 Achocolatado, chocolate fantasia, chocolate composto, cobertura sabor chocolate ou cobertura sabor chocolate branco: deve ser preparado com mistura de cacau, adicionado ou não de leite e de outros ingredientes. Deve ter, no mínimo, 15% de sólidos de cacau ou de manteiga de cacau.
Além disso, o texto também define como deve ser a composição de outros subprodutos do cacau, como manteiga, licor, bombom, mas não estabelece quantidade mínima de cacau para esses itens.
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O que é o 'sabor chocolate'?
Nos últimos anos, o preço do cacau tem subido por problemas climáticos nas lavouras dos maiores produtores do fruto do mundo, localizados na África.
Para controlar o preço por aqui, a indústria de chocolates mais populares, passou a usar os teores mínimos de cacau nos produtos, de acordo com o levantamento da Associação Bean to Bar Brasil, de fabricantes de chocolate fino.
Além disso, os preços fizeram com que fossem lançados doces com o nome "sabor chocolate" (e não "chocolate"), para poder baixar ainda mais a quantidade do fruto, aponta o presidente da associação, Bruno Lasevicius.
"Eu acho que está havendo uma aceitação por parte do público dos menores teores. Boa parte da população não tem poder aquisitivo para comprar um chocolate com um alto valor agregado", afirma.
O presidente explica ainda que, em alguns casos, é usada apenas a casca da amêndoa, que possui um resquício do sabor do chocolate.
Já na indústria de chocolates mais caros, a produção já se enquadra na nova legislação, diz Lasevicius. São eles:
🍫 chocolates finos: como os da associação Bean to Bar, a amêndoa é selecionada diretamente de produtores. Entre os associados, o chocolate já usa de 70% a 80% de sólidos de cacau para fazer o amargo e pelo menos 50% para o ao leite, por exemplo.
🍫 chocolates industriais premium: segundo Lasevicius, algumas marcas mais caras de chocolate industrializado também já usam teores mais elevados de sólidos de cacau, variando entre 50% e 70%.
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CEO da Microsoft diz estar 'muito orgulhoso' de investimento na OpenAI em julgamento de Elon Musk

Satya Nadella, CEO da Microsoft, em 27 de fevereiro de 2019
Tobias SCHWARZ/AFP
O diretor‑executivo da Microsoft, Satya Nadella, disse que estava "muito orgulhoso" do investimento inicial lucrativo de sua empresa na gigante de IA por trás do ChatGPT. A fala ocorreu durante o depoimento do CEO no julgamento movido por Elon Musk contra a OpenAI.
Nadella declarou que o investimento da Microsoft, que hoje detém cerca de um quarto da OpenAI Group PBC, contribuiu para criar "uma das maiores e melhor financiadas organizações sem fins lucrativos do mundo".
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A defesa de Musk alega que documentos internos da Microsoft demonstravam que a companhia na realidade tinha o foco nos lucros, e não em ajudar a fomentar um serviço de IA filantrópico. Isso depois de ver seu investimento inicial de US$ 13 bilhões (R$ 63,53 bilhões, na cotação atual) disparar para US$ 92 bilhões (R$ 449,59 bilhões) quatro anos mais tarde. A participação do grupo agora é avaliada em US$ 135 bilhões (R$ 659,72 bilhões).
"Se o bolo ficasse maior, obviamente a organização sem fins lucrativos também se beneficiaria em sua missão, e foi exatamente isso que se comprovou", afirmou Nadella.
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Os advogados de Musk sugerem que a Microsoft foi fundamental na guinada da OpenAI rumo a uma empresa comercial, citando uma frase de Nadella em 2023: "Temos as pessoas, temos poder de computação, temos os dados, temos tudo."
Naquele ano, quando o fundador da OpenAI, Sam Altman, foi demitido, Nadella interveio para apoiá‑lo. "Eu também tentaria garantir que Sam e Greg [Brockman, seu cofundador] não criassem uma empresa concorrente e que se juntassem à Microsoft", disse Nadella.
No dia seguinte à saída de Altman, a Microsoft já havia criado uma subsidiária para recebê‑los e adquirir as ações dos funcionários que decidissem segui‑los, uma medida que um dos cofundadores calculou que teria custado aproximadamente US$ 25 bilhões (R$ 122,17 bilhões). Dias depois, Altman voltou a seu cargo na OpenAI.
Segundo o site The Information, a OpenAI fechou um novo acordo com a Microsoft para limitar a participação desta nos lucros da IA. De acordo com a reportagem, a Microsfot agora estaria limitada a receber US$ 38 bilhões e isso permitiria uma economia de até US$ 97 bilhões até 2030 para a OpenAI.
Musk processa OpenAI
Elon Musk processou a OpenAI, acusando a empresa de trair sua missão original e de desviar suas doações, de 38 milhões de dólares (R$ 188,9 milhões), para construir um império avaliado em mais de 850 bilhões de dólares (R$ 4,23 trilhões).
O processo expôs disputas internas entre engenheiros, investidores e executivos do Vale do Silício nos anos anteriores ao lançamento do ChatGPT, em 2022.
O fundador da Tesla e da SpaceX exige que a OpenAI retorne a seu status original de organização sem fins lucrativos. Se isso acontecer, a medida afetaria sua posição na corrida global de inteligência artificial contra Anthropic, Google e a chinesa DeepSeek.
A OpenAI afirma que Musk se retirou voluntariamente após não conseguir o controle majoritário da empresa. Depois, ele se tornou concorrente direto da companhia por meio da xAI, com a qual desenvolveu a IA Grok.
A juíza Yvonne González Rogers dará a decisão definitiva sobre a responsabilidade e eventuais indenizações, após o veredicto de um júri "consultivo". Se ela decidir a favor de Musk, a abertura de capital da OpenAI, planejada para este ano, ficaria em dúvida.
Atrair investimentos
No julgamento desta segunda, os advogados de Musk tentaram convencer o júri de que a Microsoft, ao investir na OpenAI em 2019, sabia que contribuía para desviar uma fundação sem fins lucrativos de seu propósito original.
Para isso, eles usarão e-mails da Microsoft de 2018, revelados recentemente, para demonstrar que a gigante de tecnologia só investiu quando vislumbrou a possibilidade de obter retornos.
Nos e-mails, Nadella consultou seus executivos sobre um desconto concedido à OpenAI para usar a potência computacional do Azure, plataforma de computação em nuvem da Microsoft.
"Em geral, não sei que pesquisa eles estão conduzindo nem como, se a compartilhassem conosco, ela poderia nos ajudar a avançar", escreveu Nadella.
Sam Altman, então CEO da OpenAI, e Satya Nadella, CEO da Microsoft, durante a conferência OpenAI DevDay, em 6 de novembro de 2023
AP Photo/Barbara Ortutay
Naquele momento predominava o ceticismo, e o diretor de tecnologia da Microsoft, Kevin Scott, temia que a OpenAI pudesse "ir irritada para a Amazon".
Em 2019, um ano e meio depois de ter virado as costas para a startup, a Microsoft finalmente investiu 1 bilhão de dólares (R$ 4,97 bilhões).
No fim, injetaria um total de 13 bilhões de dólares (R$ 64,62 bilhões), uma participação agora avaliada em 228 bilhões de dólares (R$ 1,13 trilhão).
*Com informações da France Press, Associated Press e Reuters.
Petrobras tem lucro líquido de R$ 32,7 bilhões no 1° trimestre, queda de 7,2%

Edifício-sede da Petrobras, no centro do Rio
Marcos Serra Lima/g1
A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre, queda de 7,2% em relação ao mesmo período do ano passado, informou a companhia nesta segunda-feira (11).
Na comparação com o quarto trimestre de 2025, porém, o lucro mais que dobrou, com alta de 110% sobre os R$ 15,6 bilhões registrados no período anterior.
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O Ebitda ajustado — indicador que mostra quanto a empresa gera com suas operações — somou R$ 59,6 bilhões entre janeiro e março, recuo de 2,4% na comparação anual.
Por considerar os primeiros três meses do ano, o resultado reflete apenas em parte os impactos da guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro, que elevou os preços do petróleo tipo Brent no mercado internacional.
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Em relação ao quarto trimestre de 2025, a valorização de 27% do petróleo e a apreciação do real frente ao dólar contribuíram positivamente para os resultados, informou a Petrobras.
🛢️ O barril do tipo Brent passou de US$ 63,69 no fim do ano passado para US$ 80,61 no primeiro trimestre de 2026. No mesmo período de 2025, a commodity era cotada em US$ 75,66.
A Petrobras informou que manteve forte geração de caixa, com fluxo de caixa operacional de R$ 44 bilhões (US$ 8,4 bilhões).
Segundo a estatal, houve aumento da produção própria, que cresceu 16% na comparação com o mesmo período de 2025.
Além disso, a companhia registrou avanço na produção e nas vendas de derivados do petróleo — como diesel e gasolina.
Dividendos
O conselho de administração da Petrobras aprovou o pagamento de R$ 9,03 bilhões em remuneração aos acionistas, equivalente a R$ 0,70 por ação ordinária e preferencial.
A aprovação, com base no resultado do primeiro trimestre, é uma antecipação da remuneração de 2026, informou a companhia em fato relevante nesta segunda-feira.
Os proventos serão pagos em duas parcelas, em agosto e setembro de 2026, informou a empresa.
* Com informações da agência de notícias Reuters
Nova CNH: Brasil tem 4,8 milhões de pedidos de primeira carteira até abril, quatro vezes mais que 2025

Detran-CE deixa de exigir prova de baliza em exames práticos.
Divulgação/Detran-CE
Entre janeiro e abril de 2026, mais de 4,8 milhões de pessoas fizeram requerimento para ter a primeira habilitação. Este número é quatro vezes maior do que os primeiros quatro meses de 2025. Número recorde de cadastros para o período.
Ano passado foram registrados 1.119.321 pedidos de primeira CNH nesse período. Todos os dados são do Ministério dos Transportes.
A quantidade de cursos teóricos também cresceu no primeiro quadrimestre. Foram realizados em 2026, até o fim de abril, mais de 2,5 milhões de cursos. Um aumento de 170% se comparado aos pouco mais de 942 mil de cursos registrados em 2025.
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A quantidade de exames teóricos aumentou 28% em 2026 se comparado a 2025. Foram mais de 1,1 milhão de testes aplicados entre janeiro e abril deste ano.
Os cursos práticos bateram a melhor marca para o período. Foram mais de 1,8 milhão de cursos em 2026, 28% a mais do que o registrado em 2025.
Exames práticos também registraram subida. Este ano foram mais de 1,7 milhão de provas, um salto de 21% em relação a 2025.
A emissão de CNHs alcançou o segundo melhor resultado desde 1997, ano em que o Código Brasileiro de Trânsito foi adotado. Foram emitidas mais de 858 mil carteiras em 2026.
Entre janeiro e abril de 2025, foram emitidas 824 mil CNHs. O recorde é do ano de 2014, quando foram registradas mais de 873 mil carteiras no primeiro quadrimestre.
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Os exames médicos e psicológicos, exigidos por lei, acompanharam o aumento da demanda. Nos primeiros quatro meses de 2026, foram mais de 2,3 milhões de exames, ante mais de 2,2 milhões em 2025. O programa CNH do Brasil estabeleceu um teto de R$ 180 nos preços pelos exames.
CNH do Brasil
Dados entre janeiro e abril de 2026
Requerimentos para primeira habilitação: 4.834.308
Exames médicos e psicológicos: 2.353.329
Cursos teóricos: 2.546.124
Exames teóricos: 1.116.302
Cursos práticos: 1.860.129
Exames práticos: 1.763.747
Emissão de CNH: 858.896
Aplicativo da CNH do Brasil
Divulgação / Serpro
CNH mais barata
Em dezembro de 2025, tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) ficou menos burocrático e mais barato. Uma das principais mudanças foi o fim da exigência do curso teórico obrigatório em autoescolas.
Segundo o Ministério dos Transportes, a economia gerada pela medida foi de R$ 1.840.397.022,58.
Em Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, por exemplo, o candidato precisava pagar cerca de R$ 1 mil apenas para cobrir o custo do curso teórico em uma autoescola.
De acordo com o Ministério dos Transportes, as aulas teóricas e práticas custavam entre R$ 3 mil e R$ 5 mil.
Dados do ministério indicam que 55% da economia total do país está concentrada em seis das 27 unidades da federação — os 26 estados e o Distrito Federal:
Instrutores e autoescolas no app
O ministro dos Transportes, George Santoro, anunciou no começo de maio novas funcionalidades da CNH do Brasil. O aplicativo passa a mostrar ao aluno instrutores habilitados e autoescolas, que podem ser filtrados por geolocalização, CEP ou endereço.
No aplicativo agora também é possível dar avaliação de zero até cinco estrelas para o instrutor e autoescola.
Os instrutores passam a ter dentro do aplicativo uma Credencial do Instrutor de Trânsito. Segundo o ministro, essa credencial facilita a identificação do instrutor por parte das autoridades de fiscalização. A habilitação dos instrutores continua sob responsabilidade de cada Detran estadual.
As aulas são cadastradas no aplicativo e geram um certificado para o aluno. Os instrutores podem registrar essas aulas como autônomos ou quando estão a serviço de uma autoescola.
Todas as atualizações feitas no aplicativo serão inscritas de maneira imediata no Registro Nacional de Condutores Habilitados (Renach) com comunicação automática com os Detrans.
Segundo dados do ministério, hoje existem 170 mil instrutores habilitados no Brasil. Ainda segundo o órgão, apenas 7% das aulas práticas são ministradas por profissionais autônomos. O restante das aulas é feito por instrutores a serviço de autoescolas.
Trump assinará medidas para ampliar importações de carne bovina, diz agência

Lula e Trump discutiram sobre tarifas durante encontro
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve assinar nesta segunda-feira (11) decretos para ampliar as importações de carne bovina e incentivar a recomposição do rebanho no país. A medida busca conter a alta dos preços da carne, disse um funcionário da Casa Branca à agência Reuters.
O funcionário não detalhou as medidas. O anúncio deverá ocorrer em um momento em que o rebanho bovino dos EUA atingiu o menor nível em 75 anos e os preços da carne continuam em alta.
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O jornal norte-americano The Wall Street Journal informou anteriormente que Trump deve suspender por tempo determinado as cotas tarifárias para a carne bovina, permitindo a entrada de um volume maior do produto no país com tarifas reduzidas.
Segundo o jornal, o presidente deve orientar a Administração de Pequenas Empresas, agência do governo voltada ao apoio de pequenos negócios, a ampliar o crédito para pecuaristas.
Além disso, a medida deve reduzir as proteções previstas na Lei de Espécies Ameaçadas para lobos-cinzentos e lobos mexicanos que atacam rebanhos.
Embora os preços de ovos, leite e outros itens básicos de supermercado tenham caído desde que Trump assumiu seu segundo mandato, em janeiro de 2025, a carne bovina continuou ficando mais cara nos EUA.
O item subiu 12,1% em abril na comparação anual, segundo o índice de preços ao consumidor do Departamento do Trabalho dos EUA. Desde que Trump retornou ao cargo, acumula alta de mais de 16%.
Com isso, a carne se tornou um símbolo da inflação persistente para os consumidores americanos às vésperas da temporada de churrascos de verão no país.
Reunião Lula-Trump mexeu com os mercados
As expectativas de aumento das importações de carne bovina do Brasil movimentaram o mercado de gado nos EUA após Trump se reunir com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, na semana passada.
A avaliação é que uma maior entrada de carne brasileira pode ampliar a oferta nos EUA e ajudar a conter os preços ao consumidor, ao mesmo tempo em que beneficia exportadores brasileiros.
Nesta segunda-feira, os contratos futuros de gado vivo para junho na Bolsa Mercantil de Chicago fecharam em leve alta, enquanto os contratos para agosto caíram 0,5%.
Em outubro de 2025, Trump já havia ampliado em quatro vezes as importações de carne bovina da Argentina e, um mês depois, retirado a tarifa extra de 40% sobre a carne bovina e o café do Brasil.
Vaivém do tarifaço
O tarifaço imposto por Donald Trump em abril de 2025 elevou a preocupação em relação à alta dos preços nos EUA. Com o aumento dos custos para importar produtos — somado às tensões no Oriente Médio —, os americanos passaram a pagar mais caro por itens do dia a dia, como a carne.
A base legal usada para aplicar as tarifas também passou a ser questionada. Em fevereiro deste ano, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou o tarifaço, que previa taxas de até 50%. Em resposta, Trump anunciou novas tarifas globais de 10%, desta vez com base em outro instrumento legal.
Com a medida, o republicano divulgou uma extensa lista de exceções, incluindo a carne bovina, um dos principais produtos exportados pelo Brasil aos EUA. No caso da carne, a tarifa zero passou a valer para cortes frescos, refrigerados ou congelados, desde carcaças até cortes considerados nobres.
Falta boi
O cenário interno dos EUA ajuda a explicar as novas medidas. O rebanho bovino do país caiu ao menor nível em 75 anos após uma seca prolongada elevar os custos dos pecuaristas e reduzir as áreas de pastagem.
O fornecimento ficou ainda mais restrito porque os EUA suspenderam, há um ano, a maioria das importações de gado mexicano, diante de preocupações com a disseminação da bicheira-do-Novo-Mundo, uma praga que infesta o gado.
Apesar de também serem grandes produtores, os EUA ainda precisam importar carne para suprir a demanda dos consumidores, que se manteve firme e pressionou os preços.
A baixa oferta obrigou frigoríficos a pagar mais pelo gado destinado à produção de hambúrgueres e bifes e algumas empresas começaram a fechar unidades no país, como a JBS e o Tyson Foods.
Diante disso, o Departamento de Agricultura dos EUA projeta importações recordes de carne bovina em 2026, com alta de cerca de 6% em relação a 2025 e de 25% na comparação com 2024.
Devido os altos preços, Trump solicitou a abertura de uma investigação contra os quatro maiores frigoríficos atuantes no país, a JBS, a National Beef, controlada pela Marfrig, e as norte-americanas Cargill e Tyson Foods.
Na época, o presidente afirmou que o encarecimento aconteceu "por meio de conluio ilícito".
Insatisfação dos eleitores
Os decretos que devem ser assinados nesta segunda-feira vêm em meio ao descontentamento dos eleitores americanos a menos de seis meses das eleições de meio de mandato nos EUA.
Pesquisa Washington Post-ABC News-Ipsos divulgada no início deste mês aponta insatisfação ampla com a atuação de Trump na guerra com o Irã e em outras questões-chave, a seis meses das eleições de meio de mandato.
De acordo com a pesquisa, a desaprovação de Trump chegou a 62%, o maior nível já registrado em seus dois mandatos. A aprovação está em 37%, próxima dos 39% observados em fevereiro.
O levantamento mostra que a avaliação do presidente em relação à economia, tema central de sua retomada política em 2024, piorou desde o início da guerra com o Irã, em 28 de fevereiro.
Nesse contexto, a maioria dos americanos desaprova a condução de Trump na crise com o Irã, por 66% contra 33%.
Na economia, a avaliação do republicano caiu sete pontos, para 34%, em meio à alta dos preços da gasolina. Já em relação à inflação, a aprovação recuou cinco pontos no período, para 27%.
Veja a cronologia do tarifaço de Trump:
Em abril de 2025, ao anunciar as chamadas tarifas recíprocas, Trump aplicou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA.
Em junho, o republicano elevou as taxas sobre aço e alumínio para 50%, com base na Seção 232 — instrumento separado da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).
Em julho, o republicano impôs um novo aumento de 40%, elevando a alíquota total de diversos itens para 50%. A medida, no entanto, veio acompanhada de uma extensa lista de exceções.
Já em novembro, após Trump iniciar negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os EUA retiraram a tarifa de 40% de novos itens, incluindo café, carnes e frutas.
Em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte invalidou o uso da IEEPA para tarifas amplas. Caíram, assim, a taxa “recíproca” de 10% e a sobretaxa de 40% sobre o Brasil. Aço e alumínio não foram afetados, pois se baseiam na Seção 232.
No mesmo dia, Trump anunciou uma tarifa global temporária de 10% por 150 dias, com base em um dispositivo da lei comercial de 1974, que se soma às tarifas já existentes.
Em 21 de fevereiro, o republicano anunciou o aumento da taxa para 15%. A declaração foi feita nas redes sociais, mas a alíquota não entrou em vigor, já que não houve formalização por meio de ato oficial do governo dos EUA.
* Com informações da agência de notícias Reuters
Preço da carne bovina em um supermercado dos EUA.
AP Photo/Nam Y. Huh
OpenAI é processada após ChatGPT ser acusado de orientar ataque nos EUA

O logotipo da OpenAI é visto em um telefone celular em frente a uma tela de computador que exibe a tela inicial do ChatGPT
AP/Michael Dwyer, Arquivo
A viúva de um homem morto em um tiroteio em massa ocorrido no ano passado na Universidade Estadual da Flórida, nos Estados Unidos, está processando a OpenAI, criadora do ChatGPT, acusando o chatbot de inteligência artificial de ter contribuído para a tragédia.
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Segundo os promotores, o ChatGPT teria aconselhado Phoenix Ikner sobre qual local e horário do dia permitiriam fazer o maior número possível de vítimas, além de indicar qual tipo de arma e munição usar e se uma arma seria eficaz em curta distância.
“A OpenAI sabia que isso aconteceria. Já aconteceu antes e era apenas uma questão de tempo até acontecer de novo”, afirmou Vandana Joshi em comunicado divulgado nesta segunda-feira (11). O marido dela, Tiru Chabba, foi uma das duas pessoas mortas no ataque, que também deixou outras seis feridas.
Drew Pusateri, porta-voz da OpenAI, negou qualquer responsabilidade da empresa “nesse crime terrível”.
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“Neste caso, o ChatGPT forneceu respostas factuais a perguntas com informações amplamente disponíveis em fontes públicas na internet e não incentivou nem promoveu atividade ilegal ou prejudicial”, disse Pusateri em um e-mail enviado à Associated Press nesta segunda-feira (11).
O processo foi apresentado no domingo (10) em um tribunal federal.
Phoenix Ikner responde por duas acusações de homicídio em primeiro grau e várias acusações de tentativa de homicídio pelo ataque ocorrido em abril de 2025 no campus da universidade, em Tallahassee, capital da Flórida.
Os promotores pretendem pedir a pena de morte. Phoenix Ikner se declarou inocente.
Separadamente, em abril, a procuradora-geral da Flórida informou que havia uma rara investigação criminal envolvendo o ChatGPT para apurar se o aplicativo ofereceu orientações a Ikner.
Em comunicado divulgado por seu advogado, Joshi afirmou que a OpenAI “colocou seus lucros acima da nossa segurança, e isso matou meu marido. Eles precisam ser responsabilizados antes que outra família passe por isso”.
Diversos processos civis já pediram indenizações contra empresas de tecnologia e inteligência artificial pelo impacto de chatbots e redes sociais na saúde mental de usuários.
Em março, um júri em Los Angeles considerou a Meta e o YouTube responsáveis por danos causados a crianças que utilizavam seus serviços.
Já no Novo México, um júri concluiu que a Meta prejudicou conscientemente a saúde mental de crianças e ocultou o que sabia sobre exploração sexual infantil em suas plataformas.
Adolescente é preso por pergunta sobre assassinato ao ChatGPT
Ministro da Fazenda diz que reavaliar constantemente os preços de combustíveis é tarefa da Petrobras, não do governo

Governo quer royalties para compensar isenção sobre combustíveis
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, admitiu nesta segunda-feira (11) que, diante da disparada do petróleo causada pela guerra no Oriente Médio, há uma necessidade da Petrobras reavaliar continuamente os preços dos combustíveis no Brasil.
A declaração foi dada após encontro em Brasília com a presidente da empresa, Magda Chambriard. O governo é o controlador da Petrobras, que também tem ações negociadas na Bolsa de Valores.
Questionado se seria possível a estatal segurar por mais tempo a defasagem de 30% no diesel e de 65% na gasolina em relação aos preços internacionais dos produtos, conforme cálculo da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom), Durigan afirmou que esse é um "tema da Petrobras".
"Eu não discuto isso com a Petrobras. O que eu tenho sentido é que há uma necessidade da Petrobras ir reavaliando esses preços. E do lado do Estado, a gente ter esses mecanismos adicionais. Então, para além de cumprir dentro da gestão da Petrobras a política de preço, o que o Estado tem que fazer é, na medida em que a gente vê a guerra aumentando o custo no país, aumentando os preços, tem que se preparar, porque o Brasil não quer ser sócio da guerra", declarou o ministro da Fazenda.
Em 2023, no início do terceiro mandato do presidente Lula, a Petrobras anunciou o fim da paridade de preços do petróleo – e dos combustíveis derivados, como gasolina e diesel – com o dólar e o mercado internacional, que estava em vigor desde 2016.
Com a mudança, os reajustes de combustíveis passaram a evitar o repasse para os preços internos da "volatilidade conjuntural das cotações internacionais e da taxa de câmbio".
Em um momento de alta nos preços do petróleo e dos combustíveis por conta da guerra no Oriente Médio, a demora no repasse aos preços internos contém a inflação no país e, também, impede um lucro maior da Petrobras.
O ministro pediu que o Congresso Nacional vote ainda nesta semana o projeto de lei complementar que abre a possibilidade de converter aumento de receita extraordinária de petróleo em redução de tributos sobre combustíveis.
Com esse projeto, o governo pode baixar impostos sobre combustíveis sem ter a necessidade de elevar outros tributos para compensar a queda de arrecadação.
"O meu pedido, a expectativa do governo é que a gente vote o quanto antes. Então, se for possível sim: que vote essa semana na Câmara e no Senado, tanto melhor para o governo", afirmou Durigan.
Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro.
Fernando Frazão/Agência Brasil
Receita com petróleo
O governo federal encaminhou ao Congresso Nacional um projeto de lei complementar que abre a possibilidade de converter aumento de receita extraordinária de petróleo em redução de tributos sobre combustíveis.
A proposta é uma autorização para reduzir tributos sobre combustíveis (diesel, gasolina, etanol e biodiesel) toda vez que for apurado aumento extraordinário da receita decorrente das cotações do preço do petróleo.
Assim, quando houver aumento de receita, o montante seria utilizado para reduzir tributos sobre combustíveis, como PIS/Cofins e Cide-gasolina.
Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, a tese do governo é de que, como o Brasil é produtor e exportador de petróleo, as receitas públicas aumentam quando o preço sobe em função de receitas com royalties, por exemplo.
Segundo o projeto enviado pelo governo federal, os recursos decorrentes de aumento de receita extraordinário que poderão ser utilizados terão como fonte:
royalties e participação especial da União da exploração de petróleo ou gás natural;
dinheiro oriundo da venda do petróleo, o gás natural e outros hidrocarbonetos destinados à União;
montante oriunda de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) relativos ao setor de óleo e gás;
dividendos da União recebidos de empresas do setor de óleo e gás;
recursos oriundos do Imposto de Exportação de 12% extraordinário das exportações de petróleo.
Lula sanciona lei que endurece regras para a fabricação de chocolate; veja o que muda

Lula sanciona lei que endurece regras para a fabricação de chocolate
O presidente Lula sancionou a lei que endurece as regras para a fabricação de chocolate. O texto altera a quantidade de cacau e define porcentagens mínimas para cada variação do produto, por exemplo, o ao leite e o branco, segundo publicação no Diário Oficial da União desta segunda-feira (11).
Na legislação anterior, os diferentes tipos do doce não eram definidos e apenas dois eram mencionados: "chocolate" e "chocolate branco".
Apesar das mudanças, a nova lei não deve trazer impactos para a indústria, afirmaram especialistas ao g1 em abril, após o projeto de lei ter sido aprovado na Câmara dos Deputados. Isso por duas razões:
muitas fabricantes já usam mais cacau do que o mínimo exigido, para atender consumidores mais exigentes;
tem se popularizado no país um novo tipo de produto, o "sabor chocolate", que usa teores mais baixos de cacau.
Mesmo assim, parte do setor criticou a proposta na ocasião. A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab) disse em nota que os conceitos "restringem pesquisa e inovação, bem como novas categorias para parâmetros já previstos em normas técnicas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)".
Ovo de Páscoa: como a tradição começou com galinhas e virou chocolate?
O que muda com a nova lei
Na legislação anterior, que era de 2022, apenas dois chocolates recebiam definição. Confira abaixo:
🍫 Chocolate: é obtido a partir da mistura de derivados de cacau, como massa, pasta, liquor, pó ou manteiga, com outros ingredientes, podendo apresentar recheio, cobertura, formato e consistência variados. Além disso, deve ter, no mínimo, 25% de sólidos totais de cacau.
🍫 Chocolate branco: é obtido a partir da mistura de manteiga de cacau com outros ingredientes, podendo apresentar recheio, cobertura, formato e consistência variados. Deve ser constituído de, no mínimo, 20% de sólidos totais de manteiga de cacau.
A partir de agora, as regras ficam da forma abaixo.
🍫 Chocolate: produto obtido a partir da mistura de massa de cacau, cacau em pó ou manteiga de cacau com outros ingredientes, contendo o mínimo de 35% de sólidos totais de cacau, dos quais ao menos 18% devem ser manteiga de cacau e 14% devem ser isentos de gordura. O texto que havia sido aprovado no Senado mencionava "chocolate amargo ou meio amargo", mas a definição foi alterada na Câmara.
🍫 Chocolate em pó: produto obtido pela mistura de açúcar ou edulcorante ou outros ingredientes com cacau em pó, contendo o mínimo de 32% de sólidos totais de cacau.
🍫 Chocolate ao leite: produto composto por sólidos de cacau e outros ingredientes, contendo o mínimo de 25% de sólidos totais de cacau e o mínimo de 14% de sólidos totais de leite ou seus derivados;
🍫 Chocolate branco: produto isento de matérias corantes, composto por manteiga de cacau e outros ingredientes, contendo o mínimo de 20% de manteiga de cacau e o mínimo de 14% de sólidos totais de leite.
🍫 Chocolate doce: produto composto de sólidos de cacau e de outros ingredientes, que contém, no mínimo, 25% de sólidos totais de cacau, sendo que pelo menos 18% tem que ser de manteiga de cacau e 12% isentos de gordura.
🍫 Achocolatado, chocolate fantasia, chocolate composto, cobertura sabor chocolate ou cobertura sabor chocolate branco: deve ser preparado com mistura de cacau, adicionado ou não de leite e de outros ingredientes. Deve ter, no mínimo, 15% de sólidos de cacau ou de manteiga de cacau.
Além disso, o texto também define como deve ser a composição de outros subprodutos do cacau, como manteiga, licor, bombom, mas não estabelece quantidade mínima de cacau para esses itens.
Quando o produto vendido não se enquadrar nas descrições da Lei, a embalagem não poderá conter imagens ou termos que induzam o consumidor ao erro.
A lei entra em vigor após 360 dias da data de publicação oficial.
De onde vem o que eu como: chocolate
Qualidade vai aumentar?
Para Bruno Lasevicius, presidente da Associação Bean to Bar Brasil, de fabricantes de chocolate fino, a aprovação da lei não vai causar, necessariamente, uma melhora no produto no mercado. Isso porque existem diferentes segmentos de chocolate, cada um voltado a um tipo de público.
🍫 Chocolates finos: como os da associação Bean to Bar, a amêndoa é selecionada diretamente de produtores. Entre os associados, o chocolate já usa de 70% a 80% de sólidos de cacau para fazer o amargo e pelo menos 50% para o ao leite, por exemplo.
🍫 Chocolates industriais premium: segundo Lasevicius, algumas marcas mais caras de chocolate industrializado também já usam teores mais elevados de sólidos de cacau, variando entre 50% e 70%.
🍫 Chocolates industriais populares: esse setor já usa os teores mínimos de chocolate, de acordo com o levantamento da associação. Além disso, os preços elevados do cacau nos últimos anos fizeram com que fossem lançados doces que são "sabor chocolate" (e não "chocolate"), para poder baixar ainda mais a quantidade do fruto, aponta Lasevicius.
"Eu acho que está havendo uma aceitação por parte do público dos menores teores. Boa parte da população não tem poder aquisitivo para comprar um chocolate com um alto valor agregado", afirma.
O presidente explica ainda que, em alguns casos, é usada apenas a casca da amêndoa, que possui um resquício do sabor do chocolate.
Vai aumentar as vendas de cacau?
Mais cacau no chocolate também pode não significar um aumento significativo das vendas da amêndoa, aponta Marcos Silveira Bernardes, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP) e produtor de cacau.
Isto porque, segundo cálculos do pesquisador, o consumo das amêndoas deve aumentar em cerca de 5% pela indústria. Considerando que o Brasil representa cerca de 4% do mercado mundial, o crescimento das compras em nível global deve ser de 0,15%.
Já para o presidente da Associação Bean To Bar, a nova lei não deve aumentar a demanda para os produtores brasileiros. A razão é que a indústria tem preferência pelas amêndoas importadas, que possuem o mecanismo de drawback, ou seja, são isentas de impostos, por se tratar de matéria-prima.
Por outro lado, produtores dizem que o Brasil tem oferta suficiente para atender a uma possível nova demanda, diz Lasevicius.
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Desenrola 2.0 tem perto de R$ 1 bilhão em dívidas renegociadas, diz ministro da Fazenda

O "Desenrola 2.0", programa lançado na semana passada para renegociar a dívida da população com as instituições financeiras, já está próximo de R$ 1 bilhão em valores renegociados.
A informação foi divulgada nesta segunda-feira (11) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.
"Desenrola, só para fazer uma atualização para vocês. A gente, em poucos dias, já tem perto de R$ 1 bilhão em dívidas renegociadas de 200 mil pedidos. Desses 200 mil, 100 mil praticamente fechados e em volume crescente. Cada dia a gente tem visto mais renegociações sendo feitas, o que é muito importante", disse Durigan a jornalistas.
De acordo com o ministro, a renegociação relativa ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), que vai conceder desconto de dezenas de bilhões de reais a estudantes com dívida vencida há mais de um ano, deve estar "totalmente operativo" nesta semana.
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"A gente não vai deixar de fazer também um estímulo para os adimplentes. Isso vai ser feito num segundo momento, daqui a alguns dias Para que a gente primeiro faça a comunicação para quem está inadimplente, que é uma situação muito diferente, para que depois a gente também honre e dê um estímulo, uma espécie de prêmio também, um merecimento para quem ficou adimplente", concluiu o ministro da Fazenda.
Secretário executivo da Fazenda, Dario Durigan.
Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda
Desenrola 2.0
Lançado na semana passada, o Desenrola 2.0 é voltado para brasileiros endividados com o sistema bancário que têm renda mensal de até cinco salários-mínimos, o equivalente a R$ 8.105.
Serão feitos novos empréstimos, pelos bancos, para dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam atrasadas entre 90 dias e 2 anos, com cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC).
A dívida renegociada terá:
descontos entre 30% e 90%;
taxa de juros máxima de 1,99% ao mês;
até 48 meses de prazo;
prazo de até 35 dias para pagamento da primeira parcela;
limite da nova dívida (após descontos) até R$ 15 mil por pessoa, por instituição financeira;
Também será permitido ao trabalhador usar 20% do saldo da conta do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), ou até R$ 1 mil, o que for maior, para pagar parcial ou integralmente dívidas.
Trump quer suspender imposto federal sobre gasolina nos EUA para conter preços

Presidente dos EUA, Donald Trump, durante evento na Casa Branca em 11 de maio de 2026.
REUTERS/Evelyn Hockstein
O presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (11) que pretende suspender o imposto federal sobre a gasolina "por um período de tempo", em uma medida destinada a reduzir a alta dos preços da energia provocada pela guerra com o Irã.
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"Vamos retirar o imposto sobre a gasolina por um período e, quando o preço da gasolina cair, deixaremos que ele volte gradualmente", disse Trump à CBS News.
A suspensão desse imposto depende do Congresso, onde o Partido Republicano tem uma maioria apertada nas duas câmaras.
O senador Josh Hawley afirmou que apresentaria um projeto de lei nesta segunda-feira. Na Câmara dos Representantes, a republicana Anna Paulina Luna anunciou uma proposta semelhante para "esta semana".
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Os impostos federais americanos sobre a gasolina somam 18,4 centavos de dólar por galão de gasolina e 24,4 centavos por galão de diesel, segundo a Administração de Informação Energética dos Estados Unidos (EIA, na sigla em inglês).
Os preços dos combustíveis nos Estados Unidos dispararam desde que Trump lançou a guerra contra o Irã, com a gasolina e o diesel acumulando alta de cerca de 50% desde o fim de fevereiro.
Nesta segunda-feira (11), o preço médio de um galão de gasolina comum (3,8 litros) nos Estados Unidos era de 4,52 dólares (R$ 22,47), e o do diesel, de 5,64 dólares (R$ 28,04), segundo a federação de clubes automobilísticos AAA.
A suspensão do imposto federal sobre combustíveis reduziria esses preços em cerca de 4%.
O conflito no Oriente Médio bloqueia grande parte das exportações de hidrocarbonetos do Golfo, por onde passa um quinto do petróleo e do gás natural do mundo.
Trump chama proposta do Irã de estúpida e diz que cessar-fogo está por um fio
OpenAI investe US$ 4 bilhões em nova empresa para impulsionar IA corporativa

O logotipo OpenAI é exibido em um telefone celular com uma imagem em um monitor de computador gerada pelo modelo de texto para imagem Dall-E do ChatGPT, 8 de dezembro de 2023, em Boston.
AP/Michael Dwyer
A OpenAI disse nesta segunda-feira (11) que está criando uma nova empresa com mais de US$4 bilhões de investimento inicial para ajudar empresas a criar e implantar sistemas de inteligência artificial.
Para ampliar rapidamente a nova unidade, a OpenAI vai comprar uma empresa de consultoria em IA, a Tomoro.
Depois que seus primeiros modelos tiveram forte ressonância entre os consumidores, a OpenAI tem trabalhado agressivamente para assinar contratos corporativos e estabelecer uma grande presença no mundo dos negócios.
O empreendimento, que será de propriedade e controle majoritários da OpenAI, também ocorre no momento em que a rival Anthropic obtém grande sucesso em sua iniciativa de IA empresarial, com sua família de modelos Claude sendo rapidamente adotada.
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A nova empresa, chamada OpenAI Deployment Company, ajudará o fabricante do ChatGPT a incorporar engenheiros especializados na implantação de IA de fronteira onde trabalharão em estreita colaboração com várias equipes para identificar como a IA pode causar o maior impacto, disse a OpenAI.
A aquisição da Tomoro trará cerca de 150 engenheiros de IA experientes e "especialistas em implantação" para a nova unidade desde o primeiro dia.
A Tomoro foi formada em 2023 em aliança com a OpenAI e tem clientes como Mattel, Red Bull, Tesco e Virgin Atlantic, de acordo com seu site.
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Musk e Tim Cook
AFP
A Casa Branca convidou Elon Musk, da Tesla, e Tim Cook, da Apple, para acompanharem o presidente Donald Trump em sua viagem à China esta semana, informou a Bloomberg News na segunda-feira (11), citando uma fonte oficial.
O grupo de mais de uma dúzia de executivos de alto escalão acompanhará Trump em uma visita que o presidente americano espera que desbloqueie uma série de acordos comerciais e contratos de compra entre os dois países, informou a reportagem.
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Outros nomes também foram citados para compor a delegação de Trump durante o encontro com Xi Jinping. Segundo a Bloomberg, estarão lá:
David Solomon, do Goldman Sachs Group;
Stephen Schwarzman, da Blackstone;
Larry Fink, da BlackRock;
Jane Fraser, do Citigroup;
Dina Powell McCormick, da Meta;
Larry Culp, da General Electric Co;
Brian Sikes, da Cargill;
Chuck Robbins, da Cisco;
Sanjay Mehrotra, da Micron Technology;
Cristiano Amon, da Qualcomm;
Ryan McInerney, da Visa;
Michael Miebach, do Mastercard;
Jacob Thaysen, da Illumina;
Jim Anderson, da Coherent.
De acordo com a reportagem, Jensen Huang, diretor executivo da Nvidia, ficou de fora da lista.
A China informou que Trump fará uma visita de Estado de 13 a 15 de maio, de acordo com a agência de notícias oficial Xinhua.
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Vendas de carros na China caem pelo sétimo mês seguido; marcas chinesas buscam novos mercados

Da bicicleta ao carro voador: a revolução na China que atropela o Ocidente
As vendas de automóveis na China caíram em abril pelo sétimo mês seguido, aumentando a pressão sobre as montadoras do país, que têm buscado expandir sua presença no exterior para compensar a forte concorrência no mercado interno. As informações foram divulgadas pela agência de notícias Reuters.
Segundo dados da Associação de Carros de Passageiros da China, as vendas recuaram 21,6% em relação ao mesmo período do ano passado, para 1,4 milhão de veículos no mês passado.
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O setor automotivo vive um momento de forte transformação global, puxado principalmente pelo avanço das montadoras chinesas de carros elétricos e híbridos.
Na China, a concorrência ficou tão intensa que empresas como a BYD passaram a enfrentar queda nas vendas internas, redução de lucro e pressão sobre preços, mesmo liderando o mercado de veículos elétricos no mundo.
🔎Em abril, a BYD registrou sua maior queda de lucro trimestral em seis anos. O lucro líquido da montadora no primeiro trimestre despencou 55,4% em relação ao mesmo período do ano passado, para 4,1 bilhões de yuans (US$ 599,46 milhões), após já ter recuado 38,2% no trimestre anterior, segundo os dados divulgados pela empresa.
Com o mercado chinês mais disputado e os consumidores comprando menos carros, as montadoras do país têm buscado crescer no exterior.
A BYD, por exemplo, aposta na expansão internacional, em novas tecnologias de carregamento rápido e na produção fora da China para manter o ritmo de crescimento.
Esse avanço das chinesas também tem pressionado fabricantes tradicionais da Europa e de outros países. A Renault, por exemplo, anunciou um plano para acelerar a eletrificação da sua linha e aumentar as vendas fora da Europa até 2030.
A estratégia inclui mais carros híbridos e elétricos para competir diretamente com marcas chinesas além da BYD, como GWM e Chery, conhecidas pelos preços mais baixos e pela rápida expansão global.
Fábrida da BYD em Szeged, Hungria
Divulgação / BYD
Carros chineses feitos na Europa
Na primeira semana de maio, a Stellantis, dona da marca Fiat, e a chinesa Leapmotor anunciaram que planejam iniciar a produção conjunta de automóveis na Europa.
A fábrica da Stellantis em Zaragoza, Espanha, vai produzir um SUV elétrico inédito da Opel. Na mesma linha de produção será feito o Leapmotor B10 ainda em 2026.
Segundo comunicado, as duas empresas pretendem aprofundar cooperação em três pontos:
Produção do SUV Lepamotor B10 na fábrica da Stellantis em Zaragoza, Espanha. A fábrica de Figueruelas já monta o Peugeot 208 e o Lancia Ypsilon, outras marcas do grupo. A parceria na fábrica vai dar vida a um novo SUV elétrico da marca Opel previsto para 2028.
Compras em conjunto. Stellantis e Leapmotor pretendem fazer compras com fornecedores em parceria. A medida busca baixar custos e ganhar escala. A medida, segundo Stellantis, vai promover preços competitivos pelo ecossistema chinês para carros eletrificados. Além de aproveitar as capacidades da cadeia de fornecedores da Europa.
Um novo modelo da Leapmotor deve passar a ser produzido na fábrica de Villaverde, em Madrid. A medida deve garantir o futuro da planta, que já sabe que vai deixar de produzir o Citroën C4. O novo carro da Leapmotor deve chegar em 2028. Existe a possibilidade da fábrica passar a ser controlada pela LPMI e não mais pela Stellantis.
Ex-marido de Shakira, Piqué é multado em 200 mil euros na Espanha por uso de informação privilegiada

O ex-zagueiro espanhol Gerard Piqué
Reuters
O órgão regulador do mercado financeiro da Espanha, a Comisión Nacional del Mercado de Valores (CNMV), multou o ex-jogador Gerard Piqué por uso de informações confidenciais para obter lucro na bolsa de valores.
Segundo a investigação, Piqué recebeu com antecedência a informação de que a empresa espanhola de saúde e tecnologia médica Atrys Health planejava comprar a Aspy Global Services, que também atua no mesmo setor.
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Esse tipo de dado costuma influenciar o preço das ações, mas ainda não havia sido divulgado ao mercado.
De acordo com informações da Reuters, antes de a notícia se tornar pública, Piqué comprou mais de 100 mil ações da Aspy.
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Dois dias depois, quando a negociação foi anunciada oficialmente, as ações da empresa subiram. Com isso, ele vendeu os papéis e teria obtido um lucro estimado em cerca de 45,8 mil euros (aproximadamente R$ 264 mil).
🔎Para o regulador espanhol, isso configura uso de informação privilegiada — prática considerada ilegal por dar vantagem a quem negocia ações com base em informações que o restante do mercado ainda não conhece.
O empresário Francisco José Elias, apontado como responsável por compartilhar a informação confidencial, também foi punido.
Piqué recebeu multa de 200 mil euros, enquanto Elias foi multado em 100 mil euros. Apesar de a decisão administrativa ser definitiva, ambos ainda podem recorrer à Justiça espanhola.
Novo Tiguan: tudo que você precisa saber sobre a terceira geração do SUV mais vendido da VW no mundo

Novo Tiguan chega em maio ao Brasil.
Volkswagen/Divulgação
O que você faria se tivesse um SUV à sua altura? É essa a provocação que faz o novo Tiguan, que chega ao Brasil em maio de 2026, como uma das principais apostas da Volkswagen no segmento de SUVs premium.
Com uma proposta que combina sofisticação, tecnologia e desempenho, o modelo foi desenvolvido para acompanhar diferentes momentos do dia a dia: da rotina nas cidades às viagens em estrada.
E quando o assunto é performance, o modelo vai além. São 272 cv de potência e 35,7 kgfm de torque, aliados à tração integral 4Motion, que garantem uma condução estável, eficiente e adaptada a diferentes condições de uso.
Além disso, o modelo se destaca pelo design renovado, e pelo pacote tecnológico voltado à assistência, à condução e às facilidades no dia a dia. O resultado é um SUV pensado para quem busca uma experiência mais completa ao dirigir, com soluções que tornam cada trajeto mais simples, confortável e intuitivo.
Design elegante e funcional
Volkswagen
Divulgação
O novo Tiguan traz um visual atualizado, com linhas mais marcantes e uma identidade luminosa que reforça sua presença nas ruas. As rodas aro 19”, os faróis full LED Matrix e a assinatura em LED na dianteira e na traseira contribuem não só para a estética, mas também para uma condução mais segura e eficiente em diferentes condições.
Mais potência, torque e tração integral
Equipado com o motor 350 TSI 2.0 Turbo, o Tiguan entrega 272 cv de potência e 35,7 kgfm de torque: números que reforçam sua posição como o modelo mais potente da história da linha no Brasil. A tração integral 4Motion e a suspensão Multilink completam o conjunto, oferecendo estabilidade, controle e desempenho tanto na cidade quanto na estrada.
A tração, com sistema Haldex, trabalha de forma independente, reconhecendo o terreno e adaptando a entrega de potência de acordo com o escorregamento das rodas, sem a necessidade de ação do motorista. Isso permite que o Novo Tiguan também ofereça o Assistente de Descidas, que utiliza um sistema para descida de ladeiras íngremes de forma segura e controlada.
Além disso, a forma como o carro se comporta pode ser configurada entre seis modos de condução disponíveis: Eco, Normal, Sport, Individual, Snow e Off-road. O modo Off-road recebe ainda uma visualização a mais na central multimídia com altitude, ângulo das rodas e inclinação para maior controle em trilhas ou situações fora de estrada mais severas.
Tecnologia e segurança
Volkswagen
Divulgação
Assim como toda a família de SUVs da Volkswagen, o Novo Tiguan é cinco estrelas nos testes do Latin NCAP e entrega mais de 12 sistemas ativos de ADAS.
O modelo reúne sistemas avançados de assistência à condução que ampliam a segurança e facilitam o dia a dia ao volante. Entre os destaques estão o Park Assist Plus, que pode assumir direção, aceleração e frenagem em manobras, o Travel Assist e o ACC Stop & Go, além do detector de ponto cego e do Exit Warning System.
A central multimídia de 15” e o painel digital de 10,25” criam um ambiente tecnológico e intuitivo, com informações acessíveis e personalizáveis. Recursos como o Kessy Advanced, que reconhece a aproximação da chave para destravar o veículo, reforçam a proposta de uma experiência fluida e sem fricções.
Inédito em um Tiguan, a alavanca de câmbio agora cede espaço no console para o Seletor de Experiências, que permite o controle do volume, a troca dos modos de condução e as novas experiências da cabine. A troca de marchas passa a ser feita pela manopla atrás do volante, assim como nos modelos ID. da Volkswagen.
Conforto
Volkswagen
Divulgação
O interior do Tiguan foi projetado para oferecer bem-estar em todos os detalhes. Os bancos com ventilação e função de massagem, o ar-condicionado de três zonas e o acabamento refinado elevam o nível de conforto.
Da cabine, também é possível controlar a abertura do teto solar panorâmico pelos controles sensíveis ao toque no plafon de teto e a abertura da tampa elétrica do porta-malas com função Easy Open & Close, passando o pé na parte interior do para-choque traseiro pelo botão posicionado na porta do motorista.
Além dos sistemas de assistência, o modelo também contará com condições especiais para blindagem, ampliando as possibilidades para quem busca ainda mais proteção no dia a dia, sem abrir mão da experiência premium.
O novo Tiguan chega ao mercado brasileiro como um modelo pensado para quem busca mais praticidade no dia a dia, sem abrir mão de uma experiência sofisticada ao dirigir. Conheça mais sobre o SUV à altura da sua história.
Tesouro Reserva: veja as vantagens do novo título e o que considerar antes de investir

Tesouro Reserva: Tesouro Nacional lança novo investimento que poderá ser negociado 24 horas por dia
O lançamento do Tesouro Reserva reacende uma dúvida comum entre investidores conservadores: vale mais a pena investir em títulos públicos ou em produtos oferecidos por bancos e plataformas digitais?
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Apresentado como uma alternativa à poupança, aos CDBs e às chamadas “caixinhas”, o novo título do Tesouro Direto chama a atenção não apenas pela rentabilidade, mas principalmente pela forma como combina segurança com praticidade — dois fatores decisivos para quem busca aplicações de curto prazo.
Um dos principais diferenciais do Tesouro Reserva está na facilidade de uso. O investidor pode aplicar a partir de R$ 1, resgatar o dinheiro a qualquer momento e contar com transferências via PIX, todos os dias da semana.
A ideia, segundo o governo, é tornar o acesso aos títulos públicos tão simples quanto o dos produtos mais populares dos aplicativos bancários.
“Isso aproxima o Tesouro Direto da experiência que hoje o investidor já encontra nas fintechs [bancos e plataformas digitais]”, avalia Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.
Segurança com dinheiro disponível rapidamente
Do ponto de vista da segurança, o Tesouro Reserva segue a lógica dos demais títulos públicos. Ao investir nesse tipo de aplicação, o poupador “emprestará” dinheiro ao governo federal.
🔎 Por isso, o risco de não receber de volta o valor aplicado é considerado mais baixo do que em produtos emitidos por instituições financeiras privadas.
Essa característica, somada à possibilidade de resgatar os recursos rapidamente, faz do novo título uma alternativa especialmente interessante para a reserva de emergência — o dinheiro guardado para cobrir despesas inesperadas, como problemas de saúde, consertos ou perda de renda.
Para Marcos Praça, essa combinação é justamente o principal atrativo do produto. Segundo ele, o Tesouro Reserva tende a ser uma opção competitiva para esse tipo de objetivo, por reunir segurança, rapidez no saque e previsibilidade.
“Em um ambiente de juros ainda altos no Brasil, produtos atrelados à Selic continuam muito atrativos para o investidor conservador”, afirma.
Como o rendimento acompanha a taxa básica de juros, o investidor consegue ter uma referência mais clara de como o dinheiro tende a evoluir ao longo do tempo, sem precisar acompanhar oscilações mais complexas do mercado.
Opções privadas podem render mais, com contrapartidas
Apesar dessas vantagens, o Tesouro Reserva ele não necessariamente será a aplicação com maior rentabilidade disponível no mercado.
Com a taxa Selic em 14,5% ao ano, o Brasil vive um período de juros elevados, cenário em que as aplicações de renda fixa tendem a se tornar mais atrativas.
Nesse contexto, bancos e corretoras costumam aumentar a remuneração de produtos como os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) para atrair o dinheiro dos investidores.
🛡️ Esses investimentos privados contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que assegura até R$ 250 mil por CPF e por instituição em caso de problemas com o banco emissor.
🏛️ Diferentemente deles, os títulos do Tesouro Direto, como o Tesouro Reserva, não têm cobertura do FGC, pois não são produtos bancários. Nesse caso, a garantia vem do próprio governo federal.
Na prática, isso significa que algumas aplicações privadas podem, sim, render mais do que os títulos do Tesouro.
“O desafio será competir com o retorno de CDBs, LCIs e LCAs, que muitas vezes são mais atrativos e não têm taxas”, afirma Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos.
Por outro lado, esse retorno maior dos títulos privados costuma vir acompanhado de exigências adicionais.
Em muitos casos, o investidor precisa aceitar prazos mais longos para resgatar o dinheiro ou lidar com regras mais restritas, o que exige atenção antes de aplicar.
Custos e pontos de atenção
Como qualquer investimento do Tesouro Direto, o Tesouro Reserva também está sujeito à tabela regressiva do Imposto de Renda aplicada aos investimentos de renda fixa.
Nesse modelo, a alíquota começa em 22,5% para aplicações de até 180 dias e cai gradualmente até 15% para investimentos mantidos por mais de dois anos.
Junto ao IR, também há cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em caso de resgate nos primeiros 30 dias da aplicação. Após esse período, o imposto deixa de ser aplicado.
Além disso, outro aspecto que merece atenção é a chamada marcação a mercado.
Em termos simples, isso significa que o valor mostrado no extrato pode variar ao longo do tempo, mesmo que o investimento continue seguindo normalmente.
Governo lança o Tesouro Reserva, novo investimento com aplicação a partir de R$ 1
Cacá Trovó/EPTV
Brasil atinge metade da cota de carne bovina para a China e deve enfrentar taxação maior em breve

Carne bovina
Foto de David Foodphototasty na Unsplash
O governo chinês informou no sábado (9) que o Brasil atingiu metade da cota de exportação de carne bovina que pode entrar no país asiático com tarifa reduzida, de 12%. Quando o volume embarcado ultrapassar 1,1 milhão de toneladas – o que deve acontecer em breve –, a carne brasileira será taxada em 55%.
A decisão de limitar as exportações de carne do Brasil e de outros países foi anunciada pelo governo chinês no último dia de 2025, e entrou em vigor já em 1º de janeiro deste ano. O objetivo é proteger a pecuária local.
➡️ A China lidera as compras de carne bovina do Brasil, que é o maior fornecedor do produto aos chineses, além de ser o maior exportador mundial.
O volume está perto de ser atingido porque as empresas brasileiras aceleraram os embarques para evitar a taxação maior.
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No último dia 5, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne, Roberto Perosa, disse que a decisão da China deve provocar uma queda de 10% nas exportações brasileiras de carne bovina em 2026, na comparação com 2025.
Ele disse ainda que a produção voltada ao mercado chinês deve ser interrompida por volta de junho, em razão da tarifa. Segundo ele, será necessário aumentar o consumo interno para compensar o volume que deixará de ser exportado ao país asiático.
Em 2025, o Brasil exportou 3,5 milhões de toneladas de carne bovina, das quais 1,7 milhão de toneladas tiveram a China como destino, segundo dados da Abiec.
"Não há mercado que substitua a China", disse Perosa.
No início do ano, a Abiec trabalhava com um cenário mais otimista, prevendo relativa estabilidade nas exportações, com base na possível abertura de novos mercados e no redirecionamento das vendas para outros destinos.
Segundo Perosa, havia expectativa em relação à abertura do mercado da Coreia do Sul para a carne bovina brasileira, o que não deve mais ocorrer em 2026.
Perosa disse ainda manter expectativa quanto à possível abertura do mercado japonês, que poderia ajudar a reduzir o impacto da queda nos embarques para a China.
Bloqueio de fertilizantes em Ormuz pode desencadear 'grande crise humanitária', diz funcionário da ONU

Navios parados no Estreito de Ormuz, perto de Bandar Abbas, no Irã
Amirhosein Khorgooi/ISNA/WANA
Dezenas de milhões de pessoas podem enfrentar fome e inanição se os carregamentos de fertilizantes forem bloqueados na travessia do Estreito de Ormuz "dentro de algumas semanas", disse à AFP, nesta segunda-feira (11), o chefe de um grupo de trabalho da ONU.
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"Temos algumas semanas para evitar o que provavelmente será uma grande crise humanitária", disse Jorge Moreira da Silva, diretor executivo do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS) e líder do grupo de trabalho encarregado de evitar uma crise humanitária iminente, em entrevista à AFP.
"Poderíamos presenciar uma crise que mergulharia mais 45 milhões de pessoas na fome e na inanição", acrescentou.
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EXCLUSIVO: g1 testou o Chevrolet Sonic; SUV custa R$ 129.990 e mostra força para brigar com Volkswagen Nivus

Repórter do g1 faz teste do Chevrolet Sonic em concessionária de São Paulo
Carlos Cereijo / g1
O g1 já testou o novo Chevrolet Sonic na versão RS. O SUV é o lançamento mais importante da marca em 2026 e chega com preço promocional de R$ 129.990 pela versão Premier e R$ 135.990 pela RS.
O motor é 1.0 turbo com injeção direta de combustível, com 115 cv de potência e torque de 18,9 kgfm. Disponível somente nas versões topo de linha Premier e RS, o Sonic vem de série com câmbio automático de seis marchas.
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O SUV usa a mesma plataforma do Onix, mas será que ele é só um hatch disfarçado de utilitário esportivo? O espaço interno é bom? Os novos equipamentos de segurança ajudam? E a correia banhada a óleo ainda é um problema? O g1 foi o primeiro a testar o Sonic e traz todas as respostas.
O motor três cilindros em linha 1.0 tem a mesma calibração do Tracker. Porém, o Sonic é mais leve, com 1.139 kg, enquanto o SUV "irmão" tem 100 kg a mais. Portanto, a sensação nas retomadas é mais ágil.
O Sonic dá uma sensação mais esportiva ao conjunto. E, mesmo assim, todos os números de consumo do Sonic são melhores se comparados ao Tracker 1.0 turbo.
Claro, seria mais interessante a versão RS contar com o motor 1.2 turbo de 139 cv. Mas fica claro que a Chevrolet quer trabalhar o argumento do preço neste momento, e uma versão com este motor ficaria encavalada com outras configurações do Tracker.
Chevrolet lança Sonic por R$ 129.990; veja os detalhes do novo SUV
Correia mais forte
Sim, a correia banhada a óleo continua. Desde 2025, no entanto, o componente recebeu atenção especial da General Motors.
A correia passou a ser feita com materiais de maior resistência, segundo a montadora, para não sofrer tanto se tiver contato com óleos de baixa qualidade. O Sonic já vem com essa evolução da correia.
Aliás, essa é uma das explicações que a montadora dá para a polêmica com a peça: carros com plano de manutenção falho e óleo fora das especificações.
O próprio site da marca diz que 20% dos óleos ofertados no Brasil são falsos ou adulterados. O óleo indicado é o sintético 0W-20 com certificação Dexos, que tem aditivos específicos.
Segundo a Chevrolet, seguindo o plano de revisões, a correia pode durar até 20 anos de uso. A fábrica dá garantia de 240 mil ao componente.
Apresentação oficial do Chevrolet Sonic em São Paulo
Carlos Cereijo / g1
Firme, mas nem tanto
Dirigir o novo Sonic pelas ruas de São Paulo foi uma grata surpresa. Em um primeiro momento, as rodas de 17 polegadas poderiam sugerir um acerto firme, daqueles que transmitem vibrações em excesso para a cabine e comprometem o conforto no uso urbano. Mas, na prática, acontece justamente o contrário.
Mesmo com rodas maiores, o Sonic consegue filtrar bem o asfalto castigado da capital paulista, absorvendo irregularidades com competência. O conjunto de suspensão revela um equilíbrio interessante entre conforto e estabilidade, mostrando um acerto muito mais próximo ao de um hatch grande do que ao de um SUV compacto.
Nas curvas e acelerações, o carro transmite segurança sem abrir mão de suavidade.
Chevrolet Sonic 2027 na versão RS
Divulgação / GM
Outro ponto positivo está no isolamento acústico. Em baixas rotações, o som do motor dentro da cabine é bastante discreto, enquanto em giros mais altos surge um ronco agradável, presente na medida certa, sem se tornar incômodo.
O ruído de vento também parece bem controlado nesse primeiro contato, indicando que viagens mais longas não devem transformar o barulho do ar passando pela carroceria em fonte de cansaço.
Durante a avaliação, também foi possível experimentar rapidamente o sistema de som, que surpreende de forma positiva. Para um veículo que não é do segmento premium, a qualidade sonora é bastante competente, com boa presença de médios e graves, entregando uma experiência acima da expectativa.
Apesar deste contato inicial ter acontecido apenas em circuito urbano, já foi possível perceber que a direção elétrica não chega a ser anestesiada. Ainda existe alguma comunicação com o motorista, o que ajuda a reforçar a proposta mais dinâmica do Sonic.
No fim das contas, o Sonic consegue entregar visual e sensação esportiva superiores aos de Onix e Tracker, mas sem sacrificar o conforto. É justamente esse equilíbrio entre desempenho e praticidade que torna o modelo uma proposta bastante interessante no segmento.
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Quase um Onix
O Sonic é 5 cm mais comprido que o Onix, quase 2 cm mais largo e 6 cm mais alto. A única medida exatamente igual entre os modelos é o entre-eixos de 2,55 m. Com essa fórmula, o SUV consegue um porta-malas mais generoso de 392 litros (o Onix tem só 303 litros).
O preço pelo mesmo entre-eixos aparece no espaço mais justo para as pernas no banco traseiro. A cabeça de quem tem mais de 1,80 m também roça no forro do teto. Então, se isso for um fator imprescindível, é melhor partir para um Tracker.
O banco do motorista tem ajuste de altura. O volante pode ser reposicionado em profundidade e também para cima e para baixo. A posição do motorista pode ficar agradável para quem gosta de uma sensação mais alta. E, ao mesmo tempo, é possível acertar uma posição mais baixa.
Ao volante, o Sonic agrada por não obrigar o motorista a “artificialmente” parecer alto com um banco elevado acima da média. Alguns compactos fazem isso para dar a sensação de carro altinho sem mexer realmente na altura. O resultado é que parece que se está dentro de uma empilhadeira, o que não ocorre no Sonic.
Telas e conectividade
O cluster de instrumentos é uma tela de 8 polegadas que está integrada numa mesma peça com o multimídia de 11 polegadas. A Chevrolet chama de Virtual Cockpit System e no teste do g1 o conceito se mostrou prático.
É fácil identificar as informações no cluster, e o tema escuro do multimídia combina com o acabamento em preto brilhante.
Há carregador por indução e conexão sem fio para Android Auto e Apple Car Play. O serviço OnStar no plano de entrada, chamado de Basics, vem de série por 8 anos. Com ele há diagnósticos remotos, comandos remotos via app no celular de ar-condicionado, portas, vidros e motor.
Durante o teste, o g1 pode falar com um atendente do OnStar. Ele explicou os recursos do plano Protect, que é contratado à parte e adiciona serviços de segurança e emergência, além de um acesso de Wi-fi com pacote de dados próprio. A GM oferece uma cortesia de 3 meses grátis do serviço, a depender da ativação por parte do cliente.
No OnStar Protect, a ligação com o atendente acontece com um toque de botão. A comunicação é clara. No teste, o funcionário da GM explica que o serviço oferece respostas automáticas em caso de acidentes e aciona as autoridades de emergência. Há ainda um localizador e rastreador em caso de furto do Sonic, que pode até descalerar o carro e facilitar sua recuperação.
Interior do Chevrolet Sonic
Divulgação / GM
Interior brilhante
Os materiais da cabine do Sonic seguem o padrão encontrado no Tracker. A iluminação com filetes de LED é opcional e dá mais requinte ao lançamento da Chevrolet.
Na versão RS, testada pelo g1, os acabamentos em vermelho carmim quebram o ar sisudo do cinza e preto. Os cintos de segurança vermelhos, também da versão RS, ajudam a alegrar a cabine.
Como divulgado no lançamento, a lista de itens das duas versões é próxima. Há poucos equipamentos que só estão disponíveis na versão RS. São o farol alto adaptativo, que detecta outros carros e baixa o farol para não ofuscar, e o sensor de estacionamento traseiro, lateral e dianteiro. O Sonic Premier só tem sensor traseiro.
O restante dos itens que diferenciam Premier e RS são estéticos e, a depender do gosto de cada pessoa, podem não justificar os R$ 5 mil extras.
Chevrolet Sonic RS vem de série com cintos vermelhos
Divulgação / GM
Mais segurança
O Sonic estreia uma nova geração do Chevrolet Intelligent Driving. O sistema utiliza uma câmera frontal de alta definição que, segundo a General Motors, entrega 40% mais área de cobertura. Na prática, isso amplia significativamente a capacidade de monitoramento e resposta do veículo em diferentes situações.
Com essa evolução, o sistema de frenagem automática de emergência atua em uma faixa mais ampla, entre 8 e 130 km/h. Além disso, a tecnologia consegue diferenciar o asfalto das áreas laterais da pista, como trechos de grama. Isso permite ao Sonic atuar de maneira mais precisa na manutenção ativa do carro dentro da faixa de rodagem.
Durante o teste realizado pelo g1, essa tecnologia mostrou na prática como pode ser útil. Em determinado momento, o veículo à frente realizou uma frenagem mais brusca, e o Sonic imediatamente emitiu alertas sonoros e uma luz refletida no para-brisa para chamar a atenção do motorista. Antes mesmo de qualquer intervenção automática nos freios, o sistema já havia cumprido um papel importante de prevenção.
Entre os demais recursos de segurança, o modelo oferece assistente de permanência em faixa com correção ativa, alerta de ponto cego e seis airbags de série.
Nas manobras de estacionamento, ambas as versões contam com câmera de ré, garantindo praticidade. Já a versão RS amplia esse pacote com sensores adicionais e traz como diferencial exclusivo o sistema Easy Park.
Esse recurso permite que o próprio veículo auxilie em manobras de estacionamento em vagas paralelas ou perpendiculares. Basta ao motorista acionar a função, identificar o espaço disponível e soltar o volante. A partir daí, o condutor controla apenas acelerador, freio e seleção de marchas, enquanto o Sonic assume automaticamente os movimentos de direção para estacionar.
Preço agressivo
A conclusão é que, em um primeiro momento, o Sonic poderia parecer ter poucos argumentos para brigar diretamente com o Volkswagen Nivus, apontado inicialmente como seu principal rival.
Porém, o posicionamento de preço adotado pela GM muda esse cenário. Na prática, o Sonic acaba entrando em uma faixa de disputa mais próxima das versões do Tera.
Com isso, o modelo da Chevrolet ganha força competitiva. Ele se posiciona como uma opção mais barata que o Nivus, ao mesmo tempo em que oferece atributos considerados atrativos quando comparado ao Tera.
A questão é que esse cenário depende diretamente da manutenção do preço promocional de lançamento. Segundo a informação repassada pela concessionária durante o teste realizado pelo g1, essa condição especial deve valer apenas para os primeiros 3 mil Sonic vendidos.
Depois disso, a versão RS passa para mais de R$ 140 mil. Nesse novo patamar, será fundamental avaliar se o pacote de equipamentos, proposta e atributos do Sonic continuarão fazendo sentido diante da concorrência.
Também será necessário observar como Fiat e Volkswagen irão reagir. A resposta dessas marcas vai definir o real impacto do Sonic dentro dessa disputa.
Enjoei decide descontinuar plataforma Elo7

Elo7
Reprodução
A Enjoei anunciou nesta segunda-feira (11) que seu conselho de administração aprovou a descontinuidade das operações da plataforma de marketplace de produtos artesanais Elo7.
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"A partir desta data, a plataforma Elo7 deixará de receber novos pedidos", afirmou a companhia em fato relevante ao mercado, destacando que assegura o cumprimento de todas as obrigações perante clientes e vendedores com transações já em curso.
"A decisão fundamenta-se num rigoroso processo de revisão estratégica e alocação de capital", justificou. A plataforma era detida pela subsidiária integral da companhia Elo7 Serviços de Informática Ltda.
"Desde a sua integração, o Elo7 enfrentou um cenário competitivo distinto, caracterizado pela forte expansão de grandes empresas multinacionais de e-commerce. Este novo contexto elevou substancialmente os custos de aquisição de clientes e impôs barreiras de escala que comprometeram a viabilidade econômica da unidade face ao atual custo de capital", acrescentou a Enjoei.
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A companhia disse que realizou diversos esforços para elevar a eficiência operacional e promover ajustes estruturais visando reduzir a dependência de mídias pagas para otimizar o negócio, mas que tais medidas não foram suficientes para reverter a perda de escala, evidenciada pela queda de 39,5% na receita líquida no quarto trimestre do ano passado em relação ao mesmo período de 2024.
De acordo com a Enjoei, os impactos contábeis e financeiros desta decisão serão detalhados nas divulgações trimestrais de resultado.
CEO da Microsoft vai depor sobre seu papel na fundação da OpenAI

Sam Altman, então CEO da OpenAI, e Satya Nadella, CEO da Microsoft, durante a conferência OpenAI DevDay, em 6 de novembro de 2023
AP Photo/Barbara Ortutay
O CEO da Microsoft, Satya Nadella, foi convocado a depor nesta segunda-feira (11) no julgamento nos Estados Unidos contra a OpenAI e a explicar se sua empresa financiou a transformação da desenvolvedora do ChatGPT em uma gigante da inteligência artificial com fins lucrativos.
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O depoimento de Nadella precederá o do CEO da OpenAI, Sam Altman, cujo interrogatório - provavelmente na terça-feira ou na quarta-feira - será uma das etapas finais de um julgamento diante de um júri federal na Califórnia.
Elon Musk processou a OpenAI, acusando a empresa de trair sua missão original e de desviar suas doações, de 38 milhões de dólares (R$ 188,9 milhões), para construir um império avaliado em mais de 850 bilhões de dólares (R$ 4,23 trilhões).
O processo expôs disputas internas entre engenheiros, investidores e executivos do Vale do Silício nos anos anteriores ao lançamento do ChatGPT, em 2022.
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O fundador da Tesla e da SpaceX exige que a OpenAI retorne a seu status original de organização sem fins lucrativos. Se isso acontecer, a medida afetaria sua posição na corrida global de inteligência artificial contra Anthropic, Google e a chinesa DeepSeek.
A OpenAI afirma que Musk se retirou voluntariamente após não conseguir o controle majoritário da empresa. Depois, ele se tornou concorrente direto da companhia por meio da xAI, com a qual desenvolveu a IA Grok.
A juíza Yvonne González Rogers dará a decisão definitiva sobre a responsabilidade e eventuais indenizações, após o veredicto de um júri "consultivo". Se ela decidir a favor de Musk, a abertura de capital da OpenAI, planejada para este ano, ficaria em dúvida.
Atrair investimentos
Nesta segunda-feira, os advogados de Musk tentarão convencer o júri de que a Microsoft, ao investir na OpenAI em 2019, sabia que contribuía para desviar uma fundação sem fins lucrativos de seu propósito original.
Para isso, eles usarão e-mails da Microsoft de 2018, revelados recentemente, para demonstrar que a gigante de tecnologia só investiu quando vislumbrou a possibilidade de obter retornos.
Nos e-mails, Nadella consultou seus executivos sobre um desconto concedido à OpenAI para usar a potência computacional do Azure, plataforma de computação em nuvem da Microsoft.
"Em geral, não sei que pesquisa eles estão conduzindo nem como, se a compartilhassem conosco, ela poderia nos ajudar a avançar", escreveu Nadella.
Naquele momento predominava o ceticismo, e o diretor de tecnologia da Microsoft, Kevin Scott, temia que a OpenAI pudesse "ir irritada para a Amazon".
Em 2019, um ano e meio depois de ter virado as costas para a startup, a Microsoft finalmente investiu 1 bilhão de dólares (R$ 4,97 bilhões).
No fim, injetaria um total de 13 bilhões de dólares (R$ 64,62 bilhões), uma participação agora avaliada em 228 bilhões de dólares (R$ 1,13 trilhão).
Satya Nadella, CEO da Microsoft, em 27 de fevereiro de 2019
Tobias SCHWARZ/AFP
Shein acusa Temu de violar direitos autorais em 'escala industrial' no Reino Unido

Temu e Shein
Reuters
A plataforma online de fast-fashion Shein acusou a Temu de violação de direitos autorais “em escala industrial”, enquanto a Temu respondeu afirmando que a Shein está usando processos judiciais para sufocar a concorrência, no início de um julgamento no Tribunal Superior de Londres nesta segunda-feira (11).
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O caso faz parte de uma batalha judicial global entre as rivais de rápido crescimento, com possíveis implicações para práticas das plataformas, relações com fornecedores e aplicação de direitos de propriedade intelectual no comércio eletrônico global.
A Shein alega que a Temu utilizou milhares de suas fotos para anunciar cópias de roupas de marca própria da Shein em seu site, “pegando carona” em uma concorrente mais consolidada.
“Esta foi uma tentativa de ganhar vantagem sobre um participante já existente no mercado, e a Temu buscou obter, segundo argumentamos, uma vantagem injusta”, afirmou Benet Brandreth, advogado da Shein. A Temu nega as acusações.
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Produtos Removidos Temu
Brandreth afirmou ao tribunal que a Temu abandonou sua defesa contra as acusações de violação de direitos autorais da Shein relacionadas a quase 2.300 fotos tiradas por funcionários da Shein, comparando a situação a “o réu esperar para ver se as testemunhas aparecerão antes de se declarar culpado”.
A Temu — pertencente à PDD Holdings — apresentou uma ação reconvencional, buscando indenização após ter sido obrigada a remover milhares de anúncios de produtos quando a Shein conseguiu uma liminar judicial.
A empresa também acusa a Shein de violar leis de concorrência ao vincular fornecedores de moda rápida a acordos de exclusividade. Essa parte do caso deverá ir a julgamento no próximo ano.
Os advogados da Temu argumentam que o processo da Shein não é uma tentativa legítima de impedir infrações de direitos autorais, mas sim uma estratégia para garantir vantagem competitiva.
O julgamento de duas semanas em Londres é mais um capítulo da disputa judicial entre as rivais, que também processam uma à outra nos Estados Unidos, e ocorre em meio ao aumento do escrutínio regulatório.
Shein e Temu expandiram rapidamente suas operações em mercados internacionais com roupas, acessórios e gadgets de baixo custo.
No entanto, o fim da isenção alfandegária dos EUA para pequenos pacotes de comércio eletrônico no ano passado — medida que a União Europeia pretende seguir em julho — pode prejudicar o crescimento das empresas.
Pacotes de roupas em uma fábrica da Shein em Guangzhou, província de Guangdong, China, em 1º de abril de 2025.
Reuters
Taxa das blusinhas: arrecadação sobe 25% e bate recorde; governo discute acabar com imposto

O governo arrecadou R$ 1,78 bilhão em imposto de importação nos quatro primeiros meses de 2026 com as encomendas internacionais, segundo a Secretaria da Receita Federal.
Isso representa um crescimento de 25% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando somou R$ 1,43 bilhão. Também representa novo recorde para janeiro a abril.
Taxa das blusinhas: governo reacende debate sobre imposto
➡️Em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional, o governo passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, que até então estavam isentas para empresas dentro do programa Remessa Conforme.
Além do imposto de importação, dez estados elevaram sua tributação, por meio do ICMS, também para 20%, com validade em abril do ano passado.
🔎A taxação foi uma resposta do governo e do Congresso a um pedido de segmentos da indústria nacional, após o aumento das compras digitais durante a pandemia, e diante da diferença de carga tributária entre produtos nacionais e os importados nas plataformas online.
➡️À época, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o texto aprovado pelo Legislativo, apesar de ter classificado a decisão como "irracional". A medida foi defendida pela indústria brasileira.
➡️Na última semana, entretanto, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, admitiu que o fim da chamada "taxa das blusinhas" está em discussão dentro do governo.
"Hoje oposição tem trazido o tema de volta. Dentro do governo, há ministros que defendem que reveja [a taxa das blusinhas]. A gente tem que fazer o debate racional. Eu não tenho tabu em relação aos temas, desde que a gente preserve os avanços que a gente atingiu. O programa Remessa Conforme é algo que eu não abro mão. Está sendo discutido [o fim da taxa das blusinhas]", declarou Durigan.
➡️Controversa, a "taxa das blusinhas" é reprovada por parte dos consumidores brasileiros principalmente por encarecer produtos populares de baixo valor e reduzir a atratividade de plataformas internacionais. Críticos argumentam que turistas de viagens internacionais têm vantagem ao não recolher o tributo.
Secretário executivo da Fazenda, Dario Durigan.
Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda
Setor produtivo defende o imposto
➡️ A manutenção da "taxa das blusinhas" foi defendida pelo vice-presidente da República, e então ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, para defender a indústria nacional de produtos de baixo valor.
Em manifesto, representantes dos setores produtivos, do comércio e varejistas também defenderam sua permanência. Eles disseram que a medida não só gerou empregos, mas também benefícios ao consumidor.
"O consumidor também foi beneficiado pela redução da disparidade tributária entre plataformas internacionais de e-commerce e o setor produtivo nacional. No setor de têxteis, vestuário e calçados, por exemplo, a inflação é a menor entre os itens do IPCA desde julho de 1994, início do Plano Real", diz o manifesto.
Ajuda para contas públicas
A "taxa das blusinhas" também tem rendido recursos aos cofres públicos, ajudando a equipe econômica a buscar as metas para as contas públicas.
Em 2025, por exemplo, a Receita Federal arrecadou R$ 5 bilhões com esse imposto, novo recorde.
Nos quatro primeiros meses deste ano, avançou para R$ 1,78 bilhão, superando o valor registrado no mesmo período do ano passado.
A alta na arrecadação ajuda o governo a tentar atingir a meta fiscal deste ano, que é de um superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões.
De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central.
Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões
O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 63,5 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais).
Com a banda em torno da meta fiscal e abatimentos legais, a previsão oficial do governo é de que suas contas tenham um déficit de quase R$ 60 bilhões neste ano.
Se os números se confirmarem, as contas do governo devem ficar negativas durante todo o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Dólar cai e renova menor patamar desde janeiro de 2024 com impasse entre EUA e Irã; Ibovespa recua

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar fechou em leve queda de 0,06% nesta segunda-feira (11), cotado a R$ 4,8913 — renovando o menor patamar desde 15 de janeiro de 2024 (R$ 4,8657). Na mínima do dia chegou a R$ 4,8857. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou com um recuo de 1,19%, aos 181.909 pontos.
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▶️ No exterior, os preços do petróleo voltaram a subir nesta segunda-feira (11), após indicações de que o presidente americano, Donald Trump, considera voltar a atacar o Irã. Segundo Trump, a resposta do país do Oriente Médio ao cessar-fogo é "totalmente inaceitável".
🔎 Perto das 17h (horário de Brasília), o barril do petróleo Brent, referência internacional, subia 2,80%, cotado a US$ 104,13. Já o WTI, referência nos EUA, avançava 2,71%, para US$ 98,01.
▶️ No Brasil, o destaque é o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central. O relatório mostrou que os economistas elevaram pela nona semana a projeção para a inflação de 2026, de 4,89% para 4,91%.
▶️Já no noticiário corporativo, a Compass, empresa de gás e energia controlada pela Cosan, faz hoje sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) na B3. É a primeira companhia a estrear na bolsa brasileira desde 2021.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: -0,06%;
Acumulado do mês: -1,22%;
Acumulado do ano: -10,88%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: -1,19%;
Acumulado do mês: -2,89%;
Acumulado do ano: +12,90%.
Novas projeções dos economistas
O mercado financeiro voltou a aumentar a previsão para a inflação no Brasil em 2026. Essa já é a nona alta seguida nas estimativas feitas por bancos e instituições financeiras.
A principal preocupação é a guerra no Oriente Médio, que fez o preço do petróleo subir bastante nos últimos dias. Quando o petróleo fica mais caro, os combustíveis também podem subir, pressionando a inflação no Brasil.
Agora, a expectativa do mercado é que a inflação fique em 4,91% no ano que vem, acima da meta do Banco Central, que é de 3%.
🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento.
Mesmo assim, o mercado continua apostando em queda da taxa Selic nos próximos anos. Hoje, os juros básicos do país estão em 14,5% ao ano.
Os economistas também mantiveram a previsão de crescimento moderado da economia brasileira em 2026 e reduziram um pouco a estimativa para o dólar no fim do ano. (veja todas as projeções aqui)
Estreia na bolsa brasileira
A Compass, empresa de gás e energia controlada pela Cosan, estreia nesta segunda-feira na bolsa brasileira com o primeiro IPO da B3 desde 2021.
🔎 IPO é a sigla para oferta pública inicial de ações — ou seja, quando uma empresa passa a ter ações negociadas na bolsa e abre espaço para investidores comprarem participação no negócio.
As ações da Compass são negociadas com o código “PASS3”. O preço foi definido em R$ 28 por ação, e a operação pode movimentar cerca de R$ 3,2 bilhões.
Após a estreia, o papel chegou a operar em alta no início do pregão, mas perdeu força ao longo da manhã. Por volta das 11h20, os papéis caíam 0,96%, cotados a R$ 27,73.
A empresa atua no setor de gás natural e energia, controlando negócios como a Comgás e operações de distribuição e infraestrutura de gás no Brasil.
Segundo analistas, a falta de IPOs nos últimos anos foi causada principalmente pelos juros altos no país, que tornaram investimentos em renda fixa mais atrativos e reduziram o interesse por ações.
EUA rejeitam proposta de paz do Irã
As negociações para encerrar a guerra entre EUA e Irã voltaram a travar depois que o presidente Donald Trump classificou como “totalmente inaceitáveis” as exigências apresentadas por Teerã.
O Irã quer o fim da guerra em todas as frentes, garantias de que não sofrerá novos ataques, suspensão de sanções econômicas, liberação de ativos congelados e reconhecimento de sua soberania sobre o Estreito de Ormuz — rota estratégica para o comércio mundial de petróleo.
Teerã também aceita interromper temporariamente o enriquecimento de urânio, mas rejeita desmontar suas instalações nucleares.
Já os EUA querem limitar o programa nuclear iraniano, impedir que o país volte a ameaçar o Estreito de Ormuz e pressionam o Irã a interromper apoio a grupos armados da região, como Hezbollah e Hamas.
O novo impasse aumenta o risco de continuidade da guerra e já pressiona o preço do petróleo, que voltou a subir com o temor de impactos na oferta global de energia.
Mercados globais
Em Wall Street, os principais índices americanos fecharam em alta, impulsionados pelos resultados corporativos de tecnologia.
Enquanto o Nasdaq subiu 0,10% na sessão, o S&P 500 e o Dow Jones avançaram 0,19% cada.
Na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600 encerrou o pregão praticamente estável, com leve alta de 0,01%, aos 612,79 pontos.
Entre as principais bolsas do velho continente, o índice FTSE 100, de Londres, avançou 0,36%, aos 10.269,43 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 0,05%, para 24.350,28 pontos. Já em Paris, o CAC 40 recuou 0,69%, aos 8.056,38 pontos.
Na Ásia, as bolsas fecharam em alta nesta segunda, puxadas pelas ações de tecnologia em meio ao otimismo com inteligência artificial (IA) e ao avanço das exportações do país.
O índice de Xangai subiu 1,08%, no maior nível em quase 11 anos, enquanto o CSI300 avançou 1,64%. Já o setor de semicondutores disparou 6,3%.
Em outros mercados da Ásia, a bolsa da Coreia do Sul saltou 4,32%, enquanto o Japão caiu 0,47% e Hong Kong teve leve alta de 0,05%.
Funcionário de banco em Jacarta, na Indonésia, conta notas de dólar, em 10 de abril de 2025.
Tatan Syuflana/ AP
O barista é humano, mas um agente de IA comanda café experimental na Suécia

Hanna Petersson, membro da equipe técnica da Andon Labs, usa um telefone para falar com a agente de IA "Mona" do Andon Café em Estocolmo, Suécia.
AP/James Brooks
O café pode até ser servido por mãos humanas, mas, por trás do balcão, algo muito menos tradicional está no comando de um café experimental em Estocolmo, Suécia
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A startup americana Andon Labs, sediada em San Francisco, colocou um agente de inteligência artificial apelidado de “Mona” para administrar o Andon Café, na capital sueca.
Enquanto os baristas humanos continuam preparando o café e atendendo os clientes, a IA — alimentada pelo Gemini, do Google — supervisiona praticamente todos os outros aspectos do negócio, desde a contratação de funcionários até o gerenciamento do estoque.
Ainda não está claro quanto tempo o experimento vai durar, mas o agente de IA parece enfrentar dificuldades para obter lucro no competitivo mercado de cafeterias de Estocolmo.
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Desde a inauguração, em meados de abril, o café faturou mais de US$ 5,7 mil, mas restam menos de US$ 5 mil do orçamento inicial, superior a US$ 21 mil. Grande parte do dinheiro foi gasta em custos de instalação, e a expectativa é que a operação eventualmente se estabilize e passe a gerar lucro.
Muitos clientes têm achado divertido visitar um estabelecimento administrado por inteligência artificial. Dentro da cafeteria, há um telefone pelo qual os consumidores podem fazer perguntas diretamente ao agente.
“É interessante ver o que acontece quando se ultrapassam os limites”, disse a cliente Kajsa Norin. “A bebida estava boa.”
Especialistas se preocupam com o papel da IA
Vista geral da entrada do Andon Café no bairro de Vasastan, em Estocolmo, Suécia.
AP/James Brooks
Especialistas afirmam que existem diversas preocupações éticas, desde o papel da tecnologia no futuro da humanidade até o uso da IA em entrevistas de emprego e avaliações de desempenho.
Emrah Karakaya, professor associado de economia industrial do Instituto Real de Tecnologia KTH, em Estocolmo, comparou o experimento a “abrir a caixa de Pandora” e disse que colocar a IA no comando pode causar vários problemas. O que aconteceria, questiona ele, se um cliente sofresse intoxicação alimentar? Quem seria responsabilizado?
“Se você não tiver a infraestrutura organizacional necessária ao redor disso e ignorar esses erros, isso pode causar danos às pessoas, à sociedade, ao meio ambiente e aos negócios”, afirmou Karakaya. “A questão é: nós nos importamos com esse impacto negativo?”
Fundada em 2023, a Andon Labs é uma startup de pesquisa e segurança em IA que afirma se concentrar em “testar os limites” dos agentes de inteligência artificial no mundo real, oferecendo a eles “ferramentas reais e dinheiro real”.
A empresa já trabalhou com OpenAI, Anthropic, Google DeepMind e xAI, de Elon Musk, e afirma estar se preparando para um futuro em que “organizações serão administradas autonomamente por IA”.
A cafeteria na Suécia é apresentada como um “experimento controlado” para explorar como a inteligência artificial poderá ser utilizada no futuro.
“A IA será uma grande parte da sociedade no futuro, e por isso queremos fazer este experimento para entender quais questões éticas surgem quando temos uma IA empregando pessoas e administrando um negócio”, disse Hanna Petersson, integrante da equipe técnica da Andon Labs.
Antes disso, o laboratório já havia realizado testes colocando a IA Claude, da Anthropic, no comando de uma máquina de vendas automáticas e de uma loja de presentes em San Francisco. O experimento revelou comportamentos preocupantes: o agente prometia reembolsos aos clientes, mas não os realizava, além de mentir propositalmente para fornecedores sobre preços da concorrência para obter vantagens.
O barista Kajetan Grzelczak prepara um café no Andon Café, no bairro de Vasastan, em Estocolmo, Suécia.
AP/James Brooks
IA enfrenta dificuldades com estoque
Segundo Petersson, Mona começou a trabalhar após receber instruções básicas. A equipe pediu que ela tentasse administrar a cafeteria de forma lucrativa, mantendo um tom amigável e descontraído, além de resolver os detalhes operacionais sozinha e solicitar novas ferramentas quando necessário.
A partir disso, a IA firmou contratos de energia elétrica e internet, obteve permissões para manipulação de alimentos e mesas ao ar livre, anunciou vagas de emprego no LinkedIn e no Indeed e criou contas comerciais com fornecedores de pão e produtos de padaria.
Ela também se comunica com os baristas pelo Slack, frequentemente enviando mensagens fora do horário de expediente — algo malvisto na cultura de trabalho sueca. Outros problemas surgiram, especialmente relacionados ao estoque.
O agente de IA fez pedidos de 6 mil guardanapos, quatro kits de primeiros socorros e 3 mil luvas de borracha para a pequena cafeteria — além de tomates enlatados que nem fazem parte do cardápio.
E há também o problema do pão. Em alguns dias, a IA pede quantidade excessiva; em outros, perde o horário limite das padarias para encomendas, obrigando os funcionários a retirar sanduíches do menu.
Petersson afirmou que os problemas nos pedidos provavelmente estão relacionados à “janela limitada de contexto” da IA.
“Quando a memória antiga sobre os pedidos sai da janela de contexto, ela simplesmente esquece completamente o que já havia pedido antes”, explicou.
O barista Kajetan Grzelczak disse não estar preocupado em ser substituído pela inteligência artificial tão cedo.
“Todos os trabalhadores estão praticamente seguros”, afirmou. “Quem deveria se preocupar com o emprego são os chefes intermediários, as pessoas da gestão.”
Governo eleva classificação indicativa do YouTube e cita 'Novela das frutas'
Na 9ª alta seguida, mercado financeiro eleva estimativa de inflação para 4,91% em 2026

Os economistas do mercado financeiro elevaram novamente sua estimativa para a inflação em 2026. Esta é nona semana seguida de aumento.
As expectativas fazem parte do "Boletim Focus", divulgado nesta segunda-feira (11) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras.
A explicação é que a guerra no Oriente Médio fez disparar o preço do petróleo — que opera, nesta segunda, acima de US$ 100 — e, por isso, tem potencial de pressionar a inflação brasileira (via aumento dos combustíveis).
➡️ Para 2026, a estimativa subiu de 4,89% para 4,91%;
➡️ Para 2027, a expectativa permaneceu em 4%;
➡️ Para 2028, a previsão continuou em 3,64%.
➡️ Para 2029, a estimativa permaneceu em 3,50%.
Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%.
🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento.
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Corte dos juros
Mesmo com aumento da projeção de inflação neste ano e nos próximos, o mercado financeiro continuou projetando queda dos juros.
Atualmente, a taxa está em 14,50% ao ano — após dois cortes neste ano.
Para o fim de 2026, a estimativa do mercado para a taxa Selic permaneceu em 13% ao ano na última semana, embutindo uma redução no decorrer de 2026.
Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado subiu de 11% para 11,25% ao ano.
Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas continuou em 10% ao ano.
Preço do barril de petróleo cai após declaração de Trump de que guerra no Oriente Médio está perto do fim
Jornal Nacional/ Reprodução
Atividade econômica
Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, a estimativa do mercado continuou em 1,85%.
O resultado oficial do PIB do ano passado foi uma expansão de 2,3%, conforme divulgação oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
➡️ O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir o desempenho da economia.
Para 2027, a projeção de crescimento do PIB subiu de 1,75% para 1,76%.
Taxa de câmbio
O mercado financeiro baixou sua estimativa para a taxa de câmbio ao fim deste ano de R$ 5,25 para R$ 5,20 por dólar.
Para o fechamento de 2027, a projeção dos economistas dos bancos continuou em R$ 5,30 por dólar.
Pela primeira vez, Embraer fecha acordo com fornecedora da Índia e amplia atuação no país asiático

Vista da sede da Embraer, em São José dos Campos, interior de SP
Luis Lima Jr./Futura Press/Estadão Conteúdo
A Embraer, fabricante brasileira de aviões que tem sede em São José dos Campos (SP), anunciou nesta segunda-feira (11) um novo avanço na estratégia de expansão da empresa na Índia.
A fabricante brasileira informou que assinou um contrato com a Bharat Forge Limited (BFL), multinacional indiana do setor industrial e aeroespacial, para o fornecimento de materiais brutos forjados utilizados na cadeia de produção da companhia.
Segundo a Embraer, este é o primeiro contrato desse tipo firmado com um fornecedor indiano e representa um novo passo no fortalecimento da parceria da empresa com o país asiático.
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O anúncio foi feito em Nova Déli. De acordo com a empresa brasileira, o acordo vai atender à cadeia global de suprimentos da empresa e faz parte da estratégia da Embraer de ampliar e diversificar sua base de fornecedores ao redor do mundo.
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A Bharat Forge tem sede na cidade de Pune e atua nos setores automotivo, energia, petróleo e gás, construção, mineração, ferroviário, marítimo, defesa e aeroespacial.
Segundo a Embraer, o acordo também reforça o compromisso da empresa em fortalecer o ecossistema aeroespacial indiano e ampliar a presença da fabricante no país.
Fábrica da Embraer.
Divulgação
Expansão da Embraer na Índia
O novo contrato amplia uma sequência de investimentos e acordos recentes firmados pela Embraer na Índia. Em maio de 2025, a empresa anunciou a instalação de um escritório próprio em Nova Déli, como parte da estratégia para fortalecer a presença no país asiático.
Na época, a Embraer informou que pretendia ampliar as operações nas áreas de defesa, aviação comercial, executiva, serviços e suporte, além do setor de mobilidade aérea urbana.
Já em janeiro deste ano, a Embraer anunciou um acordo com a Adani Defence & Aerospace, considerada a maior empresa privada aeroespacial e de defesa da Índia, para cooperação na fabricação de aeronaves, cadeia de suprimentos, serviços de pós-venda e treinamento de pilotos. Na ocasião, a companhia informou que o objetivo era atender à demanda da aviação regional indiana.
Pouco depois, em fevereiro deste ano, a Embraer e a Adani ampliaram o acordo e anunciaram o fechamento de um memorando para viabilizar a instalação de uma linha de montagem final do jato regional E175 na Índia.
A assinatura ocorreu na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ministro do Comércio e Indústria da Índia, Piyush Goyal.
Segundo a Embraer, a parceria faz parte de um plano de desenvolvimento do programa de Aeronaves de Transporte Regional da Índia.
A fabricante afirmou ainda que o mercado indiano é considerado um dos mais promissores do mundo para a aviação regional. Estimativas do setor apontam que o país deverá demandar ao menos 500 aeronaves com capacidade entre 80 e 146 assentos nos próximos 20 anos.
Atualmente, a Embraer já possui cerca de 50 aeronaves e 11 modelos em operação na Índia, distribuídos entre aviação comercial, defesa e aviação executiva.
Entre os modelos utilizados no país estão os jatos E175 e ERJ145, operados pela companhia aérea regional Star Air, além das aeronaves Legacy 600 e o sistema aéreo de vigilância ‘Netra’, utilizado pela Força Aérea Indiana.
Em janeiro, Embraer anunciou acordo para fabricar aviões na Índia
Divulgação/Embraer
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Petróleo sobe com impasse nas negociações entre EUA e Irã e tensão no Estreito de Ormuz

Irã envia resposta à proposta de paz dos EUA
A rápida rejeição do presidente Donald Trump à resposta do Irã a uma proposta de paz dos Estados Unidos provocou alta nos preços do petróleo nesta segunda-feira (11), em meio a temores de que o conflito, que já dura dez semanas, se prolongue e mantenha comprometido o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz.
🔎 Por volta das 7h30 (horário de Brasília), o barril do petróleo Brent, referência internacional, subia 2,69%, cotado a US$ 103,52. Já o WTI, referência nos EUA, avançava 2,19%, para US$ 97,51. Mais tarde, às 13h49, o Brent subia 1,60%, a US$ 102,91 por barril, enquanto o WTI avançava 4,32%, cotado a US$ 99,54.
Dias depois de os EUA apresentarem uma proposta para tentar retomar as negociações, o Irã divulgou no domingo (10) uma resposta centrada no fim da guerra em todas as frentes, especialmente no Líbano, onde Israel, aliado dos EUA, combate militantes do Hezbollah apoiados por Teerã.
O governo iraniano também exigiu compensações pelos danos causados pela guerra e reforçou sua soberania sobre o Estreito de Ormuz, segundo a TV estatal iraniana.
Além disso, pediu aos EUA o fim do bloqueio naval, garantias de que não haverá novos ataques, a suspensão das sanções e a revogação da proibição imposta à venda de petróleo iraniano, informou a agência semioficial Tasnim.
Poucas horas depois, Trump rejeitou a proposta iraniana em uma publicação nas redes sociais.
“Não gosto disso — TOTALMENTE INACEITÁVEL”, escreveu na plataforma Truth Social, sem dar mais detalhes.
Os EUA defendem o fim dos combates antes do início de negociações sobre temas mais sensíveis, como o programa nuclear iraniano.
Após a reação de Trump, Teerã afirmou nesta segunda-feira que considera sua proposta para encerrar a guerra “generosa e responsável”.
“Nossa demanda é legítima: exigir o fim da guerra, suspender o bloqueio (dos EUA) e liberar os ativos iranianos congelados devido à pressão americana”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei.
“A passagem segura pelo Estreito de Ormuz e o fortalecimento da segurança na região e no Líbano também fazem parte das exigências do Irã”, acrescentou.
Antes do início da guerra, em 28 de fevereiro, a via marítima era responsável pelo transporte de cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo, tornando-se um dos principais pontos de pressão do conflito.
Três navios-tanque cruzaram o Estreito nos últimos dias
Embora o tráfego no Estreito de Ormuz siga reduzido em relação ao período anterior à guerra, dados das empresas Kpler e LSEG mostram que três navios-tanque carregados com petróleo bruto deixaram a região na semana passada com os rastreadores desligados, em uma tentativa de evitar ataques iranianos.
Confrontos esporádicos ao redor do estreito nos últimos dias colocaram à prova o cessar-fogo que interrompeu a guerra em larga escala desde o início de abril.
Pesquisas indicam que a guerra é impopular entre os eleitores americanos, que enfrentam preços mais altos dos combustíveis a menos de seis meses das eleições que definirão se o Partido Republicano manterá o controle do Congresso dos EUA.
Os EUA também têm encontrado pouca adesão internacional. Aliados da Otan recusaram pedidos para enviar navios ao Estreito de Ormuz sem um acordo de paz amplo e uma missão com mandato internacional.
Ainda não está claro quais serão os próximos passos diplomáticos ou militares.
Trump deve chegar a Pequim na quarta-feira (13). Diante da pressão crescente pelo fim da guerra e da crise energética global provocada pelo conflito, o Irã está entre os temas que devem ser discutidos pelo presidente americano e pelo presidente chinês, Xi Jinping.
Trump tem buscado apoio da China para pressionar Teerã a chegar a um acordo com Washington.
Ao comentar o fim das operações militares contra o Irã, Trump afirmou no domingo: “Eles foram derrotados, mas isso não significa que tenham acabado”.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que a guerra ainda não terminou porque há “mais trabalho a ser feito” para eliminar o urânio enriquecido iraniano, desmontar instalações nucleares e enfrentar grupos aliados do Irã e seu arsenal de mísseis balísticos.
Netanyahu disse, em entrevista exibida no domingo no programa 60 Minutes, da CBS News, que a melhor forma de remover o urânio enriquecido seria por meio da diplomacia, mas não descartou o uso da força.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou em uma publicação nas redes sociais que o Irã “jamais se curvará ao inimigo” e que defenderá “os interesses nacionais com firmeza”.
Apesar dos esforços diplomáticos para destravar as negociações, os riscos às rotas marítimas e às economias da região continuam elevados.
No domingo, os Emirados Árabes Unidos disseram ter interceptado dois drones vindos do Irã, enquanto o Catar condenou um ataque com drones que atingiu um navio de carga vindo de Abu Dhabi em suas águas territoriais.
O Kuwait informou que suas defesas aéreas interceptaram drones hostis que entraram em seu espaço aéreo.
Os confrontos também continuaram no sul do Líbano entre Israel e o Hezbollah, apesar do cessar-fogo mediado pelos EUA e anunciado em 16 de abril.
Netanyahu afirmou ainda, na entrevista ao “60 Minutes”, que o fim das hostilidades com o Irã não significaria necessariamente o encerramento da guerra no Líbano. Segundo ele, autoridades israelenses subestimaram inicialmente a capacidade iraniana de afetar o tráfego no Estreito de Ormuz.
“Demorou um pouco para que eles entendessem o tamanho do risco, mas agora entendem”, disse.
Iraniana caminha ao lado de mural com a ilustração da bandeira do Irã, em Teerã, no dia 5 de maio de 2026
Majid Asgaripour/Wana/Reuters
Sementes germinadas potencializam nutrientes e podem deixar até o arroz com feijão ainda mais saudáveis, aponta pesquisa

Pesquisa revela como germinar arroz e feijão melhora a alimentação
E se a combinação mais tradicional da mesa brasileira — o arroz com feijão — pudesse ficar ainda melhor? É exatamente isso que o estudo desenvolvido na Unicamp comprovou. No momento em que os grãos germinam, eles se tornam nutricionalmente mais potentes.
A dupla arroz e feijão é considerada perfeita pela ciência por causa da complementaridade dos aminoácidos presentes em cada grão. Quando germinados, esse equilíbrio nutricional se intensifica.
“Quando você germina, você aumenta ainda mais a disponibilidade desses nutrientes”, explica o doutor em Ciência de Alimentos - Unicamp, Ruan de Castro.
Dentro de pequenos potes de vidro, em um laboratório da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), um universo de possibilidades está guardado em forma de sementes.
Mostarda, feijão, arroz, lentilha. Pequenos grãos que, aos poucos, se transformam nas grandes estrelas das pesquisas desenvolvidas ali. A ciência tem mostrado que essas sementes carregam muito mais do que a promessa de uma nova planta: elas podem ser aliadas poderosas da nossa saúde — especialmente quando passam pelo processo de germinação.
O momento da germinação é decisivo. Enquanto estão armazenados, os grãos permanecem em um estado de dormência, como se estivessem “dormindo”. Ao entrar em contato com água e condições adequadas, o metabolismo é ativado. A semente passa a produzir compostos essenciais para gerar energia e dar origem a uma nova planta.
“Ingerir o alimento nesse momento faz toda a diferença”, explica o doutor em Ciência de Alimentos - Unicamp, Ruan de Castro.
Pesquisadores comprovaram que grãos germinados multiplicam valor nutricional dos alimentos
Reprodução/TV Globo
Estudos mostram que as propriedades antioxidantes dos grãos germinados podem aumentar em até dez vezes, dependendo da espécie e das condições de germinação. Vitaminas e minerais também se tornam mais disponíveis, chegando a concentrar duas ou três vezes mais do que nos grãos não germinados. “Isso aqui é saúde pura”, resume.
Germinar grãos em casa não é complicado, mas exige atenção. O processo envolve lavar bem, deixar de molho de um dia para o outro e cuidar da higiene e da umidade até que os brotinhos apareçam. No laboratório, além da análise científica, esses grãos também vão parar na cozinha.
Muito além do tradicional arroz com feijão, os brotos podem ser usados em saladas, sanduíches, sopas e até omeletes.
A pesquisadora Letícia prepara uma versão especial do prato: depois de pronto, acrescenta brotos de alfafa. “Fica ainda mais nutritivo e saboroso”, garante.
Na hora da prova, a aprovação é unânime. “Fica crocante, dá uma textura diferente”, comenta a repórter ao experimentar uma sopa com brotos. Além do sabor, o prato ganha em valor nutricional.
As possibilidades são muitas. Os brotos podem ser incluídos em praticamente todas as refeições do dia a dia. Seja no prato, seja crescendo em quintais, praças ou florestas brasileiras, a força vital das sementes ajuda a alimentar pessoas, sustentar o planeta e fazer brotar a esperança de um mundo mais verde.
Pesquisadores comprovaram que grãos germinados multiplicam valor nutricional dos alimentos
Reprodução/TV Globo
Veja a íntegra do programa no vídeo abaixo:
Globo Repórter: O poder das sementes - 08/05/2026
Confira as últimas reportagens do Globo Repórter:
Como a guerra no Irã está enriquecendo o mais novo petroestado do mundo, vizinho do Brasil

O crescimento econômico na Guiana está resultando em um aumento na construção de moradias e infraestrutura
Bloomberg/Getty Images/BBC
Inflação, aumento dos preços da gasolina e ameaças ao abastecimento alimentar nos países mais vulneráveis. Essas são três das principais consequências geralmente mencionadas quando se discute o impacto econômico da guerra entre os EUA e Israel contra o Irã.
No entanto, para a Guiana — provavelmente o mais novo petroestado do mundo — o conflito que bloqueou o estreito de Ormuz significou um aumento significativo no rendimento.
Esses recursos provêm da combinação de dois efeitos: o aumento planejado da produção e o efeito da alta dos preços do petróleo como consequência da guerra no Oriente Médio.
Segundo Sidney Armstrong, professor do Departamento de Economia da Universidade da Guiana, a produção de petróleo bruto do país estava projetada para atingir em dezembro de 2025 em torno de 892.000 barris por dia, enquanto atualmente já ultrapassa 920.000 (e está em tendência de alta).
Ao mesmo tempo, enquanto o preço do petróleo bruto Brent girava em torno de US$ 62 antes da guerra, a média diária desde o início do conflito tem sido de cerca de US$ 108, segundo dados da Administração de Informação Energética dos EUA (EIA). Mas o que isso significa para a Guiana e qual será o impacto?
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Crescimento acelerado
A história do petróleo na Guiana é muito recente. Sua produção de hidrocarbonetos começou há apenas seis anos, mas esse curto período já foi suficiente para torná-la uma das maiores produtoras de petróleo da América do Sul.
"A Guiana é um caso interessante porque se tornou a economia de crescimento mais rápido do mundo. Em grande parte, isso se deve ao fato de ter partido de uma base muito pequena, mas ainda assim é a economia que mais cresce", afirma Roxanna Vigil, pesquisadora do Council on Foreign Relations, um think tank com sede em Washington.
As receitas do petróleo se tornaram o motor do país, cuja economia cresceu a uma média de 40,9% ao ano desde 2020, segundo dados do Banco Mundial.
Além disso, as receitas da exploração de hidrocarbonetos representaram 37% do orçamento do Estado em 2025, ano em que o país arrecadou aproximadamente US$ 2,5 bilhões dessa fonte. Estimativas do Ministério das Finanças — anteriores à guerra no Irã — apontavam para receitas petrolíferas de cerca de US$ 2,8 bilhões em 2026.
Mas a guerra no Irã, e especialmente o fechamento do estreito de Ormuz, alteraram esses cálculos.
Números publicados pela revista The Economist indicam que, desde o início da guerra, as receitas petrolíferas da Guiana aumentaram US$ 370 milhões por semana, chegando a US$ 623 milhões.
"Devido aos preços globais mais altos do petróleo, esperamos que as receitas do governo aumentem em US$ 4 bilhões este ano, em comparação com as estimativas do início de 2026", disse Luiz Hayum, analista sênior de exploração e produção da consultoria Wood Mackenzie, em resposta a uma pergunta da BBC News Mundo.
Ele acrescentou que esperam que a produção média de petróleo bruto do país atinja cerca de um milhão de barris por dia em 2026, após a expansão da produção planejada para este ano. No entanto, Sidney Armstrong alerta que a maior parte da receita gerada pela produção de petróleo na Guiana não vai para os cofres do país, devido à forma como os contratos de exploração são estruturados.
Assim, 75% do dinheiro é usado pelas empresas petrolíferas para recuperar o investimento. A Guiana, por sua vez, recebe 12,5% de lucro e mais 2% em royalties, totalizando 14,5%.
Uma vez que as empresas petrolíferas tenham recuperado o investimento inicial, a Guiana receberá 50% dos lucros mais os 2% de royalties.
A boa notícia para o governo de Georgetown é que, graças ao aumento dos preços do petróleo bruto devido à situação no Irã, o tempo necessário para as empresas petrolíferas recuperarem o investimento está diminuindo.
A Guiana possui a economia que cresce mais rapidamente no mundo
Getty Images/BBC
Fundo de recursos naturais
Armstrong adverte, no entanto, que se essas empresas precisarem fazer novos investimentos, a fórmula atual de partilha de lucros permanecerá em vigor até que recuperem esses fundos.
Além disso, o governo da Guiana não tem controle irrestrito sobre os recursos que recebe, visto que o país criou um Fundo de Recursos Naturais no qual as receitas do petróleo são depositadas, e uma lei foi aprovada regulamentando quando, como e para que finalidade esses fundos podem ser utilizados.
De acordo com essa lei, a criação desse fundo visa garantir um crescimento estável e controlado (evitando gastos excessivos durante períodos de bonança) e assegurar que o dinheiro seja alocado às prioridades de desenvolvimento do país, preservando também os recursos para o benefício das gerações futuras.
Em março deste ano, o fundo detinha aproximadamente US$ 3,8 bilhões.
O boom do petróleo levou a um boom da construção civil na Guiana
Getty Images/BBC
Mas como esse boom do petróleo, impulsionado pela guerra no Irã, se traduziu em benefícios para o povo guianense? Sidney Armstrong destaca que o impacto dos preços do petróleo é evidente no aumento da receita, nas reservas do Fundo de Recursos Naturais e na aceleração de projetos de infraestrutura em andamento no país.
"O que vem acontecendo em ritmo cada vez mais acelerado é a construção de infraestrutura. Os gastos com a construção de estradas, escolas e centros de saúde comunitários aumentaram", observa Armstrong.
Roxanna Vigil destaca que esses tipos de projetos são muito importantes porque a Guiana precisa de muita infraestrutura básica como essa.
"Eles precisam continuar crescendo significativamente. Até recentemente, mais da metade da população da Guiana vivia na pobreza e, de fato, grande parte da população ainda vive na pobreza, mas agora eles têm um plano e os recursos para mudar essa situação", afirma Vigil.
Além disso, Armstrong indica que o governo concedeu recentemente um bônus equivalente a US$ 500 a todos os guianenses com mais de 18 anos.
Ele explica que essa era uma promessa feita pelo governo no ano passado, mas que não havia sido cumprida até agora.
O governo da Guiana, liderado pelo presidente Irfaan Ali, não pode dispor livremente dos recursos gerados pelo boom do petróleo
Getty Images/BBC
O outro lado do boom
Apesar do boom do petróleo, a Guiana não está imune aos problemas que a crise do Oriente Médio causou em todo o mundo.
"A realidade é que a inflação aumentou e, consequentemente, o poder de compra real diminuiu", afirma Armstrong.
"As pessoas estão vendo preços mais altos nos postos de gasolina, o que — obviamente — afeta o transporte e as viagens. Portanto, como qualquer outro país integrado ao sistema global, estamos começando a sentir as repercussões negativas decorrentes da situação das cadeias de suprimentos."
"Os preços dos alimentos aumentaram significativamente: cerca de 25% em um curto período. Isso ocorre claramente porque itens como fertilizantes e outros insumos agrícolas estão ficando mais caros. Os recursos necessários para a atividade agrícola estão se tornando mais dispendiosos, então essas repercussões negativas devem ser levadas em consideração", acrescenta.
O economista também está preocupado com o fato de que, em certos casos, a gestão dos recursos gerados pelo boom do petróleo parece não ser transparente nem adequada.
"O que acontece fora do setor petrolífero depende em grande parte da eficácia com que o governo administra os recursos. E, às vezes, parece haver má gestão."
"Por exemplo, existe um projeto para transportar gás de plataformas marítimas para o continente para gerar eletricidade. Estamos falando de um projeto que realmente trará enormes benefícios. No entanto — e é aqui que surge a sensação de corrupção — o projeto está atrasado, por um lado; e, por outro, a empreiteira está exigindo centenas de milhões de dólares a mais para concluí-lo", destaca.
Armstrong observa que a desigualdade está aumentando no país e que os salários reais da maioria dos guianenses não mudaram significativamente.
"Ainda há muitas pessoas sem-teto. É um problema persistente, assim como a pobreza real. Portanto, quando falamos dessa economia em rápido crescimento, é essencial retornar à realidade de que, em termos do que poderíamos chamar de desenvolvimento humano, ainda temos um longo caminho a percorrer", conclui.
A empresa americana ExxonMobil é a principal acionista do consórcio que opera o bloco petrolífero de Stabroek, o único atualmente em atividade na Guiana
Getty Images/BBC
Sua dívida é impagável? Talvez não... Veja estratégias para reduzir juros e se recuperar
Dívida e inadimplência: entenda a diferença e como escapar da bola de neve Ter dívidas faz parte da vida financeira da maioria das pessoas. O problema começa quando elas deixam de ser pagas e viram inadimplência — sinal de que a dívida cresceu além da capacidade de pagamento, seja por juros altos, prazos curtos, imprevistos ou queda de renda. Esse desequilíbrio já afeta mais do que as famílias. Com muitos atrasos, a inadimplência tende a encarecer o crédito, desacelerar a economia e dificultar contratações. Sair desse ciclo exige estratégia, como priorizar dívidas caras, renegociar e evitar novos compromissos. ENTENDA NO VÍDEO ACIMA. Neste vídeo, você vai entender os riscos da inadimplência e como escapar da bola de neve. Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.
Como Países Baixos se tornaram terceiro maior exportador de alimentos do mundo apesar do território pequeno

O professor Leo Marcelis é chefe do grupo de Horticultura e Fisiologia Vegetal da Universidade de Wageningen
Guy Ackermans/WUR
Centenas de pés de tomate crescem protegidos por uma grande estrutura de vidro. Mas esta não é uma estufa comum.
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Desde os níveis de gás até a cor da luz, cada variável é monitorada por sensores que enviam as informações para computadores que, por sua vez, rodam algoritmos refinados com inteligência artificial.
O resultado é uma produção até cinco vezes maior do que a de uma estufa de baixa tecnologia na América Latina.
As plantas estão localizadas no campus da Universidade e Centro de Pesquisa de Wageningen (WUR), nos Países Baixos, um centro de renome mundial para pesquisa em produção de alimentos.
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A universidade fica no coração do chamado Food Valley ("Vale da Alimentação", em tradução literal do inglês), um complexo de centros de pesquisa que permitiu que os Países Baixos se tornassem o terceiro maior exportador de alimentos do mundo (em valor monetário) com um território de pouco mais de 41.000 km², 70 vezes menor que a Argentina.
Como isso foi possível? A BBC Mundo (serviço em língua espanhola da BBC) conversou com especialistas da Universidade de Wageningen, incluindo pesquisadores latino-americanos, sobre inovações na produção de alimentos no país, possíveis aplicações na América Latina e o grande desafio para os Países Baixos: reduzir o consumo de energia e aumentar a sustentabilidade.
Condições favoráveis
Tanto o clima quanto a localização geográfica favorecem os Países Baixos, afirma à reportagem o cientista Leo Marcelis, chefe do grupo de Horticultura e Fisiologia Vegetal da Universidade de Wageningen.
"Temos um clima razoável e água em abundância. Temos um clima marítimo; os verões não são muito quentes e os invernos não são extremamente frios", aponta ele.
O país também tem milhões de potenciais consumidores europeus nas proximidades, acrescenta Marcelis, e o maior porto de transbordo da Europa Ocidental para o setor agrícola, Roterdã.
Entre os principais produtos exportados estão vegetais, carne, laticínios, plantas ornamentais e flores. Os maiores mercados são Alemanha, Bélgica, França e Reino Unido, entre outros.
Estufas de alta tecnologia do país têm produtividade até cinco vezes maior que convencionais
Wageningen University & Research
Grandes quantidades de matéria-prima também são importadas para processamento e exportação.
Os Países Baixos são um dos principais exportadores mundiais de produtos de cacau, por exemplo, e o maior importador de grãos de cacau, que são processados em produtos semiacabados, como pasta de cacau, manteiga e cacau em pó, para exportação.
Marcelis enfatiza que, historicamente, a produção agrícola no país também tem sido caracterizada por uma tradição de abertura.
"Há um aspecto muito importante que talvez nos diferencie de muitos outros países: a colaboração e a cooperação."
A troca de experiências entre os agricultores é uma tradição secular, evidente nos leilões de hortaliças e flores e nas cooperativas de produtores.
"Os agricultores costumam se encontrar semanalmente. Eles visitam as fazendas uns dos outros para ver as plantações e aprender uns com os outros."
E essa troca é facilitada pelas curtas distâncias entre eles.
"Nosso país é muito pequeno. Aqui na universidade, estamos mais ou menos no centro da rede. Em duas horas de carro, você pode chegar ao ponto mais ao sul ou ao extremo norte do país; para o oeste, não posso dirigir duas horas porque chegaria ao mar antes disso; e para o leste, em meia hora você está na Alemanha."
Rotterdam é o maior porto de transbordo da Europa Ocidental para o setor agrícola
Getty Images via BBC
'Todo um ecossistema' de inovação
Para além das condições geográficas ou das tradições, o sistema de produção de alimentos nos Países Baixos é movido por uma inovação constante.
"Aqui temos a universidade, mas também empresas derivadas da universidade, muitas vezes fundadas por pessoas que trabalham na universidade ou por alunos que criaram suas próprias empresas e querem manter-se conectados a Wageningen", explica Marcelis.
"No campus, também temos os departamentos de pesquisa de grandes empresas como a Unilever ou a FrieslandCampina, que é uma das principais cooperativas de laticínios. Você se encontra, portanto, cercado por todo um ecossistema aqui."
A universidade recebe financiamento do Conselho Nacional de Pesquisa dos Países Baixos.
Mas "muitas das verbas nacionais só conseguimos obter em cooperação com uma empresa, que, por sua vez, tem de arcar com parte dos custos da pesquisa".
"Isso significa que, se pesquisamos algo, precisa estar relacionado ao que as empresas consideram relevante, o que nos obriga a colaborar com elas para facilitar a transferência dos resultados para os agricultores. Claro que também temos financiamento para pesquisa puramente fundamental."
Os projetos, acrescenta Marcelis, exigem um acordo inicial com cada empresa.
"São estabelecidas regras sobre o grau de transparência ou confidencialidade dos resultados e sobre quando eles podem ser publicados, algo que, para nós como universidade, é importante: fazer boa ciência. E, claro, também existem acordos sobre direitos de propriedade intelectual."
Marcelis afirma que no campus da Wageningen também há departamentos de pesquisa de grandes empresas como Unilever ou FrieslandCampina
Wageningen University & Research
Estufas com sensores
Esse ecossistema fomentou inúmeras inovações na produção agrícola do país, desde drones e escaneamento do solo para o uso inteligente de fertilizantes em cultivos a céu aberto até estufas de alta tecnologia.
Em estufas, "em Wageningen, desenvolveram um sistema tão eficiente que permite rendimentos de até 100 kg de tomates por metro quadrado por ano", afirma à BBC Mundo a cientista mexicana Cristina Zepeda, professora associada de fitotecnia em Wageningen.
"Em uma estufa no México, sem muita tecnologia, talvez com alguma tela de sombreamento, a produção gira em torno de 20 kg por metro quadrado por ano."
O cientista brasileiro Nilson Vieira Junior, professor associado em Wageningen especializado em fisiologia vegetal e modelagem computadorizada de culturas, disse à reportagem que, nas estufas dos Países Baixos, "o uso da terra praticamente desapareceu".
"As plantas são cultivadas em substratos, o que permite maior controle do fornecimento de nutrientes e possibilita a reutilização quase completa da água de irrigação, aumentando significativamente a eficiência do uso da água e reduzindo drasticamente o impacto ambiental e a poluição gerada na produção de alimentos", afirma.
"Esses sistemas permitem o controle preciso das condições ambientais às quais as plantações são expostas, incluindo temperatura, níveis de CO2 (dióxido de carbono), umidade relativa e radiação."
Cientista mexicana Cristina Zepeda é professora associada de ciências vegetais em Wageningen
Cristina Zepeda/Arquivo pessoal
Cada variável, como a cor da luz, é monitorada por sensores, diz Zepeda.
"Temos luzes LED de diferentes cores que permitem que as plantas produzam mais.
As plantas possuem certos pigmentos que percebem diferentes cores, como vermelho, infravermelho e azul, e esses pigmentos sinalizam certas moléculas para iniciar a produção de diferentes compostos", explica a cientista.
"Com uma luz mais vermelha, por exemplo, a produção de pigmentos como antocianinas ou licopeno é ativada. Podemos moldar a planta para produzir os compostos que mais nos interessam."
"Realizamos extensos experimentos com luzes de diferentes cores e medimos como os níveis de açúcar, licopeno e amido mudam com diferentes porcentagens de luz azul ou vermelha."
Vieira Junior observa que uma das principais áreas de pesquisa atual é a criação de sistemas autônomos.
"Esses sistemas combinam sensores que monitoram variáveis climáticas e o estado fisiológico das plantas com modelos de simulação de crescimento de culturas", diz ele.
"Com o auxílio da inteligência artificial, esses sistemas não apenas recomendam estratégias de manejo mais eficientes, mas também controlam automaticamente o clima e a operação da estufa.
Cientista brasileiro Nilson Vieira Junior é professor associado em Wageningen e se especializou em fisiologia vegetal e modelos computadorizados de culturas agrícolas
Nilson Vieira/Arquivo pessoal
O principal gargalo: energia
Marcelis afirma que o próximo passo no controle de variáveis será abandonar as estufas e adotar fazendas verticais em ambientes fechados, completamente independentes das condições externas ou da luz solar.
Esses sistemas se tornarão mais comuns no futuro, acrescenta ele, mas, assim como as estufas, exigem grandes quantidades de energia.
"O consumo de energia é o principal gargalo, e é por isso que grande parte de nossa pesquisa se concentra nesse aspecto", destaca Marcelis.
Para a professora Zepeda, "o maior desafio aqui nos Países Baixos é que uma enorme quantidade de energia é usada para aquecer estufas, porque temos um clima muito frio. Então, precisamos queimar gás natural e acender luzes adicionais."
"A horticultura representa 10% do consumo nacional de gás do país. É muito caro, e o governo já declarou que não se poderá usar mais gás até 2050. Tudo terá que vir de fontes renováveis", ela acrescenta.
Cada variável, como o nível de CO2 ou a cor da luz, é monitorada por câmeras e sensores
Sara Vlekke/WUR
Zepeda pesquisa atualmente como reduzir o consumo de energia fazendo com que as plantas funcionem como "baterias".
A energia renovável flutua dependendo das condições do vento e da radiação solar, e o consumo de energia na estufa também pode flutuar, explica ela.
"As plantas crescem na natureza com noites mais frias e dias mais quentes, e conseguem suportar mudanças de temperatura e luz sem perder muita produtividade. E se, por exemplo, houver excesso de produção de eletricidade e ela for mais barata, é aí que dizemos: 'Ok, vamos aquecer a estufa'."
"Precisamos dar à planta a oportunidade de acumular suas reservas de açúcar se o dia estiver muito ensolarado, e se previrmos que amanhã estará um pouco mais frio, podemos forçar a planta a usar esses açúcares."
Usar plantas como baterias exige medir constantemente com sensores quanta fotossíntese elas estão realizando, quanto açúcar estão produzindo e até mesmo modelos computacionais mais avançados.
"É nisso que nosso grupo está concentrando grande parte da pesquisa atualmente."
IA na pecuária
Uma das inovações impulsionadas por Wageningen na pecuária é a redução das emissões de metano de animais ruminantes, como vacas e ovelhas.
Esse metano, um potente gás de efeito estufa, é gerado durante a fermentação dos alimentos no trato digestivo dos animais e liberado principalmente por meio de arrotos ou fezes.
"Alguns animais produzem mais metano do que outros, e isso se deve em parte a fatores genéticos", disse à BBC Mundo o professor Roel Veerkamp, chefe do Departamento de Melhoramento Animal e Genômica da Universidade de Wageningen e líder da iniciativa Global Methane Genetics, um projeto com mais de 50 parceiros em 25 países, incluindo programas na África e na América Latina.
"Selecionar animais com baixas emissões em programas de melhoramento genético para a próxima geração reduzirá significativamente as emissões ao longo do tempo."
Veerkamp afirma que uma redução de 25% nas emissões em 25 anos é uma meta realista.
Pesquisador diz que redição em 25% de emissões de metano na pecuária em 25 anos é objetivo realista
Getty Images via BBC
Outra prioridade é melhorar o bem-estar animal.
Veerkamp e seus colegas usam inteligência artificial para interpretar imagens e vídeos de animais.
"Gravamos vídeos de galinhas e vacas em grupos, ou de vacas individualmente caminhando em frente a uma câmera. A partir dos vídeos, usamos IA para monitorar seu comportamento: o quanto se movem, se se movem normalmente ou se têm problemas nas patas, se descansam o suficiente ou se movem muito pouco", explica.
"Com base nesses dados, desenvolvemos medidas para monitorar ou melhorar o bem-estar animal."
De Wageningen à América Latina
Todos os anos, pessoas de todo o mundo frequentam os cursos da escola de verão de Wageningen, incluindo o curso de estufas de alta tecnologia, que começa em 31 de agosto.
As estufas nos Países Baixos exigem um investimento significativo, mas Zepeda afirma que alguns elementos dessa tecnologia podem ser aplicados em regiões como a América Latina.
Um deles é a hidroponia, ou irrigação por gotejamento. "Aqui a água não é o problema, mas é na América Latina", ela destaca.
Luzes LED de diferentes cores permitem controlar quais compostos a planta produz
Joris Aben/WUR
Outra opção é o uso de luz adicional de diferentes cores para ajudar as plantas a produzirem mais.
Mas tanto Zepeda quanto Vieira concordam que as soluções devem ser adaptadas a cada contexto específico.
"É importante ressaltar que não se trata de um simples processo de 'copiar e colar'", afirma Vieira.
"Um exemplo claro é o controle climático em estufas. Nos Países Baixos, o principal desafio é aquecer o ambiente e fornecer luz artificial para compensar a baixa radiação solar durante o inverno.
Na América Latina, especialmente nas regiões tropicais, o desafio é praticamente o oposto: reduzir as temperaturas excessivas e melhorar o aproveitamento da alta disponibilidade de radiação solar.
Uma possível tecnologia que poderia ser transferida, segundo Zepeda, é a parede úmida ou sistema de resfriamento ativo, no qual a ventilação é feita pela passagem de água fria através de mantas em uma extremidade da estufa e pela instalação de um exaustor na outra extremidade para recircular o ar frio.
Para Vieira, "o principal valor das inovações desenvolvidas em Wageningen reside não na sua replicação direta, mas na sua adaptação inteligente, que contribui para sistemas agrícolas mais eficientes, resilientes e sustentáveis na América Latina".
'As plantas são cultivadas em substratos, o que permite um maior controle do fornecimento de nutrientes e possibilita a reutilização quase total da água de irrigação', destaca Vieira.
Joris Aben/WUR
Na América Latina, os maiores desafios são diferentes.
"Com uma população crescente, teremos que aumentar a produção de alimentos, preservando os recursos naturais e promovendo a inclusão socioeconômica de produtores com diferentes perfis, desde agricultores familiares até grandes produtores", destaca Vieira.
"Precisamos ser capazes de aumentar a produção de alimentos preservando simultaneamente os recursos naturais e promovendo a inclusão socioeconômica de produtores com diferentes perfis, desde agricultores familiares até grandes produtores", observa ele.
"Um dos principais desafios será produzir de forma mais eficiente e rentável, sem a necessidade de expandir as fronteiras agrícolas para preservar a biodiversidade."
"Além disso, há uma crescente necessidade de promover sistemas de agricultura regenerativa que não apenas minimizem os impactos ambientais, mas também contribuam para a recuperação de áreas degradadas."
Zepeda destaca que, enquanto no passado o foco era produzir calorias suficientes, agora a questão é: como garantir que todos tenham os nutrientes necessários?
Com as mudanças climáticas e as secas, acrescenta, é muito mais difícil produzir em campo aberto para fornecer esses nutrientes à população.
"Estamos ficando sem água e solo, e há muitos eventos climáticos extremos."
A produção intensiva nos Países Baixos pode indicar um caminho a seguir.
"Vejo que a horticultura tem um valor imenso", diz Zepeda. "Porque com uma estufa você pode produzir mais em uma área menor e proteger suas plantações", ressalta ela.
"O desafio, claro, é como adaptar a tecnologia à situação em cada parte do mundo."
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Por que roupas estão tão caras na Argentina — e governo Milei estimula compras fora do país

Segundo um relatório da Secretaria de Comércio da Argentina publicado em março do ano passado, a Argentina tem as roupas mais caras da região
Getty Images via BBC
Em uma loja de roupas baratas em Miami Beach, nos Estados Unidos, quatro argentinos vasculham as araras, escolhem peças sem entrar no provador e empilham roupas no carrinho.
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"Viemos comprar roupas nos EUA porque os preços são muito mais baixos do que na Argentina", diz Macarena, de 29 anos, em seu primeiro dia na cidade.
Para os argentinos que podem viajar ao exterior, comprar roupas em Miami — ou, mais perto, em Santiago, no Chile — virou um dos principais incentivos na hora de viajar.
"Antes de viajar, me organizei financeiramente para levar dinheiro suficiente, já reservando espaço na mala para voltar com as roupas que compraria", acrescenta Macarena.
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Enquanto enchem carrinhos de compras em Miami, muitos argentinos tentam prolongar o uso de roupas gastas, recorrem a lojas de roupas de segunda mão e ao parcelamento com juros altos para renovar o guarda-roupa.
Segundo um relatório da Secretaria de Comércio da Argentina publicado em março do ano passado, a Argentina tem as roupas mais caras da região.
O estudo concluiu que uma camiseta de uma marca internacional pode custar na Argentina até 95% mais do que no Brasil, antes da redução das tarifas de importação de produtos têxteis determinada pelo governo do presidente da Argentina, Javier Milei.
Muitos argentinos levam malas para fazer compras em shoppings do Chile
Getty Images via BBC
Há vários anos, os preços das roupas na Argentina são tema de debate e dividem opiniões no país.
No início deste ano, o ministro da Economia, Luis Caputo, gerou polêmica ao afirmar: "Nunca comprei roupas na Argentina porque era um roubo". Ele acrescentou que os altos preços das peças "prejudicam quem tem menos [dinheiro]".
Segundo um relatório da consultoria Fundar, os preços das roupas na Argentina são, em média, mais altos do que no restante da região. Apesar disso, embora haja consenso de que as roupas "estão caras", não existe acordo sobre qual seria a solução.
Enquanto o setor têxtil defende a redução de impostos e proteção por meio de um câmbio mais alto, o governo de Milei aposta na abertura da economia a produtos importados, incluindo mercadorias da China.
O presidente da Câmara da Indústria Têxtil e do Vestuário da Argentina, Claudio Drescher, define o momento atual como uma "destruição da indústria têxtil na Argentina".
Mas por que as roupas custam mais caro no país?
Impostos sobre o setor
"Mais da metade do valor pago pelo consumidor por uma peça produzida no país corresponde a impostos", afirma Drescher à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.
Segundo Drescher, representante do setor têxtil argentino, o preço de cada peça inclui uma série de tributos, começando pelos 21% do imposto sobre valor agregado (IVA), um tributo nacional indireto cobrado sobre o consumo de bens. O IVA é a principal fonte de arrecadação do Estado argentino.
Além do IVA, há o imposto do cheque de 1,2% sobre movimentações bancárias, cobrado a cada transferência de dinheiro entre bancos. O tributo foi criado em 2001 como medida temporária, mas permanece em vigor há mais de 24 anos na Argentina (há similaridades com a extinta CPMF brasileira).
"Esse é um imposto que a maior parte dos países não costuma ter", explica à BBC News Mundo, Juan Carlos Hallak, doutor em economia pela Universidade Harvard, nos EUA, e professor de economia internacional na Universidade de Buenos Aires, na Argentina.
"É um imposto cumulativo. Isso significa que, se um parafuso é vendido e depois incorporado a uma peça, que por sua vez entra na fabricação de uma máquina, o tributo é cobrado em cada etapa do processo, nesse caso, três vezes", acrescenta Hallak, que dirigiu a subsecretaria de Inserção Internacional do governo do então presidente argentino Mauricio Macri (2015-2019).
Segundo a Câmara da Indústria Têxtil e do Vestuário da Argentina, uma peça produzida na Argentina pode custar até 30% menos no Chile
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A esses tributos se soma ainda uma taxa de 1,8% para pagamentos feitos com cartão. E, quando a compra é parcelada, como ocorre em quase 90% das compras de roupas no país, o parcelamento adiciona ainda quase 15% em custos financeiros ao valor final.
"Uma peça produzida na Argentina e vendida no país custa entre 25% e 30% mais do que custaria se essa mesma peça fosse vendida no Chile", afirma Drescher, da Câmara da Indústria Têxtil e do Vestuário da Argentina.
Segundo dados da entidade, as vendas de marcas argentinas caíram, em média, 38% nos últimos 18 meses, o que levou ao fechamento de mais de 1.600 lojas.
Além disso, mais de 10 mil trabalhadores formais da indústria de confecção perderam o emprego. Especialistas estimam que o setor têxtil gere cerca de 300 mil postos de trabalho na Argentina.
O governo argentino diz que "é falso que empregos estejam sendo perdidos".
Na semana passada, Milei afirmou durante um fórum empresarial que o que ocorre é uma "realocação da força de trabalho" e que trabalhadores demitidos poderiam "migrar mais rapidamente" para setores mais competitivos da economia.
Desde que Milei assumiu o governo, foram derrubados 24 impostos. As medidas, no entanto, não atingiram a indústria têxtil, mas outros setores da economia.
"O governo reduziu impostos internos sobre produtos como carros de luxo. Na minha opinião, neste momento de transição vivido pela Argentina, teria sido preferível reduzir o imposto sobre movimentações bancárias", afirma Hallak, das universidades Harvard e de Buenos Aires.
Abertura para importações
O preço alto das roupas não é explicado apenas pela elevada carga tributária e pelo chamado "atraso cambial", que torna produtos fabricados na Argentina caros tanto dentro quanto fora do país.
Segundo especialistas, o problema também está ligado às barreiras à importação de roupas em vigor há anos na Argentina e que o atual governo vem reduzindo.
Antes do governo de Milei, que assumiu o poder no fim de 2023, roupas produzidas no exterior pagavam tarifa de 35% para entrar na Argentina.
"Em geral, os países cobram tarifas de importação, mas as taxas aplicadas pela Argentina ao setor têxtil eram bastante altas", explica Hallak sobre as medidas de proteção à indústria têxtil.
O atual governo afirma que essa política de proteção transforma alguns empresários argentinos em "caçadores de zoológico", expressão usada para descrever produtores que, sem concorrência externa, conseguem definir preços com maior liberdade.
Por isso, no ano passado, o governo anunciou a redução das tarifas de importação para roupas e calçados vindos do exterior, que passaram de 35% para 20%, "com o objetivo de reduzir os preços locais e aumentar a concorrência".
"A Argentina continua sendo o país com as roupas mais caras da região e do mundo", afirmou Caputo, ao anunciar a medida. "Seguimos reduzindo impostos e tarifas para estimular a concorrência e continuar reduzindo a inflação", acrescentou.
As tarifas de importação de roupas caíram de 35% para 20%
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Além de reduzir tarifas de importação, o governo passou a permitir pequenas compras internacionais via courier, sistema que possibilita comprar produtos pela internet diretamente de lojas no exterior.
Muitos argentinos comemoraram a possibilidade de fazer compras online em marcas como a Shein, que oferecem peças muito mais baratas do que as produzidas na Argentina, algo até então incomum no país.
Vale lembrar que, em 2024, o Brasil seguiu um caminho diferente ao adotar uma lei que estabeleceu a taxação em 20% para compras internacionais de até US$ 50 em plataformas internacionais como Shein, Shopee e AliExpress, popularmente conhecida como "taxa das blusinhas". A taxação foi uma resposta do governo ao pleito de varejistas, após o forte aumento das compras digitais durante a pandemia, e diante da diferença de carga tributária entre produtos nacionais e aqueles importados através das plataformas online.
A medida brasileira, criticada por parte dos consumidores por causa da elevação do custo, teve como efeito a redução das importações e um aumento da arrecadação fiscal.
Macarena, a argentina citada no início desta reportagem que faz compras em Miami, ainda não se sente segura para comprar roupas pela internet diretamente da China, mas diz que pretende experimentar porque amigas já fizeram isso e "deu tudo certo".
Além da redução das tarifas de importação e da liberação do comércio eletrônico, o governo argentino também extinguiu as chamadas "licenças não automáticas de importação", como parte da abertura comercial.
A medida reverteu uma decisão do governo de Alberto Fernández (2019-2023), que exigia autorizações obrigatórias para importadores. A regra, uma barreira não tarifária, tinha como objetivo restringir a entrada de determinados produtos estrangeiros.
Na prática, empresas estrangeiras precisavam obter autorização especial para importar roupas para a Argentina.
"Isso levou a regulações discricionárias. Se você tem o poder de conceder permissões, decide para quem concede e para quem não concede", explica Hallak, das universidades Harvard e de Buenos Aires.
Efeitos sobre os preços
As medidas recentes adotadas pelo governo argentino provocaram um forte impacto no setor têxtil argentino.
Segundo a Câmara da Indústria Têxtil e do Vestuário da Argentina, os preços das roupas subiram 15% no último ano, bem abaixo da inflação acumulada de 33% registrada até fevereiro de 2026. Ao mesmo tempo, a produção local de roupas caiu 15% no período.
Para os representantes do setor, a abertura às importações, somada aos altos impostos, à queda do consumo interno e ao chamado "dólar caro", reduziu a competitividade dos produtos argentinos.
Ou, como dizem os argentinos, faz com que a indústria jogue "com o campo inclinado" — expressão usada para indicar uma competição em desvantagem diante de produtos importados, principalmente da China, como os vendidos pela Shein e pela Temu.
Na semana passada, Milei voltou a defender sua política de abertura econômica.
"Não vamos produzir de tudo. Vamos produzir algumas coisas, aquelas em que somos melhores. Naquilo em que somos ruins, não teremos chance", disse Milei no fim de abril diante de um grupo de empresários argentinos.
Mais de 1.600 lojas de roupas fecharam recentemente na Argentina
Getty Images via BBC
Milei afirmou que a falta de competitividade da indústria têxtil argentina diante da China não está relacionada apenas aos custos, mas também à inovação.
"A Itália tem salários mais altos do que os nossos e, ainda assim, possui uma indústria têxtil forte. Como isso é possível? Eles competem por meio do design. Precisam encontrar uma saída", disse o presidente argentino.
"Culpar os estilistas e dizer que precisamos nos virar para competir com a China me parece uma perversidade como nunca vi na vida", respondeu o estilista argentino Benito Fernández.
Para Hallak, das universidades Harvard e de Buenos Aires, a abertura econômica é um sinal positivo para a economia argentina no longo prazo, mas a velocidade das mudanças preocupa.
"É uma abertura às importações muito agressiva em um setor extremamente sensível. Colocar pressão demais sobre esse setor de uma vez, sem dar tempo para adaptação, pode ser um erro", afirma Hallak.
Ele defende que a indústria têxtil tenha mais prazo para implementar mudanças e competir com produtos importados nos segmentos em que possa ser competitiva.
"Tudo isso leva tempo. Se o processo for rápido e abrupto, empresas que poderiam sobreviver, se adaptar e apostar em competitividade acabarão desaparecendo", conclui Hallak.
Enquanto isso, argentinos como Macarena seguem buscando maneiras de renovar o guarda-roupa.
Reportagem adicional de Thais Carrança, da BBC News Brasil
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A China passa por uma transformação que afeta diretamente o Brasil. Como explica Larissa Wachholz, especialista do núcleo de Ásia do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), a potência asiática busca reduzir sua dependência externa — especialmente de importações como soja e proteínas brasileiras.
Pequim acelera uma estratégia de autossuficiência alimentar porque a fome, historicamente presente no país, é tratada hoje como uma "vulnerabilidade". Por isso, o 15º Plano Quinquenal, que orienta o desenvolvimento do gigante asiático, projeta um crescimento mais moderado e maior foco no fortalecimento do mercado interno. Nesse contexto, segurança alimentar e segurança nacional passam a caminhar juntas.
Esse movimento já aparece nos indicadores: na última década, a participação das importações no PIB chinês caiu de 22% para menos de 18%. Na área de alimentos, a estratégia combina tecnologia, subsídios, expansão da produção doméstica e estoques elevados — um cenário que tende a pressionar exportadores no longo prazo. Hoje, o Brasil responde por 25% de tudo o que a China importa do agronegócio global.
Diante disso, analistas avaliam que a relação bilateral permanece sólida no curto prazo, mas impõe um desafio estratégico: como o Brasil deve se posicionar diante de uma China que continua investindo aqui, mas busca depender cada vez menos do mundo?
Para Wachholz, o país também precisa ficar atento a possíveis acordos entre Estados Unidos e China e ampliar seu leque de parceiros comerciais.
Convidado: Larissa Wachholz, especialista do núcleo de Ásia do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais)
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O plano da China que pode mudar a economia global;
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Como a China venceu corrida global das baterias para veículos elétricos;
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FANTÁSTICO: Da bicicleta ao carro voador: a revolução na China que atropela o Ocidente.
O podcast O Assunto é produzido por: Luiz Felipe Silva, Sarah Resende, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti , Stéphanie Nascimento e Guilherme Gama. Apresentação: Victor Boyadjian. Colaborou neste episódio Paula Paiva Paulo.
Por que o exportador brasileiro vai ter que se sofisticar
O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio. No YouTube, o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações.
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Tesouro Reserva: Tesouro Nacional lança novo investimento que poderá ser negociado 24 horas por dia
Um novo tipo de investimento do Tesouro Direto, plataforma do governo federal para aplicação em títulos públicos, já está disponível para investidores que buscam alternativas mais simples e com previsibilidade de rendimento.
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O Tesouro Reserva é lançado oficialmente nesta segunda-feira (11) como alternativa à poupança, aos CDBs (Certificados de Depósito Bancário) e às caixinhas digitais dos bancos. O novo título permite aplicações a partir de R$ 1 e tem rentabilidade atrelada à taxa básica de juros, a Selic.
🔎 O investimento se diferencia do já conhecido Tesouro Selic pela simplificação: o Tesouro Reserva tem aplicação mínima menor, permite resgate a qualquer momento e não traz a mesma complexidade da chamada marcação a mercado — mecanismo que atualiza diariamente o preço dos títulos e que pode afetar o valor recebido pelo investidor em caso de resgate antecipado. (leia mais abaixo)
Alguns clientes do Banco do Brasil (BB) já tiveram acesso ao investimento durante a fase de testes. A liberação integral para os correntistas começou na última quinta-feira (7). Hoje, ocorre o tradicional toque da campainha na B3, a bolsa de valores brasileira, dando início à oferta do título ao público geral.
Veja abaixo perguntas e respostas sobre o novo título.
O que é o Tesouro Reserva?
Quais as condições de aplicação e resgate?
Qual a rentabilidade e o risco?
Onde e como investir?
Por que concorre com CDBs?
Quais são as taxas e impostos?
Governo lança o Tesouro Reserva, novo investimento com aplicação a partir de R$ 1
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O que é o Tesouro Reserva?
É um novo título de dívida pública do Tesouro Direto, plataforma do governo federal para investimentos em papéis públicos. Segundo o Ministério da Fazenda, o produto foi criado para formação de reserva financeira, “com foco em simplicidade e previsibilidade”.
Quais as condições de aplicação e resgate?
O Tesouro Reserva terá investimento mínimo de R$ 1. Segundo especialistas, isso democratiza e facilita o acesso por investidores iniciantes.
O sistema permite investir e resgatar o dinheiro a qualquer hora do dia, todos os dias da semana, inclusive com possibilidade de transferência via PIX. A única exceção é o intervalo entre 0h e 1h, todos os dias.
"Isso aproxima o Tesouro Direto da experiência que hoje o investidor já encontra nas fintechs [bancos e plataformas digitais]", avalia Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.
O vencimento do papel será de 3 anos, mas o resgate pode ser feito a qualquer momento, sem descontos.
Qual a rentabilidade e o risco?
O novo título terá rendimento atrelado à Selic, a taxa básica de juros da economia, atualmente em 14,50% ao ano. A rentabilidade será equivalente a 100% da taxa.
Em simulação divulgada pelo Tesouro Direto, um investimento de R$ 10 mil renderia R$ 11.006,88 após 12 meses, valor R$ 390,10 a mais do que na poupança.
Por ser um título público de renda fixa emitido pelo governo federal, o investimento é considerado de baixo risco. Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, o produto mira quem “quer rentabilidade, mas também quer segurança”.
🔎 O investimento não está sujeito à volatilidade diária típica da chamada marcação a mercado — mecanismo que faz o valor de títulos oscilar diariamente conforme mudam as expectativas do mercado para os juros e a inflação.
Na prática, isso significa que o valor aplicado não sofrerá oscilações no momento da compra ou do resgate, trazendo mais previsibilidade ao investidor.
Onde e como investir?
O investimento já está disponível para clientes do Banco do Brasil, que desenvolveu o produto em parceria com a Secretaria do Tesouro Nacional.
Segundo o Ministério da Fazenda, a oferta do título em outras instituições financeiras dependerá da adesão e implementação por parte de cada banco.
A pasta acrescenta que, para investir, o processo segue o fluxo tradicional do Tesouro Direto: o cliente do Banco do Brasil deve acessar a área do Tesouro Direto no aplicativo de investimentos, selecionar o Tesouro Reserva, definir o valor da aplicação e confirmar a operação.
Nos demais bancos, a operação deverá funcionar de forma semelhante após a disponibilização do título.
Por que concorre com CDBs?
Por ser um investimento prático, com valor mínimo baixo, resgate a qualquer momento e rendimento atrelado à Selic, o Tesouro Reserva se torna uma alternativa interessante aos CDBs, às caixinhas digitais e à poupança, dizem especialistas.
“O desafio será competir com o retorno de CDBs, LCIs e LCAs, que muitas vezes são mais atrativos e não têm taxas”, diz Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos.
Relembre os conceitos de CDBs, LCIs, LCAs e caixinhas digitais:
💰Os CDBs são investimentos de renda fixa em que o cliente empresta dinheiro ao banco em troca de juros.
🏠 As LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) são títulos de renda fixa usados pelos bancos para financiar o setor imobiliário, geralmente isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas.
🌾 As LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) funcionam de forma semelhante às LCIs, mas os recursos são direcionados ao financiamento do agronegócio.
🐷 Já nas caixinhas digitais, o banco organiza e aplica automaticamente o dinheiro do cliente em investimentos de renda fixa voltados a objetivos específicos.
Marcos Praça, da ZERO Markets, tem a mesma leitura. Ele avalia que o Tesouro Reserva tende a ser uma alternativa competitiva para a reserva de emergência, principalmente pela combinação entre segurança, rapidez no saque e previsibilidade.
"Em um ambiente de juros ainda altos no Brasil, produtos atrelados à Selic continuam muito atrativos para o investidor conservador", conclui.
Quais são as taxas e impostos?
Como qualquer investimento do Tesouro Direto, o Tesouro Reserva também está sujeito à tabela regressiva do Imposto de Renda aplicada aos investimentos de renda fixa.
Nesse modelo, a alíquota começa em 22,5% para aplicações de até 180 dias e cai gradualmente até 15% para investimentos mantidos por mais de dois anos.
Até 180 dias de investimento, 22,5%;
De 181 a 360 dias de investimento, 20%;
De 361 a 720 dias de investimento, 17,5%;
Acima de 720 dias, 15%.
🔎 O Imposto de Renda incide apenas sobre os rendimentos do investimento, e não sobre o valor total aplicado. Por exemplo: se uma pessoa investir R$ 1.000 e, após um período, o saldo subir para R$ 1.100, o IR será cobrado somente sobre os R$ 100 de ganho.
Além do IR, também há cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em caso de resgate nos primeiros 30 dias da aplicação. Após esse período, o imposto deixa de ser aplicado.
Além disso, o investimento tem taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano. No entanto, aplicações de até R$ 10 mil são isentas dessa cobrança.
O que faz a Compass, empresa que estreia na bolsa nesta segunda

Carreta criogênica da Edge, empresa da Compass, transporta GNL do Terminal de Regaseificação de São Paulo (TRSP) para indústrias localizadas em regiões sem acesso a gasodutos.
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A Compass, empresa de gás e energia controlada pela Cosan, estreia nesta segunda-feira (11) na B3 com uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) que deve movimentar até cerca de R$ 3,2 bilhões. É a primeira companhia a abrir capital na bolsa brasileira desde 2021. (leia mais abaixo)
🔎 Um IPO (Initial Public Offering) é a primeira oferta pública de ações de uma empresa. A operação marca a entrada da companhia na bolsa e permite que investidores passem a negociar seus papéis no mercado.
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A empresa de gás e energia controla diversos negócios e atua em diferentes etapas do mercado de gás natural no Brasil, incluindo distribuição, infraestrutura e comercialização.
Entre seus principais ativos está a participação na Comgás, maior distribuidora de gás canalizado do país, com atuação em São Paulo.
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A empresa também tem participação em outras distribuidoras, como Sulgás (RS), Compagás (PR), MS Gás e SCGás, além de operar o Terminal de Regaseificação de São Paulo (TRSP), no Porto de Santos.
O terminal é responsável por importar gás natural liquefeito (GNL) — combustível transportado em navios e convertido novamente em gás no Brasil para abastecer o mercado nacional.
A Compass também investe na expansão da rede de distribuição para atender residências, comércios e indústrias, principalmente em regiões de forte atividade econômica.
Com cerca de 3,1 milhões de clientes conectados, a empresa opera uma rede de aproximadamente 28 mil quilômetros, por onde são distribuídos 14,4 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Desde 2020, os investimentos somaram cerca de R$ 15 bilhões, segundo a companhia.
De acordo com o documento apresentado aos investidores para o IPO, a companhia encerrou 2025 com patrimônio líquido de R$ 7,43 bilhões.
A capitalização total ajustada da empresa — indicador que reflete sua estrutura de capital e considera patrimônio líquido, empréstimos, financiamentos e debêntures — somava R$ 25,36 bilhões no fim de 2025.
Entenda o IPO
A Compass será listada na B3 sob o código “PASS3”. A companhia definiu o preço de suas ações em R$ 28 no IPO, no piso da faixa estimada para a oferta, que ia até R$ 35 por papel. Com isso, a operação irá movimentar cerca de R$ 3,2 bilhões.
Inicialmente, a oferta envolveu 89,3 milhões de ações, em uma operação de cerca de R$ 2,5 bilhões. Diante da demanda dos investidores, a oferta foi ampliada com lotes adicionais de ações, elevando o valor total em aproximadamente R$ 700 milhões.
Com o IPO, a Compass faz sua estreia na bolsa avaliada em cerca de R$ 20 bilhões.
💵 A operação é totalmente secundária — ou seja, não envolve a emissão de novas ações. Na prática, os papéis ofertados já pertencem a acionistas atuais, que estão reduzindo suas participações. Com isso, os recursos da oferta não irão para o caixa da companhia, mas para os vendedores.
Entre os investidores que estão vendendo ações estão a controladora Cosan, fundos da Atmos e da Brasil Capital, além de Bradesco Vida e Previdência e do grupo Bússola. Com isso, a operação serve para reforçar o caixa da Cosan.
Planta de biometano da OneBio, em Paulínia (SP), controlada pela Edge, empresa da Compass.
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O BTG Pactual atua como coordenador líder da operação — ou seja, é o banco responsável por organizar a oferta e liderar a venda das ações ao mercado. A operação também conta com Bank of America, Bradesco BBI, Citi, Itaú BBA, Santander, JPMorgan, XP, BNP Paribas e UBS BB.
Em comunicado ao mercado, a controladora Cosan informou que irá reduzir sua participação de 88% para 77,25%, podendo chegar a 75,37% caso as ações adicionais também sejam negociadas no IPO. A oferta envolve 76,8 milhões de ações, com lote suplementar que pode contemplar 13,4 milhões de papéis.
Ainda segundo a Cosan, caso todas as ações suplementares sejam vendidas, a oferta pode chegar a R$ 3,2 bilhões, dos quais R$ 2,5 bilhões ficam com a companhia. O movimento ocorre em um processo em que o grupo busca reduzir o endividamento.
Segundo o documento apresentado aos investidores para o IPO, a oferta é voltada apenas a investidores profissionais, como fundos de investimento, bancos e instituições financeiras.
Por que a bolsa ficou sem IPOs?
O Brasil ficou quase cinco anos anos sem IPOs. O último havia ocorrido em setembro de 2021, quando a empresa de insumos agrícolas Vittia estreou na bolsa de valores. Foi a 45ª abertura de capital daquele ano, segundo dados da B3.
A retomada do mercado após o hiato começou neste ano, mas no exterior. Em janeiro, o banco digital PicPay realizou sua oferta pública inicial nos Estados Unidos e levantou cerca de US$ 434,3 milhões com a oferta de aproximadamente 22,9 milhões de ações na Nasdaq.
Como mostrou o g1, a seca na bolsa brasileira ocorreu, em grande parte, devido à disparada dos juros no país nos últimos anos, movimento que levou a taxa Selic a 15% ao ano — o maior patamar em cerca de duas décadas. Atualmente, ela está em 14,50% ao ano, com perspectiva de queda.
Veja abaixo:
A lógica é simples: quanto maiores os juros, maior tende a ser o retorno de aplicações de renda fixa, que costumam oferecer menos risco. Dessa forma, muitos investidores preferem direcionar recursos para esses investimentos, reduzindo o interesse por IPOs.
Além dos juros elevados, também pesou a preocupação com as contas públicas do país. Antes de lançar uma oferta inicial de ações, as empresas costumam levar em conta todo esse cenário econômico, além de fatores internos e das condições do mercado.
Apesar das incertezas provocadas pelo tarifaço do presidente dos EUA, Donald Trump, e pelos conflitos no Oriente Médio, a expectativa do mercado é de queda da taxa Selic para 13% ao ano, o que tende a melhorar o ambiente para esse tipo de operação. Para o fim de 2027, a projeção é de juros em 11% ao ano.